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Ciclismo: Credibilização do desporto para a promoção do espetáculo

A imprevisibilidade é a chave para o sucesso de qualquer desporto. Quanto maior for a incerteza relativamente ao vencedor de determinada competição, maior será o interesse do público em seguir essa mesma prova. Consequentemente, maiores serão os dividendos financeiros que se podem retirar de determinado evento desportivo. No ciclismo acontece exatamente o mesmo.

INCERTEZA COMO CHAVE PARA O SUCESSO

A edição deste ano do Tour de France ficou marcada por uma tremenda incerteza relativamente ao vencedor final. Na minha opinião, a ausência de Chris Froome foi uma das razões que ajudam a explicar a maior competitividade na Volta a França 2019.

Nos últimos sete anos, o britânico venceu quatro edições. Se tivermos em conta que desistiu devido a queda em 2014, o cenário é ainda mais “assustador”. Em duas dessas vitórias, Froome triunfou nos Campos Elísios com uma vantagem superior a quatro minutos.

Se a estes dados juntarmos o facto de a Ineos (antiga Sky) ter um orçamento bastante superior ao de qualquer outra equipa, é fácil perceber que quem sair a perder é a competitividade da modalidade em geral.

Curiosamente, no ano em Chris Froome desistiu devido a queda o vencedor foi Vincenzo Nibali com uma vantagem superior a sete minutos. No entanto, será importante dizer que por exemplo Alberto Contador, um dos principais favoritos na altura a vencer a prova, também desistiu.

A NBA E A PREMIER LEAGUE COMO MODELOS A SEGUIR

O público do ciclismo não gosta por norma de comparações com outras modalidades, sobretudo com o futebol. É certo que o ciclismo tem uma realidade bastante particular e que as comparações com outros desportos, sobretudo coletivos, podem ser pouco produtivas.

No entanto, existem alguns bons exemplos que podem servir de inspiração para tornar o ciclismo uma modalidade com uma maior presença mediática.

O caso da NBA é paradigmático. A principal preocupação da liga passa por tornar o seu campeonato o mais competitivo possível. São inúmeras as restrições colocadas às equipas de forma a evitar que se construam planteis de superestrelas. Nos últimos anos, a discussão em torno dos Golden State Warriors levantou bastantes questões sobre as regras que atualmente estão em vigor e como pode a própria liga dificultar ainda mais a vida às equipas de forma a evitar este cenário. O objetivo é claro e passa exclusivamente por promover a maior incerteza possível sobre o vencedor final.

Outro bom exemplo é a Premier League. Num continente diferente e também perante uma realidade completamente oposta, a liga promove a maior competitividade possível entre as equipas. Neste caso, o segredo assenta numa redistribuição dos direitos televisivos mais equitativa e que diminua a diferença entre as equipas.

Em ambos os casos, a tónica está em colocar a maior incerteza possível no resultado final.

Este Bayern precisa de reforços como de pão para a boca

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O FC Bayern Munique é uma das grandes equipas mundiais e o crónico campeão alemão. É, aliás, o atual heptacampeão germânico, mas podemos dizer que está numa fase decrescente. O último campeonato já foi conquistado de forma mais apertada (e muito por causa de deslizes inesperados do Dortmund, que chegou a ter uma vantagem confortável para os bávaros) e Niko Kovac nunca convenceu definitivamente os adeptos. Ainda assim, com uma reta final de época positiva, os bávaros “cumpriram a obrigação” e salvaram a época com o campeonato e a taça.

Esperava-se um Verão agitado na Baviera, mas não é bem isso que tem acontecido. Robben e Ribery, dois históricos do clube, penduraram as botas e deixaram duas clareiras nas alas; James voltou ao clube de origem, Hummels saiu para o Dortmund e Rafinha para o Flamengo. Apenas as saídas dos dois últimos foram acauteladas, com as contratações dos campeões do mundo Benjamin Pavard e Lucas Hernandez, ao Estugarda por 35 milhões de euros e ao Atletico de Madrid por 80 milhões, respetivamente. Dois jogadores polivalentes que atuam preferencialmente no centro da defesa, mas que também acrescentam qualidade a jogar nas laterais (foram os laterais titulares da França no campeonato do mundo de 2018).

Foi com um plantel curtíssim,o para uma equipa com as exigências de um colosso, que os bávaros disputaram, no passado sábado, a Supertaça alemã. Perderam por 2-0 frente ao Borussia Dortmund, num encontro que serviu de claro aviso aos dirigentes do clube: ou acrescentam 4/5 jogadores de qualidade ao conjunto, ou terão a época mais penosa dos últimos anos.

Lucas Hernandez é o reforço mais caro dos bávaros, mas encontra-se lesionado
Fonte: FC Bayern

Niko Kovac apostou no seguinte onze: Neuer, Kimmich, Boateng, Sule, Alaba, Thiago, Tolisso, Goretzka, Coman, Muller e Lewandowski. Apesar de ter uma alienação inicial forte, o Bayern foi inferior ao Dortmund, sofrendo com os contra-ataques dos amarelos e revelando problemas nas zonas de finalização. Na segunda parte, com a equipa em desvantagem e com o natural desgaste dos titulares, saltou à vista o principal problema desta equipa: a (falta de) profundidade do plantel. No banco estavam Hoffman, Ulreich, Pavard, Sanches, Singh, Joahnsson, Davies e Arp. Destes, quantos podem ajudar a inverter uma vantagem de 2-0? Quantos são jogadores de valia de candidato à Champions? Entraram Davies para o lugar do desastrado Muller, mas ainda parece estar verde para estas andanças; Sanches para jogar a extremo-esquerdo, em mais uma opção sem nexo de Kovac, e Pavard para o lugar de Thiago. O resultado não se alterou, o Dortmund demonstrou superioridade sobre o rival em quase todos os momentos do jogo, mas o jogo poderá ter servido para abrir os olhos à direção: o Bayern precisa de reforços como de pão para a boca. A situação é tão óbvia que já gerou algum desconforto interno, com declarações púbicas de Kimmich e Lewandowski a alertar para a necessidade de reforçar o plantel.

E que reforços são esses? Terá o Bayern capacidade para reforçar todas as posições que necessita, depois de já ter gasto 115 milhões de euros em dois defesas?

A meu ver, os reforços mais essenciais serão um médio com forte chegada à área (como foi James nas últimas épocas), dois extremos virtuosos de créditos firmados e um ponta-de-lança para crescer na sombra de Lewandowski. No entanto, também não seria de descartar um médio 6/8, o que poderia libertar finalmente o desagradado Renato Sanches para outras paragens. A meu ver, e jogando um pouco de «Football Manager» real, o Bayern poderia tentar novamente James Rodriguez ou Dybala para vaguearem nas costas do ponta-de-lança; nas alas apostaria no “esquecido em Paris” Julian Draxler e no irreverente Zaha; e em Mariano Diaz como alternativa a Lewandowski.

Com os valores de mercado atuais, teriam quer ser investidos mais de duas centenas de milhões de euros no reforço destas posições, o que pode, claramente, comprometer as contas do fair-play financeiro dos germânicos.

Fazendo apostas mais ou menos arrojadas, o que é certo é que o Bayern precisa de ir ao mercado para formar um plantel mais coeso. Depois, cabe a Kovac retribuir a confiança que a direção tem depositado nele, mesmo demonstrando alguma incapacidade de gerir egos de um balneário como o dos heptacampeões alemães.

Foto de Capa: FC Bayern

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

Max Verstappen: O perfil de um (futuro) campeão

Entrámos agora na pausa de verão do campeonato de Fórmula 1, que nos deixa sem qualquer ação e adrenalina durante cerca de um mês.

No entanto, para quem está um pouco mais “a leste” do campeonato, decidi falar do piloto que tem surpreendido (pela positiva) o mundo do desporto motorizado: Max Verstappen.

O piloto holandês, de apenas 21 anos, já está há três anos na Fórmula 1, tem conquistado, principalmente nos últimos anos, uma legião de fãs impressionante, com tudo o que tem adquirido na sua carreira na Fórmula 1 – seja os pódios, as vitórias e a(s) pole(s), mas o facto de ter no sangue o espírito de corrida e ser caracterizado pela sua garra e ambição, fazem com que os adeptos o sigam cada vez mais.

UM PASSADO COM HISTÓRIA

Nascido na Bélgica a 30 de setembro de 1997, e filho do ex-piloto de Fórmula 1, Jos Verstappen, e piloto de karting, Sophie Kumpen, Max tem provado, desde cedo, que “filho de peixe sabe nadar”. Como?

A sua carreira no desporto motorizado começou nos kartings em 2001 – tendo alcançado, no seu percurso, algumas vitórias nos campeonatos belgas e holandeses – até 2014, quando começou a sua experiência em monolugares, competindo na Florida Winter Series. No mesmo ano, assinou contrato para participar na FIA Formula 3, onde acabou a temporada em terceiro lugar.

Ainda em 2014, o piloto juntou-se à equipa júnior da Red Bull (Red Bull Junior Team) após fazer testes pela Formula Renault 3.5, e esta entrada viria a ser crucial para assegurar a sua presença na Fórmula 1.

Max Verstappen no carro da Fortec Motorsports – Formula Renault 3.5 (2014)
Fonte: Formula 1

TRÊS (AMBICIOSOS) ANOS NA FÓRMULA 1

Verstappen começa a sua jornada no topo dos desportos motorizados na temporada de 2015, pela Scuderia Toro Rosso, equipa italiana caraterizada por albergar as estrelas em ascensão da equipa júnior da Red Bull.

Pela Toro Rosso, conquistou bons resultados para a equipa, e até estabeleceu algumas marcas: Piloto mais jovem a testar um carro de Fórmula 1, com 17 anos e 2 dias; e piloto mais jovem a correr na Fórmula 1, com 17 anos e 166 dias.

No entanto, a estreia pela Red Bull Racing seria mais perto do que o esperado: após quatro corridas disputadas pela Toro Rosso na época seguinte (2016). Max Verstappen seria promovido a segundo piloto da Red Bull Racing, com a despromoção de Daniil Kvyat para a Toro Rosso devido a erros cruciais disputados pelo piloto russo. E, pelo contrário, a esperança crescia no jovem holandês para levar a Red Bull à competitividade já provada nos anos anteriores.

E a decisão tornava-se certa, quando, na corrida de estreia pela Red Bull – o GP de Espanha – Verstappen consegue a sua primeira vitória na Fórmula 1, tornando-se o mais jovem a conseguir uma vitória, com 18 anos e 228 dias.

Até aos dias de hoje, o piloto holandês já conquistou mais do que aquilo que se pensava: vitória em sete corridas, uma pole position e já 27 pódios pela Red Bull Racing – para além das inúmeras “melhores voltas” que o piloto tem vindo a fazer, que, sinceramente, acabamos a perder as contas.

Poderá ser já na próxima prova – GP da Bélgica, a sua “segunda casa” – a oportunidade perfeita para fazer estes números crescer? Sendo no próximo GP ou não, eventualmente irá acontecer.

Max Verstappen em testes para a Scuderia Toro Rosso, no treino livre do GP do Japão (2014)
Fonte: Formula 1

FUTURO CAMPEÃO?

Conseguimos imaginar Max Verstappen como campeão de Fórmula 1 nos próximos anos?

A sua ambição, o seu espírito jovem e a motivação que mostra cada vez que entra no carro dizem que sim. Este miúdo está preparadíssimo para subir ao topo do mundial de Fórmula 1.

Lá no fundo, todos nós queremos acreditar que, nos próximos anos, teremos este jovem como campeão do mundo. Porque, afinal de contas, isso só quereria dizer uma coisa: o espírito da Fórmula 1 está vivo. E bem vivo.

E tudo o que queremos ver é, um miúdo, que, mesmo não tendo o carro mais competitivo da época, consegue mesmo assim desafiar-se a si próprio e à equipa – que pretende também voltar ao topo – e, com a garra e a ambição, conseguir isso mesmo. E é isto que vemos no Max Verstappen. Um pouco de loucura, que, com a determinação certa e alguns limites, darão a este piloto um futuro brilhante.

Mas que limites? A mim parece-me que, para o holandês, o único limite é o céu. E mesmo assim, nem o céu consegue ser, visto que Verstappen acaba por ser uma estrela em ascensão, que, se tudo correr como esperado, acabará por concretizar o seu objetivo principal – ser campeão.

Foto de Capa: Red Bull Racing

artigo revisto por: Ana Ferreira

Jogadores que Admiro #103 – Léo

De todos os laterais esquerdos que vi com o símbolo glorioso ao peito, Leonardo Lourenço Bastos foi o que mais me marcou.

O nome Léo ficará para sempre destacado na primeira década deste século. O brasileiro carregou o futebol encarnado puramente com o seu génio. Uma década de um Benfica futebolisticamente frágil e desorientado, onde foi graças a jogadores como Léo que as bancadas ainda foram vibrando.

Chegou ao SL Benfica já com 30 anos e participou em três épocas e meia antes de regressar ao Santos FC. Chegou após a conquista de um campeonato nacional e saiu na época anterior à conquista do seguinte. Também ele se junta a outros grandes nomes da história encarnada que nunca puderam celebrar um título pelo SL Benfica.

Com um futebol muito parecido ao de Grimaldo, o brasileiro fez o que o espanhol faz actualmente, mas num contexto onde não era impulsionado pela qualidade daqueles que o rodeavam.

Um jogador de técnica refinada, com espírito lutador e a jogar de cabeça levantada. Uma inteligência acima da média, toque de bola e criatividade para constantes ingressões ofensivas.

O brasileiro Léo já deixa saudades para os adeptos do SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Enquanto benfiquista ficarei sempre grato por o poder ter visto jogar pelo meu clube, pela sua qualidade e por toda a paixão que sempre demonstrou por ele, tanto dentro como fora dos relvados.

Os adeptos da minha geração irão sempre recordar a primeira década deste século como aquela que viveram com maior intensidade e paixão. Foi a década da nossa adolescência. Anos onde apesar da ausência de conquistas íamos vibrando com as jogadas, golos e desarmes dos nossos ídolos. E o lateral esquerdo brasileiro será sempre um ídolo para esta geração.

Chegou ao SL Benfica em 2005 após o clube conquistar o campeonato nacional depois de uma seca de 10 anos. Participou activamente em três épocas, mas sem alcançar qualquer conquista. Na última época na Luz acabou por praticamente não jogar e rescindiu contrato em Janeiro por motivos familiares. Na época seguinte o SL Benfica voltou a sagrar-se campeão nacional.

Um período inglório para um jogador tão marcante. Não conseguiu aquilo que muitos conseguiram, mas conquistou o que poucos puderam alcançar – as bancadas.

Enorme Léo.

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

Onze de potenciais revelações da Primeira Liga 19/20

Neste fim-de-semana terá início o campeonato nacional referente à temporada 19/20. Com a bola novamente a rolar nos relvados dos estádios nacionais, os adeptos podem finalmente assistir ao vivo e a cores aos jogos das suas equipas e ver em acção os reforços pelos quais tanto expectavam.

Num mercado que ficou repleto de contratações “exóticas” por parte das equipas fora dos três grandes, existem sempre aqueles jogadores que chegam sob elevadas expectativas e que podem acrescentar qualidade ao nosso campeonato. Como tal, irei aqui fazer um onze com os jogadores que podem ser as revelações da nova época que está a começar.

Quem será a equipa revelação da época 2019/2020?

A equipa revelação da época 2019/2020

E eis que finalmente a nova época está mesmo aí, ao virar da esquina. Foram longas semanas, mas finalmente a bola vai voltar a rolar na Primeira Liga. E como é hábito, todos os adeptos fazem os seus prognósticos, muitas das vezes mais com o coração do que com a razão.  Assim sendo, e tentando somente dar voz à razão, deixamos aqui uma opinião muito pessoal de cada um de nós, mas que acreditamos que possa ser realidade lá para meados de maio do próximo ano.

Aboubakar e a falta de espaço

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Depois de uma pré-época pautada pelos resultados equilibrados, a equipa de Sérgio Conceição já meteu os pés ao caminho e já entrou nos jogos a doer. Ontem, frente ao FK Krasnodar teve o primeiro teste da época. Sábado, frente ao Gil Vicente FC, dá o pontapé de saída para os jogos do campeonato.

Com saídas e entradas, e ainda com o plantel por fechar, surgem as primeiras questões – Aboubakar. O avançando tem sido um dos nomes mais falados nesta temporada. Com a possível permanência de Marega e Soares, a chamada de Fábio Silva e o reforço Zé Luís… Onde é que cabe o camaronês nesta linha ofensiva? Por entre avançados, segundos avançados e pontas de lança, Aboubakar perdeu espaço e dificilmente terá lugar na equipa de Sérgio Conceição.

O camaronês fez apenas um jogo a titular durante a pré-época e pode estar de saída do FC Porto
Fonte: FC Porto

Depois de uma grave lesão que o afastou dos relvados na época passada durante longos meses, o camaronês ainda não teve oportunidade de mostrar como está fisicamente. E, inevitavelmente, a falta de minutos nas pernas não lhe permite voltar facilmente à forma antiga.

Na pré-época, o jogador apenas realizou um jogo a titular, frente ao SC Farense, e marcou apenas um golo, frente ao FC Porto B, deixando assim a certeza que ainda está longe de recuperar totalmente a forma física, assim como de recuperar o lugar que tinha conquistado.

Frente ao AS Monaco FC, no jogo de apresentação, o avançado nem saiu do banco, tendo sido preterido pelo jovem Fábio Silva. Nesse jogo, os dragões estavam a perder e, mesmo com esta condicionante, o treinador deu lugar ao português ao invés do experiente avançado.

O facto de perder espaço no clube possibilita apenas uma solução: a saída. Algo que possivelmente agrada o jogador, uma vez que aquilo que pretende é jogar. Ao que se consta, já houve abordagens para uma possível transferência do camaronês, mas até ao momento nada em concreto.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ivanildo Fernandes: um caso semelhante a Merih Demiral

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A academia do Sporting Clube de Portugal já formou excelentes médios e avançados, sendo que muitos deles atuaram e atuam, inclusive, nas melhores equipas europeias, mas no que toca à zona defensiva são poucos os casos de sucesso. Se fizermos uma análise aos defesas da formação que foram apostas para a equipa principal nos últimos anos, conseguimos constatar que essa aposta tem sido praticamente nula. Mas porque será que isso (não) acontece? Será que o próprio clube não tem confiança nos atletas que forma?

O caso mais gritante tem sido o de Thierry Correia. Sendo um jogador bastante completo e polivalente, a sua aposta concreta tem vindo a ser adiada jogo após jogo e não se percebe o porquê. Contudo, existe um jogador da formação que tem passado despercebido à opinião pública, de seu nome Ivanildo Fernandes. O jovem central tem sido um caso semelhante a Francisco Geraldes, no sentido em que o Sporting reconhece a sua qualidade, mas é sistematicamente emprestado.

Após uma época de bom nível ao serviço do Moreirense, com 26 jogos disputados e um golo apontado, foi chamado para integrar a pré-época dos leões e tudo apontava para que continuasse de leão ao peito. Mas Marcel Keizer, que chegou ao Sporting com a promessa de apostar na “prata” da casa, decidiu não contar com o jogador, sendo posteriormente emprestado aos turcos do Trabzonspor.

Ivanildo Fernandes volta a ser emprestado, desta feita aos turcos do Trabzonspor
Fonte: Moreirense FC

O treinador leonino decidiu apostar no jovem Eduardo Quaresma, de apenas 17 anos (é atualmente um dos maiores talentos da academia de Alcochete, quer pela sua qualidade quer pela sua polivalência), apesar de estar planeada uma aposta muito mais regular na equipa sub-23 que atua na Liga Revelação. Sendo Eduardo Quaresma um jogador tão jovem, seria muito mais seguro e sensato apostar num central com mais experiência, num setor onde os erros se pagam caro e nesse sentido, a aposta em Ivanildo enquadrava-se perfeitamente.

Num passado não muito distante, o Sporting ficou muito mal na fotografia quando decidiu emprestar Merih Demiral, com uma cláusula de compra baixa em comparação com a sua qualidade, porque no espaço de um ano o defesa foi trocando de clube até chegar à Juventus por valores próximos dos 20 milhões de euros. Ora para um clube da dimensão da Juventus oferecer tal quantia por um “dispensável” do plantel leonino, é sinal que o clube errou em não apostar no jogador, que poderia ter tirado muito mais proveito do jogador, quer seja em termos desportivos, quer seja em termos económicos.

Mas como errar é humano, há que aprender com os erros do passado, de forma a que situações desta gravidade não se voltem a repetir. Contudo e olhando para o caso de Ivanildo Fernandes, parece que o clube leonino em nada aprendeu com Merih Demiral e mesmo que o central português não chegue a apresentar o mesmo rendimento que o central turco, a verdade é que as semelhanças são evidentes e os sportinguistas deveriam estar preocupados. O Sporting é atualmente um clube vendedor que necessita das vendas para equilibrar as contas, mas se continuamos a deixar “escapar” talento da formação desta forma, certamente que o caminho para o sucesso será mais longo e atribulado.

Foto de Capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

FK Ventspils 0-3 Vitória SC: A goleada que Riga não esquecerá!

O desafio entre FK Ventspils e Vitória SC teve lugar em Riga, capital da Letónia, onde foi cumprida a primeira mão da terceira eliminatória da pré-elimanatória de acesso à fase de grupos da Liga Europa. O favoritismo apontava em todos os sentidos para a equipa portuguesa, devido a inúmeros fatores sendo o principal a qualidade superior do Vitória SC.

À semelhança dos jogos anteriores, o técnico Ivo Vieira tem rodado quase todos os setores, devido à razão da existência de jogos de 3 em 3 dias, apenas não rodando Al Musrati e o trio do ataque essencialmente por lesões e, principalmente, por falta de soluções no ataque.

A primeira ameaça de golo pertence à equipa da Letónia, aos 10 minutos de jogo, proveniente de uma falta assinalada por Tapsoba, mas Miguel Silva controla a bola sem representar qualquer preocupação para a equipa vitoriana. Por parte da equipa vimaranense iam sendo feitas ameaças à baliza adversárias mas estas não representavam grande perigo para efetuar o golo, e que era tão desejado. Aos 17 minutos de jogo, o belíssimo cruzamento de Rochinha posiciona Guedes naquele que foi a maior oportunidade de golo, no entanto, a bola vai contra a trave, negando o golo à equipa de Ivo Vieira.

É no fim da primeira meia hora de jogo que surge o tão esperado golo que coloca a formação vitoriana em superioridade numérica no marcador, proveniente de um livre lateral direito cobrado de forma belissíma por Rochinha e é Davidson que cabeceia e se estreia a marcar o seu primeiro golo oficial da temporada.  Ao intervalo o resultado fazia correspondência ao favoritismo, com o Vitória à frente por 1 bola a 0.

O jogo ia para intervalo com a vantagem mínima para o Vitória SC
Fonte: FK Ventspils

Apenas aos 5 minutos da segunda parte, Pêpê Rodrigues com um remate bom e forte faz justiça aquela que é a superioridade do Vitória SC até ao momento, aumentando a vantagem no marcador para 2 golos a 0. Aos 51 minutos, surge a oportunidade para a equipa de FC Ventspils por parte de Villela, mas a bola vai de encontro à trave, embora o perigo fosse eminente.

O resultado começou a fazer estragos tanto a nível físico como a nível psicológico na equipa do Ventspils demonstrando isso em campo, relevando mais uma vez a superioridade do Vitória que dominava claramente o jogo.

O terceiro golo provêm de João Carlos Teixeira, um jogador criativo, acabado de entrar para substituir Guedes, tenta logo marcar mas acaba por aparecer Joseph atrás e ser este a finalizar o golo aos 80 minutos de jogo na Letónia.

O Vitória SC volta para Guimarães com missão cumprida, mas embora seja uma posição confortável para abandonar esta pré-eliminatória nada é impossível, principalmente, no que diz respeito ao futebol. De salientar, o apoio incondicional de ambas as equipas que apesar da distância – uns mais, outros menos – se fizeram ouvir e demonstraram amor incondicional para com os seus clubes.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

FK Ventspils: Kudrjacevs, Alcénat, Villela, Karacoks, Serhiichuk (53′, Ulimbasevs), Tosin, Mchedlishvili (73′, Tãlbergs), Svarups, Mamah, Batista, Palavandishvili.

Vitória SC: Miguel Silva, Pedro Henrique, Florent, Tapsoba, Al Musrati, Rochinha (74′, André Almeida), Pêpê Rodrigues, Davidson (85′, Lucas Soares), Guedes (79′, João Carlos Teixeira), Sacko, Joseph.

Brondby IF 2-4 SC Braga: Chuva de golos cai mais para o lado dos minhotos

Foram 30 minutos de boa qualidade dos bracarenses na primeira parte e cinco minutos eficazes – a contar com os descontos –, na segunda parte, que desmantelaram a tática apresentada pelo conjunto dinamarquês. O SC Braga até começou a perder e passaram grande parte da partida sob domínio, mas a sua qualidade técnica e sobretudo eficácia prevaleceram, pelo que têm a passagem ao play-off de apuramento completamente ao seu alcance.

Estreia em jogos oficiais de Ricardo Sá Pinto ao leme do Sporting Clube de Braga, com uma moldura humana fantástica em pano fundo, pitando o estádio com o amarelo dos equipamentos dos anfitriões. O português alinhou com um 4-3-3 muito móvel, que em certas alturas do jogo era mesmo 4-4-2. O “joker” ia sendo André Horta, que ora estava na ala, ora jogava pelo meio, a aparecer muito em zonas de finalização.

Numa primeira parte com muito movimento junto das balizas, o Brondby IF começou muito bem, com 15 minutos onde impôs o seu ritmo, ganhando todas as divididas, utilizando o físico. Bom período inicial coroado com um autêntico “golaço” – que já se adivinhava –, num remate fortíssimo de ressaca por parte do médio Dominik Kaiser, que entrou mesmo ali um dorme a coruja.

Adivinhava-se uma tarde difícil para o SC Braga, avaliando pelo jogo que estávamos a ver, mas aos 17 minutos tudo mudou. Num livre batido rapidamente, André fez um excelente cruzamento para área e Paulinho, como um verdadeiro “poacher”, entre as duas torres centrais dos dinamarqueses, cabeceia com pouca força, mas colocado, desviando o esférico do alcance de Schwabe.

O 1-1, sem que nada o fizesse prever, mandou gelo para jogadores e adeptos, completamente em êxtase com o facto do Brondby IF se ter posto em vantagem. Os nervos aumentaram e associaram-se às dificuldades técnicas dos seus jogadores, gerando um erro defensivo por parte de Arajuuri, que André Horta, isolado, aproveitou para capitalizar de forma fácil.

Aos 20 minutos, o marcador já estava 1-2. Os dinamarqueses foram do céu ao inferno em cinco minutos e o que se seguiu foi um SC Braga a assumir toda a sua qualidade. Com mais bola e aproveitando mais erros claros do ponto de vista defensivo, até ao intervalo, os “Guerreiros do Minho” podiam ter faturado mais três vezes.

Os adeptos do Brondby estiveram incansáveis no apoio à sua equipa
Fonte: Brondby IF
As equipas vieram do descanso e o Brondby volta a entrar bem no jogo, à semelhança do que fez na primeira parte. Avisaram primeiro aos 47 minutos, com uma grande mancha de Matheus a salvar os bracarenses, e concretizaram 120 segundos depois, por intermédio – mais uma vez – de Kaiser. O médio chegou, sem problemas, até muito perto da baliza do SC Braga com a bola controlada, perante uma autêntica passividade da defesa minhota, finalizando com um remate rasteiro e colocado.

No marcador já estava 2-2 e os dinamarqueses encontravam-se por cima no jogo. Aos 64 minutos tiveram mais uma ocasião clara e notava-se, cada vez mais, um clube minhoto que não estava confortável, talvez devido a alguma quebra física. Justamente por isto é que considero de algum modo “estranho” o facto de Sá Pinto apenas mexer no encontro já depois dos 65 minutos, quando se notava que o SC Braga já necessitava de sangue novo há algum tempo.

No entanto, as alterações pouco fizeram (no imediato) e o Brondby IF continuava melhor na partida, tendo mesmo mais duas oportunidades flagrantes: aos 77 minutos, pelo médio Kaiser, e aos 84, por Arajuuri. Matheus brilhou em ambos os lances, com duas grandes defesas.

Na ponta final do encontro, as substituições e os erros defensivos decidiram o jogo a favor dos “Guerreiros do Minho”. Aos 90+1, Ricardo Horta aproveitou bem o ressalto ganho de cabeça pelo recém-entrado Hassan e, isolado, finalizou com classe. Dois minutos depois, uma bola parada deu origem a confusão na área, aproveitada por Murilo – a meias com Hermanssson –, com o esférico a acabar no fundo das redes, fixando o resultado final em 2-4.

Foi daqueles jogos agradáveis para os espectadores – menos para os da casa, claro – com muitos golos, que surgiram por causa de muitos erros defensivos de ambos os lados. Para o SC Braga, este resultado coloca a equipa com “pé e meio” no play-off de apuramento para a fase de grupos da Liga Europa.

Foi também uma daquelas partidas em que o resultado foi muito melhor que a exibição. Matheus foi o melhor em campo, mas André Horta (golo e assistência), Hassan (a única alteração que entrou bem) e Pablo (o mais esclarecido na defesa) destacaram-se. Pela negativa, Paulinho pouco acrescentou a seguir ao golo, Bruno Viana e Fransergio tiveram um final de tarde desastroso. Os clubes portugueses somam e seguem no Ranking da UEFA, e isso é notícia.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Brøndby IF: Marvin Schwabe, Anthony Jung, Paulus Arajuuri, Hjortur Hermannsson, Kevin Mensah, Dominik Kaiser, Josip Radosevic, Kasper Fisker (Tibbling, 57′), Simon Hedlund, Kamil Wilczek e Mikael Uhre (Lindstrom, 67′).

SC Braga: Matheus, Sequeira, Bruno Viana, Pablo, Ricardo Esgaio, André Horta, Fransergio (João Novais, 68′), João Palhinha, Wilson Eduardo (Murilo, 71′), Ricardo Horta e Paulinho (Hassan, 81′).