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FC Barcelona 3-0 Manchester United FC: Messi a dobrar e Coutinho a brilhar

Os ingleses partiam para a segunda mão dos quartos de final da Liga dos Campeões em desvantagem e cabia-lhes, necessariamente, marcar para poderem discutir a eliminatória e até sonhar com algo mais.

Em relação ao jogo no Teatro de Sonhos, Valverde trocou apenas Nélson Semedo por Sergi Roberto, enquanto Ole Gunnar Solskjær incluiu no onze inicial Phil Jones, Martial e Lingard por troca com Luke Shaw, Diogo Dalot e Lukaku, respetivamente.

A noite prometia surpresas quando os ingleses entraram decididos e práticos na saída para o ataque. Logo no primeiro minuto, McTominay, Pogba e o flanco esquerdo combinaram na perfeição e o campeão do Mundo pela França serviu Rashford, que rematou com força à barra. Este foi o momento chave da partida, ainda que tão permaturo.

Os dados estavam lançados e a equipa da casa ficou em sentido. Somaram-se boas jogadas de entendimento do lado dos ingleses, mas Ter Stegen não voltou a ser incomodado. Por outro lado, os espanhóis impunham o seu jogo de posse de bola como veneno atordoante.

No primeiro lance de perigo, Messi iniciou a jogada, Alba deixou para a finalização de Rakitić, mas o croata foi travado por Fred. Felix Brych ainda apontou para a marca dos 11 metros, mas após consultar o VAR reverteu a decisão inicial. Cinco minutos depois, o golo. Ashley Young demorou a cobrar o livre e em situações sucessivas prendeu a bola em demasia. Frente ao astro argentino arriscava-se a um dissabor e foi isso que aconteceu; Messi recuperou a posse, desfez-se de Fred e rematou rasteiro, forte e colocado para o primeiro da noite.

Mais cinco minutos volvidos e novo golo. Os de Manchester voltaram a perder a bola na fase de construção para os pés de Messi e colheram os destroços; sem grande preparação, o astro argentino desviou de Phil Jones e rematou com força, sem grande colocação, contando com a má intervenção de De Gea para novo golo. Em poucos minutos, Messi resolvia a eliminatória.

Com a tarefa cada vez mais complicada, os tímidos ingleses pouco ou nada faziam para contrariar o poderio catalão e só em desespero, como um remate de longe de Pogba, conseguiam acercar-se da baliza de Ter Stegen. Antes do intervalo, De Gea foi chamado a defender o resultado, que já não era positivo; primeiro a um cabeceamento de Rakitić e depois ao remate de Sergi Roberto, depois de (mais) uma arrancada de Messi e cruzamento milimétrico de Alba.

Messi voltou a estar em destaque, mas foi Coutinho quem assinou a obra de arte da noite                  Fonte: UEFA Champions League

Voltaram os mesmos intervenientes e as mesmas atitudes para a segunda parte. Logo no segundo minuto, Messi podia ter chegado ao hat trick, depois de um cruzamento atrasado de Suárez. À parte deste lance, a segunda parte viu um FC Barcelona controlador e relaxado perante um Manchester United FC impotente e nada esclarecido.

À passagem da hora de jogo, Coutinho assinou uma obra de arte e definiu o momento alto da noite. Messi passou longo para Alba, o espanhol amorteceu para o brasileiro, que encarou Smalling e, num momento que relembrou os seus tempos em Inglaterra, rematou ainda de fora da área, em arco, para um grande golo.

A partir de então, o jogo adormeceu, entrou na dança das substituições e pouco se acrescentou. Com a saída de Arthur, os ingleses conseguiam com mais facilidade entrar no meio-campo adversário, mas nunca deram o melhor seguimento às jogadas, perdendo constantemente a bola. À semelhança da primeira parte, o desespero levava os jogadores do United a rematar de longe, sem nexo – como Lingard, mesmo antes de ser substituído.

Esta foi, aliás, uma noite de desinspiração total para os ingleses. Lingard e Martial saíram sem qualquer brilho, Lukaku nada acrescentou à partida e Pogba passou despercebido. No último minuto da partida, os recém entrados Dalot e Alexis mexeram na partida, mas não no resultado. O português cruzou na perfeição para o mergulho de cabeça do chileno, mas Ter Stegen mostrou porque é considerado um dos melhores guardiões do mundo. Na resposta, De Gea não quis ficar atrás e negou o terceiro de Messi na partida.

O Manchester United FC pecou ao não concretizar em casa e pagou caro o perdão de Rashford no segundo minuto da segunda mão. Apesar do primeiro jogo promissor e da entrada decidida na partida de Camp Nou, as estrelas inglesas atuaram na sombra da constelação catalã. O FC Barcelona avançou para as meias-finais com um resultado agregado de 4-0; claro, incontestável e merecido. Quem tem Messi, arrisca-se a isto e muito mais.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

FC Barcelona: Ter Stegen; Sergi Roberto (Nélson Semedo, 71’), Piqué, Lenglet e Jordi Alba; Sergio Busquets, Rakitić e Arthur (Vidal, 75’); Messi, Coutinho (Dembélé, 81’) e Luis Suárez.

Manchester United FC: De Gea; Ashley Young, Smalling, Lindlöf e Phil Jones; Fred, Pogba e McTominay; Martial (Diogo Dalot, 65’), Lingard (Alexis Sánchez, 80’) e Rashford (Romelu Lukaku, 73’).

Juventus FC 1-2 AFC Ajax: Fabuloso Ajax verga Vecchia Signora rumo às meias

Incrível! O Ajax foi a Turim derrubar a Juventus, que apostou todas as fichas nesta competição, e qualificou-se para as meias-finais da Liga dos Campeões, 22 anos depois. No entanto, muito mais que o resultado, fica na retina a forma como o fizeram, humilhando o quase octacampeão italiano, com uma segunda parte magnífica.

Em relação ao jogo de Amesterdão, Massimiliano Allegri fez três alterações, trocando João Cancelo, Bentancur e Mandzukic por De Sciglio, Can e Dybala. Já Tem Hag apenas substituiu o castigado Tagliafico pelo recuperado Mazraoui. No entanto, ainda dentro dos dez minutos iniciais, o marroquino teve que sair devido a lesão, entrando para o seu lugar Sinkgraven.

O jogo começou com as duas equipas a demonstrarem muita vontade de atacar as balizas, mas com pouca paciência para ter bola. Aos 21 minutos surgiu a primeira oportunidade do jogo, para o Ajax, com Van de Beek a desperdiçar a oportunidade, depois de um bom trabalho de Neres na área. Na resposta, Dybala rematou para defesa vistosa de Onana.

Depois, as equipas passaram das ameaças aos atos. Estavam decorridos 28 minutos, quando a Juventus se adiantou no marcador, por intermédio de Cristiano Ronaldo. Canto batido na direita por Pjanic e o português, solto de marcação, nem precisou de tirar os pés do chão para cabecear para o 1-0.

Mais um golo de Cristiano Ronaldo nos quartos de final da Champions
Fonte: UEFA

A vantagem dos bianconeri durou pouco mais de cinco minutos. Os holandeses adiantaram-se no terreno e restabeleceram a igualdade na sequência de um remate de Ziyech, que embateu num defesa da Juventus e sobrou para Van de Beek, em posição privilegiada, atirar a contar.

Foi com o empate a uma bola, o mesmo resultado da primeira mão, que chegámos ao intervalo. Dos balneários não regressou Dybala, que tinha acabado o primeiro tempo tocado, entrando Kean para o seu lugar.

Dos balneários veio também um Ajax em modo “rolo compressor”. O segundo tempo foi um verdadeiro massacre por parte dos holandeses, que encostaram a Vecchia Signora às cordas. Primeiro, aos 52’, Ziyech, isolado na sequência de uma boa combinação ofensiva, rematou para uma defesa espantosa de Szczesny, que esticou o braço esquerdo quando já parecia batido. Pouco depois, um remate de Van de Beek em arco só foi travado por mais uma enorme defesa do guardião polaco.

As investidas do Ajax não paravam e, numa jogada de contra-ataque quase perfeita, Pjanic tirou o pão da boca de Ziyech. Até que, aos 67, lá surgiu o mais que merecido golo do Ajax: canto batido na direita e De Ligt saltou mais alto que dois adversários e cabeceou sem qualquer hipótese para Szczesny. Vantagem justíssima dos holandeses, que amassaram a Juventus de uma forma nunca antes vista esta época.

Contrariamente ao previsto, depois do golo, o Ajax continuou por cima e esteve sempre mais próximo do terceiro tento do que a Juve do empate. Neres, na cara do guardião, falhou o remate e Ziyech acabou mesmo por introduzir a bola na baliza, mas foi assinalado um fora de jogo anterior.

A Juventus não conseguiu criar qualquer grande oportunidade para marcar no segundo tempo, sendo completamente engolida por um Ajax implacável. A equipa de Ten Hag joga um futebol muito apelativo, sem medo de adversários «maiores» como FC Bayern, Real Madrid CF ou Juventus e merece tudo o que já conseguiu alcançar.

Fiéis a uma ideia de jogo e mantendo os princípios frente a qualquer adversário, o Ajax de Ten Hag tem já um lugar guardado na história da Liga dos Campeões.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Juventus FC: Szczesny, De Sciglio (João Cancelo 64’), Rugani, Bonucci, Alex Sandro, Can, Pjanic, Matuidi, Bernardeschi (Bentancur 80’), Dybala (Kean 45′), Ronaldo

AFC Ajax: Onana, Veltman, De Ligt, Blind, Mazraoui (Skingrave 11′) (Magallán 82’), Schone, De Jong, Ziyech(Huntelaar 88’), van De Beek, Neres, Tadic

Há (mesmo) uma luz que nunca se apaga!

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A música, a par da literatura, encarcera toda a minha índole. The Smiths, desde os 14 anos (salvo o erro!), constituem a magnum opus de tal forma de arte que, ao leme da poesia cáustica e mordaz de Morrissey, “nascente de fel” para uns, fonte de fogo perpétuo para outros, e do dedilhar da guitarra quase “imaginário” de Johnny Marr, suplantavam todos os que escutavam para a dimensão estratosférica e utópica do instante.

De 1956 a 2003, inúmeras memórias se prorrogaram, profusas recordações trespassaram as almas do auditório em tons de verde, o ancião José de Alvalade, o palco onde determinadas quimeras se metamorfosearam, o palanque onde se transpuseram travessias árduas, a plataforma mais próxima do éden. Não me inquiram sobre o porquê, mas creio que a magnânima obra arquitetónica encerra em si aquele proferido hermetismo, aquele secretismo que magnetiza tudo e todos…

O conceito, provavelmente, acaricia a estupidez, mas a canção “There Is A Light That Never Goes Out” foi engendrada para seu culto e consagração: o monumento surge personificado por um veículo que se evade dos problemas, dilemas e contratempos do quotidiano.

Anseia-se ainda poder repetir as alegrias no novo palco verde e branco
Fonte: Sporting CP

“Take me out tonight” implorava o interior de cada leão nos dias em que a turma jogava, pelo facto de, junto dos demais, se inteirar e observar estrelas e luzes que reluziam intensamente no Teu relvado. A crueldade poderá estar sobreposta à razão, mas a vontade de regressar à linhagem genealógica era ínfima pelo facto de Alvalade ser o lar de toda a imponente onda verde.

O conforto resumia-se àquele lugar, o lar de cada leão estava confinado ao espaço que albergava 75000 pessoas, “I never never want to go home/ “Because I haven´t got one, anymore”. E, apesar de todas as inglórias derrotas e ocorrências injustas, aqueles que acompanharam a Tua eclosão, no momento da perda, responderam com odes de paixão ardente, com juras de amor eterno e colocaram-Te no pedestal que mereces estar, “Because I want to see people/ And I want to see lights”; O regozijo prevalecente no meu espírito é inenarrável dado ao ópio que contagiava as multidões. Intitulem-me do que bem entenderem, mas perecer no reduto do amparo de todos os sportinguistas constituía a forma mais apetecível de canonização. “To die by your side/ Well the pleasure and privilege is mine”.

O espaço que reuniu a quantidade infindável de sensações jamais se olvidará. Sobre ele, brilha e brilhará a narrativa de múltiplas personagens concernidas ao seu incrível legado.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

FC Porto vs Liverpool FC: Sonho (Im)possível

Esta semana joga-se a segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Amanhã, FC Porto e Liverpool FC vão defrontar-se no Estádio do Dragão em busca do bilhete dourado para as meias-finais. Os ingleses entrarão em campo com uma vantagem perigosamente confortável de dois golos e com uma enorme dose de favoritismo na bagagem. O FC Porto entrará em campo na esperança de que um golo inaugural e o retardar de um golo da equipa forasteira lhe abram uma pequena janela de oportunidade para tornar realidade um sonho que parece impossível.

As duas equipas chegam a esta fase da temporada em situações muito semelhantes. Ambas percorreram grande parte dos seus respetivos campeonatos no primeiro posto, mas acabaram por sucumbir à pressão dos adversários diretos e fazem agora o papel de perseguidores. O Liverpool FC leva uma vantagem de dois pontos no comando da Premier League mas sabe que o seu rival direto, o Manchester City, por via do jogo em atraso que tem por realizar, depende apenas de si próprio para se sagrar campeão. Quanto ao FC Porto, chegaram a ser sete os pontos de vantagem face aos perseguidores, mas uma série de empates e a derrota caseira frente ao SL Benfica fizeram a equipa cair para o segundo lugar. Apesar dos dois pontos recuperados desde então e da igualdade pontual, as águias vão-se mantendo na dianteira graças à vantagem no confronto direto.

Portanto são duas equipas que, apesar das desvantagens nas ligas internas, chegam a esta fase com uma inabalada esperança de conquistarem os respetivos campeonatos e com uma segurança emocional arrecadada por vários resultados positivos nas últimas semanas. A separa-las existem dois golos e muitos, muitos milhões de orçamento.

Depois da ausência na primeira mão, Pepe e Herrera deverão regressar à titularidade
Fonte: FC Porto

À escala são, até, duas equipas com um estilo e forma de jogar com algumas parecenças. Tanto Klopp como Sérgio Conceição dão primazia à procura da profundidade e a uma rápida reação à perda e uma pressão forte sobre o portador da bola.

Passemos aos escalonamento inicial das equipas.

No FC Porto esperam-se os regressos de Herrera e Pepe depois de terem ficado de fora na primeira mão. Maxi e Óliver serão os sacrificados. Em relação ao onze de Liverpool, resta perceber quem, entre Otávio, Brahimi ou Corona (saiu lesionado em Portimão), vai ficar de fora, uma vez que só deverá haver lugar para dois fantasistas.

Quanto aos ingleses acredito que o onze apresentado será mais ou menos o mesmo que defrontou o FC Porto em Anfield. Ainda assim, eventuais alterações poderão existir por via da incorporação de Robertson, Joe Gomez ou Wijnaldum para os lugares de Milner, Lovren e Keita. O trio mortífero que mora no ataque do Liverpool FC, esse, não deverá ser alterado.

Será um jogo de dificuldade extrema para os comandados de Sérgio Conceição que, apesar da desvantagem, terão que atacar pela certa sob pena de destapar a manta atrás e sofrer um golo que coloque um ponto final na eliminatória.

Em suma, tão importante como marcar será não sofrer. Um golo apenas bastará para colocar os ingleses em sentido e não é imperativo que esse golo tenha que ocorrer sequer nos primeiros 45 minutos. Importa que o FC Porto mantenha a sua baliza inviolada e que consiga ir incomodando o Liverpool e deixando em sentido a defesa da equipa da cidade dos Beatles.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Paire surpreende e conquista Marraquexe

Benoit Paire venceu, este domingo, o torneio de Marraquexe. Na final, o jogador francês defrontou o espanhol Pablo Andujar Alba e conquistou, desta forma, o seu primeiro título da época.

Antes de falar do encontro decisivo, é importante olhar para o percurso dos ambos os jogadores neste torneio.

Percurso de Benoit Paire:

  • 16avos de final: Benoit Paire 2-1 Aljaz Bedene
  • Oitavos de final: Benoit Paire 2-0 Pierre Hugues Herbert
  • Quartos de final: Benoit Paire 2-0 Jaume Munar
  • Meia-Final: Benoit Paire 2-1 Jo Wilfried Tsonga

A caminhada de Benoit Paire até à final pode ser dividida em duas partes. A primeira parte contou com dois encontros, que dominou do início ao fim, mais precisamente nos jogos dos oitavos e quartos-de-final. Numa segunda parte, onde teve de suar mais para deixar pelo caminho os seus adversários, fazem parte o jogo dos 16 avos e a meia-final.

Pablo Andujar Alba sagrou-se campeão do Challenger de Marbella
Fonte: ATP World Tour

Percurso de Pablo Andujar Alba

  • 16avos de final: Pablo Andujar Alba 2-0 Federico Delbonis
  • Oitavos de final: Pablo Andujar Alba 2-0 Philipp Kohlschreiber
  • Quartos de final: Pablo Andujar Alba venceu o encontro após a desistência de Jiri Vesely
  • Meia final: Pablo Andujar Alba 2-0 Gilles Simon

Pablo Andujar Alba teve um percurso fenomenal. Nas quatro partidas que realizou, o jogador de 33 anos não cedeu qualquer set. O tenista espanhol acabou por provar, na sua jornada até à final, que está em grande forma. No jogo da meia-final somou a sua 14ª vitória seguida, demonstrando, assim, que iria fazer de tudo para vencer o torneio.

No encontro decisivo, foi Benoit Paire quem dominou o primeiro set. O jogador francês conseguiu o primeiro break-point no terceiro jogo de serviço do espanhol. Com uma vantagem de três jogos, Paire não tirou o pé do acelerador e voltou a quebrar o serviço de Pablo Alba confirmando, desta forma, a vitória no set.

No segundo set, Benoit Paire deu seguimento à sua boa entrada na partida. Tal como aconteceu no primeiro jogo, o número 69 do ranking ATP voltou a quebrar o serviço de Pablo Andujar Alba e assegurou a vantagem que lhe daria a vitória no encontro.

Paire precisou apenas de uma hora para vencer o encontro e, por sua vez, acabar com um jejum de títulos (já não vencia um torneio ATP desde de 2015). O jogador francês garantiu também uma subida até ao 43º posto do ranking. Já Pablo Andujar Alba perdeu a oportunidade de vencer o terceiro título da época (venceu dois Challengers na sua terra natal) e irá descer até ao 86º lugar da tabela.

Resultado final: Benoit Paire 2-0 Pablo Andujar Alba (6-2/ 6-3)

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: ATP World Tour

Oliveira volta a pontuar numa corrida em que a Suzuki foi rainha

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O mundial de motociclismo voltou às pistas e foi a vez do circuito de Austin, no Texas, receber os pilotos do mundial, e em especial da classe rainha.

Já sabemos, claro, que é impossível prever uma vitória em qualquer corrida de MotoGP. E o grande prémio do Texas não foi exceção por vários motivos: piso degradado, mau tempo, pouca aderência do asfalto… Mas sabemos sempre que os protagonistas poderão ser os mesmos: Marc Márquez, Marc Márquez, Valentino Rossi, Carl Crutchlow, Álex Rins, Maverick Viñales e Andrea Dovizioso.

E é claro que todos estávamos à espera de mais um duelo entre Marc Márquez e Andrea Dovizioso, mas até nos protagonistas o grande prémio das Américas consegue ser único. O piloto da Honda domina o circuito texano há sete anos consecutivos, sendo que já arrecadou seis vitórias e sete pole positions. E este ano podia ter sido tudo muito idêntico, já que o espanhol dominou em todos os treinos.

Só que, mais uma vez, as previsões estavam erradas e foi Álex Rins, piloto da Suzuki, quem deu nas vistas ao travar uma dura batalha com Valentino Rossi, o renascido.

Rins fez história aos comandos da Suzuki
Fonte: MotoGP

Mas antes assistimos à queda de Marc Márquez, na curva 12, quando ia isolado na liderança da corrida. E, apesar de ter sido ajudado pelos comissários de pista, Marquez foi incapaz de regressar à prova, deixando Rossi à frente, seguido de Rins, Miller, Dovizioso e Morbidelli.

Olheiro BnR – Guilherme Costa Marques

Nascido a 21 de maio de 1991, em Três Rios (estado do Rio de Janeiro), Guilherme Costa Marques foi revelado pelo Paraíba do Sul FC, emblema do estado carioca ao qual se juntou com 15 anos. Aí, depressa se destacou nas denominadas «categorias de base» e, com somente 16 anos, já lhe era concedida a oportunidade de se estrear pela equipa principal.

Posteriormente, aos 17 anos, após conquistar o Campeonato Estadual da terceira divisão de sub-20 e de despertar o interesse de vários clubes brasileiros, «Guilherminho», alcunha pela qual é conhecido na terra natal, optaria por emigrar pela primeira vez e, desta feita, rumar a Portugal para integrar os sub-19 do SC Braga.

Chegado ao nosso país, o jovem médio mostrou-se determinado em não deixar que aquela grande mudança se fizesse notar dentro das «quatro linhas», e consegui-o, ao ponto de merecer a confiança de Domingos Paciência – à época, treinador da equipa principal dos Arsenalistas -, que, em janeiro de 2010, o fez estrear numa partida relativa à fase de grupos da Taça da Liga, diante da União de Leiria.

No entanto, e não obstante o seu talento inegável, a afirmação do jovem brasileiro ficaria, em parte, comprometida devido à forte concorrência; em particular, a preponderância de uma dupla composta pelos seus compatriotas Alan e Mossoró (dois dos mais emblemáticos futebolistas que representaram o SC Braga durante a última década).

Assim sendo, na temporada seguinte, o médio viria a disputar oito partidas (marcou dois golos), enquanto na época de 2011/2012, e já sob orientação de Leonardo Jardim, a sua contribuição se resumiria a uns escassos 29 minutos de utilização – contabilizados ainda em agosto – na UEFA Europa League, seguindo-se um empréstimo ao «vizinho» Gil Vicente FC. Terminado o período de empréstimo, o meio-campista acabou por ser integrado na recém-constituída equipa B dos bracarenses, ao serviço da qual protagonizou uma temporada bastante positiva na Segunda Liga.

O talento escondido em Portugal que «virou» ídolo na Polónia

Apercebendo-se de que a permanência em Braga não iria favorecer a sua evolução, Guilherme decidiu não renovar e deixou o clube no verão de 2013, regressando ao Brasil. Sensivelmente seis meses depois, as portas da Europa abriram-se novamente, com o criativo – então com 22 anos – a rumar à Polónia para assinar pelo Légia de Varsóvia.

A experiência na capital polaca até nem começou da melhor maneira, com o médio a contrair uma rotura de ligamentos logo após os dois primeiros jogos ao serviço do clube, o que fez com que apenas realizasse três partidas até ao fim da temporada que culminou com a conquista do título de campeão da Ekstraklasa. Porém, as épocas seguintes trouxeram a estabilidade de que necessitava para assentar o seu jogo e se assumir como uma das figuras do futebol de posse praticado pelos Legioniści, atuando ora descaído sobre uma das alas, ora como segundo médio mais recuado num esquema-tático 4-2-3-1 (sobretudo, quando foi treinado por Stanislav Cherchesov, atual selecionador da Rússia, na época de 2015/2016).

Aquando da sua passagem pelo Légia, Guilherme Marques tornou-se o sétimo futebolista brasileiro com maior número de partidas realizadas na primeira divisão polaca
Fonte: Legia Warszawa

Por conseguinte, o êxito de Guilherme Marques no melhor período da história do Légia (conquista do tricampeonato, de taças e as sucessivas participações na UEFA Champions League) fez-se ecoar além-fronteiras, com o médio esquerdino natural de Três Rios a assinar, em janeiro de 2018, pelos italianos do Benevento Calcio, pondo fim a uma ligação de quatro anos (150 jogos; 21 golos e 23 assistências) ao clube de Varsóvia.

Aos 26 anos, Guilherme dava, assim, um novo impulso à carreira, ao ter a oportunidade de disputar um dos campeonatos mais exigentes da Europa, a Serie A italiana. Ora, apesar de, a nível coletivo, a experiência no clube da «Cidade das Bruxas» ter sido negativa (despromoção à Serie B), o habilidoso médio brasileiro acabou por se exibir em bom plano, participando em 12 partidas da primeira divisão do futebol transalpino, marcando dois golos e fazendo duas assistências.

Com a chegada da presente temporada, o médio que passou pela formação do SC Braga voltou a mudar de ares, rumando ao Yeni Malatyaspor, formação do principal escalão na hierarquia do Futebol turco. No atual quinto lugar do campeonato turco, Guilherme Marques totaliza (na referida prova)  24 jogos, cinco golos e sete assistências (trata-se do futebolista com maior número de assistências da sua equipa), efetuando uma média de (1,3) passes decisivos por encontro.

Resta, agora, ao futebolista canarinho, dar continuidade ao bom desempenho ao serviço do conjunto orientado por Erol Bulut para que possa progredir ainda mais na carreira.

 

Foto de Capa: Think Ball & Sports Consulting

Everton FC: Marco Silva de olhos no futuro

Marco Silva assumiu o comando técnico do Everton FC no início da presente época, tendo assinado um contrato de três anos.

À data deste artigo, já na reta final de todas as competições, o Everton está arredado das competições europeias, ficou pelo caminho na Taça da Liga Inglesa e na Taça de Inglaterra, e na Premier League já só cumpre calendário.

Numa época de altos e baixos, os comandados de Marco Silva valeram-se da sua supremacia no Goodison Park, em que os bons resultados permitiram cobrir alguns desaires fora de portas.

Mesmo com o lema de incutir um estilo de jogo dinâmico e atrativo nas suas equipas, o treinador português foi capaz do melhor e do pior, e as duas últimas jornadas do campeonato evidenciam esta realidade.

No espaço de uma semana, assistimos a dois tipos de Everton. Primeiramente, os toffees, com uma brilhante exibição, aplicaram uma lição de futebol à equipa do Arsenal FC, que mesmo fora das contas do título continua a ser um adversário recheado de jogadores de classe mundial, vencendo pela margem mínima, um resultado que pecou por escasso. Apenas seis dias depois, na deslocação ao terreno do então despromovido Fulham FC, demonstrando alguma displicência e falta de entusiasmo, o Everton saiu surpreendentemente derrotado por 2-0, salientando assim a bipolaridade do tipo de jogo produzido.

Desalento dos jogadores após derrota diante do Fulham
Fonte: Everton FC

Na nona posição, com 46 pontos, o Everton falhou claramente o objetivo de alcançar uma posição que lhe valesse participação nas competições europeias na época 2019/2020, e o foco está, por isso, no futuro.

Não se pode falar em período de adaptação para Marco Silva, pois já cumpre a sua terceira temporada no Futebol inglês, após passagens pelo Hull City AFC e o Watford FC. Contudo, a massa associativa demonstra manter a confiança no treinador português e, segundo a imprensa inglesa, essa será também a intenção dos dirigentes do clube.

Portanto, para Marco Silva, é hora de perspetivar a realidade a longo prazo, preparar a sua equipa e explorar potencialidades que teimam em não surgir, para que, aí sim, seja possível efetuar uma melhor campanha, com uma equipa mais regular e competitiva.

Convém não esquecer de que se trata da Liga mais difícil do mundo do Futebol, mas, ainda assim, este Everton pode fazer muito mais do que aquilo que fez esta temporada, tanto a nível nacional como europeu.

2018/2019 não será uma época negativa, mas o pouco que terá de positivo prende-se com aprendizagens que podem valer sucesso no futuro. O Everton exige mais. Será Marco Silva o homem ideal?

Foto de capa: Everton FC

Lage, um treinador que treina

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Se há algo que se tem notado no atual treinador do SL Benfica desde que assumiu a equipa principal é a importância que este dá aos treinos. Não faltam ocasiões para frisar, no seu discurso, que pensa sempre, não só “jogo a jogo”, mas também, e principalmente, “treino a treino”.

Esta obsessão e relevo que Bruno Lage dá ao treino faz um pouco um contraste com a impressão que se tinha de Rui Vitória, já que este último chegou mesmo a dizer que “gostamos de treinar menos e jogar mais”, quando perguntado se uma semana de descanso ia fazer bem à equipa depois de um sequência de jogos com poucos dias de intervalo entre si.

Mas a evidência quanto à importância das sessões de treino para Lage não é só uma expressão em conferências de imprensa e flash interviews. É notório que o treinador conta com todo o plantel para lutar nas diversas provas e que as escolhas de Lage até cheguem a divergir das escolhas de Rui Vitória, que usava um onze base nas várias competições e tendo os seus “preferidos” na equipa.

Quanto a Lage, a impressão que dá, é diferente. Para além de um jogador que não foi convocado no jogo anterior poder passar a titular no jogo seguinte, a utilização dos atletas é feita de acordo com o jogo que se aproxima e das armas que cada um detém. Ora, por exemplo, se Gedson tinha feito o último jogo a titular há seis partidas, na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, contra o Eintracht Frankfurt, este saltou para a titularidade para que a equipa pudesse usufruir das suas capacidades numa mecânica diferente. E tudo isto é trabalhado e observado nos treinos.

Adel Taarabt voltou a jogar pela equipa principal ao fim de quase quatro anos
Fonte: SL Benfica

Lage observa as individualidades dos seus atletas e impulsiona a sua melhoria nas preparações para os jogos, dando-lhes importância prioritária. Além disso, somos bastante capazes de acreditar que a prestação de um jogador nos treinos dita a sua entrada ou saída do onze, ao invés do nome ou prestígio que traz nas costas. E isto leva-nos a falar de um exemplo bastante sonante: Adel Taarabt.

O marroquino era dado como um atleta perdido, excedentário, completamente fora das contas do Benfica, que só dava despesa ao clube enquanto não fosse transferido. A verdade é que Taarabt mostrou serviço e empenho nos treinos da equipa ‘B’, sendo, aos poucos, chamado a treinar com a equipa principal até chegar ao papel de titular, na partida contra o CD Feirense. Uma pequena prova de que Lage olha primeiro para o treino antes de afastar ou de glorificar um jogador. Se um jogador perde o gás no treino, perde o lugar no campo e vice-versa. A Taarabt, juntam-se uma lista de jogadores que com o antigo treinador pareciam estar completamente fora dos planos e que agora fazem parte do núcleo da equipa.

É bom saber que no comando da equipa está um treinador que investe no momento de forma e no esforço e potencial de um jogador, em vez de olhar para as costas da camisola que veste ou para aquilo que ele fez outrora, mas agora não está com vontade ou força para fazer.

Este é um dos aspetos que gosto em Lage, um treinador que treina.

Saudações Benfiquistas!

Foto de Capa: SL Benfica

«Sinto que saí do Sporting mal aproveitado» – Entrevista BnR com Cristian Ponde

O Bola na Rede teve a oportunidade de entrevistar Cristian Ponde. O avançado português, com raízes romenas, é um dos muitos jovens com potencial “made in” Alcochete. Após doze anos com vinculo ao Sporting Clube de Portugal, procurou outras paragens com o objetivo de ter mais oportunidades para mostrar a sua qualidade e poder, desta forma, relançar a sua carreira, e o destino foi a Ucrânia. Desde os tempos de leão ao peito à atualidade no Futebol, passando pela influência de um treinador e o melhor jogador do campeonato português. Estes são os temas abordados numa entrevista que não vais querer perder.

Bola na Rede (BnR): Cristian, antes de mais quero agradecer por teres aceitado o desafio para esta entrevista. Gostava de começar por te perguntar se as saudades de Portugal já “apertam”?

Cristian Ponde (CP): Obrigado eu pelo convite. Claro que sim, muitas saudades. Há poucos países como Portugal para viver.

BnR: Qual a temporada mais marcante para ti em Portugal?

CP: 2013/2014, quando fiz a pré-temporada com a equipa principal do Sporting.

BnR: Estiveste 12 anos contratualmente ligado ao Sporting Clube de Portugal. Qual o balanço que fazes dessa ligação?

CP: Vejo as coisas pelo lado positivo, foi o clube onde cresci desde pequeno como jogador e como homem. Aprendi muito e tenho de agradecer por isso, mas nos últimos dois/três anos fui mal gerido pelo clube.

BnR: Como te sentes por nunca te ter sido dada uma oportunidade na equipa principal do Sporting CP?

CP: Sinto que saí do Sporting mal aproveitado, estive muito tempo à espera da minha oportunidade e decidi sair e seguir em frente.

BnR: Como surgiu a decisão da rescisão com o clube leonino? De quem partiu essa decisão?

CP: Foi mútuo acordo. No ano passado, o Sporting CP B acabou e não ia ser chamado para começar os trabalhos com a equipa principal. Falámos e foi o melhor para os dois lados.

Ao serviço da formação ucraniana já faturou em cinco ocasiões
Fonte: FK Karpaty

BnR: Como encaraste o desafio de ingressar no FC Karpaty Lviv da Ucrânia? O mister José Morais teve influência na decisão?

CP: Claramente, o mister José Morais foi decisivo para a minha vinda. Passou-me uma mensagem de confiança e a possibilidade de jogar uma primeira liga contra grandes equipas.

BnR: Continuas a acompanhar o campeonato português, sobretudo o Sporting CP?

CP: Sim, costumo ver os jogos.

BnR: Mantens contacto com alguns jogadores do Sporting CP?

CP: Claro, com os jogadores da minha geração, Mauro Riquicho, Domingos Duarte, Podence, etc.

BnR: Como certamente deves saber, o Sporting assegurou a presença no Jamor numa dupla batalha diante do eterno rival SL Benfica. Como vibraste com a vitória no jogo de Alvalade?

CP: Foi um jogo bastante emotivo, fiquei contente por terem chegado à final.

BnR: Ao serviço da equipa ucraniana, já apontaste quatro golos em 14 jogos. O que perspetivas até ao final da temporada, em termos individuais?

CP: Cinco golos, um na taça da Ucrânia. Faltam-nos disputar dez jogos e espero passar a marca dos 10 golos – é o meu principal objetivo.

BnR: Neste momento, o Karpaty luta pela manutenção na Primeira Liga da Ucrânia e irá disputar os quartos de final da Taça da Ucrânia. Consideras que irão conseguir a manutenção? Até onde achas que irão na Taça?

CP: A manutenção é o principal objetivo e acho que vamos consegui-lo com tranquilidade. Na taça, temos muita esperança de fazer uma boa campanha, temos todas as hipóteses de chegar às meias-finais, visto que jogamos contra um adversário da segunda divisão. Se tudo correr bem, esperamos ter sorte no sorteio.

BnR: Queremos, desde já, agradecer a tua disponibilidade e desejar-te o maior sucesso no futuro. Para terminar, desafio-te a elegeres o melhor jogador do campeonato português.

CP: Bruno Fernandes.

Foto de Capa: FK Karpaty

artigo revisto por: Ana Ferreira