Um golo a fechar a primeira parte e outro a abrir a etapa complementar foi o bastante para que os dragões saíssem por cima no dérbi da Invicta. Soares e Otávio, o melhor em campo, deram corpo à superioridade portista ao longo de toda a partida. Boavisteiros nunca incomodaram verdadeiramente a baliza de Casillas e, assim, a certa altura deu até para começar a pensar em Liverpool. A liderança do campeonato, pelo menos até domingo, pinta-se de azul e branco.
Sem cada um dos técnicos no respetivo banco de suplentes, o dérbi mostrou, naturalmente, equipas apostadas em objetivos muito diferentes. Os dragões, impedidos de qualquer percalço, focavam-se apenas na vitória, ao passo que do lado da pantera, a meta passava por fechar todos os caminhos da baliza de Bracalli.
Sérgio Conceição, apesar de não orientar diretamente a equipa nesta partida, trouxe Brahimi de volta à titularidade, mantendo Otávio no onze e recuando Corona para o lado direito da defesa. Em tudo o resto, os dragões não registaram qualquer novidade, a não ser a inclusão de Pepe no onze, por força do castigo de dois jogos de Felipe.
Quanto a Lito Vidigal, deixou bem clara a ideia do Boavista FC no momento em que no onze inicial foi possível observar a inclusão de três centrais. Assim, com uma linha de cinco à frente de Bracalli e outra, de quatro médios, bem junto aos defesas, a receita passava por adiar o mais possível o golo azul e branco.
Soares fez o primeiro golo da partida Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Esse acaba por surgir já perto do final da primeira parte, quando Soares assumiu a marcação de uma grande penalidade por falta de Raphael Silva sobre Brahimi. O desbloqueio do resultado surgiu na altura certa para os portistas, que iam acumulando oportunidades de golo junto da baliza de Bracalli, o que, com o acumular dos minutos, ia colocando os cabelos em pé aos 39 mil adeptos presentes no Dragão.
Nenhuma das equipas optou por mexer no respetivo onze para o reinício do jogo e, se o Boavista FC quereria reentrar na discussão do resultado, rapidamente se confrontou com uma ‘machadada’ nas aspirações. Do meio da rua, Otávio atirou a contar, ainda com a ajuda de Bracalli, que se atirou tarde, para o segundo e último golo da noite, o da tranquilidade.
A partir daqui, toda a conjuntura permitiu partir para uma segunda parte de gestão, com os dragões em velocidade de cruzeiro e sem forçar muito o terceiro golo. Ele esteve perto de aparecer, é certo, mas seria também já um resultado algo pesado para a turma axadrezada. Yusupha, que parecia um corpo estranho neste momento, não conseguia praticar qualquer ligação com os colegas e, por isso, saiu no imediato, por troca com Edu Machado que, a par de Falcone e Mateus, tentou dar maior clarividência da saída para o ataque.
Os portistas, com esse tal jogo de Champions em perspetiva, aproveitaram o desenrolar dos acontecimentos para dar algum descanso a peças importantes como Corona, Danilo e Soares. O mais importante estava feito e, agora, tem a palavra o SL Benfica, no domingo, em Santa Maria da Feira.
Rafa tornou-se a maior contratação do Benfica a uma equipa portuguesa, quando se juntou aos encarnados no verão de 2016 a troco de 16 milhões de euros. Na altura, o internacional português e campeão europeu pela seleção nacional no ano em que passou a vestir a camisola do Benfica foi contratado, no derradeiro dia da janela de transferências em Portugal, e vinha com selo de promessa, com apenas 22 anos de idade. Porém, tardou a convencer.
Na época 2016/17, Rafa fez 31 jogos ao serviço das águias, mas apenas marcou dois golos. Além disso, por apenas quatro vezes, Rafa fez o jogo do início ao fim. A qualidade parecia estar escondida, mascarada por detrás de muita velocidade, atrapalhação e dificuldade em decidir bem.
A temporada seguinte não foi muito mais feliz para o português: fez 25 jogos e três golos. Desses 25 jogos, seis deles foram completos. Parecia que a confiança no extremo estava a aumentar, contando com uma diferença de apenas 100 minutos entre a época passada e a segunda época de águia ao peito, mesmo tendo menos seis jogos.
Contudo, a verdadeira explosão do veloz jogador foi na presente temporada. Já conta com 36 jogos, faltando ainda jogar, no mínimo, dez partidas (sete jornadas da Primeira Liga, a meia-final frente ao Sporting e as duas mãos para os quartos de final da Liga Europa). Se Rafa já bateu o recorde de jogos disputados – e ainda o poder alargar –, mais se poderá dizer quanto ao seu recorde de golos, quer na Luz, quer na carreira. Totaliza 14 golos, podendo ainda assinar mais tentos no que resta da época.
Mas não se pode resumir um jogador pelo número de jogos e de golos. Muito menos sendo Rafa um extremo, não um avançado puro. E é neste parâmetro que vemos a verdadeira explosão do camisola 27.
Atualmente, Rafa a jogar é uma lufada de ar fresco por inúmeras razões. O extremo tem uma capacidade de alto nível para desequilibrar. Quando a bola lhe chega aos pés na zona do meio campo, em ocasião de contra-ataque, sabemos que, à partida, Rafa irá começar uma cavalgada alucinante, contornando adversários como cones, terminando o lance em perigo, ou em falta a favor encarnado. É incrível a maneira como Rafa consegue ganhar espaço para o ataque do Benfica. Recebe no centro do terreno e, mesmo com dois adversários em cima, tem a capacidade de virar, ultrapassá-los e colocar-se numa posição espaçosa e confortável para levar o lance para mais perto da área adversária.
Rafa marcou o 14.º tento da época frente ao Moreirense Fonte: SL Benfica
Acontece inúmeras vezes nos jogos encarnados ver Rafa a correr com a bola desde a zona central do campo, ganhando terreno e levando o jogo do Benfica para a frente quando este parece bloqueado. Os avançados acompanham a sua progressão, permitindo criar várias oportunidades de chegar junto da área e, por sua vez, criar perigo à baliza oposta.
Temos visto Rafa a conseguir acrescentar bastante qualidade ao jogo encarnado, algo que nas épocas passadas parecia difícil de acontecer.
Finalmente, é difícil não realçar o esforço que tem colocado em qualquer ocasião. Não é anormal ver Rafa a fazer 90 minutos de alta intensidade e ainda o ver a sprintar a alta velocidade no prolongamento de um jogo; assim como não é anormal ver o mesmo jogador a fazer sprints semelhantes no jogo feito três dias depois desse. A sua disponibilidade física é absolutamente espantosa.
Terminando, penso que o que falta a Rafa é um pouco de confiança, de crença em si próprio. Aparenta que não sabe o quão bom jogador ele é. Este ceticismo por ele praticado em campo parece explicar as várias más decisões quando é o próprio que tem de fazer o último toque do lance, seja para o golo, seja para a assistência. Descrente das suas capacidades, muitas vezes decide mal, ou não encara o lance com a confiança necessária para não falhar. Isto é algo em que tenho vindo a reparar desde que o vejo com o manto sagrado, mas que vejo cada vez menos. À medida que a sua confiança em si sobe, o seu rendimento também e isso poderá ser a chave para Rafa dar um próximo passo.
Moise Kean, aos 19 anos, assume-se como uma das principais promessas do Futebol europeu, e ao serviço da Juventus FC já se revela decisivo.
O avançado, que até deu os primeiros passos no Futebol com a camisola do Torino FC, cedo chamou a atenção da Juventus e, ainda em tenra idade, rumou a Turim e lá fez toda a sua formação, onde cresceu e se desenvolveu como jogador.
Na época 2017/2018, Kean mostra-se apto para o escalão profissional, mas não convenceu os responsáveis Bianconeri a apostarem em si para integrar os trabalhos da equipa principal. Sucedeu-se um empréstimo de uma época ao Hella Veronas FC, clube que lutava pela manutenção na Serie A. Não alinhando sempre como titular, mas sendo escolha regular como suplente utilizado, Kean terminou a sua primeira temporada como jogador profissional somando 20 jogos e assinalando quatro golos.
Este ano, finalmente, conseguiu que Massimiliano Allegri lhe desse um lugar no plantel, e assume-se atualmente como um jogador determinante pela sua destreza física e pela especial forma de “agitar o jogo”. No primeiro terço da época permaneceu muitas vezes na bancada ou apenas como suplente não utilizado, mas em 2019, somente não foi convocado uma vez e viu o seu tempo de jogo aumentar exponencialmente.
Já leva quatro golos na Serie A, aos quais se adicionam dois ao serviço da seleção nacional, e todos eles poder-se-ão considerar importantes: bis diante da Udinese que garantiu vantagem prematura da Juventus na partida; golo da vitória frente ao Empoli FC, enquanto suplente utilizado, que garantiu os três pontos à sua equipa e, no passado dia 2 de abril, sentenciou mais uma vitória para a Vecchia Signora, ao assinalar o 2-0 final, no terreno do Cagliari.
Kean festeja golo apontado à Udinese Fonte: Serie A
É indiscutível a qualidade deste prodigioso jogador nascido já no século XXI, mas, jogando num plantel como o da Juventus, nem sempre terá lugar na equipa, ainda para mais quando Cristiano Ronaldo desempenha as mesmas funções. Aos 19 anos, joga onde outros tantos sonharam jogar e, pouco a pouco, começa a alcançar as suas conquistas.
Com a sua velocidade, técnica e simplicidade de movimentos, Kean é, para a Juventus de Allegri, um ativo muito importante que pode render os craques de maior nome e, assim mesmo de tenra idade, entra já nas contas do onze inicial.
Numa altura em que a época se encaminha para a reta final, Kean poderá revelar-se ainda mais decisivo, uma vez que o clube de Turim compete em várias frentes e quer conquistar tudo.
É, sem dúvida, uma estrela emergente no Futebol europeu, mas tem ainda muito para provar. Será Kean um dos craques que o Século XXI trouxe ao mundo? Esperemos para ver.
Nesta última terça-feira o FC Porto garantiu a presença na final da Taça de Portugal, que se vai realizar no dia 25 de Maio, no “mítico” Jamor. Na minha opinião, continua sem condições dignas para uma final desta dimensão… Mas isto era um assunto para uma longa reflexão e esse não é o tema deste artigo.
Mesmo com uma exibição fraca, a vantagem conseguida no jogo do Dragão chegou para garantir, com alguma tranquilidade, o apuramento para a final. Depois da vitória por 3-0 no dragão era previsível que Sérgio Conceição fizesse uma gestão física do plantel, porque o calendário que se avizinha é de extrema dificuldade.
Do jogo do campeonato para o jogo da Taça, o treinador portista fez sete alterações. Mesmo com este número elevado de alterações, era obrigação do FC Porto fazer uma exibição mais consistente e, o treinador portista, foi o primeiro a reconhecer isso mesmo, chegando a dizer que “se pudesse tirava sete ou oito ao intervalo”. Os jogadores menos utilizados deviam aproveitar estas oportunidades para “complicar” as contas do treinador dando respostas mais afirmativas quando são chamados ao onze titular.
Danilo foi o melhor em campo do lado portista Fonte: FC Porto
Apesar de tudo, o mais importante foi conseguido e o FC Porto conseguiu o apuramento para a sua 30ª presença na final da Taça de Portugal. Até ao momento, os objetivos da época foram totalmente alcançados. O FC Porto venceu a Supertaça, atingiu a final da Taça da Liga e agora assegurou a presença na final da Taça de Portugal. No campeonato continua dentro da luta pelo título e a campanha na Liga dos Campeões tem sido simplesmente fantástica.
É evidente que, no plano interno, os objetivos são sempre a conquista de todos os títulos, mas para que isso seja possível é preciso primeiro atingir as finais e isso foi plenamente conseguido. Depois, numa final tudo pode acontecer como foi o caso da Taça da Liga. Um jogo de futebol por muito planeado e preparado que seja, nunca deixará de ser um jogo e a sorte e o aleatório estarão sempre presentes.
Não fosse a derrota do FC Porto no Dragão frente ao SL Benfica e eu diria que a época roçava a perfeição. Ainda existem três competições para disputar e conquistar. Apesar da eliminatória com o Liverpool FC ser de exigência máxima e o mais provável é a eliminação dos azuis e brancos, a equipa de Sérgio Conceição nunca se dá por vencida e vai deixar tudo em campo nessa eliminatória. Quanto ao Campeonato e Taça de Portugal, acredito que a época vai acabar com vários festejos na Avenida dos Aliados.
E chegamos a mais uma Wrestlemania. É a 35ª vez e as expetativas para este ano não são altas. Não é por causa do card, esse é fantástico (até certo ponto), mas porque os três maiores combates do evento têm três claros favoritos do público, mas são raras as vezes que a WWE dá aos fãs aquilo que eles querem.
Mesmo assim, há a possibilidade de termos, no mínimo, dois combates memoráveis numa só noite – o que é raro. Vejamos então em maior pormenor todos os combates anunciados para o evento.
É inevitável dizer que o meu espaço terá sempre algo ligado ao FIFA e à scene competitiva desta modalidade. Realizo o meu primeiro artigo na rubrica intitulada “Portugueses no eSports” falando de um jogador que tem vindo a crescer a pulso em tão pouco tempo de atividade.
Diogo Pombo, mais conhecido por “Tuga810”, tem 19 anos e é natural de Castelo Branco. Frequenta atualmente o curso de Administração Aeronáutica na Academia da Força Aérea Portuguesa e chegou aos Offset eSports no início de 2019.
A história do Tuga810 é incrível por várias razões. Há um ano atrás, era completamente desconhecido no panorama nacional competitivo e neste momento já compete entre os maiores do mundo. O Diogo não tinha qualquer presença em torneios nacionais ou internacionais, apenas sabia que jogava – e bem – FIFA.
Tudo começa quando descobriu o primeiro torneio nacional de FIFA 19, que se realizou na sua cidade natal, e decidiu tentar a sua sorte, acabando por vencer esse mesmo torneio.
No final de 2018, o Tuga integrou a equipa dos Apogee Gaming e de seguida conseguiu as suas primeiras qualificações internacionais para os três primeiros FUT Champions Cup da época, em Bucareste, Atlanta e Singapura. Estes bons resultados permitiram que chegasse a assinar com a Offset eSports, já mencionado anteriormente.
Diogo Pombo em ação Fonte: Fraglider
A sua ascensão no cenário competitivo nacional e internacional foi crescendo, mas isto foi apenas o princípio para o Diogo.
No primeiro torneio da época em Bucareste conseguiu chegar às meias-finais da prova na plataforma da PS4, o que lhe permitiu um grande salto no ranking mundial de FIFA, subindo até a 24ª posição do ranking, tendo começado esta competição fora do top 200, um feito notável.
Em Atlanta viria a melhor prestação do Tuga810 até à data ao sagrar-se campeão da PS4, subindo até ao quarto lugar do ranking mundial e arrecadando um prémio de 20 mil dólares. Enfrentando o seu maior teste desde que entrou no panorama competitivo do FIFA, o português venceu o número um do ranking mundial, o argentino Nicolas99fc, jogador do FC Basel 1893 eSports, por uns impressionantes 6-1 em duas mãos.
“Fiquei surpreendido, foi um grande salto. Não estava à espera de ganhar ao número um do ranking, e logo pelo resultado que foi. Foi uma grande surpresa para mim, mas fico contente pelo meu trabalho e esforço ao longo destes dias.”, afirmou o Diogo numa entrevista que deu ao site da RedBull.
Após esta conquista, saltou diretamente para o quarto lugar do ranking mundial e enfrentou um dos melhores jogadores do momento, o jovem britânico F2Tekkz, na final cross-platform, que colocava o Tuga810 a ter de se adaptar e a disputar um jogo na sua consola (PS4) e um jogo na consola do adversário (Xbox One).
Acabaria por perder esta final cross-platform por 3-1 no somatório dos dois jogos. O Diogo afirmou que F2Tekkz é dos melhores, senão o melhor jogador do mundo e acredita que pecou apenas na finalização, porque defensivamente colmatou bem as investidas do jogador britânico.
Toda esta performance levaria o Tuga810 a qualificar-se para os torneios seguintes: o de Singapura, como já foi mencionado, e também o FUT Champions Cup, em Londres, que se inicia na segunda semana de abril.
Em Singapura, o português atingiu os quartos de final da competição caindo apenas para o brasileiro Zezinho23xX e terminando no top8 desta prova.
Uma das recentes novidades apresentadas pelo Tuga810 no seu Twitter oficial foi a parceira com a TSWarriorplayer, marca de comandos personalizáveis de PS4, que é a marca do jogador do SL Benfica Toto Salvio.
Para o futuro próximo, os objetivos do Diogo Pombo são grandes: “Tenho as expetativas bastante altas após este último resultado, mas temos de ter os pés bem assentes na terra. Há jogadores de enorme qualidade lá fora com o mesmo nível que eu, até talvez com mais qualidade, pelo que temos que pensar jogo a jogo e vitória a vitória. Só assim é que podemos alcançar um grande feito e talvez, quem sabe, levantar um troféu no futuro.”
Resta saber até onde pode ir o Tuga810 no panorama internacional do FIFA 19. Até ao momento, como o próprio disse, as expetactivas são altas e com aquilo que alcançou em tão pouco tempo, o Diogo só pode almejar grandes feitos para as restantes competições em que se encontra a disputar.
Convido-vos a todos a acompanhar este jogador com enorme talento, a apoiar o eSports em Portugal e todos que nos representam lá fora. Só assim esta modalidade poderá crescer. Podem assistir à próxima participação do Tuga810 na FUT Champions Cup #6, em Londres, de 5 a 7 de abril, na Twitch oficial da EASports FIFA. Boa sorte, Tuga810!
Na passada semana ganhou destaque a discussão sobre o regresso da venda de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios de Portugal e ainda bem que este tema chegou, finalmente, à praça pública. Aos anos que há um problema de assistências nos estádios – com apenas cinco (!) clubes da Primeira Liga a conseguirem passar a média de 10 mil espectadores nas bancadas na época 2017/18 – e o regresso da cerveja aos palcos do futebol nacional pode mesmo ser o tónico que falta para os adeptos acudirem às bancadas.
Numa altura em que os clubes pequenos sofrem de grandes dificuldades para chamar público aos estádios e para tirar do sofá o comum-adepto que fica em casa a ver os jogos na televisão, é essencial oferecer ao público aquilo que mais procura consumir quando assiste a um jogo de futebol e pode mesmo ser a peça que falta para aumentar as assistências nas bancadas porque, mais acessível que conseguir criar uma equipa de qualidade e a praticar bom futebol, os clubes podem oferecer uma experiência de jogo que divirta e envolva as gentes locais, algo que o futebol português atual, com todas as suas restrições, acaba por não conseguir fazer.
A diretora executiva da Liga Portugal, Helena Pires, teve uma afirmação curiosa mas cheia de razão, referindo que a mentalidade portuguesa é de “tremoço e cerveja” e, realmente, o comum adepto de futebol em Portugal é muito levado pela festa que envolva cerveja e petiscos, pelo que não é de surpreender que muitos deles prefiram ficar encostados ao balcão de uma tasca em vez de perderem várias horas ao frio, à chuva, no trânsito e tudo por causa de um jogo de futebol que não oferece nada a não ser 90 minutos de uma partida que pode nem ser agradável de se assistir.
Quer se queira, quer não, o convívio entre adeptos é feito geralmente com uma bebida de eleição: a cerveja. Cortar esse elemento fundamental do espetáculo do futebol é fazer com que haja menos motivos para ir ao estádio e cortar na satisfação do público, aumentando exponencialmente as bancadas vazias e a falta do elemento mais importante para um clube: o adepto.
Bancadas vazias têm sido uma imagem comum no futebol português Fonte: FC Arouca
O leitor já se deve estar a questionar: “mas João, então e a segurança?”. Apesar de ser uma questão importante, garantir a venda de cerveja nos recintos de jogo pode permitir um maior controlo das forças de segurança, que conseguem, desde cedo, manter os adeptos controlados em vez de ter de lidar com público embriagado e resmungão a chegar em cima da hora à entrada para as bancadas, conseguindo escoar mais facilmente o público e evitando os vários casos de atrasos na entrada que os adeptos visitantes têm sentido esta temporada.
Além disso, se a proibição da venda de álcool tivesse um papel fundamental na segurança, então o futebol português seria tranquilo e nunca existiriam escaramuças entre adeptos, coisa que é, infelizmente, abundante por cá.
Para que o futebol português seja uma festa que encha bancadas, é preciso oferecer aos adeptos aquilo que mais procuram durante um convívio: cerveja. Sem isso, de que vale sair de casa?
Num banco de jardim perto das Antas estivemos à conversa com Domingos Paciência, figura ímpar do FC Porto, SC Braga e do futebol português. Com toda a simpatia e transparência conduziu-nos numa viagem pelo tempo na sua ilustre carreira. Recordamos os primeiros passos no futebol, a carreira de sucesso no FC Porto onde formou uma das melhores duplas de sempre dos dragões com Kostadinov, até aos problemas que afetaram o seu rendimento em Tenerife. Já como treinador, lembramos o sucesso vivido em Braga, os anos menos positivos nas épocas seguintes e a proposta do Atlético Paranaense. Abordamos ainda a “polémica” em torno da chamada de Dyego Sousa à seleção, as comparações entre Gonçalo e Vasco Paciência e o que se segue no seu futuro. Tudo isso e muito mais, aqui no Bola na Rede.
Domingos Paciência, símbolo incontornável do futebol português Fonte: Catarina Guimarães/ Bola na Rede
-Dos primeiros passos no futebol à carreira de sucesso no FC Porto-
«O meu primeiro jogo na I Divisão foi nas Antas contra o Elvas, entrei a dez minutos do fime marquei logo na estreia»
Bola na Rede (BnR): Fale-nos um pouco sobre as suas origens. Nasceu e cresceu em Leça de Palmeira?
Domingos Paciência (DP): Sim, sou natural de Leça de Palmeira, como diz a música “a melhor terra de Portugal” (risos). Nasci em Leça de Palmeira e só depois é que vim para o Porto. Éramos sete irmãos, duas raparigas e cinco rapazes, sendo eu o mais novo.
BnR: Já nos tempos de escola, só via bola à frente?
DP: Sim, desde muito pequeno. Desde que me lembro, com os meus seis, sete anos que comecei a jogar à bola na rua, no bairro e na escola. Foi sempre o meu desporto favorito.
BnR: E os seus pais, acompanhavam e apoiavam essa sua paixão pelo futebol?
DP: Acho que nunca se interessaram muito e com naturalidade. Era uma criança que gostava de jogar futebol na rua. Os meus pais sabiam que eu estava próximo de casa e a preocupação deles era mais de saber se eu estava por ali e se estava bem. Nunca foi uma coisa que os meus pais valorizassem muito, era só uma criança normal, de uma família humilde, que gostava de jogar futebol.
BnR: Chega ao FC Porto em 1982/83 com 13 anos. Como é que era o Domingos dessa altura?
DP: Um miúdo franzino, um miúdo com 13 anos muito magrinho que queria apostar tudo num sonho. Com 13 anos, chegar ao FC Porto, vir à experiência e procurar agarrar a oportunidade que me estavam a dar, essa era a preocupação maior. Felizmente consegui.
BnR: Recorda-se do seu primeiro treino?
DP: Como se fosse hoje. Tanto eu como o Vítor Baía éramos da mesma idade e encontramos o senhor Costa Soares que era o treinador da altura dos iniciados, que nos recebeu e pôs-nos à vontade. Foi aí que tudo começou e depois treinei normalmente. Correu tudo bem, deu-me mais espaço e ao fim de uma semana o parecer foi positivo.
Foram 16 anos consecutivos de dragão ao peito e após duas épocas em Espanha, voltaria para terminar carreira Fonte: FC Porto
BnR: Na altura a formação era muito diferente comparada com atualmente?
DP: Era, eu acho que não havia as condições que há hoje, nem o método de trabalho. E acho que na altura, as pessoas que estavam ligadas ao futebol era por amor, tinham um carinho muito especial pelo futebol e hoje tudo é diferente porque o futebol está de certa forma estudado, tudo é organizado e formatado.
BnR: Dessa forma, acha que é mais complicado agora surgir um jogador que sobressaia no meio dos restantes?
DP: A evolução do futebol retirou a criatividade à criança. Aquilo que se fazia pela naturalidade e pelas condições com que se crescia, o enriquecimento que isso era em termos de criação de personalidade e em termos de evolução das suas capacidades, nisso a rua ajudava muito mais do que ajuda hoje. Agora hoje acho que é tudo diferente. É mais difícil sobressair alguém e quando eles aparecem, fazem a diferença e são as exceções no meio de jogadores formatados.
BnR: Perdeu muito na sua juventude por ter seguido a carreira de futebolista?
DP: Abdiquei de muita coisa. Abdiquei de poder estar com os meus amigos, poder ter fins de semana, situações de divertimentos. Tudo isso acabei por não fazer porque, lá está, o futebol e aquilo em que eu apostei era demasiado exigente e era tudo um foco muito grande da minha parte que me desviava dessas coisas. Eu também não me importava, porque a vontade de ser jogador de futebol era sempre mais forte do que se calhar ir divertir-me.
BnR: Recorda-se do seu primeiro jogo como sénior?
DP: Lembro, o meu primeiro jogo na I Divisão foi nas Antas contra o Elvas, entrei a dez minutos do fim para substituir, salvo erro, o Raudnei e marquei logo na estreia. Antes já tinha feito a estreia na Taça de Portugal, naqueles jogos em que os treinadores dão espaço a que outros possam jogar e eu fui jogar contra o Moura, tinha na altura 19 anos.
Domingos marcou logo na sua estreia com 19 anos Fonte: FC Porto
BnR: Estava nervoso na estreia?
DP: Normal, não muito. Até porque eu pertencia a um grupo que me deu muito espaço e aceitaram-me bem. Acho que se fez com naturalidade e nessa época de estreia ainda consegui fazer 15 jogos, que foi muito bom para mim.
BnR: Vestiu de azul e branco por 16 anos consecutivos, foram sete campeonatos, duas taças de Portugal, seis supertaças e tornou-se o sexto melhor marcador da história dos Dragões. Sei que é impossível resumir tantos anos no FC Porto, mas consegue destacar os momentos que guarda com mais carinho?
DP: Guardo boas recordações, principalmente na minha fase em que comecei a aparecer. Lembro-me quando integrei aquele plantel de campeões europeus. Foi uma geração importante na forma de eu crescer, na transmissão de valores e da tal mística que se fala. Senti que haviam coisas que faziam um grupo forte e era isso que fazia a diferença no FC Porto. Cresci muito com isso, criei uma personalidade também, passei referências e formas de estar daquele balneário que outros me ensinaram a mim.
BnR: Formou uma das melhores duplas de ataque da história do FC Porto com Emil Kostadinov. Foram quatro anos que alinharam juntos, entre 1990 a 1994, e marcaram juntos 148 golos. Qual é que acha que era o segredo do vosso entendimento?
DP: Eu acho que foi o de conseguir conciliar determinadas características de ambos. A questão da velocidade, da mobilidade e da ocupação de espaços corretamente, nós complementávamo-nos. O Kostadinov ainda era mais rápido do que eu, eu tecnicamente era mais evoluído do que o Kostadinov, mas esse complemento é que fazia essa dupla realmente diferente e não haja dúvida que nós, além disso, tínhamos um bom entendimento fora de campo que também ajudava.
A dupla Domingos e Kostadinov (no canto inferior direito) marcou um número combinado de 148 golos Fonte: FC Porto
BnR: Li umas declarações que ele fez em relação a si, em que ele dizia que você adorava chá, que o Domingos estava constantemente a gozar com a roupa dele e teceu rasgados elogios, dizendo que você foi o colega mais esperto com quem já jogou e o tipo mais inteligente que conheceu. Essa boa relação continua nos dias de hoje?
DP: (Risos) A relação era boa. Ainda a última vez que falamos foi no fim de ano, ele estava na Turquia e estava-me a pedir a opinião de uns sítios para ir jantar. Ainda hoje mantemos essa relação, mesmo as próprias famílias conviviam na altura, foram momentos bons.
BnR: Essa inteligência a que o Kostadinov se refere, considera que era uma das suas melhores caraterísticas, ou seja, essa inteligência emocional compensava o que podia faltar no físico?
DP: Acima de tudo, o que ele quer dizer, se calhar, era mesmo isso. Eu tinha que ter outro tipo de argumentos que pudessem fazer a diferença, porque em relação a aspetos físicos eu não era um jogador forte e era essa inteligência e entender do jogo que eu procurava explorar ao máximo.
Correu tudo mal. Todos são responsáveis. Vós, pelo jogo que fizeram. Nós, por acreditarmos que este era o melhor SL Benfica e que se estava a escrever direito por linhas tortas para chegar à glória. Teoricamente, ainda é possível no Campeonato, mas não na Taça de Portugal, como é evidente.
Naturalmente, é difícil falar neste momento, muito menos aceitar a revolta do facto de o Jamor ter estado tão perto e ter ficado tão longe num abrir e fechar de olhos. Olhos foi precisamente aquilo que faltou a Bruno Lage na noite de ontem, por inúmeras razões. Svilar foi lançado às feras num jogo de alto risco, e a sua atuação foi o que foi; Jardel e Fejsa também não estiveram bem, principalmente se se tiver em conta o excelente momento de forma que atravessam Ferro e Samaris. Como se isso não bastasse, ainda se perdeu Gabriel.
Faltou ter olhos para construir um sentido para o jogo. A equipa entrou desconcentrada e sem capacidade de transição ofensiva. Apesar da curta vantagem, deixou-se superiorizar pela pressão alta do Sporting, que só precisava de um golo para ser feliz. Tanto que foi o que aconteceu!
Em Alvalade, os leões defenderam a sua identidade e a mais não foram obrigados. Depois, houve o golo de Bruno Fernandes, o homem do costume, que carrega a equipa às costas como ninguém. Que grande temporada está a fazer!
Factos à parte, as águias não aproveitaram o resultado que traziam da Luz e a postura em campo não mostrou que quisessem lutar por um lugar na final da Prova Rainha. Outros pensamentos, como os 120 milhões que vale João Félix ou o foco no campeonato, apoderaram-se da equipa e impediram-na de dar um passo à frente. Não quero com isto dizer que Félix seja o responsável por tudo isto, mas a quebra de rendimento é notória e a fasquia em seu redor é tão alta que é difícil descer à realidade. Parece que Félix é a justificação para tudo o que acontece ao Benfica, mas não é. Chega de particularizar jogadores, a responsabilidade é de todos, mesmo todos, Bruno Lage incluído!
A equipa entrou desconcentrada e não soube aproveitar a vantagem que trazia da Luz Fonte: SL Benfica
Agora, o foco tem de estar no campeonato e na Liga Europa, mas isso não é motivo para descredibilizar a Taça e, muito menos, deixar-se ultrapassar desta forma. Uma coisa é certa: ganhou a melhor equipa, mas esperava-se mais do Benfica.
Os últimos jogos têm mostrado uma falta de atitude e de garra, que só é possível por um ou mesmo dois motivos: a exigência da segunda volta e a postura da equipa. Se o objetivo é a Reconquista, o Benfica tem de acordar e mostrar uma postura diferente.
Quanto à Liga Europa pede-se o mesmo. O adversário é exigente e não se esperam facilidades. Ao contrário da Taça, peço que a Europa não seja desvalorizada. É o mínimo que se pode exigir.
Com isto dito, é urgente uma atitude que leve à glória de vencer a competição mais importante do país, disputar a Liga Europa taco a taco com o Eintracht e, sobretudo, sonhar e fazer por um resultado favorável.
Espero que o deslize de ontem tenha sido só isso: um deslize!
Há cerca de ano e meio, em conversa com o Mário Cagica, calhou em conversa falarmos sobre CM01/02, ou Championship Manager 01-02, e em fazer algo sobre o mesmo aqui no Bola na Rede.
Na altura seguia o trabalho que o Ian Macintosh fazia (e faz) no Set Pieces, e onde começou um projecto no Everton FC na tentativa de o levar à glória em Terras de Sua Majestade.
Daí, surgiu um artigo sobre um onze composto pelas grandes pérolas do jogo, onde Portugal estava em destaque, com alguns jogadores nacionais a serem vistos como verdadeiros “Deuses” do simulador. Hugo Pinheiro, os “manos” Paralta e Tó Madeira são figuras incontornáveis do jogo lançado no primeiro ano do novo milénio e que ainda hoje ecoam no mundo virtual.
Assim, decidi voltar atrás no tempo e voltar a “brincar” com um jogo que se irá fazer 18 anos em 2019 e começar na Segunda Liga Portuguesa e num clube histórico do nosso futebol…