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Portugal 0-0 Ucrânia: Muita cerimónia e pouca objetividade explicam entrada em falso

No início da caminhada rumo ao Euro 2020, Portugal empatou a zero com a Ucrânia. Num Estádio da Luz bem composto (58 357 espetadores), os comandados de Fernando Santos começaram a defesa do título conquistado em França em falso, muita por culpa própria, ao revelarem pouca objetividade na hora de finalizar.

Havia a expetativa para saber como jogaria de início a “seleção das Quinas” (se em 4-4-2 ou 4-3-3), uma vez que CR7 estava de volta à convocatória, após ter estado ausente dos jogos da Liga das Nações, e ainda por causa das novidades em Dyego Sousa e João Félix – o selecionador nacional optou pelo 4-3-3, com a frente de ataque composta por Ronaldo, Bernardo Silva e André Silva. Do lado ucraniano, o destaque foi para a titularidade de Marlos, que cumpria assim a sua primeira internacionalização, após se ter naturalizado recentemente.

A partida começou com Portugal a querer ter bola, e até conseguiu, embora a defesa ucraniana estivesse bastante compacta, dificultando assim a criação de oportunidades por bola corrida.

Teve de ser um lance de bola parada para a armada lusa conseguir criar o primeiro lance de verdadeiro perigo: ao minuto 16 e na sequência dum canto, Pepe disparou de primeira à entrada da área para uma defesa apertada de Pyatov. No minuto a seguir, William até colocou a bola dentro da baliza, mas o golo foi bem invalidado por fora de jogo do médio.

Portugal voltou a ameaçar a baliza de Pyatov, desta vez pelo suspeito do costume: Ronaldo, numa finta curta já dentro de área, disparou para defesa segura do guardião experiente do Shakhtar Donestk. O capitão da seleção mostrava uma enorme vontade em querer faturar e esteve, de novo, muito perto de abrir o marcador na Luz, aos 27’, mas viu novamente Pyatov a impedir as suas pretensões.

Os atuais campeões europeus até iam tendo mais bola, sobretudo no meio-campo ofensivo, mas a Ucrânia não dava muito espaço aos atacantes portugueses e as tentativas foram todas bem anuladas pela defensiva de Leste, sendo que até ao apito de Clément Turpin para o intervalo, o marcador não se alterou.

Era necessário mais rapidez e inteligência no segundo tempo para quebrar a resistência dos homens de Andriy Schevchenko.

Portugal recomeçou a partida a ameaçar Pyatov, com Ronaldo a amortecer a bola com o peito para André Silva rematar para as mãos do número 12 dos ucranianos. O avançado do Sevilha FC voltou a pôr à prova os reflexos de Pyatov, que respondeu com uma estrondosa defesa, depois de uma jogada bastante trabalhada pela seleção nacional.

Insatisfeito com a produção ofensiva, Fernando Santos sentiu que o jogo pedia um “abanão”, e foi então que chamou Rafa Silva para dentro de campo, tirando um elemento do meio-campo, Rúben Neves.

Contudo, esse tal “abanão” não teve os efeitos desejados e foi preciso dar mais músculo ao ataque: Dyego Sousa rendeu o apagado André Silva, fazendo assim a estreia pela seleção das Quinas. Shevchenko respondeu e também lançou um estreante, Júnior Moraes substituiu Yaremchuk.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O jogo ia caminhando para os minutos finais e Portugal até conseguia chegar com alguma facilidade à área adversária, mas demonstrava uma enorme cerimónia em rematar à baliza. Mais uma vez, tinham de ser as bolas paradas a fazer surgir um lance que pudesse desbloquear o nulo: num canto do lado esquerdo, ao minuto 81, Dyego Sousa cabeceou bem para Pyatov defender novamente. Apesar de ter estado remetida grande parte do jogo no meio-campo defensivo, a Ucrânia arriscou nos últimos minutos e esteve pertíssimo de gelar as bancadas da Luz: Júnior Moraes finalizou por cima, após defesa incompleta de Rui Patrício a remate de Konoplyanka.

Até ao final, os atletas portugueses tentaram de todas as formas fazer o golo da vitória, mas sem qualquer êxito. O jogo acabou com 0-0 no marcador e Portugal começou assim a defesa do título de uma forma que não era a mais desejada. Apesar dos lances criados (suficientes para vencer), a muita cerimónia e boa organização defensiva da Ucrânia impediram que o jogo terminasse com o triunfo luso.

Segunda-feira há mais, desta vez contra a Sérvia, e espera-se que Ronaldo e companhia estejam mais inspirados na altura de finalizar.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES:

Portugal: Rui Patrício; João Cancelo; Pepe; Rúben Dias; Raphael Guerreiro; William Carvalho; Rúben Neves (Rafa Silva 62’) ; João Moutinho (João Mário 85’); Bernardo Silva; Cristiano Ronaldo; André Silva (Dyego Sousa 73’)

Ucrânia: Andriy Pyatov; Oleksandr Karavaev; Sergii Kryvtsov; Mykola Matviyenko; Vitaliy Mykolenko; Taras Stepanenko; Ruslan Malinovskyi; Oleksandr Zinchenko; Marlos (Vitaliy Tsygankov 67’); Yevhen Konoplyanka (Vitaliy Buyalskiy 86’); Roman Yaremchuk (Júnior Moraes 76’)

Reportagem BnR: Fases Finais CUL 18/19 – Dia 4

Com tudo a postos para o início do último dia dos Campeonatos Universitários de Lisboa, a AAULHT e a AEFCT entraram na quadra para discutir a final do Andebol. A AEFCT, muito abaixo do normal, permitiu à AAULHT fugir com a vitória e perdeu por 39-29.

No basquetebol feminino, tivemos um jogo altamente equilibrado, com três cambalhotas no marcador. Nos dois períodos finais, a AEFMH foi superior e, com um resultado de 62-53, venceu uma equipa da FAIPL que contou com grandes exibições individuais.

No futsal feminino, tivemos um dos grandes jogos do dia. Depois de uma primeira parte pachorrenta, sem golos, a AEISCTE marcou três golos sem resposta, perante uma AAULHT que até tinha demonstrado mais qualidade. Nos dois minutos finais, a AAULHT ainda conseguiu reduzir a desvantagem para 3-2 e proporcionar-nos uns 30 segundo finais incríveis, mas foi insuficiente, e as mulheres que vestiam o azul do ISCTE levaram a taça.

Também no futsal, mas desta masculino, foi a AEISCSP que conquistou a taça.
No rugby 7’s, a fase final foi jogada pela AEISA, pela AEIST, pela AEISCTE-IUL e pela AAULL. A AEISCTE-IUL sagrou-se campeã, seguida pela AAULL e, em terceiro, a AEIST. As duas primeiras classificadas irão disputar as Fases Finais Nacionais.

Na modalidade de voleibol feminino, a UCP e a AEIST tiveram os mesmos resultados: venceram por 3-0 as suas respectivas oponentes, a AEFEUNL e a AEFML. Na final, foi a AEIST quem conseguiu vencer a campeã UCP. A AEIST, a UCP e a AEFML garantiram o acesso aos CNU’s de Guimarães. A AEFEUNL erá disputar os play-offs desta competição.

Fonte: ADESL

Por sua vez, no voleibol masculino foi discutido entre a AEFMH e a AEISCTE-IUL (3-0) e entre a AEIST e a NOVA (3-2). A AEIST venceu a AEFMH na final, As três primeiras classificadas estão apuradas para os CNU’s e a quarta para os play-offs, tal como no voleibol feminino.

Estrelas azuis de Quinas ao peito

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Com o campeonato ao rubro, com FC Porto e SL Benfica a dividir a liderança e o favoritismo, nada melhor do que uma pausa para acalmar os ânimos. Com os jogos das seleções e com as respetivas chamadas dos jogadores ao seu país, o campeonato pára, mas as contas continuam a ser feitas, numa altura em que a época se aproxima da fase crucial e decisiva.

Na Seleção Nacional Portuguesa, comandados por Fernando Santos, Pepe e Danilo foram os homens do FC Porto chamados à equipa. Dois nomes que habitualmente fazem parte dos eleitos.

Pepe tem sido uma das referências da defesa portuguesa. Titular indiscutível no Euro 2016, ano em que a Seleção Portuguesa fez história ao levantar o troféu, o luso-brasileiro foi considerado por muitos o jogador mais influente. Os anos passam, e apesar do tempo não ser um posto, a verdade é que Pepe continua a ter a mesmo rapidez e inteligência de se antecipar ao adversário. Apesar do temperamento característico, defende as cores nacionais com paixão e é, possivelmente, uma forte hipótese de ser novamente opção no eixo defensivo, independentemente do colega eleito para o acompanhar.

Pepe tem sido uma das referências do centro da defesa
Fonte: FPF

Já Danilo continua a ter alguma dificuldade em “roubar” o lugar a William Carvalho… ainda assim, e apesar de a posição ser a mesma, as características dos jogadores são bem distintas. A rapidez de Danilo diferencia-o e a forma rápida com que recupera a posição são dois pontos favoráveis para ser opção. Ainda assim, há mais jogadores para a mesma posição e a concorrência é cada vez maior. No entanto a qualidade individual de Danilo é incontestável.

Com a seleção nacional a tentar defender a conquista do Europeu, ambos podem ser opção para os dois jogos da fase de qualificação, frente à Ucrânia e Sérvia.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

McGregor – Cerrone: Sim, mas em main event!

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Após a luta contra Floyd Mayweather o regresso de Conor McGregor ao UFC era muito esperado por todos os fãs do desporto. Foi então que decidiu enfrentar Khabib Nurmagomedov, em outubro de 2018, num combate a valer o título mundial de peso-leve. McGregor foi dominado durante toda a luta até ser finalizado com a submissão mata-leão.

Após este evento, os fãs ficaram na dúvida acerca do que o irlandês iria fazer com a sua carreira. As possibilidades eram muitas: voltar ao Boxe, completar a trilogia com Nate Diaz, uma desforra com Khabib ou até lutar contra Tony Ferguson, antigo campeão interino.

Há cerca de um mês e meio surgiram os rumores que Conor McGregor podia enfrentar Donald “Cowboy” Cerrone, que está de regresso à divisão de peso-leve. Esta notícia entusiasmou bastante os fãs e inclusive o presidente do UFC, Dana White. Este admitiu em conferência de imprensa que “se eles querem lutar, e os fãs querem vê-la, é a luta a fazer”.

Cerrone tem 27 finalizações (10 nocautes e 17 submissões) em 35 vitórias na sua carreira. É o lutador com mais vitórias na história do UFC, com 22. É, também, conhecido pelo seu muay-thai letal, e pelo famoso pontapé alto que vitimou Rick Story, Matt Brown, entre outros.
O americano regressou à divisão de peso-leve e venceu a jovem promessa Alex Hernandez por nocaute técnico, com um pontapé na cabeça, na segunda ronda. Foi na entrevista pós-luta que “Cowboy” afirmou que gostaria de lutar com McGregor e que os rumores começaram.

Khabib dominou McGregor no último combate do irlandês
Fonte: MMA Fighting

Apesar de intrigante, a história a envolver estes dois atletas foi-se desvanecendo e perdendo o entusiasmo. No episódio #58 do seu podcast de MMA, Joe Rogan explicou o porquê do combate ainda não se ter materializado. Rogan informou que o UFC pretendia que a luta fosse o “co-main event”, ou seja, não fosse o combate principal, mas sim o anterior a esse. Pelos vistos, o UFC quer que os eventos principais de um PPV (Pay-Per-View) sejam com um combate de título, e não um regular. Essa intenção provocou um descontentamento por parte da equipa McGregor, e até hoje não houve nenhum avanço em relação ao tema.

A ideia de não colocar Conor como o evento principal não faz sentido. A realidade é que atualmente um combate onde McGregor esteja inserido vende mais que qualquer luta de título que o UFC possa organizar. Não há maior estrela que o irlandês, e prova disso são os números. Nos seis eventos com mais compras de PPV do UFC, McGregor foi cabeça de cartaz em cinco, e dois deles não foram combates por título. Trata-se das duas lutas contra o rival Nate Diaz.

O possível combate contra Cerrone vende-se por si só, é uma combinação perfeita de estilos. Ambos têm preferência pela luta em pé, têm um variado leque de habilidades, e instinto finalizador. Para além disso, é a luta perfeita para os dois. Se Cerrone ganha, torna-se imediatamente uma estrela e fica com fortes possibilidades de lutar pelo título. Se Conor vence, é certo que o Khabib-McGregor 2 acontece.

Pensar em colocar a principal atração do UFC em segundo lugar é atirar dinheiro pela janela fora, principalmente numa altura em que a WME-IMG (empresa que comprou o UFC por 4 biliões de dólares) pretende recuperar o investimento e organizar as “super-lutas”. Atualmente, Jon Jones e Khabib Nurmagomedov podem, juntamente com Conor, serem considerados as maiores estrelas da promoção. E mesmo eles não têm combates que se aproximem dos números que McGregor provoca. Só com ele é que faz sentido um evento principal ser uma luta não título. Conor não vende tanto por lutar por títulos. Vende pela emoção, energia e entusiasmo que traz para cada combate.

Concluindo, McGregor-Cerrone só faz sentido como evento principal. Seria uma luta que ia captar a atenção de todos os interessados pelas artes marciais mistas, mesmo sem um título em jogo.

Foto de Capa: UFC

As 3 melhores contratações leoninas no mercado de inverno 18/19

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Foram seis os jogadores que entraram em Alvalade no mercado de inverno. Cerca de 10 milhões de euros em reforços que pouco ou nada acrescentaram num ponto de vista desportivo, visto que o Sporting CP continua bem distante do título, e ainda na luta pelo terceiro lugar, mas terá de esperar que os adversários diretos escorreguem. No entanto, há três nomes que merecem destaque. Dois pelo que já demonstraram e outro pelo valor que tem, reclama uma oportunidade e merece sem dúvida mais minutos.

Quero deixar uma nota ainda a Gonzalo Plata, reforço que chegou mais tarde destes seis, à Academia de Alcochete e que demonstra uma enorme margem de progressão. Apesar de não figurar neste top, é um dos jogadores que mais expectativas cria no reino do Leão.

Rali dos Açores | Para pontuar precisas de acabar

Primeiro dia do rali dos Açores e já alguns percalços para concorrentes do Campeonato de Portugal de Ralis. Miguel Barbosa desistiu logo na primeira especial do dia, a Coroa da Mata, com um problema mecânico. Ricardo Teodósio também encontrou dificuldades após um toque na primeira especial, que afetou a roda traseira do lado direito. Nas contas do CPR, Ricardo Moura lidera a classificação, com 2 vitórias em 3 especiais neste primeiro dia. Bruno Magalhães, o único representante do Team Hyundai Portugal, está no segundo lugar. Ricardo Teodósio segue no terceiro lugar. 

Ricardo Teodósio sempre espetacular, acabou por bater e ter problemas no Skoda Fabia R5
Fonte: David Pacheco/Bola Na Rede

No Campeonato dos Açores de Ralis, a luta entre Bernardo Sousa e o campeão regional, Luís Miguel Rego, está muito interessante. Sabemos que Ricardo Moura lidera, mas os dois lugares restantes estão apenas separados por cerca de 17 segundos. 

Na frente da geral e do campeonato FIA ERC segue o imbatível “russian rocket”, Alexey Lukyanuk. O russo não deu hipóteses a ninguém e venceu todas as especiais do dia, mostrando estar mais que adaptado à máquina nova que tripula, o Citroen C3 R5. 

Em estreia na categoria ERC3 está Pedro Antunes, em Peugeot 208 R2. O piloto português encontra-se na frente de Sindre Furuseth. Na terceira posição desta categoria segue o espanhol Efrén Llarena.

Pedro Antunes na sua primeira prova do ERC3 lidera ao fim do primeiro dia
Fonte: David Pacheco/Bola na Rede

O segundo dia de prova traz-nos a mítica especial das Sete Cidades, a nova especial da Vista do Rei/Feteiras e a renovada Pico da Pedra. 

Foto de Capa: David Pacheco/Bola na Rede

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

6 esperanças num futuro ainda mais azul

É o sonho de qualquer adepto, mas a história diz que a aposta exclusiva na formação como alimento único do plantel principal não é, de todo, sinónimo de vitórias. A mescla de experiência e juventude sim, é outro assunto.

No caso do FC Porto, são poucos os casos de sucesso no que à ingressão no plantel principal a partir do Olival diz respeito. Porém, o futuro passará, invariavelmente, por aí. Nomes como Diogo Costa, Diogo Leite, Diogo Queirós, Jorge Fernandes, Romário Baró ou Madi Queta são já certezas e outros vão-lhes seguindo as pisadas.

Será Bruno Lage só fogo de vista?

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Depois de vencer o clássico no Dragão, o SL Benfica de Bruno Lage recuperou os sete pontos de desvantagem que tinha para o rival, e somou mais dois para lá daqueles que o antigo líder tinha, colocando-se a si no topo da tabela classificativa da Primeira Liga.

Dias depois, o Benfica foi a Zagreb para a primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa e foi aí que começaram a surgir as dúvidas. Não se tratou apenas da derrota por 1-0 frente aos croatas – já que era pela margem mínima, e fora de casa e, por isso, um resultado ultrapassável na segunda mão –, mas sim pela fraca exibição dos encarnados em terras Balcãs.

As dinâmicas tão faladas por Bruno Lage não funcionaram em Zagreb, João Félix parecia perdido e Krovinovic completamente fora de jogo. Para piorar toda a questão, houve a lesão de Seferovic, ainda na primeira parte. Logo depois da entrada de Cervi – que se demonstrou uma má opção, devido à fraca capacidade de mexer com o jogo –, houve o golo croata devido a uma infantilidade de Rúben Dias, que fez penálti mesmo no canto na área encarnada. Um lance desnecessário que levou a que a eliminatória fosse para Lisboa com desvantagem do Benfica.

Três dias depois do desaire na Croácia, regressava o Benfica ao campeonato a necessitar de vencer para manter a vantagem de dois pontos perante o FC Porto – que ganhara no dia anterior. Porém, contra um Belenenses SAD de emblema novo, o Benfica cometeu dois erros infantis e cruciais para o empate a duas bolas. Demorou a desbloquear o jogo, ao marcar só aos 55 minutos, mas, um primeiro erro de Vlachodimos – que até nos custa criticar devido à quantidade de pontos que já nos deu –, e um segundo erro, novamente de Rúben Dias, deu o empate final, colocando agora margem de erro zero no que resta da temporada benfiquista, logo após a vitória no Dragão. Foi a primeira vez que Lage ficou dois jogos consecutivos sem vencer e as perguntas surgiam, já com uma derradeira eliminatória dentro de três dias.

Vlachodimos tem sido exímio na baliza, mas errou escandalosamente no jogo contra o Belenenses SAD
Fonte: SL Benfica

Se dúvidas havia, Lage não as esclareceu na primeira parte desse embate com croatas. Escolheu, como sempre fez para esta competição, uma equipa mais fresca, menos utilizada, mais jovem e pouco se fez para vencer a partida. Porém, a segunda parte trouxe algo diferente: Jonas, João Félix e Grimaldo. Aí, a conversa foi outra e, apesar de o jogo ter ido a prolongamento, a frescura dos homens de vermelho comparada à dos croatas foi evidente, para não falar de que se viu novamente o Benfica a jogar como aquilo a que Lage nos habituara.

Se acreditas que Bruno Lage vai levar o SL Benfica a vencer o campeonato, aposta aqui

Surge, três dias depois, a deslocação a Moreira de Cónegos. Novamente a precisar de vencer, o Benfica desta vez foi mais esclarecedor. Colocou para trás os jogos menos bem conseguidos, e foi golear por 0-4 num terreno onde só duas equipas haviam vencido esta temporada. As dinâmicas vivem!

Bruno Lage mostra-se mais completo perante os adeptos, agora que passou por momentos em que o seu futebol e as suas decisões não levaram a grandes vitórias. Depois de passar pelo sabor da derrota e do empate – ainda por cima consecutivos e decisivos –, Lage manteve-se fiel à sua visão de jogo e à sua gestão de plantel onde todos contam. Sem ter um modelo fixo de jogo que depende de um e outro jogador, mesmo sem Seferovic a combinar com Félix na frente, Lage conseguiu explorar a dinâmica de jogo com outras personagens em campo e isso mostrou-se bem sucedido frente ao Moreirense.

É um treinador que pensa o jogo um por um e o adequa a cada situação. Esperou pelo cansaço dos croatas na primeira parte – explicando a opção de Jota e Rafa na frente – para depois, na segunda, colocar Jonas e Félix para tirar proveito disso mesmo. Está a gerir o plantel entre Liga Europa e Primeira Liga com o plantel à disposição, aproveitando tudo o que cada um pode acrescentar à equipa, analisando o momento ideal para este fazer a sua parte nesta jornada.

Bruno Lage continua a impressionar-nos.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Força da Tática: O milagreiro de Alicante

Madrid é casa de uma das equipas mais dominantes do atual futebol europeu. Uma formação que consegue, Domingo após Domingo, obrigar os adversários a fazerem aquilo que estes não querem.

Não, não falamos nem do Club Atlético de Madrid nem do Real Madrid CF, mas do Getafe CF.

No melhor exemplo possível daquilo que é o trabalho de um treinador, José Bordalás conseguiu potencializar ao máximo cada individuo, de um dos planteis com menos qualidade de La Liga. Quando digo “ao máximo” refiro-me até ao ponto de nem os próprios jogadores acreditarem que eram capazes de jogar aquele nível.

Jaime Mata, Jorge Molina, Ángel Rodríguez, Djené, Antunes, Damián Suárez, Arambarri ou Maksimovic, são alguns jogadores que parecem ter esperado toda a sua vida para jogar a este nível.

Vamos então perceber como joga este Getafe, do milagreiro de Alicante.

Sistema e equipa: O 4-4-2

Fonte: Chose11

Como se pode constatar não existem grandes nomes. Claro, hoje todos conhecemos Jaime Mata ou Dakonam, mas no início da época ninguém esperava que o Getafe fosse hoje a equipa de Liga dos Campeões que é hoje (eu incluído).

Jogar frente a este 4-4-2 é um verdadeiro desafio. Não só a nível tático e físico, como mental. É uma equipa que raramente perde um duelo individual, que leva constantemente o jogo para onde o adversário não quer e que transforma a difícil missão de controlar o espaço, numa arte.

A chave não está no próprio sistema, jogar em 4-4-2 ou 4-3-3 por si só vale pouco, mas nos automatismos e nas dinâmicas. Não está relacionado com a qualidade individual das peças, mas da força das ligações entre elas.

“José Bordalás não desenha apenas um sistema por jogo, mas onze para 11 jogadores diferentes que se ligam de forma harmoniosa”

Fase Defensiva (Sem bola)

Independentemente do adversário, o guião é sempre o mesmo:

– Conceder muito pouco espaço entre linhas.

– Intensidade máxima nos duelos individuais, podemos falhar um passe, mas nunca perder um duelo.

– Definir bem as zonas para intensificar a pressão e recuperar a bola.

Como vemos, a execução desse guião começa na dupla de avançados. Principalmente na forma como eles se articulam, jogando muito próximos entre si para forçar o adversário a circular por fora, e nos apoios constantes aos colegas com a criação de diversas situações de superioridade numéricas.

Não se trata de uma equipa que joga entrincheirada no seu meio campo defensiva, antes pelo contrário. Com uma linha defensiva alta e sempre perfilada para responder aos ataques à profundidade, vai emergindo Djené Dakonam. Um central rápido (muito), com uma excelente consciência corporal e que antecipa muito bem as intenções dos adversários, qualidades que permitem ao Getafe jogar com uma linha defensiva bem subida.

Sem esquecer a linha média, que está mentalmente sempre ligada ao jogo, pronta para responder a estímulos e saltar imediatamente no acompanhamento, com os restantes elementos da linha média a dar cobertura a esta “saída”, fechando dentro.

Fase Ofensiva (Com bola)

“Jogar futebol é muito simples, difícil é jogar um futebol simples “ Johann Cruyff.

Fonte: Squawka Stats

Qual a equipa que menos dribla em La Liga? Aliás, qual é a equipa que menos precisa de driblar?

O Getafe não tem nenhum “artista”, porque não precisa. Joga um futebol simples, que foge da gratificação imediata e da procura pela notoriedade em cada toque na bola.

Com Molina, a equipa não tem um “artista”, mas um jogador extremamente inteligente do ponto de vista tático. A sua capacidade de jogar de costas para a baliza adversária, receber, guardar a bola e perceber o melhor momento para a soltar permite à equipa jogar de uma forma simples, direta e sem muita elaboração.

Jaime Mata é um individuo diferente. A sua mobilidade encontra na inteligência de Molina a companhia ideal. Os seus inteligentes movimentos sem bola, dão à equipa a profundidade que por defeito o sistema 4-4-2 não tem.

Uma equipa que não se destaca concretamente em nada, mas por todo ao mesmo tempo.

Uma equipa que se destaca por não ter a necessidade de fazer nada de extraordinário, sempre que tem a bola.

Foto de capa: Getafe CF

Artigo revisto por: Jorge Neves

Portugal | Hora de mostrar o estofo de campeão

A seleção Portuguesa volta à ação nesta semana. Arranca a fase de qualificação para o campeonato da Europa de 2020, tendo Portugal uma dupla jornada pela frente ante a Ucrânia (sexta-feira) e a Sérvia (segunda-feira).

Ambos os jogos serão disputados no Estádio da Luz, com adversários que prometem ser “ossos duros de roer”, tal a qualidade individual que os dois conjuntos apresentam.

Antes de fazer o raio-x aos rivais, falar primeiro de Portugal. Fernando Santos tem de regresso um mega motivado Cristiano Ronaldo, nove meses após a sua última presença, tendo chamado pela primeira vez Dyego Sousa, luso-brasileiro do SC Braga que anda de pontaria afinada na Liga Portuguesa, e João Félix, que tem sido destacado em tudo o que é imprensa, sendo apontado aos “tubarões” da Europa.

É um facto que será difícil arriscar um onze inicial e até um sistema para este duplo confronto, porque provavelmente será alterado de um jogo para o outro, portanto avanço com um onze tipo para o jogo mais complicado em teoria, ou seja, com a Sérvia.

Fernando Santos deverá dar a baliza a Rui Patrício, apostando num quarteto defensivo com Cancelo, Pepe, Rúben Dias e Mário Rui. Meio campo com William Carvalho, João Moutinho, Bernardo Silva e Pizzi, com uma dupla na frente composta por Cristiano Ronaldo e André Silva. Isto caso o técnico português aposte no 4-4-2 que até tem resultado bem, havendo a possibilidade de desdobrar num 4-3-3, com Bernardo descaído à direita e com Ronaldo a partir da esquerda para o corredor central. Jogadores como Guerreiro, Félix, Semedo ou Rafa, também poderão aparecer no onze inicial em qualquer um dos dois jogos.

A primeira batalha é com a Ucrânia. A seleção orientada pela antiga estrela do futebol mundial, Andriy Shevchenko, está em fase de renovação. Na convocatória de 27 jogadores, apenas três têm idade superior a 30 anos.

É uma das gerações mais fortes do futebol ucraniano dos últimos anos, apresentando um leque de jogadores tecnicamente evoluídos e com um toque de samba trazido por Marlos e Júnior Moraes (tem mais de 20 golos oficiais esta temporada) que se naturalizaram recentemente.

Para além destes dois craques “made in Brasil”, destaco Oleksandr Zinchenko, que alinha a defesa esquerdo com regularidade numa das melhores equipas do Mundo, Manchester City FC, Viktor Kovalenko, médio ofensivo de Paulo Fonseca, Volodymyr Shepelev, extremamente elogiado por Maurizio Sarri recentemente, e Yevhen Konoplyanka, que é uma das estrelas da seleção na última década.

Marlos, é um de dois brasileiros, que veio dar outra qualidade à seleção do Leste
Fonte: Federação Ucraniana

Normalmente, Shevchenko utiliza o 4-3-3, com Zinchenko integrado no trio do meio campo, e Kovalenko no centro do ataque (o que pode mudar com a naturalização de Júnior Moraes), o que era um completo desaproveitamento da capacidade do jovem talento ucraniano. Marlos deverá jogar pela direita e Konoplyanka pela esquerda.

Estes nomes referidos no parágrafo anterior revelam bem a qualidade de opções ofensivas que esta geração tem à sua disposição (e falta Yarmolenko, lesionado). Na baliza, existe a possibilidade do jovem Lunin, contratado e emprestado pelo Real Madrid CF, de apenas 20 anos, acabar com o reinado de Pyatov, que tem sido o dono da baliza nos últimos anos.

No global, a Ucrânia é uma seleção jovem, talentosa, com muito poderio do meio campo para a frente, a nível de velocidade, técnica e de finalização (sobretudo com Júnior Moraes), apresentando, ao contrário dos últimos anos, um quarteto defensivo mais jovem, mais veloz e com mais qualidade na saída de bola (Kacheridi e Rakitsky não foram chamados e eram a dupla mais usada no passado).