Início Site Página 11663

Tite e suas convocações corintianas condenam a Seleção Brasileira ao fracasso

Motivo de muitas alegrias, tristezas e preocupações, o futebol, assim como a religião, é o ópio do povo brasileiro, que vê desde os campinhos de terra até os grandes e modernos estádios a esperança de dias melhores. Todo esse sentimento, no entanto, é materializado e unificado pela seleção da Confederação Brasileira de Futebol – CBF – que ao menos em tese representa o Brasil no esporte. Mas será que representa mesmo?

A seleção pentacampeã mundial, octacampeã das Américas e tetracampeã da Copa das Confederações é sem dúvidas motivo de grande orgulho dos brasileiros, mas nos últimos anos tem sido a causa de imensa vergonha, tanto pelos escândalos de corrupção envolvendo seu órgão máximo, quanto pelas atuações em campo, marcadas pelas cenas de teatro do Neymar. Mas o que tem chamado atenção após a última Copa do Mundo são as escalações do treinador Tite, que privilegiam jogadores que já foram treinados por ele no Corinthians.

Desde que assumiu o cargo em 2016, Tite fez quinze convocações para amistosos e competições oficiais da Seleção e de todos os convocados pelo menos dez já trabalharam com ele no Corinthians: Cássio, Fagner, Marquinhos, Rodriguinho, Felipe, Fábio Santos, Gil, Malcom, Renato Augusto e Paulinho. Destes, somente o zagueiro Marquinhos tem condições técnicas para vestir a amarelinha, os outros são apenas opções pessoais de Tite. Enquanto isso, jogadores como o Goleiro Fábio do Cruzeiro, Bruno Henrique e Dudu do Palmeiras são sistematicamente esquecidos e nomes como Hulk do Shanghai SIPG, Jonas do Benfica e Danilo do Manchester City sequer são cogitados.

Para convocar seus queridinhos, Tite até ignora o fato de alguns deles estarem atuando no futebol chinês, em campeonatos pouco competitivos com uma frequência muito baixa de jogos. O resultado disso foram as péssimas atuações da Seleção Brasileira na Copa do Mundo com o comum Renato Augusto no meio e o horrendo Fagner na Lateral sendo engolidos por Eden Hazard e Kevin de Bruyne. É inadmissível que a seleção de futebol do país seja convocada por critérios que não sejam técnicos. Ora, se é tão importante para o Tite trabalhar com jogadores que jogam ou que passaram pelo Corinthians, que volte para o clube e deixe a Seleção Brasileira para quem convoca por mérito.

Tite lendo sua esclação durante entrevista coletiva organizada pela Confederação Brasileira de Futebol Fonte CBF

O futebol brasileiro precisa, de forma urgente, recuperar sua moral, mas para isso será necessário desfazer-se da filosofia clubista desse profissional superestimado pela mídia e por vezes chamado de “o salvador da pátria”. Em pouco mais de dois anos à frente da Seleção, Tite se mostrou um treinador limitado e retranqueiro, que dificilmente sairá do lugar comum.

E o tal futebol arte, cinco vezes campeão do mundo e representado por grandes nomes como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Marta e Roberto Carlos está ultrapassado técnica e taticamente, tanto por questões financeiras quanto pela má organização dos clubes no Brasil. Uma possível solução para isso seria, talvez, deixar o orgulho “patriótico” de lado e investir na contratação de treinadores estrangeiros, que certamente oxigenariam o ambiente da seleção, trariam novos conhecimentos e afastariam os vícios clubistas que insistem em permanecer na CBF.

Foto de capa: FIFA

Os melhores do ano no Atletismo – A força da experiência

0

Foi na passada semana que a IAAF distinguiu os melhores atletas do ano no Atletismo. Num ano em que vimos serem batidos vários recordes mundiais, vimos feitos que nunca havíamos visto e onde uma fornada de jovens talentos despontou pronta para tomar de assalto o mundo do nosso desporto, difícil mesmo foi escolher!

Jorge Jesus? Sim.

0

Claro que gostei e gostava de ver o Jorge Jesus no Benfica. Claro que sim. Sem margem de dúvida de que seria interessante vê-lo regressar ao futebol português e, de preferência, ao clube encarnado. É um dos melhores treinadores portugueses da atualidade.

O Benfica está a atravessar um momento muito conturbado. Os resultados chegaram a ser humilhantes e a saída de Rui Vitória foi equacionada por Luís Filipe Vieira. A verdade é que, com a possível saída do técnico do Benfica, teve de ser equacionado um conjunto de técnicos que podiam reforçar o Benfica. Entre eles falou-se do regresso de Jorge Jesus e foi a opção que mais me agradou. Falou-se também em Marco Silva, Faria, Leonardo Jardim, outros nomes, outros nomes da casa. Entre o certo e o incerto, eu prefiro alguém que já tenha dado provas ao clube e que, além disso, já tenha mostrado trabalho no futebol Nacional e Internacional.

É verdade que muitas pessoas podem argumentar que Jorge Jesus esteve muito mal quando proferiu palavras sobre a forma como o Benfica tinha ganho algumas competições, e sim, Jorge Jesus não esteve bem. O técnico já admitiu que muitas vezes existe uma estratégia de comunicação, construída com base nos exageros e falsidades, que servem para abater o adversário. Mas também é verdade que Jorge Jesus foi o treinador que melhor treinou o Benfica e que mais títulos conquistou na era de Luís Filipe Vieira. Foi o treinador, que, não apostando na formação, fez flops tornarem-se craques; que fez adaptações (Salvio a defesa direito, vá); que melhor rentabilizou os jogadores do plantel. Jesus provou, no Sporting, que conseguia colocar a equipa a jogar um futebol ofensivo e a fazer frente a colossos mundiais.

Jorge Jesus foi o treinador mais adorado, dos últimos 10 anos, pelos adeptos
Fonte: SL Benfica

Na Arábia, está a fazer um trabalho incrível quanto ao aproveitamento de ativos, sempre a bater recordes. Jesus provou, nestes dois clubes, que conseguia fazer alhos com bugalhos.  No Benfica, os alhos já cá estão – é apenas necessário colocar em prática dentro do relvado. É necessário voltar a ter um Benfica “à Jorge Jesus”. Um Benfica ofensivo e com mentalidade vencedora. Um Benfica que volte rapidamente ao bom futebol.

Desta forma, fundamento a minha opinião de que Jorge Jesus seria a melhor alternativa para o plantel de Rui Vitória. Seria uma aposta de risco e que levaria a Luís Filipe Vieira a baixar nas votações da próximas eleições, mas, caso fosse uma aposta acertada, isto é, sucesso na primeira época na Luz, seria um balde de água fria nos adeptos e críticos que não olham para o futebol como uma área profissional.

A meu ver, antes do despertar de emoções, dos sorrisos ou lágrimas no final da temporada, é necessário termos a consciência de que a área do futebol é uma área profissional e de que é necessário ter os melhores do Mundo do nosso lado. Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do Mundo. Um treinador que já mostrou vontade em regressar a Portugal, que não disse “não” ao Benfica e que está num país onde apenas o valor monetário o atrai.

Se acho que Jorge Jesus vai voltar? Acho que não. Acho que Luís Filipe Vieira mantém o contacto com o ex-treinador, que já terá sondado o próprio, mas que estamos ainda muito longe de ver o regresso do técnico. Quando? Não sei. Nunca antes do final desta temporada. Jesus quererá terminar o compromisso de um ano com o Al Hilal e, se o fizer, só estará a mostrar que é um bom profissional.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Galatasaray SK 2-3 FC Porto: Falta de eficácia turca deu 2.7 milhões aos cofres dos Dragões

O FC Porto deslocou-se à Turquia para unicamente tentar somar mais 2.7 milhões às suas contas e, como é óbvio, cumprir calendário. Para o Galatasaray SK a missão era bem diferente. A vitória assegurava um lugar na Liga Europa, mas do outro lado jogava-se um Schalke 04 – Lokomotiv de Moscovo que decidiam as contas finais do grupo. Missão dada, missão cumprida, o FC Porto ficou mais rico e o “Gala” segue para a Liga Europa, num jogo muito difícil para os azuis e brancos.

Primeiro quarto de hora de partida e foi claramente notório um FC Porto a deixar jogar, exercendo pressão com os jogadores mais adiantados no terreno e a bater bolas longas para o mesmo na tentativa de sair para o contra-ataque. No entanto, as primeiras oportunidades flagrantes pertenceram ao Galatasaray. Casillas defendeu um primeiro remate de Derdiyok e Garry Rodrigues na recarga chuta a bola em direção à baliza, mas Diogo Leite cortou com o braço o que deixou os adeptos da equipa turca a fervilhar. No entanto, o árbitro acabou por assinalar fora de jogo. O FC Porto estava a ser sufocado e Garry Rodrigues, de novo, remata para uma grande defesa de Casillas. Num espaço de três minutos, o “Gala” teve três oportunidades de golo e Derdiyok foi quem saiu pior na fotografia. Após uma jogada brilhante de Feghouli, o ponta-de-lança da equipa turca atirou para fora mesmo em frente à baliza.

Contudo, como diz o ditado – “Quem não marca, sofre”. Herrera sofre falta do lado direito do ataque portista e Alex Telles é chamada à cobrança, batendo para Felipe que aparece sozinho na grande área do Galatasaray desviando para golo. 17 minutos de jogo e o FC Porto está mais perto de receber 2,7 milhões de euros.

Após o golo portista, a equipa da casa acusou muito e o FC Porto consegui controlar o jogo visto que apenas tinham de defender o resultado. O Galatasaray apenas conseguia criar perigo através de bolas paradas.

Até que a quatro minutos dos 45, Hernâni entra na grande área pelo lado esquerdo e ao tentar passar por Mariano, é rasteirado e o árbitro assinala para a marca de penalti. Marega engana Muslera e envia a bola para o meio da baliza, fazendo assim o segundo.
O Galatasaray ainda tinha uma palavra a dizer nesta primeira parte e Garry Rodrigues é derrubado dentro de área por Felipe. Mais um penalti no jogo e o conjunto da Turquia reduz no marcador por Feghouli.

Intervalo na partida e faltavam 45 minutos para o FC Porto poder encaixar ainda mais milhões e terminar a fase de grupos em grande. Já o Galatasaray tinha um longo caminho a percorrer para assegurar o lugar na Liga Europa.

Alex Telles assistiu para o primeiro golo da partida na Turk Telekom Arena
Fonte: FC Porto

Na segunda parte o Galatasaray entrou com outro ritmo e de minuto a minuto parecia crescer cada vez mais no jogo. Garry Rodrigues recebeu de Derdiyok e remata sem força, testando apenas a atenção de Iker Casillas. De seguida foi Onyekuru que enviou a bola para a bancada após um passe chave de Feghouli.

E a história acaba por se repetir. Tanto que o Galatasaray ameaçou que os Dragões acabam por marcar. Hernâni liga o turbo e chega até à pequena área onde assiste para o remate de Sérgio Oliveira que faz o terceiro para a turma de Sérgio Conceição.

O Galatasaray não desiste e continuava a ameaçar o segundo e acabou mesmo por marcar. Ao minuto 59 Derdiyok fez um falhanço terrível chegando a ser assobiado pelos próprios adeptos. Para se redimir, seis minutos depois faz o segundo golo do “Gala”, desviando a bola para dentro da baliza após um passe de Garry Rodrigues.

Um minuto após o golo, terceiro penalti assinalado no jogo, segundo para o Galatasaray. Maxi Pereira faz falta sobre Garry Rodrigues e Feghouli, compatriota de Brahimi, acaba por falhar o penalti acertando na barra e de seguida, ressalta no corpo de Casillas. Jogo intenso na Turk Telekom Arena.

A quase 15 minutos do fim, dupla substituição para o FC Porto. Adrián Lopéz sai para dar lugar a André Pereira e Jorge entra na vez de Hernâni. Os azuis e brancos estavam a fazer de tudo para não sofrer mais nenhum golo.

O Galatasaray fazia de tudo para carimbar o passaporte para a Liga Europa, mas as alterações de Sérgio Conceição deram resultado e o “Gala” não criou mais perigo. Sérgio Oliveira saiu para dar lugar a Chidozie e do lado do Galatasaray Celik entrou para o lugar de Feghouli.

Termina o jogo e cerca de três milhões vão diretamente para os cofres da SAD dos azuis e brancos. Já o Galatasaray conseguiu a qualificação para a Liga Europa devido à derrota do Lokomotiv de Moscovo. Jogo difícil para os Dragões, que aproveitaram as oportunidades nos momentos ideais (três remates à baliza deram em três golos) e souberam sofrer até ao fim.

Onzes Titulares

Galatasaray: Muslera, Mariano, Maicon, Ozan, Nagatomo, Donk (Onyekuru 46’), Fernando, Ndiaye, Feghouli (Muğdat 89’), Garry Rodrigues e Eren Derdiyok.
FC Porto: Casillas, Maxi Pereira, Felipe, Diogo Leite, Telles, Sérgio Oliveira (Awaziem 83’), Herrera, Danilo Pereira, Adrián López (André Pereira 72’), Hernâni (Jorge 73’) e Marega.

5.ª Jornada do Girabola’19: E nada no topo mudou

0

A quinta jornada do campeonato angolano jogou-se no fim-de-semana de 8 e 9 dezembro, e conteve muitos golos e festa nos distintos estádios onde se disputaram as partidas desta ronda.

O D’Agosto não teve uma tarefa fácil, mas conseguiu vencer o seu compromisso. Após a eliminação a meio da semana da Liga dos Campeões africana, a equipa de Dragan Jovic queria ganhar para esquecer a derrota sofrida no Congo, frente ao Otôho d’Oyo. Na ida à casa da Académica do Lobito, os “Militares” tiveram de suar e sofrer para garantir os três pontos –  acabou por vencer pela margem mínima, graças ao golo de Mongó no decorrer da segunda parte. Assim, o atual tricampeão angolano mantém o primeiro lugar da classificação, com 13 pontos conquistados.

O avançado brasileiro Tiago Azulão esteve em destaque frente ao Rec. da Caála, apontando os dois golos da vitória do Petro
Fonte: Petro de Luanda

O Petro não ficou atrás, e também saiu bem-sucedido do seu jogo. A receção ao Recreativo da Caála foi superada com sucesso, devido a um jogador que teve em destaque: o avançado Tiago Azulão exibiu-se a alto nível, sendo o autor dos dois golos que permitiram ao conjunto petrolífero vencer. Os comandados de Beto Bianchi ultrapassaram o Progresso na tabela classificativa, e estão neste momento em segundo, a dois pontos do seu eterno rival.

O Recreativo do Libolo continua a ter dificuldades em confirmar a candidatura ao título. Em mais um jogo do Girabola, a turma do Calulo empatou a uma bola com o Sagrada Esperança, mas só alcançou o empate em tempo de compensação – o Sagrada teve a vencer por 0-1, mas um penálti bem convertido por Sidney em cima do apito final igualou o marcador. Com este ponto conquistado, o Libolo chega aos cinco pontos já amealhados.

O Kabuscorp voltou a terminar a jornada sem somar os três pontos. Na ida à casa do Santa Rita de Cássia, o conjunto do bairro do Palanca adianta se adiantou no marcador por Ebunga, mas o golo de Lelê a 10 minutos do fim, não deixou o Kabuscorp retomar ao caminho das vitórias. O empate faz com que os homens à ordem do português Paulo Torres alcancem os cinco pontos.

Nos outros jogos da jornada, o Saurimo FC perdeu por 0-1 em casa com o Sp. Cabinda, resultado idêntico a favor do Interclube na visita ao estádio do ASA. As outras duas partidas terminaram empatadas: Progresso do Sambizanga 1-1 Bravos do Maquis e Cuando Cubango 0-0 Desp. Huíla.

Em suma, não houve grandes alterações no topo do Girabola’19, com D’Agosto e Petro a fazerem prevalecer a “lei do mais forte” e a vencerem os seus compromissos. Os outros crónicos candidatos, Kabuscorp e Libolo, vão tendo dificuldades em mostrar o seu valor, desperdiçando pontos nos primeiros jogos, que no futuro poderão fazer falta. Será que irão conseguir recuperar? Iremos descobrir nas próximas partidas!

Foto de capa: 1.º de Agosto

 

Bruno Gaspar: todos esperámos mais e melhor!

0

Não é certamente desta época que o lado direito da defensa dos Leões se apresenta bastante enfraquecido. Alguns textos que escrevi durante a época passada mostraram a minha opinião sobre esse problema: era na altura Cristiano Piccini que descompensava todo a ala direita, fazendo incursões ofensivas pouco ponderadas defensivamente. O tempo foi passando e o que é facto é que o italiano foi melhorando de jogo para jogo, ao ponto de o tornar transferível para o Valência por um valor superior (8 milhões de euros) àquele pelo qual tinha sido contratado (2.87 milhões de euros para os cofres do Bétis de Sevilha). Mas ao longo da época as limitações do lado direito leonino tornavam-se cada vez mais indisfarçáveis.

Foi na pretérita temporada ainda que chegou a Lisboa o macedónio Stefan Ristovski, tendo uma missão muito clara: recuperar a dignidade do lado direito da defesa. E conseguiu. Com pouco tempo de Leão ao peito já dava mostras de ser bastante superior ao italiano, quer defensiva quer ofensivamente. Contudo, a lesão sofrida esta época contra o Arsenal em Alvalade para a Liga Europa levou a que a equipa técnica tivesse que recorrer ao homem de serviço para a mesma posição: Bruno Gaspar, ex-Fiorentina, contratado no defeso de verão. Chegou por um valor a rondar os 4.5 milhões de euros e tem experiência no futebol português, com passagens pelo Vitória de Guimarães e pelos escalões de formação do SL Benfica.

Mas Gaspar está ainda uns furos abaixo daquilo que pode dar: apresenta pouca fluidez, o jogo sai-lhe forçado e complica jogadas que são de relativa facilidade. Viu-se e desejou-se diante do Rio Ave, com vários “nós cegos” gerados pelos malabarismos e a velocidade do endiabrado Galeno na direita do ataque rioavista. Melhorou consideravelmente a sua prestação no jogo frente ao Desportivo das Aves, apresentando-se mais ponderado nas decisões em campo, mais calmo, sereno e confiante.

A falta de rendimento de Bruno Gaspar deve-se muito às limitações defensivas de Diaby na ala direita
Fonte: Sporting CP

Mas uma equipa é um todo. Qualquer tentativa de ver numa posição a lacuna de uma equipa pode resvalar no perigo de se reduzir aquilo que é da ordem do complexo. Não podemos ignorar que grande parte da eficácia defensiva dos laterais se relaciona com a capacidade dos extremos recuarem quando a equipa está a defender. Foquemo-nos no habitual titular dessa posição, o maliano Abdoulay Diaby. À exceção da última partida frente ao Desportivo das Aves em que esteve muito bem, as exibições do ex-Club Brugge têm deixado a desejar quer a nível defensivo quer ofensivo. Gaspar não se sente seguro, portanto, quando sobe no corredor direito pois sabe que não tem um ala que o compense defensivamente nessas alturas.

Todos os sportinguistas esperam ver mais e melhor de Bruno Gaspar. Pelo menos até à recuperação de Ristovski, o incontestável titular da posição. Até isso acontecer, todos acreditamos no potencial de Gaspar. Esperemos é que ele também acredite no seu valor e capacidades.

Foto de Capa: Sporting CP

 

CD Feirense 1-1 CS Marítimo: Final de nervos no Marcolino Castro

Em jogo a contar para a 12ª jornada, CD Feirense e CS Marítimo empataram a uma bola, numa partida com um final eletrizante.

Os dois clubes defrontaram-se, esta noite, pela terceira vez na presente época. O saldo até esta partida era favorável aos “fogaceiros”, com duas vitórias, uma a contar para a Taça de Portugal e outra a contar para a Taça da Liga.

No que toca ao campeonato, o Feirense chegou a esta partida no penúltimo lugar da tabela classificativa, apenas à frente do GD Chaves. Já o Marítimo visitou Santa Maria da Feira à porta da zona de despromoção.

Nuno Manta Santos fez três alterações em relação à última jornada do campeonato, em que perdeu no Estádio da Luz por quatro bolas a zero, promovendo as entradas de Diga, Vitor Bruno e Babanco, para as saídas de Alphonse, Tiago Gomes e Fábio Sturgeon. Já Petit promoveu duas alterações, depois da derrota caseira frente ao Vitória FC. Saíram Joel Tagueu e Ricardo Valente para as entradas de Rodrigo Pinho e Fabrício Baiano.

Os “fogaceiros” entraram no jogo determinados a vencer e criaram duas oportunidades de perigo logo nos primeiros dez minutos. Aos dois minutos, João Silva ganhou de cabeça e Edson Farias ficou isolado, mas, na cara de Amir, atirou ao lado. Ao nono minuto, Tiago Silva encheu o pé à entrada da área e valeu Amir, a defender para canto.

Apesar de um ligeiro ascendente do Feirense, as duas equipas acabaram por encaixar na tática uma da outra e prevaleceu o jogo físico, principalmente a meio-campo, com um total de 27 faltas cometidas na primeira parte, mas sem oportunidades evidentes de golo junto das duas balizas.

O Feirense voltou do intervalo à imagem do início do jogo e dispôs da primeira oportunidade do segundo tempo, aos 47 minutos. Diga cruzou, Tiago Silva dominou e ganhou espaço dentro da área maritimista, mas rematou à malha lateral da baliza dos insulares.

O Marítimo despertou e, aos 53 minutos, Correa atirou à entrada da área e Caio teve de se esticar para defender.

O Marítimo estava por cima e, aos 56 minutos, Fabrício cruzou e Correa, ao segundo poste, devolveu para a pequena área, onde aparecia Rodrigo Pinho para finalizar, não fosse um corte providencial de Nascimento.

Os da casa voltaram a equilibrar a partida e, aos 68 minutos, chegaram à vantagem. Vitor Bruno descobriu Tiago Silva, que entrou na grande área com a bola controlada e foi rasteirado por Lucas Áfrico. Hélder Malheiro apontou para a marca de penálti e o número dez do Feirense bateu Amir. Estava aberto o marcador.

Tiago Silva quebrou o nulo na conversão de uma grande penalidade
Fonte: CD Feirense

O Marítimo não baixou a cabeça e foi à procura do golo. Aos 78 minutos, Bebeto cruzou e Rodrigo Pinho cabeceou à trave da baliza de Caio, naquela que foi a melhor oportunidade da equipa de Petit até aí.

Aos 81 minutos, o Feirense ainda celebrou o segundo da noite, mas o assistente de Hélder Malheiro assinalou fora de jogo, com posterior confirmação do vídeo-árbitro. David Bruno bateu o livre e Edinho cabeceou, mas o avançado português estava em posição irregular.
Aos 86 minutos, foi a vez do Marítimo festejar antes do tempo. Danny apareceu isolado na cara de Caio e empurrou para o fundo das redes fogaceiras, mas o golo não foi validado, por fora de jogo.

O Marítimo acabou por empatar, aos 95 minutos, por intermédio de Ricardo Valente. O avançado, num momento de grande inspiração, colocou a bola no canto da baliza de Caio, que não teve a mínima hipótese de defender.

O Feirense, numa bola bombeada para a área, aos 96 minutos, ainda dispôs de uma grande oportunidade por Edinho, mas Amir fez a mancha para assegurar a divisão de pontos.

Os comandados de Nuno Manta Santos sobem à 16ª posição, ultrapassando o CD Tondela, mas sem sair da zona de despromoção. O Marítimo ultrapassa, assim, CD Aves e Boavista FC na classificação e sobe ao 13º lugar.

Na próxima jornada, o Feirense desloca-se à Pedreira para defrontar o SC Braga e o Marítimo recebe o SL Benfica.

Onzes iniciais

CD Feirense: Caio; Diga, Briseño, Nascimento, Vitor Bruno;Babanco,Machado(66’ Sturgeon), Tiago Silva, Edson Farias(85’ Miller); João Silva(76’ Edinho).

CS Marítimo: Abedzadeh; Bebeto,Zainadine,Lucas Áfrico, China; Vukovic,Gamboa(83’ Jean Cleber), Fabrício J.(64’Valente), Correa( 75’ Joel Tagueu); Danny, Rodrigo Pinho.

Estarão Brahimi e Marega ao nível dos “gigantes africanos”?

0

Recentemente, a CAF, Confederação Africana de Futebol, divulgou através de um comunicado oficial os nomeados para o prémio de melhor jogador africano do ano e, necessariamente, ao olharmos para os nomeados, o destaque irá para a influência portuguesa nesta nomeação, através de três nomes: Gelson Dala (Rio Ave/Sporting), juntamente com Yacine Brahimi e Moussa Marega, ambos do FC Porto. Contudo, a concorrência acaba por ser pior que feroz, dificultando assim (e muito) a vida aos “nossos jogadores”.

De facto, nomes como o de Sadio Mané, Aubameyang, Mahrez, Salah, entre outros, fazem com que este prémio se torne, praticamente, uma miragem, quer para Marega, quer para Brahimi (independentemente do excelente ano que ambos fizeram); se olharmos para os números, a disputa acaba por ser, de certa forma, desproporcional. Na Premier League, assistimos ao domínio da dupla Salah/Mané, somando entre eles, naquela competição, 34 golos, em 2018; já para não referir a brilhante campanha do Liverpool na Champions, liderada por estes dois candidatos.

Ainda em território inglês, temos Aubameyang (20 golos na Premier League, em 2018) e ainda Mahrez (11 golos). Por outro lado, temos os “portugueses”: Marega possui um registo considerável, com 13 golos na Liga NOS, no presente ano, apesar de, nesta época, o destaque do maliano acaba por ser os golos na Champions (já leva 4); já o argelino, ao longo do ano, leva “apenas” 7 golos na Liga NOS.

Marega tem sido o destaque do FC Porto na presente edição da Champions League
Fonte: FC Porto

Em termos de troféus, como sabemos, Marega e Brahimi conquistaram, em 2018, o título de campeão nacional e a Supertaça; já os candidatos mais mediáticos, pouco acrescentam a nível de títulos: Liverpool (apesar da época brilhante), Arsenal e Leicester acabaram por não vencer nenhuma das competições que disputaram (apenas Mahrez, já pelo Manchester City, venceu a Supertaça inglesa).

Portanto, depois desta análise, conclui-se que a possibilidade dos portistas vencerem este prémio acaba por ser insustentável, não só devido aos números astronómicos de outros candidatos, como também pela “descriminação” que ambos sofrem por jogarem num campeonato não tão atrativo, como é o caso do português.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Gabriel: estará ele a cem por cento?

0

Gabriel Pires é uma das novas aquisições do Sport Lisboa e Benfica para as próximas cinco épocas. O “ex” Leganés chegou a Lisboa para mostrar as suas capacidades, mas parece ainda não ter tido tempo para tal, pelo menos não totalmente.

Gabriel Appelt Pires, de 25 anos de idade, nascido em Resende, Rio de Janeiro, iniciou a sua carreira juntamente com o irmão no Resende Futebol Clube. Assinou o seu primeiro contrato em 2010 e, no ano seguinte, jogou a primeira temporada pela equipa principal no Campeonato Brasileiro de Futebol. Em abril do mesmo ano, o jogador brasileiro assinou um contrato com a Juventus. Porém, devido a questões burocráticas, Gabriel não se pôde mudar para Itália aquando dos seus 18 anos. Um ano depois, em 2012, assinou oficialmente pela Juventus, com uma cláusula de rescisão de dois milhões de euros. Assim que se tornou oficialmente jogador de uma das grandes equipas italianas, ingressou nos juniores do clube, onde fez o resto da temporada – que ia a meio -, como reserva.

No entanto, e apesar de na época seguinte continuar em Itália, o jogador não teve lugar na Juventus e foi emprestado ao Pro Vercelli. Contudo, não fica por aqui. O atual jogador das águias passou ainda por vários clubes como o Spezia, o Pescara, o Livorno e o Leganés.

Foi precisamente neste último clube que Gabriel se destacou. Passou de reserva a opção para o onze inicial; marcou golos importantes e ajudou o clube a subir à primeira liga e, por isso, foi merecedor da contratação definitiva pelo valor de 1 milhão de euros. A sua capacidade física e a sua qualidade técnica fizeram com que o técnico lhe confiasse a braçadeira de capitão frente ao grande Real Madrid, num jogo onde marcou um golo importantíssimo que deu a vitória à sua equipa, deixando-a em festa. Em declarações acerca do jogo, o agora jogador do Sport Lisboa e Benfica diz “não sei o que dizer” e que “é uma sensação e uma emoção muito grandes”.

Gabriel Pires: “É uma felicidade absurda.”
Fonte: SL Benfica

Na presente temporada, foi o Benfica que apostou no jogador, que não escondeu a sua emoção dizendo que “é uma felicidade absurda”, que é uma “sensação incrível por estar a conhecer tudo” e diz-se “ansioso pelo que me espera”. Quando chegou ao clube da Luz, o jogador mostrou ter os pés assentes na terra, fazendo ver que a primeira coisa que queria era “conquistar o meu espaço neste Clube”. No entanto, sabe-se que não foi fácil a saída do Leganés para o Benfica, mas o jogador esteve sempre confiante e sente “muita felicidade e sensação de dever cumprido”.

Na verdade, Gabriel é visto como um jogador com um pé esquerdo fantástico e tecnicamente evoluído. A imprensa destaca-lhe várias qualidades para além da anterior, como é o caso da meia-distância, das bolas paradas e da sua visão de jogo. É considerado forte na condução de contra-ataques e na sua reação rápida. No que toca às faltas, o jogador encarnado, como todos, também vai ao chão, mas faz a diferença na sua inteligência ao usar o próprio corpo.

No Benfica, Gabriel tem vindo a mostrar algumas qualidades técnicas, mas parece que ainda não houve tempo suficiente para dar e mostrar tudo o que tem. Mesmo assim, ganhou a confiança de Rui Vitória para permanecer no onze inicial. Um dia de cada vez, Gabriel vai mostrando a sua raça de jogador.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Força da Tática: Uma melodia Riverside

O Borussia Dortmund foi ao Veltins-Arena vencer o eterno rival, Fußball-Club Gelsenkirchen-Schalke 04. Esta vitória em Gelsenkirchen, permite à equipa de Lucien Favre chegar aos 36 pontos na Bundesliga, mantendo a vantagem de nove para o FC Bayern Munique (3º lugar). Domenico Tedesco continua a ter uma época difícil ao comando do Schalke, ocupando o 13º lugar com mais cinco pontos que o último classificado.

Abordagem Domenico Tedesco | Congestionar o duplo-pivot adversário

Um dos jogos mais interessantes de estudar esta época foi o Club Atlético Madrid vs Borussia Dortmund, em Espanha, para a Liga dos Campeões. Nessa vitória Colchonera por duas bolas a zero, o Atlético conseguiu reduzir o impacto e influência de Reus no jogo e anular a capacidade de Witsel e Delaney ditarem os ritmos e iniciar a fase ofensiva desde posições recuadas.

Para Tedesco, baseando-se na “fórmula” Simeone, era importante congestionar o corredor central, acreditando que ao ter superioridade no meio campo, Reus ia ser forçado a baixar demasiado no campo para participar nos momentos de construção.

Fonte: Sky Sports

O Schalke apresentou um sistema 4-3-1-2, com Bentaleb nas costas dos dois avançados: Burgstaller e McKennie. No meio campo em losango, para além de Bentaleb, alinharam também Rudy (médio mais recuado), Harit e Schopf. Na defesa a quatro não houve lugar para Naldo, sendo a dupla de centrais composta por Nastasic e Sané.

Abordagem Lucien Favre | Um sistema sem surpresas

Lucien Favre, ao contrário de Tedesco, não realizou alterações significativas ao seu sistema habitual. Para o 4-2-3-1 entraram apenas Akanji, pela lesão de Zagadou, e Alcácer. Larsen continua a ser aposta no lado esquerdo, na frente do lateral Hakimi, relegando para o banco de suplentes Guerreiro e Pulisic.

Hakimi e Piszczek, os laterais, tiveram um papel especialmente importante no jogo, na forma como o Borussia resistiu e acabou por quebrar o esquema de pressão do Schalke.

Organização Defensiva Schalke 04 | Os estímulos para pressionar

O 4-3-1-2, 4-4-2 losango, como gostarem de chamar, do Schalke era um sistema coeso e compacto horizontalmente. Caso a bola estivesse, como em baixo, no corredor esquerdo do Schalke, o médio interior do lado oposto (Schopf) fechava dentro, procurando dar equilíbrio à equipa.

No início de construção do Dortmund, os dois homens mais adiantados do Schalke aproximava-se dos dois defesas centrais com o objetivo de impedir o passe interior para o duplo pivot, forçado o passe para os defesas laterais, que eram deixados livres.  Assim que a bola chegava a um destes jogadores, o avançado do lado da bola e o médio interior saíam em velocidade para pressionar e encurtar o espaço. Aí sim, o objetivo era ganhar a posse de bola.

Fonte: Sky Sports

O facto de serem os médios interiores a pressionarem os defesas laterais do Dortmund em conjugação com o inteligente trabalho sem bola do duplo pivot do adversário, impossibilitou o Schalke de ganhar as tais bolas dentro do meio campo defensivo do Borussia. Isto porque Hakimi e Piszcek tinham sempre um intervalo de tempo confortável (para o nível que estamos a falar) até sofrerem a pressão do adversário, e tinham a possibilidade de manipular o momento (a velocidade com que encurtavam) do homem que os vinha pressionar a seu favor. Desta forma não perdiam a posse da bola e até conseguiam encontrar linhas de passe interiores para os respetivos média ala, que baixavam no espaço deixado livre pelo jogador do Schalke que os estava a pressionar. Como podemos ver:


Fonte: Sky Sports

E foi assim que o Borussia ia conseguindo, ao mesmo tempo que desgastava, ultrapassar as primeiras linhas de pressão do Schalke.

O desgaste foi parte fundamental do jogo e da forma como Favre sabotou a estratégia de Tedesco. Depois do golo de Delaney, Witsel ia baixando entre os dois defesas centrais, criando superioridade numérica frente aos ponta de lança adversário. Esta superioridade permitiu ao Borussia circular a bola de um corredor ao outro, desgastando a compacta equipa adversária que era obrigada a grandes deslocamentos.

Fonte: Sky Sports

Falta de largura em Organização Ofensiva

Este foi o grande problema da equipa de Domenico Tedesco. Naturalmente que as baixas no plantel, que forçaram o treinador a usar um médio a ponta de lança (McKennie) também não ajudaram. Apesar disso, havia uma grande sobreposição de jogadores do Schalke no corredor central, o que permitia ao Dortmund com um jogador marcar dois adversários. Bentaleb baixava em demasia para as zonas de Rudy, dificultando a progressão da bola, McKennie e Burgstaller demasiado próximos no centro do ataque.

Fonte: Sky Sports

Assim, os defesas laterais do Borussia podiam se manter confortavelmente junto dos respetivos defesas centrais, criando uma equipa compacta horizontalmente. Adicionalmente ninguém trabalhava e procurava explorar o lado cego da linha média do Borussia.

Concluindo, o Schalke nunca conseguiu esticar horizontalmente o adversário, pela falta de largura em Organização Ofensiva, e foi incapaz de romper e penetrar a linha média do Borussia, pela má ocupação dos espaços (demasiados próximos), falta de exploração do lado cego de Witsel-Delaney e poucos movimentos de rotura (com exceção de Harit).

Segunda parte | Uma resposta limitada ao nível de ATP

As alterações que Tedesco realizou, particularmente a entrada de Serdar para o lugar de Bentaleb. Adicionalmente os médios interiores começaram a flutuar cada vez mais para zonas exteriores, a equipa era mais larga em Organização Ofensiva e acabou mesmo por chegar ao golo em resultado de um cruzamento no corredor esquerdo.

Uma postura que permitiu chegar ao golo, mas que obrigou a equipa a gastar a pouca energia que ainda tinha. Isto contribui para um Schalke menos intenso na pressão e uma estrutura menos coesa. O médio defensivo Rudy era forçado a cobrir grandes quantidades de terreno, desprotegendo a sua linha defensiva. Estavam reunidas as condições para Sancho, Reus e companhia acelerarem com bola e usaram a sua qualidade individual.

Vitória justa, muito fruta da qualidade individual dos jogadores do Borussia, onde foram evidentes as dificuldades do Schalke em criar ocasiões de verdadeiro perigo de forma consistente.

Foto de capa: Borussia Dortmund

Revisto por: Jorge Neves