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Ataque ao mercado para compensar lesão de Wendel

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A lesão do brasileiro Wendel foi a primeira dor de cabeça de Marcel Keizer em Alvalade. Mais tarde o diagnóstico foi contundente: lesão parcial no ligamento colateral interno do joelho esquerdo o que afastará dos relvados, ao que tudo indica, o jovem prodígio por um período mínimo de dois meses. Falhará por isso jogos importantes, desde logo a receção ao FC Porto a 11 de Janeiro e, muito provavelmente, no fim-de-semana de 2 e 3 de Fevereiro a receção ao SL Benfica.

Vários cenários começam a desenhar-se na cabeça de Marcel Keizer para resolver o enigma que se abriu no meio-campo dos leões. Com Battaglia ainda entregue ao departamento médico e com o jovem Miguel Luís ainda em fase de crescimento (apesar de ter estado em excelente plano sempre que foi chamado a atuar), o ataque ao mercado de inverno pode muito bem vir a ser a melhor forma de compensar a lesão de Wendel. Nesse sentido, vários nomes têm sido avançados pela comunicação social. Fala-se do regresso de Adrien Silva que, ao que parece, está a ter dificuldades em afirmar-se na equipa do Leicester City FC de Claude Puel. Mas, a diferença salarial entre aquilo que o Sporting pode pagar ao internacional português e aquilo que recebe em Leicester City FC torna a possibilidade do regresso a Alvalade algo remota.

A lesão de Wendel tem permitido a entrada no onze de Miguel Luís. Mas, apesar de todo o seu potencial, o jovem ainda tem muito a aprender
Fonte: Sporting CP

Intensificaram-se, ao que parece, as negociações por Stephen Eustáquio, jogador do Grupo Desportivo de Chaves. O internacional sub-21 por Portugal é muito desejado por outros emblemas, nomeadamente o Newcastle United FC e o AS Mónaco. Mas o facto do ex-treinador leonino Tiago Fernandes ter sido apresentado como o novo treinador da equipa flaviense pode facilitar a transferência para o clube de Alvalade. Convém não perder de vista, porém, que Eustáquio é um trinco de raíz, ocupando mais a posição seis do que a de oito, afastando-se por isso daquilo que Wendel faz na formação de Keizer. Com a contratação de Eustáquio, Gudelj subirá para oito, ficando Bruno Fernandes como homem mais solto para funções ofensivas no meio-campo.

A lesão de Wendel não deve ser encarada como um terramoto no reino do Leão. Deve ser vista com calma e seriedade, implicando necessariamente prudência na abordagem ao mercado de inverno. A contratação de mais um médio pode ajudar a ultrapassar esta tempestade uma vez que o Sporting não tem, neste momento, peças da mesma tarimba que o brasileiro. Mas, em breve, mais cedo do que todos julgam, o brasileiro recuperará e voltará ao meio campo leonino, ficando lá de pedra e cal. Não podemos esquecer que ele é o “menino bonito” de Keizer.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Continuar a fazer história, agora nos Açores

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“Sérgio Conceição, o que significa esta 12.ª vitória consecutiva?”
“Significa que temos de ir à procura da 13.ª”

Foi desta maneira que terminou a última conferência de imprensa do técnico portista na última terça feira, depois de mais um brilhante resultado alcançado na Liga dos Campeões, na Turquia, o que deixa, de alguma maneira, pistas sobre a forma como no balneário azul e branco, todos se comportam como uns ‘eternos insatisfeitos’. Ora, ir, portanto, em busca de uma marca histórica, é algo que deve ser visto como um acréscimo, já que a vitória, em qualquer jogo, é o foco principal. A motivação, essa, está em alta.

João Henriques, a “besta negra”

Nos Açores mora, contudo, um adversário que vai merecer a maior atenção por parte do FC Porto. Começando pelo comando técnico é de ressalvar que João Henriques já conseguiu a proeza de travar, por duas vezes, a equipa de Sérgio Conceição, na época passada.

Na Taça da Liga, ao serviço do Leixões, o técnico arrancou um empate a zero em pleno Estádio do Dragão e mais tarde, já a orientar o Paços de Ferreira, fez os dragões saborearem pela primeira vez a derrota no campeonato. Um jogo que, de resto, motivou muitas críticas por parte de Sérgio Conceição ao agora técnico dos insulares, por considerar que este usou e abusou do anti-jogo para conseguir ser a primeira de duas equipas (a outra foi o Belenenses) a derrotar o FC Porto campeonato.

Maxi, Diogo Leite e Sérgio Oliveira jogaram de início na Turquia, mas só Danilo deve repetir a titularidade frente ao Santa Clara
Fonte: FC Porto

Os açorianos subiram este ano à Primeira Liga e, a par no Nacional, estariam desde logo condenados à descida, tendo em conta a opinião generalizada dos mais variados analistas desportivos. No entanto, a caminhada do Santa Clara tem sido tudo menos sufocante e o 9.º lugar que ocupa deixa antever isso mesmo.

São neste momento 17 pontos conquistados em 12 jornadas, fruto de cinco vitórias e dois empates, com 20 golos marcados e 19 sofridos. É uma equipa que, na contabilidade geral apresenta melhores resultados fora do que em casa (três vitórias como visitantes e duas como visitado), algo que pode ser explicado com o facto de já ter recebido SC Braga e Sporting CP.

Também aí os dragões podem encontrar exemplos das dificuldades que os podem esperar. Os arsenalistas saíram de São Miguel com apenas um ponto depois de estarem a vencer 0-3.

Dragões tentam imitar leões

O Sporting conseguiu uma vitória arrancada a ferros por 1-2, depois de estar a perder e com o golo da reviravolta a ser alcançado já depois de os açorianos estarem reduzidos a dez jogadores.

Não faltam, pois, motivos de alarme para que a equipa de Sérgio Conceição, que vai entrar em campo, muito provavelmente, com o SC Braga ‘à perna’. Do outro lado estará uma formação claramente motivada e à procura de pôr fim ao ciclo incrível de 12 vitórias consecutivas dos azuis e brancos que, recorde-se, vêm de um jogo intenso e desgastante a nível físico.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Europeus de Corta-Mato – A fiabilidade Ingebrigtsen

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Neste fim de semana, decorreram os Europeus de Corta-Mato em Tilburg, na Holanda, que contaram com a presença de vários nomes conhecidos do Atletismo. Estes mostraram-se já em grande forma, embora os seus objetivos principais estejam virados mais para o final do ano em pista.

A marca Ingebrigtsen parece ser já uma garantia de qualidade e de bons resultados e, mais uma vez, os irmãos noruegueses não desiludiram no fim de semana. Numa prova cujas difíceis condições em que aconteceria já se previam devido à chuva que caiu nos dias anteriores e no próprio dia, Filip Ingebrigtsen sagrou-se campeão europeu sénior pela primeira vez. Foi o primeiro vencedor não nascido em continente africano desde 2011. Completou o percurso em 28:49 minutos, com o belga Isaac Kimeli (28.52) e o turco Aras Kaya (28.56) a pouca distância, embora fosse fácil perceber que Filip controlou a prova para terminar como sempre o tencionou fazer – com uma ponta final diabólica. Ainda assim, no final, Filip confessou-se surpreendido por ter vencido e por ter estado tão forte numa distância e percurso onde confessa não se sentir confortável.

Já antes, o seu irmão mais novo, Jakob, exibiu ao mundo que ainda não se cansou de vencer títulos em 2018, conquistando pela terceira vez consecutiva o título europeu do crosse no escalão sub-20. Assim, mostra que não se intimida com a longa época que terá pela frente. Aliás, no final de uma prova que até parecia complicada de vencer a cerca de uma volta do final, o jovem confessou que se sentia “fresco” e que até queria competir pelos seniores, mas a Organização não deixou! Ainda assim, história foi alcançada uma vez mais pelos Ingebrigtsen, pois nunca dois irmãos haviam ganho distintas categorias nos mesmos Europeus de Corta-Mato.

 

Jakob Ingebrigtsen não se cansa de vencer
Fonte: European Athletics

Na prova de sub-23, vitória para o francês Jimmy Gresier, que deu uma sapatada na corrida a cerca de quatro voltas do final para não mais ser encontrado. O francês revalidou o título conquistado no anterior, mas aquilo de que certamente todos se recordarão será a sua chegada à meta…o melhor é ver!

https://www.youtube.com/watch?v=kKEJjdCVWuk

SC Braga 4-0 CD Feirense: Liderança (provisória) veio a velocidade cruzeiro

A última partida de 2018 na Pedreira colocava frente a frente o SC Braga, terceiro e na luta pelo título, e o Feirense, que depois de um arranque fenomenal acumulou uma série de maus resultados e luta por se manter na Primeira Liga. No início da partida, duas pequenas surpresas de Abel Ferreira, chamando Palhinha e Xadas ao onze titular. Na frente de ataque, Dyego Sousa fazia parelha com Wilson.

O jogo começou calmo, mas o Braga foi crescendo e aos 11’ esteve muito perto de inaugurar o marcador, mas falhou a pontaria a Ricardo Horta. O lance de perigo seguinte seria o golo, ou melhor dizendo, o golaço, de Dyego Sousa aos 28’. Após uma bola lançada para a frente em contra-ataque, desenvencilhou-se de forma soberba do defesa que o marcava e bateu o guarda-redes adversário para inaugurar o marcador.

Aos 32’, uma perda de bola infantil quase resultava no segundo, mas Brígido esteve à altura. O Feirense ainda respondeu aos 37’ num bom cabeceamento após bola parada, mas seria mesmo o Braga a aumentar a vantagem. Já bem perto do intervalo, bola na área e Dyego Sousa a levar a melhor no meio da confusão para bisar.

Xadas assustou com problemas físicos
Fonte: Bola na Rede

A segunda metade começou com más notícias para os da casa, com Xadas, acabado de regressar de paragem longa, a queixar-se com dores e a ter mesmo de ser substituído. Para o seu lugar entrou Paulinho, que veio mexer com a partida.

Primeiro, numa saída atabalhoada de Brígido, que o Braga não conseguiria aproveitar, depois numa excelente combinação com Dyego Sousa, mas à qual Ricardo Horta não conseguiu dar o seguimento merecido, rematando para fora.

No entanto, o Braga chegaria mesmo ao golo e Dyego Sousa ao hattrick, desta feita na conversão de uma grande penalidade. Nuno Manta Santos finalmente mexeu no jogo, mas sem os efeitos pretendidos e os arsenalistas aumentaram ainda mais a vantagem, agora por Wilson Eduardo, já que Dyego havia já sido substituído.

Hattrick para Dyego Sousa
Fonte: Bola na Rede

Até ao final, ainda houve tempo para Wilson levar a bola ao poste, mas o resultado já não se alteraria mais e o Braga passa (provisoriamente) a partilhar a liderança do Campeonato após um jogo de sentido único e que serviu para Dyego Sousa dilatar a vantagem no topo da lista de melhores marcadores da Liga.

SC Braga: Tiago Sá; Sequeira, Raul, Bruno Viana, Goiano; Ricardo Horta (Fábio Martins 65’), Fransérgio, Palhinha, Xadas (Paulinho 51’); Dyego Sousa (Ricardo Ryller 72’), Wilson Eduardo

CD Feirense: Brígido; Diga, Briseño, Nascimento, Vitor Bruno; Tiago Silva, Cris, Babanco (Marco Soares 78’); Sturgeon (Tavares 72’), Edinho (Valencia 72’), Machado

Frente a frente: Paulo Fonseca vs Nuno Espírito Santo

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Com portugueses no comando técnico desde que Rui Barros assumiu, como interino, a liderança da equipa em 2006/007, o FC Porto apenas interrompeu esta norma em 2014, ano da chegada de Lopetegui. Nomes como André Vilas Boas, Jesualdo Ferreira e Vítor Pereira fazem os adeptos viajar para anos de conquistas, mas outros houve que não alcançaram os mesmos feitos. Paulo Fonseca e Nuno Espírito Santo são dois desses nomes.

Paulo Fonseca
45 anos;
Épocas ao serviço do FC Porto: 1
Jogos realizados: 37
Vitórias: 21

Arrancava a época 2013/2014 e os dragões apostavam em Paulo Fonseca para liderar uma equipa que, sob as ordens de Vítor Pereira, vinha da conquista de dois campeonatos consecutivos. Depois de uma boa campanha em Vila das Aves, a que se seguiu outra positiva em Paços de Ferreira, Paulo Fonseca foi visto como o homem certo para manter o emblema no rumo dos títulos. E a verdade é que esse percurso não começou mal e o FC Porto começou a vencer aquele que seria o único título da época, a Supertaça, com uma vitória de 3-0 sobre o vizinho Vitória SC.

Nas primeiras jornadas o FC Porto venceu sete e empatou por três vezes tendo, em casa, vencido por 3-1 um dos adversários diretos na luta pelo título, o Sporting. No entanto, à 11ª perdeu a liderança e viu os dois rivais de Lisboa passarem para o primeiro lugar, um primeiro lugar onde não voltou a estar de forma isolada. A derrota caseira com o Estoril e o empate na deslocação a Guimarães foram o final da linha para o treinador português, que acabou afastado da Invicta com o FC Porto a nove pontos do líder, SL Benfica, e já praticamente condenado a ver o título fugir-lhe.

Apesar de o talento não lhe ser negado, Paulo Fonseca foi tido como mais um dos casos, também recorrente em jogadores, em que a pressão de estar num dos “grandes” é fatal, um dos casos em que “talvez fosse cedo demais” para um passo assim. Paulo Fonseca regressou ao Paços de Ferreira e, na época 2015/2016 rumou a Braga, onde deixou a equipa no quarto lugar e a levou aos quartos-de-final da Liga Europa, de onde foi eliminado pelo Shakhtar Donetsk, aquela que viria a ser a sua equipa e ainda o é, já lá vão três épocas.

NES conseguiu 76 pontos na primeira e única época no Dragão mas não foi suficiente
Fonte: FC Porto

Nuno Espírito Santo
44 anos;
Épocas ao serviço do FC Porto: 1
Jogos realizados: 49
Vitórias: 27

A série de títulos perdidos aumentava e o FC Porto acreditou que um ex-jogador, com a “raça do Dragão”, poderia ser a solução para o regresso às conquistas. Nuno Espírito Santo chega à equipa em 2016 para tentar recuperar o campeonato. No entanto, as coisas não correram à medida do esperado.

O FC Porto de Nuno Espírito Santo cedo se deixou atrasar na classificação, com exibições pouco convincentes e resultados negativos. Se, a meio dessa época, alguém dissesse que os dragões ainda iam acabar a lutar pelo campeonato, poucos acreditariam. Mas a verdade é que aconteceu e Nuno foi importante pelo papel que teve em conseguir unir adeptos e equipa. Depois de algumas conquistas de azul e branco enquanto jogador, todos voltaram a acreditar que era possível evitar o tetra campeonato dos encarnados, mas a falta de “ser Porto” nos momentos decisivos não o permitiu.

Depois de uma recuperação interessante e do regresso à luta, aquele FC Porto não foi capaz de lidar com a iminente possibilidade de voltar ao primeiro lugar, de a poucas jornadas do fim passar para a frente e, depois do deslize do Benfica em Paços de Ferreira, não foi capaz de ultrapassar o Vitória Futebol Clube no Dragão. Foi quase uma luta até ao fim, mas a verdade é que essa é uma época marcada pelas falhas.

Também Nuno Espírito Santo tem sido um caso de sucesso fora da Invicta e lidera os destinos do Wolverhampton, a equipa que surpreendeu todos com a subida à Premier League e que continua a surpreender ao ocupar um surpreendente décimo lugar.

Foto de Capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Pode-se pensar num Sporting CP campeão?

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São quatro jogos, 17 golos marcados e quatro sofridos os números que Keizer leva ao serviço do Sporting CP. O futebol praticado subiu a níveis que com José Peseiro pareciam impossíveis e, neste momento, o clube atravessa uma série extremamente positiva, com goleadas e um futebol que começa a ser apreciado pela massa adepta.

Contudo, a pergunta impõe-se: já podemos considerar que este Sporting CP tem tudo para ser campeão? A resposta está nas linhas que se seguem.

É um facto que os jogadores estão com confiança, a jogar com alegria, com futebol de qualidade a um ou dois toques. Bas Dost voltou e está mortífero. Coates e Mathieu melhoraram a  postura defensiva e têm estado bem na fase de construção. Bruno Fernandes começa a mostrar, de novo, atributos que o fizeram encher relvados na época passada. Nani está com uma enorme confiança e este estilo de jogo assenta-lhe que nem uma luva.

No entanto, é preciso fazer um recuo ao início da época. Todos sabemos o que aconteceu, e não vale a pena voltar a relembrar, mas importa salientar que as expectativas eram muito baixas. O plantel perdeu jogadores titulares e de seleção, e contratou elementos que, apesar da qualidade, não estavam ao mesmo nível daqueles que saíram. Para além disso, não nos podemos esquecer de todos os jogos até à saída de Peseiro. Pensou-se, inclusive, que este Sporting não conseguiria sequer ficar nos três primeiros lugares.

 

Os adeptos há muito que anseiam pelo título de campeão nacional
Fonte: Sporting CP

Com Marcel Keizer, a qualidade melhorou drasticamente, mas não nos podemos esquecer que passaram apenas quatro jogos, e é normal ocorrerem oscilações exibicionais. Também as lesões podem acontecer, como foi o caso de Wendel, que tão bem vinha jogando no miolo da equipa leonina. Para além disso, no último jogo, frente ao Desportivo das Aves, apesar da goleada por 4-1, foram notórias algumas dificuldades no primeiro tempo, devido ao recuo das linhas por parte da equipa avense, o que dificultou, e muito, o jogo leonino. Este tipo de partidas será comum no campeonato português, e é preciso verificar se, de facto, o Sporting CP conseguirá continuar a derrubar muralhas defensivas.

Concluindo, penso que ainda não se pode considerar se, de facto, o Sporting CP se afigura como um forte candidato ao título. Os adeptos leoninos, como é óbvio, sonham com a ida ao Marquês, mas as expectativas não devem subir a pique, até porque isso pode correr mal (basta relembrar a época 2015/2016). No entanto, caso o nível exibicional se mantenha e não hajam fatores externos a atrapalhar o plantel, podemos, mais para a frente, pensar numa real hipótese de, no final da época, ver o clube finalmente levantar o troféu que há tantos anos não conquista: o título de campeão nacional.

Foto de Capa: Sporting CP

Que se passa com o Valencia de Toral?

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A vitória de anteontem sobre o Manchester United FC, que já de pouco ou nada valia, fez lembrar o Valencia CF de um passado recente, desde logo, o que terminou em quarto lugar na Liga Espanhola em 2017/18, e não o que se arrasta no 15º posto neste momento…

Nos últimos jogos, a equipa dá sinais de alguma retoma, tendo vencido o CD Ebro (1-0) para a Taça do Rei, empatado com o Sevilha FC (1-1) no campeonato e o tal triunfo sobre os red devils para a Liga dos Campeões.

Orientados pela segunda temporada seguida por Marcelino Toral, os ‘Los Che’ perderam neste verão jogadores como João Cancelo, que seguiu viagem para a Juventus, recebendo, por outro lado, Kondogbia, Murillo, Diakhaby, Daniel Wass, Cristiano Piccini, Michy Batshuayi, Kévin Gameiro, Cheryshev ou, com devido destaque, a compra tão ansiada de Gonçalo Guedes. Em termos qualitativos, o plantel parece não dever nada ao da temporada transata. Sendo assim, o que se passará com esta equipa?

Em termos de análise, creio que falta ao Valencia algum elemento diferenciador que faça toda a diferença e permita que a equipa vença mais vezes. Com 12 golos marcados e os mesmos 12 sofridos, a formação valenciana é uma das melhores defesas do campeonato do país vizinho, mas, ao mesmo tempo, um dos piores ataques.

A vitória da última quarta-feira sobre o Manchester United foi um ‘mini escape’ da crise valenciana
Fonte: Valencia CF

Santi Mina, Rodrigo e Gonçalo Guedes não se têm revelado parceiros de ataque muito goleadores e, para mais, o avançado português está agora obrigado a parar para ser submetido a cirurgia, por força de uma pubalgia.

Se usarmos, acrescente-se, os oito pontos conquistados numa fase de grupos que contava com equipas como o Manchester United e a Juventus FC e os 6-6 na diferença de golos, a tendência morna mantém-se…

O estado atual das coisas não se pode manter por muito mais tempo, e Peter Lim, o dono do clube, não se coibirá de investir no mercado de transferências. Para já, não me parece que se deva colocar em causa o treinador Marcelino Toral, que tem mostrado uma equipa equilibrada sob a sua égide, mas, infelizmente para os adeptos e estrutura ‘Che’, com pouco rasgo para ombrear com os do topo da tabela…E logo numa época em que o FC Barcelona e o Real Madrid CF deram algumas abébias e deixaram clubes de segunda linha se aproximarem.

A Liga Europa, prova para onde vão agora combater, é mais à imagem do Valencia e a equipa de Gonçalo Guedes é mais um candidato para manter a hegemonia do futebol espanhol no plano europeu.

Foto de capa: Marca

Iniesta, Podolski e Villa: é preciso mais, Vissel Kobe?

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Hoje é dia de sushi. Vissel Kobe diz-te alguma coisa? Fundado em 1966 como Kawasaki Steel Soccer Club, o clube de que falamos hoje – Vissel Kobe –  disputou a sua primeira competição oficial vinte anos depois da sua fundação, na Segunda Divisão da Japan Soccer League. Em 1994, a cidade de Kobe entrou em acordo com a Kawasaki Steel para criar um clube profissional de futebol. Vissel Kobe nasceu oficialmente em 1994. Dois anos depois da sua criação, em 1996, o Vissel conquistou o acesso à elite do futebol japonês, onde permaneceria até 2005, quando desceu para a J-2(Segunda Liga Japonesa).
Em 2006, o clube regressou à J. League – principal divisão do futebol japonês -,  depois de ter terminado o campeonato no terceiro lugar da Segunda Divisão. Seis anos mais tarde, o Vissel voltou a descer de divisão, após ter ficado no 16º lugar da J. League. No ano seguinte, conseguiu alcançar o segundo lugar no segundo escalão e regressou à primeira divisão, digamos assim, mantendo-se nesta até aos dias de hoje.

No entanto, o clube nunca conquistou um título em toda sua história e, por isso, esta é a altura de mudança. A história do Vissel Kobe começou realmente há cerca de um ano, quando o clube concretizou a contratação de uma das maiores estrelas do futebol mundial. Lukas Podolski, o avançado alemão, deixou o futebol europeu, mais precisamente, o Galatasaray da Turquia, para representar o Vissel Kobe no término da sua grande carreira. Contratado por 2,6 milhões de euros e com um contrato de dois anos e meio, o alemão veio ser a grande esperança dos japoneses, que até o nomearam capitão de equipa.

A vinda Lukas Podolski para o campeonato japonês abriu a montra para outros jogadores, quer europeus, quer sul-americanos (nomeadamente brasileiros). Prova disso é a quantidade de jogadores extra-comunitários que estão, por esta altura, a competir na J. League. Temos alguns exemplos, como o guarda-redes australiano Langerak, o avançado colombiano Victor Ibarbo, o avançado português Hugo Vieira e os espanhóis Fernando Torres, Andrés Iniesta e David Villa, entre outros.

O futebol japonês tem vindo a aumentar a sua reputação e deve isso à vinda de jogadores como David Villa
Fonte: Vissel Kobe

É nos dois últimos nomes referidos acima que vamos pegar agora para continuar a argumentar que 2018 é o ano da mudança no futebol japonês e, sobretudo, no Vissel Kobe. Primeiro foi Andrés Iniesta, com 34 anos, a juntar-se a Podolski nos Boi Movi. O médio de classe mundial chegou ao Japão em maio deste ano, uma semana depois de ter disputado o último jogo ao serviço do FC Barcelona. Sem dúvida que a vinda do médio espanhol veio melhorar, e muito, não só o futebol no país asiático, como também a reputação do clube que foi representar – o Vissel Kobe. Com ele veio outro espanhol, desta vez, um avançado. David Villa, mais velho do que o médio (37 anos de idade), também chegou recentemente ao Japão e ao Vissel Kobe. Villa é apenas mais um dos experientes jogadores de grande renome mundial que escolhem o continente asiático para terminar a sua carreira. O internacional espanhol só vai participar em jogos oficiais a partir da próxima época, uma vez que o campeonato deste ano já terminou.

O Vissel Kobe terminou o campeonato no décimo lugar, com 45 pontos. Ainda assim, não consegui garantir um lugar que desse acesso à Liga dos Campeões Asiáticos. A próxima época já está a ser preparada, assim como o futuro próximo do clube. Com três campeões do Mundo e dois campeões da Europa no plantel, uma coisa é certa: o Vissel Kobe vai lutar, primeiramente, por um lugar na Liga dos Campeões Asiáticos e, depois, pelo primeiro título do clube, que se fundou em 1966 e que hoje conta com três dos melhores jogadores desta década.

Conseguirão Chiefs e Rams manter a posição? – NFL Semana #14

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Esta semana veio criar alguma incerteza nas divisões e em potenciais cabeças de série para os playoffs. Se, no caso de Patriots, Bears, Cowboys, Rams e Saints parece ser quase certo que vão ganhar as suas divisões, todas as outras parecem ainda estar em disputa acesa. No caso dos Chiefs e Rams, ainda terão de contar com os Chargers e Saints, que ameaçam ultrapassar estas duas equipas na reta final da temporada e assim assegurar o fator casa durante os playoffs.

O VAR é para todos ou só para alguns?

A deslocação do CD Aves ao Estádio de Alvalade não se afigurava fácil, mas José Mota estava convicto da sua estratégia e confiante no desempenho dos seus atletas. Foi ele quem o disse e sublinhou na conferência de imprensa pós-jogo.

Entre um ou outro lance polémico e reações mais ou menos corretas, José Mota recebeu ordem de expulsão do árbitro Vítor Ferreira. Tudo aconteceu quando o VAR apoiou a decisão do árbitro em assinalar grande penalidade favorável ao Sporting CP.

Não interessa aqui julgar as decisões, ou falta delas, em determinados lances, mas olhar e refletir sobre as palavras do técnico do Aves. Numa conferência de imprensa longa, ao contrário do que é habitual, e onde, mais uma vez, pouco se falou de futebol, o VAR e os “engravatados” estiveram debaixo de críticas ferozes.

Além de não concordar com a expulsão e desafiar o árbitro a explicá-la, José Mota não controlou os ânimos e enveredou por um monólogo retórico, visando algumas entidades. Desde logo, pelo facto de treinar um clube “pequeno”, apontou o dedo às diferenças de orçamento e tratamento dentro de campo. Na sua opinião, o VAR aparece e funciona sempre para o mesmo lado. Foi mais longe e disse que ninguém o questionou sobre a implementação desta nova ferramenta.

O CD Aves voltou a criar dificuldades ao Sporting CP, depois de vencer a Taça de Portugal na época passada também frente aos leões
Fonte: Bola na Rede

É verdade que bastou que os três clubes do costume se manifestassem a favor para que a discussão fosse trazida para a ordem do dia e, com maior ou menor dificuldade, fosse executada. Mas é também verdade que o futebol sofreria se o progresso tivesse de ser submetido a votação. Quem votava? E os clubes que subissem nos anos seguintes e não tinham dado opinião podiam competir? Simplesmente inconcebível.

A conversa de que os “pequenos” lutam com as armas que têm está rota, mas não deixa de ser verdade. O CD Aves lutou como conseguiu, povoou o meio-campo e apostou nas transições, merecendo elogios colossais de Bas Dost. No final do jogo, o técnico, atual detentor da Taça de Portugal, garantiu que, com outra atuação da arbitragem, os avenses poderiam mesmo ter saído vencedores. Deixou escapar, no entanto, que o objetivo do CD Aves passava mais por não deixar jogar os leões do que propriamente em fazer o seu próprio jogo. Revelador.

Com a devida razão, relativamente ao poder dos grandes junto das entidades decisoras, José Mota exagerou nos protestos relativamente à arbitragem, provavelmente esquecendo que achou limpo o golo de Rony com a mão, no mesmo estádio, enquanto treinava o FC Paços de Ferreira. Corria a época 2006/07 e os pacenses venceram por 0-1 com um golo polémico. No final do campeonato, os leões ficaram no segundo posto, a um ponto do FC Porto. Neste caso, era um clube grande com razões de queixa da arbitragem e um clube pequeno o beneficiado.

Poucas vezes acontece, mas os “pequenos” também têm os seus dias de sorte. Fica mal a José Mota, “raposa velha” do nosso futebol, perder o controlo e criticar algo, ou alguém, que noutras ocasiões defendeu, só porque o resultado é diferente.

 

Foto de Capa: CD Aves

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro