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Nuno não tirou o ‘capucho’. Será que foi mal-educado?

Nuno Capucho é o reflexo dos adeptos na sua maioria. As pessoas estão cansadas deste futebol pobre que é o português. Ainda há meses escrevi que este campeonato está mesmo viciado: ‘ganham os mesmos de sempre e assim ninguém se chateia’. Lembram-se? É muito isto… Quer na Segunda, quer na Primeira Liga. O treinador do Varzim SC, por exemplo, diz que já se sabe quem sobe à primeira divisão este ano. Agora é esperar para ver… Ou será que não é preciso?

Eu estive lá quando aquelas palavras foram proferidas na conferência de imprensa e digo-vos que a revolta de Nuno Capucho era evidente para qualquer um. Dias depois do sucedido, já houve notícias que contam o seu possível afastamento como treinador de futebol.

Em relação a isto, só me consigo lembrar de outra frase que disse no mesmo texto de que falei há pouco: ‘a verdade é que a cada polémica nova, é mais um pouco da adepta apaixonada que se esmorece (…). Só espero que não chegue ao ponto de não restar mais nada’. Consigo encontrar algumas parecenças. Mesmo que indiretamente. E por isso mesmo quis falar particularmente sobre este assunto – porque também sinto essa deceção a crescer cada vez mais, porque estão a ‘matar’ algo que me dá tanto gosto viver.

Para ser sincera, acho que, no geral, o que prende os adeptos ao desporto-rei é mesmo o amor pelo seu clube e não pelo jogo em si, pelas jogadas, pelos golos, pelo espetáculo… Mas por outro lado, penso: será que é esse o ponto fulcral do problema? Irónico, não? Aquilo que ainda leva as pessoas ao estádio a ver futebol é a mesma coisa que se calhar o está a estragar. Decerto que não será a única coisa.

Nuno Capucho não poupou críticas ao futebol português depois do jogo contra o Estoril que ficou empatado 2-2
Fonte: Varzim SC

Não interessa como, o que interessa mesmo é ganhar. E será que a mentalidade dos adeptos é reflexo das entidades superiores do futebol português? Afinal, não é assim que se estuda muitas vezes a sociedade? Afinal, o comportamento dos filhos não é o reflexo da educação dos pais? Isto são só pequenos exemplos para ilustrar este meu pensamento. A minha pergunta é: de onde é que tem de partir a mudança? De baixo ou de cima? De onde não sei, mas ela tem de partir de algum lado. Como diria Gandhi, temos de nos tornar na mudança que queremos viver e acho que passa um pouco por aí.

No fundo, o treinador do Varzim SC disse o que muita gente pensa, mas não tem voz para se fazer ouvir. Se ele a tem, decidiu usá-la. Verdade seja dita: talvez não da melhor maneira. As palavras do treinador são duras e concisas e vai mesmo pagar as consequências por as ter proferido. Já foi alvo de um processo disciplinar na sequência de uma participação do Conselho de Arbitragem, mas não é nada que já não se estivesse à espera. Quando se toca na ferida, costuma arder. Só que pelos vistos há quem ainda ache que o que arde não cura.

 

Foto de Capa: Varzim SC

Sertanense FC 0-3 SL Benfica: A Festa da Taça faz-se onde estiverem apaixonados por futebol

O Estádio Cidade de Coimbra não seria, porventura, o local onde os adeptos do Sertanense queriam ver o seu clube disputar um encontro frente ao Benfica, mas não o demonstraram e, de gargantas afinadas, provaram que a festa do futebol faz-se onde estiverem apaixonados por um desporto que, dizem, está-se a tornar num espetáculo televisivo.

Pois bem, o Bola na Rede esteve no “set” onde foi “produzido” o Sertanense-Benfica e aquilo que nos apraz dizer é que, sem condimentos como o cheiro da relva molhada, a visão completa do relvado (movimentações dos jogadores) e os cânticos (sem intromissões nem filtros de voz) à desgarrada, o espetáculo pode ter sido enfadonho, com uma ou outra excepção (como a bomba de Gedson no segundo golo encarnado ou o regresso de Jonas aos golos).

A primeira parte foi aborrecida. O meio-campo do Benfica não conseguia acelerar o jogo e só a partir da meia-hora, num lance trabalhado sobre o flanco esquerdo (Yuri Ribeiro deixou boas indicações), conseguiu chegar ao golo – Rafa, na recarga a remate de Zivkovic, inaugurou o marcador.

Jogadores do Sertanense FC desfrutaram da festa da Taça
Fonte: Bola na Rede

A segunda parte foi melhor. Rui Vitória mudou o figurino tático e passou do habitual 4x3x3 para um 4x4x2 que albergou Ferreyra (entrado para o lugar de Gabriel) e Jonas na frente de ataque. O Benfica cresceu e, naturalmente, ampliou a vantagem – Gedson, num disparo de longe, fez o segundo e Jonas, concluindo bela jogada colectiva, assinou o terceiro. O golo do miúdo primou pela espetacularidade, o do “menos jovem” pelo simbolismo do regresso aos golos de um dos melhores marcadores da história do Benfica.

O jogo estava resolvido. O Benfica pôde começar a pensar em Amesterdão (onde joga na próxima terça-feira para a Liga dos Campeões), e Rui Vitória até teve oportunidade para estrear Jota e fazer regressar João Félix à competição (seis jogadores “made in Seixal” acabaram o jogo) na formação principal das àguias.

O Sertanense esboçou uma reação, até esteve perto de marcar por Hugo Barbosa, mas Svilar estava atento. Seria um prémio simbólico, porventura mais valorizado que a receita de bilheteira. Mas não aconteceu. Vale o consolo de ter partilhado o relvado com a elite do futebol português. Vale o consolo de ter vivido a Taça de Portugal de forma intensa, ainda que não no local que mais queria. Vale o consolo de ter sido feita Taça, mesmo sem haver surpresas.

ONZES INICIAIS:

Sertanense FC: Rafa Santos; Tito, Tiago Correia, Rojas e Bruno; Kevin, Batista e Hugo Barbosa (Vladimir 84’); Davou, Pereirinha e Rafael Pires (Sócrates 69’);

SL Benfica: Svilar; Corchia, Rúben Dias, Alfa Semedo e Yuri Ribeiro; Samaris, Gabriel (Ferreyra 45’) e Gedson; Rafa (João Félix 67’), Zivkovic e Jonas (Jota 77’);

Pedro Machado

Fredy Montero: El Avioncito volta a voar

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Fredy Henkyer Montero Muñoz, avançado colombiano de 31 anos, chegou a Alvalade decorria a época 2013/2014. Um avançado que chegou e encantou, marcando no seu jogo de estreia em Alvalade, frente ao Arouca, um hat-trick e com golos de grande qualidade. A sua veia goleadora não ficou por aí e desde cedo demonstrou a qualidade técnica que bem o caracteriza e também facilidade para estar no sitio certo na hora certa, para finalizar. Um tiro em cheio, dado que nos seus primeiros 14 jogos, El Avioncito somou logo 16 golos.

Reféns de um goleador após Ricky van Wolfswinkel ter rumado ao Norwich, os leões não hesitaram em largar 2,5 milhões de euros pelo internacional colombiano, que até então havia dividido a carreira entre o seu país natal e os Estados Unidos.
O que para muitos podia ser um nome pouco sonante o seu impacto foi imediato. Para chegar aos tais 16 golos, Montero anotou, entre Agosto e Dezembro, dois hat-tricks e três bis. Apesar da enorme seca de golos que se seguiu – não marcou até à final da Taça de Portugal, com o SC Braga, reencontrou-se com as redes nos dois anos seguintes: quinze golos em 2014/15 e seis em 2015/16, com a agravante de nesta última época ter abandonado Lisboa em janeiro. Num dia oferecia aos 84’ minutos a vitória sobre a Académica de Coimbra numa vitória por  3-2,  no outro dia, nas últimas horas do mercado de transferências, era negociado para o Tianjin Teda.

Após a saída do Sporting, o avioncito procurou alcançar novamente o caminho dos golos primeiro na China e mais tarde novamente na MLS, onde já havia passado entre 2009 e 2012, onde se destacou na equipa de Seattle.  Conseguiu alcançar 15 golos em 39 jogos nos Vancouver Whitecaps, onde conseguiu ser bastante decisivo.

E já diz o ditado popular que o bom filho a casa torna, Montero foi exemplo disso. Em 2017/2018 regressa a Alvalade numa transferência a custo zero. No universo leonino era comum a opinião, de que o campeonato de 2015/2016 foi perdido também devido à venda de Montero e por ficar a faltar soluções no ultimo terço do terreno, pois Montero tinha até o rótulo de ser suplente de luxo, entrando e conseguindo causar impacto na equipa e por vezes ajudar a chegar à vitoria, os adeptos acarinharam e muito este regresso, esperando que Montero viesse para conquistar o tão ambicionado titulo de campeão nacional.

Montero regressou ao Sporting em 2018 assinando contrato válido por uma época e meia

Fonte: Sporting CP

No entanto e apesar de reconhecidas todas as suas qualidades, era lhe reconhecido que por vezes dentro do campo parecia pouco intenso e agressivo, como se estivesse a jogar por obrigação e isso penalizava a performance desportiva do mesmo e por consequência da equipa também. Parecia por vezes perder a concentração e demonstrava falta de confiança, sendo algo permeável no processo defensivo e sem bola.

A primeira metade da época que fez com Leonardo Jardim corre na mente dos adeptos leoninos e o sonho de voltar a ver o colombiano a apresentar o seu melhor nível era inevitável. A capacidade que tem de dominar e tornar jogáveis muitas bolas difíceis, é uma qualidade muito útil sobretudo no campeonato português onde existem jogos mais fechados e mais complicados. Jogando atrás do ponta de lança tem capacidade de jogar e fazer jogar.

Após o ataque à academia do Sporting em Alcochete, Montero não virou as costas ao clube e ficou para lutar por títulos. Na corrente época leva três golos em nove jogos e tem sido peça chave na equipa agora orientada por José Peseiro. A aproveitar a ausência de Bas Dost, o colombiano tem sido o principal foco no ataque leonino. Apesar das dificuldades sentidas a nível táctico e de por vezes a equipa apresentar um futebol bastante mau para as aspirações leoninas, Fredy Montero parece finalmente ter conseguido aliar toda a sua qualidade técnica a também a uma maior agressividade sobre a bola e também na reacção à perda de bola. É comum ver o avançado a pressionar mais a frente no campo e a lutar por várias bolas em duelos contra os defesas adversários. É de recordar que o segundo golo dos Leões frente ao FK Qarabağ a contar para a Liga Europa, nasce de um lance que Montero luta agressivamente pela posse de bola e com toda a sua qualidade técnica constrói a jogada que permitiu ao Sporting descansar na partida.

O avançado marcou já em três jogos consecutivos e irá procurar manter a sua boa forma, naquele que tem sido dos mais esclarecidos nesta época ao serviço do Sporting. Um jogador que mostrou lealdade ao clube e um dos poucos que tem estado à altura das exigências nesta época. Tem conseguido aproveitar as oportunidades que lhe são dadas, sendo atualmente um dos mais importantes no plantel leonino. Apesar destes factos e porque nem tudo na vida é golos, pelo profissionalismo e respeito pela instituição, não merecia nunca ter saído, sendo dos poucos que sente a camisola que traz vestida. Se há jogador que gosta de ter a última palavra sobre um resultado, ele é Fredy Montero.

Atualmente a cumprir o último ano de contrato com o Sporting, o futuro está nas mãos do clube mas El Avioncito conseguiu voltar a voar de Leão ao peito, resta saber se o clube irá conseguir voar com ele.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Após perder a Copa do Brasil, o Corinthians beira à Série B do Brasileirão

Na noite desta quarta-feira (18), em São Paulo, na segunda partida válida pela final da Copa do Brasil, aconteceu o esperado: o Cruzeiro foi campeão da competição, vencendo facilmente o Corinthians pelo placar de 2-1, para tristeza dos mais de 40 mil corinthianos que viram seu time levar uma aula tática no gramado.

Jogando pelo empate, após vencer a primeira partida da final por 1-0, o Cruzeiro fez o seu jogo habitual, se fechando na defesa e esperando os contra-ataques adversários. Em outras palavras, a equipe mineira deu a bola ao Corinthians, que pouco efetivo e sem criatividade, acabou cometendo inúmeros erros primários, facilitando o título do Cruzeiro. O primeiro gol, aos 28 minutos, aconteceu após uma falha horrenda do fraco zagueiro Leo Santos, que entregou a bola ao adversário e permitiu um mortal contra-ataque. já o segundo gol, aos 82 minutos, só foi possível porque o Cruzeiro, mais uma vez, roubou a bola no campo de defesa do Corinthians e trocou passes até Arrrascaeta finalizar cara a cara com o Goleiro Cássio.

O Corinthians ainda fez um gol aos 55 minutos, após uma cobrança de Pênalti do Meia Jadson. Um pênalti inexistente, que curiosamente foi dado após o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães (Fifa-RJ) consultar o Árbitro de vídeo – VAR.

Agora, sem a Copa do Brasil, o Corinthians precisará se recuperar no Brasileirão. A equipe ocupa a 11ª posição com apenas duas vitórias nos últimos 10 jogos. Com 35 pontos marcados na competição, o Corinthians está há quatro pontos do Ceará, primeira equipe na zona de rebaixamento. Um dos principais motivos para esta campanha medíocre é a ineficiência do ataque do time. No Campeonato Brasileiro, a equipe paulista é a 3ª que menos chuta a gol, com uma média de 2.67 chutes por jogo.

Jogadores do Cruzeiro comemoram o 6º título da Copa do Brasil após vencer o Corinthians por 2 x 1 em São Paulo
Fonte: CBF

Vale lembrar que, após vencer o título regional (paulista) no começo do ano, o Corinthians perdeu seus principais jogadores (Rodriguinho, Balbuena, Maycon, Guilherme Arana) e seu vitorioso treinador (Fábio Carrile), profissionais que se transferiram para outros times, principalmente por conta da crise financeira do clube. Por conta desse desmanche a equipe ficou sem qualidade, raça, entrosamento e condicionamento tático, proporcionando a seus torcedores partidas de baixo nível, como um verdadeiro show de horrores aos que um dia viram a equipe ser campeã mundial.

Faltam nove rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, nove chances para o Corinthians mudar sua postura em campo e tentar evitar mais um rebaixamento em sua história. É o momento de o Corinthians ser ousado e proporcionar mudanças drásticas no elenco e na postura de seus jogadores. A fanática torcida alvinegra, sempre devota a seu clube, mais do que nunca precisará fazer a diferença. E o jovem treinador Jair Ventura terá o desafio de sua vida, o momento de salvar a sua inexpressiva carreira e justificar o alto salário que recebe, pois se nada mudar, o Corinthians será rebaixado à Série B do brasileirão e ficará mais uma vez no limbo do futebol brasileiro.

 

Foto de Capa: SC Corinthians Paulista

Garra e motivação: ingredientes em falta neste Dragão?

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Relembrar o plantel do FC Porto da época passada e compará-lo com o atual não parece, à partida, uma tarefa complicada. Grande parte dos jogadores são os mesmos e tivemos ainda o regresso de Danilo, depois de uma longa paragem. Ainda assim, são evidentes as diferenças naquilo que vemos semana após semana, nos jogos. Comparar isso, sim, já se começa a tornar complexo.

As saídas de Marcano, Ricardo Pereira e Diogo Dalot foram as grandes mexidas do plantel no mercado de verão. Muito se falou de possíveis transferências, como de Alex Telles, Brahimi e até de Marega, mas a verdade é que foram apenas dois dos habituais titulares a deixarem a equipa (e Diogo Dalot, claro está, que seria a opção óbvia para substituir Ricardo Pereira). Para o lugar de Marcano foi chamado Diogo Leite nos primeiros encontros oficiais (que deixou boas indicações e continua a ser uma opção com qualidade) e Militão, mais tarde, que parece já ter agarrado definitivamente o lugar e ter feito esquecer o espanhol. Para a direita da defesa, Maxi Pereira. Uma solução que já estava dentro de portas mas que já não tem o fulgor de outros tempos.

O uruguaio garantiu estar disposto a trabalhar em dobro para retribuir a confiança de que foi merecedor, sobretudo por parte do treinador, mas a verdade é que a idade começa já a ser um fator importante no seu desempenho, nomeadamente na rapidez para percorrer o corredor.

O núcleo duro azul e branco permanece o mesmo mas a resposta em campo tem sido diferente
Fonte: FC Porto

No entanto, outras peças importantes do puzzle azul e branco do ano passado estão, esta época, menos “brilhantes”, o que acaba por se refletir no conjunto. Neste momento, com sete jornadas decorridas, o FC Porto soma já as mesmas derrotas que averbou em toda a época passada. Ainda assim, continua a encabeçar a lista de melhor ataque, a par com o SC Braga, com 16 golos. Já a defesa, que terminou o ano passado como a melhor, ocupa neste momento o terceiro lugar, com seis golos encaixados. Aboubakar destaca-se para já entre os melhores marcadores, com quatro golos e apenas atrás de Dyego Sousa, com cinco, mas a lesão que o vai afastar até ao próximo ano rapidamente o tirará do pódio.

E essa é outra semelhança deste FC Porto e do do ano passado: as lesões no ataque. Tal como no arranque passado, Soares lesionou-se neste início de época e, fruto disso, nem chegou a ser inscrito na Liga dos Campeões. Quando regressou, o azar bateu à porta de Aboubakar e um Marega menos arrebatador do que foi tem deixado os dragões longe do ataque demolidor a que habituou os adeptos.

Neste momento, talvez falte na equipa a garra que se viu durante toda a época passada. A sede de conquistar o título e afastar o SL Benfica de um feito que mora apenas na Invicta, terá funcionado como uma motivação extra. Neste momento, precisa-se de um Brahimi que volte a dizer “Nós vamos ganhar”, de um Herrera presente e decisivo no meio campo, de um Marega capaz de desequilibrar qualquer defesa. Éder Militão, substituto do fundamental Marcano, está a dar a resposta que todos esperavam e a encher o centro da defesa. Quanto a todos os outros, são peças já habituadas a jogar entre si e ao treinador, peças habituadas ao Dragão e à sua exigência.

O que cada um sabe e demonstrou no passado, essencial para a conquista, continua por certo a saber. A mudança, parece-me, terá de vir de dentro, da motivação para encarar cada jogo como decisivo, de não relaxar quando a vantagem já é de dois golos e, sobretudo, de não encarar nenhum adversário como fácil. No campo, estou certa que a competência de cada um é a mesma. O mar azul, esse, continua também presente.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

CUL 18/19 – AEFMH 1-1 AEFML: Empate frio em noite gelada

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A segunda jornada do Campeonato Universitário de Lisboa ditou o confronto entre a AEFMH e a AEFML, equipas que tinham empatado na jornada inaugural. Numa noite em que o frio se fazia sentir, o jogo nem a morno chegou nos primeiros minutos, até que a AEFML conseguiu criar um par de oportunidades.

Mas quem marcou primeiro foi a AEFMH, já depois da meia-hora de jogo, numa transição rápida. Francisco Marques cruzou atrasado para a entrada da área e Vasco Macedo bombardeou as redes dos futuros médicos. O arranque da segunda parte manteve a mesma toada da primeira, com um jogo muito disputado a meio-campo. Mário Andrade, Tiago Nascimento e João Jesus eram os jogadores mais inconformados no coletivo de Santa Maria.

Fonte: Jorge Martins/ADESL

O ponto de viragem foi o golo da igualdade, já nos 15 minutos finais, com Tiago Nascimento a executar com qualidade um livre em cima da linha de área, depois do árbitro da partida ter assinalado falta ao guarda-redes da AEFMH André Santos por ter saído da grande área com a bola controlada nas mãos. André Santos, já tinha, no entanto, negado o golo a Mário Andrade numa grande defesa a um remate muito forte do avançado da FML.

Até ao final da partida assistiu-se a um jogo muito partido, com oportunidades de parte a parte, mas o marcador acabou inalterado. Ambas as equipas têm agora dois pontos em duas partidas e continuam na procura da primeira vitória.

Flash Interview:

Na Flash Interview pós-jogo, o treinador da FMH e o médio Ruben Gomes concordaram que o jogo foi equilibrado e que a equipa ainda tem coisas para assertar. O médio atirou ainda que a equipa tem de continuar a empenhar-se nos treinos e que as vitórias vão chegar.

Já Tiago Silva, treinador da AEFML, salientou que a sua equipa teve oportunidades para vencer o jogo mas que o resultado acaba por se justificar. Não quis avançar com grandes objetivos para já, afirmando que a equipa vai pensar “jogo a jogo”. O autor do golo do empate Tiago Nascimento mostrou-se satisfeito com o golo e disse que a equipa precisa de ganhar mais rotinas e químicas e que vão continuar a trabalhar para alcançar a primeira vitória.

Jogo Completo:

 

Rescaldo com opinião de André Bucho

Foto de Capa: Jorge Martins/ADESL

CUL 18/19 – AAFDL 0-4 AEISEG: pena pesada para os homens de Direito

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Os Advogados da Cidade Universitária, vindos de uma vitória, e os Economistas de Santos, a procurar apagar a derrota anterior, encontraram-se na segunda jornada dos Campeonatos Universitários de Lisboa. Com uma entrada fulgurante em jogo, a equipa do ISEG teve as primeiras oportunidades de golo da noite, acabando por inaugurar o marcador aos 21 minutos: canto batido na esquerda e Guilherme Vieira, nas alturas, a não dar hipóteses a Tomás Rodrigues. O guardião de Direito estava, até então, a realizar uma exibição monstruosa. Mas, quatro minutos depois, os iseguianos voltariam a marcar: Afonso Figueira, com um grande trabalho individual, disparou rasteiro para o segundo.

No segundo tempo, apesar da desvantagem, os advogados entregaram-se com tudo ao desafio, e mostraram que a toalha ainda não tinha sido deitada ao chão. Contudo, os “Economistas de Santos” estavam precavidos para as iniciativas da FDL, e nem a introdução de Laelson em campo alterou o rumos dos acontecimentos.

Quando o jogo parecia estar morno, com a chuva a cair intensamente no sintético 7, o ISEG conseguiu chegar ao terceiro: novamente na sequência de um pontapé de canto, Rodrigues ainda se esticou, mas não travou o cabeceamento de Miguel Reis. Os homens de Direito, completamente desolados, ainda sofreram um quarto e último golo, aos 74 minutos: André Alvega arrancou no corredor esquerdo, e fez a segunda assistência da conta pessoal; João Melo, com a baliza escancarada, não vacilou.

A AEISEG somou assim os primeiros três pontos da temporada, enquanto a AAFDL não conseguiu dar continuidade ao bom resultado da primeira jornada. Na próxima semana, os economistas defrontam a AEFCM, enquanto Direito tem um encontro dificílimo frente ao atual primeiro classificado, a AEISCAL.

Onzes Iniciais:

AAFDL: Tomás Rodrigues, Francisco Araújo, Gonçalo Barreto, Miguel Máximo, Paulo Pena; Tomás Ribeiro, Tomé Cardoso, Gonçalo Maurício; Tiago Caleça, Miguel Costa, Filipe Rosa.

AEISEG: Leonardo Ferreira, Miguel Reis, Guilherme Vieira, Henrique Vieira; Bruno Soares, Vasco Caçoila, Jorge Faria, André Alvega, Bernardo Varela; Afonso Figueira, João Gaspar.

Flash interview:

Jogo completo:

A festa da taça joga-se fora

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A ‘Festa da Taça’. É assim que é conhecida a festa que surge em volta dos jogos da prova rainha, a Taça de Portugal. Por todo o país, das mais diversas divisões do futebol profissional, centenas de equipas lutam para chegar ao Jamor e erguer o troféu emblemático das mãos do Excelentíssimo Presidente da República Portuguesa.

Ao início, as eliminatórias colocam frente a frente as equipas dos escalões inferiores, sendo que só a partir desta fase que agora nos encontramos, a terceira eliminatória, é que entram as equipas da Primeira Liga Portuguesa e é precisamente nesta altura que a ‘Festa da Taça’ se torne efervescente com a possibilidade de equipas de escalões muito abaixo do escalão principal, verem equipas ‘grandes’ a jogar nos seus palcos, para as suas gentes.

Porém, infelizmente, a realidade não é assim tão bela. Este festival que o futebol poderia proporcionar para os clubes mais ‘pequenos’ termina antes de começar.

“É inacreditável! (…) depois de tudo o que aconteceu, (…) termos lá o Benfica é a cereja em cima do bolo (…)”. As declarações apaixonadas do presidente do Sertanense que, depois de ser a primeira equipa sorteada, festejou que lhe tivesse calhado o Benfica. “Sabemos da grandeza da festa linda da Taça (…). A festa irá para o povo da Sertã (…)”. Mas não vai. A festa irá para Coimbra, para o Estádio Cidade de Coimbra, a cerca de 74 km de distância do reduto do Sertanense.

O campo da Sertã não está em condições e estará assim, vazio, no dia do jogo contra o Benfica
Fonte: Sertanense

A euforia durou apenas dois dias, depois do clube lançar um comunicado a dizer que o Campo de Jogos Dr. Marques dos Santos não está em condições para que aquele jogo fosse lá realizado, tendo de tomar uma “decisão dolorosa” que “entristece toda a equipa e concidadãos da Sertã”. Portanto, a ‘Festa da Taça’ não será na Sertã. Será longe da vila portuguesa.

Em Loures está o clube que foi sorteado com o Sporting CP e que também não poderá entregar a festa à sua população, partindo esta para Alverca, a 20 km. Embora seja um local mais próximo, a verdade é que é outra população que não vai receber a festa da prova rainha nas suas casas.

É triste ver que estas partidas não possam ser jogadas nos campos das equipas mais ‘pequenas’ devido à falta de condições do relvado; que estas pequenas vilas não vejam as grandes equipas a jogar ali; não possam ter uma história para contar de que este ou aquele jogador – que se tornou um fenómeno mundial – já esteve ali naquele campo quando o Benfica foi lá jogar para a Taça de Portugal.

Na minha ilha, a Graciosa, nos Açores, já lá esteve o Diego Costa, avançado espanhol que representa o Atlético de Madrid, quando era jovem – com apenas 18 anos – a representar o Penafiel, num jogo da Taça de Portugal. Numa ilha com ínfimos habitantes, isto é uma recordação fantástica. A sorte foi ele não ser um jogador de um dos grandes portugueses, senão o relvado não ia ter condições e o jogo teria de ser jogado longe da segunda ilha mais pequena de Portugal. É a vida… dos pequenos.

Foto de Capa: SL Benfica

Contas no vermelho!

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Na passada semana foi apresentado o relatório e contas de FC Porto SAD. Os números revelados são verdadeiramente assustadores e a forma como foram “descontraidamente” e até “irresponsavelmente” divulgados ainda mais preocupação deixam nos adeptos portistas mais atentos.

Apesar de cumprir o compromisso assumido com a UEFA, apresentar um resultado líquido consolidado de cerca de 28 milhões de euros negativos é extremamente preocupante. Capitais próprios negativos em 38 milhões de euros é algo de extrema gravidade, ainda mais num clube acabado de se sagrar campeão nacional, e que na época transata poucos ou nenhuns investimentos fez.

Deixo aqui alguns apontamentos que servem para reflexão:
– Desvio de 65% do Orçamento.
– Crescimento do Passivo que ascende a 464 milhões de euros o mais alto dos clubes Portugueses.
– Recorde de custos operacionais, ultrapassando o orçamento em quase 15% por cento;
– Custos com pessoais (perto de 80 milhões) mais elevados da história do clube excedendo o orçamento pelo terceiro ano consecutivo, apesar de todas as restrições impostas ao treinador Sérgio Conceição.

Sérgio Conceição vai ser o verdadeiro “administrador” da SAD do FC Porto
Fonte: FC Porto

Depois temos a vertente desportiva que também tem de ser analisada no que às contratações diz respeito. Gastar mais de cinco milhões de euros em Waris em 77% do seu passe, gastar cerca de dois milhões de euros em Janko em 80% do seu passe, quando Maxi tinha renovado e se tinha contratado João Pedro e Éder Militão estava “controlado”, é algo inexplicável. Posso entender certas oportunidades de negócio, numa perspetiva de valorização futura, mas nunca num cenário destes que o clube atravessa. Pagar dois milhões de euros por 15% do passe de Otávio também é algo muito questionável.

Relativamente aos negócios com o Portimonense SC as dúvidas continuam no ar e não foram minimamente esclarecidas. Uma outra rubrica que gostaria de ver ser explicada é a que esta referenciada no quadro das aquisições como “outros” sendo que a quantia a que diz respeito supera os três milhões de euros.

Para culminar em beleza, a administração da SAD apesar destes resultados negativos ainda ousa aumentar os seus salários de forma significativa. Contas preocupantes, comportamentos alarmantes e uma “aparente” apatia ainda mais inquietante por parte dos sócios (principalmente aqueles com voz ativa na comunicação social).

Um bom ano desportivo é a única saída para o clube não cair no abismo. O “santo” Sérgio Conceição vai ter de voltar a fazer um milagre!

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

O Expresso das 20h15

A Primeira Liga portuguesa estende-se de norte a sul do país, desde Chaves a Portimão, e este é um facto saudado e relevado constantemente. No entanto, surgem também críticas à falta de representação de certas zonas e regiões do nosso país e estas visam não só as entidades responsáveis que pouco ou nada apoiam os clubes, como os próprios clubes e os seus dirigentes.

Estas regiões, além dos campeonatos distritais, fazem representar-se sobretudo no Campeonato de Portugal e esporadicamente na Segunda Liga. Longe vão os tempos em que O Elvas CAD, SC Campomaiorense e Lusitano de Évora, por exemplo, disputavam a Primeira Liga. O Alentejo estava representado e o campeonato, além de se estender de Norte a Sul, distribuía-se também entre a fronteira espanhola e o oceano Atlântico.

Também o Algarve consegue, a espaços, a sua merecida representação ao mais alto nível, nomeadamente através de SC Farense, SC Olhanense e Portimonense SC. No entanto, toda esta diversidade traz também o seu lado negativo. O sorteio das provas ditará, naturalmente, a visita a todos os estádios e, se para os maiores clubes em dimensão e massa associativa não é um problema, para aqueles que procuram cimentar a sua presença neste escalão pode revelar-se uma missão impossível.

Adeptos algarvios na Vila das Aves; poucos em número, mas enormes no amor ao clube
Fonte: Fábio Guerra

Assim, se quanto à distância que separa os clubes nada se pode fazer, a não ser percorrê-la, por que não minimizar custos e outros encargos? Para quê dificultar, deliberadamente ou não, o apoio aos clubes ditos menores? Há muito para limar, muito por onde melhorar e atirar um ponto de partida é essencial.

Desde logo a deslocação. É sabido que certas Câmaras Municipais apoiam os “seus” clubes, e bem, quanto às mais variadas despesas, entre elas, as deslocações de sócios e adeptos aos estádios adversários. Mas até aqui há espaço para melhorar. De certo, clubes de menor dimensão não movimentam vários milhares de pessoas por fim de semana, como por muitas vezes os três grandes fazem, mas o modo como o fazem podia ser mais cómodo, seguro e barato…

Porque não chamar a CP-Comboios de Portugal para o assunto? Seria assim tão descabido articular os horários das partidas com um comboio exclusivamente dedicado ao transporte de adeptos da cidade ‘A’ para a cidade ‘B’? A verdade, e também o mais triste, é que sim, é descabido. Para já, devido aos problemas que a CP tem internamente e que muitas vezes lhe custa para cumprir o serviço a que se compromete semanalmente. Depois, pelos horários das partidas. É certo e sabido o ‘problema’ que se arranja para alterar a data ou a hora de uma partida, com televisões e direitos de transmissão ao barulho…

Esta é a maior distância percorrida por uma equipa de uma só vez na Primeira Liga. GD Chaves e Portimonense SC, precisamente quando se defrontam
Fonte: Google

Por fim, mas não menos importante, outro problema se levantaria; o estado de algumas linhas férreas. Esta ideia cai por terra simplesmente pela impossibilidade de pôr a circular carruagens em qualquer linha, para além de algumas zonas não serem servidas deste tipo de transporte. Mas será isto um entrave a esta solução, ou um ponto de partida para melhorar? A cada concerto de uma estrela mundial, a CP disponibiliza um comboio especial de ida e volta exclusivamente para o evento. Será o futebol um espetáculo menos rentável em Portugal? Não merecerá iguais soluções e alternativas de transporte?

No entanto, não haverá comboio expresso, alfa ou TGV que ajude os adeptos a apoiar o seu clube numa segunda-feira, às 20h15, no outro extremo do país. É simplesmente inconcebível. Por uma ou outra vez, o adepto ainda faz o esforço e o amor ao clube suplanta tudo. Se já é complicado para quem se desloca por uma ou duas horas de caminho, o que dizer daqueles que no fim da partida têm um país a percorrer e no dia seguinte trabalham…

Os horários e calendarização das partidas são um atentado à sobrevivência dos clubes ‘pequenos’. Os três grandes não se livram deste problema, mas sabem dar a volta, ‘viram-se sozinhos’. Quem olha pelos outros, senão os seus adeptos incansáveis? E as ideias, por mais impossíveis que pareçam, têm de ser debatidas. Delas surgirão outras mais reais. E há que começar a dar tiros certeiros, porque de tiros de aviso estamos todos fartos.

 

Foto de Capa: White Angels