Início Site Página 10679

GS Loures 1-2 Sporting CP: Serviços mínimos bastaram

Mais um dia de Taça de Portugal e mais uma deslocação de um “grande” do futebol português a casas mais modestas: hoje foi a vez do Sporting Clube de Portugal viajar até Alverca para defrontar o Grupo Sportivo de Loures, que joga no Campeonato de Portugal. Como seria de prever, José Peseiro aproveitou a partida para rodar alguns jogadores com menos minutos – como foram os casos de Castaignos, Mané ou Marcelo -, mas também para voltar a dar ritmo a habituais titulares depois da pausa de seleções – como Nani ou Gudelj.

Apesar das várias alterações feitas pelo Sporting, esperava-se um início de jogo “à leão”. Porém, as garras entraram mal afiadas e a primeira parte foi mais complicada para os visitantes do que aquilo que se poderia esperar. Ao Sporting faltava alguma agressividade e verticalidade. A bola era bem metida em Nani ou Jovane, mas nunca uma bola com qualidade aparecia no último passe.

Assim, o primeiro lance de perigo leonino só nasceu praticamente aos 20 minutos, mais precisamente ao décimo oitavo minuto. E de bola parada! O livre de Bruno Fernandes deu a sensação de golo aos espetadores, mas a bola passara a centímetros do ferro.

A partir daqui, ainda que fosse o Sporting a mandar no jogo, aquilo que mais se destacava na partida era atitude lourense: de louvar o facto de os “da casa” tentarem sair a jogar com a bola controlada e não cederem ao vício das equipas mais pequenas de jogar direto na frente. Contudo, voltava o Sporting a criar perigo de bola parada: a nova tentativa saiu dos pés de Nani, mas teve o mesmo destino do primeiro lance perigoso do jogo.

À meia-hora de jogo, o primeiro remate do GS Loures: Rodrigo Thompson dribla à entrada da área, ganha espaço, mas o remate em jeito foi facilmente defendido por Renan Ribeiro. Na resposta, Castaignos, de cabeça, e Jovane, com um remate encaixado facilmente pelo guardião Miguel Soares, picavam o ponto na presença ofensiva dos visitantes.

E quando parecia que o GS Loures faria a proeza de sair para o intervalo sem estar a perder com um gigante do nosso futebol, eis que voltaram os remates “à Bruno”, o Fernandes: o número 8 dos “leões” recebeu a bola à entrada da área, puxou atrás e lá foi mais uma bomba. Foi o primeiro golo da partida e 1-0 para o Sporting. Na baliza, deu a sensação de que Miguel Soares poderia ter feito melhor no lance. Intervalo em Alverca – casa emprestada do GS Loures na partida de hoje – e vantagem “leonina”.

A primeira parte começou lenta, com o jogo muito partido no meio-campo
Fonte: Bola na Rede

Depois do merecido descanso, o Sporting não quis esperar muito tempo para chegar à área adversária e logo aos 49 minutos beneficiou de uma grande penalidade. O extremo Jovane Cabral foi rasteirado dentro de área e o árbitro da partida assinalou para o castigo máximo. No entanto, Bruno Fernandes desperdiçou a oportunidade de aumentar a vantagem. Miguel Soares esteve em destaque com uma grande defesa, mantendo viva a esperança do Loures e dos seus simpatizantes.

Na resposta, o defesa esquerdo Qi Cui ameaçou a baliza de Renan, depois de um cruzamento bem tirado do lado direito do terreno. Segundo a gíria , quem não marca sofre e foi mesmo isso que aconteceu. Um minuto depois do lance do Loures, os leões voltaram a marcar. Depois de uma boa jogada de Jovane, foi Nani que, à segunda aumentou o marcador. Após o remate do extremo cabo-verdiano ser defendido, o capitão dos leões fintou o guarda-redes lourense e fez o gosto ao pé.

Apesar do segundo golo leonino, o Loures não deixou de tentar, pelo menos, marcar um golo na festa da Taça. Ao minuto 60, o avançado-centro, Rodrigo Thompson voltou a tentar, ainda assim em sucesso. Renan fez uma defesa fácil ao remate do avançado. Até ao fim o Sporting tentou gerir a vantagem e o jogo, baixando o ritmo e a intensidade. Peseiro mexeu nesse sentido e colocou Petrovic para o lugar de Carlos Mané.

Mas os comandados de André David não baixaram os braços e continuaram à procura do golo. Ao minuto 80, assistiu-se à melhor ocasião de golo para os visitados, com Miguel Oliveira a aparecer isolado na cara de Renan. Quem brilhou foi mesmo o brasileiro que fez uma grande defesa com os pés e evitou o primeiro golo da equipa que atua no terceiro escalão nacional.

Antes do apito final, o Loures foi premiado: Juninho ganha a bola do lado esquerdo e, cruzado, remata colocado para o golo da equipa “da casa”. Explosão de alegria no estádio e uma dose de esperança reforçada para o tempo de compensação. Não chegou e foram os “leões” que seguiram em frente na Taça, num jogo que se mostrou mais complicado do que poderia parecer.

 

Onzes iniciais

Sporting CP: Renan Ribeiro; Bruno Gaspar; Marcelo; André Pinto; Jefferson; Gudelj; Bruno Fernandes; Nani (C); Jovane (Miguel Luís); Carlos Mané (Petrovic); Luc Catstaignos

GS Loures: Miguel Soares; Filipe Gaspar; Qi Cui; Fábio Marinheiro; Jamil Rodríguez; Bruny Almeida; Gonçalo Silva (Juninho); Leo Tomé; Rodrigo Thompson (Élton Rosário); Miguel Oliveira; Luís Elói (Jorge González)

Fez-se taça, mas não houve Taça!

0

Não é um engano, mas antes uma constatação. O Monte da Forca encarnou na perfeição o espírito que deve imperar em dias de Taça de Portugal, daí todos concordarmos que se fez, realmente, a festa da taça. O que é de salutar em tempos em que o futebol-negócio teima em ‘assassinar’ as poucas tradições que ainda procuramos manter do jogo puro. O pequenino Vila Real enfrentou o todo poderoso FC Porto. O pequenino campo da Forca vestiu-se a rigor para receber um grande do nosso futebol e a cidade, toda ela, parou durante duas horas para saborear a festa. O resultado, esse, não entra nesta equação. As gentes da terra reuniram e desdobraram-se em esforços para que o dia fosse inesquecível. Bravo! Foi bom sentir o ambiente e a energia que momentos como este trespassam para quem testemunha, ao longe, através de um pequeno ecrã, a alegria que muita daquela gente nunca havia sentido. Sim, fez-se Taça.

Mas não, não houve Taça. O Porto honrou a competição, respeitou o Vila Real e não descansou nunca à boleia de uma diferença abismal entre ambos os conjuntos. Desse ponto de vista, ficava difícil haver Taça, mas os homens do lado de lá do Marão já tinham ganho o jogo mesmo antes de ele começar. Tudo porque, lá está, houve condições para que existisse Taça, como toda a envolvência que isso exige. Um dia para mais tarde recordar.

Adrián, com um póquer, foi o homem do jogo
Fonte: FC Porto

O jogo. Bem, um treino de ataque continuado, praticamente sem história. Sérgio Conceição teve duas semanas a preparar toda esta equipa (à exceção de Militão) e certamente tirou apontamentos positivos. A estrela da noite, Adrián, pode ter dado um passo de gigante rumo à tão esperada afirmação de dragão ao peito. Quatro golos num só jogo, seja em que circunstância for, é um registo de excelência. Estará aí mais um milagre do São Conceição? A ver vamos.

João Pedro e Jorge também só tiveram preocupações ofensivas, estando ambos dispensados de tarefas lá atrás, que é onde lhes são detetadas maiores dificuldades. O lateral direito acabou por estar mais em evidência que o compatriota do lado oposto, ficando ligado ao quinto golo com uma bela jogada junto à linha de fundo.

No meio campo, Óliver voltou para marcar o ritmo da equipa e a classe do espanhol não só deu água pela barba aos presentes como também acabou a reclamar mais minutos no futuro. Bazoer teve a estreia e mostrou bons atributos acima de tudo quando SC o deslocou da meia direita para o centro, que é onde toda a amplitude do seu futebol vem ao de cima. Está aí um box to box à maneira.

Taça de Portugal: check. Bela maneira de se voltar à competição. Fazendo muita gente feliz. Adeptos e, essencialmente, jogadores que procuravam recuperar a alegria de jogar. Que na Rússia se jogue o prolongamento.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Juventus FC 1-1 Genoa CFC: empate caseiro quebra série vitoriosa de Ronaldo & Co.

0

Mais um dia na vida de Cristiano Ronaldo por terras transalpinas, mas desta vez não correu da melhor maneira: a Juventus recebeu o Génova na 9.ª jornada da Serie A, e não foi capaz de fazer melhor que um empate a uma bola. Os pupilos de Allegri veem assim terminada uma série de 10 jogos consecutivos a vencer, três dias antes da deslocação a Old Trafford.

A equipa de Turim, como era expetável, entrou na partida com um jogo mais pensado e evoluído, com Cancelo e Cuadrado a fazerem do corredor direito a sua praia. Matuidi, pela inteligência tática que oferece ao miolo, e Ronaldo, com a baliza sempre na mira, eram os outros homens em maior destaque.

E foi mesmo CR7 a fazer o primeiro do encontro, aos 18 minutos: Cancelo trabalhou bem pela esquerda, rematou fraco para a defesa incompleta de Radu, e Ronaldo, na cara do romeno, não desperdiçou. O resultado acabaria por não sofrer qualquer alteração até ao intervalo.

Cristiano Ronaldo chegou ao quinto golo com o emblema de Turim
Fonte: Juventus FC

No segundo tempo, quando Piątek já havia ameaçado as redes do compatriota Szczęsny, o Génova chegou ao empate: excesso de confiança por parte da defensiva da Juve, e Kouamé a cruzar para a cabeça de Daniel Bessa, que não deu hipóteses ao guardião polaco. Estavam decorridos 67 minutos de jogo, e a Velha Senhora tinha uma missão dificílima pela frente.

Até ao final, Ronaldo, Mandžukić e o recém-entrado Dybala ainda visaram a baliza de Radu, mas a bola não quis entrar e ditou o empate no Allianz Stadium. Fica a ideia, no entanto, de que a saída de Matuidi aos 72 minutos condicionou muito o jogo coletivo do conjunto de Allegri, que não foi capaz de manter os bons indícios demonstrados na primeira parte do desafio.

A Juventus mantém-se, contudo, no primeiro lugar da tabela classificativa, com 25 pontos, ao passo que o Génova subiu provisoriamente ao décimo lugar, com 13 pontos. Na próxima jornada, Cristiano Ronaldo e companhia viajam até Empoli, enquanto o clube do jovem estrela Piątek recebe em casa a Udinese.

ONZES INICIAIS:

Juventus FC: Szczęsny, Cancelo, Bonucci, Benatia, Alex Sandro; Pjanić, Bentancur, Matuidi (Dybala 71’); Cuadrado (Douglas Costa 59’), Ronaldo, Mandžukić (Bernardeschi 82’).

Genoa CFC: Radu, Biraschi, Romero, Criscito; Pereira (Günter 79’), Rômulo, Sandro, Lazović, Bessa (Hiljemark 82’); Kouamé (Pandev 85’), Piątek.

Carta aberta a Nuno Capucho

Caro mister Nuno Capucho

Peço desculpa pela audácia, mas não consegui amarrar a vontade de lhe escrever umas breves mas ‘sentidas’ linhas, que espero que não entenda como vergonhosas perante a eventual mensagem que possam vir a passar.

Depois de ouvir as suas declarações, a primeira reacção que tive foi de o aplaudir. ‘Aqui está um homem à séria’ – pensei. No entanto, após algum tempo, parei para reflectir um pouco mais sobre o que o Nuno acabara de proferir. Então decidi escrever-lhe esta ‘humilde’ carta sobre aquilo que me assolou a mente, e essencialmente a alma.

O Nuno colocou o dedo na ferida. Não há dúvida. Mas realmente se é como diz, que o futebol português é uma vergonha e que já sabe quem sobe e quem desce, devo então colocar-lhe algumas questões que me parecem ser de todo fundamentais.

O mister já sabe mesmo quem desce e quem sobe? Pois isso não me parece difícil de adivinhar. O Gil Vicente FC é um dos que sobe (pela secretaria) directamente do Campeonato de Portugal para a Primeira Liga. Esta já toda a gente sabia. Depois, e com o recordista mundial de subidas a treinar o Paços de Ferreira, parece-me óbvia a segunda equipa a subir. Por fim, calculo que se esteja a referir ao GD Estoril Praia. O que também é mais ou menos óbvio que aconteça, dado que toda a gente diz à boca cheia que por norma o principal candidato a subir no ano seguinte é sempre aquele que desceu.

O que para mim ficou claro com as suas palavras, é que já sabemos quem não subirá: o Varzim SC. Se assim não fosse calculo que o Nuno não estaria a fazer aquelas declarações. Portanto, se o Varzim tem pretensões a subir, o melhor será despedir o seu treinador. Desculpe lá Nuno!

Terá o treinador do Varzim condições para permanecer no comando da sua equipa?
Fonte: Varzim SC

Agora mais a sério: se sabe tudo isso então que o diga. De que serve lançar mais achas para a fogueira? Pois que dê ‘o nome aos bois’. Fartos de polémicas estamos nós. Fartos de ouvir todos os dias histórias de possível corrupção, de tráfico de influências, de interesses, de compadrios, etc.

Mais ainda: se é uma vergonha, calculo que o Nuno Capucho não faça intenções de prosseguir a sua vida profissional nessa mesma vergonha. Afinal parece que está mesmo a ponderar abandonar a carreira de treinador. Acho que faz sentido perante o que falou. Se já se sabe quem sobe e quem desce, então não está aí a fazer nada, porque nada será alterado com o seu bom ou mau trabalho. Acho pois que deverá procurar trabalho… lá fora. Onde nada está combinado.

Chelsea FC 2–2 Manchester United FC: Foi por pouco, Mourinho


O estádio Stamford Bridge recebeu neste início de tarde o jogo grande da jornada, colocando frente a frente o Chelsea FC, que ocupava os lugares cimeiros da tabela, e o dececionante Manchester United FC, que não ia além da nona posição.

Sarri e Mourinho não procederam a grandes alterações nos Xi iniciais comparativamente à última ronda da Premier League e a única nota de destaque seguiu para a titularidade de Kovacic.

Assistimos a um primeiro tempo em que nos instantes iniciais reinou o equilíbrio, não conseguindo nenhuma das equipas sequer chegar junto da baliza adversária. A escassez de oportunidades acabaria por caracterizar esta primeira parte, mas com o decorrer do tempo alguns ataques foram surgindo, o ritmo acelerou e o jogo ficou mais interessante. De resto, o Chelsea assumiu-se como equipa dominante e a partir dos 15 minutos remeteu os red devils ao seu meio campo defensivo, mas as linhas baixas e coesas definidas por Mourinho ditaram a ausência de oportunidades golo.

Os blues foram mesmo assim quem mais procurou a vantagem, e viriam a adiantar-se no marcador através de uma bola parada. Na conversão de um pontapé de canto, Willian cruzou para o coração da área onde Rüdiger livre de qualquer marcação cabeceou forte e bateu De Gea.

O jogo seguiu para intervalo sem grande história para contar e com o Chelsea em vantagem, que não era propriamente merecida, mas sim bem atribuída porque dentro do deserto de oportunidades de golo que foi o primeiro tempo, o Chelsea dominou na posse de bola e controlou a partida.

Fonte: Premier League

As equipas regressaram dos balneários com uma atitude completamente diferente na perspetiva ofensiva e isso ficou bem patente na estatística que nos indicou que em 20 minutos da segunda parte houve mais remates e ocasiões de golo do que no restante tempo de jogo.

O conjunto da casa dispôs logo de uma bela oportunidade para dilatar a vantagem, mas De Gea defendeu o disparo do seu compatriota, Álvaro Morata. Daqui em diante, o Manchester United surge finalmente na partida e impõe o seu futebol, o que nos leva a questionar Mourinho: “Qual a razão para não jogarem sempre assim?”.

Os red devils subiram as linhas, aumentaram a pressão sobre o portador da bola e por momentos dominaram completamente o Chelsea, colecionando várias hipóteses para alcançar a igualdade. O golo acabaria por chegar e por intermédio de Martial, que ao beneficiar de um ressalto recebeu a bola já dentro da grande área adversária e empatou a partida aos 55 minutos.

O Chelsea não se deixou atingir pelo golo consentido e, mesmo tendo acusado algum desgaste físico, continuou com o seu estilo de jogo de paciência na construção e conseguiu reequilibrar o encontro ao protagonizar dois lances de belo efeito. Primeiramente, David Luiz com um grande cabeceamento fez passar a bola pertíssimo do poste direito da baliza do Manchester United e instantes depois foi Kanté a tentar a sorte com um remate de longa distância, mas De Gea impediu novamente o golo.

Na resposta imediata, o Manchester United num ataque veloz protagoniza uma bela jogada de entendimento coletivo, que culmina com a assistência de Rashford para Martial que com um excelente remate colocado bate Kepa, bisando na partida e estabelecendo a reviravolta no marcador à passagem do minuto 73.

Até ao final da partida, o United focou-se em segurar o resultado, mas nunca deixou de pressionar alto o Chelsea, pois com a segunda parte aprendeu que só assim era possível inviabilizar o poder na posse de bola por parte do adversário.

Quando já nada o fazia prever, assistimos a um final épico com o Chelsea a conseguir chegar ao empate no último suspiro e o herói foi Barkley que, dentro da confusão instalada dentro da área dos red devils e após algumas tentativas falhadas, conseguiu finalmente fazer o golo, fixando assim o 2-2 final.

Pelo que os dois conjuntos protagonizaram teremos de considerar este resultado justo e agradecer pelo espetáculo de futebol que foram os segundos 45 minutos. Mesmo com o empate, o Chelsea deverá sair do lote dos líderes da Premier League. No reverso da medalha, o United não consegue entrar num ciclo de vitórias, mas sai desta partida mentalizado do que é realmente capaz.

Chelsea FC: Kepa Arrizabalaga, Antonio Rüdiger, Marcos Alonso, César Azpilicueta, David Luiz, Jorginho, N’Golo Kanté, Mateo Kovacic (Barkley´69), Eden Hazard, Willian (Pedro´73), Álvaro Morata (Giroud´79)

Manchester United FC: David de Gea, Victor Lindelöf, Chris Smalling, Ashley Young, Luke Shaw, Paul Pogba, Juan Mata (Herrera´ 75), Marcus Rashford (Sanchez´85), Anthony Martial (Andreas Pereira´84), Nemanja Matic, Romelu Lukaku

Os quatro que se seguem

0

Todos os anos vemos talentos a sair do viveiro do Seixal e a serem integrados no plantel do Sport Lisboa e Benfica. Esta é a prova viva de que a Formação da “águia” está bem e recomenda-se, sendo capaz de, ano após ano, enriquecer com juventude, irreverência e ainda mais qualidade as opções da equipa principal.

Podemos dizer que estes são, indubitavelmente, os anos dourados do Caixa Futebol Campus e esta teoria é facilmente provada através do domínio que o SL Benfica tem estabelecido em todos os escalões de Formação. Mas não nos podemos centrar somente na questão dos títulos conquistados; os jovens do SL Benfica têm estado presentes em grande maioria em cada um dos escalões da Selecção Nacional e cada vez mais exercem a sua influência.

Numa declaração pública de há uns dias atrás, Luís Filipe Vieira “traçou” o destino de quatro jovens que têm feito um primeiro terço de temporada fantástico, ao afirmar que estes estariam nos planos para fazer parte do plantel principal na época 2019/2020. Os quatro que se seguem são Francisco Ferreira (Ferro), Florentino Luís, Chris Willock e João Filipe (Jota). Debruçemo-nos, então, sobre cada um deles:

Francisco Ferreira (Ferro)Ferro tem mostrado uma evolução bastante boa nas mãos de Bruno Lage. Encontrando-se muito mais consistente nesta temporada, tem-se destacado essencialmente pela sua influência na primeira fase de construção. Possui uma visão de jogo, técnica e qualidade de passe fora do normal para um defesa-central e melhorou a sua capacidade decisional. Continua a ter de trabalhar a sua concentração durante os jogos e de melhorar bastante os níveis de agressividade no ataque à bola, sendo ainda muito “macio” nas disputas com os adversários. Ainda assim, Ferro parece-me já preparado para fazer parte do plantel principal e acrescentar qualidade com bola à dupla de centrais do SL Benfica. Esta temporada, foi já convocado para o jogo da Taça de Portugal contra o Sertanense, acabando por ficar fora dos 18 seleccionáveis.

Florentino Luís – Quanto a mim, deveria já ser a alternativa imediata a Ljubomir Fejsa. Florentino é peça-chave no xadrez da Equipa B encarnada e está mais do que preparado para dar o salto. Médio-defensivo que oferece um equilíbrio impressionante à equipa através do seu raio de acção, está agora também muito mais completo devido ao facto de jogar num modelo que privilegia a posse de bola; vemos frequentemente Florentino sem medo de ter bola e, quando não a tem, a procurar espaços livres onde a receber para então dar início à construção. A maturidade que apresenta nesta altura é já elevadíssima, tendo em conta os seus 19 anos e a posição que ocupa. Não digo que tivesse já capacidade para ser titular absoluto e suplantar Fejsa, mas que tem mais do que capacidade para ir fazendo descansar o sérvio, isso sim. É um caso muito sério para o futuro.

O excelente futebol que a Equipa B pratica tem ajudado à evolução destes jovens
Fonte: SL Benfica

Chris Willock – O inglês vindo do Arsenal FC cumpre a sua segunda temporada com a camisola do SL Benfica e continua sem desiludir. Apesar de ainda não ter tido qualquer oportunidade para se estrear na equipa principal, Willock tem mostrado toda a sua qualidade ao serviço da Equipa B, sendo peça-chave tanto para Hélder Cristóvão na temporada passada, como para Bruno Lage na presente temporada. Dono de uma técnica exímia e de um controlo de bola sobredotado, Willock é um jogador capaz de decidir jogos sozinho, tal é a sua qualidade e imprevisibilidade com bola nos pés. Aliando a técnica à sua velocidade, torna-se um jogador muito difícil de parar. Apesar das qualidades, tem ainda algo a melhorar no seu jogo sem bola. Poderá vir a ser uma óptima solução para o plantel principal, fundamentalmente se algum dos médios-ala acabar por sair em Janeiro ou no final da temporada.

João Filipe (Jota) – Quem é que ainda não o conhece? Para Jota, esta tem sido talvez a melhor temporada da sua ainda curta carreira; ajudou Portugal a conquistar o Campeonato Europeu de Sub-19 – onde foi considerado o melhor jogador do torneio e repartiu a liderança dos melhores marcadores com Francisco Trincão –, tem brilhado ao serviço da Equipa B e, finalmente, estreou-se na passada Quinta-feira pela equipa principal, entrando aos 67 minutos para o lugar de Jonas. Torna-se, assim, quase escusado de falar de Jota. É um extremo bastante ágil e tecnicista, que actua sempre em alta velocidade tanto física como mentalmente e que é bastante efectivo em qualquer um dos flancos, devido ao facto de ser ambidextro. Não tem medo de partir para o 1×1 e isso ainda é algo que o prejudica por vezes, acabando por perder-se em dribles e tornando-se pouco eficiente. A partir do momento em que saiba racionar e controlar melhor o seu jogo, será um dos melhores extremos a nível mundial. Jota tem um grande futuro à sua frente e irá acrescentar bastante à equipa principal. Tal como Willock, poderá beneficiar da saída de um dos médios-ala.

Agora são estes quatro, mas todos os anos iremos ter jogadores mais do que capazes para seguir o caminho dos jovens que sairam da Formação e que conseguiram brilhar com a camisola da equipa principal. Neste momento, temos em cada escalão formativo, pelo menos, três ou quatro jogadores que são um ou dois anos mais novos do que os adversários que enfrentam e isso é excelente para o seu processo evolutivo.

O futuro está bem entregue. É a geração “Caixa à Benfica”.

 

Foto de Capa: SL Benfica

 

 

Os 7 melhores craques ‘não grandes’ da Primeira Liga

Numa temporada onde o esbatimento de diferenças entre os chamados grandes e os não grandes tem se feito sentir, têm surgido vários jogadores para manter debaixo de olho. Nesta lista apresentamos potenciais jogadores que podem eventualmente calçar nos três grandes, alguns destes nomes até mesmo na próxima janela de transferências. Ora vejam lá.

As novas caras do voleibol leonino

0

Basta estar minimamente atento ao Voleibol para se perceber que a equipa do Sporting apresenta-se bastante renovada para atacar o bicampeonato nacional. Hugo Silva, o mesmo técnico da época passada, conta agora com oito caras novas no seu plantel, a saber: Wallace Martins (2.04m), brasileiro, que veio do Osaka Sakai do Japão; Nikolay Nikolov (2.06m), búlgaro, que chegou dos russos do Belgorod; do Sporting de Espinho chegou Roberto Reis (1.87m); Todor Aleksiev (2.02m), mais um búlgaro, chegou dos gregos do Olympiacos; o espanhol Guilhermo Hernán (1.82m) chegou do Tours; o cubano Leonel Marshall (1.96m) que representava a época passada o Piacenza de Itália; o cabo-verdiano Hélio Sanchez (2.04m), que veio do Sporting de Espinho; e, finalmente, André Brown (2.06m), um canadiano, que atuava na época passada ao serviço do TSV Herrsching da Alemanha. Das saídas, destaque para a transferência de La Bomba (Iván Márquez) para os gregos do PAOK, de Lourenço Martins para o Sporting de Espinho e de Robinho para o Funvic do Brasil.

Foquemo-nos nos que chegaram a Alvalade. Alguns deles estão já em clara evidência de leão ao peito: casos de André Brown, Hélio Sanchez e Leonel Marshall. São jogadores que vieram acrescentar, claramente, mais consistência no jogo leonino. Brown pela clareza com que define as jogadas da equipa, pelo seu serviço forte e preciso; Sanchez na rede é uma verdadeira bomba, finaliza jogadas com remates fortes, carregados de veneno e raiva; Marshall tem na experiência a sua principal virtude que alia na perfeição com o sentido posicional. O WikiSporting refere mesmo que o cubano foi protagonista das maiores impulsões registadas na modalidade, chegando quase aos 1.70m de altura.

Hugo Silva ainda tenta que os reforços leoninos adquiram a tão almejado entrosamento coletivo para que não falhe o assalto ao bicampeonato nacional
Fonte: Sporting CP

Contudo, esta equipa ainda está a adquirir processos e filosofias de jogo. Foi precisamente isso que Hugo Silva disse ao Jornal Sporting desta semana: “Quando não ganhámos são erros que se cometem. Como tenho vindo a dizer: precisámos de criar mecanismos de coletivo, de grupo. São coisas que nos estão a faltar, tendo em conta ser uma equipa nova. Temos de melhorar esse aspeto da ligação entre os jogadores”.

Convém lembrar que é já este sábado (20/10) que se defrontam Sporting e Benfica no Pavilhão João Rocha. Será oportuno não perder da memória que a formação leonina tem já duas derrotas contra os eternos rivais nesta temporada, a primeira no Torneio das Vindimas, ainda em fase de pré-época, e a outra na Supertaça, com uma derrota estrondosa por três a zero. Uma vez que estamos a recordar algumas efemérides dolorosas para o leão campeão, relembremos também as palavras de Hugo Silva após a vitória frente ao Famalicense para o Campeonato Honda: “O peso desta camisola é grande. Estou convencido de que alguns jogadores estão a sentir isso, também porque foi a primeira vez que jogaram aqui. Começaram a sentir o peso da camisola deste o primeiro set”. Que sintam esse peso já no jogo contra o Benfica para o campeonato nacional.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Salvio vs Rafa

0

De um lado do “ringue”, natural da América do Sul, com 172cm e 66 kg, “El toto” Salvio! Do outro lado do “ringue”, o português, o craque que explodiu no Sporting de Braga, o jogador de 170cm e 72 kg, Rafa Silva!

É isto, caros leitores. O meu texto desta semana coloca frente a frente dois nomes que têm sido os responsáveis pelo futebol praticado no lado direito do ataque encarnado. A verdade é que estes dois jogadores, diferentes entre si, partilham ao mesmo tempo de características muito semelhantes. Desde o aspeto físico, altura e peso, estes jogadores partilham de um futebol jogado também ele muito semelhante. Salvio, o camisola dezoito, é talvez o mais tecnicista jogador entre ambos. A sua procura constante pela finta, muitas vezes a mesma o que já levou a que muitos adversários conseguissem parar os seus movimentos, a facilidade com que toca e transporta a bola, mostram que em jogos com adversários mais acessíveis, o jogador seja a escolha mais frente.

Do outro lado, temos um jogador de velocidade. Um jogador que ao longo da sua carreira mostrou ser rápido, tanto nas alas como a jogar no centro do terreno. O Rafa é para mim um jogador que deva ser utilizado em jogos de elevada dificuldade. E porque? Porque a sua velocidade pode ser determinante para combater frente a adversários que estejam mais atentos a um futebol mais técnico do que veloz.

Rafa queria chegar, ver e vencer, mas também não conseguiu. Muito por falta de espaço e pressão das expectativas criadas
Fonte: SL Benfica

A questão é que tanto Salvio como Rafa já tiveram os seus anos de sucesso. O argentino, tanto na primeira época de empréstimo, como nos primeiros passos em definitivo no Sport Lisboa e Benfica, existia um Salvio muito forte tanto no um para um como em outro tipo de jogadas. O tempo passou e a, digo eu, desejada saída do clube, foi aquilo que faltou ao próprio para explodir. Deixou-se ficar, temporada após temporada, e nunca deu o desejado e necessitado salto. Essa falta de momento fez como que nunca mais fosse o Toto Salvio que conhecemos.

Rafa, por outros motivos, e segundo alguns treinadores de bancada, também não até ao momento aquilo que era pedido, devido ao valor que foi pago pelo seu passe. O Rafa chegou a ser, se ainda não é, o jogador mais caro da história do clube. Um valor alto para o mercado nacional, tanto a ser pago pelo Sport Lisboa e Benfica como recebido pelo Sporting Clube de Braga. Depois, e devido ao elevado número de atletas para fazer as alas encarnadas, Rafa viveu sempre na sombra dos colegas e quando entrava mostra falta de ritmo de trabalho. Esse fator, e outros que podemos não conhecer, fez com que Rafa nunca chegasse a mostrar nos relvados o valor e a expectativa que depositamos sobre o seu futebol.

Dois jogadores. Quatro pés. Ainda dois tantos. E Muito futebol para dar.

Foto de Capa: SL Benfica

De Kokorin e Mamaev a um problema cultural

0

Foi no dia 7 de outubro que Zenit St.Petersburgo e FK Krasnodar se encontraram, num jogo que terminou com vitória da turma de St. Petersburgo por 2-1. Mas o resultado até é o mais irrelevante nesta história. No fim do jogo, Aleksandr Kokorin e Pavel Mamaev, adversários em campo mas amigos fora do mesmo, juntaram-se para celebrar o 10º aniversário da sua amizade.

Alugaram um vagão inteiro do TGV que liga St.Petersburgo a Moscovo e logo aí começaram a desencadear desacatos com os elementos da tripulação, consumindo todo o álcool disponível. O que foram fazer a Moscovo? Foram a um famoso bar de alterne, onde ficaram até às 7h do dia seguinte. Sem terem medo de dar nas vistas, seguiam pelas ruas da capital russa, perturbando quem lá passava e danificando várias viaturas estacionadas. Alertados por várias pessoas, que pediram para que parassem com tais comportamentos, os dois jogadores reagiram com violência, agredindo uma das pessoas que interveio, por coincidência chefe de um dos canais mais importantes da televisão russa.

Nesta longa odisseia, entraram num café por volta das nove da manhã. Mais uma vez, a sua má conduta veio ao de cima, tendo um individuo tentando tranquilizar os dois jogadores, que contestaram com frases xenófobas “Chinês, não chateies. Vai para o teu país pedir ordem”. Mas a resposta não ficou por aqui, tendo passado para a violência, agredindo varias pessoas com socos e com cadeiras, entre as quais dois dos mais altos funcionários do estado russo.

Poucas horas depois, terão oferecido cinco milhões de rublos para que os donos do café apagassem os registos das câmaras de videovigilância, algo que não foi aceite. No dia seguinte, foram notificados a comparecer perante a polícia para prestarem declarações, tendo ambos admitido os factos e ficado em prisão preventiva até 8 de dezembro, dia em que se saberá o veredicto final. Os dois clubes suspenderam de imediato os contratos dos jogadores, esperando também eles o desfecho judicial para tomar medidas mais drásticas.

Outro caso polémico recente envolvendo jogadores russos foi o de Denis Glushakov, que foi apanhado pela sua mulher com uma prostituta, que o jogador diz ser… uma amiga de infância. A mulher filmou tudo e publicou o vídeo, tornando-se viral.

Estes são apenas dois de uma imensidão de problemas disciplinares de jogadores russos nos últimos anos. No entanto, estes recebem maior atenção por se tratarem de jogadores internacionais e de referência para muitos jovens. Depois do sucesso que foi receber o Mundial, não só pela organização excelente bem como o digníssimo desempenho da seleção, eliminando a Espanha e apenas caindo nos penáltis perante a Croácia, espera-se que o futebol crescesse exponencialmente no país, influenciando positivamente os mais jovens, pelo que casos destes só vêm devastar o que tão bom foi feito.

Infelizmente, o sangue soviético parece não coadunar com os valores necessários para ser uma referência do desporto rei, podendo até pensar-se numa correlação entre a cultura russa e o falhanço no futebol. O futebol exige profissionalismo, determinação, sacrifícios entre muitas outras valências, algo que os russos não parecem conseguir levar muito a sério.

Foto de capa: Ktelegram.com

Artigo revisto por: Jorge Neves