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O homem que é feliz a jogar à bola

Tem vinte e quatro anos, um metro e sessenta e quatro de altura, sessenta e quatro quilos e é feliz a jogar à bola – Shoya Nakajima!

É verdade. O sorriso que este jogador solta depois da disputa de cada lance é impagável. Cada vez que pega na bola, faz-se magia. Não desiste de nenhum lance, é um autêntico sempre em pé e quando vai direto à baliza… Bem, saiam da frente e deixem-no passar! Que o digam os jogadores do Sporting, não é verdade? E por falar nisso… Que jogo, que entrega! Dois golos e duas assistências. É preciso dizer mais alguma coisa? De Nakajima, já estamos habituados a boas exibições, mas o jogo de domingo foi mesmo uma noite de inspiração para o extremo.

Está a tornar-se num autêntico herói para os lados de Portimão, mas a sua fama tem ido muito mais para além de Portugal. Clubes como o Shaktar, Estugarda, PSG e Galatasaray têm estado atentos ao número 23 do Portimonense. No seu país, é já a estrela da companhia na imprensa japonesa, mas parece que o que o jogador gosta mesmo é de Portugal. Nakajima já dá uns toques no português. Decerto que não será tão habilidoso como o é com a bola, mas bem sabemos que ninguém é perfeito.

O japonês tem, neste momento, uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros
Fonte: Portimonense SC

Em relação à gastronomia, o bacalhau encanta o japonês assim como os seus arranques desenfreados nos encantam a nós quando o vemos jogar. Para férias, o seu destino de eleição também foi o Algarve. E tudo isto leva mesmo a crer que a sua permanência por mais uns tempos em Portugal até pode ser uma hipótese bem válida. A questão é: no Portimonense ou, quem sabe, em algum dos três grandes? Isso é difícil de precisar neste momento, mas a verdade é que, caso a sua permanência no país acontecesse, os adeptos de Portugal agradeceriam. Era, com certeza, garantia de mais magia e mais espetáculo dentro das quatro linhas.

Chegou ao Portimonense SC a título de empréstimo, mas a história não podia e nem vai ficar por aqui. Neste momento, a sua cláusula de rescisão é de 40 milhões de euros, vejam bem! Interessados não faltam, mas a SAD do clube algarvio é bem clara: a menos da cláusula, o Nakajima fica em Portimão. E olhem que ainda ninguém fez birras para sair… Nem jogador, nem empresário. Faltam mesmo jogadores como este no futebol moderno. Será que a cultura japonesa tem influência nesta postura séria e de compromisso? Dá que pensar… Que apareçam mais Nakajimas no campeonato português então. O público agradece!

O futuro do japonês só o tempo o dirá, mas não tenho dúvidas de que este vai sorrir a Nakajima, assim como o jogador sorri quando pega numa bola.

 

Foto de Capa: Portimonense SC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

CUL 18/19 – AEFCT 1-2 AEISCAL: Jogo tão frio quanto a noite

Na estreia de ambas as equipas nesta edição dos Campeonatos Universitários de Lisboa, AEFCT e AEISCAL não proporcionaram um grande espetáculo de futebol. Percebeu-se, desde muito cedo, que as duas equipas estavam muito focadas na conquista dos três pontos e, por isso, salvaguardaram muito as suas estratégias defensivas.

Foi mesmo a equipa da AEISCAL que começou melhor. Ainda não estavam decorridos dez minutos da partida, e numa jogada de ataque rápida os homens da Avenida Miguel Bombarda abriram as hostilidades no marcador. Ainda no primeiro tempo, foi a vez Rafael Pinho, guarda-redes da AEISCAL, brilhar: adivinhou o lado e defendeu um penalti.

A festa dos jogadores da AEISCAL
Fonte: Inês Catarino/ADESL

Porém, a AEFCT chegou mesmo ao empate. Depois disso, o jogo tornou-se muito desequilibrado e foi graças mesmo de bola parada que a AEISCAL chegou à vantagem no marcador. Até ao final da partida, o marcador não mexeu mais e os homens do ISCAL conquistaram mesmo a vitória.

Flash Interview:

Foto de Capa: Inês Catarino/ADESL

CUL 18/19 – AEFML 2-2 AEFEUNL: Dr. Mário salva médicos da taxa de Relveiro

Num jogo a contar para a primeira jornada do Campeonato Universitário de Lisboa, estiveram frente a frente a Faculdade de Medicina de Lisboa e a Faculdade de Economia da Nova de Lisboa. Os “Economistas de Carcavelos”, campeões na temporada 2016/2017, procuravam, contra os “Médicos do Santa Maria”, começar da melhor forma a época da reconquista.

Com um jogo maioritariamente de posse, a AEFEUNL ia assumindo as rédeas do encontro, fazendo circular a bola pelo chão e de forma pensada. Já a AEFML ia optando por bombear a bola na frente, em busca do avançado Mário. Até ao final do primeiro tempo, a maior chance de golo ocorreu aos 27 minutos: Relveiro não conseguiu converter com sucesso o penálti a favor de “Economia”.

As duas equipas em preparação para o encontro
Fonte: Inês Catarino/ADESL

No primeiro minuto da segunda metade, o golo finalmente apareceu no sintético do Estádio Universitário de Lisboa: Mário atirou sem hipóteses à baliza de Garcia. Estava feito o 1-0 para “Medicina”.

Mas os homens de Pedro Oliveira, com destaque para Relveiro, não se mostravam conformados com o resultado. Aos 61 minutos, o camisola ‘18’, cujo pé esquerdo faz lembrar Fernando Chalana e Paulo Futre, cruzou bem para Joaquim Pocinho, que fez o 1-1 na partida. Uns minutos depois, o central Nuno acabaria por ver o segundo amarelo, obrigando a AEFML a jogar com dez elementos até ao final.

Relveiro voltaria a ser decisivo aos 82, quando fez o 2-1 para a Nova. Contudo, “cá se fazem, cá se pagam”: em cima do apito final, Mário, com um grande pormenor técnico, bisou na partida. O resultado final era de 2-2, numa partida em que o número ‘15’ dos “Médicos” brilhou, à semelhança dos “Economistas” Relveiro e Ricardo.

Onzes Iniciais:

AEFML: JoãoNeto, Afonso Pereira, Henrique Nunes, Gonçalo Falcão; Gonçalo Quinteiro, Rúben Simões, Tiago Nascimento, Nils Gohringer, João Tanque; Mário Andrade.

AEFEUNL: Gonçalo Garcia, Nuno Campos, André Pereira, Luís Martins, João Oliveira; Ruben Pratapsinh, Ricardo Soyoye, Youssef Shelbaya; Tomás Branco, Diogo Relveiro, Paul von Hinueber.

Flash Interview:

Jogo Completo:

 

Foto de Capa: Inês Catarino/ADESL

CUL 18/19 – AEISEG 2-3 AEIST: Reta final da partida valeu o bilhete

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O Campeão em título, o AEIST, começava a defesa do troféu frente à equipa do AEISEG. Na primeira parte, os campeões tiveram alguma dificuldade em conseguir dar a volta aos homens do ISEG. Um jogo muito disputado a meio-campo, muito físico, onde as defesas ganhavam os duelos aos ataques, portanto sem grandes ideias ofensivas.

Os Engenheiros da Alameda eram quem ditavam as regras e tinham o controlo, criando algumas oportunidades mas tinham sempre a boa réplica do ISEG.  Os jogadores de Santos conseguiram bater-se bem com o campeão em titulo e foram premiados com um golo já perto do final da primeira parte e que golo, um dos melhores desta jornada, de livre directo. A equipa do Técnico quis responder, atacou, mas esbarrou sempre da combativa defesa do ISEG, que por duas vezes tirou o pão da boca aos campeões.

Ao intervalo, a AEISEG surpreendia a AEIST com a vantagem por um golo, numa primeira parte nem sempre bem jogado e onde os campeões nacionais só se podem queixar de si próprios.

Foi um jogo muito disputado entre as duas equipas
Fonte: Inês Catarino/ADESL

Já na segunda parte, os homens da Alameda chegaram mesmo ao empate e partir daí não mais pararam. Contudo, foi nos minutos finais que o jogo mais animou. O Técnico chegou à vantagem no marcador, mas essa mesmo vantagem não durou muito. No lance imediatamente a seguir, o ISEG restabeleceu a igualdade.

O parecia que ia terminar empatado mas os engenheiros não gostavam muito da ideia. Após uma assistência do defesa esquerdo Telmo (fez três só neste jogo) o ponta de lança aplicou um fantástico pontapé de bicicleta e deu assim os três pontos à AEIST.

Flash Interview:

 

Jogo completo:

Foto de Capa: Inês Catarino/ADESL

Artigo de opinião de André Conde e Guilherme Anastácio

Polónia 2-3 Portugal: vencer sem sofrer não é mesmo connosco

Portugal eliminou a Seleção Polaca nos quartos do último Europeu, mas teve de ser com recurso às grandes penalidades. Desde 2002 que a nossa Seleção não vencia a Polónia (4-0 no mítico Mundial da Coreia), e desde então já se disputaram quatro jogos: esse do Europeu (empate), mais dois empates (jogos de qualificação para o Euro 08’), e uma derrota por 2-1…

É com esse “saldo recente” que se perspetivou este embate a contar para a 3ª Jornada de uma prova bem atual: A Liga das Nações. Mesmo jogando fora, Portugal é sempre favorito diante uma seleção de menor nível. Contudo, uma Polónia que pede a desforra, e com Piatek, que brilha em Itália, e Lewandowski, nada é garantido à priori.

Logo após o apito inicial foi notória a superioridade portuguesa e a vontade de ter e jogar a bola. Uma seleção que se apresentou como personalizada, muitas caras novas, mas com provas dadas. Ficou bem elucidada a veemência das corridas na lateral direita por Cancelo, foi por ele que passou o primeiro lance de perigo do jogo. A Polónia mostrava-se interessada em disputar o jogo, e ia aparecendo através de lances de bola parada.

Foi dessa forma que os da casa se adiantaram no marcador: o jovem que se tem destacado através do Génova CFC, Piatek, salta mais alto que Cancelo, seu marcador direto no lance, e fatura. Fernando Santos apanhado de surpresa, mas certamente que esperava perigo no jogo aéreo…

Rafa, Pizzi e André Silva mostravam-se bastante em jogo e criavam sucessivos lances de perigo: logo após o golo polaco, Rafa é apanhado em fora de jogo quando estava na cara do golo; numa jogada de insistência de Cancelo, Pizzi e Rafa, respetivamente, veem o seu remate intercetado pelo bloco adversário… Não intercetado foi o encosto de André Silva para o golo. O sevilhano está de pé quente e voltou a marcar! Veio em bom momento, já que a superioridade portuguesa era bem notória, mas não transcrito no resultado. Rafa deu a volta quando faltava já pouco para o descanso: tira Fabianski do caminho, e ainda vê Glik fazer o favor de introduzir a bola na baliza! Ficou assim feito o 1-2, resultado justo ao intervalo.

As equipas voltaram ao terreno de jogo, bola a sair para Portugal. Da parte anfitriã, não regressou o lateral, Bereszynski, que cedeu o lugar a Kedziora. Com melhores individualidades, Portugal mantinha a estratégia: combinações entre Bernardo, Rafa, Pizzi e André Silva, coadjuvados por William, Mário Rui, e Cancelo, que iam insistindo em furar pelo meio. Mas foi a Polónia a tentar primeiro na segunda parte: Zielinski, à meia distância, fica perto do alvo. Mas o talento português sobressaía, e Bernardo amplia para 3-1. Com naturalidade, diga-se, já que numa incursão da direita para o meio, uma das peças fundamentais do Manchester City FC fez um excelente golo, o guarda redes nada pôde fazer…

Bernardo atira para o 3-1
Fonte: UEFA

Portugal, paulatinamente, ia-se mostrando menos intenso e viu a Polónia reduzir… Blaszczykowski, o único a falhar na decisão de grandes penalidades no Euro 2016, de primeira, dispara e Patrício sem meios de evitar o segundo polaco… Os comentadores reiteram que a bola já tinha transposto a linha de fundo, ou seja, com recurso ao videoárbitro, o lance seria invalidado…

Com este golo o jogo ficou mais animado, ânimo esse incutido, claramente, pelos presentes na bancada! Mas foi Renato quase a sentenciar o jogo: ultrapassou Fabianski mas não conseguiu enganar Kedziora, que alivia para canto. Portugal controlava o jogo, agora com bola, sem tanto o recurso à expetativa pela iniciativa adversária. Renato deu ali uma frescura no espaço intermédio que Pizzi já não dava.

O recém-entrado, Bruno Fernandes, também poderia ter elevado a contagem para os 2-4, porém, após passe de André Silva e sem guarda redes na baliza, atira por cima…. Foi a última grande oportunidade de golo do jogo.

Um jogo que, no final fica visto como fácil ou tranquilo, poderia muito bem não o ser. Portugal tende a facilitar em vários momentos do jogo, que podem dificultar a busca de um resultado ideal. Ao fim ao cabo, Portugal passa no teste e já vão seis pontos em dois jogos neste grupo A da Liga das Nações!

Polónia: Fabianski, Bereszynski (Kedziora 46’), Glik, Bednarek, Jedrzejczyk, Zielinski, Krychowiak, Klich (Blaszczykowski, 63’), Kurzawa (Grosicki, 64’), Piatek, Lewandowski;

Portugal: Patrício, Cancelo, Pepe (C), Ruben Dias, Mário Rui, William, Pizzi (R. Sanches, 74’), Ruben Neves, Rafa (Danilo Pereira, 84’), Bernardo (Bruno Fernandes, 90’), André Silva.

De Vila Real, rumo ao Jamor!

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Está de regresso a Festa da Taça. A nova paragem no campeonato volta a servir para os compromissos das seleções, mas também para o regresso da prova rainha do futebol nacional. Para os dragões, a sorte ditou uma deslocação ao terreno do Vila Real, que milita nos distritais.

Pode ser considerada mais uma versão do David contra Golias e é essa mesmo a magia da Taça. O dia em que “os pequenos” ficam satisfeitos por receber um “dos grandes” na sua casa, mesmo com a total consciência de que o cenário mais provável é o afastamento da competição. Ainda assim, é precisamente nesta história da Taça que se escrevem muitos capítulos de encantar, muitos momentos em que a realidade foi mais forte do que a expetativa e em que, na prática, o David levou mesmo a melhor sobre o Golias.

Nesta terceira eliminatória, são 18 os jogos que opõem formações da primeira liga a outras de escalões inferiores. Ao FC Porto, saiu em sorte um emblema dos distritais, a atuar na Associação de Futebol de Vila Real. É, à partida, um jogo fácil para os dragões, os campeões nacionais. Mas é, sobretudo, um jogo em que se antecipam muitas mudanças no onze titular, num plantel que, nessa semana, se desloca à Rússia para atuar num palco de outras dimensões, o da Liga dos Campeões.

Voltando à Taça de Portugal, a participação da época passada ficou marcada pelo afastamento nas meias-finais, no estádio de Alvalade. O percurso, esse, teve início em Évora, com uma goleada por 0-6. Ainda assim, a surpresa parecia chegar na quarta eliminatória, em pleno Dragão: um Portimonense ousado recuperou do 1-0 sofrido logo aos cinco minutos, colocou-se a vencer por 1-2 aos 69’ e apenas se deu por vencido bem para lá dos 90, com dois golos do FC Porto (aos 90+1 e 90+6) a carimbarem a reviravolta.

A vitória caseira por 1-0 no encontro com o Sporting, da primeira mão das “meias”, deixou os adeptos a sonharem com o regresso ao Jamor, mas depois do clássico na Luz não houve fôlego para segurar a vantagem na eliminatória. O golo de Coates aos 84 deixou tudo empatado e, no desempate por grandes penalidades, valeu aos leões a desinspiração da Marcano.

A última vez que o FC Porto venceu a Taça de Portugal foi na época 2010/2011
Fonte: FC Porto

Quanto ao Vila Real, adversário deste primeiro encontro, apenas se cruzou no caminho azul e branco por seis vezes, sendo que quatro delas foram precisamente na Taça de Portugal e o confronto mais recente ocorreu em 1991. O histórico é claramente favorável aos dragões, que marcaram 35 golos nos seis jogos, sofrendo apenas dois! Para chegar a esta fase da prova, este Vila Real eliminou duas formações de escalão superior, a atuar no Campeonato de Portugal. Primeiro o Torcatense e depois, nas grandes penalidades, o Sanjoanense.

Ainda assim, esta parece ser mais história sem lugar para surpresas, uma daquelas em que o primeiro capítulo deixa antever o final. A superioridade do FC Porto e a vontade de regressar ao Jamor, para vencer um troféu que escapa desde 2011, dificilmente será levada de vencida, embora haja sempre espaço para uma última palavra do Vila Real. Certo é, isso sim, que a “Festa da Taça” também vai passar por Trás-Os-Montes.

 

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Cruzeiro muito perto de conquistar o sexto título da Copa do Brasil

Cruzeiro e Corinthians fizeram, na noite desta quarta-feira (10), o primeiro jogo da final da Copa do Brasil, no Mineirão, em Belo Horizonte. A equipe mineira venceu os paulistas por 1 x 0 e poderá até empatar o próximo jogo para ser campeão. A próxima partida entre as duas equipes acontecerá na próxima quarta-feira (17), na Arena Corinthians, em São Paulo.

Vivendo momentos totalmente opostos no futebol brasileiro, tanto o Cruzeiro quanto o Corinthians, fora da Libertadores e praticamente sem chances de êxito no Campeonato Brasileiro, buscam o título da Copa do Brasil para salvar o Ano. Vale ressaltar que neste ano, a premiação da Copa do Brasil será de 50 milhões de Reais, valor maior que as premiações pagas aos campeões das principais competições, nacional e continental.

A vantagem técnica do Cruzeiro no primeiro jogo foi visível, até mesmo para aqueles que não entendem de futebol. Com uma equipe extremamente limitada, o Corinthians jogou na raça e usou as bolas paradas para tentar levar perigo à defesa adversária. Já o Cruzeiro, equipe treinada pelo experiente Mano Menezes, é mais técnica e organizada taticamente. Foi o típico confronto entre pragmatismo versus emoção. Nessa primeira disputa venceu o pragmatismo.

Jogadores do Corinthians reunidos antes do jogo contra o Cruzeiro
Fonte:Agência Corinthians

O jogo que foi vencido pelo placar mínimo poderia ter sido uma goleada, mas não foi, talvez por azar cruzeirense ou pela falta de capricho nas finalizações. Foram 11 chutes do time da casa e apenas 3 acertaram o gol. Já os corinthianos que não tiveram nenhuma chance clara de gol, mal conseguiram trocar quatro passes sem perder a bola, no campo de ataque adversário. A vitória por somente um gol de diferença não agradou aos jogadores cruzeirenses, que poderiam ter “matado” a disputa no primeiro jogo.

Jair Ventura, o jovem treinador do Corinthians, ainda não conseguiu organizar o ataque do time, que carece de criatividade e, sobretudo, velocidade. Os paulistas jogam por uma bola e quando saem à frente do placar se fecham na defesa, obrigando o adversário a sair mais pro jogo. Foi essa estratégia que fez o Corinthians vencer o então favorito Flamengo nas semifinais da competição. O Cruzeiro, por sua vez tem um time mais compacto, dá a bola ao adversário e joga nos contra-ataques, o resultado disso está descrito nos números da partida, pois apesar de não criar nenhuma chance de gol, o Corinthians teve 53% de posse de bola, enquanto a equipe mineira teve 47%.

O jogo da volta, que será em São Paulo, promete ser uma das partidas do futebol brasileiro mais emocionantes do ano. Aos olhares de sua fanática torcida, o Itaquerão será um verdadeiro caldeirão em favor do Corinthians, que precisa mais do que nunca ser frio, estratégico e efetivo para ficar com o título da Copa do Brasil. Apesar da vantagem cruzeirense, obtida no primeiro jogo, a disputa encontra-se totalmente aberta, no entanto, se as posturas das equipes forem iguais ao primeiro jogo, o Cruzeiro está muito perto de conquistar seu sexto título da Copa do Brasil.

Foto de capa: Cruzeiro

 

Carta Aberta a José Peseiro

Caro mister, perdoe-me a cordialidade e a frontalidade nas minhas palavras mas não posso deixar passar ao lado o momento que o clube vive e muito menos deixar de expressar a tristeza que tenho sentido, a tristeza que muitos de nós temos sentido. Por vezes é um sentimento de um enorme vazio dentro de nós, parece algo que já sentimos outrora e que agora parece algo estranho por termos sido privados desse tipo de sentimento durante alguns anos. E sabe porquê? Porque o paradigma tinha mudado com a anterior direção. Existia pujança, esforço, dedicação, devoção e glória. Principalmente nas modalidades, algo que tarda em aparecer no futebol profissional.

No entanto, existiu uma clara melhoria a nível de resultados e ficamos muito mais competitivos. Deixamos de ser motivo de chacota e passaram a contar connosco na luta pelo titulo novamente. E agora sentimos, nós os verdadeiros adeptos e os verdadeiros sócios, que estamos novamente no rumo errado. Que o paradigma voltou a mudar para o clube amigo e das elites que tanto caracterizou o clube, o tal clube dos croquetes, onde a exigência voltou a não fazer parte do quotidiano leonino. Voltamos a ser gozados, voltamos a permitir que façam o que quiserem do nosso clube e dos nossos jogadores. Tal como eu, há muitos sócios e simpatizantes que não nos lembramos de ver o clube ter sido campeão e, no entanto, não desmobilizamos. Somos uma massa adepta jovem, viva e cada vez somos mais leões. E por isso mesmo, não posso – nem podemos deixar passar em claro o momento que o clube vive.

Reconheço que a culpa não é inteiramente sua, existe muitos erros da Comissão de Gestão e da actual direcção do Dr. Frederico Varandas. Mas hoje, dirijo-me exclusivamente ao mister, falando da sua quota-parte e dos erros que tem cometido neste ainda precoce inicio de época.

Apesar de reconhecer a coragem que teve para pegar no projeto na situação em que estava o clube e apesar de respeitar o trabalho de toda a gente, principalmente, no mundo do futebol, nunca fui seu fã e não reconheço em si as capacidades para ser um treinador de clube grande ou dos chamados clubes de top europeu e mundial.

Não tem capacidade para gerir e treinar num clube com os objetivos do Sporting. Já a primeira passagem por Alvalade não foi feliz, apesar de concordar com segundas oportunidades, era mais que sabido que a sua segunda passagem tinha tudo para correr mal. O Sporting precisa de gente nova, de nova pujança, de novos conhecimentos. O futebol evolui de dia para dia, principalmente taticamente e o mister ficou preso ao passado. O Sporting nos dias que correm não tem um fio de jogo, não tem ideias, vive das poucas individualidades que existem no plantel e que fazem por vezes a nossa sorte surgir um pouco e sobrepor-se assim à péssima performance coletiva.

José Peseiro tem demonstrado imensas dificuldades no comando técnico dos leões
Fonte: Sporting CP

Vamos por partes: Primeiro, tenho gostado muito de ver o mister a passear pelas praças de toiros pelo país. Das duas uma: ou está à procura de novo emprego para si ou para o Battaglia. E já que se fala no Battaglia, explique-me como é que um jogador do Sporting pode estar dentro de campo com sono? Visível nas imagens televisivas, não há desculpa. Para mim é muito mais grave estar em campo com sono, a andar em campo, sem atitude, sem garra do que por exemplo acontecer como aconteceu com o Matheus Pereira e que acabou por afastar do plantel um dos nossos melhores jogadores. Esse certamente teria vontade em demonstrar todo o seu potencial. É certo que os jogadores têm de ser profissionais, mas sabe tão bem como eu, que com os melhores jogadores estamos sempre mais perto de ganhar. E o actual plantel leonino não abunda em grandes opções muito menos opções ofensivas. Gostava de saber se viu essas imagens, se falou com o jogador, se lhe deu alguma reprimenda. Mas provavelmente o jogador por ter sono, ficou mais perto de receber um aumento no salário.

Segundo, como é que um jogador que rescinde contracto, volta ao clube, é promovido logo a capitão? Como é que ficará o ambiente no balneário? Como? Sinceramente eu não acredito que o ambiente seja bom ou que seja bom entre todos. Visto que rescindir e voltar ao clube dá mais regalias do que ficar sempre no clube e nunca lesar o clube em nada. Jogadores como Montero, Coates ou até Mathieu merecem muito mais esse estatuto no balneário. E é assim que se ganha um balneário. A imagem que passa tanto para dentro como para fora não é nada positiva. Mas foi como lhe disse, passamos a ser um clube amigo e em que a exigência voltou a ser zero. A dedicação e o compromisso voltou a ser zero.

Instabilidade exibicional justificada!

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O início de época do FC Porto não tem sido propriamente brilhante quer ao nível das exibições, quer ao nível dos resultados. Com duas derrotas e dois empates em 11 jogos realizados, não se pode dizer que seja um arranque excecional, mas existem algumas justificações para estes números.

Relativamente à época passada é notório um decréscimo de qualidade no futebol produzido e consequentemente nos resultados. Um dos fatores que, na minha opinião, mais tem contribuído para este arranque menos conseguido são as lesões. Mbemba mal chegou teve uma lesão complicada, Danilo regressou recentemente e ainda longe da sua melhor condição física, Soares também passou pelo “estaleiro” e mais recentemente Aboubakar, o mais azarado, terminou a época com uma lesão gravíssima.

A estes fatores temos de juntar um ano atípico devido a realização do Mundial de futebol. Jogadores como Herrera e Corona chegaram muito mais tarde e, principalmente, Herrera ainda está muito longe dos níveis exibidos na época passada, o que é perfeitamente normal.

Brahimi, Marega e Éder Militão também chegaram mais tarde aos trabalhos de Sérgio Conceição, tendo Marega passado por um problema disciplinar (já resolvido) que atrasou ainda mais a sua integração.

São vários os fatores que contribuem para esta oscilação exibicional, mas não podemos esquecer que a Supertaça foi conquistada, que na Liga dos Campões os objetivos estão a ser cumpridos e que no campeonato o FC Porto depende apenas de si próprio para revalidar o título.

O regresso de Danilo vai ser preponderante na melhoria do FC Porto
Fonte: FC Porto.

A fragilidade defensiva e a menor capacidade nos duelos individuais tem sido os dois pontos onde se tem notado uma diferença grande relativamente à época transata. Numa defesa onde saíram dois titulares e, onde os reforços por diversas razões demoraram a chegar, é perfeitamente aceitável esta menor eficácia. Nos duelos individuais (principalmente no meio-campo) onde o FC Porto era fortíssimo, a justificação também não é difícil de encontrar, com Danilo a regressar recentemente e com Herrera ainda na busca da melhor forma, os índices de duelos ganhos baixaram drasticamente.

Com os reforços perfeitamente integrados, com a subida de rendimento que certamente irá acontecer de jogadores como Herrera, Danilo, Soares e com André Pereira a poder fazer as vezes do azarado Aboubakar, o FC Porto continua a ser, na minha opinião, o mais sério candidato ao título. Um fator determinante para isto são as variantes táticas que Sérgio Conceição consegue criar a partir de características individuais dos jogadores, algo que os seus “rivais” não conseguem, onde o seu jogo é bastante mais previsível.

 

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

A nova vida de Fábio Coentrão: análise individual e tática

Protagonista de uma das transferências mais surpreendentes do último defeso, o regresso de Fábio Coentrão ao Rio Ave FC tem-se revelado mais que acertado, tanto para ele, para a equipa, como para o nosso campeonato.

Com apenas 30 anos, o internacional português por mais de 50 ocasiões (52 jogos, cinco golos pela seleção Nacional), rescindiu com o atual tricampeão da Europa e bicampeão mundial, Real Madrid CF, e assinou por uma época com o clube que o formou e lançou a nível sénior.

Trajeto

Coentrão deu nas vistas logo na sua primeira época de sénior. Aposta de João Eusébio, na II Liga Portuguesa, Fábio marcava a diferença pelas suas arrancadas pela esquerda, atuando como extremo esquerdo. De drible fácil, veloz e bastante atrevido, o miúdo das Caxinas começou logo a ser cobiçado pelos três grandes e, logo no verão de 2007, com apenas 19 anos, Coentrão assina pelo SL Benfica a troco de 900 mil euros.

Para surpresa de muita gente, o jovem talento conseguiu convencer Fernando Santos e ficou no plantel até janeiro, realizando 7 jogos. Depois seguiu-se um empréstimo muito bem sucedido ao CD Nacional, onde se afirmou rapidamente e conseguiu quatro golos em 16 jogos.

Na época seguinte, Coentrão foi extremamente cobiçado e, sem a garantia de ser uma aposta recorrente na Luz, acabou por rumar à Liga Adelante para reforçar o Real Zaragoza de Marcelino Toral (atual técnico do Valencia CF). Foi um fiasco, tendo realizado apenas um jogo e saindo logo em janeiro para o Rio Ave CF, onde voltou a destacar-se.

Fábio Coentrão regressou esta época à equipa que o viu ‘nascer’ para o futebol
Fonte: Rio Ave FC

A carreira de Coentrão começa a engrenar no caminho do estrelato na época 2009/2010, com Jorge Jesus. O mítico técnico português apostou em Coentrão não a extremo esquerdo, mas sim a defesa esquerdo. Considerado irreverente e até ‘indisciplinado taticamente’, esta adaptação foi surpreendente, mas fez furor e mudou a vida do jogador. Em duas épocas pelo SL Benfica, Coentrão fez 90 jogos oficiais e marcou 8 golos, saindo, no verão de 2011, para o Real Madrid CF por 30 milhões de euros.

Lutando com Marcelo pela titularidade, Coentrão conseguiu jogar com regularidade nas duas primeiras épocas pelos ‘Merengues’, perdendo espaço nas duas épocas seguintes. Seguiu-se um empréstimo ao AS Mónaco, regresso ao Real Madrid CF e novo empréstimo, na época passada, ao Sporting CP. Atuando sempre na ala esquerda, Fábio, em todas estas temporadas, alinhou quase exclusivamente a defesa esquerdo, sendo utilizado pontualmente a extremo.