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FC Paços de Ferreira e CD Aves de costas voltadas

Ao que parece, CD Aves e FC Paços de Ferreira estão de costas voltadas. E, mais uma vez, aqueles que deveriam dar o exemplo não fazem nada mais, nada menos, do que incitar o ódio com as suas tomadas de decisão.

O Desportivo das Aves decidiu cortar relações com o clube Pacense por um acumular de situações. Como todos sabem, o jogo entre estes dois emblemas foi realizado à porta fechada por má conduta dos adeptos do Paços de Ferreira. Acontece que, face a esta decisão do tribunal, o Paços de Ferreira ainda tentou o recurso, mas acabou mesmo por prescindir do mesmo apenas dois dias antes do respectivo jogo. Sendo assim, o Aves apenas soube que iria disputar esse jogo sem adeptos, dois dias antes do duelo. Não foi apenas o clube que ficou lesado, mas também os seus adeptos que já haviam comprado bilhete. Uma situação difícil de gerir, portanto.

O Paços jogou contra o CD Aves, para a Taça da Liga, à porta fechada devido ao mau comportamento dos seus adeptos
Fonte: FC Paços de Ferreira

Apesar de o clube das Aves ter manifestado, desde logo, o seu desagrado perante a situação, o jogo realizou-se mesmo à porta fechada e nenhuns entraves foram postos quanto a essa questão. Mas a verdade é que outros fatores contribuíram para que o desfecho desta história fosse mesmo o corte de relações entre os dois emblemas. Um dos quais, uma bandeira! É verdade. Parece que a bandeira do Aves desapareceu depois da habitual troca entre os emblemas antes do apito inicial e isso foi a gota de água para que o cessamento de relações se desse.

Para além disto, e depois de o jogo ter acabado, adeptos castores foram ao encontro da equipa adversária e restante staff. Escusado será dizer que insultos não faltaram e inclusive comentários xenófobos quanto à nacionalidade do presidente do clube das Aves. A questão é: até que ponto a troca de galhardetes entre os dois clubes antes do confronto não contribuiu para que estes desacatos se dessem? Eu sei, eu sei… Somos todos crescidinhos e uma coisa não pode justificar a outra. Claro que não. Mas que propícia a que situações destas aconteçam, propícia.

Todos nós soltamos o australopiteco que há em nós quando estamos a ver um jogo de futebol, mas quando a irracionalidade passa para fora do estádio ou do sofá, aí é que a coisa complica. Assim passamos a não ver futebol, mas sim um único clube à nossa frente. Mas a partir do momento em que as próprias entidades máximas dos clubes, com uma maior responsabilidade perante os outros, o fazem, eu pergunto-me: onde é que isto irá parar?

Foto de Capa: FC Paços de Ferreira

Lendas do Universo Leonino: João Benedito

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Desta vez fazemos referência a uma lenda proveniente das modalidades, nomeadamente do futsal. Com um registo incrível entre os postes da baliza leonina, destacamos João Paulo
Feliciano Neves Benedito.

No dia sete de Outubro de 1978 nascia o ex-guardião e capitão leonino, um sportinguista de berço. Com a ambição de ser jogador de futebol, acabou por ser o futsal a modalidade que o acolheu. Com ligação ao Sporting desde miúdo, foi guarda-redes, desempenhou funções na formação, no marketing e recentemente foi candidato à presidência do Sporting Clube de Portugal.

Foi o avô que o “levou” para o futsal por não o deixar ir aos treinos de captação de futebol no Sporting. Foi no Olival Basto que teve a sua primeira experiência no futsal. Depois de fazer alguns treinos com a equipa de futsal dos leões foi convidado a integrar a equipa para
ser…o terceiro guarda-redes e acabou por vestir a listada verde e branca durante 21 anos.

Em qualquer atleta, a estreia fica na memória, e João Benedito não foge à regra: depois de ser chamado pelo treinador para entrar em campo, levou cartolina amarela por ter entrado em campo antes de consumada a substituição.

João Benedito foi um dos grandes impulsionadores do futsal do Sporting
Fonte: Sporting CP

Depois de algumas propostas para rumar a outros campeonatos, em 2006/2007 assinou por três anos com o Playas de Castellón onde foi ganhar seis vezes mais do que auferia no clube leonino. No entanto, a sua estadia em Espanha foi curta (uma temporada), depois de uma lesão (pneumotórax) e de uma enorme vontade dos responsáveis leoninos no seu regresso acabou por regressar a “casa”.

Durante a sua carreira como guarda-redes e capitão dos leões, realizou 513 jogos e conquistou a nível nacional nove campeonatos e cinco taças. Na seleção das quinas foi chamado pelo selecionador por 181 ocasiões.

Em 2015/2016 abandonou os pavilhões e tornou-se empresário de artigos desportivos.
Após se ter especulado sobre a sua candidatura à presidência em processos eleitorais anteriores, foi no presente ano (oito de Setembro 2018) que avançou com a candidatura e acabou por ir às urnas. No momento da apresentação da candidatura, o próprio avançou “Chegou a hora de retribuir tudo o que o Sporting me deu”, o que demonstra a sua gratidão ao clube. Acabou por sair derrotado das eleições apesar de ter mais eleitores do que o vencedor.

Um bom exemplo do que é ser um verdadeiro sportinguista, um jogador e capitão à imagem do Sporting. Uma Lenda viva do Universo Leonino!

Fonte Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva

O que une os dois mais recentes recordistas mundiais… e Usain Bolt

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Este é um texto maioritariamente sobre dois atletas, mas não apenas sobre dois atletas. É um texto sobre Atletismo, mas não apenas sobre Atletismo. É um texto sobre desporto, mas não apenas sobre desporto. É um texto, acima de tudo, sobre vencedores.

Dois recordes estratosféricos em eventos com muito em comum

O passado dia 16 de Setembro foi um dos mais gloriosos da história do Atletismo. Não são muitas as vezes que dois recordes mundiais são batidos no mesmo dia e menos são as em que isso acontece em dois lugares e competições diferentes, sendo batidos por tão esmagadoras margens, que não deixam qualquer dúvida acerca da grandeza do que observámos. Não interpretem de forma errada. Todos os recordes são fantásticos. Bater um recorde significa fazer algo que nunca ninguém fez e isso, por si só, torna quem o faz em alguém especial, que para sempre ficará na história. Mas fazê-lo por margens tão alargadas, torna o feito ainda mais especial e mais difícil de ser batido num futuro próximo. 

Eliud Kipchoge retirou 1 minuto e 18 segundos ao anterior recorde da Maratona – a maior diferença que alguém retirou na distância desde que o australiano Derek Clayton se tornou no primeiro homem a baixar das 2 horas e 10 minutos, ao correr num tempo de 2:09:36, em Dezembro de 1967. Kipchoge conseguiu a maior diferença para o anterior melhor em mais de 50 anos.

Kipchoge ao cruzar a meta…para a imortalidade
Fonte: IAAF

Kevin Mayer cresceu face ao anterior recorde do Decatlo em 81 pontos. Desde Abril de 1999, com o checo Tomáš Dvořák a fazer 8994 pontos, que o recorde não aumentava tanto. Quase 20 anos. Mayer tornou-se também, apenas, no terceiro atleta de toda a história a ultrapassar os 9.000 pontos. O primeiro ponto em comum entre os atletas será então o facto de não terem “apenas” batido recordes mundiais, mas terem-no feito de uma forma esmagadora.

Kevin Mayer foi demolidor em Talence
Fonte: IAAF

Um aspeto que conecta também os feitos dos dois atletas é que a Maratona e o Decatlo têm muito mais em comum do que aquilo que aparentam. Sim, um evento é exclusivamente em estrada e o outro é um conjunto de provas de “Track & Field”. Mas ambos têm elementos bastante comparáveis, exigindo um esforço físico sobre-humano continuamente, durante períodos de tempo prolongados, embora com as devidas diferenças. Numa Maratona, um ser humano corre 42,195 km, é uma prova desgastante, qualquer participante – independentemente do seu nível – termina em sofrimento e com dor – como o próprio Kipchoge confessou no final da prova de Berlim.

Eliud Kipchoge fez o que nunca havia sido feito
Fonte: NN Running Team

O seu treino dura meses, sendo que um atleta de elite, normalmente, faz apenas duas Maratonas por ano. No Decatlo, os atletas além de terem que demonstrar um nível elevado em todas as 10 disciplinas que o compõem, ainda o têm que o fazer na totalidade durante apenas 2 dias, o que requer um esforço hercúleo e, obviamente, não são eventos que se possam fazer, também, com a regularidade de outros no Atletismo. 

Mas o mais importante aspeto que liga Eliud Kipchoge a Kevin Mayer não é qualquer destes. Nem sequer é o facto dos dois atletas serem patrocinados por uma marca – Nike – que tem apostado fortemente no Atletismo, com contratos milionários para atletas que têm potencial para atingir o topo (fala-se que Sydney McLaughlin tem também uma proposta milionária em cima da mesa). O que liga Kipchoge a Mayer é algo bem mais mundano e que qualquer um de nós pode e deve almejar de forma a ser bem-sucedido no seu dia-a-dia. 

Adrien Silva: desaparecido do radar mundial

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Depois de 14 anos de formação no Sporting CP, de passar de reserva e emprestado para titular e capitão dos leões e de conquistar o Campeonato da Europa de 2016 pela seleção nacional, Adrien Silva tem estado desaparecido do panorama do futebol mundial. No mercado de inverno da época passada, o médio português transferiu-se para o Leicester City, de Inglaterra. Este era um desejo antigo do jogador, contudo a sua transferência para o antigo campeão inglês foi algo conturbada. Depois da conclusão do negócio, a sua inscrição na Premier League excedeu o tempo limite, por 14 segundos, e o jogador ficou impedido de jogar pelo clube inglês até janeiro. O Leicester ainda pediu recurso para a inscrição do jogador português, mas a FIFA rejeitou o pedido inglês e a estreia de Adrien Silva pelos foxes teve mesmo de esperar.

Posto isto, em janeiro deste ano o português foi apresentado por Leicester e realizou 16 partidas, até ao final da época. Apesar de só ter disputado metade da época, o médio influente mostrou ser uma mais valia para o técnico do Leicester City, o francês Claude Puel. No entanto, o campeão europeu não tem sido uma opção recorrente para os foxes, esta temporada. Adrien Silva ainda só disputou três jogos pelo Leicester, dois deles para a o campeonato e o outro para a EFL Cup.

O jogador português de 29 anos que trocou o clube de Alvalade pelos ingleses do Leicester City, começou a titular na primeira partida da Premier League, frente ao Manchester United, mas desde esse jogo inaugural que perdeu espaço no meio campo dos foxes. O lugar do médio português tem sido ocupado por Mendy, jogador francês que esteve emprestado ao Nice na época passada. O número 23 não tem sido muito feliz neste início de temporada e nesta segunda experiência fora das terras lusas (a primeira foi no Israel em 2010/11, quando representou o Maccabi Haifa FC).

Esta época o médio português ainda não se conseguiu impor na equipa do Leicester City
Fonte: Leicester City FC

O antigo campeão europeu e ex-capitão do Sporting CP tem o desejo voltar a ser titular na equipa do Leicester e fazer jus aos 20,5 milhões de euros gastos pela direção do clube inglês. Relembro que Adrien Silva tem 29 anos de idade e precisa de jogar com alguma regularidade para não perder a excelente forma que mostrou ao serviço dos leões e do Leicester City, na segunda metade da época 2017/18, e para não ser considerado um “flop”, à semelhança de outros jogadores que trocaram Portugal pelos melhores campeonatos da Europa.

A concorrência do médio português é grande com Wilfred Ndidi, Vicent Iborra, Mendy e Marc Albrighton a disputarem com Adrien os dois lugares do meio campo do Leicester City, que normalmente joga num sistema de 4-2-3-1. Claude Puel tem optado pela dupla Ndidi e Mendy, mas Adrien tem trabalhado arduamente para voltar a fazer parte das contas do técnico francês e não ser apenas um jogador para as taças internas.

 

 

Foto de Capa: Leicester City FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

 

FC Porto 2-0 Vitória FC: Dragões suaram para vencer Sadinos

O FC Porto regressou aos jogos para a Liga NOS com uma vitória frente ao Vitória Futebol Clube após a paragem para as partidas internacionais e os jogos da Liga dos Campeões. Com o mesmo onze inicial com que defrontou o FC Schalcke 04 o FC Porto venceu a partida com uma vantagem de dois golos, mas o resultado não espelha de todo a exibição. A luta pela posse de bola e controlo do jogo marcou a partida e a equipa da cidade do Porto sentiu muitas dificuldades para conquistar os três pontos no Bonfim.

Os primeiros 15 minutos do jogo foram bastante intensos a nível físico. Os “azuis e brancos” não estavam a conseguir dominar por completo o jogo e ambas as equipas tiveram de lutar pela posse de bola, acabando por se anularem uma à outra. A primeira oportunidade do jogo foi do Vitória de Setúbal através de um remate muito forte de fora da grande área por parte de Mano que acabou por ser apenas um susto para Iker Casillas. O FC Porto não quis ficar atrás a nível de oportunidades de golo e, minutos depois, obrigou Joel Pereira a defender um remate colocado de Brahimi. O jogo começou a aquecer até que a bancada dos adeptos explodiu de alegria ao minuto 17 com o golo de Vincent Aboubakar. Marega na direita passa para Maxi que, dentro de área, remata contra o jogador adversário, sobrando assim para o camaronês fazer o 4º golo na Liga NOS.

O golo dos “dragões” fez retomar a luta pela posse de bola, sendo que a equipa da casa desta vez teve que correr mais atrás dela. O FC Porto conseguiu controlar minimamente o jogo até ao intervalo, mas o Vitória de Setúbal impediu quase sempre a criação de oportunidades da equipa da cidade Invicta ao fechar bem os espaços.

Éder Militão teve em destaque na partida
Fonte: FC Porto

O início da segunda parte foi marcado pelo crescimento do Vitória de Setúbal no jogo e pelo golo invalidado. Aos 48 minutos, Valdo recebe a bola dentro da grande área com o braço e remata para dentro da baliza, fazendo a igualdade para os “sadinos”, mas não por muito tempo… O vídeo-árbitro anulou o golo após a consulta do lance no ecrã pelo árbitro da partida, Manuel Oliveira.

O Vitória de Setúbal fez o FC Porto passar um mau bocado depois do intervalo conseguindo subir imenso no terreno para atacar e controlar a posse de bola. A única situação de perigo nos primeiros 15 minutos da segunda metade para o FC Porto foi um remate à baliza de Sérgio Oliveira que tinha acabado de entrar para o lugar de Otávio, passando a equipa a jogar num sistema tático de 4-3-3.

O Vitória FC continuava a ameaçar e ao minuto 67, Iker Casillas ficou com as “mãos a arder” após o remate forte de Hilderberto Pereira. Uma excelente intervenção do guardião portista.

O jogo entrava numa fase crucial e o golo podia surgir para qualquer lado. Ambas as equipas lutavam pela posse de bola tal como tinha acontecido desde o início do jogo.

Até que ao minuto 78, Sérgio Oliveira manda uma “bomba” para a baliza de Joel Pereira (que podia ter feito melhor) e amplia assim a vantagem de pontapé de livre. O jogo já estava praticamente decidido, mas Jesús Corona teve nos pés a oportunidade de fazer com que os Dragões marcassem o terceiro golo na partida, no entanto, o mexicano mandou a bola ao lado e sem força. O Vitória de Setúbal ainda lutou para fazer o golo até ao fim da partida, mas o FC Porto acabou mesmo por ganhar.

Onze inicial do FC Porto: Casillas, Maxi Pereira, Felipe, Éder Militão, Alex Telles, Otávio, Herrera, Danilo, Brahimi, Marega e Aboubakar.

Onze inicial do Vitória FC: Joel Pereira, Mano, Vasco Fernandes, Artur Jorge, André Sousa, Valdu Té, Semedo, Dankler, Berto, Éber Bessa e Mendy.

CD Santa Clara 1-3 Rio Ave FC: Eficácia visitante foi nota dominante

A quinta jornada da Primeira Liga reservou um confronto entre o, recém-promovido, CD Santa Clara e o Rio Ave FC. Frente a frente estarão duas formações que se encontram separadas por, apenas, dois pontos na tabela classificativa, com vantagem neste particular para a equipa visitante, atual sétimo lugar, com sete pontos. Por seu turno, a formação açoriana ocupa, à partida para este desafio, o décimo posto.

Uma primeira parte em que o jogo esteve muito centrado no meio-campo, escasseando, assim, em oportunidades concretas de golo. Ainda assim, ficou na retina uma defesa de Marco Pereira aos 36 minutos, que saiu aos pés de Gelson Dala e evitou, deste modo, que o Rio Ave FC se adiantasse no marcador.

Nota, para o guarda-redes Leo Jardim que, durante os primeiros 45 minutos, se revelou atento sempre a equipa de casa se conseguiu aproximar, com perigo, da sua baliza. Na segunda parte, e apesar de o Santa Clara ter tido mais posse de bola, foi ao Rio Ave a quem sorriu a sorte do jogo, adiantando-se no marcador aos 70 minutos, por intermédio de Carlos Vinícius, após cruzamento rasteiro de Wenderson Galeno. De resto, a entrada de Galeno conferiu mais objetividade ao ataque dos Vilacondenses, sendo que o extremo brasileiro que pertence ao FC Porto esteve ligado aos dois primeiros golos do Rio Ave, pois foi quem, quatro minutos depois, fez o gosto ao pé.

Num Jogo difícil no Estádio de São Miguel, foi o Rio Ave quem levou a melhor
Fonte: Bola na Rede

Ainda assim, a equipa da casa manteve-se crente quanto à obtenção de um resultado positivo e chegou mesmo a reduzir a desvantagem, na sequência de um lance de bola parada, do qual resultou um desvio infeliz de Vinícius, à passagem do minuto 78. Posteriormente, e já no decorrer do tempo complementar, o Rio Ave fez, após um contra-ataque conduzido por Damien Furtado o terceiro golo e último golo da partida.

Onzes Iniciais:

CD Santa Clara: Marco; Fábio Cardoso; Accioly (César Martins); Osama Rashid; João Lucas; A. Stephens; Bruno Lamas; Anderson Carvalho; Zé Manuel; Patrick; Fernando Andrade;

Rio Ave FC: Leo Jardim; M. Reis; Buatu; Borevkovic; Diego (C); Junio Rocha; João Schmidt; Jambor; Gabriel S.; Gelson Dala; Vinícius;

 

CS Marítimo 0-0 Belenenses SAD: Igualdade no melhor e no pior

CS Marítimo e Belenenses SAD encontravam-se no Funchal, num jogo que podia valer aos verde-rubros a liderança provisória do campeonato, mesmo que apenas por um par de horas. Já os lisboetas chegavam aos Barreiros com um registo mais humilde, embora com capacidade para causar estragos, algo que desde cedo tentaram comprovar.

Logo aos quatro minutos, houve lance polémico na grande área dos azuis, quando Licá intercetou a bola com o braço. Hugo Miguel deixou seguir, sem recorrer ao vídeoárbitro, abrindo caminho para um final de tarde em que seria muito contestado.

Ao contrário daquilo que vinha sendo habitual sob a orientação de Cláudio Braga, o Marítimo entrou mais expectante, roçando mesmo a timidez nos primeiros dez minutos. O estilo ofensivo demonstrado pelos insulares nas jornadas anteriores deu lugar a um início inexplicavelmente apagado. Já os homens de azul tinham mais bola e jogavam mais perto da baliza dos madeirenses, mas mesmo assim sem que lograssem qualquer ocasião de verdadeiro perigo.

O jogo era, por isso, enfadonho, sem que qualquer uma das equipas revelasse criatividade suficiente para trazer emoção ao encontro. Os homens do Belenenses davam especial atenção a Correa e Danny, alvos de marcação muito apertada. O argentino, sobretudo, era muitas vezes travado em falta, enquanto o português ainda conseguia, a espaços, soltar-se das amarras, embora sem conseguir dar a melhor sequência às jogadas.

O Belenenses era a equipa que mais tentava agitar o jogo lá na frente, mas sem grande sucesso. O cenário só mudou a partir da meia-hora, quando o Marítimo cresceu e finalmente começou a aparecer no jogo.

Danny foi um dos homens em destaque pelo Marítimo
Fonte: Bola na Rede

Esperava-se, portanto, que o segundo tempo trouxesse melhores argumentos, e não foi preciso esperar muito para ver chegar a primeira grande ocasião de perigo. Só faltou afinar a pontaria, numa jogada entre Danny, Joel e Correa, que o argentino culminou, atirando rasteiro bem perto do poste de Muriel.

Estava indiscutivelmente mais interessante a partida, com mais oportunidades para ambos os lados, mas o aproveitamento deixava a desejar, num jogo que era cada vez mais marcado pelo equilíbrio. O Marítimo começara melhor na etapa complementar, mas os homens de Silas voltaram a discutir as despesas do encontro passado o primeiro quarto-de-hora.

Até aos instantes finais o espetáculo foi bem mais intenso, com um futebol mais vistoso de ambos os lados. A equipa da casa apostava nos desequilíbrios intentados por Danny e Correa, além das já tradicionais jogadas estudadas nos lances de bola parada. O Belenenses, no entanto, foi quem teve mais hipóteses de chegar ao golo, ainda que nos últimos minutos os verde-rubros se mostrassem mais pressionantes, em busca de mais um golo ao cair do pano, procurando repetir a fórmula que valera os triunfos frente a CD Santa Clara e GD Chaves.

Apesar de tudo, imperou até ao fim o nulo, significando o primeiro empate do Marítimo para o campeonato. Resultado aceitável e facilmente explicável pelo equilíbrio evidenciado ao longo dos 90 minutos, tanto no pior como no melhor – que é como quem diz na primeira parte e na segunda.

 

Onzes Iniciais:

CS Marítimo: Amir Abedzadeh, Bebeto, Zainadine, Marcão, Fábio China, Jean Cléber, Fabrício Baiano, Jorge Correa, Danny, Leandro Barrera (Edgar Costa, 74’) e Joel Tagueu (Rodrigo Pinho, 61’)

Belenenses SAD: Muriel Becker, Pierre Sagna, Gonçalo Silva, Vincent Sasso, Reinildo Mandava, Nuno Coelho, Jonatan Lucca, Dálcio Gomes (Matija Ljujic, 85’), Fredy, Licá (Zakarya, 77’) e Alhassane Keita (Henrique Almeida, 73’)

FC Arouca 0-2 SC Braga B: Bracarenses estreiam-se a vencer e afundam rival

Num duelo entre os dois últimos classificados da Segunda Liga, foi o SC Braga B que saiu a sorrir graças a uma exibição consistente que justificou a vitória por duas bolas a zero.

O jogo arrancou com uma maior dinâmica ofensiva dos arouquenses, tendo Fábio Fortes cabeceado por cima na sequência de um canto, logo aos seis minutos. No entanto, foram os visitantes a marcar numa jogada fortuita: o remate de Luther Sing desviou em Massaia e sobrou para Emanuel rematar seco à meia volta para o fundo das redes. Este foi, e apenas à quinta jornada, o primeiro golo da turma de Wender no campeonato.

A partir daí o jogo tornou-se chato, com muitas paragens e um futebol pouco atrativo. A turma arouquense acusou o golo sofrido e não conseguia construir jogo, acabando quase sempre bombear a bola na frente. As situações de perigo eram escassas e, até ao intervalo, nota apenas para uma tentativa de chapéu de Bukia por cima e para um remate frouxo de Adílio, facilmente travado por Tiago Pereira.

O Arouca era incapaz de criar lances de perigo para a baliza contrária
Fonte: Bola na Rede

Miguel Leal não gostava do que via e não tardou em colocar a carne toda no assador, ainda dentro da hora de jogo. Apesar do maior número de unidades ofensivas, o FC Arouca continuava sem incomodar o guardião contrário, o que motivava manifestações de desagrado vindas das bancadas. Os arsenalistas, sempre com mais estabilidade psicológica que o seu rival, iam fazendo o seu jogo, trocando a bola com qualidade e permitindo a posse de bola ao adversário apenas em zonas que não acarretavam perigo.

Foi preciso esperar até aos 82 minutos para registar uma oportunidade de golo: depois de uma grande triangulação, Luther Sing fez o que parecia mais difícil ao não acertar no alvo. Quatro minutos volvidos foi a vez de Ibrahima testar a atenção de Gasparotto. A única ocasião flagrante de golo da equipa da casa surgiu aos 88’, quando Arteaga se antecipou ao guarda-redes adversário e viu a bola embater na barra. Foi já no último lance do jogo que o SC Braga B sentenciou o jogo por intermédio de Tiago Dias, que isolado não vacilou no cara-a-cara com Gasparotto.

Vitória justa dos bracarenses no Municipal de Arouca, que foram mais equilibrados e souberam ler os momentos do jogo. Apresentam jogadores com muita qualidade e que podem vir a ser mais valias para Abel Ferreira num futuro próximo. Já o FC Arouca continua sem vencer em casa desde abril e averbou a quarta derrota consecutiva, caindo para o último lugar da tabela. A exibição paupérrima deixou muito a desejar, já que a jogar em casa diante do último classificado exige-se muito mais do que apenas uma oportunidade de golo.

 

Onzes Iniciais:

FC Arouca: Gasparotto, Thales, Massaia, Deyvison, Kiko (Arteaga 59’); Ericson, Soares (Malele 45’), Bruno Alves; Bukia (Bertaccini 64’), Fabio Fortes, Adílio.

SC Braga B: Tiago Pereira; Danilo, David Carmo, Bruno Wilson, Pedro Amador; Ibrahima, Crespo (Inácio 71’), Assis (Afonso 80’), Denisson (Tiago Dias 58’); Luther, Emanuel.

FC Schalke 04 0-2 FC Bayern Munique: Bávaros vencem e mantêm arranque imaculado

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Em encontro da quarta jornada da Bundesliga, o Bayern foi até à Veltins-Arena bater confortavelmente o Schalke 04 por 0-2. Após ambos os conjuntos terem tido compromissos europeus contra equipas portuguesas durante a semana, os comandados de Niko Kovac pretendiam dar sequência ao excelente arranque de campeonato (três vitórias nos três primeiros jogos), ao passo que a turma de Domenico Tedesco procuravam ainda alcançar os primeiros pontos na edição deste ano da Bundesliga.

Em relação às equipas iniciais, os dois técnicos fizeram algumas alterações face às últimas partidas disputadas. Do lado da casa, Tedesco mudou apenas dois jogadores no onze que empatou frente ao FC Porto:  Rudy e Di Santo entraram para os lugares de Serdar e Bentaleb. Na equipa visitante, Kovac operou quatro mudanças no onze que venceu fora o SL Benfica: Sule, Thiago Alcântara, Leon Goretzka e Thomas Muller foram titulares nos lugares de Boateng, Javi Martínez, Renato Sanches e Robben, respetivamente.

O Bayern entrou pressionante na partida, e dispôs de uma boa ocasião para fazer o primeiro golo logo nos instantes iniciais, por intermédio de Muller ao minuto 5, contudo o seu remate saiu bastante desviado da baliza do Schalke. Não foi aí que o marcador sofreu alterações, mas sim três minutos depois: num pontapé de canto cobrado na perfeição por Kimmich, James Rodríguez saltou mais alto dentro da grande área e cabeceou para o golo dos visitantes. A boa entrada da equipa da Baviera no encontro era premiada com o golo do colombiano.

O conjunto visitado foi obrigado a ter de mostrar uma face mais ofensiva na busca pelo tento do empate, e Franco Di Santo, ao minuto 16, podia tê-lo feito, após receber um bom passe, mas o seu remate não causou grande transtorno a Neuer. O Bayern respondeu ao minuto 20, através de um forte remate fora de área de David Alaba, que obrigou Fahrmann a aplicar-se para manter a diferença de um golo no marcador. Logo a seguir, o guardião do Schalke voltou a estar em evidência ao impedir o bis de James Rodríguez, que, isolado por Lewandowski, tentou picar a bola mas viu Fahrmann a fazer uma boa defesa. Alaba voltou a visar de longe (desta vez num livre) a baliza do Schalke 04 ao minuto 29, que levou a bola a embater na barra.

O Bayern ia colecionando oportunidades para dilatar a sua vantagem, perante um Schalke que se limitava a defender e à espreita de uma perda de bola dos visitantes a meio campo para se lançar rapidamente no contra-ataque. Até ao final da primeira parte, o Bayern limitou-se a fazer uma boa gestão da posse de bola, e assim o jogo foi para o intervalo com a vantagem mínima no marcador para o atual hexacampeão alemão.

Os segundos 45 minutos começaram sem qualquer alteração tática e com a mesma toada da primeira parte: o Bayern a controlar a posse de bola com passes curtos e precisos até conseguir levar perigo à baliza do Schalke 04, o que aconteceu logo ao minuto 52, outra vez por James Rodríguez, que recebeu um passe magistral mas o seu remate saiu ligeiramente ao  lado do poste esquerdo. Vendo que nada tinha mudado no recomeço da partida, Domenico Tedesco não demorou a fazer a primeira substituição: Weston McKennie foi rendido por Nabil Bentaleb, com o objetivo de dar maior criatividade ao meio-campo do Schalke.

James Rodríguez fez o golo que adiantou cedo o Bayern no marcador
Fonte: FC Bayern München

O segundo golo do Bayern surgiu numa grande penalidade, convertida eficamente por Lewandowski ao minuto 64. A vantagem era perfeitamente justa face ao que o Bayern tinha demonstrado até então. No instante imediato, Tedesco fez outra alteração na sua equipa: tirou Di Santo e colocou Harit em campo, o que acabou por deixar o número 9 do Schalke insatisfeito e teve um pequeno “bate-boca” com o seu treinador, mas prontamente sarado pelo mesmo.

David Alaba teve outra oportunidade para o gosto ao pé, ao minuto 77 num belo livre frontal, o que obrigou Fahrmann a voar para impedir o terceiro da equipa bávara. Poucos minutos depois, Kovac fez as três substituições permitidas na sua equipa, colocando Sandro Wagner, Gnabry e Renato Sanches nos lugares de Lewandowski, Ribéry e James Rodríguez respetivamente. Os últimos minutos do encontro foram um pouco idênticos aos últimos da primeira parte, em que o Bayern se limitou a controlar a posse de bola e manter o Schalke longe da sua baliza até ao apito do árbitro para o final do jogo.

Mais uma vitória tranquila que permite ao Bayern manter o registo imaculado no arranque da Bundesliga 2018/2019, com quatro vitórias em tantos jogos disputados. Já o Schalke, continua sem conseguir pontuar no campeonato e já está no último posto da tabela classificativa.

Onzes Iniciais

FC Schalke 04: Ralf Fahrmann; Matija Nastasic; Salif Sané; Naldo; Weston McKennie (Nabil Bentaleb 54’); Franco Di Santo (Amine Harit 68’); Sebastian Rudy; Daniel Caligiuri; Alessandro Schopf; Mark Uth (Guido Burgstaller 73′); Breel Embolo

FC Bayern München: Manuel Neuer; Niklas Sule; Mats Hummels; David Alaba; Joshua Kimmich; Thiago Alcântara; James Rodríguez (Renato Sanches 86’); Leon Goretzka; Franck Ribéry (Serge Gnabry 83’); Robert Lewandowski (Sandro Wagner 78’); Thomas Muller

Momento verde e branco: O calcanhar de Xandão

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Oito de março de 2012. O milionário colosso Manchester City foi a Alvalade disputar uma eliminatória que não previa qualquer tipo de dificuldade. Porém os homens de Sá Pinto, e especialmente Xandão, quiseram contrariar o destino e provocar um belo de um dissabor aos ingleses.

Roberto Mancini, técnico dos citizens, contava com jogadores como Aguero, Touré, David Silva e Edin Džeko. Era, de facto, um teste com um grau de dificuldade elevadíssimo e nada fazia prever a vitória dos leões.

Com um estádio de Alvalade cheio, os homens de Sá Pinto cedo demonstraram que tinham o claro objetivo de passar a eliminatória e a maior prova disso foi mesmo a primeira mão. Ou melhor, a vitória na primeira mão.

Num jogo em que o Sporting até foi superior (coeso defensivamente e eficaz em termos ofensivos), o protagonista foi alguém que até então nunca tinha dado muito que falar: um defesa central chamado Xandão. E porquê? Pois bem, foi quem fez o tento da vitória num golo, diga-se, peculiar.

Num livre eximiamente batido pelo adorado Matías Fernández, Joe Hart defendeu para a frente, e após uma recarga, Xandão, surpreendeu tudo e todos, rematou de calcanhar e picou a bola sob o guarda redes inglês. Alvalade foi ao delírio e aquilo que parecia ser um sonho começava a ser cada vez mais uma realidade.

Xandão fez o golo à passagem do minuto 51 mas o Sporting já tinha tido mais do que oportunidades suficientes para chegar à vantagem no marcador. Também os citizens já tinham tentado o golo, mas foi o Sporting que se adiantou no marcador… e com toda a justiça!

Até ao fim ambas as equipas tiveram chances de chegar ao golo mas o jogo acabou mesmo por terminar com a vitória do Sporting por 1-0. Foi uma semana de muito entusiasmo até à segunda mão. Pelo meio até houve um embate frente ao Vitória Sport Clube, mas o pensamento era só um: a segunda mão em Inglaterra.

Foto de Capa:UEFA

Artigo revisto por: Beatriz Silva