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Mudanças que dão que pensar

Após ter assistido aos dois jogos da selecção nacional no início deste mês fiquei com um misto de sentimentos. A equipa das quinas realizou duas exibições francamente positivas contra a vice-campeã mundial e contra uma selecção italiana que, apesar de atravessar um processo de renovação, não deixa de ser um adversário de respeito.

No entanto, não deixei de ficar com a sensação de que estas mudanças, para melhor, que houve no nosso jogo, pecam por tardias. E, antes de mais, devo desde dizer que não me estou a referir à ausência de Cristiano Ronaldo. Uma maior fluidez da equipa na sua ausência não era de todo uma novidade. As mudanças a que me refiro passam por outros aspetos.

Como cheguei a falar aqui, a principal crítica que deixei a Fernando Santos no Mundial foi o facto de este ter tentado replicar o modelo que fez sucesso em 2016, quando vários jogadores que conheciam esse modelo estiveram longe de ter o desempenho da temporada 2015/2016. Jogadores como José Fonte, Raphael Guerreiro, João Mário e Adrien Silva tinham tido épocas muito abaixo do nível já demonstrado e o modelo ressentiu-se fortemente disso.

Parece seguro que a renovação da selecção passará por Rúben Neves
Fonte: Selecções de Portugal

Nos últimos jogos, Fernando Santos lançou João Cancelo, Rúben Dias, Rúben Neves e Pizzi no onze titular e estas mudanças acabaram por fazer a diferença na forma de jogar da equipa das quinas. Principalmente numa selecção nacional, o modelo de jogo da equipa deve ajustar-se aos jogadores que tem à disposição. Houve mais jogo interior, maior ligação entre setores e acima de tudo, maior confiança dos seus intérpretes.

Dadas as circunstâncias, existem questões que eu entendo que devem ser colocadas na mesa: Por que é que o João Cancelo e o Rúben Neves ficaram de fora do Mundial? Porque é que o Rúben Dias não jogou na Rússia? Porque é que teimamos em apostar na continuidade?

Destes dois jogos retira-se uma lição muito importante: a melhor forma de um modelo funcionar numa selecção nacional não é apostar nos jogadores que estão mais habituados a este, mas sim apostar naqueles que estão em melhores condições físicas e anímicas para o executar.

Agora, resta saber se estes sinais positivos são sol de pouca dura ou se vieram para ficar. Veremos isso nos próximos jogos. Compete a Fernando Santos ter a sabedoria para apostar nos jogadores que poderão dar mais garantias.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Vira o disco e joga o mesmo?

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Desde a era Jorge Jesus que o Benfica não se pode queixar do plantel que tem disponível para as diversas competições que disputa todos os anos. Pelo menos até à temporada passada, diversidade e qualidade era o que reinava nos encarnados, permitindo que estes conseguissem disputar todas as provas até fases muito avançadas, senão mesmo até ao fim. No entanto, na última temporada houve um plantel com menor capacidade para enfrentar todos os desafios com a mesma qualidade, tanto assim foi que em dezembro os encarnados encontravam-se fora de todas as competições por eliminação, disputando apenas a Primeira Liga (que viriam a acabar em segundo lugar, falhando o objetivo de serem pentacampeões).

Esta época, apesar de parecer uma equipa mais equilibrada, notou-se ao longo do mês de agosto que as opções caíam sempre nos mesmos jogadores: Rui Vitória repetiu quase o mesmo onze ao longo dos oito jogos em 26 dias. Tanto assim foi, que o cansaço acumulado dos habituais utilizados começou-se a notar na performance da equipa.

Se é verdade que uma equipa precisa de um onze base, de um suposto onze ideal, que joga mais regularmente, é também verdade que, um clube que queira estar em diversas frentes também precisa de um conceito precioso: a rotatividade.

Mas comecemos pelo onze ideal que Rui Vitória poderia adotar esta temporada, e só depois passaremos para as opções no plantel que podem refrescar os jogadores deste onze ‘titular’. Na baliza, é difícil de argumentar contra Odysseas Vlachodimos. O alemão é a melhor aposta na baliza que o Benfica tem no plantel e deverá manter-se o titular. O quarteto defensivo não necessita de mudanças em relação ao ano transato: André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Grimaldo. Uma defesa sólida com laterais excelentes no papel ofensivo e defensivo.

Para o meio campo, a titularidade de Fejsa e de Gedson parece ser segura, assim como de Pizzi, que está de volta aos seus melhores dias, depois de uma época mais difícil. Nas alas, Sálvio está poderoso de um lado e Cervi com desempenho exponencial do outro. Por fim, falta o ponta de lança. Neste papel deveria estar Jonas – mas está lesionado e ainda não jogou -, mas no entretanto andam vários atletas a tentar ocupar um lugar que é dificil de preencher quando a primeira opção é o brasileiro.

Gabriel tem dado boas impressões nas oportunidades que tem tido ao entrar para o lugar de Pizzi
Fonte: SL Benfica

O onze base, vai muito ao encontro daquele que tem sido usado pelo treinador encarnado, mas a rotatividade é de extrema importância, principalmente a partir desta altura da época em que decorrem a Taça da Liga, Taça de Portugal, Primeira Liga e Liga dos Campeões quase em simultâneo e a qualidade de jogo para jogo tem de ser mantida para que se possa enfrentar todas as competições para vencer.

Terá o Benfica um plantel que possa jogar em todas as provas de igual forma? Veremos: para guarda redes, há Svilar; para defesas, existe Conti e Lema, Yuri Ribeiro, Corchia e Luisão; no meio campo, Alfa Semedo, Samaris, Krovinovic (que está prestes a regressar de lesão e fará uma dor de cabeça a Rui Vitória), Gabriel e Pizzi; nas alas João Félix, Rafa e Zivkovic (que também pode jogar no lugar de Pizzi); na frente existe Castillo, Seferovic (o atual detentor do lugar) e Ferreyra.

O que se conclui por aqui? Numa primeira instância, parece que o Benfica tem um onze e pouco mais que possa representar o clube com pertinência; por outro lado, vemos que o banco parece voltar ao que era na era de Jesus, em que havia qualidade nos 18 jogadores que iam para o campo, e não só nos onze titulares da equipa. Gabriel veio para Pizzi poder descansar, Corchia para que André Almeida pudesse respirar, Krovinovic poderá até mesmo tirar lugar a um colega do meio campo, Rafa e João Félix estão prontos a explodir e Seferovic tem ganho mais força para os jogos menos exigentes (pois contra equipas de maior calibre, parece ainda deixar a desejar, como contra os alemães de Munique, mas isso é outra história). Plantel, existe. Um plantel forte, que promete manter qualidade de jogo para jogo, mas com diferentes peças no tabuleiro. Isto é possível, há aptidão e habilidade para isso. A pergunta é se Rui Vitória conseguirá tirar o melhor de cada jogador para que o Benfica volte a ser vencedor em todas as frentes?

Foto de Capa: SL Benfica

Um campeão Liverpool em perspetiva?

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Esta semana foi a vez de Paris Saint-Germain. Antes, West Ham, Crystal Palace, Brighton, Leicester e Tottenham saíram derrotados pelo Liverpool. Simplificando, a equipa comandada por Jurgen Klopp entrou a todo o gás na nova época. Trajeto 100% vitorioso com seis vitórias no mesmo número de jogos disputados.

Num mercado de transferências não muito agitado em Liverpool, o grande destaque foi para os 75 milhões investidos no guarda-redes brasileiro Alisson Becker, que chegou da Roma. Loris Karius, o anterior titular, vacilou na final da Liga dos Campeões na época passada e era um mal-amado pelos adeptos dos ‘reds’. O alemão foi emprestado ao Besiktas.

Quanto às restantes entradas, mais três nomes: Naby Keita, do Leipzig, Fabinho, do Monaco, e Shaqiri, do Stoke City. Nas saídas, nota igualmente para a partida do médio turco Emre Can para a Juventus.

Dos reforços, Alisson e Naby Keita têm sido os mais utilizados, com o brasileiro, naturalmente, a ser totalista nos seis jogos. Lá na frente, continua o trio temível composto por Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino. O duelo com o PSG foi o primeiro esta época em que a tripla não jogou junta na equipa inicial, isto tudo porque Firmino se havia lesionado no olho esquerdo no último sábado frente ao Tottenham e, por isso, Jurgen Klopp resolveu deixar o brasileiro no banco. Para o seu lugar, entrou para titular Daniel Sturridge, que abriu o marcador aos 30’. Firmino entrou aos 72’ e assinou o golo do 3-2 vitorioso já nos descontos. O futebol tem destas coisas.

Os ‘reds’ ainda são a equipa abrilhantada por este trio de classe mundial. Mané, Firmino e Salah fizeram miséria no ano passado no caminho até à final da Liga dos Campeões. Esta época começou impositiva!
Fonte: Liverpool FC

A partilhar a liderança com o Chelsea, que amealha os mesmos 15 pontos, a dupla de líderes da ‘Premier League’ ficou bem longe de lutar pelo título na última temporada, o que dá outra aragem ao melhor campeonato do mundo, cujos candidatos nunca obedecem a um número ou lista específica.

14 golos marcados em seis jogos não surpreendem muito, pois o poderio ofensivo dos ‘reds’ é a sua imagem de marca. A dúvida passa pela estabilidade ou consistência que a equipa poderá ou não demonstrar.

Começando pelo jogo da equipa sobre o relvado, a armada de Klopp parece mais cerebral e com melhor capacidade de gerir os jogos, isso trazer-lhe-á mais pontos numa prova de regularidade como a ‘Premier League’. Já na Liga dos Campeões, há claro potencial para voltar a chegar à final e tentar a vitória. A equipa sente-se muito bem em jogos a eliminar.

Um Liverpool campeão em perspetiva? Na Premier League, tal não acontece desde 1989/90. É difícil não gostar deste clube…

Foto de Capa: Liverpool FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

Portugal falha conquista de inédito hexa

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Desde segunda-feira que se está a disputar em Viana do Castelo, a 51ª edição do campeonato da europa de hóquei em patins de sub-20. Portugal, a jogar em casa, procurava a conquista de um inédito hexa, mas acabou por falhar o acesso à final, em virtude de derrotas contra a Itália e Espanha na fase inicial da competição.

A 51ª edição do europeu de hóquei em patins sub-20 abriu com um confronto entre italianos e ingleses. Os transalpinos confirmaram a sua teórica superioridade e venceram por claros 10-1. Mais tarde, Espanha e Suíça fizeram a sua estreia no campeonato da europa e o conjunto espanhol, também, não deu qualquer azo a surpresas, tendo goleado os suíços por 12-2. No encontro que encerrou o primeiro dia de competição, Portugal defrontou a Alemanha e venceu por 8-0. Contudo, apesar do resultado poder transparecer que o jogo foi fácil, não o foi.

Os jovens comandados por Nuno Ferrão, técnico que substituiu Luís Duarte que saiu para o CD Paço de Arcos, tiveram muitas dificuldades em bater-se com uma física seleção alemã, sobretudo, durante os vinte e cinco minutos iniciais, chegando ao intervalo a vencer, somente, por 3-0. No segundo tempo, as dificuldades mantiveram-se durante boa parte, mas com o avançar da partida e com a cada vez menor frescura do conjunto germânico, Portugal aproveitou para avolumar o marcador. Hugo Santos, jogador que vai representar o FC Porto na presente temporada, esteve em grande, tendo apontado um golo na primeira parte e outros quatro de belíssimo efeito na segunda. 

O segundo dia de competição não trouxe grandes alterações, com os favoritos a vencerem os seus encontros sem grandes dificuldades. A Itália voltou a abrir as operações e, tal como se poderia antecipar, goleou a Suíça por 11-1. A Espanha manteve a toada da jornada inaugural e derrotou a Alemanha por 8-2. Portugal, por sua vez, teve pela frente a Inglaterra, orientada pelo português José Carlos Amaral, mas, apesar do seu enorme favoritismo, apenas conseguiu chegar ao primeiro golo a meio do primeiro tempo.

O guardião inglês Reiff Hayward foi um dos grandes responsáveis pela seleção nacional só ter conseguido fazer mexer o marcador eletrónico tão tarde, mas, a partir do momento em que o conseguiu, nunca mais parou. Carlos Ramos foi o primeiro a quebrar o enguiço e ao intervalo a seleção nacional já vencia por 5-0. Na segunda metade, Portugal manteve o ímpeto e alargou o score até aos 17-0, alcançando o resultado mais desnivelado da primeira fase do campeonato da europa. Carlos Ramos e Gonçalo Neto, ambos com quatro tentos, foram os principais “homens golo” da partida.

Hugo Santos foi o melhor marcador de Portugal na primeira fase do europeu, tendo apontado dez golos
Fonte: Roller Hockey Photos

A terceira jornada ficou marcada pelo primeiro jogo grande da 51ª edição do campeonato da europa, com um clássico entre Portugal e Itália a encerrar “as festas” do terceiro dia de prova. A ronda teve início com uma vitória da Alemanha sobre a Suíça por 6-4 que, assim, conquistou os primeiros pontos na competição. Após a estreia da Alemanha no que a vitórias diz respeito, foi a vez da Espanha impor uma nova goleada. Desta feita, perante a Inglaterra. Após os cinquenta minutos regulamentares, o marcador indicava 14-1 a favor de nuestros hermanos.

Terceiro jogo, terceira goleada. Chegado o “prato forte” do dia, Portugal procurava marcar uma posição forte na luta pela conquista de um inédito hexa. No entanto, o encontro esteve longe de correr bem à seleção nacional. A primeira parte não correu mal de todo às cores nacionais, mas ao intervalo já perdia por 1-0. Desvantagem que Portugal poderia ter contrariado ou anulado, caso tivesse concretizado pelo menos um dos dois penaltis que teve a seu favor.

Os grandes problemas surgiram na segunda parte. A seleção portuguesa, que até tinha chegado ao intervalo melhor, sofreu dois enormes revés em apenas dois minutos, passando a ficar a perder por 3-0. O conjunto transalpino fez uso da sua maior experiência, pois maior parte da seleção já joga na Lega Hockey, sendo a sua maior estrela Francesco Compagno, jogador do bicampeão italiano Amatori Lodi, que é orientado pelo português Nuno Resende, mas também do seu ADN.

A capacidade de defender bem e atacar de forma fria e cínica, não desperdiçando uma oportunidade, tendo sido exatamente isso que acabou por acontecer. A seleção portuguesa cometeu a sua 10ª falta e Compagno não falhou, aumentando a vantagem azzurri para 4-0. Sem conseguir marcar e com o tempo para virar o rumo dos acontecimentos a ser cada vez menor, Portugal ia dando cada vez mais espaço para contra-ataques e a Itália aproveitava. Entretanto, a seleção portuguesa até já havia conseguido reduzir, mas num novo contra-ataque, a seleção italiana fez o sexto. Já dentro do último minuto, António Trabulo fixou o resultado final em 6-2.

Assim, Portugal não só deixou fugir a Espanha e a Itália no topo da classificação do europeu, como ficou obrigado a vencer a seleção espanhola no último jogo da fase regular. Para além disso, Portugal não ficava apenas obrigado a vencer a Espanha, mas a vencer por uma determinada diferença de golos. Diferença essa que seria ditada no confronto entre espanhóis e italianos. 

Cristián Lema: Flop ou fail autêntico?

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Começo por dizer que não acho que Lema seja um flop no verdadeiro sentido do termo, até porque nunca o vi jogar de forma oficial. Até agora, só foi utilizado na pré-época, onde as partidas são mais leves do ponto de vista competitivo, e anseia pela estreia com o número 25 que lhe foi destinado.

Quanto à outra parte do título, aí a conversa é outra, porque concordo plenamente que está a ser um dos casos em que se vê claramente que a direção encarnada errou no alvo, não só porque não tem somado qualquer minuto, mas principalmente por ter sido contratado para uma posição que já está preenchida por quatro centrais de grande qualidade: Jardel e Rúben Dias como titulares, Conti, a terceira opção, e Luisão, que já tem provas mais que dadas e que não precisa de muito para ser convocado e jogar.

O caso de Lema é óbvio e as notícias de que pode sair já em janeiro evidenciam o fail que a sua contratação está a ser. Este texto não é contra o jogador, muito pelo contrário, mas sim contra a decisão de fazer parte da versão 2018/2019 do SL Benfica nestas condições. Não duvido do seu potencial, mas sejamos realistas: um atleta quer somar minutos nos clubes por onde passa e sentir-se útil de alguma forma. Lema está completamente tapado e nem na Taça da Liga, competição onde podia ser utilizado com regularidade, é feliz.

É sobretudo nos treinos que a influência de Lema no plantel se faz sentir
Fonte: SL Benfica

Se no caso de João Amaral, por exemplo, que foi emprestado para ganhar a estaleca necessária para figurar num clube grande, tenho a certeza que Lema podia muito bem ter seguido o mesmo caminho, porque não tem espaço na equipa e é o único jogador que sinto que está a mais, muito devido à decisão do clube em mantê-lo no plantel.

Tenho esperança que esta realidade mude e espero que o argentino não seja mais um para colocar na prateleira e que possa ser utilizado de igual forma, para que a sua contratação produza efeito e se justifique de alguma maneira. Caso contrário, voltará à Argentina mais cedo do que o esperado e isso significa no próximo mercado de Inverno.

Espero mesmo não estar errado nesta leitura e que a minha opinião possa mudar muito em breve. Em caso afirmativo, é sinal de que alguma coisa foi feita para contornar a situação. Se não for, não me surpreende de todo.

Com isto, que este texto sirva de alerta e de algum aviso para que este caso em concreto na história do SL Benfica não se volte a repetir tão cedo.

Foto de Capa: SL Benfica

Os 10 goleadores que triunfaram fora dos três grandes

O futebol conta-se sobretudo pelos golos. Em Portugal, as coisas não são diferentes e, quando pensamos em goleadores do nosso campeonato, rapidamente nos lembramos de Mário Jardel, Yazalde, Eusébio, Fernando Gomes etc… E todos eles têm uma coisa em comum: destacaram-se ao serviço de um dos três grandes.

Há outros goleadores que, por se terem destacado apenas em clubes pequenos portugueses, não são hoje tão recordados no quotidiano do adepto português, mas que deixaram certamente a sua marca no nosso futebol.

Porque o futebol não se faz apenas dos clubes grandes, vale a pena recordar estes 10 grandes jogadores que não conseguiram chegar ao patamar superior português, mas conquistaram um lugar na história do nosso futebol.

Perdidos no Tempo: Jorginho

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Em vésperas de um Vitória FC – FC Porto para a 5ª jornada da Primeira Liga, recordamos, hoje, na rubrica de Perdidos no Tempo, um nome incontornável da história dos dois clubes. Jorge Luiz Pereira de Sousa, conhecido no mundo da bola por Jorginho, permanece na memória dos portistas graças a um momento em tudo parecido com aquele que Herrera viveu no último campeonato, quando encaminhou os azuis e brancos para o título com um golo marcado nos últimos minutos da partida com o Benfica, na Luz.

Já em 2006, como agora, corria o minuto 85 da partida da 30ª jornada, em Alvalade, quando Jorginho rompe pela defesa leonina, acabando a fuzilar a baliza de Ricardo. Êxtase total, com festa conjunta entre jogadores, equipa técnica e adeptos, cientes do quão perto, a quatro jogos do fim, o FC Porto estava de reconquistar o título, perdido no ano anterior para o SL Benfica de Trapattonni.

O golo apontado ao Sporting CP valeu praticamente um título em 2006
Fonte: Fora de Jogo

Esse foi, de resto, o momento mais marcante de Jorginho com a camisola dos dragões, onde conquistou ainda dois campeonatos, uma Taça de Portugal e uma Supertaça, num total de 56 jogos, distribuídos por duas épocas, e onde apontou cinco golos. Já antes, ao serviço do Vitória FC também assinara épocas de grande qualidade, conquistando numa delas uma Taça de Portugal, frente aos encarnados, no Estádio do Jamor.

Em Portugal, a história de Jorginho conheceu ainda episódios em Braga, onde realizou duas épocas que resultaram em 39 jogos e quatro golos marcados, que conduziram à conquista da Taça Intertoto, em 2008. À parte disso, também realizou grande parte da carreira no Brasil, de onde é, de resto, natural (mais concretamente de Goiânia). Nasceu a 6 de maio de 1977 e, com 18 anos, ingressou no Goiatuba EC, de onde deu o salto para o Atlético Paranaense e onde permaneceu cinco anos, antes de rumar a Santo André, Gama e Goiânia, o clube da terra natal. Foi daí que surgiu o convite sadino para jogar na Europa, seguindo-se as aventuras no Dragão e na cidade dos Arcebispos. Também efetuou meia época, em 2011, no Rio Ave, mas sem grande destaque. Pelo meio, passagens pelo Gaziantepspor e pelo Grêmio Anápolis, onde terminou carreira em 2014.

Aos 41 anos, Jorginho pode olhar para trás e recordar, com orgulho, uma carreira cheia de marcos importantes. No total, esteve em 471 jogos e apontou 91 golos. Bravo!

Foto de Capa: Venus Creations

artigo revisto por: Ana Ferreira

O médio defensivo dos leões… ou como mascarar a sua falta

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Escrevi aqui mesmo no Bola na Rede no passado mês de abril que após a saída de Adrien Silva da equipa leonina se gerou um buraco no meio-campo da equipa de futebol do Sporting. Desde a saída do internacional português que a formação de Alvalade jamais encontrou um oito com as mesmas características e a qualidade de jogo que Adrien possuía.

Nesta temporada, a “cratera” continua no meio-campo mas, desta vez, deslocou-se um pouco para trás, precisamente para a posição seis, a de médio-defensivo. A abundância de jogadores na posição oito – casos de Misic ou Gudelj – leva a crer que, mais cedo ou mais tarde, o problema de um oito competente e eficaz se encontra finalmente resolvido. Ainda que tenhamos algumas incertezas acerca das capacidades técnicas de Misic, Gudelj parece vir a ser um jogador bastante capaz neste meio-campo do Sporting. Apesar do sérvio poder atuar a seis, prefere antes a posição oito, procurando inclusivamente várias vezes o remate. As suas declarações na entrevista ao Jornal Sporting na edição de 13 de setembro não deixam qualquer dúvida acerca isso. Dizia a dado momento o jogador contratado esta temporada aos chineses do Guangzhou Evergrande: “A oito participo mais ofensivamente e defensivamente. Gosto de fazer ambas as coisas. E, claro, permite-me rematar com mais regularidade. São esses os motivos pelos quais prefiro jogar a oito, mas a seis também não existem problemas” (p. 10).

Mas dizia que a cratera se deslocou esta temporada da posição oito para a posição seis. Com a saída de William Carvalho para os espanhóis do Bétis de Sevilha no defeso e dadas as parcas alternativas disponíveis no plantel para essa posição – só mesmo Petrovic é um seis puro e, mesmo este, não oferece garantias para uma equipa “grande” como o Sporting – José Peseiro tem ensaiado várias alternativas neste setor. Mas esses ensaios mais não são do que tentativas goradas em mascar um problema latente nesta equipa. A dupla argentina Battaglia – Acuña, que tem atuado nos últimos jogos, espelha essas fragilidades, pois é sabido que Battaglia rende muito mais se estiver liberto das tarefas defensivas (algo próximo de um oito, mais um!) e Acuña demonstra muita rapidez e agressividade pelo lado esquerdo, seja a extremo seja a lateral. No jogo da passada quinta-feira para a Liga Europa, Peseiro parece ter tomado consciência dessa situação e “arrastou” Acuña para a posição de lateral-esquerdo deixando o meio-campo constituído por um triângulo cujos vértices mais recuados eram ocupados por Gudejl e Battaglia e o mais avançado por Bruno Fernandes.

Os últimos jogos têm mostrado que Gudelj é mais um oito do que um seis. Mas as circunstâncias têm-no levado para setor mais recuados do meio-campo leonino
Fonte: Sporting CP

Então e Wendel? É sabida das suas competências técnicas e táticas, indiscutíveis e valorizadas por qualquer observador minimamente atento ao futebol, mas parece-me um jogador mais vocacionado para a posição oito do que seis (mais um!). Além disso, tem de confirmar ainda a sua adaptação ao futebol europeu que, como se sabe, é mais rápido e tático do que o brasileiro onde jogava.

A esperança, quando analisámos os médios disponíveis por José Peseiro, recai em Stefano Sturaro, esse sim, um seis puro, com claras vocações defensivas no auxílio à defesa nos momentos de maior aperto. Experiência e tarimba europeia são coisas que não lhe faltam mas as suas condições físicas parecem deixar muito a desejar. Como é sabido, o jogador foi operado no pretérito mês de agosto uma vez que apresentava complicações no tendão de Aquiles. Sousa Cintra advertiu isso mesmo a 21 de agosto: “O nosso departamento médico não aprovou a vinda do Sturaro. Tinha razão e ele, entretanto, já foi operado em Itália. Virá para o Sporting quando estiver em condições para jogar” (declarações recuperadas pela edição online do Jornal Record do dia 22 de agosto). De momento, resta aos adeptos e sócios leoninos continuar a aguardar a recuperação deste reforço.

Em suma, o Sporting 2018-19 apresenta parcos recursos no seu plantel para a posição de médio defensivo. Essa é uma realidade que, por muitas tentativas e máscaras que possam ser ensaiadas por José Peseiro, pode muito bem vir a ser uma grave lacuna. Pois é nessa posição que reside muito do jogo defensivo de qualquer equipa sendo também a base e o alicerce do processo ofensivo durante a fase de construção. Esperemos que isso não traga dissabores maiores à formação do Sporting.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Miguel Luís: uma das estrelas da cintilante geração lusa bate à porta de Peseiro

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Na convocatória para o confronto europeu frente ao Qarabag FK havia um nome que surgia na lista de José Peseiro pela primeira vez: Miguel Luís, a quem as portas se abriram com as ausências de Misic e Wendel (lesionado). Pese embora tenha sido, posteriormente, remetido para a bancada, esta primeira aparição do jovem médio, para os mais atentos, não é uma surpresa. Miguel Luís é atualmente um dos talentos emergentes da cantera leonina e faz parte de uma geração que promete muito, tanto no Sporting CP como na seleção de todos nós, mas já lá vamos.

Miguel Luís ingressou na Academia de Alcochete em 2009, quando tinha apenas 10 anos, e desde aí foi subindo escalões de forma gradual e sustentada, assumindo-se sempre como uma das figuras e chegando inclusive a ostentar a braçadeira de capitão. Miguel Luís foi presença assídua na equipa de juvenis que se sagrou campeã em 15/16 e foi também um dos maiores destaques individuais da formação verde e branca que conquistou o Campeonato Nacional de Juniores em 16/17. O passo seguinte foi encontrar o seu espaço na equipa B dos leões e ser opção recorrente na UEFA Youth League. Ainda assim, os títulos arrecadados por este talentoso médio, na sua ainda curta carreira, não ficam por aqui. Para além dos títulos nacionais conquistados ao nível de formação, Miguel Luís conseguiu juntar-lhes dois troféus de campeão europeu com a camisola das quinas na qual o médio se assume como uma das estrelas que compõe a cintilante constelação que está a despontar em Portugal. A jovem promessa leonina ajudou com os seus golos e exibições regulares a conquistar o Campeonato Europeu de sub-17 em 2016 (cinco jogos e dois golos) e, posteriormente, foi também peça fulcral para levantar o troféu de campeão europeu mas desta vez de sub-19, no verão passado (quatro jogos e um golo).

Legenda: Jovem médio exibiu-se em bom plano no Europeu de sub-19 durante o verão
Fonte: Site FPF

Dono de um palmarés que fala por si e com uma evolução sólida de ano para ano, Miguel Luís é considerado, atualmente, como uma das promessas mais entusiasmantes a serem gestadas em Alcochete. Aliás, o facto de Miguel Luís estar há sensivelmente um mês a treinar com os “pesos pesados” do Sporting CP e a sua aparição surpresa na última convocatória de Peseiro demonstram por si só que há algo de especial no jovem natural de Coimbra. José Peseiro é um treinador que se tem mostrado atento ao “viveiro” de talentos do clube de Alvalade e se Jovane Cabral tem sido uma aposta evidente (e bem sucedida até agora, diga-se de passagem), o técnico leonino tem estado a acompanhar de perto uma geração de jogadores que o encantam e da qual Miguel Luís faz parte. Algo que ficou bem explícito quando foi questionado acerca dos empréstimos de jogadores como Matheus Pereira, João Palhinha e Francisco Geraldes, pois quanto a isso José Peseiro não hesitou e atirou “Qualquer dos três jogadores da formação que saíram quiseram muito sair. O Miguel Luís, o Elves Baldé e o Thierry Correia querem muito ficar”. Para além de Miguel Luís, Thierry Correia, Elves Baldé e Luís Maximiano são jogadores nascidos também em 1999, que jogam juntos há vários anos e todos eles integram a dia de hoje os treinos do plantel principal verde e branco. O futuro leonino começa a pintar-se de um verde esperançoso com uma fornada de jovens que promete dar muitas alegrias aos sportinguistas, mas agora é tempo para que eles façam a transição mais difícil: a de juniores para o futebol profissional.

Legenda: Miguel Luís faz parte da nova geração de ouro do futebol português
Fonte: Seleções de Portugal

Miguel Luís é atualmente internacional sub-20, tem apenas 19 anos mas possui muito futebol nos pés. O franzino médio (1,78m e 71kgs) é destro e joga habitualmente como médio centro, um “número oito” no papel, mas que se notabiliza por ser um centrocampista muito versátil. Não são raras as vezes em que sobe no terreno e demonstra qualidade não só para se movimentar por dentro mas também por fora, com as suas habituais incursões e diagonais para e pelos corredores laterais. O jovem formado em Alcochete é um médio com uma boa capacidade de chegada à área adversária e possui um faro de golo assinalável para um “número oito”. No entanto, o que mais se destaca no jogar de Miguel Luís são, diria eu, a inteligência e a sua maturidade acima da média. É um futebolista que joga sempre de cabeça levantada, com um excelente toque de bola ao qual alia uma grande eficácia no capítulo do passe. Para além disso, é um jogador de equipa que se sente confortável com a bola nos pés, oferece linhas de passe sucessivas e nunca se esconde do jogo.

O futuro imediato de Miguel Luís irá passar por continuar a treinar com o plantel principal mas, com certeza, jogará de forma mais regular na equipa sub-23 leonina de forma a queimar mais uma etapa no seu crescimento futebolístico, sem pressas, mas que aos poucos se vai revelando como um médio extremamente fiável. Este passo na carreira permite também que se mantenha debaixo de olho de José Peseiro e consequentemente à espreita de uma oportunidade na equipa principal e quiçá a ansiada estreia lhe seja presenteada. O seu potencial e margem de progressão são entusiasmantes mas ainda muita bola tem que rolar para que Miguel Luís comece a ser uma constante nas convocatórias, mas a verdade é que a primeira já a conseguiu. A partir de agora os adeptos sportinguistas estarão cada vez mais atentos ao despontar de mais um jovem talento com o selo da reputada Academia de Alcochete.

Foto de Capa: Bola na Rede

Saudades do golo fácil

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Jonas. É este o nome do jogador de quem o Benfica parece depender para marcar golos. Apesar do brasileiro ainda não ter jogado esta temporada e do Benfica ainda não ter ficado um jogo em branco, nota-se que há uma falha na finalização dos encarnados, com alguns jogos que demonstraram claramente isso: contra o Fenerbahçe, PAOK e Sporting, por exemplo. Foram três jogos que podiam ter tido resultados bastante diferentes caso houvesse uma presença finalizadora na frente de ataque.

O Benfica tem Nicolás Castillo, Facundo Ferreyra, Haris Seferovic e Jonas para pontas de lança do plantel. Na equipa ‘B’ ainda conta com José Gomes e João Filipe. Porém, apenas Jonas parece ser o finalizador capaz de satisfazer a procura por golos nas águias. Castillo ainda é precoce, devido à lesão; Ferreyra não conseguiu cumprir as expetativas durante o tempo de jogo que lhe foi proporcionado, jogando bem, mas marcando pouco e falhando na parte que lhe compete, a finalização; Seferovic parece ter agora entrado para a titularidade, depois de ter tido uma época dificil no Benfica. Marcou por dois jogos consecutivos, mas falta-lhe poderio na frente, mesmo tendo a estatura que tem; José Gomes e João Filipe são ainda jogadores jovens que podem vir a esquecer este assunto num futuro, mas não por agora. Temos, por fim, Jonas, o veterano que dificilmente irá jogar além de uma ou duas temporadas e, mesmo que o faça, está visto que as lesões o começam a perseguir e a impedir de ajudar a equipa.

Mitroglou saiu na época passada, deixando Jonas sozinho no papel de puro finalizador
Fonte: SL Benfica

Posto isto, fica a ideia de que o Benfica não tem um verdadeiro finalizador que esteja pronto para a quantidade de jogos e desafios que uma equipa como o Benfica tem. Faz falta um Óscar ‘Tacuara’ Cardozo, que em dois passos remata de longe e faz um golão, salta no meio da área e finaliza de cabeça seja de que maneira for, está sempre no sítio certo à hora certa, aparece na área para receber os cruzamentos, os desvios dos remates falhados, os passes para a entrada da área e sempre capaz de encher o pé para marcar golos. É preciso um Rodrigo com desmarcações velozes e que marque no frente a frente ao guarda-redes, faça tabelas com o segundo avançado e apareça em zona de finalização para marcar. Faz falta um Lima trabalhador e possante, mas que esteja sempre pronto para o último remate da glória, ou um Mitroglou feroz no desvio para balançar as redes.

A verdade é que tudo isto tem sido mascarado com Jonas a marcar quase 30 golos por época, mas o brasileiro não durará para sempre nem estará sempre pronto para jogar, como já se tem vindo a verificar. O Benfica melhorou o seu jogo esta temporada, com maior envolvimento dos diversos jogadores e várias jogadas de qualidade, mas falta o derradeiro finalizador para estar no sítio certo a finalizar as jogadas brilhantes. Alguém que esteja onde ninguém está na maior parte das vezes durante os jogos do Benfica. Diversos lances acabam nos pés dos adversários porque a bola vai parar a no mans land onde o finalizador deveria estar; ou então nas mãos do guarda-redes porque no onze não estava um jogador com aquele perfil.

Isto não significa que os jogadores supra mencionados não sejam bons o suficiente para atuar no clube! Atenção: aqui esta apenas a minha opinião quanto à falta de um jogador que tenha o perfil de finalizador! Os jogadores que o Benfica tem são pertinentes naquilo que fazem e no tipo de jogo que lhes é característico e nesses aspetos, não falta no jogo encarnado. O que falta é um jogador que só saiba finalizar e não acredito que o Benfica possa comprar dois jogadores de perfil de jogo igual por elevados milhões, que ganhe 43 milhões de euros pelo acesso à Liga dos Campeões e não consiga ir ao mercado comprar um ponta de lança finalizador de renome, que traga garantias, que chegue e se saiba que vai marcar. Alguém que não seja uma dúvida. Se Bas Dost regressa ao Sporting depois de tudo o que se passou, como se justifica que o Benfica não compre um finalizador nato?

Falta um grande nome nas costas de um manto sagrado lá da frente. Um nome que todos os adeptos dentro e fora do estádio possam gritar todos os jogos a festejar mais uma glória.

Foto de Capa: SL Benfica