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Super-substituto em Portugal, Super-Jiménez em Inglaterra

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No Sport Lisboa e Benfica, o grande destaque na ofensiva dos últimos anos tem sido Jonas, cujo número de golos é desafiado apenas pelo seu número de lesões. Assim, quando o brasileiro se encontrava indisponível, ou apenas parcialmente disponível, surgia no seu lugar um avançado mexicano contratado ao Atlético de Madrid: Raul Jiménez. Hoje, esse mexicano está a libertar-se da sua pele de super substituto e, com o Wolverhampton Wanderers FC, na Premier League, está finalmente a assumir o papel de protagonista.

Jiménez nunca apresentou números particularmente relevantes em Portugal. Em 120 jogos pelas águias (mais de 50 deles saído do banco), registou 31 golos e 15 assistências. Na sua melhor época, conseguiu sete tentos na Liga Portuguesa. Embora competente e sempre apto para ter impacto na partida, os adeptos nunca o viam como um potencial titular na equipa. A sua regularidade era posta em causa e, quando Jonas se lesionou na segunda metade da época passada, Rui Vitória lançou Jiménez mais vezes no onze inicial, mas o mexicano ficou aquém das expectativas, confirmando o seu estatuto como um super substituto, nada mais.

Raul “Sin Cara” Jiménez na final da Taça
Fonte: SL Benfica

O seu melhor momento de encarnado surgiu na final da Taça de Portugal de 2016/2017, ao registar o primeiro de dois golos na vitória do Benfica (2-1) frente ao Vitória Sport Clube. Aqui, o mexicano mostrou que tinha a capacidade de surgir em momentos decisivos e ajudar a equipa. Uma mentalidade que em muito ajudou o Benfica na conquista do seu tetracampeonato, em 2017. Ainda assim, não foi suficiente para o manter no Estádio da Luz, e Nuno Espírito Santo, que treinou o Futebol Clube de Porto entre 2016 e 2017, decidiu que, para o regresso dos Wolves ao principal escalão do Futebol inglês, precisaria de Raul Jiménez.

Jiménez celebra o seu golo numa vitória de 3-1 frente ao Everton FC
Fonte: Wolverhampton Wanderers

Segundo o site desportivo Goal.com, os Wolves estão dispostos a pagar 30 milhões de libras (uma transferência recorde para o clube) de modo a tornar o seu empréstimo numa transferência permanente. Mas Jiménez ainda não parece disposto a assumir esse compromisso, afirmando, em declarações ao jornal Mirror, que no fim da época é que irá tomar a sua decisão.

Esta hesitação da parte do mexicano é difícil compreender: está a jogar o melhor futebol da sua carreira, numa liga com projeção mundial e ao serviço de uma equipa com grande margem de progressão. Resta saber se o avançado muda de ideias e continua a dar aos adeptos do Wolves razões para celebrar.

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC

Ciclocrosse como nunca antes visto

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A época de ciclocrosse 2018/2019 chegou ao fim e o principal destaque foi para Ana Santos, que, com idade de júnior de primeiro ano, se destacou entre as Elites, sendo de longe a melhor atleta feminina da época. Já no lado masculino, foram várias as estrelas da estrada a brilhar fora dela, mas os homens do BTT deram luta.

Acima de tudo, a modalidade apresentou um claro crescimento, uma vivacidade nunca antes vista e o aparecimento da SuperLiga do Ciclocrosse do Porto veio ajudar a isso mesmo. Além disso, tivemos corridas atrativas que ajudam a atrair mais adeptos para esta vertente do ciclismo, até agora muito pouco explorada em Portugal.

Campeonatos Nacionais

Ana Santos foi a grande estrela ao competir em Elites e ao sagrar-se campeã nacional. Apesar da tenra idade, a atleta da ASC dominou por completo a jornada e chegou com uma boa vantagem para as adversárias, onde Raquel Queirós foi a melhor das restantes.

Márcio Barbosa ostentando a camisola ganha em Marrazes
Fonte: José Baptista/Portuguese Cycling Magazine

Já nos masculinos, os principais nomes dividiram-se com os mais jovens a decidirem discutir a prova Sub23. Reeditando o duelo dos últimos dois anos, Miguel Salgueiro e Bruno Silva foram os melhores nesta categoria, mas, desta feita, Bruno Silva vingou as derrotas anteriores e conquistou o título.

Por sua vez, nos elites deu-se o mais equilibrado dos combates disputados no Circuito de Marrazes, com os quatro primeiros na discussão até ao fim. Márcio Barbosa acabou por ser o mais forte nos metros finais, relegando Mario Costa e Roberto Ferreira para os restantes lugares do pódio.

Campeonato português: um pomar cheio de maçãs podres

Todos se lembram bem da célebre frase de José Eduardo Bettencourt, ex presidente do Sporting CP, para se referir a João Moutinho na altura em que o jogador se transferiu para o FC Porto. “O João Moutinho é uma maçã podre”, disse ele. Muitas capas de jornais, muito parlapier televisivo, muita polémica gerada à volta destas declarações que durou meses. Ou, pelos vistos, se calhar até anos.

Quase volvida uma década após tal episódio, eis que a frase ressuscita dos mortos e é proferida por um treinador para descrever, adivinhem só, um jogador.

Augusto Inácio veio tecer duras críticas a Amilton, jogador do Aves que neste momento está emprestado ao Antalyaspor, da Turquia. Chega mesmo a dizer que se o jogador “está com a cabeça noutro lado e não no Aves, pode ser o melhor jogador do mundo, mas não serve”. Disse ainda que Amilton fez chantagem para sair e que passava a vida a inventar lesões e desculpas para faltar ao treino.

A isto, o extremo respondeu com uma queixa no Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol. Garante ainda que Augusto Inácio vai a tribunal por difamação e não fica atrás nas críticas: diz que o treinador sai de todos os clubes “como um rato no esgoto”.

O extremo diz que saiu pela porta grande do Aves, enquanto Augusto Inácio, alega Amilton, sai sempre pela porta pequena de todos os clubes por onde passa
Fonte: CD Aves

As maçãs podres acabam por cair. Mas será que é só isso que cai?

Mais um bate-boca, mais um diz que disse, mais uma situação que era completamente evitável no futebol português. As pessoas estão fartas de polémicas, de mesquinhices, etc. Sinceramente, já não há paciência para tantos “mind games“. Não acredito que haja um adepto, que goste realmente de futebol na sua essência, que ainda tenha paciência para estas balelas.

Como bem diz o título, o futebol português está cheio de maçãs podres. E o engraçado de tudo isto é que acham-se todos donos da razão. A fruta podre costuma cair sozinha, mas, neste caso concreto, o que parece que cai é mesmo o futebol português…

Quanto a esta troca de galhardetes, só pergunto: qual era a necessidade de este desentendimento vir a público? Os problemas de um clube devem ser resolvidos internamente e não em plena praça pública. Isto só mostra falta de profissionalismo por parte de três entidades: clube, treinador e jogador.

Não consigo estar do lado de nenhum. Ambos estiveram mal, na minha opinião. São atitudes como estas que têm intoxicado o futebol português até ao tutano, um futebol cheio de maçãs podres onde reina a falsa moralidade. Depois ainda querem que as pessoas vão ao estádio. Para ver novelas, geralmente costuma-se ficar em casa. Se calhar convinha haver menos enredos fora de campo e que se jogasse mais à bola. Digo eu… Será que ainda se lembram, de facto, como é? O futebol só com golos, jogadas bonitas, remates de tirar o fôlego e essas coisas todas? Eu cá tenho saudades e vocês?

Foto de Capa: CD Aves

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Os estranhos casos de Jovane, Miguel Luís e Francisco Geraldes

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Com os maus resultados, mais propriamente desde a derrota em Guimarães, vieram as principais críticas em relação às opções de Keizer. Muito se poderia falar acerca da excessiva utilização de Petrovic, do facto de Gudelj ter “lugar cativo” no onze ou até mesmo do ‘esquecimento’ dos jogadores da formação (Bruno Paz e Thierry Correia). Porém, este texto abordará três casos semelhantes e que têm levantado muitas questões aos adeptos sportinguistas.

Comecemos pelo caso de alguém que iniciou a época a revelar-se da melhor maneira possível: Jovane Cabral. O extremo de 20 anos foi lançado ainda por Peseiro no início da época e o seu tipo de jogo explosivo e acutilante começou logo a criar danos nas defesas contrárias. Nos seus três primeiros jogos, o extremo formado em Alcochete teve preponderância direta em golos em todas as partidas: sofreu um penalti frente ao Moreirense FC na primeira jornada do campeonato, assistiu Nani para o golo da vitória frente ao Vitória FC e estreou-se a marcar no jogo em casa contra o Feirense, golo esse que deu os três pontos à equipa de Alvalade.

O extremo começou a ser visto como a solução ideal para entrar nas segundas partes com o intuito de desequilibrar e resolver as partidas. Foi preciso esperar até ao dia 16 de Setembro, para ver Jovane como titular. Depois disso, jogou cinco minutos no jogo em casa frente ao Qarabag FK (suficiente para ‘molhar o bico’), jogou 19 minutos na derrota em Braga, foi titular na vitória em casa frente ao CS Marítimo para o campeonato e foi suplente utilizado na vitória contra o Vorskla Poltava. Jovane vinha então a ter um papel importante na equipa do Sporting: jogava maioritariamente como suplente utilizado e tinha sempre boas prestações em campo.

Contudo, Keizer veio ‘cortar as pernas’ ao jogador. Nos primeiros dez jogos do técnico holandês, Jovane só não participou num (na vitória frente ao CD Aves), mas a partida em Tondela marcou o início de mau ciclo ao extremo: ficou 7 jogos sem jogar e jogou apenas 5 minutos no dérbi em Alvalade. Muito se tem questionado acerca do ‘apagão’ do jogador, e Keizer continua sem dar uma resposta concreta a esta questão. Todavia, já houve notícias a circular que afirmam que o problema está no empresário do jogador, algo que carece ainda de uma resposta sólida e válida.

Jovane brilhou frente ao Rio Ave com um autêntico golaço
Fonte: Sporting CP

Semelhante ao caso de Jovane, temos o caso de Miguel Luís. O jovem médio de 19 anos apareceu na equipa principal dos leões como a “coqueluche” de Tiago Fernandes: estreou-se, para o campeonato, na estreia do técnico frente ao CD Santa Clara, foi titular em Londres frente ao Arsenal FC e foi titular na partida em casa contra o GD Chaves. Entretanto, a chegada de Keizer touxe um apagão para o médio. Miguel Luís só começou a jogar no quinto jogo da era Keizer e, para além de ter sido titular contra o Vorskla Poltava, marcou nessa mesma partida. A partir desse jogo, aproveitou a lesão de Wendel e foi sempre titular até à partida em casa contra o Belenenses, na qual voltou a fazer o gosto ao pé.

Tal como Jovane, Miguel Luís deixou de ser utilizado a partir desse jogo e foi também noticiado que pelos mesmos motivos que o extremo: problemas no empresário. À semelhança do caso de Jovane, falta também uma resposta concreta para esta problemática.

A estes dois, junta-se Francisco Geraldes. Regressou do empréstimo ao Eintracht Frankfurt, onde também por causa de uma lesão, não contabilizou qualquer minuto. Sendo assim, o médio chegou logo no início de janeiro e o seu regresso foi visto com enorme entusiasmo. Todavia, para espanto de tudo e todos e depois de mais de um mês de treinos pelos leões, Geraldes ainda não se estreou pelo Sporting nesta época.

Depois de ter sido dispensado por Marco Silva, Jorge Jesus e Peseiro, o médio parece não convencer Keizer e muito se especula sobre o que se passa com Geraldes em Alvalade. Depois de ter demonstrado sinais de qualidade nos empréstimos ao Rio Ave FC e ao Moreirense FC, o médio parece não ser o mesmo quando tem o emblema do leão ao peito. Ainda assim, Keizer nunca o colocou em campo. Por isso, Geraldes nunca demonstrou nada em ‘jogo jogado’, também por causa do holandês.
Todos estes casos dão que pensar e fazem com que existam inúmeras dúvidas. É caso para terminar com a pergunta: “o que se passa?”.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Loum… Quem és tu?

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O mercado de inverno terminou com alguma surpresa no FC Porto, com a aquisição de Loum para reforçar o meio-campo. O atleta, cedido pelo SC Braga ao Moreirense FC, foi uma das escolhas de Sérgio Conceição para ingressar a equipa. A lesão de Danilo pode ter sido um dos fatores mais determinantes para a escolha, mas as características do jogador falam por si…

Com apenas 22 anos, o senegalês estava a fazer uma época muito bem conseguida em Moreira de Cónegos, onde em 20 jogos disputados apontou três golos. Defensivamente transmite segurança e a atacar dá a tranquilidade que uma equipa precisa. Ainda assim, o momento alto do médio aconteceu precisamente diante do rival SL Benfica, ao apontar um dos três golos do Moreirense FC, que derrotaram a equipa da Luz.

O atleta esteve ao serviço do Moreirense FC na primeira metade da época
Fonte: Moreirense FC

Começou a jogar na rua de Datar, mas depressa chegou a Portugal, com um crescimento a olhos vistos que elevam as expetativas quanto ao jovem jogador. Estreou-se em Braga, mas apenas pela equipa B, no entanto realizou 68 jogos, com quatro golos apontados.

Numa altura em que o FC Porto está acusar alguma pressão da aproximação do rival encarnado, Loum é mais uma das opções de Sérgio Conceição para fazer face às adversidades e aos resultados menos conseguidos.

O próximo jogo dos Dragões é precisamente diante do Moreirense FC, uma partida que Loum poderá, efetivamente, jogar. Isto porque o clube originário do atleta é o Braga, Isto significa que o jogador não pode jogar apenas contra os bracarenses na 27ª jornada. No entanto este regulamento é apenas válido para os jogos do campeonato, o que significa que para a Taça de Portugal o jogador já pode ser opção.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

As 6 entradas leoninas no mercado de inverno

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O Sporting CP era, dos três grandes, o principal interessado no mercado de inverno, tendo em vista reforçar o seu débil plantel e sobretudo reforçar posições que ficaram com grandes lacunas após a partida de vários jogadores que faziam parte da espinha dorsal do clube. Reforçar não só o seu onze titular mas também as segundas linhas da equipa, e com isto sonhar ainda com o titulo de campeão.

O titulo está cada vez mais longe e a época caminha para um fracasso total. No entanto, o Sporting CP conta, num ponto de vista global, com cerca de 54M€ feitos em vendas na presente época e com gastos a rondar os 31M€, perfazendo um balanço positivo de 23M€. É certo que os leões são um clube vendedor – tal como os outros principais emblemas nacionais – e os melhores jogadores acabam por dar o salto para outros grandes europeus, no entanto, creio que o chavão utilizado de “o clube não ter dinheiro”, acaba por não ser uma justificação plausível e sobretudo é utilizado como a maior desculpa para a direção justificar possíveis insucessos.

Olhando sobretudo para este mercado de transferências de inverno, a direção liderada por Frederico Varandas gastou mais de 10M€ em reforços e a verdade é que até agora, pouco ou nada se viu dos mesmos, pois não foram contratações que tenham entrado de caras no onze ou que tenham acrescentando a qualidade que o plantel leonino necessita no imediato. Por outro lado, as próprias escolhas do treinador também condicionam a afirmação e adaptação dos mesmos. Creio que apesar disto, um dos aspetos mais negativos tem sido – ano após ano – o fraco departamento de recrutamento e scouting, sendo neste momento um dos maiores problemas estruturais existentes no seio leonino, mas que Frederico Varandas prometeu resolver.

Foram seis os jogadores que figuram agora no principal plantel leonino. São eles: Cristián Borja, Francisco Geraldes, Luiz Phellype, Tiago Ilori, Idrissa Doumbia e Gonzalo Plata. De seguida, irei falar mais concretamente de cada um deles e do que podem ou não acrescentar à equipa.

Quando o jogo está demasiado fácil

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No primeiro de dois dérbis entre Sport Lisboa e Benfica e Sporting Clube de Portugal, os encarnados foram a Alvalade, para jogo da Primeira Liga, vencer de forma evidente os leões, por 2-4. Um resultado que representa a clara superioridade das águias quando comparadas ao Sporting naquela partida, mas que, por incrível que pareça, peca por escasso e clarividente. Não digo que o resultado merecia ser outro, que deveria ser um vergonhoso 0-6 para o Benfica. Não é minha intenção diminuir os que vestem verde e branco, atenção! Passo a explicar.

O Benfica foi a Alvalade com Bruno Lage a estrear-se em dérbis, tal como o treinador Marcel Keizer o fazia. Tínhamos, portanto, uma incógnita no que poderia acontecer naquele jogo entre treinadores estreantes e que nunca se enfrentaram. Além do mais, Lage contava com apenas seis jogos ao leme encarnado, tornando relativamente difícil analisar as estratégias do treinador encarnado para este tipo de jogos. O que aconteceu foi um domínio total por parte do Benfica ao longo de toda a partida. Se a vantagem final foi de apenas dois golos, a vantagem de futebol foi diferente – e isto qualquer adepto sportinguista consegue perceber que Keizer falhou redondamente no primeiro dérbi em três dias.

Porém, apesar desse total domínio encarnado, mesmo em casa verde e branca, o Sporting foi para intervalo a disputar o resultado, pois acabava de marcar o 1-2 aos 43 minutos da partida. Mais, quando o resultado estava parcialmente decidido – pelo menos para onde iriam os três pontos – eis que o Sporting marca por duas vezes, mesmo que o primeiro tenha sido bem anulado por fora de jogo e o segundo por grande penalidade bem assinalada.

Bruno Fernandes fez o 1-2 antes do intervalo, em Alvalade
Fonte: Sporting CP

O que quero salientar aqui é o facto de o Benfica ter pecado com a vantagem confortável. Havia uma clara superioridade e segurança na altura em que os encarnados tinham vantagem de duas bolas a zero, mas aconteceu o facilitismo e o desleixo por o jogo estar – e desculpem a expressão – demasiado fácil. Era isto que se passava. Os golos surgiram com naturalidade (três golos, embora um tivesse sido anulado), a troca de bola era eficaz e livre, a organização defensiva não falhava e não havia desconcentração. No entanto, com o intervalo perto e o resultado vantajoso, os jogadores preferiram as jogadas largas e bonitas, as fintas ao invés do passe seguro e a defesa perdeu discernimento da sua posição. Estava feito o primeiro golo dos leões, com mérito posicional do Sporting que fez um excelente contra-ataque, mas com demérito encarnado por permitir tanto espaço a uma equipa com boas armas ofensivas.

A segunda parte chegou com reposição da vantagem a dois golos, com Rúben Dias a fazer o 1-3, e isso foi fulcral para o desenrolar do jogo. O Benfica geriu o jogo e aproveitou os espaços que o Sporting abria, deixando os da casa terem mais bola. Durante grande parte da segunda parte, fê-lo com sucesso, mas aos 73 minutos, Pizzi fez o 1-4 e a equipa perdeu a cabeça. O Sporting voltou a criar perigo cada vez mais junto à baliza e a equipa perdia noção espacial. Ainda houve golo anulado numa transição ofensiva leonina, que o Benfica não conseguiu controlar – já que havia três leões para uma águia no centro da área – antes do lance que levou à expulsão de Vlachodimos e ao 2-4 do Sporting.

Num lance pela direita encarnada, a falta de discernimento a aliviar o lance levou a que a bola batesse num colega de equipa, sobrasse para recarga de um jogador do Sporting à entrada da área em posição central – jogador este que se encontrava com demasiado espaço e liberdade – e depois à falta do guarda redes encarnado para impedir que Bas Dost colocasse a bola na baliza antes de Rúben Dias a despachar em cima da linha de golo.

Isto tornou um jogo de um resultado que podia ser levado a proporções históricas, em caso de maior discernimento dos jogadores do Benfica, para um em que a equipa terminou o encontro com dez jogadores e, ainda, com “apenas” uma vantagem de duas bolas. Um 1-4 será sempre melhor que um 2-4 e a infantilidade do Benfica permitiu que a história fosse escrita da segunda forma.

É preciso moderar os sentimentos em situações destas para que não surjam surpresas. Foi um jogo incrível por parte do Benfica que pecou apenas por estes pormenores que fizeram do resultado diferente daquele que podia ser.

Saudações Benfiquistas!

Foto de Capa: SL Benfica

5 equipamentos que ficaram para a História

O golo de Diego Maradona no Mundial de 86 no México, marcado com a mão, ficou para a História. A agilidade e poder físico de Lev Yashin ficaram para a História. Os cortes imaculados de Maldini ficaram para a História. Este artigo recorda equipamentos que, pelas mais variadas razões, também ficaram para a História.

A Fraude da NFL

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Nunca fui o maior apreciador de Futebol Americano, mas, nos últimos tempos, e em parte pelo excelente trabalho do Daniel Felício Silva, tenho acompanhado com mais atenção a NFL. Por isso, há algo sobre a Superbowl LIII que não consigo deixar de comentar.

Ora, em mais uma vitória dos New England Patriots, o prémio de MVP foi para Julian Edelman – não devia ter ido. O problema não é a inquestionável qualidade do californiano;  o problema é que este não devia sequer ter lá estado.

No início do ano, Edelman foi suspenso por quatro jogos por violação das regras da NFL sobre Substâncias de Melhoria de Desempenho, vulgo, doping. Esta sanção é ridícula e está longe de ser um castigo ajustado às ofensas. Um passo no bom sentido seria adotar uma política mais semelhante à da MLB, que, além de as suas suspensões serem, regra geral, mais longas, suspende não só por um certo número de jogos, como também para os playoffs. Aplicado neste caso, isso colocaria Edelman disponível para a época regular após os quatro jogos de suspensão, mas sem poder participar nos playoffs.

Que credibilidade tem este MVP?
Fonte: New England Patriots

Isso já seria estar a ser suave. A sanção base na maioria dos desportos, estipulada nos regulamentos da WADA é de quatro anos e há uma crescente pressão para que as federações nacionais suspendam os atletas de representar a sua seleção por cinco anos, de modo a falhar duas Olimpíadas.

Além do mais, falta transparência, já que nem sequer é público a que substância acusou Edelman, algo que seria obrigatório se o Futebol Americano estivesse sujeito às regras da WADA. Mas este caso está longe de ser o único, pelo contrário. Estas suspensões são comuns na Liga, mas este em particular é paradigmático e urge uma nova atitude face ao doping.

O abuso de substâncias é um problema grave e que retira credibilidade ao desporto, mas que a NFL prefere esconder a combater frontal e severamente, comprometendo a integridade do jogo.

No país em que o escândalo Armstrong teve repercussões avassaladoras, e quando a criminalização do doping avança em várias partes do globo, este é um mau exemplo, que deve ser denunciado até que a NFL se emende.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: New England Patriots

Abram alas: o SC Beira-Mar está a voltar

Parece que é desta que o histórico clube da cidade de Aveiro vai regressar aos campeonatos nacionais. Depois de uma autêntica travessia no deserto, fruto de uma despromoção administrativa da Segunda Liga Portuguesa diretamente para os distritais de Aveiro, o SC Beira-Mar lidera a Divisão de Elite de Aveiro com 48 pontos, mais quatro que o SC de Bustelo e mais dez pontos que o CF União de Lamas, tendo 15 vitória, 3 empates e apenas 1 derrota consentida.

No final da época 14/15, os Aurinegros garantiram a permanência na Segunda Liga Portuguesa, mas acabaram rebaixados ao distrital de Aveiro por questões administrativas. A direção e as gentes da cidade e do clube apostaram imediatamente no regresso aos campeonatos nacionais, mas a missão tem-se revelado mais difícil e mais morosa do que o esperado.

Se na última divisão distrital, a subida foi conseguida imediatamente na primeira época, a subida ao Campeonato de Portugal Prio tem sido muito mais complicada. Na época 16/17, fizeram mais de 60 pontos, mesmo assim muito aquém do campeão Sporting Clube de Espinho, que conseguiu mais de 80 pontos nessa temporada, não dando a mínima hipótese à concorrência. Já em 17/18, o SC Beira-Mar voltou a fazer um bom campeonato, terminando em segundo lugar com 70 pontos, mesmo assim a 12 (!!) de distância para o novo campeão de Aveiro, o Lusitânia de Lourosa FC.

Esta temporada, a equipa parece mais regular que qualquer outra e a assumir o papel de principal candidato à subida, podendo marcar assim o seu regresso ao futebol nacional, quatro anos depois.

Apesar do descalabro, o SC Beira-Mar continua a ser fortemente apoiado, quer em casa, quer fora
Fonte: SC Beira-Mar

Liderados por Cajó, técnico de 34 anos que começou na formação do clube e agora orienta a equipa principal, os Aurinegros apresentam um plantel com rodagem (a média de idades ronda os 25.5), com destaque para elementos acima da média que já jogaram no próprio clube na Primeira Liga Portuguesa. Aqui os destaques vão inteiramente para Artur, extremo/médio ofensivo de 34 anos, formado no clube e com vários anos de Primeira Liga em carteira, e para Rui Sampaio, médio de 31 anos que jogou inclusive na Serie A de Itália e que foi contratado neste mês de janeiro, ele que já tinha representado o clube também na Primeira Liga Portuguesa.

Para além destes dois galácticos que jogam agora no distrital, o SC Beira-Mar tem três unidades em grande destaque: na baliza apresenta Maringá, guarda-redes contratado ao CD Pinhalnovense da divisão acima, onde vem de uma época onde foi titularíssimo; o goleador de serviço é Bruno Henrique, ponta de lança brasileiro de 26 anos que já tinha jogado na Segunda Liga Portuguesa pelo Leixões SC (sem sucesso, diga-se), que soma oito golos marcados, mais dois que Artur; e o menino bonito de Aveiro, Pedro Aparício, médio de 23 anos, formado no clube, que depois de jogar no GD Gafanha e no RD de Águeda, voltou ao SC Beira-Mar a época passada e tem sido sempre indiscutível, sendo, provavelmente, o ativo mais valioso do clube neste momento.

Fortemente apoiados sobretudo pelos Ultras, o estado do relvado do Municipal de Aveiro tem sido o único ponto fraco
Fonte: SC Beira-Mar

Na próxima jornada, o híper favorito SC Beira-Mar visita o penúltimo classificado SC Vista Alegre, sendo que depois enfrenta precisamente o seu principal oponente, o SC Bustelo no Municipal de Aveiro, num jogo que poderá ser decisivo. Ou o SC Beira-Mar “mata” quase definitivamente o adversário na luta pela subida ou há empate que deixa tudo na mesma e uma vantagem ainda confortável para ser gerida pelos Aurinegros ou o SC Bustelo vence e reacende uma batalha pela subida que só terminará perto do fim do campeonato.

Recorde-se que o SC Beira-Mar conta com 27 presenças na Primeira Liga Portuguesa (a última em 2013) e que já conquistou a Segunda Liga Portuguesa por duas vezes, tal como uma Taça de Portugal em 1999.

 

Foto de Capa: SC Beira-Mar

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro