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Soluções (não) levadas aos extremos

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sl benfica cabeçalho 1Extremos para dar e vender não faltam ao Benfica. No entanto, mesmo assim, continuam a faltar as soluções de que a equipa precisa. A toda a hora chegam novos extremos à Luz, uns bons, outros nem tanto. E, ironia das ironias, há bons que desaparecem do mapa e outros que, nem tanto, são donos e senhores da posição.

E tenho claramente de voltar a implicar com Salvio. Tenho, porque Rui Vitória também continua a insistir no argentino para ocupar o lugar da ala direita. No meio de tantos nomes disponíveis, por quê persistir num jogador tão pobre a decidir e tão fraco a posicionar-se e a definir as linhas de passe? Para quê Salvio, se, no vantajoso 4-4-3, Zivkovic serviria Jiménez com grande facilidade? Mas onde está Zivkovic? O sérvio chegou à Luz com o rótulo de rei do faz e acontece e agora nem no banco se senta. É mais um extremo que chega para despachar, emprestar e eventualmente vender num negócio pouco claro ou pouco lucrativo? Que desperdício…

Outro desaparecido em combate é Franco Cervi. Depois do final da época passada, muito se esperava do argentino. Supostamente, esta seria a época em que conquistaria o seu lugar ao sol. Porque, quando chegou, a concorrência não o deixou afirmar-se depressa. Gonçalo Guedes não era fácil de substituir e havia ainda Carrillo. Esses dois saíram, e Cervi foi-se afirmando, mas chegou Diogo Gonçalves ao plantel principal e o camisola 22 voltou à berlinda. Neste caso, prefiro o pequeno Diogo na condução da extremidade esquerda do Benfica. Cervi tem um físico que lhe permite rapidez e agilidade, mas toma muitas decisões patetas quando se vê mais atabalhoado em lances que requerem mais perícia e astúcia. Na minha opinião, Cervi não faz muita falta ao modelo de jogo Benfiquista (e a falta de experiência no futebol europeu em muito contribui para essa pouca desenvoltura).

O jovem Diogo Gonçalves é a nova aposta da ala esquerda Fonte: SL Benfica
O jovem Diogo Gonçalves é a nova aposta da ala esquerda
Fonte: SL Benfica

Retomando o tópico Diogo Gonçalves, é de salientar a sua boa prestação ao serviço das ‘águias’ desde que foi promovido à equipa principal. Tem feito tudo para conquistar a confiança do treinador e tem-na merecido, porque joga bem. Claro que lhe falta muita coisa, o miúdo tem 20 anos. Mas é uma jovem promessa e parece que já agarrou o lugar na ala esquerda. Nunca se deixa intimidar nem desiste dos lances. É essa ousadia que falta a tantos jogadores e que é, por isso, tão valorizada.

E sabe jogar em equipa. Joga de olhos no chão, mas, quando se vê com a bola no pé, os olhos estão já postos na frente de ataque, à procura da melhor oportunidade para cruzar ou para rematar. E remata de onde for preciso! Fintar jogadores para levar a bola até dentro da baliza? Para quê, se pode chutar já ali do meio da rua e fazer o golo? Verdade seja dita, o rapaz já merece o golo de fazer levantar as bancadas da Luz. Diogo, bem. É para continuar.

FC Porto 3-2 Portimonense SC: Final de loucos mostrou a fibra do dragão!

fc porto cabeçalho

À terceira esteve quase a ser de vez. Este poderia muito bem ter sido o provérbio ideal para traduzir esta alucinante partida de futebol, sempre disputada em alta rotação, com os algarvios a deixarem (mais uma vez) uma excelente réplica. Faltou pouco para que se confirmasse a eventual surpresa que Vítor Oliveira deixara no ar na véspera. Ponta final de muita crença azul e branca permitiu a passagem à próxima eliminatória, num jogo em que Casillas voltou à baliza e Sérgio Conceição foi expulso.

Sérgio Conceição assegurou alguma desconfiança para com os elogios de Vítor Oliveira na véspera da partida e, como tal, apresentou o melhor onze, dentro das limitações conhecidas. As entradas de Casillas, Óliver e André André fizeram sentar Brahimi e José Sá, ao passo que a ausência de Herrera, por lesão, seria inevitável.

O início do jogo não permitia antever a dificuldade em que se transformaria o resto da partida. Danilo, aos 5’, abriu o ativo quando surgiu solto na área para responder a um canto de Alex Telles. Tudo parecia fácil, mas a réplica dos algarvios era forte e exigia concentração a todos os níveis, algo que a defensiva portista não teve, quando deixou, nas suas costas, o ponta de lança Wellington esquecido. Meio aos repelões, o brasileiro lá aproveitou para bater Casillas e premiar a audácia visitante, que ia colocando em sentido a equipa portista.

Brahimi foi determinante na consumação da reviravolta azul e branca. Fonte: metro.com.uk
Brahimi foi determinante na consumação da reviravolta azul e branca.
Fonte: metro.com.uk

Face a tamanhas dificuldade para encostar o rival e partir para cima dele, Sérgio não perdeu tempo e, com cinco minutos do segundo tempo, lançou Brahimi para o lugar do apagado Hernani. O argelino agitou o ataque mas não foi, pelo menos no imediato, o antídoto certo para os males portistas. Esse (antídoto) viria a ser a bomba de Pedro Sá que deixou Casillas imponente para travar o segundo dos algarvios. A reviravolta estava consumada aos 67’, e a sombra de uma eliminação precoce da competição pairou no relvado e nas bancadas do Dragão. Mas a reação, apesar de tardia, acabou por chegar.

Antes de ser expulso, por excessos nos protestos, Sérgio lançou as cartas que podia, promovendo a estreia de André Pereira (por troca com André André) e a inclusão de Layún, por troca com Corona. Uma vintena de minutos sem uma única oportunidade e o desespero acercava o coração e a cabeça de todas as almas portistas, quando já o quarto árbitro mostrava a placa com os sete minutos de descontos, que castigavam as demoras nas substituições de Welligton e Tabata. Perante tamanha agitação, eis que o génio de Brahimi descobriu a aberta perfeita para deixar Aboubakar isolado (aos 90’) e este, com sangue frio, não desperdiçou. A explosão de alegria e descompressão de toda a acumulação nervosa viria a ser uma realidade ao quarto minuto de compensação, quando uma receção falhada do camaronês deixou a bola escancarada para o argelino consumar a reviravolta e carimbar o bilhete para a próxima fase.

Como jogou o FC Porto:

Titulares: Casillas, Ricardo, Felipe, Marcano e Alex Telles; Danilo, Oliver e André André; Corona, Hernani e Aboubakar.
Suplentes: José Sá, Reyes, Sérgio Oliveira, Brahimi, Galeno e André Pereira.
Substituições: Brahimi por Hernani aos 52’, André Pereira por André André aos 69’ e Layun por Corona aos 75’
Suplentes não utilizados: José Sá, Reyes, Sérgio Oliveira e Galeno.
Cartões: Amarelos a Alex Telles, Marcano e Layún.
Golos: Danilo aos 5’, Aboubakar aos 90’ e Brahimi aos 94’.

Como jogou o Portimonense:

Titulares: Carlos Henriques, Hackman, Felipe Macedo, Rúben Fernandes, Lumor, Rosell, Pedro Sá, Tabata, Dener, Wellington e Nakajima.
Suplentes: R. Ferreira, Ewerton, Fabrício, M. Henrique. Manafá, Pires e Jadson.
Substituições: Ewerton por Dener aos 64’, Jadson por Wellington aos 84’ e M. Henrique por Tabata aos 88’.
Suplentes não utilizados: R. Ferreira, Fabrício, Manafá e Pires.
Cartões: Amarelos a F. Macedo aos 45’ e aos 76’, Pedro Sá aos 60’, Wellington aos 84’ e Tabata aos 88’. Vermelho a F. Macedo aos 76’.
Golos: Wellington aos 30’ e Pedro Sá aos 67’.

Há condições para Manuel Fernandes ir ao Mundial?

Cabeçalho Seleção Nacional

Falamos, hoje, do jogador luso-cabo-verdiano, que conta com 31 anos e, que fez toda a sua formação no SL Benfica. Um jogador que teve uma carreira com pouco sucesso, onde se estreou, em 2004, ao serviço do seu clube de formação, mas que acabou por ser emprestado aos clubes ingleses, do Portsmouth FC e Everton FC. Teve, ainda, uma longa passagem pelo Valência CF (2007-11) onde participou em apenas 49 jogos, tendo sido emprestado novamente por duas vezes. O português jogou ainda no Besiktas JK e, desde 2014 representa o Lokomotiv Moscow.

Tem sido uma experiência complicada para Manelélé, pois nos últimos anos foi pouco utilizado, contudo esta época o jogador está a ser preponderante para a equipa russa que se encontra no topo da liga, forma que lhe custou uma chamada à selecção, 5 anos depois, para disputar dois jogos solidários, frente à Arabia Saudita e aos EUA, de preparação para o Mundial de 2018, questão fundamental para Manuel Fernandes.

Manuel Fernandes tem-se destacado, em 2017, sendo uma peça fundamental no Lokomotiv Moscow, líder actual da liga russa Fonte: Facebook oficial do Jogador
Manuel Fernandes tem-se destacado, em 2017, sendo uma peça fundamental no Lokomotiv Moscow, líder actual da liga russa
Fonte: Facebook oficial do Jogador

Apesar da boa época realizada este ano, na Rússia, Manuel não tem sido capaz de se impor no mundo do futebol, principalmente em Moscovo, visto que entre 2015 e 2016 realizou 26 jogos, menos dois do que na época de estreia, um registo que nenhum jogador de futebol pretende ter.

Por outro lado, agora sim, em relação á seleção, o experiente volante conta apenas com 11 internacionalizações A, tendo marcado por três vezes, e confronta-se com uma concorrência muito forte. Fernando Santos tem um leque alargado de médios centros que podem ocupar um lugar, primeiro do que Manuel Fernandes, na convocatória lusa. Falamos de João Moutinho, João Mário, William Carvalho, Danilo Pereira, André Gomes e, ainda, Pizzi, que tem estado em baixo de forma, Adrien Silva que não joga desde Setembro, Renato Sanches, que vive um período difícil na sua carreira.

Penso que é uma situação difícil para o jogador de 31 anos que, apesar de tudo conta com alguns troféus no seu palmarés (uma liga portuguesa, uma taça de Portugal, uma taça do Rei, uma taça da Turquia, e duas taças da Rússia), não se tem destacado e garantido um estatuto de titular habitual, o que lhe poderá custar a chamada ao Mundial de 2018, a realizar na Rússia.

No final de contas, Manuel Fernandes, ficará sempre em casa sendo ou não convocado, pelo seleccionador português, para o Mundial.

 Foto de capa: Instagram Oficial do jogador

Um Pizzi que não o está a ser, ou que nunca o foi

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sl benfica cabeçalho 1Muito se tem debatido o momento de forma de Pizzi. Os benfiquistas afirmam que é apenas um momento de menor espetacularidade da carreira, já os adeptos de outros clubes dizem que este sim é o verdadeiro Pizzi. Não o hispano-argentino que jogou no Barcelona, mas o Luís Miguel Afonso Fernandes.

Nas épocas transatas, o médio português, ou extremo, conforme a opção tática do treinador, assumiu um papel de enorme destaque pelo que jogava, mas, sobretudo, pelo que fazia jogar. Desde ser o jogador que transportava a bola até zonas mais avançadas – Fesja é essencialmente um médio de recuperação defensiva -, era também o jogador que fazia passes de rutura que, com frequência, criava situações de superioridade numérica ofensiva.

Para além de Jonas, que é o maior desequilibrador na equipa encarnada, era no jogador que em tempos passou no Atlético de Madrid que se depositava a esperança de que num passe de qualidade elevada desbloqueasse defesas bem organizadas e, consequentemente, um resultado menos favorável. Não me recordo concretamente, mas de certo li e ouvi muitas vezes dizerem que era o melhor médio a atuar em Portugal, estatuto que não conseguiu manter, nem em Portugal nem mesmo no Benfica.

O que vemos hoje é um jogador desmotivado, que falha passes com grande frequência, considerando aquela a que habituou os adeptos, e que assume alguma timidez, numa forma suave de dizer pressão, na hora de assumir o controlo do jogo. Sem ideia de jogo, bola vem bola vai e nada acrescentar a não ser mais um passe para a estatística da partida.

É a má forma que Pizzi está a atravessar a causa do seu baixo rendimento? Fonte: SL Benfica
É a má forma que Pizzi está a atravessar a causa do seu baixo rendimento?
Fonte: SL Benfica

Considerando as outras hipóteses de Rui Vitória, vejo em Krovinovic um bom jogador, com talento nos pés e uma margem de evolução que o pode deixar algo entusiasmado com o futuro, contudo só tem ganho maior destaque face ao momento de forma de Pizzi. Qual seria o adepto benfiquista que olharia para o jovem com hipóteses de ser titular se de súbito não se tivesse gerado um intenso debate sobre a forma de Pizzi? Talvez só os “entendidos da bola” ou aqueles que com o jovem trabalham ou trabalharam e que lhe reconhecem características de jogador de elevada qualidade, mas essa é uma questão que deixo para outro artigo.

Já comparar o português a Filipe Augusto nem considero sensato, uma vez que são jogadores de características muito distintas, pelo que não iria ser por essa comparação que se iria perceber se Pizzi já não é Pizzi, ou se nunca o foi na verdade.

De momento, não vislumbro uma resposta concreta para o dilema que eu próprio decidi colocar no título do artigo. No entanto, para bem dele, do Benfica e, eventualmente, da seleção – algo que neste momento me parece perfeitamente descabido, mas cuja hipótese não descarto por completo – que Pizzi nunca tenha deixado de ser Pizzi. Apenas ainda está de férias.

Foto de Capa: SL Benfica

O mercado de inverno em Portugal: A necessidade de compras e vendas da Primeira Liga

Cabeçalho Futebol Nacional

O mercado é sempre uma dor de cabeça para os clubes. Ora porque são sujeitos a esforços dantescos para proteger as suas jóias, ora porque tentam esticar o orçamento e garantir uma estrela ou suprir uma vaga deixada por alguma lesão ou castigo prolongado. São inúmeros os cenários e o adepto é contagiado pela febre das “compras” e até sofre para que o mercado feche ou desespera pela falta daquele reforço sonante que vai, teoricamente, conseguir-lhe o campeonato de mão beijada. Fantasias…

Gonçalo Paciência ingressou em janeiro passado no plantel do Rio Ave FC Fonte: Site oficial Rio Ave FC
Gonçalo Paciência ingressou em janeiro passado no plantel do Rio Ave FC
Fonte: Site oficial Rio Ave FC

O mercado português está longe das realidades de Espanha e Inglaterra e mesmo desses novos poços de dinheiro que são a França e Itália. A realidade portuguesa resume-se a construir o plantel para a época em causa. Uma equipa portuguesa nunca aborda o mercado com o intuito de construir, ano após ano, uma equipa recheada de estrelas e discutir as provas europeias, ombro a ombro, com os “tubarões”. Isso verifica-se tão claramente no mercado de inverno. Os competidores da Primeira Liga movimentam-se na janela de transferências apenas se houver necessidade. Essa necessidade existe sempre; lesões ou castigos que precisam de ser colmatados, substituir jogadores que se transferiram devido ao seu bom desempenho ou jogadores que vão sair por terem desiludido com as suas prestações. É também bastante frequente reforçar o plantel consoante o apuramento, ou não, para as provas europeias. A necessidade de frescura física para um alargado leque de competições onde a equipa se insere a isso obriga. Com base nos empréstimos, movimentam-se bastantes jogadores, essencialmente dentro de portas. Quer isto dizer que o negócio entre competidores diretos da Primeira Liga ou de escalões inferiores é o privilegiado. Exceção feita aos “grandes” que procedem à recolocação de jogadores em equipas de outra dimensão competitiva, quer em Portugal, quer no estrangeiro, para que os mesmos evoluam com tempo de competição.

Para quando a profissionalização dos guerreiros?

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Cabeçalho modalidadesO Sporting de Braga/AAUM tem vindo a ganhar cada vez mais notoriedade no futsal português, assumindo-se cada vez mais como o terceiro clube no nosso país. Este ano de 2017, conseguiu aceder à final dos play-offs na primeira divisão e por conseguinte estrear-se na UEFA futsal Cup, algo incrível quando nos referimos a uma equipa semiprofissional.

Olhando para o crescimento brutal que o clube bracarense tem tido nos últimos anos, não só no futebol de salão, obviamente, mas é uma variante na qual os guerreiros do Minho têm evoluído a olhos vistos e sobre qual o meu artigo irá incidir. Mesmo com as limitações e os condicionalismos resultantes de não ser possível dedicar o seu tempo todo a treinar, só mesmo quando se transferem para os grandes de Lisboa ou para o estrangeiro, os jogadores minhotos conseguem esbater essas diferenças e equilibrar os jogos, com alguns brilharetes pelo meio. Para além disso, o clube nortenho tem permitido a muitos jogadores de qualidade a chamado para diferentes escalões das seleções nacionais Realmente é com muita pena que vejo o Braga com este estatuto, pois se assim já dão tantas alegrias ao povo bracarense em particular e ao português no geral, imagino se a equipa de Paulo Tavares fosse completamente profissional. Creio que nessa situação passaríamos a ter três equipas a disputar os títulos nacionais com armas obviamente diferentes mas já num patamar mais aproximado.

Este é o grupo onde calhou o emblema minhoto, com grandes formações pela frente Fonte: SC Braga
Este é o grupo onde calhou o emblema minhoto, com grandes formações pela frente
Fonte: SC Braga

Quem diz o SC Braga também inclui obviamente outras equipas como a Desportiva do Fundão, a CCRD Burinhosa, o MODICUS, os Leões de Porto Salvo ou o Belenenses, entre outros. Claro que estava a destacar o Braga pela sua estreia na Liga dos Campeões de futsal, onde irá defrontar na ronda de Elite o Inter Movistar, o Kairat Almaty e o atual campeão romeno Deva. Um grupo muito complicado tendo em conta o palmarés do Inter, atual campeão europeu em título e do Kairat, que também conquistou esta competição há pouco tempo, em 2015. Os romenos não têm um nome tão sonante como os outros dois, mas é uma equipa totalmente profissional, logo tem outras condições que os arsenalistas não têm.

Isso dentro da quadra até pode não se notar, e nesse caso o mérito vai todo para a equipa técnica e jogadores da equipa portuguesa, mas o certo é que sem a tal profissionalização da equipa, irá sempre ser extremamente complicado sonhar com algo mais do que a presença na ronda de Elite da UFC ou ganhar campeonatos nacionais, ou pelo menos disputar regularmente as finais do play-off do principal escalão.

Foto de Capa: SC Braga

O significado de sangrar verde

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Cabeçalho modalidadesDo sonho da off-season ao pesadelo da noite de estreia. Do pesadelo da noite de estreia a uma época de sucesso. Dois primeiros jogos, duas derrotas. Catorze jogos seguintes, catorze vitórias. Resumo curto do que tem sido a época dos Boston Celtics.

O verão foi perfeito para os comandados de Brad Stevens. Via free-agency conseguiram um dos jogadores mais cotados, Gordon Hayward. Via trade, uma das estrelas mais pretendidas, Kyrie Irving. Mas tudo isto podia ter sido em vão com grave lesão que afetou Hayward logo na primeira noite da época. A equipa de Boston perdeu esse jogo e o seguinte, mas o que sucedeu desde aí tem que ser considerado a maior surpresa da temporada e a mais bela história até ao momento.

Foram catorze vitórias em outros tantos jogos, incluindo o último embate com os campeões em título, Golden State Warriors, no derradeiro teste à sua streak. É também de realçar que nesta onda de vitórias a equipa para além de não contar com Gordon Hayward, já viu elementos como Al Horford e Kyrie Irving falharem jogos por lesão, bem como Marcus Morris que não começou a temporada nas melhores condições físicas. É então complicado perceber como a época tem trazido tanto sucesso, mas vamos por partes.

Como uma verdadeira equipa, os Boston Celtics superam problema atrás de problema Fonte: NBA
Como uma verdadeira equipa, os Boston Celtics superam problema atrás de problema
Fonte: NBA

Em primeiro lugar, o draft. Trocar a primeira escolha pela terceira e trazer Jason Tatum para Boston mostra que a equipa sabia bem o que desejava e o que melhor se enquadrava nos seus objetivos. O jovem vindo da Universidade de Duke está ter um ano de rookie muito interessante, contribuindo com produção ofensiva mas igualmente com presença defensiva. O mesmo se pode dizer de Jaylen Brown, jogador de segundo ano. As melhorias em relação ao seu primeiro ano na liga são consideráveis e sentem-se profundamente no jogo da equipa. Em segundo lugar, e surpreendam-se como eu, a defesa dos Boston Celtics.

Esta equipa defende, ganha ressaltos, começando por Al Horford e passando pela intensidade trazida do banco quer por Marcus Smart quer por Terry Rozier. Até Kyrie está mais empenhado nas tarefas defensivas. A capacidade atlética desta equipa tem que ser igualmente um ponto a ter em conta. Existem vários jogadores que podem rodar por posições diferentes no campo, o que lhes permite defender vários jogadores. Brad Stevens, a calma durante qualquer tempestade.

O nome do técnico dos Celtics não pode passar despercebido. O treinador tem conseguido fazer tudo o que se pode pedir a um timoneiro na NBA: desenvolver jovens (Tatum, Brown, Smart), lidar com lesões, manter as figuras da equipa satisfeitas e claro, ganhar jogos. O sucesso coletivo da equipa é uma prova de força do sistema de jogo de Brad Stevens. E por último, mas ainda sim bastante importante, o calendário. Tem sido uma série de jogos com dificuldade média-baixa, o que claramente contribui para as catorze vitórias, não retirando com isto nenhum mérito ao que tem sido feito.

A vitória contra os Golden State Warriors na última madrugada não faz destes Boston Celtics os verdadeiros adversários da dub nation mas, sem dúvida, coloca a equipa de Brad Stevens mais perto desse patamar. Por volta de maio/junho de 2018 teremos a resposta. Esta equipa sangra verde, dentro e fora de campo.

Foto de Capa: Boston Celtics

Os jogadores que mais vezes vestiram azul e branco – Jaime Magalhães

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Durante 15 anos jogou de dragão ao peito, tendo sido fundamental na consolidação do clube a nível nacional e europeu.

Começou a carreira com um penteado frondoso, acabou-a quase careca. Um dos melhores jogadores portugueses da década de 80, com uma técnica acima da média, não rematava muito, era elegante dentro de campo e sereno fora dele, um craque discreto.

Nascido a 10 de Julho de 1962 no Porto, ingressou nas camadas jovens do clube azul e branco na época de 1976/77 e estreou-se na equipa sénior quatro anos depois, com apenas 18 anos.

Chegou ao plantel sénior em pleno “verão quente”: Pinto da Costa tinha sido demitido por Américo de Sá, Pedroto suspenso e 14 jogadores recusaram-se a treinar pelo FC Porto em solidariedade com Pinto da Costa; passados dois anos muito sofridos, Pinto da Costa vence as eleições presidenciais, chama Pedroto e o resto é história.

Na época de 1984/85 marcou um total de 11 golos, o melhor da sua carreira Fonte: alchetron.com
Na época de 1984/85 marcou um total de 11 golos, o melhor da sua carreira
Fonte: alchetron.com

Com a camisola azul e branca Jaime disputou 409 partidas, nas quais marcou 45 golos.

Em 15 anos no clube conquistou sete campeonatos nacionais, sete Supertaças Cândido de Oliveira, quatro Taças de Portugal, duas Taças Associação de Futebol do Porto, uma Taça dos Clubes Campeões Europeus e uma Taça Intercontinental em 1987 e uma Supertaça Europeia em 1988.

Em 1995/96 foi transferido para o Leça Futebol Clube onde, nessa mesma época, deu por terminada a sua carreira de jogador.

Estreou-se pela Seleção Nacional com apenas 19 anos. Com 20 internacionalizações, marcou presença no Campeonato Europeu de 1984 e no Campeonato do Mundo de 1986.

Foto de Capa: paixãopeloporto 

artigo revisto por: Ana Ferreira

Sporting CP 2-0 FC Famalicão: Festa da Taça, mas pouco…

sporting cp cabeçalho 1Sporting CP e FC Famalicão abriram a quarta eliminatória da Taça de Portugal num Estádio José Alvalade com pouca gente, mas com forte presença de adeptos da equipa nortenha, que encheu a bancada a si destinada.

Os primeiros minutos de jogo contaram com um Famalicão por cima, com Rui Costa a estar em evidência e a quase marcar logo no segundo minuto de jogo.

No entanto, foi o Sporting, como não podia deixar de ser, a equipa a criar mais perigo, mas não sem antes ter mais uma lesão muscular, no caso de Jonathan Silva, tendo entrado Gelson Martins para o lugar do argentino.

Bruno César, Podence e Gelson foram os que mais mexeram no jogo, mas a eficácia nunca foi a melhor com Bas Dost raramente a conseguir rematar. O momento mais quente da gélida noite lisboeta foi um remate do meio a rua de Bruno César que embateu no poste com estrondo.

Empate a zero justo ao intervalo, apesar do Sporting ter feito mais para chegar ao golo.

A segunda parte abriu com um Sporting a mesma vontade de marcar e com Podence a comandar as hostes, onde foi o protagonista de dois lances de bastante qualidade. Contudo, a equipa da casa dava espaço aos adversários para ajustarem a sua tática, tendo ainda rematado com perigo à baliza de Rui Patrício.

Foi já depois de o relógio marcar a hora de jogo que os leões se colocaram em vantagem. Coates, após canto batido por Bruno Fernandes – que entrou para substituir o apagado Petrovic -, apareceu ao segundo poste e cabeceou com força, não dando hipótese a Gabriel.

O Famalicão não deu o jogo por perdido e acabou por tentar responder na mesma moeda. Também num canto batido do lado direito, o central João Faria aparece no centro da pequena área sem marcação e remata de cabeça à baliza leonina. Valeu a atenção de Rui Patrício para evitar o tento da equipa forasteira.

Fonte: FPF
Fonte: FPF

Os comandados de Jorge Jesus não tiraram o pé do acelerador e continuaram a fustigar a baliza adversária, mas sem sucesso. Dost ainda enviou uma bola à barra e Coentrão tentou também de cabeça após um cruzamento bem tirado por Ristovsky.

O segundo golo acabou mesmo por acontecer. Podence, que até ao momento estava a fazer um jogo bastante positivo, fez um cruzamento milimétrico para Bas Dost, que só teve que encostar para o fundo das redes famalicenses.

Ainda antes dos 90 minutos regulamentares, Mattheus Oliveira, recém entrado, comete uma grande penalidade. Durante a paragem que antecedeu a marcação do penálti, Bruno Fernandes deu bastantes indicações a Rui Patrício. Estas de alguma coisa valeram: o guardião leonino adivinhou o lado para onde Rui Costa rematou, deixando assim as suas redes invioláveis.

Vitória justa mas algo apagada do clube leonino, que desta forma passa aos oitavos de final da Taça de Portugal. Faz-se ainda uma ressalva aos jogadores e adeptos do Famalicão, que proporcionaram sempre um bom espetáculo dentro e fora das quatro linhas, mostrando que também se joga bom futebol na Segunda Liga e que não são esquecidos pelos seus adeptos, que demonstraram um apoio incansável à respectiva equipa.

O Vice Campeão Europeu que poucos conhecem – Entrevista a Bruno Magalhães

entrevistas bola na rede

Foi em Oeiras que Bruno Magalhães nos recebeu. O vice-campeão europeu de ralis teve a sua melhor temporada, a nível de resultados no estrangeiro, mas lamentou o azar do Chipre e a falta de apoios que teve ao longo da temporada, que, para já, ainda não lhe permite garantir a próxima temporada.

Bola na Rede (BnR): Para quem não conhece tão bem o Bruno Magalhães, como e porque nasceu a paixão pelos ralis?

Bruno Magalhães (BM): A paixão nasceu por tradição familiar – o meu pai fazia ralis – e eu, desde os seis anos, comecei a ir ver os ralis do meu pai. Portanto, se eu quando era miúdo gostava de jogar à bola e tinha aquela paixão toda pelo futebol, a partir dos meus 12/13 anos, aquilo que eu queria era fazer ralis e o meu sonho foi virado para os ralis; tinha aquela ideia do futebol, e até tinha jeito, mas, quando conheci o mundo das corridas, esqueci logo o futebol.

BnR: Quando foi o primeiro rali que fizeste?

BM: O meu primeiro rali foi em 1999, na altura tinha 18 anos, e foi o Rali Portas de Ródão, com um Volkswagen Golf GTi.

BnR: Preferes ralis de terra ou de asfalto? Quais as particularidades de cada piso?

BM: Sinceramente, gosto dos dois, são pisos muito diferentes. Enquanto a condução em terra dá muito gozo porque o carro anda sempre a escorregar e de lado, o asfalto, quando é um asfalto bom, dá muito prazer – temos que andar no limite e à procura do décimo de segundo, que é uma coisa que na terra não acontece tanto. Normalmente, quando faço dois ralis de asfalto seguidos, tenho saudades de conduzir na terra, se faço dois ralis de terra seguidos, tenho saudades de conduzir no asfalto. De facto, o único piso que ainda não experimentei a 100% foi neve – já fiz o Rali de Monte Carlo com neve, mas era neve em cima de alcatrão, portanto é diferente. Gostava de fazer um rali verdadeiramente de neve, com aqueles pregos grandes, que é quando é neve em cima de terra. Se me perguntasses qual era o rali que eu mais gostava de fazer e que ainda não fiz, diria que é o Rali da Suécia.

Bruno Magalhães com a equipa oficial da Peugeot Fonte: Bruno Magalhães
Bruno Magalhães com a equipa oficial da Peugeot
Fonte: Bruno Magalhães

BnR: A chegada à equipa oficial da Peugeot foi o momento mais determinante da tua carreira?

BM: Claro que sim. Nessa altura eu ainda era bastante novo, e foi isso que me permitiu alcançar os títulos que tenho e, portanto, esse foi o ponto fundamental, até porque estava numa altura em que, a nível pessoal, não conseguia suportar mais os custos, que eram cada vez mais elevados. Foi com a entrada na Peugeot que consegui tornar-me profissional e, nessa altura, as coisas correram-me bastante bem – foi o que me permitiu ter a carreira que tenho hoje.