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Os maiores goleadores da história do FC Porto: Carlos Duarte

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fc porto cabeçalhoSempre que um adepto do FC Porto pensa em goleadores do clube certamente recordará nomes como os de Fernando Gomes, Domingos Paciência ou Mário Jardel. Porém, há outros futebolistas que pontificam na história dos azuis e brancos pelos golos que marcaram e, entre esses, conta-se o nome de Carlos Duarte.

Atualmente com 84 anos de idade, o extremo direito nascido em Angola realizou um total de 228 jogos ao serviço do FC Porto nos quais marcou 98 golos (média de 0,43 golos por jogo), tornando-se assim no décimo goleador da história do clube. Poucos se recordarão de Carlos Duarte, jogador que chegou ao FC Porto no longínquo ano de 1952. Porém, esses certamente recordarão a célebre dupla que este formou com Hernâni, uma “sociedade” que dava verdadeiras lições de como ultrapassar opositores com recurso a tabelas.

Numa época em que o futebol era muito mais “romântico”, mas em que os futebolistas tinham também, tendencialmente, menos recursos técnicos do que na atualidade, Carlos Duarte destacava-se pela velocidade e pela finta curta. O seu futebol caraterizava-se pela verticalidade, por ter os olhos sempre postos na baliza adversária mesmo quando recebia a bola em zonas recuadas do terreno de jogo, ainda que por vezes abusasse das jogadas individuais. Contudo, é sabido que as dinâmicas coletivas eram relativamente subvalorizadas no futebol praticado nas décadas de 1950 e 1960.

Carlos Duarte em baixo à esquerda ao lado de Hernâni, Noé ou Perdigão Fonte: Dragaopentacampeao
Carlos Duarte em baixo à esquerda ao lado de Hernâni, Noé ou Perdigão
Fonte: Dragaopentacampeao

Se ao serviço do FC Porto Carlos Duarte conquistou oito Taças da Associação de Futebol do Porto, duas Ligas Portuguesas e duas Taças de Portugal ao longo de 12 temporadas (algo muito relevante numa época em que o clube não tinha a mesma dimensão do Sporting CP e, sobretudo, do SL Benfica), na seleção portuguesa de futebol o seu percurso foi bem mais modesto. Com o centralismo a reinar na “equipa das Quinas”, Carlos Duarte somou apenas sete internacionalizações nas quais apontaria somente um golo. Porém, esse foi um golo especial, marcado em 1958 em pleno Estádio de Wembley, frente à todo-poderosa seleção de Inglaterra, num jogo que Portugal viria a perder por 2-1 mas no qual deixou uma excelente imagem junto da imprensa internacional.

Já depois de o FC Porto ter recusado uma oferta de 600 contos do AC Milan para a aquisição do passe de Carlos Duarte, uma grave lesão no joelho sofrida em 1959 acabaria por marcar em definitivo a sua carreira, que chegaria mesmo ao fim em 1965, já ao serviço do Leixões SC. Pese embora nos últimos anos a sua condição física já não lhe permitisse ser o futebolista que outrora marcara o futebol português lado a lado com Jaburú, Teixeira, Noé ou Perdigão, o FC Porto não esqueceu aquilo que este fez pelo clube tendo-lhe, em 2003, atribuído o “Dragão de Ouro” simbolizando a “Recordação do Ano”.

Foto de Capa: Memória Azul

artigo revisto por: Ana Ferreira

Suspiro de alívio, grito de força

Começa a paragem para a disputa de jogos entre as seleções nacionais, jogos estes que contam para a qualificação para o Mundial de 2018, na Rússia. Numa altura em que a Liga NOS termina a oitava jornada sem vitórias dos grandes, a distância entre Benfica, Sporting e FC Porto mantém-se a mesma: Benfica com menos três do que o Sporting e menos cinco que o líder FC Porto.

Que os encarnados estão em “crise” é um tema que já fez correr muita, e até talvez demasiada, tinta em Portugal. É verdade que o clube apenas ganhou metade dos jogos que disputou e que perdeu uma oportunidade de ouro para diminuir a distância para os rivais, e também é verdade que tais acontecimentos são raros quando se trata de um clube como o Benfica, quanto mais depois de vencer 12 dos 16 títulos nacionais possíveis nos últimos anos; no entanto, exatamente por ter ganho um tetracampeonato, e nem todos eles terem começado da melhor forma, há que colocar a hipótese de uma subida de performance na equação. Há dois anos atrás, no primeiro ano de Rui Vitória, a equipa perdera a oportunidade de passar para a frente do campeonato após desaires dos rivais, mas acabou por perder frente ao Arouca, fazendo-o recuar um passo, na vez de avançar dois.

Contudo, uma série de vitórias consecutivas, levou as águias a recuperar pontos que os adversários iam deixando cair, enquanto estes faziam a sua escalada positiva. Mesmo após o desastre por 0-3 na Luz, frente ao principal rival nesse ano, Sporting, quando se dizia que o bicampeão poderia estar a deixar fugir a coroa, nova série de vitórias consecutivas no término da temporada, levou mais um título de campeão nacional para o palmarés encarnado.

Com isto, não estou a fazer prognósticos, atenção, pois é preciso muito cuidado com as palavras para que não seja mal entendido. O que quero com isto dizer é que maus momentos, o Benfica tem mostrado (infelizmente) várias vezes, embora que as performances da equipa nunca tenham estado tão abaixo da fasquia imposta em anos anteriores. Não obstante a má fase que se apresenta, só agora estamos em Outubro e há muita bola para chutar daqui até Maio.

Se há boa altura para que os encarnados possam rever a matéria e corrigir os erros nos vários testes desta época, é agora. Competições em Portugal em pausa, há que pegar nos apontamento e praticar, trabalhar (como o treinador encarnado gosta de dizer) e criar rotinas num onze base, algo que tem falhado imenso no plantel.

Rui Vitória terá de ensinar de novo ao plantel a jogar futebol, a saber trocar a bola, pressionar, defender, atacar e tudo mais, pois parece andar tudo a falhar seja qual for o onze que entra em campo. Penso ser oportuno criar um onze base que garanta bons resultados, trabalhar esse onze e, quando for preciso alguma alteração, esse substituto saber como tem de jogar, e os outros dez, saberem como ele vai proceder em campo. Quebrar o estilo de jogo lento, sem ideias e incrivelmente previsível que se tem visto nas quatro linhas é uma tarefa prioritária. Já não me lembrava de ver um Benfica com tanta qualidade em campo e a jogar com tão precárias e primitivas ideias de jogo que se cingem no passar a bola para os centrais de modo a virar o jogo, subir as linhas com a posse de bola e meter a bola no Pizzi para que tente colocar em linhas mais ofensivas, ou então colocar nas laterais para um cruzamento onde não tem ninguém (na maioria das vezes), ou Jonas, rezando para que esteja em dia sim e faça algo de extraordinário.

Não se vê um contra ataque rápido e mortífero, entendimentos entre os médios e os extremos ou avançados, já nem bolas nas costas da defesa se consegue fazer com qualidade, como se fazia no início para Seferovic, valendo-lhe alguns dos golos que marcou.
Outra coisa que anda a falhar, e para terminar, é a vontade. Os jogos andam a passo, não estão confiantes de que tudo aquilo vai correr bem logo no momento seguinte ao apito inicial. Não basta gritar cá do fundo e juntar a equipa no festejo do golo de Jonas para que tudo melhore. É preciso concentração e deixar a cabeça no lugar que é preciso. Ninguém num clube como o Benfica se pode dar como vencido como estes jogadores aparentam fazer enquanto jogam de águia ao peito. Se assim acontece, não são dignos de usar o manto sagrado. O treinador tem de recolocar essa chama nos jogadores e fazê-los ver o tamanho da instituição que representam, inspirá-los a fazer melhor, transmitir mais força e confiança do que aquela com que apareça nas conferências de imprensa. Chega do mesmo discurso, é preciso mais. Os jogadores precisam de ver um novo vídeo do Guilherme Cabral antes de cada jogo para chegarem ao campo e não restar relva.

É muito cedo para tirar quaisquer conclusões. Há tempo para recuperar os danos causados neste miserável início de época. Mas se é tempo de corrigir tudo, é agora. Não podemos corrigir quando for tarde demais. Podemos fazer história em conquistar o penta, isso não é suficiente para vos dar gana para vencer qualquer um?

É mais do que possível, pois só depende de nós. O presidente disse na assembleia geral para os adeptos acreditarem, mas parece que somos os únicos a acreditar. Só faltam vocês. Isto ainda é nosso. “ACREDITEM, PORRA!”, peço-vos. Saudações Benfiquistas

Um Menino chamado Iuri

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Bola colocada na relva e iniciada a medição dos ângulos. A respiração de um estádio inteiro suspendeu-se com a bola a entrar bonita na baliza. Marcar na Luz não é para todos, mas marcar na Luz desta maneira está mesmo só ao alcance de alguns iluminados. Começavam então os Sportinguistas a criticar a ausência no plantel de um dos mais promissores produtos de Alcochete, que no Boavista fez uma época que justificou um carimbo de maturidade. Foi por isso com naturalidade que Iuri Medeiros integrou o lote de escolhidos para a presente temporada do Sporting.

Vestir a camisola verde e branca é um estatuto difícil e todos nós sabemos disso. Ser um craque ainda não é critério suficiente, embora ajude, havendo depois disso uma conjugação de factores determinante para o sucesso. Iuri Medeiros tem várias características que aprecio muito. É rápido com a bola e sem ela, sabe finalizar, a técnica está lá e, como se não chegasse, multiplica-se no campo quando as coisas correm bem. É daqueles jogadores que dá sempre jeito ter porque, de vez em quando, lá vem aquele jogo que precisa de ser agitado por alguém que tacticamente não comprometa – já vimos isto algumas vezes esta época. No meio de tanto pormenor inebriador, chega sempre o momento de questionar por que é que Iuri Medeiros ainda não explodiu, levando-nos a pensar na tendência de se colocar no leque de jogadores que não chegaram a afirmar-se.

Começamos pela análise mais óbvia e sintética. O actual plantel do Sporting não permite grandes ambições a quem se encontra na segunda linha de opções. Quando num lado temos Gelson e no outro temos Acuña, as coisas complicam-se. Mas no futebol os cenários são hábeis em alterações repentinas. Contudo, é aqui que se encontra a principal dificuldade de Iuri Medeiros. Um plantel competitivo. E na racionalidade estatística temos de ser justos: não podemos pedir a um jogador que, à primeira oportunidade de entrar em campo, resolva o jogo e ocupe a capa dos jornais. Às vezes acontece, é verdade. Mas às vezes não é sempre. E à grande gestão mental a que estar habitualmente no banco de suplentes obriga, já é uma conquista digna de elogio, ainda para mais quando estamos na flor da idade. O futebol tem este lado cruel.

É por ter esse lado mais negro que às vezes o futebol pode ser ingrato. Um jogador esclarecido nas suas capacidades pode encontrar no oráculo circunstancial o seu maior desafio. Passemos ao segundo lado da análise, e que não pode ser tão sintético como o primeiro porque também se suporta na filosofia. Há muitos casos em que a desmotivação culmina no final de uma carreira promissora. É isto e o peso da responsabilidade, essa condição que nem todos dominam bem. Ainda não é tempo para sabermos se o Iuri Medeiros veio por aqui, mas tal como os cenários, no futebol os caminhos também se alteram. É por isso que não é o fim do Mundo nem tão pouco é demasiado tarde. É bom que nos lembremos que há uns anos atrás começou a historia deste rapaz. Um menino chamado Iuri. Esperem para ver.

 

Alexander Zverev à beira de acabar o ano no top 3 mundial

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Cabeçalho modalidadesA narrativa do circuito ATP em 2017 tem sido, justificadamente, dominada por Roger Federer e Rafael Nadal – os dois colossos do ténis mundial que dividiram entre si a maioria dos títulos mais importantes, incluindo os 4 torneios do Grand Slam e que lideram o ranking mundial com enorme vantagem sobre o resto do circuito.

Atrás dos dois maiores nomes da modalidade, porém, vem quiçá a história mais intrigante do ano, o jovem alemão de 20 anos Alexander Zverev que se apresta a acabar o ano na terceira posição do ranking mundial, o que o tornaria no jogador mais jovem desde Novak Djokovic em 2007 a alcançar tal feito. Mesmo com a derrota sofrida perante Nick Kyrgios nas meias finais de Beijing recentemente, o Alemão mantém uma vantagem de 600 pontos sobre Dominic Thiem na ATP Race e mais de 1000 sobre qualquer outro jogador. Sendo verdade que há ainda 2 Masters 1000 e o World Tour Finals por jogar, Zverev é claramente favorito à terceira posição do ranking no fim de 2017.

Dada a diferença abissal entre o top 2 e o resto do circuito, alguns poderiam tentar diminuir o feito de Zverev, e poderiam ter alguns argumentos válidos: de facto, apesar da sua posição actual, Zverev tem menos de metade dos pontos do número 1 (9675 vs 4320); também é verdade que a sua prestação em torneios do Grand Slam esteve muito abaixo do esperado, com nem sequer uma presença nos quartos de final até à data.

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Zverev já ganhou cinco torneios em 2017
Fonte: ATP

É verdade que Zverev ainda não atingiu um nível em que pensar em ser número 1 possa ser realista, mas deu sinais este ano de que pode estar para breve; o Alemão ganhou 5 títulos até à data em 2017, dois deles de categoria Masters 1000, batendo Djokovic e Federer nas finais. Venceu também 51 encontros no circuito, demonstrando que tem a consistência para jogar ao mais alto nível semana após semana (algo que, por exemplo, Nick Kyrgios ainda não demonstrou). Tendo em conta a idade e progresso constante de Zverev, uma das grandes questões para 2018 será se Sascha conseguirá subir mais um nível e tornar-se num candidato a títulos do Grand Slam e ao topo do ranking mundial.

Foto de Capa: ATP

Um caldeirão em ebulição

Cabeçalho Futebol NacionalDepois da surpresa da segunda metade da temporada passada, o Marítimo tem voltado a ser a equipa sensação da primeira liga, ocupando para já um brilhante quarto lugar na tabela classificativa.

Já muito se falou da influência do trabalho de Daniel Ramos para o desempenho da equipa maritimista. Se na temporada passada o apuramento para a Liga Europa foi uma surpresa, esta temporada a classificação da equipa madeirense é uma confirmação.

Mesmo depois das vendas dos principais pilares da equipa insular: Fransérgio, Dyego Sousa, Maurício e Raul Silva a equipa tem conseguido obter um desempenho ainda melhor do que aquele que tinha, a esta altura, na temporada anterior.

Apesar do elenco de Daniel Ramos não estar recheado de estrelas a equipa verde rubra possui alguns jogadores que estão a dar nas vista. É o caso do guarda redes Charles, que até à temporada anterior estava tapado na luta pela titularidade, Bebeto reforço brasileiro que veio adicionar qualidade ao eixo defensivo da equipa, ao médio Turco Erdem Sen uma espécie de Fejsa, um autêntico motor na estratégia de Daniel Ramos, ao qual se junta Éber Bessa, uma formiguinha de trabalho que completa a equipa no miolo do terreno.

Em terrenos mais avançados, Ricardo Valente tem dado nas vistas com a sua velocidade e verticalidade, o jovem português confirma assim o enorme talento que muitos já anteviam mas que nunca fora confirmado em clubes anteriores. A este marítimo falta apenas um avançado em cunha na frente de ataque. Rodrigo Pinho e Éverton Nascimento tem mostrado qualidade mas denotam ainda algumas fragilidades no momento de por a redondinha no fundo das redes. Edgar Costa apesar de poder ocupar a posição mais adiantada na frente de ataque da equipa, não é um ponta de lança clássico.

O elo de ligação desta equipa é a qualidade tática apresentada. Defensivamente, este marítimo é provavelmente, umas das equipas mais bem trabalhadas desta primeira liga. A equipa consegue jogar em linhas baixas e em linhas subidas com o mesmo à vontade o que demonstra que o sistema trabalhado por Daniel Ramos está bem oleado. Na última partida frente ao Benfica, viu-se a qualidade defensiva desta equipa. As linhas estão sempre muito juntas, sendo que à pouco espaço para entrar no bloco médio desta equipa e quando o há, a equipa compensa com a atitude e a agressividade tática as lacunas ocorridas. Mas esta equipa do marítimo não é só uma equipa que defende bem. A equipa de Daniel Ramos, apesar de não ser uma equipa virada para o ataque, é uma equipa que ataca bem. Processos simples, transições rápidas, muita verticalidade, objetividade e eficácia são estas as premissas da proposta ofensiva deste Marítimo.

Daniel Ramos tem sido o grande responsável por mais uma grande campanha da equipa verde rubra Fonte: CS Marítimo
Daniel Ramos tem sido o grande responsável por mais uma grande campanha da equipa verde rubra
Fonte: CS Marítimo

Ora, a juntar às qualidades supra mencionadas, esta equipa do Marítimo conta também com um forte apoio da sua massa adepta. Já lá vai mais de um ano que este marítimo sofre a sua última derrota em casa. Para a liga no novo caldeirão dos Barreiros este marítimo ainda não perdeu, o que diz bem da influência que o fator casa tem tido no trajeto da equipa insular.

Outro fator não menos importante que tem conduzido ao sucesso da equipa tem sido a ligação com a equipa B. Como se sabe, a equipa insular não tem realizado investimentos avultados no seu plantel principal. Muita da sua aposta, tem passado pelos jogadores que chegam da equipa B. Apesar da equipa B insular estar no CPP há muita qualidade neste elenco e conta-se que alguns dos jogadores deste plantel possam subir à equipa principal nas próximas temporadas.É o caso de: Nanu, lateral direito que na temporada passada deu nas vistas principalmente pela sua velocidade. No meio campo há o caso do jovem André Teles, um dos esteios esta equipa que garante a eficácia na transição da equipa B do Marítimo. Na frente de ataque há o caso do jovem Carlos Daniel que já se estreou na primeira liga à sete anos ao serviço do UD Leiria mas que anda não deu o salto.

Este projeto madeirense com Daniel Ramos ao lemo tem tudo para ser um dos mais bem sucedidos do futebol português, mais uma vez prova-se que o trabalho  e a qualidade podem falar mais alto do que o aspeto financeiro. A este nosso futebol português faltam mais equipas como este Marítimo e treinadores com a qualidade de Daniel Ramos.

Foto de Capa: CS Marítimo

O Clã Paciência

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fc porto cabeçalhoEm 1982 nas camadas de sub-15 do Futebol Clube do Porto, diretamente de Leça da Palmeira chegava o jovem Domingos Paciência, cinco anos depois fez a sua estreia no plantel principal do Porto e nesse mesmo plantel ficou durante dez anos, ganhou um lugar no coração dos adeptos azuis e brancos, com 232 jogos e marcando 92 golos. Posteriormente devido a uma lesão, o ponta de lança perdeu espaço no plantel e cedeu o seu lugar para Mário Jardel. O jogador ainda passou alguns anos em Espanha ao serviço do Tenerife, mas regressou ao Porto para terminar a sua carreira. Depois dedicou-se à carreira de treinador, tendo tido como pontos altos da sua carreira um vice-campeonato na época 2009/2010 e um segundo lugar na Liga Europa, na época 2010/2011.

Domingos deixou saudades ao universo portista, além de 15 títulos e 101 golos, qual foi a herança que Domingos deixou ao clube que o formou?

Domingos deixou uma herança para o seu clube muito mais valiosa que um título, ou um golo, Domingos encaminhou os seus dois filhos Gonçalo e Vasco Paciêcia a ingressar no Futebol clube do Porto para fazer formação.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Começando pelo mais velho, Gonçalo atualmente tem 23 anos, fez a sua estreia oficial enquanto sénior a 12 de janeiro de 2014 com a equipa B do porto, batendo o Portimonense por duas bolas a zero. Um ano depois, a 15 de Janeiro de 2015, Gonçalo fez a sua estreia pelo plantel principal frente ao Braga num jogo a contar para a taça da liga. Gonçalo na época seguinte foi emprestado à Académica, após 30 jogos e quatro golos, o ponta de lança voltou a ser emprestado, desta vez ao Olympiacos, onde acusou um problema cardíaco que o obrigou a regressar mais cedo a Portugal. Em Janeiro no entanto voltou a ser emprestado, desta vez ao Rio Ave. Atualmente, o jogador joga emprestado ao Vitória de Setúbal. Apesar de ainda não se ter afirmado no clube de origem, fez trajetos interessantes ao que toca às seleções de base. Tendo guiado a seleção sub 21 em 2015 até a final do europeu e tendo sido o melhor marcador português nos jogos olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

E o filho mais novo de Domingos Paciência? Vasco atualmente tem 17 anos, fez e está a fazer a sua formação no Porto e, tal como o pai e o irmão, é ponta de lança. Apesar de ter 17 anos, joga com os sub-19 azuis e brancos, onde esta época em 126 minutos jogados em três jogos, fez balançar as redes adversárias uma vez.

E o futuro? Poderemos daqui a cinco ou seis anos ver um plantel orientado por Domingos Paciência e uma frente de ataque liderada pelos seus filhos? Apesar de parecer utópica esta possibilidade, a crescente aposta do Porto nos seus quadros de formação no 11 inicial e ter uma velha glória do clube no cargo de treinador, torna esta possibilidade mais fácil de acontecer.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Domingos

Artigo revisto por: Beatriz Silva

GP Japão: Azar de Vettel é a sorte de Hamilton

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Cabeçalho modalidadesEste Grande Prémio do Japão seria mais importante do que nunca para as aspirações de Vettel no campeonato, depois dos desaires de Singapura e Malásia, onde a Ferrari tinha tudo para triunfar e levar até ao último Grande Prémio a luta pelo título, que este ano tem sido bastante interessante e emotiva.

Hamilton chegava a Suzuka com uma vantagem de 34 pontos sobre Vettel, partia da Pole e tinha o alemão a seu lado. Tinha tudo para ser uma corrida normal e renhida, com luta e incógnita até à última volta entre dois grandes campeões do mundo, mas a Ferrari voltava a mostrar dificuldades e problemas de fiabilidade, e até mesmo pouco antes do início da corrida, os engenheiros já estavam a tentar solucionar o problema. Problema esse que iria destinar o fim da linha para o alemão da Ferrari e muito provavelmente o fim deste campeonato.

A partida ocorreu com toda a naturalidade, Hamilton partiu e ficou na liderança da prova, e Vettel com problemas no turbo e na potência do motor acabou por ser ultrapassado por todos os pilotos, até à ordem da box para regressar e terminar a corrida. As contas do título estavam praticamente resolvidas a favor de Hamilton e da Mercedes, e a certeza desse facto estava estampado no alemão e em todos os rostos da equipa italiana. A verdade é que enquanto for matematicamente possível há que acreditar, e é com essa vontade e crença que os italianos juntamente com Sebastian irão trabalhar arduamente e esperar por um igual desaire por parte de Hamilton e da Mercedes.

Por outro lado, Hamilton que obteve 2 vitórias de mão beijada (Singapura e Japão) devido aos desaires de Vettel e da Ferrari, a verdade é que o inglês tem as portas do seu 4º título escancaradas, bastando fazer mais 16 pontos que o alemão já no próximo GP em Austin nos EUA, e o inglês iguala Vettel em 4 títulos de campeão mundial de Fórmula 1. O cenário é mais que provável, e teríamos nova surpresa se tal não acontecesse, no entanto, até as contas do título estarem fechadas o melhor é assistir a tudo, porque nesta modalidade e o que 2017 nos ofereceu, contar com o ovo no cú da galinha dá sempre mau resultado.

Verstappen e Ricciardo concluíram o pódio de Suzuka
Fonte: F1

Singapura, Malásia e Japão, na teoria estes circuitos mencionados, davam como mais favoráveis à Mercedes. Contudo, na prática a Ferrari em Singapura com a Pole de Vettel tinha tudo para vencer e voltar a ser líder do campeonato, tal não aconteceu devido ao incidente entre os dois pilotos da Scuderia e Verstappen. Na Malásia, a Ferrari apresentava-se bastante competitiva e com um ritmo superior aos Mercedes, de tal forma que até a Red Bull já se encontrara ao nível dos germânicos, mas um problema afastou Vettel daquela que seria mais uma Pole e luta certa na corrida, ainda assim o alemão fez uma excelente recuperação, de 20º até 4º. E por fim, no Japão, o cenário repetiu-se e os transalpinos acabaram por deitar tudo a perder, 1 ano de trabalho árduo e de competividade com a Mercedes que tinha tudo para ter um final de temporada quente e um dos mais imprevisíveis dos últimos anos.

O título está praticamente entregue, os demasiados azares de Vettel acabam por determinar em conquistadas fáceis de Hamilton. Esperava-se um final de campeonato alucinante e dos mais memoráveis dos últimos anos, mas basta o inglês conquistar mais 16 pontos que o alemão para o igualar em 4 títulos mundiais.

 

Foto de Capa: F1

China Open: Nova Número Um Mundial e…Outra Vez Caroline Garcia!

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Cabeçalho modalidadesSe na vertente masculina o China Open é “apenas” um torneio ATP 500, na vertente feminina este não se trata de um torneio do Grand Slam mas anda lá perto. Na capital chinesa alinhavam-se praticamente todas as melhores tenistas do mundo (como Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova, Karolina Pliskova, Caroline Wozniacki, Elina Svitolina, Angelique Kerber, Dominika Cibulkova, Johanna Konta, Jelena Ostapenko, Sloane Stephens, Svetlana Kuznetsova, Agnieszka Radwanska, Maria Sharapova ou Simona Halep) para um torneio que, sabia-se à partida, poderia provocar mudanças no topo do ranking WTA e na WTA Race.

E foi isso mesmo que aconteceu! O reinado de Garbiñe Muguruza durou apenas quatro semanas e terminou da pior forma: logo na primeira ronda, frente a Barbora Strycova, a espanhola de 23 anos desistiu do encontro no segundo set. Muguruza, sabia-se, estava com gripe e tal não lhe permitiu terminar em encontro no qual, claramente debilitada, estava a ser verdadeiramente cilindrada por Strycova. Simona Halep aproveitou da melhor forma e, desta vez, não desperdiçou a oportunidade: chegando à final do China Open Halep tornou-se, aos 26 anos de idade, na 25ª tenista a atingir o topo do ranking WTA (a quinta em 2017!). Este é também um feito inédito para o seu país, já que nunca uma tenista romena havia chegado à liderança do ranking mundial da modalidade.

Simona Halep é a nova número um do ranking mundial
Fonte: WTA

No que ao torneio diz respeito, se a combatividade e consistência de Halep não são novidade e, como tal, não é surpreendente a sua chegada à final, do outro lado da rede a adversária era uma verdadeira outsider. Depois de vencer o Dongfeng Motor Wuhan Open na semana anterior, Caroline Garcia chegou a Pequim motivada e num grande momento de forma e, assim, deixou pelo caminho Elise Mertens, Alizé Cornet, Elina Svitolina (num extraordinário encontro de ténis) e Petra Kvitova para chegar à final.

Tão depressa lhe deram como retiraram

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Estenderam-lhe a passadeira vermelha para a catedral, mas a passadeira não terminava dentro das 4 linhas. Tinha, um pouco antes, um pequeno desvio à direita que o levava para um banco cujas cadeiras, diga-se, são bastante confortáveis.

16 anos separam Rúben Dias de Luisão. Em relação a Jardel a diferença é pouco menor: 11 anos. Dizemos nós, incluo neste caso todas as pessoas, apreciadoras de desporto ou não, que quanto maior a idade maior a experiência. De facto, à partida, o pensamento está correto. Mas será que isso é uma verdade absoluta?

O jovem foi chamado a substituir Jardel e fê-lo bem nos dois jogos que efetuou. O Benfica não perdeu no Bessa devido à titularidade dele. Aliás, atrevo-me a dizer que o principal culpado dessa derrota, para além da equipa, naturalmente, foi o treinador Rui Vitória. Mas não pretendo neste artigo atribuir culpas, até porque de fora todos somos donos da razão.

O que me leva a escrever sobre este tema é o facto de Rui Vitória ter dado a Rúben Dias a oportunidade de agarrar o lugar no centro da defesa e, sem razão aparente, lhe retirar a mesma.

Fonte: serbenfiquista
Fonte: serbenfiquista

O que é que Jardel ou Luisão têm que o internacional sub21 português não tem? Se a resposta for experiência, muito bem, estamos de acordo. Mas e a experiência de ambos, tem sobressaído? Penso que a resposta é óbvia.

Luisão faz-se valer do conhecimento tático para gerir o seu esforço, muitas vezes efetua cortes que o demonstram, mas quando os adversários são autênticos velocistas ou evoluídos tecnicamente essa tal experiência não tem chegado. Basta relembrar o que aconteceu na Suíça. Esta situação poderia ter sido acautelada se, ao seu lado, estivesse um jogador com maior capacidade física para equilibrar a linha defensiva e fazer as suas dobras caso fosse necessário. O que não aconteceu.

Ao seu lado estava Jardel, um jogador que também não tem tido sorte ao nível das lesões, e cujo rendimento desportivo não tem sido minimamente consistente.

Neste momento a defesa está ao nível daquela que tem um clube como o Braga, e com isto não quero desvalorizar os bracarenses. Quero apenas dar ênfase ao facto de terem dimensões diferentes e lutarem por objetivos também eles diferentes.

Após olhar para a situação da equipa, a nível exibicional e de resultados, e, com especial foco, no caso da defesa, parece-me nítida a necessidade de um jogador como Rúben Dias. A falta de experiência não pode, nem deve, ser desculpa, porque se com jogadores experientes na defesa a situação é lamentável a única hipótese que existe é alterar.

Rúben Dias neste momento oferece mais disponibilidade física à equipa, maior rapidez nos movimentos defensivos, e uma vontade maior de mostrar serviço pelo facto de não ter o lugar garantido.

Se a aposta em Lindelof resultou, porque não fazê-lo também com Rúben Dias?

Com isto não quero dizer que se deva colocar Luisão e Jardel no banco, mas sim que apenas há espaço para um. E vai ser a experiência do jogador que for titular que vai compensar a irreverência e a imprevisibilidade de um jogador jovem, tal como aconteceu no caso de Lindelof.

A experiência ganha-se competindo, e Rúben Dias só a vai ganhar se lhe deram oportunidade para tal.

 

Foto de Capa: SL Benfica

Insuficiências crónicas

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sporting cp cabeçalho 1

“Sugiro aos leitores uma pequena observação: olhem para o banco do FC Porto. E depois olhem para o do Sporting. Qual é o plantel mais curto, afinal?”

Quando se fala de insuficiência crónica, o primeiro cenário que surge na nossa cabeça costuma ser algo da vertente renal, em que, nomeadamente, os rins perdem a capacidade das suas funções. Felizmente para todos os leitores, este texto não vai aprofundar as eventuais anomalias do organismo do ser humano, mas sim as insuficiências crónicas a que se vai assistindo, ano após ano, época após época, no reino de Alvalade.

Olhemos especificamente para o plantel da equipa sénior masculina do Sporting Clube de Portugal. Um onze base, de muita qualidade – mais do que nos anos anteriores -, mas radicalmente diferente das opções que Jorge Jesus tem no banco de suplentes. Vejamos um exemplo algo óbvio: na semana passada, o Sporting defrontava o Porto em Alvalade, num jogo de enorme importância para as contas do título. Bruno Fernandes, o playmaker e jogador-chave do processo ofensivo da equipa, apresentava-se completamente esgotado nos primeiros quinze minutos da segunda parte (muito em parte devido ao desgaste acumulado da Liga dos Campeões). Olhava-se para o banco, e quem surge como substituto natural do português? Ninguém. Qual é o médio com profundidade ofensiva que pode ocupar o lugar de Bruno? Ninguém. Jorge Jesus tentou adiar a substituição ao máximo por uma simples razão: não confia nas suas alternativas. Prefere, na prática, ter um titular completamente desgastado do que uma alternativa “fresquinha”, o que diz bem da mentalidade do treinador leonino. E atenção: pessoalmente, percebo perfeitamente as hesitações de Jesus. Mattheus Oliveira não é uma alternativa credível para as ambições do Sporting, e Adrien vai treinando à parte para os lados de Inglaterra.

Fonte: Sporting CP

Quem sobrou, portanto? Bruno César. Um ala/lateral-esquerdo/tapa-buracos que serviu exatamente para tapar um buraco mais que notório no meio-campo leonino. Numa posição que nem é, naturalmente, a dele. Mas não é só nesse meio-campo que os problemas existem. Jonathan não é uma alternativa de confiança a Coentrão, não existem opções no ataque (a avançado), e creio que é preferível nem falar das alternativas a Coates e Mathieu.

A pergunta que se coloca é: porquê? Como é possível não haver alternativas para posições tão importantes num plantel? Porque é que Jorge Jesus se foca só em fazer um onze, esquecendo o resto do plantel? O presidente não deve intervir nestes aspetos, na preparação de uma época?

São muitas perguntas para tão poucas respostas, nesta altura do campeonato. Não creio que estejamos perante um plantel fraco, porque não estamos, mas quando se fala, por exemplo, de um Porto com tão pouca profundidade para o que falta desta época, sugiro aos leitores uma pequena observação: olhem para o banco do FC Porto. E depois olhem para o do Sporting. Qual é o plantel mais curto, afinal?

 

Foto de Capa: Sporting CP