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GP do Japão: pole para Hamilton, último lugar para Alonso

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Cabeçalho modalidadesParece bastante improvável, mas é verdade: Lewis Hamilton nunca tinha conquistado a pole-position no circuito de Suzuka. 71.ª da carreira, décima da temporada, o piloto inglês continua a colecionar qualificações e a cavar uma distância cada vez maior para Michael Schumacher, que até este ano era o recordista absoluto de poles.

Hamilton esperou pela Q3 para fazer um tempo que lhe garantiu não só o primeiro lugar da grelha, como o recorde de volta no Japão: 1.27.319. Valtteri Bottas classificou-se com apenas 0.332s a mais, mas foi penalizado em cinco posições por ter trocado de caixa de velocidades. Sebastian Vettel, apesar de ter sido o terceiro mais rápido, beneficia do castigo de Bottas e arranca ao lado de Hamilton. Em teoria, é uma boa oportunidade para o alemão tentar um bom começo e intrometer-se na tranquilidade do Mercedes. Mas os tempos de Lewis Hamilton e o andamento que mostrou este fim-de-semana vão tornar a tarefa de Vettel quase impossível.

Os Red Bull saem ambos da segunda linha e têm mais uma oportunidade fulcral para conquistar um pódio e, quiçá, incomodar Vettel. Ainda assim, até pelos tempos de Ricciardo e Verstappen vemos que o controlo da Mercedes em Suzuka é claramente superior àquele que vimos em Sepang na semana passada: o australiano ficou a 0.987s de Hamilton, o holandês a 1.013s.

Fonte: Mercedes-AMG Petronas Motorsport
Fonte: Mercedes-AMG Petronas Motorsport

E se o segundo carro da Mercedes foi penalizado em cinco posições, o segundo carro da Ferrari não quis ficar atrás. Kimi Raikkonen teve um acidente no último treino livre e, apesar de ter feito o sexto melhor tempo do grid, deve arrancar de décimo.

Cá mais para trás, os dois Force India conseguiram ficar nos dez primeiros e Felipe Massa também fez uma classificação notável. Fernando Alonso nem sequer queria correr – já sabia que tinha uma penalização de 35 lugares para cumprir – mas acabou por fazê-lo por, tal como disse, “querer fazer uma boa qualificação perante os adeptos da Honda”. E cumpriu. Fez o décimo melhor tempo. Vai sair de último depois das várias alterações que a Honda fez no monolugar durante a noite.

O Grande Prémio do Japão tem data marcada para amanhã, com início às seis da manhã, hora de Portugal.

 

Foto de Capa: Mercedes-AMG Petronas Motorsport

Sporting CP 5-2 SL Benfica: Vira o disco e toca o mesmo…

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Cabeçalho modalidadesMais uma vez, a segunda no espaço de três dias, SL Benfica e Sporting CP jogaram mais um intenso e escaldante derby. Como tem sido costume nestes últimos tempos, o Sporting voltou a ganhar, desta feita por cinco bolas a duas, num jogo onde não há muito a dizer, vitória justa e inequívoca dos leões.

Para já, em três jogos oficiais entre estes dois clubes, as vitórias sorriram sempre ao emblema leonino. Ainda não é preocupante, é certo, porque o mais importante é entrar forte na fase de decisões, mas começam a soar os alarmes dado que o investimento no plantel foi muito grande e não tem correspondido em termos de resultados. Ainda para mais no meu caso particular, que sou um adepto confesso da equipa encarnada, custa perder tantos jogos com o rival, que neste início mostra claramente ser a equipa mais forte no futsal português.

Os jogadores e a equipa benfiquista ainda não estão completamente entrosados, pelo que espero que apenas seja uma fase e no fim da temporada o Benfica possa estar no seu melhor para lutar com o Sporting pelos grandes troféus nacionais, em especial na fase de play-off conforme tem sido hábito nos últimos anos, com exceção da época anterior, onde a final se discutiu entre Sporting Clube de Portugal e Sporting Clube de Braga e da época 2013/14, com final entre a Desportiva do Fundão e os Leões, com a equipa fundanense a ser orientada na altura pelo atual timoneiro das águias, Joel Rocha.

Foto de Sporting Clube de Portugal - Futsal.
Os leões venceram o primeiro derbu no seu novo pavilhão
Fonte: Sporting CP

Portanto, ainda não é caso para desespero, mas claro que os adeptos mais entusiastas estão já um pouco tristes pelo sucedido nesta fase da temporada. Só para relembrar o que aconteceu na época transata, os verde e brancos tiveram bastantes dificuldades contra o Benfica mas sagraram-se campeões nacionais no fim da temporada.

Será um prenúncio para o irá suceder esta época? Veremos…

A escassez de dragões na seleção!

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fc porto cabeçalhoNuma altura em que se aproximam os compromissos internacionais e com o Mundial (se tudo correr bem) já ao virar da esquina, verifica-se que na seleção das quinas escasseiam jogadores do FC Porto e não há perspetivas do número de jogadores aumentar a tempo de serem convocados para o Mundial de 2018 na Rússia. Mas qual será o motivo? Será que os jogadores azuis e brancos têm pouca qualidade ou será a concorrência mais forte. Para mim, um pouco dos dois.

Um adepto do FC Porto que acompanhe nos últimos tempos as convocatórias de Fernando Santos não tem muito com que ficar surpreendido! Ronaldo e mais 22 é a receita óbvia da casa e para além disso, outro facto é garantido. Danilo Pereira é o único dragão a merecer um lugar na convocatória, com Ricardo pouco a pouco a ir espreitando a sua oportunidade.

O FC Porto conta neste momento no seu plantel com seis jogadores portugueses. José Sá, Ricardo Pereira, André André, Sérgio Oliveira, Danilo Pereira e Hernâni todos com aspirações legítimas de ambicionar uma oportunidade na seleção das quinas e que apesar de muitos deles já terem sido chamados, poucas são os que lá ficam e se afirmam. José Sá, Sérgio Oliveira e Hernâni encontram-se neste momento bastante atrás da concorrência das respetivas posições e a sua convocatória no Mundial deve ser praticamente impossível de acontecer. Por outro lado, André André é sempre uma incógnita pela sua inconsistência e irregularidade. Tendo já sido chamado, o médio do FC Porto é uma opção a ter em conta, mas como nem titular é no FC Porto dificilmente irá superar a concorrência. Por sua vez, Ricardo Pereira está “taco a taco” com os concorrentes Nélson Semedo e Cédric e será sempre uma pena qualquer um destes laterais ficar de fora do Mundial. Ricardo tem como ponto a favor a sua versatilidade. Por último, Danilo, que é o “dragão residente” na seleção e que em condições normais será sempre opção de Fernando Santos, mas mesmo este divide a titularidade com William.

O meu objetivo neste artigo não é o de afirmar que os jogadores do FC Porto merecem todos estar na seleção, até porque não merecem e as outras opções são bem melhores. O meu ponto prende-se na perspetiva de um adepto saudosista de um tempo em que a seleção portuguesa dependia (e muito) do plantel dos dragões. Recuemos por exemplo ao Euro 2004, em que Portugal tinha cinco jogadores do FC Porto na convocatória que eram titulares indiscutíveis. Paulo Ferreira, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Costinha, Maniche e Deco que constituíam praticamente metade do onze titular e que tiveram grande importância para que a seleção fizesse a excelente campanha que realizou nesse Europeu.

Nesta foto do Euro 2004 vemos que praticamente metade do onze titular é do FC Porto Fonte: Reddit
Nesta foto do Euro 2004 vemos que praticamente metade do onze titular é do FC Porto
Fonte: Reddit

É certo que, muitos dos jogadores escolhidos por Fernando Santos estarão sempre ligados ao FC Porto por lá terem passado e posteriormente terem progredido na sua carreira. Beto, Pepe, Bruno Alves, Moutinho, Quaresma e André Silva são exemplos de jogadores que contam com a passagem nos dragões na sua carreira e que hoje em dia ainda são opções na seleção portuguesa.

Sinto que, de certa forma, um jogador português que alinhe atualmente no FC Porto tem que provar muito mais que merece a oportunidade de ser chamado do que há uns tempos atrás. Que o digam Licá e Josué! Hoje em dia não basta ter qualidade, valoriza-se também a conquista de títulos. Jogadores que conquistam títulos pela sua equipa podem sobrepor por vezes jogadores com maior qualidade, que o diga Eliseu.

Em jeito de conclusão, é bom verificar que as convocatórias de Portugal são cada vez mais imprevisíveis face ao vasto de leque de opções de qualidade que temos ao nosso dispor. Estamos perante uma excelente geração de jogadores portugueses que, sendo eles do FC Porto ou não, estão destinados a grandes voos e objetivos elevados. Que venha o Mundial!

Foto de Capa: Daily Express

O voleibol está de volta!

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Cabeçalho modalidadesO voleibol está de volta a Portugal este fim-de-semana. O Campeonato Nacional de Voleibol regressa em grande, com um dérbi histórico que vai marcar a jornada. Após um prolongado período de ausência, o Sporting CP reativou a modalidade de voleibol e enfrenta um difícil teste na jornada inaugural: o SL Benfica.

Com grandes nomes da sua equipa, o Sporting CP afirma-se já como um dos grandes candidatos ao título. Com nomes como Miguel Maia, Angel Dennis e Iván Márquez, o Sporting tem tudo para fazer estragos. O presidente da Federação Portuguesa de Voleibol, Álvaro Lopes, vê com bons olhos o regresso do Sporting. “É sempre vantajoso o aparecimento  ou regresso de um clube. É com agrado que vemos regressar, após mais de 20 anos de ausência, o Sporting, pois sendo um clube dos chamados grandes, pode ajudar-nos a conseguir mais espaço na imprensa desportiva”, disse.

A chegada dos “leões” promete fazer concorrência aos atuais campeões nacionais em título, o SL Benfica. Os “encarnados” que não começaram a época da melhor maneira. Apesar de terem vencido o Torneio das Vindimas, saíram derrotados na final da Supertaça frente ao SC Espinho. O encontro foi equilibrado, mas o emblema de Aveiro soube lidar melhor com a pressão. O técnico das “águias”, José Jardim, reconheceu o mérito do Espinho, mas mantém a confiança no seu plantel. “Vai ser um campeonato extremamente equilibrado, com grandes apostas como é o caso do Sporting, por isso prevejo um campeonato muito disputado. Mas confio na equipa, nos jogadores e creio que os reforços estiveram bem, mas vão melhorar”.

Fonte: SL Benfica
O regresso de um dérbi histórico da capital portuguesa. O Sporting CP e SL Benfica defrontam-se na jornada inaugural do Campeonato Nacional de Voleibol
Fonte: SL Benfica

O SC Espinho e o Fonte do Bastardo são outros emblemas que podem surpreender as casas de apostas e conquistar o título. Os “tigres” já mostraram todo o seu valor e, apesar dos desfalques no plantel, são um dos principais candidatos. Os vice-campeões vão à procura do “caneco” que lhes foge desde a temporada de 2011/12. Do outro lado está o Fonte do Bastado, que apesar da conquista do título mais recentemente (2015/2016), ficou aquém das expectativas na passada época, terminando na quinta posição. Com a confiança renovada, os insulares anseiam com uma prestação mais conseguida este ano.

De volta aos grandes palcos estão o Clube K e o Leixões. As suas últimas temporadas no principal escalão de voleibol são certamente para esquecer.  O Clube K foi despromovido em 2014/15, somando apenas sete pontos na fase regular. Os açorianos conseguiram apenas duas vitórias em 22 jogos e acabaram despromovidos. O mesmo destino teve o Leixões em 2015/16, quando ficou em último lugar com quatro pontos. Os “bebés do mar” venceram apenas uma única partida.

Fonte: Leixões SC
Fonte: Leixões SC

Conseguirá o SL Benfica revalidar o título ou será algum underdog capaz de fazer frente aos “encarnados”? Só o tempo o dirá. O campeonato começa este sábado, dia 7 de outubro.

 

Foto de Capa: Sporting CP

Os clubes mais ricos do mundo

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Cabeçalho Futebol Internacional

Historicamente, e a avaliar pelo número de títulos averbados, os maiores clubes do mundo são por todos conhecidos. Os chamados “Grandes”, pese embora um ou outro ciclo de menor fulgor, continuam a ser os principais emblemas da sua liga, e do seu país.

No passado recente, especialmente em terras de Sua Majestade, temos assistido a uma nova ordem económica que tem dominado e gerido vários clubes de futebol.

Com receitas anuais que ascendem aos 600 milhões de euros, facilmente se compreende para onde são canalizados os altos investimentos que estão a ser realizados, designadamente por empresas, sociedades, e investidores árabes, turcos, russos asiáticos, entre outros.

Neste sentido, importa salientar que o clube de futebol que mais rendimento gere é o Manchester United.

A título de exemplo, em 2014, o Manchester United assinou um contrato de patrocínio de 10 anos com a Adidas, no valor de 750 milhões de libras esterlinas.

Em segundo lugar surge o todo-poderoso Real Madrid, que facturou apenas com a conquista da Liga dos Campeões 2016/2017 cerca de € 53,5 milhões de euros.

Imediatamente depois segue o outro gigante espanhol, o Barcelona, que é assinou um contrato de televisão com algumas cadeias espanholas, e um patrocínio com a “Rakuten” no valor de € 55 milhões de euros, por ano.

Em quarto lugar nesta curta lista aparece destacado o Paris Saint-Germain, que ficará na história como o clube que arquitectou e concretizou a maior transferência da história do futebol, naquele que é, pelo valor dos números apresentados, o maior negócio da história do futebol.

Esta ascensão do clube deveu-se à entrada de capital oriundo do Qatar, por via do presidente Nasser Al-Khelaifi, membro da família real do país árabe. Por forma a adquirir o clube, adquiriu 70% do clube – tornando-se accionista maioritário – por intermédio da sua empresa, a “Oryx Qatar Sports Investments”.

Foto de capa: PSG

As grandes decisões de Pinto da Costa: “O resgate do mestre”

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fc porto cabeçalhoEstreamos hoje no Bola na Rede uma rúbrica que visa eleger algumas das melhores decisões de Jorge Nuno Pinto da Costa enquanto presidente do FC Porto. Claro está que falar do FC Porto é, em grande parte, falar do seu dirigente máximo, o mais titulado em todo o mundo (mais de 200 títulos conquistados em todas as modalidades).

O FC Porto que hoje conhecemos tem a mão daquele que, como outrora referiu Dom Januário Torgal Ferreira, “personificou uma escola, traduziu uma lógica profissional, criou uma honra, mandatou uma ordem pedagógica, cujos critérios se patenteiam no pluralismo valorativo das suas modalidades e no reconhecimento internacional da sua equipa de futebol.”

Permitam-me que me contrarie um pouco, mas o episódio que hoje trago à baila acontece num período no qual Jorge Nuno ainda não estava na presidência, ocupando, ainda assim, um cargo de inquestionável importância no seio do clube: chefe do departamento de futebol. Foi nesse posto que viria a sustentar o seu grande objetivo de “reestruturar o clube e fortalecer o futebol, contribuindo para um FC Porto a lutar sempre pelo título”, assinalado mais tarde aquando da tomada de posse como presidente.

É, então, nesse papel que Pinto da Costa inicia uma ‘operação de resgate’ que visa trazer de volta às Antas o mestre José Maria Pedroto, um dos responsáveis pelo lançamento das bases para um FC Porto dominador a nível nacional e com um impacto forte por esse mundo fora.

Fonte: Aventar
Fonte: Aventar

Depois de algumas desavenças com o presidente Pinto de Magalhães, Pedroto seria banido do FC Porto em 1969 e impedido de entrar no Estádio das Antas como funcionário do clube, numa proposta aceite em assembleia geral pelos adeptos portistas. Anos mais tarde, em 1975, nova assembleia geral, desta feita com o objetivo de aprovar por unanimidade uma proposta que visava perdoar Pedroto, subscrita por alguns dirigentes e sócios ilustres do FC Porto, como Pôncio Monteiro, Artur Santos Silva e, claro está, Pinto da Costa.

Depois de o convencer a regressar, na época de 1976/1977, o FC Porto conquistou logo nesse ano a Taça de Portugal, quebrando no ano seguinte o longo jejum de 19 anos sem conquistar o campeonato nacional. Estava dado o mote para o crescimento, estabilização e constante renovação de um projeto forte, dinâmico e vencedor. Jorge Nuno Pinto da Costa e José Maria Pedroto serão, para sempre, lembrados como os grandes impulsionadores do grande FC Porto.

Foto de Capa: Terra

Artigo revisto por: Beatriz Silva

As folhas caídas da Lombardia recebem a última grande festa do ciclismo da época

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Cabeçalho modalidadesA “Clássica das folhas caídas” é a última grande prova da temporada e o mais imprevisível dos 5 monumentos do ciclismo. Desde a sua criação em 1905, nesse ano como Milano-Milano, que o Giro di Lombardia ou simplesmente Il Lombardia tem levado os ciclistas pelas várias subidas da região, com um percurso variável e baseado essencialmente à volta de Milão, Bergamo e Como. Em Itália, a mística da corrida é tremenda, já que simboliza a chegada do outono e o fim da época, contrastando com o outro Monumento italiano, a Milano-San Remo que marca a chegada da primavera e o começo da temporada. Por isso, a motivação é maior para os homens da casa que venceram 68 das 110 edições da prova, em que os maiores campeões são Fausto Coppi com 5 vitórias e Alfredo Binda com 4. Entre os ciclistas no ativo, há dois que já venceram por mais que uma vez esta prova, o eterno ‘príncipe’ italiano Damiano Cunego (3) e o belga Philippe Gilbert (2).

Esta prova de final de época não é igual às provas acidentadas a que estamos habituados, passando por subidas bem mais longas que as tradicionais curtas e explosivas das ardenas e, por isso, adapta-se mais aos trepadores e não tanto aos especialistas das provas de um dia. Além disso, o percurso altera-se de ano para ano, ainda que se mantenham recorrentemente várias subidas. Este ano, vai de Bergamo a Como e os ciclistas enfrentarão, além de outras quatro subidas, as históricas Madonna del Ghisallo e Muro di Sormano.

Para a edição deste sábado, os favoritos começaram a mostra-se na semana de clássicas italianas que antecede o último monumento da época. São provas de um dia menos duros, mas com dificuldades a que muitos ciclistas recorrem para prepara Il Lombardia. Este ano, Giovanni Visconti ganhou o Giro dell’Emilia, Luis Leon Sanchez o GP Bruno Beghelli, Alexandre Geniez o Tre Valli Varesine e Rigoberto Uran o Milano-Torino. Estas corridas permitiram já analisar quem se apresenta em forma e nesta análise é importante atender, mais que aos vencedores, aqueles que recorrentemente estiveram com exibições solidas entre os primeiros.

Vincenzo Nibali é o maior favorito e tentará repetir a vitória de 2015
Fonte: Il Lombardia

O primeiro nome na cabeça de todos é o de Vincenzo Nibali. O italiano teve uma época extremamente regular, ainda que com poucas vitórias, alcançando o 3º lugar no Giro e o 2º na Vuelta e tem-se demonstrado em grande forma física nas clássicas italianas que antecedem Il Lombardia. Para aquele que é, sem grandes dúvidas, o melhor ciclista italiano da sua geração, esta é uma prova sempre especial e a visão de Nibali ao ataque aqui já se tornou habitual. O percurso adapta-se-lhe bem e o deste ano é igual ao de 2015, quando alcançou a vitória após uma cavalgada a solo.

Entre os seus maiores opositores encontra-se a Team Sky, que tem várias opções para discutir a corrida, desde Michal Kwiatkowski que pretende juntar-se aos 7 ciclistas que vencerem os dois monumentos italianos, o da Primavera (Milano-San Remo) e o de outono (Il Lombardia), no mesmo ano, até Diego Rosa que o ano passado foi 2º, só batido por Esteban Caves. Na equipa conta-se ainda Wout Poels, Mikel Landa e Gianni Moscon, qualquer com capacidade para vencer a jornada.

Rigoberto Uran, 2º do Tour de France deste ano e que venceu a Milano-Torino, é um crónico candidato aqui e já por três vezes finalizou no podium, a última delas com o 3º lugar da época transata. A Quick-Step Floors tem dois homens que já sabem o que é vencer aqui, Philippe Gilbert e Daniel Martin, e ainda Julian Alaphilippe, que mostrou estar bem com uma exibição de gala nos Campeonatos do Mundo. A corrida deverá ser demasiado dura para Tim Wellens e Diego Ulissi, mas a qualidade destes faz com que não possam ser descartados. Para além destes principais nome, há um grande leque de segundas linhas que, no dia certo, podem entrar na discussão pela vitória e no qual se incluem nomes como Thibaut Pinot, Adam Yates ou o português Rui Costa.

Quando os ciclistas enfrentarem os 247 quilómetros pelas subidas da Lombardia, a primeira parte da corrida deverá ser dominada por uma fuga e pelo desgaste da distância e do sobe e desce. À passagem da Madonna del Ghisallo, deverá assistir-se às primeiras grandes seleções do grupo principal e o Muro di Sormano poderá já trazer ataques de alguns dos nomes sonantes. Finalmente, as mais pequenas ascensões a Civiglio e a San Fermo della Battaglia – e as respetivas descidas, em que Nibali tanto gosta de mexer – decidirão a corrida e o provável é que se assista a apenas um grupo muito pequeno ou mesmo um ciclista isolado chegar às margens do Lago Como para consagrar o vencedor da Il Lombardia 2017.

 

Foto de Capa: Il Lombardia

A festa da receita

Cabeçalho Futebol NacionalA Taça de Portugal é vista pelos amantes do futebol como a Prova Rainha do futebol português. Onde há Taça, há festa. Porém, aquilo que se vai verificando no futebol mundial, também se vai verificando no nosso futebol, e a Taça de Portugal não foge à regra. O futebol está a tornar-se cada vez mais num negócio.

Como pretendo aplicar esta tese na Taça de Portugal? Bem, nos últimos 10 anos, tem-se vindo a tornar frequente as equipas não profissionais receberem os três grandes em campos neutros e a terceira eliminatória desta edição da Taça não será excepção. O diferendo entre o Sporting CP e o Oleiros ainda está por resolver. O São Martinho irá receber o SC Braga na Vila das Aves e o Lusitano de Évora irá receber o FC Porto no Estádio do Restelo, naquele que é na minha opinião, o caso mais incompreensível, mas já lá vamos.

Antigamente, o dia em que um clube de divisões inferiores recebesse um grande, era dia de festa de arromba de manhã à noite. Fosse qual fosse o resultado, haveria sempre motivos para comemorar, e lá uma vez por outra lá assistíamos à tal façanha heroica do tomba-gigantes. Uma cidade ou uma vila fora do mapa do futebol português ganhava uma nova vida por um dia. Víamos jogos em campos pelados e/ou sem bancadas, onde os adeptos se colocavam praticamente em cima do campo, ou se colocavam em cima das árvores ou em terraços de prédios para terem uma vista mais ampla do campo.

Voltando à actualidade, as condições impostas pela Federação Portuguesa de Futebol e também o desejo por uma receita maior fazem com que toda essa essência e esse espírito à volta da competição se vão perdendo. A última vez que um clube não profissional recebeu um grande na SUA casa, foi em 2013/2014, com o CD Cinfães a receber o SL Benfica na 3ª eliminatória. Curiosamente, o CD Cinfães já tinha recebido o FC Porto para a Taça de Portugal em 2008/2009, e o clube utilizaria a receita desse jogo para comprar uma carrinha.

O Estádio do Restelo vai receber o jogo entre o Lusitano GC e o FC Porto, que já na época passada foi palco do Real SC vs SL Benfica, bem como de um GD Pescadores vs Sporting CP em 2009/2010. Outro estádio já habituado a estas lides é o António Coimbra da Mota no Estoril, que nas últimas duas temporadas, acolheu um UD Vilafranquense vs Sporting CP e um 1º de Dezembro vs SL Benfica.

Quem acompanha o futebol português, certamente terá noção das dificuldades financeiras dos clubes não profissionais. Como tal, quando é o próprio clube a optar por transferir o jogo para outro estádio com o pretexto de obter uma receita maior, pode-se aceitar essa opção. Um bom exemplo disso mesmo foi quando o GDR Monsanto recebeu o Benfica na 3ª eliminatória da Taça de Portugal 2009/2010. O estádio do clube do concelho de Alcanena cumpria as exigências impostas pela FPF, mas o próprio clube optou por transferir o jogo para o Estádio Municipal Dr Alves Vieira em Torres Novas, estádio que foi palco de muitos jogos dos grandes nos anos 90.

No entanto, embora não esteja muito por dentro desses assuntos, creio que as possibilidades para transferirem o jogo devem ser muito bem analisadas. E francamente, não me parece compensador a equipa do Lusitano de Évora deslocar-se cerca de 260 Km (ida e volta) para receber o seu adversário na Taça. Será que o antigo estádio do SC Campomaiorense não servia?

Perante uma lei que estipula que os clubes da Primeira Liga iniciem sempre a Taça de Portugal, jogando em casa de um clube de um escalão inferior, creio que a FPF deveria tirar partido desse regulamento para contribuir para que a festa da Taça não se perca. E num país onde o futebol está cada vez mais a arrastar-se para o litoral do país, já nem a Taça chega aos pontos situados fora do mapa do futebol português.

Não apenas como alentejano, creio que as gentes de Évora mereciam mais. Bem como as gentes de Oleiros, que apesar de sempre terem estado fora do mapa do futebol português, a vila também precisava de um novo ânimo após os incêndios que a devastaram neste verão.

 

Foto de Capa: Alentejo Sport

Fellaini: Como se livrar do peso de substituir tanto milhão?

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Cabeçalho Liga InglesaHá jogadores de todos os jeitos e feitios. Podemos identificar tanta diversidade, quer física, quer técnica, mesmo com escolas de formação que tentam racionalizar a forma de cada um jogar a bola. Existem jogadores que chegam ao clube que apoiamos, podendo corresponder, não corresponder, superar, ou ficando muito aquém das nossas expetativas individuais.

André Gomes é um caso muito peculiar. Grande investimento, titular muitas vezes na nossa seleção, mas no Barcelona tem tido, aparentemente, muitos problemas. No ano passado deixou a desejar, mas como apreciador do que mostrou no Valência, esperava que entrasse com tudo para esta temporada. Que se abstraísse de toda a pressão em seu torno, que se libertasse. Pelos vistos, continua a jogar muito pouco.

Um caso diferente, mas semelhante, é o de Fellaini. No Manchester United, os adeptos não engraçam muito com ele. Mesmo estando a ser bastante competente e interventivo no jogo da equipa esta época. A razão que aponto, a que me parece mais plausível, é o desempenho tido com Moyes e Van Gaal. Com esses treinadores, não se viu o médio centro em que muita gente tinha os olhos postos, quando atuava no Everton. Aquele jogador um tanto ortodoxo na maneira de jogar, mas um médio muito eficaz. Bem, poucos jogadores sobressaíram com esses dois técnicos, mas não digo que a culpa fora deles. Mas dá que pensar.

Mourinho gosta de Fellaini. A forma como o coloca de início, mesmo contando com a contestação de muitos aficionados do Man. United, e principalmente a maneira como lhe corresponde. O belga tem palavra. É bem-agradecido, tem contribuído sabem como? Ao fazer com que nem se pense em Pogba. Se os Red Devils andassem a ter maus resultados enquanto Pogba está lesionado, que culpado iriam, automaticamente, apontar?

Mas talvez ainda possa melhorar um pouco. Vejamos, Fellaini, não é propriamente box-to-box. Pogba é muito forte nesse aspeto. Tem uma resistência fenomenal, e um espírito bem característico de entrega e desequilíbrio. O último, um tanto estranho num 8. Vemos poucos jogadores com o perfil de Pogba a jogar nessa posição. Isto em termos de habilidade com a bola, visto que em Pogba, tanto vejo um atacante, como um médio, como um defesa! Tudo junto resulta num dos melhores médios centro da atualidade. Mas Fellaini, em termos de fisionomia, não foge muito à de Pogba. Fellaini, mais franzino, menos tecnicista, menos espetacular, menos explosivo, menos forte fisicamente, no final de contas. Mas também é agressivo, no bom sentido (por vezes), qualidade muito apreciada pelo Special One.

Confesso que não apreciava muito o seu estilo de jogo nos anos anteriores ao serviço do United. Mas sejamos sinceros, o nível do onze não era o mais indicado para receber notoriedade. Ainda para mais na sua posição. Lembro-me bem da lacuna principal do seu clube: com Moyes (e Giggs, no final), via uma defesa desgovernada. Um meio campo sem referências. Um Cleverley um pouco esforçado, mas insuficiente, e um Kagawa mal adaptado não ajudaram. Fellaini também não se destacou. Um estilo de jogo preso, pelos menos menos fluído do que da altura de CR7. Talvez faltassem referências individuais que tanto habituaram os adeptos. Aquele United era como uma das demais equipas da Premier: umas vezes bom, outras vezes mau, e outras assim assim. Ou seja, sem a consistência natural de um campeão.

Van Gaal parecia ser um treinador à altura. E eu continuo a achar que sim, mesmo depois de tudo o que se sucedeu. Aprecio muito o seu trabalho, não se trata de uma tentativa de o livrar de culpas, porém que chegou num momento muito difícil não é mentira nenhuma. Só outro Sir Alex Ferguson poderia consertar tal situação. É por isso que o próximo a ter sucesso será José Mourinho. O próximo treinador a contar com Sir, antecedendo o seu nome próprio, num futuro bem próximo. Afinal, já tem um estatuto ímpar, e como sabem, o seu caráter faz com que os jogadores sintam a necessidade de deixar tudo em campo por ele Depois da longa era deixada pelo escocês, talvez a crise que se assistiu foi natural. Faz parte do ciclo do sucesso. Não sei, afinal, parecia estranho ver o United descer tanto de nível, apenas por perder o treinador. Mas, bem, 27 anos não são 27 meses.

Fonte: Manchester United FC
Fonte: Manchester United FC

Mas voltando ao assunto principal, em que me debruço, Fellaini nesse ano com Van Gaal já contou com companheiros no meio campo de uma qualidade superior: Ander Herrera revelou-se, minimamente, competente, ao passo que Juan Mata se revelou uma excelente opção. Dispensado pelo seu atual líder, em tempos de Chelsea, o jogador espanhol está como um peixe na água neste United. Sou um fã confesso, quer do seu estilo de jogo, quer da sua personalidade em campo. Muito bom jogador. Fellaini já não caminha para os considerados anos áureos da carreira futebolística, mas, há que ser justo, está-se a revelar uma boa opção. Mas bem, jogar com Matic nas redondezas deve ser bem bom. É que faz sempre dobra, está sempre na área de ação. Este sérvio é o verdadeiro polvo. Pogba pode recuperar até chegar ao 100% de condição física. Espero é que o cabeludo mantenha este nível nos jogos de maior intensidade, mesmo que qualquer jogo de Premier, só por si só, seja intenso.

Fellaini não é, assumidamente, igual ou melhor do que Paul Pogba. Contudo, tem o seu valor e deveria ser respeitado pelos adeptos do clube que representa. Mourinho, dos melhores a entender este jogo, um estratega nato, não o coloca em campo em vão, por obra do acaso. Se ele não achasse que poderia constar como uma mais valia, teria, certamente, o dado como transferível à direção do emblema inglês. Como todos sabem, à imagem do que diz a Palavra de Deus, José Mourinho confia no seu valor, e lhe terá dito, somente: Esforça-te, e eu te ajudarei. Está a dar frutos a sua palavra.

 

Foto de Capa: Daily Star

Dost, o homem sombra

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sporting cp cabeçalho 1Quando, na época passada, o holandês Bas Dost chegou a Alvalade, a sua missão era dantesca. Tinha o argelino Islam Slimani rumado para o Leicester City de Inglaterra e deixado nas mãos do holandês recém-chegado a missão praticamente impossível de o substituir na dianteira ofensiva dos Leões.

Mas o tempo demonstrou que essa missão rapidamente abandonou a fasquia de impossibilidade para se revelar numa possibilidade cada vez mais concreta e almejável: o holandês acabou mesmo por, na época passada, superar todas as expectativas e o número de golos do argelino na Liga NOS. Bas Dost foi o melhor goleador da Liga na edição 2016/17, totalizando 34 golos de um total de 31 jogos ao serviço dos Leões sendo, nesse capítulo e no plano europeu, só superado pelo astro Leonel Messi do Barcelona (Fonte: www.transfermarkt.pt).

Esse feito valeu-lhe elogios do mundo do futebol e nas bancadas dos estádios onde o Sporting jogava ouvia-se a mítica música dos AC/DC “Thunderstruck” com o nome do holandês na letra. Mais ou menos isto: “Bas Dost!! na na na na na na na na… Bas Dost!! na na na na na na na na…  Bas Dost!! na na na na na na na na…”. Os sportinguistas pareciam ter encontrado alguém com pergaminhos mais do que suficientes para substituir aquele que julgariam outrora insubstituível: Slimani. O argelino permaneceu nos corações dos adeptos leoninos, mas o seu substituto estava encontrado. Podiam respirar, enfim, de alívio.

Estes argumentos faziam acreditar que a entrada de Bas Dost na temporada 2017/18 pela equipa do Sporting fosse do mesmo nível da temporada passada. Mas, neste capítulo, o algodão não engana ou, dito de outra forma, os números não enganam: de um total de oito partidas na Liga NOS, o holandês só marcou por quatro vezes. Está fraquinho este Dost, tem que fazer pela vidinha. A sua veia goleadora tem abrandado com o tempo.

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

A comunicação social não tem perdoado este período menos positivo do holandês. O Diário de Notícias na sua edição online do dia três de outubro refere mesmo que “Bas Dost atravessa segunda maior seca em Portugal”, retratando um pouco melhor aquilo que parece estar a acontecer ao avançado holandês.

A analisar pelas suas exibições Dost é, cada vez mais, um homem sombra na grande área dos adversários. Sozinho, parece estar alheado da equipa. No jogo contra o Futebol Clube do Porto, Marcano e Felipe regozijaram-se perante um Bast Dost que de exterminador teve muito pouco durante toda a partida.

As suas exibições aquém do esperado só são mesmo “esquecidas” pelo facto da equipa leonina se encontrar num bom momento de forma e pelo facto do envolvimento de alguns jogadores no ataque – caso mais paradigmático de Bruno Fernandes – se terem traduzido em muitos golos. O holandês tem passado, por isso, como se costuma dizer, “de fininho” pelas boas exibições da equipa. Mas o que acontecerá quando o Sporting ficar aquém da sua organização técnica e tática e necessitar novamente das garras de um matador, que coloque a equipa na rota das vitórias? Será que Bast Dost seguirá o rumo que estava a seguir na época passada? É caso para dizer: não percam os próximos episódios desta novela holandesa nos relvados lusos.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva