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José Fernando Rio: «Esta direção do FC Porto não tem capacidade para dar a volta à situação atual»

José Fernando Rio declarações à Bola na rede TV

José Fernando Rio: «Esta direção do FC Porto não tem capacidade para dar a volta à situação atual»

Numa altura em que as contas do FC Porto são alvo de análise detalhada, José Fernando Rio participou no Bola na Rede TV para falar sobre todas as questões atuais ligadas ao universo azul e branco. Um convidado que acrescentou valor ao debate desta segunda-feira, em mais um grande programa no nosso Youtube e Twitch.

O antigo candidato às eleições do FC Porto foi muito claro em relação ao mais recente Relatório & Contas, afirmando que “há aqui uma maquilhagem na contabilidade” e que “há muitos dirigentes que, mesmo com o passar do tempo, continuam a não ter as capacidades para liderar o FC Porto, ou para dar a volta à situação atual”.

Ainda sobre o R&C da SAD do FC Porto, José Fernando Rio afirmou, apesar de “os 33 milhões de euros são melhores que os 115 milhões de euros negativos do ano passado”, o clube “não pode estar tão dependente das receitas da UEFA e de vendas de jogadores” e “desta gestão de risco”.

Sobre as modalidades do FC Porto, Fernando Rio declara que “Esta presidência do FC Porto vai deixar o clube mais pobre em relação ao ecletismo do clube”. O candidato às eleições no ano passado do FC Porto mostrou-se descontente com o menor número de modalidades praticadas bem como pela oferta para o setor feminino de desporto.

Sobre o futuro, José Fernando Rio reforçou que “a aposta na formação tem que ser crucial para o caminho do FC Porto, e a construção da academia tem que ser central para esse ponto”. Falou ainda da necessidade de mudar o paradigma do modelo desportivo, reforçando o scouting de forma a regressar àquilo que era o que “estávamos habituados no passado”.

Em relação às passadas eleições do ano passado, José Fernando Rio afirmou que “nós, portistas, falamos da imprensa de Lisboa, mas a do Porto trata mal quem não está no “poder” do FC Porto”, explicando com a reduzida cobertura mediática que a sua candidatura teve.

José Fernando Rio

Regresso da Champions: Grandes já jogam pelo futuro na Europa

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TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.

Sporting CP, SL Benfica e FC Porto voltam a jogar para a Champions League e a questão que se coloca, sempre que se fala deste futebol de elite, é se as nossas equipas estarão à altura da competição? É uma incógnita. E é sempre uma incógnita porque o nível dos adversários e a exigência dos jogos fazem com que, para chegaram à vitória, as equipas portuguesas tenham de estar no seu melhor em todos os momentos do jogo.

O Sporting CP entra primeiro em ação e, no plano teórico, até é o grande com mais possibilidades de sorrir nesta jornada europeia. Defronta uma equipa acessível, que também ainda  não pontou, num estádio com ambiente temível, mas que não pode, nem deve fazer tremer jogadores profissionais, tenham eles mais ou menos experiência. Muitos deles até dizem que gostam é de jogar nestas “atmosferas”.

Os piores adversários do Sporting CP poderão ser a ansiedade da equipa e a necessidade de, finalmente, pontuar. No limite, é nos jogos com o Besiktas JK, na Turquia e em Portugal, que o Sporting CP pode definir o futuro na Europa, seja na Champions, seja na Liga Europa. Ganhar os dois jogos permitirá aos leões sonhar com um (no contexto atual) surpreendente apuramento para os oitavos e garantirá, quase certamente, o 3.º lugar de um grupo que, aos dias de hoje, até é mais difícil do que se esperava quando decorreu o sorteio.

Por falar em grupos extramente competitivos, olhemos para o do FC Porto. Equilíbrio parece ser a palavra de ordem, colocando o Liverpool FC noutro patamar. O AC Milan não tem, naturalmente, a mesma pujança ofensiva que têm os ingleses, mas vai ser um osso muito duro de roer, mesmo com muitas baixas para jogar no Dragão. Basta olhar para a forma como têm jogado no campeonato, mas também na Champions, para se perceber isso.

Porto
O último jogo dos portistas na Champions acabou por não correr de feição em casa. Poderão dar a volta agora?
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Prevejo um jogo de 50/50 entre duas equipas que sabem que não podem perder mais pontos se querem continuar na prova. E tanto FC Porto, como AC Milan sabem, também, que tudo pode acontecer, ao nível dos resultados, quer no jogo do Dragão, quer em todos os restantes desafios do grupo. E já se sabe como é que a equipa de Sérgio Conceição joga quando tem o “orgulho ferido”, depois do descalabro no ultimo jogo em casa com o Liverpool FC (derrota por 5-1).

Na Luz, o  SL Benfica terá o teste mais exigente da época, contra uma das melhores equipas do mundo. Os jogadores dos encarnados vão ter muito pouca bola, vão correr muito atrás dela e vão ter de atingir níveis de concentração elevadíssimos. Acredito que seja importante para o SL Benfica aguentar os primeiros minutos sem sofrer golos e, assim, ganhar confiança e dar alento aos adeptos. Vai criar-se um ambiente incrível, de Champions, no Estádio da Luz, que volta a encher pela primeira vez em muito tempo, mas o FC Bayern Munique sabe muito bem como arrumar os jogos logos nos primeiros minutos.

SL Benfica
Depois de uma gloriosa noite frente ao FC Barcelona, vão os encarnados surpreender novamente a Europa?
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

No último jogo, na Liga alemã, ao intervalo, já ganhava 5-1 ao intervalo. Na Champions, os bávaros encontram um palco maior para mostrarem que a máquina está sempre em alta rotação e, também por isso, as dificuldades do SL Benfica vão ser enormes. Por outro lado, sem a pressão externa para ganhar o jogo, as águias “compravam” já um “pontinho” que seria precioso para continuarem a definir o sonho de atingirem os oitavos de final, passando um grupo que é altamente desafiante.

Artigo de opinião de João Pedro Óca,
jornalista TVI

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Juventus FC 1-0 AS Roma: Kean estabelece recuperação da “Velha Senhora” no campeonato

A CRÓNICA: AS ROMA PERDE A CHANCE DE ENCONSTAR NAS PRIMEIRAS POSIÇÕES E DEIXA A JUVENTUS FC CHEGAR NA BRIGA

Os primeiros cinco minutos de jogo apresentaram a principal característica dessa época da Liga Italiana: um equilíbrio total em que as duas equipas apresentaram perigosas oportunidades em direção às respetivas balizas.

Mesmo com a AS Roma a mostrar os primeiros indícios perigosos, foram os donos da casa que inauguraram os golos no Juventus Stadium. Quando o relógio marcava 15 minutos de jogo, Cuadrado no lado direito do campo inverteu o jogo para De Sciglio que, livre de marcação, cruza com efeito para o meio da área. Lá dentro, Kean e Bentancur subiram até encontrar a bola. O uruguaio cabeceou primeiro, mas o desvio também na testa de Kean foi subtilmente preciso para que a bola entrasse na baliza de Rui Patrício.

Nos minutos em seguida, a linha de marcação da Juventus foi recuada para a busca de um contra-ataque. No entanto, a equipa de Mourinho apresentava uma lentidão na transição ao ataque, falhando em ultrapassar o bloqueio ferrenho da marcação principalmente pelo lado esquerdo de ataque da Roma.

Pouco depois da meia hora de jogo, Chiellini saiu de maneira errada e entregou a bola para Abraham que, sozinho contra a defesa, foi bloqueado por Danilo no último momento. No entanto, a bola sobrou para Mkhitaryan que sofre a falta na área, contabilizando o evidente penálti. Enquanto o cronómetro contava os 38 minutos do primeiro tempo, Veretout chamou a responsabilidade para si e, desastrosamente, rematou de maneira fraca para a defesa do guarda-redes da “Velha Senhora”.

Os mesmos erros defensivos continuam por parte da Roma. Logo aos 47 minutos, novamente pelo lado esquerdo, De Sciglio cruzou para área, que dessa vez teve Bernardeschi rematando de bicicleta, mas Rui Patrício defendeu. A bola sobrou para Kean que rematou muito forte, mas a bola saiu por cima da baliza adversária.

Como resposta, a Roma apenas conseguia chegar perto da baliza através de jogadas individuais. O remate de longa distância de Veretout e a grande sequência de dribles de Viña foram a prova deste mecanismo.

Finalmente, o árbitro encerrou uma partida que estabeleceu a recuperação da Juventus na Liga Italiana, enquanto a Roma ainda precisa acertar alguns detalhes, principalmente técnicos, para ter alguma oportunidade de competir para ganhar o Scudetto.

 

A FIGURA

Moise Kean – Jovem promessa do futebol italiano, possui a “simples” missão de substituir Ronaldo como ponta de lança. Kean, apesar de mostrar algumas deficiências, prova por meio de seus golos que possui um futuro promissor. Mesmo que seu golo tenha sido, no mínimo, estranho, outras oportunidades dentro da partida ratificam o bom posicionamento e a técnica do avançado italiano.

 

O FORA DE JOGO

Jordan VeretoutO médio francês é um dos destaques da campanha de Mourinho na Roma. No entanto, a sua última amostragem foi algo a ser esquecido. Pouca intensidade e defensivamente pouco atento, Veretout ainda teve em seus pés a chance de igualar o resultado, a qual foi desperdiçada.

 

 ANÁLISE TÁTICA – JUVENTUS FC

De Ligt, Dybala e Rabiot foram os principais desfalques para a formação de Allegri, no entanto, o 4-4-2 foi mantido. Focado na presença física de Moise Kean e na velocidade e técnica de Chiesa, Allegri entendeu as deficiências defensivas da Roma e apostou em De Sciglio pelo lado esquerdo. Durante o jogo, as substituições mantiveram o padrão tático da Juventus, para recuperar o fôlego físico.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Szczesny (6)

Danilo (5)

Bonucci (5)

Chiellini (4)

De Sciglio (7)

Cuadrado (6)

Bentancur (7)

Locatelli (5)

Bernadeschi (5)

Kean (7)

Chiesa (4)

SUBS UTILIZADOS

Morata (5)

Kulusevski (5)

Arthur (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – AS ROMA

José Mourinho apresentou a equipa com o mesmo 4-2-3-1 ofensivo, que fornece ao clube da capital italiana uma média de o mínimo três gols por partida. A equipa funciona muito em função do ponta de lança Abraham, que consegue pressionar a defesa adversária e quebrar linhas. Com a entrada de El Shaarawy na função de médio lateral, fez com que Mkhitaryan se deslocasse em direção ao lado direito de ataque.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rui Patrício (6)

Karsdorp (5)

Mancini (5)

Ibañez (4)

Viña (5)

Cristante (4)

Veretout (5)

Zaniolo (5)

Pellegrini (5)

Mkhitaryan (6)

Abraham (7)

SUBS UTILIZADOS

El Shaarawy (6)

Shomurodov (6)

«Deixemo-nos de histórias. O Sporting é grande, o Porto é grande, mas o Benfica é o Benfica» – Entrevista BnR com Professor Neca

Professor Neca entrevista À BnR

Às vezes foi sobre futebol, outras sobre política, religião ou geografia. A conversa durou mais de três horas e o Professor Neca, o melhor amigo do desconforto, tirou da mala de viagem lembranças de uma carreira de 40 anos como treinador e que conta com passagens por oito países estrangeiros e 21 clubes, só em Portugal. Ao longo do tempo em que, sempre focado em tornar realidade aquilo com que sonhava à noite, foi jogador, professor de Educação Física, de onde vem a sua alcunha, e treinador, colecionou episódios com nomes como Eusébio ou Mário Wilson. Das novas gerações, orientou Paulinho, Rodrigo Pinho, Nanú ou Helton Leite. Quanto ao que lhe falta fazer no futebol, responde a piscar o olho ao mundo do dirigismo.

– O tipo dinâmico que queria sempre mais –

«Gostei sempre mais de jogar do que de treinar»

Bola na Rede: Tornou-se treinador em 1980. Enquanto jogador, chegou onde queria?

Professor Neca: Cheguei onde me foi possível, não onde queria. Queria ter chegado aos mais altos patamares: jogar muitos anos na Primeira Liga, chegar à seleção… Não me foi possível, porque o contexto era complexo. Com 17 anos, tinha tirado o curso industrial de eletromecânica. Nós sabíamos que, antes do 25 de abril, tínhamos duas certezas que eram morrer e ir para a tropa. O serviço militar apanhava-nos na melhor fase da nossa vida, entre os 20 e os 24 anos, que era quando um indivíduo se começava a afirmar como jogador de futebol. Como pensava já de uma forma adulta, acabei por ir para o serviço militar como voluntário dos 17 aos 21 anos. Aos 21, estava livre para correr atrás do meu sonho, que era ser jogador de futebol.

Bola na Rede: Nesse período deixou de jogar totalmente?

Professor Neca: Não, porque acabei por fazer o meu serviço militar no continente e não fui para o ultramar, para as ex-colónias. Em todo esse período, continuei a jogar. Joguei, na formação, no Gil Vicente. Estava a cumprir o serviço militar e aproveitava também para estudar à noite, em Leiria. Os últimos dois anos e meio do serviço militar fiz na Base Aérea Nº5 de Monte Real e aproveitei para tirar a secção preparatória aos institutos industriais. Estive para ir jogar na União Desportiva de Leiria, mas a equipa estava na distrital, então jogava no clube da minha terra, o Santa Maria FC, do concelho de Barcelos. Aproveitava para jogar na base e vinha fazer os jogos ao fim de semana. Aos 21 anos, antes de acabar a tropa, aproveitei as férias para ir treinar a três clubes: o Gil Vicente FC, o Varzim SC e o GD Riopele, um clube do concelho de Famalicão que chegou à Primeira Divisão e que agora foi extinto. Acabei por aceitar o Riopele, porque oferecia valências mais favoráveis, tais como o emprego. Era a equipa mais estável das três. Os clubes só libertavam os jogadores se entendessem. O Riopele acabou por comprar a minha carta ao Santa Maria. Acabei por ficar lá dois anos. Trabalhava de manhã ou de tarde, conforme os treinos. Era eletricista. Todos os dias me levantava de manhã e dizia ao espelho “estar dentro de uma empresa não é para mim”, porque sempre gostei de desporto. Comecei a procurar uma possibilidade de ir para Educação Física, deixando a eletricidade para correr atrás daquilo que gostava. Acabei por tirar o curso de Educação Física, juntando a isso o jogar futebol. Tinha grandes dificuldades financeiras – era filho de mãe solteira – não tinha possibilidades. Tinha que ganhar o meu próprio dinheiro para me poder sustentar e correr atrás de algo que era indispensável para mim já nessa altura: ter uma base cultural que me desse as ferramentas para encarar a vida de uma forma mais sustentada. Estávamos ainda no período antes do 25 de abril. Embora o futebol desse para me sustentar, existia um para além do futebol. Consegui fazer esse paralelo. Cheguei ao futebol profissional, sim, mas nunca ao mais alto nível – jogar num FC Porto, SL Benfica, Sporting CP, na seleção -, não tive essa possibilidade.

Bola na Rede: Foi professor desde 1976.

Professor Neca: Correto. Em 1976, acabo o curso de Educação Física e fui professor até 1990. Treinei na Primeira Divisão a dar aulas. Fazia as duas coisas. Quando chego com o Aves à Primeira Liga, dava aulas de Educação Física, era treinador, observador, treinador de guarda-redes e preparador físico.

Bola na Rede: Sobre acumular funções, no Santa Maria já tinha sido treinador/jogador.

Professor Neca: O Santa Maria estava a passar grandes dificuldades e pediu-me para ser treinador/jogador.

Bola na Rede: Como é que geria a relação com os seus colegas?

Professor Neca: Temos que falar no que era o treinador nessa altura. Os tempos eram diferentes, o nosso país tinha muitos analfabetos. Isso era muito significativo. O que a minha mãe mais me pedia era “tenta saber ler e escrever e, se for possível, vai para professor”. Isto para dizer que com 26 anos já era professor de Educação Física, já tinha jogado em clubes profissionais, já tinha uma identificação com o que era o futebol profissional, já tinha estado quatro anos no serviço militar, uma escola de formação, de disciplina, respeito e rigor. Foi um ano fantástico, correu extremamente bem. Subimos de divisão. O clube queria que eu ficasse, mas tinha que partir para outra situação que aquilo já não me motivava. Disse que ia deixar de jogar para me concentrar só nas aulas. No entanto, aquilo era pouco tempo. Era um tipo dinâmico, queria sempre mais. Estive algum tempo parado. O Prado estava na Terceira Divisão e estavam a fazer um campeonato muito bom. Vieram ter comigo à escola. Acabei por regressar ao futebol. Sentia que tinha jeito para o futebol. Até podia contar aqui uma história.

Bola na Rede: Conte.

Professor Neca: Quando vou para o Riopele, o clube tinha duas opções: ou eu entrava no Riopele, ou entrava um outro miúdo que estava no Benfica de nome João Alves, o Luvas Pretas. O João Alves foi dos melhores jogadores da história do futebol português. Eles acabaram por optar por mim e a minha carta foi mais cara do que a dele. Sempre tive a preocupação de ter uma profissão para além do futebol. Percebia que o futebol era instável. Dei sempre grande prioridade à profissão. Nunca deixei de correr atrás daquilo que era a segurança, de, em termos culturais, me formar como pessoa. Ao longo do tempo, ajudei muitos jogadores de futebol a formarem-se como professores de Educação Física, na Economia, na Medicina, na Engenharia, porque os incentivava e dava possibilidades, até em termos de treino, para que eles o pudessem fazer. Gostei sempre mais de jogar do que de treinar. O jogar futebol tem uma magia tremenda. Estive no Prado um ano. Jogava e pediram-me também para ser preparador físico. Lá fui preparador físico. Algum tempo depois, disse para me deixarem só a jogar. Fiquei até final da época. Atualmente, o GF Prado está nos distritais. Nessa altura, foi a única vez que esteve na Segunda Divisão Nacional. Acabámos por descer. O clube entra numa crise grande e digo que me vou embora para jogar mais um pouco noutro lado qualquer. O clube incentivou-me a ficar como treinador. Percebia-se que havia ali um treinador. Os jogadores aceitavam a minha liderança com a mesma naturalidade com que respiramos. Comecei a treinar o Prado. Todos os dias haviam dificuldades, mas todos os dias transmitia esperança de que as coisas iam melhorar. Foi nessa esperança que lutámos até ao último jogo para subir de divisão. E há coisas do destino. Nas Aves, num dos últimos jogos, estava 2-2 nos 90 minutos e há um penálti a nosso favor. O meu central bate o penálti com tanta violência que vai ao poste e a bola vai para o meio-campo e, no contra-ataque, o Aves faz o 3-2 e acaba o jogo. Não subimos de divisão. Um dos clubes que subiu foi o Valdevez.

Bola na Rede: Que foi para onde foi depois…

Professor Neca: Exatamente. Parte dos jogadores do Valdevez foram meus colegas na Segunda Divisão no Prado. Foram os jogadores que pressionaram a direção do Valdevez para que o treinador fosse eu. Acabo por ir para o AC Valdevez da Segunda Divisão Nacional. Sem subir, acabei por subir.

Professor Neca Benfica
Fonte: serbenfiquista.com

Bola na Rede: Seis anos depois de ter começado a treinar já estava na Primeira Liga. Foi uma ascensão meteórica?

Professor Neca: O Aves queria que eu ajudasse a estabilizar o clube na Segunda Divisão. Acabámos por organizar bem a equipa com jogadores da zona. Contra todas as previsões subimos à Primeira Divisão Nacional. Tinha 33 anos. A partir daí foi a peregrinação que veio até hoje.

Bola na Rede: Nesse ano com o Aves na Primeira Divisão tem o Silvino na baliza. Em entrevista ao BnR, ele disse: “Foi o Professor Neca que me incutiu esse espírito de conquista, de querer ganhar sempre mais. Eu, antes, treinava, fazia o meu trabalho, e se perdesse, olha, perdia”. Essa mentalidade acompanha o Professor ao longo de toda a sua carreira?

Professor Neca: Sempre. As nossas experiências ajudam-nos a compreender um conjunto de coisas. O Silvino é um amigo. Precisávamos de um guarda-redes de referência, porque a nossa equipa era uma equipazinha com limitações. O Silvino acaba por vir para o Aves. Forcei muito para que viesse um jogador diferenciado. O Silvino era um guarda-redes extraordinário, mas acreditava pouco nas suas capacidades. Em termos profissionais, acabámos por nos juntar no Mundial da Coreia e do Japão, ele como treinador de guarda-redes e eu como adjunto e analista do António de Oliveira. Quando eu era jogador, o treino era muito empírico, ou seja, os treinadores eram ex-jogadores e repetiam no treino o que faziam enquanto jogavam. Era só treino físico e íamos cansados para o jogo, aproveitávamos o jogo para descansar. Quando começo a ser treinador, treino o jogo, aquilo que se faz hoje, mas que nos anos 80 eu já fazia. Os resultados começavam a aparecer. Os jogadores davam-se bem com isso. Não iam cansados para o jogo, estavam mais disponíveis. Além do Silvino, há outros jogadores que me diziam que se sentiam muito bem.

Bola na Rede: Derivado da experiência que foi ganhando, acabou por ter oportunidade para, mais tarde, ir para o Benfica só que enquanto treinador-adjunto. Se não fosse num contexto como o do Benfica, via isso como um passo atrás?

Professor Neca: O Artur Jorge era o Mourinho daquela altura. Tinha sido campeão europeu, tinha acabado de ser campeão francês pelo Paris Saint-Germain FC, era uma grande referência como treinador, tal como, enquanto jogador, também o tinha sido. Havia essa oportunidade de ir para o Benfica como adjunto. Era mais uma forma de ir para um grande clube, o clube de maior expressão. O Benfica é o Benfica, deixemo-nos de histórias. O Sporting é grande, o Porto é grande, mas o Benfica é o Benfica. Era uma oportunidade de contactar com um treinador que era uma grande referência do futebol português. Recusei a continuidade no Braga como treinador principal, para ir para adjunto.

Bola na Rede: Numa lógica de aprendizagem?

Professor Neca: O povo português diz, do alto da sua sabedoria, que “vivemos a aprender e morremos sem saber”. Se tu queres saber tens que viajar ou ler. O viajar também era fundamental para que tivesse contacto com outras gentes, com outras pessoas e com outras formas de pensamento. Mantive-me no Benfica por dois anos. O Artur Jorge saiu e ficou o Capitão Mário Wilson. Aprendi muito com Mário Wilson também. O Benfica tinha dois projetos nessa altura – o Alverca e um protocolo com a seleção de Angola da qual poderia ser selecionador. Amavelmente, o Benfica deu-me a escolher um destes dois projetos. Mário Wilson disse-me “Neca, eu vou morrer sem nunca ser selecionador de um país estrangeiro. Vai a Angola, eu dispenso-te uma semana”. Fui a Angola contactar com aquela realidade e acabo por me tornar selecionador angolano durante dois anos.

UFC Moitense 0-5 SC Braga: Minhotos goleiam com naturalidade e avançam na Taça

Moitense

A CRÓNICA: UFC MOITENSE DEU BOA RÉPLICA NO PRIMEIRO TEMPO, MAS OS BRACARENSES CONFIRMARAM A SUPERIORIDADE

UFC Moitense e SC Braga protagonizaram esta tarde mais um jogo referente à terceira eliminatória da Taça de Portugal. Os minhotos iniciavam a defesa do título conquistado na última temporada perante um adversário da primeira divisão da associação distrital de Setúbal, um de apenas três representantes das distritais nesta fase da prova.

E face à diferença de forças, o SC Braga cumpriu com o que se esperava e entrou mais forte na partida, a tomar conta da bola e a circulá-la, à procura do espaço, perante um UFC Moitense em organização defensiva. Perante isto, o SC Braga teve de esperar quase até aos 20 minutos para criar as primeiras ocasiões de perigo e a primeira até surgiu quando o Moitense se tentava aventurar no ataque. O Braga recuperou a bola, lançou-a para Galeno, que cruzou rasteiro e obrigou Pedro Fortes a uma intervenção difícil. Pouco depois, remates de Iuri Medeiros para fora e de novo Galeno para mais uma defesa do guardião do Moitense e a equipa da Primeira Liga ia ameaçando.

Aos 24, uma combinação do lado esquerdo entre Galeno e Francisco Moura desencadeou uma assistência para Chiquinho, que rematou para nova grande intervenção do guarda-redes adversário. Três minutos depois, nova jogada pela esquerda teve novo destino, desta vez com a finalização de Mario González. Até essa altura, a história do jogo passava pelo lado esquerdo do ataque do Braga e pelo guarda-redes Pedro Fortes.

Mas aos 40 minutos, a resistência da equipa da Moita foi quebrada. Desta vez a jogada foi construída pela direita, com um cruzamento perfeito de Yan Couto para a cabeça de Mario González, que não vacilou. Depois de tanto tentar, o Braga chegava finalmente à vantagem perto do intervalo. E foi mesmo com 0-1 que se chegou ao descanso, apesar de ter havido mais uma ocasião de perigo criada por André Horta antes disso.

O Moitense voltou do intervalo com uma alteração na frente de ataque (saída de Maia, entrada de Pedro Reis) e com uma vontade enorme de entrar forte nos primeiros minutos do segundo tempo. Isso levou a uma oportunidade para Leonardo Leiro, que rematou à meia volta para obrigar Tiago Sá à sua primeira intervenção da tarde. Mas o Braga rapidamente voltou ao comando e ampliaria a vantagem.

Primeiro, um excelente passe de André Horta desmarcou Mario González, que recebeu e rematou, mas estava lá Pedro Fortes para negar o golo. Pouco depois, aos 54 minutos, um canto batido no lado direito foi desviado ao primeiro poste por Iuri Medeiros e finalizado de cabeça ao segundo pelo central Bruno Rodrigues.

A partir do 0-2, o estádio Alfredo da Silva, que estava num ambiente de grande festa proporcionado pelos adeptos do Moitense, arrefeceu bastante, e as hipóteses da equipa do campeonato distrital também. O Braga foi continuando a somar ocasiões para fazer o terceiro golo, com destaque para um lance em que Francisco Moura só não faz o 3-0 porque Chainho lhe negou essa possibilidade.

Mas o Braga chegou à goleada com dois golos em menos de nada, aproveitando dois erros do Moitense. Primeiro, aos 81 minutos, um atraso para Pedro Fortes ficou curto e Vitinha contornou o guarda-redes e cruzou para o golo de outro jovem, Roger (tem apenas 15 anos e emocionou-se quando festejou).

Dois minutos depois, o guarda-redes do Moitense, que estava a ter uma tarde tão inspirada, voltou a comprometer. Desta vez, recebeu o atraso do colega de equipa, mas não se conseguiu desfazer da bola e perdeu-a para Vitinha, que fez o 4-0. E o 5-0 veio aos 89 minutos, novamente por Vitinha, a aproveitar um ressalto no meio-campo que o deixou cara a cara com o guarda-redes.

O Braga começou assim a defesa do troféu que conquistou na temporada passada com uma goleada, avançando para a quarta eliminatória.

 

A FIGURA

Vitinha – O jovem de 21 anos entrou no decorrer da segunda parte, mas teve uma influência decisiva nos três golos que se seguiram à sua entrada. Com dois golos e uma assistência para Roger, a entrada do avançado foi fulminante e este período de jogo deu certamente bastante confiança ao jogador.

 

O FORA DE JOGO

Pedro Fortes – Acreditem ou não, até ao momento em que comete dois erros que resultam em dois golos do adversário, Pedro Fortes era o principal candidato a ‘Figura’ do jogo. Mas depois, numa altura em que o Moitense já acusava o cansaço, o guarda-redes também quebrou, e a equipa afundou com ele.

 

ANÁLISE TÁTICA – UFC MOITENSE

A formação de David Nogueira apresentou-se em campo com uma formação tática de 4x4x2, remetida quase sempre à sua organização defensiva. Os laterais Chainho (direita) e Lampreia jogavam ao lado dos centrais, que eram Rosito Carvalho e Mário Costa. No meio-campo do Moitense, Gui Marques e Leonardo Leiro ocupavam o corredor central, com Laurindo na ala direita e Rafa Matos na esquerda. Os dois avançados eram Patrick e Maia.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pedro Fortes (4)

Chainho (4)

Rosito Carvalho (5)

Mário Costa (4)

Lampreia (5)

Gui Marques (5)

Leonardo Leiro (4)

Laurindo (4)

Rafa Matos (5)

Patrick (4)

Maia (4)

SUBS UTILIZADOS

Pedro Reis (4)

Sam Nmoruka (4)

Tomás Alves (4)

David Silva (4)

Tiaguinho (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

A equipa de Carlos Carvalhal apresentou-se para este jogo igualmente num 4x4x2, com Chiquinho a ser mais avançado do que médio. Yan Couto, Tormena, Bruno Rodrigues e Francisco Moura ocuparam o quarteto defensivo, Lucas Mineiro e André Horta formaram a dupla de meio-campo, com Iuri Medeiros na direita e Galeno na esquerda. Chiquinho, sendo um médio de raiz, fazia a maior parte das vezes companhia a Mario González na frente.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Tiago Sá (5)

Yan Couto (6)

Tormena (6)

Bruno Rodrigues (7)

Francisco Moura (7)

Galeno (6)

Lucas Mineiro (6)

André Horta (6)

Chiquinho (6)

Iuri Medeiros (7)

Mario González (7)

SUBS UTILIZADOS

Vítor Oliveira (8)

Roger Fernandes (7)

Gorby (6)

Diogo Leite (6)

Lukas Hornicek (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

UFC Moitense

BnR: Pergunto-lhe se foi mais difícil focar a equipa para este jogo ou se vai ser mais difícil fazer o transfer para o próximo jogo do campeonato distrital.

David Nogueira: Este jogo é extremamente motivante, nesse capítulo não tivemos grande dificuldade. Mas acredito que eles agora estão na Lua e para os trazermos para a Terra vai ser mais difícil, ou seja, para voltar para a realidade vai ser uma tarefa mais complicada.

 

SC Braga

BnR: Gostava de lhe perguntar o quão difícil é preparar um jogo neste contexto em que a equipa faz um jogo de campeonato, tem a pausa para as seleções e, depois, quando volta a competir, joga contra um adversário de um escalão competitivo bastante inferior. É difícil preparar o jogo num contexto destes?

Carlos Carvalhal: Estas equipas são muito organizadas, 11 jogadores muito juntos perto da grande área e isto cria sempre dificuldades a qualquer equipa, fazer o primeiro golo é sempre muito difícil, são dificuldades que temos encontrado no nosso campeonato, embora a qualidade dessas equipas seja superior na qualidade da transição. Às vezes nestes jogos acontecem surpresas que não estamos à espera. Eu acho que o calendário está bem feito, honestamente. No nosso caso não tivemos muitos jogadores nas seleções, mas os colegas de Sporting, Benfica e Porto, principalmente estes três, na altura das seleções ficam quase a treinar sozinhos, e depois, se tiverem de competir no campeonato, é muito complicado, porque os jogadores quando chegam das seleções vêm sempre dessincronizados da equipa, sempre. E as dificuldades seriam sempre maiores se jogássemos para o campeonato. Por isso, sinceramente, acho que é uma boa medida.

Sporting CP 7-4 OC Barcelos: Leões regressam às vitórias

A CRÓNICA: SPORTING TEVE MAIS “SANGUE FRIO”

O Sporting CP recebeu o OC Barcelos e procurava curar as feridas depois da derrota frente ao FC Porto, na jornada anterior.

Na primeira parte, o jogo esteve muito dividido com várias oportunidades para cada um dos lados. No entanto, nos últimos dez minutos, as equipas jogaram de forma mais agressiva e a equipa da casa conseguiu atirar a contar.

A 6′ do intervalo, Toni Perez finalizou na área adversária uma bela jogada do coletivo leonino. Como já não bastasse aos visitantes, à beira do fim do primeiro tempo (a 12 segundos), João Souto marcou, numa transição rápida que se iniciou num mau passe de Gimenez. Luís Querido ainda falhou uma grande penalidade antes da ida para os balneários.

Na segunda parte, o OC Barcelos entrou determinado a conseguir reduzir as distâncias no marcador. Num remate forte de longe, Luís Querido fez o 2-1.

O Sporting conseguiu ainda o 3-1, mas o OC Barcelos não desistiu. Tudo começou com o cartão azul dado a Verona por falta sobre Alvarinho. Os visitantes não conseguiram concretizar o livre direto por Gimenez, mas Alvarinho fez pouco depois para 3-2, a apanhar Girão desprevenido junto ao primeiro poste.

O jogo voltou a estar muito partido, com os guarda redes de cada uma das equipas fazerem grandes defesas. Contudo, a enxurraga de golo veio a seguir. Gimenez empatou a partida, novamente de meia distância. Já do outro lado, Perez voltou a colocar os leões em vantagem, a aproveitar uma recarga na área.

Os leões conseguiram distanciar-se no marcador e chegou aos últimos 10′ da partida com três golos de vantagem (6-3). O OC Barcelos não conseguia concretizar e os golos só voltaram a aparecer no último minuto, um para cada lado.

Os leões «lambem as feridas», numa partida em que foi mais eficaz e aproveitou melhor as falhas dos Barcelenses.

A FIGURA

Toni Perez – O stick do espanhol parece que tem íman nas áreas adversárias. Fez um hat-trick, soube “estar no sítio certo à hora certa” e foi mortífero no frente a frente ao guarda redes adversário. O jogador foi absolutamente decisivo na vitória leonina.

O FORA DE JOGO

Estrutura defensiva do OC Barcelos – Os visitantes perderam muitas bolas e permitiram ao Sporting várias transições rápidas e que os leões conseguissem chegar várias vezes com perigo à sua grande área. É verdade que é preciso arriscar para marcar, mas também é preciso manter o equilíbrio.

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

A equipa de Paulo Freitas apostou nas transições rápidas, aproveitando o jogo estar partido e muito dividido. A defesa foi compacta e não deixar os jogadores barcelenses entrarem com a bola na grande área leonina.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Girão (7)

Verona (7)

Henrique Magalhães (7)

João Souto (7)

Nolito (7)

SUPLENTES UTILIZADOS

Zé Diogo Macedo (-)

Platero (6)

Toni Perez (8)

Gonçalo Nunes (6)

Ferran Font (7)

ANÁLISE TÁTICA – OC BARCELOS

A equipa de Rui Neto veio discutir o jogo ao Pavilhão João Rocha. No entanto, a reação à perda de bola e a qualidade do passe estiveram bastante abaixo do esperado e a equipa ficou exposta às transições rápidas do Sporting. No ataque, tentou fazer uso dos remates de meia distância perante a muralha leonina. O treinador preferiu não apostar no 5×4 nos últimos minutos, apesar de o OC Barcelos não conseguir finalizar e encurtar distância para o adversário no resultado.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Conti (7)

Dario Gimenez (6)

Luís Querido (6)

André Centeno (7)

Miguel Rocha (6)

SUBS UTILIZADOS

Joka (-)

Alvarinho (7)

Zé Pedro (6)

Rampulla (6)

Joca Guimarães (6)

Foto de Capa: Sporting CP

Vitória FC 0-2 FC Vizela: Vizelenses revelam experiência e eliminam sadinos da Taça de Portugal

A CRÓNICA: FC VIZELA ELIMINA UM HISTÓRICO DA COMPETIÇÃO

No Estádio do Bonfim, o Vitória FC recebeu o FC Vizela, duelo este a contar para a terceira eliminatória da Taça de Portugal. O Estádio do Bonfim voltou assim a receber um adversário proveniente da Primeira Liga, dois anos após os sadinos serem relegados para o Campeonato de Portugal.

De notar que o treinador do Vitória FC, António Pereira, fez algumas alterações relativamente à passada eliminatória frente ao SC Vianense, jogo este em que o Vitória FC saiu vitorioso (0-2). Já o treinador da equipa visitante, Álvaro Pacheco, efetuou seis alterações face ao onze inicial que empatou com o CD Santa Clara para o campeonato, na passada jornada.

Na primeira parte, o FC Vizela mostrou-se dominante no jogo, porém, o Vitória FC, através de uma pressão alta exercida por Bruno Ventura em conjunto com o trio de ataque, criava dificuldades aos vizelenses na sua primeira fase de construção. No entanto, os vizelenses dominavam o jogo, construíam com serenidade e criavam mais oportunidades de golo.

Os sadinos criavam perigo através de contra-ataques, porém não conseguiam traduzir estes em golos, ou sequer em oportunidades perigosas contra a defesa adversária. Aos 26 minutos, o FC Vizela chegou ao golo após uma grande jogada de Nuno Moreira com Tomás Silva. Este último cruzou rasteiro para Alex, que só precisou de empurrar a bola para dentro da baliza. Aos 28 minutos, Robson, médio-centro da equipa sadina, perdeu a bola à entrada de área e Nuno Moreira quase faturou o segundo golo da equipa visitante.

O FC Vizela apresentava uma “maturidade” diferente da equipa do Vitória FC, pouco experiente para adversários deste nível. Esta “maturidade” da equipa visitante esteve bem patente no segundo golo, aos 36 minutos, com uma triangulação perfeita da equipa do FC Vizela que resultou no golo de Schettine.

João Valido travou ainda várias novas ocasiões de golo do FC Vizela, uma delas ao minuto 40, após um cabeceamento de Schettine. Extraordinária defesa do guarda-redes da equipa sadina. De salientar ainda, nesta primeira parte, a bonita homenagem a José Semedo, ao minuto 29, jogador que atravessa um momento extremamente difícil com o falecimento da sua mulher, com o jogo a parar para se ouvirem os aplausos em sua homenagem. O Bola na Rede envia também as suas condolências a José Semedo e a toda a família enlutada.

Na segunda parte, os sadinos entraram a todo o gás em busca de um golo, que reacendia a esperança de uma possível passagem à próxima eliminatória da Taça. Aos 50 minutos, Kamo Kamo, de frente para a baliza, desperdiçou uma grande oportunidade de golo que faria o Vitória FC reentrar na discussão do resultado.

Os sadinos arriscavam muito no contra-ataque, causavam perigo, porém à entrada da grande área adversária tardavam a decidir e perdiam assim oportunidades de golo. De realçar uma falha estrondosa de Mendy, aos 81 minutos, completamente de frente para a baliza.

O Vitória FC tentou, mas não conseguiu fazer frente ao FC Vizela. A equipa sadina despede-se assim desta edição da Taça de Portugal e o FC Vizela avança para a próxima eliminatória.

 

A FIGURA

Maturidade do Vizela FC – A equipa de Álvaro Pacheco tem demonstrado uma maturidade de equipa de primeira liga. Frente a um histórico da Taça de Portugal, o Vitória FC, conseguiu impor o seu jogo perante a equipa sadina, que demonstrou pouca experiência quando comparado à equipa vizelense.

 

O FORA DE JOGO

Inexperiência da equipa sadina – A falta de experiência dos jogadores do Vitória FC ficou bem patente ao longo do jogo. Perdas de bola, incapacidade de gerir a posse de bola e, sobretudo, inabilidade para concretizar as oportunidades de golo.

 

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA FC

António Pereira apostou num sistema de 4x3x3 com um médio ofensivo, Bruno Ventura, que se juntava a um rápido tridente ofensivo com o intuito de procurar o erro da defesa do FC Vizela. Ao longo do jogo, o Vitória FC teve certas dificuldades em ter a posse de bola, e, nas oportunidades que teve através de contra-ataques, foi incapaz de traduzir em golo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

João Valido (7)

Mano (5)

Bruno Bernardo (5)

François (5)

Nuno Pinto (6)

Murilo (5)

Robson (4)

Bruno Ventura (6)

Kamo Kamo (6)

Varela (5)

Bruno Luz (5)

SUBS UTILIZADOS

 Mendy (4)

Daniel Martins (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC VIZELA

Como já é característico, o FC Vizela de Álvaro Pacheco entrou com um sistema de 4x3x3 com o objetivo de controlar o jogo através de uma boa gestão da posse de bola. A equipa controlou o meio-campo com tranquilidade, travou os contragolpes da equipa da casa e, sobretudo, soube criar e traduzir as suas oportunidades em golos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ivo (6)

Vigor Julião (7)

Ivanildo (6)

Bruno Wilson (6)

Ofori (7)

Samu (8)

Guzzo (7)

Tomás Silva (7)

Alex (8)

Nuno Moreira (8)

Cassiano (5)

SUBS UTILIZADOS

Schettine (8)

Marcos Paulo (7)

Kiki (6)

Zag (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Vitória FC

BnR: Boa tarde, mister. O mister apostou num rápido tridente ofensivo com Kamu Kamu, Varela, Bruno Luz na frente e Bruno Lourenço a juntar-se na pressão à defesa adversária. Na segunda parte, já a perder por 2-0, com a entrada de Mendy tentou dar primazia ao jogo aéreo em detrimento de um jogo de pressão alta à defesa adversária?

António Pereira: “Sim, de facto foi o que tentámos fazer. Na Liga 3, apostamos no jogo aéreo e tentamos sempre ter o domínio da posse de bola. Neste jogo, sendo o adversário de primeira liga, entrámos, como disse, com esse ataque rápido em pressão alta, a tentar causar o erro no adversário. Não resultou, assim sendo coloquei o Mendy na segunda parte para voltarmos ao nosso jogo habitual e apostarmos assim no jogo aéreo.”

 

FC Vizela

BnR: Boa tarde, mister. Acredita que esta adaptabilidade dos jogadores do meio-campo do Vizela de irem, por assim dizer, mudando de sítio dentro de campo, mas os comportamentos continuarem muito idênticos, foi uma arma forte para baralhar a defesa do Vitória neste jogo?

Álvaro Pacheco: “Sem dúvida. Eu gosto muito dessa adaptabilidade, dos jogadores estarem sempre conectados a saberem como está a equipa no momento. O segredo está nisso: nós sermos capazes de nos adaptarmos aos espaços que temos de defender e atacar, independentemente de quem lá está. Esta ideia é fundamental, não só para o funcionamento da equipa, como também para a minha ideia de jogo.”

Bayer 04 Leverkusen 1-5 FC Bayern Munique: Bávaros goleiam e assumem a liderança do campeonato

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A CRÓNICA: DOMÍNIO AVASSALADOR EM TODOS OS MOMENTOS DO JOGO

A oitava jornada da Liga Alemã foi sinónima de jogo grande, com o Bayer 04 Leverkusen a receber o FC Bayern Munique, num duelo entre duas equipas que se têm mostrado em grande forma na competição e a ocuparem o terceiro e o segundo lugar, respetivamente, à entrada para este confronto.

A partida começou a todo o gás, com o inevitável Lewandowski a abrir o marcador, à passagem do minuto quatro, com um golo absolutamente soberbo. O Bayern, por cima do jogo, podia ter ampliado a vantagem, à passagem do minuto 19, mas Sané rematou ao poste.

O domínio bávaro era notório e, à meia hora de jogo, esse domínio voltou a traduzir-se em golo. Lewandowski bisou na partida, dando o melhor seguimento a uma grande jogada coletiva de ataque que só terminou no fundo das redes de Hrádecký.

O rolo compressor da formação de Munique não abrandava e, quatro minutos depois, Müller colocou o seu nome nos marcadores. Na saída de bola dos “farmacêuticos”, os bávaros recuperam-na e voltaram a marcar, desta feita por Gnabry. O mesmo Gnabry que voltou a faturar ao minuto 38. Um primeiro tempo para esquecer para a formação da casa.

No segundo tempo, o Bayern voltou a entrar forte, mas um pouco mais comedido na intensidade imprimida no encontro, face ao volumoso resultado. Ainda assim, o Leverkusen mostrou-se mais atrevido ofensivamente e conseguiu reduzir por Schick, ao minuto 54.

A partir daí, o Bayern foi gerindo o jogo à sua maneira e Julian Nagelsmann promoveu mesmo algumas alterações, com o jogo frente ao SL Benfica, para a Liga dos Campeões, em vista. O Leverkusen fechou-se e acabou por conseguir conter o ataque bávaro, evitando assim uma derrota com proporções históricas.

Posto isto, com este triunfo, a turma de Munique sobe ao primeiro lugar, somando mais um ponto que o BVB Dortmund – segundo classificado -, enquanto o Leverkusen se mantém no terceiro posto da tabela classificativa.

 

A FIGURA

Joshua Kimmich – O médio alemão não colocou o seu nome na lista de marcadores no encontro, mas foi, para mim, o melhor em campo, no sentido em que foi o motor da equipa do FC Bayern Munique, a jogar e a fazer jogar.

 

O FORA DE JOGO

Mitchel Bakker – O lateral holandês foi uma nulidade neste encontro, abrindo quase uma autoestrada no flanco esquerdo da sua formação para que os adversários explorassem. Não se pode dizer que a derrota neste encontro tenha acontecido por erros individuais, mas certamente que os de Bakker contribuíram.

 

ANÁLISE TÁTICA – BAYER 04 LEVERKUSEN

A formação orientada por Gerardo Seoane apresentou-se organizada num sistema tático em 4-2-3-1. No primeiro tempo, os “farmacêuticos” mostraram muitas dificuldades na construção e impaciência na decisão, algo que levou a erros defensivos e cedência de muitos espaços à formação adversária, que não se fez rugada e aproveitou da melhor maneira. Na segunda parte notaram-se melhorias, mas muito fruto do abrandamento do FC Bayern München, evitando assim males maiores.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Hrádecký (6)

Frimpong (6)

Kossounou (5)

Tah (6)

Bakker (5)

Amiri (6)

Demirbay (7)

Diaby (5)

Wirtz (7)

Paulinho (6)

Schick (6)

SUBS UTILIZADOS

Tapsoba (6)

Bellarabi (6)

Adli (6)

Retsos (6)

Alario (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN MUNIQUE

Os bávaros organizaram-se num dispositivo tático de 4-2-3-1. Os comandados de Nagelsmann dizimaram por completo a formação adversária, especialmente no primeiro tempo, aproveitando o muito espaço entrelinhas dado pelas linhas do Bayer 04 Leverkusen. Pressionaram constantemente o portador da bola, obrigando o adversário a jogar no erro e foram letais ofensivamente. Um domínio total por parte dos campeões em título.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Neuer (7)

Hernández (7)

Upamecano (7)

Süle (7)

Davies (7)

Kimmich (6)

Goretzka (8)

Gnabry (7)

Müller (8)

Sané (7)

Lewandowski (9)

SUBS UTILIZADOS

Stanisic (6)

Sabitzer (6)

Musiala (6)

Coman (7)

Richards (6)

A irregularidade de Jovane Cabral

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Jovane e a sua irregularidade

Na época passada, Jovane foi um elemento importante no jogo leonino. Este ano, parece estar com mais dificuldade em afirmar-se na formação de Rúben Amorim, apesar do bom início de temporada. Podia ser exceção, mas a verdade é que a irregularidade de Jovane Cabral tem sido regra, desde que chegou à equipa principal do Sporting CP. Passa de clutch a nulidade num curto espaço de tempo, algo que não lhe permite dar o salto na carreira e ser o jogador que poderia e ainda pode vir a ser.

Caminha para a quarta temporada na equipa A, mas foi maioritariamente como suplente utilizado que Jovane foi mais útil. Numa fase inicial, o atleta cabo-verdiano destacava-se apenas pelo poder de explosão e facilidade com que aponta o seu “canhão” (por vezes, descontrolado) para a baliza contrária. Porém, houve uma melhoria clara no seu jogo, nomeadamente a controlar a bola de costas para a baliza, quando a recebe no corredor central, e também no seu conhecimento tático.

Ruben Amorim falou numa conferência de imprensa acerca da falta de consistência de Jovane Cabral. O treinador leonino afirmou que o jogador se vai muito abaixo animicamente quando está a passar por uma forma pior, e que precisa de carinho por parte dos adeptos e do próprio treinador e colegas para voltar à boa forma. Ora, isto revela que, para além do trabalho no campo, há muito a fazer no gabinete de psicologia do Sporting CP, pois o corpo só funciona se a mente estiver 100% focada naquilo que está a fazer.

Jovane Cabral
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ora, se há coisa que Amorim tem feito desde que chegou a Alvalade é potenciar as qualidades dos seus jogadores e disfarçar as suas debilidades. O maior exemplo é o de Coates, que passou de um dos patinhos feios do Sporting CP a capitão e principal referência da equipa.  Com Jovane, isso reflete-se em campo. Está um jogador mais completo e perigoso para o adversário. Mas parte do atleta trabalhar arduamente para não mostrar as suas melhorias apenas em metade dos jogos que efetua por temporada.

Pensando como defensor dos interesses do Sporting CP, arrisco a dizer que o melhor para o clube é aproveitar um bom momento de Jovane, em que o seu valor de mercado esteja valorizado, para fazer um bom encaixe financeiro. Penso que uma oferta a rondar os 20 milhões de euros seria bastante aceitável, mas é necessária uma maior consistência por parte do atleta.

O Sporting CP, como qualquer equipa portuguesa, é um clube exportador. Não acredito que Jovane Cabral se torne um jogador indispensável, pelo que a venda de um ativo futuramente (e possivelmente) valioso se justifica, no momento certo.

Juventus FC x AS Roma | Só um pode sair Allegri

Liga Italiana, Jornada 8: domingo, 19h45, 17 de outubro de 2021

 ANTEVISÃO: EM TURIM, OU RÔMULO OU REMO SAEM ALLEGRI

A procissão ainda vai no adro e já há muito que decidir. Juventus FC e AS Roma disputam três pontos que valem ouro. Com um início de temporada muito tremido por parte da La Vecchia Signora e a dez pontos do topo da tabela, a perda de pontos este fim de semana coloca a Juve em claras dificuldades para recuperar.

MOURINHO VISITA TURIM PARA UM JOGO IMPORTANTÍSSIMO NA LUTA PELOS PRIMEIROS LUGARES DA SERIE A. TEREMOS A EQUIPA ROMANA A PROLONGAR O MAU MOMENTO DA VECCHIA SIGNORA? APOSTA COM A BWIN!

Para José Mourinho, a mesma importância, mas um cenário menos cinzento. Uma vitória este fim de semana continua a dar asas para chegar ao topo, à entrada da jornada seis pontos de diferença, e pode distanciar-se, ainda mais, da sempre rival, Juventus FC.

De Roma a Turim, na ida, são quatro pontos de distância. Ambos os conjuntos sabem o que é perder nesta temporada, assim como, ambos vêm de uma vitória da jornada anterior.

Esta partida assume ainda mais relevo para as formações ao verificar que na próxima jornada, a AS Roma recebe a líder SSC Napoli e a Juventus visita o FC Internazionale Milano. Em caso de empate fica Sarri “allegri”.

Um jogo em que não chega ser atrevido, é preciso saber matar os três pontos.

 

10 DADOS RÁPIDOS

  1. A Juventus FC vem de três vitórias consecutivas depois de quatro jogos sem ganhar.
  2. A AS Roma tem três vitórias e duas derrotas nos últimos cinco jogos.
  3. Em oito jogos entre Allegri e Mourinho, quatro triunfos para o português, dois empates e duas vitórias para o italiano.
  4. As duas turmas já se defrontaram 194 vezes. A Juventus FC venceu 92 jogos, 54 empates e 48 triunfos para a AS Roma.
  5. Em 21 jogos, Allegri nunca venceu a AS Roma. Sete empares e 14 vitórias para os Giallorossi.
  6. Em sete jogos contra a Juventus FC, José Mourinho também nunca venceu a La Vecchia Signora. Perdeu seis e empatou um.
  7. A Juventus FC tem uma média de 1,57 golos marcados e 1,43 sofridos na Liga italiana.
  8. A AS Roma, para o campeonato, tem uma média de 2,64 golos marcados e 0,91 sofridos, por jogo.
  9. Em todas as competições, a Juventus FC tem duas vitórias, um empate e uma derrota a jogar dentro de portas.
  10. A AS Roma, fora de portas, em todas as competições, tem três vitórias e duas derrotas.

 

JOGADORES A TER EM CONTA


Federico Chiesa (Juventus FC) – Cada vez mais preponderante na formação da Juve. Leva um golo e uma assistência nas últimas duas partidas, ao que junta mais um tento esta temporada.

A sua entrada no onze tem significado vitórias para a formação da La Vecchia Signora. Além da qualidade reconhecida por todos, é daqueles jogadores que podem desbloquear uma partida deste calibre.


Tammy Abraham (AS Roma) – Tem sido destaque na formação de José Mourinho. Em dez partidas conta com quatro golos e duas assistências e tem dado muito que fazer à defesa adversária.

Tal como Chiesa, este é um tipo de ofensivo que é feito para desequilibrar nestes tipos de jogos. A sua mobilidade pode ser fator chave para facilitar o caminho para a vitória da AS Roma.

XI’S PROVÁVEIS

Juventus FC: Szczesny, Danilo, Cuadrado, Chiellini, Bonucci, Alex Sandro, Locatelli, Rabiot, Bentacur, Kean e Chiesa.

Treinador: Massimiliano Allegri

“A Roma está quatro pontos à nossa frente e para nós é um jogo muito importante, assim como o resto até à paragem onde teremos de fazer alguns resultados para não nos afastarmos das primeiras posições da classificação. O Mourinho tem dado carácter à equipa, tem bons jogadores com técnica e fisicalidade e é muito perigoso nas bolas paradas. Deves voltar a ligar o interruptor novamente.”

 AS Roma: Rui Patrício, Karsdorp, Ibañez, Mancini, Viña, Cristante, Pellegrini, Zaniolo, Mkhitaryan, Veretout e Abraham

Treinador: José Mourinho

“Existem algumas diferenças entre as equipas. Uma ganhou dez campeonatos seguidos, a outra zero. Uma joga para ganhar a Liga dos Campeões, com jogadores internacionais, outra joga a Conference League com muitos jogadores jovens. O jogo é jogado 11 contra 11. Temos de esquecer as lacunas durante o jogo e jogar para ganhar”.

 PREVISÃO DE RESULTADO: JUVENTUS FC 2-2 AS ROMA