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Madeira Andebol SAD 25-26 SL Benfica: Insulares não tiveram o regresso desejado

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Primeira mão do play-off do Campeonato Nacional de Andebol; casa cheia no Funchal para a receção ao Benfica. O Madeira Andebol SAD estava motivado pelo regresso às fases finais do nacional de andebol. Nos dois jogos na fase regular do campeonato, houve vitórias para os encarnados, quer em Lisboa, quer no Funchal.

Aos sete minutos, o Benfica colocava-se a vencer pela primeira vez (3-4), com a agravante de a SAD ter ficado dois minutos sem Nuno Carvalhais. Do ataque posterior resultava o empate e a exclusão de um adversário. Recuperava a SAD a vantagem na partida.
Aos 16 minutos e 30, o Benfica recuperava a vantagem pondo-se a vencer por 6-7. Mas depressa os madeirenses empataram. Gonçalo Vieira, como é seu apanágio, lá em cima a dar espetáculo e a empatar.

Tentavam os de Lisboa, David Pinto não deixava. Começava a ferver, os adeptos percebiam que havia uma dupla a querer ajudar os visitantes. Não deixavam! Na Madeira, mandam os madeirenses. Ampliava a vantagem a SAD. A dupla de arbitragem não gostava e continuava a excluir, sem razão, jogadores azuis e amarelos. Acelerava o Benfica e, em dois ataques rápidos, empatava a partida a 10. Fidalgo, já quase sem voz, solta do banco o cartão verde. Desconto de tempo.

Atacava a SAD, já quase sem soluções. O mágico – Gonçalo Vieira -, lá da ponta esquerda, fazia a redondinha entrar na baliza adversária. Respondia o Benfica e, de sete metros, empatou. A SAD não conseguia tomar as rédeas da partida e desperdiçava. Aproveitava o Benfica, com Silva a marcar e a ir para o banco, suspenso por dois minutos. Ficava em vantagem numérica a SAD, mas desperdiçava e o Benfica ampliava o marcador – 13-14 era o resultado ao intervalo.

Será difícil aos insulares seguirem em frente na competição. Fonte: Bola na Rede
Será difícil aos insulares seguirem em frente na competição
Fonte: Bola na Rede

Começava a segunda metade, e a dupla de arbitragem continuou a manchar a dignidade da partida. Eram livres de sete metros, exclusões e faltas atacantes injustificáveis, chegando ao cume de, mesmo diante de um árbitro, a bola ter ido às pernas de um jogador do Benfica e ter continuado a partida como se nada fosse. Se a jogar contra sete já era difícil, jogar contra nove muito pior ficava. Assim sendo, o Benfica ampliava a vantagem para cinco – o resultado chegava a 13-18. A SAD, a muito custo, foi reduzindo a vantagem adversária até aos 18-20.

Com o jogo a entrar na fase crucial e decisiva, a SAD reduzia para a margem mínima: 20-21. Aos 20 minutos, empatava a SAD: 22-22. Ganhava ânimo, fôlego para o último terço da segunda metade e recuperava o apoio da massa adepta. Estava relançada a partida. Duas defesas monumentais de Luís Carvalho permitiam a vantagem da SAD. Mas, logo aos 25 minutos, e apesar da vantagem numérica dentro de campo, há uma nova cambalhota no marcador, com os encarnados a passarem para a frente.

Ainda empatou a SAD, mas, uma vez mais, a dupla de arbitragem decide marcar falta ao atacante e impedir o empate na partida. Até ao final foi um jogo impróprio para cardíacos, com golos de um lado e de outro. A dois segundos do final do jogo, livre de nove metros com Cláudio Pedroso a rematar mesmo em cima do sinal sonoro, mas com a bola a embater na defesa encarnada.

No final, 25-26, com claro prejuízo para os da casa, que viajam até à Luz em desvantagem.

 

A Figura:

Cláudio Pedroso – O lateral direito, ex-Benfica, foi o melhor jogador na tarde de hoje no Funchal. Empurrou a equipa para a frente, tentou fazer com que os da casa fossem justos e dignos vencedores na partida de hoje. Juntamente, claro está, com Gonçalo Vieira e Luís Carvalho.

O fora-de-jogo:

Arbitragem – A dupla de arbitragem que se apresentou no Funchal pecou, várias vezes, para ambos os lados. Mais foram as vezes em que pecou para o lado dos da casa. O Andebol nacional, sobretudo nesta fase decisiva, merece melhores árbitros. Não se pode deitar por água todo o excelente trabalho de formação e recuperação do moral de toda uma região que, a nível nacional e até mesmo internacional, tem vindo a dignificar a modalidade.

Foto de Capa: Bola na Rede

Missão (Quase) Impossível

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fc porto cabeçalho 2Depois do jogo de quinta-feira, a vida do FC Porto na Liga Europa parece complicada. Os azuis e brancos vão ter de fazer um jogo perfeito na próxima quinta-feira. Peseiro vai ter mais jogadores à sua disposição e pode mesmo dar-se ao luxo de apostar no onze e na táctica que bem entender. A dúvida que assombra a nação portista prende-se com o sistema de jogo que vai ser capaz de neutralizar o poderio ofensivo da equipa alemã e dar simultaneamente força ao ataque.

Parece-me óbvio que, em casa, o FC Porto vai ser uma equipa com mais espírito, garra e com mais vontade de chegar à baliza adversária. Na passada quinta-feira, a equipa portuguesa procurou envolver o Borussia Dortmund num jogo de xadrez táctico mas não conseguiu ser bem-sucedida. A equipa de Tuchel aproveitou as debilidades defensivas da defesa remodelada dos azuis e brancos e resolveu a primeira mão da eliminatória sem conceder um único golo fora. Duas vitórias para a equipa alemã num só jogo, portanto.

No jogo de dia 25, Peseiro terá de apostar no ataque mas nunca poderá descuidar o processo defensivo pois um golo do Dortmund complica, e muito, a eliminatória. Afinal, se a equipa de Reus e companhia marcar um único tento, o Porto terá de responder com quatro para ganhar a eliminatória. Maxi e Layún terão de contar com o apoio de um incansável Danilo, uma vez que, ao subirem no terreno, terá de ser o médio português a compensar as alas e a preocupar-se com a velocidade e qualidade técnica de Reus, Mkhitaryan e do goleador Aubameyang. Mas não é só Danilo que vai ter de trabalhar muito. Quem for aposta de Peseiro para o meio campo no derradeiro jogo europeu terá de saber servir o ataque no momento certo e no segundo seguinte terá de saber recuar e fortalecer um espírito de entreajuda que terá de ser gigante no Dragão. André André e Herrera parecem-me as escolhas mais acertadas para preencher o miolo da equipa. Aboubakar, Brahimi e Corona vão ter de estar inspiradíssimos para assegurar que o Porto marca pelo menos dois golos de maneira a empatar a eliminatória.

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Layún poderá voltar a ser lateral esquerdo
Fonte: Facebook Oficial FC Porto

Só para se ter uma noção do quão complicada é a tarefa do Porto, nem a repetição do brilhante jogo contra o Bayern Munique na época passada chegaria para a equipa liderada por Peseiro passar a eliminatória uma vez que até nesse jogo o Porto sofreu um golo. Talvez a solução otimista mais realista seja um empate na eliminatória e uma solução final nas grandes penalidades. Mesmo assim até essa hipótese parece ser algo irreal uma vez que a equipa alemã tem um poder ofensivo gigante e tem números muito bons (mesmo número de golos marcados pelo líder Bayern Munique).

Resta esperar que o público do Dragão esteja também ao seu melhor nível e que Peseiro monte uma “teia” táctica que consiga neutralizar o ataque do Dortmund e que ao mesmo tempo consiga dar poder de fogo ao Dragão para marcar e dar a volta a uma eliminatória que à partida parece ser quase impossível. Mas o Porto já nos habituou a grandes noites europeias e a mística que envolve o clube exige que a equipa se saiba superar nestas ocasiões.

Continuem com esta atitude!

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Depois de termos perdido com o Porto em casa, num jogo onde os erros defensivos se pagaram muito caro, temia-se o pior. Com a derrota perante o rival azul e branco, pensava-se que a confiança dos jogadores encarnados pudesse ficar abalada, o que poderia ter consequências no jogo com o Zenit. Mas nesse jogo o desfecho foi diferente. Com o Zenit, o Benfica foi uma equipa mais madura do que diante do Porto. Na terça vimos um Benfica que soube jogar consoante os momentos do jogo.

Com a posse de bola do lado dos encarnados, a turma de Rui Vitória desgastou fisicamente a equipa Russa, que ainda não tinha os índices físicos a bom nível, conseguindo marcar golo nos instantes finais da partida. Jonas, com uma cabeçada certeira, pôs o Benfica na frente da eliminatória, que se decidirá na Rússia, perante um ambiente muito adverso para a equipa vermelha e branca. Depois destes dois duelos, o Benfica joga com o Paços de Ferreira para o campeonato no sábado. Apesar de o Benfica enfrentar um Paços mais fraco do que o habitual não adivinho um jogo fácil para a turma encarnada, pois a equipa pacense está a realizar um excelente campeonato, ocupando neste momento a 6.ª posição na tabela classificativa.

O central sueco tem sido uma boa surpresa e tem mostrado ter qualidade para ser opção; Fonte: #SLBenfica
O central sueco tem sido uma boa surpresa e tem mostrado ter qualidade para ser opção
Fonte: SL Benfica

A turma de Rui Vitória tem de entrar com a mesma atitude com que entrou perante o Zenit, os jogadores encarnados têm de “matar” o jogo o mais rapidamente possível. Espero, assim, uma equipa com vontade de continuar na luta pelo campeonato, uma equipa que não treme, apesar dos percalços que pode sofrer, uma equipa forte. Mesmo sem contarmos com Gaitán contra o Paços, temos substitutos de qualidade para realizarem este jogo. Carcela é um desses substitutos, jogador que já deu provas da sua qualidade e de querer lutar por um lugar no onze.

Outro exemplo de qualidade tem sido Valter Lindelof, que tem substituído Lisandro no eixo da defesa. Perante o Porto e Zenit, o central Sueco cumpriu e realizou dois bons jogos, mostrando assim que também tem uma palavra a dizer a Rui Vitória. Até Eliseu tem vindo a surpreender-me. Apesar de ser o jogador mais fraco do onze encarnado, tem realizado exibições seguras, não cometendo erros de maior.

Depois de termos estado praticamente afastados da corrida, crescemos e hoje somos uma equipa mais forte, uma equipa cheia de confiança e, acima de tudo, hoje o Benfica é novamente uma equipa respeitada. Resta-nos assim acreditar na nossa equipa e estarmos mais unidos que nunca, porque muitos dos jogos que o Benfica irá jogar terão de começar a ser vencidos na bancada, e o jogo contra o Paços vai ser um deles.

Queria poder ser tendencioso

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Não vos vou mentir: aguardava com grande expectativa este jogo da Liga Europa, o embate do Sporting com o Leverkusen. Pensei que ia ser um grande jogo, com um Sporting dominador mas sempre atento às investidas alemãs, até porque todos nós sabemos como carbura a máquina germânica. Tinha esperanças de que, nesta minha primeira contribuição para o Bola na Rede, pudesse escrever um texto em cima de uma vitória, mas não é esse o caso.

Contudo, a minha maior desilusão foi assistir a 90 minutos de um Sporting irreconhecível. Não sou um profeta da desgraça, nem digo que esta exibição é o início de um descalabro porque não acredito que assim seja. Jorge Jesus deixou bem claro que a prioridade é o campeonato, o que sinceramente acho bem, mas daí a oferecer o jogo como prenda aos alemães vai uma ligeira diferença.

A capacidade de passar a bola ao primeiro toque, a mobilidade dos jogadores, o jogo em equipa, saber que o todo é superior ao individual, a garra e a entrega de cada um em campo, todos esses atributos que caracterizam esta equipa do Sporting, não foram vistos ontem no relvado. E com isto não quero dizer que não se tenham aplicado, mas parece-me que a frustração de nada estar a correr bem se sobrepôs à noção daquilo que era preciso fazer perante um adversário como o Leverkusen. Na defesa complicavam-se os cortes e as saídas para o ataque, e no ataque tentavam resolver-se as coisas individualmente.

Queria poder ser tendencioso, e descobrir formas de justificar um Sporting superior, mesmo que derrotado, mas não consigo. Raramente ganhámos as segundas bolas, e deixámo-nos cair num jogo tão morno que foi fácil para os alemães controlarem-no.

Aos 90 minutos, creio que faltou Gelson Martins. Irrequieto como é, podia ser ele a solução para quebrar a lentidão e a falta de ideias com que o Sporting estava em campo. Penso até que seria essa a intenção de Jorge Jesus, não fosse a lesão inesperada de Coates. No entanto a eliminatória continua em aberto, e acredito que o Sporting possa ir à Alemanha surpreender o Bayer, como fez com o Lokomotiv na Rússia.

Bryan Ruiz foi um dos exemplos de quem tentou remar sozinho contra a maré alemã. Fonte: Sporting CP
Bryan Ruiz foi um dos exemplos de quem tentou remar sozinho contra a maré alemã
Fonte: Sporting CP

Acredito que possa começar o jogo com Gelson Martins e Matheus Pereira nas alas e a dinâmica da equipa mudar completamente, porque são jogadores que a qualquer momento podem desestabilizar uma defesa. Quem sabe até se Hernán Barcos poderá ser uma surpresa na frente de ataque? Comparado a Teo, oferece mais poder físico para jogar entre os defesas.

Mas aquilo a que eu como adepto não gostaria de assistir, e creio que outros concordarão comigo, é que, mesmo dizendo que a Liga Europa não é uma prioridade, isso sirva como uma desculpa para não dar o máximo. Principalmente quando é claríssimo que o Bayer Leverkusen está ao alcance do Sporting, porque quando era aplicada velocidade nos processos de transição percebia-se que a segurança defensiva da equipa alemã tremia. O problema é que essa velocidade muito raramente foi aplicada, e quando assim foi acabou em iniciativas individuais que não deram em nada, como o Mané ou o João Mário a remarem contra uma defesa inteira, ou o Ruiz a fintar um adversário mas sem apoio para dar seguimento às jogadas.

Se o intuito é poupar os jogadores titulares, normalmente mais influentes na equipa, e visto que as competições europeias não são prioridade, então que a opção passe por uma equipa declaradamente suplente, que possa dessa forma aplicar-se a 100%, correr ao máximo, demonstrar todas as características que devem ser vistas nos relvados pisados pelo Sporting, esforço, dedicação, devoção e glória.

Não quero ser injusto para jogadores que desde o início da época têm mostrado todas essas características em campo, nem com isto dizer que não se esforçaram, mas não foi o suficiente, não foi aquilo a que nos habituaram, e não acredito que ninguém, adepto, jogador, equipa técnica ou presidente, possa ter ficado feliz, não só com o resultado: acima de tudo com a exibição.

Queria poder ser tendencioso, mas não posso. Mal que está feito não pode ser refeito, por isso, o Boavista é o próximo adversário, e aí já conta como prioridade. Tem de sentir a carga do leão.

Foto de Capa: Sporting CP

Olheiro BnR – Lukas Spalvis

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Vem do futebol dinamarquês o tão ansiado concorrente a Islam Slimani no ataque do Sporting, mais concretamente o jovem Lukas Spalvis, futebolista de 21 anos que vai evoluindo no Aalborg e que foi recentemente anunciado como reforço leonino, num acordo que estará em vigor a partir do próximo Verão.

Trata-se de um futebolista nascido a 27 de Julho de 1994 em Vilnius, Lituânia, e que começou a sua carreira nas camadas jovens de dois emblemas alemães, nomeadamente o SV Weil 1910 e o SC Freiburg, clubes que antecederam a sua transição para o Aalborg.

Aliás, foi precisamente no emblema dinamarquês que Lukas Spalvis se estreou no futebol sénior, mais concretamente em 2013/14, temporada onde mostrou logo ao que vinha, somando um total de 11 golos em 24 jogos oficiais, isto apesar de, nessa altura, contar com apenas 19 anos.

Ascensão travada por grave lesão

A época de 2014/15 estaria assim destinada a ser a da explosão do internacional lituano, contudo, Lukas Spalvis acabou por ser traído por uma gravíssima lesão, mais concretamente uma rotura dos ligamentos do joelho, algo que fez com que apenas somasse oito jogos oficiais nessa campanha.

A verdade, contudo, é que essa lesão apenas terá atrasado a ascensão do ponta de lança, uma vez que o jovem de 21 anos regressou em força já na actual temporada de 2015/16, onde se tem assumido como o principal homem-golo do Aalborg.

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O internacional lituano tem 10 jogos e dois golos pela seleção

Afinal, como a principal referência ofensiva dos dinamarqueses, Lukas Spalvis já acumula 15 golos em 18 jogos oficiais da actual temporada, números que, aliados à qualidade inata do ponta de lança e à sua margem de progressão, terão convencido o Sporting a fazer tudo pela sua contratação.

Alto, mas nada tosco

Quando olhamos para a dimensão de Lukas Spalvis, com os seus 189 cm e 80 quilos, pensamos imediatamente na possibilidade de se tratar de um ponta de lança com grande presença na área, forte de cabeça, mas invariavelmente tosco com os pés, contudo, isso não poderia estar mais longe da realidade.

É que o internacional lituano, apesar de ser efectivamente uma verdadeira referência ofensiva e de ser também bastante forte no jogo aéreo, consegue apresentar excelentes recursos técnicos com os pés, sendo especialmente forte com o pé esquerdo, que é verdadeiramente dotado, e também bastante competente com o direito, que não servirá apenas para “subir ao autocarro”.

Não sendo rápido, trata-se de um jogador que actua de forma muito inteligente sobre a linha do fora de jogo, finalizando depois de forma letal, nomeadamente de cabeça e com a sua talentosa canhota. Para além disso, sabe procurar constantemente o espaço e combinar de forma muito inteligente com os colegas, estando longe de se limitar à função de “target man”.

Em suma, e sabendo-se que se trata de um futebolista de 21 anos, não tenho quaisquer dúvidas que Lukas Spalvis será um excelente reforço para o Sporting, até porque, em primeira instância, dará aos leões uma verdadeira alternativa a Islam Slimani e, depois, abrirá espaço para a sucessão do internacional argelino, até porque o lituano tem todas as condições para vir a ser muito superior a “Super-Slim”.

Imagens: Lukas Spalvis

Os “Pezinhos de lã” da Europa: Ecos do sucesso no silêncio da imprensa

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De Espanha, todo o mundo fala do Barcelona. É legítimo, como habitual está de fato fortíssimo com Messi, Suarez, Neymar e companhia. São os globettroters da imprensa desportiva mundial, tudo o que é notícia de destaque os blaugrana marcam presença. Se não for sobre o Barça, é sobre Messi vs Ronaldo ou então sobre a consistência do Atlético de Madrid, ou sobre o insucesso do Valência. Até o Sevilha e o Celta de Vigo já deram que falar. Só que poucos ouvem falar do 4º classificado!

De Inglaterra, as capas dos jornais comentam a sensacional época do Leicester City. É merecido, qualquer um fica estupefato tentando perceber como Claudio Ranieri, após o seu fraquíssimo registo de apenas 4 jogos pela Grécia no Apuramento para o Europeu com 3 derrotas em 3 jogos em casa, tem sido capaz de manter o foco competitivo dos seus ’lads’no 1º lugar da Premier League desde a 13ª jornada. Hoje, há quem já tenha ouvido falar de Mahrez, Vardy e Okazaki. Só que poucos ouvem falar do 2º classificado!

De Itália, os fanáticos que acompanham o Calcio só falam da grande cavalgada da Juventus. Mérito incontestável, são 15 jogos consecutivos a vencer, 45 pontos alcançados. Há três meses e meio atrás, na 10ª jornada, estavam na 12ª posição só com 12 pontos conquistados em 30 possíveis, apenas 30% de vitórias e praticamente arredados do pentacampeonato. Em tudo paralelo ao que se passava com o Chelsea de José Mourinho, só que não foi preciso trocar Massimiliano Allegri para que hoje estejam com mais 1 ponto do que o 2º classificado Nápoles. Só que poucos ouvem falar do 3º classificado!

De França, parece não haver muito que escrever nos jornais, pois mesmo quem não acompanhe o futebol francês sabe que o PSG pertence a um outro tipo de campeonato que não este. O campeonato é extremamente competitivo sem o PSG, mas são já 24 pontos de distância do 2º para o 1º e em 4 jornadas o líder tornar-se-á campeão! Haverá mais alguma coisa a assinalar para uma equipa que ainda não perdeu em 26 jogos? Poderíamos falar do Monaco, só que poucos ouvem falar do 3º classificado!

Da Bélgica, nunca se lê muito. Afinal o que importa falar do campeonato daquela que hoje ocupa o 1º posto do ranking da FIFA? São muitos os jogadores novos e bons que este país, ao fim de uma quinzena de anos, vem formando. Nós sem notícias continuamos achando que o título é eternamente entre Brugge, Anderlech ou Standard. Será que alguém já percebeu que uma cidade universitária belga continua surpreendendo as previsões? Ou será que alguém já ouviu falar do técnico belga que, com dois anos de clube, caminha para o seu terceiro troféu? É mesmo. Poucos ouvem falar do 1º classificado!

Assim, o que há tão interessante em nunca ter ouvido falar destas equipas? As equipas que caminham de mansinho entre os colossos europeus com investimentos financeiros ou orçamentos de altíssimo porte. Estas são os ‘pezinhos de lã’ da Europa porque a imprensa mundial desportiva silencia seus feitos! Acredito que por debaixo da manta estejam os grandes obreiros desta caminhada silenciosa. Destaco cinco equipas que estão sensacionalmente correspondendo acima das expectativas nos seus campeonatos mas que permanecem no anonimato da imprensa. São elas:

Villareal: o submarino amarelo não está naufragado

Marcelino Toral é quem comanda o Villarreal Fonte: Villarreal CF
Marcelino Toral é quem comanda o Villarreal
Fonte: Villarreal CF

Quem achava que o Villareal estava adormecido, engane-se, ele está só imergido e poucos são aqueles que o vêem passar! Quem estará por detrás deste sucesso, além das figuras da equipa – Soldado, Bakambu e Soriano? O técnico espanhol Marcelino Toral. Este já vai na sua quarta época no ‘submarino amarelo’ e o seu desempenho tem sido crescente no clube, tanto a nível qualitativo de jogo, como quantitativo de resultados. Para quem não conhece M. Toral, o seu historial não mente. Aqui fica o seu cartão de visita: em 2007/08, foi o responsável pelo excelente 6ª lugar do Racing Santander na La Liga, com apuramento direto para a Liga Europa; em 2008/09, foi convidado pelo Zaragoza para subir a equipa para a 1ª divisão e a subida foi alcançada; em 2012/13 foi o responsável também pela subida do Villareal para a 1ª Divisão, conseguindo nas duas épocas seguintes dois sensacionais 6º lugares. O rendimento este ano está ainda melhor, com apenas 4 derrotas em 24 jogos do campeonato o confortável 4º lugar demonstra a qualidade e competência que existe neste grupo de trabalho. Vão em 11 jogos consecutivos sem derrota no campeonato espanhol, juntando-se uma percentagem de 83% de jogos sem perder e uma média de 63 ataques por jogo, não muito longe dos 73 e 72 do Barcelona e Real Madrid, respetivamente.

Tottenham: a sedução despercebida do tango argentino

Pochettino e os seus rapazes estão a fazer uma grande liga Fonte: Tottenham Hotspur
Pochettino e os seus rapazes estão a fazer uma grande liga
Fonte: Tottenham Hotspur

Maurício Pochettino está a tornar-se para o Tottenham aquilo que o Diego Simeone se tornou para o Atlético de Madrid. Um treinador de classe e de respeito pela diferença positiva que está produzindo. O que faz do Tottenham ser uma das minhas equipas de eleição este ano é o fato de estar ainda em três frentes: Premier League, FA Cup e Liga Europa. E virem de 7 vitórias seguidas, que se não tivessem perdido para o líder em casa (0-1) seriam sensacionamente 13 jogos sem perder internamente e estariam na liderança. No entando, a 2ª posição na Premier League apenas a 2 pontos do, também, surpreendente líder Leicester City justifica-se pelos 71 ataques em média por jogo e a sua excelente capacidade defensiva. Com apenas 20 golos sofridos (menos de 1 golo por jogo) é a defesa menos batida do campeonato. Sabemos que ótimos ataques vencem finais, mas defesas coesas vencem campeonatos! Qualquer equipa no mundo que tenha uma boa organização defensiva, deve certamente esse fato à competência e qualidade do treinador. Pochettino sabe o que anda a fazer! Claro que não podemos esquecer as figuras do ataque como Kane, Chadli, Alli, Eriksen e Lamela, e o precioso papel defensivo de Lloris, Walker, Dier (ex-Sporting) e os belgas Alderweireld, Vertonghen e Dembélé. Pochettino depois de época e meia de grande nível no recém promovido Southampton, destacando a qualidade de jogadores como Luke Shaw e Schneiderlin (atualmente no Man. Utd) e Lallana (hoje no Liverpool) está a mostrar no Tottenham a mesma capacidade de revelar e valorizar jogadores. Os 51 pontos já conquistados estão a apenas 13 dos alcançados época passada. Parecem curtos e alcançáveis para os ainda 36 pontos em disputa! Nada me surpreenderá se este Tottenham espantar o futebol británico.

Fiorentina: o novo berço do renascimento do Futebol

Paulo Sousa continua a mostrar as suas qualidades Fonte: Paulo MCD Sousa
Paulo Sousa continua a mostrar as suas qualidades
Fonte: Paulo MCD Sousa

O destaque da Fiorentina este ano coincide com a entrada de Paulo Sousa como treinador da equipa italiana. Porém, eu não acredito em coincidências e creio haver uma justificação da presumível coincidência. Paulo Sousa não é um técnico qualquer! É só reparar que na sua curta carreira enquanto treinador já foi campeão em Israel, na Suiça e venceu troféus na Hungria. Paulo mostra adaptabilidade, competência, competitividade e qualidade em montar equipas vencedoras. Em pouco tempo perspectivo-o no topo, representando um grande Europeu. Em menor escala, poderíamos comparar o seu trajeto com o de Guardiola. Ambos foram jogadores cerebrais do meio campo, de confiança para os seus treinadores e que fizeram parte de equipas campeãs europeias (no caso de Paulo: Juventus em 96 e Dortmund em 97). Atualmente, ver a Fiorentina no 3º lugar da Série A faz-me lembrar os tempos áureos de Francesco Toldo, Rui Costa e Gabriel Batistuta. Este ano vão com 85% dos jogos sem perder no campeonato, é a equipa que mais ataques faz no campeonato italiano com uma impressionante média de 82 ataques por jogo. As figuras têm sido Astori, Rodríguez, Ilicic, Vecino, Bernardeschi, Valero e Kalinic. Não se tratam de nomes sonantes, o que torna ainda mais vistoso o desempenho desta Fiorentina. Curioso é que ela irá defrontar outra equipa em destaque, precisamente o Tottenham, para a Liga Europa. Prevejo grandíssima eliminatória entre duas equipas sensação. Positivo é que uma delas se manterá no palco europeu!

Nice: na costa azul do mediterrâneo mora uma raposa francesa

Claude Puel é o homem do leme no Nice Fonte: Nice
Claude Puel é o homem do leme no Nice
Fonte: Nice

Independentemente do PSG estar com mais 26 pontos que o 2º classificado Monaco, e mais 30 que o Nice, não podemos negar que o campeonato francês é extremamente competitivo. A prova disso são os 6 pontos que separam o 3º classificado do 12º. O Nice não está a fazer um campeonato sensacional, no entanto, não está a meio ou na cauda dessa cadeia, mas precisamente no topo dela. Quando penso em Nice, penso em férias, praia e no belíssimo mar da costa azul mediterrânea! Não imaginaria que pudesse estar a lutar por um lugar de acesso à Champions League. Analisando historicamente o campeonato Francês era inesperado ver o Nice no 3º lugar com adversários como Lyon, Saint-Étienne, Bourdeaux, Marseille, Lille, Nantes e Montpellier. Embora tenha uma média de ataques por jogo abaixo das outras equipas do top6, o Nice é o 2º melhor ataque da prova. Além das figuras da equipa Ben Arfa, Valère Germain e Mendy, creio que Claude Puel é o grande obreiro desta equipa revelação. Puel é um técnico experiente que já representou Monaco (onde foi campeão francês na virada do Milénio), Lyon no pós heptacampeonato e foi ele quem tentou infortunadamente com o Lille quebrar a hegemonia do heptacampeão Lyon entre 2002 e 2008. É um treinador com provas dadas em França. Encontra-se na quarta época no comando técnico do Nice e já conseguiu um fabuloso 4º lugar, logo no ano de estreia. Caminhando em pezinhos de lã, passa despercebido à imprensa desportiva internacional.

Gent: do anonimato ao… ainda anonimato no futebol

Hein Vanhaezebrouck comanda o sonho dos belgas Fonte: KAA Gent
Hein Vanhaezebrouck comanda o sonho dos belgas
Fonte: KAA Gent

Quando este ano se viu o sorteio do grupo H da Champions League, acho que muitos pensaram que o Gent seria o “bombo da festa”. Zenit, Valência e Lyon faziam as contas a três! Só que o Gent, em ano de estreia na Liga dos Campeões, fez 10 pontos e despachou Valência e Lyon da próxima fase. Contudo, a maior proeza do Gent foi vencer na época passada a Jupiler Pro League Belga. Nas duas épocas retrasadas o Gent não havia terminado no top 6, porém em outras épocas recentes conseguiu alguns 2º e 3º lugares. Seria um aviso para o que acabou acontecendo época passada! Eu estudei e morei na belíssima e simpática cidade de Gent, entre Setembro de 2003 e Junho de 2004, e só para se ter uma ideia o Gent nesse ano terminou a época no meio da tabela a 41 pontos do líder Anderlecht! Tem sido uma escalada que não deveria ter deixado os apaixonados pelo futebol fora da Bélgica incrédulos. Um dos responsáveis para este recente protagonismo? Certamente o seu treinador: Hein Vanhaezebrouck! Já alguém ouviu falar? Foi campeão pelo Gent logo no seu ano de estreia. Em 2015/16 continua em 1º lugar, nos oitavos de final da Champions no seu ano de estreia e venceu a Supertaça Belga na sua estreuta. Depois de ter passado alguns anos no Kortrijk, onde conseguiu chegar a uma final da Taça Belga e ser campeão da 2ª Divisão, revelou-se uma espécie de treinador da nova geração. Já havia sido também campeão da 3ª Divisão. É um técnico ofensivo. Em dois anos de Gent sumou apenas 15 derrotas em 84 jogos. Esta época só perdeu apenas 11% dos jogos no campeonato. Recentemente, a Bélgica tem mostrado os resultados extremamente positivos da sua exaustiva reformulação do futebol de base/formação. Atualmente, os seus melhores jogadores representam as grandes equipas Europeias e colocaram a seleção nas bocas do mundo com o 1º lugar no ranking da FIFA durante meses. Gent revelerá inexperiência em competições internacionais, mas penso que deveríamos mostrar mais atenção ao campeonato Belga e às suas equipas ‘desconhecidas’.

Por trás de todos estes projetos “pezinhos de lã”, penso que há uma semelhança primordial. Todos os clubes têm à frente um treinador competente que, dentro das suas realidades, acredito que farão parte das próximas gerações de técnicos vencedores.

Di María: O renascer da magia

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Após uma época para esquecer em Manchester, tanto a nível pessoal como coletivo, Ángel Di María está de regresso à ribalta do futebol e voltou, mais uma vez, a atingir o elevado nível futebolístico que havia praticado no Real Madrid e que muito contribuiu para a conquista da décima Liga dos Campeões do clube espanhol. Agora com as cores do Paris Saint-Germain, o atacante argentino tem tido um papel preponderante no autêntico “passeio” que o tricampeão tem concretizado esta época pela Liga Francesa, liderando a tabela com uma ampla vantagem de 24 pontos para o segundo classificado.

Transferido do Real Madrid para o Manchester United no verão de 2014, num negócio que deixou muito a desejar por parte do conjunto madrileno, principalmente pela produtividade que Angelito estava a demonstrar de camisola blanca ao peito, Di María não conseguiu espelhar a magia do seu futebol por Terras de Sua Majestade. Embora tenha até apresentado números razoáveis para a primeira época em solo inglês, era visível aos olhos do comum adepto que o argentino estava em campo sem a alegria e o brilho habitual a que já nos tinha acostumado, tanto nos merengues como no SL Benfica. Assim sendo, esta época trocou Old Trafford pelo Parque dos Príncipes, numa transferência que custou 63 milhões de euros ao Paris Saint-Germain.

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Di María já leva nove golos e dez assistências em 20 jogos na Liga Francesa
Fonte: Facebook Oficial Paris Saint-Germain

A mudança de país e clube funcionou de forma perfeita para Di María, pois encontrou no PSG o lugar ideal para explodir novamente no mundo do futebol e para demonstrar tudo aquilo que faz de si um dos melhores jogadores do mundo. Atuando na maioria da vezes sobre o corredor direito atacante dos parisienses, contrariamente à posição mais central em que jogou no seu último ano em Madrid, o internacional argentino tem sido um dos principais destaques do tricampeão francês esta época. Os seus números não mentem: em 20 partidas na Liga Francesa, conta nove golos marcados e dez assistências para golo, dados que fazem dele um dos jogadores mais influentes na manobra ofensiva do Paris Saint-Germain e também do campeonato.

Não só em termos de números Di María merece destaque, mas também pelas qualidades que tem evidenciado dentro das quatro linhas e que têm contribuído para o estrondoso sucesso que o PSG tem tido na presente temporada. Angelito tem demonstrado a excelente nível a sua capacidade técnica e rápida execução de movimentos com e sem bola nos pés para dar um brilho especial ao ataque do conjunto de Laurent Blanc e também para decidir jogos de cariz fulcral para a equipa, tal como, a título de exemplo, o golo que deu a vitória no clássico contra o Marselha.

Renasceu, então, a magia do futebol de Ángel Di María no Paris Saint-Germain, clube que com esta excelente contratação, aliada a outros dos seus jogadores de topo, como Ibrahimovic, Cavani, Verratti, Pastore, Matuidi, ou Thiago Silva, tem nesta época a oportunidade ideal para realizar uma campanha de sonho na Liga dos Campeões e chegar à tão desejada final em Milão. O próximo adversário dos parisienses será o Chelsea, nos oitavos de final da competição, o primeiro obstáculo na caminhada para a aspiração europeia do Paris Saint-Germain.

Foto de Capa: Facebook Oficial Paris Saint-Germain

FC Sion 1-2 SC Braga: A Arte de Complicar

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Com o passado recente do Braga na Liga Europa a colocar a equipa num patamar respeitado, há que fazer o possível para continuar a assegurar esse mesmo respeito por essa Europa fora. Com as coisas a correrem bem por cá, tanto no campeonato como na Taça de Portugal, o Braga tinha todas as condições para viajar confiante para a Suíça e com a determinação necessária para poder controlar a eliminatória. O primeiro quarto de hora da partida confirmou isso mesmo.

Os Minhotos entraram em campo, como se diz na gíria táctica, com uma equipa longa, onde as famosas linhas do modelo organizacional tendem a jogar muito separadas. O Braga conseguiu trocar a bola e ter a sua posse em várias zonas do terreno, assumindo o domínio nesta fase preponderante do jogo. Tal como sempre na estratégia do Braga, a primeira fase do jogo permitiu perceber que os médios-alas, Rafa e Alan, seriam elementos chave no modelo ofensivo do Braga, ora esticando o jogo na procura das bolas longas que partem da defesa, ora moldando com os movimentos rápidos a organização dos ataques. Mas como acontece nas equipas que não jogam muito juntas, as chamadas “equipas curtas”, aumenta a probabilidade de aproveitamento de espaço entre linhas, aumentando também a possibilidade de os adversários criarem situações de perigo.

Foi precisamente nestes momentos de ruptura na posse de bola que o Braga sentiu mais dificuldades. O Sion apareceu em jogo com um meio campo denso, que muitas vezes conseguiu impor-se perante a pressão de Vuckvic e Luiz Carlos. Assim sendo, tanto aproveitando a perda da bola como saindo em ataque organizado, o Sion acabou por ter muitas vezes o espaço suficiente no meio-campo do Braga para causar perigo.

Embora o primeiro quarto de hora da partida tenha sido fulcral, aparecendo, inclusive, o esperado golo do Braga, o restante tempo da primeira parte caracterizou-se por algum equilíbrio na organização de ataques, que destoa do concreto domínio do Braga na gestão da posse. E este ponto explica-se com as perdas de bola do Braga ou, em alguns casos, de alguma falta de organização nas saídas, durante as quais a equipa não se superou em relação ao bloco pressionante do adversário que estava responsável pelo bloqueio organizativo que teve como figura determinante o suiço Salatic, numa operação que facilitou a vida, por exemplo, ao português Carlitos, que com rapidez reconstruia situações de ataque. Os Minhotos acabavam a primeira parte encostados às cordas.

O 0-1 ao Intervalo fez suspeitar um Braga mais tranquilo na segunda parte, acabando por se suceder o inverso. O Sion entrou melhor, mais convicto e assumindo as rédeas do jogo. O que havia acontecido nos primeiros quinze minutos da primeira parte verificou-se de novo no começo da segunda, mas com a outra equipa. O golo aconteceu durante uma consecutiva toada ofensiva do Sion, com um bom trabalho de um jogador interessante, Konaté.

Rafa foi determinante na vitória Fonte: SC Braga
Rafa foi determinante na vitória
Fonte: SC Braga

A confiança que a igualdade poderia dar à equipa da casa não se consumou. Parece que o Sion não soube assumir de vez a partida, e embora haja mérito essencialmente do meio-campo do Braga, sabendo Paulo Fonseca que deveria colocar os centristas nas zonas altas do terreno, fomentando as oportunidades de golo e evitando construções do Sion, honra seja feita a um rapaz que tantas vezes quer, e sabe, chamar o protagonismo para junto de si. Estes pormenores que alguns teóricos associam aos jogadores experientes, Rafa já os detém. Ter técnica enche a vistas dos adeptos, mas conjuga-la com a inteligência táctica é de mestre. Sendo certo que a entrada de Josué ajudou para fazer tremer o jogo, foi Rafa que de destacou durante o processo desigualdade, tanto pelo bom golo que marcou, como pelo banho táctico que voltou a impor a um adversário. Tudo isto me faz crer que o Braga já não sabe viver sem Rafa, mas que num curto espaço de tempo terá que se habituar.

Com um jogo que poderia ter sido mais fácil, e que em muitos momentos só não o foi por culpa própria – ainda que o Sion também tenha o seu mérito, sendo uma equipa ainda com pouco ritmo mas com ideias e jogadores esclarecidos -, o Braga deixou claro que tem condições para dominar a segunda mão na Pedreira e carimbar a passagem para a próxima fase.

A Figura:

Rafa – Claramente. Além de teimar em aparecer com classe em vários jogos, tal como fez neste, revela uma maturidade fantástica durante o jogo. Sabe jogar sabendo estar, no momento certo, onde a equipa e a bola pedem.

O Fora de Jogo:

Willy Boly – Em alguns momentos o Central do Braga pareceu-me pouco esclarecido, tendo hesitando em lances que poderiam ter sido letais, tal como sucedido com o primeiro golo, de Konaté, onde Boly fez o que pôde.

Sporting CP 0-1 Bayer 04 Leverkusen: Bastou uma dose de aspirina em noite desinsipirada

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O Sporting perdeu hoje por 1-0 em casa perante o Bayer Leverkusen, na primeira mão dos 16 avos de final da Liga Europa. Os leões estiveram numa noite bastante desinspirada e não foram capazes de bater uns alemães que também num nível de qualidade muito elevado.

Jorge Jesus decidiu, como já se esperava, fazer poupanças na equipa habitual, tendo deixado Islam Slimani e Adrien Silva sentados no banco de suplentes, substituídos por Teo Gutiérrez e Aquilani. Jefferson e Carlos Mané formaram a ala esquerda, nos lugares de Zeegelaar e Bruno César, que foram titulares na Choupana mas estavam indisponíveis para este encontro.

Os leões entraram razoavelmente em no encontro, com Carlos Mané e Bryan Ruiz em constantes trocas posicionais. Algumas iniciativas individuais destes dois jogadores e de João Mário foram o melhor que o Sporting fez na primeira parte, mas com apenas um remate perigoso de Jefferson, para uma boa defesa de Leno. De resto, as jogadas foram sempre traídas por um último passe deficiente ou por manifesta incapacidade do ponta de lança.

Teo Gutiérrez não conseguiu ganhar nenhuma jogada em velocidade e muito menos pelo ar. O colombiano continua fora de forma, sem acrescentar qualidade ao ataque leonino. Numa altura em que já não há Montero e Barcos ainda está em fase de preparação, os sportinguistas rezam para que não haja nenhuma lesão de Slimani e para que o seu castigo não seja para já…

Dificilmente Teo voltará a ter o apoio das bancadas e a ser tão feliz de leão ao peito Fonte: Sporting CP
Dificilmente Teo voltará a ter o apoio das bancadas e a ser tão feliz de leão ao peito
Fonte: Sporting CP

A ausência do avançado argelino foi a mais notada, mas, como já referi, não foi a única. Adrien também esteve no banco e a diferença foi notória, principalmente a nível ofensivo. Aquilani e William jogaram muito a par, um ao lado do outro, o que complicou a tarefa ofensiva dos “verdes e brancos”. Aquilani deveria ter subido mais no terreno, quando a equipa estava com a posse de bola.

A nível defensivo, a única falha gritante resultou no golo. Jedvaj teve demasiado espaço para cruzar e Bellarabi apareceu sozinho ao segundo poste para faturar, à passagem dos 24 minutos. De resto, Coates esteve imperial, compensando algum nervosismo inicial de Ruben Semedo.

Na segunda parte, manteve-se tudo igual, até ao culminar do primeiro quarto de hora, quando entraram Adrien e Slimani para os lugares de Aquilani e Teo, com este último a ser assobiado pela falta de empenho que vem demonstrando quando é chamado para dentro das quatro linhas.

A equipa leonina continuou, porém, sem criar grandes dificuldades à defesa alemã e os problemas portugueses aumentaram com a substituição de Coates por Ewerton e a expulsão de Ruben Semedo, por acumulação de cartões amarelos. William teve de baixar para fazer dupla de centrais com o recém-entrado Ewerton e o Sporting não conseguiu pressionar o último reduto germânico. Até ao final da partida, as únicas chances de golo foram do Leverkusen, inclusivamente uma bola que bateu no poste esquerdo da baliza de Rui Patrício.

Foi um jogo enfadonho e sem grande chama por parte do Sporting, talvez em poupança de forças para a batalha de segunda feira, na receção ao Boavista. Os leões mantêm o campeonato nacional como o único foco esta época. É certo que ainda haverá uma segunda mão para disputar na Alemanha, de hoje a oito dias. Contudo, após esse jogo, os verde e brancos têm jogo em Guimarães para a Liga NOS e será sempre esse o jogo mais importante.

A Figura:

Sebastián Coates – Patrão. O central uruguaio é o melhor reforço contratado neste mercado de inverno e é entusiasmante vê-lo jogar. Impetuoso nos cortes perante os avançados contrários, extremamente atento e sem inventar nos momentos de maior aperto, o central sul-americano esteve muito bem.

O Fora de Jogo:
Teo Gutiérrez –Uma miséria. Não ganhou lances pelo ar, não ganhou pelo chão, nem em jogadas de 1×1 foi melhor que os centrais alemães. Oxalá Barcos esteja pronto rapidamente.

Foto de Capa: Bola na Rede

Borussia Dortmund 2-0 FC Porto: A felicidade foi germânica

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Jogo de “Liga dos Campeões” no Signal Iduna Park. O Futebol Clube do Porto deslocou-se à Alemanha para a primeira partida dos 16 avos da Liga Europa. Apesar de a equipa vir de uma moralizante vitória frente ao Benfica, este não prometia ser um jogo fácil, já que o 11 inicial estava “remendado” devido às muitas ausências, principalmente na defesa. Os dragões alinharam com Casillas, José Angel a lateral esquerdo, Layún e Indi a centrais e Varela a lateral direito. No meio-campo Rúben Neves, Herrera e Sérgio Oliveira, e no ataque Brahimi, Marega e Aboubakar.

O jogo começou com o Borussia num grande ímpeto ofensivo que nem o canto a favorecer o Porto aos dois minutos conseguiu quebrar. Do outro lado também um canto deu vantagem madrugadora aos alemães e deixava adivinhar uma primeira parte muito difícil. O Porto jogou com as linhas muito recuadas e deu resultado a nível defensivo, visto que não houve assim tantos calafrios ao longo da primeira metade, mas o reverso da medalha foi a fraca prestação ofensiva portista. Por estratégia, falta de capacidade ou falta de rotinas (perfeitamente normal) a verdade é que nunca o Porto foi incomodativo. Excepção feita a um remate aos 35’ de Sérgio Oliveira.

Este Borussia não é o mesmo da era Klopp e portanto joga com mais cabeça do que coração: tudo parece ter o seu lugar e o seu timing. Esta paciência talvez tenha dado aos portugueses algum fôlego e o meio-campo (Rúben Neves esteve muito macio) foi conseguindo ter mais bola mas nunca se instalou no meio-campo ofensivo. Ao intervalo, no entanto, havia a sensação de que os Dragões podiam dar um ar da sua graça na segunda parte.

Dortmund foi mais feliz Fonte: Borussia Dortmund
O B. Dortmund foi mais feliz
Fonte: Borussia Dortmund

O segundo tempo começou com um Porto mais corajoso, com menos medo de ter a bola no pé. Tentou sair com passes curtos e controlados mas esta forma de jogar exige rotinas, e a equipa apresentada era um remendo de uma equipa que ainda busca assimilar rotinas de jogo. Como se deve perceber o Porto deixou-se sempre envolver na teia alemã. Aos 59’ saiu Aboubakar, que esteve muito apagado, e entrou André para o seu lugar, mas o momento de forma do português não é o melhor e o facto de ter jogado pela ala também não ajudou à sua performance.

A partir dos 60’ o submarino amarelo voltou a ter um ascendente sobre os azuis e brancos que se materializou no segundo tento alemão, depois de um desvio de Indi (a sorte não quer nada connosco!). Até ao final do jogo é de destacar a defesa de Casillas e as entradas com vontade mas infrutíferas de Evandro e Suk. O coreano teve mesmo perto do golo aos 90’ mas Burki garantiu a vantagem dos da casa.

Foi um jogo diferente, foi uma equipa retalhada que se apresentou organizada a defender mas sem uma estratégia corajosa para o ataque, um pouco de antítese do que é Peseiro. Cada um adaptou-se à sua maneira mas o que é certo é que este resultado é pouco encorajador, embora no Dragão tudo seja possível. Só uma noite perfeita fará o Porto dar a volta à eliminatória.

A Figura:

Layún – Jogou adaptado e cumpriu. É como um canivete suíço; faz tudo e continuou a cobrar cantos.

O Fora-de-Jogo:

Brahimi – Passou ao lado do jogo mas a verdade é que não foi bem apoiado. Rúben Neves, por ter sido macio, e Marega, por acumular passes errados, também mereciam.