Como fã devoto e confesso do FC Barcelona que sou, praticamente desde que me conheço, pode considerar-se natural que não existam muitos jogadores do Real Madrid que me tenham marcado e por quem seja capaz de pôr a rivalidade de parte para os colocar no lote dos meus jogadores favoritos de sempre. Para alguns adeptos, acredito que não será tão aceitável assim, mas se pensar um pouco comigo, caro leitor, perceberá o que estou a tentar dizer.
É sintomático da paixão clubística acreditarmos que os nossos são sempre melhores e diria, até, que existe um receio quase irracional de estarmos a trair as nossas cores ao reconhecermos mérito ao adversário. No entanto, há casos em que nem o amor por um clube serve de desculpa para a falta de lucidez.
Hoje aproveito o privilégio de usufruir deste espaço para prestar a minha homenagem a um dos nomes incontornáveis do futebol moderno e que, apesar de ter defendido o rival Real Madrid praticamente toda a carreira, merece toda a minha admiração e respeito, pois o bom senso assim dita: Raúl González Blanco, vulgo Raúl na gíria.
Para quem vê futebol há alguns anos, este nome é um dos obrigatórios sempre que se refere a categoria dos avançados. Dotado tecnicamente e com um sentido de golo absolutamente letal, Raúl é um daqueles jogadores verdadeiramente inspiradores e que muitos miúdos, à data, provavelmente tiveram como “role model”. A dada altura, devo confessar que foi um dos meus. Às vezes, contra todas as minhas crenças e convicções, quando me sentava em frente à televisão a jogar FIFA, chegava a escolher o Real Madrid para ter o Raúl na minha equipa. Quando marcava um golo na escola, chegava a festejar como via o Raúl fazê-lo.
Raúl é uma verdadeira lenda viva do Real Madrid CF Fonte: futbolnova.com
Foi um jogador que marcou uma geração e que influenciou a minha forma de idealizar o futebol. Era o típico avançado que fazia tremer qualquer defesa por ser um perigo iminente, não só por possuir um pé esquerdo temível, mas, também, por ser uma ameaça constante no jogo aéreo.
A todas estas excelentes competências futebolísticas, Raúl acrescentava um grande espírito de liderança e uma atitude irrepreensível para com todos os companheiros de profissão. Convém lembrar que o avançado nunca viu um cartão vermelho em mais de 20 anos de carreira. Tudo isto levou Hierro a apelidá-lo, e bem, de “El Ferrari“. Raúl era isso mesmo: um Ferrari de edição limitada. Um daqueles jogadores topo de gama, com quem qualquer equipa deseja contar e que muitos miúdos almejam ser. Mas ao nível do espanhol, até agora, vi muito poucos.
Retirou-se em 2015 como segundo melhor marcador da história do Real Madrid, terceiro maior goleador de sempre na Liga dos Campeões e o quinto na Liga Espanhola. Do seu palmarés constam seis campeonatos espanhóis, três Champions, duas taças intercontinentais, uma Supertaça Europeia, quatro Taças de Espanha pelo Real Madrid, entre muitos outros troféus conquistados ora no Schalke, ora no Qatar e Estados Unidos.
Por tudo isto e mais alguma coisa, é um dos jogadores que admiro e que nunca esquecerei. Desejava vê-lo jogar durante muitos anos, mas, como tudo tem um fim, chegou a hora de estacionar o “Ferrari” na garagem. Para a história ficam os (muitos golos) e as excelentes memórias.
Era uma vez um clube que não ganhava um campeonato há mais de uma década e que ia rumo ao abismo financeiro. Um dia, apareceu um Ogre Presidente, muito feio e muito mau, que não se calava… Ele falava, falava, falava e, no meio dos perdigotos que ia mandando, soltava muitas verdades no seu discurso. O clube, que não estava habituado a ter um Ogre Presidente do Povo, ao início estranhou e começou a pedir que o seu líder se calasse, porque lhe faltava alguma habilidade no discurso. Mas o Ogre Presidente não se calou… E começou a fazer coisas… A resolver problemas financeiros, problemas estruturais, dar condições ao clube para evoluir em diferentes modalidades, criar um ambiente e uma vontade de vitória à volta do clube! Mas o Presidente Ogre do Povo não se calava. Fazia questão de meter o dedo na ferida e não se coibia de apontar o dedo a situações menos claras no futebol português.
Ele parecia o D. Quixote a querer lutar contra moinhos de vento… Só que os Moinhos de Vento eram os membros do Clero e da Nobreza que estavam instalados confortavelmente no poder e não o queriam abandonar de forma alguma.
Um dia, para pasmo do Povo, o Presidente Ogre foi ao outro lado da rua e aproveitou os “restos” que os Nobres fartos e ricos não queriam… “Roubou” o (agora) líder fraco do balneário adversário e fez com que milhões de adeptos acreditassem no seu novo Profeta e o seguissem para todo o lado.
Os nobres, furiosos com tal audácia e com tal afronta ao seu poder, não tardaram a planear a sua vingança e a tentar a todo o custo aniquilar o Presidente Ogre do Povo.
Foram roubos de equipas de ciclismo, foram roubos nas arbitragens, foram sumaríssimos que tinham uma dualidade de critérios tremenda, foram expulsões constantes a quem incomoda o sistema, foram árbitros que tomavam uma decisão, mas no dia seguinte vinham retratar-se, foram negócios com outros clubes e outros Ogres Presidentes que recusavam fazer negócios com os leões em prol de amizades com outros membros do poder já instalados.
Foram demasiados anos calados e a aguentar… que a nossa voz ecoe pelos quatro cantos do planeta: “Spooooooorting!” Fonte: Sporting CP
E eis que, então, o Clero da Nação decide fazer a vingança final e servi-la num prato frio: “roubar” um jogador e a meio da época anunciá-lo como reforço. Seria o dois em um, roubar uma “estrela” e desestabilizar o trabalho realizado até então do Presidente Ogre, fazendo parecer que ele é mentiroso e que não consegue resolver problemas… A questão é que, para existir vingança, essa “vedeta” precisava de ser idolatrada em Alvalade, coisa que não acontece faz tempo. O plano maquiavélico falhou!
E eis que o Clero, frustrado e assustado com o poderio do Presidente Ogre, decide continuar o seu ataque: “Cala-te, Sporting. Deixem-se de se armar em Calimeros!”… Efectivamente o Sporting queixa-se demais. Queixa-se da justiça desportiva, queixa-se da transparência, queixa-se da verdade.
Independentemente das leis em vigor e da realidade do futebol em Portugal, fico contente com esta luta contra Moinhos de Vento. Sim, certos membros da nobreza e do Clero aproveitam-se dela… Sim, o Presidente Ogre devia calar-se e fazer o que os outros fazem; promover a corrupção camuflada, as mentiras e falsidades desportivas… E aí, sim, teríamos o final de todas as histórias de encantar: com tamanhas artimanhas, o Presidente Ogre fez com que a Nação verde-e-branca vivesse feliz para sempre…
Chamem-me o que quiserem, mas… Presidente, não te cales! Nunca, contra tudo e contra todos, com um melhor ou pior discurso, com mais ou menos coração e mais ou menos razão, deixes que o Sporting se cale. Estou farto, farto de que quem já beneficia há tantos anos de um sistema corrupto e desvirtuado e se aproveita de algumas leis já caducas para continuar no poleiro. O nosso problema foi durante anos termos o síndrome do “não somos tão fortes como eles”! Somos! Somos mais fortes que eles… Durante anos nada ganhámos e continuamos de pé! Continuamos mais fortes que nunca e agora, com um Jesus motivador, com mais vontade de ganhar que nunca!
Presidente, entende-te com o Jesus e trabalha na tua área, que nas quatro linhas ele vai fazer o seu papel. Quem tem esta vontade de ganhar mais cedo ou mais tarde vai estar condenado ao sucesso!
Bolas, quero ganhar! Portanto não te cales, não te cales NUNCA! Porque tu e eu p’lo nosso amor somos doentes!
Lembro-me de começar a ver futebol com o meu pai. Os jogos, tal como actualmente, decorriam maioritariamente à hora de jantar, dificultando a sua visualização, uma vez que a minha mãe não gostava de que a televisão fizesse parte do espaço e tempo dedicado às refeições. Era a única hora do dia em que estávamos todos juntos, dizia ela. No entanto, quando se tratava da transmissão de partidas importantes, era aberta a excepção e recorríamos à tábua de passar a ferro para que esta fizesse de suporte para a televisão que transportávamos da sala para a cozinha – devo dizer que ficava com um sorriso de orelha a orelha enquanto a minha mãe resmungava devido à desarrumação (“Fio p’ra cá, fio p’ra lá…”).
Por vezes, debatia-me ainda com outro problema: o jogo que eu queria ver não passava em canal aberto. Nessas ocasiões, comia o mais rapidamente possível para me dirigir ao café mais próximo de casa, na companhia do meu pai. Não vos sei dizer o porquê deste fascínio pelo desporto-rei, mas a verdade é que os meus olhos brilhavam e eu sentia-me cativada pelo ambiente envolvente, pelos cânticos dos adeptos, pelos jogadores, pelas tácticas, pelas fintas, pelas jogadas, pelos golos.
Confesso que tenho saudades deste tempo. Não por hoje, mais crescida, ter outras responsabilidades, mas pelo facto de, ao ser uma criança, ter a ingenuidade como minha melhor amiga. Diz-se que quando somos mais pequenos temos a capacidade de apreciar as coisas na sua forma mais pura, livre de estereótipos e imune à dificuldade e complexidade que é a vida em sociedade com claros objectivos financeiros. Acho que era desta forma que eu perspectivava o futebol. Limitava-me a observar os lances de génio que eram criados jogo após jogo pelos principais intervenientes no relvado e as conversas com aqueles que me rodeavam focavam-se no quão bem ou mal tinha jogado determinada equipa.
Hoje, mais crescida, sinto que me encontro mergulhada num mundo futebolístico em que o futebol em si perdeu prioridade. As discussões entre adeptos de futebol sobre o jogo propriamente dito são sufocadas por debates sobre fundos financeiros, valores de transferências, direitos de exclusividade televisiva, corrupções, casos de arbitragem, guerras entre presidentes, treinadores e jogadores. Se não concordam, parem para pensar: quando falam com os vossos amigos, familiares ou colegas, quais são os argumentos que utilizam para tentar justificar que o vosso clube é melhor?
– O meu Benfica nunca me desilude. Dos três grandes, foi aquele que fez o melhor acordo com a NOS e isso demonstra a sua grandeza!
– Até te podes gabar desse feito mas é o meu Sporting quem continua no topo com o Jorge Jesus como treinador. Lembras-te dele?
– Sim, lembro-me dele. E do Carrillo, tu lembras-te?
– Ah, esse traidor… Muito pouco trabalhador. Trocou a equipa que é prejudicada todas as semanas para assinar por um clube que só com colinho consegue títulos.
– Muda o disco. Quantos penáltis vão pedir no próximo jogo?
Não sejam escravos dos interesses políticos e económicos. Não tratem o futebol como se de uma empresa fordista se tratasse. A corrupção – em todos os sectores da sociedade – vai sempre existir, tal como as batalhas fora do relvado. Cabe-nos a nós, como verdadeiros amantes de futebol, parar de alimentar, através das nossas palavras, as máquinas capitalistas sobre as quais nunca conseguiremos exercer nenhum controlo. Apoiem o clube que amam pelo espectáculo que ele produz dentro das quatro linhas e não por aquilo que consegue junto dos empresários ou dos meios televisivos. Sempre que possível juntem a família, aprendam os cânticos e encham os estádios. Discutam sobre se a melhor táctica é o 4x3x3 ou o 4x4x2, questionem-se acerca do motivo que conduz à eficácia da equipa catalã e comentem os rasgos individuais do Cristiano Ronaldo. Façam com que o futebol volte a ser a festa que vocês observavam quando eram crianças. Façam com que as crianças continuem a querer ver televisão à hora de jantar, mesmo que a mãe não concorde.
Finalmente posso dizer que acredito. Finalmente vejo o Benfica a jogar bem, bonito e com soluções. Dois meses sem Gaitán e dois meses a ganhar. Nélson Semedo lesionou-se e André Almeida tem estado a muito bom nível. Rui Vitória deixou de inventar e colocou Pizzi na sua posição original e, finalmente, vejo valor no internacional português. Finalmente temos uma equipa, uma forma própria de jogar e finalmente podemos dizer que estamos na luta pelo titulo.
A época tem vindo a melhorar muito. Cada vez é mais notório que se não fosse a terrível pré-época em que passámos mais tempo a andar de avião do que a treinar ou a jogar futebol poderíamos estar bem melhores. Agora de nada nos vale lamentar, fica a lição para não cometermos o mesmo erro. A equipa cresceu, a verdade é essa. E não fosse Rui Vitória ter sido ‘mansinho’ e ter-se deixado levar pelas bocas do outro lado da segunda circular também não teríamos perdido tanto tempo com exibições deploráveis.
André Almeida saltou para ocupar o lugar deixado por Nélson Semedo e tem sido exemplar Fonte: SL Benfica
Tudo isto agora não interessa e tudo isto é desculpável pelo futebol que o Benfica tem vindo a apresentar. A equipa parece estar toda entrosada: os suplentes entram, jogam e sabem. Agora sim podemos vir a ser campeões, agora sim mostramos ideias, garra e vontade.
Os próximos dois jogos agora serão decisivos. É absolutamente crucial ir ganhar ao Restelo e receber e vencer o Porto. Estes são dois jogos importantes para confirmar as ambições encarnadas. Mais difícil vai ser conciliar estas duas vitórias, quase obrigatórias, com boas prestações na Liga dos Campeões, essenciais para manter a boa imagem que o Benfica tem vindo a reconquistar na Europa e no mundo.
Rui Vitória tem a oportunidade de mostrar o porquê de ter sido o escolhido para ocupar o lugar de treinador de uma das maiores equipas do mundo. Estamos a chegar ao topo, mas este não é o caminho mais difícil; o mais difícil é não nos deixar cair. O difícil é subir sem tropeçar e esse é o nosso maior desafio. Luisão e Salvio estão a regressar para ajudar a equipa e a moral está em alta. Que se grite bem alto, que se peça o 35.º, que se peça a Taça da Liga e uma boa prestação nas competições europeias. Somos grandes, seremos sempre grandes. Tinha saudades deste Benfica.
Janeiro de 2016 foi bastante agitado no que toca ao “futebol fora de campo”. A infame entrevista do presidente do Conselho de Arbitragem (CA), Vítor Pereira, onde este ludibria os leitores falando na camisola de Eusébio e omitindo os vouchers (são obviamente estes, e não aquela, o cerne da denúncia de Bruno de Carvalho), é representativa de um cerrar de fileiras contra o Sporting, cada vez mais descarado. A entrevista preparou o terreno para os arquivamentos do caso das prendas (sem sequer se abrir investigação!) e das queixas do Sporting contra agressões de Fejsa, Samaris e Eliseu. Esta última decisão denotou, aliás, uma óbvia e injustificável dualidade de critérios, se pensarmos que foi aberto um inquérito a Slimani por queixa do Benfica. E bem, não é isso que está em questão; não se queira é passar a ideia de que o argelino é um “selvagem”, especialmente quando o Benfica teve recentemente nos seus quadros atletas como Javi Garcia e Maxi Pereira, tendo os Sportinguistas de aturar, durante anos a fio, adeptos encarnados a desculpar o indesculpável e a ouvir dizer que eles eram ambos “jogadores leais”.
Perante tanta alarvidade e falta de vergonha, tiremos um segundo para reflectir: sim, o líder dos árbitros portugueses disse que a denúncia da oferta de prendas que podem ir para além do limite estipulado é uma estratégia do Sporting para ser campeão. Não admira que os leões (e, agora, até já o Porto) se queixem tanto de Vítor Pereira. Há muito que o ex-árbitro deixou de ter condições para desempenhar as suas funções actuais, sobretudo se a esta entrevista juntarmos a denúncia de Marco Ferreira, árbitro envolvido em duas derrotas do Benfica na última época (Braga e Rio Ave), responsável pelo último penálti assinalado na área das águias e pela última expulsão de um jogador e treinador encarnado – já lá vão 317 dias – e que, como consequência de tanta ousadia, foi despromovido. Além de referir que Vítor Pereira só telefonava, a ele e não só, antes dos jogos dos encarnados, o ex-juiz madeirense referiu, noutra ocasião, que o presidente do CA pediu aos árbitros que ignorassem o “ruído” vindo do banco do Benfica, onde na altura estava Jorge Jesus.
Ora, actualmente as orientações são outras. Esta semana, Vítor Pereira pediu aos árbitros, em privado, que eles fossem intransigentes com os treinadores. Dias depois, Jesus foi expulso. O que mudou, então? Jesus saiu da Luz para Alvalade, tão simples como isso. Apenas alguém muito ingénuo ou de má fé poderá falar em “coincidências”. Com efeito, em seis anos no Benfica, JJ foi expulso por duas vezes no campeonato; bastaram, contudo, seis meses no Sporting para que igualasse esse registo. Há ainda, aliás, um pormenor curioso: ao fim de 20 jogos, o treinador tem duas expulsões na liga. O plantel inteiro do Benfica – com jogadores tão “leais” como Samaris, Fejsa ou Eliseu – não tem nenhuma.
Será o director de comunicação do Benfica? Não, é Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem. Há frases tão inacreditáveis quanto preocupantes
Esmagado por tudo isto (sim, um dos objectivos deste aparato também passa pelo medo e pela intimidação, e admito que estão a consegui-lo), comentei com um amigo, prestes a entrar em Alvalade para o Sporting-Académica, que “as coisas vão apertar”. Ele concordou com a prontidão de quem também anda atento e preocupado. Mal sabíamos nós que, independentemente de já termos visto muita coisa no futebol português, este jogo iria levar-nos ao limite dos nervos… Um penálti não assinalado (Cosme Machado já veria, minutos mais tarde, uma falta de Slimani por empurrão idêntico nas costas…), um golo claramente irregular que o fiscal-de-linha primeiro viu mas que, face à pressão do árbitro, deixou de ver (!), cartões amarelos ao mínimo pisar de risco, a tal expulsão de Jesus, expulsão de Nélson, quase expulsão do médico leonino que só foi travada porque os clubes têm de ter um médico presente…
No dia seguinte chegou o redentor acto de contrição do amável Cosme. Prescindo desse folclore, usando uma expressão do próprio Jorge Jesus. Tudo o que peço é seriedade. Sim, é verdade que Cosme Machado devia ter assinalado penálti contra o Sporting em Arouca quando havia 0-0. Esse é, até agora, o lance mais flagrante do qual o Sporting saiu beneficiado, mas uma e outra actuação não são comparáveis. A bem do rigor, importa dizer que os adversários se podem queixar do bloqueio de Ricardo Esgaio com o Moreirense no lance do 1-0 (o primeiro golo da Académica neste fim-de-semana também resulta de um bloqueio não sancionado, embora menos ostensivo) e do facto de João Mário não ter sido expulso com o Braga quando havia 1-2 (antes, contudo, Jorge Sousa tinha deixado passar um claro penálti a favor do Sporting, por mão na bola, que poderia dar o empate. Incrivelmente, teria nota negativa apenas por não ter expulsado o jogador leonino…). Porém, a menos que me tenha falhado algum outro lance, é tudo. Parece-me evidente que a lista de queixas do Sporting, desde logo a imensidão de golos ilegais sofridos, é bem mais extensa.
Os adeptos do Sporting sabem o que é preciso Foto: Facebook oficial do Sporting CP
O que se passou em Alvalade, para além da óbvia tentativa de tirar o Sporting do caminho, foi uma falta de respeito pelos Sportinguistas, em particular pelos que foram ao estádio. Esta é gente que trabalha, que tem preocupações e que, em dia de descanso, vai ao futebol para se divertir e relaxar. Perante tão vergonhosa actuação do árbitro (será que este sobe no ranking? Talvez não porque, ao fim e ao cabo, o Sporting ganhou…) e um enorme sentimento de impotência, é natural que a revolta cresça. Eu próprio saí de Alvalade sem desfrutar da vitória, pelo que consigo entender perfeitamente que os estados de espírito se alterem. As pessoas, já tão fustigadas no dia-a-dia, sentem-se gozadas e humilhadas naquele que deveria ser o último reduto do seu lazer e bem-estar. Não vêem a cabeça do polvo, mas sabem que os seus tentáculos estiveram ali, no relvado de Alvalade, a tentar estrangular letalmente a equipa do Sporting. A missão de Cosme Machado teria sido, aliás, bem-sucedida, não fossem os leões a melhor equipa portuguesa da actualidade. É costume dizer-se, muitas vezes com razão, que os adeptos não se sabem comportar. Mas, no caso do futebol português, e em concreto nesta época, convinha que os responsáveis da Liga e da Federação dessem o exemplo.
Vários benfiquistas me têm dito que o Sporting está a colher o que semeou, que estes “acontecimentos” são a consequência das atitudes e “pressões” de Bruno de Carvalho. Depois de uma arbitragem tão escandalosa que nem o mais fanático benfiquista consegue escamotear caso queira ser minimamente levado a sério, parece agora ser esta a cartilha oficial. Sei que alguns não acreditam no que dizem e fazem-no apenas para continuar a fingir que o futebol português é muito sério (há uns anos vociferavam contra tudo e esperneavam devido ao Apito Dourado, mas ei-los agora tão inocentes e bem comportadinhos…) e para manterem a teoria de que se aproximaram da liderança apenas por mérito. Contudo, não deixo de ficar perplexo de todas as vezes que me deparo com tais justificações.
Os que “nunca” se queixam dos árbitros…
Sim, não há dúvida de que o futebol português era uma maravilha antes de o malvado Bruno de Carvalho aqui chegar… Percebo que benfiquistas e portistas preferissem a versão mansa do Sporting, que não queiram dividir por três aquilo que até aqui dividiam por dois e que movam esforços nesse sentido, mas terão de se habituar. Há também um apontamento curioso relativamente aos argumentos benfiquistas: quando estavam a vários pontos de distância, em pânico, enquanto o Sporting ganhava, diziam em desespero que a pressão de Bruno de Carvalho sobre os árbitros estava a surtir efeito; agora, que o Sporting continua a ganhar mas o seu clube conseguiu reduzir distâncias – muitas vezes da forma que se vê – decidiu-se que, por milagre, a “pressão” de Bruno de Carvalho deixou de ajudar o clube de Alvalade, para passar a prejudicá-lo. É tudo ao sabor do vento…
Sobre a questão de o Sporting ser um alvo das arbitragens por o seu presidente falar demais, julgo que bastará lembrar a entrevista do sinistro João Gabriel no fim do último campeonato ganho pelo Porto, em que ele referiu que “não temos de mudar de treinador, temos é de mudar de árbitros”. Já esta época, após um Benfica-Rio Ave, Luís Filipe Vieira apelidou a arbitragem de “escandalosa”(20 de Dezembro, última jornada de 2015). Não colocou pressão sobre os árbitros? Seguindo a mesma lógica da batata, esperar-se-ia, no jogo seguinte, uma resposta cabal e vingativa por parte do juiz da partida, em prejuízo do Benfica e do seu presidente, como punição por tal atrevimento. Nada disto aconteceu, como é óbvio. Daí para cá, aliás, houve pelo menos um penálti por assinalar em Guimarães quando o resultado estava em 0-0 (2 de Janeiro, primeira jornada de 2016), uma expulsão perdoada a Eliseu e um golo anulado de forma ridícula ao Nacional (10 de Janeiro, seria o 2-1 para os madeirenses – ambos os lances aqui) e, por fim, um penálti não assinalado a favor do Arouca (23 de Janeiro), quando os encarnados apenas venciam por 1-0.
…E as diferenças de tratamento de Vítor Pereira
Para lá de tudo isto, o Sporting é o único dos clubes grandes que tem sempre defendido o sorteio dos árbitros, o vídeo-árbitro e a profissionalização de todos os juízes, entre outras propostas. Muitas delas têm aceitação por parte dos árbitros e, ao contrário do que se pretende fazer passar, o Sporting não só não é o clube mais quezilento com os juízes da partida, como é o clube com a atitude mais pedagógica e construtiva nestas matérias. Protestar é fácil; contribuir com propostas de melhoramento e que, ao fim e ao cabo, protegem os árbitros, apenas o Sporting o faz. Goste-se ou não, é esta a verdade. Portanto, o Sporting, ao contrário do Benfica, tem autoridade moral para falar de arbitragens quando se sente lesado, uma vez que se posiciona contra o actual estado das coisas. De igual modo, a conversa do “parem de chorar, eles erram para todos os lados” também não cola, uma vez que o futebol também se joga fora de campo e aí, fruto de duas décadas de definhamento contínuo, o Sporting tem pouca ou nenhuma influência de bastidores. Ora, se os leões não têm, alguém há-de a ter… Não é difícil chegar a esta conclusão elementar, até porque os jogos provam quase semanalmente que assim é.
As propostas do Sporting colhem aceitação por parte dos árbitros
Salvaguardando as devidas distâncias para o verdadeiro significado da palavra, uma vez que isto continua a ser apenas futebol, a verdade é que o Sporting está em guerra. E está em guerra não porque o quis, mas porque o renascimento do clube foi sustentado na vontade de tornar o futebol português mais transparente. Porque deixou de comer e calar, ao contrário daquilo a que todos estavam habituados. Porque passou a questionar, a incomodar, a ir à luta, a reduzir distâncias para os rivais e, finalmente, a ser melhor do que eles. Desse modo, nestes últimos quatro meses de campeonato assistiremos, muito provavelmente, às jogadas mais sujas e desesperadas da serpente que domina o futebol nacional. Um Sporting campeão seria catastrófico para Vítor Pereira e, em particular, para a “estrutura” do Benfica, que se veria vulgarizada pelo “garoto” Bruno de Carvalho, derrotada pelo treinador que dispensou e posta em xeque aos olhos dos seus próprios adeptos. Dificilmente essa serpente permitirá que o Sporting vença o campeonato. Cabe, portanto, aos leões continuarem como têm estado até aqui, sabendo que haverá tolerância zero por parte dos árbitros e que o mínimo erro poderá ser fatal.
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P.S.: O futebol tem coisas engraçadas. Se Fredy Montero não tivesse marcado à Académica no fim-de-semana, acredito que a maioria do mundo Sportinguista não se importasse com a sua saída. Como marcou, já foi uma tragédia. Curiosidade: na época passada, na qual nem sequer foi titular, Montero jogou menos 905 minutos do que Slimani (todas as competições) e marcou 15 golos, apenas menos 3 do que o argelino. Este ano já tinha sido decisivo com Nacional, Lokomotiv, Braga e Académica. Mas também sentirei falta do seu requinte ímpar com a bola e da sua inteligência a pensar e executar. No total foram 37 golos em dois anos e meio. Nada mau para quem pouco jogava e nem sequer era ponta-de-lança… Não fiquei nada contente com esta venda a meio da época e o ataque do Sporting está, a partir de hoje, mais fraco. Ao jogador desejo-lhe tudo de bom e que em Maio possa regressar para festejar… como dizia Vieira no tempo em que os árbitros eram maus, “se nos deixarem ganhar a liga dentro de campo”. Até sempre, Fredy Montero!
Foto de capa: Facebook Oficial do Sporting CP
Os vídeos de lances polémicos foram retirados do excelente blog O Artista do Dia, que aproveito para recomendar aos Sportinguistas que sigam
O mês de Janeiro de 2016 vai ficar para a posteridade como um dos meses mais negros de sempre do FC Porto. Duas derrotas na Taça da Liga, mais duas derrotas no campeonato frente ao Vitória e ao Sporting e, ainda para respeitar os processos da coerência, um empate caseiro frente ao Rio Ave. Há muito tempo não se via nada assim.
Este mês também traz casos insólitos; no topo insere-se o despedimento de Julen Lopetegui e a consequente rescisão unilateral com o clube. O treinador espanhol sempre fora muito contestado quanto às suas decisões na contratação de jogadores, também pelo seu sistema de jogo cansativo e aborrecido, e por fim, não podia deixar de ser dito, pela seca de títulos que implantou no FC Porto. O jogo de cadeiras começa então com a chegada do treinador ex-Braga e ex-Sporting, José Peseiro.
Peseiro tem um mês difícil pela frente Fonte: FC Porto
É tempo de mudar a mística que Lopetegui enraizou no FC Porto. A massa adepta está muito descontente com os mais recentes resultados, o ressabiamento começa-se a instalar e os críticos ao presidente e à estrutura começam a aparecer. Nem tudo é mau neste novo Porto: apesar de José Peseiro não ser a principal preferência dos aficionados portistas, a verdade é que o treinador português, em pouco tempo de trabalho e com muitas mexidas no plantel, conseguiu colocar novamente o FC Porto no rumo das vitórias. Que este mês curtinho que se segue seja o virar do rumo dos acontecimentos.
No dia em que o mercado encerra, o Futebol Clube do Porto decide arrumar a casa ao vender um dos maiores flops da história do clube ao Stoke City. Imbula fez 21 jogos pelos dragões, apelidado pelo seu antigo treinador Julen Lopetegui de “Ferrari”, não fez qualquer golo pela equipa principal dos dragões. A compra mais cara do futebol português parte para Inglaterra sem deixar saudades no seio da família portista. Destaque ainda para a inclusão no plantel de Marega, Suk e José Sá, assim como o afastamento de Cristian Tello e Osvaldo. Na calha para a porta de saída encontra-se também Raúl Gudiño, que é apontado como o próximo guarda-redes do Paços de Ferreira.
Peseiro diz que acredita que os portistas podem ainda este ano ver o clube a ganhar títulos. Com a vitória no Estoril, dá para entender que ainda falta muito caminho pela frente, mas sobressai o desejo insaciável de vencer por parte da equipa, ao virar num campo difícil um jogo muito complicado.
Com tanto movimento com saídas e entradas de treinadores e jogadores, e com resultados que deixam muito a desejar, o FC Porto parte para Fevereiro com uma esperança renovada, com os resultados positivos a aparecer e com uma nova mística a surgir. É tempo de voltar a devolver a todos os adeptos a vontade de ir ver os jogos ao estádio e a alegria de ver o clube a ganhar e a jogar bem.
Avista-se um Fevereiro difícil com deslocações à Luz e a Barcelos, e ainda os jogos com o Borussia Dortmund para a Liga Europa, mas é também neste mês que reside a esperança, bem como as decisões importantíssimas que irão delinear traços fundamentais para o resto da época.
Nasceu em Skopje, no coração dos Balcãs, e dá pelo nome de David Babunski o jovem jogador que na passada semana teve direito a destaque nos principais jornais de Espanha e recebeu o devido relevo em muitos meios de comunicação um pouco por toda a Europa.
Babunski nasceu a 1 de Março de 1994 numa Macedónia que havia praticamente passado ao lado da guerra civil jugoslava, mas foi em Espanha, junto do seu irmão Dorian, actualmente ao serviço do CF Fuenlabrada, e do seu pai, Boban, um antigo internacional pela ex-Jugoslávia, que representou entre outros dois clubes do futebol espanhol, o CD Logroñés e a UD Leida, que o jovem David despoletou para o futebol. A UDA Gramenet, um clube catalão, por onde passaram entre outros o antigo treinador de FC Barcelona, Tito Vilanova, enquanto jogador, deu a conhecer ao mundo do futebol o pequeno David Babunski, que ainda antes de completar 12 anos de idade deixava já transparecer um refinado talento que não passou despercebido aos olheiros de La Masia. Depois de uma acesa disputa com os vizinhos e eternos rivais do RCD Espanyol, o FC Barcelona conseguiu convencer o atleta a mudar-se para as suas escolas de formação, isto apesar de David ter sofrido uma grave lesão na tíbia e no perónio. O jovem Babunski, um apaixonado pela equipa Culé, não hesitou um só segundo após ter recebido as propostas e deixou a modesta UDA Gramenet para se juntar ao todo poderoso Barça.
O clã Babunski – Boban, David e Dorian Fonte: UEFA
Apesar de ter sido um elemento extremamente influente em todas as categorias jovens do FC Barcelona, foi pela mão de Óscar Garcia que Babunski ganhou especial relevo na formação catalã, onde ao lado de Sergi Samper foi dando vida a um meio-campo, que, já por essa altura, jorrava talento. David é um médio centro organizador com um especial pendor ofensivo, que actua preferencialmente pelo centro do terreno, mas que também pode jogar pela meia esquerda, dotado de uma capacidade de passe verdadeiramente invejável, bem ao estilo do tipo de jogadores forjados em La Masia.
As boas prestações de Babunski por essa altura valeram-lhe várias chamadas de Pep Guardiola para treinar com o plantel principal ao lado de jogadores como Xavi, Iniesta e Thiago, que constituíam na época uma verdadeira inspiração para um miúdo que acima de tudo era, e continua a ser, um verdadeiro apaixonado pelo futebol.
Em 2013, Babunski chegou ao Barcelona B e na temporada passada participou em 16 jogos na Liga Adelante. Babunski não terá tido, como outros dos seus companheiros, a influência desejável, numa equipa que esteve muito aquém do esperado e que acabou despromovida à 2.ª Divisão B do futebol espanhol.
Para o jovem macedónio estava na altura de dizer adeus e na passada semana, ao fim de dez anos ao serviço do emblema catalão, Babunski entendeu que estava na altura de se despedir do clube e da cidade que serviu de sua casa durante quase metade da sua vida e, antes de assinar um contrato válido por dois anos e meio com o FK Crvena zvezda (Estrela Vermelha de Belgrado), o talentoso médio decidiu redigir uma emotiva carta de despedida com o titulo ¡Hasta pronto, Barça!,dirigida ao seu antigo empregador. Trata-se de um texto longo e pleno de sentimento escrito por um jovem que, para além de jogar futebol, é também um apaixonado pelas letras, pela essência da vida e que criou o projecto Skyself, uma espécie de plataforma de conteúdos cujo propósito principal é a elevação da consciência do ser humano.
Na sua carta de despedida, David desdramatiza a sua saída do FC Barcelona e vê como normal o fim de uma relação de uma década, reiterando que dramática é a situação vivida por todos aqueles que são forçados a abandonar o seu país por motivos relacionados com guerras ou por outra qualquer tragédia: “Respecto a los numerosos mensajes de connotación dramática que he recibido, desearía remarcar firmemente que salir del Barça no es ningún drama, ni lástima, ni pena, ni fracaso alguno, ni la más diminuta causa de tristeza. Salir por obligación de tu país, tener que abandonar tu hogar y tu familia por la constante amenaza de bombas, llamas y disparos…eso si que es terrible. La pobreza, la hambruna, la destrucción medioambiental: Todo eso si es un terrible fracaso colectivo de TODOS nosotros. Una triste tragedia humana que da lástima, pena, y además carece de nuestra empatía.”
David Babunski, a nova estrela do FK Crvena Zvezda Fonte: MacedonianFooty
Ao longo de toda a carta, Babunski revela uma visão da sociedade que o rodeia bastante lúcida para um jovem da sua idade e parte para esta nova aventura da sua carreira com um espírito aberto que apenas acompanha aqueles que cresceram intelectualmente com todas as experiências que vivenciaram. David é um valor seguro do futebol macedónio e, apesar de ter apenas 21 anos, já vestiu a camisola da selecção principal do seu país quase uma dezena de vezes. Este novo percurso no FK Crvena zvezda, que foi outrora um colosso do futebol do velho continente, será, sem qualquer dúvida, um teste exigente no que toca ao talento e às capacidades do jovem David, mas poderá ao mesmo tempo dar-lhe a exposição que certamente não teria ao actuar na equipa B do clube a quem na passada semana disse um sentido “até breve”.
“Esto no es una carta de despedida. Pues en un futuro, si no es como jugador será de la forma que sea, el Barça y yo volveremos a trabajar juntos en el objetivo de construir un mundo mejor a través del Fútbol!” – David Babunski
O Open da Austrália acabou este domingo com a esperada vitória de Novak Djokovic. Já tudo foi dito sobre o triunfo do sérvio e as suas implicações históricas, mas vamos agora brevemente analisar o que de melhor e de pior se passou nesta quinzena Australiana.
Surpresa do Torneio – Milos Raonic
Num torneio em que houve muito poucos resultados surpreendentes, a campanha de Raonic merece algum destaque. É verdade que a posição do Canadiano no ranking não reflectia o seu nível devido às lesões que teve em 2015, mas ainda assim há que enaltecer a forma como conseguiu a sua primeira vitória contra um jogador do top 8 em torneios do Grand Slam, Wawrinka, jogando um ténis muito ofensivo, incluindo subidas à rede constantes após o serviço.
Raonic esteve muito perto de atingir a sua primeira final num torneio do Grand Slam, mas o seu corpo voltou a traí-lo, tendo-se lesionado quando estava a ganhar por 2-1 em sets contra Murray nas meias-finais. A sua frustração foi evidente, mas se continuar neste nível Raonic poderá muito bem voltar a estar numa situação destas brevemente.
Desilusão do torneio – Rafael Nadal
Esperava-se muito de Nadal, mas ainda não foi desta que o Espanhol se voltou a exibir ao seu melhor nível num torneio do Grand Slam. Não só perdeu na primeira ronda contra Verdasco como esteve muito mal nos pontos mais importantes do encontro, ao contrário do que era normal nos seus tempos áureos.
Rafael Nadal foi uma das grandes desilusões do Australian Open 2016 Fonte: Rafael Nadal
Melhor encontro do torneio – Berdych 6-3; 6-4; 1-6; 6-4 Kyrgios
Não foi um torneio com muitos encontros memoráveis, mas a meu ver em termos de qualidade o encontro que opôs Berdych a Kyrgios na terceira ronda foi o melhor do torneio, com imensas jogadas de grande qualidade e winners fantásticos de ambas as partes. Em termos de drama, Djokovic vs. Simon e Murray vs. Raonic foram superiores, mas a qualidade de jogo não foi a melhor.
Flop do Torneio – Fernando Verdasco
Verdasco derrotou Nadal na primeira ronda de maneira sensacional… Apenas para fazer um encontro terrível e perder contra Sela na segunda ronda. Verdasco mostrou uma vez mais o porquê de nunca ter conseguido atingir patamares mais elevados na sua carreira. O talento para isso está lá, mas a consistência e a força mental claramente não estão.
Notas soltas:
-Tomas Berdych atingiu os quartos-de-final do Open da Austrália pelo sexto ano consecutivo; nunca antes um jogador que nunca venceu um torneio do Grand Slam havia atingido seis quartos-de-final consecutivos no mesmo torneio;
-João Sousa fez o melhor que se podia pedir dele, chegando à terceira ronda e perdendo contra Murray após ter dado uma excelente réplica;
-Federer ganhou agora 51 dos 53 sets que disputou contra jogadores que não sejam Djokovic nos últimos três torneios do Grand Slam, mas o Sérvio novamente travou as suas ambições de conquistar um 18.º título do Grand Slam;
-Murray tem agora um recorde de 0-5 em finais na Austrália e 2-7 em finais de torneios do Grand Slam; quem sabe o que o escocês poderia ter conseguido na sua carreira se não esbarrasse constantemente no muro do ‘big 3’ – Djokovic, Federer e Nadal.
Convenhamos que nos últimos anos temos sido todos mal habituados, para tristeza geral.
Ganhámos pouca coisa, mas, ainda assim, os nossos adeptos sempre estiveram ao lado da equipa, em todos os momentos, provando uma vez mais que somos diferentes.
É fácil ser do SL Benfica ou do FC Porto, que, justiça seja feita, têm dividido as conquistas desde há duas décadas para cá. É fácil ser “daquele que ganha” quase sempre. Mas ser do Sporting CP é especial e este ano vai ser diferente! Continuamos a acreditar como sempre fizemos, mas estamos hoje num patamar diferente.
Se há coisa que Jorge Jesus conseguiu, para além de todos os méritos desportivos, foi unir a família sportinguista em torno de um objetivo comum: ser campeão! E, para tal, Alvalade tem de encher todas as semanas, mais, Alvalade tem de ser todos os estádios onde o Sporting CP vá jogar. Porquê? Porque somos mais e melhores, porque apoiamos, gritamos, esbracejamos, torcemos e sorrimos mais e melhor que quaisquer outros. O Sporting CP é gigante e agiganta-se jogo após jogo, vitória após vitória.
Saímos sem voz, mas com o orgulho a rebentar-nos no peito, saímos com vontade de ficar, avançar no tempo mais uma semana e continuar lá, naquele mesmíssimo lugar, com o cachecol verde e branco a servir de bandeira e a camisola a entranhar-se na pele.
Os mais novos voltaram a sentir vontade de ser do Sporting CP, e os mais velhos são hoje mais felizes porque não precisam de ir buscar ao baú as velhinhas memórias do também velhinho José Alvalade onde o vento gelava os ossos e os golos aqueciam as mãos.
Unidos como onze irmãos em campo e milhares nas bancadas. Seguimos juntos! Fonte: Sporting CP
Até ao fim! Acreditar, vencer, ser primeiro. Devolver a cada sportinguista o que nunca deixou de ser nosso: o orgulho.
Creio ser essa a palavra-chave até agora.
Esforço, dedicação, devoção e glória!
Para já, o esforço e a dedicação têm sido ponto assente nos jogadores leoninos; a devoção salta à vista nas bancadas repletas e a glória… será futura e eterna, como eterno é o Sporting Clube de Portugal!
Não será com toda a certeza tarefa fácil mas estaremos todos unidos em prol do grande objetivo, e, quando o cansaço chegar às pernas dos nossos heróis, calçamos nós a botas e vamos correr convosco e por vocês.
Obrigado por nos fazerem sorrir, tanto tempo depois!
Em Wellington para mais uma etapa do Circuito Mundial de Sevens, Portugal apresentou cinco estreias na convocatória em relação à etapa de Cape Town. João Dias, Diogo Ribeiro, Fábio Conceição, António Ferrador e Vasco Poppe juntaram-se a Pedro Leal, Adérito Esteves, Vasco Ribeiro, Miguel Lucas, Pedro Silvério, João Belo e Tiago Fernandes, constituindo, assim, o pelotão que defenderia as cores lusas em terras australianas.
Portugal tem apresentado convocatórias recheadas de jogadores jovens, muitos deles a cumprir a sua estreia pela Selecção Nacional de 7s, razão pela qual os resultados têm ficado um pouco aquém do que seria de esperar. Assim, e à entrada para a terceira etapa do circuito, a selecção portuguesa não tinha conquistado qualquer vitória.
O grupo de Portugal incluía a equipa da casa, o Quénia e o Canadá.
No jogo de abertura, Portugal sairia para o intervalo com um resultado surpreendente: vencia a sua congénere australiana por 12-0, depois de ensaios de Tiago Fernandes (convertido por Pedro Leal) e Pedro Leal. Na segunda parte os Linces não aguentaram a pressão da Austrália e, após sucessivos erros defensivos, permitiram a reviravolta no resultado, terminando com um 19-12 favorável aos australianos. No segundo jogo, frente ao Quénia, Portugal entrou nervoso e nunca conseguiu explanar o seu jogo, algo que nem o ensaio do capitão português conseguiria disfarçar. Derrota por 26-5, com apenas mais um jogo da fase de grupos por disputar. Esse jogo seria contra o Canadá, a selecção teoricamente mais acessível. Mas, da teoria à prática… Portugal enfrentou um autêntico pesadelo e só o final do jogo permitiu aos Linces respirar. Os canadianos jogaram a seu bel-prazer, com os portugueses a verem todas as suas tentativas para se impor frustradas. No final do jogo o marcador fixou-se num 42-7, com Miguel Lucas a marcar o ensaio luso e o capitão Pedro Leal a converter.
Inexperiência dos portugueses voltou a sair cara Fonte: Sevens World Rugby Series
Com três derrotas em três jogos, Portugal cairia para a Taça Bowl, onde defrontaria a Escócia. Com uma entrada em jogo catastrófica, os Linces iriam para o intervalo a perder por 17-0. Na segunda parte tudo mudou, com os jogadores portugueses a entrar com uma atitude completamente diferente, o que se viria a reflectir no jogo luso. Depois de equilibrar o jogo (17-12) através de ensaios de João Belo e Tiago Fernandes – e a conversão de um deles por Pedro Leal – faltaram pulmões à equipa portuguesa, que veria a Escócia a acelerar e nada conseguiria fazer para evitar a derrota. No final a Escócia venceria por 29-12 – ficando a ideia de que Portugal entregou o jogo com a entrada displicente.
Depois da Taça Bowl, a Shield. Portugal enfrentaria a difícil missão de bater a campeã europeia França nas meias-finais, isto se quisesse continuar em competição. E o melhor estaria reservado para o fim; com um grande jogo, os Linces iniciariam a partida com uma atitude muito competitiva, sempre em busca das melhores oportunidades para atacar e com qualidade defensiva q.b., de tal modo que a vitória francesa apenas se viria a confirmar para lá dos sete minutos da etapa complementar – onde os ensaios de Tiago Fernandes (dois) e Pedro Leal (que também converteu) se revelariam insuficientes. Resultado final estabelecido em 22-17, e a França seguiria para a final da Shield.
Em relação à principal taça – a Cup – a Nova-Zelândia foi a grande vencedora da etapa, após derrotar a África do Sul na final, de forma épica. Os sul-africanos entraram melhor e construíram aquilo que se pensava ser uma vantagem confortável – 21-7 – mas três ensaios neozelandeses na etapa complementar deram fôlego aos All Blacks, que venceram, de forma completamente dramática, por 24-21, arrecadando mais um título.