A 25 de Outubro de 2015, quando Carlos Xistra apitou pela última vez, o Benfica perdia no Estádio da Luz por 3-0 – a primeira derrota interna e caseira em três anos e meio(2-3, frente ao FC Porto) –, numa cruel confirmação do desfecho natural e inevitável da pré-época, promotora da impreparação física e mental do plantel, incapaz de responder satisfatoriamente às exigências de um novo paradigma. Na altura, poucos de nós – e nenhum dos outros – acreditavam ser ainda possível reverter tal situação. A época adivinhava-se um longo calvário e, como é da praxe, a contestação subiu de tom.
Não compreendo – por não saber como –, ainda hoje, o périplo de Verão pelas Américas, pois, feitas bem as contas, julgo manterem-se ausentes argumentos capazes de sustentar tal opção e tamanhos erros de avaliação. A partir do zero (ou um pouco mais abaixo), lentamente, com muitas doses de trabalho e humildade, o Benfica, forçosamente refém de ideias com seis anos, foi-se libertando; melhor ainda, foi-se reinventando. O principal obreiro é, está claro, o treinador Rui Vitória. Admito-o sem tabus: confiando nas suas capacidades técnicas, cheguei a duvidar da sua resistência para suportar a pressão, perante as crescentes dúvidas dos adeptos, depois da eliminação na Taça de Portugal e do anunciado abandono precoce na luta pela revalidação do título de campeão.
Rui Vitória nem sempre acertou. No entanto, revelou nos momentos difíceis aptidões que os homens inteligentes e bons detêm: admitiu o erro, com humildade, e corrigiu-o, com trabalho. Na forma, engrossou o tom, descendo quando necessário a patamares que, acredito piamente, fez por evitar conhecer, dando lições de educação e respeito a alunos e mestres; no conteúdo, recolocou, lançou e recuperou individualmente, ganhando para si o colectivo, que, tal como foi possível ver e confirmar na última dezena de jogos, devolveu ao Benfica – e após um interregno de quatro meses – o estatuto de melhor equipa a praticar futebol em Portugal; alegre e confiante. Assim, é tempo de afirmar, com elevado grau de certeza, sem receios pelo passado e com confiança pelo futuro, que o Benfica tem todas as condições – dentro e fora do campo – para voltar a ser campeão, aliás, para ser tricampeão.
A missão de Rui Vitória nunca foi fácil. Com meio caminho percorrido, o treinador está a corresponder às expectativas Fonte: SL Benfica
Curiosamente, Rui Vitória utiliza o mesmo grupo de jogadores que, no início desta história, se arrastava pelos relvados de Estados Unidos e México; que foi goleado por 3-0, em plena Catedral. O treinador arregaçou as mangas, reverteu o caos que se instalara e potenciou o talento de Gaitán e Jonas; a adaptação de Carcela, Raul Jimenéz e Mitroglu; a recuperação de Fejsa e Talisca; a experiência de Júlio César e Luísão; a qualidade de Nelson Semedo; a raça de Gonçalo Guedes; a eficiência de Pizzi; a polivalência de André Almeida; a competência de Lisandro López e Samaris; e, sobretudo, a aposta em Renato Sanches. Em resumo, e para já, Rui Vitória (com apenas 45 anos) está a realizar um excelente trabalho ao serviço do Benfica.
Falta, porém, deixarmo-nos de retóricas. Devemos continuar a confirmar, a cada momento do jogo, que o Benfica é melhor que o adversário. Na verdade, sem títulos, toda esta análise ficará retida numa dialéctica circular que, pese os dados disponíveis, concluir-se-á como completamente inútil. Chegar ao primeiro lugar é, por isso mesmo, forçosamente urgente – é proibido escorregar nas próximas jornadas. Como habitualmente, o papel dos sócios e adeptos será fundamental. O apoio em Moreira de Cónegos, em partida para a Taça da Liga, disputada em dia de semana, revelou o aumento significativo dos índices de confiança no universo benfiquista, que nasce no relvado e chega ampliado até às bancadas. O mundo sabe que o Benfica – e quando os benfiquistas se unem e movem – nunca encontrará rival neste nosso Portugal.
Da minha parte
Jamais abdicarei, nesta fase, de dar o meu contributo através dos meus textos, fazendo o que sempre fiz em contextos de análise e opinião: a defesa do Benfica. Por isso, continuarei a recordar, daqui até à lua, as pressões a que a classe da arbitragem foi sujeita, desde o início desta época, infligidas por Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, e outros elementos ligados ao clube; continuarei a recordar as agressões de Slimani, autor de uma excelente temporada, mas que, de facto, agrediu Samaris no derby (e outros sem coragem ou interesse em o denunciar), tal como Hulk e Sapunaru agrediram, de facto, funcionários ligados à segurança do Estádio da Luz, naquele tristemente célebre túnel, sendo, posteriormente, alvos de inquérito e suspensão. Não será, logicamente, o argumentário oco dos heróis de capa e espada das redes sociais, feito por insultos – ou exigências que se marque um penalty contra o Benfica, exista ou não – a me demover, ou sequer a alterar a realidade.
Entendo perfeitamente o ponto de vista sportiguista. Compreendo, que na fuga para a frente se misture a perseguição obsessiva e complexada que Bruno de Carvalho faz ao Benfica, como eixo programático da sua presidência – utilizando as hipócritas questões dos vouchers ou das alegadas dez (!) agressões no derby (casos naturalmente arquivados) –, com o resto, que, bem espremido e por muito que custe, não é mais que a correcta interpretação e cumprimento das leis do jogo.
Espero, obviamente, que tudo se decida dentro das quatro linhas (e golos dentro das balizas). É por isso que não confundo alhos e bugalhos, tal como não confundi, bem recentemente, o Sporting com o seu “vice” Paulo Pereira Cristóvão, mais as suas tácticas para contornar, de vez, um jejum que, solidariamente imagino, não deverá ser fácil atravessar. Para ganhar, tem de se trabalhar mais e melhor que os outros, de acordo com regras que a todos têm de ser comuns; e é na própria casa que se manifesta essa competência.
Sebastian Coates é o novo defesa central e chega como o desejado patrão, por quem Jorge Jesus tanto ansiou. Uma aposta assim elevada parece demonstrar que não estamos apenas a colmatar a ausência temporária de Tobias Figueiredo por lesão, mas à procura de melhor desempenho no sector recuado.
Justifica-se a sua contratação, nestes termos? Creio que sim. Paulo Oliveira e Naldo jogam nos limites das suas possibilidades, mas é natural que Jesus procure algo mais do que “arroz e feijão” (expressão usada pelos brasileiros para definir os centrais que jogam simples) logo a partir de trás. Parece-me também a constatação da desconfiança relativamente a Ewerton, que já várias vezes deixou Jorge Jesus pendurado. Ora porque não podia jogar, ora porque, jogando, acabou por sair em momentos complicados das partidas.
Sob o foco dos scouters de todo o mundo desde 2009, Sebastian Coates chega ao Sporting à procura do futuro que tarda em encontrar. Não foi por acaso que já lhe chamaram “Luganito”, apontando-o como sucessor do capitão e ídolo do Uruguai, Diego Lugano. Projectos falhados como o Liverpool, onde chegou em 2011, a troco de oito milhões de libras, e sucessivas lesões graves e de demorada recuperação são as razões mais frequentemente apontadas como obstáculos ao sucesso e reconhecimento. Ao ponto de perder a titularidade quer nos clubes quer nas selecções.
Quando apareceu em 2009 Coates surpreendeu pela rapidez que exibia para um jogador com o seu porte atlético (1,96m). Porém, foi um apurado sentido posicional e uma apurada leitura de jogo que o notabilizaram, o que frequentemente lhe permitia antecipar as jogadas e estar no sítio certo. Apesar da sua tenra idade, Coates construiu uma imagem de central de perfil cerebral, mesmo em situações de pressão, o que de certo modo justificava a sua precoce aparição como titular do Nacional de Montevideo e depois na selecção.
A passagem de Coates pela cidade dos Beatles teve um sabor agridoce Fonte: Skysports
Hoje, com 25 anos, a sua silhueta esguia está moldada por mais músculos, certamente frutos do trabalho físico tão habitual em Inglaterra e que parece ser responsável pela menor rapidez. É pelo facto de ter perdido a titularidade no Sunderland, onde acumulou quase 500 minutos de jogo, que o Sporting viu abrir-se a janela de oportunidade de o contratar; uma jogada de risco para ambos os lados porque, embora se trate de um jogador obviamente caro e com estatuto a exigir titularidade, não é menos verdade que há sempre um risco latente para um atleta que desce da Premier League para uma liga considerada menor e logo para integrar a equipa que a lidera. O facto de já não haver jogos para experimentações e rodagem acentuam o índice se risco.
Brincando com o nome do novo central, pronunciando-o ao jeito anglo-saxónico (“coats” = casacos), formulei o título do presente artigo. O objectivo é aproveitar também esta ocasião para abordar o recente desenvolvimento no caso Slimani, em que o jogador passa a ser objecto de procedimento disciplinar. Face às imagens disponíveis e sobejamente conhecidas de todos pode-se considerar aceitável aquela acção. Já o mesmo não se pode dizer do arquivamento dos processos intentados pelo Sporting a alguns dos jogadores do SLB, que tiveram comportamentos semelhantes ou até mesmo mais graves e que as imagens, conhecidas de todos também, documentam.
O recurso à parcialidade num qualquer julgamento costuma ser acompanhado de algum disfarce ou manobra de diversão. A forma descarada com que se toma esta decisão revela a frieza e a segurança dos sicários que se sabem protegidos de qualquer punição. Contam com o silêncio cúmplice de todos quantos gostando de futebol preferem calar-se por lassidão ou conveniência. As imagens valem mesmo por mil palavras, sendo por isso reveladoras.
Mas se quisermos ficar apenas pelas palavras há que acrescentar mais um dado que torna esta decisão incompreensível: nos regulamentos da FPF só é possível o castigo a um jogador com base no que está escrito nos relatórios dos jogos. Ora, o lance de Slimani, bem como todos os lances dos jogadores do SLB, não consta do relatório do jogo.
Como é que o Conselho de Disciplina contornou este “pormenor”? Chama o árbitro de jogo, que, aposteriori (!), se pronuncia sobre o lance, acolhendo a teoria do SLB. Já sobre actos de igual teor praticados por jogadores benfiquistas o árbitro declara que “não vê qualquer agressão”. Face ao que as imagens documentam, isto seria suficiente para colocar em causa a sua capacidade para o exercício da função, para defesa do futebol e até do próprio, como seria natural.
Já que não conseguem vencer em campo, que ao menos tentem fazê-lo fora! Fonte: Sporting CP
Obviamente que este grau de articulação entre Conselho de Disciplina e arbitragem para satisfazer uma das partes (o SLB) não é casual. Mas há algo de muito mais grave em tudo isto e que parece para já estar a escapar à atenção geral:
Este nível de comprometimento e parcialidade demonstra que a introdução de novas tecnologias não será suficiente para garantir a isenção e verdade desportiva e a credibilização do futebol. É isso que me parece estar a ficar agora demonstrado quando um órgão disciplinar e um juiz conseguem distorcer e contornar o que é claro e evidente para todos. É isto que o famigerado sistema parece querer agora anunciar: que é capaz de mudar alguma coisa, mas que tudo continuará na mesma.
Poder-se-á perguntar se tudo isto não é apenas uma tentativa de desestabilização, e se no final prevalecerá o bom-senso. Confesso que, depois de ter assistido ao “porco a andar de bicicleta jurídico” que foi a invenção do “dolo sem intenção”, tudo é possível.
Voltando ao título da publicação, “De quantos Coates precisa o Sporting para se abrigar”? Pois, não sei. É que, se é certo que quem anda à chuva se pode molhar, gente desta já é capaz de fazer a chuva cair de baixo para cima, tornando completamente inútil o melhor dos casacos, por impermeáveis que sejam.
Meus caros estandartes da nação, qualquer outra palavra seria ingrata para começar esta carta. Seria inadequado iniciá-la sem vos parabenizar pela excelente imagem de competência que vão espalhando pelos bancos e balneários deste mundo que é o Futebol. Obrigado!
Esta é uma carta aberta e, para fazer jus a esse facto, é endereçada a todos os rostos nacionais que simbolizam a essência de um treinador. Trata-se de uma congratulação através de uma carta sem identificação de rosto, porque, para que alguns hoje estejam no auge da pirâmide, lembramos que alguns outros se aventuraram e abriram caminho por mares desconhecidos. Ainda outros, de igual imensidão de talento, permanecem no anonimato dos holofotes dos media, ou quando muito chegam a ter os seus “15 minutos de fama”. Só que também não podem ser esquecidos. Muitos deles continuam ‘lutando’ por amor à camisola na formação de futuros campeões, ou, no mínimo, dos profissionais de amanhã!
É notável referir que o ‘PEQUENO’ Portugal, o lindo país da periferia, abriu a época da Liga dos Campeões de 2015/16 com o maior contingente de treinadores de um país. Eram cinco no total, representando: o Benfica, o Chelsea,o Zenit, o Olympiacos e o Valência. E teriam sido mais se o Sporting e o Monaco se tivessem apurado na última eliminatória de acesso. Não vou enunciar nomes porque a vitória é de todos, e para quem ama o Futebol e não sabe quem são: procure informar-se, pois é um pecado não saber!
Entre muitos outros espalhados pelo Mundo fica para a história que recentemente fomos CAMPEÕES em Portugal, Inglaterra, Espanha, Suíça, Grécia, Israel, Rússia, Hungria, México, Angola, Irão, Egito, Vietname e futuramente seremos na Turquia, em Moçambique, nos Emirados Árabes Unidos, no Qatar, na China, no Japão, nos Estados Unidos e até na América do Sul se quisermos. Que fique registado, em alto e bom som: o treinador Português é o CAMALEÃO DA BOLA! Creio que juntos teremos mais títulos conquistados do que qualquer outro país.
Todo este contributo positivo no ‘mundo da bola’ é um feito notável e imensurável quando comparado com a dimensão de PORTUGAL, terra de audazes descobridores, nação brava que se lançou em oceanos enfrentando de peito as ‘ondas dos demónios’ e de pé o ‘precipício do horizonte’. Sempre com fé! Coragem, competência e qualidade caminham lado a lado com adaptabilidade e versatilidade, características que nos fazem vencer mais do que outros.
Atualmente, grandes nações brincam com o tempo do nosso auge na era dos descobrimentos. Dizem que as nossas embarcações erraram nos cálculos ou simplesmente navegaram ao sabor dos ventos ou em prol das tempestades. O certo é que NÓS estivemos lá, primeiro que os outros, e colocámos o nome Lusitano nas bocas do Mundo. Julgam-nos mortos ou adormecidos, mas acontece que hoje fazemos o mesmo no Futebol. Da subestimação nasce a surpresa! NÓS somos a prova viva, de várias gerações – desde os tempos em que Portugal era apenas Guimarães – de que não precisamos de ser muitos. Orgulhosamente singramos na vida, sabendo que, podemos ser poucos, mas somos bons! O português personifica bem a mensagem do filósofo espanhol José Ortega y Gasset: “Eu sou eu e a minha circunstância”.
Seguimos a nossa DINASTIA evocando o provérbio: Os cães ladram e a caravana passa”.
Delmino Pereira é o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo. Em entrevista ao Bola na Rede, falou de como Rui Costa é um exemplo para toda uma geração de ciclistas, da Volta a Portugal, mas também dos problemas que o ciclismo português enfrenta, nomeadamente a falta de visão para o exterior por parte de muitos clubes.
Bola na Rede: Como é que começou a sua carreira profissional?
Delmino Pereira: Comecei já na categoria de juniores, em Trás-os-Montes, uma região onde o ciclismo não está muito desenvolvido. Iniciei nas corridas regionais e foi assim que principiei a minha carreira.
BnR: Quais os melhores momentos?
D.P.: Fui muito feliz enquanto ciclista profissional, pois adorava a competição. Destaco a primeira participação na Volta a Portugal, o meu campeonato nacional, o prémio que recebi na Volta à França do Futuro e o facto de ter sido ciclista do ano em 1990.
BnR: Arrepende-se de alguma coisa na sua carreira, enquanto ciclista?
D.P.: Não, no desporto não podemos ficar com essas mágoas. Hoje em dia, a figura do gestor de carreira é importante. Não existia tal figura no meu tempo e admito que a minha carreira possa não ter sido rentabilizada ao máximo, visto ter permanecido sempre no mesmo clube. Admito que possa ter sido um erro, mas foram as circunstâncias da vida. O desporto evolui e hoje em dia os ciclistas têm acesso a outro tipo de informação importante para tomarem melhores decisões nas suas carreiras.
BnR: É mais fácil ser atleta hoje em dia ou no seu tempo como ciclista?
D.P.: É mais fácil ser hoje em dia. Temos mais informação, mais técnicos, mais conhecimentos. Mas se falarmos numa carreira profissional, é mais difícil, neste momento, devido à conjuntura e à pouca oferta de grandes projetos profissionais. Existe uma porta que não existia no meu tempo, que é a possibilidade de se fazer uma carreira internacional e termos também um projeto de seleção nacional muito mais capaz de projetar os atletas para uma carreira internacional.
BnR: Tendo em conta essa possibilidade da carreira internacional e tendo como exemplo ciclistas como o Rui Costa ou o Nélson Oliveira, acha que é mais fácil alcançar o sucesso ao ser-se ciclista em solo nacional ou internacional?
D.P.: Nós temos mais praticantes, melhores treinadores e conseguimos detetar talentos acima da média. Estes factos e a boa dinâmica ao nível da seleção nacional permite aos atletas participarem em provas estrangeiras e são nesses palcos que os atletas portugueses ganham destaque e surge a oportunidade de fazerem uma carreira internacional. Essa deve ser a primeira ambição de um ciclista que se inicia na modalidade e nós estamos preparados para proporcionar essas mesmas oportunidades.
BnR: Acha que os recentes sucessos dos ciclistas portugueses “lá fora” despertam ainda mais a motivação e o interesse dos jovens ciclistas portugueses?
D.P.: Sim, é um dos fatores. O Rui Costa motivou uma geração e temos muitos jovens que também podem chegar ao nível dele. Este grupo de internacionais são um grande fator de motivação para os mais novos.
BnR: Voltando à comparação entre o ciclismo na sua altura e agora…como eram no seu tempo as condições de treino e o que mudou?
D.P.: Existem algumas coisas distintas… os treinos de há 20 anos para os treinos de agora são realmente diferentes. Nós treinávamos por “sensações”, não tínhamos um plano de treino definido. Atualmente, o ciclismo é uma ciência, cada vez se trabalha mais e melhor. Há cada vez mais e melhores treinadores, formas e técnicas de treino muito evoluídas.
BnR: Como surgiu o convite para ser Presidente e quais as funções que desempenha?
D.P.: Eu fui ciclista até 2001 e em 2004 comecei a ser Dirigente, fui Diretor 4 anos e depois Vice-Presidente durante mais 4 anos. Entretanto, surgiu a oportunidade de ser Presidente e aceitei esse desafio. O grande desafio que enfrentamos é sentirmos que, com a modalidade em crescimento, precisamos da política ideal e procurámos, então, os meios financeiros para desenvolver essa política. A grande dificuldade é angariar os meios necessários para investirmos onde eu acho que devíamos investir.
A Federação não esquece Joaquim Agostinho
BnR: Em 2016, vai entrar em vigor a regra de apenas 3 ciclistas com mais de 28 anos conseguirem ser inscritos. Acha que coloca ainda mais entraves ao profissionalismo dos ciclistas em Portugal? E vai entrar em vigor na Volta a Portugal?
D.P.: Essa regra nunca avançou para a Volta a Portugal. O que está decidido é que as equipas continentais e nacionais têm de obedecer a uma quota de 60/40, ou seja, 40% de corredores com mais de 28 anos e 60% com menos de 28 anos. Na constituição da equipa e participação em provas, essa regra não se aplica. A participação dos atletas é uma opção do treinador dentro do plantel que tem, que está sujeito a essa cota, e que faz o seu grupo de atletas. Queria ainda dizer que é um assunto importante porque nenhuma equipa intercontinental ou nacional pode constituir-se de forma livre, está sempre condicionada a uma quota mínima. É preciso perceber que o ciclismo está dividido em 3 divisões: World Tour, a 1.ª divisão/categoria, sem restrição de quotas, e a continental-nacional, cujas equipas têm um cariz de formação. As nossas equipas são dessa divisão e dão oportunidades aos atletas sub-23 e juniores. Se nós não definirmos bem esse conceito, as nossas equipas só vão buscar ciclistas repescados do World Tour, que estão em final de carreira e que bloqueiam a entrada de mais jovens. Neste momento, temos uma média de 30% a 40% de miúdos aos quais não lhes é dada oportunidade. Mas há muitas equipas continentais-nacionais só com atletas sub-23. O que não me agrada é o facto de as equipas só irem buscar corredores nas casas dos 30 anos.
BnR: Mas não é importante ter numa equipa alguém mais velho e mais experiente que ensine os mais jovens?
D.P.: Não é isso que importa. O que devíamos ter era uma equipa continental-nacional, onde o diretor desportivo fazia o plantel. Esta é a nossa maior lacuna. É preciso perceber que os jovens têm direito a ter oportunidades e a sonhar. Uma das oportunidades dadas é através da seleção, mas só para corredores muito acima da média. Os outros têm de ter oportunidades nas equipas. Mas como não temos essas equipas temos esse vazio. É um problema de conceito e muitas vezes as nossas equipas não têm uma vocação formativa.
BnR: É possível existir uma Volta a Portugal que realmente percorra o país inteiro ou as dificuldades económicas e de calendário não o permitem?
D.P.: A Volta a Portugal deve percorrer o território nacional mas há que lembrar que o nosso território não é todo igual. Existem zonas com maior capacidade económica para receber a Volta e outras que não têm capacidade nem interesse. A Volta não tem ido ao sul de Portugal porque não existe interesse. A Volta nasceu com a ideia de percorrer Portugal de bicicleta e o nosso desafio é voltar a tornar isso possível. Não é por serem apenas 11 dias que não é possível, o problema aqui é a capacidade económica dos municípios.
BnR: E poderemos voltar a ver a Volta a Portugal em terras algarvias ou não existe a tal capacidade e interesse de que falou?
D.P.: É uma questão estratégica das regiões, também. Nós temos uma procura muito grande de certas regiões, principalmente a norte, muitas vezes municípios vizinhos. Do Algarve não tem surgido esse interesse e é fácil explicar o porquê. Nessa altura, (Agosto) o Algarve está cheio de turistas e a Volta a Portugal trás consigo por volta de 1500 pessoas atrás, logo, o Algarve não precisa destas pessoas pois já tem imensas. Hoje em dia, tudo gira em torno do interesse económico, todos sabem a importância de a Volta chegar a uma certa região, mas, de facto, há outros interesses que não convencem as regiões, mas estamos igualmente a procurar soluções para que a Volta percorra todo o território. Este ano há a possibilidade de ir ao Alentejo.
BnR: Estando a Volta a Portugal entre o Tour e a Vuelta, acha que algum dia será possível virmos a ter ciclistas de maior renome internacional na prova?
D.P.: É cada vez mais difícil. A Volta nunca teve presença de grandes campeões. Já vieram alguns de grande nível mas nunca vinham para ganhar a prova. A Volta é um evento destinado, por natureza, aos ciclistas portugueses e não será fácil reunir grandes nomes do ciclismo.
BnR: Existe então uma certa distinção entre a Volta a Portugal e ao Algarve, pois esta última costumar ter a presença de grandes nomes do ciclismo mundial. Acha que é por uma questão de calendário ou da maneira como a Volta ao Algarve está constituída e que faz mais sentido para os ciclistas participarem nela?
D.P.: São vários os fatores. A Volta ao Algarve acontece em Fevereiro, só dura 5 dias e tem muito prestígio. O Algarve tem boas ofertas, tem um bom clima e há um conjunto de fatores importante para a realização da Volta ao Algarve. Tem vindo a crescer, também, o interesse desportivo da prova devido aos atletas que venceram as ultimas duas Voltas ao Algarve e há uma particularidade para o sucesso, que é o facto de não ser incompatível com as grandes provas. Temos tentado fazer com que tanto a Volta ao Algarve como a Volta ao Alentejo sejam provas de interesse para equipas internacionais, para que venham cá treinar e estagiar. Também não podemos esquecer que a Volta a Portugal tem características únicas, é um evento que coincide com as férias dos portugueses, que move todo o nosso povo ao longo da estrada e isso faz com que os atletas portugueses treinem a pensar na Volta a Portugal.
BnR: Vai haver transmissão televisiva da Volta ao Algarve?
D.P.: Estamos a trabalhar para que isso seja possível, vamos ver nos próximos tempos.
BnR: Recentemente, Sporting e FC Porto entraram na modalidade. O que pode trazer a entrada de clubes desta dimensão ao ciclismo português?
D.P.: Portugal tem uma história única no ciclismo, pois o ciclismo sempre se desenvolveu associado aos clubes de futebol e somos o único país no mundo onde isso acontece. Para muitos portugueses, ainda estão na memória as grandes rivalidades entre Benfica, Porto e Sporting, todos ganharam Voltas e muita desta “clubite nacional” foi graças ao ciclismo que, “de porta a porta”, levava as camisolas dos clubes e permitia às pessoas verem as camisolas às riscas verdes do Sporting ou a camisola vermelha do Benfica numa altura onde a televisão não era a cores. Este regresso dos clubes ao ciclismo é bom porque vai dar mais mediatismo à modalidade e às provas e vai atrair à rua mais pessoas. Este formato de se associar a uma equipa não é original, já se fez no passado, os clubes associam-se a uma equipa que já tem as bases e dão a identidade a esta, mas é um bom formato. Esperemos que sejam projetos duradouros e credíveis para que possa existir o aumentar do interesse pelo ciclismo em Portugal.
BnR: Sporting e Porto têm uma rivalidade muito forte no futebol, que por vezes ultrapassa os limites. Acha que essa rivalidade pode passar para o ciclismo e prejudicar a modalidade?
D.P.: Serão circunstâncias imprevisíveis. No passado, José Maria Nicolau (Benfica) e Alfredo Trindade (Sporting) tinham uma grande amizade fora das corridas e o ciclismo nunca teve problemas de fair-play e de desportivismo. O ciclismo nesse aspeto é exemplar. Mas as circunstancias também mudaram, pois, neste momento, as rivalidades estão mais acentuadas, embora acredite que vá imperar sempre o fair-play entre os adeptos. É algo que teremos de avaliar, mas esperemos que corra tudo bem e não haja polémicas.
BnR: Como comenta o caso W52/Sporting/Porto?
Desconheço pormenores desse processo mas gostaria que não tivesse acontecido dessa forma. São circunstâncias do desporto, da rivalidade, mas estou alheio a tais circunstâncias.
A equipa do Bola na Rede com Delmino Pereira
BnR: Nestes últimos anos, temos visto cada vez mais casos de doping no ciclismo. Principalmente depois do caso de Lance Armstrong, acha que a dúvida sobre o vencedor irá persistir para sempre em qualquer prova?
D.P.: Não acho. Após o caso de Lance Armstrong, a nossa modalidade atravessou um processo pioneiro de controlo anti doping com a implantação do passaporte biológico. Obviamente que uma modalidade com um processo pioneiro como este corre sempre o risco de ter as primeiras vítimas. Tivemos alguns casos mas estamos a sair desse processo e gosto de ver corredores como o Contador ou o Froome a dizer que só um corredor louco é que pode dopar-se. O sistema está tão evoluído que é praticamente impossível um corredor de categoria World Tour dopar-se e não ser apanhado. O problema é que este processo acontece de cima para baixo e não ao contrário. Vão surgindo alguns problemas e até vejo como má-fé a forma como alguns comentadores apontam o dedo à modalidade sem saber o que se está a fazer para combater o doping. Estamos agora a implementar esse processo nas restantes divisões e acredito que estamos no caminho certo.
BnR: Quando existem casos de doping em atletas portugueses, como é que a Federação Portuguesa de Ciclismo atua?
D.P.: Atua com a máxima clareza possível. Sabemos que o futuro do ciclismo passa pela credibilização da modalidade e quem a credibiliza são os atletas e os seus resultados. Só assim é que conseguimos atrair investidores. Acima do interesse publicitário tem de estar o prestígio e a credibilidade. Todos estes interesses não avançam se a modalidade não estiver credibilizada. Entre a ADOP, nós e o Governo existe uma grande força para lutar pela verdade no ciclismo.
BnR: Tendo em conta os últimos anos, como é que acha que o ciclismo português é visto internacionalmente?
D.P.: Temos várias circunstâncias. Primeiro, está demonstrado que os ciclistas portugueses podem ser campeões do mundo como outros ciclistas são, está também demonstrado que temos uma boa política de seleção nacional e formação, com os resultados à vista. Ainda temos um problema, visto que a maior parte da nossa comunidade ainda não se “virou para o exterior”, ainda não olha para o ciclismo como um desporto global e só se prepara para ganhar provas nacionais. Ainda temos algumas visões que não estão atualizadas e que não estão de acordo com o que deve ser o futuro do ciclismo, que passa por um contexto global. Concluindo, temos um ponto positivo que é a seleção nacional e os seus resultados e que tem vindo a credibilizar o trabalho que se faz em Portugal. Somos uma federação que renovou o ciclismo em todas as suas frentes, sendo que temos igualmente bons resultados em BTT e no Ciclismo de Pista. Sofremos pelo facto de sermos um país periférico, pois no centro da Europa corre-se na Bélgica, na Holanda e temos à volta de 100 corridas por ano num raio de 1000 km’s. Sofremos sesse problema e também do facto de ainda termos uma mentalidade que vê o ciclismo muito dentro de fronteiras e as pessoas de fora também olham para nós desta forma. É cada vez mais importante que os portugueses participem nas provas com a ambição de as disputar e é preciso que as equipas portuguesas façam algo que a seleção nacional já faz que é ir às provas internacional para as disputar e não só para participar.
BnR: Quais as expetativas para o futuro do ciclismo nacional?
D.P.: Sou otimista, sei que vamos ter problemas, mas iremos ultrapassá-los. Existem cada vez mais países a apostar na bicicleta como forma de mobilidade e há cada vez mais pessoas a fazerem do ciclismo a sua prática desportiva diária. Tudo isto irá fortalecer a nossa base de recrutamento. Temos figuras internacionais, ainda são jovens e tenho a certeza de que no futuro ainda irão conquistar mais prémios. Temos uma forte aposta na formação de treinadores, técnicos e atletas. Iremos continuar a fornecer corredores de qualidade ao ciclismo mundial, não tenho dúvidas. A vida do Sporting e do Porto é uma janela de oportunidade, pois se estes projetos se afirmarem, o ciclismo de corrida em Portugal irá afirmar-se ainda mais. Queremos também conseguir cada vez melhores resultados, tanto em estrada, como em pista, bem como em BTT.
BnR: Quantos atletas vão aos JO?
D.P.: Qualificámos 4 corredores para o ciclismo de estrada e há a possibilidade de qualificarmos ainda mais 2. Podemos bater o record de corredores nos JO.
BnR: Quais os objetivos e expetativas para estes próximos Jogos Olímpicos?
D.P.: Tal como disse, bater o recorde de corredores que participaram nos JO. Os JO são sempre imprevisíveis, principalmente a prova em linha, onde tudo pode acontecer. O que é um facto é que nós temos quatro corredores, enquanto outros países têm 5/6 e essa diferença é grande. Nos campeonatos do mundo, a diferença é maior, já que chegámos a ter “apenas” 3 atletas e outros países tinham 9. Queremos colocar corredores nos primeiros lugares e melhorar os resultados dos últimos JO. Todos os atletas estão focados nos JO. Nota-se uma mudança de mentalidade, no meu tempo a Volta a Portugal estava acima dos JO. Por exemplo, aquilo que mais motiva o Tiago Machado a treinar todos os dias, neste ano, é uma possível participação nos JO. Infelizmente, ainda temos muita gente que pensa num ciclismo caseiro e que ainda pensam na Volta a Portugal como o centro do mundo. Estamos a transformar uma geração, mas isso demora o seu tempo.
BnR: Mas não será também por questões económicas que as equipas portuguesas olham para o ciclismo de uma maneira mais fechada?
D.P.: É uma questão económica mas é também uma questão de visão. É possível que as nossas equipas achem que a probabilidade de vencerem a Volta a Portugal é maior do que vencerem a Volta ao Algarve ou outras corridas. O nível competitivo é completamente diferente. O facto de a Volta ao Algarve não ser transmitida em direto e de não ter muito público acaba, igualmente, por contribuir para esse cenário. Este tipo de provas, de início de época, não têm o retorno estratégico que tem uma Volta a Portugal para as equipas portuguesas. Há um interesse económico que, por vezes, não coincide com o interesse da sua equipa. Se uma equipa tem um corredor muito bom a correr em Portugal, interessa-lhe mantê-lo por cá, “bem guardado”, mais do que afirmá-lo numa Volta ao Algarve e ficar sem ele. É um choque de interesses entre a equipa, que se preocupa com o retorno publicitário e económico, e o ciclista, que já percebeu que se realmente se afirmar numa prova como a Volta ao Algarve, pode ter a oportunidade de fazer uma carreira internacional do que se fizer “apenas” a Volta a Portugal.
BnR: Que conselho ou conselhos pode dar a todos os jovens que estão a iniciar a sua atividade no ciclismo?
D.P.: Têm que acreditar que o único caminho que há é o caminho da verdade desportiva e do trabalho. Vão entrar num mundo maravilhoso, de sucesso, de vantagens económicas e que podem lançá-los para o circuito internacional e para a história do ciclismo. Esse percurso é possível, é preciso determinação e muito trabalho. Os jovens devem acreditar que existem oportunidades para brilharem.
BnR: Quais são os processos que os clubes e a Federação realizam para captarem cada vez mais jovens para o ciclismo?
D.P.: Estamos organizados com escolas que recebem crianças a partir dos 6 anos. Temos mais de 100 escolas de ciclismo. Alargámos a base às escolas de ciclismo e isso é muito importante pois temos tido um crescimento constante ao longo dos anos. Este trabalho de formação está a ter sucesso. Temos também as categorias de cadetes, a nível regional, e juniores, já a nível nacional, onde os jovens já se começam a mostrar. Temos equipas em todo o território e qualquer corredor que se mostre tem colocação nelas. Nestas idades mais jovens, o essencial é formar e educar os corredores e estamos com linhas de orientação muito exigentes ao nível da formação e treino desportivo. E temos uma seleção e clubes que levam esses ciclistas para níveis profissionais e é graças a isso que temos um ciclismo dinâmico.
BnR: Quer deixar algumas palavras para todos aqueles que representam Portugal nesta modalidade?
D.P.: Pratiquem ciclismo com alegria, com satisfação, com o máximo de cuidado possível, com respeito pela estrada, mas que façam ciclismo com a maior satisfação! A nível competitivo, tenham sempre o cuidado de se aconselharem com as pessoas mais conhecedoras para não cometerem erros nas suas carreiras.
Magia: Para quem gosta de futebol, o regresso de Gaitán é uma dádiva. Para o Benfica é uma excelente notícia porque já pode contar com mais um jogador de classe na luta pelo título e para as outras equipas, embora represente mais uma dor de cabeça, também é positivo este regresso porque só defrontando os melhores se pode evoluir. A regularidade exibicional de Gaitán ao longo dos anos, associada à sua projeção internacional – andou por muitos palcos europeus na Champions e foi chamado várias vezes à seleção principal argentina – fazem de “El mago” um caso raro em Portugal, de um jogador que por cá se foi mantendo apesar do assédio de alguns grandes clubes espanhóis e ingleses. Quem viu o jogo que o argentino fez em Moreira de Cónegos, independentemente da cor do seu coração, não tem muito mais a fazer senão render-se à qualidade deste jogador. Que fique por muitos anos.
Justiça desportiva: Passaram dois meses mas o Conselho de Disciplina da FPF lá abriu um processo disciplinar ao (in)disciplinado Slimani. Muito tempo para tomar uma decisão tão simples e óbvia, depois do golpe marcial que este jogador desferiu a Samaris no dérbi entre o Sporting e o Benfica a contar para a Taça de Portugal e que nesse jogo não foi sancionado nem sequer com uma falta – parece incrível mas foi mesmo o que aconteceu, cortesia do desastrado árbitro Jorge Sousa. Só espero que o castigo seja exemplar. Por que não uma punição de 10 jogos de suspensão, à boa maneira britânica, de forma a acabar com a sensação de impunidade deste atleta, que depois do dia 21 de Novembro já agrediu outros tantos colegas de profissão, e de atuar como medida pedagógica para dissuadir futuras agressões no nosso futebol?
Não me abstenho de reconhecer a qualidade técnica e o instinto de goleador do avançado argelino do Sporting mas parece-me claro que a sua conduta dentro de campo ainda deixa muito a desejar. Que o digam Samaris, Aboubakar, Vukcevic (do Braga), a Velázquez (do Arouca) e lista podia continuar. Dá vontade de dizer: que grande avançado, que péssimo desportista!
O pior que há no futebol
E por falar no tal dérbi da Taça, foi arquivado o pacote de queixas que o Sporting reportou em relação à prestação do árbitro. Não se podia esperar outra coisa face ao grau de ridículo dessas queixas, que mais não eram do que uma compilação de faltas cometidas por jogadores do Benfica. Voltando à agressão de Slimani a Samaris, o Sporting já disse que vai recorrer para o Conselho da Justiça da Federação. Garantia dada pelo novo “cão de fila” de Bruno de Carvalho, que é a triste personagem Octávio Machado. Qual homem perdido pela Amazónia, que só vê verde à frente, desce mais uns degraus na escadaria do ridículo, quando pergunta, indignado aos jornalistas: “Todos falam de uma cotovelada. Vocês sabem como se dá uma cotovelada? O que é uma cotovelada? O Slimani, para evitar o bloqueio de Samaris, fez um movimento de extensão com o braço para o afastar e atingiu-o nas costas”. E ainda remata: “Não espero que Slimani seja castigado, pelo contrário. Seria mau para o futebol português.” Depois disto, os ofendidos anti-Pedro Guerra que pensem duas vezes antes de abrirem a boca.
E numa feliz coincidência temporal, também a Liga, através da sua Comissão de Instrução e Inquéritos, veio por fim a mais um delírio de BdC, com a arquivação da queixa relacionada com os famosos vouchers. Em Outubro, o presidente do Sporting – numa espécie de continuação da conversa da treta do “colinho” que vinha da época anterior e que assentava na patética teoria da conspiração de que o Benfica tinha ganho o seu 34.º campeonato porque foi favorecido pelas arbitragens – tinha insinuado em direto na TVI24, embora sem nunca concretizar (falta-lhe sempre coragem), que o Benfica tentava condicionar a atuação dos árbitros através de um kit composto por uma camisola, quatro jantares e quatro entradas no museu Cosme Damião.
Muita tinta fez correr a ida de Bruno de Carvalho ao “Prolongamento”; Fonte: movenoticias.com
Mas alguém acha que um árbitro pode ser “comprado” com isto? Sim, a direção do Sporting acha e muitos adeptos leoninos também a avaliar pela reação histérica que tiveram quando o caso veio a público. Como disse na altura, não concordo com a oferta deste kit mas só posso entender a gentileza como uma cortesia sem importância. Diz a Liga que “a oferta ingressa no conceito de ofertas de mera cortesia, lembrança entregue por ocasião dos jogos (sempre no final dos mesmos e sempre na presença de delegados da LPFP) a todos os agentes de arbitragem e delegados da LPFP intervenientes, de modo generalizado e indiferenciado”.
Estarei sempre ao lado do melhor que o futebol tem: as fintas, os “cabritos”, as “cuecas”, os golaços de fora de área, os passes de calcanhar, as tabelas que dão em golo, os estádios cheios. Os outros, o que querem judicializar o futebol e desviar a atenção dos relvados – e que são, afinal, os grandes inimigos deste bonito jogo em que se dão uns pontapés na bola – sairão por onde entraram, pela porta pequena.
Engane-se quem pensa que vou escrever sobre culinária! Esta é uma metáfora de raciocínio.
Certamente que muitos de vocês já escutaram o provérbio: ‘sem ovos não se fazem omeletes’. Este é um dizer que já faz parte da gíria futebolística há muitos anos. E está certo! Mas, será possível que com ovos de qualidade se consigam fazer omeletes ‘ruins’?
De olhos postos nesta analogia, reconheço que para uma boa omelete é necessário algo mais do que apenas uns excelentes ovos. O condimento, o preparo e a fritura fazem toda a diferença. Até a frigideira onde e como ela é feita pode determinar se sai dourada ou mesmo queimada. Sem falar na competência, na experiência e na inovação de quem a faz. Resumindo: é preciso o “toque de midas”, a mão do Chef!
RACIOCÍNIO 1:Fazer uma ótima omelete não é tão fácil! Fazer uma equipa jogar bom futebol, também não.
Mas, o que têm o Brasil e a Argentina que ver com ovos e omeletes?!
Ora, se tanto Brasil e Argentina têm ovos [entenda-se jogadores] de elevadíssimo potencial porque é que hoje produzem omeletes [entenda-se ‘um futebol’] de diferente qualidade? Creio que o diferencial está nos Chefs [entenda-se técnicos].
Atualmente, o técnico argentino está bem conceituado no melhor Futebol praticado: o EUROPEU! E não sou só eu que o digo. O mundo do Futebol é quem o revela! Acha infundada esta afirmação? Considera ofensivo o comentário? Não pretendo ferir suscetibilidades. Estou mesmo afirmando.
Esclarecendo. Coloquemos lado a lado as referências atuais de cada país, analisando resumidamente PROJETOS CLUBE de alto rendimento e alta exigência, a nível internacional. Começemos pelos brasileiros:
Carlos Alberto Parreira, (72) campeão do Mundo pelo Brasil nos EUA em 1994. Nesse ano, teve seu ‘Projeto Clube Europeu’ com o VALÊNCIA onde o 11º lugar alcançado na La Liga não deixou saudades. Em 1995 teve ainda uma época como campeão no Fenerbahçe. Foi sempre muito contestado [até pelos brasileiros]mas, deixa o bonito registo de ter representado 5 seleções diferentes em fases finais do Mundial e o menos bonito quando se aposentou da Coordenação Técnica canarinha após o 7-1 em 2014 (!!!).
LUIZ FELIPE SCOLARI, (67) campeão do Mundo pelo Brasil na Coreia/Japão em 2002. Rumou à Europa e abraçou o projeto ‘Geração d’Ouro Portugal’ onde teve um bom desempenho [trabalhando “duas vezes ao mês”]. Em 2008 foi-lhe oferecido o primeiro grande ‘Projeto Clube Europeu’ – CHELSEA. Com estrelas campeãs pós-Mourinho, aguentou menos de 6 meses e rumou ao… Uzbequistão (!!!).
VANDERLEI LUXEMBURGO, (63) técnico brasileiro recordista com 5 títulos do Brasileirão, também comandou o Brasil entre 1998 e 2001. Após ter sido bi-campeão brasileiro pelo Cruzeiro (2003) e Santos (2004), surgiu o convite esperado do ‘Projeto Clube Europeu’ – REAL MADRID. Orientou elenco galático com Casillas, Roberto Carlos, Zidane, Figo, Guti, Beckham, Raul, Ronaldo e Owen [entre outros]. Durou 5 meses, deixando Real a 9 pontos do líder Barcelona em 14 jogos. Voltou ao… Corinthians (!!!)
RACIOCÍNIO 2: foi possível três técnicos brasileiros de renome mundial fazerem menos de 4 épocas na frente de clubes europeus, face às mais de 60 épocas de carreira que acumulam juntos, até ao momento!
Um país de 200 milhões de habitantes, proclamado o ‘Reino do Futebol’ ou criador dos maiores mágicos da bola, deixa a mensagem no momento da contratação: muitas expectativas, poucos resultados! Foram muitos ovos d’ouro batidos, só que no momento de servir a omelete, o Chef fracassou.
Agora, olhemos para os nomes Argentinos mais sonantes:
MARCELO BIELSA, ‘El Loco’ (60) após o bom desempenho nas seleções Argentina e Chilena, entre 1998 e 2011, conseguiu o seu passaporte para o ‘Projeto Clube Europeu’ representando, até ao momento, três clubes: Espanhol, 2008; Atl. Bilbao, 2011-2013; e Marselha, 2014-15. Todas as suas equipas ficaram conhecidas pelo seu futebol ofensivo, tendo sido finalista da Liga Europa e da Taça do Rei e obtendo um 4º lugar na competitiva Liga Francesa. Feitos alcançados com equipas medianas.
DIEGO SIMEONE, ‘Cholo’ (45) é sem dúvidas o técnico argentino mais bem sucedido atualmente na Europa. O seu ‘Projeto Clube Europeu’ é o Atlético de Madrid desde 2011. Em cinco épocas conquistou tudo o que havia para conquistar em Espanha (La Liga, Taça do Rei e Supertaça), conseguindo ainda o troféu da Liga Europa e a Supertaça Europeia, além da final na Liga dos Campões. Um feito magnífico perantes os colossos Real Madrid e Barcelona, bem como os outros europeus.
Mauricio Pochettino, técnico jovem (43) que fez praticamente toda a sua carreira como jogador na Europa (entre Espanha e França). No início do seu ‘Projeto Clube Europeu’ assumiu o comando técnico do Espanhol, com 37 anos, tendo assegurado a manutenção tranquila da equipa nos três anos em que a representou. Conseguiu ainda um magnífico 8º lugar com o Southampton, o que lhe valeu o convite do Tottenham, que hoje é uma das sensações da Premier League posicionando-se no 4º lugar.
Eduardo Berizzo, ou ‘Toto’ (46), é um profundo admirador de Marcelo Bielsa, com quem trabalhou entre 2007 e 2011 na seleção Chilena. Após ter brilhado com o O’Higgins do Chile, internamente e externamente, levando o clube pela primeira vez à final da Copa Sul Americana, recebeu ‘carta-branca’ para o seu ‘Projeto Clube Europeu’ com o Celta de Vigo. Esta é a sua segunda época e vai brilhando com o 5º lugar e um futebol ofensivo vistoso. Vale lembrar que este ano venceram por 4-1 o Barcelona!
Os seus trajetos desportivos estão abrindo portas para outros treinadores argentinos, como Guillermo Schelotto (42, estreante no Palermo do campeonato Italiano dos ‘mestres da táctica’) e Jorge Sampaoli (55, ex-Chile, acredito que futuro estreante na Europa). Naturalmente, não necessitamos de grande exercício mental para identificar o diferencial destes Chefs, num país com pouco mais que 40 milhões.
Assim, se vai cavando a distância entre referências no que diz respeito aos técnicos Sul Americanos. Também o Brasil, através do São Paulo decide investir “fora”, com o técnico Argentino Edgardo Bauza. Ou o Atlético Mineiro que aposta no Uruguaio Diego Aguirre (ex-internacional). Porém, as boas referências brasileiras interinas também existem, são eles: Tite (54, Campeão Brasileiro pelo Corinthias); Marcelo Oliveira (60, vencedor da Copa Brasil no Palmeiras e ex-bicampeão Brasileiro pelo Cruzeiro); Roger Machado (40, 3º lugar com o Grémio) e Argel Fucks (40, 5º lugar com o Internacional).
RACIOCÍNIO 3: quando chega a hora de bater os ovos, vemos que os argentinos mesmo sem ovos d’ouro mostram um diferencial na confecção da omelete deliciosa e apreciada pelo clientes [entenda-se adeptos].
Perante estes fatos como se fundamentam as evidências: porque saiem diferentes as omeletes?!
A explicação poderia ser bem detalhada, mas simplicidade no Futebol é o que mais se aprecia. O leitor, também a agradece no que toca às fundamentações. Escolhi apresentar uma receita divida em três partes ou processos que acredito estarem por detrás do ‘mistério’ da omelete:
PARTE 1 DA RECEITA [O CONDIMENTO]: competência vs experiência
Este é um confronto de paradigmas sem correlação direta, ou seja, larga experiência poderá significar competência, mas para se ser competente não é estritamente necessário ter muita experiência. Um treinador pode, naturalmente, ensinar mal durante muitos anos. Terá experiência, mas certamente não revelará competência nos conhecimentos ou na operacionalidade dos mesmos.
Durante anos, refletindo sobre esta temática cheguei à conclusão que: anos de profissão não asseguram domínio em termos de competência. Logo, um treinador que tenha sido durante muitos anos um jogador profissional [sobretudo os que confundem competência com experiência de balneário] não é sinónimo de que dominará os conteúdos, as metodologias de treino ou toda a polivalência que hoje um técnico moderno deverá apresentar. Tenho como teoria o seguinte: um médico, com largos anos de experiência, para ser considerado extremamente competente não necessita de ter vivenciado todas as doenças conhecidas e por ele tratadas. Não precisa de ter sido paciente para saber como curar. Da mesma forma que, por exemplo, eu falo e escrevo português há quase três décadas – são muitos anos de experiência na oralidade ou na escrita – e isso não me habilita a ser um profissional reconhecido como competente ou qualificado no ensino da língua portuguesa!
O grau de competência dos grandes campeonatos do futebol Europeu enquadra-se num nível de exigência máxima. Creio que o técnico argentino se encontra, atualmente, mais próximo desse registo e o nível de experiência do treinador brasileiro é considerado insuficiente para os desafios propostos.
PARTE 2 DA RECEITA [PREPARO]: adaptabilidade vs super-ego
Este é um assunto delicado. Delicado pois interfere com culturas, nacionalidades e personalidades. Uma adaptação a qualquer outro país que não o nosso exige um valor determinante: humildade. Ser humilde não se trata de assumir que somos inferiores a quem quer que seja. Humildade é simplesmente reconhecer o nível das nossas valências ou competências e adequa-las ou adaptá-las à cultura onde vamos trabalhar. Humildade é também aceitar interiormente que se pode ter ainda muito a aprender relativamente a algum tema em que se considere um mestre. Adaptabilidade é isto mesmo: imergir na cultura e costumes do outro país; aprender e saber falar a língua deles; respeitar as diferenças; aceitar nada como adquirido; e ter sempre o compromisso de provar a sua qualidade.
Hoje vemos técnicos Argentinos trabalhando na Espanha, Itália ou Inglaterra, com sucesso. Os Brasileiros não se podem queixar de falta de oportunidades. Mas, de falta de aproveitamento das oportunidades. O que falhou? O leitor leu a palavra “super-ego”! Menciona-la é duro, descrevê-la é ainda mais.
PARTE 3 DA RECEITA [FRITURA]: atualização metodológica vs ideologia castradora
No futebol existem duas formas de avaliação dos treinadores: qualitativa e quantitativa. Pela primeira ficamos conhecidos, pela segunda seremos recordados. O treinador que passar com distinção em ambas fará parte do quadro de honra da história do Futebol. Aquele que não conseguir, nem uma, nem a outra, permanece no anonimato ou será conhecido como um profissional de competência ambígua.
O que faz uma equipa vencer mais do que outra? Ou uma equipa jogar melhor do que outra? A atualização metodológica de um treinador é um dado a adquirir. É necessário inovar, mudar e evitar a aplicação de ideias passadas ou castradoras da evolução. É determinante deixar de viver preso ao passado ou do mito que no futebol já está tudo inventado. Investir na formação dos técnicos. Atualizar as referências. Toda a gente entende que vence mais ou joga melhor quem tem os melhores. Porém, como se criam os melhores?
Durante décadas, os técnicos brasileiros viveram na sombra dos grandes craques brasileiros. Estes, literalmente, conduziam os treinadores a serem campeões mundiais. O jogador brasileiro continua a ser muito talentoso, só que o futebol Mundial evoluiu. A qualidade do jogo mudou para melhor. Agora é a hora do treinador brasileiro retribuír com o gesto, tirá-los da sombra e devolver-lhes o protagonismo coletivo mundial. O Brasil está precisando apenas de um “upgrade”, isto é, de uma atualização.
Na semana passada escrevi aqui um texto “polémico” (escrevo entre aspas porque tal adjectivo não era, de todo, algo que queria associar ao texto de forma directa) que teve repercussões em muitos sites, facebook’s e até na minha caixa de mensagens na referida rede social. Ao tentar repor a verdade e informar muitos adeptos – tanto do Sporting CP como SL Benfica – que nem tudo o que passa na Comunicação Social é verdade, assim como o que é escrito em blogs afectos aos clubes, sejam esses mesmos blogs remunerados ou não.
Não estive sozinho nessa conferência de imprensa, colegas meus – de respeito, segundo alguns – também estiveram comigo e estão do meu lado, na defesa do que deveria ser uma pedra basilar do jornalismo: A Imparcialidade. Custa-me que de cerca de trinta pessoas presentes na sala, nem um tenha saído em nome da Verdade e dito que a SIC (ou o jornalista que fez o a peça), Rui Santos, e o site referido na Carta Aberta adulteraram a verdade em nome do sensacionalismo e/ou das afiliações clubísticas.
Curiosamente, ou não, a minha maior tristeza vai para Rui Santos. Alguém que faz bandeira e dá a cara pela verdade desportiva não pode ter o mesmo tipo de atitude de Rui Pedro Braz, Pedro Guerra e outros “jornalistas” que se veem por aí. Alguém que ainda ontem afirmou que investigou a fundo todo o caso Sérgio Conceição/José Peseiro tinha mais que o dever de rever a Conferência de Imprensa do jogo frente ao Tondela, perceber quais foram os jornalistas questionados pelo assessor de imprensa do Sporting e obter daí uma resposta. Eu até posso dar uma ajuda, dizendo que o primeiro era de um canal por cabo e outro de um canal pago pelos contribuintes.
Viver num país em que uma Assembleia Geral dum clube e uma renegociação de dívida são notícias de manchete para esconder a dívida de um Presidente de outro clube ao Estado Português enoja-me. Enoja-me ao ponto de não perceber porque é que alguém tem uma dívida perdoada apenas e somente porque é Presidente dum clube de futebol, quem paga essa dívida são os próprios benfiquistas, Sportinguistas e portistas e ainda assim ninguém se insurge contra tal.
Viver num país em que há provas de corrupção, centenas de horas de escutas telefónicas em que se prova a culpa de muitas pessoas ligadas ao futebol e quem é preso é apenas quem recebeu “Fruta e Café” sem punir quem disponibilizou tal oferenda desilude-me.
Viver num país em que se “mimam” árbitros com jantares caríssimos e “milhões” acharem perfeitamente normal faz-me repugna-me.
Viver num país em que Marco Silva foi um mártir às mãos da tirania de Bruno de Carvalho, enquanto Lopetegui e o seu despedimento são vistos como futilidades, revolta-me.
Viver num país em que são seleccionadas pessoas mentalmente desonestas para dizer barbaridades e mentiras em troco de audiências irrita-me.
Viver num país em que uma Eurodeputada pede para a CMVM auditar o Sporting CP pelo salário anual (quatro milhões de euros) de Jorge Jesus mas que se esconde e nem opina sobre os valores (não) pagos ao SL Benfica por Bernardo Silva faz-me sentir que isto é tudo uma real palhaçada e que vale tudo em nome de um simples desporto.
Viver num país em que haja tamanha mesquinhez desportiva ao ponto de se preferir enganar milhões para manchar o nome de um – porque engane-se quem acha que tudo isto não é apenas uma tentativa de desestabilizar Bruno de Carvalho e, como consequência, o Sporting Clube de Portugal – dá-me asco e comichão partilhar a nacionalidade com essas pessoas.
Ver um Norwich – Liverpool e tentar imaginar um jogo desses em Portugal pode ser um exercício masoquista Fonte: Premier League
Porque já sei a forma de raciocínio de muitos “milhões”, permitam-me que vos elucide: não, não sou “Brunista”. Não concordo com tudo o que o Presidente do meu clube diz, faz e pensa. Também não sou – ao contrário do que quiseram fazer crer – remunerado como muitos são, e o site Bola na Rede não ganha um único cêntimo através dos clubes, os artigos são patrocinados a partir da publicidade que existe no site.
Agora, nas minhas três décadas de vida, nas quais vi o meu Sporting campeão por duas vezes, aprendi a dar valor a quem tenta o seu melhor pelo clube, a quem se esforçou por tirar o clube da falência, da iminência da refundação e das mãos dos interesses de poucos em prol do sofrimento de quem verdadeiramente ama o clube. Bruno de Carvalho não é o meu Presidente ideal mas é o melhor Presidente que já vi no meu clube, uma vez que não me lembro da Presidência de João Rocha.
Sei que Bruno de Carvalho poderá ter podres, não é perfeito e quanto maior for a exposição mediática menor será o tempo até algum “junta-letras” se lembrar de vasculhar sobre esses mesmos podres. Por isso mesmo fica aqui, antes de tempo, registada a minha opinião, que não irá mudar por nada: fora com quem estraga o desporto que adoro para ganhar milhões; fora todos os criminosos e respectivos interesses que estragam o futebol; fora com o Bruno, Jorge, Luís e outros, se estão aqui apenas para enriquecer à custa do nosso amor; fora com aqueles que são pagos para dizer mentiras e que usam o nome de clubes que amamos para ganhar dinheiro e protagonismo.
Três jogos, três derrotas. Assim se descreve o percurso do FC Porto na Taça da Liga. Uma competição menor, é certo, mas que mesmo assim exigia mais de um clube grande. Esta noite, na Vila da Feira, o Feirense acabou por ser mais feliz e vencer por 2-0.
José Peseiro aproveitou este jogo, que competitivamente já nada acrescentava aos dragões, para fazer uma revolução no onze dos dragões. Chidozie, José Ángel, Victor Garcia, Sérgio Oliveira e André Silva foram algumas das novidades de uma equipa que entrou na Feira num sistema tático diferente. Peseiro decidiu juntar André Silva e Suk no ataque, com Varela a funcionar como número 10 no vértice mais ofensivo do meio campo. Naturalmente, e como não podia deixar de ser, as dúvidas dos jogadores neste novo sistema foram evidentes. Apesar do controlo durante a esmagadora maioria do encontro, a verdade é que o FC Porto nunca foi uma equipa consistente.
Sérgio Oliveira e Imbula procuraram ser os impulsionadores do jogo ofensivo portista, deixando a Victor Garcia e José Ángel as faixas para criarem perigo. O problema maior dos dragões teve que ver com o posicionamento deficiente dos avançados. Não habituados a atuar em dupla no ataque, a incapacidade em criar perigo junto da baliza do Feirense foi confrangedora na primeira parte. Do outro lado, surgia uma formação do Feirense que apenas teve que esperar pelo seu momento. Pepa, tal como Peseiro, aproveitou o encontro para utilizar novos jogadores e acabou por ser mais feliz. Perto do final do primeiro tempo, Cosme Machado viu uma grande penalidade muito forçada de Rúben Neves que levou Hélder Castro até à marca de grande penalidade. Aos 39 minutos, o 1-0 para os fogaceiros acabava por penalizar fortemente os azuis e brancos.
André Silva foi uma das figuras que mais desperdiçou Fonte: Facebook FC Porto
No segundo tempo, muito mais FC Porto. A equipa entrou com muito mais dinâmica e intensidade e por isso não foi de estranhar que os lances de perigo se tenham sucedido junto à baliza do Feirense. A verdade é que, tal como em tantas outras ocasiões esta época, a eficácia dos dragões esteve terrível. Suk e André Silva foram as faces mais visíveis de um desperdício incompreensível a este nível. O FC Porto ia jogando melhor e a verdade é que só a incapacidade nos últimos 30 metros impedia o empate que já mais do que se justificava.
A eficácia que tanto falhou do lado portista não encontrou semelhança do outro lado. Depois de um canto onde o Feirense esteve perto do golo, à segunda, Porcellis aproveitou uma sobra para, aos 81 minutos, fazer o 2-0. Resultado injusto, tal o que se viu na Feira; mas que acaba por premiar a eficácia de uma formação que soube aproveitar as fragilidades portistas. Findada a Taça da Liga, fica o registo de mais uma participação muito pobre do FC Porto nesta competição. Para Peseiro, fica a imagem de uma equipa a testar os seus próprios limites e que procura reencontrar algo fundamental: a confiança em si própria.
Figura do Jogo:
Feirense – A equipa de Pepa não fez uma exibição extraordinária, mas tendo em conta as alterações no onze inicial, a resposta dada foi muito positiva. Em três oportunidades, os fogaceiros fizeram dois golos e acabaram por conquistar uma importante vitória frente ao FC Porto.
Fora de Jogo:
Ineficácia portista – Depois de uma primeira parte quase inexistente a nível ofensivo, a verdade é que o segundo tempo trouxe várias oportunidades para os dragões. A incapacidade dos avançados portistas foi gritante e a derrota na Feira tem na ineficácia portista uma das principais razões.
Como sempre faço, sendo essa a finalidade deste espaço, escrevo aqui um artigo de opinião, opinião minha. O que não tem que ter nenhuma prova científica ou trabalho de investigação a comprovar o que aqui exponho, mas sim argumentar da forma mais clara e objectiva esses pontos de vista.
É uma opinião sobre factos que surgem e afectam, directa ou indirectamente, o universo Sportinguista, que podem achar credível, ou não, como o fiz eu também com um artigo de opinião que saiu no Jornal “SOL”, onde se descreve o Presidente do Sporting como a pior pessoa (ou coisa) que já aconteceu à Humanidade.
Devo dizer que ao ler aquele artigo fiquei a pensar que qualquer Hitler, Estaline, ou qualquer outro ditador poderiam facilmente ser perdoados comparando com a obra deste facínora que responde pelo nome de Bruno de Carvalho (o do Sporting – porque o outro já mudou de nome).
Depois de ler o referido artigo, decidi mostrá-lo a outro Sportinguista, querendo mostrar-lhe como está bem oleada esta máquina de desestabilização e descredibilização da instituição Sporting e o seu presidente, pergunta-me ele se o referido jornal não tem participação accionista de Álvaro Sobrinho (ou algum tipo de participação deste na administração daquele jornal)…
Esta pergunta deixou-me um pouco preocupado, o que não quer dizer que tenha alguma ponta por onde se lhe possa pegar, mas é uma teoria tão válida como a que li e que acima identifico.
Pensei que, se até um jornal que possa ser controlado por alguém que é dono de uma grande fatia accionista do Sporting, deixa sair um artigo desta índole, já poderemos ver com que poder de desestabilização podemos estar aqui a lidar.
Pode-se ainda pensar que esse accionista esteja agora a pensar que será melhor estar ao lado de uma facção menos lutadora, que levante menos ondas, que trabalhe mais atrás dos bastidores, que não crie tanto desgaste, e queira também deixar cair Bruno de Carvalho (o único, a partir de agora).
Alguém que salvou o Sporting CP da banca rota merecia mais respeito por parte da opinião pública Fonte: Sporting CP
Se isto fosse verdade, e olhando apenas cinco minutos para a Comunicação Social que diariamente lança ataques a qualquer movimento que a actual direcção faça, podemos começar a ver o presidente do Sporting a ficar mais isolado e desgastado.
É que nem é preciso essa direcção fazer alguma coisa para que se criem problemas de incompetência, ou atritos internos. Todos os dias sai um.
Os constantes ataque ao Sporting, e principalmente ao seu presidente, mais tarde ou mais cedo, vão desgastá-lo. É muita gente para um só. Porque não existe comunicação social que apresente um artigo a elogiar o trabalho do Senhor Presidente.
Até podem escrever umas linhas em abono do homem, mas para logo a seguir apontarem uma listagem de defeitos e falhas.
Tirando artigos internacionais que elogiem o trabalho dele, apresentem-me um nacional, que tenha saído na nossa isenta comunicação social.
Receio que mais cedo ou mais tarde, aquela vontade de combate que lhe reconhecemos comece a desvanecer e o obrigue a abandonar essa guerra. E também por isso considero que é importante o Sporting ser campeão este ano, para dar alento e expressão ao trabalho feito, permitindo amainar a guerra sanguinária que se abriu contra o Sporting.
Guerra aberta pelos que diziam até há bem pouco tempo que o futebol português precisava de um Sporting forte, um Sporting que lute por títulos. Pois bem, aí o têm… Mas é como em tudo, quando se morre ou se está num estado moribundo, todos passam a ser boas pessoas, e logo que se comecem a tentar levantar se tente pisar e rebaixar.
Isto, quando não se é competente o suficiente para ser bom, tem que se tentar que os outros também não o consigam ser. É o querer que se lute sempre por um nível baixo, sem que se esforcem para melhorar o que se tem.
Se está bom assim (para alguns), para quê mudar?
Alguém que cometeu o “crime” de trazer Jesus para o Sporting tem que pagar por isso, certo? Fonte: Sporting CP
Devo dizer que me incomoda ter de estar constantemente aqui a tentar defender alguém que eu considero ter conseguido que o Sporting ainda hoje exista, ou que para sobreviver não tenha que ter mudado de número fiscal e passar a ser chamado de “Sporting XXI” e passado a jogar nas distritais.
A opinião é minha, deixo-a para quem quiser ler porque me forneceram este espaço para a dar, e não tenho intenção de a impor a ninguém, mas acho que só quem tiver uma visão mesmo muito turva, ou for mal-intencionado não vê mérito no trabalho de quem o tal artigo do “SOL” quis descrever como um mostro, o pior dos monstros.
Enquanto o Sporting se mantiver no topo da tabela, esta enxurrada de informação anti Sporting vai continuar a aumentar, só sendo travada depois de conseguirem enviar o clube novamente para o poço de onde foi tirado.
Assim sendo só vejo duas opções. Ou os Sportinguistas se conseguem alhear desta contra-informação e admitem o excelente trabalho feito até agora apoiando a actual direcção, ou o Sporting é obrigado a ganhar já o campeonato (se se puderem aliar estas duas opções, melhor.)
Se assim não for, poderemos perder alguém que tanto lutou para agora podermos ter a equipa e o clube que temos.
PS: Relativamente ao último episódio de alegado desvio de reforços (que não me parecem ter qualidade para reforçar a nossa equipa), vindo de onde vêm, e sendo sempre o mesmo clube de origem e o mesmo clube de destino, diria que o problema não está na capacidade de negociação do Sporting… Entendam como quiserem, e se quiserem acreditar lá no lacaio da madeira também são livres de o fazer.
Pedro Proença, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, regozijou-se, recentemente, com “os números e a competitividade” do campeonato português, naquilo que foi um balanço da primeira volta de – e passo a citar – “uma das melhores ligas do mundo”.
Compreendo a satisfação do novel dirigente; a prova, no fundo, desenrola-se muito à sua imagem: a arbitragem de Jorge Sousa no Nacional-FC Porto, por exemplo, terá recordado Pedro Proença dos (seus) bons velhos tempos, quando, no final de cada época, o Dragão se vestia de gala para festejar mais um título, na presença de todos os que haviam contribuído para a caminhada triunfal. Logo de seguida, no Boavista-FC Porto, Fábio Veríssimo revelou-se discípulo promissor e dedicado, embora algo desastrado; provavelmente, fruto da inexperiência: ao poupar o cartão vermelho a Iker Casillas (tal como se justificava e quando o marcador indicava vantagem mínima para os azuis-e-brancos), nem Rui Barros pôde evitar utilizar o guarda-redes espanhol no jogo de Guimarães, com as consequências que todos conhecemos, naquilo que foi um mau início de segunda volta.
O nevoeiro limita a visão e, por conseguinte, a percepção da realidade Fonte: Clube Desportivo Nacional
Enquanto se regozijava com “os números e a competitividade” de “uma das melhores ligas do mundo”, Pedro Proença apelou a que – e passo a citar – “na hora das decisões, os intervenientes mantenham o bom senso”. Compreendo a recomendação: o seu amigo de longa data (de duas décadas), Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, tem vindo a protagonizar interessantes episódios onde a ausência de bom senso apenas é suplantada pela carência de respeito, educação e realismo em relação a adversários (os de dentro e os de fora) e acontecimentos.
Pedro Proença saberá das dificuldades por que passa um árbitro pressionado e ameaçado constantemente antes, durante e depois de um jogo de futebol; e nem o abraço “apaziguador” de Jorge Jesus ao árbitro assistente, na recepção ao Tondela, parece capaz de atenuar a questão. O árbitro Luís Ferreira “tremeu” e, naturalmente, como tem sido habitual, cometeu um erro grosseiro, assinalando penálti caseiro e inexistente (decisão, felizmente, revogada, mas que lhe valeu nota negativa), naquilo que foi um mau início de segunda volta.
A (muito) elogiada raça de Slimani na senda do (muito) querer de Bruno Alves Fonte: Sporting CP
Ao ouvir Pedro Proença, confesso que fiquei algo magoado. No discurso do ex-árbitro não identifico nenhuma referência directa (ou indirecta) ao clube do seu coração, do qual é sócio e ao qual prestou tantos e tão bons serviços ao longo da sua carreira. O esquecimento impediu apontamentos sobre alguns feitos e factos como, por exemplo, o número e a média de espectadores nos jogos em que participa o Benfica (seja na Luz ou noutro estádio qualquer) ou a prestação na Liga dos Campeões, onde já assegurou a presença entre as dezasseis melhores equipas da Europa, prestigiando, como é da sua essência histórica, o nosso pequeno país. Pedro Proença também não mencionou que, apesar da sua satisfação, persistem situações por corrigir – tal como referi acima – e que têm vindo a condicionar o desenrolar da própria prova. Portanto, para que o campeonato cumpra os critérios mínimos de verdade, torna-se necessário que, a partir deste momento, não se repitam alguns dos casos reais que têm marcado esta época.
Aceito com naturalidade o facto de o Benfica ter de jogar o dobro para ultrapassar os opositores – como se sabe, naquele que é sempre o jogo do ano de cada clube –; no entanto, já será menos normal o que parece ser uma nova regra oficiosa e que obriga os seus jogadores a terem de sofrer falta não uma mas duas ou três vezes dentro da grande área adversária, para que seja legítimo a marcação do respectivo castigo máximo.
Algo que, para ponto de partida, me parece uma subversão do próprio mercado de trabalho, com prejuízo para o empregado: que fará Adrien se, um dia, vier a jogar pelo Benfica? Por sua vez, o ano civil trouxe outra nova medida – daquelas que os dirigentes sérios e coerentes exigem diariamente –, já colocada em prática no recente Estoril-Benfica e que se define facilmente: para ser golo do Benfica, a bola tem de ultrapassar pelo menos duas vezes a linha de baliza. Faz sentido. O campeonato precisa de ser mais competitivo e, afinal de contas, esta ideia até podia ser exportada para uma França ou Escócia, tornando as coisas por lá mais interessantes.
É igualmente fundamental que, nesta segunda volta, termine de vez a impunidade de que gozam certos dirigentes, treinadores e jogadores. No primeiro caso, trata-se de condicionar diariamente a opinião pública, através de um rol de mentiras publicáveis, a que o ingénuo adepto comum dá eco, pressionando as equipas de arbitragem a cada jornada que passa. No segundo, trata-se da confirmação, a cada conferência de imprensa de antevisão ou rescaldo, da falta de ética profissional e respeito pelos colegas de profissão, com recurso a um leque variado de palavras tontas e tortas. No terceiro, o ignorar permanente de agressões a jogadores contrários (e até, como já sucedeu, a treinadores adversários), a bem de uma verdade desportiva, que confunde raça e querer com aquilo que – e digo-o apenas a título de exemplo – o argelino Islam Slimani faz semana após semana. Muitos insinuam hoje a importância que a suspensão de Hulk, jogador do FC Porto, acabou por ter no desfecho de um campeonato. Esquecem-se, todavia, de que a suspensão foi justa e que, perante os factos, apenas pecou por escassa.
Chegados a este momento, os três candidatos ao título estão no topo da tabela classificativa, separados por apenas cinco pontos, fazendo adivinhar uma luta renhida e até ao fim pelo título de campeão nacional. Pedro Proença gostou da primeira volta; feitas as contas, eu também: mesmo com incontáveis erros próprios, no fundo, continuam a ser os alheios que mantêm as coisas equilibradas. Que as regras se cumpram! A todos um bom resto de segunda volta.