Numa noite fria de Taça da Liga e com pouca adesão ao estádio, o Sporting CP via-se obrigado a ganhar – e com goleada – para manter as aspirações de passagem à próxima fase da Taça da Liga.
Havendo poucos ataques de parte a parte, a primeira parte foi jogada com calma, onde os remates à baliza foram escassos. Com algumas mudanças no onze inicial, o ataque da equipa de Jorge Jesus não ameaçou muito a equipa adversária, sendo mesmo esta a fazer o primeiro ataque e perigo, em que num contra-ataque, após uma escorregadela por parte de Paulo Oliveira, Walter adianta-se com a bola, mas o remate acaba por sair ao lado da baliza. O Arouca mostra-se mais atacante, ora falhando o alvo, ora sendo travado pelos leões, que nem com a informação de que o seu rival direto, o Portimonense, estava a perder 2-0 frente ao Paços de Ferreira encontrava motivação para fazer golos neste jogo. Chegou-se ao intervalo com um jogo condizente com a temperatura que se fazia sentir: frio e sem emoção.
Com intenção de mudar o rumo do jogo, o treinador sportinguista faz alterações no início da segunda parte: entraram Gelson Martins e Carlos Mané, substituindo, respetivamente, Matheus Pereira e André Martins, para assim dar mais dinamismo e rapidez ao ataque leonino pelas alas, numa altura em que o começa atrasado por motivos de sincronismo com o jogo que se passava em Paços de Ferreira.
As mudanças começaram a surtir efeito, o Sporting CP entrou mais atacante, mais rematador e mais rápido, com Montero e Mané a rematarem à baliza, de fora de área, com um intervalo de escassos minutos. Apesar da maior intensidade por parte da equipa leonina, acabavam por não surtir qualquer efeito na mudança do resultado, isto numa altura em que Jesus esgotou as opções, já que aos 60 minutos de jogo já tinha esgotado todas as substituições.
A entrada de Mané veio dar outra cor à exibição leonina Fonte: Sporting CP
Já a meio da segunda parte, numa jogada de perigo por parte do Sporting CP, onde existe uma boa combinação no ataque leonino, Rui Sacramento, guarda-redes do Arouca, destaca-se com duas defesas difíceis, tornando ainda mais complicada a inauguração do marcador.
Os leões acabam por chegar ao golo por Marvin, que, após livre à entrada da área batido por Montero (em que Rui Sacramento faz uma grane defesa), desvia para dentro da baliza de cabeça.
O Sporting CP acaba por ganhar o jogo com uma exibição pobre e desmotivadora, dando a entender que já não acreditava na passagem à próxima fase da competição. Desta forma, fica apurado o Portimonense, que fez um caminho irrepreensível durante a fase de Grupos da Taça CTT.
A Figura:
Rui Sacramento – o guarda-redes da equipa do Arouca, apesar do golo sofrido, acabou por fazer boas defesas, destacando-se nos 90 minutos.
O Fora-de-jogo:
Equipa do Sporting – Entrou desmotivada, sem vontade de vencer nem entusiasmo e, excetuando talvez Gelson Martins (o mais inconformado), jogou de forma insonsa para a tarefa que lhe era pedida.
Adalberto Peñaranda pode não ser o nome mais bonito, mas talvez valha a pena decorá-lo, dado que este jovem venezuelano, que a Udinese emprestou ao Granada, está a ser uma das revelações da liga espanhola esta temporada.
Começou a época na equipa B e teve de esperar até novembro para se estrear pela equipa principal, tornando-se no jogador mais jovem de sempre a jogar pelo Granada na 1.ª liga, com 18 anos e 175 dias. Desde aí, não mais saiu do onze inicial (só mesmo nesta última semana, por lesão) e já fez quatro golos em nove jogos. Esse registo goleador, com apenas 18 anos, é um feito que partilha com um restrito grupo de jogadores, entre os quais se incluem Raúl, Fernando Torres, Agüero e Messi.
Tem 1,85m, mas não é pelo jogo aéreo que se distingue. É muito móvel e rapidíssimo a correr, mesmo com bola, tendo depois boa capacidade de remate com o pé direito. De resto, foi assim que fez os seus quatro golos. Destaco o primeiro, que marcou ao Levante num contra-ataque: Peñaranda arrancou da sua própria área, para onde tinha ido para ajudar a defender num canto, e dez segundos depois estava a fazer o golo na área adversária. Pelo meio, ainda teve de receber um passe longo, algo que fez na perfeição, sem abrandar um segundo.
Peñaranda celebra mais um golo pelo Granada Fonte: Granada FC
Apesar de ter apenas 18 anos, Peñaranda não se inibe nem se esconde do jogo. Com bola vai para cima dos defesas; sem ela, é agressivo na pressão, tanto que, no jogo de estreia, viu o amarelo logo aos seis minutos. Nesse dia não conseguiu marcar, mas ajudou o Granada a alcançar a segunda vitória na Liga (à 12.ª jornada!). No final da partida, o treinador José Ramón Sandoval dizia na conferência de imprensa: “Os jogadores da equipa B têm de bater à porta e derrubá-la para poderem jogar com a primeira equipa e creio que este miúdo hoje a derrubou”.
Tem jogado como o homem mais adiantado do ataque, mas não é propriamente um avançado de área. No Granada, beneficia do espaço que tem para correr, dado que a equipa costuma jogar recuada e, por isso, fica a curiosidade de saber se, no futuro, também se conseguirá assumir numa equipa que seja mais dominadora. Aí, é bastante possível que acabe por jogar como extremo, posição em que também já jogou esta época.
Por agora, é seguir com atenção os jogos do Granada e as arrancadas daquele rapaz com o número 27 nas costas. Consiga ele manter o nível exibicional que vem demonstrando e ficar afastado das lesões (neste momento está parado por isso mesmo) e não tardará muito a saltar para uma equipa com maiores ambições. Até lá, vá decorando: Adalberto Peñaranda.
“O Özbiliz já não tem motivação para jogar pelo Spartak.” – Foi desta forma que o antigo internacional russo e médio do FC Porto, Dmitry Alenichev, descreveu a situação de Aras Özbiliz no FC Spartak Moscovo poucos dias antes de se confirmar a sua transferência para o Besiktas. O extremo arménio de 25 anos não irá, no entanto, ficar no emblema turco esta época, uma vez que, como confirmou o próprio numa entrevista a um jornal holandês, irá seguir de armas e bagagens para o bairro de Vallecas, em Madrid, para representar o Rayo Vallecano até ao final da temporada na condição de emprestado: “Vou de imediato para o Rayo Vallecano de forma a poder jogar e assim voltarei mais forte. O Besiktas foi a primeira equipa que se interessou por mim, ainda mesmo quando me encontrava a recuperar da lesão no ligamento cruzado”.
Não foi há muito tempo que a Europa do futebol olhou para Aras Özbiliz como um dos futebolistas mais promissores a actuar no Velho Continente. Nascido na Turquia, filho de pais arménios, Özbiliz emigrou em tenra idade para a Holanda e foi lá, na famosa academia do AFC Ajax, que cresceu para o futebol. Pela mão do prestigiado técnico Martin Jol, o internacional arménio foi ganhando espaço no gigante holandês, mas a saída de Jol para o futebol inglês e a chegada de Frank de Boer não ajudaram, de certa forma, no desenvolvimento da carreira de Özbiliz no emblema de Amesterdão.
Aras Özbiliz no dia em que assinou contrato com o Besiktas JK Fonte: hurriyet.com.tr
Em 2012, o talentoso extremo arménio rumou, com alguma surpresa, à liga russa para representar o FC Kuban Krasnodar pela modesta quantia de 1 milhão de euros. A mudança de Özbiliz para a cidade dos cossacos foi benéfica para a sua carreira, uma vez que conseguiu dar muito boa conta de si no período de pouco mais de um ano em que esteve ao serviço do FC Kuban Krasnodar. As boas exibições com os Kazaki valeram-lhe um contrato financeiramente vantajoso com o FC Spartak Moscovo, mas aquilo que prometia ser mais uma etapa de sucesso na sua carreira acabou por se tornar num verdadeiro pesadelo, especialmente na temporada passada, onde apenas participou num jogo oficial à conta de uma grave lesão no joelho.
Depois de não ter podido dar o seu contributo ao Spartak de Murat Yakin, com quem alegadamente teve alguns desentendimentos na época passada, Aras Özbiliz começou a nova temporada na fase final da recuperação da sua grave lesão e isso poderá tê-lo condicionado na luta por um lugar na equipa orientada por Dmitry Alenichev. O antigo internacional russo e campeão europeu ao serviço do FC Porto deu, na verdade, pouco tempo de jogo ao futebolista arménio, sendo que este apenas participou em nove jogos oficiais, repartidos entre a liga russa e a taça da Rússia, onde, mesmo assim, conseguiu apontar um golo (na 5.ª eliminatória da Taça da Rússia contra o FC Volga Nizhny Novgorod) e contribuir com três assistências.
A falta de consistência nas suas exibições e, ao que parece, a própria vontade do jogador pesaram em favor da sua saída algo intempestiva do emblema moscovita, uma vez que tinha um contrato válido até Junho de 2018. O regresso do seu companheiro de selecção, Yuri Movsisyan, à MLS, onde vai representar o Real Salt Lake, por empréstimo do FC Spartak Moscovo, terá também contribuído para a sua decisão de sair.
Aras Özbiliz com a camisola 23 ao lado de Yuri Movsisyan e de Henrikh Mkhitaryan ao serviço da selecção arménia Fonte: armenianow.com
Aras Özbiliz parte agora em busca de um novo desafio numa das melhores ligas do mundo e contará certamente com a astúcia tática e competências motivacionais do irreverente Paco Jémez para o ajudarem a integrar-se rapidamente num clube que precisa urgentemente de entrar na senda de vitórias, como é o caso do Rayo Vallecano. Os Franjirrojos são um dos emblemas mais carismáticos do futebol espanhol e, apesar de actualmente ocuparem um lugar de despromoção na tabela classificativa, são uma das equipas que melhor futebol pratica na Liga BBVA. Apesar de ser um jogador extremamente versátil e de poder ocupar várias posições no meio-campo, Aras vai encontrar uma competição feroz na equipa de Vallecas, que conta nas suas fileiras com jogadores de elevada qualidade como Bébe, Pablo Hernández, Jozabed e Adri Embarba, mas, caso consiga recuperar física e psicologicamente da lesão que quase lhe destruiu a carreira na temporada passada, o talentoso extremo arménio poderá vir a ser um jogador de enorme utilidade quer para Paco Jémez, quer para a demanda do Rayo contra a descida de divisão.
As lesões, primeiro ao serviço do AFC Ajax e na época passada no FC Spartak Moscovo, têm sido o calcanhar de Aquiles da carreira de Aras Özbiliz e, não fossem elas, talvez hoje não fosse apenas Henrikh Mkhitaryan o grande destaque da selecção da Arménia e a maior referência do futebol arménio no plano internacional.
Se há coisa de que todos os sportinguistas podem sentir orgulho é, sem dúvida, da nossa formação. Muitas são as provas de que, em Alvalade, se sabem “fazer” jogadores.
João Mário saiu numa dessas “fornadas” e tem vindo a assumir-se como um jogador fulcral em todo o processo tático leonino. É ele a caixa de velocidades do Sporting CP, é ele que marca os ritmos do jogo e é incrível a quase leviandade com que trata a bola.
Em 2004 veio para o Sporting CP, após uma passagem de dois anos pelo FC Porto e por cá terminou a sua formação com uma passagem, por empréstimo, pelo Vitória Setúbal.
Foi nessa época em que rodou ao mais alto nível que despertou a atenção não só dos “leões” como de todos os que gostam de futebol. É um verdadeiro cérebro dentro de campo, um atleta formidável e com um toque de bola e elegância que faz lembrar os bons velhos tempos de Pedro Barbosa ou até mesmo de Rui Costa.
Este João que é (Super) Mário reúne todas as condições para jogar em qualquer grande clube europeu, ombreando com os melhores médios da atualidade.
Para já, contamos com toda a sua arte e engenho para ajudar o Sporting CP a alcançar o tão almejado titulo de campeão nacional.
Alvalade tem em João Mário mais uma pérola da formação Fonte: Sporting CP
Importa destacar os restantes companheiros de equipa que sustentam o seu crescimento e que são parte integrante do fantástico desempenho com que nas ultimas épocas tem brindado os adeptos leoninos.
Com a chegada de Jorge Jesus, tornou-se num jogador mais completo, não se limita a jogar na faixa lateral (até porque seria um desperdício ter um jogador da sua craveira colado aos flancos), ajuda a construir e a destruir jogo, luta, corre, corta, remata e passa.
Na última vitória fora, frente ao FC Paços de Ferreira, protagonizou duas assistências para golo, evidenciando uma capacidade acima da média de conduzir a bola em velocidade, técnica irrepreensível e visão de jogo que, juntando a um remate potente, o torna um dos melhores médios portugueses.
Às páginas tantas, a Academia de Alcochete, conhecida e reconhecida mundialmente, ligou novamente o “forno” que produz médios, que há demasiado tempo estava inativo.
Hoje, podemos afirmar que, para além de extremos criativos, o Sporting CP tem um meio campo que causa inveja a grandes equipas, que nos faz acreditar para além do sonho e que, acima de tudo, nos enche o peito de orgulho!
Quanto ao “Super Mário”, vai ser impreterível na longa caminhada que será esta época, e, se com 23 anos já joga tanto à bola, parece-me que o céu é o limite.
Está de volta a época desportiva no mundo do ciclismo e estão de volta os artigos sobre tal! Algumas equipas ainda estão em estágio de preparação para o começo de época, outras já estão a estagiar perto de algum local onde irão fazer uma prova brevemente, enquanto outras já se encontram mesmo em competição e prontas para terem um ano melhor ou tão bom quanto o que foi o ano passado. É o caso das equipas que estão na Austrália e que competiram no Tour Down Under, uma das primeiras provas do ano no calendário internacional e que costuma apresentar já um bom elenco de ciclistas. Em relação à prova, há que destacar, antes de mais, que a classificação geral e todas as etapas foram ganhas por um ciclista australiano; incrível o domínio “aussie” nesta prova!
A primeira etapa costuma ser “dedicada” aos sprinters e esta vez não foi exceção. Vários nomes eram apontados como possíveis candidatos a vencerem e a serem os primeiros a ficar com a camisola relativa ao líder da classificação geral. Entre esses nomes, estava o “menino-prodígio” Caleb Ewan (com apenas 21 anos). Já tinha sido referido por mim num dos meus primeiros textos para o Bola na Rede – ver aqui – , onde dizia que “referente a jovens sensações do momento, há que ter em atenção, tal como já tenho dito a várias pessoas há uns tempos atrás, o crescimento de Caleb Ewan”.
Felizmente, até agora, estas “previsões” têm sido bem no alvo e é de se esperar que este jovem australiano, uma das maiores promessas do ciclismo mundial, continue a sua evolução como ciclista e acredito que no futuro suba mais patamares, com vitórias, por exemplo, em Grand Tours. Nesta primeira etapa, fez um grande sprint e não deu hipótese a homens como Mark Renshaw (quase 12 anos mais velho do que ele), Wouter Wippert, Giacomo Nizzolo ou Ben Swift.
O “menino-prodígio” Caleb Ewan venceu mais duas etapas num início de ano que está a ser extraordinário para o jovem australiano Fonte: cyclingtips.com
Na segunda etapa, já quase no final, houve uma queda que deixou alguns favoritos a vencer de fora da discussão desse mesmo dia e que acabou por beneficiar um outro jovem (de 23 anos), de seu nome Jay McCarthy. Este australiano, ciclista da Tinkoff, foi um dos corredores mais surpreendentes da prova e mereceu realmente ter levado “para casa” uma vitória. Frente a nomes mais conhecidos como Diego Ulissi ou Rohan Dennis (último vencedor desta prova), não se intimidou e teve aqui a sua primeira vitória em 2016. A terceira e quarta etapas tiveram o mesmo “destino”: vitória ao sprint por parte de Simon Gerrans, que acabou mesmo por vencer este TDU 2016!
A quinta etapa poder-se-á designar como a “rainha” da prova e o verdadeiro teste às capacidades de quem estava na Austrália para vencer a classificação geral. Richie Porte, na primeira prova como corredor da BMC, conseguiu igualmente a primeira vitória pela sua nova equipa, depois de ter saído da Sky, deixando toda a concorrência para trás na última subida do dia. Uma vitória que mostrou realmente a qualidade do também australiano para terrenos mais inclinados e uma pequena demonstração do que poderá fazer no Tour, provavelmente. O colombiano Henao, da Sky, ficou em segundo lugar na etapa e o trepador da Cannondale Michael Woods ainda conseguiu o último lugar do pódio nesse dia. É de destacar que quase todos os grandes candidatos a vencer esta prova apareceram bem neste dia, ficando o top’10 da etapa com oito ciclistas que terminaram no top’10 da classificação geral final da prova.
O último dia da prova, como de costume, estava novamente reservado para os ciclistas mais rápidos, os denominados “sprinters”. Mais uma vez, demonstração de qualidade por parte do jovem Caleb Ewan (no futuro, poderemos vir a ter enormes duelos entre o australiano e o também jovem Fernando Gaviria, colombiano de 21 anos, igualmente com grande potencial e que venceu uma etapa, nesta semana, no Tour de San Luís – prova que Dayer Quintana, de 23 anos, venceu… à frente do seu irmão, que ficou em terceiro lugar, Nairo Quintana!). O experiente Renshaw, tal como no primeiro dia, voltou a não conseguir superar o bem mais novo Caleb Ewan. Brilhante início de temporada por parte do jovem australiano, que antes desta prova vinha com seis vitórias em sete dias de corrida: brilhante, sem dúvida!
Richie Porte começa bem o ano com a sua nova equipa com uma vitória em etapa neste Tour Down Under Fonte: cyclingnews
Simon Gerrans (da equipa igualmente australiana Orica GreenEdge) conquistou assim a sua quarta vitória no Tour Down Under, numa prova realmente dominada pelos australianos, onde Richie Porte ficou com o segundo lugar na classificação geral final (nove segundos de diferença para o vencedor) e o colombiano Sérgio Henao não permitiu o “triplete” para os australianos, visto que conseguiu terminar nove segundos à frente do australiano Jay McCarthy. Michael Woods fecha o top’5 desta prova. De destacar neste top’10 a presença de outros dois jovens com bom potencial (ambos com 24 anos), Rúben Fernandez, da Movistar, e Patrick Bevin, da Cannondale (equipa que venceu a classificação geral por equipas).
Queria, por fim, deixar uma breve nota de rápida recuperação aos homens da Giant Alpecin, que tiveram um grave acidente devido a um carro que estava a circular na via contrária. Alguns ciclistas apenas sofreram feridas ligeiras, mas outros estão num estado pior, como, por exemplo, os bem conhecidos John Degenkolb e Warren Barguil. Isto serve de alerta também para o facto de terem de ser implementadas mais e melhores campanhas de sensibilização/educação para os condutores em relação aos ciclistas (e, nalguns casos, também de ciclistas para com os condutores). Desde já, espero que recuperem todos da melhor forma.
O mercado das telecomunicações em Portugal é praticamente liderado por parte de dois players: a MEO e a NOS. É certo que podem ser identificados outros concorrentes, mas estes dois acabam por ter a maior importância em termos de quotas de mercado.
Trata-se portanto de um mercado com uma estrutura oligopolista (“duopólio” se quisermos ser mais ainda rigorosos), caracterizado pela existência de um pequeno número de vendedores, um grande número compradores e uma certa homogeneidade no produto ou serviço transacionado. Na verdade, não existem grandes diferenças entre os serviços fornecidos por parte de cada um destes dois operadores, sendo que o preço acaba por ser igualmente muito próximo para serviços similares (ou igual na maior parte dos casos).
Deste modo, a conquista de quota de mercado por parte da MEO ou da NOS revela-se uma missão cada vez mais difícil, na medida em que ambas as empresas apresentam as mesmas inovações em momentos muito próximos e praticam igualmente preços similares. Isto é ainda mais notório se tivermos em conta a existência de contratos de fidelidade por parte de cada uma delas (na maior parte dos casos por períodos de dois anos), os quais acabam por impedir que os consumidores mudem constantemente de operadora em busca da solução mais vantajosa para si em cada momento.
Esta luta constante pela liderança de mercado requer a adopção de um conjunto de outras estratégias menos convencionais para captar cada vez mais clientes. É neste contexto que podem ser enquadrados os mais recentes negócios entre cada uma destas duas operadoras e vários clubes de futebol em relação aos respectivos direitos televisivos. Note-se que até então estes direitos televisivos eram negociados directamente entre os clubes e a Publicidade de Portugal e Televisão, S.A. (empresa de Joaquim Oliveira – presidente do Conselho de Admnistração da Sport TV Portugal, S.A.).
Desta feita, a NOS foi pioneira ao formalizar no passado dia 2 de Dezembro um contrato no valor de 400 milhões de euros com a Benfica SAD. Este contrato pressupõe que a NOS tenha, a partir da época 2016/2017, os direitos de transmissão televisiva dos jogos em casa da equipa A de futebol sénior do SL Benfica e os direitos de transmissão e distribuição da “Benfica TV”. Este contrato terá início na época 2016/2017 durante três épocas, podendo ser renovado até um total de dez épocas.
A MEO rapidamente quis entrar nesta luta, tendo estabelecido no dia 27 de Dezembro do último ano um contrato no valor de 457,5 milhões de euros com a SAD do Futebol Clube do Porto. De acordo com as condições do contrato, a MEO passará a ter os direitos de transmissão televisiva dos jogos da equipa principal de futebol (visitas) na primeira liga, os direitos de exploração dos espaços publicitários no estádio do Dragão a partir da época 2018/2019 durante pelo menos dez épocas, os direitos de transmissão do “Porto Canal a partir do início deste ano durante dez épocas e o estatuto de principal patrocinador do Futebol Clube do Porto a partir do início deste ano durante sete épocas e meia.
O acordo entre Sporting e NOS Fonte: Sporting CP
A NOS voltou a contra-atacar e celebrou com a SAD do Sporting CP um contrato no valor de 515 milhões de euros no passado dia 29 de Dezembro. Este contrato prevê o direito de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da equipa A de futebol sénior, o direito de exploração dos espaços publicitários no estádio José Alvalade, o direito de transmissão e distribuição da “Sporting TV” a partir da época 2017/2018 durante doze épocas e o direito a ser o principal patrocinador a partir do início deste ano durante doze épocas e meia.
Para além destes contratos milionários com os “três grandes”, a NOS comunicou ainda no dia 30 de Dezembro do último ano ter estabelecido contratos em relação aos direitos televisivos dos jogos em casa de mais oito clubes da Liga Principal, nomeadamente da Académica de Coimbra, do CF “Os Belenenses”, do CD Nacional da Madeira, do CS Marítimo, do FC Arouca, do FC Paços de Ferreira, do SC Braga e do Vitória FC.
No mesmo sentido, a MEO já anunciou igualmente ter acordado os direitos televisivos dos clubes da Segunda Liga, os quais passarão a receber 500 mil euros por época durante as próximas três épocas.
Todos estes contratos são diferentes entre si, dificultando qualquer espécie de comparação entre eles e qualquer avaliação de qual foi o melhor contrato e quem fez o melhor negócio. Ainda assim, vale a pena relevar quatro comentários:
Primeiro. Estes contratos favorecem os clubes de futebol, no sentido me que estes ganham uma nova forma de financiamento que de outra forma não teriam (ou teriam mas em menores montantes).
Segundo. Estes contratos favorecem a MEO e a NOS, as quais passam a ter direitos de jogos que os podem vender entre si (ou a outros concorrentes) e/ou que podem usar como uma forma de captarem mais clientes se optarem por disponibilizar os jogos apenas nas suas plataformas.
Terceiro. Estes contratos acentuam as desigualdades entre clubes. Na verdade, os “três grandes” conseguiram vender os seus direitos por valores astronómicos, o que lhes conferirá obter receitas astronómicas em comparação com os clubes de menor dimensão ou com menor expressividade em termos de adeptos.
A NOS passou a estar representada nos equipamentos do Sporting CP Fonte: Sporting CP
Quarto. Estes contratos prejudicam os consumidores, os quais poderão ter que passar a pagar um valor superior na factura mensal para poderem ter acesso aos diferentes jogos da Liga Principal, sobretudo a partir de 2018. Hoje, esse valor ronda os 37 euros (26,79 euros pela “Sport TV” e 9,99 euros pela “Benfica TV”). Sabe-se que até 2018, os jogos do Sporting e do Porto continuarão a ser transmitidos na “Sport TV” (empresa que detém os direitos televisivos até essa data) e tudo aponta que os jogos do Benfica deixarão de ser transmitidos na “Benfica TV” para passarem a ser igualmente transmitidos na “Sport TV” (a NOS é accionista da “Sport TV”).
A materializar-se, a “Benfica TV” poderá deixar de ser um canal codificado, mas em contrapartida a “Sport TV” poderá anunciar um aumento do respectivo valor. Na verdade, a “Sport TV” já procedeu a um aumento de 10 euros para todos os proprietários de cafés e de restaurantes no início deste ano, desconhecendo-se ainda o valor do aumento para os clientes residenciais (que poderá não existir). A partir de 2018, não se sabe ainda como serão transmitidos os diferentes jogos, podendo especular-se que a MEO lance um novo canal para agrupar todos os jogos dos clubes com quem já negociou os direitos televisivos, encarecendo os custos para os consumidores.
Como em qualquer luta, os mais desfavorecidos são sempre os mais prejudicados. Nesta luta de grandes operadoras e de grandes clubes, os mais prejudicados acabam por ser os consumidores e os clubes de menor expressividade.
Foi com grande expetativa que um Dragão bastante “esburacado” recebeu José Peseiro no primeiro jogo oficial do português como treinador do FC Porto. Uma expetativa por saber até que ponto é que o famoso treinador do “quase” iria começar o seu trajeto azul-e-branco. Com uma vitória, foi a resposta do novo comandante que não reservou surpresas no onze inicial que fez alinhar frente ao Marítimo. Casillas manteve-se na baliza, o eixo da defesa também se manteve e o ferrari continuou na garagem em detrimento de Herrera e André André. Mas até que ponto é que as ideias que marcaram o futebol da era Lopetegui iriam influenciar a equipa neste encontro?
Aos dois minutos, um corte deficiente de Layún deixou a bola à vontade de Marega mas o avançado maliano atirou torto para a bancada. Não demorou muito até que o FC Porto de Peseiro se apresentasse aos adeptos azuis-e-brancos. Layún ávido pelo corredor central, muita mobilidade posicional de Brahimi e Corona e privilégio pela circulação de bola e pelo desequilíbrio pelo corredor central. Contudo, a relutância em esquecer as ideias antigas era notória e o FC Porto continuava a cometer vários erros desnecessários.
Aos vinte e dois minutos, Salin carregou o FC Porto às costas. Depois de encostar o Marítimo às cordas, os azuis-e-brancos chegaram ao golo após uma jogada de insistência. Salin ainda aliviou o primeiro cruzamento mas a bola sobrou para Layún, que se encontrava à entrada da área maritimista e ultrapassou um primeiro adversário antes de assistir André André. O internacional português rematou de primeira, pleno de intenção, atirou à barra e viu a bola bater, caprichosamente, nas costas de Salin antes de entrar na baliza.
A resposta do Marítimo não se fez esperar e, no minuto seguinte, muita sorte para o FC Porto, que quando via a bola aproximar-se da área de Casillas via Peseiro a gritar “Ai meu Deus…”. Aos vinte e cinco minutos, uma desatenção imperdoável da defensiva portista permitiu que Marega surgisse solto na área mas o maliano acabou por cabecear ao poste.
André André foi titular na equipa de José Peseiro Fonte: FC Porto
A falta de inspiração das duas equipas era notória e acabou por culminar num vazio de ideias até ao intervalo. Tal como a falta de qualidade do árbitro da partida, que já tinha penalizado o FC Porto ao não assinalar grande penalidade sobre Maxi e ao conseguir ver foras-de-jogo inexistentes. Referência também para o facto de no golo do FC Porto a bola ir ao braço de Aboubakar, podendo-se aceitar reclamações pela passividade do senhor do apito também neste caso.
A dificuldade em chegar ao último terço era notória no futebol praticado pelos dragões, fruto da enorme incapacidade em criar no último terço. Contudo, quando o FC Porto conseguia finalmente alguma inspiração coletiva, o árbitro da partida tratava de voltar a negar a possibilidade de golo. Sim, fala-se de mais uma grande penalidade não assinalada sobre Maxi e de mais um fora-de-jogo mal tirado a Corona quando este surgia isolado frente a Salin.
Depois da estreia de Suk no estádio do Dragão, houve uma enorme possibilidade para o FC Porto de aumentar a vantagem. Grande passe de Danilo para as costas da defensiva, onde acabou por surgir Corona com a bola controlada. Pressionado, o mexicano só tinha de passar para o lado onde aparecia Suk completamente sozinho. Preferiu rematar, em arco e cheio de intenção. A defesa de Salin é bastante boa mas pedia-se mais ao Tecatito.
A baliza do Marítimo foi ameaçada apenas por uma vez na segunda parte, o que acaba por refletir a avidez e a exigência dos adeptos portistas de que a equipa produza algo mais. Sabia-se que seria complicado ver algum trabalho de José Peseiro nesta partida e que o mais importante era a aquisição dos três pontos para não perder a corrida para o título. Eles acabaram por ficar no Dragão e por premiar a equipa que mais fez por vencer a partida. A continuar assim, o Marítimo de Nelo Vingada irá passar por muitos apertos…
A Figura:
95% dos adeptos portistas – sofreram mas viram o FC Porto vencer. Quando as coisas corriam mal, aos primeiros assobios dos 5% de adeptos pipoqueiros, os 95% dos adeptos portistas batiam palmas. Foram estes que carregaram a equipa às costas.
O Fora-de-Jogo:
João Ferreira – não costumo criticar arbitragens porque não gosto de que sejam desculpa para a inoperância da equipa. Neste jogo, porém, o FC Porto não jogou bem e o árbitro João Ferreira ainda procurou (deliberadamente ou não) limitar o jogo dos portistas.
Tarde de domingo a convidar para o futebol e os adeptos a comparecerem em bom número, tanto do Vitória como do Belenenses. Um jogo entre duas equipas em crescimento e a procurar na segunda volta lutar por um possível lugar europeu.
Não podia pedir melhor inicio o Belenenses, ao marcar aos 8 minutos por Miguel Rosa. Abalados por este início, os homens de Sérgio Conceição procuraram a área do Belenenses mas quem marcou voltaram a ser os homens do Restelo. Bakic, reforço de inverno, estreou-se a marcar com a camisola da Cruz de Cristo.
Esperava-se uma reação vitoriana, mas o Belenenses não parecia estar preparado. Num jogo nem sempre bem jogado mas que valia pela vontade de ambas as equipas, o Vitória não baixou os braços e chegou ao empate. Bouba, de cabeça, deu o mote e, aos 42 minutos, a defesa do Belenenses fica a dormir, apenas Filipe Ferreira acompanha Ricardo Valente mas teve o azar de empurrar a bola para dentro da baliza em vez de a cortar. Um empate que premiava a vontade do Vitória, que procurou muito mais vezes o golo do que o Belenenses, que ficou demasiado tranquilo depois do segundo golo.
Os adeptos do Vitória SC não pararam de apoiar a equipa vimaranense
De destacar, ao intervalo, o facto de as escolas do Belenenses terem dado uma volta ao estádio para se mostrarem aos associados e quando passaram pela bancada dos adeptos do Vitória terem sido aplaudidos pelas claques. Um bonito gesto, que só fica bem no nosso futebol.
A segunda parte começou bem, o Vitória entrou mais forte e teve o primeiro lance de perigo; os jogadores do Belenenses não quiseram ficar atrás e logo na jogada seguinte ameaçaram a baliza de Miguel Silva.
Depois de um período de maior acalmia, Juanto voltou a adiantar o Belenenses no marcador, após uma recarga a um remate de Miguel Rosa, na qual o jovem guarda redes do Vitória podia ter feito melhor.
O próximo lance de perigo volta a ser para a formação do Belenenses, com Juanto novamente a meter a bola na baliza mas em posição irregular. No lance seguinte Henrique Dourado volta a empatar o jogo com um grande golo à entrada da área.
Até ao final do jogo as duas equipas tiveram oportunidades para marcar, num final frenético. O derradeiro lance de perigo e, ao mesmo tempo, o mais perigoso, foi de Henrique Dourado, que, depois de uma excelente desmarcação, remata ao lado, ficando no entanto a ideia de que o brasileiro estava adiantado.
A Figura:
Miguel Rosa – O jogador formado no Benfica marcou o primeiro golo do jogo e fez o mesmo ser muito mexido. O médio continua a ser dos melhores do Belenenses.
O Fora-de-Jogo:
Defesa d’Os Belenenses – O setor mais recuado dos azuis continua a ser o pior deste novo Belenenses; dez golos sofridos nos últimos cinco jogos da liga. Julio Velasquez tem ainda que trabalhar este sector.
Perguntas BnR:
A sua equipa por duas vezes esteve a perder e por duas vezes deu a volta ao resultado. Acha que o plantel é cada vez mais um plantel à imagem do que era o Sérgio Conceição enquanto jogador?
Sérgio Conceição: Acho engraçada essa pergunta. Se isso significa meter a equipa a jogar a um nível acima do que já estava, então sim. Sei que agora parecia o Jorge Jesus, nada contra ele porque somos grandes amigos.
Se o Belenenses ganhasse ficaria praticamente atrás do Vitória. Perderam dois pontos na luta pela Europa?
Julio Velazquez: Não, ganhámos um ponto na luta pela manutenção. O nosso objectivo é jogo a jogo conquistar pontos para a manutenção, é esse o objectivo a que nos propomos. Existem equipas que têm outros argumentos para lutarem pela Europa.
Dérbi londrino à 23.ª jornada da Barclays Premier League, com Arsenal FC e Chelsea FC a defrontarem-se pela segunda vez na época para o campeonato. Em Stamford Bridge, o conjunto da casa levou a melhor e bateu os visitantes por 2-0. Agora, no Emirates Stadium, Arsène Wenger procurava recuperar a liderança e acabar com o péssimo registo frente aos rivais (o Arsenal não marcava ao Chelsea, para o campeonato, há cinco jogos e não vencia em casa desde 2010). No entanto, foi Guus Hiddink quem levou a melhor, alargando para seis o número de jogos dos blues sem sofrer golos frente ao conjunto de Wenger.
Eram quatro da tarde em ponto quando começou a partida em Londres. A equipa da casa entrou muito amorfa e o Chelsea aproveitou. Aos 18 minutos, Willian desmarcou Diego Costa, que partiu em direção à baliza até ser travado por Per Mertesacker. Não havia ninguém entre o hispano-brasileiro e a baliza e, por isso, Mark Clattenburg não teve outra hipótese senão expulsar o alemão. Para refazer o quarteto defensivo, Wenger decidiu lançar Gabriel Paulista e para isso abdicou de… Olivier Giroud. Ou seja, decidiu perder a referência ofensiva em vez de retirar um dos extremos – Walcott ou Campbell.
A expulsão do central alemão condicionou os Gunners durante o resto da partida Fonte: Premier League
Um minuto depois da entrada do central, Branislav Ivanovic assistiu Diego Costa para o primeiro e único golo da partida. O ponta de lança antecipou-se a Gabriel e bateu Petr Cech.
O resto da primeira parte deixou muito a desejar. O Arsenal, agora com menos uma unidade, não conseguia acelerar e o Chelsea aproveitava para controlar o jogo durante grande parte do primeiro tempo. A única verdadeira oportunidade dos gunners surgiu de um lance genial de Mesut Özil, que colocou a bola na perfeição para Flamini, mas este, na cara de Courtois, não conseguiu faturar.
Após o intervalo, a história não mudou muito. O futebol praticado continuava muito lento, chato, com os visitantes a acomodarem-se na vantagem e a darem a iniciativa à equipa adversária. Por seu lado, a turma de Wenger não imprimia velocidade, carecia da tal referência no ataque e, por muito que Özil tentasse, não havia ninguém que acompanhasse o esforço do alemão.
A oportunidade ao minuto 63 provou bem aquilo que vinha a ser a exibição do Arsenal. Depois de um cruzamento para a grande área dos blues, Courtois sai em falso, a bola ressalta nas costas de Azpilicueta, fica perdida dentro da área e, depois de uma enorme confusão, ninguém consegue visar a baliza do belga. O treinador francês ainda tentou acrescentar dinâmica com as entradas de Alex Oxlade-Chamberlain e de Alexis Sanchez mas o Chelsea mostrou a solidez defensiva que lhes valeu o campeonato no ano passado e não concedeu grandes oportunidades. Courtois teve uma noite relativamente tranquila. Perto do final, o Arsenal lá acelerou um pouco o seu jogo mas sem grandes resultados, uma vez que o quarteto defensivo dos blues se mostrava intransponível.
Assim, os gunners voltam a perder a liderança, sendo relegados para o segundo lugar em igualdade pontual com o Manchester City. Guus Hiddink deu uma autêntica lição tática ao treinador francês, cuja equipa nunca demonstrou capacidade para vencer o jogo. Apesar de a expulsão do central alemão ter condicionado o jogo da equipa caseira, eram obrigados a muito mais. Este ano aparenta ser a melhor oportunidade para Wenger conquistar o título que foge desde 2004, mas o Arsenal continua a escorregar em momentos críticos. Se em maio o francês não acabar com este jejum, quem sabe se continuará no comando da equipa?
De resto, destaco, mais uma vez, a excelente arbitragem da equipa liderada por Mark Clattenburg e a qualidade das arbitragens inglesas. Que bem fariam aos portugueses umas lições destes Senhores árbitros.
A Figura:
Cesc Fàbregas – O médio internacional espanhol reapareceu cheio de confiança. Fez uma partida fantástica, não falhou passes, desequilibrou e ajudou a defender. Foi a imagem da equipa do Chelsea, mostrando muito rigor tático e disciplina. Foi o melhor jogo de Fàbregas esta época.
O Fora-de-Jogo
Arsène Wenger – Seis pontos perdidos para os rivais, que estão no pior momento dos últimos anos. Wenger continua a somar maus resultados num jogo com grande valor emocional para os adeptos e já lá vão seis jogos sem marcar aos blues. É nestes momentos que se vêem os verdadeiros campeões e o francês voltou a fraquejar.
Ontem foi dia de jogos de Sporting e Benfica na Primeira Liga. Ambos venceram por 3-1, ainda que com nuances diferentes dentro das partidas. Enquanto os “encarnados” derrotaram o Arouca em casa, os “leões” foram vencer a Paços de Ferreira pelo mesmo resultado, num jogo onde voltaram a sobressair as quatro principais armas do “mister” Jorge Jesus.
Começando pelo mais importante: o jogo de Paços. A equipa “verde e branca” venceu de forma justa, num jogo sem casos e em que a superioridade leonina foi bem evidente. João Mário e Slimani estiveram imparáveis, com grandes combinações que resultaram em dois golos do argelino e só não resultaram também num do médio português porque a trave da baliza de Marafona não deixou. J. Mário e Slimani têm estado a um nível altíssimo ao longo de toda a época, mas não podemos esquecer os outros dois ases de trunfo do treinador: Adrien e Bryan Ruiz.
O capitão leonino foi mais uma vez decisivo pela forma como se entregou à difícil missão de “carregador de pianos”, tendo levado a equipa sempre para a frente, quer através da recuperação de bolas, quer pela construção de jogo ofensivo. Ainda esteve perto do golo, com dois remates de meia distância, mas Marafona opôs-se sempre com eficácia. Já Bryan Ruiz é aquele jogador que parece nunca jogar mal: tem classe, muita capacidade técnica e sabe ler o jogo como poucos, entendendo-se cada vez melhor com os seus colegas da frente. É um elemento importantíssimo para JJ, por isso tem jogado quase sempre os 90 minutos, depois de uma fase de menor fulgor físico na primeira parte da temporada.
Para o próximo jogo da Liga, a receção à Académica, não vai haver Paulo Oliveira, que viu ontem o quinto amarelo. É bom que Ewerton comece a mostrar serviço, pois, caso contrário, poderá perder irremediavelmente o comboio da titularidade para Naldo, que se apresenta cada vez mais sólido jogo após jogo.
Os dois maiores obreiros da vitória em Paços. Que temporada fantástica têm feito! Fonte: Sporting CP
Na Luz, o Benfica derrotou o Arouca, num jogo que confirmou algumas realidades que têm saltado à frente dos nossos olhos nos últimos tempos: em primeiro lugar, Pizzi está a jogar cada vez melhor, fazendo por merecer um olhar bem atento de Fernando Santos às suas exibições. É justo reconhecer que o transmontano está a ter uma enorme preponderância no esquema de Rui Vitória, tendo tirado o lugar a Gonçalo Guedes. Que farão agora os olheiros do Manchester United, do Barcelona e do Liverpool, dado que têm a sua grande pérola no banco? Deixo um conselho: dediquem-se a observar Renato Sanches, Nélson Semedo, Paulo Oliveira, João Mário, Rafa Silva ou Gelson Martins, esses, sim, jogadores jovens com um potencial enorme.
Nas bancadas, os elementos dos No Name Boys decidiram andar à pancada entre eles, estragando o jogo a algumas famílias que viam o jogo na bancada onde se deram os confrontos. Bem pelo contrário, há que enaltecer os adeptos do Sporting. O ambiente em Alvalade é sempre épico (ainda mais agora com a música que passa na entrada das equipas em campo), e ontem à noite as claques leoninas deram outro recital na Mata Real. Tem sido simplesmente fantástico o comportamento das claques leoninas nesta temporada, formando uma Onda Verde muito difícil de travar.
Outra coisa que se repetiu ontem na Luz foi um penálti cometido na área do Benfica, mas que não foi assinalado. Lisandro López jogou com a mão dentro da área, mas Manuel Mota (um nome bem conhecido) fez vista grossa. Este ponto serve de ligação para a última temática deste texto: as declarações de Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, que fizeram manchete ontem no jornal “Record”. Numa entrevista que teve direito a fundo vermelho na primeira página (talvez tenha sido uma simples amabilidade do jornal, para V. Pereira não estranhar o ambiente), o presidente do CA da FPF teve a lata de vir mentir para praça pública.
Além de dizer que o Conselho de Arbitragem (do qual faz parte também o “insuspeito” Lucílio Baptista) não tem acesso às notas dos árbitros, quando isso está regulamentado, veio dizer que a denúncia dos “vouchers” é uma “estratégia para tentar ganhar o campeonato” e que essas ofertas nunca foram reportadas. Ora, segundo um comunicado anterior da Federação, os árbitros apenas podem receber recordações sem valor comercial, que apenas devem ser entregues no final dos jogos e que têm de ser sempre reportadas. Se V. Pereira diz que estas ofertas nunca são reportadas, ou ele ou a FPF estão a mentir. Contudo, na minha opinião, a parte mais importante desta entrevista está na seguinte questão: “Escusam de contestar as nomeações pois não vão desviá-lo dos seus princípios, é isso?”, a que V. Pereira responde: “Não pode desviar-me”.
Aqui está o ponto fulcral. Vítor Pereira tem, infelizmente, o poder de nomear quem quer para apitar as partidas, segundo os seus duvidosos “princípios”, e tem ao seu dispor um leque de árbitros que envergonha quem gosta realmente de futebol. Desde puros incompetentes, como Luís Ferreira, Cosme Machado ou Bruno Paixão, até aos árbitros que apitam conforme lhes convém, como Carlos Xistra, Jorge Ferreira, João Capela ou Duarte Gomes (que alívio, o seu abandono!), não existe um leque de árbitros que seja capaz de transmitir confiança. Daí a necessidade cada vez mais premente da introdução das novas tecnologias no futebol, para retirar o máximo poder possível aos árbitros.
Já agora, para quem quiser perceber melhor a importância e a justificação para algumas das nomeações que temos visto esta época, deixo dois conselhos: em primeiro lugar, vá recordar as notícias do verão e veja quais os clubes que, no início da época, foram a favor deste “esquema das nomeações”; em segundo lugar, veja quem é que em Portugal apoiou de forma veemente a entrada das novas tecnologias no futebol. É elucidativo sobre o jogo de interesses que continua a minar o futebol português.