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Quem vai à(o) Guerra… dá e leva!

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Não se pode dizer que o programa da TVI24 tenha sido uma surpresa… foi exactamente aquilo que se esperava: um(a) Guerra bem quente e sem qualquer controlo!

Tenho pena do jornalista que deveria ter moderado o programa, mas que pouco ou nada conseguiu fazer. Acho que está na altura também de se repensar se compensa ter uma pessoa constantemente aos berros a tentar superiorizar-se aos outros… às tantas aquilo deixa de ser uma conversa/debate e passa a ser um monólogo, mas por via da gritaria! Bruno Carvalho foi fazer aquilo que lhe competia, defender os interesses do Sporting Clube de Portugal e o “Sr.” Guerra a armar a peixarada usual que ele cria no programa.

Se Bruno Carvalho poderia ter sido diferente? Poderia, mas não seria a mesma coisa. O estilo de Bruno de Carvalho está definido e por mais que se tente, não se pode mudar, mas sim, simplesmente limar!

Após longos meses de ataques constantes, Pedro Guerra finalmente teve um adversário à altura Fonte: ionline.pt
Após longos meses de ataques constantes, Pedro Guerra finalmente teve um adversário à altura
Fonte: ionline.pt

Após meses e meses de ataques “parvos” e constantes do “comentador vermelho”, somente com provas virtuais e com papéis que nunca foram entregues, Bruno de Carvalho decidiu enfrentar o “boi pelos cornos” e fez uma “pega de caras”! E para se conseguir bater um ignorante, tem de se baixar ao nível dele e fazer (por vezes) ainda pior. E foi isso exactamente que BdC fez.

O presidente leonino faz questão de estar lá sempre a dar a cara… eu pessoalmente gosto do estilo, o que posso criticar somente um pouco é a forma! Bruno de Carvalho parece o D. Quixote a lutar contra moinhos de vento que é um futebol português podre e com uma imagem desgastada e pobre. Mas falta-lhe um aio ajudante, um Sancho Pança que por vezes também dê a cara e seja o balanço da situação. A imagem do nosso presidente está cada vez mais desgastada e ele precisa rapidamente de um “sidekick” que possa travar algumas lutas do Sporting não por ele, mas a coadjuvar e a dar a cara.

Se o Football Leaks poderá ter alguns documentos verdadeiros? Sim, acredito que alguns documentos possam ser verdadeiros. Se é um ataque ao Sporting Clube de Portugal? Disso não tenho qualquer dúvida. Quanto mais não seja “somente” pela quantidade de informação difundida de uns e de outros.

Este é o caminho. Bruno de Carvalho está a abordar todas as questões que metem ao barulho o Sporting Clube de Portugal e está a fazer verdadeiras “revoluções” no futebol português. Passamos do clube dos betinhos e engomadinhos, que não faziam mal a ninguém, só comiam croquetes para os “arruaceiros” que não se calam, que têm um presidente que fala demais e que só quer protagonismo. Que seja!

Que Bruno de Carvalho fale sempre e apresente papéis e os deixe disponíveis para todos acederem a eles… que nada se publique nem se diga anonimamente… que se dê a cara e o nome pelo que se diz. E isto conduz à transparência do futebol português, que foi sempre aquilo que o Sporting quis.

Mas como em qualquer pega de caras e grupo de forcados: todos têm o seu papel e nem sempre tem de ser o mesmo. BdC não precisa de ser sempre o forcado da cara. Uns dias pode ser também os que ajudam ou noutros o rabejador, mas sempre com o estilo que o caracteriza.

BdC pode e deve enfrentar todos os touros pelos cornos, mas tem de ter um ajudante. Sozinho, é um alvo mais fácil! Fonte: bandadosamouco.blogspot.com
BdC pode e deve enfrentar todos os touros pelos cornos, mas tem de ter um ajudante. Sozinho, é um alvo mais fácil!
Fonte: bandadosamouco.blogspot.com

A ida ao programa só mostra uma coisa, o Sporting Clube de Portugal não se esconde atrás de sites “piratas” nem se confina ao seu jardim! Quer discutir publica e judicialmente todos os problemas do futebol português! Será que todos os intervenientes estão disponíveis para isto? Pelo que tenho visto ultimamente, não!

Queremos que o nosso Sporting continue aquilo que sempre quis: transparência e honestidade no futebol! Só assim se cumprirá o lema na totalidade: “Esforço, Dedicação, Devoção e Glória!”

Porque “o Sporting é o nosso grande amor!”

P.S.- que pena que cortaram a emissão e o som quando o ilustre Eduardo Barroso se levantou na direcção do Pedro Guerra.

Foto de capa: Facebook Oficial do Sporting

UFC 192: A legitimidade do reinado de Cormier

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Daniel Cormier é o campeão de peso Meio-Pesado da UFC. É um facto inabalável, tenha-se ou não Jon Jones dentro da equação. A primeira defesa de título do antigo wrestler americano foi uma verdadeira guerra. Tanto ele como Gustafsson calaram as bocas do mundo com o que fizeram dentro do octógono. Calaram as que não viam Cormier como verdadeiro campeão e as que não viam Gustafsson como um verdadeiro desafio, provando que dentro do Octógono não há lugar para especulações e teorias.

A verdade é que o combate poderia ter ido para qualquer lado. Gustafsson perdeu no papel, mas a derrota por decisão dividida deve servir como motor para chegar de novo ao topo e fazer com que a balança penda para o seu lado. A qualidade do sueco foi capaz de extrair o melhor de Cormier, como já tinha feito com Jones. Parece que a única coisa que lhe falta é um bocadinho extra de audácia e a sorte que vem com esta.

Cormier, por sua vez, teve uma das melhores prestações da sua carreira. Entrou fortíssimo na primeira ronda, com uma projecção fantástica. Durante a grande maioria do encontro manteve o sueco no chão e sob pressão elevada, algo recorrente nos seus combates. Quando Gustafsson conseguiu recuperar a postura em pé optou por manter a distância via jabs e pontapés ao corpo, algo lógico tendo em conta a vantagem de envergadura face a Cormier.

A segunda e terceira rondas foram, a meu ver, de Gustafsson. Nestas derrubou Cormier por duas vezes e mostrou bastante superioridade no que toca a striking. Chegou mesmo a abalar o americano, momentaneamente, com um joelho e uma esquerda. Faltou-lhe o instinto matador, visto que Cormier rapidamente se recompôs.

UFC 192
Eis um dos uppercuts de Cormier (à esq.), após Gustafsson ter ido para o clinch.
Fonte: UFC.com

O problema para o sueco veio nas rondas seguintes. A pressão de Cormier fez-se sentir, e o sueco acusou o desgaste e falta de capacidade de entender os momentos do combate, envolvendo-se demasiadas vezes no clinch, ao invés de controlar as distâncias. Cormier, em cada clinch, desferia múltiplos uppercuts que acabaram por ser vitais na hora da decisão. Caso Gustafsson tivesse seguido o plano lógico teria, acredito eu, vencido o combate.

Isto, no entanto, não retira mérito nenhum a Cormier, que se foi adaptando inteligentemente a todas as fases do combate. Acho fascinante como o campeão é capaz de encurtar as distâncias contra adversários incrivelmente maiores, voltando a referir a facilidade com que os projeta. Coisas de melhor do mundo, que o é. Jon Jones não está por perto para dizer o contrário…

No co-evento principal, Ryan Bader venceu Rashad Evans com relativa facilidade, via decisão unânime. Mostrou-se bastante criativo no departamento do striking, diversificando as suas sequências e deixando Evans sem saber o que esperar. Este acabou por se frustrar com o decorrer do combate, procurando acertar com a mão direita sem grande critério por várias vezes. Vimos um Evans bastante longe daquilo a que nos habituou ao longo da sua carreira, muito devido à ausência de dois anos do desporto. Acredito que, em alta rotação, “Suga” teria tido uma resposta diferente. De resto, pouco mais a dizer de um combate que foi bastante unidirecional.

Bader soma a sua quinta vitória seguida e segue, muito provavelmente, para uma luta pelo título contra Cormier. Não vejo em Bader um adversário difícil para Cormier. Apesar de ser relativamente completo, não há nenhuma área em que “Darth” seja excepcional. Este combate mostrou que está em ascendente, nomeadamente no que toca ao jogo de pé, mas é-me impossível crer em alguém que nunca vence de forma espetacular e cujas últimas cinco vitórias vieram por decisão.

Ryan Bader (à dir.) vence... Mas não convence. Cormier parece estar léguas acima. Fonte: UFC.com
Ryan Bader (à dir.) vence… Mas não convence. Cormier parece estar léguas acima.
Fonte: UFC.com

Se, por ventura, Bader vencer Cormier num eventual combate, atrevo-me a dizer que será de forma totalmente inesperada e, muito provavelmente, chocante. Lembram-se da vitória de Matt Serra contra Georges St. Pierre? Esse tipo de inesperado e chocante. Cormier é o rei da divisão e, com vitórias contra Gustafsson e Anthony Johnson, até Dana White deve pensar que é ilógico dar uma oportunidade a Bader quando o seu maior feito dentro do octógono é, precisamente, esta vitória contra Evans, cuja história anterior à luta já sabemos. Ainda mais com Jon Jones prestes a regressar… Esse é o combate a marcar, um digno de levar com o título de “Combate do Século”. Esperemos que aconteça.

Nos restantes combates: Ruslan Magomedov venceu Shawn Jordan, Joseph Benavidez venceu Ali Bagautinov, e Julianna Pena venceu Jessica Eye. Todos os combates foram a decisão.

P.S – A estreia do lutador de 19 anos Sage Northcutt, no undercard deste evento, foi algo de (muito) impressionante, e só pode ser plenamente apreciado se for visto. Em todos os seus combates mostrou grande fisicalidade e um domínio técnico (o seu Karaté é algo espantoso) bastante acima da média. A vitória contra Francisco Trevino foi um autêntico grito de afirmação. Por esta altura o seu “hype train” já circula e eu sou um dos passageiros. Esperem grandes coisas dele.

Olheiro BnR – Nikola Vukcevic

olheiro bnr

Um dos jogadores que se tem assumido como uma grande revelação nestas primeiras jornadas da actual edição do campeonato nacional  é o internacional montenegrino Nikola Vukcevic, médio-defensivo que já se encontrava no Sporting de Braga desde 2013/14, mas só agora arranjou espaço para confirmar o elevadíssimo potencial que o fez merecer a aposta minhota.

Trata-se de um jovem nascido a 13 de Dezembro de 1991 em Podgorica, Montenegro, e que cresceu precisamente no Buducnost da sua cidade natal, onde somou 65 jogos (quatro golos) entre 2010 e 2013, altura em que deu o salto para o futebol português e para o Sporting de Braga.

Aí, contudo, a sua ascensão esteve longe de ser imediata, com Nikola Vukcevic a passar as últimas duas temporadas preferencialmente na equipa B dos arsenalistas, onde somou um total de 31 jogos (um golo), limitando-se, no mesmo período, a somar apenas três jogos pelo conjunto principal do Sporting de Braga, e sempre como suplente utilizado.

Vukcevic tem sido uma das revelações do Sp. Braga Fonte: Sporting Clube de Braga
Vukcevic tem sido uma das revelações do Sp. Braga
Fonte: Sporting Clube de Braga

Montenegro acordou mais cedo para o seu talento

Mas se Nikola Vukcevic apenas se conseguiu impor no onze da equipa principal do Sporting de Braga em 2015/16, somando até ao momento oito jogos e dois golos, a verdade é que o mesmo não se passou no que à selecção montenegrina diz respeito.

Afinal, desde Março de 2014 que o médio-defensivo tem sido opção regular nas escolhas de Branko Brnovic, tendo inclusivamente chegado recentemente à dezena de internacionalizações por Montenegro.

Qualidade técnica e inteligência táctica

Quando nos deparamos com o estilo de jogo do jovem de 23 anos, salta imediatamente à vista a superior qualidade do seu pé esquerdo, algo que lhe permite ser muito importante no início do processo ofensivo do Sporting de Braga, tal é a sua capacidade de progressão com bola e a precisão que apresenta no passe. Para além disso, esse mesmo pé esquerdo também se revela muitas vezes letal no capítulo da finalização, seja a média ou curta distância.

Dinâmico nas transições, com boa dimensão física e muito inteligente em termos tácticos, Nikola Vukcevic é igualmente um jogador muito importante para marcar os tempos no miolo arsenalista, tendo vindo a ser muito importante no equilíbrio defensivo de um conjunto que sofreu apenas quatro golos em todas as competições oficiais que disputou até ao momento.

Obviamente, que, estando a dar ainda os primeiros passos no espectro da primeira divisão do quinto mais importante campeonato europeu, o internacional montenegrino ainda terá que crescer em termos de intensidade de jogo e até ganhar uma maior eficácia nas escolhas com bola, mas é inegável que se trata de um dos melhores projectos de craque que a nossa liga está a oferecer.

Foto de Capa: Sporting Clube de Braga

Como travar uma Guerra de castelos de papel?

porta

Uma noite da qual ninguém se orgulha, mas uma Guerra que teve que ser travada. Esta é a real conclusão a que chego após o programa Prolongamento na noite de ontem; se o nível taberneiro de certas alturas do programa por vezes me deu calafrios e me fez pensar que Bruno de Carvalho não deveria sequer estar presente naquele estúdio, a verdade é que há batalhas que se lutam no terreno adversário, numa pocilga lamacenta de inverdades e resmas de papéis. E quem melhor do que o próprio presidente para resolver duma vez por todas um caso grave de mentiras compulsivas e bajulação?

A noite até começou calma, com explicações coerentes e conversas antigas – que muita gente continua a não querer ouvir – por parte de BdC. Reiterou novamente o apoio à introdução das novas tecnologias na arbitragem, explicou o castigo após a expulsão no Bessa e a sua decisão em não estar presente em Alvalade na goleada do passado Domingo. Neste momento, tudo não passava duma Guerra fria, amorfa e sem sal, algo que viria a mudar com o primeiro tema quente, a não renovação de Carrillo.

O líder leonino fez o que lhe competia, voltou a demonstrar a falta de vontade do jogador peruano em renovar com o Sporting, o que por si só não seria grave, uma vez que cada jogador é livre de procurar o melhor para o seu futuro, a parte que dá que pensar e que torna este assunto rocambolesco é o peso que agentes e fundos de investimento têm na mesma. Quando um agente, ligado a um fundo, filtra propostas e não permite que o Sporting consiga renovar com um jogador, é algo que verdadeiramente me revolta e que me leva a crer que o futebol é mesmo um mundo que devia ser investigado a fundo, quem sabe pelo Football Leaks…

Foi por esta altura que entrou em cena Guerra, o Paladino da Luz, que afirmou respeitar a instituição do Sporting no momento para depois a insultar durante uma hora e meia de programa. E no lançamento da primeira pedra, primeiro ponto de set para BdC. O comentador afirmou que Bruno de Carvalho não tem ainda o estofo necessário para liderar um clube como o Sporting, afirmando que o caso Carrillo é um exemplo claro de má gestão leonina, referindo que deveria ter sido um caso prioritário e acabando por dar o caso Maxi Pereira como exemplo. A questão que se levanta é a seguinte: O que andou LFV a fazer durante anos para deixar fugir o capitão Maxi para o dragão? Será que o uruguaio não deveria ser prioritário também? Maxi não era um líder no balneário? E se, com a confirmação que o jogador iria abandonar a Luz rumo a um rival, ainda assim era titular absoluto nos encarnados, quem mandava realmente no Benfica? Luís Filipe Vieira, a “estrutura” ou Jorge Jesus?

Bruno de Carvalho conseguiu fazer com Jesus o que LFV nunca fez Fonte: Facebook Oficial do Sporting.
Bruno de Carvalho conseguiu fazer com Jesus o que LFV nunca fez
Fonte: Facebook Oficial do Sporting.

Guerra refugiava-se atrás de uma pilha de papéis de fazer inveja à Torre do Tombo, e esperava-se o momento em que iria tirar da cartola os documentos que tanto referiu ao longo dos últimos meses; confesso que estava desejoso de ver uma folha com as mensagens de Jesus aos jogadores do Benfica. No entanto, a montanha pariu um rato, porque o antigo jogador do Damaiense não conseguiu trazer para o “jogo” um único documento, minuta ou mísero printscreen que colocasse em xeque o presidente do Sporting. A utilização da técnica de Guerr(ilh)a por parte de BdC, mostrando variada documentação sobre os casos Cervi e Mitroglou foram mais um tiro no pesado porta-aviões de Fernando Santos, perdão Pedro Guerra, que se limitou a afirmar que o recurso a imagens e papéis era um “exercício de desonestidade e uma técnica que conhece bem”. Pudera Pedro, pudera…

O antigo jornalista do Independente, continuava sem mostrar os seus trunfos, certamente esperando a melhor altura para dar uma estocada “mortal” em Bruno de Carvalho e optando por usar argumentos que me fizeram relembrar o “saudoso” Godinho Lopes em 2011, falando sobre o passado de gestor de BdC para dar razão à Doyen, continuando assim o rumo de desorientação e incongruências que confesso me deixaram desapontado. Assim como os parcos argumentos que Pedro Santos Guerra teve para explicar o clube Brasa F.C., ao qual o Benfica deve dinheiro. E é aqui que aproveito para fazer uma pequena achega.. Senhor Pedro, obrigado por saber todas as dívidas que o Sporting possui no momento, assim como se preocupar com os Sportinguistas e com o dinheiro pessoal de Godinho Lopes, contudo peço-lhe que não deixe de fazer o mesmo exercício ao seu clube, pois a uma instituição como o Benfica não fica bem dever dinheiro; ainda para mais a clubes fantasmas, capazes de assombrar o seu clube como se tratasse duma maldição de Béla Guttman. Faça-o por favor, para bem de “milhões” de portugueses.

Também o caso Football Leaks foi trazido a esta discussão em que Manuel Serrão e Eduardo Barroso eram meros espectadores. Bruno de Carvalho foi de poucas palavras, enumerando apenas algumas datas e enunciando a ligação entre este site e o jornal desportivo Record, assim como afirmando que não estranharia o lançamento de mais documentos sobre o Sporting e a ausência de documentação do clube da Luz, acabando por esclarecer que a Polícia Judiciária já estaria a tratar do caso. Até que chegou o momento que todos esperavam, finalmente no meio dos papéis saía algum tema novo e inesperado. Uma caixa negra de Pandora que decidiu a contenda e que quase levou às lágrimas o derrotado… Pedro Guerra.

Bruno de Carvalho usou uma arma de destruição maciça, usando uma caixa que a direcção benfiquista oferece às equipas de arbitragem e com oferendas que vão desde camisolas de Eusébio até jantares com valores a rondar os três ou quatro dígitos. Perante a detonação de tal bomba, e de certo afectado com as ondas de choque, Pedro Fernando Guerra fica emocionado e sem capacidade de reacção, apenas conseguindo invocar o passado glorioso do jogador do Benfica sem nunca reagir ou opinando como é que um clube de futebol gasta centenas de milhares de euros em jantares a árbitros de futebol, mas de certo que a resposta estaria numa folha daquele castelo de papel.

Bruno de Carvalho fez o que lhe competia e deixou Pedro Guerra sem argumentos Fonte: TVI
Bruno de Carvalho fez o que lhe competia e deixou Pedro Guerra sem argumentos
Fonte: TVI

Pessoalmente, não gosto da presença do meu Presidente num debate tão rasteiro e sem qualidade como este, mas ser líder é também isto, enfrentar todos os desafios por mais sujos que sejam e não deixar que sejam outros a defender a nossa honra e as nossas responsabilidades. Bruno de Carvalho esteve bastante assertivo e coerente ao longo do programa, respondendo e elucidando quem quis realmente ouvir o que havia a ser dito e colocando na linha e no seu lugar alguém que representa mal e porcamente um clube com a dimensão do rival Benfica. Mas o verdadeiro golpe de génio por de trás desta presença do líder Sportinguista no programa não foi tanto a vitória por KO sobre Fernando Guerra mas algo muito mais subtil. BdC conseguiu tirar o foco de atenção de Jorge Jesus e da equipa de futebol leonina, que assim consegue preparar o derby de dia 25 com uma maior tranquilidade e sem pressões duma comunicação social constrangida por certos poderes.

Nada mau para um presidente tão “verde”, hein?

 Fonte da foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting

A fornalha que alimenta o FK Partizan

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Quando lhe perguntaram qual o segredo para o sucesso da academia de futebol do FK Partizan, Momcilo Vukotic respondeu que não havia segredos: apenas tradição, trabalho e confiança nos mais jovens. Moca Vukotic, uma antiga estrela do futebol jugoslavo e do Partizan Belgrado, é, hoje em dia, o responsável pelos escalões de formação do emblema da capital sérvia e não foi capaz de esconder a sua satisfação e o seu orgulho pelo facto de cinco jogadores forjados na academia pela qual é responsável fazerem parte da selecção sérvia de sub-20, que recentemente venceu o mundial da categoria na Nova Zelândia.

Na Sérvia, assim como acontecia na ex-Jugoslávia, respira-se futebol, e vencer o mundial de Sub-20 na sua primeira participação como nação independente foi algo que despertou no país não só uma espécie de nostalgia pelas glórias do passado mas também um sentido de unidade, algo inesperado, que fez com que os Sérvios ligassem os seus televisores ainda de madrugada no passado dia 20 de Junho para verem os bravos jovens guerreiros de Veljko Paunovic baterem o poderoso Brasil no prolongamento. Aquando do regresso dos pequenos grandes heróis, uma multidão de mais de 100 mil pessoas esperava-os em Belgrado, pondo de parte, ainda que só por alguns momentos, as fortes rivalidades clubísticas que os separa no dia-a-dia.

Momcilo Vukotic - De futebolista com mais jogos realizados pelo FK Partizan até responsável máximo pelos escalões de formação do emblema de Belgrado Fonte: Telegraf.rs
Momcilo Vukotic – De futebolista com mais jogos realizados pelo FK Partizan até responsável máximo pelos escalões de formação do emblema de Belgrado
Fonte: Telegraf.rs

O futebol não consegue ficar alheio às agitações políticas e sociais vividas em cada país e na ex-Jugoslávia não foi diferente. A 13 de Maio de 1990, a agressão do antigo médio do AC Milan Zvonimir Boban a um polícia, que tentava pôr fim a uma verdadeira batalha campal no Maksimir Stadium em Zagreb, marcou o início do fim da Primeira Liga Jugoslava. Aquele triste episódio deu o tiro de partida para as hostilidades que viriam a surgir nos meses e anos seguintes naquele país dos Balcãs, entre colegas de profissão, amigos de longa de data e até mesmo familiares, que, alheios a tudo, embarcaram numa espiral de violência alimentada por um ódio xenófobo e religioso que parecia ser algo impossível uns anos antes na poderosa Jugoslávia do Marechal Josip Tito.

O FK Partizan não ficou indiferente ao conflito e viu-se, ele próprio, envolvido na turbulência política e social que fazia tremer o país, muito por causa do Presidente da sua Comissão Executiva, Mirko Marjanovic, um homem próximo de Slobodan Milosevic, o infame líder sérvio. Contudo, os anos que se seguiram ao desaparecimento da Jugoslávia marcaram uma época de ouro para o emblema de Belgrado. Sob a égide de Ljubisa Tumbakovic, o FK Partizan venceu seis campeonatos e três taças de 1992 a 2002, ao mesmo tempo que forjava ou ajudava a desenvolver uma enorme quantidade de talentosos futebolistas que viriam, mais tarde, a conhecer momentos de indubitável sucesso em grandes ligas europeias. Predrag Mijatovic, Savo Milosevic, Ivan Tomic, Sasa Curcic, Zoran Mirkovic, Slavisa Jokanovic e Branko Brnovic, entre outros, fizeram todos parte em determinado momento desses anos de glória do FK Partizan, que relançaram novamente o clube na ribalta do futebol europeu.

O dia em que Ljubisa Tumbakovic se despediu do FK Partizan, onde já exercia funções directivas, para orientar o Wuhan Zall Fonte: FK Partizan
O dia em que Ljubisa Tumbakovic se despediu do FK Partizan, onde já exercia funções directivas, para orientar o Wuhan Zall
Fonte: FK Partizan

Após ter vencido a Jelen SuperLiga na época passada, com mais sete pontos que o seu eterno rival, o Estrela Vermelha (FK Crvena Zvezda), o FK Partizan está actualmente a viver alguns momentos complicados a nível doméstico, ocupando apenas um modesto 4º lugar na liga, atrás de equipas de menor gabarito, como o FK Borac Cacak e o FK Javor. A 12 pontos de distância dos seus vizinhos de Belgrado e praticamente arredado da luta pelo título ao fim de apenas 11 jogos, o FK Partizan parece agora estar a depositar energias na Liga Europa, para onde caiu após ter sido eliminado da Liga dos Campeões, mas na qual conta como vitórias os dois jogos realizados até ao momento: a primeira em Belgrado frente ao AZ Alkmaar com um espetacular 3-2 e a segunda na semana passada no terreno do Augsburg por 3-1, com dois golos do seu menino prodígio Andrija Zivkovic. O extremo de 19 anos, figura de proa da formação sérvia que venceu o Mundial Sub-20 em Junho passado, é o jogador em maior destaque na equipa de Zoran Milinkovic.

Andrija Zivkovic - O menino de ouro do FK Partizan Fonte: FK Partizan
Andrija Zivkovic – O menino de ouro do FK Partizan
Fonte: FK Partizan

Para além de Zivkovic, fazem parte da primeira equipa diversos jogadores como Nemanja Petrovic, Ivan Saponjic, Sasa Lukic e Nikola Ninkovic, todos eles internacionais pelas selecções jovens do seu país, e todos eles “produzidos” pela incandescente fornalha da Academia Belin – Lazarevic – Nadoveza. A academia do FK Partizan já foi considerada a segunda melhor a nível europeu, ficando apenas atrás da congénere do poderoso AFC Ajax, e conta no currículo com jogadores como Stevan Jovetic, Adem Ljajic, Matija Nastasic, Milos Jojic, Aleksandr Mitrovic e Lazar Markovic, entre outros.

A fornada de jovens jogadores que está actualmente às ordens de Zoran Milinkovic faz antever um futuro promissor para um FK Partizan que, de acordo com a máxima dos seus fundadores – veteranos da 2ª Guerra Mundial e da Guerra Civil Espanhola -, foi criado com o compromisso de oferecer aos adeptos futebol de alta qualidade e não de vencer jogos obrigatoriamente.

Foto de Capa: FK Partizan

O Passado Também Chuta: Vítor Baptista

o passado tambem chuta

Existem pessoas beijadas pelo génio que a vida trata mal. No entanto, trespassam a barreira do tempo e conseguem permanecer vivos. Só está vivo quem vive na nossa memória; para os que estão na nossa memória, a morte não existe. Vítor Baptista foi um jogador com todas as bitolas; do meio-campo até à baliza contrária, nenhuma posição ou função lhe era estranha e em todas era excelente. Aproximou-se da tentação de ser profissional depois de participar num torneio de futebol de salão.

Esse torneio teve uma característica e uma bênção curiosa: também participou nele um jogador com uma técnica e qualidade singular chamado Quinito. Jogou na Académica de Coimbra, no Belenenses e no duro e pegajoso campeonato espanhol, representando, com Vítor Damas, o Racing de Santander. Primeiro foi um jogador do meio-campo de técnica apurada e posteriormente adaptou-se à posição de extremo-direito.

O grande Vítor Baptista começou a maravilhar as bancadas de Portugal à tenra idade de dezoito anos. Representando o seu clube natal, o Vitória de Setúbal, entrou a ganhar: venceu a Taça de Portugal. Aquele Vitória tinha jogadores de eleição: Conceição, José Maria, Jacinto João e o guarda-redes chamado Mourinho, pai do célebre treinador Mourinho. Começou a falar-se nele de tal forma que era desejado pelos adeptos e pelos dois grandes clubes: Benfica e Sporting. Alguns entendidos falavam do Vítor Baptista como uma figura semelhante ao mítico Eusébio. No ano 1971 o Benfica fez-se com os serviços de Vítor Baptista. Acabava-se de bater o recorde das transferências em Portugal. Três mil contos foi o montante que ultrapassou as barreiras; além disso, no pacote entraram o magriço José Torres, o Matine e o habilidoso Praia, que fizera história no Leixões.

Vítor Batista maravilhou os adeptos portugueses
Vítor Batista maravilhou os adeptos portugueses

Vítor Baptista, como jogador, era um excelente rematador de todas as distâncias e posições, mas também tinha uma visão de jogo primorosa. Era, do ponto de vista tático, irreverente; mas um jogador criativo e tecnicamente poderoso que joga comodamente em diferentes partes do campo só pode ser uma coisa: irreverente. Os treinadores, por umas e por outras razões, entravam em litígio com o craque. Mário Wilson, Mortimore e, na sua passagem pelo Boavista, José Maria Pedroto, mantiveram quezílias devidas ao seu comportamento tático e talvez disciplinar. Vítor Baptista não era de arrugues. Depois da sua vida no Benfica voltou a Setúbal, passou pelo Boavista e viajou, a convite do mítico António Simões, até os Estados Unidos. Mas a polémica ligada à boémia underground já nascera.

Como todos os grandes, teve nomes e subnomes; entre eles, era conhecido pelo Maior. Ficou célebre também pelas excentricidades vividas em campo: a mais célebre foi quando perdeu um brinco de dez contos no Estádio da Luz. Parou-se o jogo e toda a gente, incluído o árbitro, andaram agachados à procura do brinco. Mais tarde, depois de ter regressado ao Vitória, venceu o Benfica no Estádio da Luz e, quando o jogo acabou, Vítor Baptista, ajudado pelos seus companheiros do Vitória, voltaram a procurar o brinco. Mas a sua vida nos fundos acelerados da droga marcaram, tristemente, a sua existência. Conheceu a pobreza e o emprego camarário para sobreviver.

Os seus clubes talvez não souberam ou não tiveram uma reação que lhe desse estabilidade existencial. O Benfica, para mim, cometeu um erro, tal como cometeu com o bicampeão europeu Cavém, que teve problemas de saúde agudos e problemas de sobrevivência. Vítor Baptista teve uma morte ainda a uma idade moça: faleceu com cinquenta anos em 1999. Para marcar bem o que foi como génio e como muitas vezes são marginados, recordo que passou pouco de uma dezena de internacionalizações; Juca, então selecionador nacional, não foi capaz de o entender. Mas Vítor Baptista vive e viverá.

Basquetebol: Pagar as dívidas

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cab basquetebol nacional

As Supertaças Masculina e Feminina de basquetebol, ganhas respectivamente pelo S.L. Benfica (vitória concludente frente ao Barcelos  79-42) e União Sportiva  (76-57 frente ao  CAB), realizaram-se com recurso a árbitros da segunda categoria, face à indisponibilidade manifestada pela Associação de Juízes de Basquetebol e acatada pela maioria dos juízes do primeiro escalão. É sabido que todos os jogos que decidem um campeão ou que são a eliminar têm uma carga emocional e uma tensão superiores aos outros. Ao não conseguirem seguir a velha máxima “os melhores árbitros nos melhores jogos”, as provas perderam qualidade.

O problema que opõe juízes e Federação não é novo e tem sido repetido ano após ano: dívidas à arbitragem, com o montante actual a atingir já os 137 mil euros. A Associação de Juízes continua à espera de uma proposta concreta da FPB, organismo que solicitou o alargamento do prazo até o dia 9 deste mês para apresentar um plano de pagamento.

A estratégia do “passa ao outro e não ao mesmo” só leva ao descrédito de todos. Também aqui as dívidas são para se pagar. O Estado tem de cumprir com as suas obrigações a tempo para que depois, em cadeia, todos possam fazer o mesmo… Não faz muito sentido que sejam os juízes, a exemplo de outros intervenientes na modalidade, a adiantarem verbas do seu bolso para garantir as competições, mesmo sabendo que a FPB acaba por pagar, com atraso, o que é devido.

Com o fim da LCB, treinadores, jogadores e árbitros ficaram a perder financeiramente, e os últimos tiveram também de se ajustar à nova realidade que, segundo a promessa da FPB, passa por aumentar o número de jogos nas competições seniores e, ao mesmo tempo, diminuir os custos para os clubes. A menos que descubram uma solução “milagrosa” com os árbitros, esta equação é irresolúvel.

Fernando Rocha e Sérgio Silva estiveram presentes no último Eurobasket Fonte: FPB
Fernando Rocha e Sérgio Silva estiveram presentes no último Eurobasket
Fonte: FPB

A arbitragem é, sem sombra de dúvidas, muito importante para podermos ter um jogo com uma maior qualidade. Não é certamente por causa do nível da nossa arbitragem que as nossas competições não atingem um patamar mais alto.

Se o basquetebol sénior a nível internacional e selecções não tem qualquer expressão (nos masculinos somos 51.º a nível mundial e 22.º a nível europeu, enquanto nos femininos nem aparecemos no ranking), o mesmo não se pode dizer da arbitragem, onde o panorama é o oposto. No recente Eurobasket 2015, Fernando Rocha e Sérgio Silva (dois árbitros portugueses no top 20 da Europa) estiveram em destaque, ao mesmo tempo que a árbitra internacional do CAD de Lisboa, Sónia Teixeira, foi também nomeada para arbitrar a Supertaça Europeia.

A arbitragem portuguesa está numa fase muito positiva. Chegou ao fim uma geração de excelentes árbitros, e está a conseguir fazer-se a sua substituição de uma forma serena e com qualidade. Num passado recente, Tó Zé Coelho, Zé Araujo, António Pimentel, Valdemar Cabral e Luís Lopes, entre outros, sempre conseguiram colocar a arbitragem a um nível quase sempre superior aos outros agentes da modalidade.

A FIBA solicita frequentemente os nossos principais árbitros que têm actuado nas fases finais nos diversos Campeonatos da Europa de categorias jovens, que têm também sido nomeados para as principais competições da FIBA Europa e também nomeados pela FIBA Mundo (Universíadas, Jogos do Mediterrâneo, Campeonatos do Mundo).

Sporting 5-1 Vitória de Guimarães: Dois Reis Leões a rugir em Alvalade

O Sporting goleou hoje o Vitória de Guimarães por 5-1 e manteve a liderança da Liga NOS, a par do FC Porto, que também goleou hoje o Belenenses.

Com o muito saudado regresso de William Carvalho a Alvalade, Jorge Jesus desviou João Mário para a ala direita, mantendo Bryan Ruiz na ala esquerda e Teo Gutiérrez ao lado de Slimani. Com esta alteração, Jesus pretendia que João Mário desequilibrasse com movimentos interiores, abrindo espaço para que Ricardo Esgaio pudesse fazer no seu flanco aquilo que Jefferson está habituado a fazer: apoiar constantemente o ataque. Porém, João Mário também sabe mexer-se na ala, e foi assim que nasceu o primeiro golo do Sporting, com o português a cruzar para um cabeceamento certeiro de Slimani, ainda não tinha fechado o primeiro quarto de hora do jogo.

Logo a seguir, Teo Gutiérrez aumentou a vantagem. Depois de ter ameaçado com uma cabeçada à barra, o colombiano aproveitou uma assistência de Montoya (sim, foi o médio do Vitória que deu a bola ao avançado leonino), sentou Douglas e encostou para a baliza. Um movimento de classe do “cafetero”, redimindo-se perante os adeptos após os falhanços clamorosos de Istambul. Até ao intervalo, destaque para a lesão de Bryan Ruiz, que teve de dar lugar a Gelson Martins. O Sporting foi dono e senhor do jogo, e William foi o principal protagonista. É um gigantesco prazer ver o possante médio de volta a Alvalade, com os seus passes milimétricos e a forma assombrosa como rouba bolas aos adversários. Com William no centro do terreno, a equipa parece que joga com mais um elemento em campo, tal o leque de tarefas que o número 14 executa.

Em dia de eleições, William voltou a governar em Alvalade Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal
Em dia de eleições, William voltou a governar em Alvalade
Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal

Logo no início da segunda parte, o Vitória ainda tentou esboçar uma reação, mas tudo ficou pior aos 55 minutos, quando Bouba Saré agrediu Gelson e foi bem expulso pelo árbitro. Com mais um elemento no retângulo de jogo, os leões voltaram a carregar e fizeram dois golos em dois minutos. Slimani marcou mais um golo de cabeça, após centro “açucarado” de Jefferson, e Adrien também faturou, num livre direto que desviou na barreira e enganou Douglas.

Jorge Jesus colocou Aquilani e Montero em campo nos lugares de Adrien e Teo, mas foi Slimani que voltou a carimbar a ficha de jogo. O argelino completou o “hat-trick” ao responder da melhor forma a um centro rasteiro de Jefferson. Apesar da noite fria e chuvosa, os mais de 30 000 adeptos presentes viram o melhor Sporting da época a esmagar um Vitória que trouxe para este jogo muitos vícios do início de época mas que vai com certeza melhorar, pelas mãos de Sérgio Conceição.

Até ao fim, realce para duas coisas: o golo vimaranense, apontado por Josué, após desatenção sportinguista num pontapé de canto; e o cântico entoado pela claque leonina, a atacar André Carrillo, e que foi aplaudido em todo o estádio.

O Sporting mostrou hoje que é possível jogar bom futebol e impressionar as bancadas de Alvalade sem ter André Carrillo. Tudo correu bem na estratégia de Jorge Jesus: João Mário e Bryan Ruiz conseguiram criar desequilíbrios e abrir espaços para os apoios de Jefferson e Esgaio ao ataque. O brasileiro conseguiu mesmo duas assistências para Slimani, reeditando uma sociedade de sucesso do mundo verde e branco. Na vertente defensiva, o Vitória nunca incomodou muito, mas a verdade é que, com William atrás, Adrien também joga melhor, aliás, toda a equipa joga melhor. Os centrais estão mais seguros, os laterais sentem mais liberdade para atacar, enquanto William é dono e senhor do que se passa à sua volta. O próximo jogo do campeonato será uma prova de fogo: a visita à Luz, com o regresso de Jorge Jesus à sua antiga casa, num dérbi onde o Sporting chegará à frente do seu adversário, até porque, provavelmente, o Benfica não jogará com o União da Madeira até receber os leões.

A Figura:

William Carvalho/Slimani – Seria injusto deixar algum de fora desta escolha. O médio encheu o campo, com um jogo autoritário. O argelino foi tremendamente eficaz, alcançando um “hat-trick”, com dois dos golos a finalizarem excelentes movimentos ofensivos com cabeceamentos, como mandam as regras.

O Fora de Jogo:

Bouba Saré – O jogo não correu bem a ninguém do Vitória, mas Montoya e Bouba Saré lutaram arduamente pelo destaque negativo. Contudo, o vencedor é Bouba Saré pelo momento de paragem cerebral que teve quando agrediu Gelson e convidou o árbitro a expulsá-lo. Se a tarefa já estava difícil, o 99 do Vitória fez questão de alargar o sorriso dos sportinguistas.

Foto de capa: Facebook do Sporting

BnR Super Sunday: Gastón Pereiro, a vergonha do Milan e o Rei Ibra nos 11 metros

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Gastón Pereiro, finalmente

Está mais animada a luta pelo título holandês. Com a vitória do PSV no terreno do rival Ajax (pelo segundo ano consecutivo), por 2-1, o emblema de Amesterdão continua na liderança mas tem a companhia do Feyenoord e viu o adversário de hoje aproximar-se, estando agora a 2 pontos. O clássico teve um desfecho justíssimo, tendo em conta a superioridade evidenciada pela turma de Cocu, que se superiorizou no meio campo e teve um miúdo uruguaio em grande no ataque. Gastón Pereiro, promissor esquerdino, ganhou a titularidade em virtude da ausência de De Jong (obrigando Locadia a jogar como referência) e finalmente mostrou o potencial que fez o PSV avançar para a sua contratação. Foi o homem do jogo, com um bis, e o segundo da conta pessoal é um movimento que vamos ver muitas vezes, flectindo da direita para o espaço interior para rematar de pé esquerdo. Para além do jovem de 20 anos, convém destacar o excelente trabalho do meio campo, onde Guardado está cada vez melhor como pivot defensivo e Propper se confirma como um belíssimo reforço. Brenet, que anulou o perigosíssimo El-Ghazi, e a dupla de centrais composta por Bruma e Moreno também teve um papel importante no triunfo.

Do lado do Ajax, Frank de Boer tem muito trabalho pela frente se quiser recuperar o título. Pior do que a derrota foi a fraca exibição protagonizada pelo Ajax, que nunca conseguiu impor-se no meio campo e revelou uma gritante falta de ideias no ataque. Com El-Ghazi muito apagado e Klaassen pouco influente na criação ofensiva, os lances de perigo dos lanceiros resumiram-se às diagonais de Younes e às arrancadas de Fischer, renascido depois de uma longa ausência (jogou como “falso 9”). Do meio campo para trás, houve muitas dificuldades dos centrais Veltman e Riedewald (que apesar de tudo esteve melhor que o parceiro) perante os atacantes contrários, sendo de realçar também a excessiva agressividade de Tete.

Texto de Tomás da Cunha

Insigne esteve endiabrado na goleada em San Siro Fonte: Facebook do Napoli
Insigne esteve endiabrado na goleada em San Siro
Fonte: Facebook do Napoli

4 de outubro: o dia em que Insigne assombrou Milão 

San Siro, 4 de outubro: aos 77 minutos do jogo entre Milan e Nápoles, os adeptos milaneses começam a abandonar o seu recinto, as bancadas começavam a despir-se. E porquê? Rodrigo Ely, central rossoneri, fazia um auto-golo e colocava o resultado em 4-0 para os forasteiros.

Uma noite de pesadelo para a equipa de Sinisa Mihaljovic, que não mostrou argumentos para se bater com um Nápoles que está em crescendo na temporada e conta com Lorenzo Insigne em grande forma. O italiano está a melhorar a olhos vistos com Maurizio Sarri e consegue, agora, ser regular e ser o homem que decide partidas a favor dos napolitanos. Foi assim esta noite em Milão!

Lorenzo Insigne assumiu a batuta, organizou a orquestra que veio do San Paolo e cedo na partida começou a dar música aos rossoneri. Aos 13’, assistiu Allan (um médio interessante de seguir, já tinha dado nas vistas em Udine) e na segunda parte concluiu o bailinho com dois golos. Primeiro tabela com Higuaín e finaliza de forma perfeita e depois faz um golo do outro mundo, de livre direto, aos 67’. Um castigo justo para os milaneses, que se apresentaram sem qualquer fio de jogo, sem ligação entre a defesa e o ataque e onde os médios simplesmente viam a bola passar pelo ar. Abusavam no jogo direto e Luiz Adriano e Carlos Bacca perderam, invariavelmente, os lances perante os adversários. Balotelli, que até se vinha revelando um bom reforço, hoje não esteve disponível.

O meio-campo do Nápoles, composto por Jorginho, Allan e Hamsik, engoliu os quatro do Milan (Montolivo, Kucka, Bonaventura e Bertolacci), enquanto nas linhas Callejón e Insigne agitavam e faziam a defensiva milanesa tremer. O jogo foi quase sempre isto: o Nápoles a mandar, a explorar as (muitas) fragilidades rossoneri, e a gota de água aconteceu com o auto-golo de Ely, que deu tons de tragédia à derrota milanesa. E podiam ter sido mais, basta só pensar que Higuaín não marcou e depois Gabbiadini teve nos pés várias oportunidades para dilatar a goleada.

Assim, o AC Milan fará uma época igual ou pior à anterior, porque opções no banco também não há. Balotelli não faz milagres e a notícia de que Kevin Prince-Boateng estará de volta em Janeiro só faz pensar que em Milão não há ninguém que pensa futebol. Dá pena ver um histórico mundial neste estado!

O Parque dos Príncipes vestiu-se de gala para o grande clássico Fonte: Facebook do OM
O Parque dos Príncipes vestiu-se de gala para o grande clássico
Fonte: Facebook do OM

Na linha do penálti, Ibra foi Rei

O PSG não ganhava há duas jornadas para o campeonato e recebia um adversário que começou muito mal a época, mas que tem muito valor. Era de esperar um jogo complicado para os parisienses, embora com o passar do tempo a superioridade coletiva e individual se impusesse aos marselheses. Talvez fosse esta a previsão de todos os analistas e adeptos em geral, mas a única diferença entre as duas equipas esteve na marca do penálti, onde Ibrahimovic foi decisivo.

A equipa de Michel surpreendeu Zlatan e companhia e entrou muito forte no jogo, com os quatro homens da frente, principalmente Michy Batshuayi (tem estado de pé quente, apesar da época intermitente do clube) e Barrada, a darem muitas dores de cabeça à defensiva comandada por Thiago Silva. O PSG estava com dificuldades para sair em posse e só Di Maria conseguia, individualmente, levar a equipa para a frente, mas quase sempre sem sucesso. O jogo parecia controlado e o Marselha já justificava o golo, que viria a acontecer à passagem da meia hora.

Barrada assistiu Batshuayi, que, ao segundo poste, de cabeça, desviou para o fundo da baliza de Trapp. Fazia-se justiça no resultado ao que se passava em campo, e o PSG iria precisar de vestir o fato-macaco para levar algo do jogo. Timidamente, Verrati e Matuidi começaram a pegar na bola e a ajudar Di Maria nas transições, mas tudo parecia lento e curto para a qualidade daqueles jogadores. Ibra e Cavani passavam ao lado do jogo, mas, ainda antes do intervalo, a cambalhota aconteceria.

Dois penalties, o primeiro muito duvidoso, que Ibra concretizaria, consumaram a reviravolta em pouco tempo! Na segunda parte, o Marselha bem tentou, mostrou que tem jogadores para subir na tabela classificativa e que podia ter levado de Paris 1 ou mesmo 3 pontos. Aliás, Barrada teve nos pés um penálti para igualar, mas Trapp superiorizou-se.

Um jogo animado, baseado em transições rápidas dos extremos do Marselha e de Di María, por parte do PSG, mas quase sempre sem a melhor definição. Foram poucas as oportunidades de golo e, no final, Trapp ainda foi decisivo, evitando o golo do empate. A igualdade era justa, era um prémio merecido para a qualidade e esforço demonstrado pelo Marselha e castigaria a atitude do PSG, que desde que entrou em campo foi arrogante e acreditou sempre que as coisas iriam surgir, mais tarde ou mais cedo. A sorte bateu à porta!

Conseguiram, vão bem lançados na Ligue 1, mas o que fizeram hoje será muito curto para uma equipa que quer mais da Champions. Só Di María não chega, e as debilidades nas laterais de Maxwell e Aurier podem trazer alguns dissabores. Este não é um PSG imbatível e letal, que tem que ser em França, e assim deslizes virão a caminho. Mas sem gravidade, já que não há adversário interno.

Texto de Luís Martins

Foto de Capa: Voetbal International

BnR Super Sunday: Colchoneros impedem liderança merengue

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Num domingo futebolístico recheado de confrontos onde a rivalidade fala mais alto, todos os olhos estiveram postos em Madrid. A capital espanhola viu o Atlético receber o Real no Vicente Calderón, em partida a contar para a sétima jornada da Liga Espanhola, e o prémio pelo triunfo era bem aliciante: no caso dos merengues, a vitória valia a liderança isolada do campeonato, ao passo que para os colchoneros servia de aproximação aos postos cimeiros da tabela classificativa. No final, a divisão de pontos não foi, de todo, o pior cenário para ambas as equipas, que conseguiram, ainda assim, ganhar pontos sobre o Barcelona e o líder Villarreal.

Rafa Benítez optou por uma abordagem cautelosa à partida, tendo em conta as recentes dificuldades do seu clube em vencer o rival madrileno, e surpreendeu ao deixar Gareth Bale no banco e chamar à titularidade Casemiro. Com o reforço do meio-campo defensivo era óbvio que as intenções do técnico espanhol passavam por adotar um futebol pragmático, bem ao estilo do que tem tentado implementar na sua estadia em Madrid.

Por seu turno, Diego Simeone apenas colocou Fernando Torres no lugar de Jackson Martínez no onze que havia utilizado a meio da semana ante o Benfica, tendo o ponta de lança espanhol a companhia de Ángel Correa no centro do ataque colchoneros. O melhor marcador da equipa, Antoine Griezmann, ao contrário do que tem sucedido desde que chegou ao Atlético, atuou descaído sobre a linha, situação que não abonou a favor da tática de contra-ataque utilizada pela turma de El Cholo, pois é o atacante francês que usualmente inicia a manobra no espaço central do campo, ao fazer uso da sua velocidade e drible acima da média para explodir até à baliza adversária.

Com o Atlético de Madrid a optar por um bloco baixo, o Real chegou cedo à vantagem na partida, mais precisamente aos 9 minutos, com Karim Benzema a aproveitar a passividade da defesa colchonera para responder com um cabeceamento certeiro a um cruzamento de Dani Carvajal. A fase seguinte do jogo viu as duas equipas procurarem o golo, com Correa a ser o mais atrevido e inconformado do lado do Atleti.

A meio da segunda parte, o Atlético teve uma oportunidade fulcral para empatar o marcador. Sergio Ramos com dois erros gravíssimos, ao perder a bola a meio-campo e na sequência da jogada cometer grande penalidade sobre Tiago, pôs em causa a vantagem merengue. O central espanhol, que viu um cartão amarelo que poderia até ter sido vermelho, é, sem dúvida, um excelente jogador com qualidades indiscutíveis, mas comete demasiados erros graves para um titular e um capitão de uma equipa do estatuto do Real Madrid. Com Varane e Pepe no plantel, pode vir a ter o lugar em causa. Ainda assim, Ramos teve a estrelinha da sorte consigo, pois Griezmann não conseguiu desfeitear Keylor Navas, a figura merengue do momento, quem tem sido o salvador do seu clube por inúmeras vezes esta época.

Keylor Navas foi novamente decisivo para o Real Madrid Fonte: Facebook do Real Madrid
Keylor Navas foi novamente decisivo para o Real Madrid
Fonte: Facebook do Real Madrid

Na segunda parte, o jogo perdeu intensidade e também algum interesse. O Atlético esteve por cima, no entanto com uma ofensiva lenta e algo apática, sem mostrar clarividência no meio-campo adversário, o que fez com que as ocasiões de perigo fossem escassas. Benítez quis defender o resultado e as substituições que efetuou foram com esse efeito, terminando o encontro ao mudar a tática e ficar com Ronaldo e Bale na frente.

Tanto quis Benítez defender a curta vantagem que o Atlético conseguiu chegar ao tão desejado empate. Numa jogada que teve como figuras jogadores que Simeone decidiu lançar na partida (Ferreira-Carrasco, Jackson e Vietto), o argentino Luciano Vietto conseguiu repor a igualdade a sete minutos do final da partida. Os instantes finais tiveram o Atlético a encostar o Real à sua área, e ainda Keylor Navas voltou a ser importante ao defender um tiro de Jackson Martínez que levava selo de golo.

Mais um derby madrileno realizado e desta feita com um empate e, consequentemente, um ponto para cada equipa. O Real Madrid falhou, assim, o assalto à liderança da Liga Espanhola e fica com os mesmos 15 pontos que Barcelona e Celta de Vigo, a um do líder Villarreal, ao passo que o Atlético fica na quinta posição a três pontos do topo da tabela.

A Figura:

Keylor Navas – Podia ser Diego Simeone a estar aqui, pelas escolhas que fez na partida e que se revelaram acertadas. No entanto, o guarda-redes do Real Madrid merece o destaque a si atribuído e foi mais uma vez decisivo para os merengues. O costa-riquenho defendeu o penalty de Griezmann e ainda conseguiu uma defesa fulcral a remate de Jackson Martinez que poderia ter dado a vitória ao Atlético. Feitas as contas, são apenas dois os golos sofridos por Navas em sete partidas na liga.

O Fora-de-Jogo:

Rafa Benítez- Tal como acima, poderia ser outro a estar nesta posição. Os erros de Sergio Ramos não tiveram consequências graves para o resultado, mas um jogador com o seu estatuto não os pode cometer. No entanto, aponta-se o dedo a Benítez, que mais uma vez optou pelo pragmatismo e por defender ao máximo a vantagem e deu-se mal. Na segunda parte, o Real Madrid foi nulo a atacar e a mudança de tática que o técnico espanhol fez no final da partida foi decisiva para as contas finais.

Foto de capa: Facebook do Real Madrid