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FC Porto 4-0 Belenenses: Tanto bateram até que furaram

cabeçalho fc porto

Foi um jogo de sentido único o que se viu hoje no Dragão. Os azuis e brancos tentaram, tentaram, até que furaram e, quando furaram, a muralha desfez-se. Vitória justíssima do F.C. Porto, que assim mantém o primeiro (ex-aequo ou não) na Liga.

Porto e Belenenses defrontaram-se hoje para a 7.ª jornada da Liga Portuguesa. A equipa nortenha vinha de uma vitória com categoria sob o Chelsea – oposta a uma derrota do Belenenses perante a Fiorentina de Paulo Sousa. Como tal, a confiança dos portistas estava em alta. Lopetegui mudou o onze inicial ao voltar ao 4-3-3 típico, com Corona a extremo direito e Layún a lateral esquerdo. Parece esta a equipa “oficial” do Basco para o campeonato português. A mudança resultou, já que o jogo só teve um sentido – o da baliza de Ventura.

Vou directo para a única jogada de perigo do Belenenses na primeira parte: aos 13 minutos Casillas defendeu junto à relva um cabeceamento de Kuca. Anotada a única jogada de perigo da equipa do Restelo na primeira parte, resta explanar como foi o domínio portista durante os primeiros 45 minutos. Sob a batuta de Rúben Neves, que distribui o jogo com uma grande classe, Brahimi e Corona deram água pela barba à defesa sulista, que foi defendendo o resultado como pôde. O Porto pode queixar-se do excesso de burocracia perto da área e do último passe, que continua a teimar em não sair de maneira eficiente, mas o facto de ter ido para o intervalo com o nulo no marcador foi injusto. A bola foi fazendo “ping-pong” entre o lado direito e o lado esquerdo sempre muito próxima da área do adversário, e isto é uma evolução face ao que o Porto geralmente apresenta. André André (não foi o seu melhor jogo) não pára, sabe onde estar e sabe dar linha de passe; Rubén Neves tem um pé preciso e uma visão de jogo ao nível dos maiores médios do mundo; e Imbula (ainda preso) foi dando músculo a um meio-campo que foi distribuindo a bola para os grandes desequilibradores da noite: Corona e Brahimi.

Osvaldo
Osvaldo (na foto) fez o terceiro golo do FC Porto, após substituir Aboubakar.
Fonte: Facebook Oficial FC Porto

A segunda parte começou com a surpresa da substituição do lesionado Maicon para a entrada de Danilo. Lopetegui quis precaver-se, para o caso de ter de jogar com 3 defesas, mas a verdade é que não foi preciso.

Aos 53 minutos Corona abria finalmente o marcador, e aos 56 minutos Brahimi deu tranquilidade e justiça aos portistas. O Belém foi sempre uma equipa compacta mas que nunca incomodou realmente Casillas, e a partir dos dois golos tentou esboçar uma resposta mas sem se conseguir libertar das amarras criadas pelo meio-campo e pela defesa portista.

Marcano
A conta foi fechada por Marcano (na foto), que marcou de canto aos 87 minutos.
Fonte: Facebook Oficial FC Porto

Aos 62 minutos entrou Osvaldo para dar descanso a um Aboubakar lutador, e aos 80 minutos o italo-argentino estreou-se no marcador depois de um bom lance de Tello (também se quis mostrar a Lopetegui). A goleada chegou de canto com Marcano aos 87 minutos – só custou entrar o primeiro. A exibição portista foi segura, principalmente na segunda parte, e a equipa conseguiu algo que tem faltado muitas vezes: chegar com a bola controlada junto à baliza adversária.

Esperemos que este jogo signifique que a equipa está a evoluir e a assimilar melhor as ideias do treinador e que não seja apenas um fogacho! O Porto foi sempre agressivo na recuperação de bola e houve entre-ajuda e coesão entre linhas: sinal de que a equipa está (ou pelo menos parece!) saudável!

A Figura:

Brahimi – Desequilibrou o jogo, por vezes exagerou, mas o que é certo é que o extremo portista furou a defensiva do Belém inúmeras vezes. Louvor para Corona, que também fez um bom jogo.

O Fora-de-Jogo:

Imbula – Não fez uma má partida mas continua a dar a ideia de estar um pouco perdido em campo e de por vezes lateralizar o jogo quando este pede rotura. Está a melhorar, no entanto.

Foto de Capa: Facebook Oficial FC Porto

BnR Super Sunday: Até para o ano, Dortmund?

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cab bundesliga liga alema

Se existiam dúvidas da superioridade do Bayern de Munique, hoje dissiparam-se. Demonstração de força, eficácia e de inteligência de Guardiola, mostrando uma aplicação exímia dos seus conhecimentos sobre o adversário. Tuchel provavelmente disse adeus ao título e tem agora uma equipa para recuperar psicologicamente.

Tuchel deixou surpreendentemente Reus no banco, apostando no reforço do meio campo, e o jogador que acabou por sair com algo de positivo deste encontro acabou por ser Aubameyang, prolongando o seu recorde de jogos seguidos a marcar (já são 8). Numa defensiva estilhaçada, Burki sofreu cinco golos e não esteve bem, apesar de ter sido vítima da extrema eficácia dos bávaros, Sokratis na direita tentou cumprir mas levou com um Douglas Costa endiabrado, Hummels e Bender não formaram a dupla desejável e Piszczek foi um corpo estranho na esquerda. Castro fez a assistência para o golo solitário do Dortmund mas fez uma exibição aquém das expectativas até à sua saída, tal como os seus parceiros do meio-campo, Gündogan e Weigl. Mkhitaryan foi dos mais inconformados mas não foi feliz, falhando no último passe e na finalização. Reus e Januzaj entraram para dar outra acutilância ao ataque, mas este não era o dia dos amarelos e negros e foram mais dois peões no futebol morno que se viu na Baviera.

Um dos golos da partida Fonte: Facebook do Bayern de Munique
Um dos golos da partida
Fonte: Facebook do Bayern de Munique

Guardiola é a figura principal deste jogo. Montou uma equipa para aproveitar as falhas do seu adversário directo e manteve a invencibilidade no campeonato (8 em 8). O espaço nas costas da defensiva do Dortmund foi bem aproveitado e a acutilância dos avançados bávaros fez o resto. Neuer disse sempre presente nas poucas vezes em que isso foi exigido, Boateng destacou-se pela segurança defensiva e as duas assistências para golo (e há quem diga que tem pouca técnica…) e Lahm foi o barómetro necessário aos equilíbrios. Douglas Costa foi tentando através de iniciativas individuais e cruzamentos venenosos deixar a sua marca no jogo, mas acabou por não ser tão decisivo como tem sido. O meio campo do Bayern teve Xabi Alonso e Thiago num plano menos relevante, embora eficaz (sobretudo o hispano-brasileiro), deixando maior protagonismo para o seu parceiro ex-Dortmund. Götze tem tentado ganhar o seu espaço desde a chegada de Guardiola e a sua genialidade, que às vezes parece adormecida, ficou patente neste jogo, especialmente na assistência fantástica para Lewandowski. O avançado polaco vai mostrando o porquê de ser o protótipo de avançado perfeito e está numa fase incrível, com 12 golos em 4 jogos. Müller, que, para além da movimentação fantástica no primeiro golo do Bayern, revelou uma objectividade incrível, como é habitual, também brilhou.

A primeira parte foi mais dividida, com o Dortmund a pressionar o Bayern no seu meio campo, e só na segunda metade se desfizeram as dúvidas sobre o resultado. Um dos factores que certamente contribuiu para a queda de rendimento dos forasteiros foi o cansaço acumulado do jogo a meio da semana para a Liga Europa, tendo dois dias de descanso a menos do que o adversário. O 5-1 é um resultado exagerado, apesar de tudo, e que se justifica com a frieza dos avançados (Lewandowski e Müller são intratáveis) do Bayern e a capacidade que o conjunto de Guardiola teve para explorar as fragilidades do Dortmund, nomeadamente na transição defensiva. São sete pontos de diferença que separam agora as duas equipas e, apesar de estarmos no início do campeonato, será preciso uma catástrofe para os bávaros desperdiçarem esta vantagem.

A Figura:

Pep Guardiola – O treinador espanhol foi o grande estratega desta tarde de futebol e mostrou o porquê de ser um dos melhores do mundo. Estudou ao pormenor as fraquezas do adversário e acabou a golear. Grande resultado para Guardiola.

O Fora-de-Jogo:

Thomas Tuchel – É o grande derrotado deste jogo. Conseguiu contrariar inicialmente o jogo de posse do Bayern, mas quando a equipa se esticou demasiado acabou por se desequilibrar e não resistiu às transições mortíferas do adversário. A distância para o primeiro lugar é um obstáculo (quase) inultrapassável e tem agora em mãos uma equipa destroçada a nível psicológico.

Foto de capa: Facebook do Borussia Dortmund

BnR Super Sunday: Quem escolheu a Premier League não se arrependeu

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cab premier league liga inglesa

A Premier League jogou pelo seguro e deixou para Domingo dois clássicos do futebol inglês, com tudo o que gira à volta deles, para fazer face à forte concorrência que tinha das outras ligas europeias (alemã, espanhola e francesa apresentaram fortes argumentos).

Como boa organização que é, jogou na antecipação e colocou o derby de Merseyside para primeiro plano. A paixão que contém qualquer jogo que envolva Everton e Liverpool é contagiante e desta vez não foi excepção, com os jogadores, mesmo os menos identificados com a mística deste confronto, a encarnarem os espíritos das antigas picardias que fizeram deste o jogo com mais expulsões em Inglaterra e disputaram a partida com uma intensidade tremenda.

O espectáculo não perdeu por isso, ao contrário do que seria de esperar. E os jogadores, ao entregarem a alma em cada lance, cada disputa de bola, tornaram o derby da cidade dos Beatles numa partida entretida de se ver. O resultado terminou com uma igualdade a uma bola, que se aceita, num jogo cuja primeira parte pertenceu ao Liverpool e a segunda ao Everton. A equipa de Brendan Rodgers entrou muito bem na partida, com um volume ofensivo interessantíssimo e que causou calafrios em Goodison Park. O Everton foi tentando resistir ao domínio, mas só conseguiu até perto do final da primeira parte, quando Ings cabeceou para o golo inaugural, respondendo da melhor forma ao canto de Milner. Os reds não souberam lidar com a vantagem e, logo a seguir, cederam o empate. Lukaku, aproveitando um ressalto na área causado por um cruzamento tenso de Deulofeu, devolveu a igualdade ao marcador.

Isto fez com que o Everton voltasse de cara lavada do intervalo, encostando o Liverpool às cordas. Aliás, a dada altura, os reds já se tinham dado por satisfeitos pela partilha de pontos e o desfecho acabou por não ser negativo para o Liverpool. Um resultado que se aceita pelo domínio repartido em cada parte do encontro. A surpresa veio mais tarde: Brendan Rodgers não resistiu aos maus resultados e acabou por ser despedido do histórico inglês.

Alexis, a figura da tarde Fonte: Facebook do Arsenal
Alexis, a figura da tarde
Fonte: Facebook do Arsenal

No outro cabeça-de-cartaz da tarde, o clássico Arsenal-Manchester United, ambos partiam para este encontro com a noção de que podiam continuar a ganhar pontos à concorrência (Chelsea, sobretudo) e/ou manter o trono (no caso do United). Era uma oportunidade que não se pode desperdiçar, mas só um podia aproveitar… no caso, o Arsenal, que entrou com tudo para cima do rival, acumulando oportunidades de perigo logo nos primeiros instantes do encontro e inaugurando o marcador à passagem da meia dúzia de minutos, aumentando-o passados menos de 60 segundos. O 2-0 aos 7 minutos abalou o United para o resto do primeiro tempo, não se revelando qualquer situação de perigo a favor dos red devils, com excepção de um lance de Martial na área. Em contraponto, o Arsenal dilatou a vantagem e ainda esteve perto de alcançar uma goleada histórica logo nos primeiros 45 minutos, com a dinâmica do meio-campo/ataque a funcionar em pleno, com Cazorla a comandar as operações e a lançar os endiabrados Alexis, Özil (de regresso, finalmente, à melhor forma), Ramsey e Walcott.

À partida para o segundo tempo, Van Gaal fez duas alterações e a equipa estabilizou, porém, o Arsenal há muito se apoderara do encontro e soube mantê-lo no bolso, revelando-se impermeável a nível defensivo e, ainda assim, expedito quando atacava, embora o fizesse apenas quando não tinha qualquer risco. Ainda assim, esteve mais perto do 4-0 que o United do 3-1.

O Liverpool continua sem perder no Goodison Park, desde há cinco anos a esta parte, e o Arsenal volta a intrometer-se entre os grandes, subindo à co-vice-liderança, juntamente com o rival desta tarde. Jogos históricos, com boas implicações na competitividade da Premier League, e que animaram uma tarde futebolística com muita concorrência. Quem escolheu o campeonato inglês, não terá ficado arrependido.

A Figura da tarde:

Alexis Sanchez – O chileno foi uma das chaves de acesso à fúria arsenalista, dinamizando o ataque e contagiando-o rumo à invasão ao meio-campo contrário. Não parou um segundo e soube ser objectivo com a bola nos pés, merecendo, por isso (e, claro, por dois grandes golos, um deles de calcanhar), o prémio de homem de jogo e, claro, de figura da tarde desportiva inglesa.

Andebol: Sporting 26-27 FC Porto: Dragões aproveitam ‘fantasmas’ leoninos

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cab andebol

Inacreditável como o Sporting não ganha este jogo! O Porto esteve sempre atrás do marcador e chegou a ter uma desvantagem de 5-0 no início da partida – diferença que, ao longo do jogo, atingiu os 7 golos. Foi apenas aos 57 minutos que os dragões voltaram a alcançar os leões, quando, pouco tempo antes, a questão parecia resolvida. Mas os fantasmas leoninos, que aparecem sempre que estes jogam com os campeões nacionais – no ano passado, em “casa”, o Sporting perdeu com o Porto no último segundo e, no terreno do adversário, os verde-e-brancos já não vencem há quase duas décadas – e, entre precipitações, falhas técnicas absurdas e uma total inoperância no ataque, o improvável tornou-se realidade. A época ainda agora começou mas, assumindo que estamos perante as duas melhores equipas portuguesas, os leões podem ter jogado aqui – e perdido – o importante factor-casa na final dos playoffs.

Durante três quartos do jogo a superioridade leonina foi evidente, com Carlos Carneiro a conferir critério e classe ao jogo atacante leonino. Frankis Carol, que actuou a lateral, realizou um primeiro tempo de alto nível fazendo uso da sua capacidade rematadora, e Pedro Portela, com a sua fiabilidade habitual, foi um esteio na ponta-direita leonina. Já o Porto, apesar de ter uma equipa com mais opções e melhor em termos físicos – e, portanto, uma defesa mais sólida – mostrava-se incapaz de contrariar a fluidez de jogo e a eficácia leoninas. Gilberto Duarte, destaque das finais do ano passado, esteve num plano discreto e foi, em parte, graças ao capitão Ricardo Moreira e à meia-distância do checo Michal Kasal que os dragões não deixaram, no primeiro tempo, o Sporting fugir em definitivo.

Com 19-14 ao intervalo, e depois de um largo período na segunda parte em que o Porto marcava mas o Sporting repunha a diferença de 5 golos (ou até mais), o jovem central portista Miguel Martins começou a aparecer e a ser um dos protagonistas da impensável reviravolta, ora orquestrando os ataques da sua equipa, ora finalizando com mestria. Contudo, o esforço de Martins e restantes companheiros seria insuficiente, não fosse a colaboração dos atletas leoninos, que pareciam achar quase “anormal” estar a vencer os campeões de forma tão clara. Nos últimos dez minutos, os vice-campeões baquearam por completo.

miguel martins - fonte site fcp
A jovem revelação Miguel Martins foi uma das figuras da impensável reviravolta
Fonte: fcporto.pt

O jogo decidiu-se no capítulo mental, onde mais uma vez o Sporting falhou. Os leões marcaram 19 golos na primeira parte e apenas 7 na segunda e, como se não bastasse, os erros defensivos começaram a aparecer com frequência. O bloqueio verde-e-branco era personificado pela clara quebra exibicional de Carneiro e Frankis na segunda parte, e também pelo facto de Fábio Magalhães, como é seu hábito, ir alternando entre momentos de classe e situações de clara precipitação.

Enquanto estavam na frente, os leões insistiam em ataques rápidos – uma das imagens de marca da equipa – em vez de prolongarem os ataques, e talvez também esteja aqui uma parte da justificação. A equipa tem de ser mais pragmática, até porque, ao contrário do Porto, tem poucos jogadores para rodar e refrescar. A estampa física de andebolistas como Daymaro Salina, Cuni Morales ou Gustavo Rodrigues (discreto em toda a partida mas muito importante nos minutos finais, com um golo fulcral e de difícil execução) acabou por ser determinante no momento defensivo portista e por fazer a diferença no ataque. Do lado leonino apenas o guarda-redes Aljosa Cudic subiu de produção na etapa complementar, mas não chegou para emendar os erros grosseiros dos seus colegas. Na baliza contrária, Alfredo Quintana começou a um nível discreto mas terminou em grande evidência, bem ao seu nível.

No final, o resultado de 26-27, apesar de impensável poucos minutos antes, acabou por ser justo como forma de castigo a um Sporting amador na gestão das emoções, e de prémio a um Porto que não desistiu nem mesmo quando mais ninguém no pavilhão acreditava na reviravolta. Primeira derrota no campeonato para os leões, os dragões continuam apenas com triunfos, tal como o Benfica.

 

Foto de capa: site oficial do FC Porto

Keylor Navas: Chapada de luva blanca

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cab la liga espanha

O início da época 2015/16 para o Real Madrid teve como principal marco a saída do guarda-redes Iker Casillas, por muitos adeptos idolatrado e por outros contestado, que havia defendido a baliza merengue nos últimos 16 anos. Com a sua transferência, tudo apontava para a aquisição do espanhol David de Gea ao Manchester United, porém um atraso de última hora impossibilitou tal situação. A baliza blanca aparentava assim estar sem dono… contudo a solução estava já no plantel, o costa-riquenho Keylor Navas.

Navas esteve para sair do clube rumo a Inglaterra, para fazer a vez de De Gea em Manchester, no entanto, com a falha na transferência, acabou por ficar e certo é que o técnico Rafa Benítez não ficou, de todo, mal servido. Chamado à titularidade desde o início da temporada e com seis jornadas disputadas na Liga Espanhola até ao momento, o guardião de 28 anos tem realizado excelentes exibições e defesas, que têm certamente valido pontos ao conjunto blanco. Tal tem sido a preponderância de Keylor Navas para o êxito merengue que apenas consentiu um golo nas seis partidas disputadas para o campeonato, o que faz do Real Madrid a defesa menos batida. Além disso, conseguiu ainda manter a baliza intacta nos dois compromissos referentes à Liga dos Campeões (ante o Malmo e o Shakhtar Donetsk).

Apenas um golo consentido em seis jogos… é este o excelente registo de Navas na liga Fonte: Facebook de Keylor Navas
Apenas um golo consentido em seis jogos… é este o excelente registo de Navas na liga
Fonte: Facebook de Keylor Navas

De facto, o costa-riquenho ficou a apenas quatro minutos de bater o recorde do espanhol Miguel Ángel, que na época 1975/76 de La Liga, enquanto defendia as cores do Real Madrid, ficou 431 minutos sem sofrer qualquer golo a contar para o campeonato, meta que Navas não conseguiu superar, por um escasso período de minutos, graças ao golo sofrido diante do Athletic Bilbao na última jornada.

Internacional por 63 vezes pela Costa Rica, Navas chegou ao Real Madrid a troco de 10 milhões de euros pagos ao Levante, após assinar uma excelente campanha no Mundial 2014, no qual chegou com a sua seleção aos quartos-de-final e foi considerado o melhor guarda-redes da prova. A primeira época não lhe correu de feição, pois viveu-a na sombra de Casillas e apenas realizou 11 jogos, quase tantos como os que já leva até então em 2015/16.

Tem sido bem visível que com Rafa Benítez ao leme, o Real Madrid é, nos dias que correm, uma equipa com melhores índices defensivos do que no transato, demonstrando uma evidente consistência no que concerne ao processo de defender. Ainda assim, o perigo também tem rondado a baliza blanca durante os vários jogos, com Keylor Navas a ser o principal destaque da equipa neste capítulo, com defesas capazes de levantar os adeptos nas bancadas e exibições de primordial importância para as aspirações da turma da capital espanhola.

Muitos eram os aficionados do desporto-rei que acreditavam que Keylor Navas não tinha o perfil que era necessário para ser o guarda-redes titular de um dos maiores colossos do mundo de futebol, mas este tem provado que aqueles que pretendiam a sua saída do Real Madrid estavam completamente equivocados. O guardião costa-riquenho é agora figura de proa indiscutível nas escolhas de Rafa Benítez e tem vindo a confirmar estar à altura do desafio que é substituir uma lenda viva do Real Madrid como Casillas, na baliza merengue. Com a temporada ainda em fase inicial, as exibições de Navas têm sido como uma autêntica “chapada de luva blanca” para os que duvidavam da sua qualidade.

Foto de capa: Facebook de Keylor Navas

Académica 1-0 Marítimo: Excesso de Paixão, mas vitória merecida

futebol nacional cabeçalho

Os sorrisos deixaram de ser de cortesia, as felicitações deixaram de ser para o adversário e o orgulho voltou a instalar-se, confortavelmente, em Coimbra. Como um clique, a chicotada psicológica funcionou em pleno e, cinco meses depois, a Académica voltou a vencer um jogo para o campeonato nacional, batendo o Marítimo por 1-0. Voltou o orgulho e a “paixão”, conforme disse Ivo Vieira em conferência de imprensa.

A Briosa dispôs de superioridade numérica numa fase precoce do encontro (18 minutos), é certo, mas seria injusto falar apenas na expulsão de Dirceu (dois amarelos em sete minutos) como factor de decisão no resultado final, pois a Académica teve bons momentos no encontro e justificou a vitória, praticando um futebol organizado (sublinhou Filipe Gouveia, em conferência de imprensa) e assente na confiança das próprias capacidades, que desde o início da época têm sido apregoadas mas que nunca passaram das páginas dos jornais ou das vozes de técnicos, jogadores e crítica para o campo.

A equipa soube estender-se no campo, invadindo o terreno contrário de forma consistente, sobretudo na fase posterior à expulsão dos insulares. Fernando Alexandre e Obiora afinaram a cumplicidade e deixaram bem quentes as costas do 3×1 ocupado por Ivanildo, Rui Pedro e Nii Plange e Rabiola. Um quarteto que não esteve sempre em sintonia mas que foi suficiente para abrir espaços na defesa maritimista e deixar os adeptos com esperanças num desfecho diferente daquele que vinham a ter desde há quase meio ano a esta parte.

Ao segundo jogo Filipe Gouveia conseguiu a primeira vitória da Briosa
Filipe Gouveia conseguiu a primeira vitória da Briosa logo ao segundo jogo

Para o segundo tempo, Filipe Gouveia fez entrar Gonçalo Paciência para o lugar de Rabiola; pouco depois Ivanildo lesionou-se e cedeu o lugar a Hugo Seco. A partir daqui, a equipa revelou maior acerto na hora de atacar. O Marítimo não tinha outra opção senão recuar linhas e diminuir o espaço entre elas, e foi conseguindo, assim, atenuar o crescimento da Académica. Este, porém, parecia uma inevitabilidade e começou a cheirar a golo depois de um livre bem batido por Emídio Rafael, defendido por Salin, de forma incompleta, o que deu azo a mais duas recargas, às quais o guardião francês soube dar corpo.

Uma ameaça, que se viria a concretizar, mais tarde, via grande penalidade. Depois de Nii Plange ganhar espaço no flanco esquerdo do ataque dos estudantes e cruzar para a área, onde o braço de Rúben Ferreira interceptou a bola, dando origem a uma explosão de alegria nas bancadas e que se prolongou pelo resto do encontro.

Até ao final, a Briosa ainda sofreu (Marega e Dyego Souza assustaram, Trigueira respondeu à altura). Era-lhe estranha a vitória (há muito tempo desaparecida do Cidade de Coimbra) e a “esmola” que o jogo tinha dado a uma equipa pobre em vitórias era demasiado grande para não se desconfiar… mas o apito final (dado com um minuto e dez de antecedência dos cinco supostamente dados por Bruno Paixão) acabou com as dúvidas.

Depois de ter interrompido uma série de quase um ano sem vencer no Cidade de Coimbra com a vitória sobre o Nacional, volta a ser uma equipa madeirense o “bombo” da festa dos estudantes, que não venciam em casa há 8 jogos seguidos e que não deixavam a baliza inviolada desde há 5 meses a esta parte (questionado pelo Bola na Rede sobre a influência da alteração da dupla de centrais neste feito, Gouveia sublinhou que a equipa soube manter-se organizada e relativizou a importância das mudanças no eixo dizendo que só lhe importava aquilo que se passara desde o jogo com o Rio Ave).

Igor Vieira afirmou que existiu Paixão a mais em campo
Ivo Vieira afirmou que existiu Paixão a mais em campo

Voltaram os sorrisos genuínos, os gritos de apoio são cada vez mais sentidos e o ar é, agora, mais respirável em Coimbra.

Figura do jogo:

Nii Plange (Académica de Coimbra) – Quando a equipa parecia duvidar de si, eis que surgia o internacional pelo Burkina Faso a insistir para que isso não acontecesse. Foi através de uma iniciativa sua que surgiu o penalti que deu o golo da vitória e, por vezes, pareceu ter mais do que dois pulmões, tal a forma como disputou os lances, sem acusar o desgaste do tempo.

Fora-de-jogo:

Bruno Paixão – Foi demasiado benevolente quando devia ser rígido, e vice-versa. Tomou atitudes pedagógicas quando se pedia que o jogo corresse mais depressa e ainda pareceu deixar sem esclarecimento dúvidas legítimas de jogadores sobre lances em que estiveram envolvidos. A isto, soma um erro enorme de ter terminado o jogo com 1 minuto e 50 segundos de antecedência e uma expulsão extremamente duvidosa de Dirceu, que condicionou o resto do encontro.

Basquetebol: Os campeões continuaram a vencer

cab basquetebol nacional

Quando era novo, o dia 5 de outubro era o dia das mais variadas Supertaças nas várias modalidades, mas desde que tiraram este feriado a Supertaça mudou para o fim de semana anterior, e hoje foi o dia das provas referentes ao basquetebol.

Benfica e União Sportiva, os campeões masculinos e femininos, respetivamente, venceram o Barcelos e o CAB Madeira e conquistaram assim o troféu, que para ambos os clubes já é o segundo da temporada.

Comecemos pelo Benfica. Os encarnados foram uns vencedores justos e esperados do jogo de hoje, frente a um Basquete de Barcelos que nunca pôs em causa a vitória das águias. O primeiro quarto do jogo mostrou logo ao que vínhamos, ao ficar 30-7, e terminou com um 79-42 no marcador. O jogo permitiu a Carlos Lisboa rodar toda a equipa e não abusar de alguns dos seus melhores jogadores, sendo que o jogador que esteve mais tempo em campo foi Carlos Andrade, com 28 minutos.

Os jogos até agora feitos pelo Benfica mostram que é mais uma vez o grande candidato ao título nacional e arrisco-me a dizer que este ano vai ser dada uma certa prioridade à Europa e continuar, assim, a evolução da equipa no panorama das competições europeias.

As açorianas venceram os três últimos troféus em disputa Foto: Facebook União Sportiva
As açorianas venceram os três últimos troféus em disputa
Foto: Facebook União Sportiva

Nos femininos, o jogo era uma pequena incógnita, visto o CAB Madeira ainda não ter jogado este ano. Por ser disputado na Madeira e pelo facto de as madeirenses terem sido a grande equipa da temporada passada, esperava-se um jogo muito mais equilibrado do que o masculino.

Apesar disso, a equipa açoriana esteve sempre à frente do marcador, ganhando ao intervalo por 41-28 e com o resultado final de 76-57. Foi um jogo bem conseguido por parte dos CUS, que mereceram por inteiro a vitória. Ashley Bruner, que trocou este verão as madeirenses pelas açorianas, foi a melhor jogadora em campo.

Com os jogos já disputados pelas equipas femininas fica a ideia de que as principais candidatas são novamente o União Sportiva, o CAB e o Quinta dos Lombos, sendo que nesta altura as açorianas talvez sejam a maior candidata ao título, mas não se pode já dizer com tanta certeza que uma equipa vai ser campeã como se pode dizer para o campeonato masculino.

Foto de capa: Facebook da FPB

Cartas com destino mas sem remetente

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eternamocidade

Um dos conceitos mais abordados na análise de um jogo de futebol tem que ver com a justiça do resultado. Quer o nosso clube ganhe, empate ou perca, há sempre a tendência para, no meio das linhas do nosso texto, darmos sempre a nossa consideração sobre a justiça do resultado. Ainda assim, creio que futebol e justiça são dois conceitos que se ligam para além do mero resultado de cada jogo. Em muitos casos, ligam-se quando se referem a jogadores.

São dois os casos que trago a este artigo e que vão ao encontro desse ideal de justiça. De seus nomes Herrera e Silvestre Varela. Dois jogadores cuja passagem pelo FC Porto é tudo menos um passeio no parque. Dois jogadores tão diferentes mas que se cruzam, por estes dias, por serem aparentemente os excluídos mais mediáticos do plantel de Julen Lopetegui.

Herrera e Varela cruzaram-se logo na temporada 2013/2014, aquela em que Paulo Fonseca foi considerado o culpado de quase todos os males da equipa. Nessa altura, já andavam eles, mexicano e português, como figuras de proa de uma equipa que andava sem rumo e que desiludia semana após semana. É injusto, claro, dizer que, já naquela época, Herrera e Varela eram culpados pelo que o FC Porto não fazia dentro de campo.

O médio fez no total 31 jogos na temporada, enquanto o extremo chegou mesmo aos 48. Até pela escassez de opções na altura, os dois eram quase presença assegurada semana após semana no onze. Varela já estava no clube há quatro temporadas, enquanto Herrera era estreante no clube. Por isso, o nível de exigência era diferente em cada um dos casos. No caso de Varela, pedir mais a um jogador cujos recursos são limitados é difícil. Em relação a Herrera, o rótulo de “novo João Moutinho” foi sempre um fardo demasiado pesado para ele.

Então, o que mudou, num espaço de duas épocas? Bom, tendo em conta aquilo que são as opções atuais de Lopetegui, é caso para dizer que pouco ou nada mudou. No caso de Silvestre Varela, não deixa de ser curioso este vaivém que o extremo tem vivido. Depois de na época passada alegadamente não ter querido manter-se no plantel, Varela decidiu regressar, renovar com o clube e dar a si próprio uma segunda oportunidade num clube onde tinha sido feliz. No caso de Herrera, é impossível não disfarçar o mal estar inerente à sua irregularidade.

silvestre-varela
Varela deixou de ser opção
Fonte: sporttuga.com

Aliás, para mim, o mexicano é um verdadeiro case study no futebol moderno. Dono de um pulmão inesgotável, continuo sem compreender o porquê de Herrera ainda não ter conseguido firmar-se no FC Porto. É certo que, durante as últimas duas épocas, Herrera foi mostrando, de quando em vez, as credenciais que trazia do México. O mais preocupante é que, para o comum dos adeptos portistas, ainda não tenha sido possível ver, em Portugal, o Herrera que todos vimos no Mundial 2014 no Brasil. Nessa competição, arrisco-me a dizer que Herrera esteve entre os 10 melhores médios da prova. Depois de um Campeonato do Mundo de mão cheia, a ideia que vinha à mente de todos os portistas era a de que ele seria um dos próximos a rumar a outras paragens e a deixar mais uns milhões nos cofres do Dragão.

A verdade é que as semanas passam, os jogos passam e esse Herrera continua sem aparecer. No meio de tantos adversários, mais ou menos exigentes, o mexicano continua sem fazer dois jogos seguidos de qualidade. A irregularidade que apresenta é quase confrangedora, e a incapacidade em ser fiável é algo incompreensível para um jogador da sua qualidade. Também por isso é que, à terceira época, já são poucos os que no Dragão têm paciência para as dezenas de passes errados que faz durante o jogo. Instabilidade vivida nas bancadas e que passa invariavelmente para os ouvidos de Lopetegui. Coincidência ou não, a verdade é que Herrera já foi substituído várias vezes durante este início de época. Da saída da equipa até à saída total das convocatórias foi apenas um passo, e parece que Herrera  agora já nem sequer conta.

Varela é outro dos casos paradigmáticos do plantel portista. E digo isto sobretudo pelo facto de nunca ter sido um bem amado nas hostes azuis e brancas. Não me recordo, aliás, de, com Varela com a camisola azul e branca, ter visto o português ser aplaudido de forma efusiva mais do que uma dúzia de vezes no Dragão. A verdade é que, com o regresso do extremo esta época ao FC Porto, esperar-se-ia que o rumo de Varela fosse outro. Bem sei que, com Corona, Brahimi e Tello metidos ao barulho, Varela nunca teria vida facilitada para ter lugar no onze. Ainda assim, e tendo em conta aquilo que outros jogadores na sua posição têm feito, não me parece justo e sequer honesto aquilo que Lopetegui está a fazer com o extremo português.

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Herrera continua a ser mal amado no FC Porto
Fonte: desporto.sapo.pt

Esta “injustiça” pode ser aliás estendida a Herrera. Não sou e nunca fui defensor das célebres “queimadelas” de treinadores a jogadores durante uma época. Infelizmente, durante o reinado de Lopetegui no FC Porto, isso tem sido frequente. O ano passado com Quaresma e Fabiano à cabeça como protagonistas maiores destes casos internos no plantel. No caso de Quaresma, o caso teve mais que ver com incompatibilidade entre os dois protagonistas da história. No caso do guarda redes, teve que ver com a goleada de Munique, que, segundo o espanhol, teve em Fabiano Freitas praticamente o único responsável.

Época passada e parece, tal como escrevi a semana passada, que pouco mudou no FC Porto. O caminho mais fácil seria, depois da vitória e da exibição na última terça feira frente ao Chelsea, para a Liga dos Campeões, vir para estas linhas no Bola na Rede dar graças por ter no plantel portista jogadores como Rúben Neves ou André André. Como sei que esse é o caminho mais fácil, opto por, entre a euforia generalizada, apontar o dedo a algo que não considero ser correto no reino do Dragão. Falo, pois claro, dos afastamentos de Herrera e Varela, que, de um momento para outro, passaram de protagonistas a atores secundários desta história.

É certo e indesmentível que nem mexicano nem português estariam a fazer os melhores jogos da sua carreira. Mas também é certo e indesmentível que não é com atitudes ou comportamentos destes que se ganham jogadores ou que se agarram balneários. É verdade que, no âmbito das suas funções como treinador, Lopetegui tem todo o crédito para fazer as escolhas que quiser, tendo em conta as ideias que defende. Aquilo com o qual não concordo é que Lopetegui continue a mudar de jogadores como quem muda de camisa e, sobretudo, que continue a apontar o dedo a jogadores, fazendo-os desaparecer do mapa sem razão aparente.

Com uma época tão longa, é imprescindível que o treinador entenda os jogadores e perceba que não é por uma má fase que se tem de perder um atleta. No caso de Herrera e Varela, isso é ainda mais claro. Com todos os defeitos que quer um quer outro têm, é indiscutível, pelo menos para mim, que são dois jogadores que fazem falta ao FC Porto, pela experiência e qualidade que têm. É que, no meio das funções de um treinador, este não pode simplesmente endereçar a poucos aquilo que é culpa de todos. É a velha história da justiça e do futebol. E não, neste caso, isso não tem mesmo nada a ver com os resultados que uma equipa tem no final de uma temporada.

Diamante em bruto… Quase polido

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O ciclo infernal terminou. O FC Porto passou, embora sem distinção de maior, no exame conjunto que os desafios com Dínamo de Kiev, Benfica, Moreirense e Chelsea representaram, sobrevivendo a uma fase que será, por certo, uma das mais (se não vier a ser mesmo a mais) difíceis de toda a temporada. Os únicos “senãos” que coloco aqui prendem-se com os empates registados na capital ucraniana e em Moreira de Cónegos. Se, num dos lados, o resultado não se pode catalogar como mau (em Kiev), não deixou de ficar um amargo na boca pela forma como o segundo golo do Dínamo aconteceu. Em Moreira de Cónegos, a mesma coisa, com a agravante de se tratar de um adversário de muito menor potencial e menor valia e pela diminuição da vantagem sobre os concorrentes diretos na Liga (valeu o empate do Sporting no Bessa).

No entanto, a principal ilação a retirar deste ciclo já passado é, para mim, a afirmação é o amadurecimento definitivos do grande jogador que (já) é Rúben Neves. Confesso que começou por me maravilhar desde a pré-temporada 2014/15, mas algumas atuações menos seguras – não más, porque Rúben é daqueles que não sabem jogar mal -, principalmente em jogos de grau de dificuldade elevado, levaram-me a crer que mais tempo era necessário. Continua a ser, que não haja dúvidas. Por muito bom que um jogador seja, aos 18 anos precisa de muita mais rodagem, mas não engana.

Rúben Neves já é um dos patrões do meio-campo portista Fonte: Facebook Rúben Neves
Rúben Neves já é um dos patrões do meio-campo portista
Fonte: Facebook Rúben Neves

Desta feita, o médio foi lançado às feras e conseguiu dominá-las, ora a golpe de chicote (com exibições mais personalizadas e assentes na raça), ora com voz mansa, quase numa melodiosa canção, como é o futebol que lhe sai dos pés. Rúben Neves dá acutilância ao jogo portista. Clarividência e intensidade, coisa que terá aprendido recentemente, dado que esse era o tal ponto fraco da época transata. Pode jogar a trinco, ou mais adiantado. Diferenças? Quase nulas. Joga tão bem num lado como no outro. Um patrão. Vergou os poderosos médios do Chelsea. Fez encolher a equipa milionária de Mourinho e Abramovich, porque encheu o campo com o seu futebol. Não esteve sozinho, pois claro, mas, por vezes, deu a ideia de que poderia estar, que daria conta do recado. Acima de tudo, é um orgulho ver um diamante em bruto precoce das escolas portistas impor-se com a naturalidade com que Rúben Neves o faz. Os gigantes já andam ao seu encalço. Normalíssimo. Mas mais dois aninhos na incubadora do Dragão serão o ideal. Aí será, não um senhor jogador, mas um mestre de miolos. Já não há dúvidas. É uma pedra preciosa em bruto, pela idade, mas claramente lapidada. Veja-se lá: até os sub-21 já parecem pouco para ele…

Sporting tem o cérebro, mas ainda falta o tronco e os membros

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a norte de alvalade

No final do último jogo do campeonato, no Bessa, Jorge Jesus apontou a falta de criatividade como uma das causas para o insucesso no resultado. Quem viu o jogo só pode ser levado a concordar com ele. Se é verdade que a equipa se empenhou em ganhar o jogo até ao apito final do árbitro, não o é menos reconhecer que faltaram as melhores ideias para contrariar o autocarro boavisteiro.

A admissão de Jorge Jesus parece-me encerrar um excelente motivo de reflexão. Reconhecendo-lhe razão, como foi feito no parágrafo precedente, vale a pena tentar descodificar o que ela encerra.

A conclusão óbvia

Muitos perceberam na afirmação uma referência subliminar (ou nem por isso), à ausência de Carrillo. Não o posso afirmar, porque não estou na cabeça de Jesus, mas a conclusão é quase obrigatória. Percebeu-se, desde o inicio de época, quer nas palavras quer no papel que lhe foi atribuído, que Carrillo era um elemento preponderante na estratégia do treinador, pelo que a sua ausência teria que ter consequências na estratégia do treinador e na resposta da equipa.

Conclusão geral retirada de um momento em particular

Para lá de tudo o que se possa dizer – e muito tem sido dito – sobre problema que opõe o clube ao seu empregado, do ponto de vista estritamente futebolístico Carrillo faria sempre falta. Não sendo uma comparação de valor entre os jogadores, a sua ausência está para o Sporting como estaria a de Gaitan para o SLB ou de Brahimi para o FCP. Os poucos jogos até agora efectuados sobre o comando de Jesus mostravam um jogador cada vez mais solto e confiante, desempenhando com acerto funções mais alargadas do que as que lhe haviam sido confiadas nos dois anos anteriores. O problema torna-se mais agudo porque não há no plantel quem o possa substituir no papel que Jesus lhe havia talhado.

Só por doses maciças de muito boa vontade, que até pode reverter em desfavor do jogador, se pode considerar que Gélson faz o lugar. O que os jogos mais recentes têm feito é desmentir esses assomos de voluntarismo de opinião. Isto não é negar o talento do miúdo, é considerar apenas que o jogador tem ainda muito que crescer, desde a compreensão do jogo até a atributos físicos “treináveis” como os diferentes tipos de força, a agilidade, a velocidade, etc. Isto não esquecendo que as características dos jogadores diferem entre si e que a idade ainda mais acentua. No fim de contas é o mesmo que considerar que Gélson irá agora começar a trilhar o mesmo caminho que fez Carrillo quando, com dezoito anos, chegou do Peru.

Para o lugar até agora desempenhado por Carrillo talvez João Mário ou Mané possam ter características mais indicadas para  função. Mas é preciso não esquecer que não estamos a falar de uma mera substituição de peças numa linha de montagem. É preciso refazer algumas das dinâmicas colectivas entretanto treinadas, sendo igualmente necessário dar tempo a que os jogadores absorvam os novos conceitos que as funções a desempenhar obrigam.

 

João Mário poderá ter novas funções com a ausência de Carrillo Fonte: Facebook Oficial do Sporting
João Mário poderá ter novas funções com a ausência de Carrillo
Fonte: Facebook Oficial do Sporting

Uma conclusão preocupante I

O que é possível concluir desde já é que os problemas que a ausência de Carrillo tem colocado não estavam previstos e que estes se vêm juntar a outros que já pareciam existir. Isto é, se a ausência do peruano agrava os problemas relacionados com a criatividade e imprevisibilidade na criação do nosso jogo ofensivo, estes vêm-se juntar a outro que aos poucos se ia destapando a cada jogo efectuado: o da eficácia na hora de concretizar.

Os últimos dois jogos talvez tenham servido como dolorosa ilustração da afirmação efectuada no parágrafo anterior. Mas, olhando para generalidade dos jogos até agora realizados, o que se verifica são precisamente resultados tangenciais, entrecortados por dois empates. A excepção foi o jogo em Coimbra e a posição da Académica na tabela diz muito o quão relativa deva ser a consideração a ter em conta. O nosso jogo ofensivo e sobretudo a capacidade concretizadora está a representar um sério problema para a nossas ambições.

Uma conclusão preocupante II

A frase de Jesus soa a confissão de impotência em alterar o rumo dos acontecimentos no Bessa. Tive a oportunidade de ver Jesus de perto, em zonas habitualmente vedadas ao grande público, e os danos provocados pelas incidências da partida eram bem visíveis no semblante carregado do treinador e na forma “caída” como abandonou a conferência de imprensa a caminho dos balneários.

 

Não duvido da qualidade profissional de Jesus. Não gosto de falar de forma absoluta, mas dizer que é o melhor treinador a treinar em Portugal, podendo até mesmo ser o melhor de todos, não é propriamente escandaloso. Tem quanto a mim, entres os candidatos ao título, o modelo melhor preparado para lá chegar e seria muito mais fácil para ele, com o plantel do FCP ou SLB, sê-lo. Muito mais difícil será sê-lo no Sporting.

 

Foi também muito por essa excelência que o Sporting contratou Jesus, julgo. Falta saber se ela é suficiente para desfazer a diferença de recursos. Acredito nessa possibilidade, mas não deixo de considerar que esperava algumas diferenças na sua actuação. Especialmente nas escolhas individuais e de posicionamento. Logo no inicio de época pareceu-me precipitadas as dispensas de Walyson e Iuri. Hoje, olhando para a produção real, (não do potencial obviamente) de Aquilani, a dúvida acentua-se.

Iuri Medeiros seria mais uma opção credível para as alas leoninas Fonte: Facebook Oficial do Sporting
Iuri Medeiros seria mais uma opção credível para as alas leoninas
Fonte: Facebook Oficial do Sporting

 

Para não especular com os que já cá não moram diria ainda que o treinador não pode estar à espera de uma solução individual nascida de inspiração momentânea, ignorando a importância do colectivo. E aí, com os jogadores que tem à disposição parece-me que as soluções ainda não estão esgotadas. Por exemplo, não me querendo substituir ao treinador, não deixo de pensar que, no que Jorge Jesus treina e põe a jogar, Montero ofereceria outra continuidade ao jogo que Slimani não pode.

 

No entanto, nenhum dos três-pontas-de-lança oferece a Jesus o melhor que Vitória e Lopetegui possuem. Muito do nosso crescimento como candidatos terá que passar inevitavelmente pela construção de maior número de oportunidades que se adequem aos nossos números de eficácia. Se as ideias do “cérebro” são boas, há que convir que o corpo e os membros necessitam ainda de muito crescimento.

Uma pequena nota adicional: a importância do hábito

Discordo em absoluto das análises que concluem pela falta de empenho e garra da equipa para explicar os resultados. Isto é negar a natureza mais comum dos jogadores que é gostar e ganhar até a feijões e é negação que resulta dos próprios factos. Uma equipa sem garra não teria chegado a alguns resultados obtidos quase no final dos jogos. A garra e o querer são condições básicas, sem as quais não vale a pena sequer calçar as botas. Mas já incluiria nas causas do falhanço do ataque à liderança no Bessa o hábito de estar neste momentos a importância da preparação psicológica para estes momentos. Isso também se treina mas apenas em ambiente real e, como sabemos, grande parte dos nossos jogadores não têm sido testados ao nível a que estão a jogar agora.

 Foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting