Início Site Página 10926

O meio campo do FC Porto: Boas dores de cabeça

O campeonato já começou, substituições já aconteceram, formas de jogar perante diferentes cenários já se preveem. Quando penso na forma (ou diferentes formas de jogar do FC Porto), penso imediatamente no meio campo que, diria eu, está sobrelotado.

No meu passado artigo, previ que a dupla habitual de médios do FC Porto seria Grujic e Uribe. Ora bem: aproveito estas linhas a que tenho direito para fazer um mea culpa. Nem sequer considerei o nome de Sérgio Oliveira porque, fazendo um arriscado exercício de futurologia, prevejo que o internacional português acabe por ser vendido antes do fim do mês.

Até lá, vejamos as opções:

Uma dupla composta por Uribe e Sérgio Oliveira é, a priori, uma dupla com grande complementaridade. Confesso que, para mim, Uribe é o melhor médio do FC Porto (não quero com isto dizer que seja o mais completo nem o mais decisivo).

Referenciado como um box-to-box com muita chegada à área, Uribe terá, a esse nível, desiludido alguns adeptos do futebol português. Desde que o vejo no FC Porto, sempre vi no colombiano as mesmas caraterísticas: um grande médio equilibrador, constantemente bem posicionado e muito forte nos duelos.

meio campo FC Porto
Uribe fez 41 e 46 jogos respetivamente nas duas épocas que passou em Portugal.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Assim sendo, Uribe tem de jogar e, mais do que isso, tem de ser o médio defensivo da equipa. Já ao lado do colombiano… Sérgio Conceição tem a palavra.

Para mim, Sérgio Oliveira é o médio capaz de equilibrar a equipa e de desequilibrar o adversário ao mesmo tempo, mas há outras opções que não são necessariamente piores.

Vitinha é, na minha opinião, e caso o clube não o queira vender, o melhor candidato a sucessor do Sérgio Oliveira do ano passado. Se Uribe jogar ao lado do médio que acumulou, na época passada, momentos de Premier League (mal seria se não fosse, hoje, melhor jogador) ao lado de nomes como Moutinho ou Rúben Neves, o meio campo do FC Porto tem tudo para ser melhor.

Vitinha é um jogador capaz de discernir os momentos de fazer rodar a bola ou de meter um último passe. É um médio que, não sendo um 10, é tecnicamente forte o suficiente para fazer a diferença.

Há, contudo, ainda outra opção: Fábio Vieira (jogador que, creio eu, está condenado ao facto de a equipa não jogar com três médios)… Os adeptos portistas que se lembrarem de um tal de Óliver Torres saberão do que estou a falar.

Já nesta época, em Famalicão, o FC Porto retirou um ponta-de-lança para colocar um extremo e permitir que Otávio fosse terceiro médio. Fábio Vieira é, para mim, em condições normais, o melhor médio ofensivo da equipa e, nos momentos em que a equipa precisar dele, deve manter Otávio na ala. Fábio Vieira, sim, deve substituir o ponta-de-lança.

Sobram Grujic e Bruno Costa.

Grujic é um grande jogador, mas, se jogar com Uribe, a equipa vai sentir falta de algo no momento ofensivo. Estou a pensar nele para os jogos de Liga dos Campeões… Creio que um meio campo a três, em que Grujic e Uribe assegurassem que um jogador como Otávio ou Fábio Vieira podia desequilibrar, faria um FC Porto muito competitivo, mesmo a nível europeu.

meio campo FC Porto
O médio sérvio regressou ao FC Porto depois de uma época emprestado aos dragões.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Bruno Costa tem tido, curiosamente, mais tempo de jogo do que os jogadores descritos anteriormente (apesar de o caso de Grujic estar explicado pela sua lesão). Talvez Sérgio Conceição queira criar um “clone” de Sérgio Oliveira e, na verdade, até são jogadores parecidos: ambos têm colocação de bola, ambos cumprem a atacar e a defender e ambos interpretam muito bem o papel de “segundo médio” de que o treinador tanto gosta.

No fundo, creio que Fábio Vieira e Vitinha têm mais potencial do que Oliveira ou Bruno Costa, mas menos probabilidades de jogar.

Todos terão momentos de protagonismo durante a época. O jogo contra o Famalicão, por exemplo, provou que o “problema não está do meio-campo para a frente” (a frase é do próprio Sérgio Conceição).

Diria mais: os médios darão muitas das chamadas boas dores de cabeça a Sérgio Conceição este ano. O problema será decidir quem fica de fora.

Artigo revisto por Andreia Custódio

Volta a Portugal | Amaro Antunes vence pelo segundo ano consecutivo

A 82.ª edição da Volta a Portugal ficou marcada pela conquista da camisola amarela, pelo segundo ano consecutivo, do algarvio Amaro Antunes.

A prova teve emoção até ao fim, demarcando-se como uma das edições mais espetaculares dos últimos anos.

Talvez uma das edições mais difíceis de ganhar para a equipa nortenha e para Amaro Antunes.

Apesar de Amaro ter conquistado a prova, a W52-FC Porto ficou de “mãos a abanar” em termos de etapas, algo que nunca acontecera antes, desde a criação base da equipa, a antiga OFM-Quinta da Lixa.

Amaro, por vezes, foi obrigado a correr mais resguardado, visto que a Efapel não estava a dar tréguas, apresentando-se com uma equipa muito forte.

Esta vitória da W52-FC Porto deve-se muito ao trabalho dos seus corredores, principalmente João Rodrigues, que foi uma autêntica máquina nas subidas! Ricardo Mestre foi outro homem em destaque.

Apesar de ter havido uma certa confusão tática em algumas etapas, a equipa conseguiu revalidar o título e só poderá estar contente com o desfecho.

No entanto, existem alguns pontos-chave nesta Volta, proporcionados pela equipa Efapel. Na etapa da Torre, Mauricio Moreira recolheu um bidon/garrafa fora da zona de abastecimento e levou com 40s de penalização.

Ontem, o mesmo acabou por cair numa fase rápida do contrarrelógio, acabando por perder tempo que tinha ganhado a Amaro – ele que estava a fazer um tempo-canhão na altura.

Acabou na segunda posição do contrarrelógio, a 12 segundos apenas, atrás do seu colega Rafael Reis. De salientar que Amaro também teve um percalço na chegada ao alto da Senhora da Graça, perdendo alguns metros para Mauricio.

Ora, todas estas peripécias acabaram por ditar o desfecho da corrida, visto que Mauricio ficou apenas a 10 segundos do vencedor final. Sentiu-se na estrada que Mauricio Moreira era o corredor mais forte, mas, no final, o que conta são os tempos.

A equipa Efapel fez uma Volta a Portugal fantástica e tinha a vitória perfeitamente ao seu alcance. Em 11 dias de prova, conquistaram 6 triunfos, com três intervenientes principais: quatro vitórias de Rafael Reis, uma de Frederico Figueiredo e outra de Mauricio Moreira.

Rafael Reis venceu os dois cronos, duas etapas em linha, andou quatro dias de amarelo e levou para casa a camisola dos pontos. Foi a figura da Volta deste ano. Além disso, ainda venceram a classificação por equipas, o que já não acontecia desde 2013!

Dentro das equipas portuguesas, a equipa Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel também se destacou. Os veteranos lideraram e bem.

O espanhol Alejandro Marque andou três dias de amarelo, quatro se contarmos o dia em que substituiu Daniel Freitas (obrigado a desistir devido à presença de Covid-19 na equipa) e ainda aproveitou a marcação cerrada entre Efapel e W52 para vencer, no alto da Torre, de forma sublime.

Acabou no terceiro lugar da geral, prémio mais do que merecido. Teve a ajuda do seu amigo e companheiro de equipa Gustavo Veloso, que fez a despedida do ciclismo competitivo, pelo menos como corredor.

Nota ainda para o grande desempenho dos corredores da Antarte-Feirense: Bruno e Rafael Silva.

Estiveram várias vezes imiscuídos na fuga do dia e Bruno Silva acabou por conseguir somar pontos suficientes para a conquista da camisola das bolinhas, a da montanha. Bruno já havia conquistado esta mesma camisola em 2015, ao serviço da LA Alumínios/Antarte.

A LA Alumínios/LA Sport apresentou-se com uma equipa jovem, com os principais destaques a serem Miguel Salgueiro, Marvin Scheulen e Gonçalo Leaça.

Mostraram o seu valor nas fugas do dia, conquistando a camisola da montanha ao segundo dia, na etapa de Castelo Branco, por intermédio de Scheulen.

Miguel Salgueiro esteve em evidência por diversas ocasiões – principalmente nas etapas com chegada a Setúbal e na Serra do Larouco, mostrando-se cheio de vontade de brilhar.

Quanto a equipas estrangeiras, o destaque vai para a equipa dos Estados Unidos da América, a Rally Cycling, que arrebatou três etapas “sem dó nem piedade”.

Kyle Murphy venceu no empedrado de Castelo Branco e na Serra do Larouco, enquanto que Benjamin King triunfou em Fafe.

Antes de chegar à Volta a Portugal, a equipa tinha apenas uma vitória na temporada. Estiveram com muita vontade e proporcionaram-nos um bom espetáculo.

A Israel Cycling Academy foi a outra equipa estrangeira a vencer na Volta, com um triunfo do jovem britânico Mason Hollyman, na subida icônica à Nossa Senhora da Assunção, em Santo Tirso. Esta foi a sua primeira vitória como corredor profissional.

A única equipa do WorldTour, a Movistar, esteve em evidência na camisola da juventude. O vencedor desta classificação acabou por ser o jovem porto-riquenho Abner González, que acabou em sexto da geral.

Traziam uma equipa muito jovem, e a queda de Carretero ao segundo dia comprometeu um pouco a prestação na geral. Samitier esteve uns furos abaixo do esperado.

O ciclista mais velho da equipa, Lluis Mas, esteve bem, fazendo vários top dez durante a competição.

A Volta a Portugal ficou manchada pelas várias desistências devido à Covid-19. Foram para casa as equipas Caja Rural, Rádio Popular Boavista, Euskaltel-Euskadi e elementos das formações Kern-Pharma e Tavira.

A equipa boavisteira viveu uma situação delicada, visto que Daniel Freitas iria partir com a camisola de líder, conquistada na véspera. Hugo Nunes mostrava-se em grande forma nos axadrezados.

Uma Volta a Portugal com muita incerteza e com espetáculo em várias etapas. As marcações táticas entre Efapel e W52-FC Porto revelaram-se interessantes para quem assistiu à corrida.

A presença de público nas estradas foi notória, o que ajudou a criar aquele ambiente característico de uma prova de ciclismo.

Porém, alguns “adeptos” mais valia terem ficado em casa…

Foto de capa: Volta a Portugal

Artigo revisto por Andreia Custódio

ATP Masters 1000 Toronto | Nove meses depois de Paris, Toronto

0

O Masters 1000 de Toronto ficou marcado, logo de início, pela desistência de Rafael Nadal, que era o segundo cabeça-de-série do torneio canadiano, devido a uma lesão no pé que também o vai deixar de fora do Masters 1000 de Cincinatti.

Para o lugar do espanhol, entrou… outro espanhol – Feliciano López, um veterano do circuito de Toronto.

Esta troca que ocorreu na metade inferior do quadro permitiu que existissem grandes dúvidas sobre que tenista conseguiria chegar à final proveniente desta metade. À partida, o nome mais forte passaria a ser Stefanos Tsitsipas.

Na parte de cima do quadro, o principal concorrente a um lugar na final e também a vencer o torneio de Toronto era Daniil Medvedev, que aparecia como primeiro cabeça-de-série.

Com um torneio disputado em Toronto, eram grandes as expectativas em torno de uma geração canadiana que promete muitíssimo.

No entanto, os quatro representantes desta geração, Denis Shapovalov e Felix Auger-Aliassime, beneficiaram de isenção da primeira ronda.

E Vasek Pospisil e Brayden Schnur foram todos eliminados na primeira vez que entraram em court, deixando uma nação que tem investido muito no ténis sem qualquer representante na terceira ronda do seu principal torneio.

Um dos jogadores do torneio foi Gael Monfils.

O jogador francês estava em grande forma quando a pandemia interrompeu o circuito e a verdade é que, desde aí, tem tido muitas dificuldades em reencontrar o seu melhor ténis, mas, neste torneio, conseguiu mostrar que ainda é capaz de jogar a um nível muito alto.

Este torneio marcou também o regresso do francês às vitórias consecutivas, algo que não acontecia desde antes da pandemia.

Depois da vitória sobre John Millman e sobre Frances Tiafoe, que, no final, lhe teceu grandes elogios, Monfils acabou por ser derrotado por John Isner, nos quartos-de-final.

Apesar desta excelente prestação de Monfils, o destaque da semana tem de ir obrigatoriamente para Reilly Opelka.

O jovem (23 anos) gigante (2.11m) americano nem sequer era um dos pré-designados e venceu Kyrgios, Dimitrov, Harris, Bautista-Agut e Tsitsipas para chegar à primeira final de um Masters 1000 na sua carreira.

A forma como consegue fazer do seu serviço uma arma implacável faz com que consiga encobrir algumas das suas maiores incapacidades, nomeadamente a sua agilidade e rapidez, e esta semana foi onde o vimos a fazer isso de forma mais eficaz.

Na parte de cima do quadro, Medvedev acabou por confirmar o seu favoritismo e ultrapassar os seus oponentes em grande estilo.

A caminho da final, venceu Bublik, Duckworth, Hurkacz e Isner, sendo que, destes, o que lhe causou mais dificuldades foi Hurkacz, que havia eliminado o russo na relva de Wimbledon, há pouco mais de um mês.

O reencontro entre os dois proporcionou o melhor encontro do torneio, mas Medvedev acabou por, desta vez, confirmar o estatuto de favorito e passar às meias-finais pelos parciais de 2-6 7-6 7-6.

Na final, Medvedev foi sempre dono e senhor do encontro e nem o serviço canhão do alto dos 2.11m de Opelka serviu para pôr em causa a vitória de Medvedev.

O russo conseguiu anular por completo essa vantagem de Opelka e isso é bem mais de meio caminho andado para vencer o americano.

A melhor forma de explicar esta supremacia de Medvedev em Toronto é afirmando que Opelka, ao longo desta semana, manteve sempre uma percentagem, no primeiro serviço, de pontos ganhos de cerca de 80%.

E, em adição, nesta final, apenas conseguiu vencer 67% das vezes em que colocou a primeira bola, o que é uma diferença tremenda.

Não há dúvida de que foi aqui que Medvedev conseguiu construir esta vitória que lhe garantiu o quarto título Masters 1000 da carreira e o primeiro deste ano.

Por outro lado, Opelka, que tinha um registo perfeito de finais (2/2), perdeu a sua primeira final da carreira em eventos ATP.

Foto de capa: ATP Tour

Artigo revisto por Andreia Custódio

Roman Yaremchuk | Um ídolo em ascensão na Luz?

0

O mercado está ao rubro na Luz e a chegada de Roman Yaremchuk é prova disso mesmo. O ucraniano é a mais recente contratação do emblema encarnado. Se por um lado o ataque fica indiscutivelmente mais forte, por outro, é certo que haverá saídas do plantel encarnado naquilo a que a avançados diz respeito.

Atualmente, há no plantel várias opções para o terreno que pisará, certamente, Yaremchuk. Seferovic, Carlos Vinícius, Darwin, Gonçalo Ramos, Rodrigo Pinho e ainda Waldschmidt são os nomes que poderão jogar numa posição mais avançada do terreno de jogo.

Contudo, é certo que haverá nomes na porta de saída. Os mais falados são Haris Seferovic e Carlos Vinícius – curiosamente, dois dos avançados que têm tido épocas mais prolíferas de águia ao peito.

Yaremchuk esteve em destaque na última temporada ao serviço do Gent, clube que milita na primeira divisão da Bélgica, onde apontou 23 golos e oito assistências em 43 aparições pelo KAA Gent. Também no Europeu que se realizou este ano o ucraniano apresentou-se a um excelente nível, ao apontar dois golos pela sua seleção. Curiosamente, Yaremchuk é apenas o segundo ucraniano a representar o SL Benfica em 117 anos de história.

Yaremchuk estreou-se a marcar pelo SL Benfica na Primeira Liga
Yaremchuk estreou-se a marcar pelo SL Benfica, na Primeira Liga, frente ao FC Arouca
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Com 1,91 metros de altura, Yaremchuk, ou simplesmente Roman, para ser mais fácil, é um ponta de lança com uma técnica aprimorada e que vem acrescentar imensa qualidade ao processo ofensivo das águias, sendo o homem alvo do ataque. Do ucraniano espera-se, para além de movimentações com e sem bola, desmarcações a rasgar as defesas adversárias.

Com a sua estampa física poderia muito bem ser um avançado estático que espera por que a bola caia nos seus pés, mas, pelo contrário, Yaremchuk procura ter bola e é mesmo capaz de recuar um pouco no terreno para ajudar na construção do ataque.

O avançado ucraniano faz lembrar, em certa parte, Jonas. Claro que num patamar inferior, mas com potencial para se tornar numa referência no Sport Lisboa e Benfica. A disponibilidade que traz ao jogo e o facto de ser capaz de recuar para procurar ter bola assemelha-se ao ídolo brasileiro.

Nesta temporada, e já de águia ao peito, o mais recente reforço dos encarnados conta já com um golo e duas assistências em dois jogos, com um agregado de apenas 82 minutos jogados. Uma coisa é certa: se mantiver o nível que tem mostrado neste arranque de temporada, tornar-se-á, muito rapidamente, numa lenda para os adeptos.

O potencial está lá, mas é também necessário assentar os pés na terra e perceber que Roman Yaremchuk não é um semi-deus (pelo menos por enquanto), mas que, para já, começa bem. O ponta de lança foi contratado por 17 milhões de euros e o Sport Lisboa e Benfica fica com 75% do passe do jogador.

Comparado o valor pago ao de outros atletas, Roman Yaremchuk foi até barato. É um jogador feito, nada propício a lesões e com estatísticas muito boas, para além de que quem o vê jogar percebe que o ex-KAA Gent é muito mais do que estatísticas.

Artigo revisto por Andreia Custódio

Sporting CP | Ser campeão não pode desculpar tudo

0

SER CAMPEÃO NÃO É DESCULPA PARA COMPRAR CARO E VENDER BARATO

O Sporting CP foi campeão nacional muito pelas contratações que fez no início dessa mesma temporada. O acerto de Rúben Amorim nos reforços, assim como do scouting leonino, foi fundamental para o bom desempenho desportivo da equipa. Porém, vencer o Campeonato Nacional não pode ser um impedimento de críticas a ninguém. Neste artigo, pretendo indicar também o lado negativo dos negócios que a direção leonina tem vindo e poderá ainda vir a fazer.

Disse já em artigos anteriores que o treinador do Sporting CP mudou do dia para a noite o projeto do clube. Passou a aproveitar melhor os produtos vindos da academia, e exigiu contratações cirúrgicas e úteis, ao invés de querer jogadores apenas para ter mais opções. Ruben Amorim promoveu Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Daniel Bragança e Tiago Tomás, e contratou atletas como Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Tabata e Paulinho, que acrescentaram qualidade no setor ofensivo.

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ora, se por um lado a política de contratações do Sporting CP tem trazido jogadores de qualidade para o plantel, a nível financeiro as coisas têm sido algo diferentes. Para além de os valores dos passes dos atletas serem altíssimos, a direção leonina é apenas detentora de metade da quantia de uma futura transferência da maioria dos contratados. Pedro Gonçalves, Ugarte, Ruben Vinagre (caso a cláusula de compra seja ativa) e Tabata são alguns dos exemplos em que o Sporting CP partilha o passe dos jogadores com outros clubes.

Acredito que este fator se deva muito à aproximação da direção leonina com os esquemas de Jorge Mendes. Não é difícil reparar que os quatro jogadores que referi anteriormente vieram de clubes com ligações conhecidas com o agente: FC Famalicão, Wolverhampton Wanderers Football Club e Portimonense SC. Se, por um lado, uma boa ligação com a Gestifute pode atrair jogadores de qualidade à equipa leonina, por outro, pode prejudicar o clube financeiramente, pois este fica dependente do agente para negociar e encaixa menos dinheiro com a venda de ativos. Um exemplo que poderá confirmar o meu raciocínio é a possibilidade de Luís Maximiano se transferir para o Granada FC, clube com conhecidas ligações a Jorge Mendes. Provavelmente, o Sporting CP precisa de encaixar capital muito pelo dinheiro que tem gastado em reforços e precisa de recorrer ao agente – é a solução mais viável.

O facto de o Sporting CP ser campeão nacional não invalida que existam coisas a apontar à gestão que tem sido feita por Frederico Varandas. Preocupa-me a fraca capacidade de negociação da atual direção leonina, pois comprar caro e vender barato tem sido uma regra religiosa, algo que em plena crise pandémica é ainda mais gravoso. É também importante que o Sporting CP não se venda apenas para obter um ou outro jogador. Ficar refém de alguém para negociar não é positivo, pois, no final de contas, sabemos bem quem (não) fica a ganhar.

Artigo revisto por Andreia Custódio

CD Santa Clara 2-2 Moreirense FC: Empate com sabor a derrota

A CRÓNICA: OS RESTANTES 15 “BRAVOS AÇORIANOS”

O Estádio de São Miguel abriu as suas portas, neste domingo calorento, para a segunda jornada da Primeira Liga, entre o CD Santa Clara e o Moreirense FC. A equipa açoriana apresentava-se com grande baixa no plantel, com apenas 15 jogadores disponíveis, após um surto de Covid-19 ter afetado os mesmos. Apesar do pedido de adiamento de jogo, a equipa do Moreirense não acedeu ao pedido, e viria a jogo com apenas com três mudanças na sua equipa principal, em comparação ao último jogo, frente ao Benfica onde acabou por sair derrotado por 2-1. Desta partida fica o desejo mútuo pela conquista dos 3 pontos.

Se esperávamos uma primeira parte tranquila estávamos enganados. Primeiros segundos da partida e, o suspeito do costume, Carlos Jr., apareceria entre a defesa do Moreirense e acabava por rematar, ao lado das redes de Pasinato, deixando o aviso de que o jogo será quente.

Apesar deste primeiro momento de tensão, a partida acabou por acalmar e a centrar-se a meio campo.

Os espaços deixados pelo Moreirense permitiria ao Santa Clara criar corredores de passagem e, assim,  chegar com mais facilidade à baliza. Costinha é a peça fundamental nesses momentos pois, os defesas do Moreirense esqueciam-se dele e acabariam por marcar Rui Costa ou Lincoln o que lhe dá mais oportunidade para aparecer e rematar. Toda essa calma da turma de João Henriques deixa a equipa da casa mais à vontade e sem pressão.

Nos primeiros momentos da segunda parte, o Moreirense tentou mostrar mais alguma energia, no entanto, esta seria por pouco tempo e escassa durante todo o jogo. Por outro lado, Carlos Jr. e Ricardinho, em pouco tempo, tentariam aproveitar duas tentativas para marcar mas sem grande efeito. Mas o golo estava guardado para Carlos Jr., aos 59 minutos, que inauguraria o marcador.

A segunda parte já ia a meio e os ânimos aqueceram, o recém entrado Rodrigo Conceição, aos 76 minutos acabaria expulso por palavras ditas da “boca para fora”.

Quando se pensava que tudo estaria encaminhado para a vitória, um erro de João Afonso à entrada da área que, em vez de cortar a bola, acabaria por causar falta e seria marcada grande penalidade e, surge o golo de Yan, aos 89 minutos.

Já em tempo complementar, depois dum canto a bola, e dum toque com a mão de Derik, o árbitro da partida assinala grande penalidade, esta é marcada por Carlos Jr.  que bisa na partida.

Num jogo impossível de tirar os olhos das quatro linhas, com muita coisa a acontecer, o Moreirense aparece na partida através de André Luis, que de cabeça, à entrada da área, iguala o marcador e fecha o empate ao cair do pano.

Sem dúvida que este foi um jogo emocionante. No entanto, os Bravos Açorianos, apesar e todas as adversidades, mostraram que honram o nome que levam e o Moreirense, com um pouco de sorte, conseguiu levar um ponto dos açores.

A FIGURA

Carlos Júnior é a ameaça maior para o SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Carlos Jr. – Em dia do seu 26º. aniversário, o avançado açoriano voltou a aparecer e acabou por bisar na partida. Apesar do resultado, Carlos Jr. foi sempre atrás da oportunidade para fazer mais e melhor, como já é costume.

 

O FORA DE JOGO

João Afonso – O capitão dos encarnados esteve nos dois golos dos cónegos. O penálti cometido, pese embora o natural cansaço, foi displicente para um atleta com a sua experiência. 

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

A turma de Daniel Ramos alinhou-se em 3-4-3. Santa Clara jogou num esquema de três centrais com Mansur a baixar para terceiro central do lado esquerdo. Paulo Henrique e Rafa Ramos ficaram responsáveis por dar largura nas alas enquanto o miolo do terreno ficou encarregue de Morita, a atual como pivot defensivo e Lincoln, jogando com maior liberdade. Na frente, Costinha e Carlos Jr. jogam mais descaídos pelas alas, fletindo para terrenos interiores e Rui Costa foi o garante da profundidade insular.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Fernandes (3)

Rafael Ramos (5)

Mikel Villanueva (4)

João Afonso (2)

Mansur (4)

Lincoln (5)

Costinha (5)

Carlos Jr. (6)

Paulo Henrique (4)

Morita (5)

Rui Costa (4)

SUBS UTILIZADOS

Ricardinho (5)

Jean Patric (4)

Allano (3)

 

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

A turma de João Henriques jogou em 3-4-3. Steven Vitória, Artur Jorge e Rosic formaram o eixo central. Frimpong e Ismael ficaram responsáveis por conferir largura ao jogo dos cónegos. No centro, Fábio Pacheco teve a companhia de Filipe Soares e, à frente destes, e deambulando pelas alas surgiu Pires. Na frente, a equipa orientada por João Henriques fez atual Rafael Martins, principal referência ofensiva, secundado por Yan.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (3)

Rosic (3)

Artur Jorge (4)

Fábio Pacheco (Franco 73’) (4)

Pires (Ibrahima 84’ )(2)

Yan Matheus (6)

Steven Vitória (3)

Filipe Soares (3)

Frimpong (4)

Ismael (3)

Rafael Martins (3)

SUBS UTILIZADOS

Franco (3)

Derik Lacerda (3)

Rodrigo Conceição (73’)

André Luis (4)

Ibrahima (3)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD SANTA CLARA

BnR: Foi este um empate com sabor a derrota?

Daniel Ramos: Este resultado sabe a um ponto mas deviam ter sido três. Fizemos mais q o suficiente por merecer, fomos a melhor equipa em campo. O resultado final também é fruto do cansaço, aparece no final, e não é só físico é mental e isso pesou. A equipa teve fantástica durante o jogo, procurou jogar para ganhar, para marcar. Está de parabéns, fomos novamente, o Santa Clara, com ideia de jogo e disponíveis. Eles mereciam ser premiados e ter festejado a vitoria.

MOREIRENSE FC

BnR: Resultado lisonjeiro para o Moreirense que demonstrou grandes dificuldades na primeira parte do jogo. O empate satisfaz-lhe?

João Henriques: Não acho que sentimos grandes dificuldades. Apenas as dificuldades de uma equipa que defrontou bem uma equipa como o Santa Clara. Viemos à procura da vitória e apenas isso.

Quem viu o jogo saiu satisfeito. Viemos defrontar a 6 melhor equipa, estão cada vez melhor, equipa forte. Viemos fazer um jogo muito bom, com ambição, mas respeitando as pessoas: o Santa Clara e os seus jogadores.

E-Prix de Berlim #2: Nyck de Vries é o primeiro campeão do Mundo de Fórmula E

A CORRIDA: NINGUÉM ESTAVA COM VONTADE DE SER CAMPEÃO

Fecharam as cortinas sobre a temporada de Fórmula E, num campeonato que tinha ainda 13 candidatos com possibilidades matemáticas à entrada da última prova. O grande vencedor desta temporada foi o holandês da Mercedes, Nyck de Vries, que terminou em oitavo, uma corrida onde todos os outros candidatos principais tiveram problemas.

O vencedor da prova foi o estreante no topo do pódio Norman Nato, da Venturi, com Oliver Rowland (Nissan) e Stoffel Vandoorne (Mercedes) a fechar os três primeiros.

O caos começou logo no arranque, onde um dos pilotos melhor posicionado para garantir o campeonato, Mitch Evans (Jaguar), não conseguiu arrancar, e foi colhido por outro dos principais candidatos, Edouardo Mortara (Venturi). O violento acidente obrigou a uma bandeira vermelha, sendo de destacar ambos os pilotos saíram ilesos.

Após este choque, o homem favorito era Jake Dennis (BMW), que subiu para a sétima posição, com o acidente, no entanto, o britânico perdeu o controlo do monolugar, chocando contra as barreiras e retirando-se da corrida. Neste momento, parecia que nenhum dos pilotos em disputa estava com vontade de vencer o campeonato.

Aqui, o protagonista tornou-se Nyck de Vries, que apenas precisava de pontuar à frente dos principais rivais para conseguir o campeonato. Nestas situações pede-se cautela aos pilotos, no entanto, por querer atacar e por manobras defensivas mais agressivas dos rivais, em vários momentos pareceu que o piloto da Mercedes ia deitar o campeonato a perder.

Na primeira ronda de idas ao Attack Mode, Stoffel Vandoorne pareceu perder ritmo durante duas voltas, e ficou à mercê de Norman Nato, que saltou para a liderança, da qual não mais saiu.

Apesar de perder a liderança, estas posições garantiam à Mercedes ambos os campeonatos, sendo que a Jaguar apenas tinha de se apoiar num Sam Bird a remar contra a corrente desde o fundo do pelotão. Contudo, numa batalha com o Porsche de Andre Lotterer, a Mercedes quase deitou tudo a perder, com um toque que envolveu ambos os pilotos, num momento em que Sam Bird conseguia pontuar.

Mais atrás, era a vez de outro candidato ao título se retirar, desta feita tratou-se do português António Félix da Costa, que foi apertado contra o muro por Lucas di Grassi. O brasileiro viu o jogo sujo penalizado com uma penalização drive-through, mas o português não conseguiu continuar.

O francês Norman Nato acabou por controlar o resto da prova, seguido de Rowland e Vandoorne, com Lotterer em quarto, seguido de Alex Sims (Mahindra), Pascal Wehrlein (Porsche) em sexto, seguido do único sobrevivente da Jaguar, Sam Bird. Nyck de Vries terminou em oitavo, com os quatro pontos a mostrarem-se suficientes para garantir o título. René Rast (Audi) e Tom Blomqvist (Nio) fecharam os pontos.

As tabelas de final de campeonato colocam Nyck de Vries em primeiro com 99 pontos, seguido de Mortara com 92, Jake Dennis em terceiro com 91 e Mitch Evans em quarto com 90. Estas diferenças mínimas levam a pensar o que seria, não tivessem acontecido os acidentes. O português António Félix da Costa terminou em oitavo lugar, com 86 pontos, a apenas 13 do título.

No campeonato de construtores, a Mercedes aproveitou as más provas da DS e da Jaguar, para subir ao topo do campeonato, garantindo assim o título com 181 pontos.

FC Barcelona 4-2 Real Sociedad de Fútbol: Catalães vencem com visita dos “fantasmas do passado”

A CRÓNICA: O JOGO SÓ ACABA QUANDO O ÁRBITRO APITA, QUE O DIGA O FC BARCELONA

Primeiro rescaldo do FC Barcelona na “Era pós Messi”. A época terá sido preparada a contar com o astro argentino, mas a verdade é que a bola começou a rolar e o eterno número 10 de Camp Nou não esteve presente e não voltará a estar. Ainda assim, a vida segue e os catalães precisavam de reagir rapidamente à maior perda da história do clube, ou esta seria outra época desperdiçada.

Essa não seria uma opção para Ronald Koeman e os seus homens, e por isso rapidamente começaram a produzir muito bom futebol, quase que lembrando o antigo Barcelona pelo qual todo nos apaixonamos. Um futebol rápido, envolvente e criativo que colocou à Real Sociedad de Fútbol muitas dificuldades, essencialmente na primeira meia hora.

Muitas oportunidades de perigo e o golo viria mesmo a aparecer, através daquele que 24 horas antes deu uma enorme demonstração de amor pelo clube. Gerard Piqué, o homem que aceitou reduzir o salário para a inscrição de alguns dos seus colegas na Liga Espanhola, aproveitou uma bola teleguiada de Memphis e fez o primeiro golo dos catalães na época 2021/22.

A partir daí o jogo ficou um pouco mais equilibrado, ainda que a defesa catalã se mostrasse sempre muito segura, e a posse de bola equilibrou-se. No entanto foi o FC Barcelona que voltou a criar perigo e acabou por fazer o segundo golo através de Braithwaite. O dinamarquês vai aproveitando algumas lesões para se tornar num homem importante nesta equipa e vai dando alguns tentos importantes.

A segunda parte foi bastante diferente. A Real Sociedad só poderia melhorar e foi isso que fez, começando a subir as linhas de pressão e a criar mais oportunidades de perigo. Em linha contrária, a equipa da casa teve bastantes mais dificuldades em circular a bola e em controlar o jogo, permitindo uma maior aproximação à sua baliza. Ainda assim isso pouco quis dizer porque os catalães foram lá à frente uma vez e fizeram o terceiro, novamente através de Braithwaite.

Até aos 84 minutos poucos foram os minutos de interesse, apenas aquele que parecia o golo de honra da equipa forasteira. No entanto, nesse mesmo minuto Oyarzabal aproveitou um livre direto e colocou a bola na gaveta, voltando a oferecer ao jogo a emoção que já ninguém esperava.

Ainda assim, com a turma azul e branca toda balanceada para a frente, seria Sergi Roberto a marcar e a ditar o 4-2 final a favor do Barcelona, que ainda assim serviu de aviso para a equipa de Ronald Koeman.

 

A FIGURA

Martin Braithwaite – Com dois golos e uma assistência tinha de ser ele a receber o prémio de figura do jogo. Ainda que tenham sido só de encostar, ele estava no sítio certo na hora certa e por isso conseguiu ajudar a sua equipa a conquistar estes importantes três pontos. Vai ganhado o seu espaço no 11 inicial e pode dizer-se que é já um elemento muito importante na manobra ofensiva do FC Barcelona. Ainda assim é de se deixar uma menção a Memphis, que fez um jogo espetacular e colocou a equipa a jogar um futebol muito fluente, numa posição que os catalães precisavam há algum tempo.

O FORA DE JOGO

Abordagem ao jogo da Real Sociedad de Fútbol – A defender optaram por não pressionar alto e talvez esse tenha sido o principal fator para o jogo tão mau que a equipa fez. Permitiu que o adversário tivesse muita bola e fosse ganhando confiança, de forma a que quando perdesse a bola tivesse capacidade para a recuperar rapidamente. Nunca foram realmente perigosos, tirando os dois golos que marcaram e a linha defensiva foi muito permeável. Apesar da pressão final, este foi um jogo para esquecer, duma equipa que é uma das melhores desta liga.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BARCELONA

A turma de Ronald Koeman dispôs-se num 4-3-3 com uma linha traseira constituída por Dest, Eric Garcia, Piqué e Jordi Alba, de um lado a juventude, do outro a experiência. Mais à frente apareceu aquele que será o meio campo ideal do técnico holandês para toda a temporada, com Sergio Busquets a número seis e com de Jong e Pedri a interiores, no apoio a uma linha atacante formada por Griezmann mais à direita, Memphis no centro e Braithwaite mais à esquerda.

A partir daqui esta seria sempre uma equipa em reconstrução, que já não joga para Messi nem depende do argentino para filtrar as jogadas, e por isso a expetativa era grande para ver do que estes homens eram capazes. A verdade é que com Griezmann mais solto e Memphis a oferecer uma qualidade no centro do ataque que o FC Barcelona já não tinha há muito, a equipa jogou muito bem e prometeu grandes coisas para a época que agora inicia.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Neto (7)

Sergino Dest (7)

Eric Garcia (7)

Piqué (7)

Jordi Alba (7)

Busquets (7)

De Jong (8)

Pedri (6)

Griezmann (7)

Memphis (8)

Braithwaite (9)

SUBS UTILIZADOS

Emerson (4)

Sergi Roberto (7)

Nico (-)

Ronald Araújo (-)

Lenglet (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – REAL SOCIEDAD

Imanol Alguacil dispôs a equipa numa espécie de 4-4-1-1 com uma linha traseira constituída por Zaldua, Elustondo, Le Normand e Munoz. Mais à frente apareceram Merino e Zubimendi no meio campo, com David Silva a jogar como número dez, no apoio ao avançado que no plano tático seria Oyarzabal. À esquerda jogou Januzaj e à direita Portu, ainda que durante a partida fosse fazendo algumas permutas de posição com o avançado Oyarzabal.

A ideia de jogo da equipa seria como a conhecemos: sair desde trás com a bola no pé, mas a verdade é que o adversário não o permitiu e por isso esta equipa não conseguiu colocar em prática o seu futebol. No momento defensivo optaram por não pressionar os defesas centrais e acabaram por pagar caro essa liberdade que ofereceram aos homens de Koeman.

Nos últimos 10 minutos ainda conseguiram assustar, mas acabaram por pagar caro o facto de entrarem tarde na partida. Ainda assim isso mostrou daquilo que este conjunto é capaz, bem mais do que apresentou em Camp Nou

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Remiro (5)

Zaldua (5)

Elustondo (5)

Le Normad (5)

Aihen Munoz (6)

Portu (5)

Zubimendi (6)

Merino (6)

Januzaj (4)

David Silva (4)

Oyarzabal (7)

SUBS UTILIZADOS

Jon Bautista (5)

Ander Barrenetxea (5)

Andoni Gorosabel (6)

Cienfuegos (7)

Jon Pacheco (-)

FC Famalicão 1-2 FC Porto: VAR assustou, mas dragões triunfam em Famalicão

A CRÓNICA: FC PORTO ARRANCA VITÓRIA A FERROS DEPOIS DE UMA GRANDE PRIMEIRA PARTE

O Famalicão recebeu, hoje, o segundo classificado da época transata, FC Porto, para um duelo que tem sido escaldante desde que os famalicenses subiram à Primeira, embora o histórico de encontros favoreça os “azuis e brancos”.

Este duelo também marcou o regresso dos adeptos minhotos ao Estádio Municipal de Famalicão e as bancadas estiveram bem preenchidas. Ivo Vieira fez três alterações face ao onze inicial derrotado pelo Gil na primeira jornada – saíram Gustavo Assunção, João Neto e Geovani e entraram Penetra, Pepê e Ivan Jaime.

Do outro lado, Sérgio Conceição mexeu na posição de lateral esquerdo – saiu Zaidu e jogou Manafá – e no meio-campo, onde a surpresa foi a ausência de Sérgio Oliveira em detrimento de Uribe, ou seja, Bruno Costa repetiu a titularidade.

A primeira parte, face ao que já tinha acontecido no primeiro jogo dos dragões para o campeonato, foi de absoluto domínio dos portistas, com uma ou outra tentativa tímida do Famalicão de aproximação à baliza de Diogo Costa.

O FC Porto conseguiu jogar à vontade e de forma confiante por todo o campo, de destacar a rapidez de reação à perda da bola que está a ser ótimo para o plano de jogo do técnico portista e que enaltece o que Petit disse na antevisão ao jogo que terá amanhã frente ao Marítimo: “apanhámos o Porto mais forte dos últimos 4 anos”.

No regresso dos balneários, chegou um FC Porto a meio gás e um Famalicão com muita vontade de melhorar a imagem deixada na primeira metade da partida.

Os azuis e brancos deixaram de ser capazes de penetrar a defensiva minhota com passes em profundidade, como aconteceu nos dois golos de Toni Martinez, e o conjunto da casa assumiu mais o jogo e conseguiu até mesmo reduzir a desvantagem com um bom golo de Riccieli de cabeça após um excelente cruzamento de Diogo Figueiras.

A FIGURA
FC Porto Toni Martínez
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Toni Martinez – Mais uma boa demonstração da veia goleadora que o espanhol tem. Só precisou de um ensaio para os próximos dois irem parar aos fundo das redes de Luiz Junior. Parece ter percebido o que deve fazer neste sistema tático e ameaça ser a “contratação da época portista”. 

O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Batubinska – O francês ainda se está a adaptar ao futebol português, mas hoje mostrou debilidades defensivas, nomeadamente a nível do posicionamento no segundo golo e más decisões com bola durante maior parte do encontro.

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

 

Ivo Vieira apostou em três centrais e com laterais subidos de forma a contrariar a forte presença do Porto a meio-campo. A contenção defensiva que um sistema destes requer, no entanto, não foi benéfica ao conjunto minhoto que conta com defesas fortes, mas lentos a recuperar posiocionalmente.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luiz Junior (5)

PenEtra (5)

Riccieli (6)

Barubinska (4)

Figueiras (6)

David Tavares (6)

Pêpe (5)

Rúben Lima (5)

Ivo Rodrigues (4)

Ivan Jaime (6)

Bruno Rodrigues (5)

SUBS UTILIZADOS

 Pablo (6)

André Ricardo (-)

Geovani (-)

João Neto (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Mais do mesmo do lado portista com Sérgio a apostar forte nos passes a rasgar a defesa famalicense e com os atacantes a tentarem movimentações muito verticais para poderem aproveitar a lentidão dos centrais do Famalicão. Defensivamente, a ordem era que, tanto Pepe como Mbemba priviligiassem a intercepção de passes para poderem dar início a ataques rápidos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (5)

Manafá (4)

Mbemba (6)

Pepe (6)

João Mário (5)

Luis Diaz (5)

Uribe (5)

Bruno Costa (5)

Otávio (7)

Toni Martinez (8)

Taremi (6)

SUBS UTILIZADOS

Chico Conceição (5)

Zaidu (4)

Sérgio Oliveira (-)

Evanilson (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Famalicão

BnR: O Famalicão teve dificuldades em defender a profundidade principalmente durante a primeira parte. Como corrigiu isso e considera que é culpa dos centrais na medida em que foram algo lentos na abordagem aos dois lances de golo?

Ivo Vieira: “No futebol a melhor forma é arranjar culpados para tudo. Aqui não há culpados, aqui há um jogo de futebol, uma equipa que pode ganhar, empatar ou perder. Era um momento do jogo que trabalhamos e sabíamos que ambos avançados do FC Porto procuravam a profundidade tanto pelo ar como pelo chão. Infelizmente não interpretamos bem os lances.” 

FC Porto

BnR: A pressão e a clareza nas movimentações e nos passes do Porto decresce substancialmente da primeira para a segunda parte. Isso tem a ver com o facto de chegar cedo à vantagem e pedir mais contenção aos jogadores para a segunda metade ou prende-se com o cansaço acumulado da pré-epoca?

Sérgio Conceição: “Não, tem que ver também com a reação no adversário, que sem fazer muito no seguimento de uma bola parada faz o golo. Alguns erros que cometemos, e obviamente que vocês viram a primeira parte que fizemos, acho que estava 30 graus hoje, as despesas vêm sempre para quem quer atacar e jogar, não tanto para quem defende. Tivemos uma dinâmica muito interessante na primeira parte, iniciamos a segunda com o jogo controlado. Não podemos é depois fazer erros infantis que permitem dar moral ao adversário.”

GP Áustria: Binder arriscou… e petiscou!

0

A CORRIDA: O QUASE REGRESSO DE ROSSI AO PÓDIO E A CHUVA AMEAÇADORA

Pelo segundo fim de semana seguido o Red Bull Ring recebeu mais um Grande Prémio da categoria rainha do motociclismo, desta vez o GP da Áustria. Tal como aconteceu no GP da Estíria, Jorge Martin (Pramac Racing) conquistou a sua segunda pole position seguida nas qualificações, terceira na globalidade da sua ainda pequena carreira.

O rookie espanhol da Pramac tinha sobre si elevadas expectativas, devido à sua pole position e também pelo historial de domínio hegemónico das Ducati nesta pista.

Com o decorrer da corrida Jorge Martin foi cometendo vários erros que o mantiveram afastado da primeira posição, sempre num duelo intenso com Marc Marquéz (Repsol Honda) sendo que a bandeira de chuva foi exibida por toda a pista na volta oito.

Pecco Bagnaia (Ducati), Marc Márquez e Fabio Quartararo (Yamaha) deram um autêntico espetáculo, com sucessivas ultrapassagens e manobras desafiantes

Mais à frente queda de Johann Zarco (Pramac Racing) na curva 9, tendo sido mostrada bandeira amarela nos setores 3 e 4. Era o segundo abandono depois da saída precoce de Enea Bastianini (Avintia Esponsorama) devido à carenagem do lado esquerdo da sua moto ter saído a voar.

O piloto luso da KTM infelizmente também acabou por abandonar a corrida por queda na curva 1 a 6 voltas do final da corrida, totalizando assim a 2.ª queda consecutiva neste circuito.

O momento chave da corrida que decidiu a corrida, foi totalmente inesperado, Brad Binder, colega de Miguel Oliveira vê a grande maioria dos pilotos a dirigirem-se às suas boxes e opta pelo risco e segue sem trocar de moto agarrando-se assim à primeira posição, o que ninguém diria antes dos pilotos arrancarem.

Um outro acontecimento que levou os fãs ao êxtase foi o facto de no meio destes últimos momentos frenéticos da corrida, a lenda Valentino Rossi (Petronas Yamaha STR) conseguiu por um determinado período de tempo, assumir a 3.ª posição no pódio tendo depois cometido alguns erros e acabado a corrida na 8.ª posição.

Até à bandeira axadrezada os pilotos foram todos andando em “pezinhos de lã”, tentando não cair perto do final e desperdiçando todo o seu esforço, mas a vitória já não fugiu ao sul africano da Red Bull KTM Factory Racing que fez all in e foi bem-sucedido.

Rescaldo de opinião de Henrique Gil