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Copa América’2015: Grupo C – Brasil e Colômbia na pole-position

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Grupo C – Caso não haja grandes surpresas, Brasil e Colômbia parecem ser os grandes candidatos a passar directamente para os quartos-de-final da competição. O conjunto brasileiro vem de uma sequência de nove vitórias consecutivas, sob orientação de Dunga, ao passo que a Colômbia conta nas suas fileiras com vários craques, estando ainda na memória a sua grande campanha no Mundial do ano passado. O Peru, terceiro classificado da última edição da Copa América, procura refazer-se da má campanha de qualificação para o Mundial 2014, enquanto a Venezuela tenta afastar de vez sobre si o epíteto de parente pobre do futebol sul-americano, ainda para mais depois do surpreendente quarto lugar obtido na Copa América de 2011.

Brasil – Escrete ou Canarinha

A par da Argentina, a canarinha é a grande candidata a vencer esta edição da Copa América. Depois do monumental fiasco em que se revelou a sua participação no Mundial que acolheu, no ano passado, Neymar e seus pares sabem que se torna quase obrigatório conquistar o torneio a disputar em território chileno. E a verdade é que o optimismo reina entre as hostes brasileiras, tendo em conta as últimas nove vitórias consecutivas sob a orientação de Dunga, ex-capitão do escrete que se encontra na sua segunda passagem ao leme desta superpotência do futebol mundial.

Neymar é a grande figura do Brasil e um dos expoentes máximos do futebol-espectáculo a nível mundial. Vindo de uma temporada para recordar ao serviço do Barcelona, este jogador desconcertante encabeça um grupo de jogadores de elevado nível que quer provar que aquilo que aconteceu no ano passado, com destaque para a humilhante derrota frente à Alemanha, não terá passado de um só dia muito negativo. Elias, Danilo e Casemiro passaram a constar nas convocatórias da selecção brasileira, ao invés daquilo que acontecia durante o consulado de Luiz Felipe Scolari.

Marcelo, Luiz Gustavo e Óscar são as grandes baixas no pentacampeão mundial, por lesão. Contudo, parecem estar todas as condições reunidas para termos um Brasil forte a lutar pela sua nona Copa América, prova que já lhe foge desde 2007. Aliás, nunca uma Copa América teve uma importância tão grande para o Brasil. Depois do pesadelo do Mundial 2014 só uma vitória no Chile poderá afastar os fantasmas que perduram desde o ano passado.

O Brasil quer apagar a imagem deixada no Mundial Fonte: Facebook da Copa América
O Brasil quer apagar a imagem deixada no Mundial
Fonte: Facebook da Copa América

Colômbia – Cafeteros

Depois do fantástico quinto lugar no Mundial 2014 e do futebol de grande qualidade praticado pela Colômbia, é com alguma expectativa que se espera pela prestação desta selecção na Copa América deste ano. José Pékerman mantém-se como seleccionador; o futebol vistoso e ofensivo continua a pautar o estilo de jogo dos cafeteros; são várias as estrelas que compõem o grupo de trabalho.

James Rodríguez é o “menino-bonito” do futebol colombiano, permanecendo ainda na memória o seu soberbo desempenho no Campeonato do Mundo do ano passado. Mas a equipa de Pékerman dispõe de outros argumentos de peso, sobejamente conhecidos do grande público. Falcao quer provar que se encontra restabelecido de uma temporada decepcionante e depois ainda há espaço para Jackson Martínez, “só” o melhor marcador do campeonato português nas últimas 3 temporadas.

A Colômbia venceu apenas uma Copa América até hoje, em 2001, mas existem razões para olhar com confiança para a edição deste ano. Pode não ter o poderio de uma Argentina ou de um Brasil, mas tem claramente capacidade para chegar bem longe na competição.

Fonte: Facebook da Copa América
A Colômbia quer voltar a brilhar como brilhou no Mundial
Fonte: Facebook da Copa América

Peru – La Blanquirroja

A selecção peruana deseja repetir o surpreendente terceiro lugar conquistado na última Copa América, mas desta feita parece que essa tarefa será bem mais complicada. A concorrência é muita e além disso o conjunto vem de uma desastrada qualificação para o Mundial 2014, na qual apenas atingiu 15 pontos em 16 partidas.

Contando nas suas fileiras com o nosso bem conhecido Carrillo, um dos melhores futebolistas peruanos da actualidade, talvez caiba ao Peru a tarefa de lutar por um dos melhores terceiros lugares, o que lhe dará acesso aos quartos-de-final. A selecção é orientada pelo técnico argentino Ricardo Gareca, que tem feito toda a sua carreira no continente sul-americano.

Como maior referência ofensiva da blanquirroja temos Paolo Guerrero, goleador que entretanto se transferiu do Corinthians para o Flamengo. Este já não é, nem de perto nem de longe, o Peru que encantou nos anos 70 do século passado, mas mesmo assim há que contar com esta equipa para dar alguma emoção ao grupo. Os anos de 1939 e de 1975 foram sinónimos de triunfo peruano na Copa América.

Perú terá uma tarefa complicada
Peru quer repetir o 3º lugar da ultima edição
Fonte: Facebook da Copa América

Venezuela – Vinotinto

Normalmente vista como o parente pobre do futebol sul-americano, a Venezuela procura dar continuidade ao quarto lugar alcançado na Copa América 2011, a sua melhor classificação de sempre. Aliás, a selecção venezuelana é o único conjunto sul-americano que nunca logrou atingir a presença numa fase final de um Campeonato do Mundo.

O treinador César Farías realizou um óptimo trabalho na Federação da Venezuela, culminado com o tal quarto lugar na Copa América de há 4 anos, tendo como seu sucessor o actual seleccionador, Noel Sanvicente. Trata-se do técnico mais laureado da história do futebol venezuelano, após passagens de sucesso por clubes como o Caracas e o Zamora.

A vinotinto pode não ter grandes nomes, mas tem a vontade e o aliciante de continuar a fazer evoluir um país que tem crescido imenso em termos futebolísticos nos últimos anos. A prova disso está no facto de actualmente contar com uma estrela, de seu nome Salomón Rondón, avançado do Zenit que alia uma excelente capacidade física à velocidade e poder de concretização.

A Venezuela procura repetir o 4ºlugar da ultima Copa América Fonte: Facebook da Copa América
A Venezuela terá uma tarefa complicada
Fonte: Facebook da Copa América

Fotos do Facebook oficial da Copa América

Bursaspor: A fábula da vertigem

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Num passado não muito distante, o futebol turco era encarado com algum cepticismo pelos analistas. A liga turca mostrava um Galatasaray a viver das glórias do passado e Fenerbahçe e Besiktas cingiam-se a modelos de jogo assentes em processos simples. Os três grandes da Turquia começavam a perder o comboio da evolução tática que tem ocorrido ao longo da última década. Graças a algumas personalidades conscientes desta evolução e com sabedoria adquirida no estrangeiro – aqui refiro-me especificamente a Fatih Terim -, o panorama mudou.

Uma excelente campanha no Euro 2008 da seleção da Turquia teve o condão de ressuscitar um futebol estagnado no tempo. A anarquia que passava das bancadas para o campo esbarrou na vontade de progredir. Surgiram novas equipas com aspirações elevadas, como o Trabzonspor. Jogadores de nome sonante e maior qualidade começaram a olhar para a possibilidade de jogar na Turquia com outros olhos (além do incentivo financeiro que muitos dos clubes proporcionam).

O Galatasaray tem-se destacado dos demais a nível interno e, de há uns anos a esta parte, voltou a marcar presença regular na Liga dos Campeões; o Fenerbahçe, se não tivermos em conta os problemas judiciais, é, por norma, a maior ameaça ao campeão; o Besiktas tem feito coisas interessantes na Liga Europa; e, no meio dos históricos, surge o Bursaspor. Campeão em 2009/10, diria que é um caso específico no seio da atual cultura futebolística turca.

Fatih Terim impulsionou o renascimento do futebol turco Fonte: Facebook de Fatih Terim
Fatih Terim impulsionou o renascimento do futebol turco
Fonte: Facebook de Fatih Terim

Tenho acompanhado o percurso dos “crocodilos” (como são chamados) desde o início da época. E depois de ver o jogo que perderam frente ao Galatasaray, a contar para a final da Taça da Turquia, pude tirar algumas ilações sobre o seu sistema e maneira de jogar. O Bursaspor tem jogadores claramente talhados para o sistema em que joga (4-2-3-1), mas ainda não se conseguiu desligar do impulso vertiginoso de atacar com sofreguidão, caraterístico da tal anarquia tática que referi acima.

Na defesa, os laterais (Ozbayrakli à direita e Behich à esquerda) conferem apoio constante aos extremos. O eixo tem sido alvo de mudanças constantes ao longo da época: Serdar Aziz é o elemento mais regular (apesar de não ter jogado a final), e começou por emparelhar com o argentino Renato Civelli. Na fase final da época, o alemão Samil Cinaz, médio-defensivo de raiz de estilo durão, “roubou” o lugar ao sul-americano.

No miolo, milita o trio responsável pela rotação do jogo do Bursaspor. O miúdo Ozan Tufan (muito potencial, 20 anos e internacional A pela Turquia) é o médio mais posicional, tendo como principal função colocar um travão nas investidas adversárias. Esta sua tarefa adquire especial importância nos jogos contra equipas menos ambiciosas, já que o Bursaspor tende a subir a linha defensiva para muito perto dos médios. Por vezes, é algo que prejudica o seu jogo, porque acabamos por ver Tufan correr atrás do adversário, como aconteceu repetidamente frente ao Galatasaray. A acompanhar o jovem turco, surge aquele que, para mim, é o jogador-chave de todo o modelo de jogo: Belluschi. O argentino sofreu uma metamorfose notável desde os tempos do FC Porto. Outrora médio puramente ofensivo, joga agora bem mais recuado e consegue definir na perfeição o seu posicionamento nos momentos de transição, quer defensiva, quer ofensiva.

Prova disso foi o instante em que surgiu na área do Galatasaray a servir Volkan Sen, de calcanhar, para o segundo golo do Bursaspor. No entanto, nunca descurou as tarefas defensivas, tendo-se destacado a nível da recuperação de bola nas saídas ofensivas do Galatasaray. O terceiro elemento do tridente de meio-campo é Josué. O ex-FC Porto surge no papel como ‘10’, mas no desenrolar da partida vai-se transformando num vagabundo, e tanto se posiciona imediatamente à frente do duplo-pivot, como surge na ala ou nas costas do avançado. A verdade é que esta liberdade dada pelo treinador Senol Günes (que, ao que parece, está a caminho do Besiktas) ao português permitiu-lhe destilar o seu melhor futebol. Atualmente, Josué é um dos ídolos da massa adepta do Bursaspor.

Belluschi é a "peça chave" do sistema do Bursaspor Fonte: Facebook do Bursaspor
Belluschi é a “peça chave” do sistema do Bursaspor
Fonte: Facebook do Bursaspor

Por fim, o ataque vive da capacidade de retenção de bola do “tanque” Fernandão. O brasileiro mede 1,92 m e pesa mais de 85 quilos, mas está longe de ser um mero “pinheiro” goleador. O melhor marcador da liga turca aproveita bem o físico que tem para ganhar bolas nas alturas, cabecear, mas sobretudo para esconder o esférico do adversário, para permitir a incursão dos extremos na área. E não se coíbe de vir buscar jogo mais atrás no terreno. Fiquei deveras agradado ao vê-lo na final da Taça e, aos 28 anos, o salto não deve tardar. O extremo congolês Cédric Bakambu (fisicamente forte) gosta de surgir em diagonal à beira de Fernandão e, do outro lado, Volkan Sem cola-se mais à linha, optando pelo cruzamento com mais frequência ou procurando o remate na quina da área. A opção de recurso é o jovem Enes Ünal, avançado de 18 anos com uma maturidade acima da média e enorme margem de progressão.

Em suma, o Bursaspor incorpora, decididamente, uma filosofia ofensiva. No contra-ataque empurra a equipa toda para a frente e expõe-se defensivamente. Assim se justifica o facto de ter terminado o campeonato turco com o melhor ataque (69 golos), mas ter registado alguns resultados embaraçosos e inesperados, como as derrotas frente a Kasimpasa (5-3) e Sivasspor (4-1), equipas mais “pequenas” que se refugiam no bloco baixo e saem rápido para o contra-ataque. Com mais trabalho a nível defensivo e uma maior consciencialização da importância que a ocupação do espaço defensivo tem durante o jogo, o Bursaspor pode tornar-se num caso de estudo interessante no futuro próximo. Mais que não seja, já é um caso à parte na conjuntura turca.

Foto de Capa: Facebook do Bursaspor

Uma época de sonho com direito a “dobradinha”

cab futebol feminino

Com seis vitórias e um empate na fase de apuramento do campeão, que lhe permitiram levar o título nacional para casa, o Clube Futebol Benfica – mais conhecido por Fófó – voltou a dar alegrias à freguesia de Benfica e conquistou a Taça de Portugal.

Pico de Regalados, Boavista, Valadares Gaia e, na final, Clube de Albergaria foram as vítimas da formação lisboeta, que, nesta edição da prova rainha do futebol português, não conseguiram fazer frente a uma equipa experiente, bem organizada e, acima de tudo, bem orientada. Ninguém tem dúvidas de que são as jogadoras que pisam o relvado que conseguem alcançar as vitórias através da sua qualidade técnica e táctica. No entanto, é justo referir que (mais de) metade do trabalho é realizado igualmente pela equipa técnica. Afinal de contas, quem são os principais intervenientes do feito alcançado pelo Clube Futebol Benfica?

Pedro Bouças, de 35 anos, chegou ao Fófó há duas épocas e já é notória a evolução da equipa de Benfica. Antes de ingressar no Clube Futebol Benfica como treinador principal, detinha o cargo de treinador adjunto no rival 1º de Dezembro, formação que dominou o futebol feminino por mais de uma década. Ao abraçar este novo projecto, fez-se acompanhar de algumas das melhores jogadoras que constituíam a equipa sintrense, das quais são exemplo a extremo Andreia Silva e a avançada Filipa Galvão.

O treinador Pedro Bouças (direita) fez-se sempre acompanhar pelo fisioterapeuta João Coelho (esquerda) ao longo da época Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino
O treinador Pedro Bouças (direita) fez-se sempre acompanhar pelo fisioterapeuta João Coelho (esquerda) ao longo da época
Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino

Mais tarde, conseguiu também integrar no seu plantel a centro campista Patrícia Gouveia, que, depois de uma experiência em Itália, decidiu regressar a Portugal e apresentar-se ao serviço de Pedro Bouças. Estas “jogadas” revelaram ser de génio, uma vez que as atletas referidas fazem parte, actualmente, da espinha dorsal do Fófó. Afinal de contas, mais experiência e ainda mais qualidade nunca são demais. O técnico português teve assim a capacidade de fundir dois plantéis em prol de um único objectivo: elevar a fasquia no seio do Clube Futebol Benfica. Para além deste aspecto, a forma como encara o futebol e, certamente, a forma como trabalha conquistou toda a equipa.

Quanto às jogadoras que já vestiam de vermelho e preto, apesar das adversidades pelas quais passaram em épocas anteriores, conseguiram levantar a cabeça e conduzir o Fófó ao sucesso. A chave? Muito provavelmente o amor à camisola, o laço que as une e a crença no novo projecto trazido por Pedro Bouças. Parece-me pertinente mencionar algumas dessas atletas que pertencem aos quadros do Clube Futebol Benfica já há algumas épocas, como é o caso da guarda-redes Elsa Santos, da defesa central Ana Teixeira, da avançada Joana Flores e da capitã de equipa Matilde Fidalgo. Para mim, estes quatro nomes conseguem ser sinónimo de árduo trabalho e dedicação, qualidades que são tão ou mais importantes do que a habilidade que nasce com qualquer jogadora.

Joana Flores foi a autora do golo que colocou o Clube Futebol Benfica no pódio do Jamor. Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino
Joana Flores foi a autora do golo que colocou o Clube Futebol Benfica no pódio do Jamor.
Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino

O Clube Futebol Benfica encontrou desta forma o antídoto certo para alcançar a glória. É composto por uma estrutura sólida, por um plantel dedicado e por uma equipa técnica que acredita que o futebol feminino tem pernas para andar. Os resultados falam por si: em 28 jogos oficiais realizados esta época (campeonato nacional e Taça de Portugal), o Fófó regista 22 vitórias, três empates e apenas três derrotas. O próximo desafio irá ser a participação histórica na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Copa América’2015 – Chile 2-0 Equador: Acreditem… vale a pena ficar acordado até tarde

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Precisamente 14 anos depois, uma equipa anfitriã da Copa América volta a vencer no jogo de estreia. Depois de dois empates e uma derrota, eis que o Chile volta a repetir o feito da Colômbia, em 2001, vencendo o Equador, curiosamente, com o mesmo “score” conseguido pelos cafeteros ante a Venezuela – 2-0.

Uma vitória importante para as hostes chilenas, não tanto pelo apuramento em si (esse, com uma vitória apenas ficaria muitíssimo bem encaminhado dada a facilidade de passagem à fase de grupos – em 12 equipas, apenas 4 passam aos quartos) mas pela forma como os chilenos têm vivido os dias que antecedem a Copa América e que ficou bem patente na cara de um dos 22 miúdos chilenos que tiveram a sorte de acompanhar os jogadores das selecções chilena e equatoriana ao campo no jogo de abertura da Copa América. Notava-se o orgulho dos pais e dos amigos à medida que no ar compenetrado com que cantava o hino nacional chileno perante e com 46 mil almas que partilham causas como o patriotismo e a paixão pelo futebol, ambas fortemente enraizadas na cultura deste povo.

Os jogadores chilenos, movidos pelo cidadão chileno que existe dentro deles e pela energia eletrizante que chegava das bancadas, entraram com tudo para cima do adversário e aos quatro minutos já tinham criado duas ocasiões de sério perigo, ambas com Alexis Sanchez como protagonista – primeiro através de uma diagonal que “rasgou” a defesa equatoriana e que lhe permitiu um cara-a-cara com o guarda-redes Alexis Dominguez, desperdiçado com um remate ao lado e depois aproveitando um passe, nas costas da defensiva contrária, a explorar a sua velocidade e que voltou a colocá-lo em posição privilegiada para faturar, mas os quase dois metros do guardião equatoriano e não permitiram o chapéu do jogador do Arsenal.

A toada manteve-se, com o Chile a carregar sobre um Equador completamente desnorteado perante uma fluidez de jogo assinalável, assente em trocas de bola rapidíssimas, “patrocinadas” por permutas de posição frequentes (Valdivia e Diaz entendiam-se muito bem, ficando sempre um a fechar o meio-campo e o outro a construir) e a excelente envolvência dos laterais (mais Isla que Bouseajour – o jogador da Juventus chegou mesmo a “cheirar” o golo) com os homens da frente – Vidal subia muito e servia de ponte para o entendimento com Alexis Sanchez.

Até final da primeira parte, o jogo chileno foi sendo estagnado pelo Equador, que ia ganhando “terreno emocional” ao seu adversário. O passar do tempo fazia crescer uma ansiedade indesejável por parte dos homens da casa, e o início do segundo tempo deu continuidade a este reequilíbrio de forças, alicerçado na sincronização do meio campo do Equador – Noboa e Lastra ganhavam o meio campo, permitindo a Bolaños construir. Esta harmonia permitia que a  equipa forasteira fosse conseguindo expandir o seu jogo, criando mesmo oportunidades de perigo, quase sempre saídas dos pés de Jefferson Montero.

Arturo Vidal marcou o primeiro golo do jogo (esq.) Fonte: Site Oficial da Copa América'2015 (Getty)
Arturo Vidal marcou o primeiro golo do jogo (esq.)
Fonte: Site Oficial da Copa América’2015 (Getty)

Foi, portanto, em contra-ciclo, que o Chile chegou à vantagem. Numa grande penalidade convertida por Vidal, após falta sofrida pelo próprio (sem discussão). Golpe duro nas ambições equatorianas e que fez com que a equipa demorasse a recuperar, no entanto, conseguiu-o, e numa jogada de insistência, quase chegava ao empate, com Enner Valência a cabecear à barra da baliza de Claudio Bravo.

A incerteza voltava a pairar… mas mais uma vez, o Chile conseguia inverter o ciclo de domínio contrário – Aléxis aproveita um passe mal executado em zona proibida e assiste Vargas, que, isolado, não tem dificuldades em marcar o 2-0 que sentenciaria o encontro. Até final, Matías Fernandez seria expulso por acumulação de amarelos, algo que não mancha porém, a alegria do triunfo chileno. Uma vitória que vale mais que três pontos, vale o orgulho e a alegria do povo chileno que não alimentou ilusões em vão, pelo menos, para o jogo de abertura da Copa América 2015. Aliás, até lhes fez crescer água na boca pelo excelente espectáculo a que assistiram. A continuar assim, esta edição do torneio sul-americano de selecções tem razões de sobra para contar a ser acompanhada por eles… e por nós.

A Figura:

Jefferson Montero – Enner Valência era a referência ofensiva “no papel”, mas era Jefferson Montero que a equipa equatoriana procurava quando pretendia criar perigo (quantas vezes se viu Paredes [lateral-direito] a virar o flanco procurando o lado esquerdo do ataque), e tinha razões para o fazer – sempre que tocava na bola, parecia que o jogo crescia em intensidade e emoção. Jefferson Montero contribuiu muito para que o jogo inaugural da Copa América 2015 servisse de propaganda ideal da competição.

O Momento do jogo:

67 minutos, penalty para o Chile – Vidal, na área, é puxado por Bolaños e converte o castigo máximo correspondente. Inaugurou-se o marcador numa altura em que o Equador começava a ficar por cima no jogo e o golo revelou-se decisivo para se colocar um travão na ansiedade chilena, que, caso subisse de intensidade, podia trazer consigo consequências nefastas.

O Fora-de-jogo:

Ibarra – Entrou bem no encontro, agitou-o e quase que deu uma segunda vida ao Equador depois do abanão provocado pelo golo inaugural do Chile, mas o passe que errou, em zona proibida e para um jogador proibido (Alexis Sanchez), custou caro à equipa – originou o 2-0 – e é aquilo que salta à vista de uma performance que teve pouco mais de 10 minutos (entrou aos 80).

Foto de Capa: Site Oficial da Copa América’2015 (Getty)

Copa América’2015: Grupo B – Quem irá ocupar o trono?

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Grupo B – Os dois primeiros lugares estão, à partida, entregues. Para além de candidatas ao título, Argentina e Uruguai não deverão dar hipóteses a um Paraguai que terá sempre alguma coisa a dizer e a uma Jamaica que terá como objetivo a conquista de um ponto. A grande questão? Quem irá ocupar o trono do grupo B.

Argentina – Albiceleste 

Com um elenco recheado de estrelas, a tarefa mais complicada é não imaginar a seleção argentina como vencedora da Copa América de 2015. Mas o rótulo de favorita parece não encaixar bem na equipa das “pampas”, uma vez que a última conquista data de 1993. São mais de vinte anos de jejum para a seleção com o segundo melhor registo na competição (14 títulos) e os “esfomeados” adeptos argentinos quererão, decerto, ver quebrados.

Sergio Aguero, Carlos Tevez, Gonzalo Higuaín, Ezequiel Lavezzi, Di Maria. A nível de atacantes a Argentina é dos países mais profícuos do mundo. Os nomes são distintos mas têm todos o mesmo sinónimo: golo. A qualidade, porém, não se resume ao último terço e, recuando no terreno, podemos encontrar nomes como Mascherano, Zabaleta, Otamendi ou até Garay. A estrela maior, porém, vai brilhar sobre o “pequeno gigante” número 10, Lionel Messi. O “astro” do Barcelona é o grande protagonista da albiceleste e chega à Copa América num dos melhores momentos da carreira.

Tata Martino já não é um estreante na Copa América. Há quatro anos atrás, em 2011, o selecionador argentino orientava outra das seleções deste grupo: o Paraguai. Ao comando da seleção paraguaia, Tata chegou à final da última Copa América, perdendo-a apenas para o… Uruguai. Agora, finalmente ao leme da equipa do seu país natal, Tata Martino parece ser o homem certo para devolver a Argentina aos píncaros do futebol sul-americano.

A Argentina espera quebrar o jejum de 22 anos
A Argentina espera quebrar o jejum de 22 anos

Uruguai – A Celeste

Para além de ser o atual detentor do troféu da Copa América, o Uruguai é também a seleção que mais vezes venceu a competição, com um total de 15 conquistas. Casa de apenas 3,4 milhões de habitantes, a seleção celeste continua a contrariar todas as apostas e a confirmar que a história é para continuar a ser escrita. Depois de vencer os dois primeiros troféus da Copa América, ambas contra a Argentina, o Uruguai quer que o passado também tenha lugar no futuro.

Aguerridos, lutadores, inconformados e capazes de lutar até ao fim. Não é difícil descrever a seleção uruguaia, que está longe de contar com um onze pleno de qualidade reconhecida. O destaque vai, evidentemente, para o trabalho coletivo, baseado numa enorme disponibilidade e entrega ao jogo. Mas a seleção uruguaia terá mesmo de procurar transcender-se depois de ter ficado sem a sua estrela maior, Luis Suárez. Sem o atacante do Barcelona em campo o destaque vai para “el matador” Edinson Cavani e para Godín, o defesa central do Atlético de Madrid que se assume como um verdadeiro perigo no jogo aéreo. O setor defensivo é aquele que, porventura, será de maior conhecimento dos portugueses, uma vez que conta com nomes como Maxi Pereira, Álvaro Pereira e Jorge Fucile.

Óscar Tabárez assumiu o cargo de selecionador em 2006. Desde então, chegou às meias-finais do Mundial de 2010, venceu a Copa América em 2011 e caiu nos oitavos-de-final no último campeonato do mundo. O trabalho é reconhecido e meritório mas a grande questão que se coloca é se será suficiente para esta edição da Copa América. Com 68 anos, Óscar Tabárez não terá muitas mais oportunidades de orientar o Uruguai para grandes conquistas.

Sem Suárez, Cavani será a referência do ataque
Sem Suárez, Cavani será a referência do ataque

Paraguai – Albirroja ou Guaraní

Num grupo com Uruguai e Argentina, a seleção guaraní deverá apenas ambicionar o terceiro lugar. Finalista vencido da última edição da Copa América, o Paraguai deverá “correr por fora”, longe de qualquer pressão acrescida. Contudo, esta estratégia pode ser benéfica para o conjunto paraguaio, que poderá assumir um papel preponderante na definição dos dois primeiros lugares. E desengane-se quem pensa que o Paraguai está longe de ser uma ameaça. Em 43 edições da Copa América, a albirroja chegou às meias-finais em cerca de metade.

A média de idades ronda os 28 anos, com evidente destaque para os veteranos Roque Santa Cruz, Lucas Barrios e Nelson Valdez. Os três atacantes figuravam no conjunto que, há quatro anos, perdeu a final da Copa América para o Uruguai e, sem muitas mais oportunidades de representar o seu país nas grandes competições, podem assumir um papel preponderante na motivação da equipa. O ranking da FIFA também não ajuda, colocando os guaranis num modesto 85º lugar.

Depois de Tata Martino, é o seu compatriota Ramón Diaz que assume a árdua tarefa de motivar a armada paraguaia em busca da surpresa no grupo B. Com 55 anos, o histórico treinador do River Plate conhece como ninguém o futebol sul-americano e promete fazer da sua equipa um “osso duro de roer”.

Os paraguaios querem repetir a final de 2011
Os paraguaios querem repetir a final de 2011

Jamaica – The Reggae Boys

Estreante na Copa América, a seleção jamaicana chega à competição sul-americana por convite e é considerada a grande “outsider”. As probabilidades estão todas contra os rapazes do reggae mas a verdade é que a Jamaica ocupa a 65ª posição do ranking da FIFA, à frente do Paraguai. Desconhecida no mundo do futebol, poderá a Jamaica surpreender os sul-americanos frente a equipas como Argentina, Uruguai e Paraguai? Teremos de esperar para ver.

A verdade é que o futebol está longe de ser o desporto que mais pessoas cativa naquele país. A nível desportivo, é o famoso velocista Usain Bolt que rouba as luzes da ribalta. Mas isso não significa que os adeptos jamaicanos não vão estar interessados em ver as surpresas que Rodolph Austin, Giles Barnes, Darren Mattocks, Wes Morgan e companhia podem fazer na Copa América.

O alemão Winfried Schafer assumiu o leme da armada jamaicana em 2013 e já conta no seu currículo com uma Copa do Caribe, título que escapava aos rapazes do reggae desde 2010. Um ano depois, e apesar de manter grande parte do seu onze inicial, Winfried Schafer parece ter tido grandes dificuldades em definir a convocatória, uma vez que apenas divulgou a lista de convocados no passado dia 2, a 11 dias do primeiro jogo oficial, frente ao Uruguai…

Os "reggae boys" estreiam-se na Copa América
Os “reggae boys” estreiam-se na Copa América

Fotos: Facebook oficial da Copa América 2015

Que mudanças trará Jesus?

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a norte de alvalade

Por certo muitos Sportinguistas não se importariam de ficar mais velhos um mês no imediato, de forma a que os dias que ainda nos separam do inicio dos trabalhos da equipa de futebol tivessem passado. Dessa forma já poderíamos estar a constatar quais serão as grandes diferenças que a chegada de Jesus representará no desempenho da equipa, em particular na resposta aos diferentes momentos que um jogo de futebol coloca.

Poucos não se lembrarão do impacto que aquele que é o nosso actual treinador provocou na equipa do eterno rival e até de forma mais abrangente no futebol nacional, conquistando um campeonato em que não apenas venceu como o fez com elevada nota artística. Será possível conseguir repetir o mesmo feito, agora na equipa do seu coração? É tão impossível não o desejar como responder com segurança a esta pergunta. Mas é quase certo que, independentemente dos resultados, as diferenças serão notórias.

Que Jesus é este agora

O Jorge Jesus que chega agora ao Sporting é um treinador no zénite da carreira. A ambição é a mesma de sempre, as responsabilidades são agora ainda maiores, devido ao estatuto adquirido. Algumas derrotas inesperadas e até dolorosas conferiram-lhe algum realismo e atitude mais cínica, provavelmente fundamentais no título que acaba de conquistar.

Responsabilidade total

Uma diferença radical relativamente ao que sucedeu nos dois anos anteriores será a responsabilidade do treinador no recrutamento de jogadores. Dificilmente Jorge Jesus não assumirá a total responsabilidade na escolha quer dos jogadores a dispensar como a adquirir. Depois do muito que se disse sobre o novo treinador e a formação será particularmente curioso observar o destino de alguns dos jogadores sobre os quais se reclamavam oportunidades na equipa principal. Ou que impressão causarão em JJ jogadores que, tendo chegado o ano passado com o selo de reforços, se ficaram pela desilusão. Terá algum deles direito à ressurreição?

jesus sporting
É hora de perceber o que é que Jorge Jesus pode trazer ao Sporting
Fonte: Sporting Clube de Portugal

4x4x2 ou 4x3x3?

Muito se fala já na possibilidade de a equipa abandonar o 4x3x3. Não me parecendo importante a disposição mas, sim, o equilíbrio e a eficácia; é natural que para a escolha seja determinante os jogadores à disposição de JJ.

É muita a curiosidade para perceber quem chegará para o centro da defesa com estatuto de titular indiscutível e quem lhe fará companhia. Toda a equipa terá que defender, mas será com os elementos do sector que trabalhará mais até apurar as melhores armas da sua equipa, determinantes para o seu modelo de jogo, muitas vezes asfixiante para o adversário, que é a transição e organização defensiva. O controlo da profundidade será um conceito que terá de ser completamente compreendido e dominado por uma equipa que jogará quase sempre em cima do meio-campo adversário.

Se a escolha recair no 4x4x2, é muito natural que Adrien e William tenham de reciclar as funções até agora desempenhadas, habituando-se a jogar de forma ainda mais coordenada. Adrien poderá ser um dos jogadores que melhores benefícios poderão recolher, para tal terá que melhorar a qualidade das suas decisões quer no que diz respeito à condução e entrega da bola quer no posicionamento e reacção à perda.

A qualidade individual dos elementos mais criativos é outro factor fundamental nas equipas de JJ. É ela a responsável por desmontar os tradicionais autocarros do nosso campeonato. Criatividade e velocidade de execução serão palavras que veremos mais vezes pronunciar. Para que tal aconteça é importante não falhar na escolha do substituto de Nani assim como na permanência de Carrillo. Este não só poderá manter a preponderância no nosso jogo, como revelam o número de assistências obtido, como antecipo que possa ainda crescer no número de finalizações.

Sendo também de esperar a chegada de um novo homem para o centro do ataque, será curioso perceber qual o perfil escolhido. E se JJ optará pelo homem de referência no ataque, à semelhança do que fazia Cardozo, ou se a escolha recairá numa dupla menos posicional. Quem será o segundo nome do ataque é outra das questões a atrair atenção. Fala-se muito em Montero, também em João Mário. Não descartaria a possibilidade de Labyad, conseguindo este debelar muito rapidamente as suas debilidades no momento de decidir, vir a ter um papel de destaque.

Uma mudança que se estima venha a ocorrer e que poderá ter importância decisiva em alguns jogos é uso de jogadas estudadas, aquilo a que se convencionou chamar bolas paradas. Num campeonato cujos potenciais vencedores ficam quase sempre definidos nas jornadas que levam o campeonato até ao Natal, falta saber quanto tempo precisará JJ para montar uma equipa à imagem e semelhança do melhor que já foi capaz.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Mundial Sub-20 – Nova Zelândia 1-2 Portugal: Trivela de Gelson guia Portugal aos ‘quartos’

cab seleçao nacional portugal

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A seleção nacional de sub 20 apurou-se hoje para os quartos de final do Mundial da categoria após uma vitória frente à Nova Zelândia, seleção anfitriã da competição. Num jogo mais complicado do que seria de esperar, o golo do triunfo apenas chegou aos 87 minutos, numa iniciativa individual de Gelson Martins.

Hélio Sousa, selecionador nacional, repetiu o onze lançado no jogo inaugural, frente ao Senegal, com Gelson, Rony Lopes e Gonçalo Guedes no apoio ao ponta de lança André Silva. Foi com alguma surpresa que os “All Whites”, como é conhecido o conjunto neozelandês, entraram melhor no encontro, com muito empenho e muita luta em todos os lances. Contudo, nunca assustaram verdadeiramente a baliza à guarda de André Moreira. Neste período inicial do encontro, foi fundamental (mais uma vez) a tranquilidade que Tomás Podstawski consegue dar à equipa com as suas recuperações de bola e o equilíbrio que tem em cada tomada de decisão. O capitão é mesmo o porto seguro deste conjunto, um farol a quem a equipa recorre sempre que necessário.

A partir dos 10 minutos, Portugal começou a impor-se territorialmente, mas sem criar grandes lances de perigo. O jogo ofensivo da nossa seleção baseou-se muito em combinações executadas pelo “quarteto” ofensivo, que tinham sempre a ajuda de mais gente, como os laterais Rafa e Riquicho (mais um excelente jogo destes dois jogadores, sempre disponíveis para atacar) ou o médio Raphael Guzzo, que apareceu várias vezes em zonas de finalização. Rony Lopes teve a primeira oportunidade de golo aos 22 minutos com um remate rasteiro que passou rente ao poste esquerdo da baliza de Tzanev. Dois minutos depois, chegou o primeiro golo luso. Gelson Martins cruzou da direita e André Silva desviou de cabeça para Rafa. O lateral segurou o esférico e tocou para Guzzo que ludibriou um defesa com uma simulação corporal, ficando com tempo e espaço para rematar cruzado, sem hipóteses de defesa para Tzanev. O jogador do Benfica, que alinhou esta época no Desportivo de Chaves, marcou assim o primeiro golo e Portugal tinha agora tudo na mão para partir para uma exibição tranquila, como aconteceu nos jogos da fase de grupos.

Porém, não foi isso que se viu. A equipa das quinas não criou muitas jogadas perigosas e, quando as criou, nunca houve inspiração na finalização. André Silva não esteve feliz, apesar de ter batalhado muito, como é sua imagem de marca. Gonçalo Guedes esteve novamente bastante desinspirado e Rony Lopes só apareceu a espaços, principalmente no último quarto de hora da partida. Neste momento, penso mesmo que Nuno Santos ou Ivo Rodrigues mereçam mais a titularidade, em detrimento de Gonçalo Guedes.

Os neozelandeses, que tinham em Patterson a sua figura mais inconformada e em Tuiloma (defesa central) o seu melhor jogador, foram acreditando que podiam chegar ao empate e chegaram mesmo. Depois de um ataque português em que André Silva teve um falhanço clamoroso, os All Whites empataram aos 65 minutos. Numa jogada bastante confusa, em que Patterson ganhou uma série de ressaltos perante a passividade da defesa portuguesa, Holthusen, recém entrado na partida, ficou cara a cara com André Moreira e não rejeitou a oferta, rematando para o fundo das redes lusas.

O jogo ficou mais partido, com tentativas de ataque rápido por parte das duas formações e Portugal estava em risco de correr mais problemas. Hélio Sousa substituiu Raphael Guzzo por Estrela, de forma a dar mais pulmão e mais força ao meio campo nacional. O jogador dos Orlando City entrou para jogar com Podstawski no meio campo, deixando as tarefas ofensivas a cargo de Rony Lopes, Gelson Martins, André Silva e Ivo Rodrigues, que já tinha rendido Gonçalo Guedes.

A seleção nacional foi então em busca do golo da vitória, principalmente através de iniciativas individuais. Primeiro foi Rony Lopes que, após passar por dois adversários, atirou forte para uma boa defesa de Tzanev. Depois, veio o melhor momento do encontro e um dos melhores do Mundial.

Gelson Martins festeja o golo da vitória, alcançado num remate de trivela Fonte: Facebook 'Seleções de Portugal'
Gelson Martins festeja o golo da vitória, alcançado num remate de trivela
Fonte: Facebook ‘Seleções de Portugal’

Gelson Martins recebeu a bola no flanco direito, fletiu para dentro, passou por dois adversários e, ainda de fora da área, rematou de trivela para o poste mais afastado. Um lance fabuloso do jogador do Sporting, a fazer lembrar o movimento característico de Ricardo Quaresma.

Até ao fim, os jogadores lusos geriram o tempo que restava no meio campo adversário. Nota ainda para a saída de Gelson com queixas musculares. Esperemos que não seja nada que impossibilite o extremo de jogar na madrugada de sábado para domingo, no jogo dos quartos de final, frente ao Brasil, que derrotou hoje o Uruguai, após desempate nas grandes penalidades.

Na próxima partida, Portugal terá de ser mais ativo e mais constante no jogo. Hoje fez a sua pior exibição no Mundial e, se voltar a jogar assim, talvez não se safe da próxima vez…

A Figura:

Gelson Martins – O extremo foi sempre o elemento com “sinal mais” do setor ofensivo português. Ainda para mais, terminou o encontro com o lance genial que deu a vitória a Portugal. Destaque também para mais dois bons jogos dos laterais Rafa e Riquicho e para as exibições consistentes de Guzzo e Tomás Podstawski no meio campo.

O Fora-de-Jogo:

Gonçalo Guedes – O extremo benfiquista, ainda com 18 anos, continua a desiludir neste Mundial. Continua infeliz no momento do último toque na bola e, com isso, perde confiança durante os jogos. Tem sido o extremo com o desempenho menos positivo dentro da seleção nacional neste Mundial.

Foto de capa: Página do Facebook das Seleções de Portugal

Copa América 2015: Grupo A, três candidatos e um outsider

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Grupo A – O Chile joga em casa e é, também por isso, o favorito a ficar em primeiro lugar no grupo. Um México sem as principais figuras e um Equador abnegado lutarão pelo segundo posto, sendo que o terceiro classificado poderá também figurar na ronda seguinte (os dois melhores terceiros passam). A Bolívia corre por fora e não deverá conseguir mais do que um empate.

CHILE

Tem um bom conjunto de jogadores, joga em casa e pode ir longe na competição. Actuando sobretudo num 3-5-2, com Gary Medel a comandar a defesa, Arturo Vidal a orquestrar o meio-campo e Alexis Sánchez a explodir no ataque, tudo o que fique aquém de um apuramento para os quartos-de-final será uma enorme desilusão. A Roja, que tem em Claudio Bravo, Charles Aránguiz e Eduardo Vargas outras das suas figuras, conseguiu uma vitória histórica frente à Espanha (2-0) no último Mundial e só caiu nos oitavos perante o anfitrião Brasil, nas grandes penalidades.

Contudo, 2015 tem sido um pouco mais tremido para a selecção chilena. Em quatro amigáveis, conseguiu duas vitórias (3-2 frente aos EUA e um magro triunfo em casa perante El Salvador) e consentiu outras tantas derrotas (o 0-1 contra o Brasil é normal, mas o 0-2 com o Irão fez soar os alarmes). A equipa de Jorge Sampaoli tem na garra, na entrega e no rigor táctico algumas das suas grandes armas, apesar de a qualidade técnica desta geração ser também evidente. Os já mencionados Vidal e Sánchez conferem à selecção chilena um estatuto internacional que faz dela a grande favorita do grupo.

Deve também realçar-se a profundidade conferida aos flancos pelos incansáveis Isla e Mena. O músculo de Vidal e Aránguiz, bem como de Marcelo Díaz, dá à equipa a intensidade que talvez faltasse quando o virtuoso Valdivia tinha um papel mais preponderante. De realçar a chamada de David Pizarro, que teve um percurso atribulado na Roja e já não estava presente numa grande competição desde os Jogos Olímpicos de 2000. Matías Fernández, bem conhecido dos portugueses, fez uma boa época na Fiorentina e também está entre os convocados.

O Chile, que nunca ganhou nenhum troféu internacional, tem agora, junto dos seus adeptos, uma boa oportunidade para tentar essa difícil tarefa.

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Arturo Vidal vai comandar as operações no meio-campo chileno

MÉXICO

Como já é hábito na Copa América, onde surge como país convidado, o México privilegia na sua convocatória os atletas que actuem dentro de portas – algo que este ano faz sentido, porque a Gold Cup se joga dentro de um mês. Desta forma, os relvados do Chile ver-se-ão privados de nomes como Chicharito, Guardado, Giovanni dos Santos e Carlos Vela (isto é, das maiores figuras mexicanas), para além dos portistas Héctor Herrera e Diego Reyes. Em condições normais, o conjunto comandado por Miguel Herrera teria todas as condições para ficar nos dois primeiros lugares do grupo; assim, lutará arduamente com o Equador pela qualificação. Os mexicanos têm, no entanto, o conforto de saber que dois dos três terceiros classificados também seguirão em frente.

Importa, aliás, dizer que o México venceu os equatorianos (1-0) em Janeiro, embora tenha alinhado com vários atletas que agora não estarão presentes. De resto, daí para cá os aztecas registaram triunfos ante o Paraguai e a Guatemala (1-0 e 3-0, respectivamente) um empate frente ao Peru (1-1) e derrotas com os EUA e o Brasil (ambas por 2-0). Há alguma indefinição quanto ao sistema a apresentar, mas deverá ser algo entre o 5-3-2 e o 5-2-3. Certo é que os extremos Javier Aquino e Jesús Corona (é novo na selecção mas tem estado a bom nível) sairiam beneficiados com um esquema que lhes permitisse jogar no apoio a Raúl Jiménez, outro dos destaques individuais de um México pouco entrosado e que tem no “imortal” Rafael Márquez o seu esteio defensivo. O ex-Barcelona é, aliás, de longe o atleta mais experiente numa equipa algo “verde” – sem contar com Márquez, que tem 126 jogos pelo seu país, os atletas mais internacionais estão na casa das 30 partidas.

Na Copa América, o primeiro jogo do México será frente aos outsiders da Bolívia, pelo que, ganhando, os aztecas conseguem um impulso inicial que poderá ser importante numa competição tão curta como esta.

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Rafael Márquez confere experiência a uma selecção bastante jovem

EQUADOR

É incontornável: as lesões de Antonio Valencia e de Felipe Caicedo foram duras contrariedades para Gustavo Quinteros e podem ser decisivas nas pretensões desta selecção, que ainda se ressente da morte do talentoso “Chucho” Benítez. Actuando num claro 4-4-2, o Equador tem evoluído bastante como equipa e, no último Mundial, só por azar não passou à fase seguinte – esteve a ganhar à Suíça e acabou por perder com um golo nos descontos que se revelaria fatal, conseguindo, ainda assim, uma vitória frente às Honduras e um empate contra a França. Agora, com o ponta-de-lança móvel  Enner Valencia como principal destaque, os equatorianos vão tentar passar a fase de grupos desta competição pela primeira vez desde 1997. E têm condições para isso.

O eixo da defesa é, contudo, um dos maiores pontos fracos desta selecção – embora Guagua, um dos que mais tremia, não tenha sido chamado. O lateral Juan Carlos Paredes, que para o ano jogará na Premier League, e o extremo irrequieto Jefferson Montero, que já actua nesse campeonato, são outras das maiores figuras. O Equador pratica um futebol agradável e terá aqui uma boa hipótese de passar a primeira fase, mas precisará de estabilizar a sua defesa, de gerir melhor os momentos do jogo e de saber viver sem Antonio Valencia, o seu melhor jogador. A tarefa não se avizinha fácil, mas também não será uma surpresa total ver esta equipa na ronda a eliminar. À partida tudo se decidirá com o México, no último jogo.

Em 2015, o Ecuador realizou quatro partidas e apenas ganhou a última, frente ao Panamá (4-0). De resto, registou-se um empate (1-1, também frente ao Panamá mas no terreno do adversário) e duas derrotas pela margem mínima (0-1 contra o México, 1-2 contra uma Argentina sem Messi).

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Enner Valencia trará qualidade e imprevisibilidade ao ataque do Equador

BOLÍVIA

Longe vão os tempos de Cristaldo, Sandy e do nosso bem conhecido Erwin Sánchez. Os anos 90 foram o período de ouro de uma Bolívia sem grande tradição no futebol, nem antes nem depois dessa era. Em 1994, contudo, o país qualificou-se para o Mundial pela primeira vez em 44 anos e, em 1997, perdeu com o Brasil na final da Copa América, disputada em casa. Daí para a frente, foi sempre eliminado na fase de grupos. E, desta vez, não será diferente.

Com a esmagadora maioria dos convocados a actuar no fraco campeonato nacional, a principal figura continua a ser o avançado Marcelo Moreno, qual oásis de qualidade técnica numa equipa muito pouco competitiva e completamente estagnada – desde a tal qualificação para o Mundial de 1994, só por uma vez a Bolívia escapou aos dois últimos lugares do apuramento sul-americano. Porém, o facto de Moreno não marcar pela sua selecção há dois anos acentua o já débil estatuto da Verde.

Numa equipa praticamente sem experiência europeia, será interessante seguir Sebastián Gamarra, jovem médio de 18 anos do Milan que, contudo, não deverá somar muitos minutos. De resto, o central Ronald Raldes confere alguma experiência a uma equipa que, para além de Moreno, tem no já desgastado Pablo Escobar um dos elementos mais esclarecidos. A recente goleada (0-5) sofrida perante a Argentina dá conta da fragilidade boliviana, que poderia levar Mauricio Soria a apostar num sistema de três centrais. Isso, no entanto, não deverá acontecer. A escolha recairá, provavelmente, num 4-4-1-1, com Escobar no apoio a Moreno.

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Marcelo Martins Moreno é um oásis de qualidade na fraca selecção boliviana

Fotos: Facebook Oficial da Copa América 2015

Vitórias com Vitória?

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Admito sem problema que fiquei aborrecido com a saída de Jorge Jesus do Benfica, não por ter trocado o clube por um rival directo, mas porque o Benfica, além de perder um grande treinador (o melhor a actuar na nossa liga), perdeu algo que lhe faltou no início deste milénio, continuidade e estabilidade. Antes de Jesus tínhamos assistido a uma parada quase interminável de treinadores: Toni, Jesualdo, Chalana, Camacho, Trapattoni, Koeman, Fernando Santos, Quique… O Benfica mastigava e mandava fora treinadores quase anualmente e o plantel estava em constante remodelação, o que dificultava qualquer tipo de sucesso sustentado e a longo prazo. Não vou nem posso defender mais de um terço destes treinadores, mas reconheço que muitos deles nem sempre tiveram as melhores condições para ter sucesso na posição. Tudo isso mudou com Jesus. Jesus pegou no Benfica e desde 2009 tinha vindo a construir uma equipa na verdadeira acepção da palavra, o que resultou em dez títulos em seis anos, incluindo três ligas e um tão desejado bicampeonato, uma fartura a comparar com os seus antecessores, para não falar da valorização de jogadores que Jesus fez.

Não vou entrar pela troca de clube de Jesus, até porque acredito que o Benfica teve pelo menos parte da responsabilidade na saída do treinador do clube: se não desejam renovar com o homem que acabou de se sagrar bicampeão, depois não fiquem surpreendidos se ele acabar num rival no mesmo país. Jesus optou pela “segurança” de um clube na liga e no país que ele conhece (e do qual supostamente era adepto) em vez de arriscar e assumir projectos no estrangeiro como o Milan por exemplo (isto partindo do princípio de que havia interesse da parte dos italianos, como chegou a ser noticiado).

Não vou nem quero entrar pela suposta proposta que Jorge Mendes apresentou a Jesus, de passar um ano a vegetar no Qatar para depois assumir o cargo de treinador principal do PSG, porque dizer que isso é ridículo é pouco. Jesus é passado e de momento interessa olhar para o futuro. Agradeço ao mister tudo o que fez e deu ao meu clube, estar-lhe-ei eternamente grato, mas agora interessa-me é o próximo treinador do Benfica, que a próxima época tem de começar a ser preparada rapidamente, principalmente neste clima de mudança de treinador e de remodelação do plantel sénior.

O bicampeonato será uma pesada herança para Rui Vitória Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O bicampeonato será uma pesada herança para Rui Vitória
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Vieira optou por não oferecer a renovação a Jesus porque apesar do sucesso do treinador os seus planos para o futuro do clube não estavam alinhados, muito por causa da “deficiente” aposta na formação do ex-treinador encarnado. Não sou nem de perto nem de longe um fanático da aposta na formação, acredito que os jovens formados no clube, se tiverem qualidade e trabalharem para isso, deverão ter a oportunidade de lutar por um lugar na equipa principal. Mas o Benfica na era Jesus preferiu apostar noutro tipo de jogadores e os resultados apareceram, o que, parecendo que não, é o que interessa: títulos. Mas vamos ver se esta nossa filosofia dá frutos. Quando Vieira decidiu que não iria oferecer a renovação a Jesus fê-lo (diz-se) já com o ainda treinador do Vitória de Guimarães Rui Vitória em mente para assumir o cargo e implementar esta nova filosofia no Benfica. Não tenho qualquer problema com esta contratação e até a apoio; o meu problema é que o Rui Vitória já deveria ter sido confirmado como treinador principal do Benfica. O que anda Vieira a fazer? De que está ele à espera?

O facto de Jesus ter saído para o Sporting não pode de forma alguma afectar a confiança que Vieira tinha em Vitória para assumir o cargo: uma coisa não tem nada a ver com a outra. E, por amor da Santa, estou em casa com os dedos cruzados e a rezar para que Vieira não contrate nenhum treinador porque foram criadas páginas nas redes sociais por adeptos ou porque se quer “vingar” do rival. Não vamos deixar os malucos mandar no manicómio, por favor.

Não, não tenho nada contra Marco Silva. Até o acho um treinador talentoso e não me importava de o ver no Benfica mas, quando Vieira optou por não renovar com Jesus, Marco Silva ainda era treinador do Sporting e nada levava a crer que Vieira tivesse tido qualquer tipo de contacto com Marco Silva para assumir o lugar. Se a ideia era Rui Vitória, em Rui Vitória se deve apostar; já chega de especulações e novelas. O Benfica é o Benfica e o Sporting é o Sporting, e o plano de um clube não pode ser afectado pelo do outro. Vieira é o Presidente e os adeptos são os adeptos, e assim é por motivos óbvios. É a ele que cabe a decisão da contratação do novo treinador do clube, e não aos adeptos. Ele que tenha um bocado de convicção e confirme o treinador que tinha em mente quando decidiu não renovar com Jesus.

A pré-época está aí à porta e o plantel precisa de ser decidido, contratações e vendas têm de ser feitas, e para isso dá jeito ter um treinador, devido ao facto de, bem, ser ele que vai ter de orientar a equipa. Já chega de Presidentes armados em treinadores de bancada; não faz qualquer sentido comprar e vender jogadores enquanto o Benfica não tiver treinador. Vamos vender alguém que seria uma peça crucial no plano do futuro treinador? Ou será que vamos comprar alguém que não encaixa na táctica do treinador? Em Portugal os Presidentes adoram sentar-se na cadeira do treinador, só que depois quando as coisas correm mal é a cabeça do treinador que voa. Esta semana Vieira veio dizer que esta época teremos cinco jovens da formação no plantel principal, o que me leva a perguntar: porquê cinco e não quatro ou seis? Uma coisa é dizer que os jovens que se mostrarem preparados e com talento e maturidade para isso terão a oportunidade de ficar na equipa principal do Benfica, outra coisa é afirmar que serão cinco – não interessa o que o próximo treinador pensa, as necessidades da equipa ou se eles estão preparados; o que interessa é que existe uma necessidade de meter cinco jogadores da formação no plantel principal. Há uma quota a preencher, pelos vistos, o que é bastante encorajador.

Isto vindo do mesmo Presidente que vendeu o Bernardo Silva ao Mónaco neste final de época depois de uma temporada bastante produtiva ao serviço do clube francês, principalmente tendo em conta a iminente saída de Nico Gaitán e o fanatismo e o desejo de Bernardo Silva de jogar pela equipa principal do Benfica (para não falar do seu enorme talento), algo que com a saída de Jesus se poderia ter concretizado. Mas já estou a divagar e ainda devo estar sob o efeito da Reportv dele que vi esta semana.

Estará Rui Vitória preparado para assumir o "desafio" Benfica? Fonte: Facebook do Vitória Sport Clube
Estará Rui Vitória preparado para assumir o “desafio” Benfica?
Fonte: Facebook do Vitória Sport Clube

Com a saída do treinador é altura de renovar e remodelar o plantel. Além da adição dos jovens da formação o Benfica já confirmou a saída de Sulejmani e Funes Mori, havendo ainda a existência de propostas por Gaitán, Salvio, Talisca, Sídnei e Lima (se acreditarmos na comunicação social), sendo que jogadores como Artur, Derley, Ola John e Lisandro também poderão estar de saída do clube. Em relação a entradas, além da já confirmada contratação do trio do Rio Ave (Ederson, Diego Lopes e Hassan), entusiasma-me a hipótese de contratar a promessa sérvia Andrija Živković, que, depois de impressionar ao serviço do Partizan, tem impressionado na Nova Zelândia no Mundial de sub-20 pela sua sérvia, podendo juntar-se a jogadores promissores no clube como Cristante ou Mukhtar que ainda têm muito para dar. Se pudéssemos olhar para a defesa também agradecia, mas não quero abusar da boa fé de ninguém porque, parecendo que não, o Eliseu continua a ser internacional A por Portugal, e aquela gente percebe infinitamente mais que eu de bola.

Custou a digerir mas já aceitei a saída de Jesus, não por ter saído para o Sporting mas por ter saído do clube. Agora dava jeito apresentar o novo treinador já esta semana e, já agora, se não desse muito trabalho, renovar com o Maxi Pereira, um dos maiores símbolos da paixão encarnada nos últimos anos. Muito “se faz favor”, senhor Vieira – não dava jeito que ele acabasse num clube rival também.

P.S. Podemos finalmente dar uma hipótese a sério ao Đuričić este ano para ver o que elerealmente vale: é que eu desconfio de que ele não é mau. Obrigado.

Os favoritos ao título da Copa América

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Não há dúvidas de que a Copa América 2015, a ser iniciada na próxima quinta-feira com as partidas do grupo A, é a edição mais aguardada do torneio continental nas últimas décadas. Afinal, a boa performance das seleções sul-americanas no Mundial do Brasil e o bom momento vivido por muitas delas no período pós-Mundial fazem crer que teremos um torneio marcado por jogos bastante aguerridos, mas também de ótima qualidade técnica. Perante isto, podemos apontar pelo menos cinco equipes candidatas ao troféu – é claro, umas mais favoritas, outras um pouco menos, mas todas em condições de representar a América do Sul na Taça das Confederações de 2017.

ARGENTINA

Tata Martínez promoveu o regresso do vice-campeão europeu Carlitos Tévez à seleção  Fonte: TyCSports.com
Tata Martínez promoveu o regresso do vice-campeão europeu Carlitos Tévez à seleção
Fonte: TyCSports.com

A vice-campeã do mundo chega à Copa América como principal favorita. Apesar da mudança de treinador após o Mundial, a albiceleste aposta na manutenção da base que vem compondo a seleção nos últimos anos: dos 23 nomes da lista final de Tata Martino, 16 estavam na edição de 2011 do torneio continental. O principal destaque dessa vez é o regresso de Carlos Tévez, após alguns anos afastado da equipe por problemas pessoais com a AFA (Associação de Futebol Argentino). O atacante da Juventus disputa com Kun Agüero a titularidade no ataque para jogar ao lado de nomes de peso como Messi, Di María e Higuaín.

Mas não é só no setor ofensivo que os argentinos chegam fortes à competição. Apesar da importante ausência de Musacchio, lesionado, Martino espera manter a estabilidade defensiva conquistada por Alejandro Sabella na Copa do Mundo e, para isso, conta com a boa fase de jogadores como Nicolás Otamendi, um dos melhores centrais da última liga espanhola, e Ezequiel Garay, de qualidade já conhecida pelos portugueses, além de Zabaleta, títular absoluto na lateral-direita do Manchester City.

Contra a Argentina, pode pesar o facto de Tata Martino – pelo menos nos amigáveis após o Mundial, como nas derrotas frente a Brasil e Portugal – ainda não ter conseguido implantar na totalidade a sua filosofia de jogo, mais baseada no toque de bola, em contraste com estilo mais vertical de Sabella. Outro fator a destacar é a enorme pressão sobre os argentinos, que estão há 22 anos sem conquistar qualquer título. Ainda assim, pode-se dizer que o conjunto de Messi é o que chega mais “pronto” para esta Copa América.

BRASIL

Roberto Firmino deverá ser titular no ataque, com a estrela Neymar  Fonte: latestnews360.com
Roberto Firmino deverá ser titular no ataque, com a estrela Neymar
Fonte: latestnews360.com

Redenção. Esta é a palavra-chave que o Brasil busca após a humilhação sofrida para a Alemanha, há quase um ano. E a dura missão de recuperar o prestígio da seleção brasileira foi dirigida a Dunga, de perfil rígido e disciplinador (tanto dentro como fora de campo).

O início do novo trabalho do capitão do tetra parece promissor: são oito vitórias em oito partidas, com 18 golos marcados e apenas 2 sofridos – incluindo triunfos de peso, como o 2-0 sobre a Argentina e o 3-1 sobre a França no Stade de France. Taticamente, a equipe tem a marca do seu treinador: uma defesa sólida, com linhas compactas que deixam pouco espaço para o adversário, e uma transição defesa-ataque de muita velocidade, com Fernandinho, Oscar e, é claro, o talento de Neymar. Há a destacar, ainda, o bom entrosamento do jogador do Barça com Roberto Firmino, atacante de muita movimentação e boa finalização, autor de dois golos nos últimos três jogos. Também vêm de boas atuações pela canarinha o goleiro Jefferson, bem como Danilo, Miranda e Felipe Luís.

Porém, ainda é preciso ver como se sairão Neymar e companhia num torneio oficial. Além disso, nem todas as vitórias recentes foram convincentes, a exemplo do 1-0 contra a seleção chilena, em Londres, que registou a pior atuação da seleção brasileira após o Mundial. Dunga, enfim, terá a sua primeira prova de fogo no Chile.

CHILE

Alexis Sanchéz e Arturo Vidal - as duas maiores figuras da seleção da casa  Fonte: goal.com
Alexis Sanchéz e Arturo Vidal – as duas maiores figuras da seleção da casa
Fonte: goal.com

Uma das poucas seleções a nunca ter vencido a Copa América, o Chile nunca sonhou de forma tão realista com o título inédito. Os donos da casa mantêm a mesma base que eliminou a Espanha e ficou a centímetros de despachar o Brasil do Mundial, com talentos como Alexis Sánchez, Arturo Vidal e Claudio Bravo e os bons coadjuvantes Aránguiz, Vargas e Matías Fernández. Além, claro, do excelente técnico Jorge Sampaoli (não é exagero dizer que está entre os melhores do mundo), que montou um 3-5-2 equilibrado, marcado pela velocidade e pelo bom toque de bola.

O nível dos adversários não vai ser o único obstáculo para La Roja no torneio. O fator psicológico e o facto de ser tratada como candidata ao título vai exigir dos jogadores muita força mental – além de ter que superar a sina de “afinar” em grandes jogos, principalmente contra Brasil e Argentina. A baixa estatura da defesa, deixando o jogo aéreo vulnerável, e a falta de um “homem-golo” para definir as jogadas também são problemas comumente enfrentados por Sampaoli. Contudo, não se pode negar que se depender do apoio da agitada torcida chilena, teremos um Chile fortíssimo em busca da taça.

COLÔMBIA

Jackson, Falcao e James - três jogadores que ilustram bem o poder de fogo dos cafeteros  Fonte: AP
Jackson, Falcao e James – três jogadores que ilustram bem o poder de fogo dos cafeteros
Fonte: AP

Futebol ofensivo e atacantes de altíssimo nível são as principais apostas da Colômbia para abocanhar o título continental. Desde que conquistou o seu único título, em 2001, quando jogou em casa, que a equipe tricolor não chega tão forte ao certame, mas chega com alguns problemas a esta Copa América. O técnico José Pekerman perdeu por lesão os médios Aguilar e Guarín, o criativo Quintero e o atacante Adrián Ramos, sendo Guarín, por exemplo, um importante jogador no 4-4-2 de Pekerman. O treinador argentino também conta com atletas de temporadas contrastantes em 2014/2015: enquanto Falcao e Cuadrado jogaram pouco e de forma insatisfatória por Manchester United e Chelsea, James Rodríguez, Carlos Bacca e Jackson Martínez vivem grande fase em Real Madrid, Sevilla e FC Porto. Sem contar com Teo Gutiérrez, que vem embalado por uma grande atuação pelo River Plate na Copa Libertadores.

São poucas as seleções com tão boas opções do meio para frente quanto a Colômbia. O bom entrosamento entre James e Cuadrado, aliado à capacidade goleadora de Falcao, Jackson e Bacca, é de provocar dores de cabeça em qualquer defesa. Edwin Cardona, médio do Monterrey, também é um jogador a seguir atentamente. Mesmo sem ter uma defesa que transmita tanta segurança, os colombianos podem e devem bater-se de igual para igual com qualquer adversário.

URUGUAI

Na ausência de Suárez, será Cavani a assumir o protagonismo na formação uruguaia  Fonte: beinsports.fr
Na ausência de Suárez, será Cavani a assumir o protagonismo na formação uruguaia
Fonte: beinsports.fr

O atual campeão chega sob certa desconfiança ao Chile. Luís Suárez ainda cumpre suspensão pela mordida em Chiellini no Mundial e é um desfalque pesado para a Celeste, que agora tem em Edison Cavani as esperanças para alcançar voos mais altos nesta edição. Além da ausência de Suárez, a falta de criatividade no meio-campo também preocupa os uruguaios, que não contam com nenhum nome de peso para o setor no cenário internacional – apenas promessas, como De Arrascaeta, e jogadores de quem muito se esperava e pouco renderam na carreira, como Lodeiro e Cristian Rodríguez.

Por outro lado, o eixo defensivo continua a ser o ponto forte da equipa. O sempre dominante Godín e o promissor Giménez formam uma dupla respeitável, tendo como suplentes outros dois bons centrais, Velázquez e Coates. Maxi Pereira, que vem da melhor temporada da carreira pelo Benfica, deve ser outra peça importante da equipa como válvula de escape, assim como Abel Hernández, atacante habilidoso do Hull City.

E se falamos do Uruguai, falamos de quem sabe, como poucos, jogar uma competição a eliminar. Gastar o tempo quando necessário, provocar o adversário na medida certa, brigar por cada dividida como um faminto atrás de um prato de comida e ser fatal nos momentos decisivos. Por essas e outras, não se pode subestimar o maior campeão da Copa América.

Levy Guimarães

Foto de Capa: www.diez.hn