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Revista do Mundial’2014 – França

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Didier Deschamps, ao contrário da maioria dos seleccionadores nacionais, decidiu não elaborar uma pré-convocatória, mostrando-se bastante decidido e firme nas suas escolhas. No entanto, a convocatória não deixa de ser por isso contestada: Nasri, Lacazette e Clichy ficaram de fora após terem feito boas temporadas pelos respectivos clubes e terem sido peças utilizadas na fase de qualificação.

O técnico francês apresenta, ainda assim, uma lista forte e com potencial para voltar a pôr a selecção gaulesa a competir com os gigantes europeus e, assim, melhorar o registo face às últimas campanhas da França, que tem ficado aquém das expectativas. A participação no Mundial de 2010 foi no mínimo desastrosa – nem conseguiu passar da fase de grupos e somou um empate como melhor resultado. Essa participação causou grande desagrado e foi muito noticiada pela polémica dos balneários. Após a demissão de Domenech e a escolha de Blanc esperava-se uma França mudada e com possibilidades de discutir o Europeu de 2012… mas tal não aconteceu.

Fizeram melhor do que no Mundial de 2010, mas ficaram novamente aquém das expectativas. Talvez por terem apanhado uma Espanha fortíssima nos quartos-de-final, mas mesmo assim queria-se mais dos pupilos de Blanc. Agora, com Deschamps, começa uma nova etapa. E isso comprova-se com esta convocatória, repleta de jovens talentosos. Espero uma França forte e capaz. Renovada e eficiente. Uma selecção com sede de títulos e capaz de voltar a ombrear com os melhores. Podemos estar mesmo diante do renascer da Gália, de que a conquista do Mundial Sub-20 de 2013 pode ter sido apenas o começo.

Em suma, penso que com estes jogadores Deschamps pode ir longe. Fico apreensivo quanto à ausência de Nasri, pois faz falta um jogador criativo neste elenco. Por outro lado, percebo a atitude de Didier que com certeza ficou inquieto com os contínuos altos e baixos de Nasri ao longo da época, com prestações e atitudes oscilantes. Espero para ver, mas conto que este seja o ano de regresso em grande da França após aquele desaparecimento descabido no Mundial de 2010.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Hugo Lloris (Tottenham), Steve Mandanda (Marselha), Mickaël Landreau (Bastia).

Defesas – Raphaël Varane (Real Madrid), Mamadou Sakho (Liverpool), Mathieu Debuchy (Newcastle), Laurent Koscielny (Arsenal), Lucas Digne (PSG), Eliaquim Mangala (FC Porto), Bacary Sagna (Arsenal), Patrice Evra (Manchester United).

Médios – Yohan Cabaye (PSG), Paul Pogba (Juventus), Blaise Matuidi (PSG), Moussa Sissoko (Newcastle), Clément Grenier (Lyon), Rio Mavuba (Lille), Mathieu Valbuena (Marselha).

Avançados – Karim Benzema (Real Madrid), Franck Ribéry (Bayern Munich), Antoine Griezmann (Real Sociedad), Olivier Giroud (Arsenal), Loïc Rémy (Newcastle). 

A ESTRELA

Frank Ribéry Fonte: Mirror
Frank Ribéry
Fonte: Mirror

A estrela da selecção francesa é indubitavelmente Frank Ribéry. Apesar de uma época um pouco mais apagada não se pode negar a influência do extremo do Bayern de Munique na formação de Deschamps. Eleito melhor jogador a actuar na Europa na época 2012/2013, promete destruir os laterais e confundir a defesa adversária com cruzamentos e remates imprevisíveis.

Após uma época brilhante ao serviço do seu clube no ano passado, com a conquista da Liga dos Campeões e das respectivas competições internas, Ribéry baixou um pouco o rendimento, sendo a meu ver este ano ultrapassado por Robben como figura central da equipa da Baviera.

Penso que apesar da época no Bayern, em que conquistou o campeonato e a Taça, Ribéry vai querer mostrar que a Bola de Ouro lhe deveria ter sido entregue. Prevejo, assim, uma actuação de grande suor e esforço por um papel de destaque neste Mundial. 

O TREINADOR

Didier Deschamps Fonte: thehardtackle.com
Didier Deschamps
Fonte: thehardtackle.com

Didier Deschamps foi apresentado como seleccionador francês a 9 de julho de 2012, findado o Europeu. Chegou com a promessa de criar uma equipa que “controle e se imponha ao adversário”. Na fase de qualificação conseguiu morder os calcanhares à selecção espanhola mas acabou por ficar em segundo lugar no seu grupo. No play-off livrou-se da Ucrânia, após uma reviravolta que ninguém esperava.

Analisando o percurso deste treinador (AS Mónaco, Juventus e Marselha), podemos esperar grandes coisas. Habituado aos títulos e aos grandes palcos, vai com toda a certeza trazer-nos um futebol atractivo e eficaz. A passagem por Itália teve grande influência no seu método de trabalho. Didier vai, certamente, apostar numa atitude mais pragmática, com grande coerência defensiva e um meio-campo exímio a lançar bolas para o ataque.

Penso ter sido a melhor escolha para recolocar a selecção gaulesa na discussão das grandes competições. 

O ESQUEMA TÁTICO

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Espera-se uma equipa a jogar ao estilo italiano: com uma defesa sólida e com os laterais a subir e apoiar no ataque. No meio-campo espera-se competência e pragmatismo, quer na hora de defender, quer na hora de atacar. Jogar um pouco no erro adversário, lançar a bola no ataque e cortar os lances ofensivos adversários pela raiz. No ataque, há uma grande dependência de Benzema e Ribéry, mas há também soluções no banco para alterar a filosofia de jogo.

O PONTO FORTE

Uma equipa bastante jovem e renovada, com muitos dos elementos da selecção de sub-20 campeã do mundo em 2013, pode trazer muita criatividade. A coerência táctica de Deschamps e a influência de alguns jogadores experientes como Sagna, Evra ou Ribéry é uma grande vantagem, especialmente dentro de um grupo jovem, que, apesar de talentoso, pode perder a calma e a maturidade em momentos de maior pressão. De salientar ainda a grande muralha defensiva que conta com defesas de grande nível mundial e o meio-campo, onde alinha uma das maiores promessas do futebol: Pogba.

O PONTO FRACO

Defesa e meio-campo são importantes mas o ataque é essencial. E não sei até que ponto uma marcação cerrada a Ribéry e Benzema poderá deitar o plano de Deschamps pelo cano abaixo. Apesar de renovada, a equipa continua a depender muito destes dois jogadores. Falta nesta selecção um desequilibrador nato. Vamos esperar para ver o que estes jovens podem fazer.

O fair-play é uma treta!

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ligue 1

Ainda estamos em Maio, mas dificilmente teremos uma transferência mais absurda do que a de David Luiz para o PSG. O central brasileiro, que se tornou no defesa mais caro da história, permite ao Chelsea um encaixe de cerca de 50 milhões de euros. Numa altura em que se fala bastante do fair-play financeiro imposto pela UEFA – que até castigou o emblema parisiense recentemente -, este negócio é um autêntico atentado ao futebol.

São várias as razões que fazem desta transferência uma das mais ridículas dos últimos tempos. A primeira, e a mais evidente, é o facto de David Luiz não valer, nem de perto nem de longe, 50 milhões de euros. Nesta altura, e tendo em conta o seu estatuto de suplente no Chelsea, metade desse valor seria aceitável. É certo que o brasileiro tem características perfeitas para a posição, mas, aos 27 anos, está longe de cumprir aquilo que prometeu, principalmente por não conseguir atingir níveis de regularidade adequados. Nunca foi indiscutível para os vários treinadores que passaram por Londres e nas últimas épocas foi frequentemente utilizado como trinco.

A contratação de David Luiz não era uma prioridade para o PSG. Não era sequer uma necessidade. Tendo Thiago Silva, um dos melhores centrais do mundo, e Marquinhos, o central mais promissor a nível mundial (a par de Varane), não faz qualquer sentido investir 50 milhões de euros num jogador para a posição. Até porque na última época o emblema parisiense pagou 35 milhões de euros à Roma por Marquinhos. E convém não esquecer Alex, jogador experiente e que constitui uma boa alternativa aos titulares. Com esta aquisição, que dá continuidade à “brasileirização” do sector defensivo, veremos se o campeão francês estará disponível para abdicar de Marquinhos (que, em princípio, será suplente).

Depois de defrontar o PSG na Liga dos Campeões, David Luiz muda-se para Paris  Fonte: Sky Sports
Depois de defrontar o PSG na Liga dos Campeões, David Luiz muda-se para Paris
Fonte: Sky Sports

Fora do plano desportivo, esta transferência é uma demonstração de que o fair-play financeiro, nos moldes actuais, não é castigo suficiente para os clubes mais endinheirados. O PSG foi recentemente multado pela UEFA em 60 milhões de euros, sendo também proibido de aumentar a sua pauta salarial e ficando limitado à inscrição de 21 jogadores na Liga dos Campeões. Depois do castigo imposto pela organização que tutela o futebol europeu, esta contratação quase parece uma provocação (uma espécie de “quero, posso e mando”) da parte do emblema parisiense.

Na perspectiva do Chelsea é, obviamente, um excelente negócio. Depois de terem encaixado 45 milhões com Mata, que não era titular, os blues recebem agora cerca de 50 milhões de euros por outro suplente. Um elemento que não era, de todo, indispensável para Mourinho. Sabendo que o clube londrino é um cliente habitual do futebol português, esta transferência vem aumentar a possibilidade de haver mais mudanças do campeonato nacional para a Premier League. Para além disso, mete dinheiro a circular e irá concerteza provocar um “efeito bola de neve” no mercado.

Revista do Mundial’2014 – Rússia

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Desde que a seleção russa deixou de poder contar com jogadores associados às outras Repúblicas Socialistas Soviéticas (isto é, desde que a URSS se desmembrou) que as participações em fases finais de Campeonatos do Mundo ficaram àquem do esperado por um país habituado a ver a sua seleção nas decisões das grandes competições (no palmarés, até à data do desmembramento, tinha três quartos-de-final no Mundial e quatro finais europeias – uma das quais ganha). Desde 1990, disputaram-se cinco fases finais de Campeonatos do Mundo e a Rússia só esteve presente nas de 1994 e 2002, terminando ambas as participações na fase de grupos.

Os seleccionados por Fabio Capello terão sobre os ombros, portanto, a responsabilidade de saciar a fome de todo um povo que procura ver o seu país representado de forma digna e em coerência com um passado glorioso, ainda para mais tendo em conta que este Mundial é o último antes daquele que a própria Rússia irá organizar.

Pegando nisto, é fácil adivinhar a importância que os russos darão ao sucesso no Brasil. Inseridos num grupo onde se inclui a Bélgica, a Coreia do Sul e a Argélia, e após uma fase de qualificação onde deixaram para trás uma seleção como a portuguesa, registando um pecúlio impressionantemente regular, parece bastante provável que isso aconteça, ou que pelo menos se superem os feitos alcançados desde 1990 (eliminação nas fases de grupos) em fases finais de Mundiais.

Fabio Capello costuma partir do 4x1x4x1 sem posse em jogos mais competitivos, apostando no reforço da zona central do terreno, ocupada por norma por cinco homens (centrais, médio defensivo e médios-centro) que têm perfeita noção das zonas que devem ou não ocupar, tal como os laterais, que não sobem com muita regularidade e que contam com o apoio dos médio-alas no processo defensivo. A atacar, o conjunto russo assume o 4x3x3, com dois alas declarados e um avançado móvel (Kokorin) que oferece uma dinâmica única ao processo ofensivo russo, por norma apoiado pelo médio mais criativo (Shirokov), que é quase sempre o pensador do jogo da Sbornaya.

Esta dinâmica foi suficiente para que a Rússia se exibisse com algo que ainda não tinha sido visto ao longo destes anos: regularidade. O dedo de Capello é notório nesse sentido e se o treinador italiano conseguir fazer com que os seus jogadores apresentem uma disciplina mental semelhante àquela que apresentam taticamente, então esta Rússia poderá tornar-se num caso sério.

OS CONVOCADOS (Pré-Convocatória de 25 elementos – a ser reduzida em breve)

Guarda-redes – Igor Akinfeev (CSKA Moscovo), Yury Lodygin (Zenit) e Sergei Ryzhikov (Rubin Kazan).

Defesas – Vasily Berezutsky (CSKA Moscovo), Sergei Ignashevich (CSKA Moscovo), Georgy Shchennikov (CSKA Moscovo), Vladimir Granat (Dínamo Moscovo), Alexei Kozlov (Dínamo Moscovo), Andrei Yeshchenko (Anzhi), Dmitry Kombarov (Spartak Moscovo) e Andrei Semenov (Terek Grozny).

Médios – Igor Denisov (Dínamo Moscovo), Yury Zhirkov (Dínamo Moscovo), Alan Dzagoev (CSKA Moscovo), Roman Shirokov (Krasnodar), Denis Glushakov (Spartak Moscovo), Pavel Mogilevets (Rubin Kazan), Viktor Faizulin (Zenit) e Oleg Shatov (Zenit).

Avançados – Alexander Kerzhakov (Zenit), Alexei Ionov (Dínamo Moscovo), Alexander Kokorin (Dínamo Moscovo), Maxim Kanunnikov (Amkar Perm), Denis Cheryshev (Sevilha/Esp) e Alexander Samedov (Lokomotiv Moscovo)

A ESTRELA

Roman Shirokov Fonte: img.rt.com/
Roman Shirokov
Fonte: img.rt.com/

Há muito em Shirokov que pode enganar quem o vê fora de campo, principalmente se quem o vir atentar na idade e na altura do craque russo – 32 anos e 1,87m – e tecer julgamentos a partir daí, como o peso da idade na resistência de um jogador ou o estilo desengonçado/trapalhão que os jogadores altos costumam ter.

Shirokov supera todos os paradigmas ligados às suas “limitações” fisicas e fisiológicas e escapa à frieza dos números a ele associados, tendo conseguido fazer deles aliados. A alta estatura permite-lhe emprestar superioridade à sua equipa no jogo àereo e a idade traz experiência e inteligência na leitura de um jogo, algo que o número 15 soube aproveitar da melhor maneira, apresentando uma evolução vistosa em todo o seu jogo desde os seus tempos de jogador inconsequente e incapaz de direccionar a sua capacidade técnica para o jogo coletivo…

… algo que faz agora, e de que maneira! Afinal transformou-se no pensador de jogo de toda uma seleção (fazendo uso de uma qualidade de passe absolutamente extraordinária), de todo um país, e já é considerado imprescindível por Fabio Capello, tendo estado presente em toda a campanha de qualificação rumo ao Mundial 2014, marcando 3 golos que atestam o seu faro pelo golo (esta época marcou 8 golos em 16 jogos no campeonato russo).

O TREINADOR

Fabio Capello Fonte: AFP/Getty Images
Fabio Capello
Fonte: AFP/Getty Images

Fabio Capello é um autêntico dinossauro do futebol. Enquanto jogador, passou pela nata do futebol italiano, contabilizando 32 presenças na seleção italiana e várias dezenas de jogos em clubes transalpinos de elite como Milan, Roma e Juventus.

Em 1991 abraçou a carreira de treinador. Assumiu o comando técnico dos clubes italianos que representou enquanto jogador e do Real Madrid, vencendo quatro Series A ao serviço do Milan, uma com as cores da Roma (a única em 30 em anos e apenas a terceira em toda a história dos giallorossi) e ainda duas Ligas de Espanha ao serviço do Real Madrid. Em 2008 aventurou-se no papel de seleccionador, orientando a Inglaterra após o Euro 2008, qualificando a formação da Old Albion para duas fases finais, sendo eliminado no primeiro jogo após a fase de grupos em ambos os casos. Porém, ficou na história como o treinador da seleção ingelsa com maior percentagem de vitórias (66.7%) de sempre.

Depois do Euro 2012, foi tentado por uma proposta milionária da Federação Russa e já deu uma amostra da sua competência: qualificou a seleção para um Mundial, algo que não acontecia desde 2002, e à frente de uma seleção que era considerada favorita a vencer o grupo (Portugal), apresentando números vistosos – 7 vitórias em 10 jogos, e apenas 5 golos sofridos durante este período.

O ESQUEMA TÁTICO

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 O PONTO FORTE

As estatísticas ilustram bem o que é esta equipa a defender: em 10 jogos disputados na luta pelo apuramento para o Mundial 2014, a formação orientada por Fabio Capello apenas sofreu golos em 5 jogos e as redes russas nunca foram violadas por mais do que uma vez durante os encontros que disputou na fase de acesso. Isto deve-se à forma como a Rússia fecha espaços na zona central (não sofreu qualquer golo fora da àrea), obrigando o adversário a explorar zonas laterais, onde também é forte quando consegue criar superioridade numérica com a descida dos médios-ala.

Ankifeev e a dupla de velhas raposas (Berezutski-Ignanshevich) na zona central ajuda a explicar a eficiência da “muralha” russa.

O PONTO FRACO

Apesar de apresentar uma extraordinária performance defensiva, seja em termos estatísticos ou em jogo corrido, a formação russa parece não se dar bem quando o adversário explora o jogo aéreo, conforme ficou evidenciado nas duas derrotas averbadas pela equipa (ambas por 1-0, com os dois golos a serem consentidos do mesmo modo). 

Apesar de a dupla de centrais não ser propriamente baixa (1,89m para Berezutsky e 1,86m para Ignashevich), e de esta característica se estender ao resto do plantel, parece verificar-se algum desnorte quando o jogo aéreo dos russos é testado.

Discos na Relva

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No passado fim-de-semana de 17 e 18 de Maio, disputou-se o Campeonato Nacional e Ibérico de Ultimate Frisbee de Relva, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria. Dois dias de calor intenso em que 6 equipas demonstraram a sua qualidade e o seu espírito. Entre estas seis, encontravam-se duas equipas espanholas, Frisbillanas del Universo (Sevilha) e Quimera Ultimate Salamanca (Salamanca), sendo as restantes, Lisbon Ultimate Club (LUC), Vira’o’Disco, Gambozinos e Leiria Flying Objects (LFO), portuguesas.

À medida que os jogos iam decorrendo constatei que nem todas as equipas se encontravam no mesmo patamar de nível de jogo, sendo as equipas mais fortes, a meu ver, as seguintes: LUC, Gambozinos e Frisbillanas del Universo. No final, os Gambozinos, de Aveiro, provaram ser mais fortes contra os LUC e venceram a final por 10-7. Destaque para as raparigas de ambas as equipas que mostraram a sua força, pontuando várias vezes.

Os Vira’o’Disco, apresentaram-se com uma equipa pick-up, ou seja, por não terem jogadores suficientes, contaram com a ajuda de outros jogadores que, para além de participarem nos jogos das suas equipas, também jogaram com a equipa de Palmela. Esta equipa mereceu o prémio do Espírito de Jogo, atribuído pelas restantes, talvez porque, sendo uma equipa pick-up, e, por isso, perdendo obrigatoriamente todos os jogos (independentemente de ter ganho alguns), nunca baixou a cabeça!

Por fim, é de referir o trabalho meritório que os LFO têm desenvolvido na sua equipa (que não pára de crescer) e o empenho que demonstraram na organização deste campeonato que contou com a parceria e o patrocínio de 13 organizações.

(Vídeo e Fotografia retirados do Facebook LFO Leiria Flying Objects – Ultimate Frisbee Team)

Revista do Mundial’2014 – Honduras

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As Honduras, ou La H, como são conhecidos, partem para o seu segundo Mundial consecutivo e para o terceiro da sua história, depois da estreia em 1982, no Mundial realizado em Espanha. Nas suas duas participações, a formação das Caraíbas ficou pela fase de grupos. A nível de provas continentais, a melhor prestação é a vitória em 1981 da Gold Cup. Em 2001 participaram na Copa América, em substituição da seleção argentina, e obtiveram um brilhante terceiro lugar. Nas competições da UNCAF – que reúne Guatemala, Honduras, Costa Rica, El Salvador, Panamá, Nicáragua e Belize –, a formação hondurenha já venceu por três vezes, em 1993, 1995 e 2011.

A nível geográfico, este país é cerca de 20 mil quilómetros maior do que Portugal, mas tem menos habitantes do que o nosso país, contando com cerca de sete milhões e oitocentos mil habitantes.

Mas, voltando ao futebol, que é o que nos interessa, as Honduras são o 30º colocado do Ranking FIFA – em conjunto com a Sérvia –, sendo a terceira seleção da CONCACAF (América Central, do Norte e Caraíbas). No Brasil, vão medir forças com Suíça, Equador e França, no grupo E.

OS CONVOCADOS

Guarda-Redes – Noel Valladares (Olimpia), Donis Escober (Olimpia), Luis López (Real España).

Defesas – Maynor Figueroa (Hull City), Víctor Bernárdez (San José Earthquakes), Osman Chávez (Quingdao Jonoon), Juan Pablo Montes (Motagua), Arnold Peralta (Rangers), Bryan Beckeles (Olimpia), Emilio Izaguirre (Celtic), Juan Carlos García (Wigan).

Médios – Wilson Palacios (Stoke City), Roger Espinoza (Wigan), Luis Garrido (Olimpia), Jorge Claros (Sem equipa), Andy Najar (Anderlecht), Boniek García (Houston Dynamo), Mario Martínez (Real España), Marvin Chávez (Colorado Rapids).

Avançados – Carlo Costly (Real España), Jerry Bengtson (New England Revolution), Rony Martínez (Real Sociedad de Honduras), Jerry Palacios (Alajuelense).

A ESTRELA

Emilio Arturo Izaguirre Fonte: celebrityhairstylez.com
Emilio Izaguirre
Fonte: celebrityhairstylez.com

Apesar de não ser fácil destacar um jogador para ser a estrela da formação hondurenha, o nome de Emilio Izaguirre acaba por ser o mais consensual, quando comparado com Wilson Palacios. O lateral esquerdo do Celtic, com 28 anos (feitos a 10 de maio), é um jogador ofensivo e foi considerado na temporada de 2010/2011 – a de estreia neste país – o melhor jogador do campeonato escocês.

Emilio, como é mais conhecido, conta com 65 jogos por La H, tendo marcado um golo. Começou a carreira profissional no Club Deportivo Motagua em 2004, então com 17 anos. Com este clube hondurenho ganhou o Torneo de Apertura da temporada 2006/2007. Neste mesmo ano ganhou ainda a Copa Interclubes de la UNCAF, ano em que se disputou pela última vez este torneio, que reunia os campeões dos países pertencentes a esta associação.

Em 2010 mudou-se para a Escócia, onde é um titular frequente no Celtic. Sendo o clube escocês o crónico campeão do seu país desde a falência do Rangers, Izaguirre já conquistou três campeonatos e duas taças da Escócia nos quatro anos em que se encontra no país, tendo perdido o título mais importante apenas no ano da sua estreia, quando o Rangers se despediu dos títulos.

A grande revelação desta seleção pode vir a ser Andy Najar. Este médio, de 20 anos, é provavelmente o jogador com mais técnica desta seleção e pode vir a surpreender.

O TREINADOR

Luis Fernando Suárez Fonte: winsports.co
Luis Fernando Suárez
Fonte: winsports.co

O selecionador das Honduras é Luis Fernando Suárez. Este colombiano, de 54 anos, vai para o seu segundo Mundial, depois de em 2006 ter ido como selecionador do Equador, tendo levado esta seleção aos oitavos de final. A nível de seleções, teve uma primeira passagem pelo Equador entre 1995 e 1998, como adjunto; foi ainda adjunto na Colômbia em 1999, tendo ganhado nesse mesmo ano o Torneio de Toulon, sendo assim a primeira grande conquista na Europa de uma seleção colombiana.

A nível de clubes, treinou maioritariamente no seu país e no Equador, tendo também passado pelo Peru. Apenas conseguiu um título de campeão, quando ganhou na Colômbia, em 1999, aos comandos do Atlético Nacional.

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

O ponto forte desta seleção é o seu jogo coletivo. Uma defesa sólida e um ataque competente podem fazer com que criem dificuldades a várias seleções.

O PONTO FRACO

O ponto fraco tem de ir para a falta de experiência que muitos destes jogadores apresentam. Jogar em campeonatos pouco competitivos vai trazer consequências.

 

Em jeito de conclusão, penso que vai cumprir-se o ditado “não há duas sem três”, ou seja, a seleção hondurenha voltará a ser eliminada na fase de grupos. Mas, apesar disso, uns dias inspirados da sua parte, assim como uns jogos mais fracos do adversário, podem levar La H a passar a fase de grupos. Afinal, qualidade não falta. Falta é a experiência dos jogadores ao mais alto nível.

Revista do Mundial’2014 – Brasil

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Penso que tive uma tarefa mais facilitada do que os meus colegas. Afinal, o Brasil é a seleção mais titulada do mundo. A melhor constelação do cintilante universo. É (sempre e de forma crónica) candidato a vencer qualquer coisa. E, a jogar em casa, esta Copa não será exceção.

Cinco estrelas brilham no escudo da Confederação Brasileira de Futebol. É o penta. 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Mais duas finais em que o “escrete” não conseguiu vencer. Uma delas foi precisamente em casa, perante o Uruguai, nos idos anos 50. Na altura, a tragédia foi apelidada de “maracanaço”. O mítico estádio, que de resto será palco de nova final – volvidos agora precisos 64 anos –, presenciou aquela fatídica tarde em que bastava à “canarinha” um empate. Pior ainda: o Brasil esteve a vencer e os 200 mil presentes no anfiteatro carioca ficaram com o grito de campeão entalado na garganta. Aquela Copa foi dura. Mas talvez tenha servido para o gigante lusófono ter tirado várias ilações.

O Brasil, como país organizador, está inserido no grupo A. Terá de enfrentar a Croácia, no jogo de abertura; o México e por último os Camarões. Equipas tenazes, mas se a “canarinha” não tem condições para passar este grupo, então não pode, sequer, aspirar a nada. O gigante sul-americano é ainda o quarto colocado no ranking da FIFA.

É preciso adicionar mais um facto curioso: nunca nenhuma seleção europeia venceu um Mundial na Terra Nova. O contrário já se verificou: os canarinhos triunfaram pela primeira vez na Suécia, em 1958. Foi a estreia dos reis Pelé e Garrincha. Os homens do Velho Continente não se costumam dar muito bem em terras americanas…

O Brasil vai tentar o impensável: erguer a coroa mundial pela sexta vez. Homens simples, trajados com o manto sagrado, vão querer dar uma alegria a milhões de corações. E quando o Brasil entrar em campo, não serão aqueles “onze” amarelinhos apenas que estarão no jogo: a pátria brasileira vai calçar as chuteiras e erguerá bem alto a voz, dizendo: “Esperem por mim! Vou ajudar-vos a vencer!”.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Jefferson (Botafogo), Júlio César (Toronto) e Victor (At. Mineiro).

Defesas – Dante (Bayern Munique), David Luiz (Chelsea) Henrique (Nápoles) e Thiago Silva (PSG), Daniel Alves (Barcelona), Maicon (Roma), Marcelo (Real Madrid) e Maxwell (PSG).

Médios – Fernandinho (Manchester City), Paulinho (Tottenham), Ramires (Chelsea), Willian (Chelsea), Hernanes (Inter), Luiz Gustavo (Wolfsburgo) e Oscar (Chelsea).

Avançados – Bernard (Shakhtar Donestk), Fred (Fluminense), Hulk (Zenit), Jô (At. Mineiro) e Neymar (Barcelona).

A ESTRELA

Neymar Fonte: foxsportsasia.com
Neymar
Fonte: foxsportsasia.com

No Brasil não se pode falar exatamente de uma estrela. Em todas as gerações há sempre mágicos em campo. E aos magotes. Claro que Neymar é o jogador mais mediático. Mas a defesa do “escrete” está fortíssima. O meio-campo é de craques. O ataque igualmente.

O TREINADOR

Luiz Felipe Scolari Fonte: conmebol.com/
Luiz Felipe Scolari
Fonte: conmebol.com/

Luiz Felipe Scolari: um amigo, um pai da equipa. Não tenhamos dúvidas de que as equipes de Scolari são famílias. O gaúcho ranzinza mostra tenacidade nas conferências de imprensa. Mas no balneário é um homem terno. E aí reside a grande força do Brasil. A união da equipa. A união de um povo com 200 milhões de almas. Se a locomotiva chamada Brasil for dentro dos carris e sem percalços, torna-se imparável até ao destino final. Afinal de contas, o ex-técnico da seleção portuguesa sabe o que é ser campeão do mundo.

O ESQUEMA TÁTICO

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Assim, como em termos históricos foi o poderoso Brasil a inventar o sistema tático 4-3-3, penso que se irá apresentar com esse formato. Scolari já o utilizava na Seleção das Quinas. Júlio César deverá ser o titular. Experiente, talentoso e embora esteja numa liga inferior – convenhamos que o campeonato norte-americano não será dos mais atrativos – estará pronto para a alta roda mundial. Pese embora esse facto, Jefferson está numa momento inacreditável e na baliza poderá haver surpresas neste aspeto.

Na defesa também não haverá muito que enganar. David Luiz e Thiago Silva parecem-me escolhas óbvias. Penso que Luisão, devido à experiência e à brilhante época que fez, seria melhor escolhido do que Henrique, por exemplo. Mas escolhas são escolhas. E a vida é feita de opções. A lateral-direito jogará Daniel Alves. Na esquerda, o congénere Marcelo. Em Espanha são rivais. Aqui serão família.

O meio-campo é onde, normalmente, se ganham os jogos. Não me admiraria de ver Fernandinho a trinco e Ramires como médio estilo número oito. Óscar jogará de caras. Willian, Paulinho e Hernanes são um bom banco. Luiz Gustavo também. Na frente, o indiscutível Neymar, o homem-golo Fred e Hulk, que deverá fechar o ataque, embora Bernard também seja um grande executante. Jô será muito importante em partidas que estejam difíceis de desbloquear para o Brasil.

O PONTO FORTE

O ponto forte do gigante amarelo é a força deste coletivo. O time é equilibrado; a estrutura é balanceada. O Brasil tem sempre um estilo de jogo ofensivo. A única vez em que não terá apresentado tal formato (o que valeu várias críticas ao então selecionador José Carlos Parreira, atual adjunto de Scolari) foi na Copa de 1994: curiosamente o Brasil venceu. “Ai é? Nós damos espetáculo e vocês é que ganham? Então esperem lá!”. E o Brasil venceu mesmo. Portanto, a união faz a força e parece-me que este lote brasileiro está pronto para o que der e vier.

O PONTO FRACO

A jogar a Copa em casa, a pressão será enorme. Jornalistas, adeptos, enfim. O Brasil é sempre obrigado a vencer, independentemente de onde for a competição. Mas desta vez será pressão acrescida. Quiçá resida aí o grande calcanhar de Aquiles do “escrete”.

Vieira garante continuidade de Jesus

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cabeçalho benfica

Luís Filipe Vieira deu, há poucas horas, uma entrevista à RTP. A grande dúvida nesta entrevista era saber se Jorge Jesus ia continuar no Benfica ou não. O presidente do Benfica começou com uma postura defensiva, afirmando que Jesus tem contrato com o Benfica por mais uma época, uma resposta que não dava a certeza sobre a continuidade do treinador. Depois de alguma insistência, acabou mesmo por confirmar a continuidade de Jorge Jesus: “Será o treinador da próxima época”, afirmou o presidente, mostrando a confiança no técnico que levou o Benfica a conquistar três títulos esta época. Além disso, garantiu que Jesus recusou uma oferta de um grande clube europeu, ainda que não tivesse confirmado tratar-se do AC Milan, o nome mais falado nos últimos dias.

Numa conversa em que vários assuntos foram abordados, Luís Filipe Vieira, que tem sido apontado por muitos como um dos principais pilares do sucesso desta temporada por ter segurado Jorge Jesus quando mais ninguém acreditava no projecto, disse que a base desta época foram os jogadores, uma vez que “são eles que decidem o jogo em campo”, e o treinador. A sua única responsabilidade é “criar condições para o sucesso”. Este é o discurso que se esperava, estando o Benfica unido como está. Porém, não esqueceu o momento em que teve de ir ao balneário falar com os jogadores depois do empate em casa com o Arouca, assumindo que esse foi um momento de viragem. Ainda sobre os jogadores do Benfica, admitiu que ia tentar a contratação de Siqueira, mas apenas se tal se inserisse na realidade salarial do clube. Luís Filipe Vieira, apesar do interesse de vários clubes nos jogadores benfiquistas, afirma que o departamento de scouting, liderado por Rui Costa, está mais do que apto a encontrar soluções. Ainda assim há que dar mérito ao homem que segurou um treinador que não tinha o apoio de mais ninguém.

Questionado sobre se é preciso ganhar uma prova europeia para acabar com o domínio do FC Porto, o presidente do Benfica recusou comparações com o clube azul-e-branco, mas não deixou de mostrar a forma como o Benfica subiu no ranking da UEFA desde a sua chegada, do 124.º lugar até ao 5.º, o que demonstra que “quem trabalha assim está mais perto de ganhar, e é isso que interessa no Benfica”. O domínio do Benfica não pode passar só por subidas do ranking. Esta é uma pergunta feita demasiado cedo. Só daqui a um ou dois anos, se o Benfica continuar a vencer, é que poderemos ver se a hegemonia do Porto pode ser quebrada. Até porque falta cultura de vitória ao Benfica e o Porto já mostrou que sabe responder em momentos de crise.

Jesus e Vieira - uma ligação que se irá manter, pelo menos, por mais um ano Fonte: ASF
Jesus e Vieira – uma ligação que se irá manter, pelo menos, por mais um ano
Fonte: ASF

O passivo do Benfica foi também um dos assuntos desta entrevista – um passivo que não é o maior do futebol português, segundo as palavras do presidente. Sem querer dizer qual o clube que possui o maior passivo, Vieira afirmou que “o Benfica, como grande empresa que é, tem um passivo de grande empresa, a rondar os 400 milhões; todas as grandes empresas têm passivo“, mas não deixou de relembrar como era o Benfica quando chegou e como está o Benfica agora: com um estádio que acolheu a final da Liga dos Campeões, piscinas, pavilhões, centro de estágio, museu, um canal televisivo e um ativo maior do que o passivo.

A entrevista abordou também o atual estado do futebol português e a relação com Sporting e Porto. Vieira apelou a um entendimento entre os três grandes do futebol português, mas ainda assim não mostrou disponibilidade para conversar com Pinto da Costa. “Posso garantir que farei parte de uma solução para o futebol mas não me obriguem a sentar-me na mesma mesa com uma solução que eu não acredito”. Quanto a um possível apoio a Fernando Seara (o antigo presidente da Câmara de Sintra apresentou a sua candidatura à Liga de Clubes), o líder benfiquista afirmou que é cedo para pensar nisso e que estará disponível para ouvir todos os candidatos. De resto, o lar para ex-atletas do Benfica e a Benfica FM, projetos ainda por realizar no Benfica, são objetivos a ser concretizados ainda no seu mandato.

Valerón: o filho pródigo a casa volta

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O Unión Deportiva de Las Palmas, clube da ilha de Gran Canaria que milita na Liga Adelante, está a um passo de conseguir a qualificação para disputar o play-off de acesso à subida a Liga BBVA.

O clube, fundado em Agosto de 1949 como resultado da fusão de cinco clubes locais, é um dos históricos da primeira divisão, com trinta e uma presenças (tendo terminado no top 5 por quatro ocasiões), já finalista da Taça do Rei uma vez e semi-finalista da prova em duas ocasiões. Até 1990, ano em que até contou nas suas fileiras com o actual treinador do FC Porto, Julen Lopetegui (na altura emprestado pelo Real Madrid), o clube apenas havia passado uma dezena de vezes pela segunda divisão. De resto, viveu a sua época dourada na década que correspondeu ao período de 1968-1978, onde alcançou os maiores feitos. Depois dos anos 90, o clube desceu à divisisão secundária e entrou numa espiral negativa que o levou inclusivé à segunda divião B por onde andou vários anos, com um pequeno interregno entre 2000-2002 em que voltou fugazmente à primeira divisão. 

Durante a última década o Las Palmas tem tentado conseguir impôr-se na segunda divisão para tentar o aceso, directamente ou via play-off, à primeira divisão, mas a falta de orçamento e de um plantel consequentemente forte e experiente têm dificultado bastante a tarefa. No último ano, o clube, que até contava com bons valores, como Vitolo (hoje no Sevilha) ou Thievy (emprestado pelo Espanhol e hoje no West Bromwich), conseguiu a 6ª posição, o que lhe possibilitou o acesso ao play-off, mas foi eliminado imediatamente.

Aos 38 anos, Valerón pode levar o Las Palmas ao topo do futebol espanhol  Fonte: defensacentral.com
Aos 38 anos, Valerón pode levar o Las Palmas ao topo do futebol espanhol
Fonte: defensacentral.com

Porém, este ano o clube conta com um trunfo importante. Um trunfo de categoria e experiência: Juan Carlos Valerón. Valerón foi formado nas camadas jovens do clube canário, onde começou naturalmente a dar nas vistas pela sua enorme qualidade de passe e organização. Em 1996 estreou-se na segunda divisão com o Las Palmas, depois de ter ajudado o clube a subir da segunda divisão B, e dividiu o balneário com Turu Flores e Manuel Pablo, que posteriormente viria a ser seu companheiro no Deportivo. Aos 21 anos chegou à primeira divisão defendendo as cores do Mallorca e no ano seguinte, depois de uma assombrosa temporada, transferiu-se para o Atlético de Madrid, onde passou duas temporadas. A partir daí jogou treze épocas no Deportivo, vencendo uma Copa do Rey e duas Supercopas de España e chegando a uma meia-final da Champions League. Pelo meio, 46 presenças e 5 golos na seleção espanhola.

Dezasseis anos depois, o filho pródigo voltou a casa. Actualmente com 38 anos, tem sido com ele que o clube tem conseguido alcançar os resultados esperados. Em 40 jornadas jogou em 39 jogos, tendo sido titular em 35 deles. Todo o futebol do Las Palmas é pensado, pautado e distribuído por Valerón, que, embora não contando com a velocidade de outros tempos, continua a ter a sua visão de jogo, a qualidade de último passe e a frieza bem vincadas. Depois de anos de juventude talentosa, será com a experiência de Juan Carlos Valerón que voltaremos a ver o clube insular na primeira divisão?

Gelsenkirchen’04 – a eterna glória

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dosaliadosaodragao

“Dentro de 10 ou 15 anos vão continuar a falar de nós como falaram da geração de Viena”. É certo que sim… Faz hoje, precisamente, dez anos que estas palavras foram proferidas. O menino que andara no Leça e no Vitória de Setúbal, portista de gema, levantava, ao lado de todos os restantes heróis de Gelsenkirchen, a Taça da Liga dos Campeões. Prospectivas as palavras de Ricardo Carvalho, numa mescla de orgulho e felicidade, logo após o soltar de um “não acreditava que fosse possível”.

Volvidos dez anos, acredito que foi possível mas completamente improvável… Só uma conjuntura verdadeiramente excepcional permitiu juntar (e manter) numa só equipa a alma e o portismo de Vítor Baía e Jorge Costa; a sobriedade de Pedro Emanuel; a fiabilidade de Nuno Valente e Pedro Mendes; a imensa competência de Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho; a classe de Costinha e Alenitchev; a inesgotável capacidade de luta de Derlei e Maniche; a irreverência de Carlos Alberto; o cheiro a golo de McCarthy; a infindável magia de Deco; e o génio de José Mourinho. Foram todos estes ingredientes que fizeram daquele FC Porto (2003/2004) uma máquina de futebol. Uma máquina que crescia a cada dificuldade, encontrando nos constantes desafios a sua força motriz e, sempre seguro de si, sabendo avançar, vencendo e convencendo.

Mourinho e Deco: quiçá, os dois maiores obreiros da glória europeia  Fonte: http://chelseabrasil.com/
Mourinho e Deco: quiçá, os dois maiores obreiros da glória europeia
Fonte: chelseabrasil.com

Aquela noite de 26 de Maio de 2004, na impronunciável Gelsenkirchen, na Alemanha, foi apenas o selar de um percurso absolutamente brilhante, arrebatador e que fez prova viva de que não eram precisos ‘Galácticos’ para se ser o Rei da Europa. As palavras de Ricardo Carvalho, naquele momento, ganham, hoje, outra dimensão: em toda a história da Liga dos Campeões (desde 1992/1993), fora do contexto dos Adamastores financeiros (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França), apenas duas equipas conseguiram vencer a Champions – Ajax e FC Porto. Por isso, o feito que hoje celebra uma década não tem real comparação com mais nenhum atingido por qualquer outra equipa portuguesa – nem mesmo o do Prater, em Viena, em 1987.

Recordar hoje aquele jogo diante do Mónaco, confortavelmente vencido por 3-0, é um exercício de memória mas, sobretudo, de gratidão. Por tudo o que já foi dito, dificilmente outra equipa fora do pesado circuito financeiro terá capacidade para se impor como fez aquele FC Porto. E ainda que possa parecer paradoxal, aquela equipa montada e criada por José Mourinho tinha algo que nem o cheque mais chorudo pode comprar: alma, compromisso, certeza e confiança em si mesma em doses (talvez) desmesuradas.

Os craques que vinham de vencer de forma épica a Taça UEFA tinham uma imensa sede de vitória, uma inabalável segurança, e, por isso, queriam jogar contra o Real Madrid dos ‘Galácticos’; e, por isso, venceram com categoria no dificílimo Velodróme, depois de estar a perder; e, por isso, nunca desesperaram nem se descaracterizaram em Old Trafford, até ao inesquecível golo de Costinha nos descontos; e, por isso, depois do amargo nulo com o ‘Depor’, no Dragão, fizeram uma exibição irrepreensível no Riazor e derrotaram um conjunto que, até então, não tinha sofrido qualquer golo em casa. Por tudo e por todos, se diz que o estádio do Schalke 04, há dez anos, apenas assistiu à natural glorificação de uma equipa que soube sempre ser ela própria, em qualquer estádio, perante qualquer adversário, vulgarizando todas as estatísticas e probabilidades, fazendo do topo da Europa o seu sonho. Gelsenkirchen é o símbolo disso mesmo: do futebol que encantou o Velho Continente enquanto o devorava.

Para além de vencer a Champions, Vítor Baía foi eleito o melhor guarda-redes da Europa  Fonte: imortaisdofutebol.wordpress.com
Para além de vencer a Champions, Vítor Baía foi eleito o melhor guarda-redes da Europa
Fonte: imortaisdofutebol.wordpress.com

Enaltecer o orgulhoso passado é dever dos amantes de um clube; saber tirar ilações para o futuro é uma obrigação dos responsáveis. Por mais difícil que seja replicar o contexto daquela época, é bom ter noção de como foram atingidas as épocas de maior sucesso da história do FC Porto. Esse exercício talvez tenha sido, por vezes, descurado de tão racional que seja – de todo em todo, é necessário fazê-lo. Hoje, porém, é dia de recordar e revisitar o expoente máximo do sentimento que um adepto pode atingir. Com toda a emoção, com arrepios, com pele de galinha, com lágrimas quiçá. Mas com certeza… Com a certeza de que foi possível e de que a História jamais apagará a inesquecível noite de 26 de Maio de 2004 – a do epílogo, com chave de ouro, de duas épocas de outra dimensão, de outro planeta, de outro futebol. A noite da conquista da Champions. Ou, como disse Paulo Ferreira, “uma coisa do outro mundo”.

 

“Que bonito é, que bonito, que bonito…! As bandeiras estão desfraldadas ao vento… Nós queremos agradecer aos Deuses do Futebol esta felicidade que nos enche a alma, que põe um país parado, um país emocionado! É golo do PORTO! Foi ele, balançou a rede, finalmente aparece o toque de génio e aparece o segundo do Porto!”

Chicotada táctica

À jornada 33 da Premier League, o Sunderland parecia completamente condenado à descida. A equipa dividia o último lugar com o Cardiff City, somando 29 pontos; apresentava um futebol completamente desprovido de agressividade; a última vitória do conjunto orientado pelo uruguaio Gustavo Poyet remontava a nove jornadas atrás; e o calendário prometia trazer mais nuvens negras no horizonte, visto que no espaço de uma semana a equipa teria de enfrentar três equipas do Top 5 da Premier League: uma delas a protagonizar um campeonato impressionantemente regular, estando a disputar a última vaga da Liga dos Campeões com o Arsenal – Everton; as outras duas, em duelo direto pela conquista da competição e as quais o Sunderland teria de visitar – City no Etihad (onde, até então, só havia perdido três pontos para o Chelsea) e Chelsea em Stamford Bridge (local de invencibilidade desde há 77 jogos até então para José Mourinho enquanto treinador dos blues).

Primeiro o Everton, no Stadium of Light. A equipa mostrou uma coesão defensiva que surpreendeu, entrando com uma personalidade e uma organização notáveis para uma formação que fora goleada por 5-1 na jornada anterior. Parecia ter rompido completamente com a identidade deixada nos jogos anteriores; o Sunderland da jornada 34 era outra equipa. Manteve o adversário no seu campo e, para além de evitar o primeiro golo dos tofees, ainda conseguiu criar mais oportunidades do que o adversário… até um pormenor fazer a diferença. O experiente Wes Brown comprometeu a equipa com um auto-golo a 15 minutos do final, parecendo fazer desmoronar toda a construção de um resultado positivo. Porém, a equipa não foi abaixo e no que restou do encontro só deu Sunderland. Isto foi suficiente para dar moral à equipa nos jogos que se avizinhavam, mesmo que estes tivessem dificuldade muito mais acrescida. O que mudou? Poyet não inventou, regressou ao 4x2x3x1 em posse e 4x5x1 sem ela, devolvendo experiência (O’Shea e Wes Brown) ao eixo central da defesa; dotou o meio-campo de um pensador de jogo (Collback) e apostou na exploração dos flancos, com a irreverência de Borini e Johnson, apoiados por Alonso e Bradsley. A partir deste jogo, as coisas mudaram e o reflexo disso mesmo está na forma como a equipa abordou as batalhas que tinha pela frente:

1) primeiro, no Etihad, soube conter a equipa do City no seu meio-campo, mantendo a organização defensiva mesmo depois de consentido o primeiro golo e, mais tarde, graças a uma substituição bastante feliz (Sebastian Larsson cedeu o lugar a Giacherinni, autor de duas assistências) e à inspiração de um miúdo que Poyet conseguiu potenciar com jogo psicológico (Wickham), o Sunderland conseguiu silenciar o estádio daquele que viria a ser o campeão de Inglaterra, dando a volta ao marcador em 10 minutos (dois golos de Wickham). Viria a consentir o 2-2, mas estava à vista a continuidade do trabalho tático iniciado no fim-de-semana anterior.

Borini marcou e consolidou o final da série de 11 jogos sem vencer do Sunderland na época em curso. Fonte: Daily Star
Borini marcou e consolidou o final da série de 11 jogos sem vencer do Sunderland na época em curso.
Fonte: Daily Star

2) Depois, em Stamford Bridge, num jogo em que a equipa do Sunderland parecia condenada a não vencer, dando continuidade a uma série de 11 jogos sem conhecer o sabor da vitória. Uma hipótese que pareceu ainda mais real quando Eto’o, aos 12 minutos, inaugurou o marcador… mas, mais uma vez, a solidariedade do eixo central defensivo, ajudado pelo operário Lee Cattermole, e a irreverência do menino Wickham deram frutos, logrando-se o empate passados seis minutos (da autoria do “míudo”), empate que foi mantido até ao minuto 82, altura em que o Sunderland beneficiou de uma grande penalidade. Borini marcou e consolidou o final de duas séries impressionantes: a da invencibilidade de Mourinho enquanto treinador do Chelsea a jogar em casa e a do Sunderland sem vencer na época em curso. Assim, num momento tão vulgar como a marcação de uma grande penalidade, o impensável acontecia, as odds alteravam-se drasticamente e dava-se início à melhor fase do Sunderland durante a temporada, já que, ao contrário do que já acontecera anteriormente na temporada, os Black Cats foram regulares e não ficaram por aqui, mantendo uma regularidade impressionante, evidenciada nas três vitórias consecutivas alicerçadas num desempenho defensivo notável: não sofreu qualquer golo ante Cardiff, Manchester United (sim, ganhou em Old Trafford!) e West Bromwich Albion.

Perante a proximidade do abismo em que se encontrava o Sunderland, com seis jornadas para disputar, muito poucos seriam os analistas (e até adeptos do clube) que vaticinariam um final como aquele que se verificou no Stadium of Light, quando foi garantida a permanência dos Black Cats (2-0 ao WBA, com um jogo por disputar).

Transportando esta realidade para Portugal e outros países latinos, é facilmente concebível um cenário em que a emoção tomasse conta das altas instâncias desportivas do clube em questão e que estas se apressassem na procura dos efeitos benéficos que uma chicotada psicológica pode trazer. Contudo, Poyet mudou o paradigma e, não ignorando o excelente trabalho psicológico que foi feito (especialmente com Connor Wickham), é justo reconhecer que a performance de sonho que o Sunderland exibiu no último suspiro do campeonato inglês (que deve ser exemplo para equipas e clubes em situação de descida espalhados pelo mundo) teve na sua base uma chicotada… tática.