À entrada para a 30.ª e última jornada do principal escalão do Futsal sénior em Portugal, pode parecer que já está tudo decidido, mas não é bem o caso, porque os oito bilhetes para a fase do play-off já estão entregues, mas as posições específicas de cada um dos colocados ainda é incerta, e por isso, os jogos deste fim-de-semana trazem consigo muita incerteza e indefinição, com a luta para escapar ao último lugar de descida a ser outro dos pontos de interesse.
Mas vamos por partes para tentar perceber o que pode ainda pode mudar e o que está em jogo nestes próximos dias. Desde logo, a luta pelo primeiro lugar, que apesar de ser pouco provável uma mudança no líder, o Sporting CP tem uma deslocação historicamente muito complicada a Ponte de Sôr, para defrontar o Elétrico FC, que apesar de não conseguir figurar entre as oito melhores equipas nesta temporada, é sempre um rival muito incómodo e difícil.
Historicamente, os maiores clubes sentem grandes dificuldades para passar no Alentejo e a forma descontraída e descomplexada como o Elétrico FC se irá apresentar, uma vez que já não luta por nenhum objetivo concreto poderá causar ainda mais calafrios aos leões. A acrescentar a esse fator, o sobejamente conhecido Kitó Ferreira, um dos treinadores mais competentes da nossa Liga, tudo fará para contrariar o favoritismo teórico do seu adversário. Este ano, na primeira volta, o jogo não correu nada bem aos alentejanos, goleados por 15-1 na visita ao pavilhão João Rocha.
O segundo classificado SL Benfica defronta no seu reduto o SC Braga e também não terá tarefa fácil, perante uns «Guerreiros do Minho» que estão em sexto lugar mas olham para cima, na tentativa de chegar ao quinto posto. A acrescer, o SC Braga foi uma das equipas que travou as águias, ao empatar a quatro bolas na 15.ª jornada do campeonato, empate que poderá ser fatal à equipa de Joel Rocha caso não chegue à liderança.
Para haver mudança no primeiro posto, seria necessário que o Sporting CP saísse derrotado e que o SL Benfica ganhasse o seu encontro, um empate leonino não seria suficiente, a menos que o SL Benfica impusesse uma goleada histórica ao seu adversário para inverter a diferença de golos amplamente favorável aos comandados de Nuno Dias. A luta pelo último lugar do pódio promete grande disputa até ao final, com a AD Fundão e os Leões de Porto Salvo a serem os dois emblemas que disputam essa vaga.
Como ambos defrontam formações que estão envolvidas noutras batalhas (o AD Fundão vai ao Algarve jogar com o Portimonense enquanto que a equipa de Porto Salvo joga contra o aflito Caxinas em Vila do Conde) esta luta promete ser titânica, sendo que a equipa beirã apenas depende de si enquanto que a formação lisboeta tem que ter uma ajuda do Portimonense, juntamente com uma vitória a Norte.
A luta mais animada, porque envolve quatro equipas coladas na tabela (MODICUS, SC Braga, Portimonense e Viseu 2001) está relacionada com a disputa do quinto lugar. O MODICUS apenas depende de si próprio para selar esta posição, com uma deslocação à aldeia do futsal para enfrentar o CCRD Burinhosa, que faz o seu jogo de despedida do principal escalão.
O SC Braga joga com o SL Benfica, o Portimonense recebe o AD Fundão e o Viseu recebe o Dínamo Sanjoanense, podendo haver várias alterações nesta jornada final.
Na luta pela manutenção, Caxinas e Candoso lutam para evitar a zona vermelha. O Caxinas joga contra os Leões de Porto Salvo enquanto que o Candoso recebe o Futsal Azeméis, sendo que estão os dois clubes empatados com 27 pontos mas com vantagem para o emblema de Guimarães, que foge à despromoção caso haja empate no fim, logo o Caxinas precisa de fazer um melhor resultado que o seu rival para poder sonhar com a manutenção entre a elite.
Sporting CP e SC Braga são dois dos emblemas clássicos do campeonato português e, ao longo dos últimos anos a rivalidade entre ambos tem escalado em termos de prestações desportivas e alguma polémica.
As visitas ao Minho são sempre sinónimo de dificuldades para os leões e o crescimento dos Gverreiros tem trazido dificuldades acrescidas. O Sporting não vence na Pedreira há perto de quatro anos e os jogos desde o início do século têm transmitido um equilíbrio entre as duas partes, sendo que a odd na Betano para triunfo dos leões é de 2.75 e dos minhotos é de 2.50.
Desde a temporada 99/00, ano da penúltima conquista da Liga para o Sporting, 21 foram os jogos para o campeonato disputados em Braga e os leões conseguiram 11 vitórias neste período, apenas mais uma do que os arsenalistas. Com estes dados, podemos retirar um facto importante: os empates no Minho são um resultado muito incomum, tendo o último ocorrido em 1994 (1-1 com um golo de Luís Figo para os verde-e-brancos).
Outro facto interessante é o resultado que tem acompanhado as vitórias do SC Braga: quatro das últimas cinco conquistas foram pelo resultado de 1-0 e é preciso recuar até 2007 para termos uma vitória arsenalista por mais do que a margem mínima.
Falando do presente, este jogo é decisivo na caminhada para o título do elenco de Rúben Amorim. O Sporting perdeu alguma da distância pontual que tinha nas últimas jornadas e quer somar três importantes pontos nesta complicada deslocação.
Aproveitando o tema “Amorim”, o treinador dos leões teve uma breve mas impactante passagem pelo SC Braga e queremos relembrar 11 jogadores que têm um passado nos dois clubes históricos do nosso futebol. Deixámos de fora alguns nomes mais sonantes, como João Vieira Pinto, Hugo Viana, Jefferson ou até Paulinho e apostámos em atletas de outros tempos.
O “Pichichis & Taconazos” é um espaço dedicado à LaLiga, um campeonato pelo qual Pedro Castelo se apaixonou.
Chegar a seis jornadas do final da LaLiga e estar a seis pontos do líder pode ser visto como normal para clubes como o Barcelona, o Real Madrid ou até o atual primeiro classificado, o Atlético. Mas poucos pensariam que essa distância, nesta altura, seria possível para o clube como o Sevilla.
E, numa semana que ficou marcada pela polémica em torno da Superliga Europeia, o Sevilla foi precisamente um dos clubes que mais se evidenciou nas críticas ao projeto de Florentino e companhia. Pela boca de Monchi, a quem voltarei a seguir, fez notar que entrar nesse tipo de ideias não se coaduna com o ADN do clube. E, olhando à distância, o Sevilla é a prova de que a paixão pode ajudar a gerir um clube. Claro que o planeamento e a estratégia têm de estar igualmente presentes, mas este é um clube que se aproxima da forma como se pode viver apaixonadamente o futebol. O oposto dos ideais da Superliga Europeia.
Escrever sobre este Sevilla e não mencionar Monchi é impossível. Antigo guarda-redes do clube, fez de tudo um pouco até chegar ao lugar que lhe deu maior notoriedade. Depressa passou a ser um dos diretores desportivos mais desejados do planeta futebol. Em Espanha falou-se muito da possibilidade Barça, mas acabou por rumar a Itália, contratado pela Roma. O sucesso não foi o mesmo que tinha conhecido no Sanchez Pizjuán. Regressou a casa para preparar a época 2019/2020, contratou Lopetegui quando poucos acreditavam que podia ser a aposta certa, e os resultados falaram por si: apuramento para a Champions via LaLiga e reforçado com a conquista da Liga Europa. Mais uma Liga Europa para o Sevilla e para Monchi.
Se há equipa que sempre teve um grande prestígio na NBA e que têm realizado épocas pobres ultimamente, são os New York Knicks. Porém, os Knicks têm realizado uma época muito boa.
Antes de falar da excelente época da equipa do Tom Thibodeau, é preciso realçar as péssimas épocas dos Knicks. A última participação na fase a eliminar foi em 2013, há quase 10 anos. Nessa época, a equipa tinha como estrelas Carmelo Anthony e Amar’e Stoudemire. Nas épocas de 2014-15 e 2018-19 terminaram no último lugar da Conferência Este. Foram épocas muito más para uma equipa tão conhecida. Não pareciam ser os Knicks da década de 90.
Atualmente, os Knicks ocupam o 4º lugar da Conferência, com 33 vitórias em 60 jogos (0.550). E conseguiram ter um jogador no NBA All-Star deste ano: Julius Randle. Um jogador que entrou na NBA pelas mãos dos LA Lakers e que não era bastante valorizado pelos fãs – muitos achavam que o Kyle Kuzma e o Lonzo Ball iam ter mais sucesso do que o Randle e o Bragdon Ingram.
Tanto o Randle como o Ingram já foram All-stars, ao contrário do Lonzo e do Kuzma. Na atual época, Randle está a ter os melhores números da carreira: em média por jogo, está com 23.9 pontos, 10.5 ressaltos, 6.1 assistência e 1.0 roubo de bola. O Randle era a peça que os Knicks precisavam.
Best from the Eastern Conference Player of the Week 🎥
Além de Randle, os Knicks adquiriram, esta época, um antigo MVP da liga: Derrick Rose. Muitos têm saudades da época do jogador, em 2011, quando se tornou no MVP mais jovem de sempre, com apenas 22 anos. Nessa época, o Rose era visto como a futura cara da NBA. Mas, para muita pena dos fãs da NBA e dos Bulls, o jogador se lesionou gravemente nos playoffs. A partir daí, ele nunca mais foi o mesmo…
Apesar desse contratempo, Rose continua a ser muito bem elogiado pelos fãs da NBA. Começou a época nos Detroit Pistons, mas foi trocado para os Knicks – é a segunda vez que o Rose assina pela equipa de New York. Na presente época, tendo em conta os minutos que tem jogado, Rose está a ter números positivos: 13.3 pontos por jogo, 3.9 assistências por jogo e 2.4 ressaltos por jogo. Não é o Rose de 2011, mas está a ser bastante importante na equipa.
New video breakdown on RJ Barrett and the New York Knicks:https://t.co/sGO12gUqrI@DrewHanlen also joined to explain how Barrett’s worked to get to this point and what’s next for his development: extending his shooting range off the dribble.
Além de Randle e Rose, os Knicks também tem outros bons jogadores. É preciso destacar o número 3 do Draft de 2019, RJ Barrett. O basquetebolista canadiano não teve uma época de sonho na estreia, mas subiu de forma: na presente época, RJ está com uma média de 17.4 pontos por jogo, 5.6 ressaltos por jogo e 2.9 assistências por jogo.
Muito provavelmente, estes Knicks vão quebrar o jejum de falhar as idas aos playoffs. Se não conseguirem, há muitos pontos positivos nesta época: a subida de forma de Randle, o regresso de Rose, a qualidade de Tom Thibodeau como treinador principal e o Madison Square Garden voltou a ser uma fortaleza – 20 vitórias em 30 jogos.
TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.
No anúncio da 3.ª fase de desconfinamento, o primeiro-ministro deixou claro que, na melhor das hipóteses, só haverá público nos estádios na próxima época. Sou crítico de muita coisa, mas não desta.
Muitos protagonistas do futebol já disseram em tempo oportuno que o futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes da vida. Se é possível manter o futebol sem multidões nos estádios, então vamos continuar.
António Costa: “Antes da próxima época seguramente não haverá adeptos nos estádios“ https://t.co/rvAIw0UlwP
É um paradoxo apontar egoísmo a quem apregoa a abertura dos estádios para ver jogos, quando há também postos de trabalho nos clubes que dependem da abertura (posso ter também aqui uma ponta de egoísmo). Mas continuo a dizer, são muitos mais os postos de trabalho que se perdem (e no limite vidas) se o regresso aos estádios correr mal. E sendo honesto, não são propriamente funcionários do estádio que vejo a pedirem o regresso do público.
Custa-me muito também. Estive na descida de divisão do Estoril em Santa Maria da Feira em 2018 e queria muito estar num estádio qualquer a celebrar a subida à primeira esta época. Mas caramba, que se lixe a festa no estádio quando ainda estamos a salvar vidas.
Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede
E sim, também não concordo com a loucura que se vê em centros comerciais. E é exatamente por isso que defendo os estádios vazios para já. Para não duplicar, triplicar, quadruplicar a estupidez que se vê à porta de uma qualquer Primark ou Zara.
Artigo de opinião de João Pedro Rodrigues, jornalista TVI
A Major League Soccer (MLS) destaca-se por já ter acolhido e reunido dezenas de glórias do futebol com provas dadas nas ligas europeias. Nomes como os de David Beckham, Andrea Pirlo, Zlatan Ibrahimovic, Wayne Rooney e até do português Nani contribuíram para o crescimento da América do Norte no panorama futebolístico. Contudo, atualmente, nem só disso se faz o futebol norte-americano…
Às estrelas do futebol em fim de carreira, juntam-se agora inúmeros jovens promessas em ascensão e que começam a dar nas vistas, precisamente, na MLS. Uns vão dando cartas na competição, outros já começaram a sair para voos maiores.
Neste artigo, apresentamos uma lista de cinco jogadores a observar na competição, na presente temporada. Conseguirá algum brilhar ao ponto de cativar o interesse das grandes referências do futebol europeu?
A CRÓNICA: FAVORITISMO COMO REGRA E EQUILÍBRIO COMO EXCEÇÃO
A primeira ronda da fase final do Campeonato do Mundo de Snooker 2021 já nos deixou, mas não deixou grandes novidades. A lei dos mais fortes imperou como regra – com as necessárias exceções que lhe propiciam o título – e o equilíbrio foi algo que não assistiu a maioria das partidas.
Os únicos cabeças-de-série a caírem na primeira ronda foram Stephen Maguire e Ding Junhui, respetivamente oitavo e nono classificados do ranking mundial. A queda precoce de Ding não é, de todo, surpreendente. O jogador chinês, finalista do Mundial de 2016 e único asiático a disputar a final do Crucible, foi derrotado na “negra” (10-9) por Stuart Bingham, o único campeão do Mundo vindo das qualificações (venceu em 2015, frente a Shaun Murphy).
A derrota de Maguire foi mais inopinada. O escocês viu-se derrotado de forma inequívoca (10-4) por Jamie Jones, que, de entre os 32 participantes na fase final, era quem ocupava a posição mais baixa do ranking à entrada para o Mundial (69º) – de momento, já garantiu a subida ao 55º posto.
Stuart Bingham has edged Ding Junhui at the Crucible!
Os restantes encontros penderam para o lado mais forte da contenda e muitos mostraram-se inóspitos ao equilíbrio. Em dez das dezasseis partidas realizadas, o derrotado não venceu mais de cinco frames e apenas dois embates foram decididos no 19º frame – Jack Lisowski vs Ali Carter e o supramencionado Ding Junhui vs Stuart Bingham. Na verdade, só faltou mesmo o 10-0 – todos os outros resultados possíveis aconteceram (do 10-1 ao 10-9).
Não obstante, a primeira ronda já permitiu sentir o travo desta edição da prova máxima do Snooker mundial e os oitavos de final (já em curso) prometem – sempre em teoria, claro está – mais equilíbrio e espetacularidade. Para terminar, segue abaixo a totalidade dos resultados dos 16-avos de final, com pequenas notas sobre os encontros, os confrontos dos oitavos e o calendário da prova.
O atual pódio da 1.ª Divisão da Associação de Futebol de Lisboa (AFL) marcou presença no BnR TV para discutir os próximos tempos na vida do Futebol Distrital. Os presidentes dos três clubes do distrito de Lisboa deixaram os seus testemunhos como se tem vivido com as Distritais paradas, onde as equipas sonham com um lugar no Campeonato de Portugal e têm de dividir esse sonho com diversas dificuldades.
O fraco equilíbrio de finanças e as poucas condições para conseguir suportar uma subida ao Campeonato de Portugal são caraterísticas dominantes nos Distritais espalhados por Portugal. No caso do AC Malveira e do SF Damaiense esta problemática é uma realidade e subir de divisão é uma carta fora do baralho. Algo que não afeta os “Azuis do Restelo”, que mantêm a sua ambição intacta, é a de alcançar o mais rápido possível a Primeira Liga.
Um tema que promete ser quente nos próximos tempos, a Liga 3, foi também abordado e que gerou “dissabores” aos três presidentes.
De olhos postos na Liga 3! ⚽🇵🇹 O Campeonato de Portugal está quase a começar e traz um incentivo especial para a próxima época! 😎 Quem vai chegar à nova prova FPF?
Nelson Picarete do AC Malveira criticou o facto de muitas formações não vão conseguir cumprir os critérios impostos pela FPF e que tem dúvidas naquilo que a nova competição pode dar. O presidente do CF Os Belenenses é um defensor desta nova liga, porque vem acabar com «esgoto a céu aberto» que era o Campeonato de Portugal. Já Edmundo Silva, presidente do SF Damaiense, acredita que «pode dar uma estabilidade a quem vai para os campeonatos profissionais», mas pede que todas as formações cumpram as regras impostas pela FPF.
Além do Distrital, também a formação foi muito abordado e estes três clubes lisboetas muito têm contribuído para a formação de jovens jogadores com muito talento. Por isso, os três presidentes dos clubes lisboetas aceitaram de bom agrado a nova Taça AFL sub-21. Apesar de tanto tempo parados, os atletas mais pequenos veem uma porta a abrir-se para voltarem novamente à competição.
Moderação de Mário Cagica, comentários de Tiago Macedo Silva e de Romão Rodrigues e convidados especiais Patrick Morais de Carvalho (CF Os Belenenses), Edmundo Silva (SF Damaiense) e Nelson Picarete (AC Malveira).
A CRÓNICA: SEGUNDA METADE COM MELHORIAS DÁ VITÓRIA AO DRAGÃO
Para fechar a 28.ª jornada da Primeira Liga, o FC Porto recebeu o Vitória SC no Estádio do Dragão, num jogo crucial para os Dragões. Depois do empate do Sporting CP contra o B-SAD, o terceiro em quatro partidas, os azuis e brancos tinham a oportunidade de reduzir a desvantagem para apenas quatro ponto, depois desta já ter estado estabelecida nos dez.
Já o Vitória SC, é ainda uma equipa a adaptar-se às ideias do novo treinador, Bino, mas que procurava ganhar algum balanço com uma segunda vitória consecutiva no seguimento de cinco derrotas que a antecederam. Apesar de já parecer muito difícil a aproximação ao Paços de Ferreira FC, os vitorianos têm o CD Santa Clara a morder os calcanhares da sexta posição do campeonato.
O encontro começou com mais bola para o FC Porto, mas o Vitória SC a criar mais perigo. Teve duas grandes oportunidades de golos ainda nos primeiros dez minutos. Aos 7′, depois de cruzamento para a entrada da área de Mensah, Marcus Edwards não acerta bem na bola, numa zona primorosa para atacar a baliza contrária, e desperdiça uma boa chance. Dois minutos depois, o mesmo Edwards e Rocinha combinam no meio, com o inglês a entrar na área na meia-esquerda e a cruzar de forma rasteira entre defesas e guarda-redes. Estupiñan não chegou à bola, e Manafá tira o pão da boca de Sacko que aparecia no segundo poste pronto para abrir o marcador.
Os Dragões reagiram com duas aproximações por volta dos 20′, ambos por intermédio de Mehdi Taremi. Aos 17′, numa jogada algo bizarra, o iraniano tentou interceptar um alívio de defesa vitoriana dentro da área adversário, e quase introduziu a bola na baliza, passando ligeiramente ao lado. No minuto 21, depois de um canto, Pepe recebe a bola no pé à entrada da área e coloca de forma muito delicada nas costas da defesa vitoriana, em Taremi. O avançado, isolado com Bruno Varela, tentou picar a bola por cima do guarda-redes mas não teve sucesso.
A primeira parte seguiu com mais posse para o FC Porto, ainda que, de uma forma geral, com poucas oportunidades. O Vitória SC fechava bem os caminhos da baliza, com alguma falta de criatividade no ataque azul e branco, e o nulo mantinha-se no intervalo.
Os Dragões começaram melhor a segunda parte, e não demoraram muito a assumir a liderança da partida. Ao minuto 49, Mumim adormece quando tem de interceptar um passe de Otávio para Marega, e o maliano consegue chegar primeiro à bola. Partiu para cima da baliza, apenas com Bruno Varela à sua frente. No um para um não vacilou, e abriu o marcador da partida.
Os azuis e brancos mantinham o domínio da partida, e jogavam de uma forma já mais segura do que na primeira metade. Conseguiam também criar mais perigo, muito através da profundidade de Marega. Este obrigou Bruno Varela a uma grande defesa num desses lances.
O Vitória SC mostrava pouco ofensivamente, e apenas conseguiu criar perigo com um livre de André Almeida – Marchesín estava lá para travar a bola de entrar. Já os portistas, à medida que o jogo ia avançando, começavam cada vez mais a conseguir sair em contra-ataque, e a chegar muito perto do golo. Toni Martínez esteve quase a fechar a partida, mas falhou o alvo aos 86′. Já na compensação, Francisco Conceição mostrou mais uma vez o seu talento, com uma grande jogada individual que ainda acabou com um remate na barra.
O FC Porto conquista assim os três pontos e relança por completo a disputa pelo título com o Sporting CP. Já o Vitória SC vai ter que puxar dos galões para conseguir manter a sexta posição da tabela classificativa.
A FIGURA
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Mudança tática de Conceição ao intervalo – depois de uma primeira metade em que não conseguiu criar grande perigo, Conceição fez alguns ajustes táticos ao intervalo e viu os resultados disso mesmo. A equipa começou a recuar um jogador para mais próximo dos centrais na primeira fase de construção e conseguiu com isso atrair a pressão vitoriana, abrindo espaço no meio-campo.
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Incapacidade ofensiva do Vitória SC – tirando algumas combinações entre Rochinha e Edwards, principalmente na primeira parte, o Vitória SC não mostrou grandes dinâmicas ofensivas e quase nunca foi capaz de importunar a defesa portista.
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
Depois de duas partidas a jogar em 4-3-3, Sérgio Conceição voltou ao seu habitual 4-4-2 para defrontar a linha de cinco jogadores atrás do Vitória SC. Marega e Taremi no ataque, com Corona e Otávio como extremos. Estes iam trocando entre a esquerda e a direita, apesar de passarem grande parte do seu tempo fletidos para o centro.
Na defesa, Manafá fez o papel de lateral-esquerdo, com Nanú na direita. Apesar dos jogadores estarem bastante projetados no ataque, os Dragões estavam com algumas dificuldades em garantir a largura através deles. O ex-CS Marítimo partia por vezes para desequilíbrios individuais, mas a pecar muito na definição. Na esquerda, o facto de Manafá e Pepe (central a jogar nesse lado) não serem esquerdinos dificultava a progressão nesse flanco. O lateral recebia já com forte pressão de Sacko e era obrigado a jogar para trás. Quando estava com mais espaço, Pepe tinha algumas dificuldades em abrir o jogo para esse lado. Desta forma, o jogo do FC Porto estava muito canalizado para o meio, permitindo a concentração de jogadores aí.
Contudo, na segunda metade, de forma a esticar mais as linhas defensivas do Vitória SC, vimos várias vezes um dos médios a abrir à direita dos centrais, como um lateral baixo, atraíndo a pressão de Rochinha, consequentemente deixando mais espaços entre os elementos da linha média vitoriana. Com isso, Otávio e Corona, e mesmo os avançados, ganhavam espaço entrelinhas para causar perigo à defesa adversária.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Marchesín (6)
Nanú (5)
Pepe (6)
Mbemba (6)
Manafá (5)
Uribe (6)
Sérgio Oliveira (6)
Tecatito Corona (7)
Otávio (7)
Mehdi Taremi (6)
Moussa Marega (6)
SUBS UTILIZADOS
Luis Díaz (6)
Marko Grujic (5)
Toni Martínez (5)
Romário Baró (-)
Francisco Conceição (6)
ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC
O Vitória SC apresentou-se, como vem sendo habitual com Bino, num sistema de três centrais, com dois alas abertos, um duplo-pivot no meio campo, dois extremos a jogar por dentro com um avançado na frente. Tanto pode ser descrito como um 3-4-3, 5-4-1, 3-4-2-1, dependendo da fase do jogo em que a equipa se encontra.
O plano de jogo desde o início era esticar ao máximo o 4-4-2 habitualmente compacto dos Dragões, com os centrais a construirem de forma bastante aberta e laterais muito projetados. Assim, procuravam numa primeira fase atrair a pressão portista para fora, jogando depois nos dois extremos, Rochinha e Edwards que tinham dessa forma espaço entrelinhas para atuarem.
Ainda assim, quando o FC Porto começou a fechar o espaço por dentro de forma mais competente, sobraram poucas ideias atacantes à equipa liderada por Bino.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Bruno Varela (6)
Jorge Fernandes (6)
André Amaro (6)
Abdul Mumin (4)
Falaye Sacko (5)
Gideon Mensah (6)
Pepelu (6)
André André (6)
Marcus Edwards (6)
Rochinha (7)
Óscar Estupiñán (5)
SUBS UTILIZADOS
Rúben Lameiras (5)
André Almeida (5)
Mikel Agu (-)
Noah Holm (-)
Nicolas Janvier (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
FC Porto
Não foi possível colocar questões ao técnico do FC Porto, Sérgio Conceição.
Vitória SC
BnR: As melhores oportunidades que o Vitória conseguiu criar partiram de combinações no meio entre o Rochinha e o Edwards, cada um cortando para dentro para o seu melhor pé. O que é que tentou de diferente com o Rúben Lameiras e André Almeida e jogar no lado do seu pé, tendo em conta que os laterais já garantiam a profundidade?
Bino: Esses dois jogadores têm alguma liberdade para trocar, e para jogar na mesma zona por vezes até, por isso queremos esses jogadores a jogar entrelinhas. Especialmente com dois jogadores a abrir na profundidade. É essa a nossa forma de jogar, mas nem todos os jogos conseguimos isso bem e hoje enfrentámos uma grande equipa que nos impediu de fazer isso mais vezes. Também tivemos depois do golo mais caudal ofensivo, mas o que pretendo dos jogadores nessa zona é acelerar a partida com velocidade e critério.
O menino reencontrou-se com a boa forma, precisamente num jogo em que o SL Benfica mais precisava das suas características. No banco até ao intervalo, foi ele quem pegou a equipa pelo colarinho e perguntou «é para jogar ou não?» – um gesto que o próprio precisou muitas vezes nesta segunda metade da temporada, na baixa abrupta de forma que sentiu desde Dezembro. Fim à vista, com muitas promessas de afirmação para 2021-22?
Morno começou o jogo em Portimão, com nenhuma das equipas a espreitar sequer os requerimentos de vitória, caindo o jogo numa toada que não interessava a ninguém – estivesse um dos conjuntos com coletes e todos acreditariam ser jogo de treino em pleno Agosto.
Tudo muito ao repelão, tudo em esforço, o bom futebol não era ideia para ninguém e dava a impressão em certos jogadores – como Gabriel, que teve guia de marcha ao intervalo para entrar a figura do encontro – que havia coisas mais importantes a acontecer àquela hora. A Weigl confirmou-se que sim, entre rumores de arrufo com Jesus que daria saída injustificada da concentração e as notícias de urgência devido a complicações no parto do seu rebento.
Beto chegaria, então, aproveitando o embalo emocional para fazer estremecer com a apatia e marcar o seu 11.º golo da época, à lei da bomba. Helton pouco podia fazer, aos centrais do SL Benfica pouco mais se poderia exigir dada a velocidade e força do ponta-de-lança algarvio.
Poucos esperariam a pronta resposta encarnada, dado que muito poucos tinham sido os apontamentos atacantes dignos de registo até ali. No deserto de ideias encarnado, apenas o oásis criativo das combinações entre Grimaldo, Pizzi e Rafa – e foi entre os dois primeiros que nasceu o empate, numa boa combinação já dentro da área.
A chave da vitória gorda – inimaginável, repita-se e sublinhe-se – surgiria com a entrada do prodígio uruguaio que passava por fase de menor fulgor. O ataque encarnado estendeu-se, a velocidade aumentou significativamente e foi assim que apenas quatro minutos passados, com os defesas algarvios habituados a tanto pastelão, não deram conta do recado.
Darwin beneficiou dessa passividade, fez o que quis, teve direito aos tais pormenores inofensivos que já caracterizam o seu jogo, mas foi figura fulcral na subida de rendimento de todos os colegas. Seferovic, ameaçado no seu recente protagonismo, puxou pelo brio e bisou, assistido pelos dois laterais – Grimaldo e Diogo estão nas nuvens neste novo sistema.
Com o Portimonense SC a querer reduzir para não ofuscar a série recente de sucessos, vendeu espaços por pechincha a um Darwin que cavalgou sem oposição de todas as formas e feitios. Foi uma lufada de ar fresco para o seu equilíbrio emocional e as circunstâncias ideais para aumentar confiança, sendo por isso uma vitória benéfica a todos os níveis – mais cinco golos marcados, mais uma vitória na luta pelo terceiro lugar e a prova de que a qualidade existe neste plantel, muito superior ao do ano transato. Basta ver pelo quinto golo e o passe magistral de Pedrinho.
Darwin Nuñez – Como a Fénix, renasce das cinzas e assina a responsabilidade da criação de uma vitória que, no final da primeira parte, parecia longínqua. A um SL Benfica sem argumentos faltava vontade e poderio físico, ingredientes prediletos do seu estilo e por aí se explica tão dilatada vantagem, que só se justifica pela sede de um Portimonense SC que nunca se acomodou na desvantagem – tração demasiado à frente que pôs todo o plano em causa.
O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Gabriel – Perdoada a expulsão, pensou-se servir de abanão necessário à moleza de Seu Gabriel: errado. A cadeirinha manteve-se, os passes longos rumo à faixa contrária poucas vezes resultaram e tamanha má vontade obrigou Jorge Jesus a rasgar tudo o que tinha trazido para o encontro e a imaginar novas soluções táticas, sem um trinco definido. Nova possível ausência de Weigl abrirá problema grave de substituição.
ANÁLISE TÁTICA – PORTIMONENSE SC
O 4-4-2 com Fabrício e Beto em cunha transfigurou-se muitas vezes num ataque a três com a proximidade de Aylton Boa Morte. A defender, muitas vezes um 6-2-2, com os extremos a fazerem de laterais para tentar anular as ameaças exteriores – havia um plano bem definido, que criou muitos problemas ao SL Benfica enquanto as equipas encaixaram, mas que ficou destruído com a explosão encarnada após o intervalo.
Paulo Sérgio até se tentou precaver, introduzindo Tagliapetra assim que viu Darwin a ir a jogo, mas o golo repentino, aos 49’, desfez as ideias de equilíbrio. O terceiro golo obrigou-o a meter em campo, de uma assentada, Luquinha, Poha e Seung-Woo. E, assim, o 1-5 final deixa de ter qualquer carácter surpreendente.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Samuel (4)
Moufi (7)
Maurício (4)
Possignolo (5)
Candé (6)
Dener (5)
Salmani (5)
Willyan (5)
Boa Morte (6)
Beto (7)
Fabrício (4)
SUBS UTILIZADOS
Tagliapetra (4)
Luquinha (5)
Poha (5)
Seung-Woo (5)
Henrique (-)
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
O 3-4-3 que se vem cimentando propícia às qualidades do plantel, se bem que a introdução de Pizzi como um dos elementos da frente transforma muitas vezes o alinhamento num 3-5-2. E esse congestionamento da zona central não ajuda em jogos deste nível.
Se Grimaldo e Diogo Gonçalves têm todo o espaço para divagar, falta a acutilância para penetrar em blocos baixos – os rasgos são poucos, as triangulações tornam-se ocasionais e forçadas e Seferovic pouco produz tão desacompanhado – até porque Rafa deambula sem critério pela frente de ataque. Claro que a entrada de um elemento com mais presença na zona central, como Darwin, ajudou a todos, principalmente pelo recuo de Pizzi, que ficou de frente para o jogo e, com outra visão, alimentou muito melhor o último terço. A rever.