Tenho para mim que hoje em dia existe uma certa obsessão com futebol ofensivo. Os “melhores do mundo” são sempre aqueles que fazem mais golos, mais assistências ou que jogam o futebol mais bonito. Basta dar uma simples olhadela à lista dos melhores do mundo para a FIFA para chegar a essa conclusão. Fora Lothar Mathäus, no primeiro ano do prémio, e Fabio Cannavaro, em 2006, o cobiçado galardão só chegou às mãos de jogadores mais avançados ou construtivos. Finalistas mais defensivos houve muitos, desde defesas, trincos, laterais e até guarda-redes, mas o vencedor acaba quase sempre por ser o mais vistoso, o mais goleador, aquele com mais classe ou técnica.
Não é minha intenção afirmar que a FIFA está “errada” em seguir esta tendência, ou sequer lançar o debate sobre se um atacante de topo é automaticamente “superior” a um defesa ou guarda-redes de topo – ainda que o mercado de transferências pareça corroborar esta teoria. Até porque estas são discussões que envolvem uma miríade muito vasta de argumentos e contra-argumentos em que normalmente não se chega a conclusão alguma… mas vocês sabem do que estou a falar. Falo do facto de se venderem milhentas vezes mais camisolas do ponta-de-lança goleador do que do central que está há anos no clube e que só por acaso até é capitão de equipa. Falo do facto de todos se lembrarem daquela finta espectacular que o extremo fez – ainda que logo a seguir tenha perdido a bola -, mas ninguém se lembre daquele médio que anulou completamente a estrela da equipa adversária, ainda que pouco se tenha envolvido em jogadas de ataque.
“Uma vez mais, a Bola de Ouro deste ano será entregue a um avançado” Fonte – www.fifa.com
É claro que ter um ou dois jogadores no plantel que conseguem desbloquear um jogo com um lance individual de génio tem um valor inestimável. No entanto, acredito que há jogadores que podem não dar tanto nas vistas, que podem nem ter muito tempo de bola, mas que são fulcrais para a estrutura táctica de qualquer equipa que se quer vencedora e que, como tal, merecem mais destaque por parte dos “entendidos do futebol” da comunicação social desportiva. É por isso mesmo que aproveito esta oportunidade para prestar o meu tributo a um jogador que, ainda que de reconhecida qualidade, dificilmente figuraria numa qualquer lista para melhor do mundo. Alguém que carregou um certo piano italiano por muitos e bons anos. Golos poucos, fintas ainda menos, jogar bonito… está bem abelha. Cartões e faltas, aí sim, um verdadeiro campeão. Já devem ter uma ideia de quem estou a falar, certo?
Gennaro Ivan Gattuso, lenda do A.C. Milan, não atingiu esse estatuto por mera coincidência. Desde o momento em que chegou aos rossoneri em 1999 que Gattuso foi um exemplo excepcional de dedicação e amor às cores que acabou por defender por mais de uma década. Trinco de raiz, o número 8 da equipa de Milão era dono de um jogo duro e aguerrido, que tinha na agressividade a sua maior arma. Se a nível construtivo optava na maioria das vezes pelo passe curto e simples, no que toca a destruir jogo era praticamente imbatível. Gattuso era pesadelo dos avançados, carraça dos médios ofensivos, o terror de qualquer jogador que o visse a correr na sua direcção. Caceteiro? Um bocadinho, sim. É preciso saber fazer faltas para se jogar na posição mais recuada do meio-campo, e Gattuso era rei e senhor das ditas “faltas cirúrgicas”.
“Agressivo, destemido, aguerrido. Assim jogava o “gladiador” Gennaro Gattuso, que aqui desarma o português Cristiano Ronaldo” Fonte – http://www.wallpaperstop.com
Talvez seja só eu mas, para mim, ver Gattuso a jogar era tão “bonito” como ver uma finta de Messi ou um petardo de Ronaldo. Apelidado de Ringhio (grunhido) pelo seu estilo de jogo inconfundível, Gattuso era um jogador explosivo e determinado, com uma capacidade de resistência e força de vontade indomáveis. Tão depressa poderia ser expulso por uma entrada mais despropositada como foi rapaz para aguentar jogar os noventa minutos após ter feito uma rotura parcial do ligamento cruzado anterior. Pedra fundamental na táctica quer do A.C. Milan, quer na selecção italiana, Gattuso foi sem qualquer dúvida um dos melhores jogadores que já vi jogar na posição de trinco. As estatísticas falam por si: mais de 300 jogos ao serviço do A.C. Milan, 73 internacionalizações pela selecção italiana. Pelo meio, venceu 2 Campeonatos, 2 Supertaças, 2 Ligas dos Campeões e um Mundial. Poucos podem gabar-se de semelhante sucesso.
“Líder incontestável nos seus anos de “rossoneri”, Gattuso é ainda hoje um símbolo de dedicação no mundo do futebol” Fonte: http://forzaitalianfootball.com
Sinónimo máximo de garra, dedicação, resistência, agressividade e também de alguns parafusos a menos, fruto de um temperamento algo volátil, Gattuso nunca virou a cara a desafios, e era sempre o último a desistir. Viveu os seus anos de futebol como ninguém e era um verdadeiro prazer vê-lo a desarmar todo e qualquer tipo de jogador, com aquela força e pujança infindáveis. Até pode estar actualmente envolvido em escândalos de resultados combinados – ainda estão por provar a veracidade das acusações – mas as grandes prestações a que habitou a comunidade futebolística, essas, ninguém lhas tira. E que falta fazem, hoje em dia, jogadores com este espírito competitivo no futebol moderno obcecado com malabarismos…
Na semana passada escrevi um texto sobre uma missão na qual eu participei e tive a oportunidade de ver as cartas de alguns dirigentes da NBA para o Pai Natal. Infelizmente só vi os desejos dos executivos da conferência Este, mas não se preocupem. Agora, na altura da passagem de ano e da tradição – doze passas, doze desejos – tive acesso a mais uns quantos pedidos, mais precisamente das equipas da conferência Ocidental.
Na conferência mais competitiva da liga, muitos são os pedidos. Alguns são mais complexos do que os de outros, mas todos igualmente importantes.
E sem mais demora, aqui estão eles:
Dallas Mavericks: Com DeJuan Blair e Monta Ellis a subir de rendimento, os Mavericks estão num bom caminho. O trio que fica completo com o gigante alemão, Dirk Nowitzki, só precisa de continuar a fazer aquilo que tem feito e não perder peças importantes que complementem estas estrelas. Shawn Marion também precisa de subir um pouco o seu rendimento.
Denver Nuggets: De uma equipa fulminante na temporada anterior, os Nuggets perderam o fogo que os acompanhava em casa. O regresso do italiano Danilo Gallinari é muito aguardado. A equipa precisa de esquecer George Karl (treinador da época transacta) e adaptar-se às novas rotinas.
Golden State Warriors: A equipa onde joga o actual detentor de maior número de triplos num ano desportivo tem um plantel impressionante. Os tornozelos de Stephen Curry têm de estar ao mais alto nível até ao final do ano. Se isso acontecer, estamos perante um candidato a ir às finais da conferência.
Stephen Curry (à esquerda) e James Harden (à direita) são jogadores perigosíssimos a jogar no perímetro e vão tentar levar as suas equipas, Warriors e Rockets respectivamente, a uma época que pode dar o título da NBA Fonte: mightydamnfresh.com
Houston Rockets: A formação dos Rockets está bem encaminhada para os playoffs. Tem o melhor base-marcador da liga em James Harden, e Dwight Howard, que é, por muitos, considerado o melhor poste. O retorno de Jeremy Lin vai ser um assunto muito tocado quando se tiver a comer as passas da passagem de ano. A equipa tem todos os factores para ser um dos grupos mais espectaculares da NBA.
Los Angeles Clippers: Por falar em espectáculo, os Clippers, que têm a alcunha de Lob City, devido aos inúmeros alley-oops feitos por jogo, causam o entusiasmo dos fãs. Chris Paul e companhia precisam de ser consistentes e o resto pode entrar nos eixos.
Los Angeles Lakers: Kobe saudável e mais precisamente, em forma. Basicamente é isto que os Lakers precisam.
Memphis Grizzlies: Fala-se sobre uma possível troca de Zach Randolph. Muitos são os desejos de que essas notícias sejam completamente falsas ou que o dirigente estivesse bêbedo quando deu a entender que isso pudesse acontecer. Z-BO, como é conhecido pelos fãs, pode fazer a posição de extremo ou de poste e é um dos pilares da equipa.
Minnesota Timberwolves: A formação dos Wolves não pode estar completamente dependente dos Kevins – Love e Martin. É pedido um maior esforço por parte de Corey Brewer e de Ricky Rubio.
New Orleans Pelicans: Não me parece que os Pelicans cheguem aos playoffs, mas isso não quer dizer que não possam entrar na discussão. O plantel é equilibrado e tem em Anthony Davis um diamante em bruto. Possuem um grupo interessante e coeso, com uma boa base defensiva. Por parte dos seus dirigentes é requisitada também essa coesão, mas a nível ofensivo.
Oklahoma City Thunder: É discutivelmente a melhor equipa da conferência Oeste. Abençoados com a presença de duas estrelas gigantes, Kevin Durant e Russel Westbrook, o plantel podia tentar preencher algumas lacunas. Um poste que tirasse Kendrick Perkins, que é o elo mais fraco do grupo, ou retirar a pressão de fazer assistências de Westbrook e deixa-lo marcar mais pontos.
Phoenix Suns: Estamos perante um grupo que tem surpreendido imensos fãs pela qualidade apresentada. Com algumas adições de peso, como Marcin Gortat, Eric Bledsoe e a fusão da família Morris, isto porque na equipa há dois gémeos a jogar (por vezes em simultâneo), o plantel está riquíssimo de qualidade. Basta a formação não se desmoronar e pode haver surpresas. Não me parece, mas não sou futurologista.
Portland Trail Blazers: A equipa sensação deste ano pede principalmente que esta equipa não se desfaça, ninguém se lesione e que ninguém os belisque e, por conseguinte, não os desperte desta época de sonho.
Sacramento Kings: Com as recentes trocas feitas pelos dirigentes, o plantel precisa de se organizar inicialmente. Apesar de terem qualidade Ben McLemore e Isaiah Thomas são ambos inexperientes. Os Kings podiam arriscar e ir buscar atletas que não têm contrato agora, exemplo de Leandro Barbosa. O maior pedido, no entanto, é que o treinador saiba gerir os jogadores recentemente adicionados à equipa.
San Antonio Spurs: Para outra potência da conferência, os Spurs, há anos treinados pelo carismático Gregg Popovich e liderados pelos internacionais Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan, as únicas coisas que podem ser pedidas pelos dirigentes são a saúde do plantel e o despoletar do atleta, Kawhi Leonard, que já pode ser considerado uma estrela em ascensão.
Utah Jazz: Os Utah Jazz têm actualmente um plantel muito desequilibrado e que tem vindo a apresentar um basquetebol de péssima qualidade. No entanto, há perspectivas de um futuro, não muito longínquo, risonho. O rookie Trey Burke tem jogado a um nível impressionante e pode vir a ser importante daqui a uns anos. O extremo Derrick Favors, por sua vez, também tem mostrado que é um jogador interessante e que ajudará a equipa de Utah a ultrapassar este momento. Os dirigentes deverão querer apostar no draft para o ano que vem. Quem sabe, podem vir a fazer uma ou outra troca para poder arranjar mais jogadores.
No último clássico de 2013, o Sporting recebeu o FC Porto num jogo a contar para a Taça da Liga. O duelo foi dominado pela equipa da casa mas o placard acabou por não sofrer nenhuma alteração até ao apito final: 0-0 foi o resultado. O Bola na Rede, em mais um “Especial Clássico”, traz-vos as visões de Fábio Lima (Sporting) e Francisco Manuel Reis (FC Porto) sobre as incidências da partida.
Sporting Clube de Portugal
O Sporting entrou hoje em campo com três alterações no onze titular habitual – Rui Patrício, Maurício e Montero cederam os seus lugares a Marcelo Boeck, Eric Dier e Slimani. Apesar de se entrar em todos os jogos para ganhar, a Taça da Liga, como troféu secundário no panorama nacional que é, não será nunca uma das prioridades de Sporting ou FC Porto. A importância deste jogo para as ambições leoninas era, em grande parte, a nível motivacional. Ganhar ao F.C.Porto era importante para os jogadores do Sporting perceberem que conseguem ganhar ao FC Porto. Embora isso não tenha acontecido, ficou bem visível no relvado de Alvalade que o Sporting é, sem dúvida alguma, capaz de vencer o rival da Invicta. Segura durante quase todo o encontro, a equipa leonina conseguiu impor o seu jogo, trocar a bola e reduzir a uma quase total nulidade os lances ofensivos do adversário. O FC Porto praticamente não criou oportunidades neste clássico, contando com uma defesa certa e um super-Fabiano a fazer lembrar os tempos do Olhanense para manter o nulo. Com Slimani a titular, o Sporting ganhou capacidade para ganhar os lances aéreos no meio-campo do Porto, tendo o argelino segurado muitas bolas e distribuindo-as com critério aos seus companheiros de equipa. Este facto, aliado a um meio-campo leonino que se soube impor e comandar o jogo, deu o domínio do encontro à equipa da casa. William Carvalho a ser William de Carvalho (peço desculpa mas já não consigo arranjar adjectivos para descrever as exibições do camisola 14 do Sporting), André Martins a dar-se ao jogo e a levar o Sporting para a frente e Adrien a dar um autêntico grito de Alvalade, onde proclamou bem alto “Selecção ou cegueira do Paulo Bento!”. Faltaram oportunidades claras de golo, tendo as duas mais evidentes sido desperdiçadas pelo recém-entrado Vítor. Não fosse Fabiano…
De lamentar a clara perda de tempo realizada pelos jogadores do FC Porto durante praticamente todo o encontro. O Fabiano que via bem as bolas para as defender era o mesmo que segundos depois não via bola alguma para retomar o jogo. Só o Sporting quis ganhar este clássico. O empate sem golos soube a derrota.
Classificação dos Jogadores:
Marcelo Boeck (6) – Um mero espectador neste jogo. Defendeu o remate de Licá à passagem do quarto de hora e pouco mais. A titularidade foi-lhe dada justamente e esperava-se que tivesse mais oportunidades para se mostrar.
Marcos Rojo (8) – Realizou uma das exibições mais seguras ao serviço do Sporting. Atento, rápido e autoritário, foi o pilar da zona central defensiva dos leões.
Eric Dier (7) – A maior surpresa no onze inicial leonino realizou, a par da restante defesa, uma exibição quase sem erros defensivos. O jovem inglês pecou onde mais tem pecado esta época quando joga: no capítulo do passe.
Cédric (8) – Exibição seguríssima do jovem lateral direito português. Como habitualmente, fez todo o corredor direito. Incansável, mostrou-se certo a defender e mais do que útil a atacar. Realizou menos cruzamentos do que o habitual.
Jefferson (7) – Seguindo a toada de toda a defesa do Sporting, Jefferson esteve bem defensivamente. Subiu no terreno sempre que lhe foi possível, mostrando pormenores interessantes a nível ofensivo.
William Carvalho (8) – A mostrar, mais uma vez, uma segurança e uma maturidade não muitas vezes observada num jovem de 21 anos. O pilar defensivo do meio-campo leonino recuperou inúmeras bolas, entregando-as, na maior parte das vezes, “redondinhas” nos pés dos médios ofensivos. Anulou Carlos Eduardo, o elemento em destaque nos últimos jogos do FC Porto, retirando poderio ofensivo à equipa comandada por Paulo Fonseca.
André Martins (7) – O pequeno grande médio leonino conferiu dinâmica ao processo ofensivo leonino. Funcionando muitas vezes como segundo avançado, pressionou sempre bem a defesa contrária. Com a bola nos pés, procurou sempre desequilibrar e realizou alguns passes de elevada categoria.
Capel (6) – Exibição certa do extremo espanhol. Sem grandes rasgos, fez o que lhe competia defensivamente. Não causou grandes desequilíbrios, flectindo muitas vezes para o meio. Esperava-se mais do espanhol num jogo grande.
Wilson Eduardo (7) – O extremo português esteve bem no jogo, mostrando pormenores interessantes. Criou mais desequilíbrios que Capel, abrindo muitas vezes a defesa portista. Teve um remate digno de registo aos 26 minutos, para defesa segura de Fabiano.
Slimani (6) – Esperava-se que fosse titular no clássico de hoje e Leonardo Jardim assim o decidiu. O argelino já merecia a primeira titularidade da época. Mesmo não tendo oportunidades dignas de registo (a única seria um cabeceamento por cima da baliza de Fabiano ainda na primeira parte), mostrou-se um elemento importante do ataque leonino ao ganhar e segurar muitas bolas perto da área do F.C.Porto.
Montero (6) – Começou o jogo no banco, entrou ao minuto 63 e entrou bem. Participou, e muito, no processo ofensivo da equipa, não chegando a ter qualquer oportunidade de golo.
Carrillo (6) – O peruano entrou bem em campo, desequilibrando no seu flanco. Acabou por ser prejudicado com a expulsão de Carlos Eduardo, já que, com dez, o Porto recuou no terreno, roubando espaço para Carrillo usar uma das suas maiores armas: a velocidade.
Vítor (-) – O médio ex-Paços de Ferreira esteve pouco tempo em campo. Teve, no entanto, nos pés duas oportunidades de golo. Desperdiçou-as.
Melhor em Campo: ADRIEN (9) – Sem dúvida, o melhor elemento em campo no clássico de Alvalade. Jogou, fez jogar e deixou a pele em campo. Incansável no trabalho defensivo, qual carraça, não descolava do adversário sem recuperar a posse de bola. Foram inúmeras as recuperações de bola realizadas, hoje, pelo camisola 23 do Sporting. Com a bola nos pés foi aquilo a que já nos vem habituando: o construtor de jogo dos leões. E que bem o fez! Com a exibição de hoje trouxe uma questão à memória de muitos portugueses: não será Adrien já merecedor de um lugar no meio campo da selecção portuguesa?
Fábio Lima
Futebol Clube do Porto
O FC Porto apresentou-se hoje em Alvalade sem três das principais referências da equipa – Helton, Lucho e Jackson cederam os respectivos lugares no onze inicial a Fabiano, Herrera e Ghilas. Paulo Fonseca voltou a apostar no duplo pivot, recuando Herrera para junto de Fernando e os problemas antigos da equipa voltaram a manifestar-se: os azuis e brancos nunca foram capazes de fazer uma circulação consistente no meio-campo adversário, denotando enormes dificuldades em sair da primeira fase de construção; raramente conseguiram levar a bola em condições ao ponta-de-lança e revelaram uma incapacidade gritante para construir jogadas de perigo. O Sporting defendeu muito bem, pressionando alto e importunando permanentemente o portador da bola. Carlos Eduardo, o grande responsável pela melhoria da equipa nos últimos jogos do FC Porto, foi sempre muito bem vigiado e os extremos revelaram-se impotentes perante a defesa leonina – lutaram muito e produziram pouco. O Sporting foi sempre muito mais clarividente, muito mais acutilante e muito mais decidido na hora de atacar e acabou por estar por cima durante a maior parte dos momentos. A haver um vencedor teria sempre de ser o Sporting. Em suma, o FC Porto voltou às exibições marcadas pela mediocridade e despediu-se de 2013 sem o brilho que ameaçara ter reconquistado nos desafios anteriores.
Classificação dos Jogadores:
Danilo (6) – Incapaz de dar profundidade e largura ao futebol do FC Porto e demasiado permeável a defender. Aventurou-se demasiado por terrenos que não são os seus e desprotegeu o seu flanco com mais frequência do que o habitual.
Alex Sandro (6) – Teve muito trabalho e foi ultrapassado várias vezes por Wilson Eduardo. Mais forte a atacar do que o seu colega do lado oposto, pese embora com poucos reflexos práticos. Fica na retina o grande passe para o primeiro remate de Ghilas.
Maicon (7) – Foi dos melhores em campo no conjunto portista. Imperial no jogo aéreo, sempre calmo e concentrado, demonstrou uma vez mais que é um dos verdadeiros dragões no plantel.
Mangala (7) – Este igual a si próprio: impressionou pela capacidade física, pela leitura de jogo e pelo carácter. Não foi por ele que a equipa jogou pior.
Fernando (7) – Tentou, como sempre, levar a equipa para a frente. As suas arrancadas, galgando metros em com a bola controlada, começam a ser uma imagem de marca. Pena ter tido tantas vezes um desinspirado Herrera no seu raio de acção. Está num excelente momento de forma e tem uma personalidade gigante dentro de campo. Lamentavelmente, saiu lesionado.
Herrera (5) – O pior do FC Porto. Não soube lidar com a pressão, falhou demasiados passes e perdeu demasiadas bolas. Além disso, pareceu nunca saber exactamente que zonas do campo ocupar. A sua performance negativa custou-lhe a substituição no início da segunda parte.
Carlos Eduardo (6) – Foi o motor do meio-campo nos últimos encontros do campeonato. Hoje, mostrou pormenores técnicos deliciosos – como sempre – mas nunca foi capaz de se soltar das amarras criadas pelo trio do meio-campo do Sporting. Acabou por ser expulso… injustamente, diga-se.
Varela (6) – Não conseguiu criar mossa. Batalhou muito, ajudou a defender e recuperou algumas bolas mas não cumpriu a sua missão de desequilibrar e romper a defesa sportinguista. Muito mais empenho do que desempenho.
Licá (6) – O esforço, a dedicação, a abnegação e a raça são os seus maiores predicados. Isso não chega para ser titular no FC Porto. Produziu pouco.
Ghilas (6) – Tem tido muito poucas oportunidades de mostrar o que vale. Hoje jogou 75 minutos sem que a bola lhe chegasse em condições. Tentou o bonito na melhor ocasião do FC Porto na partida e falhou. Precisa de jogar mais tempo para ganhar o entrosamento necessário.
Lucho (7) – Entrou bem, procurando estabilizar o meio-campo dos dragões. A postura de El Comandante foi insuficiente para fazer a diferença.
Defour (6) – Rendeu Fernando e foi mais do mesmo: jogando como médio mais recuado, foi certinho e seguro como é costume.
Jackson (-) – Um quarto de hora não chegou para causar qualquer impacto na partida. Ainda para mais, o FC Porto acabou o jogo com dez unidades e em sofrimento.
Melhor em Campo: FABIANO (8) – Foi um monstro. Defendeu tudo o que havia para defender, esteve muito concentrado e transmitiu muita serenidade à equipa. O lance em que defendeu três remates seguidos demonstra bem todas as suas grandes qualidades – seguro a sair-se dos postes, fortíssimo entre eles. Peca pelo péssimo jogo de pés, que custou à equipa uma série de bolas bombeadas para fora.
O Bola na Rede, em final de ano, apresenta a escolha dos Melhores de 2013 (de janeiro até dezembro). Mário Cagica Oliveira, fundador e CEO do projeto, faz a sua escolha para o melhor 11 deste ano a atuar em Portugal. Concordam com as suas escolhas?
Guarda-Redes: Rui Patrício
Se não fosse Patrício, o que teria acontecido ao Sporting na época passada? De facto, é complicado responder a esta questão, mas são poucos aqueles que ficariam otimistas com as hipóteses do Sporting sem o guarda-redes português. Apesar de continuar a manifestar alguma insegurança com os pés, Rui Patrício tem apresentado uma evolução impressionante. É um dos ativos mais valiosos do atual plantel de Leonardo Jardim e um dos mais queridos da massa adepta leonina. Patrício é o incontestável no Sporting e na Seleção Nacional. E, com o Mundial’2014 aí à porta, pode estar para breve o “salto” para um grande europeu. Os próximos meses vão ser muito importantes para o futuro do guarda-redes.
Lateral-Direito: Danilo
Custou 17,8 milhões de euros. Um exagero, de facto, tendo em conta a realidade do futebol português (e não só!). No entanto, ninguém será capaz de questionar a qualidade do jovem lateral-direito do FC Porto. Rápido, seguro a defender e com uma qualidade técnica invulgar, fruto também do facto de ter sido deslocado do meio-campo para a defesa. Com Danilo, o Porto tinha garantido um bom médio para o seu plantel e agora tem um lateral de excelência, ao nível dos melhores do mundo. Com uma propensão ofensiva muito elevada, Danilo é também muito forte a garantir desequilíbrios na frente de ataque, conseguindo, por vezes, garantir algum envolvimento em vários golos da equipa do FC Porto.
Lateral-Esquerdo: Alex Sandro
Com 22 anos, o atual lateral-esquerdo do FC Porto corre sérios riscos de se tornar num dos melhores na sua posição (se é que já não o é). Alex Sandro é explosivo, sabe defender bem, tem sentido posicional e é desequilibrador. E num esquema de 4-3-3, como o do Porto, é muito importante para criar desequilíbrios ofensivos quando sobe no terreno. Na temporada passada esteve a um nível muito alto e, nesta época, apesar de o plantel do FC Porto não ter extremos de tanta qualidade, Alex Sandro não quebrou o rendimento. Bem pelo contrário. Já se assistiram a vários jogos do Porto nesta nova temporada em que é apenas o lateral-esquerdo do FC Porto que procurou criar situações de instabilidade defensiva para os adversários. Está destinado a ser um dos próximos grandes negócios de Pinto da Costa.
Defesa Central: Eliaquim Mangala
“Tem um poder físico impressionante e assusta qualquer adversário”. Foi, provavelmente, uma das minhas primeiras impressões sobre Mangala, quando o vi jogar pela primeira vez. Hoje, o defesa-central francês é tudo isso e muito mais. É rápido, é forte, sabe posicionar-se em campo e raramente comete erros. É o típico jogador “à Porto”. Um defesa que sabe intimidar o adversário (como eram Jorge Costa ou Bruno Alves), mas com a grande vantagem de jogar dentro das leis. E assim tudo é melhor. Mangala é fortíssimo e desengane-se o leitor que o associa ao típico “central sem pés para sair a jogar”. Tanto não o é que já por diversas ocasiões foi adaptado à posição de lateral esquerdo.
Defesa Central: Ezequiel Garay
O Benfica tem sofrido muitos golos, de facto. Mas arrisco-me a dizer que, sem Garay, a situação poderia ser mais negra. O defesa-central argentino joga sempre na posição mais próxima do lateral-esquerdo do Benfica e isso explica bem o que o jogador tem sofrido. Já levou com jogadores como Emerson, Melgarejo ou Cortez e, por isso mesmo, sempre foi exposto a trabalhos redobrados. Maioritariamente em situações de contra-ataque adversário, é sempre ele que faz as dobras na defesa e que compensa a falta de qualidade na lateral-esquerda do Benfica. Ezequiel Garay é um dos melhores na sua posição na Europa. É muito seguro, forte no jogo aéreo e dono de uma elegância extrema com a bola nos pés (não esquecendo, pois claro, de que estamos aqui a falar de um defesa-central). É o melhor defesa argentino da atualidade (a par de Zabaleta) e vai estar também no Mundial’2014, que deverá ser a montra para abandonar, de vez, o Benfica.
Trinco: Nemanja Matić
Apesar de o Benfica ter perdido o título para o FC Porto, Matić acabou por ser eleito o melhor jogador do campeonato português da época passada. E seria realmente uma grande injustiça se tal não tivesse acontecido. O internacional sérvio é, provavelmente, um dos melhores trincos que já passou por Portugal e é cada vez mais fácil de adivinhar que não fica muito mais tempo na equipa do Benfica. Fez esquecer Javi García e não teve problemas em duplicar o trabalho que, até então, era desempenhado pelo médio espanhol e por Witsel. Matić tem um sentido posicional acima da média, recupera bolas como poucos e consegue aliar a todos esses fatores uma invulgar capacidade técnica, que lhe permite sair a jogar na maior parte das ocasiões. A saída de Javi foi o jackpot para Jesus, que, este ano, ainda tentou adaptar (de forma completamente errada e disparatada) o sérvio à posição 8.
Médio-Centro: João Moutinho
Foi o melhor jogador do FC Porto na temporada passada. E quando um treinador (neste caso, Paulo Fonseca) decide remodelar um modelo tático implementado há anos num clube, como é o FC Porto, por causa de um jogador, está tudo dito em relação à preponderância do médio português. João Moutinho é o tipo de jogador que qualquer treinador gosta de ter. Trabalhador, inteligente e com um sentido tático apuradíssimo. Era o “motor” do Porto e o principal responsável pelo equilíbrio de todo o sistema tático. A peça fundamental que ligava a defesa e o ataque do Porto. Sem ele, tudo muda. Moutinho é um dos melhores médios box-to-box da atualidade. Não só pela sua competência tática, como também pela criatividade e pelas ideias que é capaz de incutir no jogo da sua equipa. Vai ser fundamental para a Seleção Nacional no Mundial’2014.
Extremo Direito: Eduardo Salvio
Sou um admirador de “Toto” Salvio. Desde 2010/2011, altura em que o jogador argentino foi emprestado ao Benfica, que fiquei encantado com as suas qualidades técnicas. É a personificação exemplar daquilo que é, de facto, um grande extremo: um jogador que consegue desbloquear partidas, que ajuda a equipa nos processos defensivos e que confere grande profundidade ao jogo da sua equipa. E os adeptos gostam de jogadores que empolguem uma equipa e que sejam capazes de criar, constantemente, situações de perigo para a baliza adversária. Assim, explicada a preponderância do argentino na equipa do Benfica, percebe-se que ele terá a sua quota de responsabilidade na grande quebra exibicional dos encarnados neste início de temporada. Salvio é um jogador que entusiasma os adeptos com as suas arrancadas frenéticas, que transmite muita energia aos adeptos de uma equipa. Sem ele, o Benfica ficou sem poder, sem força, sem emoção… E, por isso, o seu regresso em janeiro (ao que tudo indica) pode ser a melhor das notícias para Jorge Jesus.
Extremo Esquerdo: James Rodríguez
Todos os anos, o FC Porto tem um jogador que faz a diferença. Já houve Jardel, Falcao, Hulk, Quaresma, Deco… Enfim, a lista não acabaria aqui. No ano passado, todas as esperanças estavam depositadas em James Rodríguez. E o colombiano não defraudou as expectativas. Não é um extremo de raiz, mas procurou enquadrar-se, como podia, no 4-3-3 dos dragões da melhor forma. Algumas vezes no meio, outras na ala, com uma qualidade elevada e constante. Se Moutinho, no ano passado, era a “peça” que fazia jogar o Porto, James era o elemento que desbloqueava encontros. Esperava-se que, tal como Moutinho, saísse para um colosso europeu. Infelizmente para o mercado, apareceu o Mónaco de França e levou dois dos melhores jogadores do Porto da temporada passada. Se esta transferência poderá ser prejudicial para a evolução do colombiano? Só o tempo o dirá. Mas o Mundial’2014 pode ser bom para manter as portas abertas aos grandes clubes europeus da atualidade.
Ponta-de-Lança: Óscar Cardozo
Quem diria que Óscar Cardozo, depois do incidente com Jorge Jesus no final da temporada passada, voltaria a ter tanta preponderância no Benfica, como nos tempos passados. Facto concreto é que o ponta de lança paraguaio tem sido, ironicamente, o salvador de Jesus no Benfica. Depois de uma boa temporada passada, Cardozo foi reintegrado no plantel do Benfica já com o campeonato a decorrer e tem sido um dos prontos-socorros de Jesus nesta época algo irregular dos encarnados. Seria um engraçado exercício pensar em como seria este Benfica se Cardozo tivesse realmente saído no início da temporada.
Ponta-de-Lança: Jackson Martínez
Jackson foi escolhido a dedo por Vítor Pereira para colmatar a lacuna do FC Porto na posição de ponta-de-lança. E os dados não podiam ser mais esclarecedores: 31 golos na primeira temporada (2012/2013) e 16 a meio desta segunda. O jogador colombiano tornou-se um dos elementos mais importantes na equipa dos dragões e é, neste momento, insubstituível. Com uma tremenda capacidade para se movimentar em espaços muito reduzidos, Jackson entra no restrito conjunto de jogadores que não precisa de muitas oportunidades para concretizar um golo. E os adeptos do Porto só podem agradecer.
Treinador: Marco Silva
Estranhe-se a escolha por ser um treinador que acabou por não ganhar nada este ano. É um facto. Se Paulo Fonseca ou Vítor Pereira tivessem correspondido de outra forma nas competições europeias, provavelmente a história seria outra. Marco Silva, por outro lado, é um treinador que aparece aqui num contexto completamente diferente. Está prestes a complementar apenas o seu 3º ano enquanto treinador e o saldo não se pode considerar apenas positivo: é excelente! Pegou numa equipa do Estoril nos últimos lugares da tabela classificativa na Segunda Liga, foi campeão nesse mesmo ano e, logo na temporada seguinte, consegue um histórico 5º lugar e consequente apuramento para a Liga Europa. Sorte de principiante? Poder-se-ia dizer que sim se, nesta nova época, não estivesse novamente a fazer um trabalho idêntico. Perdeu metade do seu onze titular, reformulou a equipa e voltou a conseguir resultados. Está no 5º lugar, a sua equipa pratica bom futebol e não se deixou abalar pelo facto de ter jogos a meio da semana. Está claramente na linha da frente para orientar um clube grande num futuro próximo.
Caiu a 1.º Grande Guerra Mundial e o Império Austro-Húngaro saltou pelos ares. Passado um ano, nasceu um novo País entre a hecatombe. A Checoslováquia aparecia no mapa para ser efémera, visto que com a hecatombe do Muro de Berlim também se desfez em dois. Entretanto, fez alguns milagres no mundo do futebol. O Dukla de Praga passeou-se com perigo pela Europa e o Benfica é testemunha desse perigo. Entre jogadores bem formados fisicamente e com boa técnica, sobressaia um centrocampista chamado Josef Masopust. Jogou a alto nível uma eternidade; o tempo não existia. O Dukla disfrutou-o durante dezassete anos e ainda andou pelo estrangeiro, aproveitando as consequências da Primavera de Praga de 1968. No entanto, os momentos mais rutilantes de Masopust, a nível internacional, foram vividos formando parte da seleção.
Corria o Mundial de Chile de 1962. O Brasil tinha uma equipa, e mais duas ou três escondidas, que espantavam o mundo. A linha avançada da canarinha era formada por Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagalo. Como laterais, tinha dois homens que revolucionaram o fazer dos laterais: Djalma e Nilton Santos. Pelé, lesionado, não fez parte nos principais jogos, mas, Amarildo, o Príncipe, chegava para fazer tremer qualquer defesa. Perante esta equipa, possivelmente uma das melhores seleções de sempre, apareceu na final uma Checoslováquia pletórica onde Masopust fazia circular a bola ao primeiro toque que maravilhava. Durante o jogo, era fácil ver o mágico Garrincha rodeado de vários jogadores e gerar uma tensão extrema, mas Masopust, correndo pelo seu meio campo, recebia a bola e automaticamente tinha destino; era a simplicidade inteligente que com essa forma de jogar imprimia grande velocidade ao jogo e aos movimentos de transição.
Eusébio e Santana só podem ver quem vai… / Fonte: colgadosporelfutbol.com
O Brasil ganhou. Mas, além dos malabaristas da canarinha, o génio Masopust assinara um formidável campeonato e uma classe e clarividência futebolística que o fez subir a escada da fama europeia. Nesse mesmo ano, ganhou a Bola de Ouro. Curiosamente, a Checoslováquia tinha por esses anos o que também era considerado o melhor jogador de Voleibol da Europa. Uma tarde-noite tive o prazer de o ver treinar no ginásio do Colégio Valsassina e ficou-me gravado como um dos momentos mais altos da primeira juventude ou infância tardia.
Esse Mundial foi célebre por muitas coisas e uma delas foi, também, a revelação como treinador de Fernando Riera, que treinaria posteriormente o Benfica. Falava-se que taticamente o Futebol nascera para o futuro. O controlo e o passe lateral no meio do campo ficaram presentes. Esse esconder a bola que tanto pratica, presentemente, Xavi do Barcelona. Essa espera, às vezes cansativa, da oportunidade do passe letal; tudo isso apareceu neste Mundial e mais propriamente na equipa do Chile, dirigida por Fernando Riera. O próprio Masopust foi um antepassado de Guardiola na forma de correr pelo campo e do passe ao primeiro toque. No entanto, a magia que desprendia Garrincha valia por mil passes táticos e precavidos no meio-campo. A simplicidade inteligente de Masopust também era mágica, mas, fundamentalmente, era-o porque foi um jogador sempre vertical e chegava, se necessário, à boca da baliza. No passado, o futebol não era monoteísta; hoje, também não.
O ano de 2013 está prestes a conhecer o seu fim. Decidi, por isso, passar em revista os 10 momentos mais marcantes do ano para a equipa de futebol do FC Porto.
1) FC Porto 5-0 Gil Vicente – A maior goleada do ano (28 de Janeiro)
O primeiro grande momento do ano ocorreu no final de Janeiro, quando o FC Porto recebeu e venceu o Gil Vicente por 5-0. A maior goleada de todo o ano civil coincidiu com um dos melhores períodos de toda a temporada passada. Veio na sequência de vitórias frente a Paços de Ferreira e Vitória de Setúbal (2-0 e 0-3) e antecedeu um dos melhores jogos do FC Porto de Vítor Pereira, o triunfo por 0-4 sobre o Vitória de Guimarães – quatro vitórias consecutivas sem sofrer golos.
2) Málaga 2-0 FC Porto – O adeus ao sonho (13 de Março)
A expulsão de Defour contribuiu decisivamente para a derrota nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões / Fonte: sports.terra.com
O FC Porto foi uma das grandes sensações da fase de grupos da Liga dos Campeões da época passada. Ninguém conseguiu somar mais pontos nem sofrer menos golos do que os dragões nesta fase da prova, à excepção do PSG (primeiro do grupo). Estando nos oitavos-de-final, as expectativas eram altas, até porque o Málaga era, entre os adversários possíveis, um dos mais acessíveis. Na primeira mão, o FC Porto fez uma exibição de luxo – 17-1 em remates; 61%-39% em posse de bola – e dominou em toda a linha. No final, o golo solitário de João Moutinho acabou por ditar uma vantagem que se viria a revelar demasiado magra. Em Málaga, na 2ª mão, Isco igualou a eliminatória antes do intervalo; Vítor Pereira foi forçado a lançar James no lugar do lesionado Moutinho, lesionado ao intervalo; Defour foi expulso no início do segundo tempo. Em inferioridade numérica, os azuis e brancos acabaram por consentir mais um golo – Roque Santa Cruz mandou para casa um FC Porto cheio de sonhos.
3) FC Porto 3-1 SC Braga – Kelvin resolve (8 de Abril)
O primeiro episódio da “saga K” deu-se na vitória frente ao Sporting de Braga, na 25ª jornada. O jogo estava empatado 1-1 aos 76 minutos quando Vítor Pereira decidiu tirar Lucho González para lançar Kelvin na partida. O “menino de ouro” só precisou de um quarto de hora para assinar um precioso bis que acabou por valer três pontos. Memorável!
4) SC Braga 1-0 FC Porto – Derrota na final da Taça da Liga (13 de Abril)
Menos de uma semana depois da vitória sobre o Braga para o campeonato, o Estádio Municipal de Coimbra acolheu a primeira final da Taça da Liga disputada pelo FC Porto. Instantes antes do término da primeira metade, Abdoulaye cometeu uma alegada falta sobre Mossoró na área portista, o árbitro assinalou penalty e expulsou o central portista. A grande penalidade, convertida por Alan, acabou por representar o único golo do jogo e a consequente derrota do FC Porto.
5) FC Porto 2-1 SL Benfica – «Momento K» (11 de Maio)
«Momento K» / Fonte: ZeroZero
Na penúltima jornada do campeonato, o FC Porto recebia o líder Benfica. Ambas as equipas entraram em campo na condição de invictas. Já no tempo de compensação, o placard registava um 1-1 que praticamente garantia o campeonato aos encarnados. Até que Kelvin, a passe de Liedson, decidiu fazer o remate da sua vida e fazer balançar as redes, provocando a explosão do “vulcão do Dragão”, como lhe chamou Freitas Lobo em directo. Este terá sido o grande momento de 2013 para o FC Porto
6) Paços de Ferreira 0-2 FC Porto – O jogo do título (19 de Maio)
O FC Porto precisava de vencer a grande sensação da Liga Portuguesa 2012/13, o Paços de Ferreira, para confirmar o título de campeão nacional. Na Mata Real – com um penalty fantasma à mistura -, os dragões acabaram mesmo por vencer com golos de Lucho e Jackson e conquistar o 31º campeonato da sua história.
7) Apresentação de Paulo Fonseca (10 de Junho)
Apresentação de Paulo Fonseca / Fonte: TVI24
Na sua primeira temporada na Primeira Liga portuguesa, Paulo Fonseca levou o modesto Paços de Ferreira à Liga dos Campeões. Esse feito, além do seu interessantíssimo passado nas divisões inferiores, convenceu Pinto da Costa a avançar para a sua contratação. O treinador do Barreiro sucedeu, assim, a Vítor Pereira no comando técnico dos dragões.
8) FC Porto 3-0 Vitória de Guimarães – A 20ª Supertaça (10 de Agosto)
O último título de 2013 / Fonte: SIC Notícias
Como tem sido habital no futebol português nas últimas décadas, o primeiro jogo oficial da época para o FC Porto foi a Supertaça. Em Aveiro, Paulo Fonseca estreou-se no banco dos azuis com uma esclarecedora vitória frente a um frágil Vitória de Guimarães. Licá, também ele a vestir a camisola azul e branca pela primeira vez, inaugurou o marcador; Jackson ampliou a vantagem e Lucho carimbou a conquista ainda antes do final da primeira parte. Esta foi a 20ª Supertaça dos dragões em 35 edições da prova.
9) FC Porto 1-1 Áustria Viena – O único ponto em casa na Champions (26 de Novembro)
Este jogo é o paradigma daquilo que foi a prestação do FC Porto na Liga dos Campeões nesta época. Depois de perder em casa frente a Atlético de Madrid e Zenit, o FC Porto acabou por empatar o encontro decisivo contra o Áustria Viena. Kienast marcou o primeiro golo da história do clube austríaco na competição na primeira parte; Jackson assinou o único tento dos azuis e brancos no segundo tempo. No final, consumou-se o pior registo de sempre em casa em 18 participações na Liga milionária – 1 mísero ponto foi tudo o que o FC Porto obteve no Dragão. Uma derrota em Madrid viria a ditar a eliminação definitiva da prova.
10) Académica 1-0 FC Porto – Primeira derrota do ano para o campeonato (30 de Novembro)
Da deslocação a Coimbra resultou a única derrota do ano para o campeonato. Na verdade, o FC Porto já não perdia para o campeonato desde Janeiro de 2012 (jogo vergonhoso em Barcelos) e esteve 53 jogos sem conhecer o sabor da derrota. De resto, temos de recuar até Fevereiro de 2010 (3-0 em Alvalade) para encontrar outro jogo em que o FC Porto não somou pontos. Este foi o pior momento de uma “fase negra” que parece estar ultrapassada.
Em 2013, assistimos ainda à inauguração do Museu do Futebol Clube do Porto; ao pentacampeonato no andebol e a um histórico apuramento para a Liga dos Campeões da modalidade; a mais um título nacional no hóquei em patins (13º em 15 anos) e a uma final da Liga dos Campeões perdida para o Benfica no Dragão Caixa e a um surpreendente e agradável rejuvenescimento do basquetebol.
Que o ano de 2014 seja ainda mais vitorioso do que o de 2013.
Feliz Ano Novo para todos!
Numa altura em que, superado o Natal, caminhamos rapidamente para mais um final de ano, é hora de olhar para os últimos doze meses e destacar os factos de maior relevância no futebol transalpino.
Selecção Italiana: Depois de ter atingido a final do EURO 2012, que perdeu para a Espanha, a squadra azzurra de Cesare Prandelli manteve a sua espinha dorsal assente em jogadores da Juventus para carimbar a qualificação para o Mundial do próximo ano. Ganhando seis dos dez jogos e sem ceder qualquer derrota, a tetracampeã do Mundo teve um percurso tranquilo para chegar ao Brasil. Uma selecção que alia a experiência de Buffon, Chiellini e De Rossi, o virtuosismo de Pirlo, a irreverência de Balotelli e a eficácia de Osvaldo, tem agora no Brasil uma tarefa complicada logo na fase de grupos. Costa Rica, Uruguai e Inglaterra contemplam o elenco do Grupo D, juntamente com a Itália, em terras de Vera Cruz.
Juventus: Depois da tempestade que fez mergulhar a equipa de Turim na Serie B, a formação bianconera confirmou em 2013 o seu renascimento, ao conquistar a Liga Italiana pelo segundo ano consecutivo. As vitórias e a forma clara como foram alcançados os triunfos fazem deste Juve uma equipa dominadora no actual panorama do futebol italiano. Após dezassete jornadas na presente edição da Liga, a Juve ganhou quinze jogos, tendo apenas empatado e perdido por uma vez. Detém o melhor ataque, a segunda melhor defesa e não parece haver um adversário à altura de pôr em causa a caminhada para o tri. A esta Juve falta agora ser forte fora de portas, já que na Liga dos Campeões não conseguiu qualificar-se para os oitavos de final, estando agora na Liga Europa, cuja final até vai ser jogada em Turim.
Juve a festejar o título de campeã italiana / Fonte: futura.unito.it
Nápoles: A grande bandeira do Sul de Itália teve mais um grande ano. Não obstante estar longe dos sucessos alcançados com Diego Maradona, a verdade é que a equipa agora treinada por Rafa Benitez ganhou uma competitividade que tinha perdido há muito. Segundo lugar na Liga em 2012/2013, está neste momento no terceiro lugar do campeonato e só caiu da Liga dos Campeões por um golo! É uma das maiores candidatas à conquista da Liga Europa e a consolidação no futebol nacional, com mais um segundo lugar na Liga, é uma realidade bem possível. Perdeu Cavani, mas ganhou Higuaín e Callejon, para além de ter mantido a base da equipa.
Higuaín tem estado em grande forma em Nápoles / Fonte: globoesporte.globo.com
Roma: É a grande surpresa da nova época. Depois de ter falhado a qualificação para as competições europeias, já que perderam a final da Taça para a eterna rival Lazio, os giallorossi permanecem invictos na actual edição da Liga, sob o comando de Rudi Garcia. Totti continua numa forma invejável, mas é o meio-campo formado habitualmente por Strootman, Pjanic e De Rossi que tem brilhado a grande nível. Palavra ainda de destaque para o sector defensivo, já que a Roma é a equipa com menos golos sofridos no campeonato. Em vésperas de dia de Reis, a formação da capital vai até Turim para defrontar a Juventus num embate entre os dois primeiros classificados, os quais estão separados por cinco pontos. O título parece ser uma tarefa muito complicada, mas a actual performance faz pensar que um regresso, pelo menos à Liga dos Campeões, é perfeitamente legítimo.
Inter: O trauma pós-Mourinho continua a afectar os nerazzurri. Depois da conquista da Liga dos Campeões há apenas três anos, o Inter terminou o último campeonato numa embaraçosa nona posição. Sucederam-se os treinadores, as contratações falhadas e a impaciência dos tiffosi que pediam o regresso de Mourinho ao entoar o nome do técnico português nas bancadas de San Siro. Tal qual a Roma, esta segunda metade de ano está a ser bem melhor. Sem deslumbrar, a equipa de Walter Mazzarri está às portas de um lugar da Champions e a ausência das competições europeias pode ajudar a concentrar o foco do Inter na Serie A. Palavra para Zanetti que, a par do que acontece com Totti, continua em grande, apesar da recente lesão e dos quarenta anos de idade. Eterno.
Milan: Em contraponto com o que acontece com a Roma e o Inter, o Milan bem pode sentir saudades da primeira metade de 2013. Se no ano passado a equipa conseguiu alcançar o terceiro posto e consequentemente um lugar na Liga dos Campeões, este ano os rossoneri estão num vergonhoso décimo terceiro lugar, apenas cinco pontos acima da linha de água. Com Kaká, mas sem Boateng, que saiu para o Schalke 04, o Milan parece perdido de ideias e entregue aos lances fortuitos de Balotelli, que mistura o génio com a irreverência. Curiosamente, apesar da péssima época, o Milan é a única equipa italiana nos oitavos de final da Liga dos Campeões, onde terá pela frente o fantástico Atlético Madrid de Simeone. O Milan tem mesmo de conseguir mudar o rumo ou arrisca-se a escrever uma das páginas mais tristes da história do clube.
Kaká não tem tido motivos para sorrir no regresso a Milão / Fonte: placar.abril.com.br
Notas finais: Destaque para a Lazio que conquistou a Taça de Itália no dérbi romano por 1-0. Lulic foi o herói da formação laziale ao marcar o golo que permitiu a conquista da sexta taça para a equipa azul-celeste. Ainda pela positiva, o reaparecimento da Fiorentina que terminou o último campeonato em quarto, posição que ocupa na actual edição da Liga. Como aspecto mais negativo, o facto de o futebol italiano estar cada vez com maior dificuldade em afirmar-se nas competições europeias. Sem mostrar capacidade de colocar uma equipa na luta pela Champions, resta às formações transalpinas tentar assegurar um triunfo numa segunda linha europeia.
A escassos dias da abertura do mercado de transferências, já começam a surgir os habituais rumores sobre eventuais reforços para o Benfica. Dezembro e Janeiro são historicamente meses nos quais se fazem capas jornais baseadas em jogadores apontados aos principais clubes portugueses, com especial incidência sobre as “águias”. Este ano é certo e sabido que esse cenário se voltará a repetir, desconhecendo-se apenas que desconhecidos atletas se associarão ao plantel encarnado. Até agora, tendo em conta que o mercado só abrirá a 1 de Janeiro, tudo não passa de especulações, não havendo nenhuma entrada ou saída oficial na equipa encarnada. E ainda bem. Que assim seja até ao fecho desta janela de transferências.
Neste momento da época, em que os três grandes travam uma luta altamente renhida pelo primeiro lugar, parece-me crucial que nenhuma das unidades nucleares no nosso plantel abandone o clube. Manter jogadores como Matic, Garay, Enzo, Gaitan ou Cardozo tem ser a prioridade dos responsáveis encarnados. Para além disso, e olhando para o valor dos jogadores que compõem a equipa, não vejo qualquer necessidade de investir em reforços. À excepção dos corredores laterais defensivos, onde noto algumas limitações, todos os sectores estão recheados de quantidade e qualidade suficientes para fazer uma época de eleição. Muita gente concordará comigo quando afirmo que o Benfica tem, de longe, o melhor plantel do Campeonato português, este ano. É equilibrado, talentoso, cheio de opções e conta com uma série de elementos de tarimba internacional. Assim sendo, não encontro razões para justificar qualquer remodelação neste mercado de Inverno.
Não se esperam mudanças no plantel do Befica Fonte: Maisfutebol
Se é certo que temos vindo a praticar um futebol medíocre e desgarrado, é também verdade que os jogadores valem muito mais do aquilo que têm demonstrado até agora e o desafio de Jesus é rentabilizar o extraordinário plantel que tem à disposição e fazer despertar o futebol que há cada elemento. Unidades como Ola John, André Gomes ou Markovic podem dar muito a este Benfica e tornar-se peças-chave para desbloquear um campeonato que se prevê bastante disputado até final. Desperdiçar talentos como estes, vendendo-os por uma pechincha, não é de todo a solução. Dar-lhes moral e confiança é que é.
Mexer em demasia num plantel a meio da época é processo arriscado e de improvável sucesso. Uma coisa é substituir um jogador ou outro por alguém que acrescente qualidade, outra completamente diferente é tentar resolver todos problemas de um plantel contratando uma série de jogadores. Poucos são que prontamente conseguem destacar-se e assimilar as ideias da equipa. É preciso dar tempo de habituação aos processos de jogo e não se pode dar esse tempo nesta fase da época em que se multiplicam jogos de diferentes competições. Felizmente, o Benfica não tem carências ao nível de jogadores e por isso espero que adopte uma posição de mero espectador neste mercado de Inverno. Tanto para entradas, como para saídas, tendo em conta o plantel principal, onde não incluo, obviamente, Carlos Martins ou Yannick Djaló.
Eis então um dos meus desejos para 2014: que a direcção do SLB não volte a inventar e a despender quantias exorbitantes em jogadores que neste momento são desnecessários para o nosso plantel. E acima de tudo que mantenha os craques que cá temos. São muitos, bons e suficientes para alcançar o sucesso nesta temporada desportiva.
No meu último texto de 2013, reservo o último parágrafo para distribuir uns agradecimentos. Obrigado, caros leitores, por reconhecerem o valor deste projecto e conferir-lhe a dimensão que merece. Obrigado, familiares e amigos, pelas palavras de apreço e apoio sobre esta minha experiência como redactor. Por fim, e não menos importante, quero endereçar um especial obrigado à fantástica equipa do Bola na Rede por me envolverem neste promissor projecto e em particular aos meus colegas e amigos da coordenação do Benfica por me proporcionarem estes momentos de prazer, ao escrever sobre o meu clube do coração.
O Natal é, por natureza, a época do ano que mais propicia a união e comunhão familiar. À mesa da consoada agregam-se gerações com vivências distintas mas com um denominador comum – o sangue que os une. Partilham-se presentes e come-se bacalhau, borrego ou qualquer outro prato gastronómico. O Natal é, em suma, o ex libris da partilha de amor e alegria.
Porém, qualquer sportinguista faz parte, igualmente, da enorme família leonina, que afilia milhões de apaixonados pelo nosso Sporting. Numa época natalícia urge não esquecer esta condição. Na mensagem de natal aos sócios e simpatizantes, Bruno de Carvalho desejou, com a mestria necessária e com o sportinguismo característico, “que a forte união sportinguista se faça sentir em todas as casas”. Estas são palavras calorosas e que devem materializar-se amanhã, em Alvalade, palco onde a família sportinguista se reúne.
Derlei marcou dois golos na última partida entre Sporting e Porto a contar para a Taça da Liga. Os leões venceram por 4-1. Fonte: desportugal
No próximo Domingo, O Sporting enfrenta o Futebol Clube do Porto, naquele que será o último jogo do ano civil para ambos os emblemas. 2013 foi, indubitavelmente, um ano insólito para as hostes leoninas. Em 2013, o clube de Alvalade experienciou chicotadas psicológicas, mudanças na direcção e alcançou a pior classificação de sempre no Campeonato Nacional. Inversamente, a segunda metade do ano, entre Junho e Dezembro, sensivelmente, revelou-se totalmente oposta à primeira. A tríade composta por Bruno de Carvalho, Leonardo Jardim e pelo plantel vigente do Sporting é o espelho desta mudança.
Amanhã será a última hipótese para os verde e brancos mostrarem como o rumo actual é o oposto do tomado no início do ano. No relvado jogar-se-á a primeira jornada da fase de grupos da Taça da Liga. Contudo, o embate de Domingo terá uma componente anímica que transcende a Taça da Liga. Caso o Sporting vença o jogo ganhará também uma bagagem psicológica enorme para o muito que ainda resta de campeonato.
Com efeito, os aliciantes para o clássico de amanhã são bastantes. Apesar de se esperar uma fraca afluência ao estádio, devido ao preço exorbitante dos bilhetes, este Sporting – Porto reveste-se de total importância. A Taça da Liga é, logicamente, uma competição a vencer. Paralelamente, uma vitória contra os azuis e brancos fará com que o Sporting entre da melhor forma no ano de 2014. Apoiemos e acreditemos na nossa equipa! Força Sporting!
A Hyundai está de regresso ao WRC, 11 anos depois. O modelo do carro vai ser o i2O, nesta que será uma temporada principalmente de testes, visto que, para a de 2015, o carro vai ser totalmente reformulado com a nova geração deste modelo.
O Accent WRC correu entre 2000 e 2003 sem grande sucesso Fonte: allracingcars.com
Aponta-se em cerca de 80 milhões de euros por cada temporada o valor que a marca coreana está disposta a gastar neste seu regresso, com o objetivo de ser campeã do Mundo dentro de quatro anos. Para atingir este objetivo, a Hyundai foi buscar à M-Sport Thierry Neuville, vice campeão em 2013. Acaba por ser possível fazer uma comparação entre o belga e Ogier. Neuville vai ter uma época mais focada em testes e afinação do carro, em 2014, para que, no ano seguinte, a aposta seja totalmente a obtenção de vitórias e do tão almejado campeonato. O mesmo aconteceu com o francês em 2012, ano em que correu com o Fabia S2000, enquanto testava o Polo WRC. Apesar das semelhanças, Neuville acaba por estar melhor montado neste seu ano sabático, pois vai estar a desenvolver o carro em competição.
Para fazer equipa com Neuville, a Hyndai contratou mais três pilotos: Dani Sordo, para fazer as provas de asfalto e talvez Portugal e Argentina em terra, Juho Hänninen, para as provas de terra, e ainda Chris Atkinson, para o rali do seu país, a Austrália. Estes dois últimos pilotos foram dois dos três que desenvolveram o carro (juntamente com Brian Bouffier) e, portanto, acabam por ter um grande conhecimento do mesmo, apesar de menos experiência ao volante de WRC.
Os pilotos com os seus copilotos ao lado do i20 WRC Fonte: motorauthority.com
Michel Nandan, na apresentação da equipa, disse que o objetivo é conseguir terminar os ralis com os dois carros, de forma a ganhar experiência para o futuro, considerando ainda que, se tudo correr bem, poderão conseguir alguns pódios já nesta temporada que se aproxima. Na minha opinião, e vendo o que se passou na última época e olhando para os pilotos que cada equipa tem para este ano, acredito que os pódios vão ser algo recorrente, podendo até lutar por algumas vitórias, se o carro for fiável.
Está a ser um projeto muito ambicioso por parte da marca coreana, que espero que dê os seus frutos, pois nem a Citroën, nem a M-Sport (Ford) parecem ter capacidade para competir com a Volkswagen. Para campeonatos com vencedor anunciado já bastou os tempos de domínio de Loeb e da construtora gaulesa.