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Um ano para não esquecer

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sextoviolino

É costume dizer-se que os momentos menos felizes das nossas vidas devem ser esquecidos, que o passado deve ser enterrado e atirado para trás das costas. É uma maneira optimista mas, por vezes, pouco sensata de ver as coisas. Não querendo estar aqui a fazer uma espécie de “psicologia de vão de escada”, penso que a forma mais realista de encarar as dificuldades é precisamente a oposta: devemos obviamente reunir forças para conseguir dar a volta por cima, mas nunca menosprezando nem esquecendo os contratempos. E com o futebol passa-se a mesma coisa. Só tendo bem presentes os nossos momentos de infelicidade, bem como os motivos que nos conduziram a eles, podemos ultrapassá-los definitivamente.

O Sporting bateu no fundo em 2013, mas os sintomas do desmoronamento do clube já vinham de trás. A nível desportivo, aquilo que, a meu ver, marcou simbolicamente o início da decadência foi a negra eliminatória com o Bayern em 2008/2009. Porém, em termos estruturais, as coisas talvez já estivessem num lento apodrecimento desde 1995, com o início do Projecto Roquette e a transformação do clube em empresa (SAD). Trocou-se a dedicação ao desporto pelo amor ao lucro e passou a olhar-se para os Sportinguistas não como adeptos e sócios apaixonados mas sim como clientes. As modalidades foram sendo extintas (a primeira e mais importante delas logo em 1995, quando a presidência de Santana Lopes deu a escolher entre andebol e basquetebol e os sócios optaram por colocar um fim a este último), os sócios foram afastados do clube e o Sporting tornou-se, mais do que nunca, uma instituição enfraquecida e à mercê de dirigentes e “empresários” parasitas, que aumentaram as suas contas bancárias à custa da delapidação do clube. Criou-se um fosso cada vez maior entre o clube de Alvalade e os outros dois rivais, e a conversa do “não há dinheiro, vamos ter de cortar e vender património” tornou possível estabelecer uma comparação bastante pertinente entre a realidade do Sporting e o estado do país.

O ambiente no Sporting continuava a degradar-se, ao mesmo tempo em que Liedson chegava para reforçar o Porto / Fonte:  Maisfutebol
O ambiente no Sporting continuava a degradar-se, ao mesmo tempo em que Liedson chegava para reforçar o Porto / Fonte: Maisfutebol

Em 2013, o futebol do Sporting terminou a época que tinha iniciado em Agosto do ano anterior na pior posição da sua História. A equipa marcou apenas 36 golos e sofreu outros 36. Ficou a 36 pontos do campeão, Porto, e atrás de equipas como o Paços de Ferreira, o Braga, o Estoril e o Rio Ave. Era confrangedor ver jogar gente como Joãozinho, Jeffrén, Elias ou Pranjic (estes dois últimos foram entretanto emprestados, tal era a indiferença com que se apresentavam em campo), e, pior ainda, era testemunhar a presidência desnorteada de Godinho Lopes, que não pagava salários e fazia qualquer Sportinguista alternar repetidamente entre a vergonha e a raiva. Este foi o ano em que o Porto nos conseguiu roubar Izmailov e ir buscar Liedson, este último um jogador que preferiu seis meses como suplente da equipa campeã nacional a um lugar eterno como ídolo do Sporting. Foi também o ano em que Joãozinho, um dos piores jogadores que me lembro de ver no clube, disse cinicamente que a sua transferência para o Braga ia permitir-lhe “disputar as competições europeias”, e em que Schaars rumou ao PSV, dizendo que “não podia ficar no Sporting e lutar pelo 5º ou 6º lugar”. Felizmente, Izmailov foi uma aposta falhada do Porto, Liedson praticamente não jogou e mostrou o seu desagrado para com o treinador, Joãozinho vegeta, hoje em dia, na equipa B do Braga, e Schaars é actualmente 7º classificado da liga holandesa. Mas nada disto apaga os vários episódios que dão conta de um clube moribundo e ridicularizado por todos.

O ano que agora acaba foi o ano que, não obstante estes primeiros indícios de recuperação a que agora assistimos, qualquer Sportinguista quer fazer os possíveis por ultrapassar. Eu, obviamente, não fujo à regra. Contudo, desejo firmemente que o regresso da harmonia ao clube seja conseguido através das vitórias e não do nosso esquecimento deliberado. Porque manter uma memória viva das contrariedades já é meio caminho andado para garantirmos que estas não se repitam.

Um bom ano a todos!

Uma equipa refém de um treinador

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dragaoaopeito

Nunca antes tinha visto um Porto tão refém das escolhas de um treinador. Paulo Fonseca quer manter-se fiel a si mesmo e às suas ideias e continua a não abdicar delas para ver um Porto a jogar bom futebol.

O último jogo contra o Sporting é o perfeito exemplo dos erros imaturos que o treinador português continua a cometer à frente da equipa. A meu ver, o facto de aquele ter corrido como correu não se deveu tanto ao mérito do Sporting (honestamente continua a ser uma equipa que não me convence, mas a verdade é que pelo menos é notável o esforço que os jogadores têm a vindo a efectuar pela equipa), mas a demérito do Porto. Factores como sorte, arbitragem e condição de visitante/visitado não são, de todo, desculpas credíveis para uma equipa que jogou como jogou. O Porto jogou mal, muito mal, e há muito tempo que não ficava ansiosamente à espera que um jogo acabasse.

Antes de mais, abordarei o caso Quintero. Não me entra na cabeça não ter sido feito um esforço para que o jogador entrasse nos convocados para este jogo, sendo uma oportunidade para pelo menos mostrar se está à altura ou não de jogos (mais ou menos) importantes. Existiram atrasos originados pela falta de voos entre Colômbia e Portugal, mas em outros casos os jogadores já haviam sido previamente informados para fazer escala em outro destino de forma a chegar a tempo e horas. Este caso começa a ter contornos ridículos de má gestão de plantel, como aconteceu com Iturbe, que não acredito que volte a jogar pelo Porto.

Quintero deveria ter sido convocado para o último jogo / Fonte: Notícias do Futebol
Quintero deveria ter sido convocado para o último jogo / Fonte: Notícias do Futebol

Voltando ao jogo, Paulo Fonseca limitou-se a fazer as alterações básicas para um jogo da fase de grupos da Taça da Liga:
– Fabiano por Helton. O guarda-redes brasileiro mostrou que pode realmente vir a ser o próximo titular da baliza do Porto, estando perfeito entre os postes sempre que foi chamado a intervir.
– Ghilas por Jackson. Jackson nem tinha treinado e dessa forma facilitou a inclusão do argelino na equipa. Foi notória a pouca ligação com os alas do Porto e o máximo que o jogador fez foi mostrar trabalho e força, falhando um golo no lance mais perigoso para o Porto em todo o jogo.
– Herrera por Lucho. No último jogo o mexicano tinha entrado bastante bem e não me chocou vê-lo a fazer de 8 neste jogo, fazendo descansar um Lucho que não tem estado particularmente bem nos últimos jogos. Pareceu-me, no entanto, que Herrera estava a jogar muito perto de Fernando e, além disso, conseguiu falhar passes inacreditáveis e fazer um péssimo jogo (ao nível do fantástico jogo em que levou 2 amarelos em 1 minuto).

Contudo, e mesmo sendo um jogo contra um Sporting, não deixa de ser um jogo da Taça da Liga, que o Porto assumidamente sempre desvalorizou. Kelvin ficou no banco enquanto os alas nada fizeram (Varela mostrou os seus habituais níveis de trapalhice e Licá andou em campo a correr, só isso); Josué apenas entrou depois do apito final para a zona mista, quando podia perfeitamente ter tido alguns minutos (ou numa ala ou no meio-campo); e a única substituição opcional (sendo que a saída de Herrera e a de Fernando são justificadas por um jogo absurdo do primeiro e algum toque sofrido pelo segundo) foi incluir Jackson em campo, como se de forma milagrosa algo se fosse alterar.

Como eu referi no último artigo, não me parece que o Porto necessite de jogadores neste mercado de Inverno, além de um ala já referenciado (Ricardo Quaresma) e alternativas aos defesas laterais. Mas para isso é necessário pelo menos dar mais oportunidades a jogadores como Quintero e Ghilas e, quem sabe, a Tozé ou Pedro Moreira, da equipa B.

O título perfeito seria: Paulo Fonseca a receber indicações de Helton e Lucho… / Fonte: JN
O título perfeito seria: Paulo Fonseca a receber indicações de Helton e Lucho… / Fonte: JN

Paulo Fonseca insistiu no seu triângulo e continua a insistir nos seus jogadores. Ninguém lhe diz que desista. Acho bastante bem que seja um treinador de ideias fixas e não um treinador camaleónico a cada vez que algo corre mal, mas Paulo Fonseca tem que entender o que é treinar o Porto e estes jogadores. Não pode continuar a acreditar que Licá tem valor para ser titular neste Porto, não pode dar primazia a Jackson em todos os jogos, seja em que competição for, quando tem Ghilas ao seu dispor, e muito menos pode desaproveitar os jogadores talentosos que tem no plantel, acabando no ridículo de mostrar-se feliz no fim de um empate num jogo da Taça da Liga contra o Sporting.

Um treinador do Porto que diz que “em casa do Sporting, o empate é positivo” após um jogo miserável não é um treinador do Porto, é um treinador que por acaso está a treinar o Porto. Não prevejo um futuro fantástico para este treinador, mesmo tendo feito coisas extremamente positivas em todos os clubes por onde passou, mas resta-me esperar pelo melhor. Paulo Fonseca vai a tempo de mudar e o início de um novo ano é a melhor altura para o fazer…

Boas entradas a todos os leitores!

Resolução para 2014

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portosentido

Ano novo é sinónimo de resoluções que, na sua maioria, não duram mais do que duas três semanas. Seja cortar nos vícios antigos ou começar uma nova rotina saudável, as resoluções são várias e quase nunca são cumpridas. No futebol não há grande diferença. Todos os anos há adeptos quem querem resoluções nas respectivas equipas. Resoluções que muitas vezes acabam por sair furadas.

Acredito que o pensamento, ou resolução, se lhe quiserem chamar assim, mais presente nos adeptos portistas passe por melhor futebol. Nos últimos tempos esta parece ter sido a maior prece naquilo que toca à equipa azul e branca. A questão é… como é que se transforma uma resolução efémera numa mudança de ano significativa? Pois bem, esta situação passa por um único homem: Paulo Fonseca.

O Porto não tem problemas de confiança. Não há jogadores que estejam lesionados ou condicionados (exceptuando Izmaylov, que aparenta estar esquecido no triângulo das Bermudas). Porém, o Porto sofre quase sempre. A posse de bola já característica do Porto está nos últimos suspiros – só conseguem circular a bola em zonas longe de perigo. A forma de ataque ordenado, conjunto e apoiado de outros anos foi substituída por ataques onde a um jogador (Lucho, sobretudo) é dada a inteira responsabilidade de criar jogo. A defesa sólida e intransponível que anteriormente era defendida apenas pelo polvo Fernando recebe mais um homem no duplo pivot de Paulo Fonseca. Em vez de ganhar, acaba por perder solidez. Apenas à baliza é que a forma de jogar se manteve igual.

Quintero foi a revelação do inicio da época / Fonte: goal.com
Quintero foi a revelação do inicio da época / Fonte: goal.com

Para além da diferença na forma como abordam cada jogo, este Porto parece procurar um “craque salvador”. No início foi Quintero. Seguiu-se, mais recentemente, Carlos Eduardo. Com a chegada de Quaresma já começam a girar os mecanismos para que ele seja o próximo. As primeiras exibições de Quintero mostraram um diamante por lapidar. Um número 10 excelente com visão, classe e muita inteligência no que toca ao jogo. Para além disso, possui um pé esquerdo de causar inveja. Após a lesão, desapareceu das escolhas de Paulo Fonseca.

Carlos Eduardo foi a mais recente descoberta. Começou a época na equipa B e subiu a titular rapidamente. Fez dois jogos a um grande nível, onde marcou e deu a marcar e, de um dia para o outro, começaram as expectativas megalómanas. Como Quintero, aparece como o médio mais ofensivo, que joga à frente do duplo pivot, com uma grande capacidade de criar jogo. Com um passe bastante certeiro e rápido nas movimentações, ganhou espaço dentro do plantel reduzido do Porto. Após dois jogos, Carlos Eduardo era o novo salvador.

Quintero e Carlos Eduardo são jogadores incríveis. Admito até que possam vir a ser craques. No entanto, não são salvadores, contribuem para a equipa. A solução para o problema do jogo do Porto não está nos pés de um único jogador em grande forma mas sim num colectivo bem oleado, coerente, que saiba de trás para a frente a forma como jogam os companheiros.

Carlos Eduardo é mais uma solução para Paulo Fonseca / Fonte: Rádio Renascença
Carlos Eduardo é mais uma solução para Paulo Fonseca / Fonte: Rádio Renascença

Jogadores em grande forma são, mesmo assim, uma grande mais-valia. São eles que, num momento de génio, acabam por conseguir resolver um jogo mais complicado a favor do Porto. Não devem é ser, após um/dois jogos mais conseguidos, transformados em craques capazes de pegar na bola e resolver um jogo. A meu ver, há apenas um jogador no mundo capaz de realizar tal proeza. O problema é que ele joga com o número 7, em Madrid… Espero que o grande craque do Porto no próximo ano seja o número 11. Não é o argelino Ghilas… É o número do colectivo do Porto.

É por isso que a minha resolução para 2014 não é deixar de fumar ou perder peso. A minha resolução é que Paulo Fonseca tenha um momento de génio e perceba que, se o Porto está em sub-rendimento, a culpa recai sobre as alterações que ele fez na equipa…

Basquetebol: BELOS! CUS!

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cab basquetebol feminino

Não, caro leitor, não vou falar sobre glúteos. Vou, sim, falar sobre a equipa sensação da Liga feminina de basquetebol, o Clube União Sportiva (CUS). Esta equipa micaelense encontra-se na quarta posição da Liga, depois de na temporada passada ter vencido a Primeira Divisão.

http://dfacores.blogspot.pt
O emblema
Fonte: dfacores.blogspot.pt

Os C.U.S são um clube fundado em janeiro de 1921 e que atualmente apenas tem a modalidade de basquetebol, em ambos os sexos e em todos os escalões etários. Este ano, esta equipa estreia-se na principal competição feminina portuguesa. Ao fim da primeira volta do campeonato, os C.U.S venceram sete jogos, perdendo apenas três, e estão a apenas um ponto do trio que lidera: Quinta dos Lombos, Vagos e Boa Viagem, equipas que venceram oito jogos e perderam dois. O grande destaque da equipa vai para a norte-americana Jhasmin Player, que tem sido, ao longo das jornadas, a MVP do campeonato, sendo provavelmente a melhor jogadora do mesmo. Mas não só desta jogadora se faz a equipa. Outros valores, como Lauren Gregory ou Silvia Fortunato, contribuíram para este excelente campeonato, até ao momento. O clube tem ainda uma formação com alguns bons resultados a nível nacional, como mostra a conquista da Taça Nacional de sub-16 feminino, em 2011. Mas, como quase todas as equipas insulares e do interior, esta equipa tem um “problema” em relação à grande maioria das jogadoras que forma, pois estas, depois de acabarem o secundário, vão para outros sítios estudar (no caso deste clube, a maioria vai para o continente), o que não permite a continuação do trabalho iniciado. Apesar disso, alguns valores da formação continuam no plantel e a jogar.

Jhasmin Player no jogo contra o Vagos.  http://www.fpb.pt/
Jhasmin Player no jogo contra o Vagos.
Fonte: fpb.pt/

Para os restantes 10 jogos desta fase regular da Liga, espera-se que a equipa garanta os playoff de forma relativamente fácil. Vai ter seis jogos em casa, sendo que ainda não perdeu nesta condição, tendo inclusivamente derrotado o atual campeão nacional, Algés. Apesar disso, o facto de haver equipas que ainda não têm as duas estrangeiras permitidas no plantel pode criar diferenças nos valores reais de cada equipa e mudar as previsões. Um dos objetivos reconhecidos por um dos treinadores, Ricardo Botelho, é o de ficar à frente do Boa Viagem na classificação. No jogo realizado na Terceira nesta primeira volta, a União Sportiva foi a vencedora do derby, ao bater por quatro pontos (66-62) as terceirenses. Como tal, esse objetivo tem tudo para poder ser alcançado. Esta época de estreia tem tudo para ser muito boa para os C.U.S. O título pode até ser alcançado, mesmo não sendo esse o objetivo à partida.

O salto está ao nosso alcance

cab futebol feminino

Em entrevista ao ‘Público’, Pia Sundhage, seleccionadora sueca, afirmou que “não há razão para Portugal não ser dos melhores no futebol feminino”. Numa altura em que estamos a escassas horas de celebrar a entrada em 2014, aproveito esta época de balanços e expectativas para avaliar a actual situação do futebol feminino português. À semelhança de Sundhage, acredito veementemente que o futebol feminino português tem um enorme potencial e que pode começar a afirmar-se, quer a nível de clubes, quer a nível de selecções, num futuro próximo. No entanto, para se “dar o salto”, é preciso superar alguns obstáculos.

Pia Sundhage, seleccionadora sueca, acredita em que o futebol feminino em Portugal tem uma enorme margem de progressão www.sventsktspel.nu
Pia Sundhage, seleccionadora sueca, acredita em que o futebol feminino em Portugal tem uma enorme margem de progressão
www.sventsktspel.nu

Mentalidades

Futebol feminino não é melhor nem é pior. É diferente. Foi com esta frase que terminei o meu primeiro texto sobre esta modalidade, aqui no Bola na Rede, e volto a fazer uso fruto da mesma. Enquanto os entusiastas e dirigentes desportivos continuarem a ver o futebol feminino português como uma espécie de “futebol inferior”, nada pode ser feito. Este dogma, bem vincado na sociedade desportiva contemporânea, não tem qualquer razão de ser, e basta olharmos para o estrangeiro para ter a certeza disto mesmo. Estados Unidos da América e China são dois exemplos de países onde o futebol masculino nunca teve qualquer tipo de peso considerável – aqui, são as mulheres que elevam a bandeira nacional ao mais alto nível. Outros países, como a Alemanha, a Suécia ou mesmo o Brasil, já demonstram que é mais do que possível ser bem-sucedido a nível internacional com selecções em ambos os géneros. A maioria das dificuldades que vários países têm em se afirmar enquanto forças no futebol feminino passam por questões desportivas, estruturais e financeiras, é certo. Mas, enquanto se continuar a pensar que “futebol é só para rapazes”, é completamente impossível para qualquer selecção ter uma estrutura quer produtiva, quer competitiva. Tratar de forma igual o futebol de ambos os géneros pode ainda ser, no caso português, uma exigência demasiado irrealista, mas não há razão nem argumentos para não se ver o futebol feminino como uma modalidade passível de se investir e na qual se podem gerar inúmeros ganhos. Este é um dos maiores problemas do futebol feminino, e só ultrapassando este preconceito é que se pode dar asas às raparigas portuguesas para atingirem o seu verdadeiro potencial.

Amy Wambach, jogadora do ano de 2012 para a FIFA, é uma das grandes figuras do futebol nos Estados Unidos da América msn.foxsports.com
Amy Wambach, jogadora do ano de 2012 para a FIFA, é uma das grandes figuras do futebol nos Estados Unidos da América
msn.foxsports.com

Maior destaque por parte da comunicação social desportiva

Neste ponto, dou um exemplo que ilustra muito bem a pouca consideração que os media desportivos portugueses têm para com o futebol feminino. O Atlético Ouriense, campeão nacional do ano passado, jogou a fase de apuramento para a Liga dos Campeões, no início desta temporada. Não havia um único jornal desportivo “dos grandes” que estivesse a acompanhar a marcha do marcador no seu site online. Isto só por si já é grave, mas, se tivermos em conta que o grupo de apuramento no qual o Ouriense estava inserido fez os jogos de apuramento em Fátima e Torres Novas, é simplesmente vergonhoso que nenhuma das grandes redacções tenha sequer acompanhado a partida em directo. Não se pedia uma grande emissão televisiva, flash interviews, análises infindáveis do ante e pós-jogo, nem programas de debate desportivo em que se revêem os casos da partida por horas a fio – bastava lá ir alguém para ir actualizando o resultado do jogo. Nos dias seguintes, uma ou outra notícia a um canto de uma página, quase nota de rodapé, que lá informava a nação do que se passou na Liga dos Campeões, que decorreu no nosso país.

Atlético Ouriense vs. FC Zurich, jogo que teve muito pouco destaque por parte dos media portugueses  LUSA
Atlético Ouriense vs. FC Zurich, jogo que teve muito pouco destaque por parte dos media portugueses
LUSA

Será pedir demais ter um bocadinho de respeito e consideração pelas atletas portuguesas que representavam o futebol feminino nacional e a quem basicamente ninguém passou cartão? É certo que esta é uma tendência em decréscimo, mas está ainda a anos-luz daquilo que realmente merece. Menos notícias sobre o último porche que Ronaldo comprou e um pouco mais de destaque a uma modalidade que está em franca e visível evolução é algo perfeitamente concretizável, que não só traria mais pessoas para o desporto como ajudaria a solucionar o problema de mentalidades que referi há pouco. Será assim tão difícil perceber isto?

Apostar em grande

A Federação Portuguesa de Futebol investiu mais de dois milhões de euros nas selecções femininas de futebol no ano transacto. As sub-17 portuguesas marcaram presença na fase final do Campeonato da Europa, e isto, sublinho, apenas um ano após o escalão ter sido criado. O balanço final de todos os escalões femininos a nível de selecções em 2013 até é positivo – 14 vitórias, 12 derrotas. Qualquer clube que faça uma aposta razoável e ponderada no futebol feminino não demora muito até recolher os louros. A equipa do 1º de Dezembro foi campeã nacional durante 11 anos consecutivos em grande parte por ser a equipa que oferecia melhores condições às suas atletas, a que se aliou uma estrutura de formação que ainda hoje dá cartas no panorama feminino nacional. Mais recentemente, Atlético Ouriense e A-dos-Francos comprovam a teoria de que uma aposta forte na modalidade é sinónimo de muitas vitórias e até títulos.

Sub-17 femininas chegaram à fase final do Europeu deste ano http://www.lusogolo.com
Sub-17 femininas chegaram à fase final do Europeu deste ano
http://www.lusogolo.com

Agora que o campeonato nacional feminino está cada vez mais competitivo e a selecção portuguesa tem demonstrado que pode dar cartas a nível internacional, esta é a altura certa para investir em força no futebol feminino português. Se bem que “investir em força” é um termo algo exagerado. Muitas vezes, basta garantir às atletas um mínimo de condições para se ter uma equipa empenhada e competitiva. Veja-se o recente caso da internacional portuguesa de 24 anos, Tita. Depois de ter alinhado no Atlético Ouriense, nas últimas três temporadas, Tita recebeu uma proposta de trabalho dita “irrecusável” e não chegou a acordo com o actual campeão em título para continuar a defender as cores do clube. A médio centro vai, assim, voltar ao UR Cadima, clube que a lançou e que está actualmente na Série C do Campeonato de Promoção.
Não se exigem grandes salários ou regalias que muitas vezes são dadas a jogadores que nem disputam o primeiro escalão masculino. Ter uma estrutura que consiga suportar despesas básicas e proporcionar um mínimo de condições de treino às suas atletas é meio caminho andado para ver uma equipa a disputar os lugares cimeiros da tabela do campeonato feminino.

Eventual profissionalização

Sem nenhum dos obstáculos anteriores superados, a profissionalização do futebol feminino em Portugal só iria causar mais danos do que benefícios. A estrutura por si só ainda é muito frágil, e “pôr o cavalo à frente dos bois” nesta questão provavelmente iria ameaçar a pureza do espírito competitivo que nesta modalidade ainda se vive. Ao “eterno campeão” 1º de Dezembro bastou a saída de algumas jogadoras de peso e dificuldades em arranjar patrocinadores para que em dois anos a equipa passasse de campeã a lanterna vermelha. Há, por isso mesmo, que ter muito cuidado com a forma como se profissionaliza o futebol feminino português. No entanto, e ainda que esta seja uma espécie de “última fronteira”, só com a profissionalização completa da modalidade é que se pode chegar ao próximo nível. As jogadoras portuguesas não devem aspirar a ir jogar para o estrangeiro para fazerem do futebol primeira e única profissão, e verem devidamente valorizados o seu trabalho e qualidade. Este processo é inquestionavelmente moroso. Acredito, no entanto, em que esta é a altura ideal para se começar a dar os primeiros passos, que podem passar por um envolvimento dos três grandes do futebol nacional. Sporting, Porto e Benfica têm a estrutura clubística e a capacidade financeira ideais para fazer resultar um investimento ponderado no futebol feminino, o que, por sua vez, poderia proporcionar um enorme progresso da modalidade em Portugal.

A-dos-Francos apostou forte no futebol feminino e é líder isolado do campeonato nacional  Carlos Barroso/ LUSA
A-dos-Francos apostou forte no futebol feminino e é líder isolado do campeonato nacional
Carlos Barroso/ LUSA

Como refere Pia Sundhage, “a qualidade existe. Em Portugal respira-se futebol”. Os obstáculos são muitos, mas os últimos anos têm registado uma evolução notável. Não será em 2014 que o futebol feminino nacional “dará o salto”, mas este pode bem ser o ano em que se dão os passinhos preliminares. Só depende de nós. E, acreditem, não acho que seja assim tão difícil.

Onde andas, Benfica?

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cabeçalho benfica

Se o Benfica de Jesus de outras épocas nos habituou a golos e a um futebol bonito, nesta época, está longe de se conseguir as exibições de outrora com a respectiva “nota artística” de que JJ tanto fala.

Uma primeira parte desgarrada e sem ritmo que só animou com um ou outro rasgo de Gaitán, incluindo o golo marcado pelo argentino, que resultou de algumas boas triangulações da equipa encarnada e de, sem tirar o mérito ao jogador, alguma sorte no pseudo desvio de Mexer. De resto, nada de jeito a assinalar; as falhas defensivas e os passes errados repetem-se jogo após jogo, e Fejsa começa a dar razão aos adeptos do Olympiakos que festejaram a sua venda. Não digo que seja mau jogador, apenas que ainda não encontrou o seu espaço no sistema táctico da equipa, e, sem o Matic para patrulhar o meio campo, o Benfica ressente-se da sua fraca contribuição. Já na frente de ataque, Lima continua perdulário e pergunta-se por Rodrigo. Já Markovic, acredito em que ainda não esteja preparado para a titularidade. É um jogador com um potencial tremendo, mas sinto-o complexado com a ideia de ter de fazer uma excelente exibição, e muito querer, às vezes, atrapalha. Defendo que deva começar no banco e entrar a meio da partida para somar minutos, ganhar entrosamento com a equipa e habituar-se ao futebol português, até porque é um jogador que, fresco, é capaz de desbloquear uma partida.

Uma exibição longe de nota artística Fonte: Maisfutebol
Uma exibição longe de nota artística
Fonte: Maisfutebol

Cruzei os dedos e esperei que na segunda parte vislumbrasse nem que fosse uma miragem do que a equipa consegue realmente fazer. Temos, provavelmente, o melhor plantel do campeonato português e praticamos, provavelmente, o pior futebol dos três grandes. Mentira, na segunda parte ainda conseguiram baixar mais o ritmo de jogo e tornar a partida completamente desinteressante. Começo-me cada vez mais a aperceber da Cardozo-dependência de que sofremos. Quando não joga, batalhamos os 90 minutos para conseguir marcar um golinho que seja, e o Benfica de Jesus não é o Benfica de Trapattoni, até porque, hoje em dia, defendemos bem pior.

O Nacional ainda teve uma ocasião flagrante de golo num toque de calcanhar mas, felizmente, o poste foi o melhor amigo de Oblak, que, a brincar, a brincar, em dois jogos a titular sofreu zero golos. Para finalizar, um jogo para a Taça da Liga como foi este contra o Nacional podia ter servido para experimentar outros jogadores que têm tido pouco tempo de jogo, nomeadamente o Djuricic e Ola John, mas o Jesus teima em embirrar com jogadores. Em tempos, o Rúben Amorim; agora, o pobre holandês. Espero que encontremos o nosso caminho e, mesmo sem apresentarmos um terço do futebol que praticávamos, por exemplo, na época transacta, fechemos o ano de 2013 com uma vitória e com perspectivas de lutar até ao fim pelas competições em que estamos inseridos (as mesmas do ano passado). Pode ser que sejamos um Bayern versão 2.0 e que fiquemos em segundo em todas as competições numa época e as vençamos a todas no ano seguinte.

PS: Um Feliz 2014 para todos os leitores e para todos os meus colegas do Bola Na Rede. Confirmem que entram com o pé direito.

O Baile

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Verde e Branco à Risca
O Porto apareceu no baile sem ser convidado e passou 90 minutos a ver os outros dançar. Ainda tentou entrar na pista, mas um dançarino com pés-de-chumbo dificilmente arranja coragem para desafiar um verdadeiro entendido na matéria do bailado. Envergonhado por se sentir à parte numa festa tão animada, ainda tentou chamar os amigos mais populares, mas só piorou a situação: vergonha a dobrar. O rei da pista, Adrien, distribuiu novos passos para quem quisesse entrar na roda, numa festa que até teve direito a piñata, que, apesar de massacrada, não rebentou.

Reduzidos a nada: É a única forma que encontro para descrever o “Portinho” de ontem. Poder-se-á dizer que os “azuis-e-brancos” não alinharam com todos os seus trunfos no onze inicial – o que é verdade – mas igualmente direi que o Porto conseguiu ser menos fraco antes da entrada de Lucho e Jackson. Mas o que se terá passado com o tri-campeão nacional, vencedor recente de uma Liga Europa, o clube com mais títulos de futebol em Portugal? Como é que um clube dono desta descrição se vê dependente da exibição de um mero guarda-redes suplente? A razão é simples: o Sporting é, de longe, a equipa em Portugal que melhor futebol pratica. O Sporting massacra os adversários e cada vez defende melhor (algo que me preocupava há uns tempos).

A questão é simples:

Ponto 1 – O Sporting não venceu devido a um fora-de-jogo mal assinalado a Wilson Eduardo que, a não ser marcado, daria grande penalidade de Fabiano sobre o extremo leonino.

Ponto 2- O Sporting não venceu devido à exibição sobre-humana de Fabiano.

Ponto 3, e o mais importante. – O Sporting não venceu a partida devido a dois clamorosos falhanços de um Vítor sem qualquer pontaria, efeito da falta de minutos nas pernas dos ex-Paços de Ferreira.

A contrastar com a falta de ritmo de jogo de Vítor esteve a magistralidade de dois jogadores leoninos, filhos da casa, dois injustiçados por Paulo Bento: Adrien Silva e Cédric Soares. Adrien está-se a tornar uma espécie de playmaker mortífero. Passes de luxo para qualquer canto do terreno de jogo, aberturas de sonho, toque de bola brilhante. Adrien está a fazer a época da sua vida e é uma vergonha se Paulo Bento não o incluir nas convocatórias da Selecção Nacional, quando vemos jogadores medíocres como Rúben Micael e Rúben Amorim com lugar cativo na “equipa das quinas”. Já Cédric está a mostrar que é o titular absoluto da lateral direita leonina: seguríssimo a defender, perigoso e consciente a atacar, cruzamentos milimétricos, ritmo de jogo alucinante. Mas Paulo Bento prefere André Almeida, um jogador completamente sem brilho, de equipa B, que não é bom a defender nem a atacar, não ata nem desata. Isto eu não consigo admitir, e espero impacientemente pelas próximas escolhas de Paulo Bento.

Não ganhámos – isso é certo –; porém, não estou preocupado. Ainda faltam dois jogos, temos todas as condições para seguir em frente nesta competição e, sem dúvida, para vencê-la. Estou sim bastante contente por ver confirmado, mais uma vez, que temos um leão muito forte, forte o suficiente para domesticar um dragão que, felizmente para si, só voltará a pisar “a pista” em meados de Março.

2013 de A a Z

internacional cabeçalho

Arsenal – A contratação de Özil mesmo em cima do fecho do mercado foi o investimento mais caro de sempre dos londrinos (50 milhões de euros) e representou uma mudança na política do clube. Os gunners têm agora aquilo que tem faltado nos últimos anos: capacidade de lutar por títulos.

Bayern – Foi o ano dos bávaros. Ganharam a Bundesliga, a Champions, a Taça da Alemanha, a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes, conquistando o estatuto de melhor equipa da actualidade.

Cristiano Ronaldo – Impossível não mencionar o português. Chegou aos 69 golos – destacam-se os 12 que marcou na Champions League e que lhe valeram o troféu de melhor marcador –, registo que faz de 2013 o melhor ano civil da sua carreira. A exibição magistral que realizou na Suécia apurou Portugal para o Mundial e colocou-o lado a lado com Pauleta no topo da lista dos melhores marcadores da selecção, com 47 golos.

Dortmund – O Borussia, contra todas as expectativas, chegou à final da Champions, algo que não acontecia desde 1997. O conjunto alemão recuperou o estatuto de colosso europeu, praticando um futebol entusiasmante (a goleada ao Real Madrid por 4-1 foi o ponto alto).

Espanha – A pesada derrota por 3-0 na final da Taça das Confederações poderá ter marcado o início do fim do domínio absoluto de nuestros hermanos.

Ferguson – Depois de 27 anos como treinador do Man United, onde conquistou 13 campeonatos e 2 Champions, todos os elogios são poucos para Sir Alex, uma personalidade que se confunde com a instituição que representou.

Gareth Bale – O nível de excelência que o galês atingiu ao serviço do Tottenham – carregou a equipa às costas – levou o Real Madrid a avançar para a sua contratação, numa transferência que, aparentemente, foi a mais cara da história do futebol.

Heynckes – Ganhou tudo o que havia para ganhar na sua época de despedida. Mas não se limitou a isso. O técnico alemão colocou o Bayern a praticar um futebol avassalador. Bateu todos os recordes a nível interno e esmagou o Barcelona na Champions com um agregado de 7-0.

Iker Casillas – O guarda-redes continua a ser um dos símbolos do Real Madrid, mas perdeu o estatuto de titular indiscutível e é habitualmente suplente nos jogos para o campeonato. Foi Mourinho quem teve “coragem” para relegar o espanhol para o banco de suplentes, decisão a que Ancelotti deu continuidade.

Joseph Blatter – O presidente da FIFA ganhou um protagonismo que certamente não desejava. A imitação (em tom de gozo) que fez de Cristiano Ronaldo tornou-o numa persona non grata para os portugueses.

Klopp – Deu a prova final de que é um dos melhores do mundo. O excêntrico e carismático treinador do Dortmund tem muito mérito na forma como conseguiu chegar à final da Champions com uma equipa tão jovem.

Luís Suárez – Falhou muitos jogos por suspensão (mordeu Ivanovic), mas quando esteve em campo apresentou um rendimento ao alcance de poucos. Os 19 golos e 9 assistências que leva na Premier League (em apenas 14 jogos) valem-lhe o estatuto de jogador em melhor forma da actualidade.

Mónaco – Os “novos ricos” do futebol europeu agitaram e de que maneira o último mercado de transferências. As contratações de Falcao, Moutinho, James, entre outros, permitiram à equipa do Principado voltar a ter o mediatismo de outrora.

Neymar – O craque brasileiro foi o principal obreiro do título da selecção canarinha na Taça das Confederações, prova em que foi considerado o melhor jogador. A mudança para Barcelona e para o futebol europeu era o teste que faltava às suas capacidades e, para já, não tem desiludido.

Özil – Nada fazia prever que o Real o libertasse e muito menos que o Arsenal investisse 50 milhões de euros na sua contratação. O que é certo é que isso aconteceu, e o médio alemão deu, de facto, outra dimensão à equipa dos gunners. Não tanto pelo que tem jogado – na minha opinião pode render bem mais – mas sobretudo por aquilo que representa.

Pogba – Vai-se impondo cada vez mais na equipa da Juventus e é, sem dúvida, um dos médios mais promissores da actualidade. O prémio “Golden Boy” – destaca o melhor jogador sub-21 a actuar na Europa – foi-lhe atribuído com inteira justiça.

Qatar – O país que vai organizar o Mundial 2022 continua envolto em polémica. O caso de Zahir Belounis, um futebolista que ficou “preso no país por causa de um conflito salarial com o clube (precisava de uma autorização do patrão para sair), é mais uma razão para questionar a atribuição da competição ao país do Médio Oriente.

Ribéry – Terá sido a melhor individualidade da super equipa do Bayern. O francês termina o ano com um registo fantástico em termos de golos e assistências, sendo a presença no pódio dos melhores do mundo um prémio justo.

Simeone – Não é fácil para quem quer que seja intrometer-se na luta entre Real e Barcelona, mas o treinador argentino e o seu Atlético conseguiram-no. Com um estilo aguerrido e pragmático, o técnico esteve irrepreensível durante todo o ano: venceu a Taça do Rei em pleno Bernabéu e conduziu a equipa à liderança da Liga Espanhola (com muito menos armas que os rivais).

Thibaut Courtois – Para mim, o melhor guarda-redes do ano. É certo que Neuer esteve impecável na baliza do Bayern, mas o belga foi fundamental no sucesso do Atlético. Emprestado pelo Chelsea aos colchoneros, o jovem de 21 anos é uma autêntica parede e tem tudo para ser um guardião de referência no futebol mundial.

United – Na despedida de Fergie, mais um título para os Red Devils. O clube tem agora de se adaptar a uma nova realidade. Já com Moyes ao leme, os resultados não têm sido propriamente brilhantes (a equipa segue num modesto 6º lugar), mas o emblema de Manchester já nos habituou a reagir da melhor forma às adversidades.

Van Persie – Foi absolutamente decisivo na conquista do título do Manchester United. O holandês voltou a ser o melhor marcador da Premier League, feito que dificilmente irá repetir no próximo ano, dado que os problemas físicos começam a persegui-lo.

Wembley – O mítico estádio inglês foi palco da inédita e inesperada final alemã da Champions League e assistiu a um dos triunfos mais surpreendentes do ano: o Wigan, no ano em que foi despromovido ao Championship, derrotou o Man City na final da FA Cup.

Xavi – Está claramente na fase descendente da carreira. Já não tem a mesma influência na equipa do Barça, o que pode explicar a perda da hegemonia dos catalães.

Yaya Touré – Que máquina! O costa-marfinense jogou em alta rotação durante todo o ano e foi o elemento mais regular do Man City. Está no pico da carreira, assumindo-se como o melhor jogador africano da actualidade e um dos melhores médios do mundo.

Zlatan – Nunca baixa o nível. Mais um ano em que marcou muitos golos (e que golos!) e em que foi preponderante na conquista do título por parte do PSG. Não faltaram declarações bombásticas. Igual a si próprio, portanto.

Os melhores de 2013 – Modalidades

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O Bola na Rede prossegue a sua eleição dos melhores de 2013. Hoje, os redatores das modalidades (e não só) do nosso site apresentam a figura do ano para o desporto que representaram neste ano, que agora está a acabar. Aqui ficam as suas escolhas:

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ANDEBOL: Frederico Santos (Opinião de André Conde)
O treinador do Sporting conseguiu colocar a equipa leonina, outra vez, na luta pelo título, tendo conquistado uma Taça e uma Supertaça e conseguiu o feito de fazer do Sporting a primeira equipa portuguesa a qualificar-se para a fase de grupos da Taça EHF. Menção honrosa para Aleksander Donner, um dos treinadores mais conceituados do mundo e que levou o ABC à final da Liga dos Campeões em 1993, que faleceu neste ano.

ATLETISMO: Sara Moreira (Opinião de Tomás da Cunha)
A atleta do Maratona conquistou a medalha de ouro na prova dos 3000 metros dos Europeus de pista coberta. Sara Moreira alcançou o maior êxito da sua carreira (depois da prata em 2009) em Gotemburgo, arrecadando a única medalha para as cores portuguesas.

BASQUETEBOL NACIONAL: Carlos Lisboa (Opinião de Daniel Melo)
Depois de ter vencido o Campeonato Nacional de Basquetebol por 15 vezes, o atual treinador do Benfica e antigo convidado do Bola na Rede sagrou-se bicampeão nacional. Deste modo, inseriu o seu nome para a posteridade. É obra!

CICLISMO: Rui Costa (Opinião de João Martins)
O português que já assinou pela Lampre-Merida tornou-se, em 2013, bicampeão da Volta à Suíça, garantiu duas vitórias em etapas do Tour de France, e coroou o grande ano com o título de campeão do mundo de estrada. Um ano de excelência para o segundo atleta mais referenciado a nível mundial, este ano, apenas suplantado por Cristiano Ronaldo.

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CORFEBOL: Núcleo de Corfebol de Benfica (Opinião de André Conde)
A equipa do NCB venceu, pelo 3º ano consecutivo, o campeonato e venceu a Supertaça, demonstrando que é a força dominante no Corfebol português.

DESPORTOS MOTORIZADOS: Sebastian Vettel (Opinião de Rodrigo Fernandes)
O piloto alemão da F1 teve mais uma época brilhante. Foram 13 vitórias em 19 possíveis e mais um título de campeão do mundo, o seu 4º consecutivo. Estamos perante um fenómeno, que promete não ficar por aqui.

EUROLIGA DE BASQUETEBOL: Vassilis Spanoulis (Opinião de Ivan Ferreira)
Mais uma grande época na principal competição do basquetebol europeu! O ano de 2013 ficou marcado por grandes dérbis entre os colossos do costume, onde sem grandes surpresas o top 8 foi constituído por Real Madrid, Barcelona, Olympiakos, Pannathinaikos, Maccabi Tel-Aviv, Caja Laboral e CSKA Moscovo. Com jogos disputados até ao último segundo e com pavilhões cheios num ambiente verdadeiramente indescritível e que rói a NBA de inveja! A final four da Euroleague 12-13 foi na conceituada O2 Arena, em Londres e onde o Olympiakos comandado pelo experiente base grego Vassilis Spanoulis levou a melhor sobre o CSKA, o Barcelona e na final sobre o Real Madrid. A emoção para a edição de 2013-14 continua bem patente nos mais de 120 jogos que compõe esta prova!

FUTEBOL FEMININO: Catarina Sousa (Opinião de Rui Miguel Pereira)
A avançada de 26 anos, que atravessa um grande momento de forma, é dona de uma qualidade técnica superior e de uma capacidade de finalização impressionante. Melhor marcadora nacional com 19 tentos e peça fundamental no futebol do A-dos-Francos, quer na subida de divisão no ano passado, quer na actual liderança isolada do campeonato nacional feminino. 2013 foi o seu ano.

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FUTEBOL DE PRAIA: Seleção Nacional da Rússia (Opinião de Mário Cagica Oliveira)
Parece mentira, para quem acompanha a modalidade há tanto tempo, que a Rússia seja, neste momento, a grande potência da modalidade. Habituados ao frio e a condições climatéricas adversas, os russos têm tido uma evolução impressionante nesta modalidade, tendo, este ano, conquistado pela segunda vez consecutiva, o Mundial de Seleções. Numa final que, surpreendentemente não contou com o Brasil (Portugal, recordo, não se qualificou para a fase final da competição), a Rússia foi fortíssima e goleou a Espanha por 5-1. Começam a ser uma séria ameaça à hegemonia brasileira na competição.

FUTSAL: Divanei (Opinião de Pedro Teles)
O ala contratado pelo Sporting Clube de Portugal em 2012, foi dos jogadores mais influentes da época transacta e ajudou o seu clube a sagrar-se campeão da liga nacional de Futsal com golos, assistências e boas exibições.

HÓQUEI EM PATINS: Luis Sénica (Opinião de André Conde)
Entrou na história do Benfica ao conseguir vencer a primeira Liga Europeia pelo clube e no Mundial voltou a fazer uma boa campanha com Portugal, tendo sido o melhor ataque e uma das melhores defesas da prova.

NBA: LeBron James (Opinião de André Albuquerque)
O jogador dos Miami Heat provou mais uma vez por que é que é considerado o melhor jogador de basquetebol do mundo. Foi o melhor jogador da NBA e carregou a sua equipa para mais um título, o segundo da sua carreira, e terceiro a nível da instituição.

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NFL: Peyton Manning (Opinião de Pedro Gonçalo Pinto)
Porquê? Fácil, fácil, fácil. Então não é que o velhote de 37 anos deu uma lição a toda a gente a nova que pensa que o atleticismo é o mais importante para se ser um grande quarterback hoje em dia? É verdade que o QB dos Denver Broncos tremeu nos playoffs de 2012/13, mas a fase regular que ontem terminou foi absolutamente absurda. Não só liderou os Broncos rumo aos playoffs como pegou em dois recordes que muitos julgavam impossíveis de ultrapassar e tornou-os seus. A partir de agora, Manning é o jogador com mais touchdowns (55) e mais jardas através do passe (5.477) numa só temporada. Aos 37 anos. Depois de uma operação ao pescoço.

RUGBY: Martim Aguiar (Opinião de Sara Rodrigues da Costa)
Destacou-se no mundo do Rugby em 2013 como treinador do GD Direito, vencendo o Campeonato Nacional e a Super Taça frente ao CDUL e, mais recentemente, vencendo a Taça Ibérica frente aos espanhóis do VRAC Valladolid. O técnico do GD Direito foi ainda premiado com o galardão de Treinador do Ano pela Federação Portuguesa de Rugby.

SNOOKER: Ding Junhui (Opinião de Cátia Borrego)
Tornou-se no primeiro jogador deste século a vencer três títulos consecutivos do ranking (o que já não acontecia desde 1993 com Stephen Hendry). Ganhou o Shanghai Masters, o Indian Open e o International Championship na época de 2013 juntando assim ao seu palmarés três torneios do Main Tour.

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SURF: Kelly Slater (Opinião de Jóni Matos)
Aos 41 anos continua a ser o melhor surfista de todos os tempos. Com 11 títulos mundiais, continua no tour à procura do 12º título. Este ano foi vice-campeão e ganhou a etapa mais difícil – O Pipe Masters.

TÉNIS: Rafael Nadal (Opinião de Miguel Dias)
Foram 10 títulos. 2 grand slams e 5 Masters. Vencedor em toda a linha, depois de um ano dominado por Djokovic. Nadal voltou para calar os críticos e provou que os seus joelhos ainda estão para as curvas… e para as vitórias.

VOLEIBOL: AJ Fonte do Bastardo (Opinião de Roberto Sousa Moura)
Depois de iniciar a época com uma derrota suada numa partida até à margem máxima com o Benfica na Supertaça, a formação terceirense domina completamente o Campeonato Nacional da I Divisão sem derrotas até agora, e tendo, inclusive, vencido as águias por 3-0 na primeira disputa entre os dois principais candidatos ao título no campeonato.

E o leitor, concorda com estas escolhas?

Saldos: não há duas sem três ou à terceira será de vez?

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Acabou o Natal, mas nem por isso as lojas estão mais vazias. É certo que as prendas já foram dadas e recebidas, mas em altura de saldos, tudo vale para encontrar o melhor dos produtos que queremos. Por esta altura também, a 1 de Janeiro, abre-se na Europa o mercado de Inverno. Dizem alguns especialistas que este apenas serve para pequenos reajustes nos plantéis e que toda e qualquer mudança realizada deve ser feita com todo o cuidado para não desvirtuar a equipa na segunda metade da época.

Certo é que, para o FC Porto, este mercado de Inverno tem servido para bem mais do que simples “reajustes”: a começar em Lucho e Janko em 2012, passando por Liedson e Marat Izmaylov em 2013, os portistas têm aproveitado esta altura para ir buscar nos saldos peças que se revelam fundamentais na segunda volta das temporadas. Do comandante Lucho ao matador Janko, passando pelo versátil Liedson, que fez a assistência para Kelvin no golo do título até ao “desaparecido” Izmaylov, cada um à sua maneira deixaram no clube a sua marca decisiva para a conquista dos últimos campeonatos. Contudo, esta política de contratar em Janeiro pelos portistas não foi feita única e exclusivamente para dotar o plantel de mais qualidade. Mais do que isso, estas compras cirúrgicas vieram tapar buracos no plantel portista das últimas épocas. Não obstante os bons plantéis que o FC Porto veio tendo nos últimos anos, havia sempre um ou outro espaço que parecia não acompanhar as restantes opções do plantel. Dizem os optimistas que é para isso que o mercado de Inverno serve; os pessimistas defendem que uma equipa com o orçamento como o dos portistas não deve esperar tanto tempo para finalmente ter um plantel completo. São duas versões que para mim são verdadeiras e sobre as quais não deve haver grande discussão.

Quaresma está de regresso ao Dragão / Fonte: Record
Quaresma está de regresso ao Dragão / Fonte: Record

E é a poucos dias do início de Janeiro de um novo ano que surge mais um jogador pronto a entrar no mercado de Inverno. Chamavam-lhe o Mustang, de seu nome Ricardo Quaresma. Em 4 épocas de FC Porto ganhou três campeonatos, duas Supertaças, uma Taça de Portugal e uma Taça Intercontinental. Espalhou magia pelos relvados portugueses e deixou saudade quando partiu do Dragão. 6 anos mais tarde, o Cigano regressa: dizem os optimistas que com 30 anos ainda tem muito para dar ao FC Porto, enquanto os pessimistas duvidam da importância de um jogador que não joga há mais de meio ano e que já é trintão. Tal como há pouco o referi, são duas versões que para mim são verdadeiras, e sobre as quais não deve haver grande discussão.

Em suma, penso que tal como aconteceu nos dois anos anteriores, o FC Porto não vai ao mercado porque quer, mas sim porque precisa. Com um orçamento de 100 milhões de euros, é difícil pensar como a qualidade dos extremos não se assemelha à do restante plantel. Vêm os saldos, vem o mercado de Inverno e Quaresma prepara-se para ser mais um protagonista desta história. Só me resta perguntar é se nesta coisa dos saldos não haverá duas sem três ou se à terceira é mesmo de vez e a coisa dá para torto. Aguardemos por Janeiro. Os portistas agradecem. Quaresma também.