Início Site Página 11020

FC Paços de Ferreira x SL Benfica | Pontos fulcrais na luta pelo pódio

0

Primeira Liga, jornada 26: sábado, 20h:30, 10 de abril de 2021

ANTEVISÃO: SERÁ QUE O SL BENFICA CONSEGUE A SÉTIMA VITÓRIA CONSECUTIVA?

O SL Benfica está a passar pela melhor fase da época, e quer continuar nesta maré de vitórias. O FC Paços de Ferreira não quer perder mais pontos para o terceiro classificado, SC Braga, e quer aumentar a distância em relação ao Vitória SC, que ocupa o sexto lugar da tabela. É caso para dizer que nenhuma das equipas quer perder pontos.

UM DOS JOGOS DE MAIOR DESTAQUE NA JORNADA NA MATA REAL: O FC PAÇOS TEM SIDO UM DOS DESTAQUES E QUER CONSOLIDAR O SEU LUGAR EUROPEU. CONSEGUIRÁ JESUS SOMAR A SÉTIMA VITÓRIA? APOSTA COM A BET.PT!

Apesar da diferença de dez pontos, espera-se um jogo bem disputado entre as duas equipas. O FC Paços de Ferreira quer vingar a derrota da primeira volta e o SL Benfica quer vencer o jogo para se aproximar do FC Porto. Atualmente, os “castores” ocupam o quinto lugar da Primeira Liga, com 44 pontos, e as “águias” o terceiro lugar, com 54 pontos.

 

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Na primeira volta, o SL Benfica derrotou o FC Paços de Ferreira por 2-1. Para a equipa lisboeta marcaram Rafa e Waldschmidt. Reabciuk apontou o tento da equipa nortenha.
  2. O FC Paços de Ferreira vem de uma derrota por 2-0 frente ao FC Famalicão e o SL Benfica de uma vitória por 1-0 frente ao CS Marítimo.
  3. Na presente época, os “castores” contam com 13 vitórias, cinco empates e sete derrotas. As “águias” somam 16 vitórias, seis empates e três derrotas.
  4. O FC Paços de Ferreira tem menos dez golos marcados (43) do que o SL Benfica (53) e tem mais oito golos sofridos (25) dos que os encarnados (17).
  5. O SL Benfica já não sofre golos há seis jogos, tendo a segunda melhor defesa da Primeira Liga (17 golos sofridos), sendo apenas ultrapassado pelo Sporting CP.
  6. O FC Paços de Ferreira não sofre mais do que um golo em casa há nove jogos consecutivos.
  7. As “águias” venceram nas duas últimas deslocações ao terreno dos “castores”.
  8. Para este jogo, Pepa não pode contar com o melhor marcador da equipa, Douglas Tanque, que viu o vermelho direto no jogo contra o FC Famalicão.
  9. A nível individual é preciso destacar Luther Singh, segundo melhor marcador da equipa dos “castores”, que até ao momento conta com cinco golos. Do lado das “águias” o destaque vai para Seferovic, que ocupa o segundo lugar na lista de melhores marcadores da presente época, tendo faturado 14 vezes.

10. De notar que a equipa dirigida por Pepa já não perde em casa desde a segunda jornada.

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Luther Singh (FC Paços de Ferreira) – O extremo direito sul-africano é aposta recorrente para a equipa de Pepa e este jogo não deve ser exceção, uma vez que já cumpriu o jogo de castigo frente ao FC Famalicão. O jogador de 23 anos participou em 30% dos golos da equipa e já conta com cinco golos em 23 jogos, somando também cinco assistências. Depois da expulsão de Douglas Tanque, as atenções da defesa da equipa encarnada devem centrar-se em Luther Singh.

 

Helton Leite tem mantido a baliza do SL Benfica a zeros.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Helton Leite (SL Benfica) – É raro um guarda-redes ser considerado o homem do jogo, passando muitas vezes despercebido. A verdade é que com Helton Leite isso não acontece. Ultimamente tem sido aposta indiscutível para Jorge Jesus e, nesta época, analisando todas as competições, já soma 1530 minutos. Está há seis jogos consecutivos sem sofrer golos e é uma peça fundamental para o bom desempenho da defesa encarnada. Se avançados como Seferovic são uma dor de cabeça para o adversário, Helton Leite não fica atrás. A equipa de Pepa tem pela frente uma tarefa difícil – “derrotar” este guarda-redes.

 

XI’S PROVÁVEIS

FC Paços de Ferreira: Jordi, F. Fonseca, Marcelo, Maracás, Rebocho, Hélder Ferreira, Eustáquio, B. Costa, Castanheira, L. Carlos e Luther Singh.

Treinador: Pepa

“Não só em termos de resultados, mas também de oportunidades criadas, o Benfica está melhor. Às vezes, vencer só por 1-0 não significa muito. Esse rendimento muito alto do Benfica faz com que seja um jogo muito difícil. Sabemos que em alguns momentos vamos ser empurrados para trás. Mas a superação é a nossa essência, só assim podemos roçar a perfeição para vencer amanhã o jogo”.

 

SL Benfica: Helton Leite, Lucas Veríssimo, Otamendi, Diogo Gonçalves, Grimaldo, Weigl, Taarabt, Rafa, Everton, Waldschmidt e Seferovic.

Treinador: Jorge Jesus

“Há dados factuais sobre a capacidade da equipa do Paços e a época que está a fazer. Ainda mais no seu estádio, onde só perdeu com o Sporting. Vamos ter momentos difíceis porque o adversário vai dificultar, mas o Benfica está preparado para isso, tem qualidades e possibilidades de sair com mais uma vitória, que é o que queremos. Estamos confiantes e motivados”.

PREVISÃO DE RESULTADO: FC Paços de Ferreira 0- 2 SL Benfica

Real Madrid CF x FC Barcelona: “El Clásico” no ataque à “pole position”

Liga Espanhola, Jornada 30: sábado, 20h00, 10 de abril 2021

ANTEVISÃO: OLHOS NO TOPO COM O QUARTO “À PERNA”

O “El Clásico” deste fim de semana pode complicar as contas no ataque ao título e colocar até o pódio em risco. Sem derrotas nos últimos 12 jogos, em todas as competições, o Real Madrid CF entra este sábado em campo com menos três pontos que o Club Atlético de Madrid, primeiro classificado, e mais cinco pontos que o Sevilla FC, quarto classificado.

DUELO DE TITÃS NA PROCURA DE FICAR NA FRENTE DO LA LIGA. QUEM VAI VENCER E FICAR COM A LIDERANÇA PROVISÓRIA? JÁ SABES QUE PODES APOSTAR EM BET.PT!

Por sua vez, o FC Barcelona, que vem de nove jogos sem perder, em todas as competições, está a um ponto do líder, e com mais sete que a formação sevilhana. Entre “Merengues” e “Blaugranas” são dois pontos de distância. A formação madrilena chega a este embate depois do compromisso a meio da semana para a Liga dos Campeões, e com algumas baixas no plantel, especialmente na defesa.

 

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Nos 14 jogos em casa, para a Liga Espanhola, o Real Madrid CF leva dez vitórias, um empate e três derrotas.
  2. Nos 14 jogos como visitante, para a Liga Espanhola, o FC Barcelona tem dez vitórias, um empate e três derrotas.
  3. Na condição de visitado para o principal escalão de futebol espanhol, os Merengues têm em média 1,74 golos marcados e 0,64 sofridos.
  4. O FC Barcelona tem 2,21 golos marcados e 0,71 sofridos em média, por jogo, a jogar fora de portas na Liga Espanhola.
  5. O Real Madrid CF não perde há nove jogos na Liga Espanhola
  6. Os Blaugranas vêm de 19 jogos consecutivos sem perder para a Liga Espanhola
  7. O Real Madrid CF marca há 11 jogos consecutivos no campeonato.
  8. O FC Barcelona vem de 21 jogos a marcar no principal escalão espanhol.
  9. Nos últimos cinco embates entre as duas equipas, duas vitórias para cada uma das formações e um empate
  10. Nos últimos dez encontros entre as duas formações há em média 2,7 golos por jogo

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Casemiro (Real Madrid CF) – Casemiro é um “todo terreno” no XI do Real Madrid CF e muito importante na manobra defensiva e ofensiva. Muito forte no desarme, Casemiro também parece ter uma tendência para não perder frente aos “Blaugranas”. Em 15 partidas em que participou frente ao FC Barcelona, Casemiro venceu seis (40%), empatou quatro (26,7%) e perdeu cinco (33,3%). Nada mau.

 

Ousmane Dembélé (FC Barcelona) – Dois golos nos últimos dois jogos, e Dembélé parece estar numa fase crescente da época. O francês leva dez tentos esta temporada, e vai ser um perigo para a baliza dos Merengues. Além disso, o atacante tem um registo digno frente ao Real Madrid CF. Em seis partidas frente aos madrilenos, Dembélé leva três vitórias (50%), dois empates (33,3%) e apenas uma derrota (16,7%).

 

XI’S PROVÁVEIS

Real Madrid CF: Courtois, Mendy, Nacho, Militão, Lucas Vázquez, Casemiro, Kroos, Modric, Vinícius, Benzema e Asensio.

Treinador: Zidane: “São três pontos, iguais aos de Cádiz e Eibar. É verdade que o impacto não é o mesmo, mas são três pontos”.

FC Barcelona: Stegen, Dest, Piqué, Lenglet, Alba, Busquets, Frenkie de Jong, Pedri, Messi, Dembélé e Griezmann

Treinador: Koeman: “Ambas as equipes sabem a importância de vencer”.

 

PREVISÃO DE RESULTADO: Real Madrid CF 1-2 FC Barcelona

SmackDown WrestleMania: Vencedor inédito na Memorial Battle Royal

0

Realizou-se esta sexta-feira mais uma edição do SmackDown, desta feita com dois combates que seriam realizados na WrestleMania, mas que aconteceram mesmo no show semanal da brand azul. Os dois combates principais foram um Fatal 4-Way Tag Team Match pelos SmackDown Tag Team Championships e a sempre prestigiosa Andre The Giant Memorial Battle Royal, que aconteceu pela primeira vez fora do principal evento da WWE, a WrestleMania.

DOLPH ZIGGLER E ROBERT ROODE DERROTARAM STREET PROFITS (ANGELO DAWKINS & MONTEZ FORD), ALPHA ACADEMY (CHAD GABLE & OTIS) E REY MYSTERIO & DOMINIK

Neste combate Fatal 4-Way, os atuais campeões de Tag Team do SmackDown defenderam com sucesso os seus títulos. O combate foi sempre bastante intenso, com bastante equilíbrio e nenhuma equipa a dominar, mas no fim prevaleceram os detentores dos títulos.

JEY USO VENCEU A ANDRE THE GIANT MEMORIAL BATTLE ROYAL

No evento principal da noite, Jey Uso quebrou a série de derrotas que já durava há alguns meses e conseguiu eliminar por último Shinsuke Nakamura, mesmo depois do japonês lhe ter aplicado o Kinshasa. No final do combate, Roman Reigns e Paul Heyman foram até ao ringue cumprimentar Jey pela vitória.

Foto de Capa: WWE

Podcast Frente a Frente Bola na Rede #1 – Diogo Jota vs. André Silva

0

É dia de estreia do novo podcast do Bola na Rede! No Frente a Frente colocamos dois desportistas em confronto e, neste programa inaugural, temos Diogo Jota contra André Silva. Qual é que escolhias? Neste programa temos a moderação do João Filipe Brandão e os comentários de Alexandre Matos e Romão Rodrigues. Vem daí! 🎙️

Se queres no que deu, então ouve o novo Podcast BnR.

Podes ouvi-lo no Spotify, Anchor, Breaker, Google Podcasts, Apple Podcasts, Overcast, Pocket Casts e Radio Public.

Uma seleção pouco natural | Portugal

O apuramento para o Mundial do Catar em 2022 arrancou no passado mês de março e a seleção portuguesa partiu como favorita no grupo A, ao lado de Sérvia, Luxemburgo, Azerbaijão e República da Irlanda.

Os mais ambiciosos até pediam oito vitórias em outras tantas jornadas, mas nem os mais pessimistas esperavam o desempenho na tripla jornada no final de março. Apesar do primeiro lugar do grupo, em igualdade pontual com os sérvios, as exibições ficaram bastante aquém do plantel à disposição – e dos que ficaram de fora.

A vitória pela margem mínima (1-0) diante dos azeri apareceu através de um autogolo de Maksim Medvedev e fez soar os alarmes; era preciso apresentar muito mais se o objetivo era o apuramento.

A segunda jornada corria de feição ao intervalo, fruto de uma seleção sérvia estranhamente apática e de um Diogo Jota a provar que merece a titularidade na equipa nacional. Contudo, a seleção da península Balcânica acordou no segundo tempo e com maior assertividade e pressão revelou as inúmeras fraquezas de uma seleção portuguesa frágil.

Enquanto se perderam horas a discutir o golo que não foi validado a Ronaldo, e que daria a vitória, não se discutiu o fraco jogo português, a facilidade com que se encaixou o empate ou a sorte que Portugal teve em não sair de Belgrado com a derrota.

Uma vez mais, pouco ou nada se aprendeu com as dificuldades dos jogos anteriores e a partida contra o Luxemburgo serviu, uma vez mais, para a “grande potência” se passear em países de menor relevância futebolística. Os comentários na transmissão televisiva davam conta disso mesmo – de uma superioridade ridícula em relação ao adversário.

Ridícula porque dentro de campo isso não era evidente e o futebol praticado ia de mal a pior. Só alguém muito desatento conseguiu ficar surpreendido com a merecida vantagem que os atletas visitados alcançaram ao minuto 30.

O susto foi revertido e a vitória por dois golos de diferença (1-3) colocou Portugal na liderança do grupo e trouxe uma falsa sensação de dever cumprido nesta pausa para compromissos internacionais.

A hora agora é de reflexão e exige-se que esta seja profunda. É hora de questionar um pouco de tudo, ou o caminho far-se-á de forma descendente. Desde logo, a convocatória. A chamada de Nuno Mendes é merecida e lógica, mas retirar o atleta da fase final do europeu sub-21, disputado ao mesmo tempo, significaria uma aposta séria na seleção principal.

Na primeira jornada atuou os 90 minutos, mas na segunda foi relegado para o banco de suplentes. Acabou por entrar aos 72 minutos, mas não se percebe a troca com Cédric. Mais incompreensível do que isto só mesmo o facto de Cédric ser ainda aposta numa seleção com tanta oferta nas laterais. O erro foi naturalmente reposto na terceira jornada e Nuno Mendes alinhou os 90 minutos no Luxemburgo.

Além de Cédric, há outros casos de aparente titularidade/convocatória asseguradas e que carecem de forte explicação. Com Ronaldo à cabeça. Tenho sérias dificuldades em montar o onze nacional e deixar de fora Bernardo Silva, André Silva, Bruno Fernandes, João Félix ou Diogo Jota. Ronaldo, no entanto, parece-me óbvio que a sua transferência para uma linha de segundas escolhas já peca por tardia.


Em nenhum momento se coloca em causa o que já foi feito pelos atletas, mas sim o que se quer do futuro da selação nacional. Vamos ficar eternamente a alinhar de início jogadores pelo tanto que nos deram no passado? Se assim fosse, Quaresma não teria desaparecido das convocatórias…

Félix é um talento geracional, inegável e que sai prejudicado pelo contexto do clube para onde se transferiu, mas a qualidade está lá e ninguém o pode esconder. Jota deslumbrou Klopp e vai assinando exibições vistosas, antes e pós-lesão. André Silva é só o segundo melhor marcador da liga alemã, com 22 golos, atrás de Lewandowski. No entanto, na seleção, alinhou em apenas 75 dos 270 minutos das três jornadas de apuramento para o Mundial do Catar.

Tendo em conta que há ainda Pedro Neto e Trincão à perna, fica para mim impossível encaixar Ronaldo no onze inicial. Como “CR7” já fez a Raúl González no Real Madrid CF ou a Simão e Rui Costa na seleção, há páginas a virar e em nenhum momento se colocou em causa o valor de quem deu palco às novas gerações.

Não é por acaso que as duas equipas que estão construídas à volta do português – Juventus FC e seleção portuguesa – passam por uma fase crítica de resultados e exibições. Nunca deu grande resultado apoiar o futebol de um coletivo numa individualidade.

Acima de tudo, o que os últimos jogos da seleção portuguesa demonstraram foi uma urgência em operar renovações. No onze, na convocatória, nas escolhas. E até no cargo de treinador principal.

Para sempre vamos dever a Fernando Santos a maior conquista do futebol sénior português de seleções, mas o conjunto de fatores irrepetíveis que nos levou de empate em empate à vitória final é algo ainda por explicar.

Se não o tivesse vivido diria que todo o europeu de 2016 era uma simulação utópica e impossível. Mas tal como Ronaldo, parece-me que chegou a vez de Fernando Santos terminar o seu ciclo como selecionador nacional.

Scolari levou-nos a uma final e não era amado por todos. Sofremos com alguns dos seus substituitos, mas a vida seguiu. Apesar de tudo, prefiro correr o risco de trocar de selecionador e errar do que desperdiçar provavelmente a melhor geração de jogadores portugueses de sempre num estilo de jogo ultrapassado, monótono e nada adequado à qualidade que evidenciam semana após semana nos melhores campeonatos europeus.

Portugal 0-1 Rússia: Vantagem russa com decisão no Leste Europeu

A CRÓNICA: LANCE INFELIZ MANCHOU UMA BOA EXIBIÇÃO (DA 1.ª PARTE)

Foi com vista para o mar que Portugal voltou a encarar os compromissos internacionais, nomeadamente o play-off para o Campeonato da Europa de 2022. De um lado, certamente, Camões estava espiritualmente presente para que pudesse ajudar no início da história para as portuguesas se qualificarem para o segundo europeu consecutivo. Mas, do outro, estava a nação de Tolstói e com também uma escrita poderosa queria, pelo menos, começar a descrição de Lisboa para terminar em grande em Moscovo… Enfim, literatura à parte. O importante era uma vista assim para o Tejo inspira-se o nosso escritor para o início de mais uma epopeia.

O nome Elvira Todua foi uma das grandes novidades no onze russo e já que o tema saúde lembrei-me da minha antiga médica de família. Infelizmente, nem a guarda-redes russa nem a doutora trazem boas notícias. Porque digo isto? Quando vamos ao médico alguma coisa, normalmente, está errada e, por isso, informa-me do que está errado e neste jogo a russa parecia uma autêntica parede. Que o diga Tatiana Pinto, pois, a jogadora portuguesa ia fazendo um autêntico chapéu à minha médica de família (ups…).

A qualificação russa espantou por só ter perdido frente às atuais campeãs europeias, a seleção holandesa, e sem grandes dados pensou-se talvez o pior. Contudo, as russas iam mostrando dificuldades em conseguir estar no último terço do campo e nem Korovkina ou Fedorova conseguiam assustar Patrícia Morais. Por isso, no final dos 45 minutos a parede russa impedia Portugal de estar na frente e isto combinado com a desinspiração da Rússia dava o nulo, que foi o resultado ao intervalo.

O descanso parece ter feito mal às portuguesas que apareceram de cabeça meio no ar com tudo o que se passava em campo. Aos seis minutos da segunda parte, Nelli Korovkina marcou, provavelmente, o golo mais fácil da sua carreira. Numa altura que Portugal até estava por cima, um balão veio do lado esquerdo, tocou na barra e com a defesa completamente sem saber o que fazer apareceu a russa para marcar o 0-1. A mesma ainda introduziu a bola na baliza uma segunda vez, aos 65 minutos, mas acabou por ser anulado.

Portugal bem tentou empatar o jogo, mas as jogadoras nunca mais conseguiram criar o perigo que tinha existido na primeira parte. O resultado não mais mexeu depois do golo da melhor marcadora russa nesta qualificação. As portuguesas vão assim em desvantagem para a Rússia e com uma tarefa um pouco complicada, mas sabendo que pode dar conta do resultado. Esperemos que Camões faça uma pequena viagem até à gelada Rússia para nos ajudar com este “pequeno Cabo das Tormentas” que se terá de ultrapassar.

 

A FIGURA

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Cláudia Neto – Foi uma das mais inconformadas por parte da seleção portuguesa e a par de Francisca Nazareth foi o grande destaque desta partida. Não é por acaso que é a capitã e uma das mais experientes. A segunda parte já se denotava o grande cansaço físico existente na número sete portuguesa por ter chamado tanto o jogo para si. Com a alteração tática nos minutos finais acabou por não ajudar a que estivesse mais em jogo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

O lance do golo – Um lance que não devia ter acontecido de todo e que ninguém na defesa portuguesa está isenta de culpas. Apesar da grande exibição na partida, Patrícia Morais podia e devia ter feito muito melhor e a própria defesa portuguesa também ficou “aos papéis” como se costuma dizer. O início da jogada também se deve ao grande problema que a equipa portuguesa teve em equilibrar o meio campo e de conter as transições ofensivas russas.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Francisco Neto com baixas muito importantes devido às restrições das viagens para Portugal devido à pandemia de COVID-19, optou por continuar no 4-4-2 losango que também foi bastante utilizado pela seleção nos últimos jogos de qualificação. O selecionador nacional não promoveu grandes novidades para o onze sem serem aquelas que foram forçadas, como a Francisca Nazareth e a Carolina Mendes.

Dolores Silva continuava no vértice mais recuado do losango no meio campo, Tatiana Pinto e Cláudia Neto ficavam com o lado direito e esquerdo, respetivamente, enquanto Andreia Norton ficava a apoiar as duas avançadas e também a ajudar na pressão à primeira linha de construção.

Portugal procurava muito construir a partir do corredor esquerdo, principalmente com combinações entre Cláudia Neto e Francisca Nazareth, devido à grande facilidade de Joana Marchão. Porém, ia mostrando grandes dificuldades pelo lado direito, pois, Tatiana Pinto ficava muito a meio campo, tendo depois de Ana Borges ficar encarregada de todo o corredor.

A perder por 0-1, a seleção portuguesa ficou num 4-3-3 com Andreia Jacinto, Dolores Silva e Cláudia Neto a meio campo e com uma frente de ataque completamente nova com Ana Dias, Ana Capeta e Telma Encarnação.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Patrícia Morais (5)

Ana Borges (5)

Carole Costa (5)

Sílvia Rebelo (5)

Joana Marchão (6)

Cláudia Neto (7)

Dolores Silva (5)

Tatiana Pinto (4)

Andreia Norton (5)

Carolina Mendes (4)

Francisca Nazareth (7)

SUBS UTILIZADAS

Ana Capeta (5)

Telma Encarnação (6)

Andreia Jacinto (5)

Ana Dias (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RÚSSIA

As russas vieram a um dos extremos da Europa para se apresentarem num 4-2-3-1, esquema que foi habitualmente promovido pela selecionadora Elena Fomina durante grande parte da fase de qualificação. A grande dúvida para este encontro era saber se Yuri Krasnozhan iria ter o mesmo pensamento tático do que a antiga selecionadora ou se mostrava algumas alterações táticas. Contudo, deixou-se ficar pelos moldes antigos.

Contudo, houve algumas mudanças no onze inicial em relação àquilo que foi o último encontro de qualificação frente à Turquia. Desde logo, a surpresa de deixar a (quase) titularíssima Shcherbak no banco e apostar em Elvira Todua. Ekaterina Pantyukhina foi também outra das entradas para este play-off e voltou a perigosíssima Nelli Korovkina, a goleadora russa de serviço neste apuramento.

As russas quando estavam em missão defensiva acabavam por se posicionar num 4-4-2 com Kozlova a ficar como média defensiva e mais à frente Samoylova. Ainda assim, mostravam-se bastante permeáveis visto que acabavam sempre por descair onde estavam a bola e Portugal aproveitava para conseguir abrir para o lado contrário. O processo ofensivo russo passava muito por Maria Fedorova e pela tentativa de sair em contra-ataque rápido.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Elvira Todua (7)

Alsua Abdullina (5)

Anna Kozhnikova (5)

Anna Belomyttseva (5)

Kistina Mashkova (5)

Viktoriya Kozlova (6)

Elina Samoylova (5)

Ekaterina Pantyukhina (5)

Nadezhda Smirnova (5)

Marina Fedorova (7)

Nelli Korovkina (7)

SUBS UTILIZADAS

Yana Sheina (5)

Veronika Kuropatkina (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: Apesar de o meio campo ter estado muito bem na primeira parte, a seleção mostrou alguma dificuldade em estar equilibrado nesta zona do campo, sobretudo a nível defensivo e na segunda parte quando a Rússia saia em ataque rápido. Sente que foi por aqui que pode ter estado o sucesso da vitória da Rússia?

Francisco Neto: Acho que foi uma partida onde há duas partes distintas. A primeira parte, e até sofrermos aos 51 minutos o golo, porque voltámos a entrar bem na segunda parte. Nós ficamos intranquilos e a equipa ficou muito estendida ao longo do campo e, depois, a Rússia em contra ataque rápido conseguia ser muito perigosa. Na segunda parte, tivemos uma grande dificuldade em pegar no jogo e de crescer no mesmo. Ainda fizemos uma alteração, mais ou menos aos 70 minutos, para conseguir equilibrar as coisas e ainda tivemos algumas situações com a Telma Encarnação, mas não marcámos. A primeira parte tivemos um numero de oportunidades que a este nível precisamos de marcar concretizar, infelizmente não aconteceu e o resultado é este [a derrota com por 0-1].

Buffon, és grande, mas não obrigado! | FC Porto

Nestas últimas semanas a imprensa italiana tem vindo a noticiar uma possível saída de Gianluigi Buffon da Juventus e apontam o FC Porto como um dos clubes atentos à situação do jogador.

O veterano de 43 anos continua em grande forma entre os postes e com vontade de jogar com regularidade, mas sente-se tapado na vecchia signora pelo habitual titular, o polaco Szczesny.

O mundo do futebol reconhece a qualidade de “Gigi” Buffon, foram várias as vezes que foi considerado o melhor guarda redes do mundo e vai ficar sempre na história como um dos melhores na sua posição.

Contudo, os Dragões estão, atualmente, muito bem servidos nesse setor do campo. Agustín Marchesín, o atual titular, exibe o seu melhor futebol e com 33 anos, se não for vendido e mantiver a forma, consegue pelo menos mais três épocas ao mais alto nível. Para além do argentino, o FC Porto tem como segundo guarda-redes Diogo Costa. O português é visto como uma das maiores promessas das balizas e até ao momento tem provado que está à altura de qualquer desafio que lhe coloquem, veja-se como exemplo as suas últimas exibições pela seleção de sub-21 onde não sofreu qualquer golo nos três jogos da fase de grupos.

Por toda a sua carreira e invejável palmarés, o internacional italiano seria sempre visto como uma grande contratação, por mais não seja pela experiência que ia trazer ao balneário, a legião de fãs que começaria a apoiar o clube e pela eventual receita que o clube poderia lucrar com as vendas das suas camisolas. Temos um exemplo relativamente recente chamado Iker Casillas, um dos melhores guardiões da história do futebol que veio parar à Invicta proveniente do Real Madrid. A única diferença é que chegou com 36 anos, para ser titular e sem grande concorrência na baliza.

Buffon procura um clube para jogar com regularidade e não seria justo abdicar dos atuais guarda-redes do FC Porto, que estão em fases muito boas das suas carreiras, por um de 43 anos.

O estado atual do Ténis norte-americano: Um problema de sucessão?

0

O Ténis, à semelhança de outras modalidades, comporta várias eras e muitas mudanças nos países que as dominam. Pois bem, outrora uma das principais potências deste fantástico desporto, os EUA, pátria de grandes campeões como Pete Sampras ou Andre Agassi, finais de anos 1990, inícios de 2000; ou do lado feminino nomes como as míticas irmãs Williams, ainda em atividade ou Lindsay Davenport, antiga vencedora também de provas do Grand Slam, bem como antiga número um mundial.

Isto, apenas para nos concentrarmos em exemplos mais recentes no Ténis, que parecem agora enfrentar alguns problemas de sucessão principalmente no circuito ATP, apesar de no que diz respeito às senhoras, não haverem jovens prodígios em catadupa como aconteceu nas décadas de 80 e 90.

É preciso esclarecer que este gigante é o país que concentra maior número de atletas federados de Ténis, segundo dados recentes, nos EUA estão registados mais de vinte milhões de praticantes, pelo que neste artigo de opinião não poderei afirmar que se tem verificado propriamente um desinvestimento, mas sim, não nos podemos esquecer que o ténis é cada vez mais praticado um pouco por todo o mundo. Exemplo disso é o caso do Japão, que atualmente conta do lado dos rapazes com três tenistas no Top 100, algo que há cerca de uma década seria impensável.

Com o crescimento de alguns países nos quais a modalidade carecia de algum aperfeiçoamento, bem como de algum investimento sobretudo fomentando uma maior e mais concreta competição entre desportistas dessas paragens. Veja-se o caso chinês que organiza seis torneios com a WTA e três provas que integram o circuito ATP para compreender que isto apesar de ser um facto estranho, face a outras modalidades como o basquetebol, onde esta nação é dona e senhora arrecadando praticamente todas as edições de grandes competições, neste desporto têm vindo a perder o ascendente que já tiveram.

Vamos a factos: os EUA, que não há tanto tempo assim, contavam com pelo menos um ou por vezes mais membros no Top 10 da hierarquia individual masculina, como na altura em que jogavam por variadíssimas vezes entre si as mais importantes finais, agora vêm o melhor nesta classificação ser o muito jovem, na minha opinião, ainda longe de poder sequer sonhar em devolver a glória à sua pátria, dado ser bastante irregular e com um tipo de jogo claramente talhado para superfícies mais rápidas como os hard courts ou a relva, Taylor Fritz, de apenas 23 anos que na presente semana ocupa o posto número 30 do ranking individual masculino.

Uma das mais fracas prestações de sempre dos praticantes de ténis norte-americanos, com exceção dos canadianos, visto que a nação organizadora do US Open se encontra em “queda livre”, após e já no começo da presente temporada ver, pela primeira ocasião desde 2010, ficar órfã de representantes nos 20 primeiros da referida classificação.

Afinal quem podem ser os jovens a quebrar o paradigma?

Uma vez que Fritz não me parece ter “pedalada” para aguentar muito tempo em postos de destaque no ranking individual e com John Isner atualmente número 38 da tabela ATP, já a ver o final da carreira bastante próximo, uma vez bem entrado nos trinta, creio que o único capaz de aos dias de hoje poder num futuro próximo voltar a recolocar este país no “trilho” das grandes conquistas ser, se as lesões não o apoquentarem, Sebastian Korda.

No início da presente época fora dos 150 primeiros, começou a aplicar o adágio popular: “filho de peixe sabe nadar” ou neste caso filho de tenista sabe jogar! Logo no começo da mesma, prescindindo de disputar a fase de qualificação no Open da Austrália, primeiro Grand Slam da temporada, em prol de defender as «chances» no torneio da categoria ATP 250 disputado em solo pátrio em Delray Beach. Aí apresentando uma qualidade de jogo bem superior ao que o ranking indicava, fazendo jus ao seu apelido, dado que seu pai Petr havia sido vencedor do maior torneio realizado em solo australiano corria o ano de 1998. Sebastian Korda, de somente 20 anos e vencedor do mesmo torneio que seu pai duas décadas antes, com este a ser conseguido na categoria de juniores, assinando um grande e surpreendente trajeto, para muitos, que apenas parou no encontro decisivo às custas de Hubert Hurkacz, polaco que ocupa atualmente o 16.º posto da já referida tabela ATP.

Refira-se ainda que no decurso deste encontro, Sebastian deu bastante luta, principalmente no primeiro parcial, antes de ver uma lesão impedi-lo de oferecer uma ainda maior réplica nessa disputa.

Nos quartos de final recentemente em Miami, prova de categoria Masters 1000, série de provas mais importantes após os Grand Slams, apenas derrotado sem grandes hipóteses perante Andrey Rublev, russo número oito mundial, provam que se nenhum infortúnio lhe bater à porta será o grande porta-estandartes da bandeira norte-americana nos anos imediatos.

Quanto aos demais tenistas masculinos do país, não os vejo a breve trecho serem capazes de se baterem de igual para igual nos maiores eventos com os atletas de topo. Defendendo a tese de que talvez tenha havido alguma falta de aposta na formação de tenistas capazes de ombrear com os melhores, isto apesar do número de praticantes aumentar a cada ano que passa e das condições, quer económicas quer geográficas, serem propícias ao desenvolvimento deste desporto.

Em contraponto, olhando de forma sumária para a vertente feminina, parece-me que essa questão já não será um problema tão visível. Apesar de que as irmãs Williams, grandes dominadoras do circuito nos últimos 20 anos, sempre que estiveram saudáveis, ao mais alto nível verem “o fim” cada vez mais próximo, com a sucessão ao que parece já assegurada, pois Sofia Kenin, atual número quatro Mundial na última atualização do ranking individual feminino, ter já, apesar dos seus apenas 22 anos, levado para casa um título do Grande Slam, conquista essa que data de 2020 na competição realizada nos antípodas australianos.

Nomes como Jennifer Brady, em claro crescimento aos 25 anos, sendo atualmente a segunda melhor norte-americana no ranking WTA quedando-se pela 14.ª posição, Sloane Stephens, mais experiente, Madison Keys, que urge em confirmar as credenciais que lhe eram apontadas ou a “menina prodígio” do ténis dos EUA, de seu nome Cori Gauff, parecem ter condições para conferirem alegrias à sua nação com as manas Williams a poderem assistir à herança por estas cultivada. Agora veremos se estes prognósticos se confirmam, bem como se no entretanto podem surgir novos nomes que reforcem as minhas convicções, ou, se pelo contrário, as mesmas serão contrariadas!

Até lá já sabe, fique na boa companhia do BNR, conferindo tudo o que de mais importante se passa no mundo do desporto. Aqui todos têm voz!

Foto de Capa: Davis Cup

Olheiro BnR | Tomás Araújo, o agente CIA (Central Inteligente e Astuto)

Apesar da má fama e do parco proveito no que respeita ao lançamento de jovens jogadores da formação, consta que Jorge Jesus tem apreciado o talento e o trabalho de Tomás Araújo. As participações do central de 18 anos nos treinos do plantel principal têm-se tornado mais frequentes, apesar de ser altamente improvável que o jovem famalicense se estreie na equipa A na corrente época.

Com Otamendi e Lucas Veríssimo como os centrais pela direita que JJ tem à sua disposição, será quase impossível que o técnico português se enamore o suficiente pelo “72” do SL Benfica B para apostar verdadeiramente nele. Araújo – um dos muitos da formação do Seixal – tem, no entanto e por certo, um futuro demasiado promissor para ser travado pela ausência de aposta nos jovens encarnados.

O defesa de 1,87m prima pela técnica acima da média para a posição, não estando, todavia, despojado dos fundamentos mais básicos que devem assistir qualquer central, mostrando-se competente no um para um defensivo, no jogo aéreo – sobretudo quando consegue antecipar-se e evitar a disputa mano a mano pelo ar – e na conquista da bola pelo uso do corpo, ainda que, pelos seus 81Kg, utilize mais a sua inteligência posicional do que o físico.

É precisamente a inteligência que mais valoriza Tomás Araújo. Apesar da tenra idade, parece conhecer o jogo como se de um jogador experiente se tratasse, errando pouco e, geralmente, sem gravidade. Defensivamente, a ausência de erros graves deve-se muito à sua postura exemplar, profissional e madura em campo, sendo um central que prefere não arriscar.

Araújo controla muito bem o espaço nas suas costas e usa a sua leitura de jogo para fazer as necessárias compensações e dobras, estando a sua parceria com Morato cada vez mais aprimorada também graças a isso. De resto, os centrais português e brasileiro, que têm sido aposta sólida de Nélson Veríssimo, complementam-se bem e não entram em choque, apesar de serem ambos líderes dentro de campo.

Tomás, contudo, apresenta uma liderança menos vocal, preferindo liderar pelo exemplo e pela manutenção de uma tranquilidade anormal para um jovem que defronta, jornada após jornada, adversários com literalmente o dobro da sua idade.

Na saída de bola, não tem medo de arriscar, fazendo usufruto da sua muita qualidade de passe, possibilitando à equipa saltar linhas ou cruzar setores com apenas um toque na bola. Nas subidas à área adversária, ajuda a criar perigo nos lances aéreos, mas mostra-se pouco prolífico, tendo apenas um tento apontado na corrente época.

Se o seu ritmo de crescimento se mantiver, o Sport Lisboa e Benfica terá em Tomás Araújo uma opção central bastante válida, dentro de um par de anos.

Cuidado com esse pragmatismo excessivo, senhor Amorim! | Sporting CP

0

Primeiramente, não quero parecer ingrato, porque o trabalho de Rúben Amorim ao leme do Sporting CP tem sido extraordinário até aqui. No entanto, e como treina um grande clube e que tem de ser sempre exigente ao máximo, existem algumas coisas em que se pode melhorar. Somos todos treinadores de bancada e gostamos de dar as nossas sugestões, porém creio que críticas construtivas serão sempre bem-vindas, desde que bem colocadas e fundamentadas.

Ora, neste momento, o Sporting CP é líder isolado do campeonato, agora com oito pontos de vantagem em relação ao segundo classificado FC Porto, depois do empate na última jornada diante do Moreirense FC, que veio escancarar as dificuldades que a turma leonina já tinha apresentado nos últimos jogos, mas que os golos nos últimos minutos haviam “escondido”.

Apesar da caminhada histórica a nível pontual, a realidade é que o futebol apresentado pela equipa de Rúben Amorim – apesar de eficaz – está longe de encantar os adeptos como aconteceu na época 2015/16, ao leme de Jorge Jesus, temporada em que acabamos por não ganhar nada. Muitos golos já ao cair do pano, com alguma sorte, que também requerem trabalho, mas que não irá acontecer em todos os jogos. Não se trata de uma reclamação, mas sim de um alerta.

Em Moreira de Cónegos, acabou por acontecer o que já estava para acontecer há algum tempo. Com o jogo na mão, Amorim decidiu não arriscar e tentar resolver definitivamente o jogo, tal como acontecera frente ao Vitória SC, em Alvalade, em que acabou o jogo a defender o resultado. Também em casa, contra o CD Santa Clara, os leões abrandaram e sofreram o golo do empate já nos últimos minutos, mas o tento salvador de Coates acabou por resolver a questão.

Para se ter uma ideia, o Sporting CP não marca mais de dois golos num único jogo da Primeira Liga desde sete de novembro, quando goleou o Vitória SC (0-4) no D. Afonso Henriques. Daí em diante, registam-se vários triunfos pela margem mínima, alguns com um sofrimento desnecessário. Este pragmatismo excessivo não pode ser uma constante, podendo prejudicar a equipa no futuro.

Mais recentemente, Jovane Cabral, que é um dos principais agitadores do Sporting CP, marcando golos e dando assistências sempre que entra em campo, deixou de ser opção para Amorim. É muitas vezes preterido quando é necessário marcar ou arriscar para resolver o jogo. Porque é que Jovane tem jogado tão pouco, ainda para mais tendo em conta a ausência de Paulinho no último mês? É uma pergunta que os sportinguistas gostariam de ver respondida.

Jovane Cabral não tem sido aposta de Rúben Amorim
Carlos Silva / Bola na Rede

No último jogo, estavam no banco três jogadores que durante a época já marcaram 15 golos e assistiram 13 vezes: o cabo-verdiano, Nuno Santos e Tabata. Todos aqueceram, mas nenhum entrou e quem não arrisca marcar, arrisca-se a sofrer. A “estrelinha” pode não durar para sempre e o último jogo deixou isso claro. Bem sabemos que oito pontos para o Sporting CP não significam uma vantagem confortável e que os rivais neste momento já não têm nada a perder.

São já dezanove anos, longuíssimos dezanove anos que têm de ter um fim já em maio. Para isso acontecer, Rúben Amorim terá de repensar a sua estratégia, que nos levou até aqui, mas que tem de nos levar até ao fim.