Em 2020, João Almeida vestiu de rosa em Itália durante 15 dias e deixou o público português em êxtase. A concentração mediática de que foi alvo e a enorme onda de apoio foram denominadores explicáveis do feito do jovem natural das Caldas da Rainha, que terminou a edição do passado Giro D’Italia na quarta posição, aumentando a fasquia dentro daquilo que é o livro de recordes nacionais na competição transalpina.
Foi a primeira grande volta do ciclista luso. Com apenas 22 anos, sim, com um pouco mais de duas décadas de vida, a prestação deste destemido atleta revolucionou o panorama do ciclismo nacional de diversas maneiras. A mencionar, talvez do ponto de vista do adepto, que, em larga escala, voltou a vibrar com a modalidade de formas que apenas podemos comparar a um passado bem longínquo, ou com o facto de Portugal ter agora um ciclista capaz de lutar por classificações gerais de provas de três semanas, adaptando-se também a competições de uma semana ou clássicas acidentadas, à imagem de Rui Costa.
João Almeida é já para muitos uma certeza dentro do World Tour. Prematura ou não, esta afirmação será sempre alvo de uma discussão natural. Varia em função da relação entre resultados e expectativas. É como se tivéssemos de escolher entre dois clubes: o clube que ainda coloca João Almeida na lista de ciclistas promissores e reserva algumas cautelas e o clube que não precisa de ver mais nada para colocar o duro das Caldas como uma certeza dentro do pelotão internacional.
Uma coisa é certa, perto da linha que separa esses dois clubes anda João Almeida. Com cada vez mais holofotes a iluminar o seu percurso, as vestimentas parecem ser um bom prelúdio para enunciar a mais recente exibição do duro das Caldas. De volta aos grandes palcos, desta vez envergou a camisola branca e a camisola verde, terminando no degrau mais baixo do pódio do UAE Tour, a primeira competição do calendário World Tour 2021.
#UAETour
Caleb Ewan wins the final sprint of the 2021 edition. While we wait for the complete stage result, we can congratulate with @skjelmose_ for his solid performance and 6th place in GC 👏 pic.twitter.com/2x8CfTHLHB
Superado apenas por Tadej Pogačar e Adam Yates, o líder da Deceuninck Quick-Step voltou a demonstrar-se sólido, audaz, conjugando vários valores essenciais dentro da conceção de um voltista completo. Está claro que o seu processo de desenvolvimento está em marcha, existindo tempo, espaço e todas as condições para ser trabalhado e assim aperfeiçoar lacunas, potenciar qualidades e adquirir experiência. Contudo, há muito tempo que o ciclismo português ansiava por um ciclista com estas características. À imagem do que fez na primeira grande volta em que participou, a regularidade com que brinda qualquer etapa faz de João Almeida uma figura especial e taticamente favorecida.
De há uns tempos para cá surgiram no universo do futebol português mais duas modas. E se há coisas em que os portugueses são bons é na capacidade que têm de inventar chavões para tentar desculpar a incompetência.
Há algumas semanas surgiu um treinador a criticar o jogador português por se mandar muito para o chão a queixar-se com uma agonia que quase parece ter levado com um pau. Esse é o mesmo treinador que foi apanhado a mandar o seu guarda-redes simular lesão para perder tempo num determinado jogo.
Mas bem, todos sabemos que o fair-play é uma palhaçada. A verdade é que o senhor tem razão até porque na semana passada veio um jogador dizer que o futebol português tem de evoluir por parar muito, jogador esse que, com certeza, nunca se mandou para o chão aos gritos como se tivesse levado uma boa paulada.
Ou seja, todos se queixam, mas como é permitido fazem-no. A culpa é de quem apita as faltas, portanto.
A questão de fundo então é saber quem grita mais. Porque já se percebeu que quem gritar mais alto terá mais vantagem. Não sou eu que o digo, são todos estes intervenientes e mais alguns.
Uns dizem que perdem porque outros se mandam para o chão aos gritos a perder tempo e a “cavar faltas” (as saudades do Jonas ou de um Félix), podendo nós deduzir então que, para ganhar, o Sporting CP terá que treinar o famoso “mergulho para a piscina”. No entanto, talvez não precise muito já que mesmo sem esse movimento artístico estamos bem na frente, ainda que o treinador do nosso último adversário se tenha queixado dos gritos dos leões. Mas, como disse o nosso treinador, deve ser culpa do Nuno Santos e daquele grito que ele deu quando ganhamos a este mesmo adversário na Taça da Liga. Pelo menos naquele eles pareceram ter ficado chateados. Até parecia que o Nuno Santos tinha ganho a Champions.
Na conferência de imprensa que anteviu o Clássico, Nuno Santos foi implicitamente visado Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
A questão de se ganhar pode vir também dos gritos que vêm dos bancos de suplentes. Pelo menos, a ver pelo número de vezes que os suplentes do nosso adversário saltaram do banco a esbracejar, devia ser para gritar com alguém. Se não foi por isso poderia ser por estarem a festejar algum golo, mas não houve nenhum. Poderiam estar também em aquecimento, mas acho que não são permitidos tantos em simultâneo. (E daí já não sei). Será que era por pensarem que iam festejar esta vitória como se da conquista de uma Champions se tratasse? Não, os empates é que se festejam como se fosse uma conquista dessas.
Quanto a este incomodo que levantam os festejos do Sporting CP deve ser uma questão geográfica uma vez que já outra equipa do mesmo hemisfério se havia queixado pelo clube leonino ter festejado a conquista de uma competição. Realmente é algo que não se entende. Festejar uma vitória, ainda mais quando dá direito a conquistar uma competição?? Nunca se viu. Só mesmo o Sporting CP. Parecia uma Champions. E o que os jogadores gritaram a festejar? Acho até que eles ganharam só porque gritaram mais que os outros.
Mas, para o Sporting CP, nem precisa ser uma vitória para festejarmos. Já nos chega empatar na casa de um rival direto na luta para o título, valendo-nos a manutenção de uma vantagem de dez pontos sobre o mesmo. Isso lá é motivo de festejo? Não, mas pode valer a ida à Champions. Já o terceiro lugar não garante essa presença, ok? Estou só a avisar os interessados.
Quanto a paulada e gritos, os sportinguistas estão vacinados. Andamos anos a fio a fazer de mortos só porque parecia mal andar nas televisões a fazer barulho, a choramingar e, por isso, vamos ganhando de vinte em vinte anos. Mas os sportinguistas gostam disso, mesmo a ver pelo que fizeram ao último presidente que lá esteve antes deste, que gritava sempre que tentavam defraudar o Sporting CP. Mas até o actual, aquando do nosso primeiro empate, veio dizer que se for preciso gritar para ganhar, vamos gritar. Pois então gritemos a plenos pulmões, porque os outros já andam a gritar há muito tempo.
Na flash interview, Sérgio Oliveira utilizou uma expressão que gerou polémica Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
De qualquer forma eu vou manter-me calmo, aproveitando para gritar em cada golo, cada vitória (ou empate se isso me garantir vantagem sobre os adversários) e cada conquista do meu clube, por mais insignificante que seja. Isto porque temos de afinar a voz para se todas estas vitórias se refletirem na conquista do tão ambicionado título nacional.
Depois sim virá a Champions. E aí gritaremos a dar com um pau o seguinte, vejam se conhecem:
“Ce sont les meilleures équipes
Es sind die allerbesten Mannschaften
The main event
Die Meister
Die Besten
Les grandes équipes
The champions
Une grande réunion
Eine grosse sportliche Veranstaltung
The main event
Die Meister
Die Besten
Les grandes équipes
The champions
Ils sont les meilleurs
Sie sind die Besten
These are the champions
Die Meister
Die Besten
Les grandes équipes
The Champions”
Ah, e já agora, gritar é mau, mas cuspir na direção de um adversário não, certo?
Nota final: Não há aqui bazófia. Em nenhum momento disse que o campeonato está ganho. Temos sim de continuar a lutar jogo a jogo pelos três pontos com a seriedade e competência com que fizemos até agora.
Nota habitual: O texto contém alguma ironia. Nunca é demais reforçar!
Primeira Liga, jornada 21: segunda-feira, 19h, 1 de março de 2021
ANTEVISÃO: SERÁ QUE OS ENCARNADOS CONSEGUEM PÔR FIM À CRISE?
Depois de ser eliminado da UEFA Europa League, o SL Benfica está sob pressão. Precisa de vencer o jogo frente ao Rio Ave FC para pôr fim à crise e evitar perder mais pontos na Primeira Liga. Atualmente, o SL Benfica encontra-se em quarto lugar, com 39 pontos, enquanto o adversário, Rio Ave FC, está em nono lugar, com apenas 22 pontos.
Apesar da diferença pontual, espera-se um jogo bem disputado entre as duas equipas. O SL Benfica tem de vencer para poder sonhar com um lugar no pódio e a equipa de Vila do Conde pode aproveitar o cansaço dos encarnados para fazer história – vencer pela primeira vez as “águias”, no Estádio da Luz, num jogo a contar para a Primeira Liga.
10 DADOS RÁPIDOS
Este é o 65º encontro oficial entre as duas equipas, sendo que o SL Benfica venceu 48 jogos e o Rio Ave FC apenas cinco.
No que diz respeito a golos marcados, nos 64 jogos, os encarnados levam a melhor sobre o adversário: apontaram 137 golos e os vilacondenses apenas 48.
No que toca à média da posse de bola, na Primeira Liga, as “águias” também dominam com 61,7%, contra os 51,5% da equipa de Vila do Conde.
Atualmente, na Primeira Liga, a equipa lisboeta conta com 11 vitórias, seis empates, três derrotas, 33 golos marcados e 17 sofridos. Já o Rio Ave FC conta com cinco vitórias, sete empates e oito derrotas. Sofreu 23 golos e tem um dos piores ataques do campeonato com apenas 16 golos marcados.
A equipa orientada por Miguel Cardoso tem de ter especial atenção à equipa da casa no que diz respeito a lances de bola corrida, uma vez que o SL Benfica faturou 30 dos 33 golos dessa forma.
No jogo da primeira volta, o SL Benfica venceu o Rio Ave FC por 0-3, com dois golos de Waldschmidt e um de Gabriel.
Ambas as equipas vêm de derrotas: o SL Benfica foi derrotado pelo Arsenal FC, tendo sido eliminado da UEFA Europa League, e o Rio Ave FC foi derrotado, em casa, pelo FC Famalicão na jornada anterior.
Baixas na defesa para este desafio. Jorge Jesus não pode contar com Otamendi (cumpre um jogo de castigo por acumulação de amarelos) e Miguel Cardoso não pode utilizar Nélson Monte (expulso no jogo frente ao FC Famalicão).
A nível individual é preciso destacar Seferovic – melhor marcador da equipa encarnada, com oito golos -, e Carlos Mané, melhor marcador da equipa vilacondense com quatro golos.
10. Se o Rio Ave FC perder o jogo pode descer para décimo lugar, caso o Belenenses SAD vença o Moreirense FC.
JOGADORES A TER EM CONTA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Haris Seferovic (SL Benfica) – O suíço é o melhor marcador da equipa encarnada na presente edição da Primeira Liga. Apesar das últimas exibições do jogador ficarem um pouco aquém do esperado, conta com oito golos e três assistências, pelo que não deve ser ignorado pelos adversários. A qualquer momento, Seferovic pode decidir o jogo.
Desde o passe de Geraldes até à finalização de Carlos Mané, foi tudo pensado ao pormenor. 🤩
Carlos Mané (Rio Ave FC) – O jogador, de 26 anos, que joga como extremo direito ou avançado, é, à partida, a principal grande dor de cabeça para a defensiva do SL Benfica. Conta com 37% de participação nos golos da equipa de Vila do Conde. Na presente época, Mané soma quatro golos e duas assistências.
XI’S PROVÁVEIS
SL Benfica: Helton Leite, Lucas Veríssimo, Vertonghen, Diogo Gonçalves, Grimaldo, Weigl, Taarabt, Pizzi, Rafa, Seferovic e Darwin.
Treinador: Jorge Jesus
“Vamos encontrar equipa muito bem organizada, que sai bem para o contra-ataque. Precisamos de uma vitória e para isso temos de jogar bem. Temos dado ideia de melhoria e espero que possamos dar continuidade a essa melhoria.”
Rio Ave FC: Kieszek, Aderlan Santos, Borevkovic, Sávio, Costinha, Pelé, Felipe Augusto, Francisco Geraldes, Rafael Camacho, Carlos Mané e Gelson Dala.
Treinador: Miguel Cardoso
“É fundamental ser competente em todos os momentos do jogo ao defrontar equipas com este valor. Não podemos perder o foco e é preciso que o adversário também esteja num momento menos bom. Temos de levar o limite ao pormenor para chegar ao resultado que nos interessa.”
O 5 da semana é uma rubrica semanal do Bola na Rede que tem o objetivo de destacar os melhores cinco jogadores da NBA de cada semana. Desta forma, aqui estão cinco dos jogadores que mais se destacaram na semana de 22 a 28 de fevereiro.
Esta seleção será realizada todas as segundas-feiras.
É sabido que a terra batida é a superfície mais diferente do circuito e, por isso, a transição para a terra é a mais agressiva de todas e a que obriga a maior adaptação. Foi exatamente isso que se viu neste torneio (ATP). Os melhores jogadores deste torneio vieram do Open da Austrália, jogado em piso duro que até, segundo os relatos dos jogadores, este ano esteve especialmente rápido, o que dificulta ainda mais a transição.
João Sousa e Pedro Sousa foram dos que participaram no torneio australiano e, apesar do cansaço não ser um fator porque foram os dois eliminados na primeira ronda, a transição para terra era, certamente, uma preocupação a ter em conta. Os portugueses tiveram um sorteio que antevia algumas dificuldades, mas, ao mesmo tempo, não teriam uma tarefa inalcançável.
João Sousa, ainda número um português, tinha Roberto Carballes Baena como adversário. O espanhol é um especialista em terra batida que é, sem dúvida, o piso onde tem os melhores resultados da sua carreira. Ambos tiveram um ano de 2020 pouco positivo, mas o espanhol ainda assim conseguiu chegar à terceira ronda de Roland Garros onde acabou por somar grande parte dos pontos da época passada.
Pedro Sousa, número dois nacional, ia ter pela frente um jogador da casa, Federico Delbonis. Delbonis é um jogador experiente que já foi número 33 do mundo, e que, durante o ano passado, conseguiu chegar aos quartos-de-final em três torneios da categoria ATP 250 e, a jogar em casa, queria fazer uma boa prestação neste torneio.
O João Sousa nunca conseguiu entrar verdadeiramente na discussão do encontro, durante toda a partida teve apenas um ponto de break e enfrentou 15, o que diz bem da prestação do português. Pedro Sousa, por sua vez, esteve bem mais dentro do encontro, mas um azar acabou por dificultar muito a vida ao lisboeta. No primeiro set, o português conseguiu recuperar o break abaixo e estava a crescer no encontro quando, num break point a seu favor, torceu o pé numa aproximação à rede e esta lesão, que motivou até paragem para assistência médica, fê-lo perder cinco jogos seguidos para perder o primeiro set e começar mal o segundo, o que acabou por hipotecar bastante uma melhor prestação e possível vitória.
No resto do torneio, a jogar em casa, os tenistas argentinos tiveram uma prestação memorável que, não fosse a surpreendente derrota de Diego Schwartzman nos quartos-de-final, teria sido marcada pela presença de quatro argentinos nas meias-finais, garantindo desde logo que o título seria entregue a um jogador da casa, mas a vitória do experiente espanhol Albert Ramos Viñolas estragou os planos a Schwartzman.
Os outros semifinalistas eram jogadores que nunca sequer tinham chegado a esta fase de um torneio ATP, Federico Coria, Facundo Bagnis e Juan Manuel Cerúndolo, este último, de 19 anos, estava a disputar o seu torneio de estreia no principal circuito masculino de ténis.
O decorrer das partidas ditou que, na final, se encontrassem o mais experiente e o mais novato, dos últimos quatro. Ramos Viñolas tentava contrariar a sua malapata em finais, ele que em oito finais disputadas tinha apenas dois títulos, e Cerúndolo tentava fazer aquilo que apenas quatro homens haviam feito na História da modalidade, vencer o seu torneio de estreia no circuito ATP.
O jovem argentino mostrou de imediato ao que vinha e que a chegada à final não era nem sorte, nem suficiente para as suas ambições, vencendo o primeiro set com um parcial esclarecedor de 6-0. Na segunda partida, o espanhol elevou bastante o nível e conseguiu mesmo vencer o parcial por 6-2, adiando a decisão do título para o terceiro set. Neste terceiro set, o espanhol entrou melhor vencendo os dois primeiros jogos, mas ainda assim, ao contrário do que muitas vezes é comum, o estreante mostrou-se extraordinariamente calmo e assertivo obrigando, em muitas ocasiões, Ramos Viñolas a variar o jogo para criar desequilíbrios que acabaram por quase nunca resultar. Esta postura fez com que Cerúndolo vencesse os seis jogos seguintes sagrando-se campeão do ATP de Córdoba na sua estreia no circuito, apenas com 19 anos de idade. Para além deste feito histórico, Juan Cerúndolo, número 335 à entrada para esta semana, conseguiu ser também o jogador com o quinto ranking mais baixo de sempre a vencer um torneio ATP. Com esta vitória, o argentino vai escalar muito na classificação ATP, subindo mais de 150 lugares para o número 181 do ranking. Não o era até então, mas, depois desta semana, tornou-se claramente um nome a ter em conta para o futuro.
A CRÓNICA: ATÉ AO LAVAR DOS CESTOS É VINDIMA E A REVIRAVOLTA NÃO SE CONSOMOU
Numa luta entre clubes que anseiam pela manutenção na Segunda Liga, o Leixões SC recebeu, no Estádio do Mar, o Académico de Viseu FC. Este seria um duelo marcado, principalmente, pela vontade de vencer de ambas as equipas, dadas as posições ocupadas na tabela. O Leixões SC estava marcado pela necessidade de vencer para tornar a sua caminhada e manutenção mais tranquila, enquanto o Académico Viseu se encontrava, à data, na linha vermelha dos clubes da Segunda Liga.
Das entradas em campo, a que ficou verdadeiramente marcada foi a do Leixões SC. Os matosinhenses mostraram-se bastantes aguerridos nas transições ofensivas, tendo sido a equipa com mais vontade em chegar à área adversária.
A primeira parte ficou vivamente marcada pela quantidade de vezes que a equipa de José Mota criou perigo para a baliza de Ricardo Fernandes. Uma das ocasiões mais flagrantes foi aos 33 minutos, quando Avto conseguiu deixar o defesa para trás e passou a Sapara, que, colocado na zona central da área, se oposição, rematou sem qualquer tipo de oposição, mas não conseguiu concretizar a jogada. Foi uma brilhante oportunidade criada por Avto que acabou desperdiçada por Sapara.
Cinco minutos depois de o Leixões ter tido a ocasião para inaugurar o marcador, foi pedida a marcação de uma grande penalidade, após o defesa do Académico Viseu cortar a bola no centro da área, com eventual toque no braço, mas o árbitro Artur Soares Dias mandou seguir a jogada.
A grande oportunidade de golo do Académico Viseu, algo contra o rumo do jogo, dada a alavancagem do Leixões SC, ocorreu no seguimento de canto. O capitão Pica conseguiu cabecear e a bola tirou mesmo tinta ao poste da baliza da Stefanovic, naquele que foi um dos últimos lances da primeira parte.
Era notória a necessidade do intervalo, principalmente para a equipa visitante. O técnico Paulo Cadete transpareceu, durante a primeira parte, algum desagrado com o posicionamento defensivo da sua equipa, que necessitava urgentemente de uma reposição e de uma nova estratégia.
A segunda parte começou da mesma forma que a primeira se desenrolou, com um Leixões bastante ofensivo. E foram precisos apenas sete minutos para a turma de Matosinhos inaugurar o marcador, com aquele vendaval ofensivo. Sapara, aos 53 minutos, conseguiu redimir-se do lance da primeira metade e consagrou da melhor forma a exibição que estava a fazer, sendo um dos homens mais importantes na construção de jogo do Leixões.
O espelho permaneceu, tal como a capacidade ofensiva do Leixões. Com um Académico Viseu a jogar no erro das transições da equipa adversária, as oportunidades criadas pelos forasteiros foram diminutas, mas com algum critério.
Esse critério e a procura do evidente erro deram lugar à marcação de uma grande penalidade favorável aos visitantes aos 75 minutos. Paul Ayongo não quis deixar passar a oportunidade e bateu com frieza para o golo que determinaria a igualdade no marcador.
Após o empate, foi o Académico Viseu a mostrar o quanto queria concretizar a reviravolta, a ponto de João Vasco rematar “do meio da rua” e conseguir fazer com que a bola batesse com estrondo no poste direito da baliza de Stefanovic. Faltavam apenas dez minutos para o final do tempo regulamentar e as duas equipas mostravam.se bem vivas na busca pelo resultado, ao contrário do que foi visível ao longo do encontro.
Mas a busca pela reviravolta do Académico Viseu teve um ponto final. Já para lá dos 90 minutos, Artur Soares Dias apontou para a marcação de grande penalidade, após a bola ter batido no braço de Yuri Araújo, num duelo com Nenê. O avançado do Leixões bateu o penalidade, que foi defendido por Ricardo Fernandes, mas, na recarga, Paulo Machado não perdoou e fechou o resultado num 2-1.
Sapara – Se o Leixões conseguiu arrecadar os três pontos no Estádio do Mar foi, também, devido à exibição e influência de Sapara no encontro. Apesar de substituído aos 67 minutos, o homem da equipa de Matosinhos fez o que podia e o que não podia. Toda a construção de jogo passou por ele e também esteve num grande dia a nível defensivo, quando chamado à ação.
Posicionamento defensivo do Académico Viseu na 1.ª parte – O Académico Viseu mostrou-se algo frágil a nível do posicionamento defensivo, principalmente na primeira parte. O erro podia ter sido crasso, caso o Leixões tivesse mais critério no último terço.
ANÁLISE TÁTICA – LEIXÕES SC
Stefanovic voltou a assumir a guarida da baliza do Leixões. A linha defensiva montada por José Mota foi composta por quatro defesas, mas com algumas alterações tanto no setor, como a nível tático nos restantes espaços do terreno. Diogo Gomes e o relançado Brendon assumiram a zona central da defesa, enquanto Seck e Lucas Lopes voltaram às linhas laterais.
Num sistema de 4-4-2, ao contrário do 4-3-3 habitual, o meio-campo foi tomado por Nduwarugira e Rodrigo. Avto e Sapara atuaram como extremos e Belkheir assumiu a posição de ponta de lança titular, a par de Joca Samuel que se apresentou bastante subido no terreno.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Stefanovic (6)
Seck (6)
Brendon (6)
Diogo Gomes (6)
Lucas Lopes (6)
Avto (6)
Cristophe Nduwarugira (6)
Rodrigo (6)
Sapara (7)
Joca Samuel (6)
Belkheir (6)
SUBS UTILIZADOS
Kiki (6)
Bruno Monteiro (6)
Nenê (5)
Paulo Machado (7)
Papalele (6)
ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICO VISEU FC
André Oliveira montou um 4-4-2, com Pica e Mathaus na zona central da defesa e as laterais ocupadas por Mesquita e Joel.
O meio-campo foi composto por Diogo Santos e Zimbabwe, com João Vasco e Luisinho subidos no terreno para dar apoio aos homens mais avançados no terreno. Fernando Ferreira e Paul Ayongo foram os pontas de lança do Académico Viseu.
Foram notadas algumas debilidades a nível defensivo por parte da equipa, que o técnico tentou colmatar logo após ter sofrido golo à entrada para a segunda parte, com as entradas de Paná e Yuri Araújo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Ricardo Fernandes (5)
Mesquita (6)
Pica (6)
Mathaus (6)
Joel (5)
João Vasco (6)
Diogo Santos (6)
Zimbabwe (5)
Luisinho (5)
Fernando Ferreira (5)
Paul Ayongo (6)
SUBS UTILIZADOS
Yuri Araújo (6)
Paná (6)
Carter (6)
André Carvalhas (6)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Leixões SC
BnR: Peço-lhe uma análise àquilo que foi o jogo e, perante a exibição do Leixões, pergunto se o resultado podia ter sido mais avolumado?
José Mota: Nós estivemos bem. O adversário era experiente e com jogadores co um grande traquejo de Segunda Liga. Na primeira parte estivemos por cima, o Académico não teve rigor ofensivo e limitou-se a travar as transições ofensivas do Leixões. Tivemos duas ou três grandes oportunidades de golo que não conseguimos aproveitar. Na segunda parte, chegámos ao golo. Depois, como quem não marca sofre, o Académico teve uma reação normal ao golo sofrido e marcou. Não importa como, sofremos golo. Depois disso, conseguimos dar a volta e conseguimos a vitória. O futebol é isto. Hoje dou os parabéns aos meus jogadores, porque mostraram alma.
Académico Viseu FC
BnR: A sua equipa apresentou algumas debilidades a nível defensivo, principalmente, na primeira parte e foi notório o desagrado com esse fator. Na segunda parte foi visível o rigor ofensivo por parte da equipa e um melhor posicionamento defensivo. Acha que o resultado podia ter sido outro?
Paulo Cadete: Tem razão na sua observação. É triste chegar àquele balneário e ver os jogadores cabisbaixos. Não merecíamos por aquilo que fizemos. Conseguimos controlar muitas vezes o Leixões. Estivemos por cima e, a haver um vencedor justo, seria o Académico.
Sim, este é em poucas palavras a consequência do resultado entre o FC Porto e Sporting CP naquele que era visto como o jogo do título para os Leões e da sobrevivência para os Dragões.
Não houve golos no Estádio do Dragão naquele que foi um encontro que, para muitos, não esteve à altura de um Clássico. Creio que a única conclusão que se pode tirar é que muito dificilmente o Sporting CP não se sagra campeão esta época, com todo o mérito refira-se. Já o FC Porto tem de lutar pelo segundo lugar que também está claramente em risco.
Olhando agora para o desempenho portista no Clássico, vou escrever uma coisa que pode levantar alguma polémica e que raramente costumo dizer. A equipa azul e branca não podia fazer muito mais para conseguir outro resultado, e passo a explicar o porquê. Em primeiro lugar, notou-se um dia não de Taremi que falhou dois golos praticamente feitos. Um azar puro do avançado iraniano que deve ter feito o pior jogo desde que chegou ao Dragão.
Por outro lado, destaco a equipa adversária. Normalmente, aponto muito demérito ao FC Porto nas derrotas, mas o Sporting CP mostrou ontem que é uma equipa com um índice de confiança muito acima da média e com uma coesão gritante. A equipa de Rúben Amorim faz da defesa uma das bases, e depois o processo ofensivo é muito simples sem grandes rodeios. Em poucos passes e numa jogada rápida consegue criar perigo à baliza adversária. São, sem dúvida, miúdos e contratações a baixo custo que formam uma equipa invicta até o momento.
O FC Porto tentou atacar de todas as maneiras, mas o Sporting resolvia sempre da melhor forma. O que estou a dizer pode ser interpretado como um disparate, mas nos últimos largos anos, este foi talvez o Sporting CP mais forte que se apresentou no Estádio do Dragão.
Como os Leões não jogaram sozinhos, atribuo algumas notas negativas ao FC Porto que podem ter ajudado no desfecho do encontro.
Apesar do onze inicial ser o mais forte de Sérgio Conceição, as substituições pecaram por tardias, principalmente a de Luis Díaz. Toda a gente sabe que o extremo colombiano costuma entrar muito bem nos jogos e entrar a 10 minutos do fim não me parece a melhor escolha. Por outro lado, aponto também a falta de inspiração de alguns jogadores portistas. Sérgio Oliveira já fez melhores jogos, Taremi não foi Taremi, e Evanilson não conseguiu acrescentar nada (apesar de ser compreensível a sua entrada, visto que com o Sporting em bloco baixo Marega não tinha espaço).
O resultado foi muito desfavorável para os dragões, mas não havia mais ninguém no banco que pudesse incomodar a equipa leonina. Se houvesse vencedor seria o FC Porto, mas este Sporting CP conseguiu fazer das tripas coração e mostrar que este ano os astros se alinharam por cima do Estádio de Alvalade.
Ao FC Porto resta analisar como é que, mais do que ter empatado ontem com o Sporting CP, conseguiu deixar tantos pontos para trás ao longo da época que resultaram na perda do campeonato. Se os azuis e brancos por acaso vencerem o campeonato este ano, cá estarei eu para engolir o sapo de tudo o que hoje escrevi.
A CRÓNICA: JOGO DE LOUCOS EM QUE TRÊS GOLOS É MUITO POUCO PARA O QUE ACONTECEU
Em Roma disputou-se o jogo cabeça de cartaz da 24ª jornada da Liga Italiana que colocou frente a frente quinto e segundo lugares do campeonato. Motivos de interesse não faltavam para todos os adeptos e os 90 minutos acabaram por provar isso mesmo. A AS Roma, mais atrás, ainda não tinha perdido em casa esta temporada e o AC Milan, na perseguição ao rival da cidade, teria de procurar a vitória. Posto isto, esperava-se uma partida muito bem disputada mas algo amarrada, como é bastante comum em Itália. Esse estereótipo rapidamente se desvaneceu. A equipa forasteira entrou a justificar a posição que ocupa e até aos 20 minutos foi dominante e conquistou várias oportunidades para fazer o golo.
Não conseguiu, e a partir desse momento o conjunto de Paulo Fonseca equilibrou as estatísticas e teve também chances de alterar o marcador. Ainda assim, só um erro individual de Fazio viria a fazer a diferença depois do argentino fazer a grande penalidade que viria a dar vantagem à equipa de Milão. Para o intervalo manteve-se o 0-1 mas na retina ficaram dos melhores 45 minutos disputados na Liga Italiana esta época.
Na segunda parte a avalanche ofensiva de ambas as equipas viria a manter-se mas desta vez foi a AS Roma a entrar melhor. Depois de uma bela jogada produzida pela equipa caseira, Veretout pegou muito bem na bola e restabeleceu, com classe e brilhantismo, a igualdade na partida. Isto em nada alterou a mentalidade dos jogadores que continuaram, de parte a parte, a procurar ganhar vantagem.
Podia ter dado para qualquer um dos lados, mas voltou a sobrepor-se um erro da defensiva romana, desta vez do guarda-redes que na saída de jogo ofereceu a bola aos forasteiros que aproveitaram e voltaram a obter vantagem no marcador. Até ao fim foram muitas as oportunidades, essencialmente para a turma da casa, mas o resultado não viria a sofrer alterações. O AC Milan levou os três pontos que, apesar de tudo, são justos, e apesar de ninguém precisar de vitórias morais, Paulo Fonseca deve estar orgulhoso da sua equipa que fez uma grande partida perante um adversário muito forte.
A FIGURA
🇮🇹 FINAL | Roma 1-2 Milan
“Rossoneri” não desarmam na luta pelo título, e conseguiram resultado importante no terreno da Roma, que caiu para 5º
Produção ofensiva de ambas as equipas – Apesar da partida ter terminado com apenas três golos, este é um resultado bastante enganador para o que se passou durante os 90 minutos. Foram, segundo as estatísticas, 35 tentativas de golo para ambos os lados, com 17 remates às balizas e sete remates para fora. Os guarda-redes apareceram hoje em grande plano, mas também é de registar a falta de eficácia dos avançados das duas equipas que, ainda assim, proporcionaram um dos melhores jogos da Liga Italiana desta temporada.
Após 2 derrotas seguidas, o Milan vence pela Serie A e mantém os 6 pontos de vantagem na vice-liderança, 4 pontos abaixo da Inter. A Roma está na zona da Europa League. pic.twitter.com/jUN6Swn7e5
Erros da defensiva da AS Roma – Num jogo tão equilibrado e bem disputado em que os golos não estavam a aparecer, só dois erros individuais permitiram ao AC Milan sair da capital com os três pontos. Primeiro, uma grande penalidade cometida por Fázio num lance em que o adversário estava completamente desenquadrado da baliza. Em segundo, Pau López acabou por falhar um passe que ofereceu a bola aos jogadores do AC Milan e que fez com que Rebic rematasse para o fundo das redes e estabelecesse assim o resultado final.
ANÁLISE TÁTICA – AS ROMA
Paulo Fonseca dispôs a equipa numa espécie de 3-4-3 muito difícil de decifrar devido às dinâmicas impostas a todas as peças do puzzle. Logo desde trás, Cristante a aparecer como defesa central, afastado da sua posição de origem, mas também com essa função de organizar a primeira fase de construção da sua equipa, subindo mais no terreno se necessário. Ao seu lado jogaram Fazio e Gianluca Mancini, dois centrais de origem menos capazes nesse momento de construção. No meio campo Villar e Veretout, muito habituados a jogar juntos e com uma química que foram construíndo ao longo da temporada e que faz com que se complementem muito bem. Karsdorp e Spinazzola a percorrerem toda a linha e muito presentes quer no momento defensivo quer no momento ofensivo, no apoio aos irrequietos Pellegrini e Mkhitaryan. Mayoral apareceu como o homem mais avançado, servindo de referência nas zonas de finalização mas nem por isso pouco móvel na frente de ataque na equipa da casa.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Pau López (7)
Gianluca Mancini (5)
Cristante (6)
Fazio (4)
Karsdorp (6)
Spinazzola (7)
Veretout (8)
Villar (7)
Lorenzo Pellegrini (7)
Mkhitaryan (6)
Mayoral (5)
SUBS UTILIZADOS
Bruno Peres (5)
El Shaarawy (5)
Diawara (5)
Pedro Rodríguez (5)
ANÁLISE TÁTICA – AC MILAN
Pioli organizou a sua equipa no típico 4-2-3-1 com uma equipa muito equilibrada. Desta partida fica na retina a qualidade da pressão alta feita pela equipa em muitos momentos do jogo que acabou por dar frutos essencialmente no segundo golo, marcado por Rebic. A linha defensiva composta por Calabria, Kjaer, Tomori e Hernández foi, ainda assim, a que esteve menos bem, uma vez que concedeu ao adversário muito espaço para criar situações de finalização. À sua frente atuaram Tonali e Kessie, o primeiro mais recuado e o segundo com a missão de transportar bola e se aproximar mais da área da AS Roma, ainda que nem por isso alheado das responsabilidades defensivas. Çalhanoglu é o número dez desta equipa, o homem mais criativo que tem a missão de servir as três peças da frente: Rebic pela esquerda, Saelemaekers pela direita e Ibrahimovic no meio. Ainda que, em relação a outras equipas, o AC Milan não se destaque pela sua particular mobilidade e irreverência no momento ofensivo, esta é uma equipa que aposta muito no momento em que ganha a bola e este foi mais um jogo em que conseguiu cumprir o plano deleneado pelo seu treinador.
Chelsea FC x Manchester United FC: Jogo grande na 26.ª Jornada da Primeira Liga Inglesa, que opõem duas equipas repletas de qualidade, candidatas a assumir um lugar no “top four”, que dá direito à Liga dos Campeões 2021/22. Um misto de emoções toma conta dos adeptos das duas equipas e é o momento oportuno de conhecer o Placard.
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O Chelsea FC começou melhor a partida, com muita posse de bola e a conseguir criar perigo pelos corredores, mas foi o Manchester United FC que, através de um livre de Rashford rematou para uma defesa complicada de Mendy. No seguimento dessa jogada, a lupa do VAR poderia ter vislumbrado um penalty por mão na bola de Hudson-Odoi, não assinalado. Na minha opinião, bem. Os jogadores quando correm, numa disputa de bola, o movimento dos braços é absolutamente natural. Fossem todos os árbitros assim, quer em Inglaterra, quer em Portugal.
Até ao intervalo poucas oportunidades de golo, com a partida muito equilibrada, mas com o Manchester United FC a melhorar ao longo dos primeiros 45 minutos e acabar por cima.
A segunda parte começou como a primeira: com o Chelsea FC por cima. Com a diferença de que dispôs logo da melhor oportunidade do jogo para fazer golo, através do marroquino Ziyech. Nesta altura já Reece James tinha entrado para o lugar do lesionado Hudson-Odoi.
O clássico inglês aumentou de intensidade nos minutos seguintes e vimos um jogo muito mais entretido, mais perto de ambas as balizas. No entanto, os golos não apareciam e o nulo começava a parecer uma realidade inescapável. O desfecho acabou por ser esse, com a partida a cair novamente de ritmo rumo aos final dos 93 minutos jogados.
A FIGURA
⚙ Let’s take it up a gear in the second half, boys 👊
Linhas defensivas das duas equipas – Mais um jogo, mais um 0-0 em jogos “grandes” em Inglaterra. Uma situação que cada vez acontece mais porque os treinadores tem mais medo de perder do que vontade de ganhar. Nesta partida aconteceu isso, mas quando há mérito a fazer este tipo de jogo, há que realça-lo. Shaw e Maguire foram os melhores dos Red Devils, ao passo que Azpilicueta e Rudiger foram os melhores dos Blues. Destaque ainda para o trabalho defensivo e criativo de Kovacic, para mim o melhor em campo.
Linhas ofensivas das duas equipas – Por outro lado, destacar a desinspiração de ambos os lados que se defrontaram aqui no Stanford Bridge. Rashford, Bruno Fernandes, Pulisic, Hudson-Odoi, e Giroud, jogadores de quem esperava mais, não estiveram ao seu melhor nível.
ANÁLISE TÁTICA – CHELSEA FC
Thomas Tuchel, treinador do Chelsea FC, conseguiu fazer algo que Lampard não estava a conseguir: dar consistência defensiva à equipa, algo muito importante numa liga tão competitiva como é a britânica. Para esta partida opta por um 3-4-2-1, que acredito eu poderá funcionar muito como um 4-3-3 em processo ofensivo. Azpilicueta será o joker da tática, a fazer simultaneamente o lado direito da defesa a três (a defender) e o corredor direito, a sua posição natural (a atacar). Giroud, depois de uma grande exibição a meio da semana, aguenta o lugar no onze titular.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Mendy (6)
Azpilicueta (7)
Christensen (6)
Rudiger (7)
Chilwell (6)
Kanté (6)
Kovacic (8)
Mount (6)
Ziyech (5)
Hudson-Odoi (5)
Giroud (5)
SUBS UTILIZADOS
James (6)
Pulisic (5)
Werner (5)
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC
Quanto ao Manchester United FC, não há novidades no 4-2-3-1 escolhido por Solskjaer, a sua tática preferida. McTominay e Fred são inegociáveis no centro do terreno (principalmente em jogos grandes), com a maior “surpresa”, para mim, a ser a inclusão de Daniel James a titular. O objetivo é ter mais um jogador com muita velocidade para explorar as costas dos defesas dos londrinos.
Num fim de tarde que parecia primaveril, CD Tondela e Gil Vicente FC defrontaram-se em jogo da Primeira Liga. Num encontro com muita ação e poucos momentos jogados a baixo ritmo, as duas equipas entravam em campo com os três pontos em vista.
A partida começou logo com uma grande penalidade a favorecer a equipa da casa: ainda dentro do segundo minuto de jogo, Mario González driblou Denis e, com a baliza à sua mercê, disparou contra o braço de Rúben Fernandes. O árbitro Rui Costa não teve dúvidas e assinalou castigo máximo, convertido com sucesso por João Pedro. Dupla vantagem para a equipa tondelense.
Perante a superioridade numérica, e também no resultado, a equipa beirã começou a controlar o ritmo do jogo, relegando os gilistas a tentativas de contra-ataque para procurar o sucesso. Ao minuto 28, João Pedro isolou Salvador Agra, mas o extremo atirou à figura de Denis. Também Tiago Almeida, jovem lateral direito do Tondela, tentou a sua sorte de curta distância, porém Denis voltou a intervir com sucesso.
A cerca de dois minutos do intervalo, João Pedro voltou a testar os reflexos de Denis, que correspondeu de forma positiva uma vez mais. Apesar das tentativas tondelenses, o 1-0 permaneceu mesmo até ao tempo de descanso.
No início da segunda parte, foi a equipa do Gil Vicente a deixar o primeiro aviso. Na sequência de um pontapé de canto, Lucas Mineiro elevou-se a toda a gente e cabeceou na direção da baliza, mas encontrou a oposição de Pedro Trigueira. Os gilistas tentavam valer-se de um momento do jogo em que são muito fortes: a bola parada ofensiva.
Ao minuto 55, a equipa beirã desenvolveu um contra-ataque de excelência pela ala esquerda, com Filipe Ferreira a subir no terreno e cruzar de forma perfeita para a finalização de Mario González. O 2-0 só não surgiu porque, uma vez mais, Denis colocou-se entre a bola e o fundo das redes. O “guardião” brasileiro dos gilistas ia protagonizando uma exibição de alto nível.
Com uma resposta mais firme neste segundo tempo, o Gil Vicente foi capaz de se acercar mais vezes da baliza adversária, mas quase sempre através de lances de bola parada. Já o Tondela, que teve um golo invalidado aos 72 minutos, a Mario González, conseguia ligar bem o jogo entre setores e progredir no terreno, aproveitando o facto de jogar com mais um elemento.
Nos últimos 15 minutos do encontro, a formação de Barcelos começou a aproximar-se mais da baliza adversária através de lances de construção, apesar de estarem reduzidos a dez. Contudo, o último esforço dos gilistas foi em vão. O CD Tondela venceu por 1-0, sendo um justo vencedor e que até poderia ter marcado mais, não fosse a oposição de Denis entre os postes.
Denis – Apesar da vitória do CD Tondela, tal triunfo só não teve uma margem mais folgada graças à exibição monstruosa do guarda-redes do Gil Vicente FC. Negou vários lances de golo ao adversário, incluindo casos em que era mesmo a última barreira entre a bola e as redes.
Últimos 15 minutos do CD Tondela – Apesar de terem mais um elemento, os tondelenses sofreram desnecessariamente para segurar esta vitória tangencial. No último quarto de hora, a pressão do Gil Vicente FC foi tal que a linha recuada dos beirões quase cedeu. Terão que melhorar nesta fase do encontro para conseguirem gerir melhor o resultado.
ANÁLISE TÁTICA – CD TONDELA
Dispostos em 4-3-3, os jogadores do CD Tondela tiveram uma “ajuda” logo aos dois minutos, com a expulsão de Rúben Fernandes e o penálti assinalado a favor dos homens da casa. Confortáveis durante o jogo, apresentaram Tiago Almeida (lateral direito) mais por dentro, com Murillo a dar largura no corredor, enquanto no lado esquerdo foi o lateral Filipe Ferreira a surgir mais aberto, com Salvador Agra a pisar terrenos interiores. Mais à frente, destaque para o ponta de lança Mario González, que faz jogar toda a equipa e mostra ser mais do que apenas um finalizador.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Pedro Trigueira (6)
Tiago Almeida (6)
Yohan Tavares (6)
Enzo Martínez (6)
Filipe Ferreira (6)
Jaume Grau (6)
João Pedro (7)
Roberto Olabe (6)
Jhon Murillo (6)
Salvador Agra (6)
Mario González (7)
SUBS UTILIZADOS
Rafael Barbosa (5)
Pedro Augusto (5)
Naoufel Khacef (5)
Tomislav Strkalj (5)
João Jaquité (5)
ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC
Apesar do 4-2-3-1 inicialmente pensado por Ricardo Soares, a precoce expulsão de Rúben Fernandes obrigou a equipa a atuar praticamente todo o encontro em 4-3-2. Com a saída de Fujimoto para entrar Rodrigão, reforçando o corredor central da defesa, foi Pedrinho a juntar-se a Lucas Mineiro e Claude Gonçalves no meio-campo, com Lourency e Samuel Lino encarregues de dar velocidade às tentativas de ataques da turma de Barcelos. Uma tarefa dura para uma equipa limitada desde muito cedo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Denis (7)
Paulinho (6)
Ygor Nogueira (6)
Rúben Fernandes (6)
Henrique Gomes (5)
Claude Gonçalves (6)
Lucas Mineiro (5)
Pedrinho (5)
Kanya Fujimoto (-)
Lourency Rodrigues (5)
Samuel Lino (5)
SUBS UTILIZADOS
Rodrigão (6)
Talocha (5)
Pedro Marques (5)
Yves Baraye (5)
Vítor Carvalho (5)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
CD Tondela
BnR: Do lado direito, o Tiago Almeida apareceu mais por dentro, com o Murillo a dar largura, mas do lado esquerdo estava o Filipe Ferreira mais sobre a ala e o Salvador Agra a jogar mais interiormente. O que pretendia com estes posicionamentos?
Pako Ayestaran: Não foi propositado, devido a isso demos algumas transições ao adversário, mas às vezes, quando o lateral se projeto, obriga o ala a jogar por dentro. O plano original era jogar com os laterais mais por dentro e a largura ser dada pelos alas. Contudo, creio que corrigimos isso ao intervalo.
Gil Vicente FC
BnR: Após a expulsão e a saída do Fujimoto, o Lourency continuou a aparecer mais descaído pela direita da defesa do CD Tondela. Por que razão optou por mantê-lo desse lado?
Ricardo Soares: Temos que tomar opções. Havia um posicionamento que estava a faltar fruto da expulsão do Rúben, mas não podíamos alterar o sistema tático. Tivemos preocupação com a verticalidade do Tondela e demorámos cerca de 15 minutos a ajustar-nos depois da expulsão. Podíamos ter aproveitado melhor a nossa profundidade, mas estou muito contente com a prestação dos meus jogadores.