Desde o verão, que o nome de Pepê, futebolista do Grémio FPA, tem feito parte do dia-a-dia do FC Porto, já que foi público o interesse do emblema portista no jogador brasileiro. No entanto, esta “novela brasileira” parece estar a acabar e ao contrário de outras do passado… com um final feliz. É verdade, o acordo entre os dragões e o seu atual clube é dado como fechado, tanto em Portugal, como no Brasil, pelo que os dados que chegam ao público cifra-se numa transferência a rondar os 15 milhões de euros + 12,5% de mais valias + com a permanência do atleta até julho.
Deste modo, os dirigentes protistas conseguiram antecipar-se a uma forte concorrência, uma vez que também era de conhecimento geral o “cerco” protagonizado pelo FC Zenit São Petersburgo a Pepê, assim como do interesse mais leviano do Sevilha FC. Para este desfecho positivo, a vontade do jovem atacante foi decisiva, pois sempre mostrou que a sua escolha era o FC Porto e a imprensa dá essa vontade como elemento chave para a conclusão do negócio.
Informação completa: FC Porto e Grêmio definiram hoje a transferência de Pepê por 15 milhões de euros + 12,5% de mais-valia. Jogador fica no Brasil até junho e depois ruma para o clube português, com quem discute agora um contrato válido entre 4 e 5 temporadas
Após, a saída de Everton “Cebolinha” para o SL Benfica, Pepê assumiu-se como o principal protagonista da equipa orientada por Renato Gaúcho. O extremo já regista 14 golos, no ano de 2020, o que evidencia bem da sua influencia no jogo ofensivo do Grémio FPA. Com isto, Pepê carateriza-se por ser um atacante com um bom drible, com boa manobra ofensiva, com uma capacidade técnica assinalável e com uma boa chegada à baliza, sendo que se apresenta como um misto de Otávio e Luís Diaz, na sua forma de atuar em campo.
É isto o que irá oferecer ao FC Porto, ou seja, criatividade, drible e golo, algo que todos os treinadores apreciam. Por outro lado, terá de melhorar a sua capacidade defensiva, requisito essencial para Sérgio Conceição, além de ser importante para a sua adaptação ao futebol europeu e ao próprio estilo do FC Porto.
Assim, Pepê, à primeira vista, parece ser uma contratação audaz dos azuis e brancos, mas que têm tudo para dar certo e ser uma mais valia, tanto a nível desportivo, como a nível financeiro, porém só a partir de julho é que irá vestir a camisola do FC Porto.
A CRÓNICA: A CONSISTÊNCIA E A INSISTÊNCIA BATERAM DE FRENTE
No centro está a virtude, restava saber se em Coimbra ou em Viseu. Dérbi é dérbi e é para vencer sejam quais forem as circunstâncias e elas eram bem distintas. O Académico de Viseu FC precisa com urgência de pontos para fugir aos últimos lugares da Segunda Liga, a Académica OAF precisa dos mesmos pontos com a mesma urgência, mas para não deixar fugir o comboio da subida.
A consistência e a insistência foi o binómio que imperou no jogo. O Académico resguardou-se no seu meio-campo e foi aguentando. Por sua vez, a Académica, com paciência tentava descobrir e, mais do que isso, criar os espaços necessários para penetrar no bloco contrário. Aqui e ali foi conseguindo. As dinâmicas criadas no meio-campo conseguiram atrair os viriatos para a zona central o que criou espaço para jogarem por fora. Foi assim que o domínio se foi acentuando.
Na primeira parte, foram dados alguns sinais de que o golo podia estar perto. Zimbabwe e Bouldini deram o mote em cada uma das balizas. Ambas as situações ocorreram em lances de bola parada. O nulo continuava ao intervalo.
Decorridos poucos minutos na segunda parte e a Académica chegou-se à frente no marcador. Numa jogada de transição, e nem foram assim tantos os lances deste tipo que os estudantes tiveram, Bouldini foi derrubado na área. Bruno Teles assumiu a conversão da grande penalidade e adiantou a Briosa no marcador.
A vantagem esfumou-se dez minutos depois. O Académico de Viseu assumiu o jogo durante esse tempo, ao contrário do que se tinha visto. Felino, Ayongo aproveitou um lance de insistência para marcar o golo do empate. O ganês já tinha marcado por duas vezes à Académica em jogo a contar para a Taça de Portugal.
Voltou tudo à estaca zero. O resultado estava novamente igualado e a Académica voltou a gerir a bola a seu belo prazer e o domínio dos estudantes voltou a fazer-se sentir, através de uma sucessão de boas oportunidades.
Lutava-se muito nesta fase, mas, aos 74 minutos, Joel abusou ao aplicar um golpe de artes marciais em Bruno Teles. Prontamente foi admoestado com o cartão vermelho direto.
Rui Borges, treinador da Académica, ganhou muito com os homens que lançou do banco. Com isso, nem a entrada duríssima que sofreu, impediu Bruno Teles de fazer o segundo golo num belo remate fora de área e selar o 2-1 já bem perto do final.
Em clima de dérbi, o jogo terminou quezilento. A Académica somou os três pontos e não fez pior que os seus adversários diretos que já jogaram nesta jornada. O Académico de Viseu continua sem conseguir dar um salto que o afaste dos lugares do fundo da tabela.
A FIGURA
✍️🤝A Associação Académica de Coimbra/OAF assegurou a contratação de Bruno Teles, lateral-esquerdo de 34 anos que representava o Paços de Ferreira.
Bruno Teles – regressou hoje à posição de defesa-esquerdo. Embora seja um jogador do setor mais recuado, nem isso o impediu de marcar dois golos neste jogo e decidir a favor da sua equipa.
— 🇫🇷⭐championsdumonde⭐🇫🇷 (@blazers_on_fire) June 22, 2020
Joel Monteiro – foi lançado no jogo para o lugar de Luisinho. Certamente, o treinador do Académico, Pedro Duarte, queria dar maior pendor defensivo ao seu lado esquerdo, mesmo lançando-o para extremo. Acontece que, a sua expulsão meteu a equipa em trabalhos reforçados.
ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF
Para este jogo, Rui Borges voltou a poder contar com Bouldini, o melhor marcador do campeonato. Se para a frente o problema estava resolvido, no setor mais recuado a situação foi bem diferente. Entre os castigos e lesões, a defesa da Académica tem sofrido bastantes alterações nos últimos tempos. Por isso, existia expectativa para perceber como é que o técnico da Académica ia montar a sua linha de quatro mais atrasada. Fê-lo com Mike, à direita, Bruno Teles, à esquerda, e Rafael Vieira e Silvério ao centro. A partir daí, as dinâmicas alternavam conforme aquilo que o jogo pedia.
No momento de organização ofensiva, a equipa estruturou-se num 4-2-3-1. Ricardo Dias e Guima ocuparam a posição de médios mais recuados, enquanto que Chaby funcionou como o criativo da zona central, procurando o espaço entre linhas, onde só um jogador com a sua qualidade para jogar em espaços curtos poderia marcar a diferença. Se, por um lado, Ricardo Dias não abandonou quase nunca a zona em frente à defesa, Guima teve mais liberdade para se movimentar, principalmente para criar situações de terceiro homem junto ao corredor esquerdo, sendo que habitualmente o faz pelo corredor direito. Na frente, Traquina e João Mário, como extremos, e Bouldini, como ponta de lança, encarregaram-se de causar o pânico.
Quando se via ficar sem a bola, a equipa apostava numa pressão alta bem definida pelo homem mais adiantado. Quando essa pressão não sortia efeito, não tinha problemas em organizar-se em 4-4-2 (Chaby juntava-se a Bouldini). No momento em que recuperava a bola, a equipa tinha como primeira referência o avançado marroquino.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Mika (6)
Mike (5)
Rafael Vieira (5)
Silvério (5)
Bruno Teles (7)
Ricardo Dias (5)
Guima (5)
Chaby (5)
Traquina (5)
João Mário (6)
Bouldini (5)
SUBS UTILIZADOS
Leandro Sanca (6)
Mayambela (6)
Fabinho (-)
Dani Costa (-)
ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICO DE VISEU FC
O Académico de Viseu apresentou-se num 4-2-3-1. Destaque particular para as características do meio-campo. O posicionamento dos três homens que o constituíram era semelhante ao da Académica. No entanto, as características dos seus jogadores eram distintas. Zimbabwe, Paná e Fernando Ferreira são jogadores bastante aguerridos e mesmo este último, jogando mais à frente dos outros dois, não perde o sentido de combatividade. No momento defensivo, a equipa recorreu ao 4-4-2 adiantando Fernando Ferreira para junto de Ayongo.
A equipa não conseguiu ter clarividência para aguentar muito tempo a bola na sua posse, pelo que privilegiou a organização defensiva. Quando recuperava a bola, apostou em saídas rápidas e até colocava bastante gente nesse processo.
Nos poucos momentos em que tinha o esférico, o Académico optou por permutar Fernando Ferreira com Paná ou Zimbabwe para tentar acrescentar critério ao seu jogo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Ricardo Fernandes (6)
Tiago Mesquita (5)
Pica (5)
Félix Mathaus (5)
Jorge Miguel (5)
Zimbabwe (6)
Paná (6)
Fernando Ferreira (5)
Luisinho (5)
João Vasco (5)
Paul Ayongo (6)
SUBS UTILIZADOS
Yuri Araújo (6)
Joel Monteiro (-)
Anthony Carter (-)
André Carvalhas (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Académica OAF
BnR: A estratégia que tinha para o jogo passava por atrair dentro e jogar fora?
Rui Borges: Tínhamos identificado os espaços no 4-4-2 adversário. Precisávamos de encontrar alguns espaços para libertar outros. A malta estava claramente identificada. Tínhamos que ser simples a jogar no espaço interior. Aí precisávamos de um jogador como o Chaby que nos dá isso. Fomos muitos dinâmicos sem mudar a nossa ideia de jogo. Os nossos centrais tinham que jogar simples para não nos expormos, pois uma perda de bola podia ser muito perigosa. Faltou-nos mais finalização. Tínhamos que rematar mais fora da área.
Académico de Viseu FC
BnR: Que ajuste fez ao intervalo para a equipa melhorar?
Pedro Duarte: Essencialmente, ajustámos ao nível da agressividade. A equipa estava bem organizada defensivamente, mas precisávamos de condicionar mais a Académica. Depois, faltava o passe seguinte a recuperarmos a bola e que ia determinar se a íamos conseguir manter ou não. Na segunda parte, já conseguimos jogar mais no meio-campo da Académica, mas não levámos o ponto que eu acho que merecíamos.
A tentativa do ATP de fazer com que, este ano, o circuito possa ter um decurso mais normal do que o ano passado levou a que se tomasse decisões um pouco ousadas e arriscadas, alguns poderão até considerá-las teimosas e muito irresponsáveis.
Uma destas decisões veio no sentido de tentar garantir a realização dos torneios calendarizados, em especial os Grand Slam.
A Tennis Australia, que organiza o primeiro Grand Slam do ano, o Australian Open, fez, e está a fazer, de tudo para que o torneio decorra com o mínimo de risco possível, não só para os jogadores, mas, em particular, para os australianos que, fruto de ações e dedicação individual e coletiva, conseguiram conter a pandemia.
Sempre com o objetivo de minimizar ao máximo os riscos, foi criado um elaboradíssimo protocolo sanitário, e é aqui que começa o “problema”. Aos jogadores foi dito que teriam de fazer uma quarentena restrita de 14 dias num hotel, em Melbourne, designado pela organização e que apenas se poderiam fazer acompanhar por um membro da sua equipa técnica ou família. Nas regras para esta quarentena constava a obrigação dos jogadores permanecerem no seu quarto de hotel durante 19 horas por dia. Nas restantes cinco, os jogadores teriam de encaixar os treinos, quer seja em court ou ginásio.
A um lote muito restrito de jogadores, os mais cotados, foi dado o privilégio de poderem fazer a quarentena num hotel diferente, em Adelaide, e com um protocolo sanitário muito diferente. Os jogadores, que até teriam melhores condições no quarto, estavam muito menos limitados a este espaço e as horas de ginásio não contariam para o plafond diário de período fora do quarto. Foi-lhes permitido, também, que se pudessem fazer acompanhar por mais elementos da sua equipa técnica.
Este duplo critério causou polémica e Djokovic tentou fazer-se ouvir, num misto de crítica e sugestão, junto da organização. O sérvio que, naturalmente, foi um dos beneficiados desta dualidade de critérios mostrou-se bastante solidário com os seus colegas de Melbourne apelando à organização, nomeadamente, que aliviasse as restrições impostas. A Tennis Australia mostrou-se sempre bastante intransigente e nunca pareceu interessada a sequer discutir essa possibilidade deixando as críticas de Djokovic cair em saco roto.
A juntar a esta situação, já por si, bastante complicada, nos charters, vindos de várias partes do mundo, expressamente incumbidos de trazer os jogadores para a Austrália, houve quem testasse positivo, o que fez com que todos os passageiros dos respetivos aviões fossem obrigados a uma quarentena ainda mais restrita com a total impossibilidade de saída dos quartos durante o período de 14 dias.
Sem a possibilidade de fazer treino de court nem de ginásio, foram muitos os vídeos que circularam pelas redes sociais de treinos improvisados nos respetivos quartos de hotel. Os dois portugueses que estão na Austrália para disputar o torneio, Pedro Sousa e Frederico Silva (João Sousa, apesar de ter qualificação direta, viu-se obrigado a desistir da sua participação depois de ter testado positivo para COVID-19), sofreram na pele esta situação, num caso de uma forma direta, já que Frederico Silva estava num dos três voos que entrou em quarentena restrita, e no outro caso de forma indireta, uma vez que Pedro Sousa iria ter como parceiro de treinos o canadiano Vasek Pospisil que também estava num desses voos.
A situação foi muito complicada e, ainda que haja uma natural consciência da necessidade destas restrições, foram (e são) muitos aqueles que questionaram a forma desigual como muitos vão chegar ao primeiro torneio do Grand Slam de 2021. Agora que já passou a quarentena e esta situação está, bem ou mal, ultrapassada, seguem-se os torneios de preparação e a ATP Cup, que serão uma boa forma de avaliar um possível impacto desta dualidade de critérios.
O magnata russo Roman Abramovich assumiu o controlo do Chelsea FC em 2003, com o intuito de elevar o estatuto do emblema londrino. Ao leme dos “Blues” já conquistou vários troféus de enorme peso, como a Liga dos Campeões, Liga Europa e a Primeira Liga Inglesa.
Apesar das conquistas, o Chelsea FC tem sido inconsistente relativamente ao desempenho desportivo. Mesmo com um enorme montante investido por Abramovich desde que assumiu o controlo do clube da capital inglesa, as dificuldades para se manter regularmente do topo têm sido imensas.
Ao todo, somam-se 11 treinadores em cerca de 17 anos, todos eles despedidos pelo magnata da Rússia. Com a chegada de Thomas Tuchel, recentemente contratado após a saída de Frank Lampard, o número eleva-se para 12. Nesta lista surgem todos os treinadores contratados na “Era Abramovich”, ordenados do pior para o melhor, na minha opinião. Alguns bastante conceituados, outros nem tanto, mas é certo que há muito talento envolvido, e também algumas contratações milionárias. Destaque neste lote de técnicos para os dois portugueses presentes, José Mourinho e André Villas-Boas.
Vem aí o derby mais importante de Portugal! O jogo do Sporting CP contra o SL Benfica vai ser jogado em Alvalade e vai ser fundamental nas contas de ambas as equipas para o campeonato!
O Sporting CP, por um lado, pretende aumentar a diferença face ao rival da segunda circular e consolidar o primeiro lugar. Por outro lado, o SL Benfica pretende diminuir a diferença pontual para o primeiro lugar para conseguir salvar a atual época! Em jeito de antevisão, eu, sportinguista, venho aqui falar dos maiores flops do SL Benfica dos últimos anos.
Em mais um Podcast do Bola na Rede falamos, claro, do dérbi. Escolhemos os cinco jogadores mais decisivos nos jogos entre Sporting CP e SL Benfica. O João Castro está na moderação e os comentários são do Afonso Santos (SLB) e do Jorge Faria de Sousa (SCP). Vem daí connosco. 🎙️
Se queres saber os escolhidos, então ouve o novo episódio do Podcast BnR.
A CRÓNICA: BRENO LOPES SALTOU DO BANCO PARA RESOLVER A FINAL
O mítico Estádio do Maracanã preparou-se a rigor para receber um dos jogos mais entusiasmantes do futebol mundial: a final da Libertadores da América do Sul. Debaixo de um calor intenso, o “clássico da saudade”, que coloca frente a frente duas equipas cariocas, prometia elevar ainda mais a temperatura no Rio de Janeiro.
Sem o brilho e espetacularidade do pré-jogo de outros anos, muito por culpa da pandemia da Covid-19, a final ficou marcada pela ausência, já habitual, dos adeptos nas bancadas. Ainda assim, cerca de cinco mil pessoas, entre convidados e ex-futebolistas, tiveram a oportunidade de poder ver o jogo das grandes decisões. Abel procurava levar o SE Palmeiras à segunda Libertadores do clube, enquanto que o Santos FC tentava tornar-se no clube brasileiro com mais conquistas na competição.
Apesar do arranque, surpreendentemente controlador, por parte do Santos FC, o SE Palmeiras equilibrou a partida e as equipas não permitiram que se criassem lances de perigo. Este foi um típico jogo da América do Sul. Muita garra, intensidade, faltas, e sem muito espaço para brilhantismos. Mais do que jogar, as duas equipas preocuparam-se em não deixar jogar, tentando anular as maiores evidências, de parte a parte. A toada manteve-se durante todo o primeiro tempo e as equipas foram para o balneário sem terem efetuado um único remate enquadrado com a baliza. Apesar das várias investidas, o jogo esteve sempre muito preso com duas formações bastante encaixadas uma na outra. Maior destaque da primeira parte? Sem dúvida, a t-shirt personalizada de Cuca, treinador do Peixe.
A segunda metade pareceu um autêntico retrato da primeira. Faltas e cartões amarelos? Sim. Remates enquadrados? Nem por isso. O primeiro da partida foi ao minuto 76.
Pouca história tiveram os restantes minutos da partida. Excluindo o período de descontos, onde tudo aconteceu. Cuca foi expulso, num lance onde se envolveu com Marcos Rocha, perderam-se minutos e voaram cartões (amarelos e vermelhos). No seguimento, e quando se previa que o jogo se prolongasse por mais 30 minutos, o Palmeiras chegou à vantagem por Breno Lopes, aos 90+9, que respondeu de forma perfeita ao cruzamento de Rony. O Palmeiras, de Abel Ferreira, venceu e conquistou, a segunda Libertadores da história do clube. Que vitória. Parabéns, Abel!
Breno Lopes – A figura do jogo saiu mesmo do banco, aos 85 minutos. O golo é, e será sempre, um dos aspetos mais importantes do futebol. Hoje não foi diferente. Entrou, marcou, e entregou o título ao Verdão, coroando uma belíssima campanha e selando a presença no Mundial de Clubes.
Yeferson Soteldo – O venezuelano era, a par de Marinho, uma das maiores esperanças do Santos para a grande final. O jogador tinha sido um dos destaques da temporada e esta final não fez justiça ao valor deste pequeno, mas enorme, jogador. Provavelmente muito por culpa da forte marcação dos laterais contrários, os extremos não conseguiram criar perigo e Soteldo podia e devia ter feito melhor.
ANÁLISE TÁTICA – SE PALMEIRAS
Abel Ferreira procurou explorar uma defesa a quatro, contrariamente ao que fez na primeira mão das meias-finais, frente ao CA River Plate, quando apresentou um esquema com cinco defesas. Ainda que fosse algo confuso e maleável, podemos considerar que o Verdão se organizou em 4-2-3-1 ou 4-1-4-1, dependendo do posicionamento de Zé Rafael.
Ainda que a defesa seja sólida e consistente – muito importante nas meias-finais – o maior destaque na equipa do treinador português surge do meio-campo para a frente. Danilo funciona como um médio mais defensivo, tendo sido recorrentemente apoiado por Zé Rafael, que tinha movimentos defensivos, impedindo as investidas pelo centro do adversário. À frente destes, apareciam as coqueluches: Raphael Veiga, Rony e Gabriel Menino. O primeiro, mais centralizado procurava ajudar a referência ofensiva, Luiz Adriano. Rony, pela esquerda, e Gabriel Menino, pela direita, foram sempre os mais inconformados, principalmente Rony, muito rápido e dinâmico procurou sempre rasgos individuais de grande destaque.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Weverton (6)
Marcos Rocha (6)
Gustavo Gómez (7)
Luan (6)
Matías Viña (7)
Danilo (7)
Gabriel Menino (6)
Zé Rafael (6)
Raphael Veiga (6)
Rony (8)
Luiz Adriano (6)
SUBS UTILIZADOS
Patrick de Paula (6)
Breno Lopes (9)
Alan Empeurer (-)
Filipe Melo (-)
ANÁLISE TÁTICA – SANTOS FC
O Peixe, orientado por Cuca, alinhou num 4-3-3. Na saída de bola os defesas-centrais, Lucas Veríssimo e Luan Peres, abriam muito para as laterais deixando espaço no meio para Alisson, que recuava para ajudar na construção. Os defesas-laterais tentavam aparecer mais subidos, onde encontraram a marcação cerrada dos extremos contrários. A inclusão de Sandry no meio-campo do Santos FC poderia indicar um esquema mais retraído, mas não aconteceu. A equipa surpreendeu e procurou ter a posse nos primeiros minutos da partida. De resto, ressalvar a procura dos extremos pelos momentos de 1×1, onde se poderiam mostrar e criar desequilíbrios. Cuca sentiu a necessidade de alterar o esquema e lançou Lucas Braga, mais rápido e perigoso, por troca com Sandry, jogador de posse e controlo.
A CRÓNICA: UNITED EMPATA E DEIXA CITY CADA VEZ MAIS LÍDER
Um Arsenal FC vs Manchester United FC é sempre um clássico, independentemente de as duas equipas não estarem a passar por fases particularmente brilhantes no que à conquista de títulos e qualidade de jogo diz respeito. Ao contrário que do que vimos no primeiro duelo da época entre as duas equipas em Old Trafford, em que o jogo foi pouco brilhante e sem grandes oportunidades de golo, no Emirates Stadium as duas equipas entraram a querer vencer e a primeira parte foi um reflexo disso.
Assistimos a boas oportunidades para ambas as formações, das quais destaco um grande remate de meia-distância de Fred, na ressaca de um canto, que originou uma grande defesa de Leno. Partida muito dividida, mas com um ligeiro ascendente do Manchester United FC. Nota para a substituição forçada de McTominay, por lesão, com Solkjaer a mudar o figurino que inicialmente tinha pensado para este jogo, colocando Martial e puxando Pogba para o centro do terreno (mais fixo).
Ao intervalo, Arteta tirou Martinelli e colocou em campo o veterano Willian, procurando ter mais “cérebro” com a bola nos pés. Os segundos 45 minutos começaram mesmo com uma excelente oportunidade para o brasileiro do Arsenal finalizar, mas o remate saiu frouxo. Esta ocasião deu mesmo o mote a uma entrada positiva na segunda-parte, conseguindo frustrar as tentativas dos Red Devils.
O resultado teimava em não se alterar, apesar das várias oportunidades que iam surgindo. Lacazette na execução de um livre atirou à trave, logo a seguir Smith-Rowe fez com que De Gea fosse ao chão fazer uma excelente defesa e Cavani continuou um dia desastrado, a falhar duas boas ocasiões para fazer o 0-1.
A toada continuou assim até ao fim e o 0-0 não se desfez, resultando numa divisão de pontos que não agrada a nenhum dos clubes.
No Manchester United FC gostei sobretudo de Fred (na minha opinião, melhor em campo) e Lindelof, com Shaw (dos melhores esta época) a estar errático na decisão e Cavani e Bruno Fernandes especialmente mal. Já no Arsenal FC, Bellerin foi o melhor (parece estar a voltar à sua melhor forma), mas Xhaka e Partey demonstraram que formam uma boa dupla no meio-campo. Pepe esteve bem a criar, mas mal a finalizar.
A FIGURA
A spirited performance, but the points are shared. #ARSMUN
Mikel Arteta– Ao contrário de Solskjaer, que conseguiu piorar a equipa com a substituição de McTominay, Arteta melhorou-a ao intervalo com a entrada de Willian. Tanto, que até considero que a haver um vencedor desta partida, o mais justo seria o Arsenal FC. Uma equipa em retoma que tem dedo de treinador, mesmo apesar de ausências importantes de “habituais titulares”.
Os atacantes de ambas as equipas- Como poderão perceber pelo que está escrito ou se viram o jogo, não coloco como figuras as duas defesas porque não creio que estivessem particularmente bem. O que aconteceu foi uma contínua falta de assertividade por parte de ambos os sectores atacantes que vimos aqui, especialmente por parte de Cavani, Bruno Fernandes, Pepe e Smith-Rowe, mas também Lacazette (que até enviou à trave, mas este catalogo-o como “azarado”). Houve oportunidades suficientes para ser uma partida com outro tipo de resultado.
ANÁLISE TÁTICA – ARSENAL FC
Mikel Arteta passou pela tempestade e foi conseguindo reinventar-se, por isso temos um Arsenal FC com uma moral em alta para defrontar um dos seus maiores rivais. Claramente em retoma, o treinador espanhol optou por um 4-2-3-1, com Martinelli no lugar de Saka – com uma lesão de última hora na anca – e uma defesa que me parece não ser a melhor, mas sim a possível, face às ausências de Tierney e Pablo Mari. No meio, Partey volta a merecer a confiança do seu técnico neste seu período inicial com a camisola Gooner ao peito e o jovem Smith-Rowe, um dos responsáveis pela subida de forma da equipa londrina, a cimentar o seu lugar no onze.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Leno (7)
Bellerin (7)
Holding (5)
David Luiz (6)
Cedric Soares (6)
Partey (6)
Xhaka (6)
Pepe (6)
Smith-Rowe (5)
Martinelli (5)
Lacazette (5)
SUBS UTILIZADOS
Willian (6)
Odegaard (-)
Nketiah (-)
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC
Já o Manchester United FC aparece neste jogo depois de uma derrota em casa frente ao último classificado, o Sheffield United FC, que foi tudo menos surpreendente. Solskjaer mexeu muito e o sector mais fraco da equipa, a defesa, sofreu ainda mais. Neste jogo voltou a apostar naqueles que têm sido mais vezes titulares, numa tática de 4-2-3-1, mas que na verdade me parece mais um 4-2-2-2, que a dada altura era muito utilizado por Nagelsmann no RB Leipzig mas sobretudo no TSG Hoffenheim.
Cavani, a maior surpresa, atua mais fixo na frente de ataque, com Rashford a ser um parceiro que cai muito na ala e tendo atrás Bruno Fernandes e Pogba. A diferença é que Bruno é o “10” e Pogba é o falso-ala, que passa mais tempo no centro do terreno.
A CRÓNICA: INICIO DE SEGUNDA PARTE AVASSALADOR, DÃO VITÓRIA AOS MADEIRENSES
No pontapé de saída da jornada 16 da Primeira Liga Portuguesa, CD Nacional e FC Famalicão, entraram em cena num palco com 632 metros de elevação com o intuito de produzirem um bom espetáculo de futebol, entre duas equipas que procuravam, desesperadamente, uma vitória que às possibilitasse um salto na tabela classificativa.
Não foi preciso esperar muito até se ver ação na partida, visto que aos quatro minutos, numa jogada de envolvência do ataque alvinegro, Kenji Gorré cruzou para alívio apertado da defensiva do Famalicão. No entanto, nos vinte minutos seguintes pouco ou nada se passou ao redor de ambas as equipas, até porque houve duas paragens devido a lesões, um de cada equipa, que queimaram o ritmo que o jogo vinha a desenvolver nos primeiros minutos.
Todavia, aos 27´ minutos numa jogada de contra-ataque, Francisco Ramos deu a bola para a asa direita, com Vincent Thill a conduzi-la para o centro, rematando para desvio de Babic. Porém, como quem não marca, sofre, o Famalicão aos 32´minutos, também numa jogada de contra-ataque em que Kraev desmarcou Ivo Rodrigues, no qual o português cortou para o centro, chutou, desviando no central ´famalicense´ Júlio César, acabando a bola por sobrar para o ponta-de-lança Anderson Oliveira, que só com Piscitelli pela frente, não falhou e apontou o primeiro da partida.
Até final da primeira metade, nota para o facto de através de uma bola parada ofensiva, Thill ter colocado a bola adoçada para a cabeça de Riascos, que enviou à figura de Luiz Júnior, e ainda, um remate de fora de área do luxemburguês para defesa estreita do guardião brasileiro da equipa de Vila Nova de Famalicão.
Ao intervalo, a estatística ditava um equilíbrio relativamente à posse de bola, sendo que o CD Nacional a tenha mantido mais tempo, mas nem por isso com mais qualidade.
O Nacional sabia que tinha de fazer pela vida, pois a derrota não servia aos seus interesses, por isso, foi dos pés dos homens vestidos de preto e branco que surgiram as primeiras incitavas ofensivas, da segunda parte. Quem insiste, persiste, e não desiste, chega sempre ao sucesso, que foi o que aconteceu com a equipa da Madeira, que empatou a partida por intermédio de Brayan Rochéz, aos 53´minutos. Os alvinegros vieram para os segundos 45 minutos, autenticamente, com o pé no acelerador e em menos de cinco minutos viraram o placard, com um contra-ataque venenoso que acabou com uma finalização perfeita de Francisco Ramos.
Com a reviravolta no marcado, o Nacional abrandou um pouco o ritmo de jogo, permitindo, inclusivamente, mais iniciativa dos homens do Famalicão, no entanto, sem lances de perigo a registar.
Os ponteiros do relógio rodavam e com isso, o jogo caminhava para o fim. O árbitro, Tiago Martins, deu nove minutos de tempo extra, devido às várias paragens que ocorreram durante a segunda parte, contudo, na raça e no espírito combativo, o CD Nacional conseguiu manter o 2-1 no marcador, conquistando assim, a tão importante vitória, contrapondo, com a continuação de maus resultados da equipa de João Pedro Sousa.
A FIGURA
Nuno Borges de saída para o Nacional da Madeira.
As maiores felicidades tanto a nível pessoal como profissional ao jogador.
Obrigado por tudo⚫⚪ pic.twitter.com/kVQpRuS4SM
— Sporting Clube Farense (@SCFarense_1910) July 1, 2019
Nuno Borges – Muitos outros podiam ter sido coroados como ´a figura´ do jogo, como são os casos de Francisco Ramos e Vincent Thill, mas a minha escolha recai sobre o médio-campista cabo-verdiano, Nuno Borges. Muito forte na construção de jogo, através da sua qualidade de passe, e na compensação defensiva. Encheu o campo. Foi omnipresente. Demonstrou raça e agressividade em todos os lances que disputou, não dado uma bola como perdida. Um autêntico guerreiro.
— Futebol Clube de Famalicão (@FCF1931_Oficial) January 30, 2021
Lesão de Gustavo Assunção – A sua lesão aos 21´minutos, condicionou a fase de construção do FC Famalicão, até porque, o médio defensivo de 20 anos é o principal responsável por orquestrar o jogo da equipa famalicense.
ANÁLISE TÁTICA – CD NACIONAL
Para esta partida frente ao FC Famalicão, Luís Freire continuou a utilizar um sistema em 4-3-3. Com o italiano Riccardo Piscitelli a substituir o lesionado Daniel Guimarães (traumatismo na grelha costal), habitual titular em jogos para o campeonato. Na defesa, o brasileiro, Kalindi, à direita, Rui Correia (capitão) e Lucas Kal, ao centro, e o ´carrossel´ moçambicano, Witi, à esquerda, formaram assim, o quarteto defensivo. No meio-campo, o cabo-verdiano Nuno Borges foi a peça escolhida para iniciar a fase de construção da equipa. À sua frente jogaram mais libertos, o tunisino Azouni e o jovem português Chico Ramos. Nas alas, o técnico da formação madeirense, optou por utilizar um jogador mais criativo, como é Vincent Thill, e do outro lado, o internacional pela ilha do Curaçau, Kenji Gorré. Por último, na frente, como referência mais ofensivo, o hondurenho Bryan Rochez.
Quanto ao estilo de jogo utilizado pelos homens do Nacional, Luís Freire pediu aos seus jogadores atacar, preferencialmente, pelo centro, construindo jogo desde os pés de Nuno Borges, que foi o orquestrador de jogo, alternando entre passos curtos para os colegas e passos longos para as alas do ataque alvinegro, servindo-se ainda, de lances de contra-ataque. Já em termos defensivos, o Nacional, como também já é habitual, optou por uma pressão conservadora, mantendo a sua defesa subida em alguns momentos do jogo, optando por uma densidade defensiva alta e uma boa reação à perda.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Riccardo Piscitelli (5)
Kalindi (6)
Lucas Kal (-)
Rui Correia (6)
Witi (5)
Nuno Borges (8)
Azouni (4)
Chico Ramos (7)
Vincent Thill (7)
Kenji Gorré (6)
Brayan Rochez (6)
SUBS UTILIZADOS
Júlio César (5)
João Vigário (4)
Alhassan (-)
João Camacho (-)
ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO
Para o jogo no Estádio da Madeira, João Pedro Sousa fez alinhar, de início, 11 jogadores com uma média de idade de 22 anos, ou seja, uma aposta muito jovem para ´atacar´ os três pontos. Assim sendo, o técnico de 49 anos optou por aplicar um 4-3-3 defensivo. Na baliza, o brasileiro Luiz Júnior. Na defesa, Patrick William foi adaptado a lateral direito, enquanto Babic e Diogo Queirós, jogaram ao centro, e ainda, Rúben Vinagre à esquerda. No pivot defensivo, jogaram o uruguaio Ugarte e o capitão Gustavo Assunção, que foi também, o responsável pela saída de bola do Famalicão. O búlgaro Bozhidar Kraev atou à frente destes dois homens, sendo o homem mais criativo, cabendo a Heriberto Tavares e Ivo Rodrigues, o jogador mais velho no 11 da formação ´famalicense´, jogar pelas alas. O ponta-de-lança desta equipa foi o brasileiro Anderson Oliveira.
No estilo de jogo utilizado pela formação do Famalicão, João Pedro Sousa viu-se privado, logo nos primeiros minutos, de Gustavo Assunção, a ´batuta´ do meio-campo famalicense, daí ter alterado um pouco a forma de jogo da sua equipa, passando a jogar em ataque mais direto, em toda a largura do campo. Sendo que, a nível defensivo, o Famalicão foi equipa macia, utilizando uma defesa subida.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Luiz Júnior (5)
Patrick William (3)
Babic (4)
Diogo Queirós (4)
Rubén Vinagre (5)
Gustavo Assunção (-)
Ugarte (4)
Kraev (5)
Ivo Rodrigues (5)
Heriberto Tavares (4)
Anderson (5)
SUBS UTILIZADOS
Andrija Lukovic (4)
Gil Dias (3)
Robert (-)
Diogo Figueiras (-)
Iván Jaime (-)
BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
CD Nacional
Não foram colocadas questões ao treinador do CD Nacional, Luís Freire
FC Famalicão
BnR: A muita juventude e a falta de experiência da equipa, explicam a má fase que o clube atravessa?
João Pedro Sousa: Não me quero agarrar à falta de experiência. Claro que há alturas em que há alguma imaturidade, nós sabemos isso e os jogadores também sentem isso. Mas, isso é um risco que nós assumimos desde início. Salvo erro, antes deste jogo, utilizamos 27 jogadores, que poderiam ter jogado na Liga Revelação. Mas é natural, devido aos vários problemas que têm existido na equipa. Lesões, castigos, etc., questões de vária ordem, que nos levaram a utilizar imensos jogadores e o nosso plantel é constituído por gente muito jovem, mas nós já sabíamos que ia ser assim. Claro que há alturas dos jogos ou do campeonato, que um pouco mais de maturidade ajudava, claro que sim, mas não vou por aí, longe de mim arranjar uma desculpa para estarmos na posição que estamos.”
Desde que Jorge Jesus regressou ao comando técnico do SL Benfica que se tem vindo a falar da possibilidade deste vir a apostar num sistema de três centrais, um sistema que chegou a usar uma vez por outra no Sporting CP, mas que nunca foi aposta definitiva do treinador amadorense.
Jorge Jesus sempre foi um adepto predileto do 4-4-2, embora já tenha assumido publicamente que é um apaixonado pelas táticas com três centrais. No entanto, ainda na fase inicial da época, JJ declarou que a equipa ainda não estava preparada para adotar essa tática, visto que os processos defensivos no 4-4-2 ainda não estavam assimilados, e ficaram ainda mais atrasados com a venda de Rúben Dias e a lesão grave de André Almeida.
Também é público que Jorge Jesus tinha Johan Cruyff como a sua principal referência, tendo realizado um estágio com ele em 1993, sendo que a sua admiração pelos sistemas de três centrais pode muito bem ter surgido daí.
Jorge Jesus dispõe atualmente de cinco defesas-centrais no plantel encarnado: Otamendi, Jardel, Ferro, Verthongen e Todibo, sendo que os dois último são canhotos, como Jesus tanto gosta. Para além disso, também está assegurada a contratação de Lucas Veríssimo ao Santos, desejo antigo de JJ, sendo que Todibo e Lucas Veríssimo aparentam ser aqueles com maior qualidade na saída de bola, podendo encontrar jogadores nas costas da primeira linha adversária.
Para dar largura nas alas, há Grimaldo, Cervi, Nuno Tavares Gilberto e Diogo Gonçalves. Portanto, há jogadores na defesa para Jorge Jesus adotar o sistema. Mas neste caso, Grimaldo poderá vir a ter uma função diferente das funções tradicionais num ala neste sistema. Tratando-se de um lateral com uma grande capacidade associativa e que gosta de explorar espaços interiores, Jorge Jesus pode conjugar essas características com Everton, que é um extremo que gosta de receber a bola em zonas mais abertas do terreno de jogo, podendo haver aqui uma dupla com funções invertidas, um pouco à imagem do que acontece no US Sassuolo com Rogério e Boga.
A contratação de Lucas Veríssimo pode ser feita em virtude da alteração de sistema Fonte: Santos FC
Passando também pelos jogadores mais adiantados, este sistema também pode ser uma forma de Pedrinho vir a ter mais oportunidades no onze, tendo em conta que se trata de um extremo mais cerebral e que dá maior qualidade e critério ao último terço do terreno, não correspondendo ao perfil de extremo mais clássico de que JJ tanto gosta.
Já quanto a outro extremo como Rafa, jogador mais vertical e que gosta de explorar a profundidade, creio que encaixaria melhor com Waldschmidt a jogar como falso nove. Com o alemão a servir de referência entre linhas, forçaria a linha defensiva adversária a subir dando liberdade ao internacional português para atacar a profundidade.
Uma vantagem deste sistema com três centrais, seria que este permitiria à equipa fazer uma saída de bola a três sem recuar ninguém no meio-campo, deixando a equipa equilibrada no espaço central, e forçando a equipa a canalizar o jogo para as alas.
Outra vantagem que este sistema traz é que confere uma maior presença de jogadores em zonas centrais do terreno de jogo, o que confere uma maior segurança em situações de transição defensiva, que tem sido um dos grandes problemas do futebol do SL Benfica nos últimos anos. Esta maior presença também seria uma salvaguarda a jogadores que expõem muito a equipa neste momento do jogo, tais como Pizzi ou Taarabt.
De momento, ainda não existem reais indícios de que a aposta no 3-4-3 venha a tornar-se numa realidade. Ainda existem alguns pontos de interrogação quanto a esta possibilidade e só o tempo e a evolução coletiva da equipa nos poderá dar mais sinais quanto a esta hipótese, sendo que, havendo constantemente dois jogos por semana, existe pouco tempo para trabalhar modelos e processos de jogo.