Os troféus do FC Porto foram apenas conquistados com um trabalho consistente ao longo da época, embora a recuperação pontual tenha iniciado em fevereiro e a partir daí começou o melhor período da equipa, com destaque para vitórias com clara superioridade em dois jogos de elevada dificuldade – SL Benfica no Dragão e Vitória SC em Guimarães – e exibições de excelência no pós-Covid.
É certo que foi durante este período que a qualidade de vários atletas se emancipou, no entanto, houve um grupo de jogadores que apresentou uma consistência formidável durante toda a temporada e seguramente não foi graças a eles que os resultados iniciais deixaram a desejar. Falo, portanto, de Marchesín, Alex Telles, Otávio e Corona, pois foram estes que se aproximaram mais da construção de uma espinha dorsal da época 2019/2020 do FC Porto.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Além de terem sido os que mais se destacaram ao longo do ano, continuaram a ser os mais influentes no melhor momento dos dragões no campeonato, especialmente os três jogadores de campo.
Tecatito Corona foi, a meu ver, o melhor jogador desta edição do campeonato pela influência no futebol do FC Porto, mediante a quantidade de oportunidades criadas e na forma como desbloqueava facilmente a defesa contrária. Foi, sem sombra de dúvidas, o seu ano de explosão e a melhor época da carreira até à data.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
O drible desconcertante, a rapidez na execução e a magia para tirar os adversários da frente são as suas maiores armas, mas há um fator que tornou Corona o jogador mais importante da manobra ofensiva azul e branca. E com isto falo da sua evolução como criador de jogo, através dos passes a rasgar, desmarcações a isolar colegas e uma inteligência nunca antes vista. Prova disso foram as 21 assistências realizadas em todas as competições – 14 delas no campeonato. Não esquecer também que Corona atuou várias vezes a lateral direito, incluindo nas partidas frente ao Benfica. O que certamente ninguém se esquecerá é o túnel deslumbrante a Rafa Silva.
O Sporting CP é um dos clubes mais ecléticos do mundo, e consequentemente, o mais eclético de Portugal. Aliás, é essa característica que torna o Sporting CP um dos clubes mais titulados mundialmente.
Hoje, vou apenas debruçar-me sobre os títulos internacionais dos últimos dez anos. Pensei ainda alargar o espaço temporal desta análise para os últimos 20 anos, mas entre 2000 e 2010 conseguimos conquistar “apenas” uma Taça dos Campeões Europeus de Atletismo em Pista, disputado em Vila Real de Santo António no ano de 2000, e em 2010 uma Taça Challenge de Andebol na Polónia.
Este meu aparente desprezo pelo intervalo cronológico 2000-2010 deve-se essencialmente pelo número de títulos internacionais que as nossas modalidades conseguiram juntar às vitrinas do Museu Sporting na década seguinte. No total foram 12 e destes vou tentar escolher as 5 mais marcantes. Como se fosse possível catalogar qualquer destas conquistas como “A melhor”.
Com o recomeço da NBA, e com os fãs a marcarem a sua presença de forma virtual, bastantes são os jogadores que se despertaram e andam a mostrar ao mundo o seu verdadeiro talento. Um deles é TJ Warren, shooting-guard dos Indiana Pacers.
O norte-americano, que representou os Phoenix Suns desde 2014, enverga o equipamento dos Indiana Pacers desde o início da época, mas só desde o retorno da competição após a suspensão da mesma é que TJ Warren tem vindo a ser focado pelos holofotes.
Nos três primeiros jogos na “bolha”, TJ Warren concretizou 53, 34 e 32 pontos respetivamente. Antes da suspensão da NBA, o norte-americano marcava, em média, 18.7 pontos por jogo e nunca marcou mais de 30 pontos em jogos consecutivos nas mais de cinco épocas que já leva na competição.
Nada do que temos visto ultimamente por parte de TJ Warren é novo. Aquando caloiro de NC State, tinha uma média de 24.9 pontos por jogo e venceu o prémio de Jogador do Ano na temporada de 2013/14. Mas, mesmo nessa altura, o número máximo de pontos concretizados por Warren em três jogos era 107, quando, na “bolha”, já ultrapassou a marca dos 119 pontos.
Pontos à parte, todas as oportunidades contam e TJ Warren tem aproveitado cada uma delas. O shooting-guard dos Indiana Pacers adiciona novos elementos ao jogo, tanto em equipa como a nível particular. Neste momento, Warren é um dos melhores atiradores a médio alcance da equipa, e, esse ponto forte a nível pessoal, eleva também a vertente geral. Ao estar confortável em lançar da linha de três pontos, Warren consegue criar mais espaços para os seus companheiros de equipa, potenciando outras possíveis jogadas de concretização.
Enquanto a sua destreza ofensiva ganha destaque, a estratégia defensiva do norte-americano nunca pareceu ser algo excecional. Nos três primeiros jogos na “bolha” de Orlando, Warren demonstrou a sua capacidade defensiva ao arrecadar sete bloqueios e seis roubos de bola – algo que nunca conseguiu fazer antes num conjunto de três jogos.
TJ Warren consumou a sua mudança para os Indiana Pacers após considerações financeiras da parte dos Phoenix Suns, e é atualmente uma das grandes estrelas da equipa e da “bolha” de Orlando.
Os Indiana Pacers precisam de estrelas e jogadores de elevado nível para marcarem uma posição relativamente ao campeonato ou a um nível avançado dos play-offs. Às estrelas de Indiana que são Victor Oladipo, Malcolm Brogdon e Domantas Sabonis, junta-se nitidamente TJ Warren. E, desta equipa, se continuar com o nível que demonstra ou se existirem mais surpresas como a que está a ser TJ Warren, pode-se esperar uma bela campanha dos Indiana Pacers nos próximos tempos.
O super PSG tem um dos mais competitivos plantéis da Europa e uma montra de jogadores que faz inveja aos maiores emblemas do mundo. É o tudo por tudo dos parisienses que tentam chegar às meias-finais da UEFA Champions League pela segunda vez na sua história, e a primeira desde 1995. Os franceses têm pela frente a sensacional Atalanta orientada por Gian Piero Gasperini, que nos últimos anos tem surpreendido o velho continente com performances irrefutavelmente memoráveis. À semelhança dos franceses, em caso de vitória, a equipa bergamasca chega às meias-finais pela segunda vez na sua história.
A entrada forte do PSG desvendou ao que íamos ter um jogo animado, em que não dava para tirar os olhos da televisão, nem por um segundo. O avassalador domínio inicial dos parisienses culminou com uma berrante ocasião de golo ao quarto minuto de jogo, por intermédio de Neymar, que isolado na cara do guardião bergamasco, Marco Sportiello, falhou escandalosamente o alvo.
A tendência inverteu-se aos 10 minutos, altura em que a roda dentada da Atalanta começou a engrenar. Ao minuto 13, o bem oleado futebol ofensivo dos nerazzurri obrigou Keylor Navas a trabalhos redobrados. O passe teleguiado de Papu Goméz encontrou Hateboer, que cabeceou com força, e só uma super intervenção do costa-riquenho é que manteve o nulo entre os italianos e os franceses. Um minuto depois, Mattia Caldara testou outra vez Navas, que voltou a fazer uma defesa fantasmagórica, mas a jogada já estava interrompida por fora-de-jogo.
O caudal da Atalanta deu o derradeiro fruto ao minuto 27. Depois dum ressalto felizardo entre Duvan Zapata e Kimpembe, Mario Pasalic vê-se sozinho na cara de Navas e fuzilou o costa-riquenho. Estava desfeito o nulo, e o underdog italiano ficava a vencer por 1-0.
Bastou um minuto para a reação dos franceses, que quiseram rapidamente retomar posse da tocha. Neymar fintou três jogadores da formação italiana e voltou a falhar o alvo. O remate da estrela brasileira tirou tinta ao poste da baliza da Atalanta, depois duma boa jogada individual.
No final da 1.ª parte era de realçar a vantagem dos italianos e a desinspiração do Paris Saint-Germain, à exceção de Neymar e Navas, que eram os únicos que pareciam ter argumentos para fazer frente a esta surpreendente Atalanta.
O segundo tempo arrancou de forma mais lenta que a primeira metade do encontro. As tentativas de incursão atacante dos italianos eram menos recorrentes e o PSG não conseguia criar uma boa oportunidade. Thomas Tuchel percebeu que tinha de mexer no banco para animar o jogo, e à passagem do minuto 60 fezall-in: entrava Kylian Mbappé, que acabava de regressar duma lesão.
O desespero parisiense para chegar ao empate ficou mais óbvio nos últimos vinte minutos, momento a partir do qual a posse era praticamente toda do PSG e as tentativas de golo nasciam quase a cada dois minutos. À passagem do minuto 73, Mbappé fez um sprint com a bola pela ala esquerda, chegou até à área e rematou para uma boa defesa com o pé de Sportiello. Aos 76, foi Neymar a testar a concentração do italiano, que disse presente. Ao minuto 80, volta a aparecer Mbappé que correu em direção à baliza e, desta vez, valeu a heróica intervenção do defesa Palomino a evitar o golo do francês.
Com o minuto 90 chegou o início da revolução francesa. O esforço do Paris Saint-Germain finalmente dá lucro. Numa jogada de insistência, Choupo-Moting cruzou para Neymar, que assistiu o compatriota Marquinhos para fazer o tão desejado empate. Um momento bonito. À “Costinha”, em 2004.
Une égalisation dans les dernières minutes. Avant la libération finale ! #ATAPSG
Enquanto a Atalanta se preparava para o prolongamento, Neymar cozinhou uma nova transição rápida, desmarcou Mbappé na área que, sem qualquer egoísmo, passou a bola para a finalização fácil de Choupo-Moting. Aos 93 minutos, o balde de água fria assolava os italianos que deitavam tudo a perder no período de descontos.
No final, conta-se a história duma grande noite europeia no Estádio da Luz. Duas grandes equipas, das melhores da Europa, e a sorte que sorriu a um Paris Saint-Germain que nunca baixou os braços.
Neymar – O brasileiro sente que está mais perto do que nunca de ganhar a Liga dos Campeões, e a motivação que sente foi evidente no jogo de hoje. Quem viu os quase 100 longos minutos de futebol nesta noite de futebol, não fica com qualquer dúvida. Neymar foi o melhor em todos os momentos da partida. Se durante a semana foi noticiado que recebe, sozinho, mais do que a equipa inteira da Atalanta hoje evidenciou o porquê.
Mattia Caldara – Passou muitas dificuldades em acompanhar o elevadíssimo ritmo dos quartos de final da Liga dos Campeões. Foi o jogador que mais dribles sofreu (sete) em toda a partida, perdeu 13 em 16 dos duelos individuais e foi o culpado direto por quatro perdas de posse de bola. Caldara não foi um desastre completo, mas foi o elo mais fraco da equipa que sai hoje derrotada do Estádio da Luz.
ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN FC
Taticamente, um jogo algo desinteressante dos franceses. Thomas Tuchel não inventou uma tática personalizada para defrontar os italianos. Um 4-3-3 simples, com passes rápidos e fé na superioridade técnica. O alemão admite indiretamente o intuito de fazer sobressair as qualidades individuais da turma parisiense diante da Atalanta. O início foi forte, mas a verdade é que o Paris Saint-Germain se viu com muitas dificuldades para se superiorizar ao grande coletivo da Atalanta. Tuchel não estava errado. A individualidade acabou por ganhar a partida e garantir as ‘meias’ da Champions.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Navas (8)
Kehrer (6)
Thiago Silva (7)
Kimpembe (6)
Bernat (6)
Herrera (6)
Marquinhos (7)
Gana Gueye (6)
Sarabia (5)
Neymar (9)
Icardi (5)
SUBS UTILIZADOS
Mbappé (7)
Draxler (6)
Paredes (6)
Choupo-Moting (7)
Sérgio Rico (-)
ANÁLISE TÁTICA – ATALANTA BC
Uma Atalanta muito igual a si mesma. São três defesas, dois alas, dois trincos, dois construtores e um ponta de lança. Está feito o 3-4-2-1 dos italianos que tem dado cartas na Serie A e hoje quase levou de vencido o Paris Saint-Germain. O golo aos 27 minutos nasce com muito esforço e mérito da turma de Gian Piero Gasperini e o cair do pano acabou por ser um desastre completo para a Atalanta que, por pouco, falha a meia-final da Liga dos Campeões. Perdeu na qualidade individual, mas há que ressalvar a luta sobrehumana do coletivo. Quase brilhantes! Para o ano há mais Atalanta, e cá estaremos para acompanhar.
O ano de 2018 foi duro para as “águias”. Além de não terem conseguido conquistar o pentacampeonato, os encarnados viram algumas figuras de peso abandonar o balneário.
Paulo Lopes, o “eterno terceiro guarda redes” encarnado, anunciou que iria pendurar as luvas, aos 40 anos, sendo que iria prosseguir a sua carreira na Luz como treinador de guarda-redes da equipa sub-23 do Benfica.
Também Shéu Han, após cerca de 20 anos a desempenhar a função de secretário técnico, anunciou, por motivos pessoais, que iria assumir outros cargos na Luz.
E como não há duas sem três, também Luisão anunciou que, ao fim de 15 anos ao serviço das “águias”, iria colocar um ponto final na sua carreira de jogador profissional, passando a desempenhar um cargo nas relações internacionais do clube.
Em suma, num ano, perderam-se três referências no balneário encarnado. Três “monstros sagrados” cuja capacidade para passar a mística e o poder do Benfica quer aos jogadores estrangeiros, como aos mais novos, valeram dezenas de títulos para o palmarés vermelho e branco.
Fonte: SL Benfica
No entanto, a situação parece que vai mudar na época 2020/21. Com o regresso de Jorge Jesus ao comando técnico dos encarnados, voltam dois nomes de peso ao balneário. Luisão e Paulo Lopes vão ingressar na equipa técnica do treinador português, ocupando os cargos de secretário técnico e treinador de guarda redes, respetivamente.
Numa altura em que se perspetivam várias mudanças no plantel, com o próprio Jorge Jesus a admitir, em entrevista à Benfica TV, que “muitos ainda não chegaram e muitos não vão ficar”, ter dois pesos pesados da história das “águias” no balneário será muito importante para receber e integrar os novos jogadores à realidade encarnada.
A presença do antigo guarda redes e do antigo capitão também serve para controlar melhor o balneário encarnado, numa altura em que se suspeita, especialmente devido a toda a situação que levou ao despedimento de Bruno Lage, que poderá haver algumas maçãs podres que desestabilizam o plantel.
A Liga dos Campeões, sendo a maior competição de clubes à escala global, é também uma montra para os jogadores mostrarem todo o seu talento e qualidade. Qualquer futebolista sonha em atuar na prova milionária, tanto pelas sensações que a participação na mesma provoca, como pela busca de melhores clubes ou até contratos desportivos mais avultados, principalmente para os jovens atletas que procuram dar os saltos nas suas carreiras.
Posto isto, e com a edição 2019/2020 da competição nos quartos de final e a aproximar-se do fim, na seguinte lista apresento um onze, disposto num 4-3-3, composto pelos maiores talentos com 23 anos ou menos das equipas que ainda se encontram em prova.
Ah! Quem não tinha saudades de ver Portugal nas bocas do Mundo? Para os adeptos de automobilismo este ano de 2020, para além de ficar marcado pela pandemia de COVID-19, ficará certamente na memória por trazer a Portugal o mundial de Fórmula 1, mas também o de MotoGP! É verdade. O Autódromo Internacional do Algarve (AIA) já era uma possibilidade para a Dorna Sports, organizadora do mundial, e estava em “banho maria” à espera de ser chamado para que as duas rodas do MotoGP viessem novamente a terras lusas.
Oito anos depois, os maiores nomes do MotoGP voltam-se a reunir em Portugal e a possibilidade de haver fãs nas bancadas (tal como na Fórmula 1) voltou a criar o “pânico” no site do AIA. No primeiro dia de vendas, houve locais ao longo da pista que esgotaram, inclusive. O público português terá assim a oportunidade de mostrar a sua paixão pelo Desporto Motorizado, mais uma vez.
Quem também está contente é Miguel Oliveira e não é para mais. O piloto português da KTM Tech 3 está de volta a Portugal e logo para correr na categoria rainha. É o “sonho tornado realidade”, não só para o piloto, mas para os adeptos portugueses que esperam por este momento há algum tempo. Contudo, não esqueceu de relembrar a todos que é, na sua opinião, “um dos traçados mais desafiantes do mundo”.
Portimão receberá, pela primeira vez, o mundial de MotoGP, de 20 a 22 de novembro deste ano. Porém, a história do Mundial em duas rodas em terras portuguesas já existe desde 2000. Por isso, vamos agora reavivar a memória para alguns momentos interessantes que aconteceram no circuito do Estoril, o único circuito até 2020 a receber as provas de MotoGP, e olhar para factos que vão ainda acontecer.
Prestes a iniciar a época 2020/21 (ainda não são conhecidas datas, mas tudo aponta para o início de setembro), as equipas da Primeira Liga Feminina retomam os treinos e preparam-se para o novo formato do campeonato, que este ano irá contar com 20 equipas, por definição da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Depois de as competições femininas terem sido interrompidas ainda muito cedo, impossibilitando as equipas que lutavam para subir de divisão de definirem o seu próprio destino, a FPF tomou a decisão de alargar o principal campeonato feminino a 20 equipas, promovendo as oito campeãs de série à primeira divisão. Uma medida polémica, pelo novo formato que muitos consideram desprestigiante e pouco competitivo, mas também justa do ponto de vista desportivo – com apenas duas jornadas realizadas na fase de apuramento, seria injustificável apontar dois clubes à subida, pelo que a decisão da FPF acaba por ser o reconhecimento do mérito e trabalho das jogadoras e respetivos clubes.
Fonte: FPF
Na próxima época, a Primeira Liga será composta por duas fases. Na 1.ª Fase, os 20 clubes serão divididos em duas séries, a Série Norte e a Série Sul, de 10 clubes cada, distribuídos de acordo com a sua localização geográfica. Em cada série, todos os clubes irão jogar entre si, uma vez e por pontos, apurando-se para a fase de apuramento de campeão os quatro melhores classificados de cada série. Os restantes 12 irão disputar a manutenção, ainda divididos pelas séries Norte e Sul. Nesta segunda fase, todos os clubes jogam entre si duas vezes.
Não é todos os dias que se tem a oportunidade de entrevistar um jogador que foi treinado por Cruyff, Artur Jorge, Bobby Robson e Fernando Santos. Um jogador que dividiu o balneário com Dunga, Bebeto, Gary Lineker, Koeman, Laudrup, João Pinto, Baía, Jorge Costa, Fernando Couto, Sérgio Conceição, Jardel, Ricardo Carvalho, Deco e muito (muito) mais. Como adjunto, acompanhou José Mourinho na glória europeia e voltou a fazer dupla com Jorge Costa no SC Braga, enquanto orientavam João Vieira Pinto, a sua “vítima” favorita. Só podíamos estar a falar de Aloísio: lenda dos dragões. Depois de onze épocas e 474 jogos, que lhe valem até ao dia de hoje a distinção de ser o estrangeiro que mais jogos disputou com a camisola do FC Porto, Aloísio vestiu uma vez mais a camisola e entrou em campo no Bola na Rede.
– A glória europeia ao lado de Mourinho, o reencontro com Jorge Costa em Braga e a hipótese de voltar a treinar –
“O Mourinho motivava não só os jogadores, mas também os adjuntos”
Bola na Rede [BnR]: Viva, Aloísio! Ainda te encontras em Porto Alegre?
Aloísio [A]: Sim, sim. Aqui está muito frio (risos). Aqui é como se fosse o Norte do Portugal.
BnR: Mas já ouvi dizer que podes regressar em breve para Portugal…
A: (risos) Por enquanto não, pelo menos até ao início do ano.
BnR: Foi noticiado aqui em Portugal que o Aloísio tinha ingressado num novo desafio, no comando técnico do União Serpense dos distritais de Beja para a próxima temporada.
A: Isso foi através de um colega meu que vive em Portugal que trabalha com futebol. Mas houve apenas uma conversa com o Presidente do Serpense e uma vontade por parte dele. Sei que houve uma nota que saiu em Portugal como se já estivesse certo a minha ida para o clube como treinador, mas já falei com o Presidente e agradeci o convite. Eu trabalho com uma empresa de agenciamento aqui em Porto Alegre com mais três parceiros e decidi ficar na empresa, pelo menos até ao final do ano e depois, conforme as coisas correrem, poderei mudar de função. Por enquanto fico cá no Brasil.
BnR: Tiveste até 2016 como Coordenador Técnico em Porto Alegre, onde resides atualmente. Durante estes anos tens estado afastado do futebol ou continuas ligado de alguma forma?
A: Eu depois de terminar de jogar, fiquei como técnico auxiliar, fiquei com a equipa B do FC Porto em 2006, treinei em 2007/08 o Vila Meã onde fiquei três meses, depois em 2008 fui para o SC Braga que na altura tinha o Jorge Costa a treinador e eu fiquei como adjunto. Mas a partir de 2008 decidi regressar com a minha família para o Brasil e sempre continuei ligado ao futebol. Fui técnico auxiliar no Caxias, depois trabalhei durante dois anos e meio como gerente de futebol numa equipa que era do Ronaldinho na zona Sul de Porto Alegre e que estava na primeira divisão do Campeonato Estadual. Em 2013 tive no Gil Vicente como diretor desportivo, voltei para o Brasil em 2017 para treinar os sub-20 do Mogi Mirim que era a equipa do Rivaldo. Acabei regressando para Porto Alegre e agora trabalho com agenciamento de jogadores. Já estou aqui há quase um ano, sou um dos sócios e é essa a minha função neste momento.
Fonte: FC Porto
BnR: Já terminaste o curso de Psicanálise Clínica?
A: Não, ainda o estou a tirar (risos). É um curso de um ano e meio e é à distância. Foi uma opção minha por gostar dessa área. Eu já tinha entrado na faculdade em 2015/16 em outro curso que era Gestão Comercial, fiz dois semestres, mas acabei não completando o curso. Agora estou a fazer este à distância e é complicado porque tem de haver um comprometimento muito grande porque é preciso quase duas horas e é preciso estar concentrado. Psicologia tem muitos textos para ler, muita leitura complexa e estou tentando fazer o meu melhor. É uma área que eu gosto bastante porque está relacionado com aquilo que eu faço, que é lidar com pessoas, e para mim é uma forma de melhorar como pessoa.
BnR: Quando terminaste carreira em 2001, acompanhaste o José Mourinho como treinador-adjunto até 2004. É inegável que Mourinho retirou muito do seu estilo de jogo de Bobby Robson. O que é que o Aloísio retirou de Mourinho e já agora de Bobby Robson?
A: Foram dois grandes profissionais com quem trabalhei. O mister Bob era uma pessoa espetacular que veio no momento da saída do mister Tomislav Ivic. Nessa altura nós não estávamos a jogar um futebol que era habitual. Para além da garra, o FC Porto sempre teve jogadores com qualidade técnica para acrescentar valor à equipa, mas as ideias do mister Ivic eram um pouco contrárias às ideias dos adeptos e dos próprios jogadores. Com a entrada do Bobby Robson o FC Porto teve outra cara e mudou totalmente a forma de jogar e de pensar o jogo. Quem acompanhou o Porto de 93/94 lembra-se que era um Porto diferente. Para mim, como jogador, esses dez anos que eu estive no FC Porto foram das melhores fases minhas e em que eu desfrutei mais. Era um futebol muito bonito, simples e com jogadores que taticamente cumpriam aquilo que o mister pedia porque ele era muito exigente nos treinos. Como equipa éramos muito fortes porque a forma como ele treinava e preparava os jogos era espetacular. Quem trabalhou com ele, como o caso do Mourinho, aprendeu muito da forma dele estar como treinador e da sua metodologia de treino e jogo.
BnR: Apesar de não teres assinado pelo Serpense e, de não teres projetos futuros relacionados com assumir o comando técnico de uma nova equipa, a área do treino é uma área que ainda te continua a despertar interesse?
A: Sim ainda mexe bastante comigo. Já tinha quase desistido e pensei em fazer outra coisa e ter outra função noutra área, mas o sonho ainda está bem presente em mim. Já tive oportunidades para trabalhar em Portugal, mas optei por ficar aqui no Brasil próximo da família. Mas é algo que continua a mexer comigo e só estou esperando um bom projeto para dar seguimento a essa função de treinador.
BnR: Foste treinado por Cruyff, Artur Jorge, Carlos Alberto Silva, Bobby Robson, António Oliveira, Fernando Santos e muito mais. Acompanhaste José Mourinho e até fizeste, uma vez mais, dupla com Jorge Costa no SC Braga, desta vez na equipa técnica. Uma vez que foste treinado por alguns dos melhores, que tipo de treinador é o Aloísio?
A: Tive a felicidade de treinar com grandes treinadores, primeiro como jogador e depois como técnico adjunto. Para mim, o Mourinho é uma referência. Quando eu comecei a carreira de adjunto, o Mourinho estava começando e estava na sua plenitude. Estava na sua terceira experiência, tinha estado no SL Benfica pouco tempo, no Leiria fez um grande trabalho e depois veio para o FC Porto. Na verdade, ele estava a 120 à hora e foi uma pessoa com quem eu aprendi muito, um excelente profissional e uma pessoa que eu admiro bastante. Aprendi muitas coisas com eles. Tem uma forma única de trabalhar, de organizar o treino e de exigir dos jogadores. O seu posicionamento durante o treino e os jogos é especial. Quando se treina uma equipa grande tem jogadores internacionais por os seus países com muita qualidade e quando esse jogador não joga, como é que se vai motivar esse atleta? Não se pode deixar que esses jogadores relaxem e têm que estar preparados para quando forem chamados. Isso é bem difícil de fazer e o Mourinho sabia fazer bem isso e pegou isso do mister Bob. Eu lembro-me que os jogadores que não eram colocados e que não entravam, na segunda-feira fazia-se a reavaliação do jogo, ele dava nota aos jogadores e conseguia motivar os atletas que não eram convocados. O Mourinho motivava não só os jogadores, mas também os adjuntos. Nós não éramos apenas aquelas pessoas que iam colocar os cones e distribuir as bolas. Nós éramos mais do que isso e ele nos fazia sentir parte. Toda a gente fazia parte, roupeiro, massagista, toda a gente que estava envolvida no processo tinha o seu valor. Foi uma grande aprendizagem para mim, de pensar o futebol e até na forma de estar. Embora pareça que no meu normal eu seja uma pessoa tranquila e calma, eu sou uma pessoa bastante exigente a relação a treinos, horários e do comprometimento do atleta ao nível tático. Me coloco como uma pessoa bem tranquila, mas bastante exigente no lado profissional. É essa a forma que eu me descrevo.
BnR: Já entrevistei o Maciel e o Derlei e ambos me falaram, pelos piores motivos da época de 2004/05, época em que foram treinados por Vítor Fernandez e Luigi Del Neri. Para o Aloísio, que fazia parte da equipa técnica e que acompanhou de perto, o que é que correu mal naquela época pós-Mourinho e pós-conquistas europeias?
A: Eu vou falar dar o exemplo do Vítor Baía. Quando o Vítor Baía saiu para o Barcelona em 1996 tentou-se arranjar um substituto e é difícil arranjar um substituto para o Vítor Baía. Você vai tentar arranjar um substituo do mesmo nível, mas não é igual. Lembro que o FC Porto teve o Hilário, o Rui Correia, veio o Kralj, o Andrzej Wozniak, mas nunca estiveram ao nível do Vítor Baía, apesar de serem bons profissionais e bons guarda-redes. No caso do Mourinho também foi isso. O Mourinho chegou ao FC Porto, viu e venceu, deixou uma imagem espetacular, de unidade, de um FC Porto campeão, conseguiu uma grande união e essa vontade de ganhar coisas. Por isso, é difícil substituir um treinador que ganhou tudo. Vieram outros treinadores, no caso do Del Neri e do Fernandez, mas talvez com ideias diferentes. Eram bons treinadores, mas não eram o Mourinho. Não se conseguiram enquadrar na forma de jogar do FC Porto, nem na identidade do que é o Porto. Ainda havia jogadores naquele grupo que tinham sido campeões europeus e por exemplo, o Del Neri não respeitou o estatuto de alguns jogadores e aquilo que representavam para o clube. Era muito trabalho, pouca conversa. Faltou diálogo, faltou alguma experiência para o Del Neri entender o que era o FC Porto. O Vítor Fernandez acho que era um bom treinador e vinha com o rótulo da forma de trabalhar e treinar, mas não teve sorte e pegou no FC Porto num mau momento. Havia por trás todo um trabalho de três anos do Mourinho que era difícil esquecer.
BnR: Venceste a Taça UEFA e a Taça dos Campeões Europeus como adjunto. Sentiste-te realizado por teres conseguido estas conquistas mesmo que fora dos relvados, ou ficou alguma mágoa de não teres ganho enquanto jogador?
A: Tem duas situações da minha carreira, que não é deixar-me triste, mas que poderiam ter acontecido: não ter disputado um Mundial pela seleção do Brasil e não ter conseguido uma conquista europeia pelo FC Porto, pelo menos uma Taça UEFA, a Champions era bem complicado. Talvez sejam essas as minhas duas lacunas da carreira, mas o que eu ganhei no FC Porto supera tudo e depois tive a felicidade de conseguir fora do campo, o título da Taça UEFA e da Champions, até mesmo da Taça Intercontinental, para mim foi um grande prémio e fico muito satisfeito por ter tido oportunidade de trabalhar no FC Porto, de trabalhar e jogar com grandes jogadores e grandes treinadores.
Depois de olharmos para o sector defensivo, quer no eixo central quer no corredor lateral direito, vamos avançar no terreno e continuar a analisar as lacunas existentes no plantel do Sporting CP.
Para a construção desta análise cruzei vários dados estatísticos:
Algoritmo que permite uma boa performance dentro do contexto da Primeira Liga;
Ideia de jogo de Rúben Amorim e o papel que pretende para estes jogadores;
Com isso, consegui construir melhor a minha análise e reunir cinco nomes que considero ter as capacidades necessárias para reforçar o Sporting CP dentro de moldes de negócio favoráveis ao clube, e de serem jogadores importantes para Rúben Amorim trabalhar dentro do seu sistema.
Os nomes que vou apresentar podem facilmente adaptar-se e jogar tanto na esquerda como na direita, revelando capacidade na construção e no jogo entrelinhas, permitindo assim assumir um papel de terceiro médio – sobretudo no lado de Luciano Vietto ou de um extremo mais puro mas com características para jogar entrelinhas – como é o caso de Gonzalo Plata que ao longo da época demonstrou lacunas a desempenhar essa função.