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Podcast ‘BnR Modalidades’

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O BnR Modalidades é um podcast dedicado às modalidades, fazendo a antevisão, acompanhamento e rescaldo de provas quer em Portugal, quer no estrangeiro. O podcast semanal conta também com entrevistas e tem como ambição dar maior voz a todos os desportos.

º Episódio (25/02/2016) – Ciclismo

º Episódio (03/03/2016) – NBA

º Episódio (11/03/2016) – Ténis

º Episódio (15/03/2016) – MotoGP

º Episódio (17/03/2016) – Fórmula 1

º Episódio (22/03/2016) – Futsal

º Episódio (11/04/2016) – Hóquei em Patins

º Episódio (12/04/2016) – Hóquei em Patins

º Episódio (14/04/2016) – Ciclismo

º Episódio (22/04/2016) – Ténis

º Episódio (06/05/2016) – Ciclismo

º Episódio (13/05/2016) – Corfebol

º Episódio (01/06/2016) – Ciclismo

º Episódio (28/10/2016) – NBA

º Episódio (12/11/2016) – Ciclismo

º Episódio (13/11/2016) – Moto GP

º Episódio (02/12/2016) – F1

º Episódio (10/12/2016) – Futsal

º Episódio (16/12/2016) – WWE

º Episódio (22/12/2016) – Hóquei em Patins

º Episódio (13/01/2017) – Ténis

º Episódio (03/02/2017) – Ténis

º Episódio (09/02/2017) – Padel

Rio Ave 0-1 FC Porto: Rodar e ganhar

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Noite gelada em Vila do Conde a apadrinhar o jogo entre Rio Ave e FC Porto a contar para a 1ª jornada da 3ª fase da Taça da Liga. O Porto alinhou com um onze alternativo: Andrés Fernandez, Ricardo, Reyes, Marcano, J. Ángel, Casemiro, Evandro, Juan Quintero, Quaresma, Adrián Lopez e Aboubakar. Hora de testar mais uma vez algumas soluções do plantel dos dragões.

O jogo começou bem disputado, com Porto e Rio Ave a procurarem o golo, principalmente nos primeiros 20 minutos, tendo os portistas várias situações para inaugurar o marcador. Quaresma e Adrian entraram quentes na partida, com vontade de mostrar serviço mas nem sempre com mestria. O jogo portista passou sempre pelo português; já o espanhol, mesmo fraquejando em lances que mereciam melhor destino – caso gritante de falta de confiança –, esteve presente em boas jogadas de ataque, ajudou a criar perigo e evidenciou-se por um bom posicionamento. No ataque, destaque ainda para Aboubakar que esteve sempre irrequieto, assinando bons pormenores. O meio-campo dos dragões teve uma actuação discreta e competente mas sem grande espanto, sendo que na defesa há que destacar os laterais – fizeram ambos um bom jogo, com Ricardo (principalmente) a protagonizar belos lances individuais e dando constante apoio ao ataque portista.

Aos 28’ o guardião do Rio Ave travou um livre perigoso de Casemiro e depois fez uma grande defesa na recarga de Adrián (irra que até chateia o azar do espanhol). E foi quase sempre nesta toada que decorreram os primeiros quarenta e cinco minutos: Porto mais forte, com bastante profundidade no jogo e várias vezes perto do golo. O Rio Ave nunca foi uma equipa acomodada na partida mas também nunca fez o suficiente para justificar qualquer possível vantagem.

A segunda parte trouxe um jogo não tão bonito mas ainda mais disputado e com mais batalha ao nível do meio-campo (mesmo que o ascendente portista fosse indesmentível). Aos 56’, Adrian atirou ao poste, e aos 61’ Aboubakar fez o golo na sequência de um canto. O Porto começou então a gerir a vantagem, baixando as suas linhas, nunca perdendo a baliza de vista mas permitindo ao Rio Ave aproximar-se com mais perigo das redes de Andrés Fernández.

Aos 65’ saiu Quaresma (aborrecido, claro!) e entrou Campaña mas a corrente do jogo manteve-se inalterada. Aos 76’ foi Brahimi quem entrou para o lugar de Quintero, com o objectivo de mexer um pouco no ataque portista, que continuava a ter em Aboubakar a sua referência. O Rio Ave nunca deitou a toalha ao chão e chegou mesmo a acertar na barra de um Andrés Fernandez pouco seguro nas saídas. Porém, a história e o resultado do jogo estavam encontrados e a troca de Óliver Torres por Aboubakar nada trouxe de novo; mais do que isso, foi com uma desnecessária ansiedade que Casemiro cortou a bola na área portista no último lance da partida.

Um jogo bem disputado em que a vitória portista foi justa, possibilitando a conquista dos primeiros três pontos no grupo D da famigerada Taça da Liga. Lopetegui rodou e ganhou, tal como se exigia.

 

A Figura

Aboubakar – Pelo golo que marcou e pelo muito que trabalhou. Por vezes trapalhão mas sempre  procurando a baliza.

O Fora-de-Jogo

Andrés Fernandez– Difícil escolha já que ninguém jogou propriamente mal. No caso do guarda-redes, não sofreu golos nem fez uma má exibição mas apresentou-se inseguro nas saídas (num jogo em que não teve muito trabalho) e podia ter comprometido.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Revista do Ano 2014: Sporting

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Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permanecerão na memória de todos os amantes de Desporto.

 

MOMENTOS DO ANO: regresso à Liga dos Campeões, retorno de Nani, eliminação forçada da Champions e aliança entre os rivais

Como um ano é feito de muitos momentos, nem sempre é possível escolher apenas um. Por isso escolho quatro, dois positivos e dois negativos. O feito mais positivo foi o apuramento para a Liga dos Campeões, seis anos depois. Um golo de Adrien no Restelo bastou para o Sporting regressar aos palcos onde tem de estar todos os anos.

O outro acontecimento positivo foi a contratação de Nani, naquela que foi uma das melhores manobras de sempre de um clube português no mercado. O regresso a casa do segundo melhor jogador nacional da actualidade foi tão fantástico que ainda hoje por vezes não acredito. Pena que seja apenas por um ano e que as restantes contratações não tenham acompanhado a mestria desta.

Pela negativa destaco o penálti oferecido ao Schalke aos 93’, com todas as consequências que daí advêm: eliminação da Liga dos Campeões e fim de um importantíssimo encaixe financeiro. Uma decisão premeditada e cozinhada nos meandros da UEFA deitou a perder o esforço do Sporting, que merecia o apuramento. Um exemplo que demonstra bem por que motivo há um lobby tão grande contra a tecnologia no futebol…

O outro momento negativo é a aliança Benfica-Porto, que mostra até onde os donos do futebol nacional estão dispostos a ir para manterem o poder. As sucessivas “mãos amigas” estendidas ao Benfica na liga mostram que, para já, têm sido eles os principais beneficiados, embora a História diga que o Porto não aceita papéis subalternos. Em 2014 houve muitos benfiquistas a engolir um sapo no que toca a este tema. Outros, a maioria, desvalorizam esta aliança com a mesma desfaçatez com que antes se mostravam indignados por ser terem de carregar o peso de ser, diziam, os únicos arautos da verdade desportiva. Para Benfica e Porto o que interessa é ganhar; as condições em que tal acontece são danos colaterais que em breve estarão esquecidos. 2014 provou que ambos os clubes são farinha do mesmo saco.

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Nani e Liga dos Campeões, dois regressos a Alvalade muito desejados
Fonte: Facebook oficial do Sporting CP

JOGO DO ANO: FC Porto 1-3 Sporting (18 de Outubro)

Tive a feliz ideia de ir assistir ao vivo a esta partida. O que antes do jogo parecia um caso perdido – desde 1997, só por uma vez o Sporting tinha ganho fora ao Porto – tornou-se num festival no campo e na bancada (com direito a mimos a Pinto da Costa que ecoaram por todo o estádio), seguido de um regresso triunfal a casa ao som do CD da Juventude Leonina. Neste jogo, em que o Dragão mais parecia uma sucursal de Alvalade, o Sporting esteve anormalmente concentrado na defesa, certeiro no ataque e dominador na batalha do meio-campo. Este triunfo simboliza também a oportunidade de os leões regressarem aos títulos. Nada está ganho na Taça, mas é obrigatório não falhar.

GOLO DO ANO: Nani vs. Schalke em Alvalade (5 de Novembro)

Um minuto e meio de posse de bola, de agressividade, de procura activa de espaços para chegar ao golo. Depois, uma grande arrancada do recém-entrado Carrillo e Nani a não perdoar. À excepção de Patrício, todos participaram nesta memorável jogada. Se pode não ter sido tiki-taka puro, foi certamente um hino ao futebol enquanto jogo colectivo, com um decisivo desequilíbrio individual no momento certo, e simboliza o que de melhor o Sporting fez este ano. É esta atitude, sempre com a bola a rolar e com os jogadores a oferecerem linhas de passe, que os leões precisam de ter contra as equipas pequenas. Menção honrosa para o excelente golo individual de Nani ao Maribor, também em Alvalade.

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JOGADOR DO ANO: William Carvalho

Maturidade, critério, visão de jogo, capacidade de passe e de desarme acima da média. Assim é William Carvalho, descoberto por Leonardo Jardim e um dos grandes responsáveis pela boa época 2013/2014 do Sporting. Venceu quatro prémios de jogador do mês, Enzo Pérez apenas dois… mas, no final, o melhor jogador da Liga foi o argentino. Há coisas engraçadas, de facto. Desde o início da nova época ainda não se encontrou totalmente. Tem de melhorar bastante.

REVELAÇÃO DO ANO: Paulo Oliveira

Não quero imaginar o que seria do Sporting sem ele. Quem o acompanha desde os tempos de Guimarães não fica surpreendido com a sua qualidade, mas o facto de se ter mudado para um grande clube, aliado à fraquíssima qualidade dos seus companheiros no eixo na defesa, podia ter jogado contra Paulo Oliveira. No entanto, o internacional sub-21 não acusou a pressão. Até inícios de Outubro era a terceira opção para central, em Dezembro já é indiscutível e apaga os fogos ateados por Maurício. Se a ascensão meteórica do defesa português foi também fruto de um péssimo planeamento do plantel no que toca ao sector recuado, ele é quem tem menos culpa disso. Conquistou o lugar por mérito próprio e tem sido, a par do já habitual Rui Patrício, a única boa notícia na defesa.

DESILUSÕES DO ANO: centrais e relação presidente/treinador

Escolho duas. Uma que já aconteceu, outra que está iminente. A primeira tem a ver com a falta de qualidade dos centrais. As saídas de Rojo (previsível) e de Dier (se o clube não sabia da tal cláusula que permitia ao jogador sair para Inglaterra, é grave; se sabia e nada fez, não se percebe por que valorizou o jogador) foram compensadas com as inexplicáveis contratações de Naby Sarr e de Rami Rabia. A queda a pique de Maurício compôs o ramalhete e fez com que, esta época, o conjunto de centrais do Sporting seja o pior desde que vejo futebol. De que serve ir buscar Nani quando a retaguarda treme por todos os lados? Com o regresso do extremo, houve de facto uma hipótese real de sucesso no campeonato. No entanto, a falta de qualidade dos centrais deitou tudo a perder. E, nesta questão, é a direcção quem tem mais responsabilidades.

A outra desilusão é a zanga entre Bruno de Carvalho e Marco Silva – que, ao que tudo indica, não vai acabar bem. Não estou por dentro da realidade do Sporting, mas parece-me que a época começou mal quando, antes de haver treinador, já havia contratações. Marco Silva tem defeitos mas é um bom treinador. Tem responsabilidades na apatia demonstrada em alguns jogos e na abordagem defensiva da equipa, mas exigir-lhe o título quando três dos centrais não fazem um parece-me excessivo. Além disso, há sempre um período de adaptação. O Sporting não pode estar sempre nesta dança das cadeiras, sob pena de se tornar no eterno clube do “para o ano é que é”.

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As tensões entre Bruno de Carvalho e Marco Silva mancharam o fim do ano e prometem novos capítulos em 2015
Fonte: site oficial do Sporting CP

RETROSPECTIVA DE 2014: ano de regeneração, mas o caminho é longo

A decisão de se assumir ou não a candidatura ao título foi um dos pontos fortes do Sporting na primeira metade do ano, e um dos pontos fracos na segunda. A pressão que não existia na última época sobra agora na nova temporada. O Sporting está atrás dos rivais a nível financeiro, de experiência – tanto competitiva como administrativa – e de poder nos bastidores. Deveria, portanto, ter havido um melhor peso dos riscos de se queimarem etapas. Trabalhar para o título sim, sempre; assumi-lo tão convictamente, desprezando as feridas recentes ainda por sarar, foi prematuro. Já o acho desde o Verão. E, sobretudo, uma candidatura tem de se sustentar num plantel forte e equilibrado, coisa que não aconteceu.

Ainda assim, 2014 fica para a História como o ano da regeneração leonina, no qual se devolveu aos Sportinguistas o orgulho de lutar por troféus. A participação na Liga dos Campeões foi outro grande motivo de satisfação, tendo também sido lançadas as bases para uma possível campanha vitoriosa na Taça. Contudo, a recente desavença entre o presidente e o treinador é uma mancha que terá, ao que tudo indica, consequências nefastas.

 

PERSPECTIVAS PARA 2015: obrigatório ganhar a Taça

Atingidos os quartos-de-final da Taça, o próximo ano poderá marcar o regresso do Sporting às conquistas de títulos. Já sem Porto e Benfica em prova, a conquista dessa competição é obrigatória, e tudo o que fique aquém desse resultado será uma tremenda desilusão – mesmo tendo em conta que ainda restam outras boas equipas. No campeonato, as ajudas ao Benfica e a inoperância do Sporting dificilmente permitirão ao clube de Alvalade terminar acima do 3º lugar. Deste modo, a participação na próxima edição da Liga dos Campeões estará dependente de uma pré-eliminatória. Antes, contudo, haverá um duplo embate na Liga Europa contra o difícil Wolfsburgo. O Sporting dos jogos com Porto e Schalke conseguirá passar à fase seguinte, mas o das exibições caseiras contra clubes menores terá sérias dificuldades. Veremos qual destas duas versões irá defrontar os alemães.

Como o Sporting é um clube ecléctico, é com interesse que se aguarda por 2015 também nas modalidades. No futsal, os leões participarão na Final Four da UEFA Cup e, a nível interno, terão de provar que continuam a ser melhores do que o Benfica. No andebol, apesar de a época não estar a correr de feição, o regresso dos playoffs pode jogar a favor do Sporting na luta pelo campeonato. O atletismo masculino terá de contrariar a recente superioridade do Benfica, mas ao feminino “basta” manter o registo dos anos anteriores. Por último, no ténis de mesa há que superar o Toledos e reconquistar um título que foge desde 2011. O próximo ano poderá também marcar o início da construção do tão ansiado pavilhão, infra-estrutura de que um clube como o Sporting nunca deveria ter sido privado.

 

O mundo não pára, o Sporting também não. Que 2015 seja repleto de Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, tal como os Sportinguistas merecem. Até para o ano!

Revista do Ano 2014: Modalidades

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revista

Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permanecerão na memória de todos os amantes de Desporto.

(Nota: foram adicionadas hiperligações para os textos antigos dos redactores sempre que justificado. As retrospectivas dos anos da NBA, do Ténis e do Ciclismo foram feitas em separado (ver links). O texto sobre Futsal será publicado em breve.)

ANDEBOL: FC Porto (opinião de Rodrigo Fernandes)

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Fonte: FC Porto Site Oficial

Os dragões conseguiram a presença na Liga dos Campeões em 2013/2014 e na fase de grupos da Taça EHF em 2014/2015. Em Portugal continuam a dominar a todos os níveis e, se nas competições a eliminar o domínio não tem sido tão evidente, a recente vitória na Supertaça pode mostrar o contrário.

Por outro lado, a boa forma do Sporting tem vindo a esmorecer: apesar de ter tido uma prestação histórica na Taça EHF (caiu nos quartos-de-final), a pressão de ter lutado até à ultima pelo título em 2013/2014 parece estar a fazer mal aos leões, pois esta temporada estava a ser prevista como a época do Sporting. Um terceiro lugar nesta altura, a derrota na Supertaça, a eliminação da Europa e as fracas exibições em alguns jogos não mostram o que esta equipa valeContudo, o destaque pela negativa vai para o Benfica, já que é difícil compreender como uma equipa que investe tanto consegue tão poucos resultados.

Lá fora, destaque para a vitória do Flensburg sobre o favorito Kiel (30-28), que valeu à equipa de Ljubomir Vranjes a primeira vitória de sempre na Liga dos Campeões. Por sua vez, os húngaros do Pick Szeged, que eliminaram o Sporting, venceram a Taça EHF também pela primeira vez.

ATLETISMO: Sara Moreira (opinião de João Vasconcelos e Sousa)

Sara Moreira Fonte: Ed Yourdon (Flickr)
Sara Moreira
Fonte: Ed Yourdon (Flickr)

Foi medalha de ouro nos 3000m dos Europeus de pista coberta em 2013 (no ano passado já tinha sido destaque no texto de fim de ano do Bola na Rede), pelo meio foi mãe e, pouco mais de um ano volvido, conseguiu a proeza de alcançar o 3.º lugar na prestigiada maratona de Nova Iorque. A atleta recém-contratada ao Maratona pelo Sporting continua a dar cartas no mundo do atletismo, constituindo-se num exemplo de dedicação, perseverança e, claro, sucesso.

No que diz respeito às provas nacionais por equipas, a tendência dos anos anteriores manteve-se: o Benfica continua a ganhar terreno ao Sporting em masculinos, aproveitando o talento de atletas como Yazaldes Nascimento, Rasul Dabó, Nelson Évora ou Marco Fortes. Desde 2011 que os campeonatos nacionais de atletismo têm sido ganhos pelo clube da Luz.

No entanto, em femininos a superioridade verde-e-branca continua a ser uma realidade: exceptuando 2010, ano em que o Porto aproveitou uma omissão nos regulamentos para contratar atletas estrangeiras apenas para os campeonatos, as leoas são campeãs consecutivamente desde 1995.  Em 2014, foram vice-campeãs da Europa. Destacam-se nomes como Patrícia Mamona, Carla Tavares, Vera Barbosa ou Vânia Silva. Porém, também aqui a réplica benfiquista tem sido cada vez maior.

BASQUETEBOL: Benfica (opinião de Rodrigo Fernandes)

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Fonte: Sport Lisboa e Benfica Site Oficial

Os encarnados dominam como querem o basquetebol masculino português. O ano de 2014 fica ainda marcado pelo regresso das águias à Europa, o que só pode ser positivo para o desenvolvimento dos jogadores.

Do lado negativo, destaca-se a falta de competitividade. A Liga Portuguesa de Basquetebol já viveu dias muito melhores. O grande objetivo neste momento das equipas que não o Benfica é conseguir chegar à final do playoff, visto a superioridade encarnada não dar para mais.

2014 foi também ano de mais um Campeonato do Mundo – que os EUA, mesmo desfalcados de muitas estrelas, venceram com facilidade, derrotando a Sérvia na final (129-92) e arrecadando o seu quinto título. Na Euroliga, o Maccabi Tev Aviv levou a melhor sobre o Real Madrid (98-86) e celebrou o título mais importante da Europa pela quinta vez.

(Para ler a retrospectiva do ano da NBA, clique aqui)

FÓRMULA 1: Mercedes (opinião de Rodrigo Fernandes)

Fonte: Mercedez-Benz
Fonte: Mercedez-Benz

A escolha aqui podia cair para Lewis Hamilton ou Nico Rosberg, pelo que o melhor é mesmo nomear a equipa. A flecha de prata teve um ano de sonho e dominou o campeonato a seu bel-prazer, com os seus dois pilotos a lutarem até à última corrida pelo título de campeão do mundo, que veio a sorrir a Hamilton.

Já a decepção foi Sebastian Vettel, o campeão do mundo que raramente se encontrou em 2014. Se a inicio se podia falar nos problemas da Red Bull, as boas prestações do seu colega de equipa, Daniel Ricciardo, vieram provar que os problemas estavam mesmo no piloto. Em 2015 Vettel estará na Ferrari, vamos a ver como será a sua temporada.

FUTEBOL DE FORMAÇÃO: Juniores do Benfica (opinião de Maria Serrano)

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Fonte: Sport Lisboa e Benfica Site Oficial

Os encarnados ocupam o 1º lugar na tabela com mais 16 pontos do que o segundo classificado. A caminho da 18ª jornada o Benfica está invicto, somando 16 vitórias e um empate. Esta equipa coloca jogadores como Gonçalo Guedes, ainda em idade precoce, ao dispor da equipa sénior, e jogadores como Romário Baldé e Renato Sanches (este último, junior de 1º ano) a representar a equipa B. No que diz respeito a provas internacionais, o Benfica foi o 1º classificado do grupo C da UEFA Youth League, tendo chegado à final na época anterior. Veremos se esta águia irá continuar a voar em direcção ao topo.

No pólo oposto, destaca-se a equipa de juniores do SC Braga. Os minhotos, que se sagraram campeões de juniores na época passada, correm riscos de não se qualificar para a próxima fase do campeonato nacional deste ano. Com 7 derrotas e a 14 pontos do 1º lugar (FC Porto), estão longe de voltar a surpreender.

FUTEBOL FEMININO: Marco Ramos (opinião de Rita Latas)

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Fonte: Marco Ramos Facebook Oficial

Depois de uma onda de maus resultados, o sucessor de Mauro Moderno desde o início da época 2013/2014 conseguiu voltar a dar vida ao Clube Atlético Ouriense, revalidando o título de campeãs nacionais que haviam conseguido na época anterior. Para além deste aspecto, levou a equipa de Ourém até aos dezasseis-avos de final da Liga dos Campeões, feito que nenhuma equipa portuguesa tinha alcançado até então. Não é fácil.

HÓQUEI EM PATINS: Valongo (opinião de André Conde)

Fonte: Site Oficial do AD Valongo
Fonte: Site Oficial do AD Valongo

Os nortenhos sagraram-se campeões nacionais, pelo que o ano de 2014 ficará para sempre na história do hóquei. Numa modalidade como esta, que é dominada por dois clubes – Benfica e Porto (mais até por este) -, assistir a um conjunto que não tem as mesmas armas sagrar-se campeão é ver história a acontecer. O conjunto de Paulo Pereira não temeu águias nem dragões e lutou com eles de igual para igual, conquistando o seu primeiro título e fazendo algo que muitos pensavam ser impossível.

Na Liga dos Campeões, o Barcelona derrotou o FC Porto por 3-1 e sucedeu ao Benfica.

MOTO GP: Marc Márquez (opinião de Carolina Neto)

Marc Márquez Fonte: El Hormiguero (Flickr)
Marc Márquez
Fonte: El Hormiguero (Flickr)

O ano de 2014 ficou marcado pelo domínio do piloto espanhol, mas não deixou de ser emocionante. Foi uma temporada repleta de surpresas, de recordes quebrados e, como não podia deixar de ser, de muita adrenalina. O atleta do ano só pode ser Marc Márquez, um piloto que quebrou todos os recordes. Desde o número de pole positions, de vitórias ou simplesmente de velocidade em corrida. Um domínio total, que nem os pilotos mais experientes foram capazes de acompanhar.

A surpresa foi Valentino Rossi,  o veterano que mostrou ao mundo que ainda está em competição e com vontade de vencer corridas e campeonatos. Brindou os adeptos com manobras ao jeito de «Il Dottore» e vitórias surpreendentes. As desilusões, por seu turno, foram Dani Pedrosa e Jorge Lorenzo. Nenhum dos espanhóis foi capaz de lutar em ponto de igualdade com Marc Marquez e, em 2014, tanto um como outro cometeram erros de principiantes que lhes custaram vitórias e pontos importantes na conquista do título mundial.

NFL: Seattle Seahawks (opinião de Rui Miguel Pereira)

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Fonte: Site Oficial dos Seahawks

Começaram o ano de 2014 com uma vitória esmagadora na Super Bowl diante dos Denver Broncos de Peyton Manning, e foram muito provavelmente a melhor equipa da NFL na fase regular deste ano. O quarterback Russel Wilson lidera o ataque com uma sapiência fora do comum para quem soma apenas a sua terceira época como profissional, e isto para não falar na defesa, que continua simplesmente sufocante – permitiram apenas 3 touchdowns nos últimos 6 jogos. A equipa comandada por Pete Carroll entra nos playoffs como grande favorita, e com todas as hipóteses de voltar a sagrar-se campeã pela segunda época consecutiva. A nível individual, JJ Watt, o defensive end dos Houston Texans, foi o maior destaque.

SNOOKER: The Snooker Lisbon Open (opinião de Cátia Borrego)

snooker lisboa open
Fonte: The Snooker Lisbon Open

Lisboa acolheu pela primeira vez uma prova oficial de snooker, o Lisbon Open. Para Cátia Borrego, redactora de snooker, foi este o melhor momento do snooker em 2014. Ter alguns dos melhores jogadores na capital portuguesa foi o primeiro e grande passo para uma grande divulgação da modalidade em Portugal. Todos os jogadores referiram em entrevista o seu espanto e agrado com o público português. É bom ver que há muito mais para além do futebol. Parabéns à organização, ao vencedor da prova – Stephen Maguire – e a todos os portugueses que participaram e deixaram a sua marca. Destaque também para Mark Selby, que conseguiu finalmente sagrar-se campeão do mundo em 2014.

SURF: Gabriel Medina (opinião de Tomás da Cunha e de Rodrigo Fernandes)

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Gabriel Medina
Fonte: BOMBTWINZ (Flickr)

Aos 17 anos, muitos diziam que Gabriel Medina ia fazer história. E fez. Aos 20 anos, a mesma idade com que Kelly Slater conquistou o primeiro título, o brasileiro tornou-se no primeiro surfista não anglo-saxónico a sagrar-se campeão do mundo. E não vai ficar por aqui.

O português Vasco Ribeiro também merece destaque, ao vencer o título mundial de juniores na Ericeira. Para além desse título, o jovem surfista conquistou o tri-campeonato nacional e o primeiro título eruopeu Pro Junior. Foi um ano em cheio e que augura ainda mais conquistas.

TÉNIS DE MESA: Selecção Portuguesa (opinião de João Vasconcelos e Sousa)

Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Monteiro Fonte: marcosfreitas.com
Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Monteiro
Fonte: marcosfreitas.com

Ora aqui está um destaque que não só se justifica plenamente no nosso país como continuaria a ter toda a razão de ser em qualquer publicação internacional. Portugal foi, em 2014, o maior destaque do ténis de mesa por equipas. O triunfo no Europeu de Lisboa foi fantástico e constitui um dos maiores feitos de sempre do desporto português. Com muito treino, persistência e com as condições materiais adequadas (todos os jogadores tiveram de emigrar vários anos antes), Marcos Freitas, João Monteiro e Tiago Apolónia mostraram que não há impossíveis, tanto no desporto como na vida. João Geraldo e Diogo Chen, restantes convocados, Pedro Rufino, seleccionador, e Pedro Miguel Moura, presidente da Federação, co-organizador do Europeu e um dos melhores mesa-tenistas portugueses de sempre, também estão de parabéns.

No que toca às competições nacionais é o GD Toledos que merece destaque, depois de ter revalidado o título de campeão na final frente ao Sporting. Para além disso os açorianos conquistaram também a Taça e a Supertaça, reforçando a posição de principal potência portuguesa da actualidade.

VOLEIBOL: Benfica (opinião de João Vasconcelos e Sousa)

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Fonte: Sport Lisboa e Benfica Site Oficial

Depois de vários anos a deixar fugir o campeonato para o Sp. Espinho ou a Fonte do Bastardo apesar de terem orçamentos bastante superiores, as águias impuseram-se finalmente em 2013 e repetiram o feito em 2014. Para o campeonato, os comandados de José Jardim já não perdem um único set desde 25 de Outubro, e eliminaram recentemente o Partizan da Taça Challenge – competição em que defrontarão nos oitavos-de-final precisamente a Fonte do Bastardo, a segunda melhor equipa portuguesa da actualidade.

A nível internacional, os EUA sagraram-se campeões mundiais femininos pela primeira vez na sua História (3-1 à China) e a Polónia venceu o Mundial masculino pela segunda vez, derrotando o Brasil (3-1) e impedindo os canarinhos de celebrarem o tetra. Em clubes, a Liga dos Campeões Europeus foi ganha pelos russos do VC Belogorie, que derrotaram os turcos do Halkbank Ankara (3-1).

Vitória morna numa competição surreal

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sexto violino

Só em Portugal é que é possível existir uma competição em que os participantes não partam em igualdade de circunstâncias. Se condicionar os sorteios de modo a que os quatro primeiros classificados do campeonato anterior fiquem em grupos diferentes já era prejudicial para os clubes pequenos, criar um modelo com dois grupos de quatro equipas e outros dois de cinco só é normal para uma Liga que amplia um campeonato para 18 equipas mas continua a dizer que são o 15º e o 16º classificados a descer de divisão. Mas adiante.

No que ao jogo diz respeito, o Sporting realizou a chamada “exibição q.b.”, sem um grande domínio nem grandes exibições individuais, mas com boa capacidade de sofrimento e uma solidez defensiva um pouco acima do habitual. Esta época, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que a equipa conseguiu terminar um jogo sem golos sofridos…

O jogo começou com tropeção de Naby Sarr aos 4’, que Hernâni por pouco não aproveitou. Na resposta, foi o Sporting quem teve êxito. Golo de Héldon (bons primeiros 20’, depois desapareceu) após boa combinação de Podence (tecnicista e irrequieto, ainda que por vezes lhe tenha faltado objectividade) com Esgaio (uma assistência e competente a defender, se bem que tenha chegado atrasado a alguns lances), que o cabo-verdiano finalizou com um remate rasteiro e cruzado. O Vitória reagiu bem e, de uma forma geral, manteve o controlo do jogo até ao fim. O Sporting perdeu o meio-campo, muito por culpa de um Slavchev com nítida falta de ritmo, de um Rosell algo escondido e de um Gauld pouco interventivo sem bola, ainda que a sua exibição tenha sido em crescendo. Ainda na primeira parte, ia colhendo os frutos quando pressionou o guarda-redes Douglas.

O Vitória esteve sempre muito organizado, utilizando os dois flancos e obrigando Marcelo a intervir algumas vezes (boa resposta do brasileiro ao jogo de Vizela; estranho seria se tudo corresse bem a um guarda-redes que só joga “quando o rei faz anos”). O Sporting, por seu turno, cometeu muitas faltas perto da sua área – aos 25’, já eram 7 infracções cometidas contra 0 do adversário. Depois do intervalo, os vimaranenses intensificaram a pressão e o sector intermédio leonino chegou a ser completamente engolido, o que levou Marco Silva a trocar o apático Slavchev por Wallyson (melhor com bola do que sem ela; esclarecido mas algo lento a soltar). Os visitados tiveram quase sempre mais posse de bola mas, tirando as ocasiões de Josué aos 55’ e de André aos 80’, também nunca criaram muito perigo. O Vitória foi perdendo gás e, depois de um fora-de-jogo muito mal tirado a Geraldes (exibição agradável, que mais uma vez prova que as análises feitas nos jogos de pré-época são muitas vezes precipitadas), o recém-entrado Dramé fechou a partida rematando colocado à entrada da área, com o adversário em contrapé.

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Ryan Gauld foi a figura da partida
Fonte: Site oficial do Sporting CP

Dado que o Sporting apresentou uma equipa completamente renovada, importa analisar mais ao pormenor os restantes intervenientes. Na defesa, Sarr voltou a provar, sobretudo no primeiro tempo, que não é jogador para o Sporting. As suas falhas ao nível de posicionamento, tempo de salto, cabeceamento e abordagem aos lances mostram que dificilmente algum dia será. A tentativa de corte de cabeça em que a bola lhe bate entre o braço e o ombro aos 66’ é apenas um exemplo das suas constantes péssimas intervenções. Contudo, boas notícias logo ao lado: grande exibição de Tobias Figueiredo! Sereno, bom na contenção e no tempo de corte, dificilmente não fará melhor do que Maurício caso o treinador aposte nele para a liga.

Mais à frente, Rosell não esteve mal mas também não colocou grande pressão em William Carvalho na luta pelo lugar. Slavchev pouco acrescentou e foi o primeiro a sair, e Tanaka esteve sempre desligado da equipa. Hadi Sacko entrou para o lugar de Podence mas, com a bola quase sempre no meio-campo leonino, nunca esteve em evidência nem protagonizou nenhum contra-ataque.

Com mais alguma sorte, o Vitória podia ter conseguido o empate. Contudo, o Sporting foi eficaz e teve mérito na gestão da vantagem. Este jogo provou que os vitorianos, apesar de estarem a fazer um grande campeonato com todo o mérito, não são nenhum bicho-papão, ao contrário do que a derrota por 0-3 para a liga podia parecer indicar. Os leões menos utilizados estiveram à altura e o ex-dirigente do Vitória que, a meio da semana, aconselhou desdenhosamente o Sporting a apresentar uma equipa melhor do que a da última vez, teve o seu desejo satisfeito. Cuidado com aquilo que se pede ao Pai Natal…

A Figura

Ryan Gauld – Capacidade de passe e outros pormenores técnicos bastante acima da média, assim como a velocidade de pensamento e de execução. Foi quase sempre ele que iniciou os (poucos) ataques Sportinguistas e, ainda na primeira parte, solicitou Podence no espaço com mestria. Também bate cantos e poderá ser bastante útil nesse capítulo. A julgar pela partida de hoje, em que fez por justificar mais oportunidades, servirá sobretudo para jogar no meio. A acompanhar com optimismo moderado. Menção honrosa para Tobias Figueiredo.

O Fora-de-Jogo

Junya Tanaka – Tirando um livre perigosíssimo – e como está o Sporting necessitado de quem cobre bolas paradas com sucesso! – foram 90 minutos cheios de nada. É certo que não se podem pedir mundos e fundos a um jogador que foi hoje titular pela primeira vez, mas terá de melhorar bastante para que tanto ele como o clube ultrapassem com êxito a ausência de Slimani. Naby Sarr também voltou a destacar-se pela negativa.

Revista do Ano 2014: Ciclismo

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revista

Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permanecerão na memória de todos os amantes de Desporto.

No ciclismo, 2014 foi um ano muito interessante. Não só porque as três grandes provas do circuito mundial tiveram muitos motivos de interesse, mas também porque houve provas menos populares que tiveram um alto nível de qualidade, como por exemplo o Critérium du Dauphiné. O Giro reafirmou-se como a prova mais dura do mundo, o Tour passeou a sua popularidade por terras britânicas e a Vuelta foi a competição mais disputada. Houve ciclismo para todos os gostos, e isso só pode ser bom!

Tendo agora uma perspectiva mais portuguesa, é impossível não olhar para 2014 como o ano de estreia de Rui Costa como líder de uma equipa de classe mundial. Não teve o desempenho que se sonhava nas grandes provas, também devido a alguns prolbemas de saúde, mas venceu novamente a Volta à Suiça e, sabendo que o primeiro ano de transição para chefe de fila nunca é fácil, Rui Costa deixou-nos esperançados num futuro muito bom. No geral, se 2015 for pelo menos tão bom como 2014, já fico feliz.

nairo quintana
Nairo Quintana: de promessa a certeza
Fonte: nuestrociclismo.com (Flickr)

 

A prova do ano: Il Giro

Apesar de La Vuelta ter sido mais disputada e espectacular, Il Giro cada vez mais se afirma como a melhor e a mais dura prova do mundo. Não só por ter um melhor traçado, tendo as montanhas mais difícies de ultrapassar, mas também por ter variações climáticas tão brutais. Il Giro foi uma prova talhada para ser vencida para um puro trepador e menos por um especialista em contra-relógio, o que me parece bastante positivo para o ciclismo e para o espectador.

A afirmação do ano: Nairo Quintana

Depois de vencer o Giro com exibições formidáveis, e chegados ao final de 2014, quase ninguém se lembra que o ciclista colombiano começou o ano como uma mera esperança do ciclismo mundial. Um jovem com muita qualidade e potencial, mas cuja preferência dada pela Movistar em detrimento do nosso Rui Costa ainda era vista por muitos com desconfiança. Em apenas um ano já nada disto faz sentido, e o mundo olha para Quintana como um dos melhores ciclistas e trepadores da actualidade.

As revelações do ano: Rafal Majka e Fabio Aru

Aqui, perdoem-me, nas não consigo destacar apenas um ciclista. Tenho de destacar dois ciclistas nesta categoria. Majka com o seu sexto lugar no Giro e com a vitória da classificação de montanha no Tour e Aru com um terceiro lugar no Giro e um quinto na Vuelta conseguem impor-se, de um ano para o outro, ao mais alto nível!

O ciclista do ano: Vicenzo Nibali

Não há muito a dizer, quando um ciclista vence o Tour pela primeira vez na carreira tem de ser automaticamente destacado. Então se com essa vitória se junta a uma pequena elite de ciclistas que conseguiram vencer as três grandes provas, para o italiano, o ano foi de sonho!

 

Foto de capa: www.instants-cyclistes.fr (Flickr)

2014 passou a voar, não passou?

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Terceiro Anel

É um chavão, é uma frase cliché desta época, mas tem que ser relembrada: este ano de 2014 passou a voar. Para mim, enquanto benfiquista, foi o ano que mais gozo me deu. Sim, em 2009/2010 o Benfica praticou um futebol esplendoroso, mas na segunda metade da temporada 2013/2014 foi aquela coisa, aquela segurança, aquela equipa que estava sempre bem posicionada, aquela equipa que até num jogo no Santiago Bernabéu transmitiria confiança, aquela equipa que no plano interno venceu tudo. Muita coisa tem ocorrido, foi um ano repleto de acontecimentos importantes para a família benfiquista, foi um ano que me coloca com a lágrima no canto do olho por variadas vezes, umas delas agora, enquanto escrevo este artigo.

E por falar em lágrimas, 2014 começou assim: com o universo benfiquista num pranto. Eusébio da Silva Ferreira, uma lenda, um ser humano que se confundia com o nosso próprio país, partiu, deixou um país à beira-mar plantado em suspenso, fez esquecer toda e qualquer tipo de rivalidade. Não consigo apagar o momento em que a minha mãe me deu conta da morte do Pantera Negra, não consigo apagar da memória o momento em que vi ali, à minha frente, a urna em pleno relvado da Luz, não consigo apagar da memória o momento em que numa noite de chuva diluviana, todo um cemitério se encontrava a abarrotar de gente para a despedida do REI. E, se eu e mais milhões de adeptos ficámos assim, imagino os jogadores, a equipa técnica, o presidente, toda a estrutura. A partir dali nada mais importou, nada mais nos fez tremer: o Benfica iria ser campeão nacional de futebol!

2014, o ano em que vi o Benfica a desfazer em cacos FC Porto e Sporting, na catedral, para o campeonato da temporada passada; 2014, o ano em que vi o Benfica a dar um recital futebolístico em White Hart Lane; 2014, o ano em que vi o Benfica a eliminar a Juventus, no seu estádio, mesmo com 9 jogadores; 2014, o ano em que acabei isolado no Marquês de Pombal, por essas 4 horas da madrugada, não acreditando em todo o espectáculo que tinham sido os festejos do título; 2014, o ano em que voltei a ver o Benfica a perder uma final europeia, contra um Sevilha infinitamente pior do que nós; 2014, o ano em que vi o Benfica a voltar a vencer a Taça de Portugal, recuperando uma dobradinha que já fugia desde 1986/1987.

Ser benfiquista, algo de indescritível Ser benfiquista, algo de indescritível Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Ser benfiquista, algo de indescritível
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

2014, o ano em que vi muitos jogadores do nosso plantel a contrair lesões terríveis; 2014, o ano em que não consegui estar totalmente descansado por uma vez que fosse durante o Verão, tal o número de saídas e possíveis saídas que não ocorreram; 2014, o ano em que no mês de Agosto afirmei que não teríamos hipóteses algumas de conquistar o que quer que fosse, esta época; 2014, o ano em que vi o Benfica a sair sem honra nem glória das competições europeias; 2014, o ano em que vi o Benfica a derrotar o FC Porto no Dragão, quando todos nos davam como derrotados; 2014, o ano em que vi o Braga a eliminar o Benfica da Taça de Portugal, no Estádio da Luz; 2014, o ano em que já meti na cabeça que vou deixar de ver Enzo Pérez com o manto sagrado vestido.

E 2015? Como será? Não sou bruxo, como diria Jorge Jesus, mas anseio por várias coisas. Anseio que nem um louco por ver um Benfica bicampeão; anseio que nem um louco por ver um Benfica dominador na maioria das modalidades; anseio que nem um louco para que todos os jogadores lesionados regressem depressa; anseio que nem um louco por uma crescente progressão do Bola na Rede; anseio que nem um louco que todos vós tenham um 2015 em grande.

Apenas posso garantir um facto: continuarei a amar o Sport Lisboa e Benfica, mesmo sem Enzo Pérez, mesmo estando fora das competições europeias, mesmo sem Jorge Jesus, mesmo com um hipotético 4º lugar final na classificação desta época. Os anos passam, mas o amor por este clube fica. Para todos os intervenientes deste projecto, para todos os leitores, para todo o país, para todo o mundo: votos de um bom Ano Novo! Sejam felizes.

Dia Solidário das Estrelas: Juntos na luta contra o cancro

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cab reportagem bola na rede

Ex-jogadores profissionais, ex-jogadores amadores, ex-jogadoras e estrelas da televisão juntaram-se em Odivelas para jogar futsal e lutar contra um adversário em comum: o Cancro da Mama.

O jogador de futsal Ricardinho, em conjunto com a SideLine Events e a associação “Sempre Mulher”, que apoia mulheres com cancro da mama, avançaram com uma tarde de futsal com o objectivo de angariar fundos na luta contra o cancro. Para Maria da Conceição Marmelo, da Associação “Sempre Mulher”, eventos como este ajudam a divulgar a associação e a causa: “Se não houver quem ajude à divulgação, as pessoas acabam por não conhecer a nossa causa.” Para além deste tipo de eventos, a Associação “Sempre Mulher” também tem outras maneiras de divulgar a sua luta. “Duas vezes por ano, saímos para a rua e divulgamos a importância da apalpação e da prevenção, porque é o principal. Se há qualquer coisa que se sinta na apalpação, a mulher ou o homem, porque o cancro da mama não existe só na mulher, devem ir logo ao médico.” E que conselhos devem seguir aqueles que iniciam esta difícil luta? “Se encontrarem alguma coisa, em primeiro lugar, não devem ter medo. Segundo, é ir ao médico, porque tudo o que é caroço não significa que seja mau. Se for mau, há que arregaçar as mangas e ser amigo de si próprio. Quanto mais depressa se mexer, melhor é. Todos os minutos e os segundos contam.”

O dia começou com um jogo entre a Selecção da Liga de futsal de empresas, organizada pela SideLine, e que contava com um membro de cada equipa, e uma equipa com elementos da organização da Liga. Tal como já foi referido em outros textos, o companheirismo e o fair-play imperam, com os jogadores a mostrar que a qualidade está lá. O número 8 da selecção de jogadores foi um dos elementos em destaque mas bateu num guarda-redes da equipa do Staff que esteve bastante bem entre os postes. No final, e o que menos interessa, os jogadores venceram por 6-4. Eles destacaram o fairplay. “Nunca tivemos qualquer tipo de problema. Jogamos todas as semanas e isto foi o culminar dessa atitude que temos vindo a ter dentro de campo, que é competitividade mas fairplay acima de tudo.” Sobre o objectivo do evento, os atletas destacam a luta contra o cancro, uma doença que muitos conhecem. “É complicado lidar com isto. Alguns dos atletas tiveram familiares que passaram pelo mesmo. Estes eventos são importantes até para relembrarmos os entes queridos e para dar força àqueles que têm a doença”, afirmou um dos atletas.

Os jogadores em acção Foto: SideLine Events
Os jogadores em acção
Foto: SideLine Events

Logo a seguir foi a vez de as mulheres mostrarem as suas qualidades. Juntando equipas que continham ex-atletas de futebol e futsal do mais alto nível com outras que apenas jogavam por diversão, viu-se como elas também sabem dar show, conseguindo proporcionar grandes momentos de futsal, que colocaram as bancadas a vibrar.

As jogadoras mostraram serviço Foto: SideLine
As jogadoras mostraram serviço
Foto: SideLine

Para as atletas, o importante destes eventos é sensibilizar para o cancro da mama, para que cada vez mais pessoas saibam que este pode ser tratado. Também o futsal feminino foi analisado. Para as atletas, o futsal tem sido alvo de uma maior aposta. “Nos últimos quatro anos o futsal tem crescido, porque também a Federação tem apostado mais nisso. Até aqui isso não acontecia, e a existência das equipas de formação também ajudou no crescimento da modalidade.” A formação é o caminho a seguir. “Nós temos matéria-prima. Tem é que haver mais aposta na formação e no desporto escolar. Ainda temos um quadro competitivo pobre mas acho que temos jogadoras e capacidade para disputar um título. Portanto, estamos num bom caminho. É preciso é não parar, principalmente na formação.”

 

Os mais novos também tiveram a sua oportunidade de brilhar. Representando vários clubes do conselho de Odivelas, benjamins, iniciados e vários escalões aproveitaram para se mostrar. Num dia de festa, as jogadas destes pequenos e, quem sabe, futuros craques animaram as bancadas, repletas de pais e atletas mais velhos mas também das estrelas que iriam jogar a seguir e que ficaram deliciadas com o que os mais pequenos faziam em campo.

Chegava a hora do jogo que todos queriam ver. Ricardinho não conseguiu estar presente, mas o evento contou com outros grandes nomes. Jorge Andrade, Madjer e Fernando Mendes mostraram os seus dotes, mas também Pedro Henriques, António Raminhos, Luís Filipe Borges, ou Boinas, e Pedro Fernandes mostraram saber de bola. Para Raminhos, esta era uma oportunidade “de poder estar com Pedro Henriques, que é uma pessoa a quem só chamava nomes na televisão e na bancada e agora posso chamar ao vivo ou dar uma ripada ao Jorge Andrade e dizer «lembras-te quando fizeste isso ao João Pinto?». É juntar o útil ao agradável, é conseguir poder ajudar as pessoas e lesionar gajos”. Também para o jornalista Rui Pedro Brás “é sempre importante dar algo em troca” por serem privilegiados pelo facto de as pessoas os reconhecerem pelas tarefas que desempenham. Para Madjer, “é importante ajudar nesta batalha de algumas pessoas que estavam presentes no evento” e que ocasiões como estas deveriam acontecer mais vezes. Jorge Andrade realça “o espírito de convívio e de alegria com colegas e malta da televisão que fazem rir, nomeadamente com o Raminho e o Pacheco”.

Raminhos foi uma das figuras do encontro Foto: SideLine Events
Raminhos foi uma das figuras do encontro
Foto: SideLine Events

O jogo decorreu na normalidade e no bom ambiente característico. “Boinas”, na baliza, provou que ela estava segura, Madjer e Jorge Andrade mostraram que quem sabe nunca esquece, mas o destaque da tarde foi para António Raminhos, autor de um hattrick e cuja camisola foi bastante pedida nas bancadas.

Para Vitor Alves, da SideLine, o balanço é positivo. “Esta foi uma iniciativa pensada em exclusivo pelo Ricardinho. Infelizmente, não pode estar presente porque o voo se atrasou. Ele próprio teve a iniciativa de criar este evento e abordou a SideLine para podermos ser parceiros nesta organização. Fruto da relação com a Câmara de Odivelas, achámos que o Pavilhão Multiusos seria o ideal para desenvolvermos esta atividade. Sugerimos à Câmara Municipal que encontrasse uma associação e foi indicada a associação “Sempre mulher”. Apesar de não termos tido a adesão esperada, o balanço é positivo porque conseguimos mobilizar uma série de figuras públicas das mais variadas áreas da sociedade.”

Jorge Andrade e Madjer mostraram que quem sabe nunca esquece
Jorge Andrade e Madjer mostraram que quem sabe nunca esquece

O contacto com todas as figuras que participaram neste jogo solidário também não foi complicado. “Não foi difícil porque, de facto, a maioria deles são amigos do Ricardinho e disponibilizaram-se prontamente. A Câmara Municipal de Odivelas e a Sideline também fizeram os seus convites. É de facto um grupo de figuras que, ao longo destes anos, já nos habitaram a estar presentes neste tipo de eventos. Eles próprios estão sempre dispostos a apoiar este tipo de causas”.

No final, venceu a Associação “Sempre Mulher”, em mais uma luta contra este terrível adversário que é o cancro.

Reportagem realizada por:

André Conde

Duarte Pereira da Silva

Equipa do Ano 2014: Premier League

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Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permanecerão na memória de todos os amantes de Desporto.

GR: Julian Speroni (Crystal Palace)
É factual: um guarda-redes de equipa “pequena” tem sempre muito mais trabalho durante um jogo do que um de equipa grande, pelo que olhar para os golos sofridos de cada equipa da Premier League durante o ano poderá ser falacioso quanto à atribuição do prémio de melhor guarda-redes durante esse período. Porém, se atentarmos que uma dessas equipas conseguiu superar esse registo relativamente às equipas “grandes” (Liverpool e Tottenham, na circunstância) durante uma época inteira, podemos daí tirar conclusões. E o facto é que o Crystal Palace conseguiu ter menos golos sofridos, em toda a temporada 2013/2014, do que equipas como Liverpool (vice-campeão) ou Tottenham, algo que transportou para esta época (embora atravesse um momento menos feliz nesse particular), sendo comum às duas épocas as fantásticas exibições do seu guarda-redes, que impediu várias goleadas e garantiu vários pontos à formação do Crystal Palace, essenciais para assegurar a manutenção. A meu ver, Speroni consegue superar nomes como o de Petr Cech (excelente primeira metade do ano, mas inferior a segundo muito devido à aparição de Courtois), De Gea (o contrário de Cech) ou Mignolet, não só pelo facto de não estar numa equipa grande lidando, por isso, com caudais ofensivos muito mais intensos, mas também por ter sido tecnicamente superior a eles.
Begovic também seria um nome a considerar, mas não deixou patente a regularidade do guardião argentino.

DD:Pablo Zabaleta (Man City)
O lateral-direito do Manchester City destaca-se dos restantes pela sua raça e agressividade. Faz autênticas piscinas, sendo excelente defensiva e ofensivamente. Pela inteligência posicional, pela “ratice” que foi apurando ao longo dos anos que acumula de futebol e pela invulgar qualidade de passe que o argentino possui, merece, sem sombra de dúvida, o galardão de melhor defesa direito do ano, até porque, também, não tem grande concorrência de peso.
Seamus Coleman foi outro nome considerado mas o lateral do Everton, apesar de ser mais solicitado defensivamente e de, mesmo assim, conseguir ter tido um importante papel na ajuda dada ao ataque, não foi um jogador tão regular e tão eficaz como o argentino.

DC: Vincent Kompany (Man City)
O líder da defesa é aquele ao qual devem ser dados todos os méritos, que eventualmente distribuirá pelos seus parceiros. Kompany foi o líder da defesa do campeão, Manchester City, e foi muito por causa dele que a equipa logrou esse título e, aliar ao mesmo, um futebol de ataque espectacular eficaz pelo seu posicionamento, pela forma como berrou, gesticulou e ajustou posições de quem o rodeava e pelo facto de ser praticamente intrasponível pelo ar e pela relva, usando uma compleição física invejável aliada a uma velocidade que impressiona para alguém do seu tamanho. O defesa belga sabe todos os truques do jogo e formou com Demichelis primeiro, Mangala depois, e Demichelis, mais tarde, novamente, duplas de centrais extremamente eficientes, que permitiram ao City sair em ataque desenfreado sem preocupação com as “costas”. Por isso, merece estar na dupla de centrais do ano.

DC: Branislav Ivanovic (Chelsea)
A escolha do sérvio para o centro da defesa acontece por uma questão de princípios do redactor. Achei injusto deixar de fora dos quatro melhores defesas da Premier League um jogador responsável pela excelente performance defensiva do Chelsea na época passada e que mantém uma regularidade exibicional impressionante. Para além disto, ter de fora o defesa mais completo (faz piscinas de um lado ao outro do campo se tal fôr necessário, ganha bolas de cabeça como ninguém, tanto na defesa como no ataque, tem noção de como saber usar agressividade para morder os calcanhares ao adversário e é dos que melhor desarme tem, sendo praticamente intransponível) seria estranho para mim. É certo que é normalmente (ou de forma quase exclusiva, pode dizer-se) utilizado como lateral-direito, mas também é capaz de desempenhar o papel de central com igual eficácia, pelo que não será, de todo, descabido inclui-lo no eixo, juntamente com Kompany.

DE: Leighton Baines (Everton)
Há muitos anos que Baines vai merecendo este prémio (superando, sim, Patrice Evra). É um daqueles jogadores que encata os adeptos das estatísticas no futebol. Por ser tão constante e por conseguir ter desempenhos tão regulares,  já foi inclusive usado como case study para o uso de tecnologia para traçar padrões de avaliação de jogadores, pois mantém constantes os valores apresentados nos índices a que é avaliado. De facto, basta olhar para dois jogos de Baines e verificar que não diferem muito um do outro, com ele a manter a sua habilidade no passe (cruzamentos, sobretudo), um poder de aceleração assinalável, a que alia excelente capacidade de drible e ainda a excelência na cobrança de bolas paradas. Arrisco mesmo a dizer: roça o modelo daquilo que é suposto ser um lateral-esquerdo do futebol moderno.

MC: Nemanja Matic (Chelsea)
A estreia pelo Chelsea foi “certinha” conforme apelidaram os media locais. Não foi extravagante porque a táctica não o permitiu, mas foi competente, uma característica que lhe foi transversal no resto da época, apesar das exibições soluçantes que teve a seguir. Com o tempo, ao longo da época 2013/2014, o Matic do Chelsea voltou a ser o Matic do Benfica e mostrou que a omnipresença que marcou os relvados portugueses era transferível para os britânicos, um feito que ganha enorme relevo tendo em conta as características físicas do futebol inglês. Foi esta omnipresença que valeu vários “Man of the Match” ao sérvio. Isso e a forma como sabe destruir jogo, controlá-lo e construí-lo, podendo perfeitamente ser um elo de ligação entre a defesa e o meio-campo ou actuar como o motor do ataque em certos períodos do encontro. A inteligência do ex-Benfica, acrescida a outros dons naturais, como a altura e a robustez, facilitaram a sua integração e tornaram-no num dos melhores médios do campeonato inglês em 2014.

MC: Steven Gerrard (Liverpool)
Foi uma época histórica para o Liverpool. No passado recente, nunca como na época transacta os reds estiveram tão perto de voltar a conquistar o título da Premier League, que lhes anda fugido desde 1990 (24 anos). O responsável-maior? O eterno capitão. Steven Gerrard. Não terá atingido, aos 33 anos de idade, o pico da carreira, mas certamente que foi uma das temporadas mais regulares que assinou e, muito provavelmente, aquela onde sentiu a camisola do Liverpool entranhar-se na pele. Viu-se na forma como chorou após a vitória ante o City, uma das imagens que marcou o ano, e o quão desolado ficou no duelo contra o Crystal Palace que ditou o fim do sonho da conquista da Premier League. O experiente médio, agora com 34 anos, entrou bem na época 2014/2015 e ainda assinou boas exibições no início da época, tendo vindo a cair depois. Porém, aquilo que fez na época transacta é suficiente para que figure entre os melhores da Premier League neste ano civil.

MC: Morgan Schneiderlin (Southampton)
Uma das equipas-sensação da Premier League da época passada foi o Southampton, que só ficou atrás de equipas com muito maiores responsabilidades financeiras e desportivas (United, City, Liverpool, Arsenal, Chelsea, Tottenham e Everton), e assinou uma segunda metade da temporada passada surpreendente, com resultados bastante positivos, somando apenas 6 derrotas, com a particularidade de 5 delas terem acontecido em circunstâncias “normais”, isto é, frente a equipas que terminaram acima dos Saints na tabela classificativa. Quando se pensava que a época anterior era difícil de superar, ainda para mais tendo em conta as atribulações da pré-temporada, eis que o início da Premier League 2014/2015 mostra um Southampton revigorado, ainda melhor do que o do ano passado, praticando um futebol sólido, de equipa grande, mesmo mudando muito do seu estilo de jogo e do seu onze base, o qual só manteve duas peças  – José Fonte e Schneiderlin. E se o português tem sido o líder espiritual da equipa dentro de campo (capitão), o francês têm sido o comandante táctico da equipa, possuindo uma inteligência táctica fora do vulgar (que lher permite ganhar muitíssimas bolas, seja pelo ar ou pelo chão), a que alia um poder de passe assinalável, que permite construir muito jogo desde trás – um aspecto essencial, sobretudo agora, através da mudança táctica operada por Ronald Koeman nos Saints, o que torna Schneiderlin numa peça cada vez mais importante desta equipa que vai surpreendendo cada vez mais, sendo a figura principal do incrível Southampton de 2014.

MC: Yaya Touré (Man City)
Apelidar Yaya Touré de melhor médio do mundo seria uma banalidade na primeira metade do ano de 2014. O costa-marfinense, aos 30 anos, atingiu, muito provavelmente, o pico da carreira e carregou às suas costas o futebol do City. Foi (e continua a ser) importantíssimo na construção de jogo ofensivo, iniciando grande parte das devastadoras manobras ofensivas do futebol dos citizens, trazendo jogo desde trás, conseguindo gizar espaços onde estes pareciam não existir com uma visão de jogo incrível e um poder de passe não menos impressionante. Foi incansável durante toda a época, disputando todos os minutos dos 35 jogos que jogou de forma  intensa, sem que se registasse um aparente cansaço motivado pelo decorrer do tempo, como comprovam muitas arrancadas que fez nos minutos de finais dos encontros e os golos que marcou durante estes períodos, fazendo jus a uma característica que sempre lhe apontaram mas que ficou ainda mais evidente no ano passado – o poder de finalização, marcando a cada 1.3 remates que fez, o que resultou em… 20 golos! Um número impressionante para um médio.

Na primeira metade da época que corre não tem sido tão feliz como fora o ano passado, mas, mesmo assim, consegue ter muita influência no futebol praticado pelos citizens e mantém aquela passada larga, assumindo, sem problema, a responsabilidade de construir o jogo de uma equipa grande. Para além disso, adquiriu características que não tinha, como o jogo aéreo (ganha, agora, cerca de 1.4 lances por jogo no ar, ao invés 0.5 do ano passado).

AV: Luis Suárez (Liverpool)
Normalmente, seria difícil justificar uma escolha de um jogador que só jogou metade do ano para o onze desse período, mas Luís Suárez foi… Luís Suárez e aquilo que conseguiu ao serviço do Liverpool na segunda metade da época 2013/2014 foi qualquer coisa do outro mundo, consagrando-se como o melhor jogador da Premier League e o melhor marcador da competiçao, tornando-se, ao mesmo tempo, no co-Bota de Ouro, juntamente com o “alien” Cristiano Ronaldo Em 33 jogos marcou 31 golos, mas a sua influência na época fantástica do Liverpool vai muito além disso mesmo, porque não foram raras as vezes que veio dar uma mãozinha à defesa e iniciou muitos lances de contra-ataque. Quando tinha a bola em zona ofensiva era simplesmente demolidor, descobrindo trilhos quase invisíveis a olho nu que lhe permitiram construir muitos dos 101 golos dos reds na época passada. Foi considerado homem do jogo pela imprensa britânica de dois em dois jogos e manteve a regularidade durante a época toda, sendo a segunda metade de 2013/2014 igualmente demolidora.

AV: Eden Hazard (Chelsea)
O menino prodígio do Chelsea e uma das figuras da Premier League do ano civil de 2014 não podia de deixar de figurar neste onze ideal. Hazard conseguiu dar esperança aos blues, no ano passado, quando a equipa era lenta a construir ofensivamente e dependia das suas arrancadas para ter imaginação e criatividade. O belga desbloqueava situações mais complicadas e foi ele o principal instigador de sonhos dos adeptos que acreditavam que a equipa podia voltar a sagrar-se campeã de Inglaterra. O poder de drible, a velocidade, a inteligência e o poder de finalização são armas que qualquer extremo tem de ter. Porém, é difícil exigir que qualquer jogador possa ter essas qualidades ao nível das de Hazard, porque são estão ao nível de um predestinado, conforme ele foi vincando ao longo do ano de uma forma extremamente regular e crescente. Por isto, e por conseguir ser a figura do Chelsea (que, tem de se sublinhar, na segunda metade de 2014 dominou o futebol inglês), merece um lugar no onze ideal da Premier League 2014.

Jogador do ano: Eden Hazard (Chelsea)
Suárez foi incrível (e Sturridge o seu “sidekick”), Touré impressionante… mas só o foram durante meio ano. Suarez saiu a meio do ano de 2014 e Yaya Touré tem vindo a decair, atravessando uma estranhíssima crise de confiança. Hazard conseguiu ombrear com eles durante a época transacta, e esta época a concorrência que encontrou (Sergio Agüero, Di María e Fàbregas são os que, porventura, mais perto dele se aproximaram na primeira metade de 2014/2015) tem sido, do meu ponto de vista, superada, e parece-me que o belga está na linha da frente rumo ao galardão de melhor jogador da Premier League. Analisando o ano todo, Hazard foi aquele que mais magia espalhou pelos relvados. Conseguiu crescer de forma regular ao longo do ano, tornando-se numa das referências de uma equipa que tem vindo a dominar o futebol inglês este ano. Justifica, plenamente, o título de melhor jogador do ano da Premier League.

Revelação do ano: Mile Jedinak (Crystal Palace)
Um jogador revelação é aquele que surpreende, que revela ser algo superior àquilo que era esperado dele. Normalmente, este é um prémio associado a jogadores jovens, mas não tem de o ser necessariamente, porque a definição de revelação não remete para juventude em todos os casos, e no que toca a este ano, aquele que mais surpreendeu, aquele que revelou estar muito além das capacidades que lhe eram atribuídas, a meu ver, foi o trintão Mile Jedinak. O australiano levou o Crystal Palace às costas, e foi sempre o motor ofensivo e o tampão defensivo de que a equipa precisou para assegurar a manutenção na época 2013/2014, consagrando-se como a figura da equipa, juntamente com o inevitável super-guardião, Julian Speroni.

Morgan Schneiderlin também mereceria referência neste quadro, mas a sua prestação, tendo em conta o que já fora feito por ele em 2013, acabou por não surpreender. Phillipe Coutinho ou Raheem Sterling surpreenderam o mundo com a meia época assombrosa que fizeram… mas foi só isso, meia época. Jedinak foi regular e, para além de conseguir assinar uma época tremendamente regular, que manteve o Palace em lugares tranquilos na época passada, tem sido a salvação da equipa na época que corre, sendo um autêntico guerreiro a meio-campo, ganhando muitíssimas bolas pelo ar e pelo chão, fruto da sua mobilidade… que se tem alastrado a uma zona mais adiantada do terreno (pese embora o facto de ocupar a mesma posição – trinco – da época passada), algo que tem dado frutos, pois, em meia época, já fez o dobro das assistências da época passada e já quintuplicou o número de tentos apontados. Vindo do Championship, e nunca tendo actuado numa liga de topo (tinha passado antes por Gençlebirligi e Antalya, da Turquia, e Central Coast Mariners, da Austrália), pela sua regularidade exibicional e pela sua importância na equipa, foi o jogador que mais surpreendeu no ano de 2014.

Treinador do ano: Ronald Koeman (Southampton)
O galardão de treinador do ano, no meu ponto de vista, deverá ter mais em conta aquilo que se passou na época que corre do que propriamente na transacta. É que, na primeira metade do ano, as equipas já vêm com princípios de jogo assimilados do ano anterior e já estão entrosadas, pelo que o dedo do treinador não é tão visível como no início, onde as equipas melhor preparadas se destacam. É certo que pode haver uma linha de continuidade com a época passada, mas mesmo assim é preciso afinar estratégias e é impossível, no futebol moderno, manter um onze base de uma época para a outra.

Nesse sentido, Ronald Koeman destaca-se, a milhas, dos restantes. Pegou numa equipa refém das suas principais referências, perdendo 9 (!!!) titulares, e começou a pré-época com falta de reforços. Estes foram chegando a conta-gotas, mas, quem entende minimamente de futebol, sabe que demora algum tempo para a habituação de um jogador a uma nova realidade… a menos que o treinador o integre da melhor e mais rápida maneira possível e saiba ter a ginástica mental necessária para identificar problemas inesperados e potenciar novos recursos. Koeman tem conseguido fazer isso com o Southampton, assinando um dos melhores inícios de época de sempre da história do clube, tendo ocupado o segundo lugar durante muito tempo com uma equipa praticamente nova, quer em termos de equipa, quer em termos de Premier League, como são os casos das (agora) referências Mané, Tadic ou Pellé. Pela dificuldade do trabalho que teve ao seu dispor, Koeman merece este galardão muito mais que qualquer treinador de equipas de topo que mantiveram o seu “manager” (Brendan Rodgers espalhou-se esta temporada, Mourinho não esteve bem na anterior, e Pellegrini sempre teve estabilidade) e, a meu ver, do que nomes de treinadores que assinalaram excelentes campanhas, como Garry Monk (iniciou a carreira de treinador em Fevereiro deste ano, ao serviço do Swansea, e tem tido bons resultados, mas, perante os recursos disponíveis e o trabalho que vinha da época anterior, teria de fazer mais para superar Koeman), Tony Pullis (obreiro da grande época do Crystal Palace na época passda) ou Mark Hughes (um excelente plantel à disposição no Stoke, mas a equipa já se encontra entrosada).

Revista do Ano 2014: NBA

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Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permanecerão na memória de todos os amantes de Desporto.

Mais um ano que chega ao fim. Aqui ficam os jogadores e equipas que escolhi como destaques positivos e negativos.

MVP: Kevin Durant e Stephen Curry – Coloquei aqui dois nomes por Kevin Durant ter sido, de longe, o melhor jogador da primeira parte do ano. Apresentou números estrondosos e, acerta altura, chegaram a ser assustadores. Depois da sua lesão, houve vários jogadores cujo rendimento subiu bastante. E neste caso falo de Stephen Curry, aquele que para mim está a ser o melhor basquetebolista da segunda metade de 2014. É certo que à frente dele está Marc Gasol e Anthony Davis na lista da NBA, mas o que Curry tem vindo a fazer no pavilhão dia sim, dia sim, é fabuloso. Um atirador furtivo e um marcador nato, que não se esquece que é um base e faz bastantes assistências todos os jogos.

MELHOR EQUIPA: San Antonio Spurs – Por mais estranho que esteja a ser o começo desta época, só os campeões é que podem ser considerados a melhor do ano. Tiveram o melhor registo de vitórias e derrotas, foram dos melhores ataques, das melhores defesas e apresentaram o basquetebol mais bonito, esteticamente falando, dos últimos anos.

O JOGO DO ANO: 17/12/2014 – Memphis Grizzlies @ San Antonio Spurs (117.116)  foi preciso chegar quase ao fim do ano para se poder escolher o melhor jogo do ano e posso dizer, sem me arrepender, que esta foi a melhor e mais entusiasmante partida de 2014. Depois de estarem a vencer por 23, os Grizzlies conseguiram ter mais força e deram muita luta aos campeões.

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MAIORES SURPRESAS: Anthony DavisJimmy Butler – Mais uma vez, dois nomes, e apresentados pela mesma razão. Anthony Davis, na época passada e no início de 2014 (tal como no resto, se formos sinceros), demonstrou números e jogos nunca antes alcançados por um jogador de apenas 21 anos. O “monocelha” tem sido absolutamente único. Jimmy Butler, por sua vez, não é um jogador que costuma vir do banco – muito pelo contrário, é um conhecido dos fãs dos Chicago Bulls e da liga toda no geral. No entanto, aquilo que Butler tem feito nesta época de 2014-2015 é surpreendente. Subiu o seu rendimento, aumentou o número de pontos, assistências, ressaltos e quase todas as outras referências estatísticas que são usadas para analisar as prestações individuais.

A DECEPÇÃO: Josh Smith – Veio para os Pistons para fazer com que estes fossem melhores e muito mais perigosos. Acabou por os tornar maus e tornou a maior parte dos jogos da equipa de Detroit dolorosos para os fãs. Acabou por ser despedido e posteriormente “pescado” pelos Houston Rockets, que estavam a precisar de um corpo forte depois de se livrarem de Jeremy Lin e de Omer Asik.

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Kevin Durant foi um dos maiores destaques individuais de 2014
Fonte: Keith Allison (Flickr)