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O Passado Também Chuta: Luís Figo

Luís Figo fez a sua formação no Sporting Clube de Portugal, para se tornar um dos melhores jogadores da sua geração e um dos melhores do futebol português. O extremo luso foi galardoado com o Ballon D’Or em 2000 e o FIFA The Best em 2001.

Figo deu os seus primeiros passos no futebol ao serviço do Pastilhas, tendo sido um dos talentos descobertos pelo senhor Aurélio Pereira. Foi através do mestre da observação, que rumou ao Sporting em 1984. Seguiram-se 12 anos de leão ao peito, realizando a sua estreia na equipa principal num jogo frente ao Marítimo na época 91/92, com apenas 17 anos.

Ao serviço do Sporting, Luís Figo somou 158 jogos e apontou 23 golos. A despedida de Figo do clube de Alvalade foi com a conquista da Taça de Portugal em 1995, vencendo o Marítimo por 2-0, com dois golos de Ivaylo Iordanov.

O extremo português reforçou o FC Barcelona na época 95/96, numa transferência a rondar os 2.5M€.  Ao serviço dos “blaugrana” realizou 249 jogos e marcou 45 golos. Com a camisola catalã venceu uma Taça das Taças, uma Supertaça Europeia, duas Taças do Rei e foi duas vezes campeão espanhol. Na Catalunha, Figo brilhou a par de nomes como Rivaldo, Ronaldo, entre tantos outros.

No verão de 2000, Luís Figo protagonizou uma das transferências mais polémicas do futebol mundial. Pela mão de Florentino Pérez, Luís Figo trocou o Barcelona pelo rival, Real Madrid, a troco de 60 M€. No Real Madrid, o português viria a vencer dois campeonatos, uma Liga dos Campeões, uma Supertaça de Espanha, uma Supertaça Europeia e uma Taça Intercontinental. Figo foi um dos galácticos do Real Madrid, como Zidane, Ronaldo, David Beckham, Roberto Carlos, entre outros, que marcaram uma era no clube. Durante cinco temporadas, Figo contabilizou 245 partidas disputadas e 45 golos marcados.

Figo viria a perder espaço no clube da capital espanhola e em 2005 rumou ao futebol italiano, rubricando contrato com o Inter de Milão, a custo zero. Em Itália, voltaria a comprovar a sua qualidade e experiência, vestindo a camisola número sete por 140 ocasiões, marcando 11 golos. No Giuseppe Meazza, voltou a viver uma aventura muito feliz, onde foi tetracampeão, venceu uma Taça de Itália e três Supertaças. Retirou-se dos relvados dia 31 de Maio de 2009, numa vitória do Inter de Milão diante da Atalanta por 4-3, sendo orientado por José Mourinho.

Luís Figo marcou a história do futebol português, foi um dos mais internacionais de sempre, com 127 jogos e 32 golos. Capitão da seleção portuguesa, uma figura incontornável do desporto nacional, venceu o Campeonato do Mundo de Juniores em 1991 e foi finalista do Euro 2004. O extremo formado em Alvalade participou em cinco fases finais de grandes competições e será eternamente recordado como um dos melhores de sempre do futebol português.

Figo ficará na memória dos adeptos do futebol mundial pela sua qualidade técnica, a sua meia distância, os dribles, as assistências, os golos, a atitude e entrega em campo. Uma carreira repleta de títulos, com as camisolas do Sporting CP, FC Barcelona, Real Madrid e Inter de Milão, conquistando 26 troféus.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Força da Tática: Como Nagelsmann derrotou Mourinho (Parte 2)

Depois de analisada a primeira mão, vamos dar um salto para a segunda mão na Alemanha!

Dada a vantagem na eliminatória, a equipa alemã apostou num jogo muito mais vertical do que na primeira mão. Ambas as equipas mudaram muitas das suas dinâmicas. O Tottenham Hotspur FC utilizou um sistema de 5-2-3 (defesas: Aurier, Tanganga, Dier, Alderweireld, Sessegnon; médios: Lo Celso, Winks; avançados: Lucas Moura, Dele Alli, Lamela. O Leipzig manteve o seu 5-2-3 (defesas: Mukiele, Klostermann, Upamecano, Halstenberg, Angelino; médios: Laimer, Sabitzer; avançados: Nkunku, Schick, Werner).

Em ataque posicional, o Leipzig apresentou várias novidades relativamente ao jogo anterior, principalmente pela pressão mais intensa da equipa de Londres. Para sair dessa pressão, o Leipzig utilizou uma dinâmica preferencial. Em ataque posicional, Upamecano subia no terreno para se juntar a Laimer, enquanto Sabitzer aproximava-se dos avançados. Esta dinâmica tinha o objetivo principal de dar mais soluções em momentos de ataques mais verticais, através de passes longos para Schick e com vários jogadores na aproximação para a segunda bola. Além disso, permitia uma superioridade numérica no meio-campo, após a supressão da primeira linha de pressão.

Presença de Laimer e Upamecano em zonas centrais com Sabitzer mais próximo de Nkunku
Fonte: SkySport

Outro aspeto diferente da primeira mão relaciona-se com a marcação individual dos avançados Werner, Schick e por vezes Nkunku (que se apresentavam, novamente quase sempre em espaço interior). O problema desta marcação individual setorial está na impossibilidade de o central realizar a cobertura ao seu lateral, quando Angelino e Mukiele subissem e forçassem o um contra um. Vejam na imagem:

Defesa Central (Tanganga) marca Werner
Fonte: Skysport

O Tottenham apresentava-se uma equipa muito mais pressionante do que na primeira mão. Realizavam uma pressão com marcação individual. Dentro disso, a aposta coincidiu mais em ataques rápidos e em bolas longas a aproveitar o jogo aéreo do jogador referência Schick (só ele ganhou mais duelos aéreos do que os três centrais do Tottenham). Para baralhar os encaixes do Tottenham, Nagelsmann optou por juntar Upamecano a Laimer, assim como colocar lado a lado um avançado com Sabitzer. Este desenho tático permitia uma saída de bola muito mais facilitada. A primeira linha de pressão do Tottenham de 3 elementos era assim facilmente superada, e ,depois disso, havia superioridade numérica no meio-campo.

A verticalidade da equipa alemã provocou grandes dificuldades à equipa inglesa, por vários motivos. Primeiro, a superioridade em zonas de criação passada a primeira linha de pressão. O Tottenham apostou num duplo pivô e com três jogadores mais avançados, que davam pouco à equipa em processo defensivo. Dentro disso, e visto que o Tottenham pressionava alto, os passes longos foram o principal meio para superar a primeira linha de pressão. Passado esta linha, o Leipzig tinha os três avançados, Sabitzer e os dois laterais a subir no corredor. Sabitzer e, por vezes, Laimer faziam o papel de terceiro homem nas combinações com bola longa, para depois explorar a amplitude e profundidade oferecida pelos laterais. Estas aproximações de médios e dos avançados Nkunku e Werner, permitiam ao Leipzig ganhar a segunda bola e atacar muitas vezes com várias unidades.

Havia uma insistência dos jogadores da linha defensiva na realização de passes verticais para espaço entre linhas – priorização de passe progressivo para espaço central e com concentração elevada de jogadores. Depois do passe chegar a zonas centrais, os laterais (principalmente, Angelino) estavam sempre subidos e abertos no corredor para receber.

“Quando ameaçamos por dentro no corredor central, mas também o fazemos por fora, é quando se cria uma mais-valia para atacar a linha defensiva adversária” – Nuno Campos, em Quarentena da Bola, por Rémulo Jonátas.

A criação de indefinição aos laterais da equipa do Tottenham pelo posicionamento por dentro de Werner ou Nkunku, e por fora de Angelino ou Mukiele, foi um dos aspetos mais importantes nesta eliminatória. A dúvida que pairava sobre o lateral e também sobre a linha defensiva, se se marcava o jogador por dentro ou acompanhava o jogador por fora, resultou em jogadas perigosas e no golo do vídeo abaixo.

Outro aspeto importante foi o aproveitamento do espaço em situações de transição ofensiva. As características dos jogadores da frente de ataque, dos laterais e do médio Sabitzer de definir bem com pouco espaço e tempo, permite-lhes chegar a zonas de finalização muito rapidamente. Depois o aproveitamento que têm em situações de cruzamento é absolutamente absurda! Isto acontece não só pela forte presença em zonas de finalização, mas também pela qualidade dos seus executantes.

Não perca a terceira deste artigo sobre o momento defensivo do Leipzig que anulou completamente o ataque do Tottenham.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

BnR TV: Paulo Freitas e Pedro Gil faltam sobre futuro da modalidade

Pedro Gil, um ícone da modalidade, e Paulo Freitas, treinador campeão europeu do Sporting CP! Temos um grande programa para ti! Junta-te a nós e participa com as tuas perguntas neste BnR TV!

Com Mário Cagica Oliveira, João Barbosa, Jorge Faria de Sousa, Paulo Freitas e Pedro Gil.

Podes subscrever o nosso canal no Youtube através do seguinte endereço ➡️ https://www.youtube.com/c/bolanaredetv

Paulinho Gama, o leão no meio dos mancos

O andar do Sporting Clube de Portugal, com o urgir do tempo e as inúmeras circunstâncias mais do que uma vez citadas, quer por mim, quer pelos meus camaradas de redação, sofreu consequências nefastas. Pior! O problema é crónico, a doença entranhou-se nos músculos. As muletas são dispensáveis. Os andarilhos estão enferrujados – eu tinha mais qualquer coisa a acrescentar, útil, ia aflorar conceitos da Biologia, atrofia dos músculos, adaptação evolutiva, seleção natural e Charles Darwin, mas a construção da frase é impossibilitada pela nulidade de conhecimento nesse campo de batalha. Portanto, numa última tentativa, pretendo dizer que mancamos em direção à paragem definitiva. Entra à balda o roupeiro do clube. Não me interprete mal, “Paulinho” Gama não padece do que em cima está descrito.

Aliás, é injusto colocar o maior ícone – da atualidade, pelo menos – no mesmo lote que figuras que não merecem o apreço dos seus adeptos. Na minha modesta opinião, Paulinho é a pessoa com mais capacidade de locomoção, com menor atrofia muscular e com uma resistência inigualável para suportar maratonas de treinadores e cúpulas dirigentes. Admiro a sua coragem: deixar acercar-se de falta de profissionalismo gritante, do esventrar constante do ADN leonino e das políticas do reerguer só para “inglês ver” é amor ao clube e masoquismo, simultaneamente.

Atracou em Alvalade com 16 anos de idade, atualmente possui 51. As operações matemáticas destinam-se a vós, leitores. Contudo, algo se denota com relativa facilidade: a maior parte da sua existência foi vivida e celebrada de leão ao peito. Caso se edificasse um reality-show em torno dos roupeiros das 18 equipas que ocupam a sua posição na Primeira Liga, Paulinho era o mais vigiado do país, o mais conhecido fora da casa e o que, saído da mesma, iria marcar mais presenças nas discotecas e danceterias de Portugal.

Paulinho tornou-se uma figura e um exemplo no clube leonino
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Mesmo quem não fazia a mais pequena ideia de tal personagem, foi condecorado com a sua intemporalidade. Nas redes sociais, deflagraram e continuam a deflagrar tiradas humorísticas com menção ao respetivo em qualquer assunto que ao clube diga particular respeito. Nem sempre abundam em qualidade como se intensificam em quantidade, mas isso “são outros quinhentos”. O foco principal é a incapacidade visível que possui numa das pernas. Aviva-me a memória o lance da década, aquela perdida do Bryan Ruiz diante do SL Benfica. E a piada, naturalmente, fez-se sozinha…

Em diversas ocasiões, li, vi e ouvi vários depoimentos não só de antigos jogadores, treinadores, dirigentes, como também da casta recente a elogiar, a exaltar, a dignificar Paulinho. E é merecido. Ao contrário de muitos que pisaram a terra sagrada, quem dá o exemplo é o roupeiro do clube. Não existiu, até à data, ninguém que fosse capaz de apontar uma crítica ao seu trabalho, uma vírgula a seu respeito pelo clube e um acento à sua genuinidade. Não pode existir maior demonstração de profissionalismo, maior juramento ao lema da instituição que se representa, maior compilação de juras de amor. As lágrimas são sentidas, não de réptil. Os sorrisos são sinceros, não pálidos.

Dizer orgulhosamente que se é roupeiro de uma empresa é gratificante e ouvir tal invetiva como adepto é delicioso, mas sentir a veracidade da coisa é impagável. “Matar ou morrer”, no sentido figurado. Para o Paulinho, o Sporting é tudo. Para o Sporting, Paulinho é essencial à sua sobrevivência. O exemplo provém dele. É uma definição assertiva do tal “sportinguismo” sinalizado por João Benedito, numa célebre flash-interview. Resumindo, conclui-se que Paulinho é Sporting e que Sporting não é Sporting sem Paulinho. As aulas de Filosofia, algum dia, iriam reclamar de utilidade.

Atualmente, o Paulinho sofre com o que observa no seu clube. E, de forma a colmatar a dor sentida, efetuo uma analogia a um excerto de “Autopsicografia”, no qual o revejo.

“E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.”

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Mas o que é o futebol em tempos de pandemia, afinal?

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Decidi escrever um artigo que relacionasse o FC Porto à prática do desporto-rei, não esquecendo todas as incidências provocadas pela pandemia de Covid-19 em Portugal e no mundo.

Recentemente, tornou-se público que, se o futebol regressasse em Portugal, o que parece que vai acontecer no final de Maio, iriam ser tomadas um conjunto de medidas para proteger os jogadores e todos os envolvidos.

Entre as medidas devidamente estudadas pelos médicos das duas Ligas Profissionais em Portugal, está a proibição da entrada de crianças ao lado dos jogadores no início dos jogos; do cumprimento entre os jogadores; das reuniões presenciais entre o staff dos clubes que se defrontam; da longa duração dos estágios; do ar condicionado… e das rodas entre os jogadores, o que é uma imagem do FC Porto de Sérgio Conceição, como sabemos.

Todas estas medidas parecem-me mais que adequadas, tendo em conta os tempos que vivemos. Mais importante que o futebol é a saúde pública e, como se tem visto, muitas vezes tem sido o futebol a dar o exemplo aos cidadãos.

Se me permitem, vou agora expressar o meu ponto de vista, mas não sem antes fazer uma questão: O que é o futebol, afinal?

O futebol é um desporto, mas não é um desporto qualquer… Para além de ser uma indústria devidamente reconhecida a nível mundial, é um desporto de CONTACTO!

Gostaria de tentar perceber como é que se vai proibir o contacto físico entre os jogadores fora do jogo (o que, reitero, acho muito bem) e permitir todo o tipo de contacto físico dentro das quatro linhas (o que é inevitável).

Vamos ver isto tudo na perspetiva do FC Porto. Deixaria de existir a roda entre os jogadores e todo o staff técnico portista no final dos jogos, mas dentro do campo iríamos ver aquele contacto inevitável, as gotículas a passarem de uma boca para outra, o suor a evaporar no ar, os festejos de um golo… seria viável?

Pois bem, imaginemos um FC Porto a praticar um futebol sem contacto, já que as rodas também são proibidas:

– A maioria dos livres diretos de Alex Telles poderiam dar golo, visto que os jogadores não podiam formar uma barreira encostados;

– Nos cantos, os jogadores estavam livres na área para cabecear;

– Num festejo de um golo, Marega ia sozinho e os jogadores ficavam parados a celebrar (bem distanciados, atenção);

– O Pepe jamais poderia dar os habituais “beijinhos” aos adversários o que, por si só, destrói o futebol do internacional português!

 

Se me permitem, vou agora expressar o meu ponto de vista, mas não sem antes fazer uma questão Mas o que é o futebol pós-pandemia, afinal?
Se a coerência vigorar, este tipo de festejos não serão mais vistos
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

 

Já que estamos a falar nisto, lembrei-me de que na Alemanha, o Ministério do Trabalho teve uma decisão no mínimo bizarra. Todos os atletas da Liga Alemã teriam de usar máscara no decorrer do jogo, que seria interrompido de 15 em 15 minutos para as trocar. Que bela ideia! Assim, o jogo poderia durar três a quatro horas, mas com grande parte do tempo sem se ver a bola a rolar…. Interessante, não?

Concluo este artigo reforçando a minha opinião de que estou plenamente de acordo com a proibição das rodas entre os jogadores. No entanto, parece-me mais que evidente que é uma medida para tentar passar para o exterior que se está a agir bem, quando dentro do campo há todo um tipo de contactos…  Enfim, é para parecer bonito e correto.

Será que está a haver uma incoerência? Será que é mesmo melhor o futebol regressar?

Não matem o futebol, por favor!

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Carta Aberta aos Dirigentes do Futebol Português

Senhores Donos Disto Tudo,

Permitam-me começar com a definição de um conceito que todos adoram ver escrito, mas poucos cumprem verdadeiramente com o seu significado: Igualdade é a inexistência de desvios ou incongruências sob determinado ponto de vista, entre dois ou mais elementos comparados, sejam objetos, indivíduos, ideias, conceitos ou quaisquer coisas que permitam que seja feita uma comparação.

Igualdade. Igualdade é tudo aquilo que nunca existiu no futebol português, mas as decisões tomadas na sequência da evolução da pandemia Covid-19 revelam a incompetência dos dirigentes e a falta de capacidade e de coragem de quem rege o desporto rei em Portugal.

Fiquei perplexo ao assistir à reunião dos dirigentes dos três clubes mais representativos do futebol português com o Sr. Primeiro Ministro e com o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, com o acompanhamento tardio do representante das Ligas Profissionais de Futebol Profissional, que numa primeira instância nem tinha sido chamado a algo tão importante. Que ninguém ouse citar regulamentos nem argumentos que “a maioria decidiu que seria assim”.

Não são três presidentes de clubes que vão aferir o estado de todos os clubes da Primeira e Segunda Ligas e não são seguramente eles que vão delinear um plano de retoma às competições. Iniciei este ponto referindo que fiquei perplexo ao assistir a isto tudo, mas acrescento que não me surpreendeu. Não é de hoje que apenas três clubes são falados, debatidos e elevados a “donos disto tudo”. O que aconteceu nessa reunião foi apenas o representar de tudo o que tem acontecido no futebol português ao longo das últimas décadas e que é acentuado nos tempos modernos, com toda a globalização da comunicação e da necessidade de vender, acima de informar, e estar bem presente nos Mass Media.

O que a Liga Portugal fez foi separar as duas ligas que tutela em regimes de profissionais de “primeira” e profissionais de “segunda”. Se a Primeira Liga vai ser retomada, a Segunda Liga também teria de o ser. Quanto ao como, quando e onde, é algo que compete a quem manda e aos dirigentes que tanto recebem para mandar. Se o Euro 2004 serviu para algo, foi para dotar o país de infraestruturas para a prática do futebol. Praticamente todos os estádios da Primeira Liga estão aptos a receber jogos com a segurança que a pandemia exige, assim como há vários estádios da Segunda Liga e até de divisões abaixo com condições geográficas e estruturais para o fazer (exemplo do Estádio Municipal de Aveiro, do Estádio Municipal de Leiria ou do Estádio Algarve).

Nenhuma decisão é fácil nesta altura mas nunca nenhuma decisão deveria ter sido tomada de ânimo leve, sem qualquer respeito pelos clubes e fundamentalmente pelos jogadores e treinadores, que são a grande fonte de rendimento para todos esses dirigentes que se acham defensores de um futebol para todos.

90 jogos. 90 jogos serão disputados na Primeira Liga, em condições sobre as quais ainda se sabe muito pouco. Não houve espaço, na cabeça dos dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol, para realizar seis ou sete jogos para definir, dentro do campo, quem subiria à Segunda Liga. Em apenas uma semana, era possível resolver o assunto. O que era tão simples tornou-se impossível.

Porquê? Porque é que o Campeonato de Portugal não tem a visibilidade de uma Primeira Liga? Porque que é que o Campeonato de Portugal não gera as receitas da Primeira Liga? A resposta a ambas as perguntas é “porque sim”, mas há um exercício importante que deve ser feito por cada um de nós: Será que num cenário em que SL Benfica, FC Porto e Sporting CP não existissem, a Primeira Liga seria retomada?

Fiquei estarrecido ao ver que quem manda no futebol português, num contexto difícil para a sociedade a nível global, tem uma preocupação acérrima em que a Primeira Liga de futebol termine dentro de campo, dando como terminadas as restantes como se ninguém existisse, como se ninguém tivesse direito a sequer contestar. O fundo criado em que cada clube da Segunda Liga recebe cerca de 180 mil euros para se sustentar é irrisório, porque os custos de um clube de futebol profissional vão muito para além desse valor, que simbolizam uns “trocos” que fazem cobro a apenas algumas despesas ou alguns salários.

A tentativa de calar os clubes com o dinheiro demonstra, não só a falta de cultura futebolística do nosso país em que o dinheiro é mais importante que um golo, como também uma atitude de atirar areia para os olhos das pessoas, fazendo-as esquecer da tremenda injustiça que está a ser feita.

Voltando ao tema do mérito desportivo e da falta de valor dada à Segunda Liga (falando do futebol profissional), a decisão da descida do CD Cova da Piedade e do Casa Pia AC levam-me a propor a realização de outro exercício mental, este até sugerido pelo próprio treinador dos piedenses João Alves: Será que se FC Porto B ou o SL Benfica B estivessem em posições de descida, esta decisão seria tomada na mesma?

Este circo tem uma repercussão a toda a escala no panorama do futebol nacional. Partamos para os campeonatos não profissionais. Pasmem-se os senhores que o argumento de mérito desportivo seja atribuído às duas equipas que tenham mais pontos num campeonato dividido em quatro séries nas quais oito equipas passariam à fase seguinte, tendo todas elas a mesma legitimidade de sonhar com o acesso às competições profissionais.

O mérito desportivo no Campeonato de Portugal nunca residiu na quantidade de pontos amealhados porque o seu formato competitivo visa sobretudo o apuramento para os playoffs, no qual os jogos são disputados por eliminatórias. Mais do que uma prova de regularidade, é uma prova de “mata-mata”. Para além disso, cada série tem a sua especificidade, existindo uma heterogeneidade gritante na competitividade de umas em relação a outras. Será que o FC Vizela faria tantos pontos se estivesse inserido na série C? Será que o SC Praiense, que liderava a sua série, não dominaria a série A? São questões de impossível resposta da mesma forma que esta decisão é completamente infundada. O futebol não é matemático.

O futebol é imprevisível, vive de momentos de forma, vive de contextos, vive acima de tudo de uma bola e 11 jogadores de cada lado. Não vive do poder de dirigentes que, com decisões destas, demonstram que a sua grande preocupação não era com o futebol mas sim em agradar a terceiros.

O que estão a fazer aos clubes do Campeonato de Portugal e aos clubes da Segunda Liga é um ato de traição que revela a nulidade do interesse na competitividade e no verdadeiro desenvolvimento do futebol. Algo que estava vincado noutras questões como a não centralização dos direitos televisivos para proteger uma operadora e três clubes ou a gritante diferença de tratamento de uns clubes em relação a outros exposta na Primeira Liga, revelou expressões ainda mais sombrias nos restantes escalões.

Na Primeira Liga tudo será resolvido dentro de campo. Seja na luta pelo título, seja na luta por vagas europeias, seja na luta pela manutenção. Na Segunda Liga, duas equipas desceram sem terem direito a lutar pela sua sobrevivência quando estavam 30 pontos em disputa da mesma forma que duas equipas subiram quando outras teriam ainda uma palavra a dizer. No Campeonato de Portugal, em quatro líderes, dois subiram, fazendo os outros questionarem-se se são menos líderes que eles. Este é o estado caótico do futebol português.

Num momento em que muito se fala de vacinas e medidas de contenção da propagação de um vírus, desejo que um dia exista uma vacina para o futebol português: uma vacina da justiça, da equidade de valores e tratamentos e, acima de tudo, que proteja os verdadeiros intervenientes: os jogadores, os treinadores, os adeptos. O futuro de muitos clubes, jogadores e funcionários está em risco. Será que os dirigentes da FPF e da LPFP vão sustentá-los com base no mérito desportivo?

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

CD Nacional e SC Farense, sejam bem-vindos de volta!

CD Nacional e SC Farense regressam à Primeira Liga, enquanto que os últimos dois classificados, Casa Pia AC e CD Cova da Piedade descem para o Campeonato de Portugal. A decisão ficou tomada em sede de reunião, mas levantou alguns protestos.

O cenário de improbabilidade que rodeia o futebol chegou para todos e afetou especialmente a Segunda Liga Portuguesa que acabou, ainda que houvesse muitas questões colocadas relativamente ao seu cancelamento e à injustiça que representava para a maioria dos clubes.

Passados 18 anos, o Sporting Clube Farense festeja a subida à primeira divisão! Um clube histórico português regressa e o campeonato português consegue recuperar um estádio “à antiga”. Os clubes ganham um novo adversário (e que pesadelo de adversário, segundo a história conta de Faro). Os South Side Boys retornam das cinzas e demonstram como é ser um grupo que fez da resistência um modo de vida. Que voltem as faixas, o hino e a festa – que para já está em pausa- a equipa voltou ao lugar de onde nunca deveria ter saído. “És de Faro, és do Farense”!

O outro subido vem das ilhas e foi notícia em todo o lado pela sua comemoração atípica. O plantel do CD Nacional dirigiu-se ao estádio da equipa para festejar com o uso de máscaras e respetiva distância de segurança (é de afirmar que isto não é totalmente verdade, mas a euforia era de tal enorme), não houve falta de música, champanhe e uma mensagem especial do treinador Luís Freire.

Cristiano Ronaldo também não ficou indiferente à notícia que recebera sobre a equipa que representou entre 1995 a 1997 (antes de ingressar no Sporting CP) e deixou uma mensagem de felicitação ao clube do ‘coração’, agradecendo a forma como foi recebido na Choupana e a época que realizaram.

Um cenário mais triste e sombrio é enfrentado pelos clubes que se despediram da Segunda Liga Portuguesa, o Casa Pia e o Cova da Piedade. O treinador dos piedenses, João Alves, demonstrou-se seriamente descontente com a decisão ditada pela direção da Liga afirmando que isto é “uma das maiores vergonhas do futebol português”. O sentimento de revolta é algo caraterístico em ambas as equipas, mas João Alves vai além e deixa no ar questões sobre a possibilidade (ou não) deste cenário acontecer caso fosse o FC Porto B e o SL Benfica B a ocupar os lugares de descida.

Ainda aproveita para falar sobre a necessidade de uma desinfestação no futebol português e é de louvar a coragem por isso!

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

O que esperar deste Moreirense FC?

O Moreirense FC arrancou esta época com uma herança pesada: o sexto lugar conquistado na temporada passada foi um registo impressionante, pelo que o mote para 2019/2020 só poderia ser tentar manter os bons resultados.

Contudo, viu-se órfã do treinador que foi o mentor deste sucesso, Ivo Vieira, além de ter assistido à saída das suas principais estrelas, como o defesa Ivanildo Fernandes que foi jogar para a Turquia, Rúben Lima que se recusou a renovar contrato, Chiquinho que voltou ao SL Benfica, o agora axadrezado Heriberto Tavares e Mamadou Loum que se transferiu já a meio da época passada para o FC Porto.

Esta ”devastação” do plantel terá, certamente, condicionado a preparação da temporada atual, uma vez que os responsáveis do clube se viram obrigados a alterar a fórmula que resultara anteriormente. Vítor Campelos foi o escolhido para suceder a Ivo Vieira, mas acabou por não se encaixar na equipa. Ao fim de 14 jornadas, com o Moreirense FC no 11.º lugar da classificação e com 17 pontos (menos sete pontos e quatro lugares na tabela classificativa abaixo do obtido na mesma altura, no ano passado), o treinador recebeu ordem de saída e foi substituído por Ricardo Soares. A eliminação da Taça de Portugal em casa frente ao CD Mafra, um emblema de um escalão inferior, numa partida em que os vimaranenses não conseguiram impor o seu jogo, terá também contribuído para esta decisão.

Porém, o antigo treinador do CD Aves não entrou bem na equipa, com duas derrotas seguidas frente ao FC Paços Ferreira e FC Porto. Ainda assim, o entrosamento com o plantel acabou por surgir e desde então o Moreirense apenas regista uma derrota frente ao SC Braga, tendo até arrancado um empate frente ao SL Benfica, atual campeão nacional.

Na paragem do campeonato, à 24.ª jornada, o clube de Moreira de Cónegos encontrava-se na oitava posição com 30 pontos, menos sete que os seus dois antecessores na tabela classificativa, o FC Famalicão e os seus “vizinhos” Vitória SC.

Apesar da saída das principais estrelas do plantel, a equipa contou com alguns reforços importantes esta época, como o jovem médio Filipe Soares (e o seu irmão Alex Soares, mais experiente, oferecendo bastante segurança à equipa), Steven Vitória, o defesa central de 33 anos, com já muito conhecimento do futebol português, e o extremo Fábio Abreu, que conta já com 12 golos em 26 jogos. Antes da suspensão do campeonato, o angolano estava num bom momento de forma com seis golos nos últimos seis jogos.

À semelhança de outros emblemas da Primeira Liga, o Moreirense voltou esta segunda-feira ao trabalho para preparar o regresso à competição no final do mês de Maio. O clube dividiu os jogadores entre o Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos e Campo das Oliveiras, em Serzedelo, numa primeira fase em treinos individuais, de forma a cumprir as medidas acordadas com a Direção-Geral de Saúde.

O regresso do Moreirense FC campeonato será contra o Boavista FC, um adversário que, com toda a certeza, irá colocar os pupilos de Ricardo Soares à prova. Resta saber se a equipa tem o “estofo” necessário para manter o bom momento e lutar por igualar ou aproximar-se do registo da época passada, com a possibilidade de dar ao concelho de Guimarães, nas próximas épocas, mais um clube candidato à sempre aguerrida batalha pelos lugares de acesso à Liga Europa.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Fórmula 1: «A um cabelo» do título

Quando pensamos em Fórmula 1, os primeiros pensamentos fogem logo para os campeões ou então para os vencedores de Grandes Prémios. Mas hoje não vamos falar dos que foram campeões e sim daqueles que, para mim, foram os melhores a não conseguirem ser campeões. Não há grandes critérios, mas baseei a minha opinião na minha memória (ou até da falta dela, aí o nosso amigo YouTube ajuda muito) destes pilotos.

Foto de Capa: Scuderia Ferrari

Abram alas! Vem aí um novo clube milionário

Sejamos sinceros, o Newcastle United FC já não era tão falado desde que Santiago Nuñez invadiu os nossos ecrãs no filme Goal!. Porém, as últimas notícias mostram-nos que não podemos brincar com os magpies, estando o clube prestes a tornar-se um dos clubes mais ricos do mundo. O investimento do príncipe saudita Mohamed bin Salman pode catapultar um dos históricos ingleses para os lugares cimeiros da Premier League.

Para o casamento, falta o “sim, aceito” da primeira liga inglesa. No entanto, instituições como a Amnistia Internacional já vieram a público demonstrar o desagrado caso a compra seja aceite. O investimento árabe está envolto em polémica devido a várias violações de direitos humanos, mas não se espera que o negócio seja cancelado, basta nos lembrarmos dos casos do Manchester City FC e do Chelsea FC.

A imprensa avança com uma proposta a rondar os 300 milhões de libras do fundo de investimento público da Arábia Saudita. Mike Ashley, atual dono do Newcastle United, colocou a formação do nordeste de Inglaterra à venda quando decorria o ano de 2017, depois de uma travessia no Championship. Contudo, a crise já se arrastava desde 2008, quando o sócio maioritário anunciava pela primeira vez que o clube estava à venda.

O desnorte encontra-se instalado em Saint James Park há quase uma década, mas parece que em breve essa tempestade vai chegar ao fim. A última temporada em que os The Toon atingiram lugares europeus ocorreu em 2011/2012, quando Alan Pardew ajudou o histórico inglês a alcançar o quinto lugar na Premier League. Será que o dinheiro vai trazer a felicidade à pequena cidade junto ao rio Tyne?

É verdade que o plantel do Newcastle United não tem nomes vistosos como nos tempos de Alan Shearer, mas existem motivos para sorrir. Com Miguel Almirón, os irmãos Longstaff, Saint Maximin ou até Nacil Bentaleb, percebemos que existe talento nas fileiras da formação que ocupa o 13º lugar na divisão cimeira do futebol inglês. No entanto, nomes maiores do futebol internacional estão a ser equacionados para fortalecer o plantel.

Depois de esta época os magpies já terem desembolsado um valor recorde de 40 milhões de libras pelo brasileiro Joelinton, espera-se que esse preço seja irrisório para as novas capacidades financeiras do clube. Os media avançam nomes como Phillipe Coutinho, Edinson Cavani ou Dries Mertens, mas o alvo que ganha força a cada dia que passa é o do treinador Mauricio Pochettino.

O técnico argentino será, caso o projeto avance, o homem do leme para colocar o Newcastle United no topo do futebol mundial. Com um mentor de renome, espera-se que os “craques” sintam mais confiança num projeto que vai demorar a ganhar o carimbo de sucesso, apesar dos exemplos anteriores já se mostrarem casos bastante positivos.

Apesar das promessas de glória imediata, os adeptos do clube centenário mostram-se reticentes perante o perder de identidade da instituição. O projeto ainda tem muito caminho pela frente antes de se tornar uma realidade, mas espera-se que os magpies passem do meio da tabela para os lugares cimeiros ou até, quem sabe, para a conquista de grandes títulos.

Artigo revisto por Diogo Teixeira