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Manchester City FC 0-2 Wolverhampton Wanderers FC: Liderança ainda mais longe após duelo “muito português”

A “armada portuguesa” do Wolverhampton deslocou-se a casa do atual campeão inglês, o Manchester City, em jogo a contar para a oitava jornada da Premier League. Os comandados de Nuno Espírito Santo contaram com Rui Patrício, Rúben Vinagre, Rúben Neves e João Moutinho no onze inicial, enquanto que Diogo Jota ficou fora dos convocados, devido a lesão. Já do lado dos pupilos de Pep Guardiola, João Cancelo foi a grande surpresa entre os titulares, alinhando na esquerda da defesa, ficando Bernardo Silva no banco de suplentes (ele que aguarda a decisão da FA relativamente ao alegado caso de racismo).

A equipa de Manchester assumiu desde início o controlo da posse de bola, mas tardou em criar um lance de verdadeiro perigo. De facto, foi mesmo o Wolves quem criou as duas primeiras grandes chances para marcar: inicialmente, foi Patrick Cutrone que ficou no um para um com Ederson, mas enviou a bola muito ao lado da baliza; depois, foi a vez de Raúl Jiménez, que driblou Fernandinho e rematou para defesa do guardião brasileiro. Se o City tentava acalmar o jogo e construir lances rendilhados, os “lobos” optavam por manter-se na contenção e sair rapidamente para o contra-ataque.

Perante as ameaças da turma de Nuno Espírito Santo, os “citizens” começaram a perceber que era urgente “acordar” e incomodar também o adversário. O primeiro aviso foi de Sterling, com um remate à entrada da área para defesa de Rui Patrício; a partir daqui, sucederam-se alguns lances pela ala esquerda ofensiva do City, com David Silva a juntar-se a Cancelo e Sterling na lateral e a criar dificuldades a Adama Traoré, que estava sempre muito desapoiado. Apesar da constante colocação de bolas na área do Wolves, os pupilos de Guardiola apenas conseguiam finalizar jogadas com remates de fora da área, sem que criassem perigos de maior para o adversário.

O nulo manteve-se até ao intervalo e, dadas as oportunidades flagrantes que existiram até então, era um resultado aceitável. No entanto, o Manchester City tinha um controlo muito superior da posse de bola, podendo ferir o Wolverhampton no segundo tempo caso conseguisse materializar essa supremacia.

Fonte: Premier League

Com o reatar da partida veio também a primeira mexida no City, com Zinchenko a entrar para o lugar de Kyle Walker e a fazer com que João Cancelo transitasse para a lateral direita. No entanto, esta mudança não veio trazer nada de novo ao jogo, mantendo-se um ritmo baixo e continuando a ser um dos jogos menos conseguidos dos “citizens” desde que Guardiola assumiu o camando da equipa. Perante isto, o treinador espanhol decidiu introduzir Bernardo Silva na partida, com o objetivo de ter mais um homem na fase de construção da equipa e com uma qualidade de passe de nível superior à de Mahrez.

A pressão dos homens de Manchester intensificou-se bastante, começando a criar cada vez mais lances de perigo para a defesa do Wolves. Ainda assim, o mau dia no campo da finalização mantinha-se, ora por incapacidade, ora por azar. O maior exemplo disto foi um livre de David Silva, ao minuto 68, que foi cobrado de forma exímia, mas mesmo assim embateu na trave da baliza de Patrício, que estava completamente batido. O nulo parecia ser inquebrável e, assim continuando, favorecia muito mais os “lobos” do que os “citizens”.

Aos 76 minutos surgiu (finalmente) a primeira jogada de construção coletiva do City que originou um remate, tendo sido “desenhada” em português: Gabriel Jesus, acabado de entrar, lançou João Cancelo pela direita, tendo este colocado no meio para finalização de Bernardo Silva, mas o remate embateu em Aguero e acabou nas mãos de Rui Patrício. No entanto, e completamente contra a corrente de jogo, foi o Wolverhampton quem chegou ao golo, com Raúl Jiménez a deixar por terra Otamendi e a abrir para Adama Traoré, que finalizou com a frieza que se lhe pedia, perante a saída de Ederson. O campeão perdia em casa e com apenas dez minutos para jogar!

Como era de esperar, foram os “citizens” que continuaram a encostar os “lobos” ao seu meio-campo defensivo, na busca de pelo menos um golo que lhes permitisse salvar, no mínimo, um ponto. No entanto, foi Adama Traoré quem deu a “machadada final” no jogo, aproveitando novo passe letal de Jiménez e finalizando outra vez no um para um com Ederson. Logo a seguir ao golo, o jogo terminou, saindo o City derrotado por 0-2 e ficando assim a oito pontos do Liverpool. Ainda que a superioridade na posse de bola tenha sido totalmente do Manchester City, as grandes oportunidades pertenceram ao Wolverhampton, que aproveitou duas das quatro ou cinco que teve. Um grande resultado para Nuno Espírito Santo e os seus pupilos. 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Manchester City – Ederson; Kyle Walker (Zinchenko, 46’); Otamendi; Fernandinho; João Cancelo; Rodri; Gundogan; David Silva (Gabriel Jesus, 75’); Riyad Mahrez (Bernardo Silva, 60’); Raheem Sterling; Sergio Aguero.

Wolverhampton – Rui Patrício; Willy Boly; Coady; Saiss (Bennett, 13’); Adama Traoré; Rúben Neves; João Moutinho; Rúben Vinagre (Jonny, 74’); Dendoncker; Cutrone (Doherty, 68’); Raúl Jiménez.

A pedreira dos “milhões”

A SAD do SC Braga anunciou durante a semana que obteve um resultado líquido positivo de 6,2 milhões de euros no exercício de 2018/19.

Nas palavras da administração arsenalista, o lucro obtido trata-se do “melhor de sempre da história da sociedade”, que sucede ao resultado líquido negativo de 1,8 milhões de euros registado no exercício de 2017/2018. Um resultado conseguido, segundo refere a larga maioria da comunicação social, sobretudo por via da venda de jogadores, que superou os 28 milhões de euros, destacando-se, sobretudo, as vendas de Vukcevic (Levante), Pedro Neto e Bruno Jordão (Lazio), Dyego Sousa (Shenzhen) e Loum (FC Porto), o que contribuiu para um volume de negócios superior a 44 milhões de euros. Já os gastos com pessoal ascenderam a 18,5 milhões de euros, dos quis 12,7 milhões de euros representam as remunerações.

A administração da SAD do Sp. Braga notou também que o activo cresceu cerca de 25%, para cerca de 72 milhões de euros, “em larga medida reflexo do aumento dos montantes a receber decorrentes de operações com direitos de jogadores” e o passivo verificou um aumento de cerca de 18%, registando 52 milhões de euros. essencialmente motivado por compromissos assumidos com o reforço do plantel principal, bem como no âmbito de alienações de direitos de atletas que, embora reconhecidos, vencem na cadência dos respetivos montantes a receber.”

Por fim, a SAD do Sp. Braga enfatizou este lucro inédito na medida em que é “tanto mais relevante quanto coincide com um importante ciclo de investimentos, tanto no reforço das equipas profissionais de futebol, como nas infraestruturas, sendo aqui obrigatória a referência à Cidade Desportiva e à sua extensão para Fão”.

A confirmarem-se estes valores e a serem aprovados na assembleia de accionistas que irá ter lugar no próximo dia 11 de outubro, não deixa, de facto, de ser surpreendente. Tanto mais quanto é certo que na passada época o clube minhoto não conseguiu apurar-se para a Liga Europa e, por conseguinte, não obteve os rendimentos gerados pela participação nessa competição europeia.

Todavia, a informação divulgada pela SAD bracarense suscita algumas dúvidas que podem e devem ser colocadas pelos seus sócios do Sp. Braga, já que este também é accionista da respectiva SAD.

Em primeiro lugar, o produto da venda de Dyego Sousa foi incluído nas contas do exercício 2018/2019? É que esse exercício encerrou a 30 de Junho de 2019 e o jogador brasileiro assinou a 5 de Julho do mesmo ano pelo Shenzhen (China)… será que o clube chinês pagou em adiantado?

A venda de jogadores continua a ser a principal fonte de receita dos clubes portugueses. Fonte: Facebook oficial do SC Braga

Depois, se por um lado o passivo bancário é nulo, mas por outro os resultados operacionais são negativos, onde é que Sp. Braga angaria verba para custear, por exemplo, academias, infra-estruturas e quem “cobriu” os resultados negativos dos exercícios anteriores?

É certo que a estabilidade financeira de qualquer clube português depende e muito da venda constante de activos, diga-se de jogadores. O Sp. Braga é bem exemplificativo desse facto. No entanto, também é verdade que em todos os clubes portugueses, uns mais que outros, existem problemas de liquidez. Ou seja, há dificuldade em ter fundos disponíveis para cumprir obrigações ou compromissos a curto prazo (por exemplo, fornecedores, manutenção das infra-estruturas, etc.), o que obriga os clubes a recorrerem constantemente a linhas de crédito.

Como disse, a confirmar-se é um óptimo resultado financeiro para o Sp. Braga, na medida em que tenta cada vez mais encurtar a distância que o separa do espectro dos Três Grandes.

Em qualquer SAD, o Relatório e Contas de um determinado exercício só é conhecido na sua íntegra após ser votado e aprovado em assembleia de accionistas. No entanto, é um direito e ao mesmo tempo um dever de qualquer sócio de qualquer clube indagar sempre as respectivas administrações sobre as contas. Sobretudo quando aquelas divulgam “resultados inéditos”. É que editar folhas de Excel qualquer um pode fazê-lo…

Foto de Capa: SC Braga

artigo revisto por: Ana Ferreira

GP Tailândia: Marc Márquez vence campeonato com estilo

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Para a corrida de hoje, Fabio Quartararo saía da pole position. O piloto da Yamaha Petronas procurava vencer pela primeira vez no MotoGP. Maverick Vinales partia de segundo e Marc Márquez de terceiro.

Na partida, Vinales ficou para trás, com Quartararo a segurar a liderança, seguido de perto por Márquez, que tentou ultrapassar na segunda volta, mas não conseguiu completar a manobra. A partir daí os dois primeiros fugiram.

Atrás, Vinales começava a fugir a Andrea Dovizioso, mas não tinha ritmo para se chegar aos  dois primeiros.

Atrás, a luta entre Franco Morbidelli, Valentino Rossi, Alex Rins e Joan Mir era o melhor que a corrida tinha para oferecer. Muito juntinhos foram trocando de posições e batalhando entre si.

No início, Miguel Oliveira arrancou bem e chegou à 14º posição, com treze voltas para o final. A desistência da Aprillia de Aleix Espargaró ainda o fez subir para 13º, mas não conseguiu aguentar nos pontos e acabou por cortar a meta na 16º final.

Miguel Oliveira não conseguiu terminar nos pontos.
Fonte: Red Bull KTM Tech3

Na frente e destacados estavam Quartararo e Márquez. O piloto da Honda passou a corrida toda atrás do francês e só na última volta é que o ultrapassou, ao bom estilo de Marc Márquez. Quartararo ainda tentou na última curva, mas nada feito, Márquez vencia na Tailândia pela segunda vez e torna-se campeão a quatro corridas do fim do campeonato.

Desilusão, na minha opinião, para a prestação de Vinales. A Yamaha oficial mostra mais uma vez que está furos abaixo das Yamaha da Petronas. Quanto à Honda, apesar de Márquez dominar a máquina japonesa, Jorge Lorenzo está aos papeis, terminando em 18º.

Na Suzuki, mais uma boa prestação, com Alex Rins em quinto e Joan Mir em sétimo. Falta agora saber como vão desenvolver esta moto. Será que vão conseguir trazer uma equipa satélite para 2020…

Classificação final GP Tailândia
Fonte: MotoGP

Foto De Capa: MotoGP

Identidade Desconhecida | The Sporting Identity

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A identidade do Sporting sempre assentou no ecletismo, que foi sendo desmantelado desde Roquette até 2013. Nesse período, tirando vitórias em Atletismo e Ténis de Mesa, nada alicerçava esta “teoria” que muitos Sportinguistas usavam (incluindo eu) para argumentar contra a falta de vitórias no futebol. A verdade é que esse ecletismo durante muitos anos começou a ser esquecido, tentando apostar-se tudo no futebol, e destruindo por completo o ADN do Sporting Clube de Portugal. Foi quando se demoliu a Nave de Alvalade, sem haver projecto para a substituir, que se percebeu que a identidade do clube estava a mudar. As prioridades estavam a mudar.

Por muito que se diga que o futebol é o que suporta financeiramente um clube, e movimenta as massas (adeptas), e concordando eu que muitos adeptos e sócios o são apenas por causa do futebol, têm sido, desde há muitos anos, os títulos nacionais e internacionais ganhos pelas modalidades. que têm mantido a chama acesa (não devia escrever isto, que parece um lema de outro clube) e ainda mantém os adeptos e sócios ligados ao clube.

Mesmo os que dizem que o que importa é o futebol, com certeza não ficam indiferentes quando o seu clube ganha uma competição internacional em Andebol, Hóquei em Patins, Atletismo, Futsal ou mesmo quando estas equipas têm grandes vitórias internas. E é isso que mantém o nosso clube com o título de massa adepta mais fiel, apesar dos longos anos sem vitórias no futebol.

É o futebol que atrai, mas são as modalidades que fidelizam. Pelo menos no nosso clube. Porque se não fosse assim, não acredito que o Sporting se mantivesse tão vivo em termos de associados. O Sporting não é um clube “da terra” em que os adeptos apoiam por ser o clube de uma vila, aldeia ou cidade. O Sporting tem adeptos e sócios em todos os cantos do país e do mundo. Os adeptos e sócios do Sporting são-no porque se identificam verdadeiramente com valores que existem neste e não em qualquer outro clube.

Isto porque o Sporting foi criado para ser “um clube tão grande como os maiores da Europa”. Não foi para ser um clube de futebol tão grande como os maiores da Europa. E felizmente depois de termos passado a ser, voltamos a deixar de ser apenas e só um clube de futebol. E nos últimos 20 anos, ou mais, só houve uma direção que resgatou essa identidade. A de Bruno de Carvalho. Depois disso já ganhámos vários títulos nacionais e internacionais. Também o podíamos ter conseguido no futebol, se tivesse havido o mesmo compromisso, de atletas e técnicos, como houve e há nas modalidades. Mas surgiram suores frios e outras condicionantes que não o permitiram.

A identidade Sporting é algo que extravasa o estádio de Alvalade
Fonte: Sporting CP

Assim, se pensarmos bem, porque nós ainda pensamos pela nossa cabeça, o que alguns “opinion makers” (curiosamente ligados a clubes rivais) ou “notáveis” (curiosamente ligados ao Sporting) dizem não tem qualquer sentido quando afirmam que Bruno de Carvalho destruiu a identidade do Sporting. Com certeza não é com má intenção que o fazem. Talvez seja apenas por desconhecerem a verdadeira identidade do clube leonino. É normal que desconheçam, uma vez que se regem por valores que em nada representam o Sporting (felizmente).

Não foi no tempo de Bruno de Carvalho que vimos um estádio meio cheio. Não foi no tempo de Bruno de Carvalho que vimos claques do mesmo clube a agredirem-se (um dos lemas da atual direção é Unir o Sporting). E nem vou falar em termos financeiros, porque aparece logo quem diga que as despesas de agora foram feitas anteriormente. Curiosamente, a direção de Bruno de Carvalho herdou uma situação bem mais grave que a apresentada agora, o que leva a pensar que se quando Bruno de Carvalho saiu, deixou problemas financeiros por resolver, mas não tantos como os que herdou, aliás mostrou que se fez alguma recuperação. (Ai se aquela reestruturação financeira se tivesse concretizado. Mas de certeza que a culpa também foi de Bruno de Carvalho). (Já se vão ouvindo vozes e saindo algumas opiniões de como seria bom vender o Sporting. Tudo ocasional e sem objectivos. Apenas opiniões de populares.)

Mas foi no tempo de Bruno de Carvalho que voltámos a vibrar com grandes vitórias do Hóquei, do Andebol, do Futsal. Tudo isto dentro de um pavilhão nosso. E por acaso foi também no tempo de Bruno de Carvalho que vi a maior comunhão dos adeptos com o clube, depois de muitos anos em que éramos apenas adeptos resignados, em que por cada época que recomeçava se gerava o sentimento inicial de “este ano é que é” e terminava em  “para o ano é que vai ser”, muito antes do fim dos campeonatos.

Dito isto, devo dizer que não queria mais falar de Bruno de Carvalho, mas não consigo ficar calado com tamanhos desplantes . Porque podem culpar o homem de muita coisa, mas não o podem culpar de tudo o que de mal acontece. É só estúpido, principalmente para quem ouve, aceita e replica. Deixemos o homem em paz. Esperemos que seja julgado (raio do julgamento nunca mais sai para prenderem o homem. Se calhar não podem). Vamos deixar que a actual direção faça, pelo menos, tão bem como a anterior.

Tenho estado a dar o beneficio da dúvida, mas começo a pensar em sentar-me que já me estou a cansar. Entretanto aguardemos. Estaremos atentos, como diria alguém.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

As 5 melhores modalidades de pavilhão masculinas do SL Benfica

O SL Benfica compete na primeira divisão nacional – e em provas europeias – nas cinco principais modalidades de pavilhão, no setor masculino: futsal, andebol, hóquei, voleibol e basquetebol. Em todas elas assume a intenção de vencer. No entanto, a capacidade para conquistar títulos não é a mesma em todas . Em jeito de análise ao início de época de cada uma delas e de antevisão ao que cada modalidade pode oferecer ao clube na presente época desportiva, hierarquizo as cinco referidas modalidades em função do nível de preparação e valia.

Dia 9 dos Mundiais: Um dia e uns campeonatos para a história

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Já não há dúvidas. Se a nível organizativos, foram uns campeonatos longe da perfeição; a nível de resultados nas provas de estádio, estes Mundiais terão lugar na história entre os melhores. E, curiosamente, isso também se deve a aspetos organizativos, uma vez que a temperatura e vento controlado do estádio, permitem condições excelentes para a prática do atletismo.

Hoje, Sifan Hassan (HOL) fez história ao ser a primeira atleta a conquistar a dobradinha de 1.500 e 10.000 em Campeonatos Mundiais e fê-lo com uma marca estupenda, que é recorde dos campeonatos e também recorde europeu. No que também poderia ser o nosso maior destaque, o Lançamento do Peso esteve a um nível nunca antes visto, sendo que três homens fizeram marcas acima do anterior recorde dos campeonatos… todos separados por um centímetro!

Yulimar Rojas (VEN) mostrou, uma vez mais, que tem tudo para bater o recorde mundial no Triplo, enquanto que Hellen Obiri (KEN) também quebrou o recorde dos campeonatos com uma ponta final demolidora nos 5.000 metros. Por fim, as estafetas fecharam em grande, com direito a vários recordes de área – a surpresas e drama. Quanto aos portugueses, terminou hoje a nossa participação em Doha, com a finalista Patrícia Mamona na prova do Triplo Salto.

Mamona teve a sua melhor participação em Mundiais
Fonte: FPA

AS FINAIS DE HOJE

A final do Triplo era a que tinha interesse nacional, com a presença de Patrícia Mamona, final que era a última presença portuguesa nos Mundiais de Doha. A portuguesa entrou bem no concurso, com um salto a 14.40 metros, que lhe possibilitou um lugar nas oito finalistas, com direito a mais três saltos. Infelizmente, a partir daí, a portuguesa não mais conseguiu sequer chegar a esses níveis, sendo que a marca foi o suficiente para o 8.º lugar entre as melhores do mundo.

Lá na frente, a questão, desde cedo, ficou resolvida por Yulimar Rojas (VEN). A venezuelana mostrou, mais uma vez, que, neste momento, não tem qualquer rival e que tem tudo para dominar durante muitos anos a disciplina. Ao 2.º salto, voou para 15.37 metros, ameaçando, mais uma vez, o recorde mundial da disciplina.

A Prata foi para Shanieka Ricketts (JAM) que colocou, assim, a cereja no topo do bolo na que foi uma impressionante época da jamaicana, que hoje terminou com 14.92 metros. A completar, o pódio, com o Bronze ficou Caterine Ibarguen (COL), que esteve longe dos seus melhores dias, mas que ainda assim entrou nas medalhas, com uma marca de 14.73 metros.

No final, Patrícia Mamona afirmou que ficou “satisfeita por ter feito melhor do que nos últimos Mundiais”, reconhecendo vinha com “ambição de bater o recorde nacional”, mas que, hoje, o corpo não permitiu ir além dos 14.40.

Nos 1.500 metros, Sifan Hassan (HOL) puxou desde cedo na prova, obrigando Faith Kipyegon (KEN) e Laura Muir (GBR), as outras maiores candidatas ao Ouro, a fazer o tipo de prova que não gostam. Muitos pensaram que Hassan estava a testar as suas companheiras, mas a verdade é que a holandesa ainda aumentou o ritmo, principalmente, na última volta, correndo praticamente sozinha para uma impressionante marca de 3:51.95, um novo recorde dos Campeonatos, um novo recorde europeu, apenas atrás das chinesas (marcas que muitos colocam em causa ao nível da legitimidade das mesmas) e da recordista mundial, Genzebe Dibaba (que correu em 3:50.07 em 2015, no Mónaco).

É o segundo Ouro de Sifan Hassan, nestes Mundiais, depois de ter também vencido a final dos 10.000 metros, sendo a primeira atleta na história a completar esta dobradinha e mostrando que as polémicas em redor do seu treinador – que foi suspenso por quatro anos por violações do código antidoping – não a afetaram.

O 2.º lugar foi para a campeã mundial de 2017, Faith Kipyegon (KEN), que só pode sair satisfeita com a sua marca, uma vez que correu em 3:54.22, um novo recorde nacional queniano. O 3.º lugar foi para Gudaf Tsegay (ETH), que terminou em 3:54.38, um novo recorde pessoal. 8 mulheres correram abaixo de 3:59 e também foi batido o recorde nacional do Canadá e o recorde da América do Norte e Central (Shelby Houlihan correu em incríveis 3:54.99 no 4.º lugar…).

Na prova de 5.000 metros, grande demonstração de força de Hellen Obiri (KEN), que renovou o seu título mundial, com uma volta final demolidora, terminando em 14:26.72, novo recorde dos Campeonatos Mundiais.

Numa prova que foi também bastante tática – como devem ser finais de longa distância em pista -, a queniana destruiu por completo as etíopes e a concorrência de Konstanze Klosterhalfen (GER), que até pareceu, por momentos, que poderia responder ao ataque da queniana, mas que não foi capaz de a acompanhar naquilo que foi um sprint de 400 metros. Ainda assim, a alemã terminou forte, em 14:28.43, tendo conquistado a medalha de Bronze, pois foi alcançada já nos 100 metros finais por Margaret Kipkemboi (KEN), que aos 26 anos, alcança a sua primeira medalha global da carreira. Foi uma prova, na generalidade, bastante rápida, com 11 atletas a bater os seus recordes pessoais na distância.

SL Benfica 29-28 RK Dubrava: Eliminatória em aberto

O SL Benfica venceu hoje os croatas do RK Dubrava por 29-28 em jogo a contar para a 1.ª mão da 2.ª eliminatória da Taça EHF. Num jogo extremamente disputado do início ao fim, a maior experiência dos encarnados acabou por fazer a diferença nos minutos finais.

O encontro começou e o Dubrava foi a primeira equipa a abrir as hostilidades, fazendo o primeiro golo do encontro e pouco tempo depois chegando a uma vantagem de 3-1. No entanto, os encarnados rapidamente reagiram e atingiram a liderança com um parcial de 3-0 para deixar o marcador em 4-3. O equilibro ia pautando os minutos iniciais, com nenhuma das equipas a ser capaz de descolar no marcador e a trocarem lideranças atá à passagem do minuto 24, altura em que o pivot português Paulo Moreno levou cartão vermelho direto sendo desqualificado da partida.

A finalização ia sendo a maior falha das águias, que apesar de tudo iam tendo em Kevynn Nyokas um verdadeiro bombardeiro, ele que iria terminar o encontro com dez golos marcados, mas a igualdade manter-se-ia até ao intervalo, fruto de um golo de Nikola Kastelan dos croatas a três segundos do descanso, fazendo o 15-15.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O segundo tempo foi em tudo semelhante. Os lisboetas marcaram primeiro, mas depressa os visitantes fizeram um parcial de 3-0, chegando ao 19-22 e cavando um pequeno fosso que obrigaria o Benfica a esforços redobrados na procura da vitória.

Um jogo de parada e resposta onde os comandados de Carlos Resende depressa regressaram à liderança, mas o Dubrava ia dando boa resposta mantendo-se sempre perto no marcador e assustado os adeptos benfiquistas que se deslocaram ao Pavilhão da Luz.

Com o encontro empatado a 28 e com dezassete segundos para jogar, Carlos Resende pediu um desconto de tempo para preparar a jogada que lhe daria a vitória. O francês Nyokas assumiu a responsabilidade e no último segundo do jogo rematou certeiro fazendo o 29-28 (o seu décimo da conta pessoal) e dando assim a vitória ao conjunto encarnado que amanhã jogara a segunda mão da eliminatória.

EQUIPAS:

SL Benfica – António Hebo, Pedro Seabra Marques, Rene Toft Hansen, Kevynn Nyokas, Miguel Espinha, Paulo Moreno, Ricardo Pesqueira, Borko Ristovski, Guilherme Tavares, Carlos Martins, Nuno Grilo, Fábio Vidrago, Gustavo Capdeville, Petar Djordic, Francisco Pereira

RK Dubrava – Ante Ivankovic, Karpo Sirotic, Luka Vinkovic, Davor Maricic, Filip Turcic, Filip Vucelic, Karlo Godec, Stjepan Malbasic, Marko Mihalhevic, Alan Javor, Dominik Markovic, Mislav Gravohac, Nikola Gravohac, Domagoj Gravohac, Nikola Kastelan, Ante Bibic

SC Covilhã 1-1 Vitória FC: A emoção ficou guardada para o fim

A cidade da Covilhã e sua equipa sensação da Segunda Liga prepararam-se a preceito para receber o primo-divisionário Vitória FC, diretamente da cidade de Setúbal.

Depois de ter sido eliminado da Taça de Portugal, frente ao Lusitano de Lourosa, a equipa que até ao inicio do dia era líder isolado da Segunda Liga (a vitória de hoje do Nacional permitiu a ultrapassagem) pretendia certamente dar uma nova face, e embora o formato da Taça da Liga não seja o mais amigável para as equipas do segundo escalão, certamente que Ricardo Soares e os adeptos não pediam menos que uma vitória.

Os 11 iniciais não deixaram margem para dúvidas, as duas equipas vinham para lutar pelos três pontos.

A equipa de Sandro que leva apenas um golo marcado na Liga, e com um estilo de jogo vincadamente defensivo, não alterou as coisas apesar de um adversário teoricamente mais acessível.

O inicio do jogo foi uma repetição daquilo a que estamos habituados a ver nos jogos do Vitória FC. O Sporting da Covilhã dono e senhor da posse de bola e o Vitória a entregar claramente a construção do jogo à equipa serrana, preferindo focar-se no aspeto defensivo.

A verdade é que os leões da serra também sentiram dificuldades em penetrar a linha defensiva muito bem montada do Vitória FC. O primeiro sinal de perigo veio ao minuto 13 dos pés de Kukula, pouco mais se viu de jogo a partir daqui.

Berto era o jogador mais inconformado do Vitória FC e que tentava constantemente acelerar o jogo na sua equipa. Foi numa das suas acelerações pelo corredor esquerdo que surgiu o erro forçado de Tiago Moreira que acabou por marcar autogolo. Na tentativa de evitar que o cruzamento chegasse ao pés de Hachadi, o defesa serrano acabou por introduzir a bola na sua própria baliza.

O Vitória FC fazia aquilo que tinha mais dificuldade: o golo.

Fonte: Bola na Rede

Ficava um certo sabor de injustiça no Estádio José Santos Pinto perante este resultado ao intervalo.

A segunda parte trouxe um jogo com mais energia, mas que continuou a assustar pouco as duas balizas.

O Sporting da Covilhã teve que obrigatoriamente subir as suas linhas e isso fez com que houvesse mais espaço em campo. Ainda assim, foi o Vitória FC que teve mais perto de ampliar a vantagem com um remate a passar muito perto da baliza serrana.

Era claro o domínio da posse de bola do Sporting da Covilhã, mas os leões da serra tinham muita dificuldade em traduzir esse domínio em real perigo à baliza de Makaridze. O Vitória FC também ia tentando quebrar o ritmo que a equipa da Serra da Estrela impunha com algum anti-jogo.

O golo que trouxe alguma justiça ao resultado, aconteceu já em período de compensação, com o avançado Silva a responder de cabeça ao cruzamento e a colocar a bola no fundo da baliza do Vitória FC.

Loucura no Estádio José Santos Pintos com este golo que como disse veio trazer mais justiça a este resultado. As duas equipas continuam assim com legitimas aspirações de passar à final-four da Taça da Liga.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

SC Covilhã: Carlos Henriques, Daniel Martins, Adriano Castanheira, Rodrigo (Miranda ’79), Tiago Moreira, Kukula, Zarabi, Brendon,Mica, Jean (Silva ’65), Bonani (Deivison ’78).

Vitória FC: Makaridze, Jubal (B.Fernandes ’36), Mano, Hachadi (Ghilas ’72), Eber Bessa, Berto, André Sousa, Mansilia (Zequinha ’66), Pirri, Semedo, Carlinhos.

FC Porto 6-4 UD Oliveirense: Jogo de loucos dá a 23.º Supertaça portista

O campeão nacional, FC Porto, e o vencedor da Taça de Portugal, UD Oliveirense, tinham encontro marcado, em Coimbra, para a disputa de mais uma Supertaça António Livramento – esta era a 37.º edição. Os azuis e brancos são a equipa que têm mais títulos nesta competição num total de 22 troféus. Para este jogo ambas as formações tinham, à partida, o mesmo favoritismo numa final que podia cair para qualquer um dos lados.

Os portistas começaram melhor no jogo, mas foi a UD Oliveirense que fez o primeiro golo da partida e muito madrugador. Ao minuto três, Xavi Barroso fez uma grande arrancada pela direita, foi sozinho sem qualquer oposição e depois só teve de encontrar Jorge Silva. O português estava no sítio certo à hora certa para marcar o primeiro da partida. Era a vantagem de 0-1 para a Oliveirense.

Estávamos perante um belo dia tanto para Nelson Filipe como para Xavier Malián, pois estavam a ser protagonistas. Grandes jogadas coletivas tanto do FC Porto como da UD Oliveirense, contudo, entre os postes estavam dois belos guarda-redes que defendiam aquilo que conseguiam!

Carlo Di Benedetto estava com muita vontade de fazer história no jogo e pelo menos deu uma ajuda no empate a um. Ao minuto dez, a jogada começou com Rafa, que rematou com força. A bola sofreu um desvio e apareceu o francês para dar incomodar a defesa. Andou meia perdida, mas acabou na baliza de Nelson Filipe. Era o empate na partida. Um lance estranho com o golo a ser atribuído ainda a Rafa, que foi quem rematou na primeira instância.

Ao minuto 17, houve penalti marcado a favor do FC Porto. O árbitro Luís Peixoto apontou para a marca do castigo máximo e de maneira acertada. Para bater o penalti aproximou-se Sergi Miras, que não vacilou e marcou novo golo portista. Um penalti indefensável para Nelson Filipe. A remontada estava feita e era vantagem de 2-1 para os azuis e brancos.

A faltar sensivelmente dois minutos para o final, houve novo empate na partida e desta vez a dois. Jordi Bargalló fez aquilo que melhor sabe fazer e conduziu a bola até perto da baliza adversária. O espanhol tirou um colheu da cartola: um passe de costas e por baixo das pernas para Marc Torra, um passe que é meio golo. Depois o número oito rematou de modo inesperado para o fundo da baliza portista. Foi, sem dúvida, um verdadeiro hino ao Hóquei em Patins este golo.

Depois de uma grande primeira parte, as duas formações recolheram aos balneários com um empate a dois. Era expetável que a intensidade que vimos neste primeiro tempo tivesse continuidade para a segunda e ainda bem para o jogo e para os adeptos da modalidade!

A UD Oliveirense entrou bem no jogo, mas foi um pouco a baixo depois, deixando o marcador fugir. Ao intervalo, havia um empate a dois
Fonte: UD Oliveirense/Simoldes

A segunda parte começou um pouco mais calma e também com poucas oportunidades de perigo junto das balizas de Xavier Malián e de Nelson Filipe. Porém, veio muito faltosa e era de esperar que uma das equipas ficasse cedo tapada por faltas e podia ser perigoso, pois em caso de uma décima seria um livre direto.

E foi isso que aconteceu ao minuto sete. Marcada a 10.º falta para o FC Porto e a Oliveirense recebia o primeiro livre direto. Uma belíssima oportunidade para a equipa de Oliveira de Azeméis de dar a reviravolta na partida e assim foi! Já se sabe que o espanhol Marc Torra de livres diretos é exímio e não falhou… Estava dada nova cambalhota no marcador e o marcador no pavilhão mostrava o 2-3 a favor da UD Oliveirense.

Mas já se sabe que no Hóquei em Patins não há descanso para as equipas nem sequer para o marcador. Depois de um desconto de tempo, a 15 minutos para o final do segundo tempo houve um livre muito bem aproveitado por parte dos portistas. Carlo Di Benedetto deu um pequeno passe e Sergi Miras não foi de modas, fuzilando Nelson Filipe. O guarda-redes português não conseguiu ver a bola partir, pois Jordi Bargalló estava à sua frente. Era um novo empate na partida, mas agora a três golos.

A faltar dez minutos, houve duas faltas assinaladas a Marc Torra de forma consecutiva e, consequentemente, a 10.º falta para a UD Oliveirense. Um pouco escusado esta segunda falta do jogador espanhol que retardou o jogo e, por isso, foi marcada a falta. O jogador do FC Porto Cocco foi para o livre direto e também para marcar o quatro golo da equipa na partida. Era nova remontada no jogo e era 4-3 a favor dos azuis e brancos.

A faltar 8.30 para o final, foi marcada a 15.º falta, mas Marc Torra não conseguiu bater Xavier Malián novamente no jogo. Foi uma bela defesa do guarda-redes portista que mantinha a vantagem para a sua equipa na partida. Uma defesa que foi festejada como de um golo se tratasse, e havia mesmo razões para isso.

A 1.42 houve cartão azul para Bargalló, numa situação em que é falta, mas a amostragem do cartão é algo exagerada. Di Benedetto falhou o livre, mas na sequência houve novo cartão azul – e este muito bem mostrado – a Jorge Silva. Uma entrada desnecessária do português sob o francês do Porto que é completamente abalroado.

Porém, este azul e falta deu um penalti a favor dos azuis e brancos. Gonçalo Alves foi o homem que assumiu a responsabilidade. Falhou o primeiro, mas depois fez uma “picadinha” subtil… Mas que golo do 77 do FC Porto. Era o 5-3 a favor dos portistas.

A faltar um minuto e com a Oliveirense ainda reduzida a quatro unidades, houve novo golo para o FC Porto. Um grande trabalho pela esquerda de Reinaldo Garcia, que encontrou do outro lado Gonçalo Alves e o português marcou novo golo na partida. Era o 6-3 para os azuis e brancos, que aproveitaram a situação de superioridade numérica da melhor maneira.

Mas ainda havia tempo para um golo para a equipa de Oliveira de Azeméis. Assinalou-se penalti a favor da UD Oliveirense, mas Marc Torra falhou o penalti. Na sequência da jogada, o oito da Oliveirense foi buscar a bola e fez uma picadinha sobre Xavier Malián, marcando assim o quatro da sua equipa e o terceiro da conta pessoal. Era o 6-4, resultado ainda a favor do FC Porto.

O jogo terminou então com a vitória dos portistas sob a UD Oliveirense, numa partida de loucos e que teve emoção até ao fim. Este é o 23.º troféu da Supertaça António Livramento para o FC Porto, que domina por completo esta competição a nível de títulos. Dar uma palavra às duas equipas que dignificaram o Hóquei em Patins português, pois vimos uma grande exibição de ambas as formações.

CINCO INICIAL:

FC Porto – Xavier Malián (GR), Rafa, Carlo Di Benedetto, Gonçalo Alves e Reinaldo Garcia

UD Oliveirense – Nelson Filipe (GR), Xavi Barroso, Jorge Silva, Marc Torra e Henrique Magalhães

E tudo a assembleia levou

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Luís Filipe Vieira apertou o pescoço a um sócio em plena Assembleia-Geral Ordinária. Não há muito mais que se possa dizer a seguir a esta frase e sobre o assunto. A 27 de Setembro de 2019, no Pavilhão Fidelidade, 728 amantes do Sport Lisboa e Benfica reuniram-se para aprovar, por maioria, as contas referentes a 2018/2019 – 78,34% de votos afirmativos, face a um exercício com resultados positivos no valor de 29 milhões de euros – e debater o presente e futuro do clube, com claras facas apontadas ao modelo de gestão e ao titubeante começo de época.

Num clube que sempre se definiu por democrático e sempre elegeu os seus presidentes, mesmo em tempos de ditadura, e como disposto na alínea C) do nº 1 do Artigo 17º, é direito de todo e qualquer sócio «participar nas assembleias gerais, apresentar propostas, intervir na discussão e votar». É, aliás, essa troca de opiniões que se assume como processo vital no crescimento e evolução da instituição. Mas, após uma intervenção mais crítica… Luís Filipe Vieira sentiu-se ofendido e apertou o pescoço a um sócio em plena Assembleia-Geral Ordinária.

A equipa de futebol profissional encontra-se também em má fase, com a participação na Liga dos Campeões a exigir redobradas atenções por parte da equipa técnica. Subiu, com a derrota na Rússia aos pés do Zenit, para 12 o número de derrotas nos últimos 15 jogos. Números horrorosos e apocalípticos: é a pior fase de sempre do Benfica na Europa. E foram exactamente as caminhadas fora de portas que transformaram o clube no gigante que é hoje. Em 2000, o Benfica era a segunda equipa com mais golos marcados nas competições europeias, só perdendo para o Real Madrid. Neste momento, é sétimo classificado. Das 18 derrotas em casa que o Benfica conta na Champions, 14 são desde 2005. Sintomático. Urge uma melhoria na abordagem à competição e a manutenção do prestígio europeu dos encarnados, parte essencial do peso histórico do clube.

Titular nos dois jogos da Champions, Tomás Tavares tem vindo a ganhar preponderância, aproveitando as debilidades físicas de André Almeida
Fonte: SL Benfica

Lage continua o seu processo evolutivo enquanto treinador e o seu potencial continua intacto. A sua próxima etapa passará pelos jogos “grandes”, onde ainda não se conseguiu impor enquanto estratega e onde a equipa nunca corresponde ao habitual rendimento. A próxima paragem de selecções ser-lhe-á muito útil: são duas semanas para preparar os compromissos com Cova da Piedade e Lyon, jogos muito importantes no curto prazo benfiquista.

Não ajudará o facto de as selecções nacionais chamarem muitos atletas das equipas profissionais: Rúben Dias, Pizzi e Rafa vão com os AA’s tentar levar de vencidos o Luxemburgo e a Ucrânia; nos sub-21, Nuno Tavares, Gedson e Jota vão participar no embate frente à Holanda, na qualificação para o Europeu da categoria; e, nos sub-20, Celton Biai, Pedro Álvaro, Tomás Tavares, Diogo Capitão, Tiago Dantas, Gonçalo Ramos, Rodrigo Conceição e Pedro Ganchas (oito no total) são os seleccionados para o escalão. Ao todo, isto resulta numa perda de 14 (!) atletas nesta pausa competitiva, em contas nacionais, porque a ela acrescem as ausências de Seferovic, Svilar, Adel Taarabt e Odysseas. Um total de 18 atletas, que muitas dores de cabeça dará a Lage. O setubalense vê-se obrigado a corrigir processos sem metade do plantel disponível, e onde a opção de repescagem de outros escalões e equipas se torna também complicada.

Em nota, dias depois de Luís Filipe Vieira sentir-se ofendido e apertar o pescoço a um sócio em plena Assembleia-Geral Ordinária, nada foi ainda feito a propósito. Abre-se um precedente gravíssimo.

Foto de capa: SL Benfica