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Ir ao Porto sem medo

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raçaquerer

No próximo domingo, o Benfica joga fora, no terreno do FC Porto. É mais um jogo do campeonato, não vale mais nem menos do que os outros (são três pontos em disputa). Serão onze para onze como sempre (ou, pelo menos, assim espero…). Sabendo que vamos defrontar uma equipa forte e que atua perante o seu público, teremos de ser consistentes, jogar o nosso futebol, sermos iguais a nós mesmos. Se isso acontecer, então as hipóteses de trazermos uma vitória para Lisboa são maiores.

Embora a campanha europeia dos encarnados tenha ficado aquém das expetativas, o Benfica tem vindo a melhorar as suas exibições na Liga. As vitórias em Coimbra, e na Luz, diante do Belenenses, foram pautadas por momentos de pura magia futebolística (veja-se a jogada protagonizada por Gaitán, que deu origem ao golo de Salvio), de futebol intenso, de elevada “nota artística”. É assim que desejo que o Benfica jogue, se possível, até ao fim da época. As prestações medianas (como aquela a que assistimos na Choupana) terão de acabar, até porque já não estaremos mais envolvidos, depois do jogo desta terça-feira, em competições europeias. Digo isto com frustração: ser afastado da Europa foi uma desilusão. Contudo, e apesar de preferir que o Benfica disputasse todas as competições até ao fim (como fez na época passada), não posso deixar de reconhecer que o facto de não haver jogo a meio da semana liberta a equipa do inevitável desgaste físico.

Enzo Pérez está a subir de forma Fonte: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica
Enzo Pérez está a subir de forma
Fonte: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

Enzo está claramente a subir o seu rendimento e a regressar ao patamar da temporada anterior, onde espalhava classe pelos relvados e empurrava a equipa para o ataque; Samaris evoluiu taticamente e ocupa, agora, melhor o espaço à frente dos centrais; apareceu Jonas com o seu instinto goleador; a baliza tem outra segurança, entregue a Júlio César; e Jardel tem vindo a consolidar as suas exibições, cometendo cada vez menos erros. A nível coletivo, é visível que a equipa está mais coesa, que começa a assimilar os processos de jogo pretendidos por Jorge Jesus, embora, em alguns períodos, faça tudo de forma algo lenta.

A minha expetativa, e voltando ao FC Porto-Benfica que se aproxima, é que a equipa seja capaz de fazer no Estádio do Dragão uma exibição segura, que garanta a ligação entre setores e que potencie o talento dos jogadores mais criativos, para que se criem desequilíbrios e ocasiões de golo. Nos últimos anos, e mais concretamente na “era Jesus”, o Benfica tem-se apresentado no Porto apenas com um avançado, o que tira poder ofensivo à equipa. Acabamos por não defender com qualidade, já que baixamos demasiado as linhas, e o ataque torna-se inofensivo. Não percebo por que razão Jorge Jesus insiste nesta estratégia de alterar o esquema tático. Pura e simplesmente não resulta. Basta olhar para os números: em cinco jogos, quatro derrotas e um empate; 14 golos sofridos e 5 marcados. Começa a parecer que a equipa tem medo de jogar no Dragão. Entra nervosa e, geralmente, sai derrotada. Será que tem medo do ambiente? Não creio. Estes jogadores já defenderam o símbolo do Benfica em estádios com atmosferas adversas, na Grécia ou na Turquia, por exemplo. Medo do adversário? Não me parece. Os plantéis dos dois clubes são sempre muito semelhantes em termos de qualidade e, para além disso, este clássico tem um grande efeito motivacional sobre os atletas. Medo do histórico? Também não me parece. É certo que o Benfica não vence naquele estádio desde 2005 mas os jogadores têm consciência de que os únicos que o podem começar a alterar são eles. A história faz-se a cada jogo.

Por isso, só peço: ao nosso treinador, que não invente e aposte no esquema habitual, pois afinal é a atacar que a equipa se sente mais confortável; aos jogadores, que, por favor, não joguem com medo do que os rodeia (lembrem-se de que envergam as camisolas do Benfica, clube que tem a obrigação de vencer em qualquer estádio do planeta); e, por fim, aos adeptos, que, aconteça o que acontecer durante os 90 minutos, continuem a apoiar a equipa, tal como fizeram até aqui.

Foto de Capa: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

Queremos um final de ouro

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Com o primeiro lugar assegurado e ultrapassado com sucesso o embate diante do conjunto da Académica, queremos um final de ouro. Fechar a fase de grupos com um novo triunfo é garantir o fechar de um ciclo de forma perfeita, com confiança extra adquirida e boas perspectivas para o Clássico.

Não é fácil disputar um jogo europeu. Há, muitas vezes, uma viagem e dias de adaptação. Quando assim não é, há pelo menos a típica e tão incómoda interrupção a meio de uma semana? – ‘Jogar a meio da semana em Portugal? Deixem isso para os ingleses!’, dizem alguns.

No entanto, por cá é diferente. Ao Futebol Clube do Porto faz bem jogar embates europeus. O Dragão transforma-se, a camisola ganha uma estrela e o encontro tem início depois de um hino que arrepia e inspira qualquer um que se digne a seguir o futebol europeu. É onde todos querem jogar mas nem todos conseguem. É, atrevo-me a dizer, onde o Futebol Clube do Porto pode e deve jogar.

Posto isto, e analisadas todas as variáveis, não nos restam outras opções: vamos a jogo para ganhar e fechar ‘em grande’ a primeira de duas fases que este ano temos o direito de disputar. E vamos bem, com uma equipa cada vez mais confiante e entrosada, conhecedora de si própria.

Foto de capa: Página de Facebook da UEFA Champions League

A academia do Manchester City e o clube que passou realmente a ser grande

O Manchester City, clube conhecido pelo alto investimento na equipa principal de futebol, apresentou hoje ao mundo a sua nova academia. Foram 250 milhões de euros investidos e seis anos de construcções! Em 2008, o clube foi vendido a  Mansour bin Zayed Al Nahyan e, embora essa “promessa” tenha sido relegada para segundo plano devido às contratações sonantes realizadas, o novo dono do City prometeu uma estrutura para o futuro de forma a conquistar um sucesso sustentado. Hoje, seis anos depois, eis que se cumpre o desejado destino: o Manchester City já tem tudo para ser realmente um grande do mundo do futebol.

Veja por si só:

SC Braga 0-0 Vitória SC: Quentinho até ao fim

futebol nacional cabeçalho

Na 12ª jornada da Liga Portuguesa , o derby do Minho terminou empatado a zero. Num encontro muito dividido, com oportunidades de golo para ambos os lados, principalmente durante a primeira metade, o empate ajusta-se aos acontecimentos e faz com que ambas as equipas percam lugares na classificação, em relação à posição que ocupavam no início da ronda. O Vitória caiu para o terceiro lugar, ultrapassado pelo FC Porto; já o Braga desceu para o quinto posto, vendo o Sporting passar à sua frente.

Na Pedreira, a única alteração em relação aos onzes da jornada anterior foi a entrada de Álvez no lugar de Tomané, na equipa vitoriana. Os bracarenses tinham goleado em Penafiel e os pupilos de Rui Vitória tinham derrotado, em casa, o Moreirense, sendo que, há 15 dias atrás, o Braga tinha eliminado o Vitória da Taça de Portugal, em Guimarães. Com os dados todos na mesa, o jogo começou com os homens da casa a entrarem melhor, mas os 3 remates efetuados nos primeiros 10 minutos não tiveram sucesso.

O Vitória, que nunca ganhou no novo estádio do Sporting de Braga, reagiu e teve a sua primeira grande chance para marcar aos 14 minutos quando Matheus fez uma fantástica defesa com os pés a evitar golo de Alex. No final da primeira meia hora, já com Tomané a ocupar o lugar de Álvez  (saiu lesionado), mais uma grande oportunidade para o Vitória: Hernâni, lançado por André André, rematou fora do alcance de Matheus, mas Aderlan Santos apareceu de cabeça a evitar o golo do extremo adversário. Aos 32 minutos, duas grandes oportunidades de golo, uma para cada lado. Rafa cabeceou para uma extraordinária defesa de Assis e, na resposta vimaranense, Bernard atirou do meio da rua ao poste – dois grandes momentos de futebol no Estádio AXA. Até ao intervalo, registo para mais uma lesão, desta vez na equipa da casa. Tiago Gomes deu o lugar a Pedro Santos, extremo que foi mais uma vez adaptado à posição de lateral esquerdo.

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Hernâni e Rafa: os dois maiores artistas de um jogo que terminou com um empate justo
Fonte: Página de Facebook do Vitória SC

Nulo no fim dos primeiros 45 minutos, com dois tipos de jogo diferentes: o Vitória atacou sobretudo com futebol direto a partir dos centrais, que fizeram excelentes exibições, para os flancos ofensivos ou através de investidas de Bernard. Os homens da casa tentaram um futebol mais apoiado, mas a primeira metade foi muito equilibrada. Nota-se que Alan veio trazer mais consistência ao meio campo bracarense, ao contrário de Ruben Micael, que tinha sido titular na partida de há duas semanas atrás. Nos ataques, Hernâni e Rafa eram as principais ameaças.

Na segunda parte, tivemos apenas três remates, o que diz bem da pobreza em termos de oportunidades de golo. Rafa teve duas boas chances, mas em ambas não acertou com a baliza, aos 58 e 72 minutos. As equipas estavam perfeitamente encaixadas e, na hora de desenhar as jogadas ofensivas, os setores defensivos levaram sempre a melhor, mesmo que para isso tivessem de recorrer à falta.

Três jogadores vimaranenses viram o cartão amarelo por derrubes a Rafa: André André, Bernard e Bruno Gaspar, que já tinha visto um cartão na primeira parte, na altura também por falta sobre o “18” bracarense. O lateral emprestado pelo Benfica foi expulso por acumulação de amarelos já perto do minuto 90 e, nos descontos, Salvador Agra e Hernâni também viram sair o cartão vermelho do bolso de Carlos Xistra. Num sprint, os dois extremos travaram-se de razões e o árbitro viu uma suposta agressão do jogador da casa. Resultado da situação: vermelho direto para Salvador Agra e ainda o segundo amarelo e consequente expulsão para Hernâni. Na última jogada do encontro, Rafa teve mais uma boa ocasião mas o cabeceamento saiu para fora. Com menos três atletas em campo, terminou quentinho, o dérbi do Minho.

Em relação aos números, muito equilíbrio em todos os parâmetros, à exceção dos remates, onde os bracarenses arriscaram mais, e dos cartões, onde foram os vimaranenses os mais admoestados. O árbitro, Carlos Xistra, desempenhou um bom trabalho até ao minuto 90. Apesar de um erro ou outro durante a partida, foi nos descontos que Xistra borrou a pintura, no lance em que expulsou Salvador Agra. Hernâni é bem expulso, porque fez claramente teatro, mas o jogador bracarense não merecia ver o vermelho direto.

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Bernard esteve em plano de evidência na 1ª parte
Fonte: Página de Facebook do Vitória SC

No final da partida, Sérgio Conceição alimentou a rivalidade entre os dois clubes. “Tenho a certeza de que, no final da época, estaremos à frente do Vitória de Guimarães.” Esta frase será recordada em maio, quando se fizerem as contas finais da Liga.

Na próxima ronda, o Vitória recebe o Rio Ave com algumas ausências. Hernâni, Bruno Gaspar e André André, que viu esta noite o quinto amarelo no campeonato, estão castigados e, assim, Rui Vitória perde o seu capitão e a sua ala direita habitual frente a um adversário que jogará a meio da semana na Liga Europa. Já o Sporting de Braga irá visitar o Belenenses. A equipa orientada por Sérgio Conceição tem mais um ponto do que os “azuis” mas Lito Vidigal já deverá poder contar na próxima partida com Miguel Rosa e Deyverson, que estranhamente não alinharam na derrota deste fim de semana no Estádio da Luz.

 

A Figura

Rafa – O jovem jogador do Braga tentou o golo por cinco vezes, mas a falta de pontaria e uma estupenda defesa de Assis evitaram que fizesse o gosto ao pé. Foi o principal dinamizador do ataque bracarense e sofreu cinco faltas, arrancando quatro cartões amarelos para os jogadores contrários. É um regalo ver que ainda é elegível para a nossa seleção Sub 21.

O Fora-de-Jogo

Tomané – O avançado vimaranense teve tarefa difícil, é certo, mas esteve completamente desligado da partida, a partir do momento em que entrou a substituir o lesionado Álvez. Cruzou mal, não rematou vez nenhuma e ainda viu um amarelo por protestos. Aderlan Santos e André Pinto estiveram bem, mas Tomané podia ter trabalhado com mais eficácia.

Foto de capa: Página de Facebook do Vitória SC

A fortaleza do Dragão

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eternamocidade

Os últimos três jogos do FC Porto trouxeram, muito provavelmente, a melhor face da equipa de Julen Lopetegui desde o início da temporada. Frente a Bate Borisov, Rio Ave e Académica, três goleadas permitiram aos portistas enfrentar o final de 2014 com a confiança reforçada de que, a pouco e pouco, a qualidade, por demais evidente, do plantel começa a aparecer. Para este sucesso, muito terá contribuído a menor rotatividade levada a cabo pelo treinador espanhol. Apesar de sempre ter considerado que é importante haver mais do que 11 “titulares”, é importante, mais do que trocar o jogador A ou o jogador B, manter sempre a mesma filosofia de jogo. Quando o FC Porto não o fez, frente a Estoril no campeonato e Sporting para a Taça de Portugal, a equipa deu-se mal e os resultados foram os conhecidos.

Ainda assim, os bons resultados não tiveram consequências práticas quanto ao objetivo mais importante para a temporada: a conquista do campeonato. Com três pontos de desvantagem para o rival Benfica, é impossível não considerar o clássico do próximo domingo como muito importante para os portistas. Olhando para aquilo que tem sido a temporada de uns e de outros, fico com a forte sensação de que um grande FC Porto chegará para vencer o Benfica. A minha opinião baseia-se sobretudo nos factos que a época tem demonstrado e que se pautam, por um lado, pelas pontuais invenções de Lopetegui, que já custaram a Taça de Portugal aos portistas, e pela incapacidade quase assustadora do Benfica em ser um clube à altura dos seus pergaminhos na Liga dos Campeões. A eliminação de uma e de outra equipa nestas competições tiveram muito mais de demérito de ambas do que mérito dos adversários. Também por isso, continuo com a mesma opinião que tinha no início da temporada: mesmo com um Sporting com Nani, FC Porto e Benfica são as melhores equipas da Liga.

destaque
Na noite gelada de Coimbra, Jackson Martínez bisou
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Todavia, considerando aquilo que foram os primeiros quatro meses da época, ao olhar para as equipas de Lopetegui e de Jorge Jesus, vejo uma capacidade maior para o FC Porto crescer. Depois de ter completamente revolucionado o plantel, atualmente percebe-se que as dinâmicas estão mais enraizadas, os jogadores estão mais interligados e a conexão entre os três setores é muito mais eficaz do que há “meia dúzia” de jogos. Quem olha para a equipa portista vê um quarteto defensivo cada vez mais consolidado e onde, acredito, Maicon acabará por assentar numa dupla com uma das boas surpresas da época, Martins Indi. Danilo e Alex Sandro estão a voltar ao seu melhor nível, enquanto o meio campo – com Casemiro a subir de forma, Herrera a mostrar um bocadinho do jogador do Mundial 2014, e Oliver a espalhar magia por entre linhas – está cada vez mais afinado. No ataque, Brahimi, Tello e Jackson fazem um trio de luxo, que combina técnica, velocidade e capacidade de finalização. Ao olhar para o onze portista, percebe-se que Marcano, Rúben Neves, Quintero, Quaresma ou Aboubakar podem entrar a qualquer momento e que, sobretudo, a dinâmica não se altera de forma drástica. Para que isso continue, o importante, tal como referi, passa por, mais do que mudar as peças, não mudar a ideia de jogo assente no 4x3x3 clássico e que tão bem encaixa na equipa.

Do lado encarnado, é indiscutível a diferença que o Benfica tem demonstrado dentro e fora de portas. Para isso, não acredito só naquele cliché de que o plantel de Jorge Jesus não tem qualidade suficiente para se bater numa prova europeia. Com Mónaco, Zenit e B. Leverkusen no grupo, estranho foi perceber que perante três equipas que não são superiores ao Benfica os lisboetas não conseguiram ir além do último lugar do grupo. Por essa razão, com jogadores como Enzo, Salvio, Gaitán, Talisca, Lima ou Jonas, a premissa de que este Benfica apenas chega para o campeonato para mim é falsa. É certo que já não existe Markovic, Garay, Rodrigo ou Cardozo no plantel, mas sinceramente não partilho do argumento de que este Benfica é um dos mais fracos dos últimos tempos. Na minha modesta opinião, apenas a atitude errada de treinador e jogadores na Champions permitiu tamanho descalabro. Por tudo isto, o FC Porto tem de estar de sobreaviso no jogo do próximo domingo. Para além da desvantagem pontual de três pontos e que “obriga” praticamente o FC Porto a vencer o clássico, a equipa de Lopetegui terá de se deixar de falsos favoritismos e entrar no relvado do Dragão com o espírito que demonstrou nos últimos três jogos, nos quais a qualidade individual foi por demais evidente.

E porque há pouco falei do Dragão, esse é outro aspeto, caro leitor, que gostaria de realçar. Até à paragem natalícia, são três os duelos que a equipa fará dentro de portas (Shakthar, Benfica e Vitória de Setúbal). Neste ciclo de jogos no anfiteatro portista, o apoio dos adeptos será fundamental para que na Champions, e sobretudo no campeonato, finalmente o FC Porto possa encarrilar rumo a objetivos que parecem, à luz da qualidade do plantel, perfeitamente alcançáveis. Olhar para o lema “enquanto se canta, não se assobia” – tão proclamado pela estrutura portista nas últimas semanas – é pedir que a plateia portista não deixe de lado a sua exigência, mas sobretudo que seja cada vez mais um 12.º jogador. Enquanto espetador frequente no Dragão, sinto que é quase sempre isso que falta: um ambiente mais intenso, que puxe pelos jogadores e que faça tremer os adversários. E isto porque as grandes vitórias, como aquelas de que precisamos nos três próximos encontros, também se começam a construir nas bancadas. Por isso tudo, é preciso que entre os jogos com ucranianos, encarnados e setubalenses se faça sentir a “Fortaleza do Dragão”. O momento pode ser decisivo, e todos são, mais do que nunca, absolutamente necessários. E isso é ser FC Porto.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Benfica 3-0 Belenenses: Derby enganador

coraçãoencarnado

Derby lisboeta, paixão e emoção à flor da pele. O Belenenses chegava ao Estádio da Luz com confiança e crença num bom resultado, no seguimento de uma boa campanha na Primeira Liga. Apesar do volumoso resultado, o jogo não foi tão fácil como parece. Durante a primeira parte, um Benfica esforçado tentou derrubar a barreira dos azuis do Restelo mas sempre sem efeito. Apesar da tentativa de imprimir um ritmo de jogo, a verdade é que durante a primeira parte este Benfica mostrou-se algo fragilizado e sem ideias. Com poucas oportunidades de golo (lembro-me de um remate de Nico e outro de Talisca), o Belenenses mostrou-se consistente e coeso no seu processo defensivo.

Festejo do primeiro golo benfiquista, após o desbloqueio do marcador Fonte: Facebook Benfica
Festejo do primeiro golo benfiquista, após o desbloqueio do marcador
Fonte: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

Com a segunda parte veio provavelmente um Benfica com as orelhas quentes dos gritos do Jesus, e um Belenenses confiante de que Fredy e Fábio Nunes poderiam fazer a diferença na frente. Lima entrou a seguir ao intervalo, dando lugar à saída de Talisca (o nosso Rivaldo esteve desinspirado). O golo apareceu por volta do minuto 65, uma altura em que tanto os adeptos como os jogadores se começavam a mostrar algo ansiosos pela falta de golos e soluções ofensivas. Este golo não foi um qualquer, até porque foi Lima que o marcou. O avançado está de volta aos golos, e espero sinceramente que esta seja a injecção de confiança de que ele tanto precisava. Depois disso veio um penálti sobre Enzo, marcado pelo mesmo. 2-0. O Benfica tinha tornado o jogo mais simples, tornando-o agora mais partido. O génio de Gaitán saiu da sua caixa para, ao minuto 82, nos oferecer uma jogada mágica. O Messi da Luz, após arrancar do meio-campo e contornar três homens do Restelo, ofereceu o golo a Toto Salvio. Para quem não tenha visto, que vá imediatamente degustar este hino ao futebol!

Como nota final, gostaria de realçar as boas exibições de Jardel, Gaitán e o importantíssimo regresso aos golos de Lima. Por outro lado, mais uma exibição apagada de Samaris e de Talisca. Um forte abraço aos 46 000 espectadores que apareceram no Estádio da Luz.

A Figura:

Nico Gaitán – O argentino voltou a provar que é a estrela deste Benfica, capaz de resolver qualquer jogo. O seu trabalho no terceiro golo mostra a confiança que aquele pé esquerdo respira, regalando-nos os olhos.

O Fora-de-jogo:

Miguel Rosa e Deyverson – Os dois jogadores não jogaram contra a sua ex-equipa, ficando na bancada da Luz. Parece-me que já chega destas situações, com contratos pouco transparentes e cláusulas que só prejudicam o futebol.

Foto de capa: Steve Gardner (Flickr)

Académica 0-3 FC Porto: Um encanto

a minha eternidade

O Porto venceu a Académica, em Coimbra, por 0-3, com dois golos de Jackson Martinez e um de Herrera. Os “azuis e brancos” controlaram o seu adversário durante todo o jogo, impondo os seus intentos na partida sem contestação de relevo. Os portistas estiveram em grande nível, muito dinâmicos e imprimiram um ritmo muito alto, não dando veleidades aos conimbricenses. Relevo a concentração e obstinação na primeira parte na procura do golo, bem como a tranquilidade mental e seriedade na segunda parte, quando os acontecimentos em campo exigiam um “relaxamento com esférico”, limitando o desgaste mas sem deixar de possuir a bola, para assim inviabilizar qualquer reacção por parte dos estudantes.

O Futebol Clube do Porto iniciou o jogo no seu tradicional 4x3x3, com Fabiano na baliza, Danilo, Martins Indi, Maicon e Alex Sandro formando o quarteto defensivo, o trio de médios constituído por Rúben Neves (pivot defensivo), Herrera e Oliver (interiores), Tello, Brahimi e Jackson mais adiantados no tridente ofensivo.

O momento ofensivo dos portuenses foi excepcional, numa articulação muito completa e inteligente de todos os jogadores. Os centrais saíram bem com bola desde trás, solicitando com certeza e precisão os companheiros do miolo, os laterais combinaram muito proficuamente com os extremos e médios, criando situações de tabela e cruzamento. No sector intermediário, Rúben Neves esteve, como sempre, certo e seguro na ligação entre sectores, efectuando a assistência para o primeiro golo de Jackson. Óliver Torres procurou incessantemente linhas de passe para receber e para endossar, estando muito refinado nas suas acções, de um requinte técnico primoroso. Herrera esteve muito enérgico, procurando muito a profundidade, entrando nas costas dos adversários para finalizar, como fez no último golo. Os três da frente fizeram muito boas ligações entre si e com os elementos dos outros sectores. Brahimi esteve mais discreto e muito amarrado à linha. Tello foi muito forte no um para um e criou inúmeras oportunidades para marcar; a assistência para o terceiro golo é de uma inteligência táctica exímia, aspecto em que nem sempre tem estado bem esta época. Jackson foi mais bem servido do que o habitual e respondeu às solicitações de uma forma notável.

Jackson foi a figura do encontro Fonte: Facebook da Académica
O Porto chega ao clássico praticando bom futebol. Na próxima jornada deverá ganhar ao rival Benfica e assumir a liderança
Fonte: Facebook da Académica

A organização defensiva dos portuenses foi também inatacável, com os três sectores muito próximos, roubando a bola sempre alto, ainda dentro do seu meio campo ofensivo, não dando qualquer veleidade finalizadora aos oponentes. Lopetegui fez três substituições sem alterar o sistema base. Entrou Quintero para o lugar de Danilo (que estava algo magoado fruto de uma dividida na primeira parte), passando Herrera a ocupar a sua posição, o que até fez muito bem, com uma assistência para Quintero finalizar pessimamente. Saiu Tello para a entrada de Quaresma (ainda conseguiu algumas belas iniciativas), e Jackson dando lugar a Aboubakar, que não conseguiu brilhar nos 10 minutos que jogou.

A Figura

Jackson Martínez – Excelente jogo de “Cha Cha Cha”. Jogou em apoios de forma exímia, quer fosse ao primeiro toque, temporizando e endossando, ou conduzindo alguns metros e depois a libertar para o extremo. Na finalização esteve excelente, com dois remates bastante bons: o de pé esquerdo com impetuosidade e o de pé direito com técnica (rotação perfeita e efeito indicado).

O Fora-de-Jogo

Fabiano – Esteve no terreno de jogo mas não participou na sua dinâmica. Vá lá, deu para ensaiar os pontapés de baliza.

Foto de Capa: Facebook do FC Porto

O fascismo voltou a matar

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internacional cabeçalho

Já não é novidade para ninguém que, no último domingo, houve mais uma morte a assombrar o desporto. O que já não é tão comentado é o facto de, apesar de a envolvência ter sido com efeito um jogo de futebol, o crime ter tido apenas motivações políticas. Temos assistido a várias tentativas de “tratar todos por igual”, que mais não fazem do que lançar uma capa protectora sobre os responsáveis pelo assassínio: indivíduos de extrema-direita, vulgos fascistas.

Esses indivíduos pertencem a uma claque que supostamente apoia o Atlético de Madrid, embora os seus reais propósitos sejam outros, como mostra o vídeo abaixo. A claque tem um histórico de violência que não pode ser menosprezado – em 1998, elementos do grupo mataram Aitor Zabaleta, um basco com supostas ligações a um movimento independentista de esquerda e cuja morte, de resto, os integrantes da Frente celebram no já referido vídeo enquanto cantam que “o resultado [do jogo] não nos interessa”. As ligações dos ultras deste clube de Madrid à extrema-direita são conhecidas: desde fotos com parafernália nazi-fascista a coreografias no próprio estádio com frases retiradas de músicas do período franquista – recordo que a Guerra Civil espanhola teve início quando a facção reaccionária de Franco não aceitou a vitória legítima dos republicanos nas urnas – passando por muitos outros episódios de violência. Um deles está bem presente na memória dos portugueses. Há quatro anos, num jogo em Alvalade, largas dezenas de integrantes da Frente Atlético pararam os autocarros em frente ao estádio várias horas antes do jogo e apedrejaram os poucos elementos das claques do Sporting que por lá se encontravam.

E qual é a resposta que a Liga e a Federação espanholas dão a tudo isto? Em poucas palavras, pede-se o “fim da violência no futebol” e uma ambígua luta contra as “claques radicais”. De resto, quase todas as críticas públicas que têm sido feitas vêem a violência como causa de si própria, em vez de compreenderem que os comportamentos delinquentes nos estádios de futebol estão ligados à extrema-direita e à sua perigosa ideologia do ódio. Os intervenientes que agora dizem lamentar a morte do adepto conhecido como Jimmy foram os mesmos que fecharam os olhos a anos e anos de violência fascista nos estádios. Os clubes e os dirigentes, inclusivamente, transformam não raras vezes alguns sectores das claques na sua guarda pretoriana. Os responsáveis do Atlético de Madrid, que nunca pareceram importados em terem uma claque fascista relacionada com o seu clube, não têm moral para agora anunciarem a expulsão dessa mesma claque do seu estádio (até porque, na prática, os elementos poderão entrar à mesma). Não devia ser preciso ocorrer uma morte para identificar, denunciar e expulsar de forma efectiva indivíduos que fazem do desporto um campo de batalha ideológico e um bastião do ódio.

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Não ponho as mãos no fogo pelo facto de os Riazor Blues – claque do Deportivo da Corunha conotada com a esquerda independentista que também esteve envolvida nos confrontos, e à qual pertencia a vítima – terem ou não combinado previamente um encontro com os fascistas, apesar de haver notícias que dizem que afinal não houve marcação prévia. A eventual combinação, cuja existência agora parece não ser assim tão clara, tinha sido avançada com pompa e circunstância por alguns media, sempre prontos a condenar de igual modo quem prega slogans de ódio e quem defende, como os Riazor Blues, o combate ao racismo. Também não estou interessado em defender todos os actos do grupo galego, e muito menos estou mandatado para tal. De qualquer modo, mesmo que tenha havido combinação, o que também houve foi um assassínio. E esse assassínio teve autores: os fascistas da Frente Atlético. Chamar-lhes fascistas não é nem mentira nem difamação, uma vez que eles próprios se assumem como tal.

É por situações destas que sempre me irritou profundamente aquela máxima do “são todos iguais”. Irrita-me quando, depois de uma desilusão amorosa, um homem diz isso das mulheres (ou vice-versa), irrita-me quando se diz isso de todo e qualquer político e irrita-me, neste caso concreto, quando se coloca no mesmo saco aqueles que se revêem em Franco, Hitler e Mussolini e aqueles que defendem a luta contra o racismo e a descriminação. Colocando agora de parte todas as outras condicionantes sociais que tornam o futebol num alvo fácil da irracionalidade, há que compreender que, quando os segundos adoptam posições violentas, o fazem como reacção ao ódio propagado pelos primeiros. E ainda bem que assim é, porque os bandos fascistas não podem ter carta-branca para fazerem tudo o que querem sem consequências. Esse é um mundo no qual eu não quero viver. E dizer isto não faz de mim um apologista da violência, porque nunca o serei.

deportivo
Riazor Blues: “Ama o Depor, odeia o racismo”. Para os dirigentes do futebol espanhol, ser fascista ou anti-racista é equivalente
Fonte: flickr.com

Para terminar, importa dizer que em Portugal também há claques organizadas com um número relevante de simpatizantes fascistas: as mais relevantes talvez sejam o Colectivo, do FC Porto, os Diabos Vermelhos, do Benfica e certos sectores da Juventude Leonina, do Sporting – nomeadamente o Grupo 1143, apesar de hoje em dia estar pouco activo. Isto, claro, sem esquecer o chamado movimento casual, que surgiu em Inglaterra e tem vindo a ganhar importância no nosso país (no ano passado, perto de 200 casuals ligados ao Sporting espalharam o pânico junto ao Estádio do Dragão, exibindo depois esse feito como uma vitória). Todos estes grupos se vêem a si próprios como pretensas “elites” e vivem à margem das claques maiores, que são, no caso português, mais frequentemente despolitizadas. Conhecer tudo isto é vital, exigir que os clubes se demarquem de quem prega estas ideias é uma necessidade. Caso contrário, os resultados estão à vista.

atletico madrid fascismo
Frente Atlético: saudação fascista e coreografia com a inscrição “Volverán Banderas Victoriosas”, uma frase de uma música franquista
Fonte: Alberto Sánchez Fernández (flickr.com)

O que se seguirá ao assassínio do adepto do Deportivo será, com certeza, a diabolização das claques em geral e um apertar de cerco às mesmas. São atitudes erradas. Oponho-me aos que querem acabar com estes grupos organizados, porque isso seria tão ridículo e ineficaz como pretender “acabar com a política” agora que José Sócrates foi preso. O combate que deve ser travado não é contra as claques nem contra a ideia de violência no geral, ao contrário do que os responsáveis pelo futebol espanhol e alguns media têm propagandeado; o que deve ser combatido é, concretamente e sem margem para dúvidas, o racismo e o fascismo, numa luta que deverá extravasar o mundo do futebol e alastrar a toda a sociedade.

Para isso é preciso analisar a realidade muito para além do desporto, ir ao fundo das questões e identificar a ideologia fascista como o verdadeiro alvo a combater. São os seus partidários, muito mais do que quaisquer outros, os verdadeiros foras-da-lei, porque negam a liberdade alheia e chegam ao ponto de ceifar vidas. Resta saber se há vontade política para isso – ainda que, infelizmente, tanto a História como os acontecimentos desta última semana estejam longe de dar os melhores indícios.

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Slimani ou Montero? Eis a questão

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sob o signo mozos

As dúvidas existem pelo simples facto de não haver uma solução final única e objectiva. Enquanto houver subjectividade não se pode dizer que algo está certo ou errado, ou que A é melhor que B. Exactamente por essa razão, sei que este artigo não é mais que uma opinião, nem pretende sê-lo: é pura e simplesmente uma visão daquilo que, para mim, seria a solução ideal.

Muito se tem falado sobre quem deve ocupar o lugar de ponta-de-lança quando o Sporting joga em 4x3x3: Montero ou Slimani? A verdade é que as opiniões divergem e nem o próprio Marco Silva conseguiu ainda definir um titular indiscutível, pois ora joga Slimani ora o faz Montero. Como que para tentar desfazer as dúvidas e aproveitar o que de melhor estes dois avançados podem dar à equipa, o técnico dos leões optou, nos últimos encontros a contar para o campeonato, por apostar num 4x4x2 de início – lembre-se que já algumas vezes tinha ensaiado, nos minutos finais de certos encontros, esta táctica –, fazendo alinhar no onze inicial tanto o colombiano como o argelino. Pode dizer-se que foi uma aposta ganha: o Sporting saiu vencedor dos encontros; o futebol praticado foi de um nível elevado; os resultados (3-0 e 3-1) foram satisfatórios; os dois avançados estiveram em destaque pela positiva; e ambos já marcaram neste sistema.

Mas olhemos um pouco mais a fundo para cada um dos jogadores. Começando pelo caso do argelino, pode facilmente constatar-se que se trata de um finalizador competente que muitas vezes serve para desbloquear resultados de encontros em que o poderio físico impera, de alguma forma, e fazer a diferença em momentos cruciais. É sem dúvida um jogador útil para a equipa e um tipo de avançado que consegue dar muitos (e bons!) pontos ao longo da época. O seu estilo algo trapalhão não permite que seja um melhor jogador, mas a vontade de ajudar a equipa, a garra e ambição que possui ajudam-no a figurar entre as figuras mais queridas dos adeptos.

No caso de Montero, pode falar-se de um jogador tecnicista, de elevada qualidade e que não só pode fazer golos importantes e de boa nota artística, como também pode jogar para toda a equipa através de um jogo mais inteligente e bem executado que  o de Slimani. Por ser um jogador com muitas qualidades, falou-se durante muito tempo de que poderia ser uma mais-valia para o Sporting jogando como falso nº10 ou como segundo avançado, pois iria dispor de mais mobilidade e espaço para pôr em prática o seu futebol. Em conclusão, dois jogadores completamente diferentes, mas cada um com as suas vantagens.

A solução apresentada por Marco Silva nos últimos encontros deixou-me satisfeito. Mas as soluções no banco ficaram muito limitadas, pelo que não me parece que esta táctica se vá manter como a decisiva, infelizmente. A juntar a este facto, note-se que o 4x3x3 tem resultado bem e é a formação à qual os jogadores estão mais habituados. Ou seja, aquilo que seria o ideal para desbloquear a situação “Slimani x Montero” não seria necessariamente o melhor para a equipa. Posto isto, estando os dois jogadores em boa forma, eu optaria quase sempre por colocar Freddy Montero no onze inicial. A razão fundamental é a de que o futebol praticado pelo Sporting é melhor com o colombiano em campo, embora possa carecer de eficácia, em comparação com o estilo mais directo dos leões quando Slimani joga. No entanto, poderia afirmar simplesmente que Montero é melhor jogador e seria suficiente.

Espero que estas dúvidas continuem a dar dores de cabeça a Marco Silva: é sinal de que os avançados leoninos estão em boa forma. Resta-nos esperar que o jovem técnico continue a analisar bem a que jogos se adequa melhor cada jogador, e a optar pela táctica mais apropriada. Com Slimani e/ou Montero, o Sporting está bem e recomenda-se. E, no final, é isso que mais importa.

Foto de capa: Sporting.pt

Boavista 1-3 Sporting: La Culebra foi xeque-mate

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A noite prometia frio, gelo e algum sofrimento inerente ao facto de o jogo se realizar no sempre complicado Estádio do Bessa. Ainda assim, o Sporting apresentou-se no relvado sintético do Boavista claramente à procura de uma vitória, e apenas com novidades nas laterais, onde Miguel Lopes e Jonathan ocuparam os lugares de Cédric e Jefferson, respectivamente.

Numa primeira parte em que os minutos iniciais foram bem disputados, o Sporting demorou algum tempo até criar oportunidades de golo. Foi visível a dificuldade de adaptação dos leões ao relvado sintético, com diversas fracas recepções de bola, maus passes e demora nos processos básicos de jogo. Petit tinha colocado bem o seu xadrez em campo, apostando num jogo directo e bastante físico, onde a sua referência atacante era a “torre” Uchebo. A contribuir para uma dificuldade adicional esteve a lesão de Nani que, à meia hora de jogo, acabou por ser um dos momentos chave do mesmo. Para o seu lugar entrou Carrillo, que viria a ser a peça de maior valia neste jogo de duas partes distintas.

A partida foi para o intervalo com o Sporting por cima, mas sem um volume atacante verdadeiramente avassalador, sendo que a maior oportunidade de golo pertenceu a Islam Slimani, com um cabeceamento ao poste esquerdo da baliza de Mamadou Ba.

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João Mário resolve a partida marcando o terceiro golo leonino
Fonte: FPF

Na segunda parte, e quando o jogo estava numa fase sofrível, apareceu La Culebra. O peruano explosivo André Carrillo resolveu a partida em apenas dois minutos: primeiro numa corrida galopante, após um excelente passe de William (mais um jogo onde andou entre o muito bom e o muito mau); e a seguir numa jogada individual do lado direito, culminando com a assistência para o golo de Carlos Mané. Com estes dois golos, os leões acabaram por conseguir dominar o jogo, perdendo o medo e esquecendo o frio e o relvado “anormal”, aproveitando a velocidade para colocar em xeque a defesa axadrezada. Montero e João Mário tiveram boas oportunidades para marcar e foi mesmo o jovem internacional português que assinou o terceiro golo, após novo passe de Carrillo.

Com a vitória garantida, Marco Silva acabou por fazer descansar alguns dos jogadores mais importantes, o que levou a equipa a baixar a intensidade do seu jogo, voltando a aparecer alguns dos problemas da primeira parte, como por exemplo passes errados e falhas de concentração e de posicionamento. Foi numa destas falhas que apareceu o golo do Boavista, com um já habitual auto-golo leonino, aumentando para cinco os golos apontados na própria baliza nesta temporada – na sequência de um cruzamento da esquerda, Jonathan Silva teve uma abordagem errada e acabou por cabecear para a baliza de Patrício. Um golo que não motivou os axadrezados, não conseguindo o Boavista, até ao apito final, criar mais alguma situação de perigo.

No fundo, uma vitória justa, com uma segunda metade bastante agradável por parte do Sporting frente a um Boavista moldado à imagem do seu treinador, Petit. Os leões acabam também por mostrar que não são dependentes de Nani, não obstante a sua mais-valia que representa para a equipa. Esperemos que na próxima quarta-feira, em Londres, o número 77 esteja fresco e recuperado da lesão.

 

A Figura

André Carrillo – O extremo explosivo está na sua melhor época de sempre, possivelmente naquela que será a sua época de confirmação como verdadeira estrela da Liga Portuguesa. Velocidade, drible e cada vez mais capacidade de decisão tornam La Culebra num quebra-cabeças para os defesas, e para Marco Silva também.

O Fora-de-Jogo

Lesão de Nani – Apesar de os leões terem conseguido vencer a partida de hoje, a lesão de Nani poderá ser um forte abalo nas aspirações do Sporting em Stamford Bridge. Esperemos que tenha sido só um susto e que, na próxima quarta-feira, o extremo faça parte das opções do treinador leonino.

Foto de capa: Página de Facebook do Sporting