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Crescimento sustentado

cab desportos motorizados

Em julho escrevi aqui para o Bola na Rede que o Diogo Gago era um dos pilotos em quem os portugueses mais podiam depositar esperanças, no futuro. O tempo vai passando e as certezas neste sentido vão aumentando. No passado fim de semana o piloto de São Brás de Alportel sagrou-se campeão junior da 208 Cup, o que lhe permite fazer quatro provas no europeu de ralis (ERC) com o 208 R2 ao serviço da Peugeot Sport.

O europeu júnior em 2015 vai ter seis provas, e quatro estão garantidas ao piloto pela marca do leão. O SATA Rallye Açores, que o piloto fez nos últimos dois anos, pode dar-lhe grandes possibilidades de discutir este troféu – se for feito por sua própria conta -, pese embora os grandes pilotos que irá defrontar. O vencedor de 2014 desta competição é Stéphane Lefebvre, que ao título europeu juntou o WRC3 e o JWRC no campeonato mundial. E porque é que é importante reforçar os títulos conquistados por este piloto francês? Porque foi precisamente o segundo classificado nesta prova, ganha pelo português, e foi o vencedor dos dois anos anteriores; no entanto, é preciso realçar que o piloto não fez o campeonato todo (realizou apenas três provas), enquanto Gago fez cinco provas do campeonato (o que também não corresponde à totalidade da competição).

Na classificação geral deste troféu Diogo Gago foi quarto, com 43 pontos, mas muito longe do vencedor (Charles Martin), que teve 100 pontos e que como prémio tem a possibilidade de correr num 208 T16  em algumas provas da próxima temporada do ERC.

carro
A vila de onde é natural é um dos seus maiores apoiantes financeiros

Se no artigo de julho defendi que () para a época de 2015 o piloto deveria continuar a apostar em carros R2e de preferência num carro melhor do que o C2 com que corre no nosso país; mas em vez de correr em três campeonatos nacionais, devia, na minha opinião, correr ou no europeu ou no mundial (), com este resultado a parte do europeu já está, de certa forma, cumprida e o ideal seria conseguir apoios para as duas provas que não fará para o campeonato júnior na equipa da Peugeot Sport, e assim poder lutar por este troféu com todas as condições e ganhar mais experiência a nível europeu, quer de provas, quer de competitividade. Com esta parte do ERC cumpre uma parte do que defendi como ideal, e com isto penso que deve manter-se no campeonato francês, na competição dos 208, e escolher entre o campeonato português e o espanhol. Seja qual for a opção, será sempre o campeonato menos importante para o seu desenvolvimento enquanto piloto.

Mais para a frente – provavelmente só em 2015 – saberemos ao certo o que vai ser a temporada de ralis de Diogo Gago. O que sabemos para já? O algarvio em 2015 tem uma oportunidade de ouro para melhorar ainda mais enquanto piloto.

 

Todas as fotos foram retiradas do Facebook de Diogo Gago

Federer distribuiu dois milhões pelos colegas de equipa

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cab ténis

“Esta vitória é para os rapazes” foram as palavras de Roger Federer depois de conquistar o ponto que deu à Suíça a Taça Davis 2014. Mas o campeão suíço não dedicou apenas a vitória aos seus colegas de equipa: distribuiu por eles os mais de dois milhões de dólares em prémios monetários.

Se acho justo? Acho. Se era “obrigado” a fazê-lo? Não. Obviamente, Federer só pôde conquistar o título da Taça Davis graças ao esforço e ao sacrifício dos seus colegas de equipa, que ao longo dos últimos anos foram mantendo a selecção numa zona onde sonhar com o titulo era possível.

Stanislas Wawrinka, por exemplo, jogou todas as eliminatórias desde há sete anos e foi o verdadeiro obreiro desta vitória, conquistando no primeiro dia uma importante vitória inaugural que pôs os franceses em sentido.

E se este ano Federer “pegou” na equipa e levou a mesma ao título – no verdadeiro sentido da expressão chegar, ver e vencer -, caso não fossem os seus compatriotas, o ex-nº1 do mundo não poderia ter conquistado esta competição.

A distribuição monetária dos dois milhões e 500 mil dólares que lhe foram atribuidos devido à vitória é assim mais do que justa e merecida pelos seus colegas de equipa, mas é também um reconhecimento sincero e despretensioso de alguém que queria conquistar este troféu “de coração” e não por questões monetárias ou de ranking.

Roger Federer entrou desde há uns tempos para cá numa fase diferente da sua carreira. Uma fase onde se procura, ainda assim, manter o mais competitivo possível, mas sem uma focalização extrema no ranking ATP e nos títulos. O que o suíço quer por agora é sentir-se a jogar bem e a poder jogar de igual para igual com Djokovic, Nadal, Murray e outros.

Federer procura, depois da Taça Davis, uma caminhada tranquila até aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, onde perseguirá o único título que lhe falta: a medalha de ouro individual. E embora continue a procurar chegar às rondas finais e aos jogos decisivos dos Grand Slams e dos grandes eventos, a falta de pressão que ele próprio coloca em si facilita muito mais essa tarefa.

Não esqueçamos no meio disto que Roger Federer tem actualmente 33 anos e 17 títulos do Grand Slam no bolso e está a menos de dois mil pontos do primeiro lugar mundial (o que significa a conquista de um Grand Slam, por exemplo), tendo jogado este ano 17 eventos do circuito ATP, mais eliminatórias da Taça Davis.

Roger Federer parte assim para o ano de 2015 sem pressão e com a confiança em alta, disposto a lutar por se intrometer na luta entre os mais “novos” mas não esquecendo que a Suíça continua bem representada por Wawrinka no topo dos rankings mundiais.

 

Foto: flickr.com

Os inseparáveis “irmãos” da lateral

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serefalaraporto

No FC Porto, existem dois jogadores de enorme qualidade; todavia nem sempre lhes é dado o devido valor e são alvo, por vezes, de duras críticas. Tratam-se de dois “irmãos” que jogam juntos há cerca 6/7 anos, um à direita e o outro à esquerda: Danilo e Alex Sandro!

Estes atletas não podem ser apenas caracterizados pela posição que ocupam no terreno de jogo, uma vez que não são defesas, não são médios, nem são avançados, mas são jogadores de futebol no seu todo. Apesar de Danilo e Alex Sandro ocuparem as posições de defesa direito e defesa esquerdo da equipa do Porto, respectivamente, em boa verdade, não são defesas laterais puros.

Danilo é uma “força da natureza”! Trata-se de um jogador que, nas camadas mais jovens, era frequentemente colocado no meio campo. Porém, anos mais tarde passou a jogar como lateral direito no seu antigo clube, o Santos (equipa brasileira que se sagrou vencedora da Copa Libertadores onde jogavam também atletas como Ganso e Neymar), e nas Seleções jovens brasileiras. Após vários títulos e grandes exibições, rumou ao Porto por uma quantia de 18 milhões de euros, tornando-se a segunda contratação mais cara da história do clube, ficando apenas atrás de outro brasileiro: Hulk. Os milhões investidos foram muito contestados não só por representarem valores muito elevados para o panorama nacional, mas, principalmente, por se tratar de um “defesa”! No entanto, Danilo tem vindo a mostrar-se um jogador diferente da maioria, confirmando o seu verdadeiro valor (não fosse ele titular na Seleção do país rei do futebol, o Brasil). De facto, o hoje ‘2’ do Porto não para em campo, sendo habitualmente dos jogadores que mais quilómetros corre por jogo. Tem uma alegria e uma força tão grandes, que ajuda os seus companheiros a jogarem melhor. Isto revela-se através das suas diversas acelerações pelo corredor ou diagonais que executa em terrenos mais ofensivos, mas sem nunca perder a noção do seu posicionamento defensivo. Com a titularidade na Seleção brasileira, com a assiduidade no onze inicial do FC Porto e com as exibições que tem rubricado, Danilo vive possivelmente o melhor momento de forma da sua carreira. Este conjunto de fatores tem, notoriamente, despertado o interesse de diversos clubes internacionais.

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Atualmente, Alex Sandro é o dono e senhor do lado esquerdo da defesa portista
Fonte: fcporto.pt

Alex Sandro é um jogador com características semelhantes a Danilo, todavia com diferenças que fazem dele igualmente único. É também um jogador física e ofensivamente muito forte e que corre quilómetros do lado esquerdo da defesa azul e branca. Alex começou a sua carreira a jogar como número 10 e com o passar do tempo foi-se adaptando à lateral esquerda (inicialmente como médio esquerdo). Nos tempos em que jogava no Santos (com Danilo), a sua maior preocupação no terreno de jogo era atacar. Aliás, os laterais, no Brasil, são normalmente especialistas a desempenhar a função ofensiva, deixando sempre muito espaço nas costas e permitindo ao adversário atacar esses “buracos” na organização da equipa. Quando chegou ao Porto, Alex veio com a difícil missão de substituir Álvaro Pereira, tendo naturalmente passado por um período de adaptação, antes de se assumir como titular indiscutível. Hoje, mantém as suas qualidades ofensivas no corredor esquerdo e elevou as defensivas a um patamar de destaque.

No que concerne à Seleção Nacional A do Brasil, a sua situação é mais débil, facto que é justificado pela grande e forte concorrência. Ainda na ‘Canarinha’, é de salientar que em muitas das oportunidades em que foi convocado acabou vitimado por azares, designadamente a lesão que o afetou durante o Mundial Sub 20 (competição que conquistou juntamente com Danilo) ou as que o atormentaram em vésperas de concentrações da Seleção, obrigando-o a ser substituído na convocatória.

Deste modo, o Porto está seguro nas laterais com os dois jovens de 23 anos, que dispõem ainda de uma grande margem de progressão. Mais ainda, com a actual filosofia de jogo perseguida por Lopetegui de que “se temos bola não sofremos golo”, estes dois atletas melhoraram ainda mais a sua qualidade de passe e concentração durante os jogos. O Porto quase não sofre golos e a solidez das alas é muito acima da média graças à inegável qualidade dos atletas. O futuro certamente será risonho para ambos, mas é questionável: quanto tempo mais os “irmãos” continuarão a jogar juntos?

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

A segunda vida de Victor Vázquez

internacional cabeçalho

O Barcelona é, indubitavelmente, um dos clubes que melhor aproveitamento faz da sua formação. Contudo, nem todos os talentos que saem de La Masia conseguem ter espaço na equipa principal. Muitos passam vários anos no conjunto secundário, à espera de oportunidades que nunca chegam, e muitos outros deixam a Catalunha, seja por opção própria ou porque o clube não quer renovar contrato. Foi isso que aconteceu com Victor Vázquez, médio espanhol que saiu a custo zero para o Club Brugge em busca de um novo rumo para a sua carreira. Aos 27 anos, está a cumprir a quarta temporada na Bélgica e é o patrão da equipa orientada por Preud’homme, que lidera o campeonato nacional. Apesar de já não ser propriamente um jovem, está no pleno das suas capacidades e tem provado que não é tarde para experimentar outro nível competitivo.

Vázquez nunca conseguiu confirmar o estatuto de promessa que tinha em Barcelona. Nas camadas jovens do clube catalão, onde jogou com Messi, Piqué e Fàbregas, sempre foi uma estrela, mas a transição para o futebol sénior não correu da melhor forma, muito por culpa dos inúmeros problemas físicos que o afectaram. Acabou por ficar demasiado tempo na equipa B, o que, como é natural, atrasou a sua afirmação. Com 24 anos, foi obrigado a procurar um novo clube para continuar a carreira, decidindo-se pelo campeonato belga (Portugal foi uma hipótese, tendo sido várias vezes associado ao Sporting). Como se percebe pelo estatuto de indiscutível que Vázquez tem no Brugge, foi uma escolha feliz.

Vázquez chegou a jogar pelo Barça na Champions Fonte: Facebook de Victor Vázquez
Vázquez chegou a jogar pelo Barça na Champions
Fonte: Facebook de Victor Vázquez

Se o Brugge está no primeiro lugar do campeonato bem pode agradecer a Victor Vázquez. O espanhol fez uma exibição espectacular no clássico com o Anderlecht, enchendo o campo e marcando os dois golos que evitaram a derrota da sua equipa (ambos de bola parada, capítulo em que é forte). O ex-jogador do Barça actuou, como habitualmente, como elemento de ligação entre o meio campo e o sector ofensivo, mas mostrou também uma grande disponibilidade defensiva. Nos restantes encontros, Vázquez tem brilhado no capítulo das assistências, o que reflecte a grande visão de jogo e a excelente capacidade de decisão que possui. É um jogador bastante completo, extremamente inteligente e com uma qualidade técnica muito acima da média.

Preud’homme, que assumiu o comando técnico do Club Brugge em Setembro de 2013, está a fazer um excelente trabalho no clube. O antigo guarda-redes do Benfica conseguiu atenuar a saída do craque Maxime Lestienne e montou uma equipa forte do ponto de vista colectivo, consistente defensivamente mas com um futebol extremamente atractivo. Mesmo sem ter os recursos do rival Anderlecht, o treinador belga tem à disposição um plantel interessante e com bastante margem de progressão. O talento começa na baliza, cujo dono é o guarda-redes australiano Matthew Ryan, que dificilmente arranjaria outro professor deste gabarito; continua no sector defensivo, com o central costa-riquenho Óscar Duarte, que está a dar continuidade às boas exibições que fez no último Mundial, e o lateral-esquerdo Laurens de Bock, que tem um estilo semelhante ao de Vertonghen; é visível no meio campo, onde, para além da qualidade de Vázquez, a experiência de Timmy Simmons ainda é fundamental; e termina no ataque, que tem elementos como Rafaelov, Izquierdo ou o brasileiro Felipe Gedoz, que tem sido uma das revelações da temporada (qualidade técnica notável). Contudo, a grande referência ofensiva da equipa tem sido, sem surpresa, o chileno Nicolás Castillo. O ponta-de-lança de 21 anos foi contratado à Universidad Católica por 3,5 milhões de euros e está a justificar plenamente o investimento, somando 8 golos no campeonato (sem ser indiscutível no 11). Era expectável que o jovem pudesse ter sucesso no futebol europeu, mas agora não restam quaisquer dúvidas. Castillo é um avançado muito completo (instinto, potência e facilidade de remate) e, se o processo de evolução decorrer com normalidade, tem tudo para chegar a grandes palcos e ser o tal jogador de área que falta à selecção sul-americana desde que Suazo abdicou.

Não faltam exemplos de jogadores que, por terem estado ligados durante demasiado tempo a clubes onde não tiveram espaço para evoluir, prejudicaram as carreiras. O caso do médio do Brugge tem algumas semelhanças com o de Jonathan Soriano ou com o de Nolito (apesar de não terem sido formados no Barça, jogaram vários anos no clube catalão), que hoje são figuras no Salzburgo e no Celta de Vigo, respectivamente. Victor Vázquez teve uma afirmação tardia, é certo. Mas, recorrendo ao cliché, bem se pode dizer que mais vale tarde que nunca.

Foto de Capa: Facebook de Victor Vázquez

Brasileirão: o campeonato mais difícil de vencer

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O título que acabamos, por ora, de ler, não é uma ideia egocêntrica do autor do mesmo. Nem sequer é pisar sobre um chão tantas vezes massacrado em artigos anteriores. Como referimos noutros textos (e não muito longínquos), podemos agora afirmar, com base em números, que o campeonato brasileiro será provavelmente o mais difícil de ganhar. Ou por outras palavras, mais fortes e inexoráveis: é a Liga mais competitiva do mundo. Vejamos.

Foi feita uma comparação com bastante minúcia e dados estatísticos entre os números do Campeonato Brasileiro e os de duas grandes ligas da Europa – a inglesa e a espanhola. Os nossos amigos matemáticos mostram que na competição do Brasil é, de facto, mais difícil de se encontrar um campeão. De acordo com o levantamento do jornalista Carlos Eduardo Mansur, do jornal “O Globo”, a pontuação média dos campeões nos últimos cinco anos no Brasileirão foi de 72,4 pontos, contra 86 da Premier League e 97 da Liga Espanhola de Futebol. Recordemos que cinco anos é um período considerável, se verificarmos que a UEFA utiliza essa mesma décalage para classificar em potes as equipas apuradas para a Liga dos Campeões e Liga Europa.

Nas palavras de Mansur, “apesar de ser o mesmo desporto, é um outro ambiente de competição. Isso não significa que nenhum treinador tenha que ser despedido. Mas algum grande do Brasil vai ficar em 12º e, consequentemente, em perigo de cair para a zona de descida. É um ambiente de pressão maior. Temos de ver isso como um património. Se pudéssemos vender bem esse produto, venderíamos com base nesse equilíbrio.” Pegando nesta última frase – já vamos à primeira parte da resposta –, esse deve ser o grande marketing em que o Brasil deve investir. Porque, como sempre dissemos aqui, um duelo entre um 16º classificado e o 7º colocado terá sempre, se não maior espetáculo, pelo menos maior incerteza no resultado do que os congéneres europeus.

Torcedores do Cruzeiro festejaram o penta
Torcedores do Cruzeiro festejaram o penta
Fonte: Facebook do Cruzeiro

O estudo destaca ainda que a pontuação média do 17º posto também mostra a maior competitividade presente no Brasil, onde se alcança 43 pontos. Em comparação, o 17º colocado espanhol costuma amealhar, em média, 40 pontos, contra 37, na Inglaterra. A distância entre o 3º e o 18º classificados também revela dados interessantes: 27,2 pontos, em média, no Brasil, contra 39,8 na Inglaterra e 34,2 na Espanha. Ou seja, a pontuação que separa o classificado direto para uma competição continental e a equipe despromovida é menor em solo brasileiro. A lógica segue na comparação entre o 4º e o 17º: 19, no Brasileirão, 34,4, na Premier League, e 24 em La Liga.

Estas estatísticas permitem-nos inferir que aquilo que sempre discutimos aqui – ou melhor, monologámos – tem um fundo de verdade. Querem mais um dado? Prometo que é o último. Nos últimos vinte anos, houve onze campeões brasileiros. Sabem quantos houve em Inglaterra, Espanha e Itália? Apenas cinco em cada um deles. Sei que estes dados podem não convencer os mais céticos. Isto também não significa que o Brasileirão seja o melhor campeonato de futebol do mundo. Mas é um alento para quem o segue e uma chama que cativa os que ainda não acreditam nele.

Foto de capa: Facebook do Cruzeiro

Sporting de Braga: A luta pelos primeiros quatro lugares vai ser dura

futebol nacional cabeçalho

Quem olha para o plantel do Sporting de Braga desta época pode tirar uma conclusão imediata: tem soluções mais do que suficientes para se assumir como favorito a um dos lugares de acesso às competições europeias.

Depois de uma temporada atribulada, com dois treinadores (Jesualdo Ferreira e Jorge Paixão), uma eliminação humilhante na Liga Europa, às mãos do Pandurii da Roménia, e o nono lugar alcançado no campeonato, António Salvador decidiu apostar em Sérgio Conceição para o comando técnico. Conceição conseguiu alguns reforços que têm sido importantes na manobra da equipa nesta época, como o guarda redes Matheus, André Pinto, Tiago Gomes, Danilo ou Pedro Tiba. Cerca de metade das primeiras escolhas do novo técnico são caras novas em relação à temporada passada.

O objetivo assumido pelos “arsenalistas” é terminar entre os primeiros quatro lugares da tabela classificativa. Além disso, o clube quer fazer boas prestações nas taças internas, de onde foi eliminado na época passada nas meias-finais, em ambas as competições, pelo Rio Ave.

A época tem sido, até agora, bastante intermitente. Os bracarenses são muito fortes em casa, onde ganharam todos os jogos disputados, frente a Boavista, Estoril, Rio Ave, Benfica e Gil Vicente para a Liga, com o triunfo sobre o Alcains, para a Taça de Portugal, pelo meio. Em sentido contrário, encontramos o desempenho fora de portas. A primeira vitória dos bracarenses longe do Estádio AXA foi para a Taça de Portugal, frente ao Vitória de Guimarães. Antes disso, encontramos empates frente ao Moreirense, Nacional da Madeira e Académica, e duas derrotas, em Arouca e no Dragão. A primeira vitória para a Liga longe do AXA foi apenas neste fim de semana, por 6-1, no terreno do frágil Penafiel.

Apesar do arranque de contrastes, os bracarenses encontram-se no 4.º lugar do campeonato, ou seja, dentro daquilo que estava pensado pela estrutura liderada por António Salvador.

Pedro Tiba tem sido um jogador nuclear na manobra bracarense <br> Fonte: Facebook do Vitória de Guimarães
Pedro Tiba tem sido um jogador nuclear na manobra bracarense
Fonte: Facebook do Vitória de Guimarães

Voltando ao plantel, penso que, se excluirmos os três grandes, é o melhor da Liga. Existe qualidade e também várias soluções, principalmente a nível atacante. Uma equipa que tem extremos como Felipe Pardo, Rafa, Salvador Agra, Sami, Pedro Santos ou o experiente Alan não se pode queixar a este nível. Pardo e Rafa são os jogadores mais utilizados no apoio ao ponta-de-lança. Para a posição mais ofensiva, o Braga tem duas soluções que já fizeram o gosto ao pé nesta temporada: Éder já apontou cinco golos entre campeonato e Taça, enquanto Zé Luís já fez balançar as redes adversárias por três vezes.

No setor mais recuado, houve mais mexidas em relação à época passada. Na baliza, Matheus assumiu o lugar que pertencia ao internacional português Eduardo. Contudo, alguns problemas burocráticos no início da época impediram o brasileiro de jogar, e aí foi o russo Kritciuk a assumir a baliza. Na memória dos adeptos bracarenses e também dos benfiquistas, devem estar as defesas milagrosas que Matheus fez no confronto em casa frente às “águias”. À sua frente, o quarteto mais utilizado tem sido Baiano na direita, Tiago Gomes na esquerda e Aderlan Santos e André Pinto como centrais. O defesa esquerdo vindo do Estoril até já se estreou pela seleção nacional, no último particular com a Argentina. Como alternativas para os corredores laterais, já foram utilizados Marcelo Goiano e Djavan, dois atletas que Sérgio Conceição já tinha orientado na Académica em 2013/14. Vincent Sasso é a terceira opção para o eixo defensivo. Não é pela defesa que o Braga tem falhado. Nos 13 jogos disputados nesta época, apenas num deles os bracarenses sofreram mais do que um golo.

Quanto a mim, o problema do Sporting de Braga está no meio-campo. Danilo e Pedro Tiba têm-se revelado excelentes opções, dois jogadores que sabem defender e atacar, têm garra e muita disponibilidade física nos vários momentos do jogo. Só que o terceiro elemento da tríade do miolo do terreno, Ruben Micael, não é uma boa solução. O madeirense tem feito pouco em campo e passa muito tempo alheado do jogo. Vejo-o mais tempo a discutir com os árbitros do que a mostrar os atributos que, um dia, até levaram o FC Porto a contratá-lo. Por isso, acho que o Sporting de Braga tem de arranjar outras soluções para o meio-campo. E vai ter de o fazer no mercado de janeiro. Se não vejamos: se não forem Rafa ou o capitão Alan a derivarem para o centro do campo, não há nenhum jogador que possa desempenhar o papel que devia ser cumprido por Ruben Micael. Retirando o trio habitual, as outras soluções são apenas Custódio e Luiz Carlos, jogadores mais talhados para ações defensivas. Se houver lesões ou castigos nesta zona do campo, Sérgio Conceição terá muitas dores de cabeça.

Os minhotos têm sido intransponíves em casa e, caso melhorem o desempenho fora de portas, têm todas as condições para alcançarem os objetivos delineados para esta temporada. Para já, prosseguem na Taça de Portugal e estão nos quatro primeiros lugares do campeonato.

Sébastien Corchia: a locomotiva do Lille

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cab ligue 1 liga francesa

O futebol francês é um excelente exportador de laterais de qualidade. Nos últimos anos assistimos ao surgimento de grandes laterais no campeonato gaulês. Nestes nomes entram Patrice Evra, Eric Abidal, Clichy ou Bacary Sagna. Os dois primeiros estão seguramente na curva descendente da carreira, contudo na Ligue 1 já surgem novos valores que prometem manter a França como um dos países com melhores soluções para as laterais.

Apesar de menos reconhecido e valorizado do que Kurzawa ou Digne, existe um jogador que não passa despercebido ao olhar atento. Trata-se de Corchia. O lateral polivalente do Lille é um dos bons valores da Ligue 1 e tem tido uma constante evolução em termos da qualidade do seu jogo. O jovem francês foi constante presença e peça chave nos escalões de sub-19 e sub-21 da seleção francesa, tendo chegado mesmo a capitão. Na época passada deu seriamente nas vistas ao serviço do Sochaux e tornou-se um dos ativos mais apetecíveis do campeonato francês. Para isso contribuíram os 36 jogos que fez pelo Sochaux e os cinco golos e cinco assistências que conseguiu. O Lille foi o clube que assegurou a contratação do lateral, que pode atuar tanto no lado esquerdo como no lado direito.

Corchia é um lateral de grande propensão ofensiva Fonte: Facebook de Sébastien Corchia
Corchia é um lateral de grande propensão ofensiva
Fonte: Facebook de Sébastien Corchia

Corchia é um lateral de grande pendor ofensivo e por vezes atua como extremo (algo que tem sido frequente nesta temporada). Para essa propensão ofensiva contribuem uma capacidade técnica acima da média e os bons cruzamentos que saem do seu pé direito. O lateral é uma autêntica locomotiva pelos corredores, bem ao estilo da escola francesa, bate bem livres e tem uma capacidade concretizadora assinalável para um lateral.

Além disso, Sébastien desarma bem e tem um grande pulmão, o que lhe permite também garantir que o corredor onde atua fique sempre guardado. No Lille leva já 18 jogos feitos, somando um golo e uma assistência. Em Inglaterra começam a surgir rumores de que Wenger está de olho no jovem de 24 anos e que pode estar a pensar levá-lo para o Arsenal. Quem sabe se no futuro se tornará mais um dos sucessos do técnico francês, como foram Sagna ou Clichy?

Foto de Capa: Facebook do LOSC Lille

Podcast “Bola na Rede” – Portugueses na Champions, Dortmund no fundo

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No 82.º podcast do Bola na Rede podes ouvir a análise à prestação europeia dos três grandes portugueses, o comentário relativo à última jornada do campeonato, a reflexão sobre o mau momento do Borussia de Dortmund na Bundesliga e muito mais.

Com Mário Cagica Oliveira na moderação e Francisco Manuel Reis (FCP), Francisco Vaz Miranda (SLB) e João Almeida Rosa (SCP).

 

Para ouvirem os restantes podcasts, podem seguir para este link.

À procura da mina de ouro

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

A maior preocupação, hoje mais do que nunca, dos clubes de futebol parece ser a sua sobrevivência e sustentabilidade. Podemos deprimir ou festejar com os resultados desportivos mas nada está acima da sobrevivência. As conquistas desportivas são a ponta de um iceberg que engloba uma grande variedade de gente, estratégias e dinheiro para alcançar o objectivo máximo no desporto.

Ora, face à crise existente, há uma necessidade crescente de procura de financiamento para que os clubes continuem a crescer e a obter bons resultados. Os bancos – vítimas (ou não) da crise também – já não têm a torneira aberta para os clubes se financiarem como querem e mesmo os patrocínios já não caem do céu. Veja-se que o Porto está à procura de patrocinador já que a PT deixará de ser seu sponsor em 2015.

A solução parece, então, ser criativo, procurar gatos pretos escondidos e tentar o que estiver ao alcance para ir buscar dinheiro onde houver.

Depois da polémica dos fundos (que eu defendi num texto anterior) parece que chegou algum consenso ao futebol português. Pinto da Costa apoiou recentemente a legalização das apostas desportivas, assumindo a mesma posição que o Sporting. Um mercado que gere milhões de euros e que podia representar uma nova fonte de receita para os clubes, não só vindas de Portugal mas também do resto do mundo, já que está “à distância de um clique”.

destaque
Brahimi venceu o prémio de jogador africano do ano, atribuído pela BBC
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Também de diplomacia se faz o futebol. Uma comitiva portista deslocou-se até Angola para firmar um acordo entre a formação Dragon Force e a Academia de Futebol de Angola (AFA). No Brasil e na Colômbia já se tinham acordado projectos similares. Estas academias são uma “embaixada” do clube, expandido-o, abrindo os horizontes e procurando novas formas de encontrar jovens jogadores, mas principalmente de fortalecer a marca FC Porto. Desde camisolas a patrocínios ou digressões por estes países, tudo serve para que o clube fique mais sólido financeiramente e assim possa investir em grandes jogadores que lhe possam garantir títulos. Com as conquistas nacionais e internacionais aumentar-se-á ainda mais a projecção do clube e assim temos um ciclo completo em que nenhuma parte pode sobreviver sem a outra.

O FC Porto também se tem movimentado melhor nas redes sociais e está mais diplomata do que nunca; basta ver a quantidade de fãs colombianos, brasileiros, argelinos, entre outros, que, devido aos craques e às conquistas, nos seguem. E não sendo adeptos de coração, são certamente uma mais-valia para os dragões que se querem cada vez maiores e mais ganhadores. Acredito que este é o caminho a seguir e que os resultados aparecerão – afinal, sendo um clube de coração bairrista, a nossa mente sempre esteve voltada para glórias maiores do que o nosso país.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

A merda e a morte saíram à rua

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camisolasberrantes

Creio que não terei abordado este tema mais do que duas ou três vezes na minha vida, e somente junto de amigos também eles apaixonados pel’O Desporto Rei. Raramente senti essa necessidade, se bem que ao longo dos anos fui testemunha de não tão poucas desnecessárias e lamentáveis situações do tipo. Como sou adepto de futebol e não de pancada – apesar da minha discreta paixão por pugilismo – nunca vi, a bem dizer, necessidade para adereçar o tópico pelos cornos, como se faz (ou deveria fazer) junto desses bípedes bois que povoam e poluem as arenas onde os “olés” só se ouvem ao trocar de rins de um ingénuo defesa. Fá-lo-ei, contudo. Não por fanatismo taurino – longe de mim –, mas por paixão futebolística.

Não conspurquem, se favor fizerem, o amor que nosso é. Tenham a generosidade, se não vos pesar, de respeitar a entrega de todos nós. Queiram, compreendendo aqui os vossos (des)humanos limites, dignificar este mundo de fantasia e devaneio conjunto que tanto nos une e nos separa. Envergonhem-se, se vergonha na cara tiverem, de tingir de negro a encarnada camisola que orgulhosamente nos veste, pensando nós, seres mortais e passageiros, que somos nós que a vestimos. Porque se vos pesa nos ombros, é porque é feita para pesar. É feita das aventuras e desventuras de homens e mulheres todos eles humanos como nós, mas perpétuos nas suas acções junto de um símbolo que nos acolheu. Porque se o Benfica nada é sem nós, nós nada somos sem o Benfica.

Como acordarias amanhã, irmão encarnado, se te soubesses afastado do teu clube para todo o sempre? Como tomarias tu o teu café sabendo que contribuíste para o inimaginável desaparecimento desta mística que só é nossa se dignidade mostrarmos para tal? Com ou sem açúcar?

Quero que se lixem as claques. Quero que se lixe o tipo que ao meu lado grita contra a péssima tomada de decisão do Salvio. Quero que se lixe o Jorge Jesus e o quarto árbitro que juntos compõem uma desnecessária sinfonia sobre a falta que ficou por marcar sobre o Enzo. Quero que se lixe o gordo rico que nem liga à bola mas que vai para o camarote comer do bom e do melhor enquanto manda umas bojardas sobre o período de seca do Lima. Quero que se lixe a caixa, o incêndio no topo norte, a bola de golfe, a galinha e a pedrada na auto-estrada. Quero que se lixe a PSP. Quero que se lixe o Steward que acabou de levar com uma bola na cabeça por estar sempre de costas para o campo. É bem feita.

Eu quero é ver o futebol bonito. Eu quero é saber do Benfica. Eu quero é ir à bola. Mamar umas jolas com os amigos, gozar com o bigode do bêbedo com idade para ser meu avô, comer uns couratos dignos de me tornarem completamente repugnante aos olhos do sexo feminino e ver o Jonas a matar-me as saudades do sacana do Cardozo. O resto não é futebol. Não é festa. Não é fim-de-semana. Não é para relembrar. Não vale a pena partilhar com o doente do meu amigo Xico. Não serve para convidar o meu amigo Nuno a quebrar o jejum de Luz. Não justifica o estoirar de dinheiro a que lá convenço o meu amigo Mário. Nem o chorrilho de desesperadas, mas naquele-momento-bonitas asneiras do meu amigo Moreira.

Os confrontos de Coimbra são tudo o que não queremos no futebol Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Os confrontos de Coimbra são tudo o que não queremos no futebol
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Porque amanhã tudo desaparece. Amanhã tudo se esquece. Mais vale viver grande para que grande se possa morrer. Porque só grande se honra este privilégio de poder partilhar o mesmo espaço temporal, sensorial e outras coisas que tal com uma instituição que é mais temerosa do que qualquer cadeira arremessada no Estádio Cidade de Coimbra.

Estas pessoas que não temem estes actos são pessoas que não temem o Benfica. Que não o respeitam. Que não o enxergam. São pessoas que não o compreendem. São pessoas que não fazem falta. Que digam que é cagar sentenças. A mim pouco me importa. Porque isto não é dizer que o meu benfiquismo é melhor do que o vosso. Não. Isto é somente dizer que nem eu nem o Benfica precisamos desse vosso benfiquismo digno de petardos, tiro ao alvo ou agressões policiais. São só mais do mesmo. E mais do mesmo fere e mata. O Corunha que o diga.

Paz à sua alma, já agora.

Foto de Capa: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica