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Jogadores que Admiro #5 – Zinedine Zidane

jogadoresqueadmiroA minha admiração por este grande senhor chamado Zinedine Zidane vem de muito novo, provavelmente por ter jogado numa altura em que abri os olhos para o mundo do futebol. Ora bem, tinha eu os meus nove/dez anos quando comecei a ver futebol com olhos de ver. Foi também nesta altura que surgiu o Real Madrid dos Galácticos.

Porque não idolatrar Luís Figo, a grande estrela portuguesa do Real? Porque mal comecei a ver futebol, houve um jogador que me fascinou. Modestamente conhecido como Zizou, o Franco-Argelino transpirava classe num meio campo de sonho. Era o grande motor do Real Madrid e o seu toque de bola era genial. Desde as suas tão conhecidas roletas de Marselha até às grandes recepções, Zidane era um prodígio, com um talento inalcançável.

Zinedine Zidane, acompanhado pela Bola de Ouro e pelo troféu do Europeu 2000 / Fonte: afootballblog
Zinedine Zidane, acompanhado pela Bola de Ouro e pelo troféu do Europeu 2000 / Fonte: afootballblog

Quem não se lembra do seu golo na final contra o Bayer Leverkusen? Um remate de primeira à meia volta com o pé esquerdo e em cheio no ângulo. Que golo! Foi a isso que ele nos habituou, a momentos destes. Pura magia em dois pés que levaram a França a patamares estratosféricos, desde um Europeu em 2000 até uma final do Mundial em 2006 (onde anda a França agora? Resta saber se não será hoje afastada do Mundial de 2014).

O seu final de carreira foi algo ingrato (cabeçada a Materazzi) e, hoje em dia, não considero que demonstre, com as suas atitudes no Real Madrid (num cargo diretivo), a classe de outros tempos. Mas o que ficou dentro de campo foi algo inesquecível.

Zidane fez a minha infância, encheu-me os olhos de brilho e leva-me a querer o máximo de um verdadeiro número 10. Agora, não quero um médio ofensivo que faça bons passes ou bons remates, quero um maestro, um jogador de topo, quero um jogador que leve uma equipa às costas e transborde classe enquanto passa, remata e finta. A culpa é de quem? Provavelmente, do Zizou, que tão mal me habituou. Foram anos a vê-lo e anos a adorá-lo.

Hoje, só resta recordar e, quem sabe, esperar que os seus filhos tenham herdado um terço dos genes do pai (talvez possam deixar de parte a careca). Se assim for, teremos estrelas na certa e o resto cabe ao Real Madrid saber aproveitá-los.

O Mundo a seus pés

cab hoquei

Está a ser um grande início de época para o Benfica a nível internacional e ontem isso foi confirmado. Depois de ter perdido os primeiros pontos no campeonato no terreno do sempre difícil Turquel, num jogo electrizante, em que só nos segundos finais o Benfica conseguiu alcançar o empate a 3 golos, o campeão europeu deslocou-se a Torres Novas para conquistar o único troféu que ainda não tinha no seu palmarés: a Taça Intercontinental. A única equipa portuguesa a conquistá-lo foi o Óquei de Barcelos, em 1992. Este troféu opõe o campeão europeu ao campeão sul-americano, que este ano foi o Sport Recife.

O Benfica apresentava-se como o grande favorito à conquista. O Sport Recife é uma equipa amadora, que joga num campeonato pouco competitivo disputado por apenas 7 equipas. O resultado (10-3) demonstra essa grande diferença. Mas os brasileiros conseguiram dar um ar de sua graça. Depois de o Benfica ter ido para o intervalo a ganhar 5-0, um resultado que mostra o quão dominador estava a ser, e depois de várias bolas ao poste da baliza dos brasileiros no início da segunda parte, o Sport Recife chegou a ameaçar. Conseguiu reduzir para 5-2, e depois para 6-3, e conquistou vários livres e grandes penalidades que só não foram concretizadas pela grande exibição do guarda-redes benfiquista, Guillem Trabal.

O espanhol foi uma das figuras do jogo pelas grandes defesas que fez. Apesar destes momentos de susto criados pelo Recife, bastava o Benfica apertar para mostrar que era superior. Abalado pela recuperação que os brasileiros alcançaram, o Benfica meteu o pé no acelerador, mostrou por que é o campeão europeu, e só acabou nos 10 golos. Uma grande tarde de hóquei, com um público fantástico. O Sport Recife, apesar do resultado pesado, sai de cabeça erguida. As diferenças entre as equipas foram, desde o início do jogo, notórias, mas o campeão sul-americano não baixou nunca os braços e
conseguiu, por momentos, assustar o Benfica.

Tem sido uma grande época a nível europeu para os encarnados, sem dúvida a melhor de sempre a este nível. Depois de conquistar a Europa, o Benfica tem agora o Mundo a seus pés.

1994, ano da fundação

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benficaabenfica

1904/Ano da fundação/Nasceu o clube do meu coraç… Então, No Name? Essa matemática está a atraiçoar-vos. Confundiram o 9 com o 0, não foi? O Benfica foi fundado em 1994, pela mão do malandro do Manuel Damásio. No auge da corrupção e obscuridade do futebol português, este Presidente conseguiu um campeonato nacional logo no ano de estreia do clube e uma Taça de Portugal no ano seguinte. Nada mau para um clube recém-criado, que veio substituir o saudoso Sport Lisboa e Benfica e parece até assemelhar-se a uma espécie de mito urbano. Ficou enterrado há dezanove anos e deixou as suas memórias, glórias e golos apenas e só para quem o viu e sentiu no sangue e na pele. Hoje apenas podemos admirar e imaginar como era esse clube por VHS. Desde então, no Benfica, não mais se viu jogadores portugueses aos molhos, pilares de estádios a tremer ou assembleias-gerais a terminar à pancada pela única causa que unia aquelas gentes: o Sport Lisboa e Benfica.

Voltemos, pois, ao Benfica. Manuel Damásio despediu Toni (primeiro treinador campeão pelo Benfica), foi buscar Artur Jorge e uns sujeitos que se dizia serem jogadores de futebol e começou aí a enterrar o Benfica. Acabou também com as redes que separavam as bancadas do relvado na antiga Luz e mandou construir um fosso. Mas o principal fosso que criou foi entre o Benfica e os adeptos do Sport Lisboa e Benfica. 1997 foi o ano de entrada do pior Presidente da história do Benfica, João Vale e Azevedo. Foi o primeiro vendedor de sonhos demagogos num Benfica podre. Burlão por natureza (Jonathan Vale e Azevedo nas burlas para inglês ver), esgotou as finanças do Benfica até ao mais ínfimo cêntimo entre negócios ruinosos, pedidos de esmola na televisão e Rojas e Bossios no relvado.

2003 (apago Manuel Vilarinho como fez o salvador Vieira) chega e aparece o herói Luís Filipe Vieira. Quando chegou, só havia as pedras da calçada e diz-se que o novo Estádio da Luz é sua obra. O despedimento de Fernando Santos foi apenas uma pedra no caminho que Vieira chutou para fora à primeira jornada. Dez anos se passaram com este Presidente, que conseguiu um invejável palmarés a nível futebolístico, senão vejamos a incrível conquista de dois (!) campeonatos nacionais e uma Taça de Portugal neste período. Comparado com a pior década da história do clube temos então, pela mão do herói Vieira, mais um título. Honrosos números, vergonhosos se comparados com o Sport Lisboa e Benfica. A propaganda vierística deixa as culpas dos não-títulos para o sistema, esse bicho com o qual Presidente compactua ao apoiar ex-portistas para a Liga e Federação. O Sport Betão e Benfica, os jogadores emprestados às ligas mais competitivas do mundo (Dubai Soccer League, é assim?), o endividamento gigantesco não passam de argumentos bacocos utilizados por quem deve querer voltar ao tempo do Vale e Azevedo. Luís Filipe Vieira não marca golos, lembremo-nos sempre disto, e não tem culpa de coisa alguma.

Luís Filipe Vieira em amena cavaqueira com Pinto da Costa Fonte: noticias-do-futebol.com
Luís Filipe Vieira em amena cavaqueira com Pinto da Costa
Fonte: noticias-do-futebol.com

Toda a gente sabe que há uns anos eu era um homem de confiança de Pinto da Costa
Só tem culpa disto.

Bola de Ouro para Ribéry? Mas está tudo louco?!

internacional cabeçalho

Escrevo-vos cansado. Muito cansado. São tantas as barbaridades que têm sido ditas e escritas ao longo dos últimos tempos, que nem sei bem por onde começar. Talvez esta frase sirva para começar a descarregar frustrações: “A minha mulher já arranjou espaço para a Bola de Ouro: na sala, junto à lareira. Já tratou de tudo”. A frase pertence a Franck Ribéry, jogador francês esse que se considera apto e, imagine-se, o principal favorito a vencer o principal galardão atribuído pela FIFA ao melhor jogador do mundo do ano. Repito: ao MELHOR jogador do mundo do ano. Não é à melhor equipa, nem ao jogador que ganhou mais troféus. Fui claro? Talvez ainda não.
De facto, se o prémio valorizasse o bom humor ou as declarações mais desvirtuadas, aí sim, eu daria o prémio a Ribéry. Aquela frase, bem como o facto de ainda haver gente que acha que ele deveria ser o vencedor, faz-me pensar se não estaremos todos aqui a brincar com este tipo de coisas e se este prémio, de facto, não deve ser levado a sério. E as recentes atitudes de Blatter e companhia levam-me a acreditar que talvez a FIFA nem esteja muito preocupada com o real valor que todos poderão dar a este prémio.

Os candidatos à Bola de Ouro. Ronaldo sempre caricaturado como o suposto "mau da fita"
Os candidatos à Bola de Ouro. Ronaldo, como já vem sendo hábito, é caricaturado como o suposto “mau da fita”

Se formos sérios, Ribéry talvez até nem esteja no top3 mundial. De forma muito honesta, se pensarmos nos melhores do ano, a escolha só pode recair em dois nomes: Cristiano Ronaldo ou Messi. Nos últimos 5 anos, a escolha não pode, nunca, ir para outro nome. Na atualidade, se quisermos olhar à qualidade/estatísticas individuais dos melhores do mundo, temos sempre Ronaldo e Messi à frente. Depois há um fosso grande (para não dizer enorme) para os restantes. E nessa secção dos “restantes” há, para além de Ribéry, Iniesta, Robben, Neymar, Bale, Xavi ou Ibrahimovic. E o sueco, na minha opinião, até foi superior ao jogador francês neste ano.

Mas aí estaremos sempre a falar do terceiro melhor do ano. Nenhum jogador do mundo está próximo da valia e preponderância de Messi e Ronaldo. E em relação aos 2, a discussão é a mesma de sempre. E não se vão encontrar grandes consensos. Eu mantenho a minha posição de que o que Ronaldo fez este ano justifica a Bola de Ouro. Não tem cabimento que Messi tenha 4 e o português apenas uma. Não é justo para um jogador que já entrou para a história do futebol internacional e que faz uma temporada assombrosa como esta. Se ainda restar um pingo de decência aos órgãos da FIFA, que o demonstrem agora. Faça-se justiça! Aqui estamos a eleger o melhor do mundo neste ano. Não é o prémio para o jogador que fez parte da melhor equipa do ano. Nem para o que é, segundo muitos, “geneticamente” o melhor. É para aquele que foi estatisticamente o melhor. Sejamos sérios, senhores na FIFA. Uma vez na vida. Ele merece reviver este momento:

Ronaldo venceu a Bola de Ouro em 2008 Fonte: http://www.radionova.fm/
Ronaldo venceu a Bola de Ouro em 2008
Fonte: radionova.fm

Bem-vindos ao mundo encantado dos Dérbis

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cab futsal

O Benfica ganhou o dérbi frente ao Sporting. O Benfica ganhou o dérbi frente ao Sporting.
Respirem… Eu sei que já se passou uma semana mas não consegui ouvir falar de outra coisa que não isto mesmo nos últimos tempos. Pode parecer que a primeira frase está repetida, mas as pessoas mais atentas sabem que não está. O que aconteceu na realidade foi a repetição do desfecho, primeiro na luz e depois no pavilhão Paz e Amizade em Loures, em que o Benfica ganhou.

Mas há diferenças nas duas vitórias. Primeiro porque eu estava na luz e quando eu estou no estádio os jogadores sentem e sabem que não podem perder. Eu posso jurar que o Cardozo me mandou uma mensagem a perguntar se eu ia ao estádio para informar o Jesus se estava em condições de jogar ou não. Reparem que ele a festejar cada um dos 3 golos olhou para mim e agradeceu-me: “muchas gracias pedrito, perdona yo estava un millimetro fuera-de-juego” – vocês sabem que o Cardozo é um rapaz que gosta de estar sempre em jogo e quando acontecem situações destas ele é sempre a mesma coisa e vem-me logo pedir desculpas. Eu perdooei-o na hora “Oh Óscar não te preocupes que eles têm o Montero e compreendem a tua situação” – mentira, não compreendem nada.

Cardozo a mostrar que sabe contar até 3 http://copy.pnn.pt/noticias_imagens/cardozo7.jpg
Cardozo a mostrar que sabe contar até 3
Fonte: pnn.pt

Engraçado que nesse mesmo jogo o Patrício volta a fazer das suas, esse Patrício sempre a dar-me razões para escrever! Contra Israel achei de mau tom, acho que foi mal educado com os colegas de equipa, estava farto de saber que jogava com os de vermelho e não com os de branco. Ele finalmente percebeu! Para bem da selecção nacional e para bem de todos os benfiquistas ele agora já não se engana, joga sempre com os que estão de vermelho e assim não há stresses.
Para mim a maior diferença entre um dérbi e o outro foi mesmo o tempo. Os sportinguistas bem que se podem queixar do tempo nos dérbis, se o jogo da luz tivesse só 40 minutos (duração de uma partida de futsal) tinham empatado 1-1. E agora a coisa chata de admitir… E se o jogo no pavilhão Paz e Amizade tivesse 120 minutos provavelmente tinha ganho o Sporting.

Bruno Coelho foi uma das figuras do jogo. Fonte: Slbenfica.pt
Bruno Coelho foi uma das figuras do jogo.
Fonte: Slbenfica.pt

Agora vocês perguntam “porquê?” – e perguntam porquê porque eu não tenho por hábito admitir possíveis vitórias do Sporting frente ao glorioso – porque no jogo de futsal o Benfica esteve a ganhar por 8-3 a minutos do fim, e o jogo acaba 8-7 com os jogadores do meu clube de cabeça baixa com cara de quem está com prisão de ventre. Não duvidem, bastava mais um minuto ou dois e uma vantagem confortável de 5 golos, 5 golos! Desmoronava-se mais depressa do que a confiança do Rui Patrício quando vê que o Cardozo joga de início (e olhem que isso é difícil).

Veia saliente nº3 da cabeça do Luisão a cabecear para o golo https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/1393710_10153456546090716_549088843_n.jpg
Veia saliente nº3 da cabeça do Luisão a cabecear para o golo
Fonte: ASF

PS: Queria só dedicar este texto à nuca do Luisão que me proporcionou o momento da noite de Sábado passado, não pelo festejo efusivo que devia ter causado mas sim pelo sentimento de confusão e gozo. Eu estava na outra ponta do estádio e não percebi nada do que se tinha passado. Hoje, uma semana depois, continuo sem perceber.

Estádio do Dragão: 10 anos virados para o Sucesso

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O Estádio do Dragão faz este sábado 10 anos de existência. Na última década, o novo palco azul e branco foi palco de inúmeras conquistas a nível nacional e internacional.

16 de Novembro de 2003: uma nova página na história do Futebol Clube do Porto começava a ser escrita. Foi naquela noite fria de outono que o Mundo pode contemplar a obra assinada pelo arquiteto Manuel Salgado. Presente no horizonte da zona oriental da cidade invicta, o Estádio do Dragão, com a sua estrutura delicada e imponente, grandiosa e envolvente, era o reflexo de um novo capítulo na história azul e branca. Com um custo de 98 milhões de euros, o Dragão potenciava-se agora como estádio de destaque a nível nacional e internacional, num espaço onde todas as comodidades estavam presentes. A poucos metros de distância, o velhinho Estádio das Antas, palco de inúmeras vitórias e emoções, deixava saudades à plateia portista.

Maria Amélia Canossa cantou o hino do clube na inauguração do Dragão Fonte: www.somosporto.org/
Maria Amélia Canossa cantou o hino do clube na inauguração do Dragão
Fonte: www.somosporto.org/

No espetáculo de inauguração do novo anfiteatro do FC Porto, Luís de Matos fez as delícias dos 52000 espetadores presentes no Dragão. Ao aparecer vindo de helicóptero a pairar nos céus do Porto, o mágico encheu a noite do Dragão com inúmeras surpresas. Como anfitriões, os portistas, que haviam vencido a Taça UEFA na época anterior ao leme de José Mourinho, recebiam o FC Barcelona, que neste jogo via estrear aquela que é já uma das maiores figuras de sempre do futebol mundial: Lionel Messi. Com golos de Derlei e Hugo Almeida, o FC Porto conseguia a primeira de muitas vitórias na sua nova casa. Dez anos depois, o Estádio do Dragão tornou-se uma autêntica fortaleza para os azuis e brancos, que já conquistaram entretanto diversos títulos a nível nacional e internacional, entre os quais 8 campeonatos nacionais, 1 Liga dos Campeões, 1 Liga Europa e 1 Taça Intercontinental.
De Mourinho a Villas Boas, passando por Jesualdo e Vitor Pereira, foram vários os protagonistas da “cadeira de sonho” do Dragão, como lhe chamava o agora técnico do Tottenham. Hulk e Falcao, João Moutinho, Lucho, Deco ou Vítor Baía, todos os protagonistas destes 10 anos de Dragão tiveram em comum um verbo: ganhar. De facto, o Estádio do Dragão tornou-se um salão de festas para os portistas.

O golo de Kelvin aos 92' na penúltima jornada do último campeonato foi um dos momentos mais marcantes do anfiteatro azul e branco Fonte: http://showdebola.pt/
O golo de Kelvin aos 92′ na penúltima jornada do último campeonato foi um dos momentos mais marcantes do anfiteatro azul e branco
Fonte: http://showdebola.pt/

Nas páginas do livro do novo palco de emoções portistas, as vitórias como as frente ao Manchester United, em Fevereiro de 2004 (1ª mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões que o FCP ganhou nesse ano); ao Benfica por 5-0, em Novembro de 2010; ao Villareal por 5-1, nas meias-finais da Liga Europa em 2010-2011, e o 2-1 em Maio passado, frente ao Benfica, na penúltima jornada do campeonato, com o célebre golo de Kelvin são apenas palavras soltas de um enorme texto pintado a azul e branco e rubricado com o selo do Dragão. 10 anos mais tarde, o Estádio tem agora uma nova companhia, o museu do Futebol Clube do Porto, onde a família azul e branca pode contemplar a história daquele que já é o clube português com mais títulos conquistados. Por entre concertos dos Coldplay, Muse e Rolling Stones, e jogadas de estrelas como Messi e Cristiano Ronaldo, o Dragão é sinónimo de conquistas, de vitórias e de emoções. Em poucas palavras, o Dragão tem sido sinónimo de FC Porto.

Futebol português à Valenciano

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A equipa do Valência é uma das três equipas da Liga Espanhola que tem no seu plantel três jogadores de nacionalidade portuguesa. As restantes são o Real Madrid – Cristiano Ronaldo, Pepe e Fábio Coentrão – e o Sevilla – Beto, Diogo Figueiras e Daniel Carriço. O conjunto português instalado em Valência é composto por Ricardo Costa, João Pereira e Hélder Postiga. Se a estes três jogadores somarmos os brasileiros Jonas e Diego Alves, é seguro afirmar que o português é a segunda língua mais falada nos balneários do Mestalla. De facto, em termos percentuais, o “português” perfaz 21,7% contra os 65,1% do “espanhol” (divididos entre jogadores de origem espanhola, mexicana, colombiana e argentina).

Se é verdade que o impacto português em Valência é, então, bastante significativo, é de igual forma verdade que o consulado lusitano não tem convencido os espanhóis. A equipa do Valência tem feito um início de época muito abaixo das expectativas, somando resultados negativos e exibições paupérrimas. Todo o plantel, e principalmente o treinador, Miroslav Djukic, tem sido alvo dos protestos dos adeptos valencianos.

João Pereira tenta parar Messi Fonte: zimbio.com
João Pereira tenta parar Messi
Fonte: zimbio.com

Neste momento, os “Los Ché”, como são conhecidos em Espanha, ocupam a 9a posição da tabela com 17 pontos, a 20 (!) pontos do líder Barcelona. Aquele que é, para mim e para muitos outros, o terceiro grande clube espanhol – depois de Real Madrid e Barcelona – tem perdido espaço para um fantástico Atlético de Madrid, que consolida ano após ano a sua posição no pódio. O Valência conta com 23 títulos no seu currículo: entre eles, seis campeonatos de Espanha (o último em 2003/2004), sete Copas Del Rey, uma Liga Europa, duas Supertaças Europeias e uma Taça das Taças. Não é, como podem ver, um clube qualquer.

Ainda assim, o Valência tem todas as condições para atingir os lugares europeus e fazer uma época positiva. Afinal, ainda vamos em novembro. O que preocupa os adeptos, e inclusive a comunicação social espanhola, é o futebol pobre, inconstante e melancólico que o Valência pratica. O 4-2-3-1 escolhido por Djukic como base de jogo demonstra clara ineficácia. O Valência não consegue criar situações de perigo ofensivas num volume razoável e os dois pivôs defensivos não auferem solidez na retaguarda – para não dizer que a utilização do duplo pivô é altamente criticável no futebol moderno -, como prova a média de 1,59 golos sofridos por jogo.

Postiga tem tido dificuldade em acertar com as redes adversárias Fonte: media.miamiherald.com
Postiga tem tido dificuldade em acertar com as redes adversárias
Fonte: media.miamiherald.com

As alas não exibem a profundidade desejada e o jogo move-se instintivamente para um meio-campo com problemas em arquitetar o futebol ofensivo.
Esporadicamente, principalmente nos jogos europeus, o Valência demonstra a sua qualidade e os jogadores, motivados pelo palco internacional, conseguem mascarar a falta de dinâmica que já é característica. Mas é preciso mais, o Valência merece mais.

Os jogadores lusos, que até foram titulares na jornada inaugural frente ao Málaga, têm perdido espaço no onze base composto por Djukic. João Pereira entrou de início no lado direito da defesa em 11 jogos dos 17 realizados pelo Valência, mas tem perdido nas recentes partidas o estatuto de titular para o espanhol Antonio Barragán. Quanto a Hélder Postiga, o avançado português tarda em demonstrar a qualidade exibida no Zaragoza. Em 902 minutos de jogo – distribuídos por 14 jogos – soma apenas três golos. Muito, muito pouco para uma equipa como o Valência. Também ele, à imagem do seu compatriota João Pereira, tem perdido espaço nas escolhas do treinador sérvio.

Ricardo Costa é o único português em Valência com razões para sorrir Fonte: antena3.com
Ricardo Costa é o único português em Valência com razões para sorrir
Fonte: antena3.com

Por fim, o defesa português Ricardo Costa foi titular em 14 partidas e soma uns notáveis quatro golos (mais um do que Postiga). Contrariando a tendência, o internacional português tem sido o grande destaque da equipa valenciana, efetuando excelentes exibições, com uma entrega total ao jogo. Os adeptos Ché já por diversas vezes demonstraram respeito e admiração pelo defesa português e Ricardo Costa tem feito por merecê-los, diga-se.
Numa altura em que a nossa seleção disputa o Play-Off de acesso ao Mundial de 2014, no Brasil, que futuro podem ambicionar os três portugueses “valencianos”?! Se querem estar presentes no Brasil (caso a seleção consiga o seu objetivo), João Pereira e Hélder Postiga têm imperativamente de melhorar as suas prestações individuais. Caso contrário – e acreditando que não existem lugares cativos na Seleção Nacional – o destino brasileiro pode perfeitamente mudar do Maracanã para as apelativas praias cariocas.

O ano em que a Europa se vergou aos pés do leão

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milnovezeroseis

O ano de 1964 ficará, até à eternidade, marcado indelevelmente na história do Sporting Clube de Portugal. O clube de Alvalade escreveu uma das bonitas páginas da sua história. Por entre goleadas, reviravoltas e golos memoráveis, o Sporting deu-se a conhecer à Europa do futebol. E de que maneira.

A Taça das Taças até começou de forma hostil para o leão. Os italianos do Atalanta bateram o Sporting por 2-0 na primeira eliminatória da competição. Os verdes e brancos viram-se na eminência de virar o resultado a seu favor na segunda mão. E não faltaram à chamada. No jogo em Alvalade venceram por 3-1, levando o jogo para um terceiro e último jogo, a realizar no campo adversário. À época ainda não vigorava o sistema dos “golos fora” pelo que o critério de desempate era, necessariamente, uma terceira partida. Em terreno italiano o Sporting levou de vencida a equipa da casa por 3-1 após prolongamento. A primeira batalha estava vencida e o resultado era motivo de esperança reforçada!

A equipa em Alvalade com a Taça das Taças Fonte: http://ma-schamba.com/2010/04/
A equipa em Alvalade com a Taça das Taças
Fonte: http://ma-schamba.com/2010/04/

A ronda subsequente da Taça das Taças 63/64 trouxe ao reino do leão a glória eterna. O jogo do dia 13 de Novembro de 1964 marcou (e marca) a história de um clube. No primeiro jogo, o Sporting Clube de Portugal venceu, em Alvalade, os cipriotas do Apoel por uns clarividentes 16-1 (!), o que ainda hoje constitui um recorde nas competições europeias. Mascarenhas foi o herói da partida ao marcar 6 golos. Na passada quarta-feira comemoraram-se os 50 anos da efeméride, razão pela qual decidi dedicar a crónica a este resultado e, na generalidade, à conquista da Taça das Taças. Após um resultado tão dilatado, o segundo jogo da eliminatória de pouco serviu. Ainda assim, a turma de Alvalade culminou a passagem aos quartos-de-final com uma vitória por 2-0.

O Manchester United de Bobby Charlton e George Best dificilmente deixará de figurar no lote das melhores equipas de futebol de todos os tempos. Juntos, praticavam um futebol de alto quilate. Foi precisamente o temível United da década de 60 que o Sporting enfrentou em Fevereiro de 64. No final do primeiro jogo o destino parecia irreversivelmente traçado. O Manchester United passaria à próxima fase. Nada fazia prever que, após uma derrota por 4-1, o Sporting Clube de Portugal teria o discernimento necessário para protagonizar a reviravolta. Mas a verdade é que a 18 de Março os leões rubricaram uma exibição com contornos de epopeia. Osvaldo Silva marcou 3 dos 5 golos. João Morais e Géo Carvalho fixaram o resultado em 5-0! O todo-poderoso Manchester United caíra aos pés do leão que passava à fase seguinte em grande estilo.

A hora das decisões estava em marcha. O Lyon era o último obstáculo até chegar à tão ansiada final. À semelhança da eliminatória contra o Atalanta, o Sporting necessitou de “ir à negra” para levar de vencida os franceses. Após dois empates a zero e a um golo, Osvaldo Silva voltou a ser o Ulisses dos verdes e brancos. Sem nada o fazer prever, o Sporting alcançara a final da Taça das Taças, no primeiro ano em que participava na competição. Um feito incrível.

“O Cantinho do Morais que não esquece mais!”

Para a generalidade dos amantes de futebol os húngaros do MTK são uma equipa desconhecida. Contudo, na década de 60 o clube de Budapeste atingiu a final da Taça das Taças, à semelhança do Sporting. O primeiro jogo realizou-se em Bruxelas, exactamente meio ano depois dos 16-1 ao Apoel. O resultado final apontou um empate a três bolas, que levou o Sporting a disputar a finalíssima. Na distante Antuérpia fez-se magia. À passagem do minuto 19, João Morais colocou a bola na marca do pontapé de canto e desferiu um remate directo à baliza húngara. O Sporting aguentou a vantagem e, no final, levantou a Taça! O feito de Morais colocou o mundo do leão em apoteose. À chegada a Lisboa, os jogadores leoninos ergueram a taça com orgulho, ao som dos aplausos e “vivas” dos adeptos.

A Taça das Taças constitui o maior feito da história leonina. Praticamente 50 anos volvidos, o Sporting ainda bebe o sabor da vitória de Antuérpia. Em cada jogo eletrizante recordo-me das grandes vitórias a que assisti. Contudo, relego constantemente a conquista da Taça das Taças para segundo plano. Injustamente. Desta forma, decidi fazer, no espaço do Bola na Rede que me é dedicado, a justa homenagem aos heróis de 64. Viva o Sporting!

Desmistificar o problema

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Topo Sul

No futebol actual os lances de bola paradas são cada vez mais decisivos para a construção de um bom resultado e, por isso, algo com que qualquer treinador se preocupa em trabalhar nos treinos. Hoje em dia é raro assistir a um jogo em que as equipas não criam perigo através de cantos, livres, lançamentos laterais e, muitas das vezes, esses mesmos lances são traduzidos em golo.

Quando falamos em bolas paradas entende-se que nos referimos aos lances defensivos e ofensivos. Para qualquer uma das variantes as equipas despendem muito tempo e dedicação, dadas as exigências do futebol contemporâneo. Para algumas formações, essas situações são mesmo o seu “abono de família”, a sua especialidade, a forma de criar mais perigo. Sobretudo as equipas ditas pequenas recorrem a este tipo de lances para disfarçar as suas debilidades técnicas e assustar os adversários tidos, na teoria e muitas vezes na prática, como mais fortes e com melhores recursos. Nós, Benfica, como equipa grande e respeitada que somos, estamos constantemente a defrontar adversários desse calibre e, desse modo, estamos sujeitos a que, todas as vezes em que tivermos um lance de bola parada contra, a bola seja colocada na nossa área. Tal pressupõe-se que seja um mau prenúncio para a nós, mas durante algum tempo não foi esse o caso.

Desde que chegou ao Benfica, em 2009, Jorge Jesus tratou de implementar um modelo defensivo de bolas paradas assente na marcação à zona. Em cada livre ou canto os jogadores constroem uma espécie de linha à frente do guarda-redes e esperam que a bola venha para a atacarem. Não há qualquer marcação individual. Nem aos jogadores mais perigosos do adversário nesse tipo de lances. Este sistema parecia adequar-se à equipa encarnada, que sempre conta com jogadores altos e fortes no jogo aéreo. Matic, Garay, Cardozo, Luisão, em tempos Javi Garcia ou Emerson, são unidades que garantem consistência nesse tipo de lances e, até há pouco tempo, os lances de bola parada não eram algo que nos causasse grandes problemas. Contudo, essa toada foi-se alterando e atingiu o seu ponto mais negativo naquele lance na final da Liga Europa que nos tirou a possibilidade de conquistar um prestigiado troféu. No caso, Ivanovic , jogador do Chelsea, salta sozinho na área e cabeceia para oferecer a competição à sua equipa. A partir desse lance inicia-se uma história negra para o Benfica, no que a lances de bola paradas diz respeito. Não sei se esse lance nos tirou toda a confiança e capacidade que sempre tivemos, mas é certo que desde então têm-se cometido erros atrás de erros nesse tipo de lances. Normalmente quando se erra na nossa área é-se punido da forma mais severa no futebol, sofre-se com golo.

Golo do jogador do Olympiakos, Kostas Manolas, ao Benfica Fonte: Record
Golo do jogador do Olympiakos, Kostas Manolas, ao Benfica
Fonte: Record

Nesta temporada, que ainda nem vai a meio, sofremos quinze golos, contabilizando todas as condições, sendo que mais de um quarto desses mesmos sofridos através de lances de bola parada. Dá que pensar, de facto. Se vos disser que esses golos nos valeram um empate em casa para o campeonato (jogo com Belenenses) duas derrotas na Liga dos Campeões (PSG e Olympiakos, este último de carácter absolutamente decisivo) e um valente susto frente ao Sporting para a taça, mais se acentua a necessidade de reflexão e de…mudança. A situação é tão anormal e ridiculamente evidente que se impõe a alteração no modelo a adoptar. Eu tenho uma sugestão, mister. Chama-se modelo de marcação misto e utilizado por clubes em todo mundo, muitos deles de top mundial. O método é simples (à partida) de efectuar e adequa-se aos nossos jogadores. Passa por criar um bloco coeso de três ou quatro jogadores que não marcam ninguém, sendo que os restantes elementos marcam individualmente os adversários mais fortes no jogo aéreo. É um método equilibrado que pode garantir maior eficiência na defesa destes lances, não só porque as unidades mais perigosas estão bloqueadas, como se mantém aquela muralha à frente do guarda-redes, que, estando de frente para o lance, tem clara vantagem em atacar a bola sobre o avançado e afastar o perigo.

Espero, então, que, para bem da nossa equipa, Jorge Jesus reflicta e repense no modelo que utiliza. Ele, de cognome “mestre da táctica”, tem certamente recursos e alternativas suficientes para solucionar este problema e, por isso, confio nas suas capacidades para o fazer. E que remédio. É o que temos e parece não estar para vir mais nenhum.

Este gajo é campeão do mundo e eu ando pra’qui

cab desportos motorizados

O nome Marc Márquez diz-vos alguma coisa? Não? Então fiquem a saber que este espanhol de 20 anos se tornou no domingo o mais jovem campeão do mundo de MotoGP e o primeiro em 35 anos a conseguir ser campeão no ano de estreia. Só o americano Kenny Roberts, em 1978, ao volante de uma Yamaha, alcançou o mesmo feito que o catalão – isto em mais de 60 anos de competição.

Foi uma temporada de sonho para Márquez, que venceu 6 das 18 provas da temporada. O jovem de 20 anos terminou com quatro pontos de vantagem sobre o também espanhol Jorge Lozenzo, campeão de 2010 e 2012. O piloto da Honda tem portanto um futuro brilhante pela frente, tal como já era previsto, ou não fosse ele o vencedor do Moto2 do ano passado e o vencedor do Moto3 (na altura ainda era conhecido por mundial de 125cc) em 2010.

Marqéz após o titulo http://ca.oakley.com/sports/motogp/posts/4079
Marquéz após o titulo
Fonte: ca.oakley.com/sports/motogp

Esta temporada fica ainda marcada pelo facto de os três campeões do mundo serem espanhóis. No Moto2, o campeão foi Pol Espargaró – curiosamente mais velho que o campeão do mundo de MotoGP, já que tem 22 anos – e Maverick Viñales (18 anos) venceu o Moto3. A Espanha tem definitivamente o maior viveiro de motociclistas do mundo.

Por falar em Moto3, o nosso único representante ao mais alto nível na categoria principal de motocilismo terminou a temporada no sexto posto. Miguel Oliveira, que este ano se mudou para a Mahindra, já testou a nova moto da equipa indiana para a próxima temporada. Espero que seja finalmente um ano que corra bem ao Miguel pois é um grande piloto, como os seus resultados no campeonato espanhol e europeu de 125cc mostram.

Miguel Oliveira no seu único pódio desta temporada. http://www.mid-day.com/sports/2013/oct/141013-teen-miguel-oliveira-rides-into-history.htm
Miguel Oliveira no seu único pódio desta temporada.
Fonte: mid-day.com/sports

Voltando ao título deste texto, esta vitória faz-me ficar a pensar em algo do género: “este gajo com 20 anos é campeão do mundo, eu com 20 ando aqui a brincar aos jornalistas”. São coisas como esta que me fazem pensar que tenho de começar a arranjar uma vida. Dia 23 de março começa mais uma temporada do MotoGP, com a ausência, novamente, do GP de Portugal.