Em Nápoles vivem-se dias conturbados. Depois da quezília entre o presidente e os jogadores, Carlo Ancelotti acabou por ser a principal vítima. O técnico de 60 anos, que por exemplo, já foi campeão da Europa por três ocasiões e campeão nacional de Itália, França, Alemanha e Inglaterra, foi afastado do comando técnico dos Azzurri após carimbar a qualificação para os oitavos de final da Liga dos Campeões.
Apesar do sucesso europeu, o SSC Napoli atravessava e ainda atravessa grandes dificuldades na Serie A italiana, estando sem vencer há 8 jornadas consecutivas, algo que seria impensável no arranque da temporada.
Com este contexto, parece certo que o afastamento de Ancelotti esteja mais relacionado com o facto de este ter tomado posição ao lado dos jogadores e não do presidente, De Laurentis.
Polémicas e novela à parte, a realidade é que Gennaro Gattuso, o Rino, é o novo treinador da formação napolitana. Os napolitanos habituaram-nos a jogar um futebol ofensivo, atrativo e criativo, ora não tivessem Insigne, Mertens, Zielinski ou Fabián Ruiz no plantel. No entanto, a escolha em Gattuso, não deixa de surpreender.
Na época passada conseguiu um segundo lugar na serie A Fonte: Napoli
Estamos a falar de um treinador que treina como jogava. Ou seja, gosta da equipa organizada, agressiva e com uma entrega elevada ao jogo. Como jogador, raramente pisava o último terço do campo, mas como treinador tem uma mentalidade ofensiva. Gosta que a equipa pressione alto e recupere a bola longe da sua baliza, sendo também credível, que vejamos o “seu” Napoli mais sofisticado e com mais qualidade, em relação ao “seu” AC Milan, devido à maior capacidade dos jogadores napolitanos.
Na primeira amostra deu-se um desastre. Derrota caseira com o Parma Calcio, num jogo que deu para ver o que Gattuso quer da sua equipa: uma equipa ofensiva, que procure recuperar a bola rapidamente e chegar à baliza o mais depressa possível. A principal mudança registada de Ancelotti para Gattuso, foi o sistema de jogo. O 4-4-2 do SSC Napoli, passou para um 4-3-3 com Gattuso, recuperando um pouco as ideias de Sarri, com Milik, numa excelente forma, a fazer cair Mertens para o banco na posição “9”.
Os próximos três jogos vão ser de extrema importância para Gattuso, sendo que as partidas com o FC Inter Milão e a SS Lázio serão de vitória obrigatória, caso queiram chegar aos lugares de “Champions”.
A época acabou, mas as análises não. Numa época hegemónica para a Mercedes, a verdade é que não podemos, de todo, descartar os pilotos das outras equipas, em que, em alguns casos, até conseguem ter mais destaque que os próprios campeões.
Sendo assim, desta vez, a redação de Fórmula 1 do Bola na Rede traz uma seleção dos melhores dez pilotos da época, que, positivamente, se destacaram e tiveram ênfase nesta temporada de 2019.
Real Madrid CF, FC Barcelona, Liverpool FC, Juventus FC e Bayern de Munique são os colossos europeus que vão dominando o futebol da Europa e da Liga dos Campeões. Atualmente, podemos juntar a estes Borussia Dortmund, Paris Saint-Germain FC, o Club Atlético de Madrid e também o Manchester City FC.
Mesmo sem o poderio destes clubes, o Sport Lisboa e Benfica não se pode recolher. A grandeza do clube, a sua dimensão e a sua história são impulsos para que os encarnados possam e devam disputar os jogos com os colossos anteriormente referidos.
Nos últimos 10 anos, vimos vários clubes intrometerem-se entre os papões da Europa: AFC Ajax, O. Lyon, AS Roma, Tottenham Hotspur FC, AS Monaco FC e até o FCG Schalke 04.
A ambição europeia de um clube não pode somente reflectir-se nos sonhos dos adeptos ou na vontade dos jogadores durante os 90 minutos. É algo que tem de fazer parte da política de um clube, desde o primeiro minuto da pré-temporada até ao primeiro minuto da pré-temporada seguinte.
O Sport Lisboa e Benfica vive, hoje, alheado da sua própria ambição e por isso não consegue competir com os bons clubes da Liga dos Campeões. E é assim que surge a Liga Europa – um novo universo, um novo contexto, mas uma mesma ambição. Esta é uma competição mais à medida do actual Benfica. São quatro eliminatórias até à final; são oito jogos até à decisão em Gdansk, na Polónia.
O regresso de Rafa de lesão, em 2020, pode ser fundamental para as aspirações europeias das águias Fonte: Bola na Rede
Eintracht Frankfurt, FC Inter de Milão, Manchester United FC, Arsenal FC, AFC Ajax, FC Shakhtar Donetsk, AS Roma e Bayer 04 Leverkusen são os principais concorrentes do SL Benfica à conquista da Liga Europa.
Não será nunca fácil, mas é um desafio mais à altura da realidade do clube, que parecer começar a estabilizar o seu futebol e um 11 inicial; agora, com a equipa finalmente a jogar mais confortável com bola, sem a pressão adicional de disputar a Liga dos Campeões, contra equipas de qualidade, mas com menor motivação, e com a possibilidade de se fazer um acerto ou outro no mercado de inverno. O Sport Lisboa e Benfica tem aqui a oportunidade de se reorganizar e relançar numa boa campanha europeia.
O primeiro jogo será com o FC Shakhtar Donetsk, o todo poderoso ucraniano, liderado por Luís Castro e que já há muitos anos ganha “caparro” nestas competições e apresenta um futebol dinâmico, atractivo e de ataque. É nesta eliminatória que a equipa de Bruno Lage terá de provar que não só está na Liga Europa para a vencer, como tem futebol para isso.
Um Benfica em campo com a dinâmica e qualidade de bola que lhe oferecem Grimaldo, Pizzi, Chiquinho, Taarabt e Rafa é uma equipa capaz de encontrar caminhos para o golo em qualquer jogo desta Liga Europa.
Espero em 2020 ver o Benfica em mais uma final europeia. Acredito que tem tudo para alcançar, pelo menos, as meias-finais, mostrando competitividade europeia. O próximo jogo é de extrema importância e é nele que se deposita a definição de onde pode ou não chegar esta equipa. A Liga Europa é a hipótese de o Sport Lisboa e Benfica ser Sport Lisboa e Benfica.
A posição de lateral sofreu evolução ao longo dos anos, tendo também aumentado o seu nível de complexidade. Primeiro, porque as regras mudaram, o que torna a agressividade mais limitada, segundo porque devido à evolução do futebol, o extremo tradicional está em extinção. Olhemos para o caso da Premier League, em que os supostos extremos são Salah, Mané, Sterling, Bernardo Silva e marcam praticamente todos mais de 15 golos por época. O conceito está a mudar e o lateral tem uma função diferente de momento.
O lateral da atualidade destaca-se pela qualidade ofensiva e pelo jogo interior, no entanto seria importante não desvalorizar o que faz um lateral a nível defensivo, tendo em conta a velocidade do jogo e principalmente as características dos melhores extremos. Cafú e Roberto Carlos tiveram uma influência gigante nesta posição e mudaram a forma como ela é vista, por serem demasiado ofensivos e triunfarem no futebol mundial.
Na atualidade, é possível que os dois revolucionem o futebol, embora essa resposta só consiga ser dada daqui a uns anos. Alexander-Arnold e Andy Robertson são fruto do trabalho de Klopp, que os desenvolveu e tornou-os completos em quase todos os aspetos.
Guardiola pode também considerar-se um inovador neste sentido, quando surpreendeu o mundo e posicionou os laterais no meio-campo, quando treinava o Bayern de Munique e mais tarde o Manchester City. Essa tática tinha como função ajudar na construção e prevenir um eventual contra-ataque perigoso do adversário.
Saiba quais são os melhores laterais direitos a desempenhar determinadas funções.
Dez rondas e trinta corridas. Foi assim o segundo ano da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA. Em 2019, Gabriele Tarquini iria defender o título conquistado em 2018 com o Hyundai i30 N TCR. 2019 também foi o regresso de Tiago Monteiro, a tempo inteiro, à competição, a bordo de um Honda Civic Type R da KCMG.
Tiago Monteiro continua na Honda em 2019. Desta vez com a equipa de Hong Kong da KCMG Fonte: Honda Racing WTCR
Uma das grandes novidades para 2019 era a entrada do grupo sueco-chinês Lynk & Co. A Cyan Racing, equipa que esteve com a Volvo no WTCC, fazia parte da parceria, por isso Thed Bjork voltava ao carro azul. Yvan Muller e o seu sobrinho Yann Ehrlacher também faziam parte da formação de quatro carros. Finalmente, a marca trouxe de volta à Taça do Mundo o experiente piloto britânico, três vezes campeão do WTCC e uma do ETCC, Andy Priaulx.
O campeão voltou. Priaulx já venceu por três vezes consecutivas o WTCC, num BMW 320si Fonte: FIA WTCR
Johan Kristoffersson também era um dos atrativos para esta temporada. O bicampeão do mundo de ralicross pilotou em 2019 um Volkswagen Golf GTI TCR da Sébastien Loeb Racing.
Com as apresentações mais importantes feitas, vamos ao resumo da temporada, que começou nas ruas de Marrocos. Três corridas e três vencedores diferentes, Esteban Guerrieri, Gabriele Tarquini e Thed Bjork, garantiram vitórias para a Honda, Hyundai e Lynk & Co, respetivamente.
Com uma grelha grande, na qual o máximo de carros possível eram 32, a ronda da Hungria mostrou que havia mais pilotos a querer vencer. Néstor Girolami, companheiro de equipa de Guerrieri no Honda da ALL-INK.COM Munnich Motorsport venceu as duas primeiras corridas, com Tarquini a arrecadar a vitória na terceira corrida, mas era Thed Bjork, que com a conjugação de resultados da primeira ronda e desta segunda ronda, continuava na frente do campeonato.
Só na terceira ronda, na Eslováquia, é que o sueco da Lynk & Co foi destronado, e aí os Honda da Munnich e ambos os argentinos passaram para a liderança do campeonato. Mas o grande destaque da terceira ronda foi a primeira vitória dos Alfa Romeo Giulietta TCR na Taça do Mundo, pelas mãos do chinês Ma Qing Hua.
Ma deu a primeira vitória à Romeo Ferraris no WTCR Fonte: FIA WTCR
Em Zandvoort, Guerrieri assumia a liderança do campeonato, com a vitória na segunda corrida do fim de semana, na qual Thed Bjork saiu com duas vitórias, num circuito muito difícil para os carros de turismo. Aqui, o ‘caldo’ entornou um pouco. O Balance of Performance a que os carros do WTCR são sujeitos parece não ter sido do agrado de todos.
Segundo avançou o site touringcartime.com, várias equipas estiveram prestes a não ir para a pista, caso não fosse feita uma mudança no BoP. Em cima da mesa estava a última mudança efetuada, que tinha aumentado o peso dos Lynk & Co em 10kg, mas aumentando a potência para os 100%, ao contrário dos 97.5%. Esta mudança deu frutos na qualificação em Zandvoort, mas com o descontentamento das equipas a ser mostrado para as corridas o BoP foi alterado para o que existia nas rondas anteriores, dos carros chineses.
Da ‘pequena’ pista de Zandvoort passamos para o “Inferno Verde” que é Nurburgring Nordschleife. Aqui, as corridas são feitas no circuito grande e histórico e foram os carros ‘da casa’ que estiveram em destaque. Os Volkswagen de Kristoffersson e Benjamin Leuchter venceram as duas corridas, enquanto Norbert Michelisz triunfava pela primeira vez em 2019 com o Hyundai i30 N TCR.
Jota não é nome de craque. É nome de jogador de futebol de rua. João Filipe não é nome de estrela. É nome de adepto. Jota e João Filipe são o número 73 do Benfica e um dos jogadores mais promissores do Seixal.
25 de Fevereiro de 2019. Aos 82 minutos de um Benfica vs Chaves, quando os de Lisboa já vencem por 3-0, Bruno Lage promove a estreia de mais um miúdo da formação: Jota. Entra, rotulado de craque, apontado como o próximo João Félix, para o lugar de alguém que já é prata da casa: Pizzi. Uma estreia com peso, simbólica, e que certamente recordará para a vida toda. E, ou muito me engano, ou os benfiquistas também.
10 meses volvidos, Jota ainda não se afirmou na equipa principal. Vai jogando uns minutinhos, aqui e acolá, em posições tão diferentes como a de segundo avançado, extremo esquerdo ou extremo direito. Sempre que entra, trata a bola como ninguém. Trata-a por tu, mima-a, encanta, tem pormenores que enchem o olho. Mas o golo tardava em aparecer. Parecia que a bola não queria entrar, por uma qualquer teimosia divina, para desespero dos adeptos, mas sobretudo para o de Jota.
Porque Jota, o futebolista de rua, cheio de truques, classe e magia, é, antes de ser jogador, um adepto, o que faz com que entre em campo com o manto sagrado a pesar-lhe aos ombros. Porque a maioria, joga por um clube que não é o seu e limita-se a fazer o que sabe melhor e a divertir-se; mas Jota, entra para se divertir, fazer o que mais gosta e no fim apontar para o símbolo que carrega sobre o coração, o que faz dele um jogador diferente de todos os outros.
Jota tenta ganhar espaço no plantel do SL Benfica Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Fazem falta jogadores assim a todos os clubes, que joguem com amor à camisola, dispostos a deixar uma perna em campo, mas fazem ainda mais falta Jotas ao Benfica, jogadores que sintam a grandeza do Benfica, “que nos campos a vibrar sejam papoilas saltitantes”. Jogadores que marcam e apontam para o emblema. Foi por isso que tardou o golo de Jota, foi por isso que a bola saiu por cima ou ao lado, ou não fez o arco necessário, ou saiu demasiado fraca. Porque jogar difere e muito de jogar com amor à camisola.
E essa pressão desviou os remates de Jota para fora do alvo e aos poucos tornou-o num jogador nervoso, precipitado, demasiado ansioso por acertar na baliza. Isso fez os adeptos desconfiarem dele. Felizmente, ele nunca desconfiou de si. E numa noite triste na Covilhã, enquanto os benfiquistas roíam as unhas ao ver os minutos a passar e o Benfica a perder com os “Leões da Serra”, Jota respirou fundo, parou de pensar nos golos que ainda não tinha marcado e como num jogo de rua chutou, sem pensar, e quando a bola entrou, vi ali o sorriso e os olhos brilhantes de quem acabou de viver o dia mais feliz da sua vida e pôde finalmente apontar para o símbolo do seu clube de coração.
Está lá tudo: cabeça com juízo, pés mágicos, classe, técnica, amor à camisola, dedicação. O que falta ainda? Minutos e carinho. Tudo o resto já lá mora. É assim que nasce uma estrela.
Nesta quarta-feira, o Sport Lisboa e Benfica recebeu no Estádio da Luz o Sporting Clube de Braga para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Jogo grande da eliminatória, que trouxe à memória dos benfiquistas o jogo de há precisamente cinco anos, no qual o SC Braga se deslocou à Luz, na mesma competição e eliminatória, para derrotar o SL Benfica por 2-1.
A equipa de Bruno Lage chegou a este jogo num grande momento, depois de ter realizado de forma consecutiva as três melhores exibições da época – muito fruto da equipa ter estabilizado um 11 no qual se enfatiza a posse de bola e a criatividade no centro do terreno.
Já o SC Braga chegou à Luz depois de uma derrota em casa com o FC Paços de Ferreira. Os guerreiros do Minho ainda procuram uma identidade e vão variando entre a fortíssima equipa europeia e a tremida equipa nacional. Uma das curiosidades para este jogo era perceber se, perante a exigência do duelo, a equipa de Sá Pinto iria claudicar nos ares de Portugal ou superar-se perante um adversário de nível europeu.
Os encarnados da Luz subiram ao relvado exactamente com o mesmo 11 dos últimos jogos, sendo a única excepção a titularidade de Zlobin na baliza. Já os arsenalistas apareceram com uma equipa bastante ofensiva, contando no ataque com Wilson Eduardo, Trincão, Ricardo Horta, Rui Fonte e também Fransérgio.
O jogo começou muito aberto e veloz, o que até beneficiou o estilo de jogo do Sporting de Braga. Com espaço para explorar as alas, a equipa minhota foi criando aproximações à baliza de Zlobin e obrigando o Benfica a voltar ao futebol de há uns jogos atrás, também muito na base de transições.
E foi nesse contexto de um jogo mais propício aos bracarenses que a equipa visitante chegou à vantagem: cruzamento da esquerda de Sequeira, que acabou por ser encostado por um infortúnio de Ferro.
Aos 14 minutos, o SC Braga adiantava-se no marcador, mas rapidamente as águias começaram a mudar a história do jogo. A equipa encarnada começou a conseguir pressionar mais alto, começou a condicionar a saída de bola dos minhotos e também começou a ter mais bola nos pés, favorecendo assim o futebol do tridente Taarabt, Chiquinho e Pizzi.
Foram só precisos seis minutos para, após um amortecimento de bola de Vinícius, Pizzi conseguir abrir a defesa arsenalista e, de fora da área, colocar a bola no fundo da baliza.
Com o jogo empatado, continuou-se a ver muitas corridas mas cada vez menos lances de bom futebol. A equipa de Lage conseguiu condicionar ainda mais os jogadores adversários, conseguiu ter mais bola e rondar com maior perigo a área de Tiago Sá, mas nem de um lado nem do outro surgiram continuados bons momentos de futebol.
O SC Braga pecou pela constante procura da profundidade e lateralização do jogo, tendo na área um jogador de apoios como Rui Fonte, preso no jogo aéreo entre Ferro e Rúben Dias.
O jogo foi empatado para o intervalo, com o Benfica a ser a melhor equipa em campo mas sem nunca conseguir impor totalmente o seu futebol.
Carlos Vinícius apontou o seu 17º golo da temporada Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
A segunda-parte começou, sim, à Benfica. Com mais bola, com melhor qualidade de transporte e com uma pressão alta a anular o adversário e a colocar a equipa constantemente nas redondezas da grande área bracarense.
Os encarnados impunham o seu jogo e com naturalidade chegaram ao golo: finalização de Vinícius e erro grave de Tiago Sá, a deixar o esférico passar.
A superioridade encarnada durou mais uns cinco ou dez minutos, que foi o tempo que levou para a equipa recuar no terreno. Bruno Lage optou, ou deixou, que os jogadores recuassem no terreno e dessem bola e iniciativa de jogo ao Braga, e assim o Benfica começou a fazer não só um jogo de equipa não-grande, como principalmente um jogo que a equipa não sabe praticar.
Os bracarenses tiveram bola durante quase 30 minutos, mas sem critério, não apresentando criatividade no centro. Todo o jogo minhoto estava virado para a esquerda, a explorar as subidas de Sequeira, baseando-se na procura, sem sucesso, da linha para o cruzamento. Paulinho e Fonte na área, Horta na esquerda, Trincão encostado à direita e só Novais a tentar fazer algo com a bola.
Assim, e depois de uma entrada muito forte no segundo tempo, os encarnados decidiram convidar o Braga para o empate, mas a equipa de Sá Pinto simplesmente não soube como lá chegar. Um SL Benfica-SC Braga que muito prometia, que nos mostrou muita correria e muita luta, mas que, no fim, teve pouca qualidade técnica. Venham os quartos-de-final.
Milhões de pessoas esperavam ansiosamente por este duelo, considerado por muitos como o clássico dos clássicos, o melhor jogo do mundo. No acerto de calendário, FC Barcelona e Real Madrid CF protagonizaram um jogo com muitos picos de emoção mas não foram além de um nulo no marcador.
Coreografia fantástica, ambiente frenético e um excelente jogo em perspetiva. Estavam reunidos todos os ingredientes para que começasse o “El Clásico”. Contudo, não se pode dizer que tenha começado da melhor forma para a formação da casa, sempre muito limitada na construção perante uma grande pressão ofensiva do adversário.
Nesse sentido, a primeira meia hora foi totalmente dominada pelo Real, que criou a primeira oportunidade numa excelente combinação entre Isco e Benzema. Pouco depois foi Casemiro a estar perto de inaugurar o marcador em Camp Nou: primeiro num cabeceamento salvo em cima da linha por Piqué, depois num remate potente de fora da área a obrigar Ter Stegen a trabalhar.
Não, não é mentira. O Barcelona chegou mesmo a estar remetido ao seu meio campo como há muito não se via, com sérias dificuldades nos processos de transição. De tal modo que a primeira ocasião de perigo na baliza contrária surgiu apenas à passagem da meia hora de jogo, com Sergio Ramos a salvar um golo cantado de Lionel Messi.
A fluidez do futebol apresentado pela equipa de Zidane (com Isco em destaque) ameaçava mas faltava concretizar, algo que Valverde tentou por duas vezes com dois remates de primeira e de fora da área. Do outro lado, só Jordi Alba ameaçou, mas o remate nem sequer levou a direção da baliza.
Griezmann esteve uns furos abaixos do expectável no ‘El Clásico’ Fonte: FC Barcelona
A segunda parte em nada de assemelhou à primeira, não que os papéis se tenham invertido, mas sim porque o jogo equilibrou, o ritmo baixou e isso refletiu-se nas poucas oportunidades criadas.
Foi preciso esperar até sensivelmente a meio do segundo tempo para aparecerem verdadeiras ocasiões. De um lado, Bale a atirar à malha lateral na conclusão de uma transição bem desenhada – ele que ainda viu um golo ser-lhe anulado por fora de jogo de Mendy na jogada. Do outro, De Jong a testar as luvas de Courtois (colocado à prova pela primeira vez!).
O jogo encaminhar-se-ia para o fim sem mais nada de relevante a apontar e, 17 anos depois, um clássico em Camp Nou voltaria a terminar sem golos. Culés e merengues continuam, assim, na liderança da liga espanhola, com 36 pontos. É caso para dizer: eles não se largam…
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
Barcelona: Ter Stegen, Jordi Alba, Lenglet, Piqué, Nélson Semedo (Vidal, 55’), Rakitic, Sergio Roberto, De Jong, Griezmann (Fati, 81’), Messi e Suárez
Real Madrid: Courtois, Mendy, Sergio Ramos, Varane, Carvajal, Casemiro, Valverde (Modric, 80’), Kroos, Isco (Rodrygo, 80’), Bale e Benzema.
Enceto a narrativa evidenciando o desejo pessoal de querer (mas nunca ter conseguido) entender o porquê de alguém se enervar com a facilidade com que o ser humano contrai as pálpebras. Creio que ninguém se dá ao trabalho de teatralizar discussões fugazes ou de interpretar cada sketch no qual o John Cleese, em Monty Phyton Flying Circus, é subjugado pelo acionar dos botões responsáveis pelos compartimentos que enfurecem uma pessoa ao ponto de a fazer expelir saliva em quantidades abruptas.
O famoso vídeo do comentador desportivo do Futebol Clube do Porto, na TVI24, Manuel Serrão, é aqui citado, embora numa componente distinta: “Diga-me uma, uma, diga-me uma pessoa que resida no globo que nunca tivesse sofrido de raiva momentânea, diga-me uma, uma!” (suplico pelo perdão do leitor dado não estar apto a reproduzir os brados histéricos e o “acidente cardiovascular” aquando do momento que colocou Portugal a rir à gargalhada). Factual e eticamente, o português comum age mal: nos momentos em que a raiva o doma, considera que a razão o suporta, independentemente da argumentação; quando se vê defronte de uma pessoa enraivecida por algo, considera anormal a sua atitude e reclama pela razão de igual forma.
Sou o único adepto que revê Marcos Acuña nos termos e condições do primeiro exemplo? Ou estarei num estado de alucinação avançado?
O internacional argentino não tem somente os nervos à flor da pele: reuniu as agruras, as desilusões e as tristezas que ocorreram até então na sua vida e, em várias exibições, libertou-as como de um brado de revolta se tratasse, de uma repetição do grito do Ipiranga efetuado em Zapala, na data do seu nascimento. Qualquer decisão do árbitro responsável por determinada partida culmina em protestos sucessivos, em satisfações solicitadas insistentemente e em ameaças implícitas que fulminam o adversário e o amedrontam para o decorrer do jogo. Imaginar alguém fora de si defronte do médio verde e branco e, este último manter uma postura correta, constitui um cenário repleto de utopia.
Ano após ano, Acuña é sempre um dos mais regulares e imprescindíveis no onze leonino Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
A equipa ressente-se frequentemente pelo borbulhar incessante do espírito sul-americano. Os períodos de incandescência alternam entre o fervilhar brando e impetuoso. O adversário aproveita a chama acesa e, munido do gasóleo característico dos vocábulos, incendeia o rastilho até à explosão. Não é necessário inteligência ou astúcia, basta coragem para iniciar uma picardia que, na grande maioria das vezes, surte o efeito desejado.
Apesar de adepto e de querer, maioritariamente, o sucesso desportivo do Sporting Clube de Portugal, enalteço a minha preocupação perante o estado de saúde dos seus atletas. Preenche-me observar a disputa de cada bola com a máxima dedicação, a defesa incondicional do clube com a devoção de um eclesiástico aquando da propagação da virgindade de Maria. Incutir “receio” no adversário, antes do começo de um jogo, é a tática que alicerça um mind game antigo e, nessa prova, o nove leonino passou com total distinção. Sente o clube, respira-o e, no naufrágio, não o abandonou: deu o corpo aos ataques piratas e uma lição de humildade aos que zarparam. Só aí, já se mostra mais prestável comparativamente a quem nem com bengala se aguenta no campo. Contudo, parafraseando o provérbio, “o que é demais, é erro”!
Talvez a meditação semanal ajudasse no autocontrolo. Seria, no mínimo, engraçado que Acuña fosse a personagem zen no meio do rebuliço que aprisiona a instituição. Mas, como no Sporting não há impossíveis…
Na última quinta-feira, o FC Porto bateu o Feyenoord Rotterdam por 3-2, no Estádio do Dragão, resultado que, em conjugação com a outra partida que envolveu o BSC Young Boys e o The Rangers FC, permitiu aos dragões concluir o grupo G no 1º posto. Desta forma, os pupilos de Sérgio Conceição marcaram presença no sorteio para os 16 avos de final da competição, cujo sorteio se realizou, nesta segunda-feira, em Nyon, Suíça. Relativamente ao adversário que calhou em “sorte” aos azuis e brancos, foram os alemães do Bayer 04 Leverkusen.
Um adversário que impõe respeito, devido ao seu elenco de enormíssima qualidade, que vai exigir do FC Porto a sua melhor versão para conseguir seguir em direção aos oitavos de final. Não se pode dizer que há um favorito claro na eliminatória, visto que são dois conjuntos com experiência europeia e com aspirações legítimas na prova.
Ao contrário da equipa portuguesa, a formação germânica “caiu” da Liga dos Campeões para a Liga Europa, após ter ficado em 3º lugar num grupo com a Juventus FC, de Cristiano Ronaldo, o Club Atlético de Madrid, de João Félix, e o FC Lokomotiv de Moscovo, de João Mário e de Eder. Ou seja, o FC Porto apanhou um dos emblemas que vieram relegados da principal competição de clubes na Europa, o que significa que o sorteio não foi tão simpático como poderia ter sido.
Na Bundesliga, os “farmacêuticos”, como são conhecidos na Alemanha, ocupam, atualmente, o 7º lugar. No entanto, pode-se afirmar que é um cenário enganador e que nada se coaduna à valia do adversário dos azuis e brancos. O Bayer 04 Leverkusen é orientado pelo treinador holandês, Peter Bosz, que já teve passagens em emblemas como o Ajax FC ou o Borussia de Dortmund.
Como já foi referido, o plantel da equipa germânica integra excelentes jogadores, como são os casos de Jonathan Tah, Wendell, Charles Aranguiz, Leon Bailey, Havertz ou Kevin Volland, entre outros nomes que seriam peças cruciais em qualquer um dos “três grandes”, em Portugal. Numa análise mais profunda, Peter Bosz implementou um sistema tático assente no 4-2-3-1, tendo um onze base composto pelo finlandês, Hrádecký, na baliza, com o quarteto defensivo, na maioria das vezes, a ser Lars Bender, Jonathan Tah, Sven Bender e Wendell. Já no meio campo costuma coabitar o chileno Charles Aranguiz e Baumgartlinger, com Havertz a ocupar a posição nº10 ou de segundo avançado, em apoio a Kevin Volland, que se assume como a principal referência da equipa e que é servido pelos alas Leon Bailey e o internacional alemão, Bellarabi.
Os Dragões esperam muito apoio na deslocação à Alemanha Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Este conjunto do Bayer Leverkusen, em campo, apresenta, claramente, duas caras, já que é muito forte no momento atacante, contudo é permeável no aspeto defensivo e talvez esta vertente mais débil dos alemães justifique um pouco a sua posição no campeonato germânico, que nos últimos anos, tem sido dominado pelo FC Bayern de Munique. Extremamente perigosos a atacar, o FC Porto vai ter de encontrar uma boa maneira de não conceder espaços aos homens de Leverkusen, já que possuem atletas de grande capacidade técnica e com uma explosão admirável, que a qualquer momento poderão colocar à prova Marchesin. Embora tenham essa caraterística a ter em atenção, a verdade é que a defesa deixa algo a desejar e a formação nortenha poderá aproveitar a profundidade, caraterística dos seus avançados, para ferir o seu opositor. Outro aspeto é que, na maioria das vezes, os alemães gostam de ter o controlo da posse de bola e remeter o seu adversário ao seu meio campo, algo que não é de todo preocupante, uma vez que a equipa de Sérgio Conceição já provou conseguir adaptar-se a qualquer postura tática que a equipa contrária assim imponha durante uma partida.
Em termos individuais, há muito por onde se pegar no lado alemão, devido ao grande talento que Peter Bosz dispõe no seu grupo de trabalho, por exemplo Jonathan Tah na defesa, Leon Bailey no ataque, mas o destaque só pode ir para um, para o menino de 20 anos, Kai Havertz. Apesar da sua juventude, já é um dos destaques da equipa e é por ele que passa muito do perigo da formação de Leverkusen. Dono de uma excelente técnica individual, o internacional germânico possui também uma excelente visão de jogo e uma grande qualidade de passe, que consegue aliar com um poder de decisão incomum. Todos estes pontos referenciados fazem dele o cérebro da equipa dos “farmacêuticos” e além disso tem bastante facilidade a criar e a concretizar jogadas, por isso não é ao acaso que os “bárbaros” de Munique e outros grandes clubes da Europa, como o Manchester United, seguem atentamente o seu percurso.
Por fim, será uma partida atrativa de se ver e perspetiva-se um duelo equilibrado até ao fim. No entanto, o FC Porto num dia sim tem todas as condições para conseguir sonhar com os oitavos de final, mas vai ser crucial para o resto da eliminatória saber com que resultado vem da Alemanha. O objetivo será certamente conseguir decidir esta “batalha” no Estádio do Dragão junto da sua massa associativa, um pouco ao semelhante do que aconteceu com a AS Roma, na época passada, mas aí a contar para a Liga dos Campeões.