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A um passo da Fase de Grupos da Champions

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O SL Benfica está a apenas uma fase – e a um passo – de conseguir alcançar a Fase de Grupos da Liga dos Campeões de Voleibol, logo na primeira participação na prova. Depois de ultrapassar os bósnios do Mladost Brcko e os montenegrinos do OK Budva, os encarnados têm apenas de ultrapassar o último obstáculo, os croatas do Mladost Zagreb.

Na primeira ronda, o Benfica passou com distinção o Mladost Brcko tanto no jogo em casa como no jogo fora de portas. Os comandados de Marcel Matz venceram ambos os jogos por 3-0 sem dar muitas hipóteses aos bósnios.

A segunda ronda trouxe nova viagem ao Leste Europeu, mas desta vez a Montenegro. No primeiro jogo em Lisboa, os encarnados venceram por 3-0 e ficavam apenas a faltar vencer dois sets para marcar presença na terceira ronda. O Benfica ainda começou a perder o jogo, mas, rapidamente, tomou conta dos destinos do jogo e fechou-o por 1-3.

O Benfica vem de quatro vitórias em quatro jogos e só concedeu um set em toda a competição
Fonte: CEV

Agora, na ronda que dá acesso à fase de grupos, os comandados de Marcel Matz têm nova viagem marcada ao Leste Europeu com Zagreb (Croácia) a ser o próximo destino. As águias têm o primeiro jogo em casa e o segundo em solo croata.

O próximo adversário, o Mladost Zagreb, tem a particularidade de também vir da mesma fase do que os encarnados: a primeira ronda de qualificação. Os croatas contam com uma derrota no percurso até aqui, que pouco ou nada conta porque já tinha conquistado o lugar na fase seguinte sem precisarem da vitória.

No primeiro jogo da competição, Marcel Matz, treinador encarnado, disse que a sua equipa «não entrou para brincar». E estamos a ver isto mesmo, porque o Benfica ainda não perdeu qualquer jogo e só concedeu um set numa competição totalmente nova para os encarnados. O treinador brasileiro veio revolucionar a modalidade em Portugal e tem tudo para construir um grande legado do voleibol tanto no clube como no próprio país. Aliás, acredito que já esteja a ser feito.

Esta é uma equipa com muito potencial, que tem valor e também tudo à sua disposição para conseguir estar no lote das melhores equipas da Europa nesta competição. Resta agora ultrapassar “o bloco croata”, conseguir os “sets” necessários para estar na Fase de Grupos da Champions e continuar a escrever história na modalidade.

Foto de Capa: CEV

Breves notas de um sportinguista desatento

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Recentes compromissos profissionais têm-me afastado da atualidade leonina. Ainda assim, o Sporting tem sempre um espaço muito importante no meu coração, pelo que lá fui assimilando, por entre as muitas tarefas laborais diárias, algumas notícias do clube leonino. Farei, por isso, umas breves notas de um sportinguista desatento.

A equipa de futebol continua a apresentar exibições muito pobres. A primeira parte do último jogo diante do Belenenses SAD foi lastimável e a segunda, apesar dos golos que nos levaram à vitória, pouco mudou a fraca toada exibicional. A incapacidade em definir no último terço, a pouca ligação entre setor defensivo e ofensivo e a frouxa consistência tática da equipa estão na base das baixas performance dos Leões. Sobre este último aspeto, Silas não pode continuar a querer que a equipa mude de sistema tático de jogo para jogo ou até mesmo no mesmo jogo. A equipa precisa de olear processos e dinâmicas num sistema tático base e isso, pelo menos até agora, ainda se viu muito pouco.

Luciano Vietto esteve em evidência ao assinar os dois tentos leoninos
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Quanto às modalidades, o cenário muda para melhor. Destaco a vitória forasteira do andebol leonino sobre a equipa eslovaca do Tatran Presov na Liga dos Campeões por 37–22, num jogo onde os leões de Thierry Anti estiveram do início ao fim absolutamente indomáveis. No futsal, a vitória esmagadora por sete bolas a duas diante da formação do Braga colocou a equipa de Nuno Dias cada vez mais favorita na conquista do título nacional.

O lapso do hóquei diante do OC de Barcelos no João Rocha por quatro bolas a cinco não pode voltar a repetir-se se queremos conquistar o título de campeão nacional. A equipa de Voleibol comandada pelo brasileiro Gersinho selou mais uma vitória por três a zero numa vitória forasteira diante da formação do Viana.

Por fim, no basquetebol, tudo a rolar da melhor forma. Apesar do desaire da formação de Luís Magalhães no Pavilhão da Luz, os homens do cesto mostraram toda a sua supremacia diante do Lusitânia dos Açores, vencendo por 91-65, tendo no base norteamericano Ty Toney e no poste nigeriano Abdul-Malik Abu os grandes obreiros deste Sporting, não descurando também as prestações de elevado quilate de Francisco Amiel e do campeão nacional Travante Williams. Temos uma excelente equipa de basquetebol, para ombrear com os melhores. Força leões!

«Eusébio, Chalana e o Ronaldo, são os três melhores jogadores portugueses» – Entrevista BnR com Álvaro Magalhães (parte 1)

O Bola na Rede entrevistou Álvaro Magalhães, antigo jogador e atual treinador. Nasceu para o futebol no clube da sua terra, em Lamego, saltou para a Académica e depois fez parte das grandes equipas do Benfica nos anos 80. Internacional A por Portugal, representou o país no Europeu de 84’ e no Mundial de 86’, formando uma dupla temível com Chalana. Como treinador levou o Gil Vicente à Primeira Liga, venceu uma Taça de Portugal e um Campeonato como treinador-adjunto no Benfica, tendo sido também campeão em Angola. São histórias atrás de histórias, de um defesa incansável que chegou a ser disputado pelos três grandes.

– Infância e primeiros passos no futebol –

Bola na Rede [BnR]: Nasceste em Lamego no ano de 1961. Como é que foi a tua infância?

Álvaro Magalhães [AM]: Eu era estudante, por isso a minha vida nessa altura era praticamente estudar.

BnR: O que faziam os teus pais?

AM: O meu pai era dos comandos, era Ranger, e a minha mãe era doméstica.

BnR: Tens irmãos?

AM: Mais três, eu sou o segundo.

BnR: Quando é que começas a jogar futebol?

AM: Começo a jogar em 1974, num torneio de futebol de 5 onde fui convidado por uma equipa de estudantes. A partir daí dei nas vistas e os Cracks de Lamego convidaram-me para fazer parte da formação, comecei nos Iniciados.

BnR: Desde o início que jogaste a defesa esquerdo?

AM: Não, joguei a meio-campo sempre. Ainda fomos campeões distritais de Viseu e campeões nacionais em 1977/78.

BnR: Qual era o clube que apoiavas em miúdo?

AM: Ali naquela zona onde morava, em Lamego, na aldeia de Cambres, a malta era mais do Sporting, até havia a filial Sporting Clube de Lamego. Mas também havia benfiquistas e portistas. Nós na altura gostávamos de ver todas as equipas e apoiávamos os portugueses nas competições europeias, eu pelo menos não era adepto de um clube em específico.

– Início de Carreira na Briosa –

BnR: Começas a tua carreira como sénior na Académica. Como foi o teu processo de afirmação na equipa?

Álvaro Magalhães estreou-se como sénior na Académica
Fonte: Álvaro Magalhães

AM: Foi boa, fiz um ano de juniores muito bom. Depois acabei o campeonato de juniores em fevereiro e comecei logo a trabalhar com os seniores. Na altura já era o Juca o treinador dos seniores da Académica e esses três meses de treino deram-me um bom suporte para começar a minha época de seniores já com outra bagagem. Depois, quando entrei no primeiro ano de sénior tive a felicidade de o treinador, Pedro Gomes, ter a coragem de me lançar ao lado de grandes jogadores. Era uma equipa muito experiente, eu era o mais novo com 18 anos.

BnR: Quem era o plantel, lembras-te?

AM: Camilo, Brasfemes, Gervásio, Rui Rodrigues, Martinho, Melo, Marrafa, Eldon, Nicolau… Eram jogadores já com uma certa tarimba, com carisma.

BnR: Ficaste com muitos amigos nessa equipa?

AM: Muitos. Sou querido lá em Coimbra, de vez em quando vou lá e encontro-me com alguns deles. Aqueles com quem mais me dava e que foram grandes conselheiros são o Camilo, que infelizmente já faleceu, o Brasfemes e o Martinho. Às vezes encontro-me com eles e o meu filho até costuma jogar futebol com eles e outros ex-jogadores da Académica.

BnR: Como era a massa adepta da Académica nessa altura?

AM: Difícil, a Académica é um clube com uma mística muito própria, não é fácil. Por isso é que eu vim preparado para o Benfica, porque vinha de um clube muito exigente como a Académica, é uma responsabilidade vestir a camisola da Briosa. Claro que o Benfica é diferente mas representar a Académica não é para qualquer um. Os adeptos sentiam muito o clube e aquilo era sempre para ganhar, eles eram ganhadores natos. Mesmo no trato dentro do campo eles eram difíceis, já havia uma mística própria na Académica.

BnR: Na Briosa já eras muito polivalente?

AM: Sim. Uma vez jogámos contra o Porto e o Mário Wilson colocou-me a lateral direito porque o Costa era um jogador fortíssimo, era agressivo, e precisava de alguém com agressividade, concentrado, que conseguisse anulá-lo. O ‘Capitão’ disse na palestra que eu ia jogar ali e eu disse “Se o Mister quer que eu jogue ali, eu jogo.” E fiz um grande jogo, até me compararam com o Artur. O saudoso Artur, éramos como irmãos.

BnR: No final da época 1980/81 dá-se a tua transferência para o Benfica. O que fez com que te destacasses e chamasses a atenção de um dos grandes?

AM: O que me fez destacar foi a boa época que estava a fazer na Académica, foi uma época fantástica. Estava a ser observado por várias equipas, não era só o Benfica, mas também o FC Porto e o Sporting.

BnR: Foste disputado pelos três grandes?

AM: Sim, o Sporting até foi a primeira equipa a falar comigo. No mesmo dia em que jogámos contra o Sporting eu tive uma reunião com o Armando Biscoito.

Do Esqui ao Ciclismo: Ano de sonho para Roglic

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O ciclista esloveno vai terminar o ano em primeiro lugar do ranking UCI, após o sucesso que teve na temporada.

Primoz Roglic, natural de Trbovlje, na Eslovénia, obteve aos 30 anos o melhor ano da sua carreira. O seu percurso como ciclista conta já com 35 vitórias (etapas e classificações gerais). É um dos homens mais temidos do pelotão, de momento, muito devido ao facto de ser um dos melhores contrarrelogistas do mundo, para muitos o melhor. Conta também com uma excelente capacidade para a montanha, tornando-o num ciclista difícil de bater.

Após ter sido campeão mundial júnior em saltos de esqui em 2007, acabou por contrair uma lesão grave, o que obrigou à sua paragem. A sua longa recuperação acabou por ditar um novo rumo na sua vida, visto que em 2011 abandonou a modalidade de inverno, passando a praticar ciclismo.

Em 2013, tornou-se ciclista profissional, na principal equipa da Eslovénia, a Adria-Mobil. Obteve a sua primeira vitória como ciclista profissional na etapa dois do Tour do Azerbeijão, em 2014. No ano seguinte, voltou a ganhar precisamente a mesma etapa do Tour de Azerbeijão, onde viria a conquistar a classificação geral da competição. Juntou mais tarde, uma vitória de etapa e a geral do Tour da Eslovénia, finalizando o ano com uma vitória no Tour of Qinghai Lake.

Esta conjugação de resultados fez com que “ voasse” mais alto, transferindo-se em 2016 para a Team LottoNL-jumbo. A sua estreia a ganhar aconteceu no Giro d’Italia, onde ganhou o contrarrelógio individual. Em junho, sagrou-se campeão nacional da Eslovénia de contrarrelógio.

O ano de 2017 começou bem para o ciclista. Roglic acabou por vencer a geral individual da Volta ao Algarve, em Fevereiro. Em Espanha, venceu a etapa quatro e o contrarrelógio individual da Volta ao País Basco. Somou mais três vitórias durante o ano: o contrarrelógio do Tour da Romandia, o prólogo do Ster ZLM e a etapa dezassete da Volta a França.

O ciclista é um especialista no contrarrelógio
Fonte: Jumbo Visma

Em 2018, o ciclista somou oito vitórias: etapa três do Tirreno Adriático, contrarrelógio e geral individual da Volta ao País Basco, contrarrelógio individual do Tour da Romandia, etapa quatro, contrarrelógio e geral individual do Tour da Eslovénia e uma etapa da Volta a França.

Em 2019 atingiu o “boom” com 13 vitórias! O ciclista ganhou as primeiras três competições em que participou, com clara dominância no início do ano, sendo todas as provas integrantes da categoria WorldTour!

Começou a vencer na etapa seis do UAE Tour, tendo levado também a geral individual. Venceu a classificação geral do Tirreno Adriático. Ganhou duas etapas, o contrarrelógio individual e geral do Tour da Romandia. Triunfou nos dois contrarrelógios do Giro d’Italia, tendo acabado a prova no pódio, em terceiro lugar. Já no mês de Setembro, venceu o contrarrelógio individual e a geral da Vuelta. Acabando o ano a ganhar o Giro dell’Emilia e a Tre Valli Varesine.

Roglic já correu nas três Grandes Voltas, tendo obtido um quarto lugar na geral individual do Tour de França, em 2018. Para além disso, o ciclista já sabe o que é vencer nas três competições. Este ano, andou por seis dias com a camisola rosa no Giro e onze dias de vermelho na Vuelta, conquistando a camisola no contrarrelógio individual em Pau, no décimo dia de competição, não voltando a largá-la até ao final da prova.

Após 69 dias de corrida, 10 628 quilómetros, treze vitórias e 4705 pontos, o esloveno apresenta-se como o ciclista mais bem sucedido de 2019.

Foto De Capa: La Vuelta 2019

As entrelinhas do futebol discutidas pelos seus intervenientes

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O segundo dia do “World Scouting Congress” seria composto por seis painéis diferentes que teriam, todos eles, temas diferentes de discussão.

Futebol com Talento

O primeiro painel de oradores foi composto por Vítor Matos, José Gomes e por Sónia Gomes e a conversa seria à volta do tema: “Futebol com talento”.

Vítor Matos, desenvolvedor de talentos do Liverpool FC realçou que acredita no desenvolvimento individual e pessoal, ou seja, acredita que o talento não nasce com a pessoa. Para o jovem treinador, uma equipa tem que ser organizada para existir criatividade. Outra das questões que Vítor Matos abordou foi a necessidade de haver um estreitamento de relações entre treinador, scout e diretor desportivo dentro de um clube, já que vê a comunicação entre estes três elementos como alo fundamental para o desenvolvimento desportivo de qualquer equipa. Antes de dar a palavra a José Gomes, o representante do Liverpool falou ainda da importância que, para ele, têm as equipas B, sendo que permite a jovens competir já a um nível alto e tornam-se, assim, espaços bons para dar continuidade ao processo de formação.

José Gomes, ex-treinador de Rio-Ave e Reading foi o elemento mais ativo deste painel e abordou variados temas como: soluções para aumentar a espectacularidade da nossa liga, das críticas ao futebol praticado nos relvados portugueses, investidores deterem clubes e o futebol feminino. No dia em que José Gomes foi dado como certo como treinador do CS Marítimo, o treinador marcou presença neste evento e começou por dizer que “os jogadores que chegam a um plantel são escolhidos ou, pelo menos deveria ser esse o caso, para encaixarem no modelo tático e nas ideias do treinador”. O treinador chegou até mesmo a referir que a realidade do futebol inglês neste momento é que “há um distanciamento tão grande ente dono/diretor desportivo de um clube e scout/treinador que chegam jogadores ao plantel que não foi o treinador que pediu”. Tendo em conta outro dos temas abordados por José Gomes, este sugeriu que “se deve cair na tentação de estar constantemente a inferiorizar o futebol português por comparação com o futebol estrangeiro, porque a verdade é que as condições estrangeiras também são muito melhores e que os clubes lá também têm outra dimensão financeira”. Quanto ao futebol feminino, José Gomes seguiu a sua linha de honestidade e subilnhou que “enquanto se disser “futebol feminino”, é mau sinal para as jogadoras e que se deveria apenas dizer “futebol”, porque é isso que é”. Por fim, o ex-treinador de Rio Ave lançou o desafio às jogadoras de merecerem o estatuto que os jogadores conseguiram.

Sónia Carneiro, diretora da liga começou por dizer que “a liga tem incapacidade económica para reter talento” e que “a liga tem feito um esforço para cada vez ter mais credibilidade. A diretora da liga chega até mesmo a dizer “que Itália oferece boas condições aos jogadores estrangeiros”, deixando do no ar que essa teria sido a razão para a mudança de CR7 para Turim. Quanto ao futebol femino a representante máxima da liga referiu que está a haver uma aposta cada vez maior no futebol feminino e que se espera uma grande evolução do mesmo nos próximos anos.

O Scouting no Futebol Profissional:

Neste segundo painel estiveram nomes como Jorge Tello, Abel Pimenta, Sandro Orlandelli e Oliver Seitz.

A conversa neste painel foi mais específica com todos os elementos do plantel a relatarem qual a situação atual dos clubes que representam.

Assim, Jorge Tello, scout da seleção mexicana destacou que “o jogador mexicano é mexicano é muito competente” e que “o projeto é chegar ao top oito no mundial de 2026”. O mexicano disse ainda que, neste momento, não há nenhuma seleção com objetivos tão bem definidos como a do México e decidiu destacar um nome que poderá vir a ser o próximo grande jogador do México: Eugenio Pizzuto, internacional pelas camadas jovens da seleção mexicana.

Abel Pimenta voltou a referir o que já tinha sido dito no primeiro painel, nomeadamente que “as relações entre o elementos de clube precisam de ser mais estreitas” e admitiu que “tem alguns portugueses debaixo de olho” para o Sevilha. Finalmente, destacou o momento do Sevilha, dizendo que “o Sevilha se econtra bem, mas que vai precisar de reforçar algumas posições como a de lateral direito, pois Jesús Navas, embora seja um grande jogador, já tem 34 anos”.

A palavra foi depois dada a Sandro Orlandelli, Chief scout do Manchester United. Sandro Orlandelli começou por abordar a importância que Portugal tem no futebol mundial, passando depois para o tema Mourinho e admitindo que “Mourinho, na minha opinião, teve pouco teve para consolidar o seu perfil no Manchester United”. Quanto à situação atual do plantel do clube de Manchester, Sandro disse que “o Manchester precisa de reforçar todas as posições está, neste momento, numa fase de reestruturação”. Sandro Orlandelli acabou o seu discurso ao referir que o “jogador brasileiro só aprende a defender quando vem para a Europa” que isso tem a ver com um problema cultural”.

Oliver Seitz, scout do Atlético Paranaense falou aos presentes do despedimento do de Tiago Nunes, admitindo que, para ele “ foi uma surpresa” e que “o perfil do próximo treinador já está traçado. Quanto a Yoni Gonzalez, nome apontado ao SL Benfica, Oilver foi sucinto: “tem golo”.

O Perfil do jogador Português

Este último painel na parte da manhã teve os seguintes oradores: Sá Pinto, Carlos Carneiro e Luís Freitas Lobo.

Para Sá Pinto “o jogador português nunca será robusto como os alemães, nunca rematará como os ingleses, mas tem, definitivamente, outras vantagens”. Para o treinador do SC Braga, o profissionalismo no futebol mundial aumentou exponencialmente e que chegou a um ponto que “os jogadores deixaram de ser jogadores, passando a ser ativos”. O técnico dos minhotos realçou o facto de a qualidade do jogador português contribuir para o aumento do preço do mesmo e que, por isso, “se torna mais fácil contratar estrangeiros”. O ex-jogador diz também que “é preciso dar tempo aos jogadores para atingirem o seu máximo, mas que, no futebol, não há espaço para todos”.

Carlos Carneiro teve um discurso mais curto que os outros dois elementos deste painel. O diretor desportivo do Paços de Ferreira concordou com Sá Pinto quanto à dificuldade dos clubes portugueses em comprar jogadores portugueses e que por isso “o Paços tem tantos brasileiros, são mais baratos”. O argumento de Carlos Carneiro para esta evolução do jogador português é o facto de “termos os melhores treinadores do mundo”.

Quanto a Luís Freitas Lobo, o perfil do jogador português é auto-esclarecedor, “basta olhar para os nossos Bola de Ouro, a qualidade sempre esteve cá”. Para o comentador desportivo “houve sempre um complexo de inferioridade que os jogadores portugueses tinham quando olhavam para as seleções adversárias, mas que hoje em dia está quase ultrapassado”. Quanto ao mais recente Bola de Ouro português, Cristiano Ronaldo, Freitas Lobo afirmou que “Ronaldo é uma criação de si próprio e que se nasce Ronaldo”, deixando no ar que não acredita no desenvolvimento de talento. Por último, referiu-se à incapacidade económica dos clubes portugueses como “incapacidade de gestão de dinheiro” dos mesmos.

Da parte da tarde, o congresso teve seguimento com mais três painéis, três assuntos distintos, e muito futebol à mistura.

Os intervenientes em ação no primeiro painel do segundo dia do WSC
Fonte: Bola na Rede

Agenciamento vs intermediação

O quarto painel do dia foi moderado por Rémulo Marques e teve como oradores Ulisses Santos, CEO da US11, Jorge Teixeira, CEO da Global Sports, e Vítor Gonçalves, CEO da Pro Eleven.

Neste debate, os três oradores ilustraram o que é ser um agente, dando exemplos da carreira, falaram de como tratam os seus agenciados e contrapuseram, ainda, a opinião que por vezes se tem de que foram os agentes quem estragou o futebol. Referiram que, pelo contrário, os agentes trouxeram mais dinamismo ao mercado e por isso mais vivacidade à indústria do futebol. Ao longo das declarações, todos os oradores foram exemplificando com exemplos práticos, como o caso de Emídio Rafael no Steaua de Bucareste, clarificando deste modo o papel do agente perante os presentes.

Gestão de ativos no futebol 

O quinto painel contou com a moderação de Pedro Couto e teve como oradores Miguel Ribeiro, do FC Famalicão, Carlos Freitas, do Vitória SC, e Luís Campos, do Lille OSC.

Este painel resumiu-se a um ensinamento de gestão de clubes, de gestão de ativos e de obtenção de lucro, seja desportivo ou financeiro.

Miguel Ribeiro abordou a situação atual do FC Famalicão, que conta com muitos jogadores emprestados, tendo referido que foi a situação possível para o clube e que espera que daqui a três/quatro anos, os famalicenses estejam consolidados.

Carlos Freitas abordou também a situação do Vitória SC, o momento da sua chegada e as dificuldades e processos por que teve de passar quando chegou ao clube. O dirigente reiterou ainda a ideia de que o Vitória SC deve manter-se ligado a Guimarães, e deixou largos elogios aos adeptos vitorianos, os quais comparou com os adeptos do Marselha e Nápoles.

Luís Campos abordou a sua chegada ao Mónaco, a forma de gestão do clube que, depois de épocas de muito investimento, foi impedido pelo fair-play financeiro da UEFA de ver injetado mais dinheiro pelo seu investidor. Agora no LILLE OSC, o dirigente português referiu que o seu crescimento do seu atual clube a nível desportivo, económico e estrutural e deixou ainda reparos ao futebol português, considerando que este deve sofrer um rápido crescimento.

Como é que o futebol muda a vida das pessoas

O World Scouting Congress terminou com um painel de luxo, composto por Costinha, Pedro Mendes, Rui Costa e Júlio César,  com Pedro Azevedo como moderador.

Neste painel, e de acordo com o propósito do evento, os ex-jogadores começaram por referir quem foram os seus scouts, como traçaram o início da sua carreira. Depois, entre muitas histórias de futebol e do mundo do futebol, os convidados abordaram os seus planos atuais e como tomaram a decisão acerca do seu futuro depois de pendurar as chuteiras. Com muito humor e fair-play à mistura, foram chamadas à conversa, entre muitos outros eventos, a final do Euro 2004, a final da Liga dos Campeões de 2005, que Rui Costa perdeu e os dérbis em Itália entre Júlio César e Rui Costa. Os ex-craques falaram ainda sobre as estrelas com quem e contra quem jogaram, numa conversa à moda antiga, sobre futebol, com fair-play e com muito boa disposição.

Assim terminou o World Scouting Congress, evento que reuniu muitas personalidades ilustres do futebol nacional e internacional e que, segundo Miguel Canedo, Brand Manager da Quest, organizadora do evento, em declarações ao BnR, se manterá, em princípio, na cidade Invicta.

Artigo de Pedro Diniz e João Brandão

Foto de capa: Bola na Rede

Portugal 6-0 Lituânia: Um fácil e firme passo rumo ao Euro 2020

O Estádio do Algarve foi o palco da vitória expressiva de Portugal sobre a Lituânia, por seis golos sem resposta. Na sétima de oito jornadas que compõem a fase de qualificação para o Europeu do próximo ano, a seleção nacional somou a quarta vitória e chegou aos 14 pontos, mais um do que a Sérvia, a única equipa que ainda pode evitar o apuramento direto de Portugal (a Ucrânia já garantiu o primeiro lugar).

Início de narrativa sem criatividade. O expectável sucedeu, Portugal sufocou a Lituânia nos primeiros minutos e aos sete chegou ao golo com a naturalidade que assiste ao campeão europeu em título. Cristiano Ronaldo converteu uma grande penalidade que conquistou muito graças à ingenuidade lituana e materializou o claro domínio português.

Os quinze minutos que se seguiram foram… iguais. Uma Lituânia subjugada via Portugal jogar e tentar alcançar o segundo golo, com Gonçalo Paciência em evidência. Para (visível) desgosto do avançado do Eintracht Frankfurt, a eficácia pretendida não coincidia com a eficácia real.

Do mesmo não padecia Ronaldo, conforme se comprovou aos 22 minutos quando o capitão português aproveitou um erro lituano para bater Setkus em arco, com um remate à entrada da área. Paciência não desmotivou e continuou a tentar entrar na restrita lista de marcadores do encontro, com a cunha e assistência do companheiro de ataque. Todavia, e não obstante a boa vontade, não ia tendo sucesso. Restava-lhe ter paciência e continuar a tentar.

Entretanto, Portugal continuava a dar música sob a batuta de Bernardo Silva, por quem passava todo o jogo luso. A Lituânia não conseguia sacudir a pressão portuguesa e perdia, invariavelmente, a bola antes de cruzar o equador do relvado do (quase) lotado Estádio do Algarve. Até ao intervalo nada mudou, exceto o irrelevante pormenor de Rui Patrício conseguir por uma ou duas vezes aparecer no enquadramento televisivo. Mas trabalho não teve.

Bernardo e Ronaldo evidenciaram-se, mas foi uma das mais claras vitórias coletivas de Portugal no pós-Euro 2016
Fonte: UEFA

A segunda parte começou como começou e acabou a primeira. Portugal por cima e golo aos sete minutos do segundo tempo, mimetizando o sucedido na primeira metade da partida. Desta feita, foi Pizzi a bater Setkus, após assistência de Bruno Fernandes, com um remate cuja potência conseguiu emendar a má trajetória que levava.

Quatro minutos volvidos e novo golo português. Bernardo Silva tentou servir Ronaldo, mas Setkus não permitiu que a bola chegasse ao capitão luso. No entanto, o guardião lituano não foi capaz de suster a bola e deixou-a à mercê de Gonçalo Paciência, que não se fez rogado e marcou na estreia. Valeu a pena ser paciente.

A vitória estava amarrada, mas Portugal procurava o quinto golo, que a defensiva lituana e Setkus tentavam a todo o custo evitar. Contudo, era fácil perceber que 4-0 não seria o resultado final. Aos 62′, Bernardo Silva, após boa jogada de entendimento com Ricardo Pereira, faturou e três minutos depois serviu o hat-trick a Ronaldo em bandeja de ouro, saindo de seguida e tornando mais fácil a escolha de melhor em campo.

Até final, nada mudou, nada aconteceu que fosse digno de registo. Portugal vence com tranquilidade e naturalidade e pode selar o apuramento direto para o Euro 2020 no próximo domingo, quando defrontar o Luxemburgo fora de portas, a partir das 14 horas.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Portugal: Rui Patrício; Ricardo Pereira; José Fonte; Rúben Dias; Mário Rui; Rúben Neves; Pizzi; Bruno Fernandes (Moutinho, 72´); Bernardo Silva (Bruma, 66´); Gonçalo Paciência e Cristiano Ronaldo (Diogo Jota, 83´).

Lituânia: Setkus; Mikoliunas; Palionis; Girdvainis; Andriuskevicius; Simkus; Slivka; Kuklys (Matulevicius, 57´); Novikovas; Golubickas (Lasickas, 72´) e Cernych (Kazlauskas, 80´).

FC Porto: Uma equipa que lida mal com as paragens

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Por esta altura, o treinador Sérgio Conceição já está a preparar o próximo jogo, diante do V. Setúbal, a contar para a Taça de Portugal. Com o plantel reduzido devido à paragem para os jogos da seleção, o treinador já prepara futuras mudanças no que toca às opções. Podíamos entrar já por aí – pelos castigos e reprimendas próprias de ações inapropriadas -, mas torna-se primordial fazer uma retrospetiva do antes e depois das paragens forçadas pelos jogos das seleções.

A primeira paragem aconteceu no início de outubro – entre 3 a 19 -, e aconteceu depois da derrota diante do Feyenoord para a Liga Europa. A paragem até pareceu apropriada para restaurar processos e recuperar a boa imagem, depois de um jogo muito mal disputado. Mas, comprovou-se depois, que não foi assim tão benéfica.

O FC Porto vinha de uma derrota na Europa, mas, por outro lado, somava seis vitórias consecutivas no campeonato. Cenário diferente do que encontrou depois do regresso dos internacionais.

No final do último jogo, diante do Boavista, Alex Telles, autor do golo da vitória, num abraço ao internacional português Danilo
Fonte: FC Porto

Para as competições europeias, neste caso a Liga Europa, a equipa de Sérgio Conceição manteve a toada, ou seja, o mau momento. Defrontou por duas vezes os The Rangers e somou apenas um ponto, fruto de um empate no Dragão e uma derrota na Escócia.

Para a Taça de Portugal, frente ao Coimbrões, cumpriu o expectável, mas no campeonato teve um novo deslize: o empate na Madeira frente ao Marítimo SC.
Depois de ter vencido em casa o FC Famalicão, na jornada anterior ao deslize na Madeira, os portistas tinham chegado, pela primeira vez, à liderança do campeonato, mas frente aos madeirenses cederam pontos e viram-se ultrapassados pelo SL Benfica.

O que se seguiu à paragem para os jogos das seleções foi a ascensão e perda de liderança do campeonato, a queda para o último lugar da grupo na Liga Europa e ainda o momento conturbado da equipa.

Jogadores referenciados e opções habituais viram-se castigados e excluídos, a equipa não encontrava o caminho para a baliza e seriam os defesas a resolver a questão. Muitos golos sofridos, pouco marcados. E esta é, possivelmente, a fase mais difícil do FC Porto. As competições estão novamente paradas, regressam apenas daqui a uma semana, e até lá o treinador pode e deve incutir um novo espírito numa equipa que precisa de se encontrar para depois encontrar novamente o caminho para as vitórias.

Foto de capa: FC Porto

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Universo Paralelo: Águias vencem blues e voltam a voar alto na Europa

 

15 de maio de 2013. A Amsterdam Arena – atual Johan Cruyff Arena – era o palco de mais uma final da UEFA Europa League, com mais de 46 mil espetadores nas bancadas.

Os comandados de Jorge Jesus defrontavam uma equipa de estrelas, com o tridente ofensivo Lampard, Mata e Ramires a representar a maior ameaça à baliza defendida por Artur Moraes.

Os primeiros 45 minutos do jogo foram muito disputados a meio campo, com nenhuma das equipas a conseguir assumir o comando do jogo. O metro quadrado estava caro, sendo que os homens de Rafael Benitez utilizavam o contra ataque como a sua principal arma. No entanto, o nulo permanecia ao intervalo.

A segunda parte foi diferente. O Benfica entrou mais pressionante, sendo que nos primeiros dez minutos já tinha feito mais remates do que em toda a primeira parte. O único obstáculo ao assédio encarnado às redes da equipa londrina era Petr Cech, que estava em noite inspirada.

No entanto, ao minuto 68’, César Azpilicueta joga a bola com a mão dentro da área, levando Bjorn Kuipers a apontar para a marca dos 11 metros. Oscar Cardozo assumiu a responsabilidade e colocou os encarnados na frente do marcador.

Oscar “Tacuara” Cardozo iniciou a noite de gala dos encarnados
Fonte: SL Benfica

As “águias” não tiraram o pé do acelerador e acabaram mesmo por dilatar a vantagem com um cabeceamento de Luisão, a passe de Nico Gaitan, já no período de descontos.

Os comandados de Jorge Jesus punham, assim, fim à maldição de Bella Guttman – o último treinador a conquistar um título europeu pelo Benfica, em 1962 -, que durava já há mais de meio século.

A comitiva encarnada, liderada por Luís Filipe Vieira, foi recebida em apoteose no dia seguinte. O tão afamado “Benfica Europeu” voltara, sendo que os encarnados marcavam assim o início de uma nova era na Europa.

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

FIA ERC: Os campeões sem vitórias

Chris Ingram e Ross Whittock tornaram-se campeões europeus este fim de semana, ao terminarem o Rali da Hungria na quarta posição, com os seus rivais pelo título, Alexey Lukyanuk e Alexey Arnautov a ficarem na segunda posição.

Mas, com o fim da época, podemos rever algumas coisas interessantes. Primeiro, a dupla da Grã-Bretanha vence o campeonato, coisa que não acontecia a um inglês há cerca de 50 anos. Vencem também o campeonato sem terem conquistado sequer uma vitória ao longo das oito rondas que constituem a temporada do Europeu.

A temporada começou em Portugal, mais propriamente nos Açores, na ilha de São Miguel. Depois de perder o patrocínio principal, a Azores Airlines, o rali dos Açores foi para a estrada, com a vitória a sorrir a Lukasz Habaj e Daniel Dymurski. Vitória esta que foi resultado da desistência de Lukyanuk, que este ano estreou-se com o Citroen C3 R5 da Saintéloc Junior Team. Segunda posição para o português Ricardo Moura e António Costa. Por fim, Chris Ingram e Ross Whittock foram ao pódio.

Lukasz Habaj venceu o seu primeiro rali no FIA ERC, nos Açores
Fonte: FIA ERC

A dupla britânica apresentou-se nos Açores a bordo de um Skoda Fabia R5, completamente despido de patrocínios, algo que poderia condicionar o restante campeonato. Continuo a achar muito estranho esta dupla não ter conseguido nada, mas, tal como Bruno Magalhães e Hugo Magalhães, os patrocínios foram-se conseguindo prova a prova.

Segunda prova do Europeu e mais uma ilha visitada. Desta vez os pilotos foram às Canárias, onde José Maria Lopez (Pepe Lopez) e Borja Rozada mostraram a sua superioridade. No Citroen C3 R5 da Sports & You, o espanhol viria a competir também no campeonato espanhol, onde se sagraria campeão. Mas de volta ao Europeu, o pódio foi completo por Chris Ingram e Ross Whittock e, no degrau mais baixo do pódio, por Lukasz Habaj e Daniel Dymurski.

No rali da Letónia tivemos um rapaz que surpreendeu tudo e todos. Estou a falar do jovem Oliver Solberg, filho do campeão mundial de ralis e bicampeão de ralicross, Petter Solberg. O norueguês, que correu com licença da Suécia, teve a companhia de Aaron Johnston no Volkswagen Golf GTI R5, batendo o campeão europeu de 2018, Alexey Lukyanuk. Terceira posição para mais um jovem talento, este mesmo da Letónia. Martin Sesks e Krisjanis Caune estrearam-se num carro com tracção às quatro rodas, o Skoda Fabia R5.

O rali da Polónia viu Alexey Lukyanuk e Alexey Arnautov ultrapassarem as dificuldades evidentes de adaptação ao Citroen C3 R5, vencendo assim o rali. A dupla russa parecia não estar muito confortável com a troca do Ford Fiesta R5 para o Citroen.

O ano de adaptação ao carro da marca francesa foi muito difícil para o campeão de 2018
Fonte: FIA ERC

Segunda posição para Jari Huttunen e Mikko Lukka e o pódio completo mais uma vez por Lukasz Habaj e Daniel Dymurski.

Aurélio Pereira | Perestrelo dizia “Eu não quero ver”

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Enceto a dissertação por dizer que sou um filho do ocultismo, ou que, mais tarde ou mais cedo, pretendo sê-lo pelo facto de querer, a cada passo e de modo mais impetuoso face a ontem e menos vincado face a amanhã, o jornalismo escrito, a fação da redação propriamente dita, na qual o reconhecimento advém da expressividade de cada vocábulo, em que as palavras clamam o meu nome e onde cada linha constituiu um pequeno capítulo do meu ser.

A trama do “Rei Leão” ensinou-me a ver para lá do horizonte e os meus pais, com o urgir do tempo, alicerçaram e cimentaram a base do ideal apresentado no filme juvenil: a partir desse momento, rio-me perante a superficialidade, embevecido na profundidade que outrora me foi incutida pelas dicas e alertas insistentemente repetidos. E o sucesso, essa fugacidade ou intemporalidade, conforme o apontar da agulha no espetro da genialidade, é alimentado por esse hermetismo, por esse lado que aflora ao recôndito e que, por não saltar à vista, é olvidado à semelhança da velocidade que uma bala alcança aquando do momento no qual se prime o gatilho.

Aurélio Pereira, infelizmente, representa tudo isto. O melhor olheiro do mundo foi trivializado juntamente com as pérolas que descobriu e apresentou ao mundo do futebol. A formação está hipnotizada por um insucesso nunca antes presenciado, está descaracterizada e grita o regresso do mestre, de modo a que as lições sejam bem apreendidas por parte da nova casta de aprendizes. O traquejo de quem coordenou anos a fio a espinha dorsal do clube e que adquiriu, não prata, mas verdadeiro ouro da casa é dissipado de forma assustadora e preocupante.

O departamento de scouting é a artéria aorta do clube e, neste momento, sem o Big Brother ao estilo “Huxleyano”, ela esvai-se em sangue e sucumbe lentamente. Será que Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Rui Patrício, João Moutinho e outros tantos pensam que a cantera foi vandalizada e que levaram dela todas as joias e materiais reluzentes? Ou que simplesmente existiu desleixo por parte da estrutura poeirenta e não se trancaram as portas e as janelas devidamente?

Fonte: Sporting CP

Aurélio Pereira confere forma à metáfora supracitada. Uma personagem que adquire, num paralelismo de caráter musical, a “frustração” incrustada em Carlos Tê, autor de poemas no sentido mais puro da palavra, sem o qual Rui Veloso não tinha escrito uma das mais belas páginas da história do rock; num paralelismo cinematográfico, o “senhor formação” é a mescla dos realizadores clássicos, como David Lynch ou Stanley Kubrick que, consequentemente, produziram clássicos inscritos no pedestal artístico visual. Um Herman José sem a devida valorização e frequente inovação face à sociedade paralisada, um António Sérgio e a respetiva “pedrada no charco” face à pasmaceira no cenário da música nacional de então potenciada pelos dos sons de Manchester e um José Saramago enorme para a pequenez e mesquinhice própria da pátria ilustre.

É factual que a capacidade da visão se esfuma com a idade. Porém, também é factual que a velhice e os cabelos grisalhos denotam sabedoria e experiência. Repentinamente, surgiu uma dúvida: distribuir, de livre e espontânea vontade, óculos a toda a cúpula dirigente ou caminhar para a escuridão onde, mesmo com os olhos despertos, nada se observa?

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão