Início Site Página 11520

Senegal 1-0 Benim: Rumo às meias-finais via Liverpool

0

O Senegal é o primeiro semifinalista desta edição da CAN, após ter vencido esta tarde o Benim pela margem mínima. O golo da vitória foi obra de dois jogadores que militam em clubes da cidade de Liverpool: Gueye, médio do Everton marcou, e Mané, avançado do Liverpool, assistiu.

O primeiro tempo foi dominado pelo Senegal, com mais posse de bola e mais remates que o Benim. A equipa treinada por Aliou Cissé mostrava-se calma e confiante com a bola nos pés, apostando em chegar com a bola controlada até área adversária e aplicando uma pressão agressiva no momento da perda de bola.

Já o Benim mostrou-se muito compacto defensivamente, com uma organização sólida e muito solidária, apostando sobretudo em contra-ataques e jogo direto para o possante Mounie. Apesar do maior domínio do Senegal nos primeiros 45 minutos, a melhor oportunidade pertenceu ao Benim. Aos 25 minutos, num livre batido para o coração da área, Mickael Pote desviou de calcanhar e fez a bola passar a centímetros do poste da baliza de Gomis.

Quando o árbitro deu por terminada a primeira parte, mantinha-se o nulo no resultado e ficava a sensação de que o espetáculo fora das quatro linhas tinha superado, até então, o espetáculo dentro das quatro linhas. Apesar de as bancadas se apresentarem bastante despidas, era impressionante como o ruído e o apoio dos adeptos se fazia ouvir de forma constante.

Na primeira parte, foi melhor o espetáculo fora do que dentro das quatro linhas
Fonte: CAF

Na segunda parte, o Benim igualou o Senegal, foi crescendo e ganhando confiança, aproximando-se com mais frequência e mais perigo da baliza adversária. O Senegal voltou mais apagado das cabines, não conseguindo desbloquear a sólida organização defensiva do Benim.

Apesar do Benim até estar melhor no jogo, foi o Senegal que chegou à vantagem, à passagem do minuto 70. Boa iniciativa individual de Mané, com o avançado do Liverpool a tocar para Gueye e o médio do Everton arrancou por ali fora e isolou-se, rematando colocado para o fundo das redes. Um golo made in Liverpool (a cidade e não o clube), que permitiu ao Senegal encarar os últimos 20 minutos com mais tranquilidade.

A tarefa para o Benim estava complicada e pior ficou com a expulsão de Verdon, após ter carregado Gueye quando este seguia novamente isolado. Até final, o Senegal aproveitou os espaços concedidos pelo Benim, que já não conseguia manter a sólida organização que apresentou noutros momentos do jogo, mas o marcador não mexeu mais.

O Senegal é o primeiro semifinalista da CAN 2019 e espera agora pelo jogo entre Madagáscar e a Tunísia para saber o seu adversário da próxima eliminatória.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Senegal: Gomis, Gassama, Koulibaly, Sabaly, Kouyate, Gueye (Sané, 89’), Papa Ndiaye, Henri Saivet, Sadio Mané, Keita Baldé e Niang (Diagne, 64’)

Benim: Kassifa, Baraze, Adilehou, Verdon, Imorou, Adeoti, Mickael Pote (Doussou, 77’), Stephane Sessegnon, D’almeida (Mama, 69’), Soukou (Djigla, 81’) e Mounie

Diogo Dalot: Jovem promessa ou jovem esquecido?

José Diogo Dalot Teixeira, o menino que chegou ao Olival com oito anos de idade e que uma década depois rumou a Inglaterra para vestir a camisola do Manchester United, tem sido notícia pois reina em seu torno uma enorme dúvida acerca da sua continuidade no Teatro dos Sonhos.

Na época de estreia, Diogo Dalot efectuou 23 jogos e deixou bem patente toda a sua qualidade, potencial e a forma como influencia o jogo dos red devils sobretudo com a versatilidade que apresenta, na medida em que é um jogador que confere equilíbrio à equipa nos dois momentos do jogo: a defender e a atacar.

Não foi uma época brilhante, longe disso, mas a adaptação de um jogador ainda para mais de tenra idade à Premier League nunca é tarefa fácil. Mesmo assim, Dalot nunca foi motivo de destaque pela negativa e o feedback dos exigentes adeptos do Manchester United foi positivo, apontando o jovem jogador português como um futuro promissor defesa direito do clube.

Esperava-se, portanto, que 2019/2020 seria a rampa de lançamento de Diogo Dalot, pois o português teria mais oportunidades para render o quase veterano Ashley Young. Esta expectativa ficou ameaçada com a posição que o Manchester United desde cedo assumiu no mercado de transferências, desejando adquirir um defesa lateral direito.

Os rumores da imprensa desportiva inglesa de que em caso de contratação de algum defesa, Dalot estaria garantidamente fora das contas de Solskjaer intensificaram-se de tal forma que em conferência de imprensa com o treinador norueguês este era o assunto quente dos últimos dias.

O senhor 45 milhóes de libras que compete com Dalot
Fonte: Manchester United

O Manchester United seguiu mesmo em frente com as suas intenções e garantiu a contratação de Aaron Wan-Bissaka, lateral direito proveniente do Crystal palace, que havia sido reconhecido com uma das principais revelações do futebol inglês na época transata.

Com a chegada do também jovem jogador inglês, a competição pela titularidade na asa direita dos red devils aumentou, pois a Dalot, Young e Matteo Darmian junta-se Wan-Bissaka que chegou a troco de 50 Milhões de euros.

É consensual que quatro jogadores para a mesma posição poderá ser exagerado, mas é também sabido que as equipas inglesas são as que mais jogam disputam numa temporada, ainda para mais com pouco tempo de descanso entre as partidas. Além deste pormenor, Solskjaer pode vislumbrar a adaptação de algum destes jogadores a outra posição, fator no qual Diogo Dalot parte em vantagem podendo jogar em todos os setores, dada a polivalência que demonstrou na temporada passada.

A verdade é que mesmo com muitas dúvidas acerca da continuidade de Dalot em Manchester, não houve um único indício de uma possível venda ou empréstimo do jogador português pelo que deverá permanecer de pedra e cal no plantel comandado por Solskjaer.

Esta será uma época crucial para Dalot pois ou se sobressai perante os seus companheiros de equipa e assume-se como um jogador determinante no Manchester United ou não continuará a ser aposta dos red devils nos próximos anos.

Foto de Capa: Manchester United

Brasil chama por Welthon

Sem espaço no Vitória SC, o destino de Welthon deve ser o Brasil. O jogador de 27 anos não entra nas contas de Ivo Vieira, e o clube minhoto já estuda a possibilidade de um empréstimo. CF Vasco da Gama e Fluminense FC, do Campeonato Brasileiro encontram-se na linha da frente para receber o avançado.

Depois de uma época e meia a bom nível no FC Paços de Ferreira onde apontou 20 golos em 49 jogos, Welthon tem andado longe daquilo que sabe fazer. O avançado tem tido alguns problemas em afirmar-se por terras de D. Afonso Henriques, e por isso a vida em Guimarães tem sido muito difícil. O jogador brasileiro conta apenas com um golo em mais de 20 jogos disputados.

Perante este cenário, um empréstimo no Brasil pode ser uma boa solução para ambas as partes, ou seja, jogador e clube. O jogador porque vai regressar a um campeonato que bem conhece, vai estar mais próximo da família. E o facto de o campeonato brasileiro ser teoricamente menos competitivo em comparação com a Europa pode ajudar o Welthon a ter mais tempo de jogo para explanar o seu futebol.

Welthon pode mesmo estar de regresso ao Brasil
Fonte: Liga Portugal

Já para o Vitória SC este empréstimo deve ser visto como uma forma de rentabilizar o jogador, e tentar recuperar o dinheiro investido. Não esquecer que Welthon foi contratado em janeiro de 2017, e ficou com uma das cláusulas mais altas da história do clube vimaranense fixada nos 30 milhões de euros.

No Brasil, e ao longo da sua formação, Welthon passou por vários clubes, entre eles o destaque recai sobre o AC Goianiense e o Grêmio Esportivo Anápolis S/A. Deste modo, caso se concretize, um retorno ao Brasil o jogador vai estrear-se a jogar num destes clubes. Em Portugal, e para além do Vitória SC, o jogador vestiu as cores do FC Paços de Ferreira e do SC Braga B.

Foto de Capa: Liga Portugal

 

Estabilidade, a quanto obrigas!

0

Podia encarreirar por metáforas e alegorias, mas não me apetece. Estou sem paciência para qualquer tipo de peleja e completamente entediado com a instabilidade interna que paira no reduto sportinguista. Eu já não peço, eu suplico, eu imploro estabilidade! Desde que me lembro da minha existência, o meu clube esteve sob a alçada de diversas guerrilhas, desde “croquettes” ao “brunismo”. Não quero, de todo, o exalar de mais hostilidades desta estirpe! “BASTA!”

Acreditem ou não, esta situação afeta o meu metabolismo e a minha predisposição para fazer algo. Torna-me comedido, torna-me conformado com toda e qualquer opinião, torna-me totalmente humano. Não há quimera que trespasse a minha índole durante este pedantismo todo. Resignar-me? Era o que mais faltava. Falemos da Assembleia Geral:

Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting Clube de Portugal, privou com a expulsão de sócio. No decorrer de todo este aparato (inédito, diga-se de passagem), verificou-se mais do mesmo: para além do inócuo, o nocivo. Oposição interna quando impera a unificação? Urge a contenda (moderada) contra o novo Sistema do futebol português e nós permanecemos com mesquinhez e tacanhice para saber se A ou B cumpre os cânones da perfeição de modo a personificar o amor e o sentimento inenarrável que une gerações?

Bruno de Carvalho ainda é uma figura bem presente no universo leonino
Fonte: Sporting CP

Já expus publicamente o meu juízo acerca da pessoa visada. Não sou fã de atos que aflorem ao pleonasmo, confesso. Era conveniente evocar aqui declarações que o conspurcaram e colocaram na imundície. E isso já não constituía uma questão de apoio à personalidade porque essa estava enroscada na lama. Paladino do brunismo ou não, admitir que claudicou em diversas situações não é “ausência de sentimento pelo clube”, é bom senso e esse, cabe em todo o lado.

Ah, a primeira miopia que carece de esclarecimento: criticar um não implica defender o outro. No momento da apresentação das candidaturas, na modesta opinião de um sportinguista, nenhum reunia os apetrechos nem a tarimba necessária para singrar como líder autêntico. Não era arauto de Frederico Varandas, nem o sou agora. Cessei fascínio e deferência desde João Rocha em diante, apesar de não ser seu contemporâneo. Desde aí, tudo perdeu sentido. Contudo, a chama continua acesa e o revérbero surge cada vez mais altivo. Talvez por contemplar a debilidade e o esvaecimento emocional. Declaro, uma vez mais, fidelidade eterna! Por mim, o maior de Portugal não cai!

Da supracitada, advém a segunda: “ele sente mais que muitos outros”. Não, não sente. Demonstrava isso pela gana dos seus movimentos e das suas palavras. Parecia só. O sentir, o respirar e o viver Sporting Clube de Portugal não são retratados linearmente. Como eu amo, ninguém ama. Como ele ama, ninguém ama. Acomodemo-nos àquilo que a todos nos enche de orgulho!

Alto lá! O jogo do rato e do gato requer paragem obrigatória! O futuro constrói-se internamente, primeiramente; só aí, com bases sólidas e devidamente alicerçadas estamos aptos a demandar às conquistas e a debater-nos com os rivais, só aí transfiguramos gargalhadas de anos a fio em respeito, só aí voltamos a ser o que éramos.

E termino com o rogo primitivo: Volta Sporting, tenho saudades tuas!

Foto de Capa: Bola na Rede

O que aprendemos com Mundial Feminino: Elas sabem

Terminou a sétima edição do Campeonato Mundial de Futebol Feminino. Na final, os EUA bateram a Holanda por 2-0 para levantar o troféu pela quarta vez na sua história. Mas, entre o momento em que se deu o pontapé de saída para o Mundial, no dia 7 de junho, em pleno estádio Parc Des Princes, e o momento em que Megan Rapinoe, capitã americana, ergueu a taça, exatamente um mês depois, precisamente no mesmo palco, muita bola rolou e muita tinta correu.

Já falámos de alguns dos principais episódios da competição ao longo deste último mês, mas, naquela que foi uma belíssima celebração do desporto rei, resta ainda lembrar uma das maiores lições que este Mundial Feminino de 2019, na França, nos ensinou.

Inicialmente, o título deste artigo era “Elas também sabem”. Só depois foi alterado para “Elas sabem”. E a razão prende-se precisamente com o que temos visto ao longo dos últimos 30 dias de futebol.

Fonte: FIFA

Talvez até seria melhor jogar a cartada do politicamente correto e dizer que o Futebol Feminino está, em termos competitivos e qualitativos, no mesmo patamar que o Futebol Masculino. Infelizmente, dizer isso é incorreto.

Ultrapassando até as diferenças biológicas que, naturalmente, permitem aos homens ter outro nível de intensidade física no seu jogo, a própria projeção do futebol é muito distinta em ambos os sexos. A história do Futebol Feminino profissionalizado ainda está na sua infância quando comparada com a do Futebol Masculino. Os apoios dados a um são quase amadores quando comparados com os apoios dados a outros. E um homem nunca será julgado, excluído ou estereotipado por escolher calçar um par de chuteiras. Mas isso ainda acontece no desporto rei das mulheres.

O que podemos dizer, sem dúvida, é que elas estão a melhorar. Não relativamente aos homens; relativamente a si próprias. O campo é o mesmo, o desporto é o mesmo e as regras são as mesmas. Mas não adianta comparar o incomparável. Para crescer, o Futebol Feminino tem de olhar para dentro. No mesmo jogo, há golos incríveis, jogadas geniais e defesas impressionantes, mas também há falhanços inexplicáveis, táticas desorganizadas e frangos clamorosos (veja o resumo do Suécia – Inglaterra, jogo do 3º e 4º lugar do Mundial – para compreender melhor isto:

É impossível eliminar os erros humanos no futebol (nem nós assim o queríamos), mas é possível torná-los menos amadores. Isso passa pela profissionalização, pela formação, organização e pela mentalidade, que tem de partir de dentro para fora. Um Futebol Feminino saudável será um Futebol que se foca apenas e só no desporto, não no denominador de sexo que vem a seguir. Um Futebol preocupado em levar ao mundo o desporto rei, ciente das diferenças entre quem o pratica.

A equipa da Jamaica ensinou-nos isso, participando no seu primeiro Mundial após ter estado extinta há apenas três anos. A Inglaterra ensinou-nos isso, carregando consigo as esperanças de uma nação sedenta por sucesso. Alex Morgan, dos EUA, ensinou-nos isso com o seu fantástico futebol e ao não ter medo de realizar aquela infame celebração do chá, que tanto irritou os adeptos britânicos. Marta, do Brasil, ensinou-nos isso ao encarar o Brasil em direto na televisão e dizer às jovens do seu país: “está nas vossas mãos”.

Para elas, a tarefa é fácil: joguem o desporto que adoram, e que nós todos adoramos. Porque, quando aquela bola entra de forma perfeita no ângulo superior aos 90 minutos de jogo, lançando o país num frenesim e numa festa descontrolada, com a cerveja a voar por todos os lados e catalisando abraços a família, amigos ou àquele senhor (ou senhora) que se sentou ao nosso lado, será que o sexo de quem chutou o esférico é assim tão importante?

No final de contas, aprendemos que elas sabem. Sem mas nem “tambéns”. Elas sabem, e cada vez sabem mais.

Foto de Capa: Bola na Rede

A despedida de Jonas: Obrigado, Pistolas!

0

Não há melhor forma de lembrar Jonas do que em dois momentos capitais na sua estadia no SL Benfica. O primeiro, literalmente o primeiro, delineou toda a sua carreira na Luz e avisou a todos os que lá estavam presentes (que sortudos!) o que aí vinha: 5 de Outubro de 2014. Numa tarde soalheira, a Luz enganala-se ainda não sabe para receber bem o quê. O Benfica ressacava de um tareão a meio da semana em Leverkusen e toda a gente queria ver uma resposta forte, servindo-se do Arouca como vítima. Não começou bem o certame e o sol que cobria as bancadas fazia os seus esforços para aquecer o ambiente preocupado que um jogo frio insistia em arrefecer. O espectáculo era de má qualidade, os assobios tímidos começavam a surgir e Jorge Jesus, se já fazia contas debaixo da cabeleira branca, ficou com ainda mais trabalho quando vê Lima a ir ao chão pouco antes do intervalo. Era obrigado a mexer, a mexer-se, a solucionar mais um problema que não esperava ter.

Seguiu a lógica e mete o recém-chegado Jonas Gonçalves Oliveira no gramado. O brasileiro veste o blazer, mete o chapéu de coco e faz a Luz desligar-se quando, ao primeiro toque na bola, sossega uma carambola a meio-campo, faz a bola passar sobre a cabeça de um inocente arouquense e distribui, elegantemente, para a esquerda. O foco estava todo naquela meia-figura, todos os presentes deixaram cair os queixos e, atonitamente em uníssono, deixam soltar um estupefacto “OHHH”. Sem que percebessem, testemunharam o nascimento de uma figura mítica da recente história do Benfica e, junto a Simão e Cardozo, uma das referências máximas do século XXI.

Já como estrela principal por mérito próprio, um ano depois, Jonas e o Benfica visitavam o Bessa para mais uma final na emocionante temporada 2015-2016. O marcador (0-0) foi-se mantendo apesar das investidas encarnadas e o tempo começava a esgotar-se. Eliseu, perto do final, decide despejar uma bola na área e Carcela desvia de cabeça: as luzes apagam-se, novamente.

Um foco ilumina apenas Jonas e, naquele microssegundo em que a bola surge na sua frente, ele é o homem mais feliz do mundo. Um sorrisão, que só não é gargalhada porque não havia tempo para isso, atravessa a cara do brasileiro. Naquele microssegundo, trocaram-se carinhos, houve paixão intensa, Jonas e a bola tornaram-se tão cúmplices e enamorados que não restava mais nada que ela, ela mesmo, despedir-se do pé esquerdo do par e arrumar-se nas redes brancas, qual véu de noiva. Jonas era assim, elegante e galanteador como ninguém: só tinha olhos para ela, a bola. Jurou e prometeu ser-lhe fiel, amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias com a camisola do Benfica, num matrimónio que fez de todos nós os mais orgulhosos filhos.

A influência de Jonas nos futuros líderes de balneário é vital. O futuro sorri com um passado assim
Fonte: SL Benfica

Em 5 anos, Jonas, como Néné, nunca precisou de se sujar para conquistar a Luz. O fato de macaco deixou-o para outros e, de fato e gravata, comandou o Benfica na recuperação da hegemonia do futebol português: 137 golos, 42 assistências, quatro campeonatos, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga, duas Supertaças, duas Bolas de Prata e duas vezes Melhor Jogador do Ano. Sempre conseguiu associar a eficácia a um ideal sem precedentes pela beleza do espectáculo. Jonas foi, na história do Benfica, dos melhores a juntar competência ao divertimento, o compromisso à alegria.

Os problemas físicos que o impediram de terminar com ainda melhores números foram uma batalha longa e a prova da resiliência incrível de Jonas: depois de um 2016-2017 intermitente e de sucessivas recaídas, em 2017-2018 o brasileiro pulveriza recordes pessoais e do clube, com 34 golos em 30 jogos apenas para a Liga. Foi este espírito de sacrificio que foi sempre vísivel no carácter de Jonas e que também ajudou á construção do seu estatuto no balneário, numa postura que era (e é) exemplo para todos. No fundo, Jonas decidiu fazer felizes todos os que o rodearam, sem pedir nada em troca. Jonas Gonçalves Oliveira decidiu, como prova de gratidão, devolver o Benfica ao topo do futebol português e, como se isso não bastasse, ainda nos agradece em lágrimas.

Obrigado nós, Pistoleiro.

Foto de Capa: SL Benfica

Os escolhidos de Keizer para o estágio na Suíça

No passado domingo, o plantel do Sporting Clube de Portugal partiu para a Suíça, onde irá fazer o seu estágio de pré-época. Após os primeiros dias de trabalho na Academia de Alcochete, Keizer escolheu 29 atletas para o estágio.

Entre os escolhidos pelo treinador leonino Marcel Keizer, destacam-se os cinco reforços – Luís Neto, Valentin Rosier, Eduardo, Rafael Camacho e Luciano Vietto. A convocatória para o habitual estágio de pré-temporada, tem um denominador comum, 14 jogadores formados na Academia de Alcochete. Destes atletas formados pelo Sporting, estão três jovens que dão os seus primeiros passos com a equipa principal – Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Joelson Fernandes.

O juvenil Joelson Fernandes, com apenas 16 anos, é o elemento mais jovem da comitiva leonina na Suiça
Fonte: Sporting CP

A trabalhar às ordens do treinador leonino já se encontram os internacionais Bruno Fernandes, Gonzalo Plata, Ristovski e Wendel, que estiveram ao serviço das suas seleções. Ainda se irão juntar à equipa nomes como Marcos Acuña e Seba Coates, que estiveram a disputar a Copa América e Diaby que esteve ao serviço do Mali na CAN.

Em sentido oposto, aparentemente alguns atletas não entram nas contas do técnico holandês: Emiliano Viviano, André Pinto, Jefferson, Petrovic, Ryan Gauld, Matheus Oliveira, Carlos Mané, Alan Ruiz, Iuri Medeiros, Leonardo Ruiz, Filipe Chaby e Ary Papel. Em dúvida, sendo que estiveram a participar na CAN estão ainda, Bruno Gaspar, Lumor e Gelson Dala. Assim, o Sporting Clube de Portugal poderá ainda fazer um encaixe financeiro, sendo que é importante definir o futuro destes atletas.

Neste estágio de pré-época na Suíça, o Sporting irá defrontar os suíços do FC Rapperswil-Jona e o St. Gallen. Além destas partidas, os leões irão ainda disputar jogos de preparação com os belgas do Club Brugge, com os campeões europeus Liverpool FC e o no Troféu Cinco Violinos, defrontará o Valência CF.

Que esta seja uma pré-época exigente, para que o Sporting possa preparar o futuro. Esse futuro só poderá passar por vitórias e títulos, a começar pela Supertaça Cândido de Oliveira, dia 4 de Agosto.

Foto de Capa: Sporting CP

De regresso?

Com as saídas de Éder Militão e Felipe, que rumaram à cidade de Madrid, o primeiro para jogar no Real Madrid e o segundo no Atlético, inicia-se o debate sobre o eixo central da defesa portista. Da época passada transitam Pepe, Mbemba, Diogo Queirós e Diogo Leite. A juntar a estes há ainda o venezuelano Osorio, que Pinto da Costa já confirmou no plantel da próxima temporada ou, pelo menos, com lugar na pré-temporada.

Pepe terá lugar certo no plantel e, provavelmente, no onze. Resta perceber quem o irá acompanhar. Mbemba, que me parece muito melhor jogador do que o que as poucas oportunidades que teve fazem crer, deve, no mínimo, permanecer no clube (ao que parece, como terceiro da hierarquia). Os dois Diogos são um caso bicudo. Atingiram um nível de maturidade elevado que já nem a equipa B suportará e se não se encontrar espaço para que possam começar a aparecer consistentemente nas opções iniciais da equipa principal, o melhor será rodarem no próximo ano numa equipa da Primeira Liga. Acredito que será o destino de pelo menos um deles. Quanto a Osorio, que realizou uma boa Copa América, será o seu desempenho nesta fase preparatória a ditar os seus futuros passos.

Parecem-me, a mim, opções de sobra para aguentar uma época inteira ao mais alto nível mas, aparentemente, não é esse o entendimento de Sérgio Conceição nem da SAD. Apesar de o FC Porto contar com cinco jogadores para duas posições, a possibilidade de o clube recorrer ao mercado para contratar um jogador para a posição é elevada.

É, então, com base nesta premissa que o nome de Iván Marcano surge como forte possibilidade para regressar ao clube. Depois de uma época infeliz na AS Roma, o jogador procura uma solução para prosseguir a carreira que lhe garanta tempo de jogo e luta por títulos.

Jogador pode estar de regresso ao clube
Fonte: FC Porto

Marcano passou quatro épocas ao serviço do clube, que se dividem em termos qualitativos. Se nas primeiras duas o seu rendimento deixou algo a desejar, nas últimas assumiu um papel de capitão e de enorme preponderância tanto na manobra defensiva como ofensiva da equipa. Deixou o clube no final do seu contrato e assinou um outro bem chorudo na capital italiana.

Em termos técnicos, e aos 32 anos, tem todas as condições para voltar a ter um papel de destaque na defesa do FC Porto. Impressiona, principalmente, pela sobriedade e calma com que executa todas as suas ações em campo. Tem uma leitura de jogo bastante acima da média, que lhe confere uma capacidade invulgar de jogar na antecipação. Praticamente intransponível pelo chão, está quase sempre no sítio certo. Impecável a dobrar o lateral e o central que joga ao seu lado. É canhoto, joga preferencialmente como central pelo lado esquerdo. Outra das suas qualidades prende se com a boa capacidade de passe na saída de bola. Ora, nesta perspetiva, acabaria por ser um excelente reforço.

Contra si tem o enorme ordenado que aufere, alguns anticorpos que terá fomentado junto da massa adepta depois de ter abandonado o clube a custo zero, a idade relativamente avançada e o número de opções válidas de que o FC Porto dispõe para a sua posição.

Em suma, parece claro que Sérgio Conceição entende que o FC Porto precisa de mais um central nos seus quadros. Assim sendo, Marcano tem que ser entendido como uma excelente opção para render no imediato, sempre e quando os valores económico-financeiros envolvidos se adequem à realidade portuguesa e à débil situação de tesouraria do clube.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Um passo rumo à estabilidade

Quem acompanha o futebol português deverá saber que o Vitória Futebol Clube tem passado por graves problemas financeiros há vários anos, fruto de uma SAD que está afogada em dívidas. Esta situação económica difícil do Vitória FC tem atravessado um período particularmente conturbado no actual mandato, que decorre desde novembro de 2017, quando Vítor Hugo Valente assumiu os destinos do clube e da SAD.

Durante este período, têm surgido vários rumores de salários em atraso, bem como pedidos de insolvência, sendo que actualmente, os credores reclamam uma dívida que no total ronda os 20 milhões de euros. Entre estes credores, estão fornecedores, entidades, bem como empresários e antigos funcionários do clube.

Entre alguns destes casos, está o do treinador José Mota, que orientou o clube sadino entre Fevereiro de 2012 e Outubro de 2013, que reclama uma dívida de 165 mil euros, referentes ao ano de 2013, ano no qual era pública a existência de salários em atraso. O ex-jogador Ricardo Silva, que representou o Vitória FC entre 2009 e 2013, tendo inclusive sido capitão de equipa, também pediu a insolvência da SAD no âmbito de uma dívida referente ao mesmo período, acrescentando ainda que havia muitos ex-jogadores do clube na mesma situação.

Vítor Hugo Valente é presidente do Vitória FC desde Novembro de 2017
Fonte: Vitória FC

Mas o episódio mais mediático, surgiu no dia 22 de Abril deste ano, quando o agente Paulo Rodrigues invadiu as instalações do clube para reclamar uma dúvida de 645 mil euros, tendo este chegado a causar danos materiais. Acto que foi assumido elo próprio empresário numa publicação no facebook.

Tendo em contas estes e outros tristes episódios ocorridos no clube nos últimos tempos, a SAD avançou em fevereiro deste ano para um requerimento de um Plano Especial de Revitalização, de modo a aliviar um pouco a situação económica difícil que esta atravessa.

Um Plano Especial de Revitalização (PER) é um processo que entrou em vigor no ano de 2012, que funciona como um mecanismo alternativo à insolvência, visando salvar uma empresa e os seus postos de trabalho, no qual as penhoras sobre os bens da empresa são suspensos, permitindo que esta se mantenha em funcionamento. É um processo que permite à empresa ganhar algum fôlego nas negociações com os credores, sendo um mecanismo mais dinâmico para a sua recuperação e restruturação. No entanto, um PER não pode funcionar sem a aprovação dos credores, cabendo a eles definir a reestruturação e renegociação da dívida.

No dia 28 de junho, o clube anunciou no seu site a aprovação do Plano Especial de Revitalização por parte dos credores, e consequentemente a sua homologação, sendo este o terceiro PER do Vitória FC nos últimos seis anos. Uma medida que foi descrita por Vítor Hugo Valente como “um instrumento essencial para a estabilização financeira prometida pela actual direcção do Vitória FC”, bem como um acto de confiança dos credores nesta direcção.

Ainda há um longo caminho a percorrer e como se tem verificado, as coisas ainda estão longe de chegar a um bom porto. No entanto, este PER pode ser o primeiro passo dado rumo à estabilidade financeira que foge ao clube há anos e que seria algo bom para o futebol português e para um dos emblemas com mais história no nosso futebol.

Foto de Capa: Vitória FC

Reparos ao funcionamento do Europeu sub-21.. ou sub-23?

O Europeu sub-21 deste ano teve lugar em Itália e coroou a Espanha como campeã, numa final em que os espanhóis se vingaram da Alemanha que os havia vencido na partida decisiva de 2017. Ninguém duvida da qualidade dos elencos, mas pretendemos levantar algumas questões sobre o funcionamento da prova.

A edição deste ano foi apenas a segunda que contou com 12 seleções na fase final, isto porque até 2017, todas as edições eram formadas por 8 equipas divididas por 2 grupos, seguindo os dois primeiros de cada para as meias-finais. No entanto, com o alargamento da competição, as equipas passam a ser divididas por 3 grupos, dos quais se apuram apenas o primeiro classificado para as meias-finais, juntando-se a estes o melhor segundo classificado de todos os grupos. Ora, este método não nos parece o mais justo, pois equipas como a Itália e a Polónia que fizeram 6 pontos, os mesmos que o primeiro classificado Espanha, ficaram de fora por uma escassa diferença de golos face aos espanhóis. Este processo causou ainda um “empate anunciado” entre França e Roménia no último jogo da fase de grupos, num jogo em que ninguém queria perder e ambas ficavam apuradas com o empate.

Para contornar este efeito, sugerimos duas formas: ou aumentar o número de equipas para 16, distribuindo-as por 4 grupos e criando quartos-de-final ou, à semelhança do que aconteceu na Copa América, mantendo as 12 equipas, apurar as 2 primeiras de cada grupo e as duas melhores terceiras classificadas. Assim, valorizaríamos a consistência das equipas e criaríamos mais emoção.

Fabian Ruíz, MVP da competição, tem 23 anos…
Fonte: UEFA

Outro dos aspetos mais discutíveis é a idade dos jogadores convocáveis. O requisito da UEFA é o jogador ter 21 anos no início da fase de qualificação, ou seja, dois anos antes da fase final. Assim, a grande parte dos jogadores chegam aqui com 23 anos, sendo jogadores já “feitos” e a competição não funciona como um último passo na formação. Para se ter uma ideia, nos elencos das equipas presentes na grande final, nenhum alemão tinha 21 ou menos anos e apenas um espanhol cumpria este requisito (Dani Olmo). A maior parte dos jogadores estão a poucos meses de cumprir 24 anos, bem longe dos 21 que categorizam a competição.

Se é certo que aumenta o nível da competição, também é certo que se afastam do propósito da mesma. Afinal isto é o Europeu sub-21 ou Europeu sub-23? A repensar…

Foto de Capa: UEFA