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A orquestra leonina pode tocar sem maestro?

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Será provavelmente a maior dor de cabeça de Marcel Keizer para o pouco que resta na época desportiva dos Leões. Apesar do Sporting CP ter praticamente garantido o falhanço nos seus objetivos para a presente temporada, ainda existe uma réstia de esperança em chegar ao terceiro lugar e à final da Taça de Portugal.

O capitão leonino, padece de um problema muscular na coxa direita – inclusive foi dispensado dos encontros da Selecção Nacional – e tem cumprido um programa de recuperação física com tratamento e trabalho condicionado. Apesar de melhorias, o médio não parece estar ainda nas melhores condições para alinhar na próxima partida dos Leões, que se deslocam ao terreno do GD Chaves. Existe ainda o receio de agravar a lesão e ficar então de fora da segunda mão da meia-final, diante do eterno rival, o SL Benfica.

E o problema para o treinador holandês começa aqui. Bruno Fernandes é o melhor jogador do plantel leonino, não há dúvidas disso. E as suas exibições confirmam esse estatuto. Conta com mais de 3500 minutos esta época, no conjunto de todas as competições oficiais que participou. Junta a isso uns incríveis 24 golos e 14 assistências em 43 jogos. Números impressionantes para o médio, que é o dono do meio-campo leonino e o grande criativo do mesmo. Por toda a sua inteligência, por aquilo que dá à equipa, por ter golo e facilidade de remate, por ter qualidade no passe, por ser o único que mesmo jogando mal está acima de todos os outros.

Bruno Fernandes é a peça chave do Sporting CP. Irá a equipa sentir a sua falta?
Fonte: Diogo Cardoso/BnR

Creio que Marcel Keizer não irá correr riscos e irá mesmo poupar o internacional português. Tendo em conta todas as outras opções estão em condições de disputar o jogo – tirando apenas Battaglia – a minha escolha recai num meio-campo a três com: Doumbia, Wendel e Francisco Geraldes. Já a escolha de Marcel Keizer deverá recair em: Doumbia, Wendel e Gudelj. Não consigo concordar com esta abordagem e creio que o Sporting CP irá ter muitas dificuldades em Chaves, se alinhar dessa forma.

Gudelj não procura espaços entrelinhas, não tem golo, o próprio remate de meia distância não tem saído tão bem como em épocas anteriores e sobretudo não procura ser criativo. Wendel é para mim um jogador com uma boa meia distância, que por vezes precisa de ter menos medo de arriscar no remate, e é também um jogador capaz de progredir com a bola. Apresenta muitas características de box-to-box. E jogando ao lado de Gudelj, teria de fazer a sua posição e a do seu companheiro, acabando por se desgastar e eventualmente ficar focado mais no processo defensivo e no equilíbrio, que propriamente no processo ofensivo e a criar espaços e a procurar jogo entrelinhas.

Com a titularidade de Geraldes, o Sporting CP iria alinhar com um jogador mais próximo daquilo que Bruno Fernandes dá ao jogo. Capacidade de passe, capacidade de ler o jogo, inteligência, maior capacidade ofensiva e na chegada à baliza adversária, boa técnica e eficiente procura de espaços entrelinhas. Um jogador que se consegue equilibrar com e sem bola. Penso que dará muito mais à equipa do que Gudelj, permitindo então a Wendel ser um autêntico box-to-box e a Doumbia focar-se nas tarefas defensivas, procurando por vezes arriscar um pouco, devido à sua capacidade técnica e física.

Cabe agora a Marcel Keizer, a missão de encontrar soluções dentro do plantel e de conseguir sem a sua maior referência e sem o jogador que mais preponderância tem no jogo leonino, resultados positivos e uma boa performance, que permita aos adeptos e simpatizantes do Sporting CP, ganhar novamente confiança no técnico holandês e nas suas decisões.

Foto de Capa: Sporting CP

Militão e o regresso da galinha dos ovos de ouro

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São já longínquas as vendas astronómicas de Hulk, James, Falcão, Danilo ou Alex Sandro. É bom lembrar que a despedida destes craques do Dragão levou consigo tempos de glória ao clube e que motivou um hiato de longos e penosos quatro anos sem conquistas.

Durante esse tempo, de resto – e não me querendo aprofundar num campo que não domino – a gestão efetuada pelo clube mereceu muitas e, a meu ver, fundamentadas críticas. Desde o descalabro financeiro que culminou com a intervenção do organismo tutelador do futebol europeu aos ‘camiões’ de jogadores de qualidade duvidosa que aterrava no Porto.

Pinto da Costa e os seus pares sempre se revelaram mestres na hora de olhar o mercado, dotar o plantel de jovens e promissores valores (a maior parte proveniente da América do Sul) a baixo custo, para os fazer evoluir, mostrá-los aos tubarões e vendê-los por valores categóricos.

Essa estratégia resultou em pleno durante anos, pelo que a mudança de rumo acabou por surpreender ao ponto de o próprio rumo do clube e consequentemente da equipa principal ficar seriamente comprometido.

Hulk e James foram das “grandes” vendas do FC Porto
Fonte: FC Porto

2017 revela-se o ano decisivo no que à transformação da história diz respeito. Chega Conceição, os custos reformulam-se, as contratações praticamente não existem e o clube reentra no caminho do sucesso, muito tempo depois. O ‘murro na mesa’ acabou também por resultar em mudanças na super badalada estrutura. E é aí que chegamos a Éder Militão.

O jovem brasileiro de 20 anos faz lembrar os bons velhos tempos, nos quais se comprava bom e barato para se vender bem caro (na nossa realidade, claro). Nesta equação entra também o departamento de scouting, até então num aparente sono profundo.

A chegada de Militão, a ascensão que conseguiu em menos de um ano e o potencial que todos lhe reconhecem são não só um importante contributo financeiro para as contas do clube como também um excelente cartão de visita para que outras jovens promessas lhe possam seguir as pisadas, optando pelo FC Porto quando outros projetos igualmente aliciantes lhes aparecerem pela frente, procurando ter na invicta a visibilidade e a rampa de lançamento para o topo europeu que tanto almejam.

O dragão parece ter reencontrado a sua galinha dos ovos de ouros e, desta vez, o importante mesmo seria não dar-lhe o fim que todos conhecemos.

Foto de Capa: FC Porto

Fernando, tira o Mustang da garagem

Um dos maiores enigmas do futebol português, é a constante desvalorização de um dos melhores jogadores portugueses das últimas décadas: Ricardo Quaresma.

Ao contrário de outros grandes nomes do nosso futebol nos últimos tempos, como Nani, João Moutinho, Pepe, já para não falar de Cristiano Ronaldo, entre outros, Quaresma tem sido constantemente preterido e descartado por certos selecionadores, em certas alturas e em certos jogos.

Depois de não ter sido chamado nenhuma vez para a Liga das Nações, Quaresma ficou agora fora da convocatória para a dupla jornada de qualificação para o Europeu e, a verdade, é que se notou e muito a falta do nosso “abre-latas”.

Ricardo Quaresma, que parecia uma carta fora do baralho da seleção até à chegada de Fernando Santos, parece ter perdido novamente fulgor e peso na formação portuguesa.

Se Fernando Santos realmente merece todos os elogios por ter recuperado um dos maiores génios do nosso futebol dos últimos tempos para a seleção das Quinas, também merece ser questionado o porquê de “forçar” a saída de cena do “Mustang”. Fala-se muito em fornadas ou gerações e parece que o selecionador está a deixar-se levar na onda.

Seria impensável deixar jogadores como Pepe de fora de convocatória por causa da idade
Fonte: FPF

Parece-me ser inquestionável que Cristiano Ronaldo continua no topo da pirâmide do futebol mundial com 34 anos. Que Pepe (36 anos) e Fonte (35 anos) continuam a ser dos melhores centrais portugueses da atualidade, daí justificarem a chamada (atenção que Bruno Alves, de 37 anos, renovou com o Parma FC e esteve a um passinho de assinar pela Juventus FC em janeiro, mas também foi “limpado” das convocatórias sem sentido algum).

Que Moutinho continua preponderante numa das melhores equipas da Premier League, no melhor e mais competitivo campeonato do Mundo. Então se nestes casos toda a gente compreende a continuação na seleção, porque é que o Quaresma, que preenche todos os requisitos, tem de deixar ir à seleção por vir uma fornada de jogadores talentosos?

Mourinho no Inter: uma utopia saudosista ou… destino?

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Em Itália presta-se uma autêntica “vassalagem”, passe a expressão, à Juventus. Os rivais foram perdendo capacidade de competir pelo trono transalpino. Desde o início do milénio, foram desvanecendo Parma, Fiorentina, Lazio, Roma, Inter, e foi o AC Milan (2010/11), o último emblema a negar a tendência atual.

Enfim, a queda do que restava do “monopólio” do futebol italiano. A reputação que era reconhecida ao último, perdera-se por completo. Itália, deixava, em definitivo, de ser então o local mais atrativo para os melhores executantes.

Ronaldo assinou pela Juventus, e espera-se o eclodir de um novo ciclo. Com a chegada de um dos melhores futebolistas de sempre, os holofotes acendem para aquelas bandas como há muito não se constava.

Com o Nápoles, nos últimos anos, a ser o rival mais próximo da Vecchia Signora, os gigantes adormecidos de Milão têm de ter a pretensão, não apenas de se aproximarem, mas de quebrar um enguiço com quase dez anos de idade. Para já, “apenas” pensam construir um novo estádio.

Mourinho já treinou o Inter. Lá é visto, autenticamente, como uma divindade. Mesmo sabendo que não se deve voltar a um sítio onde se foi (muito) feliz, a verdade é que após a sua saída, o clube não se voltou a erguer. Tem tido épocas, não propriamente desastrosas, mas sem conseguir entrar na rota do scudetto.

Fonte: Inter FC

Claro que querer uma coisa não chega por si só. O que se sabe, é que o consagradíssimo treinador deseja um projeto bem delineado, desafiante. Espera, acima de tudo, encontrar uma estrutura que sintonize consigo na perfeição.

O seu modo de abordagem ao jogo tem como base, a decisão do encontro mediante um plano, de algo bem pensado. O próprio já o transmitiu. Uma estratégia que, aparentemente, deixa para segundo plano a prática do “futebol espetáculo” (Simeone e Fernando Santos assentam no mesmo estilo). Prefere segurar, a arriscar. Liga melhor do que o Calcio para dar seguimento a esse padrão ainda está por aparecer.

A não ser o caso PSG… O clube de Nasser Al-Khelaifi, que ano após ano, vê entrar “inúmeros” fundos com um intuito bem claro, adia a tão aguardada conquista. Já contou com Zlatan, agora tem Neymar e Mbappé juntos… E, nessa mesma prova (Liga dos Campeões), ainda não superou os quartos de final.

É importante atentar no facto de que quando pegou no Chelsea, no Inter, no Real Madrid, novamente no Chelsea, e no Man. United, a sua “missão” era levantar o emblema. Na sua primeira vez em Inglaterra, a voos estáveis a alta altitude. Nos restantes casos enunciados, a altos voos já efetuados no passado, mas que, entretanto, se tornaram altos de mais.

Com uma reputação global impressionante, como a que ostenta José Mourinho (não só como “mero” treinador, mas também como conhecedor do jogo e comunicador), o dito é dos poucos que se pode dar ao luxo de “escolher”. Embora pese a sua recente e difícil luta em Londres, e Manchester, talvez o Special One só não tenha ido para a capital espanhola devido à rejeição de alguns catedráticos de renome no seio do “madridismo”. Por essa lógica, fez bem em não ir. Corria o risco de ver “ser-lhe feita (novamente) a cama”.

Como adepto, ver Mourinho regressar ao Inter, com a “missão” de derrubar a toda poderosa Juventus, seria tão interessante como quando assumiu o “Clube do Século XX”, à data, ofuscado pelo tiki-taka….

Foto de capa: UEFA

Artigo revisto por: Jorge Neves

Será 2019 o ano de Verstappen?

Max Verstappen é uma das figuras mais controversas da Formula 1 dos últimos anos. Há quem adore o seu estilo agressivo e a fluidez com que conduz, outros odeiam a sua imaturidade e personalidade arrogante. Eu pessoalmente vejo os dois lados, considero-o um dos melhores talentos a surgir na F1 desde Lewis Hamilton, mas repreendo a impaciência que ele por vezes demonstra, o que o leva a ter acidentes e perder corridas desnecessariamente. 

No início de 2018, o piloto da Red Bull teve um inicio de ano horrível, com acidentes atrás de acidentes, e começaram a surgir dúvidas sobre se esse talento puro que existe nele, poderia algum dia vir ao de cima. Depois aconteceu a segunda metade do ano. 

Com um carro inferior aos pilotos da Ferrari e Mercedes, Max conseguiu ser o segundo piloto com mais pontos, batido apenas por Lewis Hamilton, e por uma unha negra não conseguiu o terceiro lugar de Kimi Raikkonen.

Isso faz refletir sobre o que poderia ter sido, não fosse as 6 primeiras corridas do ano, onde existiram sempre acidentes que o prejudicaram na hora de conseguir uma boa dose de pontos, por exemplo, na China, podia ter sido ele a vencer, não fosse a ultrapassagem ridícula que tentou fazer a Vettel, que destruiu a corrida aos  dois, eventualmente, Ricciardo venceu, ao mostrar como se ultrapassa sem bater.

Um dos acidentes mais marcantes de 2018. O choque contra Ricciardo em Baku
Fonte: Formula 1

Mas a partir daí vimos o belga constantemente no pódio, com uma vitória na Áustria, outra no México, e uma condução soberba no Brasil, onde tinha a vitória no bolso, mas perdeu muito por responsabilidade de Esteban Ocon. 

O que falta decidir até 10 de abril

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Estamos a menos de duas semanas do final da temporada regular na NBA. E se muito já está decidido, o que é normal numa temporada com 82 jogos por equipa, ainda há vários pontos de interesse destes últimos dias. Há lugares de playoff a decidir, há equipas que não sabem se vão de férias mais cedo e um monstro chamado Zion a sair da universidade.

No Oeste, é só uma questão de tempo até os Kings ficarem matematicamente de fora dos playoffs e ficarem assim definidos os oito concorrentes. Mas a maior história será sempre a de um outro King, que vive agora em Los Angeles. LeBron James tem sido a face da NBA, pelo menos, na última década e vai terminar a sua temporada em abril, pela primeira vez, desde o longínquo ano de 2005. E os Lakers ainda podem cair o suficiente para conseguirem uma escolha no draft que seria inesperada.

Mas deixando de lado LeBron, falta decidir ainda o vencedor do Oeste. Warriors e Nuggets estão próximos e ainda se defrontam em Oakland. Mais habituados a estas andanças, os Warriors poderão começar a descansar jogadores e não será de estranhar que a turma de Denver vença o lado do Pacífico. Daí para baixo, virá a luta pela vantagem caseira e os matchups ideais, mas pouco mais interessará.

Giannis e os Bucks não precisam de olhar para cima, pois só uma hecatombe lhes retirará o melhor recorde da liga
Fonte: Milwaukee Bucks

Do lado Este, Antetokoumpo e os Bucks caminham para o melhor recorde da liga. Aliás, os cinco primeiros lugares estão basicamente entregues, faltando saber quem ficará com a vantagem caseira no confronto Pacers-Celtics. Daí para baixo é que tudo se complica. Nets, Pistons, Magic, Heat e Hornets lutam pelos últimos três lugares nos playoffs, com apenas 2.5 jogos a separarem os de Brooklyn (sextos classificados) e os de Charlotte (décimos).

Por fim, a luta de quem mais perdeu. Os quatro piores recordes da liga ficarão com as maiores possibilidades de garantirem a escolha número um do draft, que será Zion Williamson. Knicks, Suns e Cavaliers já devem ter assegurado três desses quatro recordes, com os Bulls a deverem juntar-se a eles. Há mais nomes de interesse a entrarem na NBA este ano, mas o potencial de Zion é aquele que faz os adeptos sonharem.

Foto de Capa: Golden State Warriors

Gabriel? Sim, o novo Gabriel!

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É de todo oportuno escrever sobre um dos homens fortes da equipa do SL Benfica: Gabriel. E, de forma a percebermos o que está em análise neste texto, é necessário perceber que Gabriel chegou ao Benfica na era de Rui Vitória e que a imediata adaptação ao futebol nacional não foi de todo um “mar de rosas”.

Gabriel chegou ao Benfica com um rótulo de “craque”. O valor pago em questão e os vídeos que iam promovendo o médio brasileiro faziam perceber que estávamos a contratar um meio-campista dotado de uma forte visão de jogo e rápido a subir e descer no terreno consoante a fase do jogo.

Com Rui Vitória, o processo de aprendizagem e o futebol praticado não foram atraentes e Gabriel nunca conseguiu praticar um jogo fluido. Há quem diga que se devia ao facto de o meio-campo encarnado ser constituído por três médios e isso tirava espaço e protagonismo a um box-to-box como Gabriel é.

Há quem diga que o brasileiro simplesmente estava com dificuldades em adaptar-se ao futebol português devido às diferenças do estilo de futebol. Há quem… muitas foram as opiniões dadas acerca de Gabriel, mas a verdade é que hoje percebemos a qualidade de jogar que o Benfica tem no balneário e a influência que o mesmo tem num esquema tático como este que o Benfica utiliza.

O Gabriel é, atualmente, o jogador que mais controlo tem sobre as jogadas ofensivas
Fonte: SL Benfica

Com Gabriel, o jogo flui com muito mais tranquilidade do que com qualquer outro médio encarnado.

Salta imediatamente ao pensamento o nome Pizzi para jogar à frente do trinco, mas a verdade é que Gabriel é um médio muito diferente e muito mais seguro do que Pizzi nas tarefas ofensivas. O seu pé esquerdo serve de controlo teleguiado a bolas longas para as alas ou até a remates de grande potência aos guarda-redes adversários.

O seu porte físico torna o meio-campo encarnado mais seguro defensivamente, seja na procura de bola em ressaltos, ou cortes e encostos de ombro. Claro que o porte físico, utilizado sem justificação, pode provocar cartões amarelos desnecessários e até expulsões.

É sobre uma específica expulsão de Gabriel que temos de perceber o impacto de jogar com ou sem Gabriel. É que, a partir do momento que todas as jogadas ofensivas e tarefas defensivas acabam por ter o jogador brasileiro como um dos homens de destaque, a ausência do mesmo deixa o Benfica sem o seu homem forte do meio-campo. Notou-se esse impacto negativo logo no jogo a seguir ao clássico no Estádio do Dragão.

O empate em casa com o Belenenses SAD mostrou um Benfica que procurou, com insistência, o futebol de alas e sem grandes soluções, pois a forma, a estratégia habitual, era um Benfica interior onde o médio ligava a zona mais recuada do terreno aos homens da frente.

Visto assim, é importante ter Gabriel até ao final da temporada, continuando as suas boas exibições, dando assistências, construindo jogo e fazendo a diferença perante os adversários das próximas jornadas.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Driedaagse Brugge-De Panne: Wild vence ao sprint

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A primeira clássica belga da temporada no World Tour tinha grau de dificuldade baixo e as condições meteorológicas amenas – apenas se registou algum vento – contribuíram para isso.

A primeira parte da corrida foi marcada por vários ataques na tentativa de constituir uma fuga, mas nenhum deles teve sucesso. A mais capaz entre as ofensivas foi a campeã nacional Daniela Reis, que conseguiu manter-se durante alguns quilómetros em solitário face ao pelotão, demonstrando estar a ficar em forma.

No entanto, com o passar dos quilómetros, começaram a ser as atletas de maior valia a tomar conta da corrida, mas não sem antes todo o pelotão ter sido parado numa passagem de comboio.

Essas mexidas foram criando cortes no grupo e a líder da Juventude do World Tour, Sofia Bertizzolo, aproveitou para passar para a frente, tentando surpreender à distância.

O pelotão é que não estava para se deixar levar e, com uma Boels-Dolmans empenhada em fazer diferenças, continuou a puxar a alto ritmo. De pouco serviria, porque os grupos acabariam por reagrupar e, à entrada dos últimos 20 quilómetros, a WNT-Rotor de Wild e Brennauer pegou na corrida na perspetiva de uma chegada compacta.

Apesar de uma queda envolvendo Brand e Brown à entrada dos dez mil metros finais, não haveria como evitar o sprint. A Sunweb e a Trek lideraram nos metros finais para colocar as suas velocistas, mas foi a estrela da pista Kirsten Wild quem apareceu um nível acima para conquistar um belo triunfo.

Marta Bastianelli terminou em sétimo e reforçou o estatuto de líder do World Tour, aumentando ligeiramente a vantagem para Marianne Vos, que, ainda assim, também fechou entre as dez melhores.

Classificação

  1. Kirsten Wild (WNT-Rotor) 3:13:07
  2. Lorena Wiebes (Parkhotel Valkenburg) m.t.
  3. Lotte Kopecky (Lotto Soudal) m.t.
  4. Lotta Lepisto (Trek-Segafredo) m.t.
  5. Susanne Andersen (Sunweb) m.t.

No ano em que eu nasci…

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Atraquei no porto de Vila Nova de Famalicão no décimo dia do quinto mês do primeiro ano do novo milénio. A caixa torácica ancorou o meu primeiro brado, outros seguiam-se com maior pujança.

Porém, quando sou confrontado com a minha espécie, todo o choro se esvai e toda a fúria, materializada na cor vermelha que domava o meu corpo na íntegra, desaparece.

Após quase duas décadas de demanda ao fundamento lógico do momento, eis que me surge a explicação: defronte de mim estava o meu pai e os bramidos findaram pelo simples facto de, no primeiro “tête-à-tête”, sermos acorrentados pela conexão clubística que, nove meses antes, me impusera (graças, não a Deus, mas ao meu querido pai) e por, naquele momento, o seu olhar terno e afetuoso me desviar da rota dos maus costumes. A ideia pode constituir uma parvoíce, mas creio que, durante algum tempo, o ciúme e a minha mãe andaram de mãos dadas…

Após cumprimento normal dos quatro dias, regressei a casa. Um sportinguista que se preze, mesmo que não possua conhecimento algum em contabilidade, sabe (ou deveria saber) que o 14 de maio era o “dia D”.

Motivado e completamente eufórico pela tão desejada consagração do título e posterior festejo com o companheiro de uma vida (o biberão), trocam-me as voltas e começam a chegar, aos magotes, membros e amigos da família.

Abateram-se sobre mim a tristeza e angústia e o resultado foi choro compulsivo. Desengane-se aquele que pensa que, com quatro dias de vida, não adquirimos o poder de escansão de prioridades…

Felizmente, a noite caía e a casa perdia volume. O derrame de lágrimas azedas e iradas permaneceu, até que o Messias me pega ao colo e se dirige para a sala, onde estava localizada a TV a cabo. A estratégia delineada, baseada na preocupação paternal, visava o evitamento de trabalho e pesquisa futuros, descortinando a realidade na qual vivíamos.

Schmeichel e Acosta seguiram as minhas pisadas, sorrindo vincadamente
Fonte: Sporting CP

O Telejornal abria com o triunfo leonino: o mar verde e branco, depositado no Vidal Pinheiro, despertou a minha atenção e cessou o choro de horas a fio. Quatro sorrisos se soltaram, numa homenagem aos quatro tentos apontados (André Cruz x2, Aldo Duscher e Kwame Ayew).

As demonstrações de amor gestual prosseguiam ao ritmo asseverado pelos festejos: norte, centro, sul e ilhas exultavam e, por incrível que possa parecer, lacrimejavam simultaneamente à espontaneidade de um sorriso rasgado. E eu, inapto a tal compreensão, sorria, sorria e sorria.

Apesar de ter vivido o epílogo do trilho, a última das 34 jornadas, o campeonato de 1999/2000 assumirá sempre o estatuto de pedra basilar. O mau começo ainda no ano de 1999 e a interrogação constante sobre os atletas, a vinda de Augusto Inácio e a prática atrativa e alegre de futebol e a glória mais do que merecida alcançada após 18 longos anos, num grito de revolta e num rugido quase tão avassalador como o choro de uma cria indefesa como eu.

Curiosamente, sempre que completo mais um ano, relembro esse jogo e tudo o que o envolveu porque, embora mais crescido, continua a ser a única maneira de pôr término ao lacrimejar ingénuo que me auxilia desde o berço.

Foto de Capa: Sporting CP

Corona, que lesão tens tu?

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Campeonato parado, seleções em ação: foi esta a história da última semana. De lado a rivalidade da luta efusiva pelo primeiro lugar e, em contrapartida, a união dos rivais em prol do emblema do seu país. Ainda assim, estes jogos pelas Seleções têm sempre pontos positivos e negativos. Para jogadores que habitualmente são uma opção nas respetivas equipas, torna-se desgastante a chamada, não só pela viagem como pelos minutos jogados. Por outro lado, uma chamada para representar o país em que são naturais é sempre um motivo de orgulho. Uma questão que agrada os jogadores, mas que deixa os dirigentes dos clubes de nariz torcido.

No caso do FC Porto foram vários os jogadores que receberam ordem de chamada por parte da sua seleção e quase todos foram, excepto… Jesús Corona. Em torno desta ausência chegaram as especulações, os rumores e até a indignação dos membros da seleção Mexicana.

Especulou-se e, inclusive, escreveu-se que Corona estava a renegar a seleção, ao dizer que “não” à chamada… No entanto, esta foi uma teoria que agente e clube tentaram desde cedo esclarecer, evidenciando a vontade do atleta em fazer parte da Seleção Mexicana.

Jesús Corona prolongou o vínculo com o FC Porto até 2022
Fonte: FC Porto

Segundo o FC Porto, o jogador mexicano apenas faltou à chamada da seleção por estar lesionado. O extremo encontra-se com um problema físico no tornozelo esquerdo, desde o jogo com o SL Benfica, tendo inclusive treinado à parte, apesar de ter sido opção na última partida diante do CS Marítimo, jogo em que os portistas venceram por 3-0.

No entanto, a explicação dada pelo FC Porto à Seleção Mexicana não agradou aos responsáveis da formação tricolor, nem ao selecionador Tato Martino. Face a toda a situação envolvente, o agente de Corona dirigiu-se até aos EUA para esclarecer todas as dúvidas existentes. Nas redes sociais, o atleta foi partilhando momentos da recuperação da lesão, ainda assim, essas imagens não foram convincentes.

O que é certo é que face ao tempo de paragem do campeonato, e o ter falhado aos jogos do México, Corona teve maior tempo de recuperação e tudo indica que estará apto para a deslocação a SC Braga, este sábado.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira