Se em pista coberta a atleta etíope tem demonstrado sucessivamente a sua superioridade, o mesmo não tem acontecido de forma tão acentuada ao ar livre. Depois de um 2014 de altíssimo nível, a atleta etíope viria a conquistar o título mundial um ano depois em Pequim, já depois de alcançar o recorde mundial dos 1.500 metros.
A medalha de Pequim é, ainda assim, o único Ouro em eventos globais de uma atleta que um dia se pensou que poderia vir a ser ainda maior do que a sua irmã. Será ainda possível?
E não é que já estamos em período de decisões? Bom, pelo menos em parte: para o FC Porto, as decisões iniciaram-se em Aveiro com a conquista da Supertaça e, brevemente, passarão também por Braga, onde, juntamente com SL Benfica, Sporting CP e o clube local, disputará o título de campeão de inverno, título esse que insiste em escapar aos azuis e brancos. Será desta que veremos a Taça da Liga no nosso museu?
Historicamente, esta prova jovem tem conseguido dividir as opiniões dos adeptos portistas: por um lado, existem aqueles adeptos que continuam a atribuir uma importância mínima a esta competição; do outro lado, há quem defenda que o “Porto à Porto” tem que ser capaz de conquistar todos os troféus a nível nacional. Portanto, em que ficamos?
A meu ver, ninguém está errado nesta situação, como também ninguém está completamente certo. Uma ilação que a sociedade deveria estar apta a tirar é o facto de que muito raramente um “extremo” está certo. Portanto, não só neste tópico, como em tudo o resto, procuro encontrar um ponto de equilíbrio entre ambas as extremidades.
O FC Porto apresentar-se-á em Braga com diversas baixas, de entre os quais o médio português Danilo Fonte: FC Porto
Vamos por partes: a Taça da Liga não pode continuar a ser encarada como apenas uma série de jogos amigáveis, principalmente no enquadramento atual. Uma derrota frente a SL Benfica nas meias-finais ou frente a um dos Sportings na final deixará certamente uma marca não só no plantel, como também na maioria dos adeptos; uma marca que, como alertei no meu último artigo, pode ser fatal para as aspirações do FC Porto nas diversas competições.
Logo, não, não podemos encarar esta final-four como apenas uma visita turística a Braga. Mas, da mesma forma que não podemos encarar este troféu como algo sem valor, devemos ter a consciência que também não se trata de uma obrigação; até concordaria com este rótulo caso estivéssemos a assistir a um outro Porto, mas o facto é que estamos a assistir a uma equipa cansada, com várias baixas relevantes e com poucas opções de qualidade. É um plantel curto com inúmeros objetivos em cima dos seus ombros; “há que ter bom senso acima de tudo”: provavelmente será essa a conclusão que tento chegar.
Sintetizando, fica aqui o meu conselho: portistas, caso este troféu não acabe nas nossas mãos, peço que não a encarem com a leveza de outros anos, mas também não a tratem também como um possível apocalipse.
Liverpool FC e Crystal Palace FC mediram forças em Anfield no último sábado, a contar para a 23ª jornada de Premier League. Os três pontos acabaram por ficar em Liverpool, mas a grande réplica dos londrinos ainda levou muitos a pensar que Roy Hodgson ia voltar a ter um impacto direto na corrida ao título depois de, no final de dezembro, ter ido ao Etihad derrotar Guardiola. Assim, Salah (por duas vezes), Firmino e Mané marcaram os golos que permitiram a Klopp manter a distância para o Manchester City FC, no topo da tabela.
Equipas
Parece que Klopp abdicou do seu 4-3-3, que vinha a utilizar praticamente desde a sua chegada a Liverpool, em detrimento do 4-2-3-1. Frente ao Palace, Fabinho e Henderson alinharam lado a lado para formar o duplo pivô, na proteção à linha defensiva, que viu Milner como lateral-direito, Dijk e Matip no centro da defesa e Robertson sobre a esquerda. Na frente, Firmino jogou nas costas de Salah, com Mané pela direita e Keita pela esquerda.
Hodgson, como era expectável, apresentou um bloco baixo em 4-5-1, com a linha defensiva muito estreita entre si, não concedendo praticamente nenhum espaço entre os jogadores. Essa linha de quatro homens era formada por Wan-Bissaka (à direita), Tomkins, Sakho e Aanholt (na esquerda). Na frente destes quatro homens, protegendo-os, uma linha de cinco jogadores com Zaha (à esquerda), Kouyaté, Milivojevic, McArthur e Townsend (na direita). Na frente, Ayew.
Fonte: NBC SN
Roy Hodgson | Saber andar de autocarro
Sim, podemos dizer que estacionou o autocarro no relvado de Anfield, mas eu prefiro afirmar que utilizou da forma mais eficaz possível as armas (jogadores) que tinha à sua disposição para romper a estratégia do seu adversário, sem nunca abdicar de agredir o Liverpool.
Em baixo, vemos o quão compacto era o bloco defensivo do Palace. Linha defensiva próxima da linha média e jogadores da mesma linha a uma distância tão curta quanto possível para evitar que o Liverpool conseguisse jogar entre linhas. Assim, os Reds eram forçados a jogar no exterior do bloco, com os laterais (a amarelo) bem abertos em largura.
Fonte: NBCSN
Este posicionamento de Milner e Robertson significava que Zaha e Townsend (a azul) estavam mais próximos da baliza de Alisson do que os laterais Reds, ou seja, em posições muito favoráveis para atacar o espaço nas costas dos laterais do Liverpool nos momentos de transição.
Se Zaha, em desvantagem, é a dor de cabeça que é, imagine-se com vantagem frente a Milner, que, em resultado do que expliquei nas últimas linhas, encarava a estrela do Palace muitas vezes em situações de isolamento. Como ficou visível no primeiro golo:
Fonte: NBCSN
Liverpool | Paciência (e sorte) de campeão?
Os 70.6% de posse de bola podem ser muito enganadores e ter várias interpretações. Algumas pessoas dão muito valor, outras nem tanto, contudo, parece-me consensual que para se ter sucesso com esta quantidade de posse de bola, é vital ter paciência.
Na primeira parte, a bola andou entre as botas de Matip, Van Dijk, Fabinho, Henderson e ocasionalmente ia para os corredores, até aos pés de Robertson e Milner. Firmino, Mané e Salah não conseguiam ter bola nas suas zonas (entre linhas e entre corredores) e nem as típicas rotações posicionais estavam a ter efeito – o bloco adversário continuava coeso e compacto. Assim, como vemos em baixo, Firmino baixava, na tentativa de ajudar na penetração do bloco londrino, procurando também bolas diagonais para os laterais – em largura – e tentado colocar dúvidas aos jogadores adversários: “Mantemo-nos compactos horizontalmente e deixamos um homem livre nos corredores?”, ou “Abrimos um pouco mais para lidar com essa ameaça e arriscamos “levar” com uma bola entre linhas?”
Fonte: NBS SN
O Palace optou quase sempre por se manter compacto e conceder esse espaço nos corredores, ficando vulnerável a mudanças diagonais do ângulo do ataque para o homem livre, que era o lateral do lado oposto. Como aconteceu no terceiro golo:
Fonte: NBCSN
Lá está, equipa compacta e coesa, mas sem pressão na bola é muito perigoso.
O Benfica conta, neste momento, com quatro defesas centrais no plantel principal: Jardel, Rúben Dias, Conti e Lema. Sendo que destes quatro, apenas dois têm a unanimidade dos adeptos quanto à sua qualidade para entrar em campo para uma posição fundamental na defesa encarnada.
Acontece que a defesa tem sido um dos pontos mais criticados esta temporada, sendo claro que havia uma desorganização nos movimentos defensivos do Benfica, já que tem o maior número de golos sofridos, no campeonato, dos últimos dez anos: são 17 tentos que a defesa dos encarnados permitiu que entrassem na sua baliza.
Em várias ocasiões se notou a fragilidade defensiva da equipa, se bem que agora, nas mãos de Bruno Lage, tudo se parece estar a endireitar lentamente, levando a uma defesa mais coesa, organizada e segura.
No entanto, acontece que no plantel, só constam dois jogadores, Jardel e Rúben Dias, os habituais titulares, que podem cumprir com a maior qualidade e segurança a função de defesa central. Conti e Lema mostraram-se autênticos erros de casting, não havendo consenso entre a massa adepta quanto a estes dois atletas.
Conti não consegue convencer a maioria dos adeptos encarnados Fonte: SL Benfica
Eu sou da opinião de que Conti e Lema não são bons o suficiente para o Benfica, um facto que cria um problema. Na ocasião de um dos titulares, Rúben Dias ou Jardel, – ou até mesmo os dois em simultâneo – ficarem suspensos por um ou mais jogos, seja por lesão ou suspensão por amarelos ou expulsões, faz com que ou Conti ou Lema tenham de entrar para o onze inicial. Isto é algo que tem de preocupar a estrutura do Benfica, pensando seriamente em aproveitar estes últimos dias de mercado de inverno para adquirir uma melhor opção a estes dois atletas.
Se Jardel e Rúben Dias que têm provas dadas de qualidade têm tido a pior média de golos sofridos ao fim de 18 jornadas, ao colocar um jogador de menor qualidade em jogo poderá criar um buraco na defesa e desequilibrar um setor de elevada importância para a conquista de pontos em quaisquer ocasiões.
Na formação existem duas opções pertinentes: Kalaica e Francisco Ferreira (ou “Ferro”) – este último já analisado na rubrica Estrelas da Formação. Ambos são alternativas interessantes para uma subida à equipa principal, mas seria necessária uma maior análise para confirmar que ambos os jovens estão prontos para enfrentar uma maior competitividade. Kalaica já chegou a jogar – e marcar – pela equipa principal, na última jornada da época 2016/17, na Luz frente ao Boavista, marcando o empate ao cair do pano num jogo em que participou do início ao fim.
Seja qual for a opção, é certo que Conti e Lema não estão no patamar exigido na defesa do Benfica. No caso de acontecer um azar a qualquer um dos centrais habituais, nenhum dos dois parece estar ao nível de substituir os titulares. A janela de transferências está perto de fechar, a dia 31 de janeiro, por isso se for para ir buscar alguém que não esteja na formação, o melhor é apressar o processo.
Num jogo que mereceu o resultado, o Rio Ave não foi além do nulo com o Feirense e chegou às dez jornadas sem vencer.
À semelhança da esmagadora maioria do tempo, o início do início do encontro foi desinteressante e pobre em oportunidades de golo. A equipa da casa, com várias ausências, controlava a posse de bola, não conseguindo, contudo, construir lances de perigo.
Já o Feirense, com as linhas de pressão muito baixas, conseguia manter a formação rioavista longe da sua baliza, beneficiando também das várias paragens do encontro.
Com efeito, o primeiro lance de destaque ocorreu apenas cinco minutos antes do intervalo. Numa transição bem executada pela equipa de Nuno Manta Santos, José Valência disparou cruzado e obrigou Leo Jardim a uma boa defesa.
Pouco depois, Gabrielzinho caiu no relvado e obrigou à entrada da equipa médica. Incapaz de continuar, o brasileiro deu o seu lugar a Tarantini, passando Diego Lopes a atuar na faixa.
Até ao intervalo, destaque apenas para um cabeceamento fraco de Carlos Vinícius, que Alampasu não teve problemas em agarrar. Assim, acabou empatada a zero uma primeira parte que teve mais cartões amarelos do que oportunidades de golo.
A partida, mal jogada e demasiado faltosa, foi pobre em ocasiões de golo Fonte: Liga Portugal
A partida manteve a toada no início do segundo tempo e Daniel Ramos viu-se obrigado a mexer de novo. Aos 54 minutos, Bruno Moreira entrou por Leandrinho e o Rio Ave passou a atuar em 4x4x2
A mudança não surtiu o efeito desejado e o jogo continuou demasiado lento, pelo que só aos 68 minutos houve novo lance digno de registo. Fábio Coentrão, com um grande passe, deixou Vinícius em boa posição, mas Philipe conseguiu acompanhar o avançado e aliviar para canto. Na bola parada, Buatu ganhou nas alturas, mas o cabeceamento saiu ao lado.
A equipa de Vila do Conde começava a crescer e, aos 70 minutos, fez finalmente o seu primeiro remate à baliza. Vinícius, num lance de insistência, ganhou na área e disparou forte, mas à figura.
Já à entrada para os últimos dez minutos foi Bruno Moreira a tentar a sorte. O camisola 9 do Rio Ave aproveitou uma segunda bola na área contrária para, de primeira, disparar perto do poste. Do outro lado, Leo Jardim fechou bem a baliza a José Valência, que disparou já com pouco ângulo na sequência de uma boa transição.
O Feirense teve a sua melhor ocasião pouco depois, mas José Valência voltou a desperdiçar. Num lance bem trabalhado pela esquerda, Tiago Gomes cruzou com conta, peso e medida, mas o colombiano, à boca da baliza, não conseguiu marcar.
Já no último lance de perigo da partida, foi o Rio Ave a ficar muito perto do golo, mas Alampasu respondeu ao cabeceamento de Coentrão com a defesa da noite e segurou o empate para o Feirense.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
Rio Ave FC: Leo Jardim, Nadjack, N. Monte, Buatu, A. Figueiredo (Vitó, 87’), Leandrinho (Bruno Moreira 54’), J. Schmidt, Diego Lopes, Gabrielzinho (Tarantini, 43’), Vinícius
É um dos temas muito abordados pela massa associativa leonina. Com a recuperação de Raphinha, têm surgido dúvidas sobre qual dos dois deve ser utilizado, uma vez que Nani parece ser dono e senhor de um dos lugares nas faixas, ainda para mais com a braçadeira de capitão.
Diaby e Raphinha são ambos jogadores que chegaram ao Sporting CP no mercado de verão, o primeiro contratado por Sousa Cintra, o segundo ainda por Bruno de Carvalho. Foram investimentos algo avultados para os cofres leoninos, o que demonstra a expectativa que se deposita nos dois avançados. Deste modo, feita a introdução, qual o jogador que para mim deveria alinhar no onze inicial do Sporting CP? A resposta vem já a seguir.
Diaby chegou este ano ao Sporting CP pela mão de Sousa Cintra que projetou que o maliano viria a ser uma peça chave na equipa. Pois bem, o avançado tem uma velocidade fora do normal e tem jogado quase todos os jogos com Keizer, excetuando a partida frente ao CD Feirense, em que a equipa de Alvalade venceu por 2-0. Penso que a opção do técnico holandês pelo avançado de 27 anos em muito se deve à profundidade que este pode entregar à equipa. Contudo, Diaby parece ter algumas dificuldades em jogar em apoio curto, algo necessário na maneira de jogar do Sporting CP. Para além disso, apesar de parecer um avançado tecnicista, a verdade é que por várias vezes demonstra ter algumas limitações tanto na receção como no passe. Há dias, contra o FC Porto, ouvi um comentador dizer que Diaby estava a ser o abre-latas da equipa. Só posso discordar, porque se formos analisar a partida, o maliano pecou várias vezes nas suas decisões ou na forma como as executou. Parecer não chega, é preciso ser.
Com 27 anos, não se espera que Abdoulay Diaby evolua mais do que aquilo que apresenta atualmente, e em termos de venda também haverá alguma dificuldade em rentabilizar aquilo que foi despendido. Assim, penso que a sua contratação foi errada dada a idade e a pouca produção em campo. Em termos de números, o jogador já atuou em 27 jogos, apontando 6 golos. Tem tido inúmeras oportunidades pelo atual treinador, e penso que, ao ser substituído muitas vezes tardiamente, acaba por se tornar um alvo mais fácil de criticar, pois a sua presença em campo durante tantos minutos origina descontentamento nas bancadas, o que nunca é bom para um atleta.
Diaby tem sido opção regular de Keizer Fonte: Sporting CP
Já Raphinha vinha sendo aposta sólida de José Peseiro. A lesão fez com que estivesse um tempo fora dos relvados e só agora começa a atingir a forma que anteriormente apresentara. A aposta de Kiezer no jogador para a partida frente ao CD Feirense demonstra que confia nas capacidades do brasileiro. Ainda assim, Diaby tem somado mais minutos. No jogo frente ao FC Porto, os adeptos suspiravam pelo avançado que veio do Vitória SC, mas a substituição ocorreu apenas ao minuto 80.
O brasileiro é um jogador rápido, ágil, com qualidade técnica e faro pelo golo, mas não tem apresentado a consistência necessária para dizermos que estamos já perante um grande jogador. Penso que pode oferecer outra vertigem ao jogo leonino, outra qualidade com bola, para além de fazer bem as compensações defensivas. Quando joga, vê-se vontade e pormenores interessantes. A sua irreverência pode sempre trazer algo de novo ao jogo, tanto a assistir como a marcar. O golo marcado ao CD Feirense, por exemplo, foi um golo com muita qualidade, em que tira o seu adversário direto da frente e coloca a bola junto ao poste mais distante. Em termos de números, Raphinha soma 16 partidas disputadas e 3 golos, tendo estado lesionado por um período considerável de tempo.
Para concluir, por que jogador eu optaria? A resposta parece-me óbvia: Raphinha. Para mim, o brasileiro apresenta um potencial elevado para a sua idade (22 anos) ao invés de Diaby, que já tem 27 anos e não demonstra o que é necessário para somar tantos minutos como tem feito. O rendimento do maliano parece sempre estar muito aquém daquilo que se deve exigir a um jogador do Sporting CP e prevejo que o brasileiro venha a ser uma peça fundamental em Alvalade. Sou sincero, custa-me sempre quando vejo a equipa inicial e Diaby é o titular. Considero que é um jogador a quem já se deram tantas oportunidades e em praticamente todas elas não foi capaz de corresponder. Saber que há no banco Raphinha e ainda Jovane mas ver que a opção recai sempre no mesmo, causa-me alguma inquietação. Penso que o tempo de Raphinha irá chegar. No final da época falamos.
Poderíamos usar parte da famosa música de Zeca Afonso para descrever, de forma bem sucinta, o que tem sido esta época do futebol português. Quem come tudo afinal? Quem são os mordomos do universo? Os senhores que são, (por vezes) à força, mandadores (sem lei), que enchem as tulhas, bebem vinho novo e que dançam a ronda no pinhal do rei? Eis que eles aí estão: FC Porto, SL Benfica, SC Braga e Sporting CP.
Pois é: pode estar (ligeiramente) exagerado, mas o que é certo é que este ano é tudo deles e os restantes ficarão… com as migalhas. Este ano de 2019 realmente promete. Se no ano passado entre Agosto e Dezembro tivemos três enormes paragens de bola, parece que agora vai ser sempre a dar-lhe. E para preencher ainda mais o banquete futebolístico, este mês e no início do próximo, teremos vários jogos daqueles que param o país: é o Benfica-Porto, depois o Sporting-Braga e logo depois uma final entre dois deles. E logo a seguir saí mais um Sporting-Benfica, mais um Braga-Porto e ainda outro Benfica-Sporting. Ufa! Tudo isto em menos de três semanas. Haverá coração que aguente?
Os senhores da Liga, da FPF e em especial o nosso querido Pedro Proença têm-se fartado de esfregar as mãos, e não é para combater o frio, ou não fosse o nosso futebol uma verdadeira fogueira, sempre pronta a receber mais uma lenha, que realmente isto tem andado cá um briol… Este ano foi como sempre desejaram: os quatro principais clubes na dianteira de tudo o que é prova nacional e toca a dizer que tudo está bem e recomendável, com grandes assistências e interesse público. Perfeito!
Este ano não teremos um ‘não grande’ a vencer uma das nossas taças Fonte: Bola na Rede
E os outros? O que pensarão de tudo isto? De uma Taça da Liga preparada para este cenário? De diferenças abismais de orçamentos entre os quatro clubes da frente e os restantes? Pois bem: pensarão que andam aqui a contar tostões e a tentar bater o pé, mas que no fim ganham quase sempre os mesmos. Ainda assim acredito que o trabalho dos restantes clubes, a sua entrega e dedicação a projectos meritórios, aos históricos do panorama nacional ou aos clubes mais recentes, far-lhes-á sentir que vale a pena seguir em frente e remar para que a maré possa quiçá, um destes dias, criar um novo Boavistão, um outro Moreirense FC, um novo CD Aves, ou até um Caldas SC.
Estará o nosso futebol condenado a ter três clubes (mais um) a dominarem por completo tudo o que o envolve? Irá o fosso entre ‘os quatro’ e os demais tornar-se, ano após ano, ainda maior? Sinceramente, e infelizmente, acho que sim.
Repare-se, por exemplo, no que aconteceu nas últimas semanas. O Benfica, vindo de ‘crise vitoriana’, foi a Guimarães e venceu por duas vezes o 5.º classificado do nosso Campeonato. O Sporting, que dizem jogar pouco, apurou-se fora de portas para as meias-finais de ambas as Taças e ali anda na corrida pelo título. O Braga, mesmo alterando a equipa, venceu fora o ainda detentor da Taça de Portugal e voltou a mexer e muito na equipa para ir dar três à Madeira. O Porto passeou em Chaves, tendo antes, e mesmo com uma 2.ª equipa, vencido em Matosinhos com menor facilidade apenas por culpa de uma super exibição do guarda redes contrário e da falta de eficácia.
Caminhamos pois para um futebol cada vez mais dividido em dois: de um lado os quatro do costume e do outro os restantes que vivem (ou sobrevivem) no nosso futebol, e que, volta e meia, lá aproveitam quando os tubarões estão adormecidos. Mas eles dormem cada vez menos…
O ano transato foi o marco de uma nova era na competição entre carros de turismo. O Campeonato do Mundo de Carros de Turismo – WTCC – caiu por terra. A FIA já havia, no ano de 2017, tentado contornar a situação. Thed Bjork foi o último campeão do WTCC e a Volvo ganhou os construtores. 2018 trouxe-nos a Taça do Mundo de Carros de Turismo. Um compromisso entre a FIA, a Eurosport Events Limited e o Marcello Lotti da WSC, dono do conceito TCR.
Carros mais baratos foi um dos grandes apelativos deste campeonato, já que no WTCC os carros eram cada vez mais “de pista” do que outra coisa. Não era uma coisa má, mas não acho que seja o espírito de carros de turismo.
Em 2018, os regressos foram muitos. Yvan Muller regressou à competição, Pepe Oriola regressou à Taça, Gabriele Tarquini era o mais velho do pelotão, e claro, todos esperamos pelo regresso de Tiago Monteiro às pistas, a bordo do Honda Civic TCR, que fez a sua entrada solitária na ronda de Susuka, no Japão, a casa da Honda.
Três corridas por fim-de-semana deram-nos muita ação. A ideia de transmitir a primeira corrida online, através do patrocinador oficial da Taça, a OSCARO, foi um pouco falhada, já que, nas rondas finais, pelo menos em Portugal, as três corridas passaram no Eurosport.
No fim de 2018, o campeão foi Tarquini, o “avô” do pelotão. Na segunda posição ficou Muller, o segundo mais velho. Ora aqui temos um bom indicador de que velhos são os trapos e de que esta Taça pode contar com experientes e iniciantes – certamente as corridas serão interessantes.
Se Gabriele Tarquini era o mais velho do pelotão com 56 anos, o sobrinho de Yvan Muller deu nas vistas com um Honda Civic TCR. Ehrlacher tem apenas 22 anos Fonte: Bola na Rede
Para 2019, algumas coisas mudaram. Primeiro, a pontuação. Com a quantidade extrema de pilotos interessados, o limite agora são 30 carros por corrida, sendo que os 15 primeiros pontuam, tal e qual acontece no MotoGP. Estivesse este sistema já em vigor em 2018, Yvan Muller seria campeão.
Mister Marcel Keizer, antes de mais desculpe a minha ousadia, mas como estou certo de que já percebeu a dimensão do Clube que representa, irá compreender certamente. Uma equipa com a dimensão do Sporting Clube de Portugal tem e deve ter como objetivo conquistar todas as competições em que está inserida, sobretudo as competições nacionais. Com este objetivo, é “certo e sabido” que a equipa terá um volume de jogos elevado, assim sendo é necessário gerir da melhor forma a equipa, certo?
Nas últimas temporadas, nós, sportinguistas, assistimos a algumas opções técnicas que podem ter ditado o nosso insucesso no que diz respeito a títulos alcançados no futebol. Em breve, entraremos numa série de encontros dificílimos e de extrema importância para as diversas competições em disputa, onde é fundamental gerir a equipa de forma inteligente para que seja possível alcançar a Glória.
Apesar de concordar consigo quando referiu que temos um plantel curto para o volume de jogos que temos pela frente até final da temporada, considero que temos alguns jogadores com potencial para ajudarem a equipa e quiçá dificultar a sua tarefa enquanto treinador no momento de eleger o “onze”.
Queremos mais festejos Fonte: Sporting CP
A presente janela de transferências era uma oportunidade para aumentar as suas opções e combater algumas lacunas detetadas, nomeadamente um defesa esquerdo, um avançado, um médio criativo e sobretudo um médio defensivo. Até ao momento resgatámos Franscisco Geraldes (médio criativo que provoca tantas expectativas no Universo Leonino), Luiz Phellype (avançado proveniente do FC Paços de Ferreira e que ainda se encontra no topo da lista de melhores marcadores da Segunda Liga) e Idrissa Doumbia (médio defensivo que procura melhorar a sua condição física para entrar nos planos). Destes, apenas o avançado brasileiro já teve a oportunidade de envergar a listada verde e branca, deixando água na boca dos sportinguistas nos poucos minutos em campo diante do Feirense. Ou considera que o melhor marcador da Segunda Liga não é uma opção válida para render Bas Dost?
Relativamente à sua equipa titular, quero apenas fazer um reparo: Diaby e não Raphinha, porquê? Será que as prestações do maliano nos treinos e a esperança de que possa replicar isso nos jogos justificam a titularidade? Na temporada anterior, Bruno Fernandes foi um dos jogadores mais castigados por não existir uma opção válida no banco para ocupar o centro do terreno, na presente temporada ainda se verifica esta lacuna? Será que Francisco Geraldes ou até mesmo Miguel Luís não apresentam qualidade suficiente para renderem Bruno Fernandes ou Wendel?
Tal como o misterreferiu em conferência de imprensa “é com estes jogadores que vamos lutar pelo título” e considero que é fundamental gerir a equipa nas próximas partidas. Com isto, não quero dizer para fazer poupanças mas sim aproveitar o que tem no banco em benefício do desempenho da equipa.
Foi preciso suar muito… mas o objectivo foi cumprido. Ao derrotar a Oliveirense, a Académica conseguiu completar o ciclo de quatro jogos em casa com um pleno de vitórias, acrescentando, a este sequência, uma série de 5 triunfos consecutivos que dão uma nova vida à Briosa na luta pela subida.
A Oliveirense, moralizada após dois jogos sem perder, entrou destemida no Estádio Cidade de Coimbra e, beneficiando de alguma passividade do meio-campo dos estudantes, foi conseguindo gerar volume de jogo junto da baliza de Peçanha. Porém, as transições ofensivas dos visitados terminavam sempre num ou noutro erro de definição da jogada.
A Académica tentava responder, mas obtinha o mesmo resultado que o seu adversário em ermos de oportunidades criadas – zero – embora, neste particular, haja a revelar a boa organização ofensiva da equipa orientada por Pedro Miguel.
Perante este contexto, João Alves decidiu mexer na primeira parte, fazendo entrar Djoussé para o lugar de Guima, colocando a Académica num 4x4x2 mais declarado, com o camaronês a juntar-se a Hugo Almeida na frente de ataque. Os resultados práticos, porém, foram os mesmos, e o nulo (em golos e oportunidades) arrastou-se até ao intervalo.
Apoio do público conimbricense foi uma constante Fonte: Bola na Rede
O segundo tempo manteve-se imaculado no que a lances perigosos diz respeito, mas houve uma tendência crescente de pressão academista (Djoussé foi encostado à esquerda, Júnior Sena atuou como apoio a Hugo Almeida e a equipa passou a construir de forma mais consistente) sobre o reduto da Oliveirense e foi durante o pico deste período que os estudantes chegaram ao golo, à passagem da hora de jogo – após canto batido por Júnior Sena, Djoussé saltou mais alto que toda a gente e cabeceou de forma letal para o 1-0.
O golo mudou o jogo para melhor. Pedro Miguel ordenou que a sua Oliveirense alargasse a frente de ataque com a integração dos laterais e soltou o meio-campo. Expôs-se ao risco, é verdade, mas teve de o fazer em busca dos pontos. As oportunidades de maior perigo, contudo, pertenceram à Académica, com Hugo Almeida (de cabeça ao lado) e Júnior Sena (remate a rasar a barra) a cheirar o golo na conclusão de transições ofensivas bem gizadas pelos estudantes.
A Oliveirense estava mais permeável e não era capaz de definir tão bem no último terço. Mas isso mudou com as entradas de Bouldini e Diogo Valente, que assumiram um papel relevante na construção ofensiva. O segundo, por exemplo, esteve pertíssimo de colocar um amargo de boca a um público ao qual já deu muitas alegrias, num ataque trabalhado por Fati e Agdon. A bola saiu a rasar o poste direito da baliza de Peçanha, num lance que foi uma espécie de canto do cisne da Oliveirense.
Depois de ter travado Arouca e Penafiel nas jornadas anteriores, a Oliveirense vendeu cara a derrota frente a Académica e pode-se dizer que a turma de Oliveira de Azeméis sai de Coimbra com a consolação (se é que existe) de uma vitória moral.
Pedro Machado
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
ACADÉMICA OAF: Peçanha, Traquina, Yuri, Zé Castro, Mike; Ricardo Dias, Guima (Djoussé 32’), Reko, Júnior Sena; Romário Baldé (Jean Filipe 77’) e Hugo Almeida (Saldanha 83’);