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Portugal 1-0 Suécia: Golo de Ouro para Blatter ver

cab seleçao nacional portugal

“Água mole em pedra dura. Tanto bate até que fura”. Este provérbio é, talvez, o que melhor se aplica ao jogo de Portugal: insistir, insistir, insistir… até que a bola entra. Conseguindo cumprir os requisitos mínimos para satisfazer os adeptos presentes no Estádio da Luz, Portugal fez o que lhe competia: vencer a Suécia sem sofrer golos. O facto de o golo ser de Cristiano Ronaldo foi apenas um acréscimo de satisfação para todos os portugueses, que podem agora dar mais um motivo a Sepp Blatter para estar calado.

Na abordagem ao encontro, Paulo Bento foi cauteloso. Apostou no seu onze mais rodado e voltou a fiar-se na sorte e na persistência do jogo português. Era um dado quase adquirido que entrar com Postiga sozinho na frente e com três médios de contenção não daria para marcar muitos golos. Sabe-se que nenhum dos homens do meio-campo é suficientemente criativo para “inventar” jogadas pelo meio. Portanto, como expectável, o jogo de Portugal acabou por se tornar previsível e com poucas ideias. Meireles e Moutinho usaram e abusaram das bolas bombeadas para a grande área e os únicos momentos de (alguma) criatividade no jogo de Portugal vinham mesmos das alas, onde Nani e, claro, Cristiano Ronaldo procuravam desbloquear uma sólida defesa sueca.

O melhor da atualidade... Cristiano Ronaldo
O melhor da atualidade… Cristiano Ronaldo

Na frente, o móvel, mas inconsequente Postiga, tentava desgastar os dois poderosos centrais, Nilsson e Antonsson. Sempre em vão. Daí que olhe para a abordagem que Paulo Bento teve para este jogo e pense apenas que o selecionador nacional estava mais preocupado em não sofrer golos do que em marcá-los. Teve a benesse de ter no seu onze o melhor jogador do mundo da atualidade. E isso vale jogos. Portugal foi melhor e soube impor o seu jogo. Mas nunca, como vem sendo hábito, de forma eficaz nas zonas de finalização. Como já se viu, a equipa das quinas não é seleção para qualificações porque não sabe jogar ao ataque. Portugal sabe dominar, mas continua sem conseguir ter a clareza a definir jogadas de outros tempos. A tática resume-se na insistência em cruzamentos para a área. Algum haveria de entrar. Entrou o de Ronaldo, aos 83’.

Hoje Ibrahimovic não apareceu, felizmente para os portugueses
Hoje Ibrahimovic não apareceu, felizmente para os portugueses

Não quero, com este texto, tirar mérito à nossa seleção. Como já escrevi no passado, Paulo Bento é o meu treinador. Se estivermos no mundial, terá todo o meu apoio. Acredito, inclusive, que se lá formos, vamos fazer novamente boa figura. Porque o nosso esquema tático está talhado para os grandes jogos. Como foi o de hoje. Nos momentos difíceis, sabemos controlar ansiedades. Controlar jogos. E ter aquela ponta de sorte que premeia os lutadores. Aqueles que insistem mais do que os outros. E hoje, apesar da escassez de ideias, foi Portugal quem lutou mais pelo golo.

Agora vamos à Suécia. A eliminatória está longe de estar ganha. Acredito que se formos sólidos como hoje podemos ter fortes possibilidades. O pior está feito. Agora é só manter a consistência no próximo jogo. Sem deslumbrar, que não é preciso. Basta ganhar.

O Renascimento da Vecchia Signora

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Um dos períodos mais marcantes da história da Humanidade ocorreu em Itália entre os séculos XIV e XVI. Com base na região da Toscânia, nomeadamente nas cidades de Florença e Siena, o Renascimento foi um período de grandes mudanças na cultura, ciência, religião, política, economia e trouxe consigo nomes imortais como Leonardo Da Vinci, William Shakespeare e Galileu.

Cinco séculos depois, ainda em Itália, mas mais a Norte, assistimos a um diferente renascimento, um renascimento desportivo de uma velha senhora que parecia perdida e agarrada às memórias gloriosas do passado. Falo, concretamente, da Juventus.

Equipa mais titulada de Itália, com vinte e nove Ligas no seu museu, a formação bianconera está, nos dias de hoje, a voltar a dominar o futebol transalpino depois de ter atravessado o período mais negro da sua história, onde militou na segunda divisão. Um esquema de corrupção, que ficou conhecido como Calciocaos, levou à descida de escalão da Juventus no final da época 2005/2006, o que provocou a saída dalguns dos principais jogadores da equipa de Turim, como Ibrahimovic e Vieira. Com o nome do clube manchado, e a perder alguns dos seus principais activos, começou aqui o período mais complicado da Juventus, que só a partir da temporada 2011/2012, sobre o comando de Antonio Conte, começou a renascer.

A mudança começou, desde logo, pelo treinador, mas também pela mudança de Estádio, e do reforço claro do plantel. O novo Estádio é menos “frio” que o antigo Delle Alpi, onde os adeptos estavam longe do relvado, devido à pista de atletismo. Este recente reduto marca a nova vida da Juventus, em que os tiffosi apoiam “em cima” do relvado, criando um ambiente infernal para as formações visitantes. Este ano de renascimento trouxe ainda para o plantel da Juve aquele que é um dos mais geniais jogadores da actualidade, não obstante a veterania, Andrea Pirlo.

Pirlo tem sido decisivo na equipa da Juve / Fonte: www. planetf1.com
Pirlo tem sido decisivo na equipa da Juve / Fonte: www. planetf1.com

Este renascimento levou a Juve a conquistar dois campeonatos consecutivos, a recuperar a sua posição constante na Liga dos Campeões e a ser temida pelos principais adversários.

Hoje, está no segundo lugar da Liga, contando com dez vitórias, um empate e uma derrota nos doze jogos já disputados, o que permite estar a apenas um ponto da líder Roma.

Numa corrida ao título que conta, para além da Juve e da Roma, com o Nápoles o Inter e a Fiorentina, os bianconeri parecem, contudo, os mais fortes candidatos à revalidação do scudetto. Jogando essencialmente num esquema de 3-5-2, esta renascida Juve costuma actuar da seguinte forma:

Formação habitual da Juventus / Fonte: lineupbuilder.com
Formação habitual da Juventus / Fonte: lineupbuilder.com

Buffon, com 35 anos, parece eterno na baliza da equipa de Turim. Continua a dar sinais de que é um dos melhores jogadores na sua posição e é amado pelos tiffosi, já que não abandonou o barco, mesmo quando a Juve se afundou na segunda divisão.

Na defesa, Chiellini é um dos símbolos da Juventus e pode fazer o corredor esquerdo. Caceres toma conta do lado direito e é Andrea Barzagli a comandar na zona central.

Mais à frente, um meio-campo de luxo. Pirlo é genial no passe, na visão de jogo, na cobrança de livres; enfim, um autêntico fora de série, um puro génio, capaz de virar um jogo de pernas para o ar. Marchisio partilha com Pirlo as tarefas mais defensivas da zona intermediária e Pogba é a nova estrela de Turim. O jovem francês de apenas vinte anos de idade tem tudo para ser um dos melhores jogadores do mundo na sua posição, já num futuro muito próximo. Pogba tem força, velocidade, excelente posicionamento no terreno e uma facilidade de remate incrível. Nas alas, Asamoah e Vidal são os homens que dão velocidade e jogo exterior à vecchia signora.

Finalmente, no ataque, mais dois grandes jogadores: Tevez e Llorente. Para além do argentino e do basco, Conte tem ainda à disposição Vucinic, Giovinco e Quagliarella.

Um plantel de luxo, a fazer recordar os velhos tempos da toda poderosa Juventus. Um grupo capaz de dar alegrias aos seus tiffosi, um grupo capaz de continuar a perpetuar este “renascimento juventino” que nasceu em Agosto de 2011.

Obrigado, Tacuara!

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Terceiro Anel

No dia 20 de Maio de 1983 nascia o homem que iria fazer história, muitos anos depois, no Sport Lisboa e Benfica: Óscar Cardozo, um bombardeiro puro que marca golos atrás de golos, sendo desde 2010 o melhor marcador estrangeiro da fantástica história do maior clube português.

Há cerca de 6 anos e meio em Portugal, este internacional paraguaio tem provado, semana após semana, que é um jogador de alto nível, possuindo um dos pés esquerdos mais letais do mundo do futebol. Mesmo parecendo desengonçado e pouco dado ao esforço (e aqui me penitencio eu, por várias vezes te ter vaiado na Luz ou via tv!), Óscar Cardozo é, a meu ver, um profissional de excelência e que muito tem dado ao Benfica.

Sim, o homem teve um desaguisado tremendo com o Jorge Jesus, no Jamor, em Maio último; sim, o homem teve um grave episódio com o Pedro Proença, na Choupana, em Fevereiro último; sim, o homem, em Setembro de 2010, após apontar um golo ao Hapoel, mandou calar o público presente na catedral (essa foi a que me doeu mais, Takuara!); mas, exceptuando isso…há tanta coisa boa!

Cardozo a comemorar um golo por si apontado (tão normal) / Fonte: sapo.pt
Cardozo a comemorar um golo por si apontado (tão normal)
Fonte: SAPO

Como é que eu me poderia esquecer dos teus golos, caro Cardozo? Aquele golo que apontaste ao Celtic, nos minutos finais, em 2007; aquele “bis” em Donetsk, no mesmo ano, debaixo de um clima glaciar; aquele golo ao cair do pano em Nuremberga, que nos valeu o apuramento na Taça Uefa; a tua fantástica temporada, em 2009/2010, na qual te sagraste melhor marcador do campeonato; o teu hat-trick no 8-1 ao Vitória de Setúbal; os teus dois golos frente ao Liverpool, na Luz, em 2010; os teus dois tentos no 2-1 ao Rio Ave, quando nos sagrámos campeões!

E reparem bem como ainda vou no longínquo ano de 2010! É que, de lá para cá, os golos continuaram a aparecer, o homem continuou a festejar, o homem voltou a ser o melhor marcador de mais um campeonato, o homem provocou-me enormes sorrisos em milhentas ocasiões. E depois há outra coisa que este ser humano tem que me encanta: marca golos ao Sporting com uma frequência louca! E os nossos rivais da 2ª Circular puderam sentir isso (e de que maneira!) no passado sábado.

Portanto, e depois de um artigo no qual te elogio até ao tutano, acho que escuso de dizer que te admiro. E sim, sei que muito provavelmente te continuarei a enviar um ou outro comentário menos agradável, quando topar que não estás para te mexer muito no relvado. Porém, um homem deve sempre saber agradecer, e por isso te digo: obrigado, muito obrigado por teres vindo para o Benfica em 2007, e por ainda não teres saído. Não saias deste clube, por favor.

Vá, e agora lê isto, e ganha ainda mais motivação para aquilo que aí vem, nesta difícil temporada.

Novak Djokovic ataca a Taça Davis depois do Masters

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cab ténis

Novak Djokovic venceu esta semana a final do ATP World Tour Finals, o Masters de final de temporada do circuito mundial masculino. Na final, o tenista sérvio derrotou Rafael Nadal por 6/3 e 6/4.

O tenista sérvio, que terminará o ano como nº2, tem agora a difícil missão de guiar o seu país na final do Grupo Mundial da Taça Davis, ou, trocando por miúdos, na competição com mais mística no ténis mundial. Se vencer um Grand Slam é um momento inesquecível para um jogador, conquistar uma Taça Davis pelo seu país não lhe fica atrás.

Se para jogadores como Boris Becker, Marat Safin, Kafelnikov, Henri Leconte e outros, vários títulos foram importantes, a Taça Davis é sem dúvida um dos momentos que estes guardam com um carinho especial. O pavilhão cheio, a pressão sobre a equipa adversária e sobre o árbitro, o “desrepeito” aceitavél pelas regras do silêncio, só se vêem numa competição como a Taça Davis, proporcionando assim a oportunidade de transformar o ténis num desporto de equipa onde todos puxam pela vitória de uma nação.

A Sérvia de Novak Djokovic já “se deu ao luxo” de vencer uma Taça Davis, em 2010, com a estrela da equipa a vencer duas das três partidas necessárias para conquistar o troféu. Este ano, no entanto, a tarefa prevê-se mais complicada.

Radek Stepanek e Novak Djokovic http://www.daviscup.com/en
Radek Stepanek e Novak Djokovic
Fonte: daviscup.com/en

A Sérvia não conta com Janko Tipsarevic, que está lesionado e que é conhecido por “inflamar” as bancadas nesta competição, nem com Victor Troicki, suspenso por ter faltado a um controlo anti-doping. O próprio “Nole” já admitiu que “esta será uma final mais complicada do que a de 2010”, e do outro lado a Républica Checa apresenta-se na máxima força.

Tomas Berdych, Radek Stepanek, Lukas Rosol e Jan Hajek constituem assim a armada checa que procura renovar o título conquistado no ano passado frente à Espanha. Desde 1980 que a Républica Checa não vencia a Taça Davis, enquanto a Sérvia venceu pela primeira vez em 2010.

Sendo assim, de 15 a 17 de Novembro os olhos estarão postos na Arena de Belgrado. Djokovic vai abrir a contenda frente a Stepanek, enquanto Lajovic e Berdych irão protagonizar o segundo encontro do dia. Ou seja, caso Stepanek surpreenda, a Sérvia fica praticamente impossibilitada de vencer esta Taça Davis.

Massacrada nos últimos anos, a Taça Davis sofre com promessas de reestruturação desde há vários anos. Na verdade, alguns dos tenistas nunca prestaram grande atenção a esta competição, de entre os quais Roger Federer é um dos maiores exemplos. Na minha opinião, nada é mais mágico do que a relva de Wimbledon e os encontros que a mesma proporciona; no entanto, nada é mais mágico também do que ver milhares de pessoas a aplaudir de pé um tenista do seu país, do que ver os jogadores e o treinador no banco a roer a unhas ao longo da partida e de no final sentir a alegria de vencer o “campeonato do mundo” de ténis.

A garra dos Lobos no primeiro particular

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cab Rugby

Foi no dia 9 de Novembro que a Selecção Nacional de XV defrontou as Fiji, no Estádio Universitário de Lisboa, pela segunda vez.
A primeira vez que estas duas equipas se defrontaram foi em 2005, num jogo que marcou a história do rugby nacional e em que os Lobos fizeram tremer as Flying Fijians, tendo perdido apenas por 26-17.
No jogo deste fim-de-semana, as Fiji levaram a melhor e vencerem a partida por 36-13.

Fotografia do jogo realizado este sábado, no Estádio Universitário de Lisboa, https://www.facebook.com/fpr.pt
Fotografia do jogo realizado este sábado, no Estádio Universitário de Lisboa
Fonte: facebook.com/fpr.pt

Este jogo particular da janela de jogos internacionais de Novembro serviu de preparação para a segunda volta do Torneio Europeu das Nações, que terá início em Fevereiro, e marcou a estreia de Frederico Sousa como seleccionador nacional.
A equipa lusitana começou a partida a dominar, com um pontapé de penalidade por Pedro Leal. No entanto, as Fiji responderam rapidamente com dois ensaios convertidos e terminaram a primeira parte a vencer por 14-03.
Na segunda-parte, Frederico Oliveira marcou um ensaio convertido por Pedro Leal mas os seis ensaios da equipa adversária garantiram a vitória das Flying Fijians por 36-13.

Foi um jogo que ficou marcado pela inclusão de vários jogadores novos na equipa dos Lobos e pelo seu excelente e surpreendente comportamento frente à 13ª equipa do ranking mundial.
A aposta nos jogadores mais jovens e a capacidade demonstrada neste jogo deixa-nos cheios de curiosidade para o jogo que se realiza esta sexta-feira, às 22h, frente à Selecção Brasileira, em São Paulo, uma vez que a lista de convocados sofreu apenas duas alterações: o regresso de Adérito Esteves e Eric dos Santos por troca com Duarte Moreira e Rui D’Orey. Este será o primeiro jogo entre as duas selecções e promete marcar a história do rugby mundial.

«A transição no meio-campo»

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Pronúncia do Norte

Paulo Fonseca chegou ao FC Porto numa época que coincidirá – até que desenvolvimentos futuros em sentido contrário venham a ser públicos – com o último ano de contrato de Fernando, Lucho e Helton. Estes três – os três capitães -, são, de todos os jogadores do plantel, os que mais épocas cumpriram no Dragão. Além de Fucile, aparentemente de saída, são os únicos do grupo que neste momento disputam, no mínimo, a sexta época pelo FC Porto.

Helton, 35 anos, está na nona temporada consecutiva no FC Porto (leva sete campeonatos nacionais em oito épocas concluídas). Lucho González, 32 anos, chegou no mesmo ano que o guarda-redes, mas fez uma pausa de duas épocas e meia em França, no Marselha – El Comandante terá, assim, cumprido seis épocas e meia pelo FC Porto quando terminar o contrato (para já, leva mais campeonatos nacionais do que épocas completas). Fernando, 26 anos, após curta passagem pelo Estrela da Amadora por empréstimo dos azuis e brancos, assumiu a titularidade aos 20 anos e vai a caminho das seis épocas no clube onde ganhou a alcunha de “Polvo”. Só por curiosidade, se nenhum dos três renovar, Varela e Maicon (agora na quinta época no clube) serão os jogadores mais antigos do balneário, superando Otamendi (na quarta época).

Lucho acaba contrato no fim da época e não se fala em renovação Fonte: http://relvado.sapo.pt/
Lucho acaba contrato no fim da época e não se fala em renovação
Fonte: http://relvado.sapo.pt/

A substituição do lendário Helton dará, por certo, pano para mangas quando nos estivermos a aproximar de Julho. Até ver, Fabiano está na pole position. Porém, mais interessante é analisar como Paulo Fonseca vai lidar com as substituições de Lucho e Fernando. Neste momento, ambos são indiscutíveis no meio-campo; para o ano não deverão estar a jogar em Portugal. Sobram Defour, à procura da sua época de afirmação; Josué, Herrera, Carlos Eduardo e Quintero, jovens talentosos que chegaram este Verão ao Dragão. Esta é, por isso, uma época de transição no seio do meio-campo portista.

Como conjugar, então, a necessidade de usar duas das maiores figuras da equipa (Lucho e Fernando) com a necessidade de criar rotinas entre os que são o futuro do meio-campo portista? Deve construir-se um modelo que privilegie os dois médios mais preponderantes no presente (Lucho e Fernando) ou um modelo que exponencie as potencialidades daqueles que comporão o meio-campo do FC Porto da próxima época?
Comecemos por tentar conceber o sistema que mais favorece os actuais jogadores do FC Porto.

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Tendo Fernando, não há como não colocá-lo como único pivot defensivo. Foi nesta posição que se destacou, foi nesta posição que sempre jogou desde que assumiu a titularidade na equipa e é esta a posição que melhor se adequa às suas características – é sozinho à frente dos centrais que mais rende. Pese embora tenha ganho alguns predicados essenciais para jogar mais à frente (foi melhorando progressivamente nos capítulos do passe e da condução de bola), as suas grandes qualidades são defensivas – é no posicionamento e no desarme que é forte. Assim sendo, faria sentido jogar com dois médios centro à sua frente, ficando ele a cobrir as subidas dos médios e dos laterais, como acontece há anos. Lucho-Meireles, Moutinho-Meireles, Moutinho-Belluschi, Moutinho-Guarín ou Lucho-Moutinho são algumas das duplas que se foram notabilizando a jogar à frente do (em breve) luso-brasileiro.

Tomando igualmente como garantida a titularidade de Lucho, só falta perceber quem pode jogar a seu lado. À partida, um box-to-box como Moutinho ou Meireles favorece as características do astro argentino. Defour e Herrera são os jogadores do plantel que encaixam nesse perfil. No entanto, não será estranho para Lucho jogar ligeiramente mais recuado do que o seu parceiro na “posição 8” e fazer parelha com um jogador mais criativo como Josué, Carlos Eduardo ou até mesmo Quintero (conquanto tenha dificuldades em imaginar o colombiano a trabalhar defensivamente tanto quanto necessário nesta posição do terreno). A solução ideal depende das circunstâncias – do jogo, do momento do jogo em particular, do adversário em questão ou de quem esteja a jogar como extremo.

Se o FC Porto não contratar nenhum extremo, a solução de adaptar um dos médios criativos (os esquerdinos Josué e Quintero) a esse lugar parece consistente. Em jogos mais difíceis, será útil para criar superioridade numérica no meio-campo. Em suma, parece-me que o melhor seria jogar no 4-3-3 de sempre, com um trinco, dois box-to-box e dois extremos abertos (ou um extremo aberto e um falso ala). No fundo, o sistema que o FC Porto já utiliza desde Jesualdo Ferreira, que atingiu o seu auge com Villas-Boas e que Vítor Pereira transformou à sua imagem, com uma filosofia de posse.
Façamos, agora, o exercício oposto: excluamos Fernando e Lucho da equação e pensemos no que seria o meio-campo do FC Porto sem eles.

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Sem Fernando, o panorama inverte-se drasticamente. Se ao “Polvo” não faz sentido impingir um companheiro no mesmo raio de acção, sem ele não é possível jogar com um único homem cá atrás. Nenhum dos que fazem parte do grupo tem a capacidade de segurar todo o meio-campo sozinho. Na verdade, poucos são capazes disso. Não há, no mercado, muitos médios defensivos “destruidores” do nível de Fernando. O ideal é, portanto, jogar com o triângulo invertido e obrigar Defour e Herrera a formar um duplo pivot que liberte um “número 10”. Tiago Rodrigues ou Castro, actualmente emprestados pelos dragões, serão potenciais substitutos do belga e do mexicano. Para a função de médio ofensivo já há várias soluções: é nessa posição que Josué, Quintero e Carlos Eduardo se sentem mais confortáveis. Sem mexidas no meio-campo, não haverá alternativa ao 4-2-3-1.
Qual foi, então, a solução apresentada por Paulo Fonseca para esta época?

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Como temos visto, o jovem treinador azul e branco optou por começar a trabalhar, desde já, o 4-2-3-1. Não só porque, provavelmente, será assim que será “forçado” a jogar para o ano, mas também porque este é o seu sistema favorito (e aquele que sempre implementou nas suas equipas). À velha questão sobre se o treinador deve adaptar o seu sistema aos jogadores ou adaptar os jogadores ao seu sistema, Paulo Fonseca respondeu claramente com a última opção.

O resultado está à vista: um meio-campo sem grande química e com todos os jogadores fora do seu habitat. Defour joga demasiado atrás, preocupado em dobrar Fernando, Danilo e Alex Sandro e imprimindo pouca profundidade ao jogo do FC Porto. Ao contrário do que sucede na selecção belga ou do acontecia com Vítor Pereira, não tem grande liberdade para se lançar no ataque. Por outro lado, Fernando joga demasiado à frente, sendo inúmeras vezes responsável pelo transporte de bola. Apesar de estar cada vez melhor do ponto de vista ofensivo, não consegue fazer a diferença no último terço. Para cumprir essa tarefa, há vários jogadores mais valiosos no plantel. Por fim, Lucho, o médio mais inteligente, mais experiente e com mais classe na equipa, vê-se obrigado a ocupar uma posição excessivamente adiantada. Tem a dupla missão de ligar os sectores no momento do ataque e de pressionar bem à frente quando a equipa não tem bola. Jogando assim, aparece poucas vezes de frente para o jogo e tira a possibilidade à equipa de usar um jovem mais repentista nas costas de Jackson (como Josué ou Quintero).

Concluindo, na minha perspectiva não se está a retirar o máximo rendimento de nenhum dos três. Não tem a ver com os jogadores, tem a ver com a dinâmica: os mesmos jogadores a jogar no sistema que propus inicialmente teriam, suponho eu, mais sucesso.
Já que é para usar este sistema, gostaria que se experimentasse actuar com Fernando e Lucho lado a lado e um dos miúdos à frente (Josué, Quintero ou até mesmo Carlos Eduardo). Todavia, isso implicaria dar pouca utilização a Defour (o único com anos de casa, dos que vão ficar) e a Herrera (a contratação mais cara deste defeso), por isso não acredito que esse cenário venha materializar-se com frequência.

Paulo Fonseca escolheu, no presente, olhar para o futuro. Acredito que a equipa possa apresentar um rendimento consideravelmente mais alto num futuro mais ou menos próximo, fruto do entrosamento que se vai gerando, da qualidade e do tempo de trabalho com o grupo. Resta saber quanto tempo falta para chegar a esse futuro. Entretanto, o tempo vai passando…

O que não nos mata torna-nos mais fortes

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A12

Recuso-me a falar daquilo de que todos falam. Falar de derrotas é alimentar o ego de quem venceu. Queixar-se de arbitragens quando se perde é proporcionar mais motivos de gozo a quem não sabe ganhar. O Benfica venceu o Sporting. Os benfiquistas não sabem ganhar. Aliás, nem sabem perder. Os benfiquistas, simplesmente, não sabem. E nós, sportinguistas, temos de parar de os ajudar. Já algum de vocês, sportinguista que defendeu o seu clube, ganhou uma discussão com um “vermelho”, desde sábado? É impossível. Eles sabem que nós fomos prejudicados, eles sabem que qualquer uma das equipas podia ter ganho. Mas nunca o vão admitir. São benfiquistas. Vão distorcer os 90 minutos e rir-se da nossa cara no final. Por isso, peço-vos, sportinguistas, que parem.

Parem, mas continuem. Continuem a apoiar, como faziam antes de sábado. Continuem a acreditar, como acreditavam antes de sábado. Continuem a ser maiores e melhores, como eram antes de sábado. Nada mudou nem nada pode mudar. E quem achar o contrário apenas estará a dar força a quem quer que algo mude. Há uma semana éramos o segundo classificado do campeonato português, o melhor ataque, a equipa com melhor diferença de golos, e, pelo menos, uma das que melhor futebol têm praticado em Portugal esta época. Hoje, ainda o somos. E é disso que devemos falar, é sobre isso que devemos discutir. Orgulhem-se das vitórias, não chorem sobre as derrotas. Ignorem aqueles que são campeões em Abril e em Maio ganham zero. Ignorem aqueles se orgulham de ganhar como ganham, semana após semana.

Apoio incondicional
Apoio incondicional

O Sporting está de pé. Após anos de rastos, estamos de pé. O ano passado esta derrota seria normal, não teria mais destaque do que qualquer outra derrota. Isto porque seria só mais uma. Agora, perdemos e eles estão contentes. Contentes porque finalmente respiraram de alívio. Contentes porque, finalmente, nós fomos à Luz e eles não sabiam que iam ganhar. Estavam com medo. E continuam com medo. Medo de nós, medo de ficarem atrás de nós no campeonato. Medo de eles próprios perceberem que o Sporting está de volta quando no final do campeonato precisarem de olhar para cima para nos ver. Medo de uma realidade que há anos que era impensável mas que este ano seria merecida.

Eles dizem que nós choramos porque “pensávamos que éramos grandes outra vez”. Enganam-se. Eles pensam que nós somos grandes outra vez. Nós, sportinguistas, sabemos que nunca deixámos de ser grandes. Grandes antes de sábado, enormes depois de sábado. “Porque um leão só baixa a cabeça para beijar o símbolo que traz na camisola”.

5 Estrelas

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brasileirao

– É campeão!

Foi este o grito que a torcida apaixonada do Cruzeiro pôde entoar ontem. Depois de vencer na Baía o Vitória local, a Raposa conseguiu, deste modo, o seu tricampeonato da história. A festa do clube mineiro já se arrastava há semanas, mas só ontem a catarse foi levada ao clímax e todos puderam extravasar aquilo que já estava (quase) garantido.

Mais, o Cruzeiro Esporte Clube pode mesmo bater o recorde de pontos que ele próprio detém desde o último título, de 2003. Foi a partir deste ano que o Brasileirão começou com o sistema de pontuação corrida, de ida e volta. E parece que os cruzeirenses se dão bem com viagens. No ano em que o seu eterno rival de sempre – o Atlético Mineiro – foi campeão do continente, ostentando a coroa de louros de vencedor da Libertadores da América, os seus adversários celestes ofuscaram-no um pouco, com esta vitória, brilhante tal como as estrelas luminosas que batem no seu peito.

Os campeões nacionais / Fonte: jairsampaiocaico.blogspot.com
Os campeões nacionais / Fonte: jairsampaiocaico.blogspot.com

É sempre difícil fazer comparações entre equipas de diferentes décadas e gerações. O Cruzeiro de 1966 tinha Tostão. O de 2003 tinha Sorin, Alex ou Luisão – o capitão do Benfica, que, aliás, assistiu à partida derradeira ontem, em Lisboa, ao lado de um monstro da música brasileira e Cruzeiro enamorado, Milton Nascimento. Mas esta equipe, mais do que isso, possui um grande conjunto, muito bem orientado por Marcelo de Oliveira: Fábio na baliza, Dagoberto a número 10, Everton Ribeiro e Borges na frente. Foram imparáveis. E a Raposa nem sequer tinha sido campeã estadual em Maio, perdendo para o Galo. Agora tudo estará atento à luta pelo acesso à Taça dos Libertadores no grupo da frente. Cruzeiro e Atlético já estão. Resta esperar pelo vencedor da Copa do Brasil, entre Flamengo e Atlético Paranaense, e pelos três restantes atrás dos celestes na tabela de classificação. A luta para evitar o rebaixamento de divisão também estará ao rubro.

A festa da torcida dos novos campeões, em pleno Mineirão / Fonte: copadomundo.uol.com.br
A festa da torcida dos novos campeões, em pleno Mineirão / Fonte: copadomundo.uol.com.br

Cruzeiro é o Rei do Brasil. Pode-se orgulhar, mais do que isso, de ter o nome de uma constelação que ilumina os céus dourados desse grande país. E é o único clube a ter o seu nome, ainda que indiretamente, ligado ao hino do Brasil: “Se em teu formoso céu, risonho e límpido, / A imagem do Cruzeiro resplandece.” É isso o Cruzeiro: um campeão cinco estrelas, de um conjunto estelar de cinco elementos chamado Cruzeiro do Sul. É verdade que este espetáculo estelar só pode ser visto do Hemisfério Sul.

Porém, hoje todos conseguirão observá-lo de onde quer que estejam. Os corpos celestes brilham no peito de cada cruzeirense e iluminam os campos e montanhas alegres das Minas Gerais, espalhando-se por toda a nação. Sonho onírico. Impossível, mas, enfim, realizável.

Vamos falar da Europa, outra vez

cab hoquei

Mais um texto, e mais uma vez falo de provas europeias. Peço desculpa, mas é inevitável. Começou mais uma edição da Liga Europeia e da Taça CERS, com a jornada a ser bastante positiva para os clubes portugueses.

Começando pela Liga Europeia, o campeão europeu não podia ter começado da melhor maneira. O Benfica goleou na Luz os suíços do RHC Diessbach por 13-3. Os suíços ainda assustaram, mas o Benfica mostrou porque é o detentor do título e confirmou o grande início de época que está a fazer.

Caio foi a figura na vitória do Porto http://cdn.controlinveste.pt/storage/OJ/2012/big/ng2018686.jpg
Caio foi a figura na vitória do Porto
Fonte: controlinveste.pt

Outro dos favoritos à conquista do troféu, o FC Porto, conseguiu uma difícil vitória fora. O finalista vencido do ano anterior esteve a perder, mas conseguiu dar a volta e vencer o Vilareggio por 4-3, com Caio a marcar três golos.

Quem está de volta passados 35 anos é o Valongo, e com um grande resultado, que cria espectativas para este regresso. Os homens do Norte golearam o Saint Omer por 8-0.

O Valongo voltou às provas europeias com uma goleada http://3.bp.blogspot.com/--68Gvh48Ci8/T_wD0TFKnSI/AAAAAAAAAfA/-e2n8XJ6aXU/s1600/AD+Valongo.png
O Valongo voltou às provas europeias com uma goleada

O único resultado negativo foi o da Oliveirense, que perdeu com os italianos do Valdagno, uma das equipas que estiveram nas meias-finais o ano passado, por 5-4. No entanto, nada está perdido. O conjunto de Oliveira de Azeméis conseguiu dar luta a um sempre difícil conjunto italiano, e tem agora a chance de voltar a lutar pelo apuramento, quando receber o Réus.

Na Taça CERS, o panorama também é positivo. Três triunfos e uma derrota na primeira mão da fase preliminar. Turquel, Óquei de Barcelos e Hóquei Clube de Braga saíram vencedores dos seus triunfos. O Turquel recebeu e venceu os alemães do RSC Darmtadt por 15-1 e sentenciou a eliminatória. Já o conjunto de Barcelos foi à Suíça golear o Uri por 7-1, tendo tudo na mão para passar. Outro resultado bastante confortável foi o do Hóquei clube de Braga: os bracarenses venceram de forma clara os austríacos do Dornbirn fora por 11-3. Os açorianos do Candelária foram os únicos a perder. Em mais um duelo de equipas portuguesas contra equipas italianas, o Breganze foi mais forte em casa e venceu por 6-2. Ainda assim, é uma desvantagem possível de inverter.
Como podemos observar, esta campanha portuguesa promete e há condições para fazer como no ano passado.

Plano B

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Verde e Branco à Risca

Qualquer pessoa que tenha assistido aos últimos jogos do Sporting reparou, certamente, em que a partir de certa altura da partida a turma do leão vai perdendo o domínio por completo, até chegar a um ponto de alguma aflição e desconforto. Esta situação, porém, é automaticamente invertida assim que Leonardo Jardim procede a uma determinada mudança. A mudança de que falo é técnica mas também táctica e transforma um Sporting algo saturado num Sporting completamente demolidor.

André Martins frente ao Olhanense / Fonte: Sapo Desporto
André Martins frente ao Olhanense / Fonte: Sapo Desporto

Como sabemos, o Sporting tem alinhado num 4-3-3 com André Martins ocupando o vértice mais adiantado do meio-campo; porém, e apesar de ser um jogador que sempre me agradou e de transmitir alguma verticalidade ao jogo do Sporting, é notório que não está a render o que pode render, principalmente nos últimos encontros. O jogador mais avançado da formação leonina, Montero, tem ficado em branco nos últimos jogos, embora sempre bastante activo e fulcral na manobra ofensiva da equipa, e a falta de golos do colombiano tem sido disfarçada pela inclusão de um “pinheiro” argelino a seu lado. Slimani tem agarrado a oportunidade da melhor forma, sempre que entra dentro das quatro linhas: com golos importantes. Vejamos: sempre que Slimani entra em campo, é retirado um elemento do meio-campo, passando o Sporting a alinhar num 4-1-3-2, e, embora o preterido não seja sempre André Martins, quando assim acontece, Adrien liberta-se e torna-se um “playmaker” bastante ofensivo e com uma tremenda facilidade em criar linhas de passe e em executar remates perigosos.

Factos são factos: André Martins está em sub-rendimento; Adrien rende mais na zona mais ofensiva do meio-campo; Montero não faz golos há alguns jogos; Slimani faz golos sempre que entra em campo; o Sporting torna-se demolidor a jogar em 4-1-3-2. Por conseguinte, o “Plano B” a que me refiro para o jogo com o Vitória é simples: sai André Martins e entra Islam Slimani; Montero e Slimani na frente de ataque; Adrien no apoio aos dois avançados.

Esta mudança técnico-táctica vai resolver os problemas do Sporting? Não. O grande problema reside na zona central da defesa e nas opções de que dispomos para ocupar esses lugares. Porém, uma equipa mais agressiva, um meio-campo mais incisivo, um ataque mais composto, podem motivar e ajudar a disfarçar alguma insegurança da zona defensiva.

Estou certo de que Leonardo Jardim já entendeu toda esta situação; porém, embora tenha a certeza de que o técnico leonino irá aplicar o “Plano B” em Guimarães, duvido que o faça de início. Tudo certo, há que ter confiança num treinador que é o homem certo no lugar certo à hora exacta.

Um pequeno aparte: visto não escrever mais antes do jogo da nossa Selecção, desejo a maior sorte e força do mundo aos pupilos de Paulo Bento. Que Rui Patrício responda a todas as críticas com uma grande exibição recheada de segurança, que William se estreie em grande, e que Cristiano mostre mais uma vez que é o justo vencedor da Bola de Ouro 2013. Que estejamos no Brasil!