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Carta Portista ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Estamos prestes a terminar mais um ano, mas todos sabemos que isso não acontece sem que primeiro chegue o teu dia, o dia em que todos os olhos estão postos em ti e na tua missão de distribuir sorrisos pelo mundo.

Pois bem, este foi um ano em que nós, portistas, ficamos satisfeitos por nos teres dado ouvidos (depois de quatro anos, já não era sem tempo!). Recuperámos, em maio, o título de campeões nacionais e esse era o principal desejo que tínhamos. Agora, ao olhar para trás e projetar este Natal, percebo que fomos partilhando, na família portista, valores como a união e a solidariedade e esses valores estão entre os meus pedidos para este ano.

Pai Natal, vou ser o mais direta possível e começar pelo principal, aquilo que esta grande família portista verdadeiramente deseja: queremos, em maio, voltar aos Aliados para festejar o bicampeonato. Todos nós temos os nossos pedidos mais pessoais, as futilidades de que nos lembramos sobretudo nesta altura, os pedidos de bens mais essenciais e que nos estão a fazer falta… e tudo isso é importante. Esta é, acima de tudo, uma época para sonharmos e acreditarmos, uma época para tentarmos deixar de lado, nem que seja por dois dias, as coisas más da nossa vida. Para além do Natal, também o futebol, durante o ano, vai fazendo esse papel, o papel de em 90 minutos nos manter distantes do que mais nos preocupa ou assusta. E por isso é desejo da família portista voltar a conquistar o título.

Plantel unido no apoio a Nuno Pinto
Fonte: FC Porto

Mas, como essa é uma prenda que na prática só será entregue em maio, há outras coisas que gostava de te pedir. Uma delas é que nos ajudes a ajudar quem precisa. No mês de novembro o FC Porto desenvolveu uma campanha de solidariedade em que promoveu uma recolha de alimentos. Este tipo de iniciativas são importantes e queremos que continuem a existir. Queremos que o nosso clube, que chega a tanta gente, impulsione este tipo de atividades e envolva os seus adeptos, porque o futebol é mesmo capaz de mover milhares de pessoas.

Depois, não podia esquecer-me das restantes competições em que estamos envolvidos. Pai Natal, sabes há quanto tempo não vencemos uma Taça de Portugal? Desde 2011. Para além disso, há a Taça da Liga, competição que vencemos sabes quando? Nunca. Por isso mesmo, este é outro dos desejos que quero que tenhas em consideração. Ah, e não te esqueças da Liga dos Campeões. Para além do prestígio, esta é uma prova que dá dinheiro, e bem sabes que o dinheiro nos faz falta para termos margem de manobra para gerir o plantel. Sei que vencer a Liga dos Campeões parece impossível, mas pensa bem, talvez também parecesse em 2004 e conseguimos. Ainda assim, vamos pensando num passo de cada vez e, com os romanos pela frente, queremos conseguir por os olhos nos quartos-de-final.

Por último, Pai Natal, um desejo que não envolve o FC Porto mas que tocou o futebol e nos tocou a todos nós. Chama-se Nuno Pinto, é defesa esquerdo do Vitória de Setúbal e está gravemente doente. Sei que tu, como pessoa atenta que és, sabes que aquela é uma doença que, a mim em particular, me diz muito. E como a mim, tenho a certeza que a muita gente neste país. Agora, é uma doença que diz muito também ao Nuno e a toda a sua família. Por isso, Pai Natal, ajuda-os a ultrapassá-la e ajuda o Nuno a acreditar que, entretanto, pode voltar aos relvados e a fazer aquilo de que mais gosta, junto dos seus.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo Revisto por: Ana Ferreira

Carta Benfiquista ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Já se passou algum tempo desde a última vez que te escrevi. Talvez por achar que nos últimos tempos não há nada que eu queira em particular ou talvez porque simplesmente esperava pedir algo a sério, algo que quero mesmo e pelo qual anseio já há algum tempo.

Não te venho pedir bens materiais, a única coisa que lhe quero pedir realmente é amor, é felicidade, é vibração. Sim, eu quero amor à camisola, eu quero ver a felicidades nos nossos jogadores e nos adeptos que me rodeiam. Na verdade, o que eu quero mesmo é o meu Benfica de volta.

Sabes, Pai Natal, uma vez quando era criança, pedi-te um equipamento do Benfica. Parece que me portei bem nesse ano, porque me deste exatamente o que eu queria e eu tive um Natal mais feliz. Foi tão bom abrir aquele presente e ter um equipamento com o nome do Sabry. Talvez muita gente não se lembre dele, mas eu nunca mais me vou esquecer. E desde essa altura, até antes, eu já vibrava com o Benfica, já cantava as músicas, já gritava golo e também já mandava vir com os jogadores pela televisão, mesmo sabendo que não iam ouvir. Vê só o meu amor pelo clube.

Voltando ao que te quero pedir… Este ano gostava e queria muito que o Benfica voltasse a ser o mesmo que era antes de Rui Vitória ser escolhido como treinador. Sim, Pai Natal, eu já percebi que ele é boa pessoa, mas isso não chega quando se está à frente de um clube tão grandioso como é o meu, um clube de história!

Alguns jogadores do Benfica marcaram presença numa ação solidária, na Associação de Jardins-Escolas João de Deus, na Amadora
Fonte: SL Benfica

São muitos os jogadores que temos, todos com valor, mas uns parecem não estar no lugar certo. E é para isso que serve o mercado de transferências, para se fazer um “vaivém” de jogadores quando é necessário. Qual é a ideia de comprar jogadores se pouco ou quase nada se utilizam?

Mas o grande problema do Benfica, infelizmente, não é só esse. Parece que deixaram de saber jogar à bola, que não lutam pelas vitórias (só de vez em quando). Por vezes, os que mais brilham, os que mais mostram jogar à bola, são os mais novos. Aquela qualidade técnica do João Félix, aqueles remates certeiros do Gedson que nos deu um belo golo na Allianz Arena este ano e que se tornou no “nosso” Golden Boy. Mas não, não são só os mais novos.

Acho que o Pizzi, apesar das fracas exibições do Benfica, tem estado num nível bastante melhor comparado com certas alturas. O Jonas, que para mim já jogou melhor, mas que continua a ser um dos melhores marcadores do Benfica estando neste momento em igualdade com Rafa, que também tem surpreendido. O Grimaldo, o nosso defesa que às vezes parece o Speedy Gonzales e que às vezes me deixa pasmada com certas jogadas e golos. Também temos o Seferovic, que não foi assim tão bem recebido por alguns, mas que tem tido tempo para mostrar o que vale. O Zivkovic, que com um 1,69 cm, por vezes, fura mais que um berbequim. O Salvio, o Fejsa, tantos outros. Todos com tão boas qualidades e tão bem desperdiçadas.

Pai Natal, se considerares que estou no direito, queria pedir-te outra coisa. Queria pedir-te que ofereças uns patins. Não a mim, ao nosso querido Rui Vitória. Mas não é para ele se magoar, confia, é só mesmo para ele ir embora a desfilar. Pensando melhor, talvez seja preferível um avião, ou um jato privado, que pelo menos andam mais rápido e é certo que o vão levar para longe.

Desculpa a minha ironia, mas estou cansada de ver mau futebol e de o ouvir dizer que fizeram “uma ótima exibição”. Como é que ele é capaz de dizer isso e não mete a mão na consciência? Estas prestações do Benfica fazem-me lembrar do torneio de inter-turmas quando andava no 6º ano. Éramos uma equipa de raparigas que não sabiam jogar à bola, mas jogámos melhor o suficiente para sermos as campeãs (parece as vitórias do Benfica, se é que me entendes).

Pizzi: “No Benfica é sempre proibido escorregar!”
Fonte: SL Benfica

Eu quero mais do Benfica! Quero mais “show de bola”, quero mais garra. Quero voltar a arrepiar-me só com jogadas, quero festejar os nossos golos e goleadas com adeptos que não conheço de lado nenhum, mas que partilham a mesma felicidade que eu. Quero os nossos jogadores a jogarem como jogavam antes, com vontade, com querer! Quero que acabe a ingenuidade (ou o que lhe queiram chamar) do nosso treinador, aquela “coisa” de ele achar que o Benfica está a dar o seu melhor em cada jogo. Por favor, alguém lhe diga que ele está redondamente enganado.

Esta é uma época de amor, de paz. Por isso, Pai Natal, e com todo o respeito, queria pedir-te ainda outro presente, mas este é para o meu clube. Eu sei que eles não se estão a portar da melhor maneira, mas talvez com um presente eles ficassem mais incentivados. Talvez com um novo treinador, embrulhadinho e tal.

Talvez quando vier da Lapónia possas passar pela Arábia Saudita e dar um ar da tua graça, por exemplo. Mas só se não for pedir muito. Mas por favor, dá-me o meu Benfica de volta, dá-me os nossos campeões outra vez. Não deixes que uma só pessoa faça deles um alvo por parte dos adeptos, porque para isso já nos chega o Sporting. Por favor, Pai Natal, dá-me vitórias merecidas e não vitórias por sorte. Dá-me muitos golos, porque um golo por jogo sem saberem muito bem como não é suficiente. Isto não é raça de campeão, é apenas uma equipa a desmoronar-se por causa de um treinador que não sabe o que fazer com os jogadores e de um presidente que não sabe tomar as devidas medidas.

Por isso, espero ter-me portado suficientemente bem este ano para que possa ter as prendinhas que te pedi. Se achares que não consegues trazer tudo sozinho com o Rodolfo, diz-nos, que nós adeptos podemos ceder-lhe o nosso “colinho” para o ajudar.

Foto de Capa: SL Benfica

Carta Sportinguista ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Antes de mais, é bom voltar a falar contigo depois de tantos anos. Como vês, ainda tenho a tua morada bem guardada mas desta vez não venho com a mesma lengalenga de anos anteriores. Nada de brinquedos, jogos ou futilidades e é por isso que volto a endereçar-te estas palavras nestas mágicas linhas que tanta felicidade distribuem.

Chegou o tempo de pedir, pelo menos é para isso que serve esta carta, e segundo consta, pedir não custa. No entanto, aprendi também que este é tempo principalmente de dar e isso também não custa nada. A quem o digo, não é? A ti que não fazes outra coisa senão dar e oferecer sem receber nada em troca. Por isso mesmo quero começar esta carta por dar algo também, quero oferecer alguns dos pedidos que esta carta me concede. Só te peço que os embrulhes da forma mais bonita possível e depois os entregues tal e qual como fazes todos os anos, com essa eficácia tremenda, qual Bas Dost vestido de vermelho. Horrível visão esta agora… Adiante!

Primeiramente, quero que cumpras todos os desejos e realizes todos e cada um dos inúmeros pedidos que recebes, especialmente aqueles de todos os que nem esta carta te conseguem escrever mas que o fazem em pensamento, sobretudo nestes dias. Sei que estás atento a tudo isso e ajudarás aqueles que mais o precisam. Solidariedade é o primeiro presente que aqui peço para oferecer.

Tenho agora de colocar a Bola na Rede e falar-te de futebol mas sem deixar para trás o espírito nobre que devia ser apanágio de todo o ano e não só nestes dias. Aliás, quero falar-te de algo que ultrapassa o nosso querido desporto-rei. Há um nome, que espero que esteja na lista certa, que precisa da tua ajuda. Acho que o Nuno Pinto, jogador do Vitória FC, merece um belo presente este ano, estamos todos a contar contigo. O futebol é, unicamente, a coisa mais importante das coisas menos importantes da vida. É pena que só tenhamos essa noção quando brotam casos como este. Se puderes, coloca um pouco – bastante grande – de juízo e bom-senso no sapatinho de todos os intervenientes do nosso futebol, ficaria também agradecido, confesso.

Permite-me agora ser um pouco mais egoísta, até porque nós, sportinguistas, temos estado na lista dos bem comportados, pelo menos, ultimamente. Não tem sido assim ao longo de todo o ano, tenho consciência disso. Assim sendo, assumo também a responsabilidade de o dizer em nome de todos os sportinguistas, este ano o que te peço é nada mais e nada menos que paz. Uma paz branca e pura que se misture com o nosso verde listado e seja duradoura e transversal a todo o clube. Com ela virá também a união da família sportinguista, algo a que estas datas tanto convidam e algo imperativo para rugir a uma só voz.

Pede-se uma forte união no universo verde e branco
Fonte: Sporting CP

Obrigado, já agora, pela prenda antecipada. O “duende” holandês que enviaste está a devolver o entusiasmo às bancadas numa época em que tudo parecia ser uma daquelas páginas, deixadas propositadamente em branco, que principiam os livros para só depois dar início efetivo à prosa, ou, neste caso, à poesia.

Peço-te coisas simples: que a alegria no relvado não cesse, que o prazer transborde para as bancadas e que invada também o pavilhão João Rocha e a sua quadra. Sim, queremos espetáculo. Um Adrien no sapatinho também seria bem-vindo e não te vou mentir, queremos muitos títulos e troféus, de todos os formatos e cores possíveis, seja nas modalidades ou no futebol. E claro, continuamos a querer aquela prenda que está esquecida algures desde 2002 mas que todos os anos é recorrente em cartas esperançosas e por isso esverdeadas como esta.

Mas acima de tudo e de qualquer outra coisa, peço-te aquilo que te peço sempre: saúde. Para todos, para os que têm o coração verde, para os restantes corações coloridos pelo futebol mas também para os que o têm descolorido e se apaixonam por outras coisas. O futebol será sempre só um jogo ou até mais do que isso, às vezes parecerá uma questão de vida ou morte e noutras será muito mais do que isso também. No fundo, oferece-nos saúde para que todos possamos continuar a desfrutar dele, com as nossas cores, a cada dia, nos vários desportos e em cada jogo.

Um feliz natal para todos e para ti também, Pai Natal.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Os 5 desportistas que estão na lista do Pai Natal

Com a noite de Natal a chegar, o Bola na Rede foi para o terreno e conduziu uma investigação profunda que lhe permitiu aceder a uma parte do mais bem guardado segredo da época: a Lista do Pai Natal!

Neste exclusivo BnR, descobre a avaliação do velhote das barbas brancas a cinco destacados desportistas, e quais são as prendas a que estes terão direito.

Da ruína ao renascer das cinzas

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O Kuban Krasnodar foi fundado na primeira metade do século XX pela polícia secreta da União Soviética e foi durante muitos anos uma das equipas mais famosas da Rússia, porventura a mais famosa das equipas sediadas fora da capital. Atualmente, os tempos não são áureos.

Na época 2012/2013, o Kuban Krasnodar conseguiu terminar num histórico quarto lugar, a melhor classificação de sempre da história do clube, o que lhe valeu o apuramento para a Liga Europa. Depois de um período irregular, com subidas e descidas de divisão à mistura, parecia, finalmente, ganhar alguma estabilidade o projeto do Kuban.

O apuramento para a fase de grupos da Liga Europa, com uma vitória sobre o Feyenoord no play-off, motivou ainda mais os adeptos, que viram a sua equipa ficar no terceiro lugar da fase de grupos, atrás de Valencia CF e Swansea City AFC.

Foi na época seguinte que começaram os problemas do Kuban. O rendimento desportivo em campo não era por aí além e fora dele começou a piorar. Surgiram as primeiras notícias de salários em atraso e desinteresse por parte dos investidores. A chegada à final da Taça da Rússia, nestas condições, foi um feito quase heróico por parte de toda a equipa.

Na época de 2015/2016, a bomba estourou. O investidor maioritário deixou de financiar o clube, o que se traduziu em atrasos nos salários de todo o staff e graves problemas de tesouraria. O governo de Krasnodar ficou a tomar conta da totalidade do clube, enquanto esperava arranjar um novo patrocinador. Um dos planos para atrair publicidade e novos investidores passou pela contratação de Andrey Arshavin, uma das maiores figuras de sempre do futebol russo, e foi pago a peso de ouro para tentar reavivar o clube. A iniciativa não resultou, pelo contrário, agravou ainda mais os problemas do Kuban. O internacional russo saiu ao fim de nove jogos e o clube acabaria por ser relegado à segunda divisão. Por lá se manteve até à época passada, com desempenhos modestos.

Pelo meio, surgiu a possibilidade de se transferir o clube para Sochi, a… mais de 300km de distância. Havia muita pressão social na Rússia para ter uma equipa profissional naquela cidade, que construiu de raíz um imponente estádio para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014. Esta poderia ter sido uma das possibilidades para o salvamento do Kuban, mas tal não aconteceu, muito por vontade dos adeptos, a quem, uns anos antes, havia sido prometida a construção de um novo estádio, mas tal não saiu do papel.

Símbolo do novo clube, o FC Uroshay Krasnodar
Fonte: Federação Russa

Em junho deste ano, uma ação judicial das autoridades fiscais declarou oficialmente o clube como falido. Este falhou o pagamento da inscrição na segunda divisão e foi dissolvido devido à bancarrota.

No entanto, os adeptos entusiastas não aceitaram baixar os braços e estão a tentar reerguer o Kuban das cinzas. Para isso, adaptaram as cores e os símbolos de sempre e criaram o FC Uroshay Krasnodar, o novo Kuban, que participa atualmente nas divisões regionais de Krasnodar (Krasnodar Krai Regional League).

É possível fazer uma análise macroeconómica ao futebol da Rússia. É totalmente impossível ter uma equipa de futebol profissional competitiva sem uma estrutura milionária por trás. A grande dispersão geográfica do país exige viagens demasiado longas, muitas horas e fusos horários diferentes, o que é praticamente insustentável. Excetuando a capital Moscovo, é insubsistente qualquer outra cidade ter suporte financeiro e mediático para mais do que uma equipa na elite do futebol. No caso de Krasnodar, a fundação e imediato crescimento do FK Krasnodar fez com que o Kuban sentisse na pele as dificuldades disso mesmo. Dificilmente poderiam sobreviver os dois, e foi o Kuban que levou a pior.

Conseguirá reerguer-se das cinzas? Ninguém sabe ao certo, mas o mundo do futebol espera que sim.

Foto de capa: UEFA

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

 

Vitória SC 1-0 Sporting CP: Leões falham assalto ao Castelo

Vitória SC e Sporting CP defrontaram-se no Estádio D. Afonso Henriques para o campeonato nacional. Em plena época natalícia, ambas as formações procuravam a sua prenda na bonita cidade de Guimarães. Tanto os da casa como os forasteiros apresentavam bons resultados nas últimas partidas: do lado do Sporting CP, desde que Marcel Keizer chegou a Alvalade, os Leões não conheciam o sabor da derrota até este encontro; do lado dos conquistadores, Luís Castro tem dado mostras de ser um treinador com alma de conquistador, não só por sucumbir ao acenar das libras do Reading FC como por ter totalizado cinco jogos sem perder.

No plano teórico, o encontro tinha tudo para ser um “jogo de tripla”: ou dava empate ou vitória para uma das formações. Mas é no campo que se prova quem é melhor. O futebol resiste pouco à teoria das probabilidades: são onze contra onze e uma bola. O resto é conversa.

Ambas as formações iniciaram a partida no seu habitual 4x3x3. Na impossibilidade de utilizar Mattheus Oliveira por estar emprestado pelos Leões à formação vitoriana, Luís Castro apostou em Pêpê para o meio-campo, atuando a oito, no apoio ao homem mais adiantado do miolo da formação da casa, André André. Wakaso foi o médio-defensivo de serviço como vem sendo já habitual na equipa da cidade Berço.

Do lado do Sporting CP, a defesa apareceu logo com uma novidade: André Pinto entrou para o lugar do castigado Sebastián Coates. O tridente ofensivo contou também com Jovane Cabral a titular como ala esquerdo, em substituição do habitual nessa posição, Nani. Destaque ainda para a titularidade de Miguel Luís que tem merecido a confiança de Keizer para compensar o lesionado Wendel.

O jogo começou com uma clara supremacia da equipa da casa. Logo ao minuto sete, Renan teve que se aplicar para tirar uma bola que vinha do lado esquerdo do ataque do Vitória, prontinha para Guedes finalizar ao seu bel-prazer. Em resposta, o Sporting lançou as suas armas, e Douglas retira a bola da cabeça de Bruno Fernandes já muito perto da área vitoriana.

Mas foi a formação de Guimarães que teve sempre mais critério na saída para o ataque e nem precisou de tanta posse de bola para o fazer (no final da primeira parte, o Sporting CP tinha 60% de posse contra apenas 40% da equipa de Luís Castro). O jogo sportinguista era mastigado, de nada adiantava ter posse de bola se não se sabia o que fazer com ela. As tarefas defensivas do Vitória SC faziam-se com particular astúcia, ensinando a Keizer como se defende: por várias vezes, era o extremo Davidson que descia até zonas mais recuadas do terreno, auxiliando o lateral Rafa Soares no bloqueio à rapidez de Diaby.

A toada ofensiva dos conquistadores continuava de vento em popa: ao minuto 15, remate fora da área de Davidson, levando Renan a uma excelente defesa. Só ao minuto 18, Diaby tenta surpreender Douglas após um remate à entrada da área, mas sai ligeiramente ao lado da baliza do Vitória SC. A equipa da casa parecia que tinha estudado à minúcia os pontos fracos da formação sportinguista.

Além de condicionar a primeira fase de construção dos leões, explorava o lado esquerdo da defesa da equipa verde e branca quer pelo ala direito Tozé quer pelo lateral do mesmo lado, Dôdô. Tozé, aliás, esteve em excelente plano durante todo o jogo, sendo uma peça fundamental na manobra ofensiva da equipa de Luís Castro. Foi coroado com um bom golo, o único do encontro, fora da área, após cobrança de um pontapé de canto ao minuto 26. Renan muito pouco podia fazer para defender o esférico. Estava feito o um a zero para a equipa da casa, que se veio a manter até ao final da partida.

Jovane Cabral não correspondeu e saiu ao intervalo
Fonte: Sporting CP

A segunda parte teve a mesma característica da primeira: um Sporting CP dominado e um Vitória SC conquistador. A exceção a esta máxima talvez tenha sido os primeiros minutos do segundo tempo, já com Raphinha em campo para compensar o apagado Jovane Cabral na ala esquerda do Leão.

Do lado dos vitorianos, tinha saído André André, jogador essencial na manobra ofensiva dos da casa durante a primeira parte, para a entrada de Ola John. Com esta substituição, “desce” Tozé para o tridente do meio-campo ficando o holandês na ala direita do ataque. Foi Raphinha, do lado dos forasteiros, que ainda tentou surpreender Douglas com dois remates fortes e venenosos no início da segunda parte obrigando o guarda-redes vitoriano a ter que se aplicar com afinco.

Mas, à exceção disso, o Sporting foi sempre uma equipa muito desinspirada, desorganizada e incapaz de ultrapassar a muralha vitoriana. O “futebol espetáculo” do Leão, tão elogiado antes da chegada ao Castelo de Guimarães, encontrou ali uma poderosa resistência nortenha. A equipa da casa foi uma justa vencedora e teve ainda o mérito de impingir, sem espinhas, a primeira derrota de Marcel Keizer ao leme do Leão.

SL Benfica 6-2 SC Braga: Goleada à antiga

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Jogo grande no Estádio da Luz com o Sport Lisboa e Benfica a receber o Sporting de Braga na última partida antes da paragem para o Natal. A equipa encarnada entrou em campo com a equipa esperada, isto é, com oito regressos comparando com a equipa que entrou em campo para a taça de Portugal. A equipa minhota iniciou a partida com sem novidades, apenas Claudemir, médio que fez dupla com Fransérgio no centro do terreno. Uma presença no onze muito anunciada pelos jornais desportivos.

A partida iniciou-se com a equipa encarnada a ter mais posse de bola e a conseguir de certa forma controlar a partida, algo que Rui Vitória tinha dito que iria fazer. Contudo, nessa primeira fase do encontro notou-se um rápido e perigoso Sporting de Braga que causou momentos de perigo junto da área de Oddyseas. Prova disso foi o remate do já referido Fransérgio ao ferro superior da baliza do guardião encarnado.

O Benfica abriu o marcador dentro da primeira meia hora do jogo com Pizzi a rematar de pé direito para o fundo das redes de Tiago Sá. Nota para o excelente movimento do camisola 21 que tirou o adversário da frente e fez a bola entrar na baliza com um belíssimo arco. Após o tento encarnado notou-se que o Benfica, como infelizmente é habitual, retraiu-se e diminui o ritmo de jogo, tentando apenas partir para o ataque com segurança.

Aos trinta e quatro minutos Dyego Sousa recebeu com classe dentro da área encarnada, assistiu o ex-Benfica Ricardo Horta que ao rematar para a baliza foi o grego a superiorizar-se e a defender para canto. A par do lance de Fransérgio, foi este o segundo grande momento de ataque do Braga nos primeiros trinta e cinco minutos da partida.

Trinta e oito minutos decorridos no relvado da Luz e o Benfica marcou o segundo golo da partida. O capitão da equipa, Jardel, marcou de cabeça para a baliza do topo norte. Um lance inspecionado pelo vídeo-arbitro que analisou a disputa de bola entre o central brasileiro e o guarda-redes do Braga. Mérito do camisola 33 por ter marcado, de forma limpa, ao cabecear antes de Tiago Sá tocar na bola. Foi o segundo golo do experiente jogador esta temporada e o primeiro na Liga NOS.

Logo de imediato foi Jonas o jogador em destaque: em frente ao camisola 12 do Braga foi mesmo o guarda-redes minhoto a defender, e de que forma, o remate do jogador do Benfica. Excelente atenção e oportunidade do brasileiro e ao mesmo nível a reação do guarda-redes do Braga.

Os dois rivais regressaram aos balneários para o descanso do intervalo com a equipa a casa a vencer por duas bolas a zero e com mérito no resultado. A equipa visitante tentou ao máximo tirar partido dos seus lances de ataque e de contra-ataque mas não foi suficiente para introduzir a bola na baliza sul do Estádio da Luz.

O sucesso encarnado no meio-campo do Braga deveu-se, de certa forma, aos movimentos entre Pizzi, Zivkovic e Cervi. Estes três jogadores aproveitaram da melhor forma a sua facilidade em jogar tanto nas alas como em zonas mais interiores: Pizzi marcou ao receber na ala esquerda e Zivkovic e Cervi, muitas vezes, jogaram juntos do mesmo ou até mesmo a ocupar a zona onde habitualmente jogam os dois médios portugueses.

Um plantel unido foi o segredo para uma goleada como prenda de natal
Fonte: SL Benfica

Inicio da segunda parte da partida e nenhuma alteração realizada tanto por uma como pela a outra equipa. O Benfica iniciou a partida com a bola, a atacar para o lado sul e com Gedson a criar o primeiro lance de ataque da partida. Uma jogada com direito a uma finta cheia de classe do internacional português mas onde a bola não chegou a criar grande perigo para Tiago Sá.

Três a zero na Luz logo aos quarenta e oito minutos. Grimaldo, de pé direito, a obrigar os jogadores do Braga a irem buscar a bola ao fundo da redes. Um passe a rasgar deixou a bola ao internacional espanhol que, depois de uma “tabela” com um adversário, ficou sozinho frente ao jovem guardião e finalizou rasteiro para a baliza com mais golos marcados da história do clube.

Ainda se comemorava o golo do Benfica e o Braga reduzia para três a um com Dyego Sousa a cabecear cruzado para o lado oposto de Oddyseas. Um bom golo do matador minhoto que reanimou os adeptos da equipa do Sporting de Braga. Não se pedia melhor forma de reatar da partida, dois golos, um para cada equipa e um bom espetáculo de futebol em Lisboa. O Benfica a abrir o marcador do segundo tempo e o Braga a reagir da melhor forma ao golo sofrido.

Havia melhor forma ainda de se iniciar a segunda parte? Sim. Jonas marcaria o quarto golo com Cervi a assistir depois de Gedson fazer um passe para o argentino. O avançado brasileiro voltou a marcar, pela sexta vez consecutiva, numa jogada onde precisou apenas de encostar para o fundo das redes. Dez minutos da segunda parte, dois golos para a equipa benfiquista, um para a equipa bracarense. Com uma segunda parte com tanto ritmo de jogo, a partida ficaria um pouco mais agressiva com o aumento de faltas e amostragens de cartões amarelos.

A primeira substituição da partida ficou a cargo da equipa visitante com João Novais a entrar para o lugar de Ricardo Horta onde Abel Ferreira tentaria fazer alguma mudança no caudal do jogo. Goiano também saiu e Wilson Eduardo entrou numa substituição onde Esgaio acabou por descer para defesa direito. Duas substituições juntas para tentar reagir ao tão desnivelado resultado. Poucos minutos depois foi a vez da equipa encarnada fazer a primeira substituição: saída de Jonas para a entrada do suíço Seferovic. Uma substituição com direito a grande salva de palmas dos adeptos da casa.

Ainda nem Jonas tinha chegado ao banco de suplentes e o Benfica marcava mais um golo ao Braga. O quinto golo foi de Cervi que de pé esquerdo fuzilou a baliza adversária com Zivkovic responsável pela assistência. (Ler acima acerca das movimentações dos dois jogadores). Um golo muitíssimo festejado pelos adeptos, pelos jogadores em campo mas em grande destaque a notável alegria de Jonas fora das quatro linhas.

Mais um, desta vez, André Almeida.. e de pé esquerdo! O camisola trinta e quatro aproveitou a bola no ar e rematou para o ângulo superior esquerdo da baliza. Uma bola muito chegada ao ferro e o resultado ampliado assim para seis a um. Que reação tão ofensiva ao golo sofrido da equipa da casa a deixa Abel Ferreira incrédulo com o que se estava a passar dentro das quatro linhas.

O Sporting de Braga tentou responder da melhor forma ao sexto golo sofrido mas o máximo que conseguiu foi um remate fraco de Wilson Eduardo para as mãos do guarda-redes encarnado. Contudo, dois minutos depois e numa jogada de contra-ataque, João Novais introduziu a bola na baliza norte num belíssimo remate rasteiro. O médio português estava sozinho e apenas teve que rematar para o local mais longe do guarda-redes adversário. Um golo que não levou muitos adeptos bracarenses a festejarem no terceiro anel do Estádio da Luz devido ao resultado desnivelado e a favor do coletivo adversário.

Segunda substituição do Benfica com Jardel, capitão e autor de um dos golos, a dar o seu lugar ao argentino e camisola dois, Conti. A capitão ficou o também marcador da partida, André Almeida.

Aos setenta e cinco minutos foi anunciado pelo speaker que o Estádio da Luz estava esgotado com cinquenta e sete mil adeptos nas bancadas. Uma casa cheia na véspera de jantar de Natal.

Cervi também foi aplaudido pelos adeptos encarnados na substituição que trouxe Krovinovic aos relvados da Luz. Continua assim o processo de regresso ao bom futebol do camisola vinte encarnado.

Após o segundo golo do Sporting de Braga notou-se, tal como na reta final da primeira parte, a um jogo de ritmo mais lento com a equipa da Luz a jogar com jogadores com características de médios interiores para travar possíveis ataques do Braga. O meio-campo encarnado era composto assim por Fejsa, Gedson, Krovinovic, Pizzi e Zivkovic. Fisicamente notou-se também um desgaste por parte dos jogadores de uma e de outra equipa, já não existiam ataques rápidos nem lances perigosos com a mesma frequência que na restante partida. Algo natural numa partida onde tanta foi a velocidade das equipas.

Wilson Eduardo, irmão de João Mário, era apanhado em fora de jogo num dos lances de ataque da equipa do Braga. O já internacional angolano aproveitou a sua velocidade para surgir com perigo em frente ao guarda-redes do Benfica. Um dos últimos ataques da partida e do Sporting de Braga.

A partida chegou ao final com um excelente resultado para o Sport Lisboa e Benfica e uma goleada sofrida pelo Sporting de Braga. A décima quarta jornada termina para estes dois clubes com o Benfica a ultrapassar o Braga na tabela classificativa numa partida onde notou-se uma grande garra encarnada e um Braga muito “aos papeis” nos lances defensivos. Para a história fica o costume: um Benfica a receber e vencer o Braga na Luz.

Foto de Capa: SL Benfica

FC Porto 2-1 Rio Ave FC: O bacalhau ia sendo servido (bem) frio

O recorde foi igualado. A 15.ª vitória consecutiva foi alcançada, mas, para chegar até ela o FC Porto usou uma vez mais a estratégia do costume: dar um golo de avanço ao adversário.

Assim, pelo quarto jogo seguido a equipa de Sérgio Conceição viu-se obrigada a corrigir uma entrada em falso. É certo que o resultado final é que conta e, novamente, a turma azul e branca arrecadou os três pontos. Com três golos nos primeiros 25 minutos, o resto da partida obrigou os adeptos portistas a colocarem o comprimido debaixo da língua. Nem a entrada de Óliver Torres alavancou um dragão que queria muito passar a quadra natalícia na liderança isolada, mas que nem sempre optou pelos melhores caminhos para lá chegar.

É particularmente simples e fácil de contar a história do primeiro tempo. Comecemos pelo ambiente: Um jogo às 15 horas, a um domingo, em vésperas de Natal, tinha tudo para dar certo. E assim foi. 48 208 adeptos não faltaram à chamada e ajudaram a equipa de Sérgio Conceição e reforçar a liderança isolada do campeonato. Isto, tendo em conta que ao longo do dia, Benfica e Sporting ainda teriam de encarar desafios teoricamente complicados. A entrada da equipa, contudo, não foi a de um dragão feroz à procura de ferir e trucidar um Rio Ave que se apresentou personalizado e disposto em contrariar uma história que parecia ter um final decidido bem antes de ser escrita. Vinícius, aos 12 minutos, confirmou a tendência: este FC Porto anda com ‘tiques’ de masoquista. Um mau passe de Corona foi o tónico para que os vila-condenses aproveitassem a ausência de Maxi no lado direito da defesa para aí abrirem uma autoestrada. Gelson Dala descobriu bem o avançado brasileiro e este, no frente a frente com Casillas, só teve de contornar o guardião e atirar a contar.

Ainda assim, nada de dramas. Brahimi decidiu chamar a si todas as atenções e pegou na bola com toda a confiança. O resto… é mais um tratado daquilo a que o argelino nos habituou. Depois de servir Corona na direita correu para área para receber o cruzamento do mexicano, que fez ainda escala na cabeça de Soares antes de parar nos pés de Yacine. Tudo simples e tudo, de novo, igual, menos de quatro minutos depois. O pé, contudo, continuava no acelerador e foi, mais uma vez, a partir do corredor direito qua vantagem sorriu aos portistas. Maxi soltou em Marega que, depois de aguentar o choque com Nélson Monte tocou com categoria para o fundo das redes de Léo Jardim. Até ao final do primeiro tempo, destaque para a perdida de Corona, que tinha tudo para elevar a contagem, mas atirou ao poste.

Foi um jogo muito disputado no Estádio do Dragão
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Se o resultado não mexeu no fim da primeira parte por intermédio de Corona, o inicio da etapa complementar ficaria novamente marcado pelo desperdício do mexicano. Um cruzamento milimétrico de Brahimi, pela esquerda, encontrou ‘tecatito’ solto ao primeiro poste, que desviou por cima. O terceiro golo, da tranquilidade, não aparecia e do outro lado, o Rio Ave, ia acalentando esperanças de colocar em causa a sério vitória dos azuis e brancos. Não criaram perigo evidente, é certo, mas no ar pairou sempre a possibilidade de chegar o empate. Alex Telles teve de oferecer o corpo às balas para evitar que Tarantini fizesse o 2-2, ao deslizar pelo relvado para tirar o pão da boca ao rioavista.

Já com Óliver em campo mas sem melhorias evidentes, seria na área de Casillas que o perigo andaria novamente à solta. Vinícius segurou bem a bola e depois de fugir à marcação dos centrais rematou forte contra o corpo de Felipe. Na recarga, Coentrão atirou muito torto quando poderia ter feito bem melhor. Até ao apito final de Tiago Martins o mais perto que o Estádio do Dragão teve de entrar em êxtase aconteceu no primeiro dos cinco minutos de compensação, quando Fábio Coentrão perdeu a cabeça numa disputa com Maxi e acabou na rua. Para a história fica a certeza de que o Natal, na Invicta, é mesmo azul e branco.

ONZES INICIAIS

FC Porto: Casillas, Maxi, Felipe, Militão, Alex Telles, Danilo, Herrera, Corona (Óliver, 71’), Brahimi (Adrián, 90+1’), Marega e Soares (Hernâni, 81’).

Rio Ave FC: Léo Jardim, Matheus Reis, Nélson Monte, Buatu, Tarantini (Murilo, 79’), Schmidt, Fábio Coentrão, Nadjack, Gabrielzinho (Bruno Moreira, 87’), Gelson Dala (Jambor, 25’) e Vinícius.

Os rookies de Moto3 em 2019

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O que não falta na próxima temporada do campeonato mundial de Moto3 são novidades. A grelha da categoria mais baixa terá muitas jovens promessas do motociclismo em 2019.

Alguns deles já treinaram com as novas equipas e com a nova mota. Entre eles estão o espanhol Sergio Garcia (Estrella Galicia 0,0), o italiano Riccardo Rossi (Kommerling Gresini Moto3) e o campeão do mundo do FIM CEV Repsol Moto3 de 2018, o espanhol Raul Fernandez (Ángel Nieto Team Moto3).

A lista de rookies não fica por aqui. Muitos outros estão confirmados para a próxima temporada, mas ainda não fizeram a sua estreia. O checo Filip Salac (PrustelGP), o britânico Tom Booth-Amos (CIP) e o japonês Ai Ogura (Honda Asia) são alguns dos nomes que surgirão no próximo ano. Estes pilotos inserem-se no grupo daqueles que ainda não estiveram em pista com as suas equipas. A sua estreia ficará assim adiada para 2019, nos próximos testes.

Quem também ainda não testou foi o turco Can Öncü. O campeão do mundo da RedBull Rookies Cup de 2018 já não é novo nestas andanças. O pilote teve a sua estreia em Moto 3 ainda este ano, na última corrida da temporada. O turco não se ficou por aí e acabou por vencer a corrida em solo valenciano. Um momento histórico para o desporto motorizado e uma incrível surpresa para o turco. Can Öncü irá subir para a categoria de Moto3, depois de bater o recorde do piloto mais jovem a vencer uma corrida no mundial, com apenas quinze anos de idade. As expetativas são muitas para o piloto que desafiou todas as probabilidades e que surgirá com as cores da equipa com que se estreou em Valência, a RedBull KTM Ajo.

Outra das novidades é Celestino Vietti (SKY Racing Team VR46). O nome não é estranho, pois o italiano já tinha substituído Nicolo Bulega em algumas corridas em Moto3. Numa delas alcançou um incrível terceiro lugar.

O italiano Celestino Vietti, que fará a sua estreia em Moto3 em 2019
Fonte: SKY Racing Team VR46

Dos pilotos que permanecem na categoria em 2019, alguns mudaram de equipa e de mota e terão algum tempo de preparação para se habituarem às novidades. Entre eles estão os espanhóis Marcos Ramirez (Leopard Racing) e Aron Canet (Max Racing Team), o britânico John McPhee (Petronas Sprinta Racing) e o argentino Gabriel Rodrigo (Kommerling Gresini Racing).

Novos pilotos, novas equipas e novas motas. Muito se espera da próxima temporada e dos rookies que alcançaram a categoria de Moto3 e que farão a sua estreia oficial no próximo ano. 

Com os principais candidatos ao título de Moto3 da época passada a subir para a categoria intermédia, está tudo em aberto para 2019. 

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: RedBull KTM

António Félix da Costa: É para ser campeão?

A nova época de Formula E arrancou no passado dia 15 de dezembro em Ad Diriyah, na Arábia Saudita. Começou bem e foi uma corrida entusiasmante, com indecisão até ao fim, muito devido ao facto de os pilotos terem de se adaptar aos novos carros ou ao novo formato das corridas. Contudo, no final, a bandeira axadrezada desceu para apenas um homem, e esse é António Félix da Costa.

O português teve uma corrida muito longe de calma, com Jean Eric Vergne a não vencer por culpa de uma penalização. Durante toda a corrida, os carros da Techeetah foram sempre mais rápidos que o Bmw Andretti de Félix da Costa. A Formula E é um desporto relativamente recente – vai apenas para a sua quinta temporada, onde houve sempre um vencedor diferente. Deste modo, fazer previsões no inicio da época tem uma grande probabilidade de dar errado. Contudo, esta temporada revela a possibilidade de ter um português como vencedor, e a Bmw Andretti parece ter construído o carro para tal.

Na Formula E, os monolugares são iguais em termos de chassis e componentes aerodinâmicos; as equipas apenas mudam os motores elétricos e suspensão, e, este ano, parece que a Bmw acertou em cheio. Nos testes de pré-época foram os mais rápidos, com o português a liderar a tabela com o melhor tempo, seguido por Vergne e o seu colega de equipa, Alexander Sims. A primeira corrida foi promissora – Félix da Costa qualificou-se em Pole Position e acabou por vencer, mas a história da corrida foi a velocidade estonteante dos carros da Techeetah, onde Vergne e Lotterer eram mais rápidos que os Bmw, e só não ganharam por sofrerem penalizações.

A estreia correu da melhor forma
Fonte: BMW Motorsport

Vai ser uma época longa, em que estas duas equipas vão lutar pelo lugar de topo e, claro, não se pode esquecer a Audi, que, apesar de terem tido uma primeira corrida abaixo das expetativas, são os campeões de construtores, e nunca se devem colocar de lado como possíveis candidatos ao título. Contudo, o facto é que António Félix da Costa tem um carro competitivo, e a possibilidade de mostrar o talento pelo qual há muito ele é conhecido por ter. Desde os seus dias na Formula Renault que ele era considerado um futuro piloto de Formula 1. Fazia parte da academia de pilotos da Red Bull e muitos consideram que o português apenas perdeu o lugar na Toro Rosso em 2014 para Daniil Kvyat por razões políticas. A Formula E pode ser jovem, mas já possui um bom pedigree no que toca à qualidade dos seus pilotos, muitos deles ex-pilotos de Formula 1 a quem não foi dada uma merecida oportunidade, como Jean Eric Vergne ou veteranos muito respeitados, como Felipe Massa. Se o piloto português da Bmw se conseguir afirmar como campeão no meio destes grandes pilotos, vai finalmente demonstrar o seu talento e, quem sabe, finalmente abrir as portas da Formula 1. 

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: BMW Motorsport