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Altura de exibir o estofo de campeão

Como diz Pep Guardiola, a “pressão é um privilégio” e o SC Braga ganhou o estatuto de equipa pressionada. Talvez não pelos meios de comunicação, porque, ainda por cima, o jogo será no Estádio do Dragão contra o campeão Nacional, mas por eles mesmos. Por “eles”, entenda-se, jogadores, equipa técnica, direção e adeptos. Todos sentem que o primeiro título de campeão Nacional está para breve e, devido à irregularidade dos três grandes e à não presença na fase de grupos da Liga Europa, esta época poderá significar uma grande oportunidade para os Arsenalistas. O discurso para a comunicação social pode não ser esse, mas, dentro de quatro paredes, no seio do grupo, é.

Depois da conquista da Taça da Liga (2013) e da Taça de Portugal (2016), só falta mesmo o título de campeão Nacional. Para maior afirmação, o próximo passo do SC Braga passa por somar pontos contra os três grandes de forma regular. Esta época, o Sporting CP já foi vitimado e agora chega um teste de fogo para a equipa de Abel Ferreira. Visitar o Dragão, o campeão Nacional, e empatar ou vencer, aumentará ainda mais as esperanças do “Gverreiros do Minho”.

A equipa de Abel Ferreira chega à décima jornada com seis vitórias e três empates, sendo a única equipa ainda invencível no campeonato. Tanto FC Porto, como SC Braga, lideram a Liga Portuguesa em igualdade pontual.

Fonte: SC Braga

Na baliza bracarense vai estar Tiago Sá. O produto das escolas do SC Braga, aos 23 anos, ascendeu à titularidade da equipa principal, após lesão do habitual titular Matheus Magalhães. O jovem talento tem “sentado” o internacional português Marafona, que esteve uma época lesionado e voltou esta temporada, e tem cumprido. Forte entre os postes, denota algumas má abordagens no jogo aéreo, mas tem dado conta do recado e terá mais um excelente teste para mostrar a sua qualidade.

Na defesa, existem poucas dúvidas sobre o quarteto defensivo. O capitão Marcelo Goiano continuará à direita e Nuno Sequeira à esquerda, sendo que Pablo Santos e Bruno Viana serão a dupla de centrais. Dois laterais consistentes, completos, que não são de grande pendor ofensivo, mas também não são exageradamente defensivos e comedidos e uma dupla de centrais que se completa. Bruno Viana é mais rápido e ágil, tendo mais qualidade técnica para sair a jogar, e Pablo Santos é fortíssimo na marcação e no jogo aéreo, sendo um perigo para os adversários nas bolas paradas ofensivas.

No meio-campo, Ricardo Esgaio deverá jogar mais descaído à direita, Fábio Martins ou Ricardo Horta à esquerda, sendo que no miolo deverão estar Claudemir e Fransérgio, em detrimento de João Novais e João Palhinha. Esgaio é um indiscutível e Horta perdeu o lugar na última jornada para Fábio Martins. No entanto, é expetável o regresso à titularidade de Horta. No meio-campo, Fransérgio tirou o lugar a Novais e deverá manter-se no Dragão, assumindo funções mais ofensivas, em relação a Claudemir, e apostando nos seus remates de meia distância. Claudemir, mais posicional, permite a Fransérgio soltar-se mais, tal como a Esgaio ou Horta.

No ataque, jogará Dyego Sousa e, a seu lado, ou será Paulinho, ou Wilson Eduardo. Paulinho voltou de lesão e jogou na última jornada, mas Wilson Eduardo tem estado muito bem e poderá aparecer no onze inicial no Dragão. Wilson é mais rápido e tecnicista, partindo para ações individuais e alternando com combinações com Dyego, Esgaio ou Horta, enquanto Paulinho é um poço de força, com veia goleadora e que poderá ter outro impacto e presença entre Militão e Felipe. Dyego Sousa é indiscutível, já somando onze golos oficiais e tem uma classe e frieza notáveis à frente da baliza.

Fonte: SC Braga

O FC Porto, como sempre faz no Dragão, irá pressionar alto e explorar o erro na primeira fase de construção dos bracarenses. A equipa de Abel terá de tentar fazer chegar a bola em boas condições a Horta e a Esgaio, porque será através do jogo exterior que poderá fazer mais mossa ao campeão Nacional, aproveitando as muitas subidas de Telles e Maxi. No entanto, salvaguarde-se que Esgaio e Horta também poderão procurar jogo interior para explorar alguma falta de compensação e posicionamento no corredor central, já que, por vezes, sobretudo quando não está Herrera, Danilo Pereira fica demasiado só. Outro pormenor, será acreditar na sobranceria excessiva que por vezes se nota em Felipe e Militão e que resulta em perdas de bola e jogadas de perigo para o adversário.

Terá que ser um super SC Braga a apresentar-se no Dragão, eficaz e altamente competente. O mesmo será dizer, a vitória no Dragão passará muito pelo estofo de campeão Arsenalista.

 

Foto de Capa: SC Braga

 

2.ª Jornada do Girabola’19: Festival de Golos no Girabola

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Mais um fim-de-semana, mais uma jornada do Girabola. A 2.ª ronda do campeonato angolano jogou-se nos dias 3 e 4 de novembro, e o principal destaque vai para os muitos golos marcados: foram 17 nas sete partidas disputadas. Em seguida, irei falar dos jogos que se realizaram nesta segunda ronda do Girabola’18.

O 1.º de Agosto somou os primeiros três pontos na prova. Ao jogar em casa, os “Militares” foram mais fortes que o Desportivo da Huíla, e chegaram ao triunfo por dois golos sem resposta – os golos foram apontados na primeira parte, por Mabululu e Buá. Depois do empate consentido na ronda inaugural, os atuais defensores do título exibiram-se a bom nível e estão motivados para renovar o troféu pela quarta época consecutiva.

O eterno rival do tricampeão, o Petro da Luanda, também celebrou a conquista da primeira vitória: os comandados de Beto Bianchi receberam e venceram o Cuando Cubango por 3-1. Job adiantou cedo a equipa petrolífera na partida, mas um autogolo de Tó Carneiro permitiu o empate aos visitantes. Contudo, o jovem Vá voltou a dar vantagem ao Petro, que marcou o terceiro golo nos últimos minutos do encontro, por intermédio de Tony. Assim, o Petro soma agora 4 pontos e está no grupo dos líderes.

O Petro recebeu e venceu o Cuando Cubango, conquistando assim a primeira vitória no Girabola´19
Fonte: Petro de Luanda

O Kabuscorp ainda apanhou um susto, mas terminou a jornada a sorrir. No seu terreno, o conjunto do bairro do Palanca ainda começou o jogo com Interclube a perder, graças ao golo de Filipe, mas valeu aos visitados a veia goleadora do congolês Etekiama Teddy, que, com um bis, garantiu a vitória à equipa chefiada pelo português Paulo Torres. O reforço é o atual melhor marcador do Girabola’19.

O Recreativo do Libolo foi surpreendido nesta jornada. Na visita ao terreno do Saurimo FC, a turma libolense não se conseguiu superiorizar frente ao estreante, e saiu derrotado por 2-1: os golos foram marcados por Job e Fukiamuana (Saurimo FC) e Nandinho (Rec. Libolo). Os homens do Calulo continuam sem vencer na atual edição do Girabola.

Nos outros encontros, o destaque vai para a vitória contundente fora do Progresso do Sambizanga sobre o Sporting de Cabinda, por 0-3. Já o Sagrada Esperança venceu pela margem mínima o Santa Rita de Cássia, resultado idêntico com o qual o Recreativo da Caála bateu a Académica do Lobito.

Em conclusão, foi uma jornada bastante positiva para os adeptos, já que puderam celebrar muitos golos nos diferentes jogos realizados. Com as equipas envolvidas a proporcionarem bons espetáculos, o futebol atrativo e de ataque foi a nota dominante nesta jornada, o que comprovou mais uma vez que o Girabola é, com toda a certeza, um campeonato de enorme qualidade!

Foto de capa: Girabola Zap

Simplesmente, FC Barcelona

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Esta semana decidi escrever este texto. Um texto que nasceu enquanto observava um jogo do Barcelona. Era o FC Barcelona contra o Real Madrid CF e voltava, bons tempos mais tarde, a sentar-me perante a televisão e a ver este bonito clube jogar. Foi um jogo que me fez recordar o porquê de ser adepto do Barcelona e, principalmente, a razão pela qual fico com um belo sorriso na cara quando os vejo a trocar a bola.

Eu cresci a ver o Barcelona, um clube enorme no futebol mundial. Cresci a ver o Barcelona, porque jogava lá o meu jogador favorito. Um craque. Um jogador que ninguém, mas mesmo ninguém, podia não gostar. Ronaldinho Gaúcho. Um fenómeno que durante anos espalhou magia, e que magia, com o símbolo do Barça ao peito. A saga de Ronaldinho no clube espanhol despertou-me cada vez mais para esta arte e para acompanhar “de perto” aquilo que o clube ia conquistando. Lembro-me que o “Dinho” foi o jogador que mais admirei, inicialmente. No despertar de Ronaldinho, o seu futebol individual era o que mais me surpreendia. As suas arrancadas. O seu desequilíbrio. A sua finta. Os inúmeros golos. O golo que fez adeptos do Real Madrid levantarem-se e aplaudirem o camisola dez do Barcelona. Era um talento puro. Talvez agora, o mais próximo de ser um Ronaldinho em estilo de jogo seja mesmo o conterrâneo Neymar. Foi esse o “meu primeiro passo” enquanto adepto do clube de Barcelona.

Logo de seguida, Puyol. Um poço de força e um dos maiores exemplos do futebol mundial. Um pequeno central que marcou imensos golos de cabeça em pontapés de canto. Um capitão que ensinou muito a Piqué e que mostrou ser um senhor dentro das quatro linhas. Puyol mostrou-me o exemplo que era. Um jogador como hoje não há. Um senhor que procurava simplesmente jogar à bola e que nunca, mas nunca, entrava em discussões além bola. Nunca mais surgiu um homem assim no futebol, como todos deviam ser. Após e durante a era de Puyol, jogava no meio-campo um senhor chamado Xavi.

Oh, rico Xavi.

Um homem que hoje joga no Catar e que deixou saudades no futebol europeu. O camisola seis era o motor da equipa do Barça. O “todo o terreno” que transportava a bola e que fazia a ligação defesa-ataque. Muitas vezes discreto, mas a sua qualidade estava sempre presente. Tantas outras vezes jogava a passo, pois sabia que era assim que rendia mais ao jogo. Foi talvez o jogador que mais me custou ver partir do clube espanhol. Ao lado dele, o menino Iniesta.

Ter-Stegen tem feito um trabalho fantástico no clube espanhol
Fonte: FC Barcelona

Poucas são as palavras para descrever o talento de Iniesta. Um craque que Deus fez e que devia ser eterno nos relvados dos principais estádios de futebol. O homem que envergou a braçadeira de capitão depois da saída de Xavi. Um homem que, com a idade que tem, joga mais que muitos meios-campos adversários juntos. Hoje espalha talento em terras japonesas.

Esta era. Uma era que terminou com a saída de um grande leque de jogadores que muito deu ao futebol do Barça, deu início a uma era menos boa. Uma era onde o estilo de Guardiola tinha desaparecido e se receava nunca mais voltar a ver o querido Barcelona a jogar tanto. Deixámos de ver com o mesmo encanto o futebol que o Barcelona praticava. Muitas vezes, até, deixámos de ver o Barcelona a conquistar os troféus que tanto nos habituou a conquistar. A juntar a isso, Messi ia deixando escapar os títulos de melhor jogador do Mundo para Cristiano Ronaldo, do Real Madrid. A “crise”, se assim lhe quiserem chamar, era uma bola de neve que não tinha forma de parar de girar pela montanha a baixo.

Hoje, e depois daqueles 5-1 que tão feliz me fizeram ficar, não tenho dúvidas que estamos a entrar numa nova era de sucesso do Barça. Uma era muito semelhante àquela descrita acima, tanto pelas individualidades, como pelo coletivo. Tanto pela organização defensiva, como ofensiva. Uma maravilha de equipa que tem muito para conquistar no Mundo.

Defensivamente, vemos um conjunto de jogadores talentosos que garantem o presente e o futuro da equipa. A experiência de Piqué junta-se com o monstro Umititi e também com o recém-chegado Lenglet. Dois jovens franceses, o segundo, certamente perto de se tornar internacional pela equipa campeã do mundo, e o primeiro, com as melhores estatísticas individuais de um central do Barcelona dos últimos anos. Dois grandes talentos que vieram de fora do clube para ajudar o coletivo.

Nélson Semedo tem dividido o lado direito da defesa com Sergi Roberto
Fonte: FC Barcelona

As laterais estão também bem entregues. Do lado direito, Nélson Semedo e Sergi Roberto oferecem um estilo de jogo muito diferente, mas prometem, e dão, trabalho ao coletivo. Do lado esquerdo, Alba oferece um presente de qualidade, conseguindo corresponder ao longo de toda a linha esquerda. Sobre ele não é preciso dizer muito. É apenas necessário começar a trabalhar internamente, ou à procura de uma alternativa de médio a longo prazo para o internacional espanhol, na equipa desde 2012.

O meio-campo é também um conjunto de peças que fazem a equipa crescer no relvado. Busquets é, sem margem de dúvida, o melhor trinco do Mundo.

“Ah, mas como é que podes dizer isso… blá blá blá.”

A verdade é que o espanhol é a peça mais importante da equipa do Barça. Defende muitíssimo bem, ataca muitíssimo bem e é, ao mesmo tempo, um dos jogadores mais discretos da equipa. Na hora de passar faz lembrar Xavi, com a elevada taxa de sucesso. Na hora de defender acaba por não dar quase trabalho algum ao sector defensivo. É o jogador com maior taxa de sucesso nas suas funções, no futebol mundial.

Metros acima “vivem” Rakitić e Arthur, num meio-campo surpreendente. Rakitić é vice-campeão do Mundo, um jogador influente tanto no clube como na seleção e, sem dúvida, um dos jogadores que mais cresceu nos últimos anos com a camisola do Barcelona. Ao seu lado, o reforço brasileiro que sentou Vidal. É verdade, Arthur chegou ao clube espanhol e o seu trabalho e dedicação foi recompensado com o lugar que, à partida, seria do chileno. O brasileiro herdou a camisola de Xavi e tem estado à altura desse número nas costas. Uma excelente qualidade de passe que faz recordar os anos do ex-internacional espanhol. Uma leitura de jogo que ocupa o espaço deixado por Iniesta. Uma margem de progressão que faz dele um dos futuros melhores médios do Mundo.

O ataque é o do costume. Messi e Suárez são os protagonistas do costume, mas o destaque deste paragrafo vai para Coutinho. Oh, Sr. Coutinho. Já tínhamos visto muito do trabalho dele em Terras de Sua Majestade e até em Milão, mas a adaptação em Barcelona tem sido fantástica. Uma técnica fenomenal, um trabalho coletivo perfeito e na hora de rematar às redes adversárias tem sido letal. Hoje, o ataque do Barcelona é tão ou mais perigoso que os ataques do clube nos últimos anos (excepção é o trio MSN). No banco, ainda contam com a prata da casa e com um Dembélé que apenas precisa de tempo de jogo para mostrar todo o seu talento, tanto de pé direito como esquerdo.

O estilo de jogo desta equipa é uma mistura do famoso tiki-taka e do futebol mais moderno. O tiki-taka foi bem visto no primeiro dos cinco golos da partida frente aos rivais de Madrid. Trinta passes levaram a bola aos pés de Coutinho, que precisou apenas de encostar. Uma jogada que mostrou a grande e importante mobilidade dos jogadores e a qualidade de cada um deles em sair da zona de conforto.

Este Barcelona, em muito faz lembrar o Barcelona treinado por Guardiola, ou o jogado por Deco e Ronaldinho. É um Barcelona cheio de vida que mistura o tiki-taka do passado com o futebol da atualidade. É um coletivo de jogadores que tem estado em destaque esta temporada e que, se ninguém colocar um travão, vai acabar a conquistar meio Mundo. E o outro meio? Será também conquistado por eles.

Foto de capa: FC Barcelona

Artigo revisto por: Jorge Neves 

Biatlo a caminho da normalidade

No início deste ano, o Biatlo foi abalado por um escândalo de grandes proporções: uma investigação policial descobriu que o Presidente da Internation Biathlon Uninon (IBU), Anders Besseberg, e a sua Secretária-Geral tinham recebido subornos russos (num valor a rondar os 300.000 dólares) para abafar casos de doping, revelando um caso de corrupção ao mais alto nível na instituição que gere o desporto.

Tendo em conta os problemas recentes com a Rússia que os Relatórios McLaren expuseram, o Comité Olímpico Internacional (IOC) não deixou passar em branco o tema e suspendeu todos os pagamentos à IBU até serem cumpridos os requisitos de salubridade moral exigidos. A IBU também reagiu prontamente, demitindo os dois executivos em questão, criando um código de ética e marcando novas eleições.

Olle Dahlin (esq.) tem a tarefa de reconquistar a credibilidade do biatlo
Fonte: IBU

Em setembro, uma nova direção foi eleita, tendo o sueco Olle Dahlin assumido a presidência, derrotando uma candidata letã mais próxima da Rússia. Com este resultado, manteve-se a linha de resposta aos casos de doping russos, com a Federação deste país a manter-se suspensa da IBU. O novo Presidente já esclareceu que esta situação só se alterará se a Rússia cumprir um elenco de critérios de transparência e ética que serão discutidos numa visita a Moscovo a decorrer brevemente.

Entretanto, a credibilidade da organização começa a ser reconstruída e, após uma recente reunião de trabalho entre os Presidentes da IBU e do IOC, esta última decidiu levantar as sanções que tinha interposto, citando as melhorias nas áreas da ética e do combate anti-doping.

Resta esperar pelos próximos desenvolvimentos, mas as indicações são boas e de que, não tarda, o Biatlo poderá voltar a focar-se no que mais interessa, o desporto.

Foto de Capa: IBU

FC Porto 4-1 FK Lokomotiv Moscovo: Estou sim, oitavos? Estamos quase a chegar!

Ao 200.º jogo na Liga dos Campeões, os dragões somaram uma vitória que lhes permite praticamente a passagem aos oitavos de final da prova milionária. Herrera, Marega e Corona repetiram a dose da primeira volta, num jogo em que Otávio também faturou e Óliver foi mais uma vez o maestro que a equipa precisava.

Muita chuva e muito frio, com igual quantidade de vento à mistura, destoaram uma noite europeia de grande qualidade, igual às muitas que o Dragão, um pouco despido como se esperava, se habituou a testemunhar. Sérgio Conceição fez regressar a fórmula ‘champions’, reforçando o meio-campo com a única novidade da equipa, Herrera, e atribuindo a Marega as despesas do ataque.

Curiosamente, foi a esta dupla que o anfiteatro portista se vergou nos 45 minutos iniciais. Numa verdadeira entrada à campeão, ainda não estavam concluídos dois minutos nos placards do estádio e já as redes de um desamparado Guilherme abanavam pela primeira vez… e não era do imenso vento que se fez sentir. Numa combinação pela direita, Maxi serve Marega (o maliano faz um movimento esplêndido e vai buscar à linha de fundo) e este deixa atrás para Herrera, que sem ninguém na baliza só teve de encostar para o primeiro. Deu para aquecer, dirão uns, mas sobretudo foi o verdadeiro arrepiar de caminho rumo aos oitavos da prova maior dos clubes europeus.

Os russos jogavam perante condições climatéricas bastante aceitáveis para aquilo a que estão habituados e, sem nada a perder, iam aproveitando alguma lentidão que os portistas demonstravam nas transições defensivas para criar algum perigo.

Os irmãos Miranchuk tiveram uma boa oportunidade cada um deles. Primeiro Aleksei tirou tinta ao poste direito de Casillas, depois foi a vez de Anton rematar em jeito, mas o espanhol estava a controlar. O Porto sentia dificuldades em criar real perigo quando recuperava a bola em zonas adiantadas do terrenos, fruto da pouca largura que Corona e Brahimi ofereciam. Ainda assim, a caminho para o intervalo, Herrera tirou o ticket na portagem para que Marega percorresse toda uma auto estrada sem que brigada alguma o pudesse parar. Pois é, estava feito o segundo, depois de a bola passar por entre as pernas do guardião brasileiro do Lokomotiv. A primeira parte não terminaria sem que Maxi tentasse a sorte, de longe, mas sem sucesso.

A dupla mexicana esteve em destaque esta noite
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Para o segundo tempo, Semin decidiu-se pelo lançamento no jogo de Farfán, deixando Manuel Fernandes no balneário. A verdade é que o campeão russo entrou decido a dar uma outra imagem e, em apenas cinco minutos, fez soar os sinais de alerta junto da baliza de Casillas. Os dragões, algo surpreendidos, conseguiram contudo, afastar a pressão, depois de Herrera abrir na direita em Maxi, com o uruguaio a cruzar para o mergulho de Corona, que atirou ao poste.

Mas do outro lado estava mesmo uma equipa completamente transfigurada. Após um canto, Farfán, completamente solto, cabeceou sem hipóteses para Casillas. Tínhamos jogo para a última meia hora. O FC Porto sentia dificuldades, mas aí emergiu o mar Azul, a puxar pela equipa, a levantá-la e a conduzi-la a um triunfo importantíssimo nas contas azuis e brancas do grupo D. Óliver, que é de facto o maestro desta orquestra que está cada vez mais afinada, descobriu um corredor vazio onde deixar a bola, sempre redondinha, nos pés de Corona.

O mexicano, à imagem do que fizera há duas semanas na Rússia, abriu o livro. Tirou Idowu do caminho com classe e depois foi só fuzilar Guilherme. Parecia ter sido dada uma machadada nas aspirações dos homens de Yuri Semin, que veriam depois um momento bonito ao minuto 71, quando o Dragão aplaudiu de pé o compatriota Éder, que deu o lugar a Smolov. Até ao fim, de destaques apenas a chuva, que caía cada vez com mais intensidade e deixava o relvado do Dragão cada vez mais empapado. Ainda assim, Hernâni esteve perto de ampliar a vantagem para números que, se calhar, os russos já não mereciam. Mas Otávio não estava para complacências e fechou o resultado à bomba. Grande golo do brasileiro.

Onzes iniciais:

FC Porto: Casillas, Maxi, Felipe, Militão, Alex Telles, Danilo, Herrera, Óliver (Sérgio Oliveira, 84’), Corona (Hernâni, 77m), Brahimi (Otávio, 68’) e Marega.

Lokomotiv: Guilherme, Ignatyev, Howedes, Corluka, Idowu, Anton Miranchuk, Denisov, Krychowiak, Manuel Fernandes (Farfán, 46’), Aleksei Miranchuk e Éder (Somolov, 71’).

BnR na Web Summit 2018: Villas Boas alemão, um Benfica tecnológico e o FM da vida real

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A Web Summit regressou a Lisboa e desta vez o Bola na Rede esteve lá. Realizada na capital portuguesa desde 2016, a maior conferência de tecnologia do mundo trouxe a palco – mais uma vez – grandes nomes do desporto nacional e internacional. No dia dedicado ao Desporto, com a sessão Sports Trade, foram várias as caras conhecidas a intervir.

A primeira foi mesmo uma que já não víamos há algum tempo: André Villas Boas regressou a Portugal para explicar como teve tanto sucesso como jovem treinador não tendo sido jogador. A resposta ficou implícita, mas passou despercebida perante outras declarações do ex-treinador do FC Porto.

O foco acabou por ser direcionado para os seus talentos. Do sonho de vencer o Rally Dakar, em que participou este ano, até à atração que tem pelo Japão, o destaque vai para a sua aprendizagem da língua alemã. “É um mercado que me interessa e é importante conhecer a língua. Quando estive na Rússia e na China não o fiz, mas acho que é importante”. Teremos Bundesliga à vista?

André Villas Boas regressou a Portugal, com os olhos… na Alemanha?
Fonte: Bola na Rede

Abandonou Portugal há já sete anos, tendo seguido com passagens por ligas de topo e mercados mais exóticos, mesmo com tão tenra idade. Por isso mesmo continua a ser um personagem interessante. Tanto que o seguimos e fomos dar a outro mundo. E se lhe disséssemos que o Football Manager não se trata de um video-jogo, mas sim de vida real?

Descobrimos isso na banca da FootballISM, acompanhados do treinador português. De que se trata? De um software em tudo semelhante ao famoso simulador de futebol, mas que é bem real. Criado a partir de várias experiências na Academia de Alcochete, o FootballISM pretende ser a maior ferramenta de gestão futebolística, feita para os clubes. Atributos não lhe falta:

Da monitorização nutricional dos jogadores, à programação dos treinos, passando até pelo agendamento de transportes de todos os atletas, o FootballISM agrega os mais variados patamares de gestão da modalidade. Para Carlos Valentim, product manager do projeto, é essa polivalência que valoriza o software face aos demais e que tem valido boas críticas: “Por enquanto trabalhamos com o Sporting e com mais alguns clubes portugueses. Temos clientes em África, na Europa, mas não podemos falar ainda muito, por ser uma fase inicial”.

O futuro da gestão desportiva num stand, com o presente dessa gestão mesmo ali ao lado: no palco do Sports Trade falavam Domingos Soares de Oliveira, CEO do SL Benfica, Pedro Marques, diretor-técnico do Caixa Futebol Campus, e a grande figura do painel, Luisão, o eterno capitão encarnado. O tema apresentava-se como “As tecnologias como forma de potenciar o talento dos futebolistas”. Sobre isto, Luisão não tem dúvidas: “Nos últimos dez anos, a tecnologia evoluiu muito rápido no futebol. Ajudou-me a responder a três perguntas: onde preciso melhorar, porque preciso melhorar e como posso melhorar”.

Ainda que no início alguns jogadores tenham mostrado alguma resistência quanto à adesão de novas tecnologias de monitorização dos atletas por parte do clube da Luz, o brasileiro diz que neste momento o auxílio da tecnologia pode até tornar-se num bom vício: “Eu depois percebi que aquilo era útil. Sempre que acabava um jogo recebia os meus dados e começava logo a pensar no próximo encontro”.

Um painel com chama imensa no Sports Trade da Web Summit 2018
Fonte: Bola na Rede

Uma evolução que foi muito rápida e que Domingos Soares de Oliveira resume usando o ponto de partida do defesa brasileiro em Portugal: “Quando o Luisão chegou ao Benfica, não havia nada disto. Com o passar dos anos houve um grande investimento e hoje até conseguimos analisar o sono dos nossos jogadores através de um relógio”.

Um futuro que parece distante, mas que está mesmo aqui ao lado. Dos relógios do sono, passando pelo vídeo-árbitro, até aos softwares que gerem a alimentação dos jogadores, o futebol parece cada vez mais um vídeo-jogo, mas dos bons. Que assim continue. Por este andar, alguém consegue imaginar como será o desporto-rei quando a Web Summit abandonar Portugal, em 2028?

FC Internazionale Milano 1–1 FC Barcelona: No futebol não há justiça

O estádio Giuseppe Meazza encheu-se para receber um dos jogos grandes da quarta jornada da Liga dos Campeões, colocando frente a frente os líderes do Grupo B.

O conjunto espanhol entrou em campo sabendo que se triunfasse carimbava definitivamente a sua presença nos oitavos de final da prova e desde de cedo se mostrou bastante determinado em atingir esse objetivo.

Assistimos a um primeiro tempo de total domínio por parte dos blaugrana, que cilindraram em todos os momentos do jogo, ou seja , tanto no capítulo defensivo como ofensivo o controlo foi do Barcelona, o que se traduziu num maior número  de recuperações de bola, justificando a sua coesão defensiva e ainda um elevado número de oportunidades de golo associado aos 60% de posse de bola, que ilustram na perfeição aquela que foi a toada do jogo nestes primeiros 45 minutos.

Desde do segundo minuto de jogo, quando Dembelé após uma jogada individual remata para defesa do guardião dos nerazzurri até ao momento em que o árbitro apitou para o intervalo, o Barcelona dispôs mais do que chances suficientes para inaugurar o marcador e quebrar de vez a resistência do Inter, mas não conseguiu alcançar o mais importante do futebol: o golo.

Luis Suárez foi o homem em destaque por ter protagonizado diversas ocasiões de perigo, mas acima do uruguaio esteve claramente Handanovic, o principal responsável pela sobrevivência do Inter a este poderoso Barcelona.

A segunda parte foi uma cópia exata da primeira e desde cedo o Barcelona tornou a controlar a partida e a jogar maioritariamente no seu meio-campo ofensivo, remetendo novamente os comandados de Spalleti à missão exclusiva de não sofrer golos.

O festival de golos falhados pelo Barcelona continuou e Handanovic continuou também a brilhar, levando ao desespero os adversários que não sabiam o que fazer mais para poder ficar em vantagem no jogo. À passagem da hora de jogo, o Inter dá finalmente um ar de sua graça e após uma bela jogada de entendimento coletivo dispõe da sua melhor oportunidade para surpreender a equipa de Ernesto Valverde, mas Matteo Politano livre de marcação não conseguir cabecear devidamente.

Não há resistência que dure para sempre e o Barcelona mais que nenhuma outra equipa já provou isso mesmo por várias vezes e esta noite após 82 minutos de domínio absoluto da partida conseguiu quebrar o muro italiano por intermédio do recém-entrado Malcom, que na sua primeira intervenção e somente dois minutos após ter entrado em campo fez o que nenhum dos seus colegas havia conseguido antes.

Desbloqueado o marcador, pensava-se que a vitória estava entregue, pois, o Inter de Milão não tinha apresentado indícios suficientes para merecer sequer um golo pelo que o empate era um cenário muito pouco provável.

Fonte: UEFA

Contudo, o futebol além de imprevisível é muitas vezes pouco justo e os nerazzurri conseguiram mesmo evitar a derrota sem fazer muito por merecê-lo.

Praticamente na resposta ao golo consentido, os italianos lançam-se para o ataque, beneficiam de uma estranha apatia da defesa catalã e na ressaca de alguns ressaltos Mauro Icardi iguala a partida e fixa o resultado final em 1-1.

De facto, no futebol não há justiça, mas deve ficar escrito que o Barcelona merecia mesmo ter conquistados os três pontos esta noite. Por outro lado, o Inter tem o mérito de saber sofrer e de não desistir da partida após o golo sofrido. No que diz respeito às contas do Grupo B, o Barcelona continua no primeiro posto e tudo aponta para que se apure nesta posição, já o Inter com este empate permitiu a aproximação por parte do Tottenham e disputará com os ingleses uma vaga na próxima fase da Liga dos Campeões.

Inter de Milão: Samir Handanovic, Sime Vrsaljko, Stefan de Vrij, Kwadwo Asamoah, Milan Skriniar, Matías Vecino , Radja Nainggolan (Borja Valero´63), Matteo Politano ( Candreva´80), Ivan Perisic, Marcelo Brozovic (Martinez´85), Mauro Icardi

Barcelona: Ter Stegen, Gerard Piqué, Clément Lenglet, Jordi Alba, Sergi Roberto, Ivan Rakitic, Sergio Busquets, Arthur (Vidal´73), Philippe Coutinho, Luis Suárez, Ousmane Dembélé (Malcom´81)

O negócio Diaby

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Diaby foi contratado por Sousa Cintra em finais de agosto como um jogador com enorme qualidade. O avançado vinha dos belgas do Clube Brugge KV, tendo estado a treinar à parte devido a faltar apenas um ano para o término do seu contrato, recusando o maliano renovar. Na época 2017/2018, o jogador tinha apontado 16 golos em todas as competições de clubes em que participou. O ex-presidente da Comissão de Gestão chegou a referir que  “Diaby é o jogador mais rápido do futebol português”.

Após estas considerações, algumas eram as expetativas em torno de um jogador que custou um valor a rondar os cinco milhões e meio de euros, quantia algo elevada para as dificuldades financeiras anunciadas por Sousa Cintra.

Pois bem, o jogador estreou-se no dia 16 de setembro frente ao CS Marítimo, em jogo a contar para a Taça da Liga, entrando ao minuto 89. Nas partidas seguintes, a mesma decisão de apostar no atleta nos últimos minutos dos encontros foi tomada por José Peseiro, sendo que nos primeiros quatro jogos disputados por Diaby, o jogador contabilizou um total de dez minutos.

Diaby ainda não aproveitou as oportunidades dadas
Fonte: Sporting CP

Ao quinto jogo, o maliano alinhou de início contra o FC Vorskla, para a Liga Europa, numa partida em que o treinador colocou, juntamente consigo na frente do ataque, o também pouco utlizado Carlos Mané. Seria de prever as dificuldades ofensivas que se confirmaram na partida, com os dois golos da vitória a surgirem já perto do fim do jogo. O avançado recém-contratado protagonizou uma exibição cinzenta, onde não mostrou um desempenho que correspondesse ao valor gasto na sua aquisição.

Nos dois jogos seguintes, voltou a ter uma escassa utilização, entrando frente ao Portimonense ao minuto 84 e aos 86 frente ao Arsenal FC. Não consegui nunca entender como é que um jogador sem grande estrutura física e com pouco entrosamento com os colegas podia agitar o jogo a cinco minutos do fim. Um jogador como o maliano, rápido e com alguma técnica, necessita de mais tempo para se mostrar em campo. Mas José Peseiro não partilhava da minha ideia. Até esse momento, em sete jogos realizados, o maliano entrou por seis vezes após o minuto 85.

Curiosamente, contra o Boavista FC, o antigo treinador do Sporting CP colocou de início o jogador. Na minha opinião, Diaby beneficiou daquela que, muito provavelmente, foi a melhor exibição desde o início da época. De facto, apresentou uma aceleração acima da média, mas a sua tomada de decisões nem sempre foi a correta. Contudo, foi sem dúvida um dos agitadores do jogo que contribuiu para a boa performance da equipa.

Após essa partida, o jogador não voltou mais a mostrar qualidades que justificassem os cinco milhões e meio desembolsados pelo clube. Frente ao GD Estoril Praia, praticamente não apareceu em jogo. No jogo frente ao CD Santa Clara, o jogador passou completamente ao lado do encontro, saindo ao intervalo para dar lugar a Jovane Cabral.

Após a apresentação destes dados, e para concluir, afirmo apenas a minha reticência relativamente à contratação de Diaby. O jogador vinha rotulado de craque, o dinheiro foi investido e o avançado tarda em demonstrar qualidades que justifiquem tal montante. Mesmo na sua melhor exibição, demonstrou algumas falhas, e a sua margem de progressão já não é assim tão grande devido à sua idade, 27 anos. As dúvidas em mim permanecem, mas oxalá o jogador venha a ser uma mais valia importante para o plantel. Resta esperar para ver.

Foto de Capa: Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

A época dos Portugueses no Estrangeiro – Soraia Silva

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A jovem roladora nacional rumou este ano ao estrangeiro para integrar a Sopela Women’s Team de Espanha, um conjunto UCI, mas de nível ainda relativamente baixo. Foi um ano de adaptação para uma atleta que tem a dificuldade acrescida de estar a conciliar a competição com os estudos.

Durante a temporada, participou maioritariamente em provas amadoras, representando a equipa em apenas duas provas por etapas de escalão continental. Aí, demonstrou algumas dificuldades, sendo essencialmente uma ciclista de apoio.

Ao serviço da seleção nacional esteve na ajuda a Daniela Reis nos Jogos do Mediterrâneo, onde não terminou, e como representante feminina solitária nos Mundiais Universitários, em que alcançou lugares entre as dez melhores tanto no crono como na prova de fundo.

Soraia Silva em ação nos Mundiais Universitários
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

Já nos Campeonatos Nacionais, não conseguiu revalidar o título de contrarrelógio, já que este ano teve concorrência de Daniela Reis e Maria Martins que levaram a melhor, e ficou-se pelo bronze. Na prova de fundo, demasiado acidentada para as suas características, terminou no quarto posto.

Em suma, não foi uma época fácil e em certos momentos deixou mostrar que ainda há muito por onde melhorar, mas trata-se de uma ciclista jovem e que já deu para perceber que ainda tem muito por onde crescer.

Em 2019, ainda não é conhecido em que equipa correrá, mas, apesar das dificuldades apresentadas, parece-nos que terá qualidade para, no imediato ou no médio prazo, voltar a competir no estrangeiro e no nível continental.

Foto de Capa: José Baptista/Bola na Rede

Até quando é preciso sofrer?

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Rui Vitória precisa de sair. Teremos que agradecer aquilo que ele fez pelo Benfica. Continuou o bom trabalho no clube, levando-nos a um tetracampeonato inédito, a uma Taça da Liga, uma Supertaça Cândido de Oliveira e uma Taça de Portugal. Porém, há muito que o treinador não consegue manter a confiança dos adeptos no seu trabalho, tendo até mesmo alguns que nunca chegaram a confiar em Vitória.

O falhanço do pentacampeonato, o decrescer de qualidade de jogo ao longo das épocas a orientar o Benfica e as mais recentes más exibições – com três derrotas consecutivas contra o Ajax, Belenenses e Moreirense – estão nas razões que colocam o treinador debaixo da fúria e impaciência dos adeptos. Se antes a margem de erro era curta, agora parece que foi ultrapassada. Rui Vitória não tem condições para continuar a orientar os encarnados.

A qualidade tática do treinador sempre foi colocada em causa, pois o Benfica sempre beneficiou de uma superioridade quer individual, quer coletiva ao longo das temporadas de Rui Vitória. Quanto mais perto estamos da Era Jorge Jesus, maior é a qualidade de jogo e melhores são os resultados. Por via inversa, quanto mais longe está o trabalho do antigo técnico, menor é a qualidade e o potencial da equipa. A tática é precária, previsível, monótona e, mesmo que assim fosse e servisse, começa a demonstrar-se o contrário: não funciona. A previsibilidade do jogo encarnado e a impressão de que os jogadores estão perdidos em campo, demonstra que não há uma tática bem assente por detrás. Os jogadores demonstram estar a perder a confiança na estratégia do técnico e só o individual anda a salvar o desastre tático das águias. Não fosse o melhor plantel da Primeira Liga, as coisas poderiam estar bem piores do que realmente estão. Um treinador com melhor qualidade faria deste plantel um luxo e poderia ambicionar muitas coisas. Um treinador como Rui Vitória se demonstra ser, consegue fazer desta das piores equipas exibicionais dos últimos tempos.

Para além disso, é um treinador com um discurso fraco desde que chegou. As palavras escolhidas são palavras-chave que funcionam sempre para todas as vezes de acordo com o resultado. O orgulho fica ferido e há revolta nos jogadores em caso de empate ou derrota; há foco e orgulho no trabalho que foi feito em caso de vitória. É brando e parece que não tem discurso para motivar os jogadores quando é preciso que haja um abalo no balneário.

Apesar de todo o abalo, nota-se que a união e foco do grupo se mantém
Fonte: SL Benfica

A incapacidade de Luís Filipe Vieira de arranjar uma solução melhor para este assunto além da típica confiança no técnico, é previsível depois da confiança que depositou em Jorge Jesus depois da temporada em que deitou tudo a perder nos derradeiros encontros. Além disso, a publicidade que foi feita pelo presidente acerca de Vitória ser o ‘treinador do projeto’, coloca um peso maior na decisão da sua continuação. No entanto, está visto que o assunto Rui Vitória e Benfica são uma bomba relógio prestes a explodir e que quanto mais cedo se desarmar este explosivo, menos estilhaços haverá no Estádio da Luz.

Dois jogos parecem separar Vitória do despedimento. Na próxima quarta-feira, para a Liga dos Campeões, os encarnados enfrentam a equipa sensação do grupo, o Ajax, no Estádio da Luz, depois de terem perdido em Amesterdão, nos últimos minutos, por 1-0. No domingo, as águias enfrentam o Tondela, fora, antes da paragem para mais uma ronda da Liga das Nações. Estes dois jogos poderão decidir o futuro do treinador, mas a verdade é que não deveriam fazê-lo. Vitória deve ser despedido. Deve sair do Benfica e dar lugar a um treinador mais competente para continuar o projeto ambicioso do presidente, antes que o próprio ‘treinador do projeto’ estrague precisamente essa visão.

Se é despedido durante a paragem para seleções, numa altura em que as competições estão paradas, o ambiente está mais calmo e há mais tempo para preparar a equipa com um novo treinador, é uma decisão aceitável. Se é despedido hoje e arriscam-se dois jogos com um treinador recém-chegado, poderá ser arriscado, mas será mais uma semana para se habituarem aos novos ideais.

Se não é despedido e é arrastado até ao fim da temporada, isso não é aceitável.

Acorda Benfica!

Foto de Capa: SL Benfica