A nossa liga, para além do enorme talento individual que possui e exporta para as principais ligas europeias, pode também ser conhecida pelos excelentes finalizadores que possui. Prova disso é o número de botas de ouro que a nossa liga já conquistou e não fosse o quociente, neste momento, de 1.5, tenho a certeza de que mais conquistaríamos.
É elevado o número de grandes goleadores que tive de deixar de fora, tais como Hulk (melhor marcador da Primeira Liga em 2010/2011), Simão Saborosa (melhor marcador da Primeira Liga em 2002/2003), Lisandro López (melhor marcador da Primeira Liga em 2007/2009) e Falcao. Todos eles mereciam também fazer parte deste top pela grande eficácia que revelaram neste século em Portugal, mas optei por jogadores goleadores em outros clubes que não apenas nos três grandes, por a dificuldade para marcar muitos golos fora destes clubes ser acrescida.
O primeiro Masters 1000 da temporada começou esta quinta-feira, em Indian Wells, e a questão do momento é quem poderá fazer oposição a Roger Federer, que procura o seu sexto título no deserto californiano. O suíço ainda não perdeu este ano, com títulos no Open da Austrália e em Roterdão (onde ascendeu à primeira posição do ranking), e o seu eterno rival Rafael Nadal não vai estar presente devido a lesão.
O segundo cabeça-de-série é Marin Cilic, finalista do Open da Austrália. O croata não tem tido muito sucesso na sua carreira em Indian Wells, com apenas uma presença nos quartos-de-final, sendo um jogador notoriamente inconstante.
Quiçá a maior ameaça para Federer na metade inferior do quadro será Juan Martin del Potro, recentemente campeão em Acapulco e único jogador a vencer Federer em torneios do Grand Slam desde o início de 2017. O argentino verá aqui uma boa chance para continuar a subir no ranking e conquistar o seu primeiro título desta categoria.
Federer é o favorito em Indian Wells Fonte: Facebook Oficial Roger Federer
Dimitrov e Zverev ganharam títulos desta categoria em 2017, apesar de ainda não terem conseguido fazer o impacto que desejam em Grand Slams. Estarão à procura de continuar nessa senda, assim como Thiem, que ainda está à procura dum primeiro título Masters 1000.
Dito isto, a grande história do torneio é o regresso de Novak Djokovic ao activo. O sérvio foi operado após a sua derrota contra Chung, em Melbourne, e volta esta semana à competição, sendo difícil prever quão longe poderá ir dado não sabermos o seu estado físico. Não tem um sorteio fácil, com Kei Nishikori (também a tentar voltar ao mais alto nível depois de lesão) na segunda ronda e Del Potro nos oitavos-de-final. Mas claro que, dado os seus pergaminhos, e se estiver completamente recuperado, Djokovic pode até ser o principal candidato a parar Federer.
De dois dos melhores postes do mundo tanto mulheres como homens comuns esperarão um fio elétrico, já o adepto de basquete ansiará por jogos mais físicos, que os transportem para os anos de Shaq, Hakeem Olajuwon, Kareem Abdul-Jabbar, Wilt Chamberlain, ou mesmo Bill Russell, (para os mais leigos: poste, para além de ser aquela coisa com que chocam na rua quando andam desatentos, é uma das posições do basquetebol. É ocupada, habitualmente, pelos jogadores mais altos e fortes, visto que se responsabilizam pela zona mais próxima do cesto).
Contudo, os New Orleans Pelicans, como disfuncional franchise que são, decidiram tomar partido de Vlade Divac, o disfuncional GM dos Sacramento Kings, e trocaram umas sandes mistas por uma superestrela. Assim, os Pelicans juntaram um dos melhores postes da liga – DeMarcus Cousins – a um dos melhores postes da liga – Anthony Davis.
Davis foi o primeiro da sua turma de Draft a ser selecionado, calhou ser pela sua ainda atual equipa. Só conta com 5 anos de NBA, e a cada ano que passa melhora, tanto no jogo ofensivo – melhorou o seu quase inexistente lançamento triplo – como no defensivo – é um dos que ganha mais ressaltos e que bloqueia mais lançamentos. Alia o seu imponente físico a uma boa mobilidade e empenho. Foi, e continuará a ser, um processo de evolução extraordinário.
Mas nem tudo tem sido áureo: apenas conseguiu aceder aos playoffs em 2015, sendo eliminado na primeira ronda pelos Warriors e sem conseguir qualquer vitória. Apesar da boa prestação de Davis e da equipa, ultrapassar a equipa que se sagraria campeã não estava ao alcance de ninguém.
Da loucura dos Sacramento Kings veio Cousins, numa jogada imprevisível e, acima de tudo, inexplicável. Cada equipa parecia seguir o seu rumo, mas ambos eram desaconselháveis. Cousins estava farto dos Kings. Não falavam a mesma linguagem, portanto, uma mudança era obrigatória, só que nunca para uma equipa onde o seu “lugar” já estava ocupado.
Em homenagem ao seu colega de equipa, Anthony Davis usou a camisola de Cousins no jogo All-Star deste ano, que este falhou devido à lesão Fonte: Twitter Oficial DeMarcus Cousins
Os Pelicans decidiram que era hora para desafiar a lógica do sistema de jogo implementado na NBA. Queriam-se (e querem-se) jogadores versáteis e móveis defensivamente, que consigam defender várias posições, e no ataque todos têm de saber lançar para se criar um espaçamento e, consequentemente, abrir brechas na defesa, obrigando os opositores a cobrir a linha de três pontos. Os Pelicans apostaram no contrário: atafulhar o garrafão, obrigar os defensores a ajudar no interior e, por vezes, colocar a bola no jogador que ficou livre para o triplo, mas para isto é preciso ter bons lançadores de triplos!
Está tudo terminado na fase de grupos da VELUX EHF Champions League. No entanto, antes de avançarmos para os jogos dos oitavos-de-final, vamos observar o que se passou na última ronda de cada grupo.
GRUPO A
Nem os voos de Palicka impediram o Vardar de conquistar o primeiro lugar do grupo Fonte: EHF
Orlen Wisla Plock, HC PPD Zagreb e IFK Kristianstad chegavam à última jornada com os mesmos pontos e com o sonho da passagem à próxima fase ainda vivo, mas só havia um lugar disponível.
Os campeões suecos, Kristianstad, conquistaram esse lugar ao vencer o Zagreb por 27:24, na Croácia. O Wisla Plock empatou com o HC Vardar, um bom resultado, mas não suficiente para garantir a passagem à próxima fase. Os suecos haviam falhado a qualificação nas duas épocas anteriores e vão defrontar o Flensburg na próxima fase.
Ainda no Grupo A, a competição pelo primeiro lugar (e respetiva passagem aos quartos de final) encontrava-se acesa, enquanto HC Vardar e o HBC Nantes continuavam a luta por esse lugar.
A equipa francesa precisava de uma vitória para garantir a conquista desse lugar, mas não foram além de um empate a 30 com o Rhein-Neckar Lowen, “entregando” o topo do grupo ao Vardar, que defrontaram sem qualquer pressão o Wisla Plock.
Já sabemos que o Vardar garantiu um lugar nos quartos de final. O Nantes e o Kristianstad terão a companhia do Barcelona, Rhein-Neckar Lowen e do Szeged nos oitavos-de final.
O Sporting CP venceu o FC Viktoria Plzeň por 2-0, em jogo a contar para a primeira-mão dos oitavos de final da Liga Europa. Com alguma chuva, mas com o ambiente quente fruto das elevadas ambições, a equipa leonina entrou em campo com um onze pronto para atacar o apuramento para os quartos-de-final: Jorge Jesus manteve a sua equipa titular habitual, deixando apenas de fora Piccini e Bas Dost, por lesão. O setor avançado, de resto, foi mesmo a maior “dor de cabeça” do técnico português, que perante a ausência de Dost, Doumbia, Leão ou até Podence, teve de chamar à convocatória o jovem Ronaldo Tavares
Em virtude da formação e da atitude mais defensiva do Plzeň, o Sporting mostrou alguma dificuldade em manter um fio de jogo e um fluxo atacante regular. Os espaços eram fechados com facilidade, com a linha defensiva dos checos a estar muito baixa e com muitos homens. E quando aparecia uma ou outra aberta, notava-se a falta de um matador: Gelson foi o primeiro, ao sexto minuto, ao não conseguir encostar um cruzamento de Acuña que tinha selo de golo; Bryan depois, mas o remate cruzado foi bem defendido por Hruska.
Porém, estas duas ocasiões tiveram o dom de abrir espaços e libertar a equipa leonina, que apareceu assim mais vezes junto à área do Plzeň. Marcos Acuña deixou a barra da baliza checa a abanar após grande remate de meia-distância aos 22 minutos e pouco depois Fredy Montero cabeceava por cima, a cruzamento de Bruno Fernandes. O colombiano ainda tentou mais uma vez, com um remate de fora da área, mas saiu à figura de Hruska. Domínio, mas não havia golo.
E quando não há golos? Todos sabemos o que acontece: sofre-se, seja golo ou psicologicamente. Os leões não sofreram da primeira forma, mas sofreram da segunda – muita passividade, muito tempo para soltar a bola e jogadores a andar a passo, para desespero de alguns adeptos e alegria para os checos, que iam apostando no contra-ataque. Os solitários remates de Bruno Fernandes no meio da descontração leonina faziam temer o pior, mas quem arrisca colhe os frutos.
Foi isso que fez Fábio Coentrão, no momento mais poético da primeira parte: a corrida do lateral foi vista por Bryan Ruiz, bola metida nas costas da defesa, e o português, no ar e acrobaticamente, cruza para o primeiro golo da partida. Fredy Montero, também no ar, dominou no peito e atirou para o fundo da rede. Primeira parte complicada, mas feliz para a equipa leonina, que saía para o intervalo a vencer.
A equipa do Plzeň jogava seguro e esteve sempre concentrada na defesa, aproveitando também alguma desinspiração leonina no primeiro tempo Fonte: Bola na Rede
No início da segunda parte, os dois treinadores optaram por não fazer qualquer alteração tática nas suas equipas.
O Sporting teve uma boa entrada no segundo tempo, e dilatou a sua vantagem: ao minuto 49, numa recuperação de bola a meio-campo de Bruno Fernandes, o médio português serviu Fredy Montero, e o avançado colombiano aproveitou para bisar na partida.
Acuña foi o primeiro a sair de campo, que assim poderá disputar o jogo da segunda mão (estava em risco de exclusão, se visse o cartão amarelo), entrando para o seu lugar Battaglia. Com uma vantagem confortável no marcador, a equipa leonina ia fazendo uma boa circulação de bola, conseguindo assim manter a equipa checa longe da baliza de Rui Patrício, que até ao momento não tinha tido grande trabalho.
O Sporting teve ao minuto 64 uma bela ocasião para fazer o terceiro, por intermédio de Montero, mas o guardião visitante conseguiu defender bem a tentativa do número 40 dos “Leões”. Três minutos depois, quem tentou foi Bruno Fernandes, que num lance individual espetacular, rematou forte à baliza adversária, embora Hruska tenha voltado a impedir o golo leonino.
Apesar da boa vantagem no marcador, Jorge Jesus não teve motivos para sorrir: William e Coates viram a cartolina amarela, e ambos irão falhar a partida na República Checa – mais dores de cabeça para o técnico português.
Dentro das suas capacidades, o Viktoria ia tentando visar a defesa verde-e-branca e até podia ter reduzido a diferença no marcador por duas consecutivas: primeiro Chorý (76’) e depois Kovarik (79’) não tiveram o engenho suficiente para marcar o golo.
Já nos últimos minutos do jogo, os visitantes deram o forcing final à procura do golo que poderia ser importante para discutir a eliminatória em Plzeň, mas a equipa do Sporting conseguiu defender bem a vantagem de dois golos até ao apito do árbitro para o final da partida.
O Sporting venceu por 2-0 o Viktoria, e assim vai à República Checa com uma boa vantagem na bagagem. Graças ao bis de Fredy Montero, o “Leão” continua com a esperança de chegar à Final intacta e bem viva.
Li há poucos dias um artigo de opinião de um dos jornalistas cuja forma de escrever é das que mais me cativa. Nesse artigo – do jornalista Carlos Daniel – dizia que o campeonato podia ser decidido à esquerda e mencionava os laterais-esquerdos dos três clubes ditos grandes. Fábio Coentrão, Alex Teles e Grimaldo.
Eu faço uma readaptação do título, e restrinjo a minha análise apenas à esquerda benfiquista. E à esquerda incluo toda a ala. A começar em Grimaldo, passando por Zivkovic e a acabar em Cervi.
A entrada de Krovinovic na equipa titular e a consequente mudança da disposição tática da equipa foi o ponto de partida para o ínicio de um novo ciclo na equipa benfiquista, no entanto, foi com estes três últimos em campo que o jogo encarnado ganhou outro brilhantismo.
Desde o transporte rápido de bola, em posse e no espaço, à forte componente técnica de cada um dos jogadores é na esquerda que está o principal motivo do sucesso do estilo de jogo encarnado.
Grimaldo oferece a disponibilidade para apoiar em momento atacante. A técnica que o caracteriza superioriza-se à baixa estatura física e torna-o, a par de Alex Teles e Coentrão, dos laterais do campeonato que mais desequilíbrio cria nas defesas adversárias. Com bola, e sem ela, é sempre uma opção viável para os colegas. Zivkovic e Cervi oferecem a irreverência no ataque.
Fonte: SL Benfica
Zivkovic, mais com bola no pé, é um jovem jogador que faz uso do pé esquerdo para levar a bola controlada, e em espaços relativamente curtos, e carregar jogo sobretudo em zonas interiores. Joga na posição de “falso 8”, mas facilmente é visto como um “10” e ainda como extremo – a sua posição característica.
Já a Cervi dar-lhe espaço é estar a dar o “ouro ao bandido”. Com espaço faz uso da rapidez para progredir no terreno em movimentos de 1×1 na sua concepção original.
É da junção das características dos três jogadores que nasce uma das tríades em melhor forma em Portugal. O facto de qualquer um ser capaz de entender qualquer posição da ala permite que em trocas rápidas se perca a noção de onde está cada jogador. Grimaldo por vezes parece mais extremo que Cervi e o pequeno argentino interpreta o papel de lateral esquerdo em diversos momentos do jogo.
Os jogos mostram Rui Vitória a assentar a base da progressão atacante à esquerda, contudo, e naturalmente, as equipas estão a habituar-se à forma de jogar dos encarnados. Será, por isso, imprescindível que jogadores como Pizzi, Rafa e Salvio – quando voltar – assumam de igual forma as rédeas do ataque encarnado e possam oferecer soluções diferentes.
O jogo grande destes oitavos de final da Liga Europa não dececionou e proporcionou um grande espetáculo, com as duas equipas em busca do golo. O Arsenal demarcou-se da serie de maus jogos e de maus resultados em que vinha e realizou uma exibição sólida, facilitada pela inconsequência atacante dos milaneses.
O jogo começou animado e ao cabo dos primeiros dez minutos já tínhamos visto uma mão cheia de oportunidades. Entrou melhor o Milan e, logo aos dois minutos, Cutrone falhou o desvio ao segundo poste. Na resposta, Mkhitaryan visou a baliza mas não conseguiu desfeitear Donnarumma. Não demorou muito até que o arménio o conseguisse fazer: aos 15 minutos, um mau passe de Calabri levou a bola até Ozil, que jogou de primeira para o número sete dos Gunners ganhar a linha, cortar para dentro e rematar para o fundo das redes, contando ainda com um desvio em Bonnuci.
Os comandados de Gattuso ressentiram o golo e não conseguiam incomodar verdadeiramente Ospina, muito por culpa da boa organização defensiva do Arsenal, que começava logo na pressão a Bonucci e Biglia na saída de jogo dos rossoneri. O meio campo inglês ia impondo o seu físico e dominando a seu bel-prazer. As oportunidades mais perigosas do Arsenal apareceram no final do primeiro tempo, primeiro num remate fortíssimo de Mkhitaryan que esbarrou na trave, depois numa bomba de Chambers para boa defesa de Gigi Donnarumma e, como não há duas sem três, num contra-ataque muito bem conduzido, Ozil encontrou Ramsey sozinho na área e este, calmamente, contornou o guardião italiano e encostou para o segundo da noite.
As investidas italianas foram sempre travadas pelos ingleses Fonte: AC Milan
Ao intervalo o cenário não era muito animador para a equipa da casa, que se via com uma desvantagem de dois golos em casa. Porém, quando se esperava uma reação forte dos italianos no segundo tempo, tal não se verificou. O jogo caiu na mesma toada da primeira parte, com um controlo das operações por parte do Arsenal, apesar da maior posse de bola (quase inconsequente) do Milan. Gattuso ainda arriscou e fez entrar André Silva e Kalinic, passando a jogar com dois pontas-de-lança, mas estes pouco acrescentaram, apesar de se apresentarem muito esforçados. Nenhuma tentativa dos rossoneri obrigou Ospina a aplicar-se, passando quase todas fora do alvo.
O jogo chegava, assim, ao fim, com o Arsenal confortável pela vantagem e pelos dois golos marcados fora. As portas dos quartos estão, assim, escancaradas para os ingleses, que podem ver nesta competição a oportunidade de conquistar o único título desta época e de chegar à Liga dos Campeões, já que por via do campeonato esse objetivo parece inalcançável (estão a treze pontos do Tottenham, quarto classificado). Já o Milan vê aqui travado o seu ‘renascimento’, denotando-se alguma inércia e diferença competitiva perante um adversário globalmente superior.
Durante esta semana, preparei um texto sobre o Sporting B. Já tinha título e tudo. Seria intitulado como “Sporting C”. Tinha já alinhado, num esboço, algumas estatísticas que me permitiram concluir que a Equipa B leonina não estava, ultimamente, com os índices competitivos suficientes para fazer jus ao emblema do leão. Ocupa, à jornada vinte e sete, o décimo sétimo lugar da II Liga estando, por isso, em zona de despromoção.
Vi, há momentos, uma notícia online do jornal A Bola que se intitula assim: “Leões anunciam fim da equipa B e vão integrar novo campeonato sub-23” Pode ler-se no interior desta notícia que: “O presidente Bruno de Carvalho enviou uma carta ao presidente da Liga, Pedro Proença, a anunciar que a equipa B passará para o campeonato sub-23 que está a ser pensado, com génese na Federação Portuguesa de Futebol, para a próxima temporada.” Afinal, o meu texto já não se poderia chamar “Sporting C”, nem “D” nem qualquer letra do abecedário. O Sporting B, pura e simplesmente, deixará de o ser enquanto tal. Faz mais sentido que se chame, por isso, “Crónica de uma morte anunciada”. Anunciada, porquê? Vamos a números, aos tais que eu tinha preparado para o outro texto.
Não podemos esquecer que muitos “craques” saíram da equipa B leonina. O mais recente foi Rafael Leão Fonte: Sporting Clube de Portugal
A equipa de Luís Martins regista, nesta fase até à jornada vinte e sete, a par do Benfica B (que ocupa o nono posto na tabela), a pior defesa da competição com 44 golos sofridos. De um total de trinta jogos, o Sporting B tem treze (43%) derrotas, nove (30%) vitórias e oito (27%) empates. Quando olhámos para o desempenho desta equipa ao longo dos anos, percebemos facilmente que o seu posicionamento na tabela classificativa foi piorando de ano para ano: em 2016-17 ficou em décimo quarto lugar; em 2015-2016 em décimo lugar; em 2014-2015 terminou em quinto lugar; em 2013-2014 em sexto lugar; e, finalmente, em 2012-2013 ficou em quarto lugar. Dadas estas estatísticas e face às recentes prestações em campo esta temporada, é caso para dizer que o Sporting B tinha já uma morte anunciada.
Assim, face às últimas prestações da equipa B, o Sporting optou por terminar com a mesma, criando, em substituição, uma equipa de sub-23. Tendo em conta que muitos jogadores que brilham (ou brilharam) na equipa B têm (ou tinham) menos do que 23 anos, acho que será mais produtivo para o clube e para os atletas que integrarão esses escalões. Porque arrumar de vez em quando a casa nunca fez mal a ninguém.
Depois de um início de temporada algo inconstante, Pedro Martins acabou por deixar o comando técnico do Vitória SC aquando da goleada sofrida em casa (0-5) perante o seu rival de sempre: o SC Braga. Ora, este acontecimento terá sido a gota de água para a Direcção vimaranense, a qual se apressou a buscar um substituto para o treinador de 47 anos, tendo a escolha recaído sobre José Peseiro, este que se encontrava sem clube desde a sua última participação ao leme dos sauditas do Sharjah CSC.
Surge assim mais um desafio na carreira de José Peseiro. Nesta quinta passagem pelo comando de uma equipa da Primeira Liga portuguesa (tendo já treinado, por duas ocasiões, o SC Braga), chega a vez do Vitória SC acolher o treinador natural de Coruche.
Parece-me que José Peseiro é um treinador com um rótulo imposto algo injusto. Chamam-lhe o “treinador do quase”, devido ao facto de, por mais que uma vez ao longo da sua carreira, ter deixado escapar os objectivos a que se propôs nos momentos decisivos. No entanto, tal não belisca em nada toda a competência que Peseiro possui. Aliás, isto pode acontecer a qualquer treinador e até já tivemos vários exemplos bem recentes disso.
Mas então, o que poderá José Peseiro trazer de novo a este Vitória SC? Neste primeiro jogo, contra o CF “Os Belenenses”, já pudemos notar alguma mão do treinador. Apesar do empate a zeros, deu para ver uma circulação de bola mais sóbria e sem pressas de chegar à baliza adversária, ao contrário do que víamos algumas vezes com Pedro Martins. Esta segurança imposta é extremamente importante e nota-se, desde já, uma preocupação extrema de Peseiro em devolver a confiança com bola aos jogadores vitorianos.
Aliás, confiança é a palavra-chave e esta não se pode aplicar somente aos jogadores; os próprios adeptos, fervorosos e incansáveis no apoio à sua equipa, precisam de ver a confiança na equipa restaurada. Não é segredo para ninguém que são os adeptos do Vitória SC quem, por muitas vezes, transmite força e garra para dentro de campo, envolvendo e contagiando os jogadores quando estes mais precisam.
José Peseiro terá a árdua tarefa de conseguir recuperar a confiança dos Vitorianos na sua equipa Fonte: Vitória SC
Mas voltemos ao jogo em si. José Peseiro é um treinador que privilegia a posse de bola. Gosta de jogar um futebol vistoso, valorizando o espectáculo, o que por muitas vezes faz com que as suas equipas fiquem mais expostas defensivamente. Este será, talvez, o calcanhar de Aquiles do treinador coruchense. De qualquer das formas, há que dar valor a quem procura jogar o jogo pelo jogo. Se Peseiro demonstra essa coragem, então tem valor e terá de ter todo o nosso apreço.
Apesar dos bons princípios que procura sempre implementar, logicamente que será preciso um conjunto de variáveis para que tal funcione na sua plenitude. Peseiro já apanhou o comboio em andamento e poderá ser complicado inverter o rumo dos acontecimentos, principalmente num balneário que não deve estar com os índices anímicos propriamente em alta. Adicionalmente, acredito que alguns dos jogadores do plantel do Vitória SC poderão não ser os que Peseiro escolheria se iniciasse a temporada em Guimarães, pelo que terá de haver um ajuste e trabalhar com a matéria-prima que tem à sua disposição.
Espera-se muito trabalho para o treinador de 57 anos, num clube onde o nível de exigência é sempre altíssimo. Ainda assim, esta exigência parece não o assustar, uma vez que, à chegada à Cidade Berço, traçou como meta o quinto lugar da classificação – o último que dará acesso às competições europeias, neste caso a Liga Europa. O que é facto, é que esta meta será difícil de alcançar, mas não impossível, pois o Vitória encontra-se em nono lugar – a sete pontos de distância do quinto classificado –, faltando nove partidas com 27 pontos ainda em discussão.
Acredito que até final iremos assistir a um crescimento global do jogo do Vitória SC. Contando com jogadores como Francisco Ramos, Mattheus Oliveira, Paolo Hurtado, Raphinha ou Welthon, o futebol vimaranense tem tudo para aumentar de nível. Passemos a bola ao Mister Peseiro, para que este nos prove que estamos certos.
Kendra Harrison é a recordista mundial dos 100 metros barreiras, tendo na altura (em Julho de 2016) destronando um recorde com mais de 28 anos! E conseguiu fazê-lo apenas poucos dias depois de ter falhado de forma surpreendente o apuramento para os Jogos Olímpicos do Rio (a única derrota dessa época). É também a campeã mundial dos 60 metros em Pista Coberta e nova recordista dos campeonatos, ao ter corrido em 7.70, marca que é também recorde norte-americano. O Bola na Rede, em colaboração com o Planeta do Atletismo, esteve à conversa com Keni Harrison, logo após essa grande vitória, no primeiro exclusivo da atleta para Portugal.
O Recorde Mundial de Kendra Harrison nos 100 Metros com Barreiras em Londres:
Bola na Rede/Planeta do Atletismo: Antes de mais parabéns por esta prestação. Já eras uma estrela do Atletismo antes mesmo do teu primeiro Ouro global, mas como te sentes hoje depois da vitória? Feliz? Aliviada?
Kendra Harrison: Acima de tudo, feliz. Eu sinto que as minhas derrotas tornaram-me mais forte e hoje sou uma atleta bem mais confiante. O meu treinador acredita em mim desde o primeiro dia. Há altos e baixos, mas ele está lá sempre e eu penso que eu não seria a mesma sem ele. Sinto-me abençoada por ter ganho este Ouro e deixo isso nas mãos de Deus.
BnR/Pda: Foi no Reino Unido, em Londres, que bateste o recorde mundial dos 100 metros com barreiras. É verdade que a experiência no verão nos Mundiais de Londres ficou aquém do que esperavas, mas hoje voltas a conseguir um recorde aqui em e a tua primeira medalha global. Talvez devas voltar cá mais vezes…
KH: (risos) Sim, acho que podes dizer isso! Definitivamente é um país que me traz sorte! Já corri muito rápido aqui noutras alturas também. É excitante correr aqui, muitos fãs que realmente amam o desporto e espero cá voltar mais vezes.
BnR/PdA: Muitos dos atletas consideram este ano um “year-off”, mas para ti já se percebeu que não é. Quais os teus objectivos para esta época outdoor?
KH: Certamente, quero tentar vencer a Liga Diamante e tentar ter assim a qualificação directa nos 100 metros barreiras para os Mundiais do próximo ano. E, claro, quero tentar melhorar os meus tempos.
BnR/PdA: Então…já esqueceste os 400 metros com Barreiras? (a atleta havia afirmado que queria tentar os 400)
KH: Eu sinto-me confortável nos 100 metros com barreiras e quero ganhar, pelo menos, outro evento global aqui antes de tentar isso. E eu acredito que estou muito próxima de o fazer… Mas no futuro, certamente, que irei tentar o regresso aos 400 metros com barreiras.