A “Culpa do sobrevivente” é um síndrome traumático associado aos que sobreviveram a grandes tragédias.
Hélio Neto, Alan Ruschel e Jackson Follmann poderiam-no ter sentido, por terem sido os únicos sobreviventes do plantel da Chapecoense que sobreviveu à queda do voo 2399 da companhia La Mia. Mas não sentiram. Ou se o sentiram, ganharam forças para se reerguer.
Follmann, apesar de já não ter parte de uma perna, quer ir aos Jogos Paralímpicos. Neto e Ruschel, depois de ultrapassarem, respetivamente um coma de 14 dias e uma semana sem andar, ganharam forças e re-integraram o plantel da Chapecoense.
Ganharam uma coragem hérculea (vinda de um sítio que vai além da vida, dirão alguns) e voltaram a vestir a camisola com que muitos dos seus companheiros de equipa (e amigos) perderam a vida. E em vez de se focarem na lamúria, centraram-se na missão de orgulhar aqueles que partiram.
E não, não iriam deixar que a ida deles tivesse sido em vão. Iam fazer de tudo para que aquele emblema deixasse de ser recordado pelo desastre e passasse a ser visto como um exemplo de superação perante a tragédia.
Conseguiram-no. Terão passado a mensagem a todos os novos jogadores. Do ‘goleiro’ suplente Artur Moraes ao goleador Wellington Paulista. E eles interiorizaram-na. Fizeram da missão dos sobreviventes a sua, e orgulharam uma camisola que deixou de ficar marcada de negro pelo luto e voltou a ser verde, da esperança.
Contra todas as previsões, a Chapecoense garantiu a manutenção do Brasileirão de forma confortável e deve garantir o acesso à Copa Sul-Americana na próxima jornada. A tal que os seus colegas queriam disputar mas não conseguiram. A tal que os seus colegas conquistaram sem jogar. A tal que eles querem conquistar no campo… pelos seus colegas.
Hoje o mundo do futebol já não associa a Chape a fumos negros na “camisola”. Pelo contrário. Faz-nos sorrir, por sabê-la reerguida.
Com o regresso da Liga, volta a nossa rubrica de arbitragem. Um regresso que esteve em risco de não acontecer, pelo menos nas condições a que estamos habituados, pela ameaça de greve que os árbitros impuseram após o clima de hostilização contra os mesmos no futebol português. Mais uma vez, como tem sido hábito, os árbitros recuaram, e isto, para mim, também mancha a classe. Como li esta semana num artigo de opinião de Duarte Gomes, os árbitros acabam por sair mal com estas constantes ameaças de greve que depois nunca passam disso, ameaças.
Falando da jornada em si, o Porto perdeu pontos e como já é costume, quando um dos grandes perde pontos há um grande foco virado sobre a arbitragem e fala-se muito pouco da exibição pouco conseguida por parte dos jogadores do FC Porto. Mas é falando nesse jogo que eu também quero deixar a minha crítica, apesar de achar que me estou a repetir, ao Conselho de Arbitragem (CA) da Federação. Não satisfeitos por colocarem Rui Costa no VAR do Sporting CP – SC Braga, depois do erro crasso que cometeu no jogo Sporting CP – GD Chaves, ainda foram nomear o mesmo arbitro para um jogo dos grandes? Que raio de politica de nomeações por parte do CA é esta?
É aquilo que eu tenho dito desde o inicio. Para este clima de hostilização e de ódio que paira sobre o futebol português, não há só um culpado, mas vários… O CA tem sido um deles.
Num fim-de-semana em que o líder Benfica não jogou (vitória a meio da semana por 3-1 frente aos romenos do Municipal Zalau, em jogo a contar para a Challenge Cup), o Sporting CP e o Fonte Bastardo não tremeram e aproveitaram os deslizes do Castêlo da Maia e do Sporting Espinho.
Na deslocação ao terreno do Sporting Clube das Caldas, o Sporting de Espinho acabou por sair derrotado por 3-1, somando, assim, a sua terceira derrota nesta edição do campeonato. A mesma sorte teve o Castêlo da Maia que, na deslocação a Esmoriz, acabou por ser derrotado por 3-2.
O Fonte Bastardo, a jogar na condição de visitante, conseguiu conquistar a sua nona vitória em 11 jogos, ao derrotar o Académico de Espinho por esclarecedores 3-0. Os açorianos subiram, assim, ao terceiro lugar da tabela classificativa. Também o Leixões, a jogar fora do seu terreno, levou de vencido o Voleibol Clube de Viana por 3-2.
No fecho da jornada, o Sporting CP recebeu o Vitória de Guimarães no Pavilhão João Rocha e levou de vencida a equipa vimaranense por 3-0. Esta vitória, a nona vitória em dez jogos, coloca os leões em segundo lugar, a 4 pontos do líder Benfica, que ainda tem um jogo a mais.
O Sporting Clube das Caldas, a jogar em casa, surpreendeu o Sporting de Espinho Fonte: Sporting Clube das Caldas
No próximo fim-de-semana, realiza-se uma jornada dupla, com muitos jogos a ocorrerem entre o dia 1 de Dezembro (feriado) e o dia 3 (Domingo). Na Sexta-Feira, dia 1, destaque para a recepção do Sporting Espinho ao Vitória de Guimarães e para a deslocação do Sporting CP ao terreno do Esmoriz GC. No Domingo, o líder Benfica desloca-se ao terreno do Castêlo da Maia, naquele que se espera que seja o jogo grande da jornada, enquanto o Sporting CP irá jogar ao terreno do AAS Mamede.
Pelo meio, no Sábado, dia 2, será realizado, nos Açores, o jogo entre as duas equipas do Arquipélago, Fonte Bastardo e Clube K. Destaque ainda para o sorteio dos Oitavos-de-Final da Taça de Portugal, realizado esta semana, onde foi sorteado um escaldante SL Benfica x Sporting CP. Os jogos têm data marcada para 8 de Dezembro.
Eis o quadro completo de jogos definido pelo sorteio:
SL Benfica vs Sporting CP
Esmoriz GC vs AA São Mamede
Ala Nun’Álvares Gondomar vs Leixões SC
VC Viana/ vs Castêlo da Maia GC
AJ Fonte do Bastardo vs SC Caldas
GC Vilacondense vs AA Espinho
CS Marítimo vs CN Ginástica
SC Espinho vs Vitória SC
Ontem estive em Vila das Aves. Saí de casa vestida de azul e branco para mergulhar num mar vermelho, um mar vermelho que conheço bem. E, talvez por conhecer bem, sabia que não íamos ter pela frente uma partida fácil. No entanto, contava trazer os três pontos. Mais do que isso, contava ver um FC Porto como nos tem habituado esta época. Não aconteceu! Mas agora, já só pensamos no próximo.
Para além do jogo com o Sporting, em Alvalade, perdemos ontem os primeiros pontos da época. O percurso no campeonato tem sido positivo, pautado pelos bons resultados conseguidos, mesmo que nem sempre acompanhados por um futebol brilhante. Ontem não foi brilhante, de longe, e custou-nos dois pontos na luta pelo principal objectivo do ano: queremos ser campeões. Mas sim, é certo, o mundo não acaba porque empatamos. Não podemos ficar contentes, não estamos com certeza contentes, mas acreditamos que todos vocês, treinador e plantel, têm o que é preciso para aprender com os erros e dar uma resposta já no próximo jogo, sexta feira. Vem aí clássico! Mas antes disso, voltemos à partida da noite passada.
Mais uma vez, o “mar azul” acompanhou-vos e soube fazer o que compete aos adeptos: apoiar. Como se ouviu nas bancadas, apoiar não é apenas bater palmas e festejar quando as vitórias acontecem, é estar “sempre a teu lado, a ganhar ou a perder”. A vossa exibição (dos que jogaram, claro está), deixou a desejar, todos os que assistiram ao jogo, e acredito que vocês também, o saberão admitir. Queremos vencer, sempre, e, para isso, sabíamos que era preciso melhorar. Mas não aconteceu e mesmo assim não se arredou pé até que vocês deixassem o relvado. Mesmo assim, unimo-nos a vocês no momento de reunião já característico dos finais de jogo e ali, naquele estádio onde deixamos dois pontos, estivemos de pé a aplaudir-vos até à vossa ida para os balneários. Nós, adeptos, acreditamos que têm o que é preciso e estamos prontos para regressar ao Dragão sexta feira e, convosco, lutar pelos três pontos.
O “mar azul” tem sido uma constante esta época Fonte: FC Porto
Entretanto, aproxima-se a noite do clássico. Falta menos de uma semana. Pela frente vamos ter um SL Benfica menos vistoso do que em épocas passadas, um SL Benfica ferido com a campanha europeia, mas ainda assim, num jogo desta dimensão, tudo isso é pouco relevante e os pratos da balança estão nivelados na altura do apito inicial. Mas sinceramente, pouco nos interessam as probabilidades.
Sexta-feira é preciso deixar tudo em campo, sem desculpas! Sexta-feira são precisas a garra e atitude que mostram o que é ser Porto, temos que suar a camisola e honrar o símbolo que carregamos, todos, ao peito. Sexta feira temos que mostrar que em nossa casa, mandamos nós! Não se esperam facilidades, mas também não é de facilidades que se fazem as conquistas. Nós, adeptos, iremos fazer a nossa parte, disso podem todos ter a certeza.
Vamos encher o Dragão e estar do vosso lado os 90 minutos. Os campeonatos não se ganham apenas com vitórias nos clássicos, já o sabemos, mas temos que ser francos e admitir que vencê-los tem um sabor especial e nós queremos isso. Queremos sentir novamente o coração a bater a cada remate e colocar à prova o “grito audaz” da nossa ardente voz a cada golo! Queremos ganhar e acreditem, vocês têm o que é preciso! Nós acreditamos e precisamos que vocês também o façam. Lutem até ao fim pelo objectivo de todos nós e, por muitas que as dificuldades sejam, não desistam nunca e saibam que vamos estar convosco até ao apito final, não só deste jogo, mas de todos, até Maio.
Contamos convosco e queremos que saibam, podem sempre contar connosco também!
Numa altura em que se voltou a falar sobre os jogadores emprestados, e em que António Salvador na reunião dos denominados G15 (clubes da liga com exceção dos três grandes) afirmou que deveriam terminar os empréstimos de jogadores a clubes da mesma liga, importa fazer uma análise e tentar perceber o impacto que estes jogadores provenientes dos grandes têm nos clubes que representam.
Começando pelo Sporting de Braga, cujo presidente foi o autor da afirmação em cima mencionada, salta à vista o nome de João Carlos Teixeira, jogador emprestado pelo FC Porto e que tem sido uma das principais figuras do início de época braguista. Foi a partir do momento que que o ex Liverpool começou a ter tempo de jogo que o Braga teve um salto qualitativo e arrancou para a boa série de resultados que perdura até hoje. Com menos impacto até ao momento, existe outro médio emprestado por um dos grandes, André Horta. O jogador cedido pelo Benfica não tem até ao momento tido muito tempo de jogo, mas face à sua evidente qualidade poderá ainda ter impacto durante a presente temporada.
Gonçalo Paciência Fonte: Vitória Futebol Clube
Continuando a norte, o Rio Ave é outra equipa que tem tido presença regular de dois jogadores pertencentes aos quadros dos grandes. Na defesa Yuri Ribeiro, emprestado pelo Benfica, tem sido o lateral esquerdo mais utilizado, enquanto que no meio campo o sportinguista Francisco Geraldes tem tido também um papel importante no jogo da equipa.
No Vitória de Setubal, verificamos dois nomes que têm tido preponderância no jogo da equipa, sendo que um deles aproveitou já o tempo de jogo que lhe tem sido concedido para garantir a sua estreia na seleção nacional. Falo de Gonçalo Paciência, emprestado pelo Futebol clube do Porto. Outro jogador emprestado que tem sido titular na equipa sadina é o benfiquista João Teixeira.
Salvador Agra encontra-se emprestado pelo SL Benfica Fonte: CD Aves
O Desportivo das Aves é outro clube que tem beneficiado da qualidade de dois jogadores provenientes dos grandes. O sportinguista Ryan Gauld e o benfiquista Salvador Agra tem sido importantes na manobra avense, com destaque para o dianteiro já com três golos apontados na Liga.
Disputou-se esta semana na Waterfront Hall, em Belfast, o Dafabet Northern Ireland Open, prova pontuável para o ranking. O menino prodígio do Snooker mundial, Yan Bingtao, que nasceu há apenas 17 anos na China, esteve muito próximo de se tornar o jogador mais jovem de sempre a conquistar uma prova pontuável para o ranking, contando apenas com 17 anos e 284 dias, à data da final, onde acabou por ser derrotado.
Apenas o veterano Mark Williams, com 42 anos, conseguiu evitar este feito, vencendo o chinês numa final que foi decidida apenas na negra, ajudando, assim, Ronnie O’Sullivan, um jogador da sua geração (ambos vão na 26ª temporada como profissionais), a manter o registo de jogador mais jovem de sempre a vencer um torneio.
O Dafabet Northern Ireland Open foi perdendo as suas estrelas logo nas primeiras rondas. Barry Hawkins, Shaun Murphy e Judd Trump foram eliminados logo na primeira ronda e Mark Allen seguiu-lhes os passos na segunda ronda. Já na terceira ronda, sucumbiram Ronnie O’Sullivan e John Higgins. Todos estes, jogadores do Top-10 mundial, foram eliminados por jogadores que estão actualmente classificados numa posição abaixo do 50º lugar do ranking. Desta forma, quando o torneio chegou à Quarta Ronda, já não contava com nenhum jogador do Top-10 mundial.
Ao contrário do que fizeram os pesos-pesados do Snooker, o jovem Yan Bingtao voltou a mostrar que chegou para ficar e voltou a apresentar-se em excelente forma neste torneio. Arrancou com duas vitórias por 4-0 (Robbie Williams e Jamie Curtis-Barrett), seguindo com um 4-1 a Mark King, na terceira ronda. Seguiram-se vitórias frente a Ryan Day (Quarta Ronda), Robert Milkins (Quartos-de-Final) e Lyu Haotian (Meias-Finais).
Se, de um lado do quadro, brilhava a juventude de Yan Bingtao, do outro ia imperando a experiência de Mark Williams. Também ele começou com duas vitórias por 4-0 (James Wattana e Tom Ford) e uma vitória por 4-1 (Akani Songsermsawad). Na Quarta Ronda, Williams bateu David Gilbert por 4-2 e seguiram-se vitórias frente a Mike Dunn (Quartos-de-Final) e Elliot Slessor (Meias-Finais).
Desta forma, chegávamos à final deste fim-de-semana com um duelo entre o irreverente Yan Bingtao (27º do ranking mundial, à entrada para este torneio), que, após ser o mais jovem de sempre a atingir uma final de um torneio pontuável para o ranking, ambicionava tornar-se também no mais jovem de sempre a vencer uma destas provas, e o experiente Mark Williams (16º) que, segundo informações reveladas pela comunicação social, tinha a sua mulher (e mãe dos três filhos de ambos) internada no hospital com suspeitas de meningite viral.
A final do torneio trouxe-nos um choque de gerações, sendo disputada por Yan Bingtao (17 anos) e Mark Williams (42 anos) Fonte: World Snooker
Yan Bingtao entrou no encontro com vontade de fazer história e liderou sempre a final: 2-0, 3-1, 4-2, até aos 5-3, resultado com o qual se concluiu a primeira sessão. No início da segunda sessão, voltou a entrar a ganhar e reforçou a sua vantagem para 6-3.
Apesar das dificuldades impostas pelo jovem chinês, Mark Williams conseguiu reagir e venceu três frames de seguida, igualando o encontro a seis. Bingtao voltou à frente do marcador por, Williams igualou novamente (7-7) e Bingtao voltou a colocar-se na frente por 8-7, ficando apenas a um frame de entrar para a história. No entanto, neste final de partida, a experiência de Mark Williams revelou-se fundamental, conseguindo levar o jogo para a negra e aí ser mais forte que Yan Bingtao.
Já no decorrer desta semana, inicia-se no Barbican Centre, em York (Inglaterra), o UK Championship, um dos principais torneios da época. Mark Selby, actual campeão mundial e número um do ranking, defende o título, que será decidido a 10 de Dezembro, e que irá atribuir 850 mil libras (955.519 euros) em prémios, das quais 170 mil libras (191.104 euros) serão entregues ao campeão.
O Vitória SC foi a Vila do Conde derrotar o Rio Ave por 1-0. Héldon foi o autor do golo que ditou a vitória do conjunto de Pedro Martins, numa grande jogada individual.
A equipa do Rio Ave recebeu o Vitória no último jogo da 12ª jornada da Primeira Liga. A equipa da casa procurava aproveitar o empate do Marítimo diante do Estoril para se aproximar do quinto lugar, ao passo que os vimaranenses procuravam igualar o visitado na sexta posição.
A formação de Vila do Conde não apresentou surpresas no onze inicial, sendo Karamanos a única novidade em relação ao onze que defrontou o Braga, entrando para o lugar do castigado Guedes. Do lado da equipa de Guimarães, Pedro Martins promoveu várias alterações, destacando-se a saída de última hora de Pedro Henrique, trocado por Francisco Ramos poucos minutos antes do início da partida.
O jogo começou equilibrado, com um duelo bem disputado a meio campo. Com os extremos a fechar o espaço interior, funcionando como médios no momento defensivo, e Hurtado junto a Tallo na pressão, o Vitória conseguia dificultar a posse de bola do Rio Ave. A equipa de Miguel Cardoso, por sua vez, procurava aproveitar o muito espaço entrelinhas deixado entre os extremos vitorianos e o trinco, Celis, sobretudo através das incursões de João Novais e Óscar Barreto.
Após 25 minutos demasiado disputados a meio campo, a primeira grande oportunidade de golo apareceu apenas aos 27 minutos, com Hurtado a conseguir aparecer solto na área adversária e a rematar ao lado quando estava em boa posição.
O Rio Ave respondeu pouco depois, numa transição rápida. Bruno Teles entregou a bola a Rúben Ribeiro, depois de um bom desarme, o camisola 10 arrancou pela esquerda e rematou já dentro de área para boa defesa de Douglas, com Barreto a atirar à trave na recarga.
A equipa da casa voltou a ameaçar logo a seguir, em mais uma boa jogada de Barreto. O colombiano ganhou a linha de fundo e assistiu Karamanos, com o ponta de lança a não conseguir faturar quando se encontrava em boa posição.
Ao minuto 38 o Vitória chegou à vantagem numa grande jogada de Héldon. Após uma boa transição rápida, o cabo-verdiano apareceu no interior da área e passou entre Lionn e Marcelo, num grande gesto técnico, batendo depois Cássio com um bom remate rasteiro.
Fonte: Vitória SC
O intervalo chegou assim num jogo taticamente muito interessante, com o Vitória em vantagem graças a um golo onde ficou patente a qualidade individual do seu extremo.
O Rio Ave entrou para a segunda parte decidido a inverter o resultado, instalando-se no meio campo vitoriano. Em vantagem, os vitorianos baixaram no terreno e alteraram a sua organização defensiva, passando a defender com duas linhas de quatro muito próximas, com os extremos a fecharem os corredores.
Após dez minutos sem destaques, a primeira grande oportunidade pertenceu ao Rio Ave, com Rúben Ribeiro a soltar-se da marcação de Vigário e a assistir Tarantini na pequena área, com o cabeceamento do capitão dos vilacondenses a sair à figura de Douglas.
Insatisfeito com o resultado, Miguel Cardoso promoveu dupla alteração ao minuto 63, trocando Karamanos por Yazalde e Francisco Geraldes por Pelé, com o médio emprestado pelo Sporting a tentar pegar no jogo.
O jogo entrou em novo período sem grandes destaques, com o Rio Ave instalado no meio campo do Vitória, mas sem conseguir criar perigo. Aos 72 minutos a equipa de Guimarães, à procura de explorar as transições, ficou perto do golo, com Raphinha a aparecer nas costas da defesa e a rematar para uma boa intervenção de Cássio.
Até ao final o jogo manteve a mesma toada, com o Rio Ave a controlar, mas com dificuldades em criar perigo, chegando o apito final sem destaque para mais lances de perigo.
O jogo que só começou após um minuto de silêncio em memória das vítimas de violência doméstica, fruto da Liga se associar este ano à celebração do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, causa a que o SC Braga já se tinha associado na época transata, curiosamente também num confronto com o Feirense. Na escalação das equipas, destaque para a escolha de Diga para ocupar o lugar do castigado Jean Sony nos visitantes e na habitual rotação da equipa de Abel Ferreira que incluiu os regressos de Hassan e André Horta ao onze inicial.
Tal como a meio da semana para a Liga Europa, os minhotos entraram decididos no jogo e voltaram a chegar ao golo cedo na partida, desta vez aos nove minutos por Bruno Viana, que substituiu o lesionado Raul Silva, na sequência de um canto. Nos minutos que se seguiram, o Braga até pareceu fraquejar um pouco, com várias perdas de bola e passes errados no seu meio-campo defensivo, mas os fogaceiros pareciam atordoados pelo início fulgurante do adversário e não demonstraram capacidade para aproveitar estes erros para sequer ameaçar a baliza à guarda de Matheus.
Entretanto, mais problemas para o Braga com Fransérgio a lesionar-se, o que poderá trazer problemas para o treinador bracarense nos próximos jogos, já que o brasileiro tem sido um fulcral desbloqueador em muitos dos jogos complicados que o Braga tem enfrentado. Para o seu lugar, entrou Paulinho e, pelo menos aí, a coisa até correu bem.
Com um jogo algo equilibrado pela incapacidade das duas equipas se encontrarem, houve até lugar para o árbitro Vasco Santos ir ao chão, ao tropeçar numa bola que a defensiva bracarense tentava aliviar. Finalmente, aos 24 minutos, o Feirense ameaçou Matheus numa jogada de bola parada. Mas, o Braga encontrou-se mesmo durante dois minutos e foi o suficiente para, em dois ataques consecutivos, Paulinho fazer abanar as redes. Primeiro, na recarga após uma boa difícil defesa de Caio que apenas conseguiu evitar o golo, mas deixou a bola à mercê do avançado braguista. Depois, numa boa jogada de entendimento ofensivo do Braga ao colocar a redondinha por cima do corpo do guarda-redes brasileiro.
O jogo parecia decidido e até foi uma boa saída de Caio a evitar o quarto mesmo em cima dos 45. Só que nos descontos, uma boa troca de bola do ataque dos da Feira perante uma apática defesa bracarense permitiu a Etebo reduzir e dar alguma esperança aos visitantes e permitir-lhes ir para o balneário com outro estado de espírito.
Se o golo do Feirense podia deixar antever mais animação na segunda parte, tal não se materializou e o jogo recomeçou com as equipas a produzirem um futebol pouco atraente e sem grande excitação para os adeptos, com exceção de duas bolas lançadas para Paulinho, mas que este não conseguiu finalizar, primeiro por boa defesa de Caio, depois enviando o esférico ligeiramente por cima da barra.
E essa foi a tónica do jogo até ao seu término, a espaços houve aproximações às balizas contrárias, mas nunca com demasiado perigo e a partida esteve sempre morna e sem grandes momentos de futebol para entreter os poucos adeptos nas bancadas.
No final, o Braga cumpriu os serviços mínimos e não precisou de acelerar para se isolar na perseguição aos três da frente, enquanto o Feirense foi vítima da sua fragilidade e nunca pareceu capaz de fazer frente aos arsenalistas. Ao invés, limitou-se a evitar um resultado ainda pior que podia bem ter acontecido.
Na passada quarta-feira, o Sporting Clube de Portugal recebeu e venceu os gregos do Olympiacos, por 3-1, com golos de Bas Dost (2) e Bruno César.
No onze leonino, Jorge Jesus, teve duas baixas: Marcos Acuña, devido a problemas físicos, e Coates, devido a castigo. Para render os dois ausentes entraram o português André Pinto e Bruno César. Num jogo em que os leões dominaram por completo, obtendo uma vitória justa. Bas Dost foi um dos destaques do Sporting; com dois golos conseguiu o seu primeiro “Bis” com a camisola verde e branca nas competições europeias.
Uma noite que ficou marcada pela vitória leonina, mas ao mesmo tempo, pelo empate entre Juventus e Barcelona. Com estes resultados, o Sporting pode ainda sonhar com a passagem aos “oitavos” da Liga dos Campeões. O Sporting, neste grupo D, um grupo de enorme grau de dificuldade, soma sete pontos, fruto de duas vitórias e um empate, menos um que o segundo classificado, a Juventus. Em primeiro lugar no grupo fica o Barcelona, que conseguiu garantir com o empate em Turim. Por isso, o Sporting tem de vencer o jogo em Nou Camp, frente aos “Blaugrana” e esperar que a Juventus não vença no Pireu.
O Sporting voltou a fazer golos e uma boa exibição em termos europeus Fonte: Sporting Clube de Portugal
A missão não é fácil, mas o Sporting tem demonstrado a sua qualidade e por isso tem de acreditar até ao fim que é possível vencer o Barcelona. Os catalães já garantiram o primeiro lugar no grupo D, por isso Ernesto Valverde poderá aproveitar para fazer alguma gestão do plantel. Aliás, em Turim, o treinador blaugrana deixou no banco o astro argentino, Messi. Evidentemente que, independentemente de quem jogue, é sempre um jogo difícil em Nou Camp. Assim, o Sporting tem de se apresentar na sua melhor forma e fazer um jogo próximo da perfeição, sendo muito consistente em termos defensivos e extremamente eficaz no capítulo ofensivo.
A Juventus também termina a fase de grupos fora de portas, com uma deslocação ao Estádio Giorgios Karaiskakis. Recorde-se que o Olympiacos conseguiu um empate em sua casa diante do Barcelona. Por isso, a missão dos italianos não se antevê fácil. Aliás, os gregos despedem-se nessa partida das competições europeias e, por isso, vão querer deixar uma boa imagem.
Para a história, fica que os leões, num grupo verdadeiramente de Liga dos Campeões, está na luta pela passagem aos “oitavos”. No grupo D, o Sporting enfrentou o crónico candidato ao título na “Champions”, o Barcelona, o hexa-campeão italiano e vice-campeão europeu, Juventus, e o hepta-campeão grego, Olympiacos. Num grupo de enorme grau de dificuldade, o Sporting somou pontos, apresentou um futebol de qualidade e bateu o pé a duas das melhores equipas europeias. Agora há um só objetivo, vencer o Barcelona e esperar que a Juventus não vença o Olympiacos.
Chegados os meados de Novembro, é altura de muitos adeptos de futebol colocarem de lado a sua vida pessoal, deixando-se levar por um vício que já terá destruído muitas relações e, quem sabe, algumas vidas. Os divórcios nesta altura do ano, bem como as notas final do primeiro período do ano letivo e do primeiro semestre e os resultados do último trimestre de muitas empresas, refletem-no. Há estudantes e trabalhadores mergulhados num mundo virtual onde lá são aclamados como os treinadores que admiram na vida real ou onde vêm ser legitimadas as críticas aos treinadores das suas equipas – eles, de facto, fariam melhor.
Esse vício têm um nome e chama-se Football Manager (FM), mas já se chamou Championship Manager (CM). Uma droga que começou a entrar, com especial incidência, em Portugal, no ano de 1996, quando foi lançada a primeira versão do jogo traduzida e com o campeonato português.
Essa versão não tinha tanto glamour como as atuais. O desenrolar de cada jogo estava limitado a um conjunto de frases pré-formatadas (e algo confusas), não havia cláusulas negociáveis nos contratos dos jogadores, as táticas eram muito limitadas (não havia lugar a instruções individuais, por exemplo) e as mensagens que o treinador virtual recebia apareciam no mesmo ecrã das condições das transferências ou dos resultados das outras equipas do jogo.
No fundo, o jogo era muito mais simples que os de hoje, mas não quer dizer que fosse menos viciante. Reformulando: o jogo É muito mais simples que os de hoje, o que não quer dizer que não SEJA menos viciante. É que ainda há quem o jogue, 21 anos depois do seu lançamento. O redator deste artigo, acusa-se.
Aproveitando o lançamento do FM 18, decidimos não deixar cair no esquecimento o nascimento do vício imposto pelo cargo de treinador virtual, começando, neste artigo, uma viagem pelos primórdios deste flagelo, e que terá continuidade em edições especiais no podcast 120s de Bola.
O pontapé de saída será dado pelos 10 melhores jogadores do campeonato português que muitos dos primeiros “agarrados” tentaram adquirir para os clubes com que iniciaram esta jornada decadente… mas cuja eventual contratação fazia merecer a pena todos os minutos gastos nela.