Dois dias depois de completar 130 anos de história, a Associação Académica de Coimbra teve uma prenda atrasada da parte do seu Organismo Autónomo de Futebol – a Briosa venceu o Nacional por 1-0, confirmando a melhor série da época com a terceira vitória consecutiva.
À semelhança do que já tinha acontecido no último jogo no Cidade de Coimbra, o triunfo dos estudantes começou a ser construído cedo e aos 12… segundos de jogo a Académica já estava a vencer. Solicitou-se a velocidade de Balogun na esquerda do ataque, o nigeriano ultrapassou Nuno Campos e visou Djoussé, que inaugurou o marcador.
O Nacional consentiu o golo madrugador, não conseguiu articular o seu futebol de forma construtiva (muito pouco critério no passe) e foi incapaz de incomodar uma Académica bem organizada no seu meio-campo e que até esteve mais perto de ampliar por Djoussé e Balogun. Daniel, guarda-redes do Nacional, porém, impôs-se e salvaguardou a margem mínima até ao intervalo.
Balneário da Académica celebrou o jogo 220 de Marinho pela Briosa Fonte: Académica OAF
O descanso fez bem aos madeirenses que vieram dos balneários com outra atitude. Passaram a ter maior critério no passe e pareceu existir inconformismo em furar o meio-campo da Académica. Este, porém, orquestrado por Ricardo Dias, foi fazendo ruir as esperanças do Nacional com a a sua organização. Ou seja, mudar a atitude não foi suficiente. E mudar jogadores? Costinha, treinador do Nacional, experimentou-o. Refrescou o ataque, fez entrar Murilo e Vitor para os lugares de Rochez e Diego Barcellos e a equipa pareceu responder afirmativamente, fazendo circular a bola mais perto da área da Académica, porém, faltou objetividade, e, durante os primeiros minutos após esta troca, até foram os estudantes a estar mais perto do golo numa situação de contra-ataque, que Diogo Ribeiro (entrado para o lugar de Djousse) finalizou com um remate às malhas laterais.
Com o passar do tempo, o Nacional foi conseguindo ganhar critério no último terço e teve duas oportunidades seguidas para igualar a partida, através de Murilo – primeiro num remate fora da àrea e, depois, num cabeceamento na sequência do canto. Ricardo Ribeiro impô-se, com classe, a ambas. O Nacional forçava o empate. Costinha apercebia-se disso e forçou a barra ao substituir Camacho, médio ala por Vanilson, homem de area… porém, foi traído pela agressividade de Christian, que viu segundo amarelo depois de falta sobre Ki.
O Nacional acusou o toque e apesar de até ter assustado, com um remate perigoso de Murilo, não mais conseguiu dar a volta a um resultado que peca por escasso mas que confirma o bom momento da Académica, marcado por três vitórias consecutivas, duas delas sobre rivais na luta pela subida e que torna amargo, para Costinha, o regresso ao Estádio Cidade de Coimbra.
O Manchester City deteve o controlo total sobre o jogo, chegando até a ter cerca de 69% de posse de bola em algumas ocasiões. Com o jogo controlado e com uma estratégia bem definida o Manchester City, mostrou uma equipa madura e organizada, capaz de intimidar qualquer gigante europeu. Pep Guardiola continua invicto na 11ª jornada da Premier League com uma vitória sobre o Arsenal.
A vitória poderia inclusive ter sido mais dilatada com diversas oportunidades que não deram em golo durante a partida. Aos 2 minutos de jogo Aguero teve a primeira oportunidade perigosa para golo com um remate forte próximoda baliza. Aos 10 minutos Sterling não chega à bola dada por Sané que o colocaria numa situação perigosa frente ao veterano guarda-redes Peter Cech.
Aos 18 minutos nasce o primeiro golo da partida, após uma jogada iniciada por Aguero, De Bruyne tenta um primeiro remate sem sucesso, mas na sequência da jogada em tabela com Fernandinho, consegue mesmo colocar a bola nas redes arsenalistas fazendo assim o 1-0 para o Manchester City. Aos 34 minutos, Sterling numa situação de contra-ataque de dois para um, não consegue tirar vantagem e falha um passe para a Sané perdendo assim uma oportunidade claríssima para alongar a vantagem do City. Só no fim da primeira parte surge a primeira situação de perigo para o Arsenal por intermédia de Ramsey que obrigou o ex guarda-redes do SL Benfica, Ederson, a uma excelente defesa. Terminava a primeira parte com o Manchester City em completo domínio.
A segunda parte começa com um golo, aos 49 minutos, Fernandinho isola Sterling que é derrubado em falta na área, o argentino Aguero, não perdoa e faz o 2-0 para o Manchester City. O Arsenal quis mostrar que ainda tinha uma palavra a dizer neste encontro e aos 19 minutos torna a vantagem dos Citizens mínima reduzindo assim para 2-1 por intermédia de Lacazette que recebe uma bola em velocidade de Ramsey que só terminou nas redes do City. Logo a seguir, 4 minutos depois, o Manchester responde com dois lances em que valeu Bellerin e Cech a manutenção do resultando, mostrando assim que o Manchester não se conformou com o golo de Arsenal e queria extender a vantagem de novo por intermédia de Sané e Gabriel Jesus respetivamente. Aos 73 minutos de jogo, Gabriel Jesus que entrou por Aguero cerra o resultado em 3-1 para o City em mais uma jogada de qualidade que só terminou com a bola nas redes do Arsenal pela terceira vez no encontro.
Terminava o jogo no Etihad Stadium com mais uma vitória da equipa de Pep Guardiola que bate assim outro adversário direto e cada vez se isola mais na liderança da Premier League.
Ainda não foi desta vez que o CF União conseguiu inverter a série menos positiva que atravessa depois de um bom arranque de campeonato. Desta feita a jogar em casa frente ao FC Porto B, a equipa madeirense, que tem agora como treinador principal José Viterbo, perdeu por 2-1, mesmo depois de ter feito uma primeira parte de nível promissor.
Em encontro da 13.ª jornada da Segunda Liga, a equipa da casa foi quem entrou mais forte, ante um Porto mais expectante. O União conseguia organizar algumas jogadas interessantes e Orlandic conseguiu mesmo a melhor oportunidade dos minutos iniciais, valendo aos dragões a intervenção do guarda-redes Diogo Costa.
A toada parecia auspiciosa, mas o golo portista, conseguido aos 29 minutos por Fede Varela, obrigou os madeirenses a correr atrás do prejuízo, embora algo injustamente.
A resposta unionista acabou por surgir já no final da primeira parte, quando Orlandic restabeleceu a igualdade, num resultado mais ajustado.
Fonte: Bola na Rede
No final a festa foi dos jovens azuis-e-brancos, mesmo depois do encontro sofrido Fonte: Bola na Rede
Já no segundo tempo, porém, o avançado montenegrino acabaria expulsado por acumulação de amarelos, o que dificultou a tarefa dos insulares na busca pela reviravolta.
Os segundos 45 minutos trouxeram um jogo menos interessante e fluído, transparecendo alguma inquietude unionista e também alguma ingenuidade dos jovens azuis e brancos. Mesmo sem brilho, os comandados de Folha conseguiram ser mais eficazes e aos 69’ surgiu o segundo golo portista, por intermédio de Bruno Costa.
Nos últimos minutos, contudo, assistiu-se a um ressurgimento dos insulares, numa altura em que já estavam reduzidos a nove, depois de uma lesão muscular de Laércio. A boa réplica trouxe de novo a incerteza e chegou a encostar os dragões às cordas.
Até ao final, no entanto, o resultado não se alterou e um Porto mais pragmático superiorizou-se a um União que até se mostrou aguerrido em alguns espaços, mas a quem faltou agressividade.
Olhar para o panorama desportivo em Portugal é olhar para um mundo maioritariamente de homens. Num país de grandes costumes na área, com o futebol à cabeça, as modalidades femininas são quase sempre vistas como inferiores, salvo algumas (raras!) excepções, relativas a desportos considerados “de mulheres”. Com o FC Porto, um dos grandes do nosso país e que acaba por ser exemplo para muitos outros, passa-se exactamente o mesmo. Entre nove modalidades, apenas três têm equipas femininas. Ainda assim, os resultados que acumulam demonstram que são uma aposta ganha!
A imposição e crescimento do FC Porto em Portugal aconteceram num passado recente. Sobretudo com a chegada de Pinto da Costa à liderança azul e branca, o cenário de centralismo começou a modificar-se, com a equipa do Norte a chegar-se à frente, fazer-se ouvir, ganhar títulos. É certo que o percurso rumo ao topo tinha de começar por algum lado, e é certo que a escolha teria de ser o futebol. Quer se queira ou não, goste-se ou não, é o futebol o desporto rei, não só no nosso país, mas em praticamente todo o mundo. E agora, ao olharmos para esse percurso, percebemos que foi uma aposta ganha. As conquistas nacionais e internacionais fazem do clube um dos grandes portugueses, algo que enche todos os atletas, dirigentes e adeptos de orgulho, mas algo que também acarreta responsabilidade. O FC Porto é, para todos os efeitos, um exemplo para muitos outros. E, no que diz respeito ao desporto feminino, um exemplo que não deve ser seguido.
Com equipas a actuar em oito modalidades diferentes, mais o desporto adaptado que inclui algumas variantes, são poucas as atletas que carregam o símbolo do dragão ao peito. Apenas no bilhar, boxe e natação existem equipas femininas, distribuídas em plantéis de seniores e juniores, mas que ainda assim são compostos por bastante menos elementos do que os sectores masculinos. Também o desporto adaptado acrescenta mais seis mulheres às estatísticas, duas delas no boccia e quatro na natação. No total, contam-se 32 atletas. No entanto, o palmarés que ano após ano vão conquistando, deixa transparecer o sucesso que alcançam e o maior reconhecimento que deveriam ter. Embora poucos o devam saber, a equipa azul e branca de Pool Feminino soma já dez campeonatos nacionais, 13 taças de Portugal e 12 supertaças, a de natação já se sagrou campeã nacional por 15 vezes e no boxe, há também dois títulos de campeão nacional a registar. E se o desconhecimento destes títulos existe, muito se deve também à pouca divulgação que é feita.
Conquista da Supertaça de Pool Feminino Fonte: FC Porto
Noticiar conquistas nem sempre é opção na comunicação social portuguesa, pelo menos quando essas conquistas não dizem respeito ao futebol masculino. É mais fácil especular na capa acerca de um qualquer caso com um jogador de um qualquer clube, do que dar destaque a um título ganho numa outra modalidade, sobretudo se for feminina. E se isso acontece, muito se deve também à sociedade e ao que ela consome. Os jornais noticiam por norma o que vende e o que vende é o que as pessoas optam por comprar. Com isto, gera-se um efeito de bola de neve, em que os clubes ditos grandes no panorama nacional têm o dever de intervir para tentar fazer com que alguma coisa mude. No final das contas, são eles que têm capacidade de mudar mentalidades.
E isso é visível com o caso do futebol feminino. Com um 1ª Dezembro histórico, tendo conquistado 11 vezes consecutivas o título nacional, o que se viam eram notas de rodapé a mencionar a conquista no final de cada época. Da modalidade e dos clubes envolvidos, pouco ou nada se ouvia. Até que a Federação Portuguesa de Futebol decidiu intervir e convidar os clubes participantes na primeira liga a criarem uma secção feminina. Sporting e Sporting de Braga aceitaram o repto e levaram, pela primeira vez, uma final feminina à televisão! Pela primeira vez, as assistências nos jogos deixaram de ser compostas só por familiares e amigos das jogadoras, com o jogo que decidiu o título, disputado em Alvalade entre as duas formações recém-chegadas à competição, a chegar perto dos 10.000 espectadores.
Da parte dos azuis e brancos, apenas a aposta na Dragon Force, que apesar de incluir meninas, só contempla idades entre os 8 e os 14 anos, havendo depois, caso haja interesse das atletas em continuar, a necessidade de procurar outras opções. E, ainda assim, a principal promoção feita pelo clube às escolinhas, apenas utiliza imagens de rapaz.
Promoção da Dragon Force, feita pelo FC Porto Fonte: FC Porto
Está também nas mãos do FC Porto contribuir para que o panorama actual mude e para que o desporto feminino cresça em Portugal. Sendo o clube com mais impacto a norte, e um dos maiores do país, a capacidade de chegar às pessoas é maior do que para qualquer outro. E prova disso foi o ciclismo. Esquecido por muitos durante anos, voltou a ser motivo de interesse com a criação da W52-FC Porto. Os adeptos do clube ganharam interesse na principal prova portuguesa, a Volta a Portugal, e o sentimento de competição, por exemplo com o Sporting, que se juntou com o Tavira, levou pessoas às ruas do país para torcerem pelos atletas. E é disso que precisamos! Precisamos de um FC Porto capaz de impulsionar o desporto nas raparigas, capaz de as formar ao longo de um percurso que culminará em equipas seniores, em equipas capazes de se baterem por títulos mas, sobretudo, capazes de fazerem crescer em Portugal o “feminino”!
O futebol, como tudo na vida, sofreu várias mudanças ao longo dos anos, tanto dentro do jogo, como em tudo que o rodeia. As velhas histórias dos craques que apanhavam o autocarro para chegar a horas ao treino foram substituídas pelos aviões e helicópteros particulares acompanhados pelo champanhe e caviar. A vida privada dos atletas, conhecida e sussurrada entre tascos e cafés, foi lentamente substítuida pelas redes sociais e pela constante exposição dos mesmos. O amor pela camisola, aquele “mito” que hoje se tenta explicar aos mais jovens, foi substituída pelos milhões, agentes e contratos publicitários, levando o futebol para um campo de obscenidades e causando uma barreira quase inultrapassável entre o que é o mundo do desporto, e o mundo real.
Mas nesta infindável barreira, existem ainda algumas brechas, quais réstias de uma esperança quase perdida, que nos fazem acreditar, ou pelo menos relembrar, de como o futebol e a vida podem ser, por vezes, um só. Quando olhamos para lendas como Steven Gerrard, Totti ou Buffon, observamos “in loco” como essas brechas, mesmo que pequenas, podem fazer brilhar tanto os olhos dos verdadeiros amantes do futebol. Como páginas perdidas de um livro que, simplesmente, já não existe.
Contudo, parece haver uma nova fenda a surgir nessa gélida parede que circunda o futebol dos tempos de hoje, com um nome bem lusitano: Rui Patrício.
Rui Patrício já segurou várias dezenas de vitórias para o Sporting Fonte: Sporting Clube de Portugal
Natural de Marrazes, Leiria, o atual guardião leonino, já conta com mais de 400 partidas ao serviço do clube (o único que representou até hoje), mas não foi de romantismos que se escreveram os primeiros pergaminhos da sua longa história em Alvalade. Mesmo com uma estreia de sonho, a defender uma grande penalidade nos Barreiros, foi com muitos fantasmas que Rui alcançou a sua afirmação. Não são, afinal, todos os ídolos de um clube que começam a sua carreira com os seus adeptos a cantarem e a reclamarem o nome do seu concorrente direto (Stojkovic, na altura).
Felizmente, quem apostou nele soube segurá-lo nos momentos mais críticos (com todo o mérito para Paulo Bento nessa matéria), e passados sensivelmente dez anos, o miúdo inseguro e tímido de Marrazes, é hoje o símbolo de tudo que o Sporting representa como clube. Para não falar da qualidade que o coloca hoje no top dos melhores guarda-redes da Europa, e do Mundo.
Não sei se Rui Patrício vai fazer a carreira toda em Alvalade. Há condicionantes e mudanças na vida que vão muito mais além do que uma simples bola, mas é legítimo que, com 29 anos, comece a existir essa crença entre os adeptos. Para os mais românticos, não se iludam: a barreira entre o mundo do futebol e o mundo real vai continuar a aumentar! No entanto, como tudo na vida, são estas pequenas excepções que nos fazem conseguir apreciar tudo o resto. E, por isso, obrigado Rui.
Foi em 2003 que Luís Filipe Vieira tomou o comando no mais alto posto do clube encarnado. Eleito pelos sócios com recorde de votos (foram 174.074 votos, 90.47%), o 33º. Presidente do Sport Lisboa e Benfica cumpre 14 anos à frente do clube, reunindo vários momentos altos, assim como baixos. Com 14 anos cumpridos, junto neste texto 14 momentos da presidência de Vieira desde que tomou o leme do barco encarnado.
14.
Fonte: SL Benfica
Desinvestimento (2017) – Depois das celebrações do tetracampeonato, estava na altura de regressar ao trabalho. Altura de mercado de transferências significa altura de reforçar a equipa, mas também de ver os jogadores mais influentes da equipa a sair pela porta grande, rumo a outros campeonatos. Foi o que aconteceu no Benfica, mas apenas a segunda parte.
Vieira e Vitória deixaram sair peças fundamentais do onze benfiquista, mas não investiram no mercado o suficiente para colmatar essas saídas, levando a um início de época muito precário, estando já, e à partida apenas, eliminado da Liga dos Campeões (e quem sabe das competições europeias) e a cinco pontos do líder da Primeira Liga. Resultados que metem os adeptos a pensar se esta decisão de não investir no verão de 2017, não terá sido um dos erros dos mandatos de Luís Filipe Vieira.
Corria o dia 6 de Agosto de 2017. Talvez a prova mais aguardada da noite eram os 100 metros femininos, com a grande favorita Elaine Thompson (JAM), rodeada de outros nomes pesados da modalidade como Tori Bowie (USA), Ta Lou (CIV) ou Dafne Schippers (HOL). Thompson nunca entrou verdadeiramente em prova (depois de ter passeado nas meias-finais) e a americana Tori Bowie sagrava-se campeã mundial, em Londres, com um tempo de 10.85, a sua melhor marca do ano. Ta Lou alcançava a melhor marca da carreira em 10.86. Quem não acompanha tão de perto a modalidade com certeza que olhou de imediato para a marca de recorde mundial que sempre aparece no final de cada prova e ao ver os 10.49, certamente não se impressionou com o tempo de Bowie. Isto reflecte o peso que o passado, um passado duvidoso, demasiado duvidoso, tem sobre o Altetismo Feminino, em especial no sector da velocidade.
Nos 100 metros, nomes como Shelly-Ann Fraser-Pryce (JAM) ou Elaine Thompson, o melhor que, até ao momento, conseguiram alcançar foi percorrer os 100 metros 10.70 segundos, sendo que as 3 atletas mais rápidas da história são as americanas Florence Griffith-Joyner (Flo-Jo) com a marca de 10.49 alcançada em 1988, Carmelita Jeter (10.64 em 2009) e Marion Jones que correu em 10.65 no ano de 1998. Se o caso de Marion Jones é por demais famoso e até exista quem defenda que todas as suas marcas devam ser apagadas da história, as duas outras atletas nunca foram oficialmente apanhadas nas malhas do doping.
Mas as suspeitas nunca deixaram de as rondar. Jeter foi uma boa atleta universitária, sendo que nunca fez marcas deslumbrantes no início da sua carreira profissional. Aos 27 anos, a sua melhor marca pessoal era de 11.48 e subitamente tudo mudou, alcançando os tais 10.64, três anos depois. Suspeito? O caso de Flo-Jo, obviamente mais conhecido, será tratado mais a fundo num artigo futuro. Mas através do vídeo que apresentamos, podemos perceber algumas das suspeitas. Flo-Jo arrancou a temporada de 1988 com a melhor marca pessoal de 10.96, uma boa marca, mas longe dos 10.49 com que bateu nesse ano o recorde mundial. No final dos Jogos Olímpicos de Seul de 88, anunciou o final da sua carreira aos 29 anos de idade, quando já se preparava o novo programa anti-doping que iria entrar em funcionamento no ano seguinte. Suspeito?
Flo-Jo, recordista mundial dos 100 e 200 Fonte: usatthebiglead
E sabem que detém o recorde mundial dos 200 metros? Flo-Jo, claro! Os 21.34 (também em 88!) são ainda mais impressionantes e parecem imbatíveis pela diferença para as outras grandes marcas da história. A segunda atleta a correr mais rápido foi Marion Jones e longe, com 21.62. Retirando estas duas atletas, a melhor marca pertence à holandesa Dafne Schippers com aquela impressionante prova nos Mundiais de Pequim de há dois anos (em 21.63). Se olharmos apenas para os tempos que separam atletas de elite, como Merlene Ottey (21.64), Allyson Felix (21.69) ou Gwen Torrence (21.72), do tempo de Flo-Jo, as suas marcas até parecem menores e não serão nada de especial para leigos no assunto.
Menos de 72 horas depois da vitória europeia frente ao Leipzig, facto que desagradou a Sérgio Conceição, o FC Porto recebeu e venceu o CF Belenenses por 2-0. Os dragões apresentaram três alterações face ao último encontro, com o suspenso Danilo, o lesionado Marega e o poupado Corona a darem lugar a Reyes, André André e Hernâni, respetivamente, obrigando Sérgio Conceição a alterar o sistema tático para um 4x3x3 já bem conhecido pelos adeptos portistas.
O encontro foi marcado por um grande equilíbrio com indecisão no resultado até ao fim da partida, mas a turma de Sérgio Conceição viria a vencer o “duelo de amigos” sobre Domingos Paciência com os dois golos a serem marcados ao cair do pano do primeiro e segundo tempo.
O jogo no Dragão inicia-se com o FC Porto a entrar forte como já tem vindo a ser característico da equipa de Sérgio Conceição, com os dragões a instalarem-se desde cedo no meio campo ofensivo do Belenenses.
Herrera e Hernâni foram os primeiros a criar perigo para a baliza adversária com o mexicano a cabecear ligeiramente por cima da baliza e pouco depois o extremo português a rematar fora da área para a defesa incompleta de Muriel.
A equipa do Belenenses liderada pelo “amigo” Domingos Paciência de volta a casa, aprsentou uma estratégia bem montada e a fechou-se muito bem limitando e muito as iniciativas de ataque dos dragões. O FC Porto a apresentar mais dificuldades do que o habitual para furar a defesa adversária, apesar do domínio visível dos azuis e brancos.
Em cima do minuto 25, Hernâni protagoniza um dos lances de maior perigo do primeiro tempo. O extremo ultrapassa Nuno Tomás e permite nova defesa de Muriel. Hernâni a mostrar-se em bom plano nesta primeira parte e a querer aproveitar da melhor forma a titularidade.
O FC Porto criava oportunidades constantemente mas nunca as conseguia materializar em lances de real perigo e tanto Brahimi como André André perto da meia hora de jogo desperdiçaram uma vez mais oportunidades claras de golo.
O momento alto da primeira parte viria a ter lugar ao minuto 42. Alex Telles com uma “bomba” do meio da rua obriga Muriel a defesa apertada e a ceder o pontapé de canto. O mesmo Telles, na cobrança do canto, encontra Herrera ao segundo poste e o mexicano a rematar de pé esquerdo para o fundo da baliza inaugurando o marcador no Dragão. Segundo golo consecutivo de Herrera a marcar ambos os golos na sequência de pontapés de canto.
Herrera inaugurou o marcador no Dragão Fonte: FC Porto
O Belenenses que ainda ameaçou na compensação do intervalo na sequência de um lançamento lateral, com o ex-benfiquista Yebda a rematar de forma acrobática para defesa fácil de José Sá.
O primeiro tempo a chegar ao fim e o FC Porto vencia pela margem mínima com Herrera a marcar na melhor altura em cima do intervalo. Um jogo até então complicado com o FC Porto a não conseguir concretizar da melhor forma as inúmeras oportunidades criadas.
A segunda parte iniciou-se e os primeiros quinze minutos foram marcados por um ritmo calmo com o FC Porto a tentar construir e a controlar nos momentos chaves do jogo enquanto que o Belenenses foi crescendo pouco a pouco na partida.
O jogo desenrolava-se e cada vez mais se adivinhava perigoso para os dragões com os homens de Domingos sempre à espreita do contra ataque beneficiando da falta de eficácia dos dragões.
A defesa do FC Porto mostrava algumas fragilidades e por pouco podiam ver o Belenenses a empatar o encontro pelos pés de Maurides, mas o avançado brasileiro a rematar muito mal no coração da área.
Setenta minutos de jogo sem oportunidades flagrantes de parte a parte num jogo bem disputado marcado pelo equilíbrio. O plantel do Restelo esteve durante toda a segunda parte atrevido e sempre na disputa do jogo com o FC Porto a entrar adormecido e devagar na segunda parte.
Sérgio Conceição visivelmente insatisfeito com o pobre desempenho do plantel neste segundo tempo promoveu uma dupla substituição com Sérgio Oliveira e Galeno a entrar para o lugar de Brahimi e André André. O recém-entrado Sérgio Oliveira a criar logo na primeira vez que toca na bola grande perigo para a baliza adversária. Por duas vezes seguidas, Muriel a negar o golo de Sérgio Oliveira depois de um passe fantástico de Aboubakar.
Corona e Sérgio Oliveira a entrarem muito bem no jogo e a agitaram a equipa portista nos dez minutos finais do encontro. Galeno, que também entrou na partida, tentou dar “o ar da sua graça” e ameaçou ampliar a vantagem com um remate fora da área a cinco minutos do fim mas Muriel a defender uma vez mais.
Em cima do minuto 90 as redes do Belenenses abanavam uma vez mais. Herrera a cavalgar muitos metros com a bola no pé e desta vez a assistir Aboubakar que finaliza com grande classe a “picar” a bola sobre Muriel. Estava resolvido o jogo no Dragão.
O jogo terminava pouco depois do golo do camaronês, numa partida marcada por um Belenenses obstinado e atrevido que nunca permitiu aos dragões adormecer no encontro. Dez vitórias no campeonato colocam uma vez o FC Porto como líder isolado colocando pressão sobre os rivais.
Na época passada, o Clube Desportivo das Aves carimbou a subida ao máximo escalão do futebol português. O clube pertencente ao concelho de Santo Tirso, iria cumprir assim, a sua quarta presença na Primeira Liga.
E aquando da hora da subida, a direcção do clube respirava optimismo quanto às aspirações do clube da Vila das Aves no regresso à Primeira Liga, mostrando-se convencidos que o clube e a sua estrutura tinha condições para assegurar a manutenção na 1ª divisão, conseguindo assim um feito diferente das três anteriores participações.
Comecemos pelo início: em 2015, uma empresa portuguesa chamada Galaxy, constituída por sócios brasileiros e chineses comprou 70% do capital da SAD do clube por um valor de 750 mil euros, SAD essa que viria a ser presidida pelo brasileiro Luiz Andrade. Na altura, a nova SAD do clube acabaria por liquidar algumas dívidas que salvaram o clube da exclusão dos escalões profissionais e iniciaram um projecto que pretendia levar o clube de regresso à Primeira Liga num prazo de três anos.
Cumprido esse objectivo, a SAD presidida por Luiz Andrade encarregara-se de submeter o plantel a um forte investimento, apetrechando-o com vários jogadores com grande tarimba de Primeira Liga, como os casos de Adriano Facchini, Diego Galo, Vítor Gomes, Braga e Nildo Petrolina, bem como alguns jogadores com experiência nas competições europeias, tais como Paulo Machado, Gonçalo Santos e Sami, bem como alguns jovens promissores como Ryan Gauld e Christian Arango.
Terá Ricardo Soares tido tempo para criar rotinas na sua equipa? Fonte: CD Aves
Ao todo, foram 22 as contratações do Desportivo das Aves no último defeso, sendo que muitas delas deixaram os adeptos de água na boca e que fazia do clube, um candidato a surpreender na nova edição da Liga NOS. Na equipa técnica também houve mudanças, com o obreiro da subida José Mota a ser substituído por Ricardo Soares. O técnico que se estreou nos escalões profissionais na época passada, tendo mostrado serviço do FC Vizela e no GD Chaves, foi o escolhido para liderar a equipa no regresso à Primeira Liga. No entanto, o forte investimento no plantel dar-lhe-ia pouca margem de manobra caso os resultados não fossem convincentes.
E foi o que acabou por acontecer. Estava previsto um começo difícil para o emblema avense no regresso à Primeira Liga, com receções ao Sporting CP, ao SC Braga e ao SL Benfica nas 10 primeiras jornadas. E apenas uma vitória e seis pontos conquistados ao cabo de oito jornadas ditaram a substituição de Ricardo Soares por Lito Vidigal.
Desde aquele momento em que a Movistar apostou em ti, que tento seguir sempre as tuas corridas e todas as tuas decisões em termos profissionais. Em qualquer corrida em que estás, sei que por muito que possa apoiar outros ciclistas irei sempre querer que sejas tu a ganhar – e acredita que apoio bastante, por exemplo, Chris Froome e Peter Sagan. Não é só pelo facto de seres português, mas também por seres um ciclista que tanto trabalhou para chegares onde chegaste e que merece tudo o que de positivo venha a ter.
Ainda assim, espero que saibas que esperava, igualmente, uma carreira ainda mais recheada de títulos e conquistas. Esperava ver-te em grande numa qualquer Grande Volta, com algum tipo de prémio no final ou simplesmente uma presença no top’10, já que foi algo que sempre tentaste de forma tão intensa e às vezes tão inglória. Esperava voltar a ver-te a erguer os braços e conquistar, novamente, um título de campeão do mundo. Esperava que estivesses numa equipa em que a tua posição como líder nunca fosse sequer discutida.
É verdade que algumas dessas expetativas pudessem ser altas demais, principalmente uma nova vitória como campeão do mundo. Mas a verdade é que um ciclista como tu sempre deixou no ar aquela sensação de que ainda poderia fazer muito mais do que aquilo que tem feito (e o que tens feito, até hoje, tem sido muito bom, na mesma, nunca te esqueças disso).
levantar dos braços após a primeira de três vitórias que já tem no Tour de France Fonte: memoriavirtual.net
Acho que 2011 foi “O” ano. Aquele em que, de facto, se comprovou que estava ali alguém que iria dar muitas mais alegrias aos portugueses, para além das que deu naquele ano. Ganhaste uma prova importante em Madrid, uma das clássicas do World Tour e ainda tiveste a tua primeira vitória numa etapa no Tour. No ano seguinte, começou a “saga” na Volta à Suíça com a tua primeira de três vitórias seguidas numa das provas com mais prestígio depois das Grandes Voltas.
E eis que chegou o ano incrível de 2013 em que demonstras o porquê de seres considerado um dos ciclistas com melhor visão de jogo e com um saber tático bastante preciso. Aceleraste quando foi preciso, tiveste a frieza para esperar na altura certa e depois foi nunca mais parar até levantares os braços e teres todo um país a levantar esses mesmos braços contigo. O primeiro campeão do mundo de ciclismo para Portugal e até foi mais interessante ter partilhado o pódio com 2 ciclistas da parte de “nuestros hermanos”…
Quebraste recordes, foste onde só um ciclista como o inolvidável Joaquim Agostinho conseguiu ir e soubeste lidar com algumas contrariedades – por muito que todos quiséssemos esse top’10, a verdade é que os problemas físicos acabaram por te impedir nalguns anos de conseguires esses mesmo objetivo.
De qualquer das formas, este também era um ponto ao qual queria chegar. Será que valeu a pena lutar tantos anos por algo que nunca chegou a acontecer? Tivesses tu mudado de objetivos ou planos durante a época não terias tido mais sucesso?
Com objetivos diferentes, poderíamos pensar se não teria tido ainda mais conquistas destas Fonte: cyclingmundial.blogspot.pt
A verdade é que sempre te vi como um exímio corredor para provas de 1 dia e provas de 1 semana ou pouco mais. As tuas caraterísticas, tal como até comprovam os resultados que tens tido neste tipo de provas até hoje, são as ideias para este tipo de corridas e acredito plenamente que podias ter feito ainda mais história se tivesses tido uma maior concentração para este tipo de situações.
Acho que 2017 mostrou da melhor forma isto que tento explicar. Começaste o ano de forma incrível, a ganhar provas importantes para o início de época, e depois…bem, depois vieram as Grandes Voltas e já se sabe como foi. Sim, para mim e para muitos, foste dos ciclistas mais combativos quer na Volta a Itália, quer na Volta a Espanha (principalmente em Itália, onde estiveste perto de conquistar uma etapa por várias ocasiões), mas infelizmente a tão desejada vitória não chegou e o top’10 foi novamente uma miragem.