Início Site Página 12039

SL Benfica é Tetra – O despertar do belo e bondoso gigante

sl benfica cabeçalho 1Vou contar-vos uma história, já muito antiga, que até parece brincadeira ou lenda, mas que desde bem cedo descobri ser mesmo coisa da vida real. Em criança, insistiam comigo ter vivido no meu país um gigante muito belo e bondoso que cobria com a sua sombra todo o território e ainda mais algum. Era respeitado e temido; e jamais alguém o conseguira vencer. Apontavam-me um local, e diziam-me: – Foi por ali que ele passou. Mas olhando atentamente, eu já nada conseguia ver.

Explicaram-me que cuidar de um gigante era muito difícil: era preciso vesti-lo, alimentá-lo e acarinhá-lo; o que todos faziam sem queixume, pois, na verdade, o gigante era – desde há muito – o orgulho do país e do povo, que o adorava, pela sua beleza e bondade, e saía sempre à rua em multidão e em festa para cantar e dançar os seus grandes feitos. Porém, basta um punhado de homens maus para tudo cair por terra; e o gigante foi maltratado. Por fim, já muito triste e cansado, derrotado no físico e na moral, decidiu partir para outro lugar.

Ouvindo esta história, e enquanto crescia, alimentei o sonho de, um dia, poder ver com os meus próprios olhos o belo e bondoso gigante. Passei a assomar à janela todas as manhãs, onde fitava o horizonte e gritava por ele, na esperança de o fazer regressar. Mas o tempo foi passando e, por vezes, a própria crença enfraquecia. Percebi então, anos mais tarde, que afinal eu era somente mais um, por entre os muitos milhões espalhados pelo mundo, que todos os dias, pontualmente pela manhã, gritavam duma janela pelo regresso do belo e bondoso gigante. O povo pediu e com base num amor comum, irreprimível e inabalável, construiu um novo caminho para o futuro, feito de raça, querer e ambição.

Certo dia, igual a qualquer outro dia, algo de diferente ouviu-se da minha janela. O gigante regressava a casa, aproximando-se pé ante pé, fazendo toda a terra tremer à sua volta. Pelo caminho, o povo vestiu-o, alimentou-o e acarinhou-o, da forma como qualquer gigante necessita. O gigante voltou a ser respeitado e temido, voltou a ser o orgulho do país, mais pequeno do que ele próprio, transbordante de alegria. Hoje, o seu povo, espalhado pelos quatro cantos do mundo, festeja o seu regresso e a sua glória. O belo e bondoso gigante chama-se Sport Lisboa e Benfica e não tem rival; ou rivais. E a sua sombra vermelha e branca cobre todo o território e mais algum.

Na guerra entre o amor e o ódio ganha o Benfica Fonte: SL Benfica
Na guerra entre o amor e o ódio ganha o Benfica
Fonte: SL Benfica

Sobre o tetracampeoanto

Perdoe-me, caro leitor, este devaneio criativo, mas o dedinhos a bater no teclado são hoje comandados pelo coração; pois a mente, essa, não suporta tanta emoção. O Benfica sagrou-se tetracampeão, confirmando – se é que ainda era necessário – deter, de forma total e completa, a hegemonia no futebol português. O caminho até aqui foi tortuoso, com muitos obstáculos, alguns até internos – quem poderia crer nesta conquista após a onda de lesões que afectou este plantel –, no entanto, o trabalho efectuado, do topo à base, revelou-se competente, pode mesmo até dizer-se suficiente. Termo curioso, mas significativo quanto à realidade, ao referirmo-nos a uma jornada tão inolvidável.

Nem tudo foi perfeito, é verdade, porém, o decorrer da época veio confirmar (e destacar) a maior capacidade do Benfica, tanto a nível individual, como colectivo, em relação aos seus adversários. O futebol praticado pode nem ter sido o melhor, mas, nesta prova, mais nenhuma outra equipa poderia (ou justificaria) ter terminado no 1.º lugar – o Benfica conquista o seu 36.º título de campeão nacional, somando, para já, o dobro dos títulos conseguidos pelo seu principal rival, um dado significativo sobre a verdadeira dimensão desportiva e social do Benfica no nosso país.

Chegará o momento para avaliar aquilo que correu bem ou mal; para destacar os melhores e também os piores. Mas hoje, o dia está reservado para festejar, em união, pois no Benfica é sempre assim: os obreiros da nossa gloriosa história vêm de uma imensa família – onde se incluem dirigentes, treinadores, jogadores e adeptos –, constituída por milhões. O povo voltará a sair às ruas, enchendo o Marquês de Pombal, mas muitas outras praças e avenidas nos quatro cantos do mundo – é hora de festejar a vida e a obra do maior clube português; um dos maiores do mundo.

Foto de Capa: SL Benfica

Quem ganha uma, ganha duas, Sr. Engenheiro?

Cabeçalho Futebol Nacional«Os jogadores vão viajar para a Rússia com um objetivo em mente, que é ganhar a Taça das Confederações», quem o garante é Fernando Santos em entrevista à FIFA sobre aquela que será a primeira participação de Portugal nesta competição. Mas será só chegar, ver e vencer?

O primeiro jogo será dia 18 de Junho frente ao México, vencedores da Gold Cup em 2015 e conjunto contra o qual nunca perdemos, em três partidas vencemos duas e empatámos uma, num amigável em 1969. Segue-se a anfitriã Rússia dia 21 contra quem, em seis partidas, conquistámos três vitórias, um empate e duas derrotas. Finalmente, dia 24 enfrentamos pela primeira vez na nossa história a seleção da Nova Zelândia, vencedora da Taça Oceania em 2016.

No outro grupo encontram-se os maiores obstáculos ao objetivo do nosso engenheiro, falo da Alemanha e do Chile. Os vencedores do Campeonato do Mundo em 2014 e da Copa América em 2015 são, juntamente com Portugal, as seleções favoritas à conquista da Taça das Confederações. Este grupo conta ainda com o surpreendente vencedor da última CAN, os Camarões e com a Austrália, que chega à Rússia graças à conquista da Taça Asiática em 2015.

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Outro fator que pode ser importante para as contas finais é o Europeu de sub-21, que se realizará ao mesmo tempo que a Taça das Confederações. Isto levanta várias dúvidas em relação à convocatória, uma vez que a vitória é um objetivo em ambas as competições e Fernando Santos tem utilizado vários jogadores que serão elegíveis para ajudar Rui Jorge – André Silva, João Cancelo, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes ou Gelson Martins são alguns dos exemplos.

Depois de conhecidos os adversários e analisados os fatores a ter em conta não me parece nenhum disparate por parte do engenheiro ter como objetivo a vitória da competição que contará com Artur Soares Dias como vídeo-árbitro. Chile e Alemanha são adversários à altura, mas Portugal já demonstrou que é capaz de tudo. O Brasil venceu as últimas três edições, mas não estará presente na Rússia, sendo que a única seleção que pode repetir a vitória é o México que venceu em 1999. Depois do Europeu, quem ganha uma, ganhas duas, Sr. Engenheiro?

Foto de capa: Facebook de Seleções de Portugal

CD Feirense 2-1 Sporting CP: A falta de eficácia paga-se caro

sporting cp cabeçalho 2

Depois da derrota frente aos azuis do Restelo, que levantou ondas nas hostes leoninas acerca do futuro do treinador, o Sporting deslocou-se a Santa Maria da Feira para jogar com o Feirense, uma das “equipas sensação” da liga portuguesa sob a batuta do atual treinador Nuno Manta Santos. Apesar de ambas as equipas já terem a sua situação resolvida – o Sporting não tem aspirações a um lugar mais acima na tabela e o Feirense já garantiu a permanência na primeira liga – na entrada para o jogo, não foi por isso que as equipas se “encolheram” e não lutaram pelo resultado.

Na equipa do Sporting, Rúben Semedo voltou à titularidade em detrimento de Paulo Oliveira e Jefferson substituiu Zeegelaar, enquanto Gelson Martins e Daniel Podence regressaram depois de cumprido o jogo de castigo por acumulação de amarelos. Numa convocatória marcada pela “estreia” do prodígio Gelson Dala que iniciou o jogo no banco, todo o restante onze titular se manteve, sendo que Podence foi o segundo avançado de serviço, enquanto Gelson e Bruno César ficaram encarregues das alas.

O jogo começou por ser muito amorfo devido sobretudo ao facto das equipas estarem a batalhar a meio-campo com o Feirense a pressionar alto o Sporting na tentativa de deter a sua posse de bola, algo que obrigou muitas vezes Rui Patrício a “despachar” a bola para Bas Dost. Sem perigo evidente, o Sporting tentava chegar à baliza contrária com Podence a cruzar para a cabeça de Bas Dost para defesa fácil de Vaná. A resposta do Feirense surgiu logo depois com Etebo a rematar dentro da pequena área mas a encontrar Rui Patrício pelo caminho. Com a chegada aos vinte minutos de jogo, chegou também o golo do Sporting. Após lançamento lateral do brasileiro Jefferson, Coates desviou ao primeiro poste, Bas Dost ao segundo e a bola sobrou para o “menino” Gelson que não se fez rogado e rematou entre o poste e o guarda-redes. Pouco depois, Schelotto colocou à prova o guarda-redes do Feirense mas Vaná deu conta do recado. Tal como aconteceu durante grande parte do jogo, o Feirense respondia de seguida ao perigo criado pelo Sporting. Também de bola parada, Tiago Silva bateu um livre que só parou no fundo das redes do internacional português. Estava feita a igualdade e, depois disso, Rui Patrício ainda teve que se aplicar a remate de Etebo mas o jogo chegaria empatado ao intervalo.

Na segunda parte, a história não se alterou muito, com Sporting e Feirense a quererem chegar às respetivas balizas adversárias. Apesar do Sporting continuar a controlar razoavelmente o jogo, foi o Feirense quem foi aproveitando melhor as suas oportunidades, tanto que Rui Patrício foi obrigado a aplicar-se outra vez pouco depois do ínicio do segundo tempo. Bryan Ruiz foi lançado em jogo para o lugar de Podence perto da hora de jogo mas não foi pelos pés do costa-riquenho que se viu alguma inspiração. Pouco depois, Ruben Semedo faz falta sobre o irrequieto Etebo dentro da área e, sem hesitar, o árbitro assinala penálti. Cara a cara com Rui Patrício, Tiago Silva não falhou e bisou no encontro. Já em desvantagem, o Sporting dispôs da melhor oportunidade da partida para voltar a colocar o marcador empatado mas a trave e o poste negaram o segundo golo a Gelson Martins e na recarga Adrien Silva não conseguiu furar a muralha chamada Vaná. Na esperança de dar alguma velocidade e criatividade ao ataque, Jorge Jesus colocou Matheus Pereira em campo. No entanto, nem o jovem brasileiro conseguiu acrescentar algo mais que pudesse fazer com que a equipa conseguisse virar o resultado a seu favor. Perto dos noventa minutos, ainda houve tempo para Coates rematar de cabeça à baliza do Feirense, mas, mais uma vez, Vaná foi enorme e segurou a vantagem para os homens de Santa Maria da Feira.

Depois de uma série de onze vitórias que havia acabado no jogo passado, o Sporting volta a somar a segunda derrota consecutiva. Os verde e brancos dispuseram das oportunidades para empatar (e até ganhar) o jogo mas é imperativo que se perceba que é preciso mais do que competência para defrontar equipas como o Feirense que se transcendem em espírito colectivo e tático. Mais uma vez, o Sporting pode culpar-se a si próprio por esta derrota depois de voltar a estar refém da falta de eficácia que, tantas vezes, deu dores de cabeça durante a época corrente. Assim, o Feirense ganha pela primeira vez a um dos três «grandes», algo que nunca tinha feito na sua história.

Sporting CP 28-27 FC Porto: Porto perde mas é quase campeão

0

Cabeçalho modalidadesSporting CP e FC Porto, um deles seria campeão, era o anunciado ainda antes da época começar, mas na temporada passada tal aconteceu também e os finalistas foram… ABC e Benfica.

Este ano o campeonato voltou a não ter playoff mas o jogo de hoje foi uma autêntica final para o Sporting, uma vitória do Porto dava o título, uma vitória do Sporting podia por os leões à frente da classificação a duas jornadas do fim.

O jogo começou muito tático, com o Porto a ser o primeiro a marcar, mas o Sporting a ter maior primazia no jogo.  A jogar com oito devido ao muito apoio o Sporting esteve sempre na frente depois de fazer o 3-2 e chegou aos quatro golos de vantagem, mas a dois minutos do intervalo o jogo estava empatado a 14.

A defesa do Porto nesta primeira parte foi muito mais agressiva que a do Sporting, no bom e no mau sentido da palavra, enquanto do lado leonino foi Cudic a fazer a diferença a nível defensivo, como prova a defesa no livre de 7 metros que manteve a liderança do Sporting no descanso. Ao intervalo a diferença de um golo a favor do Sporting (15-14) demonstra o equilíbrio que foi o jogo nesta primeira parte, apesar de uma vantagem de mais um golo não ser totalmente descabida.

Ao intervalo o líder dos Super Dragões, Fernando Madureira, entregou uma coroa de flores em homenagem a Marco Ficini, assassinado, através de atropelamento por um membro dos No Name Boys.

Num jogo muito equilibrado, o FC Porto conseguiu manter a liderança do campeonato Fonte: Sporting Clube de Portugal - Andebol
Num jogo muito equilibrado, o FC Porto conseguiu manter a liderança do campeonato
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Andebol

O Sporting entrou da melhor forma na segunda parte e aumentou a sua vantagem para os três golos necessários para passar para a liderança do campeonato e com vantagem no confronto direto. Com 13 minutos da segunda parte, o Sporting liderava o jogo por seis golos, uma grande vantagem, mas já muitas vezes desperdiçada contra este adversário nos outros jogos do campeonato.

Hugo Laurentino entrou a meio da segunda parte na tentativa de parar o ataque verde e branco, mas não conseguiu evitar mais dois golos em dois minutos e o treinador do Porto, Ricardo Costa, foi forçado a pedir um tempo técnico a faltar pouco mais de 12 minutos para o fim do jogo e quando o resultado estava em 23-16 para o Sporting.

Depois do tempo técnico, o Porto entrou com tudo e reduziu para 23-19 em menos de três minutos, sendo a vez de Hugo Canela ser obrigado a pedir um minuto. Os pesadelos das recuperações portistas estão bem vivas na cabeça dos sportinguistas e notou-se a maior apreensão entre os adeptos, em oposição à maior festa dos adeptos nortenhos. A defesa portista subiu e causou muitas dificuldades ao Sporting, e a cinco minutos do fim a vantagem era apenas de três golos, a vantagem mínima que dava a liderança ao Sporting.

A praticamente dois minutos do fim, Rui Silva reduz para dois a vantagem do Sporting, mas no lance seguinte Carlos Ruesga devolve os três golos de vantagem. Num jogo do gato e do rato os dois clubes marcam no seu ataque seguinte e a 4 segundos do fim o Sporting vence por três, mas a 2 segundos a diferença volta aos dois golos. O Sporting acaba o jogo a atacar com sete, na ânsia de atingir o golo que precisava, mas um mau passe mete a bola fora e a faltar cinco segundos o Porto tinha a bola. Rui Silva num potente remate marca e apesar da derrota fica a um passo mais próximo do título. Muitas críticas por parte do Sporting que considera que o golo foi depois do tempo. Cudic terminou o jogo a chorar, o guarda redes do Sporting foi quem menos mereceu este resultado, e pareceu muito mal batido no lance do último golo. É caso para dizer, contratem um psicólogo para o Sporting, perder sucessivamente vantagens de sete golos tem de ser problema psicológico e não de jogo.

As Vitórias e Derrotas de NES

0

fc porto cabeçalho

Vitórias:

• Recuperação da mística
Quando vi que NES seria o novo treinador do FCP, o primeiro aspeto que achei que iria melhorar era a mística. Os resultados são claramente positivos. Desde a postura de responsabilidade que os jogadores passam em campo à maneira como falam nas entrevistas rápidas, fica muito claro que este plantel sabe o que é o FC Porto, respeita a grandeza do clube e conhece os valores do mesmo.
• Respeito do Balneário
Nuno Espírito Santo controla o seu balneário e tem o respeito dos jogadores, pelo menos da esmagadora maioria deles. Ficou visível no caso Brahimi, é visível na maneira como os jogadores falam dele e é visível na maneira como Depoitre fala. Quero dizer com isto que a abordagem de NES para com os jogadores é de respeito mutuo e dialogo. Isso é muito bom. Mesmo os jogadores que podia falar mal dele abertamente não o fazem (Herrera, Layún, Depoitre e João Carlos Teixeira).
• Dragão como fortaleza
Foi um dos seus bastiões durante toda a época e a verdade é que conseguiu transformar o Dragão num terreno muito difícil para os adversários. No campeonato o FCP não sofreu uma única derrota na sua fortaleza e empatou 3 vezes apenas. Mais impressionante é o facto de só ter sofrido 8 golos e marcado 40.
• Solidez defensiva
No que à liga NOS diz respeito, o FCP sofreu 15 golos apenas. Em todas as competições o FCP sofreu 27 golos em 47 jogos, uma média de cerca de 0,5 golos sofridos por jogo.

nes
Nuno Espírito Santo desde início que seguiu os valores portistas.
Fonte: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo

• Luta até ao fim
Apesar dos resultados dececionantes neste fim de época, a verdade é que o FCP se manteve na luta até ao fim e NES conseguiu ainda recuperar a equipa daquela série infernal de empates a meio da época. Mesmo que o FCP perca o campeonato para o SLB, a verdade é que NES vendeu a derrota caro e, se compararmos os 2 planteis, o SLB tem um plantel com muito mais qualidade e profundidade.
• Bom percurso na Liga dos Campeões
O FCP fez um bom percurso na liga dos campeões e a verdade é que NES tem muita responsabilidade nisso. Exemplos disso foram a fase de qualificação em que conseguiu preparar a equipa para bater um rival temível como a AS Roma numa fase tão precoce e a forma como o FCP fez soar a Juventus nos oitavos de final da competição.
• A afirmação de Casillas
NES foi o treinador da afirmação do espanhol e, apesar de Iker provavelmente ter mais a ver com isto que ninguém, ficarão sempre marcadas na memória dos portistas as brilhantes defesas do espanhol na época 16/17.

Foto de Capa: FC Porto

A Hegemonia Encarnada

0

sl benfica cabeçalho 1

Prestes a sagrar-se campeão nacional de futebol, na Liga NOS 2016/2017, o Benfica pode assinalar um marco na história do clube: vencer o primeiro tetra campeonato. A equipa de Rui Vitória vai entrar em campo para defrontar o Vitória de Guimarães no próximo sábado, e conta com o fator ‘casa’ para ajudar a fazer a festa após o apito final.

Rui Vitória poderá, aliás, passar a integrar o grupo restrito de treinadores do Benfica que foram campeões nacionais nas duas primeiras épocas ao serviço das ‘águias’. Até hoje, apenas Sven-Göran Eriksson, Jimmy Hagan, Guttmann e Lippo Herczka alcançaram esse feito. Para além disso, uma soma inédita de troféus de um treinador da equipa principal do Benfica pode ser conquistada por Rui Vitória ainda este ano. Desde que chegou ao clube da Luz, na temporada passada, o técnico já venceu um campeonato, uma Taça da Liga e uma Supertaça. Caso se torne bicampeão pelo Benfica, o mister será o treinador dos ‘encarnados’ com mais títulos conquistados nas duas primeiras épocas (podendo também juntar à lista mais uma Taça de Portugal, que vai ser disputada com o Vitória de Guimarães, na final do dia 28 de maio, no Estádio do Jamor).

Toda uma série de números que apontam a recordes Benfiquistas, que têm destronado a hegemonia do FC Porto nas últimas épocas. No ano passado, o Benfica venceu o tricampeonato, conquista que não se fazia na Luz desde os anos de 1970. Agora, pode vencer algo que nunca venceu, 4 campeonatos consecutivos. O Sport Lisboa e Benfica tem evidentemente sido dominador no futebol português, tanto que arrecadou para o Museu Cosme Damião 9 troféus nacionais, dos últimos 12 discutidos.

O SL Benfica domina o futebol português Fonte: SL Benfica
O SL Benfica domina o futebol português
Fonte: SL Benfica

O Benfica foi capaz de, com todo o mérito, pôr fim ao ciclo hegemónico do FC Porto, que se arrastava desde os anos 90. Assistimos a uma inversão do domínio em Portugal, que já deixou de ser ‘azul e branco’ e se vai tornando progressivamente ‘vermelho’, depois dos gloriosos anos 60 e 70 do ‘clube da Luz’.

Num tempo em que o futebol vive cada vez mais de negócios, de empreendimento, de investimento e de projetos, a indústria futebolística sofre, também ela, inevitavelmente, um ponto de viragem e move milhões de euros. Também nesse aspeto o Benfica se tem mobilizado de forma proveitosa (veja-se o patrocínio milionário da Fly Emirates, o contrato com a NOS ou a aposta na BTV).

No que às competições propriamente ditas diz respeito, o Benfica voltou a ter reconhecimento internacional. Faz parte do TOP 10 Europeu do ranking da UEFA, com duas finais da Liga Europa disputadas (em 2013 e em 2014) e boas prestações na Champions League (chegou aos oitavos-de-final por duas vezes consecutivas, nas épocas de 2015/2016 e de 2016/2017). Dentro de algumas horas, pode tornar-se tetra campeão pela primeira vez.

O Benfica mudou, e com ele renasceu a mentalidade ‘à Benfica’. Os números falam por si e os objetivos futuros são de ainda mais êxitos e triunfos progressivos.

Foto de Capa: SL Benfica

Carta aberta aos adeptos do FC Porto

cartaaberta

 

Caros aficionados do FC Porto,

Escrevo-vos esta carta de igual para igual, isto é, na condição de adepto incondicional do único clube que me desperta emoções extremas e incontroláveis: o FC Porto. E é precisamente colocando-me no papel de adepto que consigo perceber, tão bem quanto possível, a frustração que sentem por mais uma temporada futebolística que, aproximando-se do seu final, provavelmente não trará até à Cidade Invicta, pelo quarto ano consecutivo, qualquer troféu.

Não estamos habituados a isto. Não estamos, nem queremos habituar-nos a isto. A nossa matriz é outra; é a do calcanhar do Madjer contra o FC Bayern München, da arrancada imparável do Rui Barros contra o AFC Ajax, do golaço na neve do Madjer contra o CA Peñarol, da imparável insistência do Derlei contra o Celtic FC, da classe do Deco contra o AS Monaco FC, do olhar mortífero do Pedro Emanuel antes de marcar o penálti decisivo contra o CD Once Caldas, do voo do Falcão contra o SC Braga. Essa é a nossa essência, a essência do “ser Porto”.

Fonte : Facebook oficial de Falcão
Fonte : Facebook oficial de Falcão

Como se esta história de glória não bastasse, somos adeptos especiais. Não nos limitamos a dizer, de forma acrítica, “o FC Porto é o maior” ou “somos o clube com mais títulos conquistados em Portugal” como outros fizeram num passado em que nada ganhavam. Nós apontamos o dedo, tentamos perceber o que está mal e advogamos pela mudança. Mesmo nos momentos em que nos revoltamos com as arbitragens nunca deixamos de criticar os jogadores, o treinador, ou até mesmo o Presidente se entendermos que tal é necessário, porque aquilo que queremos é voltar a ganhar com a certeza de que no FC Porto não existem “vacas sagradas”. Se é preciso mudar, então mude-se tudo o que for preciso; a única coisa que não admitimos é passar mais quatro anos sem que possamos sair à Avenida dos Aliados para festejar a conquista de títulos.

Carta aberta aos tricampeões

sl benfica cabeçalho 1

Olá tricampeões,

Amanhã poderão perder esse título. Que nostalgia. Ainda ontem saía do Marquês de coração cheio e voz rouca de gritar com o Renato Sanches “Benfica é tricampeão”. Agora estou a ansiar pelo próximo dia. Falta apenas um dia para podermos deixar cair esse título de tricampeão. O nervoso miudinho já se apoderou de mim há muito. Aposto que de vocês também, que sentem a águia no peito como eu.

Foi uma grande caminhada até aqui, não concordam? Lembram-se quando se pensava que os verdes eram os grandes adversários? Afinal mostraram-se ser os azuis. Ou melhor, mostraram-se ser todos, como sempre o são. Uniram-se contra nós, os vermelhos gloriosos que todos querem abater. Isto é que é ser grande.

Mas sabem o que é ser maior ainda? É fazer o que fizemos. Contra todos eles, saímos na frente. Ao contrário do ano passado, que tivemos um início de época atribulado e todos duvidaram do nosso mister Rui, este ano fomos mais fortes. Começámos bem, com uma pedra no caminho, mas não caímos. Erguemo-nos ao tamanho do Benfica e desde a quinta jornada (sim, quinta jornada!) que não saímos do nosso posto. A águia voou e repousou no galho mais alto da árvore da Liga NOS, e desde a quinta jornada que lá estamos. Incrível, tricampeões!

Apesar de sempre lá em cima, foi um campeonato e tanto. Como eu gritei, festejei e agarrei o coração nas mãos com aquele golo aos 92 no Dragão; Como senti o coração apertado no desastre na Madeira; A tranquilidade, logo após, com a vitória frente aos verdes; A recuperação heroica depois do descalabro frente ao Boavista; O quão fiquei zangado e desesperado quando perdemos em Setúbal e vi sete pontos transformados em um para o segundo lugar a chamar fantasmas do passado; Os três agoniantes empates consecutivos, mas que nem sequer ameaçaram o nosso lugar predestinado porque só nós temos estofo para isto; O regresso de Jonas; O golo do Jiménez (outra vez) em Vila do Conde. Parece uma caminhada histórica como no ano passado. O golo do mexicano a reforçar que este ano também é nosso.

Tudo foi entusiasmante, não acham?

Os tricampeões foram recebidos em casa para depois seguirem para a festa no Marquês, vestido de encarnado Fonte: SL Benfica
Os tricampeões foram recebidos em casa para depois seguirem para a festa no Marquês, vestido de encarnado
Fonte: SL Benfica

Após 32 jornadas, temos, finalmente, todo o plantel disponível. Um pequeno presságio para que todos possam contribuir para deixar este título de tricampeão para trás.

Sabiam que o Papa Francisco vai estar em Portugal a celebrar o centenário das aparições de Fátima? Quando os três pastorinhos, cem anos antes, se ajoelharam perante Nossa Senhora de Fátima que lhes apareceu. O Papa vem abençoá-los; Sabiam que o Benfica nunca conseguiu ser tetra campeão nos 113 anos de história do clube? Trinta e cinco títulos de campeão nacional, recorde em Portugal, e nenhum tetra. Como apenas um de milhões e milhões de benfiquistas, peço-vos que nos façam ajoelhar perante vós, nos deixem cair o título de tricampeão. Erguer-nos-emos como tetracampeões de Portugal e todo o país gritará o nosso nome. Benfica!

O que sinto pelo nosso Benfica é inexplicável. Um amor além daquilo que as pessoas sentem umas pelas outras. Um ser impalpável que eu amo até ao fim do meu ser. E se algum dia me ouvirem dizer que não o amo, é porque deixei de ser eu. Amo o Benfica, quero vê-lo erguer ao mais alto posto do futebol Mundial, cada passo de cada vez. E o primeiro passo é ganhar amanhã, ganhar o campeonato e fazerem escorrer as lágrimas de orgulho dos olhos de todos os que o sentem como eu, como vocês. Declaro-me a ti perante o mundo. Encham-nos de orgulho ao erguer o troféu pela trigésima sexta vez na nossa história. Ergam a vigésima sexta Taça de Portugal. E esperem que para o ano te peça mais, porque quem te ama como eu, quer-te ver a ganhar. Sempre!

Benfica, enche o coração de quem não tem mais nada e de quem não pode pedir mais. Todos temos um espaço para ti no coração, o maior de todos. Vence por nós porque só nós sentimos assim!

Que sejas tetracampeão.

Amo-te Benfica.

Foto de Capa: SL Benfica

Ajax 2016/17: Cruyff estará orgulhoso

Cabeçalho Futebol Internacional

Um passado glorioso pode pesar toneladas de pressão. Porque, muitas vezes, depois dele, é exigido (por nós ou por quem está de fora) o mesmo ou melhor. O resto é fracasso. É assim na vida, como no futebol, e há jogadores e clubes, uns mais que outros, que o sentem.

O Ajax é uma delas. Depois de se ter sagrado tri-campeão europeu (com Rinus Michels no banco e  Johan Cruyff no campo) nos anos 70 e campeão europeu em 1995 (com Van Gaal no banco e jogadores como Van der Sar, Reiziger, Danny Blind, Rijkaard, os irmãos de Boer, Seedorf, Davids ou Overmars no campo), nunca mais atingiu uma final europeia.

irmãos de Boer e Kanu carregam a última Champions conquistada pelo Ajax Fonte: The Sun
irmãos de Boer e Kanu carregam a última Champions conquistada pelo Ajax
Fonte: The Sun

O percurso europeu dos holandeses contemplou uma meia-final da Champions no último ano em que defendeu o título, mas o facto de lá chegar não foi suficiente dada a eliminação às mãos da Juventus. Depois disso, o vazio. Os judeus nunca mais marcaram presenças em decisões europeias. Jejuaram durante 20 anos (mesmo depois de uma fornada que contemplava craques como Van der Vaart, Sneijder ou Zlatan Ibrahimovic) … até chegar esta época.

Ontem confirmou a qualificação para uma final europeia há muito reclamada, ao bater o Lyon na meia-final, depois de já ter vencido o Hamburgo de forma épica nos quartos-de-final – com menos 1 jogador, no prolongamento, foi capaz de reduzir um 3-0 para 3-2 que lhe deu o apuramento. Cruyff terá sorrido.

Jogadores que Admiro #74 – Paulo Oliveira

jogadoresqueadmiro

Se perguntarem a um comum adepto de futebol – ou até mesmo a um sportinguista – quais os jogadores que mais se destacam do atual plantel do Sporting, muito provavelmente o nome de Paulo Oliveira não aparecerá na lista. Ainda assim, o defesa central do Sporting sempre foi um jogador que apreciei, quer pelas qualidades futebolísticas quer pelas qualidades humanas, sendo um dos meus jogadores preferidos.

Paulo Oliveira nasceu a 8 de Janeiro de 1992, em Vila Nova de Famalicão. Foi, de resto, na sua cidade natal que começou a dar os primeiros pontapés na bola, no clube da terra, o Futebol Clube Famalicão. Desde cedo que Paulo se destacava pela sua frieza e concentração em campo, sendo um jogador e um rapaz com uma maturidade acima da média, o que levou os responsáveis do Vitória SC a levá-lo para Guimarães.

Chegou à cidade de berço como Iniciado, na temporada 2005/2006, e desde cedo que mostrou as suas ambições: muito trabalhador e com vontade de melhorar, agarrou a braçadeira de capitão ainda em tenra idade, nunca mais a largando ao longo dos seis anos de camadas jovens que fez vez no Vitória.

Quando concluiu todos os escalões de formação era altura de dar o salto para o futebol sénior. Nessa sempre complicada transição, principalmente na dificuldade em arranjar espaço na equipa principal, surgiu o FC Penafiel. A equipa nortenha, na altura comandada pelo técnico Francisco Chaló, apostou em Paulo e os resultados foram positivos o suficiente para convencer o Vitória a fazer regressar o defesa central.

Fonte: Facebook Oficial de Paulo Oliveira
Fonte: Facebook Oficial de Paulo Oliveira

Nesta altura perspetivava-se um bonito futuro para Paulo Oliveira. Estava na equipa sénior do seu clube, era frequentemente titular – foi, aliás, titular na final da Taça de Portugal, que venceu frente ao Benfica – era um dos capitães das Seleções Nacionais jovens e começavam a aparecer as comparações com grandes nomes do futebol na sua posição.

Permaneceu mais um ano no Vitória, até que o Sporting teve a inteligência de se mover mais rápido do que a concorrência e, sem nada o fazer esperar, o jovem central chegava a Alvalade. Teve sucesso, novamente, na sua época de estreia: mais uma Taça de Portugal para Paulo, que até fez a assistência para o inesquecível golo do empate dos leões aos 93 minutos. Após um início de época mais a medo, em virtude da adaptação à nova realidade, Paulo Oliveira mostrava do que era feito, com a titularidade garantida, 40 presenças com a camisola leonina e grandes exibições nessa temporada, que até abriram olho aos estrangeiros: em Inglaterra, após boa exibição frente ao Chelsea na Liga dos Campeões, elogiavam o menino franzino, que pela sua frieza e simplicidade fazia lembrar Ricardo Carvalho.