Este é o primeiro jogo do resto das nossas vidas, é quase assim que Sérgio Godinho canta e neste caso aplica-se bem à seleção portuguesa de futebol feminino. O primeiro de dois jogos da seleção portuguesa no playoff de qualificação para o Euro 2017 a jogar-se na Holanda.
O jogo começou muito partido, a apostar mais na velocidade que na construção de jogo. Aos oito minutos de jogo Dolores Silva sofre falta dentro da área depois de ter recuperado a bola defendida por Andrea Paraluta a remate de Ana Leite. Cláudia Neto mandou ao poste o remate da marca dos 11 metros, um mau pronuncio inicial.
Apesar do percalço as portuguesas começaram a controlar mais o jogo e aos 17 minutos mais uma oportunidade de golo. Novamente Cláudia Neto na jogada ao cruzar para a zona da grande penalidade mas Carolina Mendes cabeceou ao lado.
Empolgadas pelo público, as portuguesas continuaram a tentar chegar ao golo, desta vez por Amanda da Costa, mas o remate da número 19 ainda fora da área foi de fácil defesa para Andrea Paraluta. Pouco depois foi Dolores Silva a rematar por cima.
Aos 34 minutos Florentina Spanu, capitã romena, entrou pela área portuguesa e cruzou de forma perigosa, mas a bola já tinha passado a linha final, naquele que foi o único lance perigoso da seleção romena.
Aos 44 minutos Suzane Pires bate um livre à esquerda da área que resultou em muita confusão na área com muitas jogadoras portuguesas a não conseguirem rematar nas melhores condições.
Foi uma primeira parte com claro ascendente das jogadoras portuguesas, mas perdulários na finalização e no último passe.
A segunda parte começou com a mesma toada da primeira parte, Portugal com mais bola e instalado no meio campo defendido pela Roménia, mas a falhar nos momentos decisivos do jogo, último passe e finalização.
A partir dos 60 minutos o jogo desceu de ritmo. Portugal continuava com a bola mas sem criar grande perigo. O lance mais perigoso aconteceu aos 70 minutos quando Ana Leite cruzou mas Carolina Mendes não conseguiu dar a melhor resposta ao lance.
Aos 88 minutos Diana Silva fugiu a quatro jogadoras romenas, mas chegou à baliza já sem força e rematou fraco à baliza adversária no último lance de perigo do jogo para o lado português.
As romenas já no último da compensação tiveram o lance de mais perigo por parte de Laura Rus. Patrícia Morais a estar bem, na única jogada em que foi chamada a intervir.
Resultado injusto para Portugal que merecia sair com uma vitória do Restelo. Mereciam as jogadoras e os 3415 espetadores presentes. Novo recorde no futebol feminino português.
Numa altura em que os resultados desportivos e financeiros não são brilhantes, a aposta na formação é urgente e necessária. Nos últimos largos anos o FC Porto pouco ou nada apostou na sua formação, é algo intrigante para quem conhece as equipas portistas nos escalões de formação, porque a qualidade é tanta que causa muita estranheza a ausência de aposta nos jovens talentos.
Além da qualidade existente, os resultados dos mais jovens são muito positivos, Campeões da Segunda Liga com uma época absolutamente brilhante, Bi Campeões nos Sub 19, quatro titulares na seleção Portuguesa de Sub 17 que foi campeã da Europa, e muitos outros exemplos poderia dar.
Ruben Neves e André Silva são dois exemplos do valor existente, e muitos mais existem (João Costa, Diogo Costa, Diogo Dalot, Diogo Queirós, Diogo leite, Jorge Fernandes, Rui Pires, Rui Pedro, Leandro Campos) são apenas alguns exemplos de jovens muito talentosos.
Na vertente do treino o clube também esta muito bem servido, com treinadores de qualidade como Luis Castro, Folha, Bino, Paulinho Santos, Mário Silva sendo que quase todos eles passaram pelo clube como jogadores na equipa principal, sendo esse, um fator importante para que a tao falada mística passe com mais facilidade para os mais jovens.
Uma das questões que o clube tem que melhorar são as instalações ao dispor da formação, comparativamente com os seus rivais estão uns furos abaixo, penso ser esse o grande objetivo do Presidente neste mandato, a construção de uma academia.
Rúben Neves é uma das revelações do FC Porto Fonte: FC Porto
O clube tem que assentar a sua política desportiva na formação e num scouting rigoroso, juntando isso a alguma estabilidade (não se pode ter quatro treinadores em três épocas) e estão criados os condimentos para o clube voltar aos títulos.
Uma política assente nestes pilares, num projeto a medio longo prazo vai fazer com que o clube rapidamente recupere em termos financeiros. Quanto vai render André Silva? Quanto vai render Ruben Neves? E em termos desportivos não se fica a perder, bem pelo contrário.
Incorporar dois ou três jovens da formação todas as épocas (não precisam de períodos de adaptação ao país e ao clube), enquadrados com jogadores mais experientes e com algumas contratações cirúrgicas indicadas pela scouting do clube e não por empresários é o caminho mais rápido para voltar ao sucesso.
Esperemos que as mudanças que estão acontecer na estrutura do clube sirvam para uma mudança de paradigma.
No tempo em que as famílias sportinguistas passavam dias inteiros a percorrer as modalidades do clube em Alvalade até chegar a hora do jogo da equipa principal de futebol, o Hóquei do Sporting CP era do melhor que se praticava no Mundo.
Os títulos da casa comprovam a hegemonia da época, mas a preponderância leonina na modalidade ultrapassava o favoritismo no campeonato, e atingia o cúmulo na Selecção Nacional de Hóquei, sendo a base da equipa das quinas constituída pelo quinteto que, apesar de não ser de violinos, encantou pelo Mundo fora: António Ramalhete, Júlio Rendeiro, Sobrinho, Chana e António Livramento.
Um passado de luxo cujo interregno fez as gerações mais recentes colocar o hóquei para segundo plano, não só pela disputa do Sporting em divisões secundárias, como pela falta de reavivamento da história do clube na modalidade. Depois da época de regresso ao escalão principal, a consolidação da estratégia do clube está garantida. E se no começo combateu-se pela permanência, hoje é nos lugares do topo da tabela que encontramos o desígnio do Sporting Clube de Portugal, que, em tão pouco tempo desde o referido regresso, chegou também à glória na Europa. É por isto que creio que a repetição do passado histórico do hóquei sportinguista pode estar prestes a repetir-se, muito por culpa da insistência, por parte da Presidência, em reforçar a modalidade, assim como pelo brilhante trabalho da equipa técnica.
A equipa leonina trabalha no duro para regressar ao topo do hóquei nacional Fonte: Sporting CP
Fazendo a ponte para o presente, a época começou da melhor forma com a conquista de um troféu contra os rivais e com duas vitórias nas primeiras jornadas do campeonato – a primeira delas, inclusive, vencida de forma expressiva. Sendo certa a importância de um bom começo, há, contudo, algo ainda mais claro nesta equipa do Sporting. O plantel é, sem dúvida, o mais robusto dos últimos anos, em tradução da aposta forte que já foi mencionada. A chegada do jovem espanhol Ferran Font, vindo da equipa do Vic, revela em paralelo a intenção de garantir a qualidade da equipa no futuro próximo, tratando-se de um dos jovens europeus em maior ascensão na modalidade. Em contraponto na balança, a experiência e o currículo de jogadores como Pedro Gil reforçam a teoria de um plantel equilibrado e capaz de cumprir objectivos com maior dose de ambição. Num terceiro ponto, e terminando o molde da organização do balneário, aparecem os valores conhecidos da casa, como Poka, João Pinto e Girão, que asseguram a existência daquilo que, por vezes, é o mais difícil de garantir numa equipa seja de que modalidade for.
Aliás, se repararmos nesta nova organização do hóquei sportinguista, identificamos algumas semelhanças com a do desporto rei – e nada pode acontecer por acaso. Embora haja o desafio de contrariar a experiência de outros clubes na actualidade do hóquei, acredito que voltaremos a pegar no fio desse passado interrompido, e que, mais tarde ou mais cedo, o Campeão Nacional será verde e branco.
Na NBA, como em qualquer competição desportiva, sem exceção, a imprevisibilidade está sempre presente e todos os competidores têm hipóteses de alcançar a vitória. E não raras vezes os hipotéticos mais fracos superiorizam-se face a adversários mais poderosos. É isso que nos prende como adeptos! Tudo certo. Mas não nos enganemos: na conferência Este da NBA ganha a equipa que tiver o Lebron. É assim há seis anos, e assim deverá ser mais uma vez. Além de todo o potencial e de toda a capacidade de Cleveland, não existe nos seus adversários talento e qualidade para conseguir surpreender. Deverão impor-se, ganhando a fase regular com antecedência suficiente para dar descanso às estrelas. E nos playoffs deverão conseguir chegar a mais uma final – a terceira consecutiva.
Do topo para baixo é que as previsões se complicam. Há varias equipas com um nível bastante semelhante, e outras tantas de que ainda não se conhece o verdadeiro potencial. Houve muitas mudanças neste lado da liga, o que confunde ainda mais: quem será pelo segundo e seguintes lugares? Com maior ou menor facilidade, Toronto, Pacers e Bulls deverão conseguir o seu lugar nos playoffs.
Os canadianos são fortes candidatos a repetir o segundo lugar da época transacta. Caso o poste lituano Jonas Valančiūnas consiga dar o melhor do seu potencial à equipa dificilmente serão superados nessa meta, e podem mesmo enfrentar os Cavs na final de conferência.
O Rei do Este tem um nome: Lebron James Fonte: Lebron James
Em Chicago a falta de spacing salta à vista, mas a qualidade e a experiência de Rondo, Wade e Jimmy Butler serão suficientes para garantir as vitórias suficientes para regressarem aos POs.
Já os Pacers têm as expectativas viradas para uma época sem lesões de Paul Jorge, o que é suficiente, nesta conferência, para seguir em frente.
Wizards, Celtics, Hawks, Knicks e Miami partem na linha da frente para as restantes vagas na fase decisiva, mas Bucks e Detroit terão uma palavra a dizer. Em suma, será uma conferência bastante competitiva, onde do primeiro lugar para baixo não existem surpresas escandalosas.
No que aos jogadores diz respeito, existe uma grande expectativa para ver como as estrelas que mudaram de ares se vão adaptar às novas equipas. Quanto aos outros, vou ficar à espera de boas prestações de Dennis Schroeder e Kristaps Porzingis.
O alemão deverá ser o comandante do ataque de Atlanta Fonte: Atlanta Hawks
O primeiro ganhará bastante destaque em Atlanta, e com a saída de Jeff Teague deverá mesmo ser titular, tendo a sua oportunidade como starter na NBA. A chegada à equipa de Dwight Howard potencia uma grande dupla ofensiva de pick’n rol e deverá elevar ainda mais o seu jogo. Na mesma equipa, Korver, também por tudo o que acrescenta à presença interior de Dwight, tem tudo para voltar às boas prestações.
O segundo lança-se na sua segunda época cheio de ambição, numa equipa à procura de um novo rumo, e uma cidade que deposita em si grandes esperanças futuras. Mostrar todo o trabalho desenvolvido no verão e estofo para suportar a responsabilidade em si depositada são, para já, as suas metas. Deverá conseguir a sua primeira presença no All-Star Game.
De há uns anos para cá que a conferência mais forte da NBA é a Oeste – o verdadeiro Oeste selvagem – mas esse paradigma começa a inverter-se e as equipas deste lado começam a conseguir registos cada vez mais interessantes. Para já a tendência mantém-se e o maior número de vitórias deve mesmo vir da costa do Pacífico; ainda assim os motivos de interesse são inúmeros e até poderá sair daqui o novo campeão.
Após uma semana de interregno na 1.ª Divisão de Hóquei em Patins, o campeonato nacional está de volta para se jogar a sua 3.ª Jornada, sendo que jogos interessantes não irão faltar.
Para mim, os principais jogos em destaque desta jornada são o SL Benfica-OC Barcelos e a receção da UD Oliveirense à Juventude de Viana.
SL Benfica-OC Barcelos
Novo jogo entre estas duas equipas, mas desta vez com uma situação diferente daquela em que estiveram nas duas passadas semanas. Enquanto que os dois primeiros jogos serviram para a disputa de um troféu, este jogo será para a disputa de mais três pontos e será completamente diferente dos dois jogos anteriores, mas sobretudo diferente do jogo que deu ao Benfica a sua terceira Taça Continental. Com isto quero dizer que, apesar de acreditar que o conjunto orientado por Pedro Nunes irá vencer, não acredito que o encontro seja tão desequilibrado como no passado fim de semana.
UD Oliveirense-Juventude de Viana
Encontro entre duas equipas bastantes experientes. Se, por um lado, a Oliveirense se apresenta com um plantel bastante renovado, o Viana manteve grande parte do seu plantel mudando o treinador. Depois de uma primeira jornada onde venceu o Riba d’Ave por apenas 7-4 em Oliveira de Azeméis, a sua vitória em Barcelos já demonstra melhor o que espero desta para esta temporada, ou seja, um candidato ao título tal e qual como o Benfica, Porto e Sporting. No entanto, não considero que seja uma vitória totalmente certa para a União, pois a Juventude terá uma palavra a dizer e a exibição feita na passada jornada contra o Porto reforça ainda mais esta minha ideia.
Os restantes jogos desta 3ª Jornada são:
AD Valongo-HC Riba D’Ave
Espero um bom jogo, mas com um claro pendor para a equipa da casa que apesar da sua juventude, acaba por ter jogadores com maior rodagem neste campeonato. Porém, não acredito que o jogo já esteja ganho á partida e algo que demonstra isso é o resultado que o Riba D’Ave conseguiu em Oliveira de Azeméis e a luta dada ao Benfica na 2ª jornada. Esta partida irá ainda ficar marcada pelo regresso de Hugo Azevedo ao “San Siro”.
Depois de dois jogos para a Taça Continental, Benfica e Barcelos voltam a encontrar-se, desta feita para o Campeonato Fonte: SL Benfica
FC Porto-HC Turquel
Jogo interessante em perspetiva. O Porto está a ter um bom arranque de época, como esperado por muitos, tendo como principais exemplos disso a clarissíma vitória na Supertaça, assim como os 8-4 conseguidos em Viana do Castelo. Por isso, espero que mantenha o ímpeto nesta receção ao Turquel, mas não deixando sempre de ter a pulga atrás da orelha, visto que é em jogos deste género que a equipa da aldeia do hóquei se costuma agigantar e se o Porto não controlar isso poderá ter um jogo bastante complicado.
AD Sanjoanense-SC Tomar
Jogo entre equipas do mesmo campeonato (campeonato da manutenção), onde prevejo que o equilíbrio será uma nota dominante, embora considere que a balança poderá tender um pouco para a equipa de São João da Madeira, que conseguiu arrancar um ponto em casa contra o Viana e vender muito cara a derrota em Turquel. O Tomar conseguiu vencer o Paço de Arcos em casa e acabou por perder por 4-2 nos Açores. Neste momento acredito mais numa vitória do Sanjoanense. Porém, uma vitória do Tomar não surpreenderia ninguém.
CD Paço de Arcos-Valença HC
Mais um jogo entre equipas do campeonato da manutenção. Neste caso, penso que a maior experiência de 1ª Divisão dos atletas da equipa da linha fará a diferença e fará com que os três pontos fiquem na Vila de Paço de Arcos. No entanto, não se pode negar que o Valença não teve o melhor inicio de campeonato, já jogou contra o Sporting e Porto (neste caso em jogo antecipado da 5ª jornada), sendo que no jogo em que deveria vencer, acabou por falhar na finalização e permitir a vitória do Candelária. Logo todo o cuidado do Paço de Arcos será pouco, pois o conjunto de António Carvalho está sedente de uma vitória.
Sporting CP-Candelária SC
Jogo de sentido único é o que prevejo para este encontro. O Sporting está a fazer um grande início de temporada e deverá ultrapassar o Candelária com uma goleada tal e qual como fez na 1ª jornada. Apesar das duas vitórias que o conjunto açoriano já contabiliza, não deverá ter qualquer hipótese perante o conjunto de Guillem Perez. Vitória certa do Sporting, resta saber por quantos.
Sabia-se da necessidade de quebrar o ciclo de jogos sem marcar (nas últimas seis partidas europeias, apenas num tinha marcado na condição de visitante) para não se criarem monstros que entrassem no espectro das competições internas e sabia-se, também, da urgência em ganhar para alimentar as aspirações da passagem aos dezasseis-avos de final da Liga Europa. António Salvador e José Peseiro, presidente e treinador do Braga, admitiram-no publicamente, e, apesar de também reforçar a confiança na equipa, correram o risco de poder pressioná-la, de forma prejudicial.
Assim parece ter acontecido. O Braga empatou na Turquia a um golo e perdeu a oportunidade de se colocar numa posição favorável para marcar presença entre os 32 finalistas da Liga Europa, mantendo o terceiro lugar do grupo, a dois pontos do Gent, ainda que continue apenas dependente de si mesmo para se qualificar.
A pressão acima referida parece ter afectado a equipa portuguesa desde início e não fosse Baiano a negar, o golo a Baijc, a formação bracarense poderia ter entrado a perder logo aos 2 minutos. Mas o lateral-direito só adiou algo que viria a ser alcançado sete minutos depois. À passagem do nono minuto, o Konyaspor inaugurou o marcador por intermédio de Milosevic que, partindo de posição duvidosa, e servido por Sahiner, isolou-se perante Matheus, contornou-o e fez o 1-0.
O Braga acusou o golo e permitiu que o ascendente turco se prolongasse no tempo. Sahiner ganhou posição sobre Rosic e isolou-se, mas Matheus deu o corpo a bola, num lance que parece ter dado esperança, ambição e força ao Braga para um resto de primeira parte em crescendo territorial, ainda que não tenha tido grandes consequências práticas, dada a inexistência de oportunidades de golo.
A segunda parte conheceu uma continuidade no ascendente bracarense. A equipa ia conseguindo habitar o meio-campo contrário sem grandes dificuldades e sentia-se que seria uma questão de tempo até surgir o primeiro golo. Assim foi. Hassan concluiu da melhor maneira uma jogada pensada por Alan, que abriu na esquerda para Goiano cruzar sobre a linha de fundo e oferecer o golo ao egípcio. Estava feito o empate e o Braga ia carregando, ajudado pelo desequilíbrio posicional e emocional do seu adversário.
Porém, parecia que a bola “tinha picos”, e nem com o nervosismo alheio foi o Braga capaz de criar situações de grande perigo junto da baliza do Konyaspor, falhando sempre algo num passe, num drible. Era um Braga que chegava bem ao último terço, mas que não concluía. Mérito, pois, para os homens do meio-campo, que amparavam as saídas contrárias e iniciavam o processo de construção ofensiva. Mauro, no primeiro capítulo, destacou-se, enquanto que Alan foi proeminente no segundo. O problema é que o capitão já tem a stamina de outrora, e à medida que foi perdendo fulgor, a equipa foi-se ressentindo. Quando saiu, para entrar Rui Fonte e o Braga passou a jogar num 4x4x2 declarado, com duas referências ofensivas, deixou de haver a tal ligação, e para amostra, em termos de oportunidades de perigo, apenas um cabeceamento de Vukcevic, por cima, após boa jogada de Pedro Santos.
O Braga diminuía o ritmo de jogo, e, assim, crescia o Konyaspor, que deixou o aviso num remate fantástico de Meha, a obrigar Matheus a uma intervenção ainda melhor. Ficou-se por aí, pelo aviso, e ainda bem, pois os turcos foram crescendo e não se sabe o que teria acontecido se o jogo tivesse mais do que os 3 minutos de compensação dados pelo árbitro.
Há uma cidade, no sudeste francês, em que a terra beija o Mediterrâneo e que é conhecida pelas suas propriedades terapêuticas. Não, não cura artistas (Cannes), casais em busca de novas experiências (Saint-Tropez) ou dinheiro sujo a precisar de ser lavado (Mónaco), mas, talvez por deter a maior parte dos melhores spas da Côte D’Azur, consegue rejuvenescer quem por lá passa e encontra a sua carreira meio “encravada” na mediocridade. Trata-se de Nice. Mais propriamente, trata-se do principal clube de futebol da cidade, o Olympique Gymanaste Club, onde, por exemplo, Ben Arfa conseguiu contrariar a trajectória descendente que a sua carreira ia conhecendo (tem, agora, contrato com o PSG, onde tem sido usado com alguma regularidade). Balotelli vai seguindo as pisadas da eterna promessa do futebol francês e, depois de três/quatro épocas muito abaixo daquilo que era esperado dele, eis que ressurge, com seis golos apontados em cinco jogos disputados.
Dada a sua personalidade e o respectivo mediatismo, será, com certeza, apontado como a figura maior da equipa-sensação da edição deste ano da Ligue 1. Porém, o Nice vai muito mais além de um “Super-Mario” renascido. Aliás, apesar de urgir a necessidade de um matador (Plea não o é, apesar dos três golos que já leva), o italiano terá beneficiado mais da entrada na equipa do que o inverso, integrando uma dinâmica que beneficia o seu estilo de jogo, focado na exploração das costas da defesa adversária e na qual, por inerência, a referência ofensiva da equipa será sempre a mais beneficiada. Daí a cadência de golos de Balotelli.
Lucien Favre vai reclamando, cada vez mais, a autoria do futebol praticado pelo Nice. O treinador suiço incute um futebol positivo nas equipas que orienta, deixando, normalmente, a sua marca nos clubes que orienta, conforme exemplifica o Borussia Monchengladbach de hoje, que, um ano depois da ruptura, tem sinais da sua passagem pelo clube, na tal busca pela profundidade no meio-campo contrário, e que já está no ADN do Nice, servindo de base a um processo ofensivo encantador para quem gosta de ver futebol “de peito aberto”. As vias de acesso à baliza contrária são, normalmente as alas, de onde partem dois laterais “made in Portgual” – Dalbert e Ricardo Pereira.
O brasileiro, “criado” para o futebol europeu em Guimarães, não hesita em galgar zonas adiantadas, criando desequilíbrios a partir do flanco esquerdo, muitas vezes patrocinados pelo seu poder de explosão e pela capacidade técnica, que lhe permite ser muito forte no 1×1, ofensiva e defensivamente, valências que também estão associadas ao português, igualmente de “origem” vitoriana, embora a este acrescam uma notável capacidade de passe (já leva duas assistências) e, claro, uma noção táctica invulgar para um jogador que se habituou a jogar a extremo e que garante conforto posicional. Pode ser paradoxal, mas ao balancear-se, Ricardo … equilibra a sua equipa, já rotinada para as suas subidas e, claro, ciente da capacidade metamorfósica do jogador cedido pelo FC Porto, adaptável a todos os momentos do jogo.
Para as subidas de Dalbert, há bom “backup” táctico. Quando o brasileiro, pontualmente, deixa a equipa descompensada (natural dado o tempo de casa), há a responsabilidade do meio-campo em compensar a subida do lateral, com Koziello, sobretudo, a dobrar o ala esquerdo, revelando uma capacidade posicional invulgar para a sua idade (20 anos) e que se estende para lá da acção de Dalbert, sendo mesmo um dos principais “equilibradores” da equipa, permitindo que o jogo do Nice também possa convergir das alas para o meio, onde outro nome associado ao futebol português se tem destacado – Jean Michael Seri. O internacional costa-marfinense, ex-Paços de Ferreira, tem-se destacado pela precisão no passe, invulgar para o jogo que lhe é exigido(é um elemento de apoio ao ataque), contabilizando já 3 assistências para golo em sete jogos, ainda que tenha ganho uma espécie de alergia à àrea contrária… algo que não assiste ao terceiro membro do meio-campo, Wylan Cyprien, que se integra bem nos terrenos pisados por Belhanda (segundo avançado que se transforma facilmente no jogador extra do meio-campo) e Balotelli.
Na hora de defender, a equipa tem três defesas-centrais a tomar conta das operações. Dois que se destacam no jogo aéreo – o experiente Dante e o líder Baysse (que grande início de temporada, já com dois golos e uma invulgar capacidade para ganhar bolas pelo ar)- e um no jogo corrido – o menino Sarr, de apenas 17 anos, que tem uma leitura de jogo bastante assinalável para júnior primeiro ano.
Uma defesa coesa, e auxiliada pela plena noção posicional dos homens que ocupam os espaços à sua frente. É invulgar existir esta sinergia com apenas uma dezena de jogos disputados, mas Favre conseguiu-o… ainda que conte com pupilos com boa escola táctica (a portuguesa, pois claro).
O Nice vai surpreendendo a Europa com a primeira posição da Ligue 1, detida sem derrotas e com quatro pontos de vantagem para a concorrência, composta pelo rival Mónaco (goleado por 4-0!) e pelo PSG, detentor da hegemonia do futebol francês. Dada a consistência da equipa, o emblema da Cote d’Azur pode ser muito mais que uma surpresa fugaz de início de temporada.
Para se atestar a qualidade ou o sucesso de determinado negócio, é necessário que o mesmo mostre vários resultados ao longo de vários anos. Como uma empresa que é líder de mercado e o conseguiu com várias apostas que se mostraram superiores às concorrentes, ou uma banda que consegue manter-se com sucessos durante trinta anos, também em todos os outros negócios terá de haver uma continuidade de vários anos a produzir qualidade para que se possa autoproclamar como o melhor.
Dito isto, e sobre a formação de jogadores de futebol em Portugal, ouvi esta semana algumas proclamações que me deixaram um pouco confuso, mesmo pela conflitualidade entre ideias defendidas pela pessoa que as anunciou. Essa pessoa disse, pelo menos, duas frases interessantes, e que aqui enuncio. São elas: “O nosso clube está um pouco à frente dos outros clubes de Portugal em termos de formação.” e “A formação do nosso clube está ao nível das formações dos melhores do mundo.”. Ora, indo ao encontro do que escrevi no início deste texto, e porque acho que ninguém contestará a verdade de “La Palice” aí descrita, estas duas frases vêm tentar contradizer essas ideias que o próprio mercado teima em atestar.
Falando então concretamente da formação em Portugal, temos um clube que já formou jogadores como Paulo Futre, Luís Figo, Cristiano Ronaldo, não podendo deixar de referir, a um nível logo abaixo, jogadores como Nani, Simão Sabrosa, João Moutinho, Ricardo Quaresma. Temos depois esse clube que se autoproclama agora como a melhor formação em Portugal, que formou no passado jogadores como Rui Costa. Ponto. Apesar de ser o maestro, e eu ter sido admirador do seu futebol, não chegará para tentar igualar a qualidade de formação dos dois clubes.
A Academia de Alcochete teve papel fundamental na conquista do Euro’2016 Fonte: Sporting CP
Mais recentemente um desses clubes tem vindo a formar jogadores como Adrien Silva, William Carvalho, João Mário, Rui Patrício, estes com créditos já firmados, juntando-se a eles Gelson Martins, Ruben Semedo, Matheus Pereira, Wallyson Mallmann, Iuri Medeiros, Daniel Podence (não sei se deva considerar aqui João Palhinha, uma vez que chegou já no final da formação ao Sporting). Outro formou um belo contentor de jogadores de quinze milhões, patrocinado pela máquina “Mendes”, colocados em clubes sob a sua alçada, de onde poderemos espremer um Bernardo Silva, e um pouco abaixo um André Gomes. Este formou ainda Renato Sanches, que terá ainda muito a provar, até pelos seus dezoito anos. Está agora a lançar Nelson Semedo e Gonçalo Guedes (Ederson e Lindelöf são tanto da formação deste clube como Palhinha ou Pedro Marques serão da formação do Sporting). Postos todos estes nomes em cima da mesa, e juntando a quantidade e a qualidade identificadas, parece uma luta bastante desequilibrada quanto à formação neste belo rectângulo à beira mar plantado.
Ou seja, ao que parece, o senhor que proferiu as frases acima não deveria estar a falar do “produto” final que a formação gera, porque se assim fosse não poderia dizer de ânimo tão leve que o seu clube está à frente de todos os outros clubes em Portugal. Pode ambicioná-lo mas ainda lhe falta “um bocadinho assim”. E mesmo esse bocadinho, julgando pelas carreiras que estão a ser feitas este ano pelos juniores, iniciados e infantis dos dois clubes, ainda vai demorar um bocadinho a esbater-se. Já quanto ao facto de o senhor dizer que a sua formação está ao nível dos melhores do mundo, não vou rebater, se ele estiver, de forma implícita, a dizer que a formação do Sporting é a melhor do mundo (o que contradiz a primeira afirmação). Mas, mesmo assim, continuam um bocadinho atrás, mas só um bocadinho, para que ele não fique triste.
A seleção masculina de Andebol continua longe dos grandes palcos europeus e mundiais, mas a nível de clubes as coisas parecem ir de vento em popa no Andebol nacional.
A nível Europeu temos um ABC na Liga dos Campeões a fazer uma boa figura. Neste momento os bracarenses seguem em terceiro (grupo de seis equipas) com um total de duas vitórias e outras tantas derrotas, derrotas estas por dois golos de diferença apenas, uma num campo muito difícil como o do Nantes. Os campeões nacionais e vencedores da Taça Challenge do ano passado precisam de ficar nos dois primeiros para passar à próxima fase da competição; o facto de já terem ido aos pavilhões dos dois primeiros pode ser uma vantagem para a segunda volta.
O ABC, que até já foi a uma final da Liga dos Campeões em 1993/1994, é o segundo clube português a participar na principal competição nos últimos quatro anos. Em 2013/2014 e em 2015/2016 o Porto tinha devolvido Portugal à Liga dos Campeões, quebrando um jejum que vinha desde 2001/2002, quando o Sporting participou na fase de grupos. Estes números mostram claramente que a nível de clubes estamos mais fortes.
Na segunda competição mais importante de clubes, a Taça EHF, Portugal conta com dois clubes, o Benfica e o Porto. Os dois estão na terceira ronda. O Benfica vai medir forças com os polacos Azoty Pulawy e o Porto com o Bregenz. Ambas as equipas estão ao alcance das equipas portuguesas, mas na minha opinião o Porto tem mais hipóteses de chegar à fase de grupos da competição. A melhor participação portuguesa nesta competição pertence ao Sporting, em 2013/2014, quando a equipa de Andebol leonina chegou aos quartos de final da competição. No ano seguinte o Porto chegou à fase de grupos; estas são as duas únicas participações portuguesas na fase de grupos da Taça EHF e mais uma vez recentes, provando a tal evolução.
No jogo inaugural da jornada 8 da Premier League, o Chelsea – clube que na temporada passada entregou ao Leicester a coroa de campeão dos quais os Foxes são detentores – recebeu e venceu a equipa de Ranieri por uns enfáticos 3-0.
Dando continuidade ao seu bom momento de forma, Diego Costa abriu o marcador logo aos 7 minutos, na sequência de um canto da direita desviado ao primeiro poste por Matic. O segundo golo do encontro chegou por intermédio de Hazard, com o belga a contornar Kasper Schmeichel e a empurrar para o 2-0. O Leicester não mostrou grandes argumentos para contrariar a superioridade Blue, e com alguma naturalidade os homens comandados por Conte chegaram ao 3-0, depois de um excelente lance de envolvimento entre Nat Chalobah e Victor Moses, que culminou com o internacional nigeriano a fazer o 3-0.
Segunda vitória consecutiva para o Chelsea, que com o seu segundo triunfo consecutivo ascendeu ao 5.º posto da Premier League, ficando apenas a 3 pontos do 1.º classificado, o City, que não foi capaz de ir além de um empate a uma bola na recepção ao Everton.
Os Blues apanharam o City na liderança Fonte: Chelsea FC
Depois de 2 desaires consecutivos frente a dois rivais directos, Liverpool e Arsenal, o Chelsea tem mostrado argumentos para uma boa primeira temporada do recém-chegado Antonio Conte, ainda que falte ao antigo técnico da Squadra Azzura alguma experiência que lhe permita bater-se mais eficazmente contra os principais emblemas da Premier League.
Com inteira justiça, N’Golo Kante foi eleito o melhor jogador em campo, tendo dado a oportunidade ao seu antigo clube, o Leicester, de sentir na pele a sua intensidade e capacidade de trabalho defensivo. Excelente no posicionamento, o médio francês, para além de uma impressionante capacidade de estar no sítio certo à hora certa, exibiu eficácia no momento do passe, que foi sempre criterioso e que muitos problemas causou ao meio-campo montado por Ranieri, como no lance do 3-0 a favor dos homens da casa.