Dos pontos que fugiram em casa contra vikings e otomanos, a uma quase vitória em Castela contra os descendentes dos Filipes, Portugal na CEE voltou a desiludir. Comecemos pelos dragões:
FC PORTO
Copenhaga é uma cidade rica em cultura e a capital de um dos países com melhor PIB na Europa, mas uma coisa pela qual os dinamarqueses não são famosos, é pelo seu futebol. Verdade que a selecção teve os seus feitos (conquista do Euro’92), mas desde então pouco se tem visto. Era de esperar que NES conseguisse os 3 pontos com facilidade, e o jogo começou por dar sinais disso mesmo. Aos 13 minutos, e numa jogada que viria a ser a melhor dos dragões na partida, André Silva combina com Otávio que rematou para o fundo das redes e inaugurou o marcador. Parecida tudo bem encaminhado e com naturalidade o Porto chegou ao intervalo a vencer. O problema veio depois. De forma inesperada o Porto foi entrando em coma, e um chouriço de Cornelius ofereceu o empate aos dinamarqueses aos 51 minutos. O Porto não conseguiu fazer nada até ao fim e acabou por deixar fugir 2 pontos em casa e viu o campeão inglês vencer o Brugge por 0-3. Parece que afinal de contas o grupo não vai ser assim tão fácil.
O FC Porto não foi além de um empate na estreia na Champions Fonte: FC Porto
Entrada em campo do Sporting com algumas alterações, começando pela troca directa do homem da dianteira, entrando André para o onze inicial. A normal gestão depois de um jogo exigente em Madrid legitimou uma reorganização na equipa, com repercussões tácticas nos processos elementares na última linha de pressão.
Os primeiros minutos da primeira parte permitiriam antever um jogo estendido, onde a robustez das duas equipas no Meio-Campo proporcionou uma constante disputa de bola na zona central. O Rio Ave, na normal verticalidade do seu jogo, causou perigo em alguns lances prematuros aproveitando, num deles, o acanhamento de Bruno César para acompanhar o velocista que lhe estava destinado. Apesar da tentativa de tomar conta do jogo por parte do Sporting , culminando em alguns bons lances ofensivos com Gelson no protagonismo, a instabilidade defensiva revelar-se-ia letal ainda no 1º tempo.
Em antevisão, Jorge Jesus garantia que este jogo seria, em alguns aspectos, piores do que o jogo de Madrid. Em paralelo, uma atitude passivados Leões perante a confiança altiva do Rio Ave permitiu a concretização de três golos – estando a falta de agressividade presente nos lances de todos eles. No primeiro, a facilidade com que Roderick passou por vários jogadores e, igualmente, a má interpretação de Schelloto no acompanhamento do lance, possibilitou o passe atrasado para a liberdade de espaço de Tarantini. Mais uma vez, apesar da tentativa de assumir o jogo por parte da equipa leonina manifestou-se ineficaz quando a qualidade defensiva não existe. Embora custe admitir, Bruno César pareceu não ter estado em Vila do Conde, não tendo, para além da aceleração, a inteligência táctica que lhe conhecemos. O segundo golo do Rio Ave, sintomático deste cenário, foi um exemplo claro da falta de rigor da defesa do Sporting. Não havendo apontamentos a fazer à desenvoltura ofensiva, indo surgindo as oportunidades habituais, torna-se difícil estabelecer equilíbrio na mentalidade de uma equipa com o aparecimento de um terceiro golo. Mais uma vez chama-se ao Banco dos Réus Schelloto, que, desenquadrado da linha defensiva, para além de colocar em regularidade o adversário, falha na marcação que poderia condicionar a finalização adversária.
Erros primários, neste nível, costumam-se pagar caros. Embora tenha sido uma primeira parte atípica no jogo do Sporting, há, é claro, qualidade na equipa de Capucho, que teve atrevimento e inteligência para resolver a questão em 45 minutos.
Nas equipas iniciais destaque para as entradas de Boly, Brahimi e Rúben Neves para os lugares de Marcano, Óliver e Danilo. O treinador dos dragões mantém o 4-4-2 do último jogo para a liga, mas muda alguns dos executantes, apostando desta vez em 2 extremos puros nas alas. Na equipa de Petit destaca-se a entrada de Kaká e de Murillo.
O jogo teve um início atabalhoado para ambas as equipas com vários passes falhados. Depoitre podia ter feito o primeiro aos 5 minutos de jogo mas a má receção tirou-lhe o espaço para a finalização. Jaílson ficou a reclamar penalti aos 6 minutos, mas o árbitro esteve bem ao perceber a ausência de contacto entre Jaílson e Felipe. O Porto teve muitas dificuldades no início de jogo em lidar com a inferioridade numérica no meio-campo, acusando a dependência nos movimentos interiores de Otávio e Brahimi para preencher o espaço interior entre meio-campo e ataque. A partir dos 10 minutos de jogo, o Porto começou a engrenar e a ter mais bola, aproveitando o encurtar de linhas do Tondela, que fechou espaços atrás e fez do contra-ataque a sua arma. O Porto manteve o domínio da posse de bola, mas sempre muito denunciado nas suas intenções, só foi se aproximando da área adversária fruto de um ou outro momento de maior inspiração de Otávio. Aos 31 minutos o Porto podia ter chegado ao golo num lance de envolvimento entre Brahimi e André Silva, mas o jovem português decidiu mal no último momento, apostando em novo passe para o argelino. O melhor momento ofensivo do Tondela surgiu aos 42 minutos numa boa jogada, finalizada por um potente remate de Claude Gonçalves para fora.
No final da primeira parte o que saltava à vista era um FC Porto sem ideias e previsível. Os homens de NES apresentaram alguns momentos de bom futebol e causaram algum perigo, mas sempre muito dependentes de iniciativas individuais. Os dragões sentiram fortes dificuldades em causar perigo através de iniciativas coletivas e por isso não conseguiram ameaçar verdadeiramente a baliza de Cláudio Ramos. No que toca aos homens de Petit destaque para o rigor defensivo, para o reduzido espaço entre linhas concedido e para a boa prestação dos centrais ao nível do jogo aéreo.
O Tondela começou claramente melhor a segunda parte no capítulo ofensivo, causando algum perigo nos minutos iniciais. Destaque para um excelente momento individual de Jaílson ao minuto 52. Aos 55 minutos, NES tirou Brahimi e colocou Óliver em jogo. O espanhol foi ocupar o espaço de André no miolo e o internacional português passou para a faixa. Muitos passes longos falhados pelo FCP, que nos primeiros 15 minutos da 2ª parte abusou da longo distância. Depoitre teve uma oportunidade de ouro para o golo de cabeça aos 59 minutos, mas esteve mal o belga na finalização. Uma infantilidade de Felipe aos 61 minutos concedeu um livre em zona perigosa para o Tondela, no entanto os homens de Petit não conseguiram aproveitar.
Aos 66 minutos nova alteração nos dragões, Adrián Lopez para o lugar de Depoitre. Uma dupla falhada esta de Depoitre e André Silve. O belga e o português nunca conseguiram combinar de forma eficiente ao longo da partida. Aos 69 minutos dupla alteração no Tondela, saiu Crislan e entrou Moreno e saiu Kaká, lesionado e entrou Pica. Destaque para boa defesa de Casillas ao minuto 72 a um remate do venezuelano Murillo. Aos 75 minutos, houve bom entendimento entre Adrián e André Silva mas o luso cabeceou ao lado. Aos 76 minutos sai Otávio, o melhor dos dragões até então, e entra Corona. Aos 81 minutos grande oportunidade de André Silva, mas uma boa defesa de Cláudio Ramos impediu o golo. O guarda redes luso voltou a estar em grande 1 minuto depois em novo duelo com o avançado do Porto. O Porto foi subindo de ritmo com o final da partida e finalmente começou a ameaçar seriamente a baliza do CDT, fruto das boas mexidas de NES. Aos 90 minutos esteve muito perto do golo Adrián, o cabeceamento do espanhol esteve muito perto de entrar no segundo poste. Novamente o espanhol esteve perto do golo, aos 92 minutos, mas uma boa defesa do guarda-redes do Tondela impediu o golo.
O FCP deixou para tarde a resolução do jogo e a boa reta final dos homens de NES não foram suficientes para trazer os 3 pontos para o Porto.
A primeira edição da Elite Cup teve lugar em Coimbra, onde os oito primeiros classificados da época 2015/2016 de Hóquei em Patins “aqueceram” os motores rumo à próxima temporada. O formato da competição (jogos a eliminar, com quatro encontros por dia, desde a passada sexta-feira até ao dia de hoje, contando com as muito elogiadas novidades da contagem do tempo de ataque[45 segundos] e do aumento dos descontos de tempo[em vez de um em cada parte, pôde usar-se um desconto de tempo de um minuto e dois de meio tempo a qualquer altura do jogo]) agradou à maior parte dos intervenientes, e contou ainda com transmissão televisiva dos principais jogos, o que demonstra, de certa forma, a credibilidade dada à prova.
No primeiro dia, imperou a lei do mais forte, com os quatro primeiros classificados a superiorizar-se aos adversários que terminaram a última temporada entre o 5º e o 8º posto na tabela classificativa da 1ª Divisão de Hóquei em Patins. O Benfica ( campeão) derrotou o Turquel (8º) por 6-1, o Porto (2º) venceu o AJ Viana (7º) por 9-2, a Oliveirense (3ª) bateu o Valongo (6º) por 2-1, e o Sporting (4º) superiorizou-se ao Óquei de Barcelos (5º) por 4-1.
Os derrotados e os vencedores do dia inaugural enfrentar-se-iam no dia seguinte. Óquei de Barcelos e Juventude de Viana garantiram a disputa do 5º e 6º lugar da Elite Cup, marcada para hoje, ao baterem, respectivamente, Turquel (6-3) e Valongo (5-4), equipas que, dadas as duas derrotas, tinham as ambições limitadas ao 7º lugar da prova. Nas meias-finais, o Porto dizimou a Oliveirense por 9-3, e o Sporting, num jogo repleto de emoções e golos, venceu o Benfica por 7-6.
Domingo abriu com a disputa do 7º lugar, conquistado pelo Turquel, depois de derrotar o Valongo por 3-2. Mais tarde, o Óquei de Barcelos garantiria o 5º posto, ao derrotar o Juventude de Viana por 5-2 e, no jogo de atribuição de 3º e 4º lugar coube à Oliveirense garantir o último lugar do pódio, depois de vencer o Benfica por 6-1. Chegávamos, pois, à final do torneio, onde FC Porto e Sporting eram intervenientes, cada um à procura da vitória e do consequente embalo moral para objectivos diferentes – os dragões para tentar derrotar o campeão nacional e europeu, Benfica, na Supertaça de Óquei, que se disputa no próximo fim-de-semana, e os leões para marcarem uma posição no panorama nacional do desporto. Nenhuma das equipas abordaria, portanto, esta final, com leviandade.
O futebol é um universo infindável por onde gravitam, numa desordem anárquica, incontáveis astros, de tamanhos e brilhos variáveis, capazes de se deformarem, na forma e no feitio, ao ritmo do segundo, sem aviso prévio ou razão aparente. Surgem-nos de repente, fixamo-los como queremos ou conseguimos, para, pouco tempo depois, os esquecermos para sempre – e apenas nos casos mais raros, distintos, normalmente, pela qualidade (ou pela falta dela) os guardamos num lugar especial da memória e do coração. O problema deste universo infindável é que, a par essencial, vagueia também em maioria esmagadora uma quantidade de lixo espacial, tóxico e aborrecido, que embora essencial na construção do todo – como causa e consequência da dimensão e popularidade da modalidade –, conquista, em vagas recorrentes e temporárias, um protagonismo injustificado à conta da paixão benevolente do adepto comum.
As últimas duas semanas foram exemplo disso mesmo. Vejo e ouço parte significativa da modesta fatia universal que me diz respeito – o Benfica e os benfiquistas (numa linguagem mais simples) – muito alvoroçada; e tudo devido a uma chuva de meteoritos, daquelas que prometem colapsar o planeta num mês, que justificam comentários cansados e dissonantes de leigos e especialistas, para, a 48 horas do impacto, tudo se desfazer em pó microscópico a mil milhões quilómetros de distância, nas vizinhanças das luas dos outros, sem deixar o mínimo vestígio, nem para saciar a curiosidade dos mais crentes, de olhos apontados ao alto, desejosos por qualquer novidade que quebre a monotonia de um céu encoberto por um manto cinza (este país tem péssimas vistas para fenómenos astronómicos).
Não sou especialista em Twitter. Tenho uma conta onde nunca escrevi nada, “sigo” meia dúzia de pessoas, mas nunca lá vou ver o que escrevem, e nunca entendi bem o interesse nessa rede social que nos limita a 140 caracteres. No entanto, no último ano, tornei-me especialista na análise ao twitter dos treinadores do Valencia CF. Eu explico.
Tudo começou com Nuno Espírito Santo. O treinador português criou uma conta oficial, acumulou seguidores ávidos de novidades, mas… tardava em lançar um primeiro tweet. Os dias foram passando e aquela página, ali parada, foi-se tornando um mistério que suscitou o meu interesse. Analisei cuidadosamente o seu perfil e reparei que, na descrição, dizia “Perfil oficial de Nuno Espírito Santo, entrenador del Valencia CF”. Conhecedor da realidade do clube, escrevi uma crónica em que lhe sugeria que, àquela descrição, acrescentasse: “por enquanto, por enquanto…”.
No dia seguinte, o Valencia perdeu em Sevilha e Nuno foi demitido. Nuno talvez nunca tenha chegado a ler o meu conselho, mas o seu sucessor, Gary Neville, leu-o, certamente. A frase que se lia no perfil do antigo jogador do Manchester era “Attack the day”, que é a atitude certa para quem é treinador do Valencia. Nunca se sabe se no dia seguinte se continuará no cargo.
Ayestarán dá um autógrafo a um pequeno adepto Fonte: Valência CF
Gary Neville fez uma bela carreira de futebolista, com o número dois nas costas. No Valencia, percebeu-se que ser o número 2 talvez seja algo que Neville, além de levar na camisola, leve também no sangue. É que como treinador principal foi um desastre e, poucos meses depois, foi demitido, dando lugar a Pako Ayestarán. Pako conhece bem o clube (era adjunto de Benítez quando o Valencia venceu dois campeonatos e uma Taça UEFA) e, por isso, não precisa de conselhos de ninguém.
As abordagens de Nuno e de Neville no Twitter não funcionaram, por isso, Pako nem sequer se dá ao trabalho de preencher a sua frase de perfil. Mas, algumas semanas depois de ter sido apontado treinador do clube, fez um tweet que poderá ser importante para o futuro. Citando John Carlin, jornalista e escritor britânico, Pako escreveu que “boa parte dos males do mundo vêm da insistência dos seres humanos em crer que têm toda a verdade, quando o máximo a que podem aspirar é ter um ponto de vista”. Ora, quando os adeptos começarem a cantar “Pako vete ya”, cântico que todos os treinadores do Valencia CF ouvem mais cedo ou mais tarde (e que já não deve tardar muito, dadas as três derrotas nas três primeiras jornadas do campeonato), já o imagino a responder: “Pois, pois, mas isso é só o vosso ponto de vista”.
Esta é uma estratégia original, mas tenho dúvidas de que resulte. Sei que Pako não é seguidor de Nuno nem de Neville no Twitter, mas, ainda assim, parece-me que não tardará a seguir pelo mesmo caminho que eles. É assim o Valencia, hoje em dia.
Sendo este o meu primeiro texto num portal que acompanhei desde a fase embrionária do projecto, optei por vos dar um pouco a conhecer o que para mim é e tem sido “Ser Sporting”.
Sou da década de 90, nasci em plena inglória caminhada para os famosos dezoito anos sem o tão desejado título do Campeonato Nacional de Futebol. Sou sincero… Sou originário de uma família de Benfiquistas, e eu próprio o fui até aos meus 6 anos de idade. Mas desde cedo o leão dourado chamou por mim e hoje aqui estou eu, um verdadeiro e vincado sportinguista!
O fim dos anos 90 auspiciou tempos de glórias e conquistas para Alvalade, dois títulos do campeonato nacional em três anos, jovens com qualidade ímpar todos os anos apareciam na primeira equipa (Ronaldo, para mim o melhor jogador português de sempre, incluído), edificação da primeira academia de formação de futebol portuguesa, construção de um novo estádio (embora com muitas falhas e controvérsia, tais como, a falta da pista de atletismo ou as cores absolutamente absurdas das bancadas). E tudo parecia correr de feição ao leão, mas seria apenas o início da que foi, provavelmente, a pior fase da historia centenária do clube de Alvalade.
Os títulos nunca mais apareceram, sendo que raras vezes se lutou verdadeiramente pelos mesmos, os jovens que eram promessas em Alvalade passaram a ser certezas nos rivais (Simão, Quaresma e Moutinho foram os casos de maior destaque), os que de alguma forma eram valorizados financeiramente, saíram na maioria dos casos por valores irrisórios (mais uma vez Ronaldo é exemplo, um jogador que foi transaccionado por cem milhões de Euros uns anos mais tarde, saiu de Alvalade por uns meros quinze milhões).
Assim se foi passando o tempo, com gestões desportivo-financeiras ao nível de filmes de comédia, onde o património foi sendo delapidado aos poucos e em que se chegou ao ponto de presidentes dizerem que não gostavam do seu cargo e que dedicavam uma hora por dia ao clube, quando assim lhes era possível! Atingimos o fundo quando, uma espécie de “comunidade” passou a dominar o clube, escolhendo a seu belo prazer os candidatos à presidência, posteriormente eleitos, servindo-se do clube e guiados por agendas próprias, chegando-se ao ponto de em 2011 surgirem dúvidas em relação ao modo como decorreu a eleição de Godinho Lopes, o último presidente “Roquetista”!
O Sporting da Covilhã voltou a empatar em casa, frente ao União da Madeira a uma bola. A equipa, que em três jogos sofreu outros tantos auto-golos, procurava assim desfazer a maldição, já que em cinco jogos contava com um empate e quatro derrotas. As condições do relvado não eram as melhores, tornando assim o trabalho tático de ambas as equipas mais fraco, mas nem assim deixou de haver emoção na partida.
Desde cedo que os leões da serra mostraram que mo seu jogo iria ser praticado no meio-campo adversário, querendo assim alcançar os três pontos. A defesa do União entrou algo adormecida, cometendo erros que os covilhanenses não conseguiam aproveitar da melhor maneira, valendo sempre a atenção de Tony, o guarda-redes madeirense. Já do outro lado, Hugo Marques não teve muito trabalho até à meia hora de jogo, visto que o ataque madeirense também não conseguia sair a jogar, isto devido ao excelente trabalho do meio-campo serrano.
Já no ataque do Sporting da Covilhã, Davidson fazia as delícias dos (poucos) espectadores presentes no estádio Santos Pinto, com toques técnicos de bastante qualidade. Apesar da superioridade da equipa sportinguista, o jogo chegou ao intervalo empatado a zero.
Na segunda parte, o União da Madeira parecia entrar com vontade de mudar o jogo, jogando mais ao ataque e a sufocar o Sporting da Covilhã na sua área. Apesar disto, o primeiro golo veio mesmo da equipa serrana, por parte de Ponde, jogador do Sporting Clube de Portugal emprestado ao Sporting da Covilhã. Após cruzamento de Pintassilgo, o jovem ponta de lança cabeceou com classe para dentro da baliza madeirense, fazendo com que a bola ainda embatesse no poste mais afastado antes de tocar no fundo das redes. Este golo foi determinante para acordar o jogo e para acordar o ataque dos leões, com Gilberto a rematar forte, de fora da área, com a bola a passar a escassos metros do poste do União.
Logo depois, quando não se fazia prever, o União empata. Breitner, através de um livre batido do lado esquerdo do ataque madeirense, meteu a bola ao primeiro poste. O guarda-redes fica mal na fotografia já que, apesar de ser um livre batido com bastante força, este ainda tinha hipótese de chegar à bola e tentar defender este remate. Contudo, o jogo com este golo não se tornou mais emocionante, com o Sporting da Covilhã sempre por cima, a mostrar que queria arrecadar os primeiros três pontos em casa.
O jogo aqueceu, mas não foi por bons motivos, havendo confusão desnecessária entre diversos jogadores, o que acabou por trazer menos qualidade tática e a tornar-se menos emotivo. A defesa do União da Madeira, no entanto, acabou por acordar, conseguindo travar todos os ataques da equipa covilhanense, principalmente quando esta fazia as suas investidas através de Luís Pinto, que veio dar mais rapidez à mesma. Este jogador ainda beneficiou de um livre à entrada da área ao minuto 90, que já dava esperanças a todos os espectadores que estavam à espera de ver a sua equipa sair vitoriosa.
No final, o jogo acabou empatado, com o Sporting da Covilhã a não conseguir mais do que um ponto, que veio somar ao outro que já tinha, não sendo assim um bom início de campeonato para os pupilos de Filipe Gouveia. Já os madeirenses, com o jogo defensivo que fizeram, conseguiram segurar o empate, também devido à falta de eficácia do adversário.
O Sporting da Covilhã vai agora ter uma deslocação bastante difícil ao terreno do Porto B, enquanto que o União irá a Guimarães defrontar a equipa secundária do Vitória, já a meio da semana. Ambos jogarão ainda para a Taça de Portugal, no próximo fim-de-semana, contra o GD Joane e Moimenta, respectivamente.
O Famalicão visitava uma Académica ferida no orgulho, depois de uma derrota penosa, em casa, aos pés do Vizela, pelo que o embalo moral de uma vitória sofrida na última jornada podia esbater-se numa equipa determinada em mudar o rumo dos acontecimentos.
A equipa de Ulisses Morais, avisada, veio precavida, apresentando um bloco compacto no 4x4x1x1 com que iniciou a partida, dando aos seus médios-centro, Mércio e Lima, a responsabilidade de equilibrar a equipa. A sinergia foi evidente e patrocinou a competência táctica que foi sendo evidenciada, sobretudo quando o adversário entrava no seu meio-campo, altura em que condicionava a zona central, reforçada pela interiorização dos laterais (Joel e Jorge Miguel), compensado pelo recuo dos médios-ala (Feliz e Perre).
Uma conjuntura táctica que dificultava a penetração da Académica no último terço do campo, apenas por uma vez explorado com perigo, com Marinho a inventar um lance, que só não foi concluído, em zona prometedora, por Toze Marreco graças à pronta intervenção de Nuno Diogo. De resto, foi o Famalicão a criar os lances mais perigosos. Primeiro, através de Vilaça, que aproveitou um ressalto na sequência de um livre lateral para assustar o guarda-redes da Académica, Ricardo Ribeiro. 5 minutos depois, Feliz atirou as malhas laterais da baliza da Briosa, depois de Perre ter explorado a linha de fundo e cruzado para o coração da área, onde apareceu o 30 do Famalicão.
O Famalicão ia neutralizando a Académica, quase que adormecendo, com excelente posicionamento e, também, faltas constantes no início do meio-campo famalicense. Porém, a Académica tornou esse condicionamento em algo a seu favor, e foi através de uma bola parada que a Briosa chegou ao golo – livre a meio do meio-campo do Famalicão, batido de forma curta por Pedro Nuno para Marinho, que cruzou para a área adversária, onde apareceu Toze Marreco, a subir mais alto que toda a gente e a aproveitar uma saída em falso de Victor Braga para inaugurar o marcador. O Famalicão não conseguiu reagir nos minutos que se seguiram até ao intervalo (15), e a Académica não teve pressas em ver o relógio passar até à hora de recolher aos balneários.
Os adeptos da Académica estiveram incansáveis no apoio
A segunda parte começou intensa. Ulisses Morais tirou Medeiros e colocou Correia em campo, oferecendo mais verticalidade ao jogo, ainda que correndo mais riscos. A Académica aproveitou para se infiltrar por entre as fendas que se iam abrindo na estrutura posicional do Famalicão, com Toze Marreco (de cabeça) e Nuno Santos (num bom lance individual, tirando um adversário do caminho e disparando a baliza) a darem o mote.
Isto terá assustado o Famalicão, que nunca se sentiu cómodo a jogar de forma mais “desprotegida”, talvez por não ter intérpretes com a sagacidade necessária para ir em busca do empate. Ulisses Morais terá interpretado isso e colocou Mendes em campo, retirando Mércio, oferecendo ao ataque aquilo de que mais necessitava – largura e… Irreverência.
A partir daqui, o Famalicão conseguiu criar perigo, chegando mesmo a trazer fantasmas de derrotas passadas ao Cidade de Coimbra, tendo Mendes como protagonista, quer a ganhar faltas, quer a cobrá-las. Primeiro, em zona frontal, rematou rasteiro, com a bola a rasar o poste esquerdo da baliza de Ricardo Ribeiro. Depois, cruzou para Chico, que teve o golo na cabeça, mas o guardião da Académica, primeiro, e a falta de pontaria, depois, impediram a igualdade.
Poucos minutos depois, foi Correia a criar perigo, servido por Joel, e cabeceando por cima. O Famalicão acreditava, galvanizava-se, e parecia real a hipótese de sair de Coimbra com pontos… Mas começou a pensar mais com o coração que com a cabeça, e a Académica, matreira, aproveitou para explorar o contra-ataque. Primeiro, Enrst falhou o golo de baliza aberta. Depois remediou-se e, aproveitando uma arrancada fantástica de Marinho, ampliou a vantagem para a Briosa. 2-0 aos 88 minutos. Um cenário que não era descabido, mas que terá desiludido o Famalicão. Sentiu-se um baixar de braços e, em novo contra-ataque, Traquina fechou as contas. 3-0, e a bola nem foi ao centro.
A Académica venceu, outra vez, em casa, e conseguiu marcar tantos golos neste jogo quantos aqueles que já tinha apontado até então em toda a campanha na Liga 2. Um importante embalo moral para os desafios que se seguem, numa altura em que já se questionava a equipa. Quanto ao Famalicão, demonstrou alma e querer, mas também disciplina táctica. Faltou a sorte… Que protege os audazes.
Ulisses Morais, treinador do Famalicão:
“Tivemos 5/6 oportunidades flagrantes de jogo e não o fizemos. A Académica não tem culpa, mas não fomos felizes.”
“Sofremos dois golos quando arriscávamos tudo. Eu prefiro perder assim que olhar para o campo e não fazer nada. Esse é um lema do Famalicão, com o qual eu me identifico.”
“Na primeira parte, se se tem marcado penálti sobre o Medeiros, as coisas teriam sido diferentes.”
“Queria deixar uma palavra aos adeptos do Famalicão, que se deslocaram aqui numa sexta-feira à tarde. Senti um apoio muito grande. Queria agradecer em nome do grupo. É o primeiro sinal de recuperação física e anímica para quarta-feira.”
Costinha, treinador da Académica
“Foi importante a forma como vencemos perante uma boa equipa. A Académica entrou bem na primeira parte, dominou o jogo.”
“Na segunda parte, o Famalicão empurrou-nos, o Ricardo Ribeiro fez uma grande defesa, mas conseguimos sair por cima.”
“Achámos por bem usar um meio-campo mais ofensivo, com o Kaka e o Pedro Nuno, porque jogámos em casa.”
Fernando Alexandre, jogador da Académica
“Sem fazer um jogo fantástico, ganhámos, mas também já perdemos injustamente. ”
Voltaram a Braga as noites europeias. Não muito feliz esta renovada entrada dos arsenalistas nas provas internacionais que acabou num empate a um golo.
Jogo quente e duro, onde ambos os lados procuraram a vitória, mas o empate foi o resultado final, distribuindo pontos e rasgando aquele precioso cheque em dois. Do lado do Braga marcou André Pinto e do lado belga Milicevic. Dois bons golos são a melhor oferta que o jogo proporcionou. Mas, o grande vencedor foi mesmo Benoit Bastien, um ilusionista de renome internacional, com um vasto leque de números e actuações dignas de serem apresentadas ao grande público. Fantástico Monsieur Benoit! O senhor é um performer de alto nível. «Tu que tirasses um coelho da cartola, que quem te punha lá já nem era eu!» Mas como isto não interessa nada vamos lá falar de coisas sérias.
Eram oito e cinco no relógio e a bola já começava a rolar no municipal de Braga. Entrada fulgurante por parte do Gent que cedo resultou em golo. Uma falta sobre um jogador belga aos cinco minutos de jogo colocou Milicevic na decisão. Bola lá dentro com um remate colocado e sem hipótese para Matheus. Grande golo. Um zero no marcador, que em boa verdade reflectia o jogo. Um Gent atrevido e aguerrido à procura da baliza era o que se via. Pelo menos de onde eu estava. Mas o Braga sentiu o pouco mas forte apoio que tinha nas bancadas e começou a jogar para disputar os três pontos. Até que André Pinto descobriu à cabeçada a rede onde tinha de marcar. Aí vai o momento: «No meio da noite cerrada, o silêncio imperava no meio da escuridão. Um pacote de bolachas belgas semi-aberto vagueia sozinho. Com frio, tenta abrigar-se na sua área. Ouviam-se gritos ao longe que indicavam o aproximar de alguém. Passos lentos. Mas quem seria aquela hora? Prrrrrrriiii Houve-se um rasgão mortífero! rfrfrfrf Golo!! André Pinto o monstro das bolachas belgas ataca! Já foste! Num mergulho para o sofá de bolachas na mão, André Pinto teve tempo até para ver a repetição em casa. Está feito o empate e o resumo do momento. Outro grande golo que carimbou a noite europeia. E visto que já estava tudo mais sereno em Braga com o golo do empate, ambas as equipas viam-se obrigadas a abrir espaços e a resolver simples. O Gent permaneceu relativamente melhor chegando até a marcar pela segunda vez. Como bom ilusionista que é, Benoit soube anular o golo fazendo com que os belgas perdessem a cabeça. Lance difícil para análise, mas o meu instinto diz-me que não pareceu irregular. Tenho dito. A verdade é uma, o Braga acordou depois do susto e lá soube equilibrar o jogo. Jogadas objectivas e com um fim único. Marcar um golo. A resposta veio então em cima do intervalo lá pelos quarenta e quatro minutos, onde Bakic tentou a sua sorte e Jacob Rinne lhe negou a festa. Grande defesa, merecedora de fotografia. Se todos sorrissem naquele momento ficava uma bonita foto de família. «Desde que não entrasse aquele primo da França que eu não gosto… Quem? O Benoit? Sim esse…» Enfim… Resultado empatado ao fim de quarenta e cinco minutos.
André Pinto foi o autor do golo Fonte: SC Braga
Veio a segunda parte e os bracarenses pareciam mais crentes no resultado. Mais fortes na luta pela bola e sempre de cabeça erguida à procura de Hassan, Pedro Santos ou Wilson Eduardo. O intervalo fez bem à turma do Minho que passou a controlar o jogo e a criar oportunidades mais que suficientes para resolver o jogo. Mas a bola não queria entrar e Benoit não estava a gostar do que via. Tanta falta por assinalar e ele sempre atrasado… «Isso não se faz! Então… Vem um senhor de fora para arbitrar um jogo nas calmas e vocês estão para ai a correr feitos tolinhos… Calma lá que o espectáculo não é vosso!» Engana-se senhor Benoit… As pessoas foram mesmo ver o Braga a jogar na Europa. Sim no país dos campeões europeus. Ups… Pois é, mas isto é tudo tão bonito que faltou mesmo saber marcar. Nem Hassan, nem Wilson Eduardo, nem André Pinto conseguiram fazer outro golo. Nem tudo foi culpa da arbitragem e o Braga podia ter jogado aquele bocadinho que faltou para marcar novamente. É tão verdade o que lhe digo, que se o Gent marcasse novamente não seria de espantar. Coulibaly bem tentou, mas Renteria só há um, portanto ficas em segundo no pódio do desperdício. O jogo acabaria então por terminar empatado a uma bola, premiando mais o Gent pelo resultado obtido fora de portas. Um ponto e cento e vinte mil euros para cada lado, com direito a espectáculo do Monsieur Benoit não incluído no preço.
Homem do jogo: André Pinto – Grande capitão que imperou no ar e em terra. Excelente jogo e com direito a um golão.
Fora de jogo: Bakic – Bom reforço mas ainda não mostrou o porquê de ter sido contratado. Aquém das expectativas e algo distante do jogo. Compreende-se a adaptação mas o clube pede mais. Peseiro também não esteve bem na receita para o jogo, retirando -se assim alguma culpas à tua participação.