“Terça-feira será uma noite perfeita; mágica”, avisara Ronaldo.
Diz-se que a melhor maneira de prever o futuro, é criá-lo, e Ronaldo já tinha decidido que seria assim. Marcou o primeiro, marcou o segundo, marcou o terceiro e marcou o seu nome na história das noites mágicas do Bernabéu. Talvez não soubesse que a bola cruzada pelo Carvajal seria desviada por um defesa, deixando-o em situação ideal para fazer o primeiro golo. Talvez não soubesse que a barreira se iria abrir quando rematou para o terceiro. (O golo de cabeça sim, já ele tinha planeado ao milímetro). Mas, se não fosse assim, seria de outra forma. Mas seria, que ele já tinha decidido.
É um bicho, como lhe chamam aqui em Espanha, que teima em superar todas as barreiras, metafóricas ou literais. Desta vez, surgiu uma barreira de sete “alemães”, alinhados para impedir que o seu remate chegasse à baliza. Mas foi inútil. O livre até era mais ao jeito de Bale, mas o galês nem se aproximou, que estava ali um homem determinado em criar o seu próprio futuro. E o pontapé de Ronaldo transmitiu um pouco daquela sua obstinação para a bola, que só tendo um feitio especial é que poderia atravessar assim a barreira, pelo único buraco que lá havia. Ali, entre os 1,98m de Naldo e os 1,87m de Guilavogui.
Punho fechado e uma veia a querer saltar do pescoço, assim se remonta. Fonte: Facebook Oficial de Cristiano Ronaldo
Os golos entrariam de qualquer forma, mas os festejos só podiam ser como foram. Não era dia de dar aquele saltinho com meia volta, que o Ronaldo já tornou famoso. Era dia de punho fechado e uma veia a querer saltar do pescoço. A mesma veia que o fez sair da Madeira sem nada e que agora o impede de se contentar com três Bolas de Ouro. Ronaldo quer sempre mais. Depois de um golo, quer o próximo. Depois de pôr 80.000 adeptos a gritar pela equipa no Bernabéu, gesticula para a bancada, reclamando mais apoio: “Vamos, c******”, grita em bom português. E fá-lo, tendo já ganho legitimidade para isso, o que não é fácil num estádio habituado a ver os melhores.
Remontadas como esta sobrevivem mais do que qualquer obra de betão. É em noites como a de terça-feira que os grandes clubes são erigidos e que as lendas são criadas. E são os seus protagonistas que alimentam sonhos de crianças e, mais tarde, alimentam as histórias que essas crianças contarão aos netos. Juanito, que jogou no Real Madrid nas décadas de 70 e 80, é um desses nomes, que se imortalizaram à base de raça e de participação em remontadas históricas, e que é dado como exemplo aos mais novos. Esta semana, o filho de Juanito disse que está cansado de ouvir os adeptos invocarem o nome do seu pai. Não será mais necessário. O Real Madrid já tem um herói para as próximas décadas.
No pavilhão municipal de Odivelas, apresentaram-se em campo duas equipas um pouco à semelhança do encontro realizado em Belgrado, com a nossa equipa a dominar o jogo e a criar as melhores ocasiões, tendo a equipa da Sérvia que jogar mais na expetativa, bem mais neste jogo do que na primeira mão.
A primeira parte resume-se a um domínio claro da equipa portuguesa, a criar bastantes ocasiões mas a não conseguir encontrar o caminho para a baliza contrária, quer por mero desacerto na zona de finalização ou pela exibição inspirada do guardião Aksentijevic, sempre a evitar maiores apuros na sua área de jurisdição. A metade final trouxe os golos e a repetição do resultado verificado no jogo anterior, desta feita com golos de Cardinal e Tiago Brito para o lado luso, enquanto Ristic deu esperanças aos sérvios, ao marcar o 1-1 na altura, num lance de rápido contragolpe após um canto mal marcado pelos nossos jogadores. Acho também importante referir que Ricardinho não logrou ser tão decisivo como habitualmente, pese embora o facto de nunca ter virado a cara à luta, mesmo quando as coisas não lhe saiam tão bem como de costume.
Os 14 heróis que conquistaram o apuramento Fonte: Seleções de Portugal
Com este resultado, está garantido o mais importante: o bilhete para a Colômbia, onde durante os dias 10 de Setembro e 1 de Outubro (esperemos, pois é o dia da final) poderemos ver a nossa talentosa equipa a espalhar magia por terras colombianas, num espaço onde voltámos a provar ter equipa com qualidade mais que suficiente para justificar a presença no próximo campeonato do mundo. Ainda é um pouco precoce para falar em possíveis adversários, pois ainda não estão todos definidos mas, venha quem vier, é para dar tudo e fazer o nosso melhor para, pelo menos, poder dizer que, independentemente de resultados, demos tudo para conseguir alcançar o melhor lugar possível.
Agora, falando um pouco mais objetivamente, penso que, dependendo do sorteio, que a ida às meias-finais é um objetivo talvez demasiado ambicioso, mas claramente ao alcance da seleção. Claro que para isso acontecer é necessário termos todos os nossos melhores elementos na melhor forma para atacar esta competição com toda a confiança. A prova inequívoca em como somos uma das grandes potências a nível continental e também mundial é que desde 2001 que não falhamos uma grande competição de seleções, seja Europeu ou Mundial, ou seja, já lá vão uns incríveis 15 anos! Espetacular, não?
Amigos, conhecidos, simpatizantes e todos os leitores que leram esta rubrica até aqui…
Queria fazer uma nota prévia para o facto de o passo 8 e 9 saírem juntos.
Foi um ciclo duríssimo para a equipa e fisicamente não me encontrei em todos os momentos o melhor possível daí ter sido impossível o passo 8 (após o jogo com o CVA) sair na semana passada.
Farei então um balanço do que foram esses dois jogos, do que falta, aspirações e teremos uma entrevista alargada com a vice capitã Gilda Santos!
Obrigado pela compreensão!
Então vejamos….
CVA 3 CC 2
“Perdemos!”
Às vezes, o quase chega. Desta vez devia chegar. A caminhada foi duríssima até aqui. Da equipa de setembro, oscilante, que perdeu com os Maristas, no início do Regional, até esta equipa personalizada que pôs o favoritíssimo a 3 pontos do Adeus. Foi possível isto tudo! Houve treinar com a casa as costas, fazer das tripas coração para que a viagem fosse o mais tranquila possível, um esforço financeiro incrível por parte das jogadoras e comissão técnica e os entendidos todos a explicar que, no fundo, não éramos bons o suficiente, que CVA e LVC eram muito superiores as equipas de Lisboa e que nos tínhamos que contentar com o 3º lugar… Para, no fim, estarmos a 3 pts de sair de Aveiro com um incrível 3-1 e eliminando o favorito de todos. O Guilherme fez um trabalho excepcional durante as semanas que antecederam o jogo em todos os capítulos, foi inexcedível na viagem e tive o orgulho de ver uma equipa sê-lo ali mais uma vez, um conjunto que nos deve deixar a todos estupefactos pela quantidade de dificuldades que teve sempre atirada a cara e mesmo assim esteve tão perto do sonho. A equipa com a qual era possível. Podíamos perder este jogo mais 10 vezes seguidas, que era possível. Podia ter caído nosso, em qualquer um dos 5 Side-outs da sequência infernal do 4º set!
Mas às vezes, como neste caso, o quase não chega. Não me levem a mal, eu tenho todo o orgulho nelas. Tive a oportunidade de lhes confessar em reunião na segunda-feira após que, de longe, elas representam um dos projectos que mais me orgulho na minha carreira e que inevitavelmente é ali, no pavilhão, com elas que gosto de estar no dia-a-dia.
Mas neste caso não posso só gostar de ser do CC, de termos feito tudo, de termos ido longe, não posso ter só orgulho nelas. É que ficar conformado com esta derrota, um segundo que fosse, era insultar o que esta equipa pôs em campo. Tenho todo o orgulho nelas, mas não posso ficar feliz pelo que elas conseguiram. Neste caso o quase não chegava, não era o dia de sermos os campeões morais. Precisávamos que fosse nosso, elas podiam tê-lo feito nosso; se perdemos, perdemos tanto quanto se podia perder. Olhando para o jogo não estamos orgulhosos, porque não ganhamos; neste caso, a nossa maior honra é estarmos frustrados e impotentes e desolados porque perdemos. É que só perde quem pode ganhar. Nós pudemos. Não temos de estar orgulhosos. Um bom perdedor é perdedor a vida inteira.
«A pessoa que disse “eu prefiro ter sorte do que ser bom” viu a vida de forma cristalina. As pessoas têm dificuldade em perceber que uma grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar na quantidade de coisas que estão para lá do nosso controlo. Há momentos num jogo [de ténis] em que a bola bate no cimo da rede e, durante uma fracção de segundo, tanto pode passar para o outro lado como resvalar para trás. Com um pouco de sorte cai para a frente, e ganha-se a partida». Assim começa o filme Match Point, de Woody Allen. As imagens que acompanham a narração são de uma bola de ténis a ser repetidamente batida de um lado para o outro do court, sem que se vejam os jogadores. A dado momento, um deles atira-a contra a parte superior da rede e ela sobe, ficando suspensa no ar exactamente a meio caminho entre qualquer um dos lados. Por fim, a cena muda. Ninguém sabe, por enquanto, qual o desfecho desse ponto decisivo.
A metáfora usada pelo cineasta norte-americano é aplicável a qualquer situação da vida quotidiana mas, uma vez que é de futebol que aqui se falará, manteremos a comparação no plano desportivo. Como seria o mundo do futebol se o Manchester United não tivesse marcado dois golos nos últimos dois minutos ao Bayern de Munique, na final da Liga dos Campeões de 1999? Ou se o penálti decisivo que John Terry enviou ao poste na final da mesma competição em 2008 tivesse ido uns centímetros mais para dentro e entrado na baliza do United? Ou ainda se Sergio Ramos não tivesse marcado de cabeça ao cair do pano na final de 2014, impedindo o Atlético de Madrid de conquistar a sua primeira Champions e permitindo que o Real chegasse à tão ansiada décima? Tudo questões de pormenor, de sorte ou falta dela, que mudaram para sempre a história do futebol.
Equipa do Sporting em 1959/60. Podia ter sido ela a representante portuguesa na Taça dos Campeões de 1960/61, ganha pelo Benfica Fonte: Portal Sporting Memória
Vem tudo isto a propósito de um vídeo recente onde José Augusto, velha glória do Benfica, confessa que marcou um golo irregular contra o Sporting, na época de 1959/60: “quando o Fernando Mendes me ultrapassa dou-lhe um toque no pé, ele espalha-se ao comprido (…) e eu faço o golo”. E qual é o interesse de ir recuperar, quase seis décadas depois, um dérbi longínquo? Simples: o Sporting tinha-se adiantado no marcador, nesse jogo de meados de Dezembro de 1959, e José Augusto fez o empate. A partida terminou 1-1. Nesse ano, o Benfica sagrar-se-ia campeão com dois pontos de avanço sobre os leões, havendo margem para admitir que, caso a irregularidade do jogador encarnado tivesse sido sancionada, o Sporting acabaria a temporada com 44 pontos, os mesmos do rival (na época, as vitórias valiam apenas dois pontos e, caso o Sporting tivesse vencido em Alvalade por 1-0, uma vez que o Benfica venceria por 4-3 na Luz, o desempate teria de se fazer pela diferença de golos, onde os verde-e-brancos levavam vantagem – 82 marcados e 20 sofridos contra 75 e 26 do Benfica). Nesse caso os leões seriam, portanto, campeões nacionais. Mas não é tudo: uma vez que, naquela altura, a presença na Taça dos Campeões Europeus estava limitada aos campeões de cada país, se o Sporting terminasse em primeiro na liga portuguesa de 1959/60 seria o representante luso na Europa em 1960/61, ficando o Benfica de fora (a Taça das Taças e a Taça Uefa só seriam criadas mais tarde). Ora, tal não só não aconteceu como os encarnados viriam mesmo a sagrar-se campeões europeus nesse ano.Isto é, a falta de José Augusto, que o próprio admitiu ter existido, parece insignificante à primeira vista mas pode ter tido, na verdade, consequências de dimensões impensáveis. Tinha assim início a odisseia vitoriosa dos homens de Béla Guttmann na Europa do futebol, que se repetiria em 1961/62 com novo título.
Que fique claro: o que aqui se faz não é, de forma alguma, uma desvalorização da extraordinária equipa do Benfica dos anos 60 ou um ajuste de contas com a História, até porque se parte do princípio de que o árbitro Raul Martins (e não Décio de Freitas, como afirma o ex-jogador das águias) agiu de boa-fé – daí neste texto falar-se em sorte e não se enveredar por caminhos menos salutares, ainda que, em bom rigor, um golo precedido de falta pouco ou nada tenha em comum com a beleza de um golo heróico marcado ao cair do pano, como aqueles a que acima se aludiu. E também não se está a dar nada por garantido, ou seja, não era, obviamente, 100% seguro que o Sporting fosse o campeão nesse ano. Trata-se aqui, isso sim, unicamente de revisitar um episódio tão marcante quanto esquecido e que o próprio José Augusto trouxe agora a público.
Da mesma forma que não se exige de um historiador europeu actual que peça desculpa pelas cruzadas ou pela escravatura levadas a cabo em séculos anteriores, também aqui o objectivo não é atirar “culpas” para cima dos adeptos benfiquistas ou do próprio José Augusto, que fez o que muitos outros fariam em prol da sua equipa. Trata-se apenas de dar a conhecer um acontecimento relevante e curioso da História do futebol português – feliz para o Benfica, aziago para o Sporting – que pode ter estado na génese de uma das fases mais bem-sucedidas de sempre de um clube nacional. E, assim como se afirma que o objectivo deste texto não é desvalorizar ou desmerecer ninguém, também não se pode deixar de reforçar que optar pelo silêncio ou pelo encobrimento seria bem menos recomendável e até incongruente – uma vez que, como se viu, o próprio José Augusto não tem problemas em que este episódio seja do conhecimento público.
Na época, a versão de José Augusto foi diferente daquela que agora confessou (Imagem retirada do vídeo aqui apresentado)
Enquanto Sportinguista, à distância de tanto tempo, estou pouco interessado em entrar em polémicas sobre se o meu clube seria ou não campeão nessa temporada do virar da década de 50 para a de 60. Felizmente, a História do Sporting vai muito para além das efemérides dessa época desportiva. Aqui apenas se expõe essa possibilidade muito plausível, porque a verdade é que os leões terminaram o campeonato praticamente colados aos rivais (43 pontos contra 45) e têm, portanto, razões para pensar que a sorte foi muito cruel para eles tanto no dérbi como no desfecho desse campeonato.
“Se a vida depende muito da sorte, foi justamente sorte que tivemos, e ainda bem”, defender-se-ão os benfiquistas. Já os adeptos do Sporting queixar-se-ão, e não sem motivos para isso, do fatídico momento em que o árbitro validou, nesse dérbi de 1959/60, o tal golo irregular que colocou o Benfica no caminho do título e da glória europeia que se lhe seguiu. Recuperando a metáfora do início do texto, em Dezembro de 1959 o clube da Luz atirou uma pequena bola de ténis contra a rede. Esta acabou por balançar e cair no campo do adversário, originando o melhor match point da existência benfiquista. O resto, já se sabe, é História. Mas, com a ajuda de José Augusto, passados quase sessenta anos tornou-se possível relatar de maneira mais rigorosa a forma como lá se chegou.
Palavras do árbitro Raul Martins após o jogo (Imagem retirada do vídeo aqui apresentado)
Com apenas 23 anos, Mario Götze já jogou cinquenta vezes pela seleção alemã e disputou centenas de jogos ao mais alto nível por Borussia Dortmund e Bayern Munique, entre eles uma final na Liga dos Campeões disputada, precisamente, pelos dois emblemas germânicos. Apesar da tenra idade, estamos a falar de um atleta com um currículo invejável e já com muita experiência internacional, além de um enorme talento, há muito reconhecido.
Em 2015/2016, porém, as coisas não estão fáceis para Götze. O jogador do Bayern, herói nacional na final do Campeonato do Mundo, em 2014, onde marcou o golo que deu o tão ansiado título à Alemanha, realizou, até ao momento, apenas 15 jogos oficiais pelo clube que bateu a sua cláusula de rescisão no verão de 2013, contratando-o ao Borussia; no total, foram apenas seis as vezes em que completou os 90 minutos de uma partida, algo que não faz desde a receção ao Dortmund, em outubro, onde também marcou o seu último golo.
Números fracos para um atleta desta qualidade, que, verdade seja dita, já passou alguns meses lesionado esta época, ainda que essa não tenha sido a única razão para o seu “desaparecimento” do lote de jogadores mais importantes do plantel do campeão alemão. Antes de perder a maioria dos jogos do Bayern entre outubro e fevereiro, por lesão, o médio já não constava da lista dos “preferidos” de Pep Guardiola, que o havia utilizado em mais de 90 ocasiões nas duas últimas temporadas.
Götze num dos melhores momentos da sua carreira, a dar o Mundial à Alemanha em 2014 Fonte: FIFA
O problema de Götze, além de não ter correspondido nas poucas vezes em que foi utilizado esta época, foi a concorrência de qualidade para os lugares mais avançados do meio-campo do Bayern. Um clube desta dimensão internacional tem, por norma, um plantel apetrechado de atletas com qualidades acima da média, mas não foi isso que impediu um (ainda mais) jovem Götze de se assumir em pleno na Allianz Arena. Mas, nesta época em específico, o “camisola 19” do conjunto bávaro teve de partilhar um dos lugares nas alas ofensivas com os reforços Douglas Costas e Kingsley Coman, a que se juntam Franck Ribéry, Arjen Robben e até Thomas Müller, que também pode fazer a posição. São muitos jogadores de qualidade para poucas vagas, portanto é normal que nem todos possam jogar o tempo por eles desejado.
Sou de opinião – e sei que estou longe de ser o único a pensar assim – que Götze tem lugar em quase qualquer plantel do mundo; e, provavelmente, embora seja sempre complicado entrar no campo do imaginário, seria titular em muitos dos planteis do mundo. Tendo esse fator em consideração, não seria de surpreender que o jogador quisesse sair no final desta época. Aliás, se Carlo Ancelotti, que vai orientar o Bayern a partir de 2016/2017, não contar com o prodígio alemão, será do interesse do próprio clube vendê-lo já este verão, uma vez que o seu contrato termina no final da próxima temporada.
Até se poderia falar num eventual regresso ao Dortmund, mas a “yellow wall” do Signal Iduna Park já mostrou que muito dificilmente aceitaria Götze de volta. Interessados, contudo, não lhe faltarão, certamente.
Como em todas as orquestras, o papel do maestro é crucial. É ele que dirige, que define os tempos e os compassos e que “dá o corpo às balas” quando alguém é atraiçoado pelos nervos.
No Sporting Clube de Portugal acontece o mesmo. Não estou a falar de Jorge Jesus, falo antes de Adrien Silva e da falta mais que notada no relvado de Alvalade no último encontro diante do SC Marítimo.
Já nos tínhamos dado conta desta realidade, da qualidade que empresta ao jogo coletivo leonino, da capacidade de luta e do espírito de sacrifício.
Jamais se poderá apontar o dedo a Adrien no que toca a cada uma destas valências. É dos jogadores da Liga NOS com mais quilómetros nas pernas, mas nem isso o faz perder a vontade de ajudar o Sporting CP a conquistar o título.
Quanto ao jogo, para além dos três pontos e da melhoria significativa de Teo Gutiérrez, fez mais falta quem não esteve.
O meio campo leonino não carbura sem Adrien. A intensidade perde-se, a definição do passe, a saída de pressão, o processo ofensivo e defensivo. Perde-se sobretudo a alma leonina.
E mais que isso, todos os outros intervenientes dão a ideia de que não estão a jogar o suficiente, até mesmo João Mário que não me canso de elogiar. Porquê? Porque o nosso maestro potencia todas as qualidades dos seus companheiros, confere-lhes segurança no processo defensivo e depois há o jogador que melhor define quando tem que se partir rumo ao meio campo adversário.
William e Aquilani cumpriram os mínimos, mas ficaram uns degraus abaixo do soneto que normalmente este maestro dirige em todos os relvados nacionais.
Adrien Silva, o “motor” do meio campo verde e branco Fonte: Sporting CP
Por outro lado – e se restassem dúvidas – a equipa verde e branco mostrou-se determinada a lutar até ao fim, agilizando os movimentos e tentando de uma forma ou outra visar a baliza madeirense defendida por um guardião que sempre admirei que teve um par de defesas de elevada qualidade.
Foi bom rever a alegria de Matheus Pereira que após um período mais longo de ausência, voltou a agitar as bancadas leoninas, essas também alegres e felizes por mais uma vitória, não tanto pela exibição.
É sempre agridoce apontar fatores negativos depois de uma vitória, parece atingir sempre um sentimento de ingratidão para os onze que começaram o jogo e os três que deram o seu contributo no decorrer do mesmo. Mas talvez seja depois das vitórias que temos mais discernimento emocional para o fazer, e apontaria para a utilização de Bruno César como defesa esquerdo.
Não é de longe a sua posição, não tem capacidade suficiente para cumprir o papel que se pede a um homem que tem de defender bem e depois, por culpa deste sistema de jogo, fazer o corredor todo durante grande parte do encontro. Com Jefferson ainda a recuperar de lesão, Marvin Zeegelaar é, na minha modesta opinião o substituto natural, ele que até jogava muitas vezes a extremo no Rio Ave.
Diria até que será o defesa esquerdo titular do Sporting CP na próxima temporada.
O amor que se sente por algo ou alguém tem de vir acompanhado de alguma paciência, porque é ela que vai revelar a verdadeira magnitude desse sentimento quando as coisas começarem a correr menos bem.
Uma mulher pode corresponder o amor que se sente por ela, mas se, a partir de certa altura, ela começar a manifestar intenções (assumidamente ou não [como tanto acontece hoje em dia!]) de privar algum do tempo que o namorado dela passa com os amigos, aí entra em jogo a paciência. O “fugir ou combater”, o acabar a relação ou aceitar a adversidade e lidar com ela como se de algo normal se tratasse, a “negociação”. Muitos não tolerarão, independentemente da coincidência no gosto musical, da integridade, da auto-estima que ela transmite e contagia ou da letra da copa do soutien dela, outros terão paciência para ver nesse obstáculo uma forma de fortalecer a relação, melhorando em conjunto. Mesmo sabendo que ela estará a fazer algo de errado, lidam com o problema, desculpam, e voltam a amar tanto ou mais como antes. Tudo depende da paixão e/ou do crescimento emocional do “desiludido”.
É possível encontrar um paralelo no que diz respeito a adeptos de futebol e o respectivo clube. Estas micro-interacções acontecem quando a equipa está longe de praticar o melhor futebol e de justificar o investimento emocional que nela é depositado. O jogo aproxima-se do fim e o resultado não agrada. Há adeptos que ficam frustrados com ela, os jogadores passam a ser uns desavergonhados que não merecem o dinheiro que ganham, sem honra nem gratidão para com a camisola que vestem e, supostamente, não suam. Há outros, mais apaixonados, que se mantém optimistas mesmo com um penalty falhado e a jogar em inferioridade numérica, porque não será com frustração que conseguirão aquilo que será melhor para eles – a vitória. Então apoiam, independentemente do resultado e das circunstâncias do jogo. Querem ver a outra parte da relação (equipa) bem, para que eles também estejam bem e possam celebrar juntos.
Jiménez foi um veículo com duas pernas e 1,90m de altura da crença dos adeptos Fonte: #SL Benfica
Em Portugal, são raros estes casos de inteligência emocional, mas quando se verificam, tornam o público como o autêntico 1º jogador em campo (e não 12.º). O protagonista, o autor do golo. Claro que ninguém vem da bancada encostar a bola para a baliza, mas a forma como os jogadores sentem a confiança do público tem uma influência tremenda na sua performance, mesmo que as coisas lhes não estejam a correr bem até então.
O mítico “Hell of the North” (que começou a ser disputado em 1896 – uma das mais antigas do pelotão), uma das melhores e mais conhecidas clássicas do ciclismo mundial e uma das minhas provas preferidas. Temos presente, todos os anos, a competitividade, a emoção, a incerteza, o “empedrado” (ou pavé), as quedas, as táticas diversas, ciclistas e equipas de qualidade e um grande espetáculo. Quase todos, se não mesmo todos, os ingredientes precisos numa prova de elevada categoria.
Este ano não foi exceção. Uma corrida com muita imprevisibilidade até ao fim e com vários candidatos a vencerem uma das mais famosas corridas. Dois desses favoritos à vitória final eram Tom Boonen e Fabian Cancellara, o primeiro com quatro vitórias nesta prova e o segundo com três. Nenhum dos dois teve o desfecho desejado, sendo que ambos tiveram “destinos” diferentes ao longo da corrida.
Uma prova que começou bem, mas, ao fim de um certo tempo, começou a existir as primeiras incidências. Um corte no pelotão levou a que Boonen e mais um bom grupo de ciclistas (onde estava, por exemplo, Hagen ou Vanmarcke, outros candidatos à vitória) ficassem com uma vantagem importante para o grupo de Cancellara e o campeão do mundo, mais um dos favoritos, Peter Sagan (ele que, já este ano, ganhou a Gent-Wevelgem e o Tour de Flanders – para mim, tem capacidade para, daqui a uns anos, ter ganhado todos os Monumentos).
Numa fase em que o grupo do Spartacus e do camisola arco-íris se aproximava do grupo que liderava a prova, o vencedor de três Paris-Roubaix’s caiu e terminou ali com quaisquer esperanças que poderia existir para ele, pelo menos em termos de vencer a prova. Nota para a excelente capacidade técnica de Sagan, que evitou também ficar envolvido na queda com alguns outros ciclistas, conseguindo passar por cima da bicicleta do próprio Cancellara (ainda assim, este acontecimento foi o suficiente para o campeão do mundo ficar definitivamente fora da luta pela vitória). Infelizmente, a “sorte” não quis nada com um dos melhores ciclistas, não só desta prova como deste século, e que irá abandonar o ciclismo sem vencer, por uma última vez, uma das suas provas prediletas.
Foi uma despedida inglória para o enorme Spartacus Fonte 20minutes.fr
Na frente da corrida, também existiram alguns “azares”. Os homens da Sky (equipa que tem estado a dominar este início de temporada mas que ainda não tem nenhum Monumento no seu palmarés), em pouco espaço de tempo, ficaram com três homens afetados, devido a duas quedas. Esse grupo passou de 10 para cinco na parte final, e esses discutiram a vitória entre si até ao final, com várias mudanças de liderança no grupo, ataques e contra-ataques. Entre eles, tínhamos, com a ordem a ir desde o quinto classificado até ao primeiro classificado deste Paris-Roubaix: Boasson Hagen (Dimension Data), Sep Vanmarcke (LottoNL-Jumbo), Ian Stannard (Sky), Tom Boonen (Etixx) e… Mathew Hayman (Orica), o grande vencedor!
Quando se previa que Tom Boonen fosse fazer ainda mais história e ser o recordista isolado de conquistas da prova francesa (tal como já foi referido, tem quatro, as mesmas do que Roger De Vlaeminck – campeão nos anos 70), Hayman, ciclista com 37 anos – completa 38 este mês – e com muito poucos ou nenhuns resultados de destaque nos últimos anos, depois de muitos quilómetros em fuga e com o grupo de Boonen, consegue arrecadar, ao sprint, a vitória provavelmente mais importante da sua longa carreira (desde 2000, pelo menos, que compete profissionalmente).
A vitória do australiano da Orica foi das maiores surpresas dos últimos tempos Fonte: Paris-Roubaix
Peter Sagan foi “apenas” 11.º, Cancellara terminou no 40.º lugar, a mais de sete minutos do vencedor, algo compreensível tendo em conta a queda e a impossibilidade de não conseguir conquistar nada na prova. Kristoff, outro dos principais candidatos, teve um furo e acabou por ser prejudicado devido a isso, terminando na 48.ª posição, a mais de 14 minutos. Outros favoritos à partida para esta corrida acabaram por ter de desistir, principalmente devido às tais quedas (exemplos disso foram ciclistas como Lars Boom, Niki Terpstra ou Daniel Oss).
Apesar da parte menos boa que a prova nos “deu”, há que salientar o enorme espetáculo protagonizado pelos mais variados ciclistas. Os setores de “pavé” trouxeram a sua imprevisibilidade do costume (e umas boas dores de costas a alguns ciclistas, possivelmente…) e tivemos muitas jogadas táticas desde o início ao fim.
Uma das melhores provas do ano, uma das minhas preferidas, teve um vencedor inesperado (mas, de certa forma, justo, principalmente por todo o desgaste que teve ao longo da prova e o facto de ainda ter conseguido vencer ao sprint – a sua expressão no final “dizia” praticamente tudo), mas não deixou de ser espetacular por isso. Ainda assim, tinha preferido que o Boonen tivesse feito mais história ou o Cancellara terminasse a sua carreira com uma vitória numa das provas mais míticas do ciclismo e onde ele próprio teve bastante sucesso. Nem uma dessas situações aconteceu, mas recordar-se-á, na mesma, o grande Paris-Roubaix que tivemos em 2016!
PS: O suíço Cancellara ainda voltou a cair no final da prova, aquando das despedidas entre ele e o público, já na própria arena, mesmo na parte final e quando levava a bandeira da Suíça. Nem aí as quedas o deixaram em paz. Incrível, que infelicidade.
PS2: Tenho de salientar que, na Volta ao País Basco, outro grande ciclista e que irá terminar a carreira, em princípio, este ano, Alberto Contador, venceu, de forma justa, a prova e superou concorrência muito boa vinda de, principalmente, Henao e Quintana, respetivos segundo e terceiro lugares no final. O português Rui Costa foi sétimo na última etapa – contrarrelógio individual – e esteve muito perto de vencer uma outra etapa, ficando em segundo lugar, sendo que terminou a corrida espanhola no sétimo lugar da classificação geral.
Antes de mais tenho algo a dizer. SC Braga, agora que tenho um cantinho para falar de ti, tu deixas-me mais uns dias à espera… 1-1 no fim… Pazes (quase) feitas! Que seja quinta-feira a vitória que por mim espera. Aí, sim, fazemos as pazes!
E agora um bocadinho do jogo para apaziguar a coisa. Num dia algo frio e chuvoso, não houve rigorosamente nada que tenha corrido bem ao Braga. Três jogadores a saírem lesionados, aos quais esperemos que nada de grave tenha sucedido. Uma série de remates defendidos por parte de Stefanovic, que, com uma grande exibição, deverá ter levado a bola para casa. Ou parte dela… Quanto mais não seja na boca… Visto que esta também foi a última linha de defesa. Por curto que seja o espaço, aquele sorriso de orelha a orelha de Stefanovic foi crucial. Por fim, uma equipa em alta rotação, que de tanta rotação deixou o carro em velocidade cruzeiro e poupou gasolina nas descidas. Todos devem jogar. Concordo a 100% com esta velha afirmação. Mas não todos ao mesmo tempo… As alterações efectuadas pelo Braga, a começar na baliza e a acabar no ataque, são inteligentes e necessárias, mas demonstram através do resultado que ou se roda ou se põe a bola a rolar. Independentemente de tudo, lá algo remendados, demos a volta à situação e espalhámos o nosso bom futebol.
Merecíamos mais sorte no jogo e não na arbitragem. Depois de um golo anulado, a meu ver mal, à equipa do Moreirense, o jogo transcreveu-se em mais do mesmo. No final da primeira parte, não tivesse sido o remate para golo de Iuri Medeiros, o Moreirense ia para intervalo sem perceber em qual baliza atacava. Do Braga fica uma série de tentativas, com Stefanovic a ser a estrela do jogo. Findo o primeiro tempo e começado o segundo, o Moreirense, numa boa entrada em campo, pressiona o Braga e consegue colocar-se em vantagem no marcador. Tal foi a pressão que a bola acabou mesmo por entrar. No meio de tanta gente, foi Evaldo o último a lá chegar. Um para os cónegos e zero para os arcebispos. Num jogo com tanta religiosidade, foi penálti para o Braga. Stefanovic, em jeito de passada, consegue não um, nem dois, mas perto de três metros a Josué, que, com a sua modesta estatura, igual à minha, diga-se, por sinal, vê o caminho da baliza mais curto e nova gracinha para o guarda redes do Moreirense. Adivinhe-se onde é que a bola acertou na recarga? Mais não digo.
O guardião foi o melhor em campo Fonte: SC Braga
De seguida, mais um conjunto infindável de ataques e remates do Braga, que por muito que continuassem haveriam de nunca entrar. Os cónegos viram que a sorte do jogo não estava do lado arsenalista e aproveitaram da melhor forma, explorando as costas e o erro. Miguel Leal lança Boateng na corrida, que, apanhando o testemunho de Iuri, foi quase sempre em frente. O Braga, lá tremido, foi-se aguentando.
Jogo muito duro de parte a parte, mas quem ofereceu mais pancada esta semana foi mesmo o Moreirense. Vermelho dentro de campo, Vitor Gomes fora. Apanhando-se numa vantagem numérica aparente, pois esgotadas as substituições, Arghus e Baiano saem de cabeça erguida mas de pernas bem marcadas, fazendo companhia a Pedro Santos, que já se encontrava nos cuidados médicos. O Braga lá continuou a massacrar, apesar de algumas bolas perdidas sem grande desculpa no meio-campo. Tentava e tentava, mas não era hoje que Stefanovic deixava. Até que, do alto da sua estatura, Boly, na cara do golo, faz o empate e retira o sorrisinho, mal merecido diga-se de passada, bem merecido de passagem, ao guarda-redes da equipa visitante. No final, 1-1. Ninguém ganhou, ninguém perdeu. Paz no Minho entre cónegos e arcebispos. Que a sorte esteja com o Braga na quinta-feira.
Quinta-feira quero fazer as pazes! Força, Braga! Sempre juntos!
A figura:
Stefanovic – Com todas as partes do corpo negou o golo ao Braga, e é a ele que o Moreirense deve agradecer o ponto conquistado.
O Fora de Jogo:
Vítor Gomes – Tanto pela imprudência nas entradas, como pelo penálti cometido e pela a expulsão, tornou-se “quase” um mal menor para o Moreirense…
O Sporting continua firme na perseguição ao atual líder do campeonato, tendo vencido sem problemas de maior o Marítimo. Quando faltam cinco jornadas para o final, a curta distância existente, as exibições sólidas dos “leões” e as exibições tremidas do rival alimentam as esperanças leoninas de fazer a festa em maio.
Na partida de ontem, onde se reparou na ausência de Adrien, devido a castigo, com Slimani e João Mário em bom plano mas sem um brilho reluzente, foram outros dois jogadores a merecer os maiores destaques: William Carvalho e Teo Gutiérrez. Para mim, não é surpreendente o destaque positivo para o médio. Já tinha escrito aqui sobre a evidente subida de forma do internacional português após a visita a Guimarães. Depois de uma lesão que lhe retirou a pré-época, sentiu grandes problemas para se impor no esquema de jogo da equipa na primeira parte da temporada, sendo várias vezes substituído ao intervalo. Atualmente, o sub-capitão já voltou a ser um dos soldados indiscutíveis do treinador e ontem voltou a demonstrá-lo. Esteve muito forte em todos os aspetos do jogo e coroou a excelente exibição a nível defensivo com a condução de vários ataques e um golo, num remate potente de pé esquerdo.
Contudo, como se percebe pelo título, o principal protagonista deste texto vai ser Teo Gutiérrez. Neste espaço, já critiquei inúmeras vezes este colombiano, por falhar golos incríveis, por egoísmo em alguns momentos do jogo ou pela sua rábula ridícula após o Natal.
Porém, chegou hoje a altura de levantar um pouco a guarda no que toca a essa contestação. O avançado “cafetero” apontou cinco golos nas últimas três partidas; contudo, nem é tanto pelos golos que lhe é devido este elogio. É mais pelo empenho e pela disponibilidade física que Teo tem mostrado. Depois de ter sido afetado por uma pubalgia e também por alguma preguiça em grande parte da temporada, o dono da camisola 19 parece ter renascido das cinzas a que já estava condenado pelos adeptos, nomeadamente depois de lhe terem assobiado em alguns encontros. Agora, sim, já é hábito vê-lo a ir muitas vezes a uma das alas para baralhar as defesas contrárias, ou a baixar até ao meio campo para vir buscar jogo, permitindo assim que João Mário e Bryan Ruiz se aproximem de Slimani e funcionem como segundo avançado em alguns momentos. Continua a mostrar que tem qualidade de sobra no momento do remate e que tem inteligência em vários momentos do jogo.
Um dos momentos em que o remate era melhor opção mas Teo optou por mais uma finta Fonte: Sporting CP
Apesar de continuar a pecar em alguns aspetos, como a pressão imediata sobre os defesas adversários ou o egoísmo em algumas tomadas de decisão, o colombiano parece estar finalmente de regresso, sendo um soldado de arma em punho para fazer frente às defensivas contrárias. Contudo, existe ainda outro aspeto em que se voltou a reparar ontem e que tem sido recorrente durante a temporada, não sendo exclusivo de Teo Gutiérrez: as falhas na finalização. E quando falo neste aspeto não me refiro à falta de pontaria dos remates. Os “rodriguinhos” e a cerimónia na hora de alvejar as redes contrárias têm tirado vários golos aos “leões” nesta temporada, e ontem vimos lances de Teo, Bryan Ruiz, João Mário e até do próprio Slimani em que o remate simples era a melhor opção. Nestes cinco jogos que faltam, as falhas têm de ser reduzidas ao máximo porque acredito que, se o Sporting vencer os cinco jogos que lhe faltam, será campeão.
A próxima batalha será em Moreira de Cónegos, enquanto o Benfica vai receber o Vitória de Setúbal. Não acredito que nenhum dos concorrentes ao título perca pontos no próximo fim de semana, mas para isso será preciso um leão bem desperto e a querer resolver o jogo no Minho logo desde o início. Para isso, já podemos contar com um Teo Gutiérrez mais envolvido com a equipa e com o clube e já poderemos contar também com o capitão Adrien, que é sempre uma presença importante em campo. Quanto a Teo, tem capacidade para ser uma peça fulcral na equipa, mas continuo a achar que, se pudermos encaixar alguns milhões com ele no final da época, o melhor será vendê-lo.